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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI - Eduardo Alves da Costa



Professor PUC Goiás


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSki



Assim como a criança humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Nos dias que correm
a ninguém é dado repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência. A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.


Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo. Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós. Dizem-nos que é preciso defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade, procurando, num sorriso, esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes, o coração grita – MENTIRA!

EDUARDO ALVES DA COSTA Niterói, RJ, 1936

Nota: Poema publicado no livro ‘Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século’, organizado por José Nêumanne Pinto, página 218.

Fonte: http://inquietudine.wordpress.com/2009/04/09/no-caminho-com-maiakovski/ Acesso em 23/05/2010

domingo, 26 de julho de 2020

Castro Alves - O povo ao poder - Paulo Vinícius recita




Castro Alves


O povo ao poder


QUANDO nas praças s'eleva
Do povo a sublime voz...
Um raio ilumina a treva
O Cristo assombra o algoz...
Que o gigante da calçada
Com pé sobre a barricada
Desgrenhado, enorme, e nu,
Em Roma é Catão ou Mário,
É Jesus sobre o Calvário,
É Garibaldi ou Kossuth.


A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor.
Senhor!... pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua de seu...
Ninguém vos rouba os castelos
Tendes palácios tão belos...
Deixai a terra ao Anteu.


Na tortura, na fogueira...
Nas tocas da inquisição
Chiava o ferro na carne
Porém gritava a aflição.
Pois bem... nest’hora poluta
Nós bebemos a cicuta
Sufocados no estertor;
Deíxai-nos soltar um grito
Que topando no infinito
Talvez desperte o Senhor.


A palavra! vós roubais-la
Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.
Mas qu'infâmia! Ai, velha Roma,
Ai, cidade de Vendoma,
Ai, mundos de cem heróis,
Dizei, cidades de pedra,
Onde a liberdade medra
Do porvir aos arrebóis.


Dizei, quando a voz dos Gracos
Tapou a destra da lei?
Onde a toga tribunícia
Foi calcada aos pés do rei?
Fala, soberba Inglaterra,
Do sul ao teu pobre irmão;
Dos teus tribunos que é feito?
Tu guarda-os no largo peito
Não no lodo da prisão.


No entanto em sombras tremendas
Descansa extinta a nação
Fria e treda como o morto.
E vós, que sentis-lhe o pulso
Apenas tremer convulso
Nas extremas contorções...
Não deixais que o filho louco
Grite "oh! Mãe, descansa um pouco
Sobre os nossos corações".


Mas embalde... Que o direito
Não é pasto do punhal.
Nem a patas de cavalos
Se faz um crime legal...
Ah! não há muitos setembros
Da plebe doem os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensangüentado
Diz: já não posso sofrer.


Pois bem! Nós que caminhamos
Do futuro para a luz,
Nós que o Calvário escalamos
Levando nos ombros a cruz,
Que do presente no escuro
Só temos fé no futuro,
Como alvorada do bem,
Como Laocoonte esmagado
Morreremos coroado
Erguendo os olhos além.


Irmãos da terra da América,
Filhos do solo da cruz,
Erguei as frontes altivas,
Bebei torrentes de luz...
Ai! soberba populaça,
Rebentos da velha raça
Dos nossos velhos Catões,
Lançai um protesto, ó povo,
Protesto que o mundo novo
Manda aos tronos e às nações.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Pela UNIDADE dos Bancários(as), Juntos somos mais fortes! Veja a fala que fiz na Assembleia.

Amigos e amigas, Peço-lhes que acompanhem a fala que fiz na assembleia do Sindicato dos Bancários que elegeu com amplíssima unidade uma comissão eleitoral representativa de todos os bancários e bancárias. Reflito sobre o momento difícil que vivemos, sobre a responsabilidade da esquerda e da categoria como todo em se unir para vencer as ameaças contra nossos direitos e as empresas em que trabalhamos. defenda uma frente Ampla dos Bancários para derrotar quem quer vender as estatais destruir a Previdência e enterrar a democracia. Juntos somos mais fortes!

https://youtu.be/Pc6hqQ-0YGQ



Agradecemos as imagens obtidas pela Comunicação do Sindicato dos companheiros da CUT, que registraram a assembleia.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Vídeo - 20ª Conferência dos Bancários - Falei pela CTB sobre as eleições de 2018 - Rosolução



RESOLUÇÃO 
As delegadas e os delegados eleitos e reunidos na 20ª Conferência Nacional dos Bancários, reforçam a importância do respeito à democracia, da realização das eleições 2018 e orientam a escolha de candidatos comprometidos com a classe trabalhadora. 
Isso significa candidatos à Presidência da República que se comprometam 
com a revogação da reforma trabalhista, 
revogação da PEC da Morte, 
da revogação da lei das terceirizações e 
em defesa das empresas públicas, da democracia brasileira e da soberania nacional. 
Também candidatos que se posicionem contrários à criminalização da política e dos movimentos sociais e sindical.

ELEIÇÕES 2018: POR UM CONGRESSO NACIONAL COMPROMETIDO COM O POVO 

Pela revogação da reforma trabalhista, pelo direito à aposentadoria, em defesa das empresas públicas, da democracia e da soberania nacional

Em 2017, quase 200 mil estudantes matriculados abandonaram o ensino superior. E este ano, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, teve 1,2 milhão de inscritos a menos.

O Brasil tem atualmente quase 14 milhões de desempregados. Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas com força de trabalho subutilizada. Se comparado com 2014, o número de desempregados cresceu 94,2%, o que significa que há 6,6 milhões de pessoas a mais procurando emprego no país desde o golpe por meio do qual Michel Temer (MDB-SP) assumiu o governo no Brasil. São 4,6 milhões os trabalhadores que sequer têm forças para procurar uma vaga no mercado de trabalho, depois de meses e meses de tentativas frustradas. A maioria (60,6%) vive na região Nordeste, onde estão 2,8 milhões dos desalentados.

Desalento é a palavra que hoje, talvez, melhor defina o povo brasileiro, antes conhecido por sua alegria e disposição de viver. Mas isso é passado e o que vemos hoje é um país que voltou atrás, 20 anos em dois. Um país onde não há emprego, onde não há estudo, onde a crueldade sob a alcunha de austeridade fiscal mata. A taxa de mortalidade na infância (proporção de óbitos de menores de 5 anos para cada mil nascidos vivos), que durante de mais de uma década teve quedas consecutivas, subiu 11% em 2016, em comparação com o ano anterior.

Enquanto isso, seis milionários brasileiros têm a mesma riqueza que 50% dos mais pobres no país.

Já somam 40% os municípios brasileiros que não contam com uma agência bancária. E em muitos onde ainda há esse serviço, prestado prioritariamente pelos bancos públicos, já não chega mais dinheiro. Cidades abandonadas, desemprego que assombra.

O resultado do golpe, para onde quer que se olhe, é mais pobreza, o estrangulamento do desenvolvimento nacional, o aumento do desrespeito aos direitos dos trabalhadores, dívidas interna e externa em alta, o caos.

Quando da última eleição, mesmo antes do golpe, o perfil dos eleitos dava uma ideia, ainda que distante da terrível realidade vivida agora, do país que teríamos. A bancada de deputados federais que defende a causa dos trabalhadores caiu quase pela metade. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em outubro de 2014, identificava que os eleitos pela classe trabalhadora diminuíram de 83 representantes para 46. E que do outro lado, a
bancada empresarial contaria com 190 parlamentares.

O resultado foi visto ao longo dos últimos anos, com medidas que praticamente inviabilizaram o governo de Dilma Rousseff. Foi esse Congresso – majoritariamente patronal e com bancadas relacionadas a igrejas (“da bíblia), avessas aos direitos humanos (“da bala”), ex-jogadores de futebol (“da bola”) e ruralistas – que votou, em 2016, o impeachment da presidenta eleita.

As consequências foram nefastas para a sociedade brasileira, com o avanço de ditas reformas que na verdade estão levando ao desmonte de setores estratégicos da economia nacional.

Assim, foi aprovada a toque de caixa, em dezembro de 2016, a Emenda Constitucional 95, devidamente apelidada de PEC da Morte, por meio da qual foram congelados por 20 anos os investimentos nas áreas de Saúde, Educação, infraestrutura. Vai faltar dinheiro também para a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro. E para programas de combate à violência contra a mulher – isso em um país que registra uma agressão contra elas a cada quatro minutos.  Outro ataque frontal à maioria do povo brasileiro foi a “reforma” trabalhista. A lei 13.467, sancionada em julho do ano passado, praticamente rasga a CLT, retirando direitos e reduzindo a força do movimento sindical. Entre as mudanças, autorização para o trabalho intermitente e temporário, liberação da terceirização, fim das homologações nos sindicatos, prevalência do negociado sobre o legislado, o que possibilita o desrespeito a conquistas históricas dos trabalhadores.

O governo tentou ainda promover uma reforma da Previdência, por meio da PEC 287 protocolada em dezembro de 2016. As mudanças praticamente extinguiam o direito à aposentadoria, inviabilizando a Previdência pública e penalizando principalmente os que ingressaram mais cedo no mercado de trabalho, os mais carentes. Os movimentos sindical e social se uniram e conseguiram barrar a proposta até agora. O decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro, de fevereiro de 2018, suspendeu as votações de Proposta de Emenda Constitucional até dezembro deste ano. Esse é o cenário em que se darão as campanhas salariais do segundo semestre de 2018, quando ocorrerão também as eleições que definirão o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Jandira Feghali, rosa vermelha, ameaçada pelos parasitas da democracia - Paulo Vinícius Silva *

Jandira Feghali, tal qual Dilma, representa a força, a graça e a coragem da Mulher Brasileira. É esse o seu "crime". Em tempos sombrios - em que o novo Collor parte em defesa de Temer, golpista e múltiplas vezes citado, em que os bandidos mais abjetos pululam, como vermes, mas feitos reis -, vemos a deputada comunista ser "denunciada", exposta na Globo, porque enfrentou no peito e na raça uma absurda agressão ao direito de livre reunião e manifestação.



A Convenção Estadual do PCdoB-RJ de 2014 foi invadida de modo truculento, com postura e atos incompatíveis com a função da justiça eleitoral. Num evento em local fechado, causaram tumulto, jogaram spray de pimenta em mulheres e crianças e queriam encerrar no grito o encontro dos comunistas (que era oficial, informado à Justiça Eleitoral e público), como se ainda estivéssemos na Ditadura Militar. Não houve nada semelhante contra nenhum outro partido. Por que essa perseguição ao PCdoB?

E ela, com seus cabelos encaracolados - como pétalas - com seu porte e coragem, fez o que se esperava de quem é parte dessa florada de Olgas que toma as ruas, as praças, os púlpitos e as nossas vidas, granjeando admiração e encanto, ensinando o caminho da luta, sempre. Jandira Feghali resistiu. E com graça, verbo, firmeza e postura, não permitiu que imperasse o arbítrio. Não estávamos mais na Lapa, em São Paulo, em 1976. Foi com mártires, desaparecidos e torturados que os e as comunistas conquistaram o direito de erguer suas bandeiras, reunir-se, de apresentar-se com sua face limpa diante do povo brasileiro.

Que exemplo perigoso. Ela impediu o arbítrio, ELA. Defendeu a legalidade conquistada com tanta política, tanto amor, com o sacrifício supremo do sangue de outras rosas vermelhas, como Helenira Rezende, Jana Custódio, Dina Coqueiro, seiva vermelha que nutriu as águas e o solo do Araguaia, alimentando a "árvore da democracia" - bela metáfora de Dilma -, agora infestada de pútridos parasitas que a querem matar. E são parasitas tão abjetos que se apoderam de palavras como "ética", "luta contra a corrupção", "democracia", que usam o verde e o amarelo para entregar nossa soberania, destruir nossa democracia, massacrar os trabalhadores e trabalhadoras. Mas esse infinito descaro não pode ocultar jamais a fedentina abjeta que exalam os parasitas, nem o perfume das rosas que se erguem delicadas e altivas, mas com os espinhos à mostra, para lembrarmos que a beleza só pode vicejar se for defendida. Não é à toa, nessa hora dramática da vida nacional, que o rascante machado, fortaleza do golpe, tente atingir Jandira Feghali, tenta atingir o Partido Comunista do Brasil.

Olho, camaradas, democratas, brasileiras(os), trabalhadores e trabalhadoras! A Reforma Política que se urde sob o golpe quer espalhar veneno sobre a mata para impôr a monocultura do transgênico contra a diversidade da natureza democrática, conquistada com tanta luta. Depõem Dilma, cassam injustamente Lula de modo cruel, enquanto bandidos abjetos definem que flores poderão nascer, que pássaros se permitirá cantar, e que é preciso matar as rosas vermelhas, sobretudo, porque perigosíssimas.

Podem tentar esconder seu vil propósito sob estranhas palavras como fim das coligações, fim do voto proporcional, cláusula de barreira, podem inventar as mais torpes mentiras, mas é unicamente para que a democracia tombe inerme e só parasitas, ervas daninhas e aves de rapina imperem num bosque que se conheceu por ter mais vida e mais amores.

E que seja Jandira Feghali o alvo dessa ameaça, só reforça a sua correção, seu brilho, a necessidade de que floresçam Jandiras, e que nos postemos como cerca viva em sua defesa, que lutemos contra as ervas daninhas que a querem sufocar, que a protejamos contra os que a querem tombar, que inclusive coloquemo-nos ao seu redor contra qualquer lâmina que a queira ferir.

Jandira Feghali, nossa rosa vermelha, sabe defender-se, mas é a solidariedade que lhe devemos que assegurará o florir de tantas rosas que retomarão a primavera, como cerca viva que proteja a árvore da democracia, esse juazeiro altivo que hoje sofre e agoniza, mas que resiste, sempre, jamais se entrega. Força, Jandira Feghali, estamos contigo, nenhuma mentira global, nenhum processo forjado, nenhuma defesa do arbítrio poderão te calar, nem deter a primavera, pois, caramba, ensinou-nos Maiakovski: a primavera é inexorável!

* corrigido às 10h35

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Para a Tribuna de Debates do 13° Congresso do PCdoB - Harmonizar luta de ideias, de massa e eleitoral-institucional no PCdoB de hoje - Paulo Vinícius Silva - Parte 2

Harmonizar lutas de ideias, de massa e eleitoral no PCdoB de hoje
Parte 2

Paulo Vinícius Santos da Silva
Secretário Sindical do Distrito Federal e membro da Comissão Sindical Nacional

Sempre há uma solução simples para um problema complexo. Geralmente errada. (Anônimo)

Lutas de ideias, social e político institucional eleitoral a serviço do Projeto Partidário
Ante um momento sem receitas, e ainda de defensiva estratégica, mas com a luta pelo socialismo ressurgindo, o PCdoB articula três frentes de acumulação de forças dessa época - luta de ideias, de massas e eleitoral-institucional. E a Tese afirma um pilar fundamental a perpassar toda a ação dos comunistas: o fortalecimento do Partido.
As três frentes unidas ao signo do projeto estratégico – o Partido - são achados da inteligência coletiva. A inédita duração do atual período democrático, exige-nos conquistar um eleitorado próprio, maior, o que depende de nossos laços com o povo. Existe esse eleitorado? Há atalhos para nosso crescimento eleitoral? Como disputar nossas ideias nas eleições? Há imensas dificuldades a esse debate político na democracia com PIG, poder econômico e o rentismo.
Daí porque não podemos resumir-nos a uma das frentes de acumulação, ainda que seja decisiva a disputa de 2014. O crescimento do PC não pode nem deve ser igual ao de um partido da ordem. O sistema político atual possui limitações intencionais ao crescimento eleitoral comunista. Como crescer, sem a luta de massas e de ideias influírem sobre o sistema político? Serão recursos ou os aliados que nos valerão? Há que contar com forças próprias, militantes e quadros, para crescer.
Também entre nós se dá a batalha do sentido da política e da militância. Parte dela depende de incorporar as novas filiações numa organização única, comunista. Sem forte investimento na formação, sem reconhecer os riscos, sem enfrentar a autonomização de grupos de interesse - sobretudo na institucionalidade – abrimos o flanco à pressão de aliados, do Estado, do sistema. Mas sem aceitar os desafios atuais, de mar aberto, não cumpriremos nosso papel histórico.
Por isso, Programa e Estatuto devem orientar a prática e ter expressão própria também em votos. Seria grave erro a exclusivização eleitoral sob um olhar pragmático. O desafio de 2014 é também disputar ideias, afirmar o Partido e candidatos(as), inspirar o voto, mobilizar o povo, os aliados, o movimento social essa batalha. Não venceremos com exércitos alheios, apenas com variáveis que não dominamos: lei, recursos financeiros, tempo TV, nem o judiciário.

O PCdoB diante do povo
A pergunta é: como o PCdoB se relaciona com o povo? O PC é o partido do proletariado, da classe. Por isso, a CTB é um salto, fato ainda não absorvido. Também somos vigorosa expressão juvenil em nosso país, um partido de mulheres guerreiras e protagonistas. Como mobilizar tal base social antes, para e depois das eleições?
Apesar de todo todo realismo, não percamos a perspectiva socialista, o caráter militante, o lastro de classe e a unidade de ação. 2014 se medirá na vitória de Dilma e no resultado geral da esquerda. Para nós, até o voto, há um caminho a ser percorrido pela militância. Mesmo a eleição é resultado de múltiplas determinações, de que o pragmatismo não dá conta. A ação dos quadros exige a noção de totalidade, o concreto como produto de múltiplas determinações. A eleição termina, mas a luta continua, com ou sem governo, deputado, ou senador.
O pensamento complexo das três dimensões da luta pela hegemonia, ideias, mobilização social e a disputa político-eleitoral-institucional ganha profundidade com o pilar de estruturar o Partido. Por seu valor interpretativo, devemos manter assim, sem exclusivizações, buscando a harmonia, deixando claras as fronteiras do nosso compromisso com o Brasil e os Trabalhadores(as).
Parte da resposta de nossos laços com o povo passa por situar a militância no curso da vida do país em meio aos desafios do desenvolvimento. Urge acabar com o abismo entre nossa política de juventude e a entrega dos jovens que formamos à sua classe, através do trabalho. Asseguramos com a independência advinda do trabalho a dignidade da nossa opção ideológica. Em pleno bônus demográfico, nossa juventude precisa ser politizada e também referência no estudo e no trabalho, e é uma missão dificílima. Ou serão todos parlamentares, assessores, cargos de confiança? Para ter como presente a luta pela hegemonia no movimento sindical precisamos incorporar novas gerações que formamos, mas que na vida adulta ficam expostas à cooptação e a falta de perspectivas
Exclusivizar uma maneira de acumular forças pode levar ao pragmatismo, a secundarizar a disputa de ideias e a mobilização organizada da sociedade na luta eleitoral. Pode redundar em desgaste da imagem do Partido e em instabilidade na vida interna. O Partido não pode exclusivizar a representação institucional como sua expressão. A fusão entre Partido, Estado e Movimento Social se mostrou daninha ao socialismo. Por que seria benéfica na nossa luta pelo Socialismo?
Destaque-se que o sistema político padece de grande descrédito. Vivemos uma democracia limitada, submetida ao poder econômico, com maioria conservadora secular, sob o poder midiático, e a judicialização da política. Não é à toa que as manifestações mostraram fragilidades político-institucionais, mesmo de um governo nosso. Vimos aí a interconexão das frentes, e a insuficiência do sistema, a relevância dos movimentos para mediar e propor bandeiras que se tornaram vitórias políticas.
O Presidente Renato Rabelo não é deputado, senador, prefeito. Mas o carinho e o respeito da militância por sua direção e trabalho incansável e abnegado fazem dele o nosso líder. Essas virtudes são os principais requisitos, como fiador de nossa unidade e rumo. Nem sempre o institucional será o certo, ou deve ter apoio do nosso Partido, ou pode representá-lo. Uma de nossas funções é projetar trabalhadores(as), jovens, mulheres e a intelectuais progressistas eleitoralmente. Não podemos ser um partido em que só se elege quem tem dinheiro. O PC é um lugar de empoderamento do povo.
A atual geração de parlamentares nacionais vem sobretudo dos anos 80 e 90, líderes estudantis, sindicais, camponeses, mulheres, intelectuais e artistas, militantes políticos. Há desgaste natural em mandatos ao longo do tempo, por exemplo, 20 anos. Se não evoluem a patamar distinto, surge o problema do declínio eleitoral. Como projetar lideranças e ampliar nossa representação? Nosso Partido sabiamente fez a sua abertura estruturada pelo Novo Estatuto. Busca lideranças do povo para parte dessa renovação. Devemos reforçar e aprimorar o acompanhamento das novas filiações e a gestão de seu potencial –para o bem e para o mal- para a imagem do Partido. E devemos ser mais proativos no enfrentar as polêmicas do desenvolvimento para vincar nossa marca.
A vitória não se resume ao voto, embora seja ele o signo do resultado da disputa. Crescer exige dialogar com a parte da sociedade que nos reconheça, afirmar uma identidade entre a esquerda, os patriotas, democratas, quem defende a política para melhorar a vida do povo, rejeitando-a como via de enriquecimento vil.

Defesa da unidade contra a autonomização de interesses estranhos ao projeto do PCdoB
Por fim, são daninhos grupos de interesse, tendências ou facções no Partido. Se isso vem de governos e mandatos, pior ainda. Com a “centralidade do institucional”, a militância é alijada por um poder efetivo, estatal, estranho ao PC, tornando-o vulnerável à cooptação. Por tudo isso, proponho a revisão do item 118, com a seguinte redação:


118 – As vicissitudes são de certo modo inevitáveis para a esquerda. Hoje, atingem não apenas a frente institucional-eleitoral, mas se manifestam também nos movimentos sociais e na luta de ideias. Somos desafiados, compreendendo a prioridade das eleições de 2014 para o Brasil e para o Partido, a saber sabiamente articular todas as nossas forças na frente da luta de ideias, na luta de massas e na frente político institucional. A militância é essencial para a mediação, para o lançamento de lideranças com potencial eleitoral e identidade partidária, para uma mobilização que signifique uma vitória eleitoral, o êxito na comunicação dos comunistas com o povo e um legado de ampliação da influência política e da estruturação partidária. 

sábado, 6 de abril de 2013

Sonhar, sacudir, mudar o Brasil: velhos hábitos secundaristas. Paulo Vinícius Silva

"A juventude brasileira mais uma vez provará que está certa quanto ao caminho para o desenvolvimento do país" - Presidenta da UBES, Manuela Braga, a jornalista que duvidava da possibilidade de a juventude convencer o Congresso dos 100% dos royalties para a Educação, na coletiva após a conversa da Jornada com a Presidenta Dilma, em 04 de abril de 2013.


A UBES mais uma vez foi decisiva para fazer as mais avançadas bandeiras da juventude se expressarem de modo massivo para o benefício e a visibilidade das maiores causas nacionais. Que seria da nossa Jornada de Lutas sem a meninada com cabeça de gente grande que é a militância secundarista? Tomando umas, recordava de meu ingresso na militância juvenil e comunista ainda no Salomé Bastos, na 8ª série, com 14 anos, de onde partiria ao glorioso Liceu do Ceará para as jornadas do Fora Collor. Lembrava que à época, tinha cabelo na cabeça ainda. Lembrava dos amigos que fiz e que permanecem até hoje, como Andrea Oliveira, Flávio Arruda, Joao Marcelo Nogueira Martins, Viviane Rodrigues, Paulo Rogério Gomes de Sousa e tantos! 


Lembrava dos primeiros amores escruciantes e do conjunto dessa época, no Salomé, no Liceu, na ETFCE, de onde peguei as emoções que me impulsionam na luta até hoje. E lembro, sobretudo, daquela força das multitudinárias marchas do Fora Collor que plasmaram em mim a convicção do poder da juventude nas ruas e com bandeiras claras, como é hoje a defesa dos 10% do PIB, os 100% dos Royalties e os 50% do fundo social do pré-sal. Ontem, quando estivemos com a Presidenta Dilma, ficou cristalina a responsabilidade da juventude fazer tremer o país e o povo entender o que está em jogo no destino do pré-sal. Pela primeira vez a riqueza do país ser destinada ao seu povo, à superação da miséria e da desigualdade, ao futuro, ao desenvolvimento, à base de educação e ciência que permita ao trabalho brasileiro libertar-se da vergonhosa proeminência da produção da matéria prima que, esclarece-nos Tom Zé é "o grau mais baixo da capacidade humana" e que ainda domina - e com grande e crescente margem - a nossa relação comercial com o mundo.

Quando ouvia sobre essa imensa responsabilidade que cabia à juventude, pensava comigo mesmo: "olha só como a juventude consegue - a despeito dos imbecis que a menosprezam, inclusive com um discurso pseudo-esquerdista - pautar o centro do projeto nacional"! E pensava, sobretudo: "É, Dilminha, moçada, para demover esse congresso atrasado, para calar a boca da imprensa bandida, para amedrontar os interesses das multinacionais e do imperialismo, para sacudir o país, só se a base da UBES encher novamente as ruas e praças do país, para - com toda a paixão da passagem da adolescência e da juventude - indicar ao Brasil o caminho do futuro".

E essa mesma moçada, espremida nos ônibus, alvo da violência, com uma escola que não serve, que não teve educação infantil e creche, cujas mães e pais ralam em empregos sofridos, essa moçada que representa a base do movimento hip hop, a base das periferias, a moçada que é segregada pela falta de mobilidade urbana, toda essa galera, será que eles e elas sabem, que a escola integral do Brizola, as creches que abrirão caminho à igualdade, a reforma do ensino médio para que todo jovem possa escolher se será um técnico ou um universitário, a revolução do ensino técnico que o PRONATEC apenas sinaliza timidamente, as reformas e as novas escolas, os salários das professoras(es) e profissionais, será que sabem que tudo isso está à mão, como nunca antes? Será que os estudantes secundaristas sabem como pode ser importante - mais uma vez - a sua ação para o futuro do Brasil?!

Talvez não, porque a exclusão é demais, e porque o movimento secundarista sofreu duríssimo golpe na sua organização local e nacional quando nos anos de FHC se legalizou o liberou geral para as máfias e os inimigos da meia entrada a desmoralizarem com a MP 2208, com as infinitas e falsificadas carteiras que minaram a realidade do direito à meia entrada - que virou desconto e que justificou o encarecimento dos ingressos. A identidade estudantil, ao contrário de antes, perdeu muito daquela força que impulsionava a juventude à luta, à cidadania, à politização, às mobilizações, sedes, carros de som, panfletos da juventude secundarista.

É esse desmonte que ainda vigora a base para que tanta maldade se cometa com a juventude mais carente e linda das periferias, as crianças de rua a consumir o crack, a moçada que deixa a sala de aula porque não tem o que lá aprender e são seduzidas pela imprensa bandida e seus valores consumistas e desesperadores.
Marcha da Jornada de Lutas em BH - é só olhar para qualquer foto: estudantes secundaristas são ampla maioria.

Essa é a consequência da desestruturação material da mais importante alavanca da luta de massas na juventude, representada na mais que gloriosa União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e sua base infinita de dezenas de milhões de jovens de todos os municípios brasileiros e que o estatuto da Juventude pode corrigir. É uma imensa força potencial, mas que necessita de poder estruturar-se, para cumprir o transcendente papel de celeiro de quadros, reserva mais combativa, aríete das massas juvenis contra as estruturas arcaicas. É esse o desafio que a Presidenta da UBES, Manuela Braga, e nossa meninada enfrenta quando dirige, com valentia, abnegação, militância apaixonada, tantos grêmios, UMES e Uniões Estaduais, mesmo sem um tostão, mesmo pedindo grana pro passe e pro almoço. São obstáculos tamanhos que só os secundaristas topam enfrentá-los. A vida dos secunda nunca foi fácil. Por isso eles e elas, filhos dos trabalhadores e trabalhadoras, são a parcela que sempre mais me emocionou na juventude, porque eu nunca deixei de ser secunda. Por isso a UBES não precisa ser a UNE, porque quando a UBES se move, o Brasil treme, já que o outro nome para os secundaristas é povo nas ruas, o que a Jornada de Lutas da Juventude outra vez comprovou, indiscutivelmente.

E isso, mais que nunca, estimula a responsabilidade dos movimentos juvenis e do movimento sindical da educação apoiarem a UBES. Essa unidade é sumamente potente: trabalhadores e estudantes, foi ela que garantiu o caráter de massas do Fora Collor em todo o país, e são animadoras as ações conjuntas, como a própria Jornada de Lutas, em que estão a s juventudes da CTB, da CUT, a CONTEE, a APEOESP, a CONTAG e o MST (esses últimos com o desafio de impulsionar a educação no campo).

Esse entendimento é decisivo sobretudo ao movimento sindical, de que é nos estudantes secundaristas, na possibilidade de atuação de suas direções junto a essa imensurável base, que repousa o maior potencial tectônico da luta para que o Brasil revolucione a Educação, e em benefício também de seus trabalhadores e trabalhadoras. Que fará o Congresso se a juventude secundarista se levantar pelos 100% dos royalties, os 50% do Pré-Sal e os 10% do PIB? Que farão os secundaristas se a UBES conseguir lhes dizer o que está em jogo?

O que aconteceria se, em junho, os 10 mil universitários e universitárias participantes do Congresso da UNE em Goiânia se unissem, e viessem a Brasília, com caravanas secundaristas de todo o país e os secundas do DF, para pressionar lotar a Esplanada e sacudirem os bolores do Congresso Nacional, dando aquele puxão de orelha que a meninada dá, em defesa dos grandes objetivos do Brasil?

Desculpem, eu sei que sonho muito... é um velho hábito secundarista.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

CTB e entidades comemoram aprovação da PEC da Juventude


Vitória do povo, Vitória da Juventude!


Leia a matéria que relata a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 42/2008 que insere a juventude na Constituição Federal, e também o artigo assinado por Danilo Moreira, Presidente do CONJUVE, Augusto Chagas, Presidente da UNE e Paulo Vinícius, Secretário de Juventude Trabalhadora da CTB.

CTB e entidades comemoram aprovação da PEC da Juventude

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