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quarta-feira, 12 de março de 2025

Giro Sindical debate os JUROS ALTOS - Paulo Vinícius da Silva é o entrevistado, 6a feira, 11h no Youtube




Nesta sexta-feira, a partir das 11 horas: https://www.youtube.com/watch?v=aFerdIDS2xs


CTB Bancários: A luta contra os juros é a luta pelo desenvolvimento do Brasil


No episódio desta sexta-feira (14) do Giro Sindical, produzido pela Agência Metamorfose Comunicação, recebemos Paulo Vinicius, Diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e da CTB Bancários, para discutir a luta da categoria contra os juros abusivos e como essa batalha está diretamente ligada ao desenvolvimento do Brasil.


Nesta sexta-feira, 14 de março, das 11h às 11h30, Paulo Vinicius da Silva explica como os altos juros impactam não apenas os trabalhadores, mas toda a economia do país, dificultando o acesso ao crédito, o crescimento das empresas e a geração de empregos. 

Ele também aborda as ações do sindicato e da CTB Bancários para pressionar por políticas que garantam juros mais justos e um sistema financeiro mais equilibrado.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

A luta continua - Paulo Vinícius da Silva


Porque no unirnos?

Y luchamos como hermanos

Por la patria que esta herida!

Nuestra patria la que amamos!

Alí Primera - Dispersos

Finda o ano de 2024, importante por nos abrir os olhos para a complexidade e a dureza da batalha pelo Brasil. A finitude de Lula se expôs aos olhos de todos, assim como a correlação de forças. Roberto Campos Neto, Arthur Lira e muitos mais, assumiram a ribalta para dizer não ao Povo Brasileiro. Lula pediu juros menores; e os juros subiram. Lula fez o emprego e a economia crescerem mais do que se esperava; e foi criticado por isso. Ele pediu que os ricos pagassem mais impostos; e eles disseram não. Só com Lula doente, o mercado celebrou,  ficou na torcida contra sua saúde, mantendo a afiada faca no pescoço do governo. E exigiram no altar de Mamom o sacrifício dos mais pobres no Pacote, colocando o Arcabouço Fiscal como moldura a enquadrar a Frente Ampla.

Em economia, Bolsonaro fez o que quis, impunemente. Já o Presidente Lula é cercado, atacado, contido, sabotado. Presente de Natal é para bom menino, e ninguém é melhor menino que o Brasil - Haddad e Galípolo o provam - mas não apenas eles. Nosso pedido de ata de eleição à Venezuela, nossas ilusões com o Partido Democrata estadunidense, nossa crença numa política externa altiva sem soberania nacional e sem as FFAA, o pensamento positivo mágico da via institucional brasileira, nossa crença no judiciário brasileiro e no Xandão. Haja esperança no nosso Garrincha, para dar o drible da vaca em todos. Não basta ser bom menino, nem diversas vitórias no PIB, na indústria, na distribuição de renda, na redução da miséria e no emprego. Uniu-se o andar de cima para dizer “assim, não pode, assim não dá”, o presente é deles, a conta é para o povo. Não se trata, portanto, de ser um bom governo, mas ter força suficiente para o defender da fome canina dos especuladores financeiros, insaciáveis.

Ao líder comunista paraense João Amazonas se atribui afirmar ser necessário ao povo “fazer sua própria experiência”. Sempre comentamos isso sobre a importância de ver desfazerem-se ilusões, e assim entender os limites e buscar saídas. Contudo, se apenas quebrar convicções e afirmar princípios bastasse, o trotskismo teria dado certo… É preciso encontrar e trilhar caminhos, ou ver prevalecer o medo e a desconfiança, a antessala da derrota. O que aprendemos com esses dois anos? Qual a lição da história das mudanças no Brasil sem a organização popular? Bastam o líder e o acordo? As virtudes de D. Pedro II anularam a manutenção da escravidão por décadas?

Tempos interessantes são os que vivemos; uma de suas vantagens é quebrar as certezas do passado, tão fortes no presente, tão distantes do futuro. É aí que se afirma a capacidade de agir frente à História e, no Brasil, frente a si próprio, como Nação. O papel de Lula é muito maior que fazer seu governo “dar certo”. A política é muito mais que a sua institucionalidade. Líderes de sua estirpe falharam exatamente quando não foi possível manter o seu legado, não em em empresas, não em leis, mas em povo organizado. Getúlio caminhou muito desde uma inicial posição de direita - quando reprimiu o Partido Comunista - até escrever o apelo ao Povo Brasileiro, na Carta Testamento. 

Ao relembrar tantas obras e direitos que marcam o Brasil ainda hoje, Getúlio afirma uma esperança: “meu nome será a vossa bandeira de luta”. Sua trajetória política foi em direção ao Povo Brasileiro e contra o imperialismo, e foi aí que reencontrou os comunistas, foi aí que o Lula o achou, na prisão em Curitiba. De fato, o nome de Getúlio segue vivo até hoje, mas faltou-lhe a organização, ele ficou sozinho, apesar do tanto que organizou os trabalhadores, as leis e a economia brasileira. Na hora final, nem os comunistas o apoiamos. Entre o líder e as massas havia um fosso, e por aí o imperialismo se impôs, para dividir e reinar. Num supremo gesto de sacrifício e palavra, Getúlio nos lembra que nem o melhor dos líderes basta, sozinho.

Lula deixará seu nome tanto mais cravado na História quanto mais abrir caminho à afirmação da Nação Brasileira, cuja defesa só pode ser feita pelo seu povo, pela classe trabalhadora. Nada está assegurado. Qual instrumento será capaz de continuar essa via de transformação? Reconhecer o gigantesco patrimônio do PT e da CUT para a esquerda brasileira e a sua classe trabalhadora deveria precisamente levar-nos a construir a solidariedade organizada entre quem cerre fileiras em defesa do Brasil, da classe trabalhadora e da democracia.

Parte dos problemas que enfrentamos repousa na crença dos poderes mágicos da democracia burguesa brasileira e do Presidente Lula, que se expressam na crença do Executivo rompedor de barreiras… Mas foi precisamente esse Executivo mutilado em seus poderes de transformação social, inclusive no orçamento público, na independência do Banco Central e na permanente ameaça de deposição pelo Congresso. Não fosse isso suficiente, vivemos uma época de ascensão do fascismo, com o protagonismo da extrema direita a serviço do capital rentista parasitário. É uma forma de imperialismo tão extrema quanto incapaz de sanar as chagas ambientais que comprometem o futuro. Só são capazes de se enriquecer, empobrecer-nos e enganar, mas são impotentes diante dos problemas urgentes, muito maiores que dinheiro e mentiras.

Diante da mudança do eixo da economia mundial para a Ásia, o imperialismo só conhece a resposta do fascismo e da Guerra, que se faz com armas jamais imaginadas, nucleares, cibernéticas, conceituais, econômicas. A perspectiva socialista é a única capaz de reunir pluralidade, diversidade e a ruptura com o consumismo suicida, capaz de unir a inteligência, a arte, a técnica, o trabalho nas novas tecnologias para que possamos sobreviver e caminhar rumo ao futuro da evolução humana. Há todavia muita treva, é preciso brilhar mais forte, é preciso desviar-se de armadilhas, de becos sem saída.

Não são idênticos o governo e o Líder. Em 2003, já era o governo em disputa, avalie agora. Lula tampouco se limita ao PT, nem está definido o seu futuro. Por isso mesmo, eles precisam impedir o Lula de dar resultados. Já em nosso campo, como ele mesmo disse, é preciso fazer com que Lula se torne o povo.

Precisamente nesse momento, há imensa confusão no debate entre a relação Líder-Massas e mesmo na relação Líder-Governo-Partido-Movimentos. Um dos limites da formação da Nação Brasileira repousa precisamente no papel repressor do Estado em relação à maioria do povo, a sua incapacidade de nuclear a Nação como um todo. Nesse sentido, é ardilosa a trilha fácil da crença ilimitada na via institucional, esperança do burocrata. 

Há 200 anos, alertou José Bonifácio, já na primeira Constituinte sobre os limites do Estado brasileiro em cumprir o papel de nuclear a Nação, e seu alerta dói até hoje, por ignorado que foi:

“não temais os urros do sórdido interesse ; cumpre progredir sem pavor na carreira da justiça e da regeneração politica ; mas todavia cumpre que sejamos precavidos e prudentes. Se o antigo despotismo foi insensivel a tudo, assim lhe convinha ser por utilidade propria ; queria que fossemos um povo mesclado e heterogeneo, sem nacionalidade, e sem irmandade,para melhor nos escravizar. Graças aos céos, e à nossa posição geographica, já somos um povo livre e independente. Mas como poderá haver uma constituição liberal e duradoura em um paiz continuamente habitado por uma multidão immensa de escravos brutaes e inimigos? Comecemos pois desde ja esta grande obra pela expiação de nossos crimes e peccados velhos. Sim, não se trata sómente de sermos justos, devemos tambem ser penitentes ; devemos mostrar à face de Deos e dos outros homens, que nos arrependemos de tudo o que nesta parte temos obrado ha seculos contra a justiça e contra a religião,que nos bradam accordes que não façamos aos outros o que queremos que não nos façam a nós.

Em vez do papel progressista, o Estado serviu para afirmar a divisão de cidadãos de primeira e segunda classes.  O Estado aparece na favela com o caveirão, do mesmo modo como aparecia diante dos quilombos de outrora.  Não dá para ter essa fé no Estado, no governo, em especial quando não se tem fé na capacidade de luta do povo brasileiro, nosso sujeito histórico. É ainda o projeto de José Bonifácio que Lula defende, mas seguem pulverizados os interesses maiores da Nação. O grande problema histórico do Brasil não é a construção de grandes acordos nacionais, mas que a maioria conservadora se volte contra e alije o povo de sua própria vitória. É preciso construir uma força popular de massas capaz de nuclear a luta em defesa do Brasil e, ainda é tempo, sob a liderança de Lula.

Gramsci aludiu ao Partido Comunista como o Príncipe Moderno, capaz de encarnar o protagonismo que Maquiavel reservava ao soberano, aquele que une as forças dispersas para a fundação do Estado Nacional italiano. Muita água passou sob essa ponte, desde então, e não enxergo como atual a crença no partido, seja qual for, que permitisse essa união. Na passagem do século XX para o XXI, a esquerda lartino-americana rompeu com essa segmentação e com a via da correia de transmissão entre partidos e movimentos. Foi no caldo de cultura dos grandes eventos e redes latinoamericanos que a luta social e política se transformou em frentes heterogêneas, progressistas e críticas ao neoliberalismo que ascenderam ao governo de nossos países. Por isso mesmo,a  noção de Bloco Histórico, de Frente Ampla e Frente Popular são importantes para compreendermos o desafio de unificação que nos cumpre para a preservação do Brasil, sua afirmação como Nação. 

Quando deixou de ser importante a realização dos fóruns sociais mundiais, dos congressos estudantis massivos, das grandes marchas e encontros de trabalhadores? O povo é o verdadeiro heroi da nacionalidade. É preciso ter lugar ao povo organizado na Frente Ampla. Permanecemos desconfiados uns dos outros, seguros por um fio de esperança que se chama Lula. 

Diante de nós, ameaçadores, perfilados, estão a extrema direita, o “mercado”, a imprensa empresarial financeira, o centrão e os 1% mais ricos. Estamos como gestores de uma máquina que sempre foi deles, que faz nosso trabalho fluir da produção para a especulação, do pequeno para o grande, do pobre para o rico, da maioria para a minoria, pois para isso servem o capitalismo, a polícia, o “mercado”, as forças armadas e o judiciário. Para isso serve a separação de poderes articulada aos poderes ocultos de sempre. Quando foi que a via institucional, o Estado Burguês, ainda mais no Brasil, adquiriu poderes supremos em favor da classe trabalhadora em tempos de fascismo? É a teoria errada, na hora errada, com as ferramentas erradas. Nem se fosse monarquia absoluta. Falta povo nesse jogo em que o poder de veto é da burguesia rentista, parasitária e entreguista.

Hugo Chávez cortou o nó górdio que separava as vias da Reforma e da Revolução, pedra de toque da divisão no seio da esquerda mundial no século XX. Em vez de render-se ao Estado, cercá-lo. Erigir o espaço do povo na Constituição. Disputar o poder com o aval popular como recurso final, antes das armas, mas jamais confiar em exércitos mercenários para cuidar dos interesses do país. E o povo seguiu com capacidade de se defender do imperialismo, mesmo sem Chávez, em frente popular. Não é a forma, é a luta e aonde ela quer chegar. Poderá o Presidente Lula pactuar o Povo com o Estado e dar continuidade à construção da Nação Brasileira, a exemplo de Getúlio Vargas? Dependerá muito de Lula, mas lhe ultrapassa, depende também de nós.

Já estão ao nosso lado quem poderá salvar o Brasil. O século XX esmaece e forças novas pulsam, aflitas, diante de um mundo aferrado ao passado e ao abismo. Nosso papel e o de Lula são semelhantes. Precisamos de um degrau mais baixo, em que o povo possa subir, crescer em força e decisão, em defesa do Brasil. Os limites da Frente Ampla são claros, estão no Arcabouço Fiscal. As possibilidades de Lula, do Brasil, do legado da nossa geração, do futuro, dependem da Frente Popular e do “novo equilíbrio do universo”, para usar as palavras de Bolívar.  São do tamanho das carências de nosso povo, imensas. Ensinou Glauber Rocha, “mais fortes são os poderes do povo”. Quem sabe quanto pode o nosso povo organizado?! Nós, que não impedimos o Golpe contra a Dilma, não devemos contar apenas com nossas forças para defender o futuro que é da nova geração. Nós elegemos Lula para trazer o povo e a juventude de volta ao orçamento, à política e ao poder. declaremos guerra à solidão, ao cupulismo. O povo organizado é o nosso céu, isolados do povo não somos nada.

Você pode me dizer, é impossível. Assim como o povo soube evitar o bolsonarismo duro e deu uma mão à Frente Ampla, nós nos reconheceremos luta afora, companheiro, camarada. É preciso organizar essas boas gentes que atuam como Lula, para além de suas caixinhas, com solidariedade, generosidade, amor. É preciso reconhecer o poder da juventude e do povo. É preciso libertar o Brasil dos juros e do imperialismo. Essas convicções de amor e verdade são nossa força para construir uma Frente Popular, como expressão de um Bloco Histórico comprometido com a defesa da Nação Brasileira através de seu Povo. É preciso reunir as dores, juntar multidões, aprender e ensinar que o futuro é possível. Tem muito jogo pela frente, Lula está conosco, e a luta continua! Por um Feliz 2025 de vitórias!

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

A batalha de Fortaleza e as lições imediatas das eleições de 2024 - Paulo Vinícius da Silva


A impressão que tenho, diante das diversas análises acerca do resultado das eleições municipais, é que venceu a Frente Ampla, bem ampla mesmo - foló, em bom Cearês. Na real, o povo preferiu evitar o mal maior, mesmo que não tenha votado do jeito que queríamos. 

Um amigo querido, quadro, fulminou-me ao ler o artigo anterior, numa mensagem de texto: "Frente Ampla, onde"?! E eu respondi: basta pensar em como seria o clima político se o Bolsonarismo tivesse ganho nas disputas do segundo turno. Aí você veria o tamanho do buraco. 

Mas, em parte, ele tem razão. A Frente Ampla ainda é uma aspiração, não é uma organização, não tem sede, presidente, ações próprias. Ela é, em boa política brasileira, um xadrez tridimensional com as mais diversas alianças, malgrado a crueza da luta de classes. Poderiam ser tais alianças contra nós, e muitas vezes são, sabemos o gosto amargo. Mas desde que vencemos, passou a ser contra o Bolsonarismo, daí a definição de que a vitória foi da Frente Ampla, no sentido de negar o protagonismo ao extremismo golpista. E é um fato muito positivo, pois seu isolamento é essencial para que os caminhões de provas e as milhares de vítimas possam valer na balança da justiça, sem anistia para golpistas nem para Bolsonaro.

Os acontecimentos seguintes na cena política despencaram de abismo em abismo, como poderia dizer o poeta Paraibano Augusto dos Anjos. Rejeitar o Bolsonarismo não é pouca coisa, é notável.  

A despeito dos manuais de eleições municipais, tivemos um grande peso nacional, superando até o debate local, na eleição de Fortaleza. 

Fortaleza é rebelde, elegeu Maria Luíza Fontenele, então no PT, ainda em 1985.  O neoliberalismo propriamente dito também por lá principia, com a chegada ao governo do Ceará, ainda em 1986, dos então "jovens empresários" liderados por Tasso Jereissati, "o galeguim dos zói azul", figura importante no PSDB desde então, rompendo o domínio "dos coronéis" que estavam no poder sob o Regime Militar de 1964. Paes de Andrade, Mauro Benevides, Gonzaga Mota marcaram a política cearense quando Sarney presidiu a democratização, a constituinte e a eleição de 1989. 

A virada do Brasil neoliberal tucano para a era Lula encontrou correspondência com o crescimento da esquerda, projetando uma hegemonia das forças progressistas no cenário local. O surgimento de lideranças femininas é ainda minoritário, mas mesmo nesse contexto, indelével, inclusive pela projeção da Prefeita Luiziane Lins (PT), vinda ela também do movimento estudantil.

Muita vez, a capital alencarina antecipa tendências e grandes debates nacionais nos processos eleitorais que, desde 1985 tem sentido progressista (como me alertou recentemente o amigo Aécio Holanda, coetâneo do movimento estudantil secundarista). De fato, Fortaleza tem uma característica progressista e liberta, assim como o humor político do Ceará Moleque. Em 1922, Fortaleza elegeu o Bode Ioiô vereador, como voto de protesto. O pessoal fresca mesmo.

Fortaleza também antecedeu o padrão televisivo e midiático da implantação da TV e da Propaganda Eleitoral ao fim da Ditadura, como bem mapeado pela Socióloga Rejane Accioly. Isso é coerente com uma sólida tradição cearense em fotografia, artes visuais, cinema e marketing, inclusive eleitoral. O Ceará é presença constante na TV Brasileira, em especial pelo peso do Sistema Verdes, Mares, afiliada local da TV Globo.

A vitória de Brizola sobre Lula na eleição do primeiro turno de 1989 mostra uma outra característica, que é a pluralidade da esquerda cearense. Lideranças do quilate de Heitor Férrer,  André Figueiredo, Roberto Cláudio, Eudoro, Sérgio Novais, Cid Gomes e os camarada Inácio Arruda, Chico Lopes e Eliana Gomes protagonizaram um primeiro ciclo de lideranças que ainda hoje têm protagonismo. Uma segunda geração se projeta, com a chegada ao governo nacional e as vitórias locais, que resistem até retomada, com o terceiro Governo lula.  Exemplos são Camilo Santana, mas também o decano José Guimarães, líder do governo na Câmara e, agora, Eumano Silva, atual governador. Irrelevante nacionalmente, Ciro Gomes tentou deter essa tendência e a acelerou, perdendo ainda mais relevância. 

Das grandes cidades do Brasil, Fortaleza, Terra do Sol foi palco de uma aposta arriscada, diante da força extraordinária da candidatura conservadora, representada pelo deputado André Fernandes, aposta da extrema-direita, fenômeno ainda oculto pelo enigma das redes sociais. A discussão foi, basicamente, PT ou anti-PT. Disso resultou a margem apertada da vitória maiúscula de Evandro Leitão, que virou a eleição. Camilo Santana e Cid Gomes impulsionaram a candidatura do Presidente da Assembleia, pedetista, para ser candidato pelo PT, liderando a frente que reuniu o apoio de Lula e Elmano. Eles peitaram a renovação de direita.

Renovação que veio através da figura constrangedora de André Fernandes, que obteve uma projeção espantosa, ademais na juventude. Jovem, bom de conversa, bonito e adestrado, mostra pouco conteúdo, muito preconceito e ambições desmedidas. Surfou no abismo que separa a esquerda da  juventude que compunha o bônus demográfico de 2012. A dificuldade da esquerda em renovar lideranças se expressou sobretudo na juventude, com a demagogia do bolsonarismo se apresentar como força "anti-sistêmica". André navegou nessa oposição, não encontrado quem lhe disputasse espaço. O campo conservador pôde, assim, superar a liderança em declínio do capitão Wagner, e apostar as fichas no jovem. Não importou a fragilidade do material, pois em tempos de influencers e redes sociais, isso é o de menos. 

E ele fez bonito em fazer feio. A cumplicidade com o negacionismo genocida, o irracionalismo, o humor ofensivo, a misoginia, o discurso do falso profeta, o bolsonarismo e tantos constrangimentos lhe valeram a célebre reprimenda de Flávio Dino na Câmara. 


Nesse tempo era bom. Levantaram a capivara do falador e acharam o apelido "raspa". Do Bode Ioiô pra cá, piorou, muito, havemos de concordar. Mas é claro que a língua ferina cearense jamais perdoaria uma criatura que quer ser levado a sério dando aula de depilação aonde o sol não costuma bater. "Raspa" já é o diminutivo, gentil e de duplo sentido, podendo ser dito sem problemas, embora a expressão completa não possa ser dita, pelo decoro.

Seu protagonismo teve base em duas forças inegáveis. A primeira, da própria direita conservadora cearense que aderiu ao Bolsonarismo. A instrumentalização do campo conservador pela extrema direita ganhou força com a sua instalação no poder Executivo nacional. É a esse bloco que Ciro leva pela mão o ex-prefeito Roberto Cláudio, gesto cuja racionalidade só se explica contra o plano de fundo das figuras de Camilo e Cid Gomes. Ciro poderia ter apoiado Izolda Cela ao governo. Perdeu. Poderia ter reunido apoio a seu prefeito, Sarto. Muito ao contrário. E após fazer de tudo em vão para implodir a esquerda, acabou explodiu seu próprio campo e segue em direção à direita. Nacionalmente já se omitira em 2018, foi para Paris. Localmente, queima as pontes e abre outras, sem nojinho. Resta saber se tais estripulias são capazes de fazer rodar a roda do tempo ao contrário. Não são.

As modificações na esquerda cearense se deram com a manutenção de um bloco hegemônico que sobrepassa os partidos e que foi capaz de sobreviver ao bolsonarismo. A liderança evoluiu num contexto de presença nos espaços de poder, liderança nos movimentos sociais e acordo entre os maiores partidos de esquerda. Camilo, Cid, Elmano e Evandro Leitão compõem uma nova página da liderança que tem raízes no primeiro ciclo mudancista que afastou o PSDB do controle sobre a Política Cearense, ainda são da mesma geração. Essa transição trouxe setores políticos que compunham a hegemonia anterior, sob Tasso. O sentido progressista persistiu até agora, quando se colocou uma disputa acirradíssima e Camilo topou o jogo. Por já ter ampliado a composição interna até do PT (Evandro veio do PDT), afirmou-se simbolicamente a unidade em torno do PT e de Camilo com a onda 13. 

Logo depois da vitória de virada, as placas tectônicas tremeram. Diante da possibilidade de o PT acumular a Prefeitura, o Governo, a Presidência e a Presidência da Assembleia, Cid Gomes se insurgiu, mas com jeitinho. Deixou claro que a hegemonia é plural. E o próprio candidato, Santana, do PT do Juazeiro do Norte, declinou da proposição de seu nome. Cid deve ter lembrou da estreiteza da margem da vitória, questionado sobre o futuro da Frente Ampla e também a aliança que pilota, ao lado de Camilo. Ganhou por ter mostrado o óbvio. O topo é duro de alcançar, mas de manter, é muito mais difícil. 

Esse chamado não foi contradito. Vi muita gente de todas as denominações - e no Ceará tem de tudo - botando o 13 no peito, a despeito das tretas, entoando as divertidas músicas da campanha, que alertaram:

"Só quer ferrar com a vida do povo. 

Geral sabe que ele vai estragar nossa cidade, 

Ele não tem experiência nem maturidade. 

Mentiroso, não vai governar

Fortal do jeito certo. 

O povo tá comentando:

não vota em raspa caneco! 


Deixa ele achar que

vai comandar

Fortaleza ...

Leitão não vai

deixar!


 A tropa do 13 é fogo, 

vai botar pra correr da cidade 

o mini Bozo!"


A aposta plebiscitária foi aceita, e a resultante foi a superação da liderança de Ciro Gomes; obstaculizou-se uma liderança jovem de extrema direita a partir da confiança em um campo já longevo que lidera a política cearense desde a perda da influência de Tasso e do PSDB e que tem uma liderança também nova, Camilo Santana, agora Ministro da Educação. 

A unidade, a mobilização bairro a bairro, a contraofensiva nas redes sociais e nas músicas de campanha, o alerta permanente sobre o perigo para a cidade e sobre as fragilidades do adversário, foi a soma desses atores que levou à vitória. Se, no caso de Paes (Rio de Janeiro) e Campos (Recife), a Frente Ampla sem o protagonismo direto do PT levou a esmagadoras vitórias, no caso de Fortaleza, a Frente Ampla foi representada pelo PT, sendo criticada por não ser ainda mais à esquerda. Foi com a entrada do povo na campanha que o jogo virou.  Em minha perspectiva, isso alerta-nos para a vitalidade da Frente Ampla e para a necessidade de buscar uma hegemonia distinta e brasileira, no seio dos setores mais progressistas, como Frente Popular. 

Mas isso não é tarefa de governos, de caciques, de lideranças que pontuam e passam, mas a tarefa de organizar o povo para que não sejam possíveis os retrocessos. O cearense é muito vivo. Tem uma opinião muito desconfiada sobre política, porque dela participa, e muito. Todos com quem conversei disseram-me a mesma coisa: vamos por aqui, mas há problemas. E talvez o maior problema seja o do futuro, mas não qualquer futuro. O fascismo se apresentou sob o manto da juventude, e foi rejeitado, ainda que por pouco, o que dá orgulho de Fortaleza. Mas isso não nos exime de chamarmos a turma que lotou os bairros e as redes e renovarmos as lideranças, as práticas, corrigir erros. Aí sim, poderemos considerar que estamos no caminho da disputa da hegemonia. Por ora, ganhamos por um pelinho, então precisamos nos unir mais e ir em direção ao povo.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

A esquerda no labirinto: lições da frente democrática e antifascista - Augusto Buonicore


Com imensas saudades do historiador Augusto Buonicore,  republicamos este seu texto bastante pertinente no momento atual, em que aborda a construção da Frente Ampla.

por Augusto Buonicore
Publicado 11/03/2020 13:29 | Editado 11/03/2020 18:03

 “Sob uma aparente e intransigente fidelidade aos interesses dos trabalhadores, a concepção de que a luta antifascista é a oposição da classe operária a toda a burguesia (…) conduziria ao isolamento político do proletariado (…) e no fim das contas ao enfraquecimento da sua luta e ao fortalecimento do fascismo (…). É tempo que todos os democratas compreendam que a política de divisão é a política do inimigo fascista e só a este pode aproveitar.” (Álvaro Cunhal).
Toda alteração drástica na conjuntura, trazendo consigo mudanças na correlação de forças, exige reformulações táticas por parte das esquerdas. Nesses momentos é natural surgirem diferenças de opinião mais ou menos acentuadas. Alguns esperam escapar das crescentes dificuldades, empreendendo uma fuga desesperada para frente. Outros quedam paralisados.

A primeira pergunta que devemos fazer é: Qual a dimensão da derrota sofrida? Foi pequena ou grande? De curto, médio ou longo prazo? Tática ou estratégica?

Na opinião dos comunistas brasileiros ligados ao PCdoB, a derrota sofrida foi muito grave e tem um sentido estratégico. Podemos elencar alguns dos principais – e mais recentes –capítulos desse drama: o impedimento da presidenta Dilma, a reforma trabalhista, a prisão de Lula, a eleição de Bolsonaro e de uma grande bancada parlamentar reacionária de extrema-direita. Podemos dizer, sem medo de errar, que foram os maiores reveses sofridos pelos setores democrático-populares desde o fatídico golpe militar de 1964. É possível prever: O Brasil não será mais o mesmo no próximo período. Nuvens sombrias toldam o céu do país.

A eleição de Bolsonaro aponta para além de uma simples mudança de governo, como foram as vitórias eleitorais dos neoliberais Collor e FHC. Sinaliza para a tentativa de alteração no próprio regime político instaurado com a Nova República, em 1985, e consolidado com a Constituição dita cidadã de 1988. Se isso se efetivará ou não dependerá da luta democrática. O fato é que entramos numa outra etapa da vida política brasileira, caracterizada pelo autoritarismo extremado, pelo ultraliberalismo e pelo conservadorismo no campo dos costumes.

A junção desses três elementos reacionários anuncia o governo Bolsonaro como o pior da nossa história. Por isso, tornou-se o nosso inimigo principal. Aquele que, em primeiro lugar, deve ser isolado e derrotado pela união de todas as forças democráticas, nacionalistas e populares. A insuficiente clareza quanto a isso pode nos conduzir a erros políticos graves.

Qual o caráter da frente política necessária para derrotar o bolsonarismo?

Surgem então duas propostas que partem de visões distintas – e respeitáveis – sobre a atual conjuntura nacional e internacional: frente ampla democrática ou frente popular apenas com os setores da esquerda? Neste momento, marcado pela defensiva tática e estratégica do campo popular, sob um governo de extrema-direita com fortes conotações fascistas, os comunistas defendem a necessidade de constituição de uma ampla frente de caráter democrático e antifascista, envolvendo todos aqueles que se disponham a defender as liberdades ameaçadas. Esta frente deve incorporar todas as organizações de esquerda, centro-esquerda e também setores e personalidades do centro político. Mesmo aqueles que no passado recente apoiaram o golpe parlamentar desferido contra a presidenta Dilma. Ou se calaram diante dele. Isso, em parte, já aconteceu durante as últimas eleições. Basta ver as amplas coligações partidárias constituídas no Nordeste brasileiro, envolvendo PT, PCdoB, PDT, PSB e até setores do PMDB. Ali barramos o bolsonarismo.

Assim, o centro da tática na atualidade deve ser: isolar ao máximo as forças apoiadoras do governo, neutralizar e buscar conquistar as forças centristas tendentes à conciliação. Essas últimas não devem, sob nenhuma condição, ser confundidas com as que apóiam Bolsonaro. O objetivo será impor derrotas cada vez maiores ao governo reacionário, enfraquecendo-o e criando as melhores condições para sua substituição. A tarefa não será fácil e exigirá muita sagacidade política.

A vitória recente no parlamento sobre o projeto Escola sem Partido mostra o caminho a ser seguido. Várias personalidadese organizações que não são de esquerda – inclusive ligadas a partidos liberais – aderiram a um movimento de caráter nitidamente democrático. Isso pode se repetir em outras votações no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Devemos nos aproveitar de todas as contradições surgidas, inclusive nas bases governistas.

Nesta quadra histórica extremamente desfavorável, constituem-se em algo extremamente nocivo as agressões entre os possíveis membros da frente democrática, geralmente movidas por interesses menores. Para alguns, quanto mais estreita for a frente – e sem possíveis rivais internos – mais facilitada estará a sua hegemonia. Essas atitudes sectáriase divisionistas são prejudiciais ao país e aos trabalhadores.

Vejamos alguns erros que podem dificultar – ou mesmo impossibilitar –a construção de uma verdadeira frente ampla e democrática no Brasil atual. O primeiro deles é a tentativa de construí-la sem o Partido dos Trabalhadores (PT), pois “o hegemonismo deste (e seu tamanho) dificultaria qualquer acordo interpartidário em bases igualitárias”. Uma atitude ingênua e errada. O PT é o maior partido da oposição com forte base parlamentar e de massas. Não haverá frente de oposição sem o PT e muito menos contra o PT.

De outro lado, devem ser criticados os ataques efetuados por setores de esquerda contra o PSB e o PDT, especialmente a Ciro Gomes. Alguns chegam mesmo a defini-lo como um político de direita. Algo completamente destituído de sentido histórico-factual, especialmente nesta conjuntura. Nem mesmo as posições claramente equivocadas (e desastradas) adotadas por ele no segundo turno – e agora diante da participação na posse de Bolsonaro – justificam tais atitudes. Um erro, por mais grave que seja, não justifica o outro. A tarefa dos comunistas é tentar aparar as arestas existentes no campo da oposição e não acentuá-las.

Também é um equívoco achar que a frente deva nascer sob a hegemonia decretada desse ou daquele partido, dessa ou daquela personalidade política. Todos esses desvios representam sérios obstáculos à construção da frente ampla democrática e antifascista necessária para derrotar os planos da extrema-direita.

Na verdade, frentes amplas dessa natureza dispensam um líder único ao qual todos os demais devam seguir. Em defesa da frente democrática, devemos combater a personificação da sua direção, cuidando para que ela não se transforme prematuramente num palanque visando às eleições de 2022. A frente democrática não pode ser um espaço no qual uma organização ou personalidade impõe sua vontade às demais. Deve ser um espaço de exercício de consensos progressivos.

E o campo popular na frente democrática?

O campo popular deve se constituir como um dos núcleos da frente democrática, buscando conduzi-la a posições oposicionistas mais consequentes. Assim, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo devem fazer parte da frente, mas sem confundir-se com ela. São frentes (populares) dentro de uma frente maior (democrática). Usando uma velha fórmula do PCdoB, forjada durante a ditadura militar: queremos uma frente democrática ampla, mas que tenha por base a unidade popular expressa em articulações como a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo e outras que venham a surgir.

Não podemos, de maneira alguma, abrir mão das reivindicações mais sentidas das massas populares, especialmente as que dizem respeito a: emprego, salários, condições de trabalho e de vida. Visando a contribuir para isso, devemos propugnar o congraçamento das centrais sindicais em grandes fóruns visando a desenvolver as lutas comuns pelos direitos dos trabalhadores. Seria importante que todos esses setores populares tivessem uma atuação unitária. Isso possibilitaria dar uma linha mais avançada à frente ampla.

Naturalmente, haverá contradições no seio da frente ampla em torno de vários temas. Toda articulação heterogênea comporta um processo permanente de unidade e luta, mas o determinante na relação das organizações que a compõem deve ser a unidade e não a luta interna. Quando a tônica passa a ser a luta interna, a frente rapidamente se desfaz. Quem ganha é o nosso inimigo: a direita bolsonarista.



A unidade de uma frente, como a proposta aqui, tem como mote a defesa da democracia ameaçada, encarando-a como condição necessária para avançarmos nas outras pautas. Queremos manter as liberdades políticas para podermos prosseguir na luta pelos direitos do nosso povo e a soberania da nossa nação. Sem liberdade as lutas se tornam mais difíceis.

Os comunistas têm uma longa experiência de frentes dessa natureza: como as frentes antifascistas nos anos 1930 e as frentes democráticas contra as ditaduras militares na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970. Esta política frentista (policlassista), embora majoritária, nunca foi consensual na esquerda. Os trotskistas, em geral, eram contrários às frentes amplas nas quais participassem setores não-socialistas ou burgueses. Este dilema enfrentamos no período da ditadura militar brasileira e enfrentaremos novamente na luta contra o governo Bolsonaro.



Álvaro Cunhal e a luta antifascista

Passemos em revista algumas lições deixadas por importantes líderes comunistas sobre o problema de frente democrática e antifascista. Segundo Álvaro Cunhal: “A luta de uma frente antifascista (…) não elimina as contradições e conflitos entre as classes que participam de tal frente (…). A aliança com a pequena burguesia e setores da média burguesia contra o fascismo em nada diminui, mas, pelo contrário, exige o reforço da ação independente da classe operária”. Problema haveria se toda posição diferenciada no seio da frente se transformasse em guerra aberta entre seus membros. Continua o histórico dirigente comunista português: “Para alguns a unidade não é um instrumento de luta contra o inimigo fascista, mas um instrumento de luta interna no próprio seio da oposição (…). Para esses a política de unidade não visa ao derrubamento do fascismo, mas à submissão ou mesmo à eliminação de outros setores dessa mesma Oposição”. Este mesmo desvio podemos constatar no caso brasileiro.

“O Partido Comunista (Português) aliou sempre ao seu esforço para unir todos os setores antifascistas o combate ideológico conduzido numa base de princípios. Sempre nos guiamos pela ideia de que as manifestações francas de diferenças de pontos de vistas (…) não contrariam nem prejudicam a unidade (…). Uma unidade política entre forças diferenciadas implica que essas forças discutam os seus pontos de vistas e, encontrando um caminho comum, mantenham independência crítica”. Por isso, “a unidade antifascista não é nem pode ser fusão, submissão. Pela variedade dos setores antifascistas, o próprio estabelecimento da unidade exige diálogo, discussão, debate e, por vezes, polêmica. Há coincidência de interesses fundamentais imediatos. Há diferenças de objetivos, de apreciação de fatos, de métodos de ação, de tática, que levam ao choque de opiniões em qualquer movimento ou organização de unidade. Discussão, crítica, confronto de ideias, luta ideológica é uma coisa. A ação divisionista é outra”. A luta de ideias tem por objetivo esclarecer e fortalecer a frente única contra o inimigo principal e não cindi-la.

O texto também trata do problema do hegemonismo no interior da frente ampla antifascista: “Inseparáveis dos ataques à política de unidade são as pretensões hegemônicas das várias forças ou setores antifascistas. Para eles a hegemonia no movimento antifascista consiste na pretensão de exercer o comando ou a direção de todo o movimento (…) como se de tal fato fosse reconhecido pelas restantes forças e setores do campo antifascista”. Hegemonia, para o veterano comunista, não poderia ser entendida “como submissão dos outros”. Repito o que dissemos acima: “a frente ampla não pode ser um espaço que a força mais forte impõe sua vontade às demais. Deve ser um espaço de exercício de consensos progressivos”.

Em seguida, retomando a boa tradição do marxismo-leninismo, elucida o problema da justa relação entre “unidade pela base” e “unidade por cima”: “Os grupos esquerdistas (…) consideram que a unidade antifascista deve ter como única expressão a ‘unidade pela base’ (…). O PCP atua simultaneamente nas duas direções: atua para alcançar a ‘unidade pelo topo’ e atua para alcançar a ‘unidade pela base’. São direções de atividades complementares e de certa forma interdependentes. Os progressos alcançados em qualquer destas duas direções estimula o progresso na outra”. E conclui: “Damos grande valor aos acordos e à unidade com os grupos e setores democráticos apesar de suas debilidades orgânicas e de suas hesitações políticas”. A mesma coisa que pensava Lênin e os principais revolucionários do século XX.

Dimitrov, Mao e o problema das frentes amplas



O 7º Congresso da Internacional Comunista (1935) – que rompeu com o esquerdismo e o sectarismo imperante nas fileiras comunistas e lançou-as na construção das frentes populares antifascistas – teve sua principal e melhor expressão nos discursos feitos por seu presidente Jorge Dimitrov. Num deles afirmou, “Defendemos e seguiremos defendendo, nos países capitalistas, palmo a palmo, as liberdades democrático-burguesas contra as quais atentam o fascismo e a reação burguesa, pois assim o exigem os interesses de luta do proletariado”.

Quem, segundo Dimitrov, deveria compor essa ampla frente antifascistas? Ela deveria ser composta apenas por organizações socialistas e operárias? A resposta do dirigente da Internacional Comunista foi negativa: “Nos países capitalistas, a maioria dos partidos e organizações – políticas e econômicas – encontra-se ainda sob influência da burguesia”. Por isso, “devemos encaminhar nossos esforços para conquistar estes partidos ou organizações para a frente popular antifascista, apesar da sua direção burguesa.” E conclui: “Isto não é simplesmente um movimento de frente única operária, é o começo duma ampla frente de todo o povo contra o fascismo”. Em países ocupados pelos exércitos nazi-fascistas, a frente política deveria ser ainda mais ampla, como veremos adiante.

A vitória – ou ameaça de vitória – do fascismo muda a correlação de forças e exige a elaboração de uma nova tática, correspondendo à situação adversa. Muitos comunistas não compreendem isso e consideram todo e qualquer recuo como algo inadmissível do ponto de vista dos princípios marxista-leninistas, uma traição ao programa socialista. “Há sabichões que vêm em tudo isso retrocesso das nossas posições de princípios, uma virada à direita da linha do bolchevismo. Está bem! ‘A galinha faminta, dizemos na Bulgária, sempre sonha com milho’. Que pensem assim estas galinhas políticas! (…). Mas, não seríamos marxistas revolucionários, leninistas (…) se não mudássemos de um modo consequente a nossa política e nossa tática de acordo com as mudanças efetuadas na situação e no movimento operário mundial”, respondeu Dimitrov. O mesmo problema enfrentou Lênin durante as discussões ocorridas no interior dos bolcheviques em torno da Paz de Brest-Litovsky entabulada com o alto-comando alemão. Acordo ardorosamente defendido por ele contra a maior parte do seu próprio partido.

Mao Tsé-Tung, comandante da revolução chinesa e um dos principais estrategistas do século passado, deu importantes contribuições ao debate. Ele também teve que mudar a estratégia e a tática dos comunistas quando da invasão japonesa ao território chinês. Este acontecimento dramático fez com que mudasse o inimigo principal do povo e, consequentemente, a sua política de alianças.



Como o líder chinês explica essas mudanças às vezes bruscas no campo da estratégia? “No processo, complexo, de desenvolvimento de um fenômeno existe toda uma série de contradições; uma delas é necessariamente a contradição principal, cuja existência e desenvolvimento determinam a existência e o desenvolvimento das demais contradições ou agem sobre elas”. “Assim, se um processo comporta várias contradições, existe necessariamente uma delas que é a principal e desempenha papel diretor, determinante, enquanto as outras ocupam apenas posição secundária, subordinada. Por consequência, no estudo de um processo complexo, em que há duas ou mais contradições, devemos fazer o máximo por determinar a contradição principal, todos os problemas se resolvem”.“ Não devemos tratar as contradições de um processo como se fossem todas iguais, sendo necessário distinguir a contradição principal das contradições secundárias, e nos mostrarmos atentos na descoberta da contradição principal”. Mao alertava que “as contradições também mudam de posição”. Foi o que aconteceu após a invasão japonesa.

Tudo isso para chegar à conclusão política central, necessariamente expressa na elaboração da tática e da estratégia revolucionárias: “Como a contradição entre a China e o Japão passou a ser a contradição principal, as contradições internas da China passaram para um plano secundário e subordinado”. Até as contradições com os demais imperialismos (EUA-Inglaterra-França) caíram para um segundo plano e acabaram sendo utilizadas na luta contra o inimigo mais perigoso. Surge, então, a proposta da Frente Única Antijaponesa, agregando dois grandes adversários: o Kuomintang, comandado pelo direitista Chiang Kai-Chek, e o Partido Comunista de China. Assim, ocorreu uma drástica – e necessária – mudança na política de alianças. Antigos inimigos tornam-se aliados, ainda que provisórios.

Por fim, deixemos a palavra ao grande Lênin: “Os acontecimentos políticos são sempre muito confusos. Podemos compará-los a uma corrente. Para conservar toda corrente, temos de agarrar o elo fundamental (…). A arte da política consiste em encontrar e agarrar com força o elo (…) mais importante em um determinado momento (…). É necessário unir o compromisso absoluto com as ideias comunistas à habilidade de realizar todos os compromissos práticos necessários, como manobras, acordos, ziguezagues, recuos etc. Não é possível que os esquerdistas alemães ignorem que toda a história do bolchevismo, antes e depois da revolução, está cheia de casos de manobras, de acordos e compromissos com outros partidos, inclusive os partidos burgueses.Fazer a guerra para derrotar a burguesia internacional (…) e renunciar de antemão a qualquer manobra, a explorar os antagonismos de interesses (mesmo que sejam apenas temporários) que dividem nossos inimigos, renunciar a acordos e compromissos com possíveis aliados (ainda que provisórios, inconsistentes, vacilantes, condicionais), não é, por acaso, qualquer coisa de extremamente ridículo?”

Temos que nos utilizar de todas essas lições – tendo em conta as condições históricas atuais – na luta contra o governo direitista de Bolsonaro e na construção de uma ampla frente democrática que tenha como base a unidade popular. Este será o caminho da vitória.



Bibliografia

AMAZONAS, João. Pela liberdade e pela democracia popular. São Paulo: Anita Garibaldi, 1982.
CUNHAL, Álvaro. Ação revolucionária, capitulação e aventura. Lisboa: Edições Avante!, 1994.
DIMITROV, Jorge. Contra o fascismo e a guerra. Sófia: Sófia Press, 1988.
HARNECKER, Marta. Estratégia e tática. São Paulo: Expressão Popular, 2004.
LÊNIN, V. I. Esquerdismo, doença infantil do comunismo. São Paulo: Global, 1981.
TSÉ-TUNG, Mao. Sobre a prática e sobre a contradição. São Paulo: Expressão Popular, 1999.
______. Mao Tsé-Tung e a política de Partido. Lisboa: Maria da Fonte, 1975.





Artigo publicado originalmente em 21 de janeiro de 2019.

sábado, 16 de março de 2024

Especial, pevezando -> Frente Ampla e Unidade Popular para unir o Brasil e vencer o fascismo - Paulo Vinícius da Silva



8 de janeiro de 2023, Brasília, retomada simbólica do Planalto

Os três grandes: Stalin, Roosevelt e Churchill

George Dimitrov: líder histórico da luta contra o nazifascismo - Pedro Oliveira 

E a defesa de Dimitrov contra Goring e Goebbels (em inglês)- Portal Vermelho
George Dimitrov, herói dos trabalhadores e da luta contra o nazifascismo


Xi Jinping: Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade - Discurso completo em Davos - Portal Vermelho




Conversa Afiada com o saudoso Paulo Henrique Amorim e João Vicente Goulart: Por que Jango não resistiu? Como Jango pôde aceitar a Frente Ampla com Lacerda?



Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da Silva (1)


A unidade é a bandeira da esperança.
João Amazonas





Frente Ampla e Unidade Popular? Paulo Vinícius 'da Silva (2)

Si vis pacem, para bellum. Se quer paz, prepare-se para a guerra.
Provérbio latino


Coletivizando: Frente Ampla e Unidade Popular! Paulo Vinícius da Silva (3)
"O fascismo no Poder (...) é a ditadura terrorista descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro." E ainda: "O fascismo é o Poder do próprio capital financeiro. (...) É preciso salientar de modo especial este caráter verdadeiro do fascismo porque a dissimulação da demagogia social deu ao fascismo, numa série de países, a possibilidade de arrastar consigo as massas da pequena burguesia desajustadas pela crise, e até alguns setores das camadas mais atrasadas do proletariado que jamais seguiriam o fascismo se tivessem compreendido seu verdadeiro caráter de classe, sua verdadeira natureza." (Dimitrov)



Aldo Arantes: Frente de esquerda ou Frente ampla? -PCdoB 


De fato aí reside a divergência central de nossas opiniões. Enquanto Altman nega as alianças feitas por Lula e Dilma considero que o erro não esteve nas alianças mas sim em não compreender seu caráter transitório. E, em função disto, não ter se preparado para quando elas não mais interessassem às partes.

Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição


O Brasil vai votar Lula Lá - versão de Fischia il vento e Katiusha, canções da resistência ao nazi-fascismo - Paulo Vinícius da Silva

João Amazonas e a política internacionalista do PCdoB - Ricardo Abreu (Alemão)

Amazonas observa que “é preciso estabelecer o limite da fronteira, no campo ideológico, para abordar a luta pela unidade do proletariado mundial”.

O oportunismo de direita, para Lênin, é a política reformista de conciliação de classes, a subordinação dos objtetivos maiores de emancipação dos trabalhadores aos objetivos menores e imediatos.

Logo a seguir, no texto que estamos analisando, Amazonas cita dois casos concretos de traição à classe operária e ao movimento comunista, “o Partido da ‘Sinistra’, da Itália [surgido da dissolução, pela maioria, do antigo Partido Comunista Italiano] e, no Brasil, do “Partido Popular Socialista [PPS], herdeiro do Partido Comunista Brasileiro [PCB], que renegou os símbolos, o marxismo-leninismo; e se tranformou em um partido de traição aberta ao comunismo”.


Lenin viveu, Lenin vive, Lenin viverá! Paulo Vinícius da Silva




Lamentavelmente, é um pensador pouco compreendido, diria até desconhecido, assim me parece, e isso a despeito do monumental esforço de popularização e compilação de sua obra feito por Stalin após a sua morte. Por isso, superficialmente, como estímulo ao seu estudo, e para sistematizar minhas próprias opiniões, cito o que penso aspectos essenciais no pensamento revolucionário de Lênin.

Da crítica e autocrítica para o Avante, camaradas! Paulo Vinícius da Silva
Crítica e autocrítica são coisas de comunista. Rogério Lustosa definiu como nos relacionamos com a crítica e autocrítica. Dizia: "nós devemos ser os mais severos críticos de nossos próprios erros". Longe de indesejável, esse processo é ápice, é o controle dos resultados pelo próprio coletivo, é quando operário(a) e jovem pode questionar de igual para igual dirigentes e líderes partidários. As direções todas, eleitas de baixo pra cima, também todas hão de ser avaliadas no processo normal do Centralismo Democrático, o funcionamento do PC.







Roda Viva | Marcelo Gleiser | 11/03/2024


O Roda Viva recebe o físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser. "O despertar do universo consciente: Um manifesto para o futuro da humanidade" é o título do novo livro de Gleiser, que une física, filosofia, biologia, química, religião e muito mais para questionar: como estamos nos relacionando com o planeta? O que é preciso fazer para salvar nossa civilização? O lançamento da obra está marcado para o dia 12 de março no Rio de Janeiro e dia 14 em São Paulo. Mas antes o autor estará no Roda Viva!



quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

PV aprova federação com PSB, PCdoB e PT e amplia frente contra Bolsonaro


Para José Luiz Penna, dirigente do PV, a federação sinaliza uma frente democrática contra Bolsonaro.

 
José Luiz Penna, dirigente do Partido Verde

Os diretórios estaduais do Partido Verde se reuniram, nesta segunda (20), e concordaram sobre a formação da federação partidária com PCdoB, PSB e PT.

O presidente do PV, José Luiz Penna, também sinalizou à Folha de S. Paulo, após a reunião, um apoio à candidatura do ex-presidente Lula, considerado por ele o candidato mais viável deste campo partidário.

O presidente do PV também comentou a aproximação de Lula e Geraldo Alckmin (sem partido) consolidada no jantar do último domingo (19), em São Paulo. Para ele, é um sinal de que a candidatura desse grupo político que formar a federação é por uma frente democrática e não só do PT.“É um sinal muito positivo porque não é uma candidatura do PT, é de uma frente democrática como a gente sempre idealizou. É um engano achar que essa eleição vai ser um passeio, uma coisa fácil. Temos que criar um contingente grande de partido para derrotar essa ameaça autoritária”, disse Penna à Folha.

“É hora de unirmos quadro contra este governo que arrasa o país. A Gleisi se mostra muito favorável, com certeza marcharemos juntos”, diz ele, na semana passada, quando se discutia o assunto.

Penna também contou que se reuniu na quinta (16) com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O objetivo é tentar atrair uma Rede para a federação e aumentar ainda mais o grupo de partidos.No artigo “Uma escolha nada difícil“, no site oficial do PV, o secretário de Mobilização Nacional e Presidente do PV/RS, Márcio Souza da Silva, defendeu a aproximação com a “esquerda tradicional” para combater o que ele considera “um novo modelo de ditadura institucional”, com Bolsonaro.

Seu argumento principal é a defesa da democracia e a necessidade do PV não errar na estratégia num momento crucial em que “a democracia involuiu, a população mais carente ficou ainda mais pobre, direitos civis, sociais inacessíveis e trabalhistas foram suprimidos e a democracia cambaleou, bem como os índios, mulheres e minorias foram atacados e marginalizados”.

Para ele, não há outra saída para o PV, já que qualquer terceira via estaria inviabilizada, segundo observa ele. Para ele, há o risco do PV ficar como colaboracionista, em vez de resistência a “esse arremedo de ditadura da imbecilidade, da irracionalidade, do terraplanismo”.

Segundo o TSE, o PV conta com 361.452 eleitores filiados. O partido nasceu na década de 1980 baseado nas tendências ambientalistas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

15º Congresso: PCdoB de Brasília realiza conferência e elege direção com Paulo Vinícius da Silva Presidente

 
www.pcdob.org.br 



15º Congresso: PCdoB de Brasília realiza conferência e elege direção
20 de setembro, 2021




O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) de Brasília realizou no sábado (18) virtualmente a conferência municipal preparatória para o 15º Congresso do PCdoB. A plenária reuniu 57 participantes e elegeu o dirigente Paulo Vinicius, o PV, para a presidência do partido na cidade. Aldo Arantes e João Vicente Goulart apresentaram o Projeto de Resolução do Congresso.





O processo de mobilização para a conferência mobilizou 72 pessoas nos debates de bases organizadas no Congresso Nacional, bancários, educação, Universidade de Brasília (UNB), comunicadores, servidores federais e saúde.

“A conferência de Brasília reuniu a maior quantidade de mobilizados por cidade e expressou o esforço da direção do PCdoB de manter a legenda viva e atuante mesmo com todas as dificuldades da pandemia. Superou as expectativas de mobilização e ampliou a presença das mulheres na direção, e toma para si a palavra de ordem de frente ampla, fora bolsonaro e o crescimento do partido”, afirmou PV.

Confira os integrantes da nova direção do PCdoB de Brasília:

Ademir Dias – servidor público federal

Amanda Costa – estudante e militante do movimento estudantil

Antonio Carpintero – arquiteto, presidente da Fundação Maurício Grabois – DF

Bruna Pilati – estudante e militante da UJS

Fred Vazques – publicitário e militante da Cultura

Gustavo Alves – jornalista e editor de Redes do PCdoB, presidente cessante

Ingrid Mangabeira – assistente social, diretora nacional de Meio Ambiente da UJS

Jorge Gregory – jornalista

Juliana Bottechia – professora da rede pública e pesquisadora da Educação

Laura Padilha – presidenta da UBM – DF

Lucas Carvalho – estudante e militante da UJS

Luiza Calvette – coordenadora da Base da UnB

Matheus Diniz – Secretário de Juventude do PCdoB/DF

Paulo Vinícius – Sociólogo, Bancário, Secretário Geral da CTB DF

Thamar Dias – servidora da Câmara dos Deputados e assessora da Liderança do PCdoB

Verônica Goulart – militante da moda



Por Railídia Carvalho




sexta-feira, 30 de julho de 2021

Frente Ampla e Unidade Popular - Paulo Vinícius da SIlva

A unidade é a bandeira da esperança. 
João Amazonas


¿Por qué no unirnos?
Y luchamos como hermanos
Por la Patria que está herida
Nuestra Patria la que amamos

Dispersos. Alí Primera

Desde menino, eu me encantei com essa riqueza dos comunistas, ainda quando pequenos, miram longe, e fazem sua política virar realidade, e com esse espírito devemos agir para salvar o Brasil. A pátria está em grave perigo. Essa é a régua para medir a discussão em torno da Frente Ampla ou de Esquerda como caminhos para tirar o Brasil da crise que vivemos, agônica sob Bolsonaro. De lá para cá, muitas foram as críticas à Frente Ampla, defendida pelo PCdoB, e o debate não cessa. A renitência decorre da justeza da posição, de sua efetividade.

No Genocídio, nas poucas vezes em que o povo ganhou, foi graças à Frente Ampla. Ganhamos quando a esquerda influenciou além de suas hostes, quando pôde articular mesmo seus adversários e teve o apoio da maioria do povo. Na eleição de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara, na primeira vitória do Auxílio Emergencial, na Lei Aldir Blanc, na CPI da COVID, em todas essas situações, evidenciou-se a única tática vitoriosa sob a égide do Golpe, a de Frente Ampla. Por que? Porque fomos golpeados e somos minoria no sistema político deformado. Não adiantam apenas votos da esquerda. E não há quem possa salvar a política de quem não sabe sequer contar.

O impeachment de Dilma foi um Golpe, a Presidente afastada sem crime foi o símbolo da violação da Soberania Popular, sob cuja égide vige e sangra o Brasil. Temer jamais teria o voto dos brasileiros e brasileiras para presidente, foi eleito indireta e dolosamente por uma maioria do Congresso que estava a mando de Eduardo Cunha. Bolsonaro só foi eleito graças à manipulação e à fraude, além da conivência e omissão de agentes políticos, da imprensa golpista e do Supremo, que negou ao povo brasileiro o direito de ter Lula na disputa de 2018. Até no segundo turno, menosprezaram o perigo assassino que hoje nos mata. Portanto, o que houve aos últimos três mandatários do Brasil deixa claro que, nas eleições de 2022, até voto é possível que valha.

Mas, que Brasil sobrará para ser administrado? Quem escapará vivo?! Eles respeitarão o resultado e o governo? Teremos maioria? Tais perguntas importam porque esclarecem que a eleição leva apenas a uma parte do poder. Nessa teia, e com a CIA "mexendo os pauzinhos", foi graças ao julgamento "superior" do ápice da pirâmide de classes brasileira, que chegamos a essa hecatombe que varre o país em todos os campos. A Pátria sofre, sangra, morrem centenas de milhares de pessoas, as empresas quebram, a vida piora para todos, os museus incendeiam, e os ladrões, milicianos e fascistas cometem seus crimes à luz do dia, esfaqueando a Nação Brasileira, destruindo-lhe as riquezas, como um banquete de hienas.

É esse período aziago, em que o poder do voto popular foi "suspenso" em favor dos votos dos Deputados e Deputadas, Senadores e Senadoras, ou dos juízes em todos os níveis, eis o tempo em que lutamos. Não nos é dado escolher, muitas vezes, nem o campo de batalha, nem as armas que temos à mão, só nos resta o engenho e a determinação de lutar. Por isso, precisamos de mais política e força de massas, e menos de fanfarrões cujas frases não mudam a vida.

A Frente Ampla é uma tática justa em situações de extrema defensiva, mas não se resume a uma política defensiva, muito ao contrário. Não é uma tática nova, foi defendida e aplicada pelos comunistas, e seu êxito foi demonstrado historicamente em situações desesperadoras, a exemplo da luta contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. Certamente, nunca foi uma tática unânime, mas objeto de acerba polêmica no seio da Terceira Internacional. Todavia, foi a partir destas alianças amplas e inclusive com setores burgueses (mas salvaguardadas pela força da URSS), que foi possível isolar e, por fim, bater o nazi-fascismo.
Churchill, Roosevelt e Stalin, os Três Grandes que enterraram o nazi-fascismo em estátua que os celebra na Crimeia.

Por que? A tática da Frente Ampla é a única que pode permitir dividir inclusive o campo adversário, no Brasil sequestrado pelo entreguismo, pelas milícias e pela corrupção. A Frente Ampla não privilegia os adversários do passado, mas os imprescindíveis aliados do presente, sem cujos votos, não será possível levar ao justo Impeachment o Presidente genocida, entreguista e inimigo da democracia.

Afora essa questão de matemática simples, mas que definirá se Bolsonaro segue a presidir impunemente o genocídio do povo brasileiro, até 31 de dezembro de 2022, existe uma questão bem mais profunda, que se refere ao bolsonarismo representar parte importante do campo politico brasileiro, fato infeliz e transcendente que deve nos levar à radical concepção democrática da Frente Ampla.

As monstruosidades que saem da boca de Bolsonaro chegam no nosso vizinho, estão nas nossas famílias e até em nossas casas. A conciliação de que devemos ser capazes é ainda mais ampla e profunda. A Frente Ampla é a própria possibilidade da reconciliação nacional, encontrarmos a saída desse delírio capitalista, o triste Brasil sob Jair Bolsonaro. Até esse dia, há muito o que fazer, muito que unir, pois a desunião foi semeada como um câncer.

O que o Brasil vive hoje, não foi um raio sob um céu azul, mas foi preparado meticulosamente, sendo o nosso país um dos palcos das chamadas Guerras Híbridas. Nelas, as fragilidades da construção da Nação, são exploradas como tensões no seio do povo. E chagas, como a escravidão, o racismo, a opressão da mulher e as desigualdades militam para destroçar a própria Nação Brasileira, que nos cumpre defender nessa hora de crise.

Com o advento da internet e das redes sociais e smartphones, uma crescente alienação se afirma diante de pessoas que passam a ter duas vidas, em paralelo: a vida real e aquilo que dizemos ser a nossa vida nas redes sociais. Afora isso, há todo um mundo para além de nós. O big data é o olho que tudo vê, que junta as pontas de tantas pistas digitais sobre nossas almas. É esse mapa consolidado e íntimo que passa a guiar a propaganda política e o marketing digital.

É nesse novo contexto, que fenômenos antigos são reciclados, a exemplo da eficácia da propaganda nazi-fascista, que hoje é o próprio núcleo moral do que se popularizou como Fake News. Assim, não é à toa que essa parcela imensa (imagine, 20% ou mais) esposa ideias flagrantemente mentirosas, preconceituosas, que dialogam não apenas com os fatos, mas com aspectos recônditos e problemáticos de nossa psique num mundo em profunda crise. Chegam ao ponto absurdo de mentir contra as vacinas que podem lhes salvar.

É esse ambiente de ideias doentio e anômalo que é sustentado à força de vultosos recursos, que somente de relance vislumbramos. O capital financeiro é rentista e parasitário, e é ele que dirige a orgia, é ele que enche os bolsos enquanto as guerras se sucedem e o mundo afunda.

As ideias de extrema direita, as campanhas anti-vacina, o fundamentalismo religioso rasteiro e preconceituoso, o niilismo e o hedonismo, a ridicularizacão universal, o humor do ódio e do preconceito, o racismo, o consumismo ecocida, todo esse chorume é nutrido a partir de bilhões de dólares que escorrem para as redes sociais da mesa do capital financeiro, e a partir de uma clara lógica: dividir para reinar. Mais uma vez querem que a mentira, mil vezes, repetida vire uma verdade, mas não!

Assim, a relevância de Bolsonaro e da mentira é financiada, e a divisão nacional é o ferramental do imperialismo em seus propósitos desestabilizadores. No passado, face a uma nova fronteira tecnológica - a do rádio e da TV, das demonstrações de massas, dos jornais e do discurso - o nazi-fascismo pôde mesmerizar parte da opinião pública e levá-la até o cadafalso e à hecatombe. Essas ferramentas foram atualizadas, e é seu uso que vivenciamos no Brasil e alhures, nova forma de dividir as sociedades e causar-lhes a ruína. Quem ganha com isso?

Essa é a verdadeira guerra cultural, que venceu no Brasil, desde 2013, porque atingiu seu principal objetivo: dividir de modo inconciliável o nosso povo, porque esse é o objetivo central da Guerra Híbrida, impedir que as nações possam construir um novo sistema mundial multipolar, em meio à notável ascensão chinesa sob seu socialismo de mercado.

À pretensão de unipolaridade estadunidense, proclamada ao fim da URSS, vemos se sucederem tempos de mudança, naquilo que Bolívar chamava de "equilíbrio do universo", qual seja, o próprio Mapa do Mundo. Assim, seja contra a China, seja contra a Rússia, seja contra Cuba, seja contra o Brasil, o imperialismo estadunidense trabalha insone para dividir e pôr em guerra os irmãos, as famílias e os povos que lutam por sua independência e desenvolvimento. A essa imensa força dissolvente, é que somos chamados a afirmar o Brasil, a Democracia e o Desenvolvimento.

Por isso, a Frente Ampla é imprescindível, e não é manobra defensiva, muito ao contrário, é a única ofensiva que verdadeiramente importa para um povo sangrado como o nosso. Como é possível, hoje, termos mais de 554 mil mortos, a contar, e persistirmos divididos como estamos, em vez de nos unirmos para deter o genocídio?!

Vivemos todas as semanas sucessivas violações da democracia e ameaças reiteradas de Golpe, que visam às eleições de 2022, feitas por ninguém mais que o Presidente da República. Por todo o país, uma massa de manobra foi mobilizada a se armar, e infiltra-se nas forças policiais e nas próprias forças armadas, como vemos diariamente. Não há razão para otimismo quanto ao compromisso democrático de quem promoveu o genocídio Brasileiro. Toda a alegria com a liberdade e a devolução dos direitos políticos do Lula, com seu crescimento nas pesquisas, nada disso, por si só, pode nos tranquilizar. É preciso uma ampla retaguarda para resistir ao que se erigiu no Brasil, os maiores retrocessos e tragédia já vividos. Mas só isso também não bastará.

A necessidade de unidade é muito mais profunda. Por um lado, atinge a própria Nação Brasileira, vinculando-se à dimensão da Democracia e da Soberania, que é de unir a maioria absoluta dos brasileiros e brasileiras e isolar o bolsonarismo e a extrema direita. Mas, por outro, confunde-se com a nossa própria História de acordos pelo alto no Brasil. Do mesmo modo que eles golpearam Dilma, poderão golpear Lula ou qualquer outro(a). Que garantia teremos?!

Infelizmente, a vida não dá garantias. Mas, ensinou Guimarães Rosa, o que a vida pede de nós é coragem. Não podemos nos assombrar com o que teremos de fazer para isolar Bolsonaro. Sobretudo, deve nos incomodar profundamente a divisão da esquerda num momento de tão grande sofrimento do país, e em que o povo tem tanta clareza de que a saída passa por Lula, fato demonstrado em sucessivas pesquisas. Os caminhos tortuosos na História são a regra, e em vez de uma Frente Ampla sem o PT, ou de uma Frente de Esquerda sem os que votaram contra Dilma, a História nos leva para uma imprevista Frente Ampla com Lula, mas só se tudo der muito certo. Meu palpite é que Lula será o maior defensor da Frente Ampla

Diretas Já, PCdoB no Vale do Anhangabaú e as bandeiras encarnadas que os aliados tentaram proibir. 

Nós somos essa consciência avançada contra a burguesia, que age como uma pedra - lembro Drummond - no meio do caminho. A Frente Ampla é imprescindível. A unidade popular é imprescindível. Lula é imprescindível. E, historicamente, o papel do Príncipe Moderno, o Partido Comunista, tem sido exatamente esse, unir o líder, unir as massas, e saber aproveitar o momento histórico. Por isso, renitente, o PCdoB diz: Frente Ampla. E por isso, também, o PCdoB é a força mais consequente em defesa da unidade da esquerda. É preciso lembrar das lições do comunista Italiano Palmiro Togliatti contra o Fascismo:

Quando falamos de "adversários", não visamos as massas que estão inscritas nas organizações fascistas, social democratas, católicas, mas as massas que aderem a elas não são nossos adversários, são massas de trabalhadores que devemos fazer todos os esforços para conquistar.

A complexidade do tema da unidade é também observada em cada uma das vitórias da esquerda nas eleições latino-americanas, iniciando por Hugo Chávez, em 1998, eleito na Venezuela. Dizia Chávez liderar uma Revolução pacífica, mas armada. Não foram as guerrilhas urbanas ou rurais, não foi a tomada do Palácio de Inverno, foi uma mescla de eleição e poder popular, povo organizado e na luta. Verificamos em todas as experiências latino-americanas de governos progressistas o mesmo papel central da unidade das frentes político-sociais que chegaram ao governo, cuja prova de fogo foi o povo defender sua democracia nas ruas. E em todos os casos, demonstrou-se a falta que a amplitude e a unidade fazem, às vezes ao custo da derrota e do genocídio.

Assim, em vez de três caixinhas (luta de ideias, de massas, eleitoral), a experiência histórica recente mostra que é a sinergia dessas formas de luta, se atua em momento decisivos, que abre novos ciclos de acumulação política, e podem desbravar as veredas do desenvolvimento nacional. Ao veto dos golpes, das armas, da guerra híbrida, do impeachment sem crime, da desestabilização, é preciso opôr uma nova força de massas, uma nova institucionalidade e uma nova economia, sobre os escombros e mortos, vítimas do neoliberalismo bolsonarista. Carecemos de uma união que nasça, mas não cesse na esquerda.

Recordemos que nossa história recente é indelevelmente marcada pela Frente Brasil Popular, proposta pelos comunistas, ainda em 1989, e que foi decisiva na Encruzilhada Histórica vista por Amazonas. Foi uma ousadia, e abriu caminhos até hoje. E o nosso desafio é dirigir a ampla maioria do espectro político. Assim, não será Frente Ampla X Frente de Esquerda, de modo algum. Na verdade, sem a unidade da esquerda consequente, não lograremos a unidade ampla do povo brasileiro. Apenas a esquerda será insuficiente, mas sem sua unidade a derrota é certa. Será também necessário às forças de centro-direita purgarem o bolsonarismo, sob pena de serem a ele submetidos, como agora. Assim, não se trata apenas de ter votos em 2022, mas de garantir desde já o progressivo isolamento da extrema direita em defesa da democracia, o que só poderá ser feito articulando Frente Ampla e Unidade Popular.




sexta-feira, 23 de julho de 2021

VIDA PLENA AO POVO BRASILEIRO! Organizações católicas, pastorais e sociais chamam o dia 24 de Julho - #24J #ForaBolsonaro


Sejamos parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas” (Fratelli Tutti, no 77, Papa Francisco)

A vida é sagrada. Lutar pela vida das pessoas nos distingue enquanto humanidade. Foi e continua sendo desumano não mobilizar todos os esforços e recursos para que as pessoas não morram pela COVID-19. As mortes pela pandemia, mais de meio milhão de pessoas, poderiam ter sido evitadas por meio de uma ação governamental exemplar e transparente, unificada nacionalmente e orientada pela ciência. O governo federal falhou no enfrentamento da pandemia e tem provocado grande sofrimento para as famílias brasileiras.

Todos os dias morre um número de pessoas igual ou superior a desastres, guerras e atos terroristas que abalaram o mundo. Não podemos naturalizar esses números. Eles significam pessoas, famílias, homens, mulheres, idosos e crianças que deixaram de viver por conta de artimanhas políticas de grupos vis e desumanos.

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado tem mostrado como o governo federal vem agindo criminosamente em relação à pandemia. Agentes públicos investem em medicamentos ineficazes no combate ao coronavírus, atrasam a compra das vacinas, não unificam o país com campanhas de informação sobre os melhores procedimentos para conter a contaminação, como o uso de máscaras e o distanciamento social e, por fim, transformam a compra das vacinas em um escândalo de corrupção.

O governo federal faz propaganda que o país está crescendo e saindo da crise econômica, mas o que verificamos na realidade é a volta da inflação, que consome os salários, e o alto nível de desemprego, que deixa um grande número de famílias sem perspectivas de vida.

O povo deve ser soberano na busca de solução para essa forte crise. Somente a democracia e a participação por meio das instituições constitucionalmente estabelecidas nos levarão à superação dessa difícil situação. Nesse sentido, é um desserviço à nação qualquer ameaça ao regime democrático brasileiro contida em pronunciamentos que mencionam a não realização de eleições e intervenções militares inconstitucionais.

Não podemos deixar que o Brasil siga esse caminho. É hora do basta a esse governo federal que promove a morte. É hora de recompor a sociedade e retomar o caminho da democracia, do diálogo e do resgate social que a Constituição de 1988 apontou em seu nascedouro.

União, coragem e determinação. Participemos das manifestações populares, de forma segura, solidária e pacífica. É o que se exige no momento.

Brasília, 22 de julho de 2021.

CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz
Manifesto #RespiraBrasil
MST - Movimento Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra MNFP - Movimento Nacional Fé e Política

6a SSB - Semana Social Brasileira
CRJP/MS - Comissão Regional de Justiça e Paz - Mato Grosso do Sul
CPP - Conselho Pastoral dos Pescadores
PO - Pastoral Operária Nacional
CPDH - Comissão de Promoção da Dignidade Humana da Arq. Vitória/ES CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília
CPT 
– Comissão Pastoral da Terra
Pastoral Carcerária Nacional
CJP-AOR 
– Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife Pastoral de Fé e Política - Arquidiocese de São Paulo
PPL - Pastoral Popular Luterana
Associação Nacional Vida e Justiça em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19
ACAT Brasil - Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura
Comissão Pastoral da Terra do Estado de São Paulo
Cáritas Diocesana de Caicó
CAJP - Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Belo Horizonte Pastoral de Fé e Política - Região Lapa/SP
Escola Diocesana de Fé e Política Zilda Arns - Diocese de Caicó
Pastoral de Fé e Política - Região Belém
Coletivo Mulheres Camponesas e Urbanas de MT
Escola de Fé e Política Waldemar Rossi
Comissão Diocesana para a Ação Social e Transformadora - Diocese de Caicó Articulação Grito dos Excluídos e Excluídas de MT
Pastoral de Fé e Política - Regional Sul 1
Fórum de Direitos Humanos e da Terra de MT
MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores
CNLB - Conselho Nacional do Laicato
Ouvidoria Geral Externa da Defensoria Pública do Estado de Rondônia
Paz e Esperança Brasil
Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus
Rede Apoio Covid - SP
Movimento Popular Lírio do Vale
Pastoral Fé e Política do Regional Sul1 da CNBB
CNLB Leste 1/ Obra Kolping
Pastoral da Mulher Marginalizada
CNLB Regional Leste 1 - RJ
Escola de Fé e Cidadania
Comitê Lula Livre - Santa Catarina
Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas
FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental
Pastoral Carcerária do Regional Oeste 1
Núcleo de Evangélicas e Evangélicos - Florianópolis/SC Comunidades Eclesiais de Base- Regional Oeste 1 - MS
Pastoral do Turismo no Brasil
Centro Franciscano de Defesa dos Direitos
Rede EDUCAFRO Minas
Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Integridade da Criação
Escola Arquidiocesana de Fé e Política Pe. Antônio Henrique - Olinda e Recife. Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de SP

Pastoral Paroquial – Manaus/AM
Pastoral da Educação do Regional Sul1
Pastoral da Educação 
– Ribeirão Preto/SP
Centro da Mulher Imigrante e Refugiada
Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennes - MT

Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Oswaldo Cruz (ASFOC SN) Comissão Justiça e Paz CJP Arquidiocese de Londrina
CLASP - Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo
INESC - Instituto de Estudos Socioeconômicos
CESEEP - Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular CCAV - Casa de Cultura Arte & Vida
Marcha Mundial por Justiça Climática / Marcha Mundial do Clima Pastoral Fé e Política da Diocese de Campo Limpo
Associação de Apoio aos Direitos do Alto Tietê e Cidades Adjacentes MNCCD - Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia Pastoral da Saúde Nacional-CNBB
Ilê Ase Obaluaiye ati Iya Omi
Secretariado para o 15o Intereclesial das CEBs do Brasil

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