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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Brasil com Lula: A soberania é inegociável

NOTA OFICIAL DO BRASIL
Brasília-DF, 29 de maio de 2026.
O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

Governo do Brasil


sexta-feira, 20 de março de 2026

Painéis Solares Para Cuba! Amor com amor se paga. DOE PELO PIX!

ENERGIA PARA CUBA

O Blog Coletivizando se soma à campanha mundial de solidariedade a Cuba. 
O amor entre Brasil e Cuba é  antigo, e só Cuba enviou milhares de médicos para nossa pátria, para periferias e o interior, para cuidar com amor e ciência da nossa gente mais sofrida, como anjos do SUS.
Nessa hora sinistra da humanidade,  apoiemos Cuba e exijamos que a CELAC e o Brasil rompem o bloqueio a Cuba.
Peço que você ajude na doação em PIX para placas solares para Cuba, a ação emergencial necessária!

Veja como foi a 
 PLENÁRIA DE SOLIDARIEDADE COM CUBA! → PELA SOBERANIA DOS POVOS, PESSOAS, MOVIMENTOS, ENTIDADES E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – no dia 18/03/26 na ADUFC.
Vc tbm pode apoiar → 
Painéis Solares Fotovoltaicos: Pix para Câmara Empresarial Brasil Cuba 
PIX 34.131.511/0001-64

https://www.instagram.com/p/DWEoFhdESSh/
→ #CubaNoEstáSola🇨🇺🫱🏽‍🫲🏾🇧🇷
#NoAlBloqueo
#CubaSalvaVidas

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição

 Hoje o PCdoB, os socialistas, revolucionários e democratas semearão o camarada Renato Rabelo. João,  pequenino, era Amazonas; Renato era chamado por muitos de nós de Renatão, sem ter estatura física elevada. O reconhecimento de grandeza foi obtido na luta de classes em seis décadas, em gestos titânicos que em nada se percebiam nas suas atitudes modestas e gentis, não obstante firmes e definidoras. Sobreviver à Ditadura e vir ao PCdoB, propor a Frente Brasil Popular com Lula, resistir ao fim da URSS e a autocrítica sem cedência,  a chegada ao governo, a manutenção do caráter revolucionário e a transição para as camaradas Luciana e Nádia sem abrir mão do Socialismo.  Gigante, Renato Rabelo,  à altura da confiança de Amazonas, de Lula,  de Dilma, e nossa. Custará a passar a dor. Mas não as dores, e sim os mesmos sonhos nos movem. Honra e glória,  aprendamos!

Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição














sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Lula olhos nos olhos com o PCdoB em seu Congresso - Paulo Vinícius da Silva

Lula também é parte de uma aposta de João Amazonas e do PCdoB.
É uma relação diferente, e se o vê no ato político do 16° Congresso do PCdoB, no diálogo que Lula estabelece com os comunistas que reivindicam toda a história de 103 anos da legende.

Foi um papo de camarada, de companheiro, preocupados com o futuro do Brasil.

E o que Lula disse ao PCdoB? Houve críticas? Sim, a toda a esquerda. Lula se colocou como o líder da Frente Popular, incluindo toda a esquerda. E disse que o PCdoB precisa ousar, aspirar e conquistar uma grande bancada, a maior, uns 30 deputados.

Ora, vale a pena ouvir o líder da Nação Brasileira em seu diálogo com os camaradas, aqueles, de rocha, madeira que cupim não rói.

ATO DO 16° CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL COM O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA:

https://www.youtube.com/live/WYi_b4HUixw?si=UP6HfBsVknu_ahZH


quinta-feira, 31 de julho de 2025

Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil - Paulo Vinícius da Silva

Há grande caos sob os céus. As perspectivas são excelentes! 

Mao Zedong



A unidade é a bandeira da esperança.

João Amazonas


O Brasil está na alça de mira do imperialismo estadunidense. Não é uma novidade, mas as coisas clarearam. E isso é bom, pois dá-nos a dimensão de nossa responsabilidade histórica. Chama-nos a sermos dignos ou a rastejar. O Brasil é grande demais e está ameaçado como Nação. 


Logo no século XIX, depois que os EUA fizeram-se independentes, tiveram sua Guerra Civil e foram pra cima do que havia de espaço para crescer, consolidaram-se como uma força ela mesma colonial, neocolonial. Tiveram escravos, mataram seus índios, expandiram-se para o Oeste, tomaram terras do México e justificaram a sua visão de Destino Manifesto, que eles eram os americanos, e que nenhum poder colonial, exceto eles mesmos, poderia tocar na América. 


É a Doutrina Monroe: A América para os americanos. Desde então, eles passam por cima, subornam, destroem qualquer um que ameace seus interesses - com raras exceções. Então, é preciso, sim, levar a sério as ameaças e ataques de Trump e dos EUA ao Brasil, realçando o acerto e a importância da Frente Ampla e do líder da Nação Brasileira, Luis Inácio Lula da Silva.


Lula conviveu com Hugo Chávez, que lhe ensinou o alerta de Simón Bolívar: "os Estados Unidos parecem ter sido destinados a espalhar a miséria pelas Américas em nome da Liberdade".  


Lula está atento e afiado nesses tempos de genocídio, de cerco de fome e sede a mulheres e crianças na Palestina. São tempos de fascismo. Por isso, de um modo muito profundo, devemos ser frenteamplistas, verdadeiramente, pensando na unidade do Brasil. E devemos aproveitar a liderança de Lula nessa Encruzilhada Histórica. 


A divisão dos povos e a imposição de elites antinacionais foram a principal combinação que nos deixou como carvão do processo prévio à industrialização, o Colonialismo.


Neste sentido, devemos atuar de modo a unir o povo brasileiro em pelo menos dois níveis progressivos, Frente Ampla e Frente Popular. Diante da ameaça concreta à própria existência das nações (Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Irã, Palestina, Haiti), não podemos ignorar que aqui se tem semeado como cânceres as "tensões no seio do povo", de que já nos alertava o Programa Socialista do PCdoB, em 2009. O imperialismo divide para reinar, assim como o colonialismo. E o imperialismo e as finanças são irmãos siameses, tão íntimos quanto as finanças e o fascismo. Eles já estão na orgia do fim do mundo. A gente que lute pra salvar a Humanidade. Hoje, mais do que nunca, o Socialismo é necessidade histórica. E quanto mais fortalecermos o Brasil como Nação Soberana, Democrática, Solidária, mais nos aprioximaremos do Socialismo.


Por isso mesmo, unir o povo brasileiro contra a agressão estadunidense é a prioridade. Devemos observar o comportamento dos Silvérios dos Reis, dos garotos de ouro da Casa Grande, da banca financeira, que não respeita pai nem mãe. E é preciso ter em igual conta os verdadeiros amigos e aliados. E a última instância, a mais firme, deve ser a Frente Popular. 


Nenhum partido isoladamente pode vencer a luta pela Libertação do Brasil, o forjar da Nação Brasileira, parte de uma América Latina e de um mundo em Paz. 


A História ensina que a paz depende também da própria força. A debilidade engrandece o agressor. A sobrevivência depende de fortalezas de unidade para ultrapassar duras batalhas em curso nesse cansativo mundo em apocalipse. Por isso mesmo, João Amazonas dizia: a unidade é a bandeira da esperança.


Os comunistas de todos os matizes deveriam ter grande papel aonde estiverem, para construir e articular as duas frentes, Ampla e Popular. O que nos ameaça é a desagregação nacional, a submissão e a ditadura, não é tempo de se perguntar teoricamente se a hora é de defensiva ou ofensiva. A época é de viver com a Pátria Livre ou Morrer pelo Brasil. 


O Plebiscito por um Brasil Mais Justo é a nossa primeira iniciativa global e pela base de Frente Popular. Muita gente não coube na "frente" institucional. Vamos de mãos dadas. Devemos apostar em lançar pontes e construir espaços de unidade que se fortaleçam no curso de 2026. As ruas e as redes se entrelaçam, mas as ruas são a vida mesma em movimento, e nossa luta sempre será para dirigi-las, para que nas ruas não caminhem com seus miasmas os fascistas abjetos, sujando a bandeira do Brasil.


Um amplo mutirão de unidade e organização deve varrer o Brasil na preparação das eleições de 2026. É ilusão acreditar que a fragmentação da esquerda possa nos abrir um novo caminho de libertação do Brasil. 


A evolução política de Lula também tem muito de João Amazonas, que acreditava no Lula e no Brasil. E acreditava na união do povo, na união dos setores consequentes com a defesa do Brasil, da Democracia e dos Direitos do Povo, que se afirmam no Socialismo. Se Amazonas visse Lula enfrentando Trump em defesa do Brasil, denunciando o genocídio palestino, estou certo, aprovaria.


É preciso mais humildade diante do povo e da base, pois ela é razão mesma de nossa força e existência. O impacto da COVID e das redes sociais nas atividades presenciais, os erros no balanceamento da ação sob as três linhas de acumulação de forças, a própria força do Tempo - também um Orixá - exige de nós um movimento decidido ao encontro da nossa gente, e ocupar nao apenas as redes, mas ocupar e dirigir as ruas. Nós já o fizemos, mais de uma vez.


Em tempos de barbárie, o Socialismo pode ajudar a Humanidade a sobreviver às chagas abertas pelo capitalismo: a desigualdade, as guerras e o ódio, o consumismo e a mentira.


O PCdoB ajudará a libertar o Brasil, e só assim se afirmará para os próximos cem anos! Se formos a força mais consequente em defesa do Brasil, dos direitos do povo e da democracia, persistiremos. Do contrário, passaremos por todos os dramas que apenas vislumbramos na crise da Covid. São tempos interessantes, como se diz. A vida é pra valer.


Então, mais que nunca é necessário sermos comunistas, e sê-lo é abraçar a realidade dessa época para libertar o Brasil e, assim, abrir caminho ao Socialismo. 


A Frente Ampla é indispensável. A Frente Popular é insubstituível no propósito de abrir os caminhos do povo organizado, sob o legado vitorioso de 2026 e do Presidente Lula. E unir o Brasil, unir o Povo, pra isso serve o PCdoB! E essa união exige uma determinação inquebrantável de unidade de uma Frente Popular e de um Campo Popular que ancore a Frente Ampla na defesa da Democracia, do Brasil e dos Direitos do Povo.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Lula, Haddad e o Brasil na cama de Procusto - Paulo Vinícius da Silva

“Um dos malfeitores chamava-se Procusto e tinha um leito de ferro, no qual costumava amarrar todos os viajantes que lhe caíam nas mãos. Se eram menores que o leito, ele lhes espichava as pernas e, se fossem maiores, cortava a parte que sobrava.”(1)


O Golpe contra a  Presidenta Dilma marcou o êxito da ocupação estrangeira do Brasil, comandada pelo imperialismo estadunidense e pela elite financeira. Não chegou nenhum porta-aviões, não perdemos território, ainda. Foi feito por nossos próprios sabujos, que mordem o povo e lambem as mãos do imperialismo. Aportou com os smartphones, as redes sociais e a imprensa golpista, no desatar da Guerra Híbrida, em junho de 2013.

O atual momento da luta é  marcado pela especulação a favor do dólar e pela pressão do “mercado” para tirar dos mais pobres e preservar privilégios, como a isenção tributária para 17 setores da economia, incluindo a mídia empresarial. Custo Brasil?! Gritante, imoral é o Custo Sistema Financeiro, o Custo Rentista.

Temer, Bolsonaro, a maioria venal do Congresso, a imprensa empresarial, o centrão e a extrema direita, todos uniram-se contra Dilma, para rasgar a soberania popular em favor do domínio do rentismo e para entregar o Pré-Sal. 

Ao afirmar que o desafio é colocar o povo no orçamento e o rico no Imposto de Renda e ao denunciar a alta taxa SELIC, Lula cometeu dois “pecados mortais” diante da vaca sagrada que muge: “os banqueiros, os rentistas, os especuladores mandam no Brasil’. Essa construção de décadas é a própria pirâmide de classes brasileira.

Sob FHC, o Plano Real internalizou a hiperinflação, com a criação do mercado da dívida pública. A Lei de Responsabilidade Fiscal estabeleceu que os  “compromissos” com a dívida valem mais que as políticas públicas. Os “fundamentos macroeconômicos” se estabeleceram, com Câmbio flutuante, Superávit Primário e Regime de Metas de inflação. O Brasil é realmente rico. Mesmo com essa âncora no pescoço, Lula conseguiu fazer os melhores governos para o povo E para os banqueiros. Manteve a sangria, mas melhorou os indicadores sociais, cumprindo mesmo o que seus adversários criaram. De nada valeu esse bom-mocismo. Eles deram o Golpe do mesmo jeito, e radicalizaram o neoliberalismo. 

Estabeleceu o brutal Teto de Gastos, promoveu a liberalização no sistema financeiro graças a um dos mais altos spreads do mundo, promoveu a desconcentração privada do sistema financeiro para a “tigrada” e o capital estrangeiro, além de impor uma agenda privatista nos bancos públicos. Some-se a isso o cassino da dívida pública e as isenções tributárias, e vemos quem manda no orçamento, nos juros e no país. Luta de classes na veia. ((2)


A Casa Grande vive sob dupla vassalagem, aos EUA e ao capital financeiro rentista e parasitário. Daí veio o comando para o cerco econômico ao Governo Lula 3, impedindo a aplicação do programa decidido nas urnas. 

Não se duvide disso do que significa descumprir esse mandato do alto.  Afinal, o Golpe foi dado sob a falsa acusação de “pedaladas fiscais”, rasgando o voto popular. Já Bolsonaro, fez o que quis, e tava tudo certo. Pouco importou que o Teto de Gastos nunca fosse aplicado, e mal se lembra que ele quebrou o Brasil, colocando sempre a raposa a cuidar do galinheiro. O que importava era a agenda antitrabalhista e a privatização da ELETROBRAS. Para Lula, a história é outra, um rigor orçamentário jamais praticado nos EUA, na Europa, na OCDE. 

É a cama de Procusto,  montada para que nela caiamos,  pequena para o Brasil, obrigando a decepar no crescimento do país, na redução da desigualdade, nos investimentos indispensáveis.  O povo não pode, outra vez, mudar o país através do voto e pelo Executivo. O Teto de Gastos foi desfeito, mas não sem um amplo conjunto de travas para beneficiar o sistema financeiro rentista, contra a produção. A “Autonomia” do Banco Central e  Campos Neto no leme foram para isso. O Arcabouço Fiscal e o Pacote Fiscal decorrem desse poder neoliberal, que não foi anulado na eleição de 2022. 

É muita ilusão crer que a aprovação do Orçamento da Transição e do Arcabouço Fiscal se daria sem concessões, ou que o amplo apoio era sinal de trégua. Ao contrário, era só o começo do jogo. Será que a institucionalidade burguesa no Brasil permitiria a ruptura com o neoliberalismo? O povo vota, mas a economia, o orçamento, o fruto do seu trabalho, os juros, as dívidas, tudo pertence à elite financeira, que hoje não se resume aos banqueiros. O SFN foi profundamente alterado desde o Golpe. Instalou-se uma farra do boi que permitiu a inúmeras instituições participarem do banquete das altas taxas de juros e se beneficiassem integralmente com a nova fronteira tecnológica sem qualquer contrapartida. É a essa tigrada que as dicas privilegiadas  nas palestras de Campos Neto são dadas. 


Não é o governo Lula, ou Haddad que é neoliberal, é o Brasil. Diversas reformas asseguraram a ordem correta da “cadeia alimentar”, com os especuladores no topo e a nossa condição subalterna face aos EUA. É um crime continuado contra a economia popular: o Brasil não pode crescer. Mas, com Lula, cresce.

Daí o medo-pânico do “mercado” e da mídia à ascensão dos BRICS e à possibilidade de transição na moeda de reserva internacional. É preciso exorcizar os BRICS e travar o Brasil, deixar-nos sem saída. Para isso, nada melhor que o próprio Campos Neto declarar em abril deste ano, na data da chegada das caravelas de Portugal ao Brasil:

“Se a incerteza diminuir, voltamos para a forma de atuação que tínhamos começado. Outra forma é o aumento da incerteza ficar mais tempo e criar ruídos crescentes, então teremos que trabalhar como seria o ‘pace’ [ritmo], teríamos que diminuir o ‘pace'”, disse, em participação em evento da Legend Capital, em São Paulo. (3)


O combinado não fica caro para eles, só para nós. Por isso, a eufemização e o inglês escondem do povo, mas são o apito de cachorro que deixa claro ao “mercado”:  a hora era de sentar a marreta, especular contra, gerar incertezas, se o interesse fosse os juros altos, #ficaadica. A firme identidade entre o presidente do BC e o “mercado” para cercar o governo são reafirmadas por  outra dica bilionária:

Campos Neto repetiu que a autarquia só vai intervir no câmbio se houver problemas relacionados a uma distorção do mercado, mas não por uma mudança no valor do real decorrente de alteração nos fundamentos. “Se tiver uma percepção de que o risco piorou, o câmbio vai refletir”, disse o presidente do BC.”


La distortion, c´est moi. Nos meses seguintes, o recado se demonstrou mais que útil. Desde que Lula assumiu, minguaram  as intervenções do Banco Central no câmbio. A palestra mostrou que o caminho não era apenas prever, mas botar “o PIB para baixo” com juros, câmbio e a defesa dos privilégios e sabotar a economia produtiva e o governo.

Os ataques covardes contra Dilma não impediram seus detratores de manter as isenções tributárias que somam centenas de bilhões de reais. A apropriação do orçamento do Executivo pelo Congresso, sob Arthur Lira, mantém a força local das oligarquias e, ao mesmo tempo, sangra o governo, rasgando de novo a Constituição, instaurando um semipresidencialismo. Vale, com certeza, impedir a tributação dos mais ricos. Assim, cercado pela ganância dos que mandam, Lula reclama sozinho, e pode cair, se vacilar. Será que não percebemos que é preciso o povo nessa história?

As forças populares precisam entender essa virada de chave que une neoliberalismo e fascismo e os limites da institucionalidade burguesa. A libertação do Brasil depende da ruptura com o neoliberalismo no curso da mudança no mapa do mundo. A defesa da Nação como povo é o alicerce para unir a Frente Popular, e abrir um novo horizonte histórico. Contudo, há imensa confusão sobre os papeis de Lula e do seu governo, como a expressão da Frente Ampla, e o papel dos setores populares na disputa dos rumos do governo, na luta para afirmar o mandato das urnas, para questionar o neoliberalismo e a elite financeira. Também para isso servirá a Frente Popular, ao organizar as maiorias. Se a bola segue tocada do governo para o “mercado”, será sempre 7X1 contra o Brasil. É preciso que o povo entre no jogo, a Frente Ampla e o Governo não podem tudo. 

Os especuladores e rentistas perderam a vergonha. A ata unânime do COPOM (4) de novembro de 2024, em seus 23 pontos, cita a palavra  “trabalho” 12 vezes, 10 vezes como “mercado de trabalho”. A palavra “emprego” aparece 3 vezes e, “desemprego”, uma apenas. Na História, se coubesse a ela um título, poderia ser: “Mais Juros e Menos Emprego, gente!” Sim. É isso, sem tirar nem pôr. O problema do país para o COPOM é o crescimento e o emprego aquecidos, tá lá. O imenso peso dos juros e do dólar inflado não geram inflação, e sim uma suposta inflação de serviços em alta. Reconhecendo que não foi suficiente a sabotagem da economia, o BC sinaliza aumentar ainda mais os juros!

Foi sobre essa cama de ferro de Procusto que Haddad teve de encaixar o “pacote fiscal”. Pelo menos, dessa vez, ele gemeu. Sob a orientação de Lula, pela primeira vez, o governo deixou claro à sociedade que se trata de luta de classes, liderada pelos ricos. Todo o ano de 2024 foi consumido pela luta do governo para cumprir o Arcabouço e as dicas de Campos Neto para que a instabilidade crescesse, e os juros, e o dólar também. O povo foi espectador silente nesse debate. A maioria dos brasileiros não entendem os juros compostos na sua vida. A pessoa se assusta com uma inflação ANUAL inferior a 5% e paga taxas maiores que 5% AO MÊS, e acha normal.

 A  ganância dos rentistas morde inacreditavelmente mais fundo que toda a corrupção, e é chamada de “responsabilidade fiscal”. Como o povo poderia entender? É preciso amplo e didático diálogo, é preciso linha política. Nosso batente é muito alto para o povo subir na escada da consciência, para entender a verdadeira luta de classes no Brasil. Onde estão os grandes espaços de debate, trabalho de base e mobilização? Como fazer as redes sociais servirem à unidade da luta popular pela libertação do Brasil?  Lula denuncia, mas ao final é obrigado a trilhar o beco sem saída, porque não há mobilização popular para responder aos seus apelos. A Frente Popular deve ser esse grande espaço que aproxime a esquerda do povo e impulsione a defesa da Nação, da Democracia e dos Direitos. 

Do outro lado, o sistema financeiro e a mídia empresarial escutam, entendem e agem segundo as orientações  de inflar o dólar e os juros, cercar o governo e arrancar dos pobres o que sobra aos ricos. 

Se, por um lado, o governo buscou ao máximo evitar os aspectos mais brutais do corte sobre os pobres, a sua maior contribuição foi precisamente colocar a injustiça no centro da mesa do debate. Assim, o governo indica  por onde podemos retomar no imposto o que agora se perde em salário, produção e emprego.  Mas o que fica evidente é  a derrota, a falta de unidade e mobilização social para travar a grande luta.

A despeito de toda a inteligência de Haddad e da boa vontade de Lula, radicalizar o arcabouço fiscal, estendendo seus limites para o aspecto mais benéfico da economia, o consumo popular, apenas nos deixa mais longe da reversão da tragédia que se abateu sobre o Brasil, tornando ainda mais dramática a falta de tempo  e de unidade no nosso campo. Ainda que cortando menos do que “o mercado” propõe, cortar no abono, no aumento real do salário mínimo, impor um rigor imenso sobre o BPC, mostra que estamos sendo derrotados na política, nas ruas, nas redes. O jogo é muito maior do que podem Lula e o Governo. A política é muito mais que a institucionalidade, mesmo quando nelas ocupamos uma beirinha. E, ao contrário do que as vivandeiras vermelhas do apocalipse predicam, não há panaceia, bala de prata, cerco ao Palácio de Inverno. Essas fanfarronices são apenas o mais rápido caminho para a derrota, este sim o pecado mortal. 

Precisamos de trabalho de base, mobilizar milhões para que se dispute o governo e cerquemos o rentismo parasitário, que é a mãe do fascismo e da extrema direita. É preciso unir o Brasil contra a brutal exploração que a elite financeira impõe a quem trabalha e produz, enorme parasita sugando a seiva da vida, o trabalho, relegando o nosso povo a sofrimentos inauditos, à pobreza, à violência e ao desespero. Esse é o caldo de

cultura para a radicalização fascista. E é, ao mesmo tempo, o ponto frágil que, se devidamente atacado, pode abrir caminhos para uma outra fase, para um novo projeto nacional de desenvolvimento em que caiba a classe trabalhadora e o povo, e não apenas a elite financeira, parasitária, obstáculo à libertação e beneficiária única de nossas misérias.


Referências:


1) Bulfinch, Thomas. O livro de ouro da mitologia: (a idade da fábula) :histórias de deuses e heróis / tradução de David Jardim Júnior — 26a. ed. — Rio de janeiro, 2002
2) Todos os gráficos foram gentilmente selecionados pela subseção do DIEESE que funciona no Sindicato dos Bancárias de Brasília, no que agradecemos a colaboração da Socióloga Paula Reisdorf e do Diretor Daniel de Oliveira.
3) Isto é Dinheiro, 22/4/2024. Se incerteza continuar alta, BC pode ter que diminuir ritmo de cortes de juros, diz Campos Neto, disponível em https://istoedinheiro.com.br/se-incerteza-continuar-alta-bc-tem-de-trabalhar-no-ritmo-de-cortes-afirma-campos-neto/
4) Ministério da Fazenda. Apresentação Medidas de Fortalecimento da Regra Fiscal, disponível em medidas-de-fortalecimento-da-regra-fiscal.pdf
5) COPOM. Atas do Copom Atas do Comitê de Política Monetária - Copom 266ª Reunião - 5-6 novembro, 2024, disponível em https://www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom




terça-feira, 24 de setembro de 2024

Banco Central: guardião da estagnação econômica, do desemprego e da concentração de renda - Luis Carlos Paes



A Sobrevivência dos Mais Gordos (2002): Jean Galschiot

Ao participar de debate no canal Ópera Mundi após a reunião do Copom, na semana passada, que elevou a Selic em 25 pontos, o renomado economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, afirmou que a política de juros altos é uma circunstância da “guerra entre a Faria Lima e o resto do país” ao ser provocado pela pergunta: “por que o Brasil tem hoje a segunda maior taxa de juros real do mundo, perdendo apenas para a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia? Por que temos uma economia de guerra se não estamos em guerra?”


Os acontecimentos que se sucederam à crise de 2007/2008 desmoralizaram por completo a lógica da macroeconomia neoclássica. Esta teoria pressupunha que a ampliação da base monetária levaria obrigatoriamente à inflação, sendo o único remédio para combatê-la a adoção, pela autoridade monetária, de taxas de juros mais elevadas.


O ex-diretor do Banco Central do Brasil (Bacen), ex-presidente do BNDES e um dos idealizadores do Plano Real, o economista André Lara Resende, no prefácio de seu livro “Camisa de Força Ideológica – A Crise da Macroeconomia” afirma: “...Com o advento do Quantitative Easing, a teoria monetária foi obrigada a fazer uma revisão mais profunda e explícita do que recorrentemente fez desde seus primórdios. ... o dogmatismo fiscalista e a ortodoxia monetária passaram a ser questionados. Primeiro, por economistas mais periféricos em relação aos centros do poder e do prestígio, depois por grande parte das organizações internacionais, como o Banco Mundial, o BID, o FMI e também alguns bancos centrais, como o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu. Finalmente, até os papas da ortodoxia nos Estados Unidos reconheceram a necessidade de revê-los. No Brasil, curiosamente ainda não. ... sem nos livrarmos da camisa de força ideológica da macroeconomia dominante, não há como repensar um projeto de retomada do crescimento.”


Em tempos de Fake News, o Bacen continua a adotar uma falsa teoria, já superada, que só atende aos interesses dos rentistas, parcela da sociedade brasileira, no topo da pirâmide social, que compreende menos de 0,1% da população brasileira.


Na medida, em que o País começa a se aproximar de um crescimento, ainda pequeno, de 3%, o desemprego cai e a renda das famílias tem uma leve recuperação os senhores diretores do Banco Central, salvaguardas do rentismo, decretam que o PIB, o emprego e a renda dos que estão no piso da pirâmide social não podem crescer pois a inflação poderia, na crença destes senhores, subir um pouco além do centro da meta de inflação, estipulada em 3% para os anos de 2024, 2025 e 2026.


E assim, a atual diretoria do Bacen e um punhado de tecnocratas, prisioneiros da camisa de força ideológica, continuam sabotando o crescimento da economia real e transferindo bilhões de reais dos cofres públicos para a especulação financeira, é o conflito a que se refere o professor Belluzzo.


Pergunte a qualquer brasileiro racional, por mais humilde que seja, se ele prefere o desemprego com uma inflação de 3%, ou se prefere o emprego e a possibilidade de um maior crescimento do País, mesmo que a custa de uma inflação um pouco mais elevada?


Assim, toda a nossa solidariedade e apoio ao presidente Lula que, com sobeja razão, desde o ano passado, faz um duro combate à Roberto Campos Neto e aos demais diretores do Bacen nomeados por Bolsonaro, todos comprometidos com o rentismo. 


Neste final de ano, Lula terá a oportunidade de trocar três novos diretores, inclusive o presidente do Banco, que somados aos quatros já indicados anteriormente, garantirá uma maioria folgada em relação à diretoria que ele recebeu do inominável. Esperamos que aproveite bem a oportunidade e indique nomes comprometidos com um novo projeto de desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável, incompatível com o rentismo exacerbado.


Fortaleza, 23 de setembro de 2024


Luís Carlos Paes de Castro, engenheiro, analista aposentado do Banco Central e presidente do PCdoB no Ceará

domingo, 11 de junho de 2023

"Teríamos tomado conta, teríamos conseguido todo aquele petróleo": Donald Trump sobre a Venezuela

 

sábado, 10 de junho de 2023

Jornalistas mostram um mapa de bases dos EUA na África, Oriente Médio, Europa e em TODA COSTA DA CHINA e a China e Russia são ameaça? - Twitter @pueblopatriota)

 


domingo, 18 de julho de 2021

Ato Político em defesa da Revolução e contra o Bloqueio em Havana - Fala de Díaz Canel - Granma - 17/07

 


Foto: Estudios Revolución

Querido General de Ejército Raúl Castro Ruz, líder de la Revolución Cubana;

Pueblo de Cuba, cubanas y cubanos;

Compatriotas:

¡Viva Cuba Libre! (Exclamaciones de: “¡Viva!”)

Libre de injerencias extranjeras y libre del odio que han azuzado quienes llevan 60 años apretando el cuello de la nación para hacerla estallar y ahora quieren presentarse como nuestros salvadores.

Cesen la mentira, la infamia y el odio. Cuba es profundamente alérgica al odio.  ¡Y jamás será tierra de odio!

No se construye nada bueno desde el odio. El odio nos roba tiempo para amar y hasta el amor mismo si lo dejamos entrar como reacción frente al odio que nos adversa.

Lo hemos experimentado en estos días de odio desbordado en las redes sociales, redes no tan “sociales”, que han sido la compañía permanente de padres e hijos en estos largos meses de pandemia, al punto de que muchos pasan más tiempo conectados a la red que conectados a la familia; esa familia, que con unidad, puede ser invulnerable ante todo lo que la amenaza.

Una madre me contaba ayer que su hija adolescente preguntó, con lágrimas en los ojos, si eso era Cuba, al ver las imágenes de los actos de violencia que algunos de sus amigos compartieron en Facebook.

Los dueños de esas redes, los dictadores de sus algoritmos, como bien denuncia un documental reciente, han abierto al odio, sin el más mínimo control ético, las compuertas de sus poderosas plataformas.

Es un odio que fractura a la familia, a los amigos, a la sociedad, y que amenaza con llevarse muchos de nuestros valores al rincón de lo inservible.

El bombardeo de imágenes cargadas de violencia, sangre, protestas, alaridos, vandalismo, amenazas, acoso y represión no ha conocido pausas en los últimos seis días.

En las semanas previas se desarrolló una intensa operación político-comunicacional por parte de una gran plataforma de intoxicación mediática, financiada por el Gobierno de los Estados Unidos y por la maquinaria política de la Florida.

Su objetivo era alentar disturbios e inestabilidad en el país, aprovechando las difíciles condiciones provocadas por la pandemia, el bloqueo recrudecido y las 243 medidas de la administración Trump.

Realizaron en esos días actos de Guerra No Convencional que incluyeron llamados al estallido social, a la violencia, a la agresión a agentes policiales, al vandalismo y al sabotaje.

Utilizaron para ello sistemas de inteligencia artificial y Big Data, cibertropas y actos de ciberterrorismo para promover la fabricación artesanal y uso de armas o elementos incendiarios, acciones integradas de acoso, chantaje o financiamiento a líderes digitales o influencers internacionales.

Contaron con la complicidad de una poderosa trasnacional que les permitió violar impunemente sus propias regulaciones, y desatendió las legítimas denuncias de los usuarios y de algunos medios de prensa y agencias cablegráficas.

La Televisión Cubana ha puesto en evidencia los objetivos de esta campaña al reconstruir en secuencia los acontecimientos del pasado domingo.

Primero se convocaron las protestas, después se construyó el relato falso de los hechos para generar reacciones emotivas de solidaridad con los manifestantes, y luego se desataron las acciones vandálicas que ocurrieron horas antes de nuestra improvisada comparecencia en televisión al regreso de San Antonio de los Baños.

Está clara la ruta de la infamia. A posteriori, todos los hechos se han presentado desordenadamente, como si fueran fruto de nuestro legítimo llamado a los revolucionarios a defender la Revolución.

La historia se pretende contar al revés. No importa lo que haya dicho, no cuentan los llamados a la unidad, la paz y la solidaridad entre todos. La interpretación malintencionada es que se convocó a una guerra civil.

Podremos desmontar las llamadas fake news, desmenuzar las mentiras, mostrar cómo se fabricó toda la falsa realidad de Cuba en escenarios virtuales, pero ya han causado un daño inconmensurable al alma nacional, que tiene entre sus valores más sagrados la tranquilidad ciudadana, la convivencia, la solidaridad y la unidad.

Estamos bajo el fuego sofisticado de una ciberguerra que incluye el ciberterrorismo y el terrorismo mediático en su instrumental agresivo.

Las denuncias del Canciller cubano el pasado martes no han sido contestadas. No ha habido ni un intento de respuesta por parte de las autoridades del Gobierno Republicano de la Florida sobre los fondos asignados a estos proyectos, con los cuales pretenden atacar al país y, al mismo tiempo, desarmarlo de sus posibles medios de defensa.

No solo el Minrex, también el sitio de la Presidencia, el popular portal de noticias y análisis sobre la realidad cubana Cubadebate, Granma, Juventud Rebelde y, prácticamente, todos los medios públicos cubanos están sufriendo ataques intermitentes con denegación de servicios en medio de una atroz campaña de demonización del Gobierno.

Tratan de silenciar cualquier alternativa a la narrativa anticubana que hoy se despliega en portadas alarmistas. Los amigos de Cuba, que conocen y sufren la manipulación y el silencio, no pueden acceder a los medios cubanos y nos han enviado los reportes de denegación de acceso.

En el apogeo de la mentira se emplean imágenes falsas, lo que ya ha sido bien documentado por nuestros periodistas, se estimulan y glorifican el desacato y la destrucción de inmuebles, la compulsión al asalto y el acoso amenazante a ciudadanos y a las familias.

Ahora mismo, lo que el mundo está viendo de Cuba es una mentira, a todo un pueblo levantado contra el Gobierno y a un Gobierno que reprime a su pueblo.

No es raro que, bajo ese bombardeo mediático, algunos duden y se pronuncien suponiendo una separación que no existe.

No juzgo, no condeno. Entiendo que son avasalladoras las armas del adversario, pero ¡al lado del pueblo, con el pueblo y por el pueblo sigue estando la Revolución! (Aplausos y exclamaciones de: “¡Viva la Revolución! ¡Viva Díaz-Canel! ¡Viva el pueblo! ¡Abajo los yanquis! ¡Abajo el bloqueo!)

No con declaraciones, sino con hechos. Cuando la etiqueta de #SOSMatanzas estaba apagándose en el ciberespacio, al lado de Matanzas y de toda Cuba no se vio a los promotores de la intervención humanitaria. Estaba el mismo pueblo noble y solidario que sufre las consecuencias del bloqueo y estaba el Gobierno cubano.

¿Quién no se estremeció al saber que vándalos de la peor entraña apedrearon la sala infantil del hospital de Cárdenas, obligando a niños y madres a buscar refugio en los baños o bajo las camas de la institución?

Mañana deberán contarse muchas historias personales de la reacción popular al ataque y al acoso, de cuánto han tenido que contenerse las fuerzas del orden por el cuidado que se les exige para evitar excesos; pero que nadie se equivoque: la mayoría del pueblo, del mismo pueblo agobiado e irritado por las carencias que nos demanda mejor gestión de Gobierno, pide también que se ponga coto a la violencia (Aplausos y exclamaciones de: “¡Vivan nuestros médicos!”).

Compatriotas:

Ninguna mentira se ha levantado por casualidad o error.  Todo está fríamente calculado según el manual de Guerra No Convencional.  Ya habló el impresentable de la OEA, ministerio de colonias al que nos honra no pertenecer.

No estamos especulando. Hablan unos para que después se pronuncien otros.  Ahí está, al acecho, el ala dura del Congreso norteamericano afilándose los dientes y exigiendo a sus adversarios políticos de la actual administración que actúen ya contra Cuba, que convoquen al Consejo de Seguridad,  y que consideren un acto hostil y una amenaza a la sacrosanta Seguridad Nacional del imperio cualquier intento de emigración masiva hacia sus costas.

Nada de esto es nuevo.  Lo han intentado otras veces.  Es su manera de poner a la administración adversaria contra las cuerdas, y tratar de hacerles cumplir a ellos el propósito jamás logrado de borrar del mapa el mal ejemplo de esta pequeña Isla, empeñada en mantenerse soberana e independiente cuando tantos se pliegan a sus órdenes (Exclamaciones de: “¡Que lo sepan los nacidos y los que están por nacer, nacimos para vencer y no para ser vencidos!” (Aplausos).

Casi con la leche materna, nuestros padres nos inculcaron una advertencia martiana: “Los hombres van en dos bandos: los que aman y fundan, y los que odian y deshacen”, nos dijo el Apóstol.

¡Cuba seguirá fundando!  Lo está haciendo ahora mismo, con las primeras dos vacunas latinoamericanas: Abdala y Soberana (Aplausos y exclamaciones de: “¡Viva la medicina cubana!  Exclamaciones de: “¡Viva!”).  Lo está haciendo también con otra noticia que la maldad ha querido esconder: el ciento por ciento de eficacia frente a la gravedad y el fallecimiento que probó la tercera fase de los ensayos clínicos de Abdala (Aplausos y exclamaciones de: “¡Viva!”).

Cuando un pueblo ha llegado tan lejos en la realización de sus sueños y en la conquista de derechos, que para medio planeta son una quimera, no lo detiene ni la violencia ni el miedo.

Nada de esto que denunciamos hoy nos aparta de la necesaria autocrítica, de la rectificación pendiente, de la revisión profunda de nuestros métodos y estilos de trabajo que chocan con la voluntad de servicio al pueblo, por la burocracia, las trabas y la insensibilidad de algunos que tanto dañan.

Hoy vengo a reiterar el compromiso de trabajar y exigir por el cumplimiento del programa que nos hemos dado como Gobierno y como pueblo, revisado a la luz de los posibles errores de estos años de presiones intensas, particularmente, los dos últimos.

Compatriotas:

No es por capricho que nos reunimos aquí esta mañana en medio de una compleja situación epidemiológica.  Respetando en lo posible las medidas sanitarias y de distanciamiento físico, los hemos convocado para denunciar una vez más el bloqueo, la agresión y el terror.  No podíamos dilatar este encuentro, el enemigo ha vuelto a lanzarse con todo para destruir la sagrada unidad y la tranquilidad ciudadana.

¡Ratificamos que Cuba es de todos! (Aplausos y Exclamaciones de: “¡Viva Cuba!”  “¡Vivan los cubanos!” “¡Viva la unidad!” “¡Viva Raúl!”  “¡Viva Díaz-Canel!”).  ¡Venceremos!

Les comparto sentimientos y reflexiones, estados de ánimo, disposición y convicciones (Aplausos y exclamaciones de: “¡Pa’ lo que sea, Díaz-Canel, pa’ lo que sea!  ¡Pa’ lo que sea, Díaz-Canel, pa’ lo que sea!”).  

Solo podremos tener más si creamos más.  Lograremos lo que nos propongamos empujando todos juntos la obra.  Por delante tenemos el inmenso ejemplo de la Ciencia cubana, que se propuso y logró en tiempo récord y apenas sin recursos dos vacunas y otros candidatos vacunales que nos permiten enfrentar el futuro con esperanzas que otros pueblos no tienen.

Si hemos podido en algo tan colosal y difícil, ¿qué no podremos en otras áreas?

Y, sobre todo, cuánto más podremos si articulamos los diálogos pendientes, rescatando la obra social, promoviendo mayor atención a sectores vulnerables, a los barrios, apoyados en la experiencia de la obra que nos legó el Comandante en Jefe, en años tan desafiantes como estos; a eso llamaba Gerardo.

La Revolución Cubana borró para siempre las semillas de la maldad, del odio, del deshonor y el crimen.  Es importante por eso, que busquemos las causas profundas de la violencia que puja por emerger ante las necesidades, y que cumplamos la labor pendiente para hacer que predomine en la herencia cubana el gen de los bravos, de los honestos, de los justos, de los honorables, de los alegres hijos de esta tierra cubana (Aplausos y exclamaciones de: “¡Abajo el bloqueo!” “¡Abajo la agresión imperialista!”).

“Solo el amor convierte en milagro el barro/ Solo el amor alumbra lo que perdura”, hemos cantado mil veces con el martiano Silvio.

¡Vamos a ponerle corazón a la obra común. Un corazón del tamaño de nuestras dificultades!  ¡Juntos podemos! (Aplausos y exclamaciones de: “¡Juntos podemos, juntos podemos, juntos podemos!”).

¡Que viva Cuba soberana, independiente y socialista! (Exclamaciones de: “¡Viva!”)

¡Cuba de amor, Cuba de paz, Cuba de unidad, Cuba de solidaridad!” (Exclamaciones de: “¡Viva!”)

¡Cuba de todos los cubanos que, estén donde estén, trabajan por verla avanzar con sus propias piernas y sus propios brazos hacia un destino de prosperidad posible! (Exclamaciones de: “¡Viva!”).

¡A Cuba ponle corazón!  ¡Ponle corazón a la Patria, a la Revolución, al Socialismo!

¡Venceremos! (Exclamaciones de: “¡Venceremos, venceremos, venceremos!” “¡Juntos podemos, juntos podemos!”)

(Versiones Taquigráficas - Presidencia de la República)

sexta-feira, 2 de abril de 2021

João Cezar de Castro Rocha (UERJ) a gênese intelectual do Bolsonarismo - Meio

Meio - 08/2020

Professor de Literatura Comparada da Uerj, João Cezar de Castro Rocha se dedicou no último ano e pouco a ler, assistir, ouvir o principal da produção do bolsonarismo. O atual governo produziu uma visão muito particular da história recente do Brasil. É a partir dela que lê o país e o mundo, assim como escolhe atuar. Em sua entrevista ao editor Pedro Doria, Castro Rocha explica esta visão. Durante a entrevista, João Cezar menciona o Orvil. Cá está o link onde pode ser encontrado: https://drive.google.com/file/d/1cPgX...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Lênin vive! Paulo Vinícius Silva

(…) Então enviaram os guardas um pedreiro com uma faca para eliminar a inscrição.
E ele raspou letra por letra, durante uma hora
E quanto terminou, lá estava no alto da cela, incolor
Mas gravada fundo na parede, a inscrição invencível:
VIVA LÊNIN!
Agora derrubem a parede! disse o soldado.
A inscrição invencível - Bertolt Brecht


Vladimir Ilitch Ulianov, Lênin - cujo nascimento em 22 de abril cumprirá 150 anos - é considerado por muitos o maior revolucionário de todos os tempos. Não é à toa que ele sempre foi cercado de admiradores, detratores e falsificadores. Polemista inquieto e apaixonado, o combate a ele até os dias de hoje apenas faz luzir a estrela da rebelião que sempre foi seu norte. Lênin é para quem quer mudar o mundo de verdade. 
Lênin, fazendo raiva à burguesia e desancando o oportunismo até os dias de hoje.

Não é o sujeito biográfico, quanto lhe queremos ou não, que merece nossa mirada. Fosse assim, não importaria nem causaria tanto bafafá.  Contra a essência revolucionária do pensamento de Lênin foi muito usado valorizar o que é cosmético e esquecer do seu conteúdo, como fez a URSS após Kruschev. Até Gorbachev falava de Lênin enquanto entregava a rapadura ao capitalismo - depois seria garoto propaganda da Pizza Hut. Ou ainda, torná-lo o senhor do "não pode", para ossificar a grande virtude de seu pensamento,  a plena aplicação da dialética à situação concreta e pensar nisso como gente organizada para mudar o mundo. Lênin brilha mesmo é pelas posturas e saídas teóricas, por sua singular capacidade de superar dilemas teórico-práticos pela dialética marxista, e apontar saídas revolucionárias. Ele queria fazer a Revolução. Disseram que não dava. Ele foi lá e fez. Quem quis fazer e vencer na Revolução, leu e aprendeu com Lênin.
Lamentavelmente, é um pensador pouco compreendido, diria até desconhecido, assim me parece, e isso a despeito do monumental esforço de popularização e compilação de sua obra feito por Stalin após a sua morte. Por isso, superficialmente, como estímulo ao seu estudo, e para sistematizar minhas próprias opiniões, cito o que penso aspectos essenciais no pensamento revolucionário de Lênin.
Primeiro, ele atualiza a visão marxista sobre a concentração do capital como tendência histórica do sistema capitalista. A análise do sistema bancário europeu na passagem do século XIX para o século XX levou-o a definir a etapa do imperialismo como a era do capital financeiro, da oligopolização, da centralização inclemente de capitais, da unificação do capital industrial e comercial, com repercussões profundas na suposta concorrência entre mercados. Elucida, assim a injustiça do capitalismo, que corresponde a um processo de concentração de renda e poder contra as maiorias trabalhadoras que são as únicas produtoras de toda a riqueza. Em vez da livre concorrência e do mercado endeusado, o capitalismo é o regime dos monopólios e oligopólios. Hoje, 1% da humanidade detém mais riqueza que 99%. 
Esse processo profundo e mundial de centralização, planejamento e produção industrial ascendente, longe de levar a uma suposta paz dos mercados e do capitalismo racionalizado,  recrudesceria como tensões inter-imperialistas que desembocariam em guerras e crises cada vez mais intensas. Seria essa a última etapa histórica do sistema capitalista, porque o nível do desenvolvimento científico, industrial e tecnológico levaria a tendências destrutivas, a não ser que fossem apropriadas pela maioria, superando a lógica da sociedade capitalista, que é a ditadura da burguesia e da manutenção do trabalho assalariado.
Ele não via o fenômeno apenas negativamente, mas a partir de suas múltiplas determinações. Chamava a atenção para o imenso progresso e para suas consequências sobre a emancipação da mulher, denunciando a escravidão do trabalho doméstico. O planejamento, a produção em série, a industrialização seriam ainda mais avançadas numa sociedade dirigida a favor de todos. Como o capitalismo persiste, a realidade de avanço científico seria apropriada contra as amplas maiorias, num regime oligopolista. Por isso, dizia Lênin, o imperialismo seria a ante-sala do socialismo, sistema visto como superior e sucedâneo ao capitalismo, inclusive quanto ao progresso tecnológico. Nele, as vantagens do progresso seriam revertidas em favor das classes trabalhadoras, e não de uma minoria rica.
Vladimir Lênin estabeleceu uma justa relação dialética entre tática e estratégia, o movimento espontâneo das massas e como ele se torna movimento consciente, assim como os limites dos movimentos sem a luta geral pelo socialismo e pelo poder. São dilemas constantes da luta política que vivemos todos os dias. Ele aponta para a capacidade de o movimento dos trabalhadores e trabalhadoras superar as tendências economicistas, corporativistas e espontâneas, quanlificando-se para uma disputa maior que a negociação das condições de venda da força de trabalho. Lênin descortinou o caminho do poder para os oprimidos. 
Fez a crítica ao espontaneísmo, mostrando que a revolta episódica, local, por um aspecto específico desse ou daquele movimento, que o elogio do improviso e a ausência de organização e método na luta são o normal do movimento. Como tal, tem sua importância e são inevitáveis, pois decorrem das contradições objetivas da sociedade de classes e da exploração que promove.  Mas não bastam. O pensador russo demonstrou como todo movimento separado de uma visão sistêmica de disputa pela hegemonia só levaria às tentativas de manutenção do capitalismo com base nas ilusões de sua humanização. Mesmo o movimento sindical degeneraria em oportunismo, se os trabalhadores e trabalhadoras perdessem de vista que o objetivo é a própria superação da sociedade assalariada e o poder para as maiorias.
Os movimentos espontâneos, corporativos e gremiais tem avanços e refluxos, derrotas e vitórias, momento de grande animação e também de marasmo e crises, e podem inclusive ser policlassistas.  A pedra de toque para dirigir esse fluxo num sentido revolucionário, seu sujeito,  não é um indivíduo, mas um coletivo, um partido político capaz de superar o economicismo, o movimentismo, concentrando em uma força política unida o poder das maiorias, da classe trabalhadora. 
O partido de vanguarda, se estiver à altura, deve ser a solução da contradição entre o específico e o geral, chefes e liderados, organizando a partir da luta espontânea a consciência permanente, orgânica da classe trabalhadora. O espontâneo, a despeito de sua força e inovação pode dar em nada, ou servir aos fins opostos que pretendia, se não tiver uma direção, porque há uma permanente disputa pela hegemonia e a manutenção da sociedade capitalista. Seu caráter injusto levaria a contradições, choques e crises. Educar o povo na luta permitiria a disputa pelos trabalhadores da hegemonia e a construção de uma nova sociedade. Haveria na prática uma escala de progressiva consciência que iria das questões cotidianas mais simples até à concepção da vanguarda, materializada no Partido Comunista e na sua forma de direção, o centralismo democrático, em que todos os organismos e posições se construiriam de baixo para cima e se asseguraria a liberdade de pensamento e discussão, para em seguida construir uma forte e indestrutível unidade num sistema de direção coeso e capaz de fazer frente à unidade dos capitalistas como um punho cerrado para levar a classe trabalhadora à vitória.
Lênin estabelece uma escala realista de consciência política que considera o espontâneo um momento fundamental para o consciente, ligando a luta pela reforma e a luta pela Revolução numa amálgama entre a teoria e a prática, a praxis. Por isso, toda a luta, mesmo a menor, pode ser eivada de significado revolucionário.
A partir da recusa à conciliação com as burguesias europeias em favor da guerra imperialista e dos nacionalismos na I Guerra Mundial, Lênin subverte a concepção vigente no movimento social-democrata, que situava a possibilidade do socialismo apenas nos países industrializados, assim como nas metrópoles coloniais. A partir do estudo do desenvolvimento desigual no capitalismo, Lênin observa que as tensões inter-imperialistas que ocorriam com conflitos cuja fachada religiosa ou supostamente nacional, em verdade escondia a ganância infinita de lucro capitalista. Assim, em vez de somar-se aos interesses de suas burguesias nacionais, Lênin apelava para a rejeição de tais ilusões, para que por detrás delas e evidenciasse que as burguesias empurravam o proletariado para o massacre em favor de seus lucros, apenas. 
Por outro lado, as guerras e as crises capitalistas sucessivas levariam a grande instabilidade, sistêmica, criando fragilidades específicas, históricas, singulares, em que os elos frágeis na cadeia imperialista permitiriam avançar para o socialismo. Haveria, portanto, condições revolucionárias inclusive em países economicamente atrasados, sob jugo colonial, podendo assim avançar para o socialismo. Essa nova liberdade altera as hierarquias postas no movimento operário, recolocando a revolução e o socialismo em relação dialética com a tática.
Lênin inaugura uma época de grandes possibilidades táticas, defendendo as alianças e um notável realismo político, mas que não se detivesse no reformismo ou no cretinismo parlamentar, mas apontasse para a transformação revolucionária da sociedade. Assim, longe do principismo, da negação de alianças, da defesa de uma única forma de luta, Lênin defendia a legitimidade de todas as formas de luta, exceto o terrorismo. Estabelece que não importa a forma de luta em si, contanto que seja uma maneira de politizar a luta de massas e ampliar o poder da classe trabalhadora. Assim, reforma e revolução, luta eleitoral, de ideias, econômica, política, insurreição, todas se entrelaçariam num complexo encadeamento de fatos políticos em meio à história, cabendo à vanguarda conduzir o movimento espontâneo à consciência que permite a conquista do poder político e a transformação socialista da sociedade, em vez de deter-se nas reformas.
Ele deslindou a natureza de classe do Estado e da democracia burguesa, apontando-as como formas transitórias e em disputa na luta pela hegemonia na sociedade. O estado capitalista e a sua ditadura de classe se afirmariam particularmente nos momentos de crise, em que o poder militar, judicial e ideológico assegurariam inclusive pela força a manutenção da ordem capitalista. Assim, a luta pela democracia, como todas as lutas, teria um caráter de classe intrínseco, não sendo universais nem imutáveis, e estando ao escrutínio da consciência avançada. 
Lênin aponta o caminho do poder político e da construção econômica para a classe trabalhadora, com a destruição do regime mais despótico e atrasado da Europa. As consignas Pão, Terra e Paz e Todo poder aos sovietes levaram a uma mudança sem precedentes, com a conquista e manutenção do poder soviético. O seu êxito prático apontou todavia a imensa complexidade da construção econômica no socialismo como regime de transição entre o capitalismo e a utopia da sociedade comunista. Lênin inaugura um frutífero pensamento tático e estratégico, experimentando a disputa no seio da esquerda, a luta pelo poder e as possibilidades econômicas e políticas de uma nova sociedade que até então só existira em teoria. 
O desassombro com que avançou e recuou na política e na definição das formas da propriedade ilustram a situação de imensa dificuldade e a busca de caminhos para afirmar uma sociedade superior à capitalista. Comunismo de guerra, Nova política Econômica, Trabalho voluntário, diversas formas de propriedade, tudo aponta para um pensamento econômico e político com margem de manobra e fidelidade aos princípios. A sociedade socialista surge múltipla e como forma de transição na própria experiência soviética, com avanços e recuos. Brilha em seu pensamento  a grande preocupação com o progresso econômico e com a defesa de uma hegemonia baseada na aliança entre operários e camponeses. 
A propriedade privada e o mercado deixam de ser tabu e são defendidos como instrumentos da transição de sentido socialista, inclusive pela utilização do capitalismo de Estado e o socialismo como regime de propriedade mista, de acordo com a história econômica de cada formação social.  No centro da justeza e do êxito estariam o poder político. A China e o socialismo Chinês em grande medida bebem dessa teoria do desenvolvimento e da transição socialista formulada inicialmente por Lênin. Por isso não há modelo de socialismo e cada experiência será original, única.
Por tudo isso, em meio à crise da humanidade, Lênin segue atual, parte da luta dos oprimidos para tomar em suas mão o seu destino. E essa é a única homenagem digna de sua obra, uma vida inteira dedicada à transformação socialista, que demonstrou a sua viabilidade. E há tantas questões novas que o seu exemplo de sinceridade, obstinação e estudo rigoroso iluminam a nossa luta por responder aos desafios atuais do movimento. 


Dialeticamente, o seu pensamento será superado na medida em que os dilemas que nos afligem sejam eles próprios batidos pela capacidade da classe trabalhadora ser autora dessa  superação, na medida em se possa unir o sofrimento atomizado de todos os oprimidos e oprimidas na tomada de consciência para o mudar o próprio destino e a história, conquistando a sociedade das maiorias, a sociedade socialista. O combate que lhe fazem - sempre a direita, porque ninguém esteve à esquerda de Lênin - é um sinal de saúde de seu pensamento revolucionário, que devemos conhecer e difundir como ferramenta e inspiração, clareando os caminhos da luta. Se o tempo não lhe corrói, há duas causas: não cessaram os fenômenos a que refere e seu pensamento nos ajuda a desvendá-los revolucionariamente. Há soluções passadistas que se apresentam como novas, social-democratas em especial, mas com um inevitável cheiro de naftalina e a hipocrisia que lhes é natural. Ao contrário do pensamento vivo e combativo, transformador, que encontramos em Ilitch e que somos chamados a desenvolver, pois é a isso que ele nos desafia.  Com o exemplo vivo dos escritos de Lênin somos todos elevados(as) à condição de sujeitos conscientes de nossa própria emancipação, pois para ele, sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário.

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