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domingo, 25 de julho de 2021

Congresso dos bancários - Inscreva-se até 29/07 - Campanha Nacional dos Bancários 2021





10º Congresso Distrital será em 31 de julho. Inscrições começam nesta quinta (22) e vão até o dia 29
22 de julho de 2021
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Bancários e bancárias do DF e Entorno debaterão plano de lutas e elegerão delegados para os fóruns nacionais da categoria

Os bancários e bancárias do DF e Entorno se reúnem no dia 31 de julho, no 10º Congresso Distrital, para definir o plano de lutas da categoria para o próximo período. Entre os principais desafios estão o enfrentamento da pandemia, em defesa da saúde e da vida, o combate ao desmonte dos bancos públicos e às privatizações e garantia de emprego e de direitos.

Os trabalhadores de bancos públicos e privados vão também eleger seus representantes para a 23ª Conferência Nacional dos Bancários, que acontece em setembro, e para o 32º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), para o 37º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) e para os demais encontros específicos por bancos (veja abaixo).

O Congresso Distrital terá ato de abertura na sexta-feira, dia 30, e será realizado de forma remota. As inscrições estão abertas e vão até o dia 29. Na segunda-feira 26 o Sindicato divulga a programação e a dinâmica dos debates que ocorrerão durante todo o dia 31.

> Clique aqui para se inscrever

Encontros nacionais por bancos acontecem entre os dias 3 e 8 de agosto

Banco do Brasil

As atividades do 32º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) serão realizadas no dia 8 de agosto, com o tema “Construindo juntos o futuro do Banco do Brasil”.

Caixa

O 37º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) “em defesa da Caixa e de seus empregos. Por um Brasil melhor” acontece no dia 7 de agosto.

BNB

O 27º Congresso Nacional dos Funcionário do Banco do Nordeste do Brasil acontece no dia 7 de agosto com o tema “Banco do Nordeste do Brasil e FNE juntos construindo um nordeste melhor”.

Bradesco

O encontro nacional dos bancários do Bradesco, a ser realizado no dia 3 de agosto, terá como mote “O que queremos do futuro é emprego, saúde e um Brasil melhor”.

Santander

O encontro nacional dos bancários do Santander será “Contra a precarização e em defesa da vida e do emprego”, no dia 3 de agosto.

Itaú

As atividades do Itaú serão no dia 5 de agosto com o mote “O futuro só será possível com emprego, saúde e melhores condições de trabalho”.

BMB

O Encontro Nacional do Banco Mercantil acontece no dia 4 de agosto, das 14h às 18h, com o tema “Garantindo conquistas e avançando em direitos dos empregados do Banco Mercantil do Brasil”.

BASA

O 12º Congresso dos Funcionários do Banco da Amazônia “Desenvolvendo a região norte e o País” acontece no dia 8 de agosto.

Da Redação com informações da Contraf-CUT




quarta-feira, 31 de julho de 2019

21ª Conferência Nacional dos Bancários acontece neste final de semana - CONTRAF


Evento visa preparar a categoria para se defender e enfrentar a realidade de ataques aos direitos da classe trabalhadora
Conferência Nacional
Arte: Contraf-CUT
Bancários de todo o país se reúnem entre os dias 2 e 4 de agosto, em São Paulo, na 21ª Conferência Nacional da categoria. Os delegados e delegadas vão debater sobre questões que interferem diretamente na sociedade, no cotidiano de trabalho nas agências e nos departamentos bancários e definir as estratégias e plano de ações para defender a soberania nacional, a democracia, os empregos, os direitos dos trabalhadores e ações contra a reforma da Previdência e as privatizações dos bancos e demais empresas públicas.

“A categoria é a única que possui uma convenção coletiva que engloba todo o país. Os direitos dos bancários são os mesmos em qualquer ponto do território nacional. Temos tudo isso graças à nossa unidade e, mais do que nunca, precisamos nos manter unidos para defender nossos direitos e conquistas, nossos empregos e o direito de nos organizarmos”, explicou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, responsável pela organização do evento.

Juvandia ressaltou que os direitos dos trabalhadores estão sob forte ataque no Brasil e no mundo. “O capital internacional quer ditar o rumo das políticas a serem adotadas para que obtenham cada vez mais lucros. Esse governo e o Congresso têm pautado a retirada de direitos, como o direito de se aposentar com dignidade; o direito a uma jornada e um trabalho dignos, atacados agora pela MP 881”, disse. “Buscam minar as forças dos sindicatos e demais movimentos sociais porque estes impõem resistência a estes desmandos. Temos que estar unidos, não apenas como categoria, mas no conjunto da classe trabalhadora, e nos preparar para nos defender e cobrar políticas que gerem empregos, não aprofundem o desemprego”, disse a presidenta da Contraf-CUT.

Materiais e informações

Uma novidade da 21ª Conferência Nacional dos Bancários será a substituição dos materiais impressos pela tecnologia. Desde a programação, aos subsídios de reflexões e demais informações estarão disponíveis em um App que pode ser baixado nos celulares e/ou tablets dos delegados.

A iniciativa visa otimizar a utilização dos recursos da categoria e ampliar a gama de informações sobre o evento.

Redes sociais

O evento terá cobertura total de imprensa, com publicação imediata de textos no site da Contraf-CUT, e transmissão ao vivo de algumas mesas de debates, com vídeos veiculados na página da Contraf-CUT no Facebook. Nas redes sociais, os delegados serão instruídos a utilizar as hashtags #21C e #NossaLutaÉ nas fotos, comentários e demais postagens.

Programação

Veja abaixo a programação completa da 21ª Conferência Nacional dos Bancários.

Dia 02 de agosto: sexta-feira
12h às 20h –
 Credenciamento de delegadas e de delegados.
19h – Abertura solene

Dia 03 de agosto: sábado
9h às 13h –
 Credenciamento de delegados e de delegadas.
9h às 9h30 – Votação do Regimento Interno
10h às 13h – Mesa 1 – Análise de conjuntura
13h às 14h – Prazo para substituições de delegadas ou de delegados

13h às 14h30 – Intervalo para almoço

14h30 às 16h30 – Mesa 2 – Soberania Nacional
16h30 às 18h – Mesa 3 – Reforma da Previdência
19h – Confraternização

Dia 04 de agosto: domingo
10h às 11h30 –
 Mesa 4 – Futuro do Trabalho, Impactos nos empregos e na Organização Sindical
12h às 14h – Mesa 5 – Resoluções e moções

Fonte: Contraf-CUT / Paulo Flores

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Tribuna Popular Dia Nacional de Luta em defesa da Caixa em Brasília

No dia 28 de Maio, Dia Nacional de Lua em defesa da Caixa Econômica Federal, o Sindicato dos Bancários de Brasília realizou um tribuna popular na Edifício Matriz 3 da CEF em Brasília, aonde representei a CTB.

Novamente a privatização da LOTEX foi adiada, trata-se da Loteria Instantânea da Caixa. O caos e o descrédito do desgoverno Bolsonaro espanta até os compradores da "pechincha". A luta dos trabalhadores, a luta no judiciário e na sociedade acumula vitórias e precisamos persistir!
Foto: Guina Ferraz do Sindicato do Bancários de Brasília

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Sim à vitória da categoria bancária - Paulo Vinícius Silva*

O movimento sindical bancário ante o desgoverno de Temer

O desgoverno de Temer ameaçou a categoria bancária, criando uma sinuca de bico para a campanha nacional de 2018. Em especial, através de três ações articuladas:

- A Reforma Trabalhista - inúmeros impactos sobre a categoria bancária:
a) A ultratividade assegurava nosso acordo último vigente até o estabelecimento de outro, ainda que em dissídio. Isso não existe mais. Depois de 31 de agosto, deixam de valer os direitos que temos conquistado por gerações e ficam somente aqueles da lei de Temer, Rogério Marinho (PSDB-RN), (Ricardo Ferraço PSDB-ES).
b) Retirou-se no mínimo 40% do financiamento da estrutura sindical, comprometendo a sustentação, a independência e os serviços prestados à categoria. Criaram-se condições para um sindicalismo paralelo, legalizando o desrespeito à lei e a chantagem patronal, com o negociado acima do legislado e os acordos individuais que podem sacrificar direitos e dívidas;
c) Parte da categoria poderia ser considerada hiper-suficiente - segundo sua faixa salarial não poderias se contemplada no acordo coletivo, passando a "negociar" sozinha com o banco;
d) a situação jurídica é francamente desfavorável aos trabalhadores e trabalhadoras, por militância conservadora no judiciário, por fragilidade do marco legal, por grandes dificuldades de acionar a justiça e risco de ônus aos demandantes, além de riscos de paralelismo sindical.

- A Lei da Terceirização - Não há limites à terceirização quanto à atividade fim e atividade-meio, tampouco se impede a quarteirização e fenômenos de precarização similares, assim como a intermediação de mão de obra; impulsiona a pejotização sem qualquer pudor;

- O ataque à saúde e às condições de trabalho - Ao empalmar na mão grande o governo federal pelo golpe de Estado, Temer provou a muitos colegas conservadores que, sim, existe diferença entre governos de centro e esquerda e governos neoliberais que chegam ao poder sem o voto popular. Vivemos um descalabro na gestão das empresas públicas: reestruturações sucessivas e erráticas, dirigentes que praticam gestão temerária que prejudica e causa risco de imagem às próprias empresas, programas de privataria para destruir e pilhar o patrimônio público, novas tecnologias que impactam a saúde psíquica, o regime de metas e a gestão do trabalho pelo assédio sistemático.
Para ampliar o ambiente de medo e insegurança que atinge centenas de milhares de empregados das estatais, publicaram a Resolução nr. 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa de Administração de Participações Societárias da União - CGPAR. Esse nome impoluto esconde três assinaturas que vale a pena conhecer para entender: Dyogo Oliveira, economista, passou um ano e um mês como Ministro do Planejamento, foi pro BNDES; Henrique Meireles, então Ministro da Fazenda, agora candidato a Presidente pelo MDB e Elizeu Padilha, Ministro da Casa Civil de Temer.  Foi essa turma.

Desse modo, o governo Temer matou vários coelhos de uma só cajadada:
a) criou um clima de medo e insegurança jurídica sobre os funcionárias das estatais, já fragilizados pelas ameaças privatistas;
b) avançou mais uma casa no processo de destruição do SUS e da saúde pública, favorecendo a saúde privada e atacando as auto-gestões de trabalhadores;
c) criou um mecanismo para "enxugar" as estatais de "despesas" e obrigações com seu funcionalismo que obstaculizam o processo de privatização pretendido.

Gestão temerária, lesa pátria e assédio organizacional, com o apoio da imprensa golpista e as ameaças jurídicas

Foi sob esses múltiplos ataques que a categoria bancária teve de negociar este ano. A decisão de um acordo bianual em 2016, às vésperas da aprovação da famigerada deforma se mostrou mais que correta. Vale ouro assegurar o conquistado em tempos de fim da ultratividade e de negociado sobre o legislado. Esse tempo não foi em vão. Não paramos, e há dois anos o movimento sindical se desdobra em denunciar os perigos e politizar a categoria, que foi muito influenciada pela onda conservadora que varreu o Brasil. Pouco a pouco, mesmo os mais teimosos foram percebendo os riscos envolvidos e o novo cenário em que as greves podem se dar.

O calendário de negociação foi antecipado em praticamente seis meses, fincou-se o pé na bandeira "Todos por tudo", em defesa de todos os direitos do acordo coletivo; a militância jurídica dos sindicatos e federações de bancários assumiu um patamar inédito em número de ações e em luta para preservar os direitos ameaçados pela Deforma. A decisão consequente de defender até o fim a mesa única foi outro elemento decisivo, pelo risco objetivo de fragmentação das mesas e mesmo da categoria por faixa salarial.

Essa base unitária, qualificada e mobilizada fez o seu papel e mostrou o custo que envolveria implodir o principal modelo de negociação coletiva do país. As entidades sindicais classistas não se calaram diante do Golpe, dos ataques aos direitos, avisaram e mostraram para a sua base o perigo, as ameaças e o caminho para preservar tudo o que conquistamos.

O tostão contra o bilhão
Ainda assim, persiste a subestimação da importância da luta sindical, o imobilismo, as ilusões de saídas individuais e o medo como realidade vivida pela categoria bancária. A pressão psicológica, a dependência da categoria da remuneração variável e das funções que não estão incorporadas e as práticas antissindicais, compõem um cotidiano duro de sofrimento psíquico e de resistência da categoria.

Infelizmente, muitos colegas se deixaram manipular pelo discurso dos patrões que criminalizam a luta sindical e seus /suas dirigentes. São fenômenos desconcertantes e tristes, que cabem na metáfora das galinhas que elegem a raposa - que diz-se vegana - para presidir o galinheiro. É o concursado a favor da privatização. O funcionário desconfiado do sindicato, adoecido pelo banco, que acredita que o banco que o adoeceu cuida e se preocupa com a sua saúde. É o colega que não percebe que pode perder tudo e se mostra indignado em contribuir com quem defende e garante todos os seus direitos. É o raivoso apoiador de greve na assembleia que nunca participa nem participará da greve, é um fura-greve, que diz, cheio de moral: "greve é coisa do sindicato". Mas, mesmo para esses, é preciso que reconheçam que as conquistas sindicais são parte de seu contra-cheque, do tempo com seus filhos e família, da saúde e da sua velhice. Boa prova do que é coração de banqueiro foi a proposta de excluir as mulheres em licença maternidade da PLR.

Cumpre reconhecer as novas dificuldades desse contexto de golpe de estado, militância jurídica conservadora, perda de direitos, de garantias da negociação e de recursos financeiros. A visão equivocada que trata o movimento sindical como a terceirização da participação política da categoria é o principal obstáculo às greves. A mudança tecnológica do banco digital, o receio de empecilhos ao crescimento profissional, o medo face ao futuro das empresas públicas, todos são fatores que exigem a mudança no formato das greves, assim como a sua politização, porque as greves precisam ser feitas pelo conjunto dos bancários e bancárias, senão não cumprirão o papel que podem ter e servirão para abrir o flanco da categoria a todas as ameaças que listamos.

O cenário dos reajustes salariais do ano de 2017 ilustra os impactos malsãos da agenda anti-trabalhador e antissindical de Temer:

Observe-se que 28,6% das categorias tiveram reajuste igual ao INPC, 8,1% abaixo do índice, 49,5% perfez no máximo 1% de aumento real e 13,7% acima de 1% de ganho real. Acima de 2% de ganho real, apenas 2,5% dos reajustes se enquadraram.

Com toda a sua importância, os reajustes, no entanto não esgotam nossas reivindicações, embora representem muitíssimo. A fragilização geral da CLT e a Terceirização ilimitada criaram uma situação de quatro frentes simultâneas de luta: a) salários; b) negociação coletiva e demais direitos no acordo nacional; c) defesa das estatais; d) saúde e condições de trabalho; É diante desse contexto mais amplo que conquistamos, graças às ações de luta nas ruas, à pressão institucional e à negociação unitária:

I - Ganho real de 1,18% em 2018 e 1% em 2019 sobre todas as verbas;
II- Manutenção de todas as cláusulas do Acordo Coletivo Nacional por dois anos, da mesa única abrangendo toda a categoria e das negociações específicas, e a neutralização parcial da perda de receita para a luta sindical com a contribuição negocial de 1,5% para todos;
III- O movimento de unificação das ações dos sindicatos das estatais e da sociedade acompanhou todas as campanhas salariais do período e cumpriu papel destacado em impedir, por exemplo, os planos de privatização do sistema ELETROBRAS, a licitação das Loterias sem a CEF, a suspensão de medidas de privatização no governo Temer, a partir da ação da FENAE e CONTRAF junto ao supremo;
IV - A defesa do Saúde Caixa nos termos atuais e a ampla denúncia do adoecimento dos bancários(as) no sistema financeiro. A campanha salarial abordou a Saúde, inclusive em temas que não eram objeto da negociação, por veto patronal. Exemplo disso foi a ampla campanha em defesa da CASSI que desmascarou as manobras e chantagens contra o funcionalismo para empurrar na marra a resolução CGPAR 23. O movimento associativo e sindical se uniu e deu um rotundo não ao BB, batalha política que precisa continuar a ser travada na rejeição das propostas caô , mas cujo resultado só virá nas eleições de 2018.

Celebrar cada vitória e salvar o Brasil
É diante desse contexto, que consideramos uma grande vitória o resultado da negociação de 2018 para a categoria bancária e defenderemos nesta quarta às 19h00, na Praça do Cebolão que a categoria aceite a proposta, seguindo a orientação do Comando Nacional. A Campanha Nacional é uma parte da nossa luta, e sabemos que esse novo acordo de dois anos tem sentido exatamente pelo horizonte turvo e ameaçador diante de nós.

Parte da vitória que tivemos vem de terem se fortalecido as perspectivas da derrota do Partido de Silvério dos Reis, de Temer e sua gangue, nas eleições de 2018. É a unidade do povo que dá essa força, e é preciso ampliar esse movimento, porque meses podem nos separar da destruição de tudo que restou dos nossos direitos. Se fizeram essa tragédia em 2 anos, a urgência é varrê-los de Brasília e retomar o Brasil e a Democracia. Dificilmente numa luta atingimos toda a nossa pauta, ainda mais se a situação é difícil. Garantamos a nossa vitória e fortaleçamos a unidade popular!

* Diretor de Relações do Trabalho da CTB e diretor de Política Sindical dos bancários de Brasília

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Caminhos da Frente Ampla: a classe trabalhadora e a unidade de ação - Paulo Vinícius Silva

Pergunto, por que não nos unimos,
se assim só alegramos nossos inimigos?!
Juntemos nossas mãos,
a pátria nos reclama
a luta que nos levará à vitória final!
Ali Primera


Em plena 4ª Revolução Tecnológica, o Brasil se desindustrializa numa escala jamais vista, submetido a um governo títere dos Estados Unidos, ilegítimo, fruto podre de um golpe de estado urdido para a destruição dos fundamentos de qualquer projeto de desenvolvimento brasileiro. Em vez de saltar adiante para as novas possibilidades da tecnologia, a junta golpista (banqueiros, oligarcas da política, da imprensa monopolista e dos altos escalões do judiciário) dá o grande salto atrás, ampliando nosso atraso relativo, com o conhecido e brutal colonialismo que visa a eternizar uma estrutura social de cidadãos de primeira classe e uma segunda classe de subcidadãos.
Nosso país passa por uma expedição punitiva e Temer é um boneco de uma ocupação estrangeira, protegida pelo judiciário e pela imprensa golpista. Pune-se o Brasil por ter ousado assumir maior protagonismo internacional, com a América Latina e os BRICS, por ter se fortalecido como nação. Episódios como a dita Primavera Árabe, os protestos no Brasil, em 2013 e a desestabilização e guerra econômica contra a Venezuela mostram a influência do imperialismo se vestir de mobilização de massas, estimuladas por TVs, jornais e pela internet com fins de desestabilização, e buscando a chancela do parlamento e do judiciário, como se viu desde os casos de Honduras, com Zelaya, e do Paraguai, com Lugo. Vimos o cerco financeiro, a manipulação dos preços internacionais promovida pelos EUA e a Arábia Saudita, o bloqueio político e midiático ao governo e à Petrobras, a partidarização de setores policiais, judiciais e mesmo de milícias, com a progressiva imposição da violência, que já abateu a mais de uma centena de militantes da luta do povo desde a ascensão do golpista Temer.
Tal realidade obriga à esquerda a avaliar, retrospectivamente, o erro de menosprezar a questão nacional e, presentemente, a capacidade de organizar o povo, de segurança e de ação direta. Acima de tudo, deve a esquerda, especialmente a classe trabalhadora, ser o esteio da unidade de ação contra a ditadura em curso. Não podemos ignorar a violência nem danos irreparáveis à soberania e ao futuro do Brasil. É preciso impedir a dilapidação do patrimônio nacional.
É o Brasil do ferro gusa e da soja, depois da hecatombe que vitimou setores econômicos fundamentais sob a demagogia do combate a corrupção, ele próprio corrompido pela partidarização e pelo ativismo político do judiciário. Ativismo para libertar o criminoso prender o inocente, como ocorre com de Lula, cuja prisão é apenas outra forma de calar o direito de o Brasil decidir. Aqui, destroem-se setores industriais inteiros, desempregando pais e mães de famílias, com o choro de suas crianças e a volta da fome, a destroçar lares que se desfazem, ampliando a população de rua. O Brasil não ficou mais ético, ficou apenas mais desigual e covarde o contra o trabalhador, e ainda mais contra trabalhadora. Aqui, mata-se o povo de fome para enriquecer uma casta de financistas, especuladores, que subtraem a máxima parte da riqueza nacional.
É para vender e ajoelhar o país, para tanger o povo para as senzalas da exclusão, que servem o ódio e a violência fascistas. É preciso relembrar a definição clássica: O fascismo é uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e agressivos do capital financeiro como um regime reacionário de massas. A relação da clássica definição do fascismo dos anos 1930 com a composição e prática do golpismo, impressiona: banqueiros, mídia monopolista, a direita mais corrupta e atrasada, sob o comando do imperialismo. É sob a violência e o desrespeito ao direito internacional que se gesta a destruição da democracia na América Latina. Precisamos vencer e reverter esse cenário desolador com a vitória dos setores democráticos, nacionalistas e populares – com ênfase na classe trabalhadora.
Precisamos assegurar a existência e a lisura e vencer a batalha de 2018, afirmando a democracia como palco da resolução dos conflitos. 2018 decidirá o ressurgir ou o sepultar da democracia brasileira e há que preparar-se para tudo. Por isso a unidade avulta, é decisiva. É dever que vai muito além dos partidos. Apesar do Fórum das Centrais, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, das frentes parlamentares em defesa das conquistas, prevalece a dispersão, as iniciativas parciais que não chegam ainda a inúmeras formas de organização popular que não atingimos. A necessidade obriga superar o atual cenário de derrotas seguidas após o golpe. Talvez um caminho seja resolver uma situação aparentemente paradoxal: há várias candidaturas de esquerda à Presidência, diferentes frentes nacionais e, ainda assim, unidade programática em torno de decisivas bandeiras nacionalistas, democráticas e dos direitos dos trabalhadores(as) e do povo.
Há, portanto, duas tendências cuja importância nos acontecimentos havemos de definir com nossa praxis: unidade versus fragmentação. Para chegar à unidade é complexo, só condições favoráveis não bastam. Unidade é fruto de esforço consciente, paciência, respeito. Para fortalecer as tendências à coesão é preciso avançar na unidade, como sinalizaram as fundações partidárias, num pacto a unir as candidaturas que defendem o Brasil, a Democracia e os Direitos do Povo.
Mas não basta esse compromisso na cúpula sem uma nova dinâmica de trabalho, de unificação de uma rede amplíssima de movimentos e formas de participação contemporâneas, com novas geração e tecnologia. Mas a base deve ser a unidade dos(as) trabalhadores(as) para responder o ataque à estrutura sindical, aos direitos da classe trabalhadora. O rasgar da CLT não foi respondido à altura e envolve muita gente que viverá sob o látego. Há oportunidades para a unidade. É possível responder à ofensiva antinacional a partir de plataformas sindicais unitárias e amplas campanhas e jornadas de lutas. A luta nas redes e nas ruas, um renovar do trabalho de base para:
1) a defesa das ESTATAIS – PETROBRAS, Correios, ELETROBRAS, CEF, BB, BNDES, EMBRAPA, bancos regionais, CEDAE, Metrôs, Itaipu, Portos;
2) a defesa do SUS; defesa dos usuários de planos de saúde; defesa da regulação da saúde privada; Todos os sindicatos e confederações ligados à saúde;
3) a defesa da Universidade Pública e da Pesquisa do Brasil – unir ANDIFES, SBPC, CONTEE, ANDES, UNE, DCEs, Cas, ANPG, APGs, FASUBRA, PROIFES, Institutos Federais, Seções sindicais, pesquisadores, artistas, personalidades da Ciência, Tecnologia, Ciências Sociais e Artes;
4) a defesa da Educação pública nos níveis Básico e Técnico – sindicatos das professoras(es) públicos e privados, Auxiliares e Profissionais da Educação Pública e Privada (regulação do ensino privado), federações e confederações;
Há uma sinergia evidente nessas plataformas que envolvem entidades importantíssimas, nacionalmente e nos maiores municípios. O ataque às estatais possibilita a imediata unificação das entidades que representam dos seus trabalhadores(as) para preservar: o caráter público, as condições de trabalho, a assistência à saúde e as autogestões, a participação eletiva nas empresas e a defesa de suas previdências privadas. Não há como vencer isoladamente. O sentido corporativo, nacional, trabalhista permite envolver amplos setores nessa luta decisiva. As confederações, federações e sindicatos das estatais ainda possuem força imensa, mas vivem o brutal ataque à sua estrutura, ao papel social e aos direitos da classe.
A unidade da luta na saúde, na educação e nas estatais pode nos ajudar a construir a unidade nacional e o enraizamento nas 27 unidades da federação, em especial nas cidades com mais de 100 mil habitantes, somando aos esforços dos Congressos do Povo. Num primeiro momento propomos quatro plataformas unitárias, face aos ataques que exigem naturalmente unidade gremial e compreensão classista, democrática e nacionalista. Mas devemos avançar para uma a unidade de ação dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, com iniciativas voltadas ao setor privado - Indústria, da Agricultura e dos Serviços -, à organização dos desempregados e excluídos.
A capacidade de reunir e debater com amplas massas, de repercutir nas redes, de as construir, obrigam a uma nova abordagem da luta sindical, inclusive atualizar o modelo de greve, incorporar novos atores profissionais terceirizados, quarteirizados, 4G, que advém descaracterização de categorias e da constituição de novas. É preciso um primeiro passo de unidade, nas estatais, na educação e na saúde para avançar e unir a classe trabalhadora.
Unificação e investimento no trabalho de basem deve ser consequência prática de um balanço autocrítico sobre a luta institucional, notadamente no Congresso que, a partir de Eduardo Cunha, tornou-se mero balcão de negócios espúrios e instância impenetrável que, não obstante, deseja a legitimação do movimento sindical e social. O excessivo institucionalismo na ação sindical e a redução dos espaços democráticos exige articular amplitude e radicalidade. A mudança de qualidade regressiva na democracia exige uma nova ação junto ao Congresso, mas sobretudo junto ao povo que elegerá o próximo. Disputar as agendas do Brasil é disputa de hegemonia e defesa da democracia. Sem unidade clara contra o retrocesso não poderemos avançar para a um maior espaço no Senado e na Câmara, eleger deputados e senadores que defendam os trabalhadores(as). O movimento sindical deve apresentar suas lideranças para retomar todos os nossos direitos.
No Golpe do impeachment fraudulento, na votação da Lei da Terceirização e da Reforma Trabalhista, nossa ação sindical não consegui articular seus dois polos: as direções nacionais e seus quadros, que circulam semanalmente no Congresso e Ministérios e a multidão dos envolvidos nas greves e paralisações gerais, na marcha de 200 mil a Brasília. Falta o protagonismo desse decisivo elo na corrente, sindicatos-âncora nos municípios acima de 100 mil habitantes. Uma rede dessas, se falasse para suas bases teria um impacto imenso. Já o comprovou. Essa parcela realizou a greve geral do dia 28, a 2a. CONCLAT e os Congressos das Centrais Sindicais e da CONTAG.
Mas a Pirâmide Invertida – com a hipertrofia das direções e a falta de apoio da base - leva a um envelhecimento geracional e à dificuldade crescente de mobilizar as categorias, ao burocratismo sindical, ao sindicalismo de resultados, afastando as categorias e impedindo a incorporação de mulheres e de jovens. Esse cupulismo amortece uma enorme rede que ainda não foi totalmente mobilizada e que deve ser buscar formas de pautar 2018. A luta pela relevância política é central para o movimento sindical.
A frente só se efetivará ao falar às entidades e à base popular. O momento exige ampla unidade em defesa das estatais e do Brasil. Esse movimento, se vitorioso, unindo centrais e frentes diversas, poderá apontar para a unificação nacional e para o enraizamento. E, a partir das estatais, quiçá sinalize para outras unificações, a defesa da Educação Básica e Técnica, do SUS, da Universidade e da C&T Brasileiras.
A unidade não é uma cadeira, uma mesa, é mais como um caminho. Mas, que fazer se os caminhos são desconhecidos, se levam a encruzilhadas? Ensina o poema de António Machado:
Caminhante, são tuas pegadas o caminho, e nada mais.
Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao andar.
E ao voltar o olhar atrás, vê-se a senda
a que não se voltará jamais.
Caminhante, caminho não há,
só as estrelas no mar.
Não há fórmula, receita para a unidade. Mas a Classe Trabalhadora aprendeu há 170 anos, com os jovens Engels e Marx (este a celebrar o seu bicentenário): “A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros”. Cada golpe que atinge o povo levará a uma incessante resistência. Somos felizmente obrigados a perseverar. Ao oprimido(a) só resta a esperança de lutar.
As condições objetivas e subjetivas para a unidade precisam ser sintonizadas numa estratégia democrática, nacional e popular. Como outros processos políticos latino-americanos evidenciaram: é necessária uma unidade superior do povo. E o Brasil construiu um imenso movimento sindical que precisa lutar, se defender e vencer essa guerra. A necessidade grita, e a CTB deve unir os trabalhadores e trabalhadoras, fortalecer a frente ampla, construir seu enraizamento, retomar a iniciativa política e defender as empresas públicas e o Brasil.
Toda semana afluem a Brasília centenas de lideranças sindicais para atividades que muitas vezes apenas legitimam uma agenda conservadora. É hora de mudar o esquema. Aproveitar e organizar essa presença em Brasília, construir espaços de diálogo e unificação, seminários nacionais, colóquios, debates públicos, manifestos para ecoar uma única voz de defesa da Nação, contra os vendilhões da pátria e escravizadores do povo. É preciso retomar os grandes espaços de diálogo e convergência como os Fóruns Sociais Mundiais, as Marchas da Classe Trabalhadora e a 2ª CONCLAT. Nossas formas de lutas para se demonstrarem verdadeiramente radicais, devem enfrentar as raízes dos problemas, e a raiz é o apoio do povo, retomar o laço de confiança numa nova ascensão da luta social. Nossas formas de luta devem reunir muita gente e repercutir nas redes, articulando uma base própria, a nossa representatividade.
PRIVATIZAR FAZ MAL AO BRASIL: É possível representar esse sentimento do povo, retomar a iniciativa, pautar 2018 e eleger trabalhadores(a) em defesa de nossos direitos roubados. Exatamente pela possibilidade de fragmentação eleitoral, fortaleçamos as trincheiras do povo unido. Unidade, bandeira da esperança. O povo, unido, jamais será vencido.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Conversa Afiada entrevista Betão da CONTRAF: Por que a greve dos bancários não acaba?

Bancários: por que a greve não acaba

Bancos lucram 20% ao ano e não querem pagar nem a inflação
publicado 29/09/2016
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Ex-jornalista mostra por que as agências se tornaram supermercado
A propósito da mais longa e extensa greve de bancários do Brasil, siga a entrevista abaixo:
PHA: Eu converso com Roberto von der Osten, presidente da Contraf/CUT e um dos coordenadores do comando nacional dos bancários.
Roberto, vocês tiveram ontem (quarta-feira 28/set) uma nova seção de negociações com a Febraban sobre a questão do reajuste salarial dos bancários. O que ainda separa vocês dos bancos?
ROBERTO: O que nos separa, primeiro, é o modelo de campanha nacional, o modelo de reajuste de salário que os bancos pretendem aplicar. A nossa proposta foi entregue no dia 9 de agosto, previa o reajuste pela inflação, mais 5% de ganho real - até porque o lucro dos bancos é uma coisa fabulosa, e nós achamos que tínhamos que fazer um esforço pra crescer o salário da nossa categoria.
Os bancos apresentaram um modelo que implica em reajuste do salário abaixo da inflação. No caso, eles oferecem 7%, o que causa uma perda de 2,39%. E oferecem um abono que não compensa isso, não recompõe a massa salarial, o poder de compra que os bancários perderam entre 2015 e 2016. Isso é um abismo. E não teve jeito, não caminha, nós tivemos uma infinidade de rodadas de negociação.
Não caminha por uma razão muito simples: tem um componente que está na mesa de negociação com a Febraban que não é um componente das relações de trabalho. Nós temos os estudos do DIEESE... Eu recebi uma tabela ontem, de 1995 a 2016, que mostrava quais foram os reajustes, desde o período FHC, do período do governo Lula, do governo Dilma, e do governo que está aí agora. Fica claro, você visualiza claramente, que havia uma política, uma âncora salarial na intenção de ajudar a conter a inflação, que foi abandonada no período seguinte ao FHC, quando nós conseguimos ganho todo ano. Conseguimos [reposição da] inflação, mais um ganho real e aumentamos em 20,8% nosso salário. Agora, a lógica se inverteu.
Então isso fica intransponível, e não é com negociação que a gente resolve. Não tem argumento que convença o outro que ele deve aceitar ou reposição da inflação mais o ganho real ou, no caso nosso, que a gente aceite uma redução de 2,39% do nosso salário.
PHA: Vocês já mediram ou compararam a rentabilidade dos bancos brasileiros com bancos de outros países?
ROBERTO: Sim. Nós temos aqui uma subseção do DIEESE que faz todos esses comparativos, de rentabilidade de banco, rentabilidade do setor financeiro comparando com outros setores da economia brasileira. E fica evidente! Você acompanhou ontem (28/09) a publicação dos juros do cheque especial e do cartão de crédito (475% ao ano). É inacreditável! Em outros lugares do mundo, as pessoas não acreditam nesses patamares! Quando a gente faz essas comparações na mesa de negociação, os bancos não respondem.
Tem empresas no Brasil que têm uma lucratividade maior do que os bancos, mas você pergunta, qual empresa é essa? Se você descola de setor, se você pega uma empresa específica, é o bar lá da esquina da vila-não-sei-o-quê que pode ter uma rentabilidade maior que um banco. Mas não é disso que nós estamos falando. Estamos falando de um setor da economia.
PHA: Comparando com outros países, o que se pode dizer, efetivamente, da rentabilidade dos bancos brasileiros? É alta, baixa? Como se pode definir?
ROBERTO: É muito alta. Muito alta. A rentabilidade média, eu creio, sobre o patrimônio líquido dos bancos deve estar na casa dos 20% a 22% de crescimento ao ano. É uma coisa fantástica para um retorno de investimento, para a rentabilidade de um capital que você tenha.
Quando nós falamos em bancos e falamos também em setor, nós temos que lembrar o seguinte: se a Febraban representa 160 bancos, eu creio que mais de 80% disso é referente a cinco bancos. O número de agências, 23.544 agências no Brasil, um número impressionante está concentrado. Estamos falando de um sistema financeiro extremamente concentrado em cinco bancos.
PHA: Então, aparentemente, não há possibilidade de negociação, e cria-se um ambiente onde a alternativa é a greve. E os documentos que vocês distribuem dizem que o número de grevistas atinge 57% dos locais de trabalho em todo o Brasil.
Hoje, quando muitas das transações podem ser realizadas via internet, essa greve tem como, de fato, pressionar os bancos?
ROBERTO: Esse é o grande dilema. Veja, nós estamos enfrentando, além de todo o stress e instabilidade em relação ao emprego, quando um trabalhador vai à greve... A greve é um ato de coragem das pessoas, não? As pessoas que estão aposentadas pela Previdência, se o governo muda as regras e resolve reduzir o que eles estão aferindo como benefício, eles não têm grandes armas pra se defender, não têm como fazer uma greve. Os trabalhadores da atividade têm essa arma de negociação que, em tese, é poderosa.
Nós acompanhamos... Inclusive, tem uma tabela que a Febraban coloca em seu site, que trata do volume de transações bancárias. Deste volume hoje, é evidente que algo na casa de 54% são feitas por meio de internet ou de mobile banking. Dependendo do banco, a internet é um pouco maior que o smartphone, do que a telefonia. Dependendo do banco, dependendo do grau de desenvolvimento tecnológico, isso é mais ou é menos. Até porque existe hoje um perfil de usuário jovem de banco que não quer mais ir à agência bancária. Ele quer comprar por telefone, vender por telefone, operar sua conta corrente por telefone.
Nesse perfil, os bancos vêm fazendo uma aposta muito grande. Eles próprios têm declarado para a mídia que eles são baixamente afetados [pela greve], porque o atendimento está sendo feito por internet e nos auto-atendimentos das agências, porque os bancários há muito tempo decidiram que não iam fechar esses caixas eletrônicos, pois nossa greve não é contra a população. Então, o auto-atendimento faz um grande volume, os correspondentes bancários têm outra parte desse volume... E as lotéricas, de uma maneira geral, que operam como bancos, têm também.
O que nos resta? Segundo algumas dessas pesquisas dos bancos, coisa na casa de 6,8%, dependendo do banco. Abaixo de 10% das transações, de uma maneira genérica. Abaixo de 10% das transações bancárias são feitas nas agências bancárias.
Se nós estamos fazendo uma greve forte contra os bancos, nós vamos atingir, no limite, 10% de suas transações bancárias? E por que os bancos ficam tão preocupados a ponto de adiantar com associações comerciais...?
Hoje, o banqueiro chama sua agência bancária de "loja". Dentro daquilo ali, tem uma cesta de produtos para os bancários e bancárias que ali estão. E quando você entra numa agência bancária, eles vão lhe oferecer um seguro, um título de capitalização, uma previdência complementar, um rol de produtos.
PHA: Um supermercado financeiro, não é isso?
ROBERTO: Isso daí. É um supermercado. Você entra na agência quase como se estivesse conduzindo um carrinho de compras, não é? E o bancário e a bancária são obrigados a lhe oferecer. Eles têm metas de vendas de produtos, cada um deles. Eu tenho que mandar um seguro pra alguém, mandar uma previdência complementar, uma capitalização, um plano de saúde, consórcio de bens, crédito habitacional... Qualquer outro produto. Alguma coisa eu preciso vender. Eu tenho metas a cumprir. A agência tem metas, coletivamente.
PHA: Roberto, hoje, por exemplo, nos jornais de manhã, eu vi uma ex-jornalista, Ana Paula Padrão, fazendo publicidade do Banco Original. Oferecendo serviços na internet. O Itaú tem uma campanha publicitária muito forte, oferecendo serviços na internet. Ou seja, um dos problemas dos bancários hoje é, exatamente, essa competição com a tecnologia...
ROBERTO: Não diria pra você que é dos bancários, eu diria que é da humanidade. Amanhã pode ter um aplicativo onde eu fale a respeito de uma notícia e ele redija uma matéria.
PHA: Claro, claro.
ROBERTO: Os advogados têm um aplicativo que faz petição, os médicos têm aplicativo...
PHA: O jornalismo está sendo espancado pela tecnologia, se eu posso dizer assim.
ROBERTO: Inclusive, muda o perfil do clássico jornalão, que você sentava no café da manhã e abria. O jornal não é mais aquilo que fica entre o leitor e a mesa de manhã.
PHA: Eu acho que eu sou o último leitor de jornal impresso que eu conheço...
Roberto, qual é o seu prognóstico? Esse impasse dura até quando? Como se resolveria?
ROBERTO: A gente acreditava que essa campanha seria rápida. No começo, nós fizemos uma negociação mais produtiva, mais objetiva, nós chegamos ao conflito mais objetivamente... O conflito era pra você avaliar a proposta do banqueiro, recusar e falar: "por que não modificar isso? Se não, vão nos obrigar a ir à greve. Não tem outro caminho por aqui".
Chegamos rapidamente, no dia 1o. de setembro, dia de nossa data-base. Fizemos nossa assembleia, que a gente faz lá pra frente, em meados de setembro. Acreditávamos que, num ano de instabilidade política, num ano em que a democracia foi fortemente golpeada no país, um cenário absolutamente ruim, não se sabe o que vai acontecer em janeiro... a instabilidade é política, não se sabe qual vai ser.
Então, nesse cenário, a gente acreditava que eles iriam repor a inflação, dizer que esse ano não dá pra dar ganho real, a gentia ia insistir pra ter algum ganho real, já que o lucro deles é real. Eles têm um ganho real fabuloso. Nós pensávamos assim, uma campanha rápida, fácil, pronto e acabou. Um ano eleitoral, disputa de hegemonia, Congresso nacional, movendo uma agenda nociva para os trabalhadores, pauta bomba, recheada de coisas contra a sociedade... Acreditávamos assim. Até que caiu nossa ficha e percebemos que, contrariamente ao que eles têm mandado dizer em alguns jornais, que essa greve é contra o governo que aí está, a gente disse que não. A gente fez greve nos governos FHC, no governo Lula, Dilma, e faremos no governo Temer. Estamos fazendo.
Então, não tem nada a ver com apoio, se é contra ou a favor de governo. Nós estamos negociando com o banqueiro. Quem meteu a política no meio da campanha foram eles! Buscando, quem sabe, entregar um produto que eles ofereceram aos banqueiros que estão no governo. Tem um banqueiro na Fazenda e outro presidindo o Banco Central.
Dentro desse cenário, é imprevisível. Nós gostaríamos de não estar em greve. Gostaríamos de ter terminado isso a tempo de a população não ser onerada, não ser sacrificada. Mas não conseguimos e afirmo pra você, com convicção e com provas: o culpado é o banqueiro.

Roberto: a greve não é política (Reprodução: Contraf/CUT)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Coragem, bancários(as), eu sei que vocês podem mais! Campanha Salarial de 2016 - Paulo Vinícius Silva

Recentemente fui eleito com cerca de 50 colegas para representar as dezenas de milhares de bancários(as) da base do Sindicato dos Bancários de Brasília. Nem tomei posse, ainda, mas pelo meu compromisso pessoal e pela expectativa dos colegas, vejo com vontade e preocupação tamanha responsabilidade. Afinal, estamos no início da Campanha Salarial de 2016, em meio a um golpe de Estado que depõe a Presidenta Dilma para arrebentar as conquistas dos trabalhadores, violar a democracia, com ladrões descarados a tomar o poder, com as mãos sobre as estatais, em especial a PETROBRAS e os bancos públicos. Mas o pior de tudo são as dúvidas e os medos que povoam os corações mentes dos(as) colegas, em especial quando cada um(a) sente a sua dor solitariamente, achando que esses poucos diretores sindicais poderão construir uma vitória que só pode ser fruto da luta coletiva.

Quarta-feira, 08/06/2016, teremos a Assembleia do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, respectivamente o primeiro e o segundo maiores bancos do país, em importância e número, ambos reunindo mais de 200 mil bancários e bancárias, com uma concentração imensa em Brasília, que reúne as funções estratégicas dessas empresas na capital federal. Mas a categoria não reconhece a sua própria força. Pressionada pelas empresas, temerosa ante o futuro, desiludida muitas vezes com sua representação. Penso nos(as) colegas e me vem à mente uma música do Raul Seixas, Por quem os sinos dobram, com vontade de dizer-lhes:

"Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Você sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida que vive guardada
O eco de suas palavras não repercute em nada

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado,
Convence as paredes do quarto, e dorme tranquilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais"


Essa semana uma colega me perguntou o que conquistaríamos a nova gestão do sindicato nessa greve... Eu me senti um terceirizado das obrigações políticas da categoria.  Pra mim é muito claro que conquistaremos o que a nossa greve conquistar. Afinal, de quem é a Campanha Salarial, de quem é a greve, senão de cada um(a) de nós?  Você já pensou quanto duraria a greve se todos nós parássemos? Num momento como esse é fundamental que a Greve Nacional dos Bancários e Bancários faça a diferença, em especial em Brasília. E toda a minha garra ao aceitar o desafio de alinhar a CTB Bancários com a CUT na eleição passada se baseou na firme convicção de que a nossa unidade é indispensável nesse momento dramático da vida nacional.

E eu entrei para tentar algo novo. Não penso em repetir as greves anteriores, nem compactuo com o espírito de rotina. É preciso romper com a acomodação na forma de construir a campanha salarial, da parte das direções sindicais, por um lado. E por outro, é preciso chamar à responsabilidade a categoria, que cai na conversa fiada dos patrões que lucram e nos adoecem, ao tempo que alimenta uma visão errada, terceiriza sua responsabilidade e participação política, e ainda espera um resultado ótimo na campanha salarial. Isso é ainda mais absurdo num momento desses. Por isso, minha convicção é que se não pudermos abrir o sindicato à participação da categoria, sensibilizando-a, seremos derrotados.

Os primeiros atos do governo golpista demonstram o firme propósito de retomada da agenda de privatizações, de retirar direitos, acabar com a CLT, terceirizar tudo, submeter as mulheres, negar a diversidade e o Estado laico, violentar a liberdade e liquidar os bancos públicos. Por isso, não podemos ter dúvidas, os temerários sacrificarão os bancários e bancárias, o que passa, inicialmente, pela redução de pessoal e pelo aprofundamento das piores práticas do sistema financeiro, que impõem grande sofrimento psíquico à categoria, revertido em graves problemas de saúde. Como você pode terceirizar tão importantes questões a quem quer que seja?!

A Campanha Salarial é nossa chance de criticar, de denunciar os patrões, de exigir tudo que se nos nega no dia a dia. Além do mais, vimos desde 2015 o que querem os banqueiros: voltar à agenda de perdas salariais, de abonos. Participação nos Lucros, comissões pelo atingimento de metas gigantes, tudo isso precisa ser visto criticamente. Nos últimos doze anos não tivemos perdas, conquistamos modestos ganhos salariais, e sofremos os impactos da mudança perfil da remuneração, que se baseou sobretudo em benefícios e remuneração variável, e não em um aumento do piso e dos salários que recuperasse as perdas salariais devastadoras dos anos FHC.

Muito jovem, a categoria não entende que seu padrão de vida é mantido de modo precário, baseado naquilo que não ficará para a aposentadoria, para a previdência, nem para os planos de saúde. Mais que isso, a categoria precisa entender que a defesa dos bancos públicos e de seu papel no desenvolvimento é decisivo para nosso futuro e para o Brasil. A agenda de Temer e Cunha, Globo e CIA é para um país com uma economia menor, mais pobre, de exclusão. Nós também seremos atingidos, é contra todos nós essa agenda.

Por isso, nessa campanha salarial, pela opinião da Central de Trabalhadoras e Trabalhadoras do Brasil, estará em jogo, simultaneamente:
- a democracia;
- os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras em todos os níveis;
- o emprego da categoria bancária, o tamanho e o papel dos bancos públicos;
- se perderemos novamente para a inflação, ou se nos uniremos pela valorização do ganho real no salário e no piso salarial, se seguiremos escravos das metas e da remuneração variável, ou se avançaremos para mais dignidade no reconhecimento de uma categoria que se mostrou indispensável para a inclusão social e o desenvolvimento da economia real, com gente, salário, consumo.

Então, humildemente, eu sei que sozinho não posso nada, nem mesmo promover as mudanças que desejo em nosso sindicato. Isso só será possível se a categoria cumprir o seu papel, e se a direção nova souber abrir-se à participação dessa nova geração, falando e ouvindo, aceitando as críticas, mas também questionando o papel passivo e oportunista de muitos que acham natural furar a greve e xingar a representação sindical; Que acham aceitável furar o piquete e votar pela continuidade da greve; Que consideram estar em vantagem quando querem aparecer bonitos diante dos chefes, ao mesmo tempo que tratam com desdém aqueles e aquelas que lutam pelos seus direitos ameaçados. Mudou o contexto. Nem os(as) dirigentes sindicais nem a base poderão encenar esse teatro do absurdo, esse pacto da mediocridade. Por isso, mais que a confiança daquele que abandona, achando que votando se desobrigou, eu preciso da confiança que se mobiliza: aí sim faremos algo diferente, na prática.



Como diria o Jorge Ben, está na hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor. O movimento é nosso, podemos melhorá-lo. No sindicato localizado na capital do país e sede das empresas, com um funcionalismo de milhares, extremamente qualificado e em funções estratégicas, ouso em sonhar que a maioria poderá entender e cumprir seu papel, porque em parte nisso repousam o futuro do país, dos bancos públicos e de nossos sonhos profissionais. Por isso, essa Campanha Salarial não pode nem será igual às outras. Ela é parte destacada da luta de classes, quando a burguesia parasitária e subalterna quer ajoelhado o país e seu povo. Nossa categoria é grande, forte, tem o único acordo efetivamente nacional, e luta contra o setor mais perigoso, lucrativo e pernicioso, os banqueiros. É preciso que nosso número, nossa criatividade, nossa ação mostre seu peso, pois aí obteremos a vitória, apontando um caminho de retomada da iniciativa política para todas as categorias, ao tempo que defenderemos o papel e a dimensão atual dos esteios fundamentais do desenvolvimento brasileiro, que são os bancos públicos e a PETROBRAS.

Nessa quarta-feira, 08 de junho, na sede do Sindicato dos Bancários de Brasília, precisamos dos bancários e bancárias do BB e da Caixa para dizerem que propostas querem sejam aprovadas para a Campanha Salarial de 2016. Nesse espaço, elegeremos nossos delegados(as) para elaborarem nossa pauta, inclusive as propostas de remuneração, saúde do trabalhador, além de ser aonde podemos dizer em alto e bom som o que queremos do nosso movimento. Precisamos de mais: que a categoria diga o que se pode esperar dela na Campanha Salarial e na Greve.


Tenho muita esperança que podemos unir nossas inteligências e sensibilidades para que nossas atividades possam abrir os olhos dos(as) colegas, mudando a maneira de fazer o movimento sindical bancário em Brasília. Podemos fazer uma greve diferente, uma greve legal, animada, cheia de cultura e com uma escala de participação que possa envolver muito mais colegas, uma greve com alma, que fale para as pessoas, que denuncie a exploração de que somos vítimas bancários e clientes, afirmando ao mesmo tempo aquilo que podemos fazer de melhor pelo Brasil e por nós mesmos.

SERVIÇO - ASSEMBLEIA DE ELEIÇÃO DOS DELEGADOS(AS) E DA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES
AO 27º CONGRESSO DO BANCO DO BRASIL E
AO 32º CONGRESSO DOS EMPREGADOS DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

QUARTA-FEIRA - 08/06/2016
ÀS 19H00 NO SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE BRASÍLIA

SHCS EQ. 314/315 Bloco “A” – Asa Sul - Brasília/DF

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CTB e Sindicato dos Bancários da Bahia denunciam Pauta Regressiva e ataque às Estatais

O Sindicato do Bancários da Bahia é uma entidade referência da luta sindical do Brasil. Um sindicato antigo em seu compromisso de luta e revolucionário em sua capacidade de renovar e se comunicar com a Base. Exemplo disso é o programa semanal que possuem na TV, o diário que distribuem nas agências, o trabalho sobre a História da categoria na Bahia e o fato de lideranças de diferentes gerações amarem e cuidarem desse patrimônio da proverbial história de lutas do povo baiano.
Vejam no vídeo a seguir um grande alerta que a CTB faz aos trabalhadores(as) com a proposta da Pauta Regressiva que visa a tirar conquistas do povo e passar teses neoliberais já derrotadas pelo Brasil, nas palavras de Emanoel de Jesus (presidente da Federação dos Bancários de Bahia e Sergipe) e de Augusto Vasconcelos, querido amigo e líder, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Convocação aos trabalhadores e trabalhadoras - Portal CTB

www.portalctb.org.br



8 marcha da classe trabalhadora20140409 0043
Companheiros e companheiras,
Estamos diante de um quadro político muito conturbado. Pensando em acelerar as discussões e analisar o atual estágio político, convocamos a reunião ampliada do Conselho Político com a participação de entidades do campo e da cidade e o objetivo de aprofundar as discussões e destinar especial atenção às lutas em curso.
A agenda de atividades vai exigir grandioso empenho e participação do coletivo cetebista para darmos consequência à luta para derrotar a fúria golpista, em defesa da Nação, da soberania e da democracia.
Segue calendário :
19/02- 14h Reunião Dieese - SP
24/02- 18h Ato em defesa da Petrobras - RJ
24 e 25/02- Eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos-SP. Chapa da CTB em aliança com a CUT disputa contra Chapa da CSP/Conlutas
24 e 25/02- Encontro Rurais da CTB - SP
25/02:
- Lançamento do Manifesto Aliança em Defesa do Brasil - RJ
- Reunião para debater SPE, Rotatividade e Informalidade - SP
- Ato em defesa da Caixa 100% Pública - DF
02/03- Manifestação nas SRTEs de todo o País
16 a 19/03- Semana de mobilização no Congresso Nacional - DF
18/03- Dia de luta no Congresso Nacional - DF
Saudações cetebistas,
Este ano vamos ter muita luta pra valer!
 Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A eleição de 2014, a economia e as ameaças neoliberais aos bancos públicos - Paulo Vinícius Silva

Criança, vi a inflação mensal de até 89% ao mês. Com uma verdadeira guerra econômica e midiática em curso, vê-se uma pressão monstruosa para impor um ajuste neoliberal ao país, independentemente de quem ganhe, vemos o terrorismo midiático em economia, chantageando o país e o governo, querendo um nome dos bancos estrangeiros para comandar a Fazenda, sob a "gravíssima" situação de uma inflação está em 0,25% ao mês!

E no programa de governo da candidata Marina está claro o seu rumo. Com uma mão, dá a "independência" ao Banco Central, um eufemismo para dizer que a imprensa golpista e o "mercado" - que ganham com os juros SELIC altos - terão o Banco Central dependente deles para ampliar o patamar dos juros que afetam o cartão de crédito, as prestações da casa, as prestações do carro, os juros dos financiamentos e do capital de giro das empresas e microempresas.

Depois de uma série de generalidades, inclusive dizendo que o spread é alto, que a SELIC é alta, olhe, colega bancário(a), correntista, microempresário(a), como o que diz Marina Silva nada tem com a constatação, porque propõe mais veneno, e não a cura da doença. Em seu Programa, exatamente na página 60, ela diz:
"devemos caminhar gradualmente para um sistema no qual o crédito público para empresas seja complementar, e não inibidor do sistema de crédito privado, focando em negócios com as seguintes características:
1) empresas pequenas e nascentes;
2) projetos inovadores ou com alto impacto social;
3) projetos de maturação muito longa que exijam alto volume de recursos,
como obras de infraestrutura.
Os subsídios ao crédito agropecuário e aos programas de habitação popular deverão continuar, mas com maior participação dos bancos privados, evitando subsídios não computados e ineficiências na alocação".

Traduzindo:
a) Marina propõe o que Dilma já fez, pois nunca os bancos receberam tanto povo e emprestaram tanto e a juros tão baixos às microempresas, aos microempreendedores que antes eram informais. Marina pretende retirar da Caixa e do Banco do Brasil as possibilidades mais atrativas de negócios, restringindo como jamais a possibilidade de ação dos bancos públicos para emprestar. Isso é a resposta do sistema financeiro privado à ação empreendida por Lula e Dilma através do Banco do Brasil, da Caixa e do BNDES, BASA e BNB para DIMINUIR OS JUROS que até então se cobravam. É ter diminuído o patamar dos juros que ela chama de fator "inibidor" aos bancos privados.

b) Se ela, por um lado, permite ao BC aumentar a SELIC à vontade - com "independência" do Bano Central e sua gestão exclusiva por critérios  supostamente "técnicos" e com a ajuda da imprensa golpista, a consequência será necessariamente um aumento, e não redução da taxa SELIC, e um aumento do patamar dos juros e do spread bancário. Afinal, propõe diminuir o papel dos bancos públicos em emprestar para as empresas, para o agronegócio, para a agricultura familiar. Mas é um grande negócio para os bancos privados;

c) Com a perda da lucratividade nos bancos públicos, ver-se-á outra vez a campanha pela sua privatização. Já no programa de governo, a candidata neoliberal alfineta os bancos públicos: "ineficiências na alocação", "subsídios não computados" são acusações que negam o papel importantíssimo dos Bancos Públicos em impedir a crise de se apossar do Brasil. Marina nega a eficiência e o talento dos bancários dos bancos públicos, criadores de uma tecnologia competitiva em todo o mundo, sucessivamente vitoriosos(as) em seguidos resultados positivos, impulsionando o Microcrédito, o Cartão BNDES, os empréstimos dos Fundos Constitucionais. Tão eficientes e competitivos são os Bancos Públicos, que a candidata apoiada pela herdeira do Itaú, que coordena o seu Programa de Governo, propõe uma intervenção na política de crédito para prejudicá-los e "dar uma forcinha" para a banca privada.

Não há máscara, não há pudor. A candidata neoliberal Marina Silva investe contra os bancos públicos e propõe uma agenda que, na verdade, levará à redução do crédito, à ampliação dos juros e aos ataques a uma das principais bases da soberania brasileira, o sistema financeiro com o protagonismo público. Marina promete a volta de páginas da nossa história recente vividas pelos(as) funcionários(as) do BB, da CEF, BNB, BASA e dos bancos estaduais. Histórias tristes, de perseguições, suicídios, de profunda insatisfação com o trabalho, porque os bancários e bancárias sofrem duplamente nesse tipo de situação. Sofrem por serem levados ao desespero no trabalho, perseguindo metas inalcançáveis, enfrentando o enxugamento do quadro e a liquidação das instituições, porque é isso que se prepara com as medidas acima elencadas. E sofre porque com   juros altos é o bancário que cobra, é ele que vê a falência e o empobrecimento dos clientes. Com Lula e com Dilma ajudamos a realizar sonhos, de viver na casa própria, de estudar, de acesso ao conforto, ao lazer, à informação. É muito diferente de ser bancário para ver no olhar dos clientes o medo, o desemprego, a perda do que eles conquistaram com tanto sacrifício.

Não haja dúvidas para bancários e bancárias, nem para clientes: a agenda de Marina é contra os bancos públicos, é a favor dos bancos privados, levará aos juros mais altos, comprometerá o desenvolvimento do país, levará as famílias a uma situação de maior endividamento e as microempresas à insolvência.

Dilma é a única candidata que defende os interesses do Brasil, que são inseparáveis de sólidos e poderosos Bancos Públicos. Mas Dilma tem de mostrá-lo claramente aos bancários e bancárias que, às vésperas da sua campanha salarial nacional, extenuados pela imensa responsabilidades que sobre si recaíram, necessitam de maior valorização, de reconhecimento.

Apesar de os anos de Dilma e Lula terem recuperado os salários dos bancários dos bancos públicos, com aumentos superiores à inflação, a herança maldita de oito anos sem aumento salarial nos anos de FHC ainda levam a uma remuneração básica baixíssima para o papel da categoria bancária na sociedade. No entanto, essa constatação não pode nos levar a uma postura irresponsável que leve à própria liquidação desse patrimônio que são os bancos públicos, as grandes molas impulsionadoras do desenvolvimento. Na eleição, Marina assume claramente o lado dos especuladores e maiores inimigos dos bancos públicos. Por isso a campanha salarial de 2014, em plena eleição, terá uma especial complexidade política: é preciso defender a categoria e ao mesmo tempo defender o Brasil e os Bancos Públicos. E isso só será possível com Dilma.

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