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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Perdemos o querido Zezinho, militante exemplar do PCdoB-PE



Não são fáceis os dias que estamos vivendo. Hoje tem sido um tanto mais difícil. Nos despedimos de Zezinho. Um baque no...

Publicado por Luciana Santos em Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

COMANDANTE ZEZINHO, PRESENTE! 

Luciano Siqueira 

Outro dia foi Moacir, torneiro mecânico, líder metalúrgico, dirigente do PCdoB em Pernambuco. Lúcido e decidido combatente por décadas.

Hoje, José Inácio Barbosa, de origem camponesa, sindicalista no início dos anos 60, também dirigente estadual do PCdoB. 

Zezinho, como todos o chamamos (Manezinho para os baianos, onde militou na clandestinidade no duro tempo da ditadura militar), aos 85 anos resistiu até o último instante. A Covid-19, conjugada a enfermidades crônicas, finalmente o subjugou.

Zezinho e Moacir, guerreiros sempre. Daqueles cuja presença em nossas fileiras inspira um permanente chamamento à luta. 

Pois o PCdoB é assim: feito da teoria científica marxista, descortino programático, sagacidade tática, compromisso com a classe e o povo e múltiplas vivências pelos tortuosos caminhos da História. 

E por gente como Moacir e Zezinho.

Procuro em meus arquivos uma foto de Zezinho e em todas as que encontro vejo estampada no seu rosto a alegria de viver e de lutar. Opto por uma em que estamos juntos ele, Luci e eu numa das últimas manifestações de rua no Recife, pré-pandemia. Ele sorridente, braço erguido e punho cerrado. 

Em nossas reuniões, invariavelmente era aplaudido e saudado com o grito de guerra “Zezinho, guerreiro/do povo brasileiro!”

Pronunciava-se manuseando anotações feitas em letra oscilante, à semelhança de um traçado de eletrocardiograma. Ideias centradas, ditas em tom entusiasmado.

Num dos Congressos do PCdoB, creio que o 8º, um dos nossos quadros dirigentes nacionais da época expôs na tribuna ideias discrepantes da linha geral do Partido. No plenário divisei a figura de Zezinho a sair do seu lugar, percorrer todo o ambiente até me encontrar numa das últimas filas:

 “- Por que isso, camarada?”, me arguiu, preocupado com a unidade partidária.

De certa feita, na sede do Partido no Recife, o camarada Renato Rabelo me pedira notícias dele: 

– Bem, como sempre; mas nos últimos dias anda enfraquecido por uma gripe muito forte, respondi.

Mal terminara de falar, entrou na sala o “comandante” Zezinho, bandeira do PCdoB à mão. Perguntamos pela sua saúde:

- Camaradas, fui ali numa passeata nos Coelhos, fiz uma agitação, já estou melhor!...

Tal como Moacir, que padecia de doença respiratória crônica, Zezinho jamais se deixou abater pelas dificuldades. 

Para ambos valia o dizer de Diógenes Arruda: “a revolução será uma festa de pão e rosas”. 


 

Tristíssimo com a morte do querido camarada Zezinho do Pernambuco... Temos que transformar essa tristeza toda em um...

Publicado por Paulo Vinícius em Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

De Olho no Mundo, por Ana Prestes - Portal Vermelho - Kamala Harris, Sputnik V, COVID 19, Bolívia e Bielorrússia

 Vermelho

A escolha da senadora Kamala Harris como vice de Joe Biden, o anúncio pelo Rússia da primeira vacina contra Covid-19, a exclusão da Venezuela da Cúpula pela Amazônia e as manifestações no Líbano e na Bolívia estão entre os assuntos analisador por Ana Prestes.

Foto: Reprodução

A senadora pela Califórnia, Kamala Harris, foi a escolhida para compor chapa com Joe Biden pelos democratas na corrida presidencial dos EUA. Ela é a primeira mulher negra a compor uma chapa presidencial do partido democrata, os republicanos também nunca tiveram uma mulher negra candidata. Harris já foi procuradora-geral da Califórnia e no Senado está em duas comissões importantes, Justiça e Inteligência. A senadora é criticada pela esquerda e movimento civis e sociais da Califórnia por defender projetos que resultam no encarceramento em massa da população pobre e negra jovem como medida de combate ao crime. Por outro lado, ela está próxima de setores mais à esquerda dos democratas, como Sanders e Ocasio-Cortez, ao defender o Green New Deal como uma solução para transformar a matriz energética dos EUA e zerar as emissões de carbono até 2030. A chapa ainda precisa ser referendada pelos democratas em Convenção Nacional. Caso a chapa vença as eleições, muitos já falam que Harris seria a candidata natural dos democratas em 2024.

O dia de ontem (12) foi de muitos comentários sobre o anúncio do governo russo de que teria finalmente chegado a uma vacina contra o novo coronavírus, a Sputnik V. O nome faz referência ao Sputnik, primeiro satélite artificial a orbitar a Terra lançado em 1957 pela então União Soviética. As avaliações mais críticas ao anúncio dizem que seria muito difícil provar a eficácia de uma vacina com apenas dois meses de testes. Outros dizem que não há suficiente debate internacional sobre os resultados atingidos nos testes, com publicação de artigos e promoção de intercâmbio científico. Entidades russas de professores, que devem estar no primeiro bloco de imunizados, após os médicos e profissionais da saúde, e a AOKI – Associação de Organizações de Pesquisa Clínica também pediram ao governo russo para evoluir mais nos testes antes de iniciar a aplicação, pois a população poderia ser exposta a uma vacina ainda não suficientemente testada. Por outro lado, muitos questionam se Putin e seu governo arriscariam tanto com a divulgação de uma vacina sem segurança sobre o produto. As autoridades russas hoje (12) reagiram ao criticismo internacional reafirmando seus procedimentos na validação da vacina. Fica a impressão de que a Rússia fez o registro, o anúncio, e vai “trocar os pneus com o carro andando”, ou seja, enquanto produz a vacina em escala, vai realizar a terceira fase de testes e fazer as publicações científicas correspondentes. A ver. A vacina não aparece na lista da OMS que relaciona os projetos que já chegaram à fase 3 de testes e a organização se pronunciou ontem dizendo que aguarda contato com autoridades russas para conhecer detalhes do imunizante. No Brasil, o governo do Paraná anunciou que deve assinar hoje (12) um acordo com a Rússia para a produção e distribuição da vacina, ficando a condução a cargo do Tecpar – Instituto de Tecnologia do Paraná.

Novamente com a Venezuela excluída os presidentes dos países amazônicos se reuniram na Segunda Cúpula Presidencial pela Amazônia. Desta vez o encontro foi por videoconferência. O primeiro encontro foi presencial, em setembro do ano passado, na cidade colombiana de Letícia. De onde saiu o Pacto de Letícia. Além do presidente Duque da Colômbia, participaram Bolsonaro pelo Brasil, Lenin Moreno pelo Equador, a de fato Añez pela Bolívia, Vizcarra pelo Peru e autoridades do Suriname e Guiana. A reunião teve como objetivo reafirmar os 52 pontos da Declaração de Letícia e a discussão sobre o financiamento dos projetos previstos nesses pontos. Participaram do encontro o presidente do BID, Luis Alberto Moreno e uma representante da OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, com sede no Brasil, Maria Alexandra Moreira. Alvo de críticas internacionais por sua política ambiental e em especial com relação às queimadas na região amazônica, o Brasil não participou do primeiro encontro de Letícia. Nesse segundo encontro, o mundo inteiro noticiou a fala do presidente Bolsonaro, especialmente quando ele disse ser “mentira” que os incêndios estão devastando parte significativa da Amazônia brasileira. Ele contradisse dados de seu próprio governo que através do INPE deixam claro que em 12 meses aumentou em 33% a devastação da floresta. Ele ainda desafiou os líderes dos outros países a sobrevoarem a floresta e apontarem algum foco de incêndio ou hectare desmatado.

A Nova Zelândia tem eleições marcadas para setembro, mas a primeira ministra Jacinda Ardern anunciou que há hipótese de adiamento diante do ressurgimento de casos de coronavírus no país após mais de 100 dias sem infecções. Os casos surgiram em Auckland, maior cidade do país, e que agora está em confinamento. O partido de oposição, Partido Nacional, também pede adiamento das eleições para o fim do ano ou princípio de 2021. Com uma população de 5 milhões de habitantes, a NZ registrou 22 mortos por Covid-19 até agora, além de ter ficado 102 dias sem contágio registrado.

Na Europa, o coronavírus preocupa na Espanha. Na última semana, uma média de 4900 casos diários foram registrados. Superior aos números da França, Reino Unido, Alemanha e Itália juntos. Críticos ao governo dizem que houve “muita pressa” no desconfinamento, visto que a explosão de casos veio justamente duas semanas após a abertura.

No Líbano, seguem as manifestações populares contra o governo, mesmo com a renúncia do premiê e todo seu gabinete. Ontem (12) milhares de pessoas marcharam perto do porto destruído e fizeram um minuto de silêncio no minuto exato em que há uma semana ocorreu a explosão. Cristãos e muçulmanos foram convocados por suas igrejas para fazerem um dia de orações. O número oficial de vítimas passou para 171, mas há estimativas de que são mais de 200. Deixo aqui o link da história de três bombeiros ainda desaparecidos que morreram ao tentarem apagar um incêndio no porto, sem saberem quem o galpão incendiado possuía nitrato de amônio:

Após Alemanha e França suspenderem acordos de extradição com Hong Kong. O executivo da ilha fez o mesmo por reciprocidade. Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia também anunciaram as mesmas medidas.

Em Belarus, ou Bielorrússia, também seguem os protestos. Ontem foi a terceira noite de manifestações após as eleições de domingo (9). Muitas ruas na região da capital Minsk estão bloqueadas e cenas de prisões arbitrárias e violência policial pipocam nas redes. Milhares de pessoas foram detidas. Jornalistas também têm denunciado que suas câmeras estão sendo tomada ou tendo chips arrancados. A candidata de oposição a Lukashenko, que governa o país desde 1994, deixou o país e se refugiou na Lituânia.

Na Bolívia também seguem os protestos e os bloqueios de vias. Ontem o ministro de governo, Arturo Murillo, reagiu dizendo à CNN que estão “tratando de evitar uma guerra civil no país, que tem horas contadas para começar”. Defendeu ainda que “meter bala” nos bloqueios seria “politicamente correto”. Os protestos são organizados pela COB (central de trabalhadores) e o Pacto de Unidad contra o adiamento das eleições para 18 de outubro. Embora o governo de fato ainda não tenha entrado mais fortemente com o exército e polícia contra as manifestações, grupos paramilitares estão sendo usados para atacar os manifestantes. O chefe das forças armadas, Sérgio Orellana, envolvido no golpe contra Evo, tem colocado uma série de condicionantes ao governo Añez para ir fazer os “desbloqueios” das vias ocupadas pela população. Uma delas é a imunidade quanto ao uso da força e armamentos e outra é quanto ao rebaixamento do papel das forças policiais.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, pediu ontem (11) o adiamento das eleições legislativas da Venezuela marcadas para 6 de dezembro, diante da negativa de alguns partidos da oposição de participarem do pleito. A declaração foi feita após o chanceler Arreaza enviar convite à União Europeia para o envio de observadores internacionais durante o processo eleitoral.

terça-feira, 30 de junho de 2020

1o. de Julho - PARALISAÇÃO NACIONAL DE ENTREGADORES DE APLICATIVOS - SOLIDARIEDADE



domingo, 24 de maio de 2020

Drauzio Varella: Bolsonaro tornará Brasil líder em mortes por Covid-19 - Porta Vermelho


Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas
por Drauzio Varella

Publicado 24/05/2020 12:18
Ilustração de Líbero para a coluna de Drauzio Varella na Folha

Fui otimista quando ouvi falar da epidemia que se espalhava na região de Wuhan, na China. Em dezembro do ano passado, as notícias eram de que surgira um novo coronavírus, causador de infecção assintomática ou sintomas gripais de curta duração na maioria das pessoas infectadas. A mortalidade ficaria restrita aos mais velhos: chegaria a 14,8% naqueles com mais de 80 anos. Abaixo dos 40 anos morreriam duas pessoas em cada mil infectadas. Era esse o panorama acessível a quem estava do outro lado do mundo.

Há muito sabemos que os coronavírus são agentes causadores de resfriados comuns. Apenas dois deles estão associados a doenças mais graves, como a Sars e a Mers, epidemias que emergiram na China em 2003, e na Arábia Saudita em 2012, respectivamente, para desaparecer misteriosamente depois de atingir alguns países.

Fui entender a gravidade da Covid-19 nos primeiros dias de fevereiro, quando colegas italianos começaram a enviar vídeos que mostravam o inferno instalado nas unidades de terapia intensiva daquele país. Cientistas de renome e especialistas em saúde pública se enganaram como eu, entre os quais recipientes do Nobel de Medicina e o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, o Niaid, dos Estados Unidos, cuja carreira acompanho desde o início da epidemia de Aids.


Na verdade, o mundo não foi capaz de avaliar o perigo que vinha da Ásia. A Europa foi pega de surpresa. Os italianos levaram semanas para entender o que se passava, os britânicos também, os suecos mantiveram a população nas ruas, os espanhóis autorizaram uma passeata para comemorar o Dia Internacional da Mulher, que aglomerou 200 mil pessoas no centro de Madri, justo no dia em que a Itália decretava o isolamento social nas cidades do norte.

Os Estados Unidos – que investem em saúde perto de 20% do maior PIB do mundo – assistiram à chegada do coronavírus em Nova York, com hospitais sem leitos suficientes nem máscaras cirúrgicas para atender à demanda dos profissionais de saúde. Para disfarçar a incompetência em adotar medidas antecipatórias, hoje o presidente americano joga a culpa na Organização Mundial da Saúde.

Aqui, logo que o primeiro brasileiro caiu doente, no último dia de fevereiro, ficou claro que o vírus já andava longe demais para ser contido. A julgar pelo que acontecera em outros países, era esperado que centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, se tornassem epicentros da epidemia, mas que a doença chegasse ao mesmo tempo a Manaus, Macapá, Fortaleza e Recife, separadas por milhares de quilômetros, foi surpreendente.


Embora pelo menos 80% dos infectados tenham evolução benigna, aqueles com apresentações mais agressivas que exigem internação em leitos hospitalares e UTIs, provocaram um estresse no sistema, que nem o SUS nem os planos de saúde estavam preparados para suportar. O drama dos hospitais superlotados no Norte do país, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife será repetido em outras capitais e em cidades menores à medida que a epidemia se interioriza. Se o vírus viajou da China para cá em três meses, há alguma razão para ficar aprisionado nas cidades grandes?

Décadas de descaso com a saúde inviabilizaram a agilidade das respostas, para enfrentar o desafio de impedir que o Brasil assuma a humilhante liderança mundial na contagem do número de óbitos, tragédia considerada possível, e até provável, por epidemiologistas respeitados.

No auge da maior crise sanitária dos últimos cem anos, assistimos à inacreditável negação da realidade por parte das autoridades federais, a quem caberia a responsabilidade inalienável de coordenar e dar sentido ao esforço nacional. Inexplicavelmente, o governo se exime até de reconhecer a gravidade do mal que aflige todos, especialmente os que perderam – e ainda perderão – familiares e pessoas queridas.


O Brasil caiu numa armadilha sinistra. Duas trocas de ministros numa fase crucial da disseminação da epidemia mantêm o Ministério da Saúde de mãos atadas há mais de um mês, enquanto o presidente faz o diabo para acabar com o isolamento social e impor um medicamento inútil, com efeitos colaterais eventualmente graves. Por que essa obstinação? Para dar a ilusão de que existe cura para quem contrair a doença nas ruas?

A situação em que estamos não poderia ser imaginada nem sequer no mais terrível pesadelo.

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Tags Coronavírus, Covid-19, Drauzio Varella, governo Bolsonaro, negacionismo

Autor

Drauzio Varella
Médico cancerologista, autor de Estação Carandiru

terça-feira, 28 de abril de 2020

Mais de 5000 mortos: "E daí?!"Jair Bolsonaro - Vídeo

Protegei-vos e uni-vos! Paulo Vinícius Silva

"Não é jogar toda a culpa nos militares, os militares foram instrumento de uma classe dominante infecunda, e é preciso olhar e apontar e acusar a essa classe, e é isso que eu tenho feito. Ou você leva a sério que esse povo é para ser alfabetizado, e que o que vale  aqui é criança e povo, ou você assume a atitude sacana! da classe dominante que sempre achou que o povo é espécie de negro escravo, de carvão pra queimar, e não importa o que acontece com ele. Essa é a postura do brasileiro comum, uma postura perversa e pervertida. Eu vi o mundo inteiro, não há país, não há lugar melhor para fazer um país do que esse. Eu andei no exílio - anos e anos de exílio -  e não há lugar para fazer um país melhor, mas tem uma classe dominante ruim, ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa que não deixa o país ir para a frente." Darcy Ribeiro  - Roda Viva  - 1991


A situação nacional se agrava rapidamente. O ocupante atual do Palácio do Planalto ligou-se à pandemia de um modo que a História os tornará sinônimos, Bolsonaro e o vírus, e levará sobre suas costas a responsabilidade por abandonar o país à própria sorte, diante da pandemia, causando incontáveis perdas humanas.
Nesse momento, mais que nunca é importante a prevenção e a solidariedade para a classe trabalhadora. Você, amigo, amiga, cuide-se e cada vez mais, pois está claro que os patrões enquanto classe - a burguesia - não estão preocupados com a sua saúde. 

Cristalinas brilham duas verdades:
- Sem o trabalho da nossa classe o capitalismo pára;
- A burguesia brasileira empurra sem dó trabalhadores e trabalhadoras para situações de risco à saúde, porque o lucro não pode parar. Não importa se "vão morrer gente", nas palavras do apedeuta mensageiro da Morte, Bolsonaro. Lucrar é preciso, a qualquer custo, mesmo o da sua vida.

Desse modo, cuide-se mesmo. O auto-cuidado e a prevenção - por isso o isolamento social - são essas as nossas únicas armas para defender as nossas vidas, e devemos pensar assim quando o patrão propõe-nos encarar o risco em meio à pandemia. É preciso resistir e defender a própria saúde ante a ganância dos capitalistas. Depois, será tarde. E lembre-se do Art. 29 da MP  Nº 927, de Bolsonaro:  "Os casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) NÃO serão considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal". 

E se você juntar isso à Reforma Trabalhista do Temer, que o Bozo também votou, a indenização trabalhista nesses casos agora acompanha o Salário e não o Dano sofrido pelo trabalhador, pela trabalhadora. Ou seja, tu és indenizado em proporção do teu salário, e não do dano que o trabalho te causou, comprometendo a tua saúde, a tua vida. O que vale a tua saúde? Quanto vale a tua vida, ou de um familiar teu?

O regime em que pouco importava se o trabalhador morria reinou no Brasil por quase quatro séculos, a escravidão. O "vão morrer gente" é antigo.  E como seus antepassados, donos de navios negreiros, mercadores de escravos, fazendeiros e donos de minas, sempre contabilizaram inúmeras perdas humanas, fazendo sua riqueza crescer despudoradamente graças às pilhas de cadáveres que deixavam para trás. Hoje como antigamente, eles valorizam de modo diferente a vida de um pobre, de uma negra, de um trabalhador, aqueles que sempre se admitiu que morressem, como um custo a mais no caminho da cobiça e da preguiça vergonhosas da escravidão. 
"Vão morrer gente" - Navio Negreiro

Dos indígenas exterminados a fogo e peste aos que deixaram a sua vida nos mares, troncos, senzalas e eitos, de todos os camponeses expulsos de suas terras e distribuídos para construir o país, é incontável todo esse sangue misturado ao suor, nervos, a força, toda essa vida - o trabalho -  que alimentou aqui e além-mar as riquezas que ainda hoje concentram e que definem o poder, a vida e a morte. Por isso Bolsonaro ainda é presidente. Ele encarna essa degeneração capitalista derivada da escravidão a serviço do mercado mundial, colonizada, a desprezar seu povo, a ignorar vidas, os interesses da Nação, tudo em nome do poder e do lucro. O racismo, o higienismo social e a desigualdade funcionarão como uma foice sobre a classe trabalhadora, e é preciso defender a vida. Por isso, prevenir é vital. 

Não se surpreenda nem ceda, ante a impiedade dos patrões que querem que você se exponha ao adoecimento. Indigne-se e proteja-se, eles realmente não ligam para nada além do lucro.  Valorizemos todo chefe e empresário que entende o drama humano e protege seus trabalhadores, a Frente Ampla precisa deles e o Brasil também. Mas é preciso denunciar todos que põem trabalhadores(as) em risco. A imprensa sindical deve contar a história dessas vítimas da ganância, não apenas do vírus. Mas o primeiro dever é proteger-se, sem encabular-se, sem dúvidas, de máscara e álcool, porque é um vírus, é mister preservar-se da sua contaminação. Ceder ao patrão e adoecer com risco de morte sua e dos seus, vale a pena? Somos trabalhadores e trabalhadoras ou somos escravos e escravas?!

E isso significa exigir condições de trabalho. É preciso que todo trabalhador e trabalhadora se pergunte se as condições de trabalho favorecem ou não o contágio, e lutar para proteger as vidas suas e dos seus clientes. Temos de nos unir com os colegas e impedir a contaminação das pessoas com atitudes individuais e coletivas. Tudo deve ser feito para não adoecer. Enfrente os chefes, mas fuja do COVID 19. Se o Supremo quer tirar os sindicatos da jogada, cabe fortalecê-los, pois podem aconselhar, denunciar, agir. E atualizemos o protocolo de funcionamento de todo lugar de trabalho, para ter novas normas de proteção e segurança no trabalho, para salvar vidas.

Nos próximos dias, tragicamente, veremos explodir a triste realidade do luto que já fere mais de 5000 famílias brasileiras. Pelos exemplos nacionais e pelas características do COVID 19, a exposição das pessoas cobrará um altíssimo preço em vidas humanas. A quebra da quarentena criminosamente promovida por Bolsonaro e pelos grandes capitalistas - sobretudo das finanças - levará uma situação política insustentável, e o abandonar do barco governamental sinaliza o movimento inexorável de inviabilização de Jair Bolsonaro na Presidência. 

A cada expirar e a cada suspirar de pai, mãe, filho e filha, crescerá uma onda imensa de indignação e pavor, que exigirá não apenas a saída de Bolsonaro, que pague por seus crimes, mas também pedirá a união do Brasil para salvar as vidas de milhares de pessoas em risco pela irresponsabilidade, pela vileza e pela loucura de um sociopata posto pela Lava Jato e pela CIA na Presidência do Brasil. Ele ficará isolado como a pestilência que representa, e nós somos desafiados a costurar a mais Ampla Frente de União Nacional, a  estender pontes, a preservar as instituições nacionais e a democracia, unindo forças políticas e sociais que somem para vencer a pandemia e reconstruir o Brasil.


Notas:
MP 927 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv927.htm

sábado, 4 de abril de 2020

Basta de Bolsonaro e luta contra a pandemia unirão o Brasil - Paulo Vinícius Silva

Nos últimos dias, a partir do pronunciamento de Bolsonaro, ensaiou-se um movimento de sustentação do governo, protagonizado sobretudo por setores das Forças Armadas, que aparentemente subestimam algo já inexorável, que levará o Presidente ao caminho da rua, se tudo der certo. Afinal, nos próximos dias, Bolsonaro e o povo brasileiro verão as consequências das suas atitudes irresponsáveis e criminosas face aos riscos de proliferação do COVID19. Não será possível evitar a revolta popular diante da contagem crescente de infectados e mortos e o colapso do sistema de saúde e da economia. Será ainda mais dolorosa e dura a revolta dentre aqueles que perceberem pela pior maneira o que Bolsonaro custará de vidas ao povo brasileiro por sua inépcia, irresponsabilidade e pelo aterrador cálculo político que o impeliu a incentivar atitudes que custarão vidas, em especial dentre aqueles que o ouviram.
Perdi já meu pai e minha mãe, ambos passaram por UTI, embora tenhamos tido a graça e o apoio da CASSI para que minha mãe pudesse partir de sua casa e de nossos braços. É difícil compartilhar a rotina desesperadora de ter um ente querido doente em uma hospitalização e mesmo numa UTI. Não é disso que falo, mas de essa vivência ser compartilhada de modo muito mais duro, e, pior, que a desigualdade social brasileira e o nosso passado escravista se expressem numa equação higienista cruel contra os mais pobres.
A exponencial contaminação promete cenas terríveis, a exemplo do vivido pela população de Guayaquil, no Equador, em que centenas de cadáveres se acumularam nas ruas e nas casas, uma cena de filme de terror que infelizmente tende a se repetir mundo afora.
No nosso caso, a ideologia ultraneoliberal abandonou o país diante da violência da pandemia. O Brasil desde o Governo Temer, viu a destruição de tudo que poderia salvar inúmeras vidas nesse momento. O desmonte do SUS, do Bolsa Família, a destruição da pesquisa científica, o corte de verbas nas universidades e bolsas de pesquisa, a precarização do trabalho, a destruição do Ministério do Trabalho, a Deforma Trabalhista e os decretos genocidas de Bolsonaro simplesmente nos abandonaram a todos e todas diante da pandemia, da pobreza e,
 nesta hora, isso custará inúmeras vidas.
Essa realidade expõe as prioridades e a insensibilidade típicas do capitalismo. O apoio aos bancos é prioridade, mas a exposição das pessoas comuns é até incentivada. Ao contrário, a falta do apoio à economia real, que come, mora, paga as contas, é gritante,  numa despreocupação com as pessoas que, invariavelmente, serão vítimas da destruição da indústria, da precarização do trabalho, do desmonte da máquina pública, da privatização e do rentismo parasitário que colocaram a vida das pessoas em último lugar. E ninguém representa de modo mais caricato essa virulência que o Presidente da república, Jair Bolsonaro. Quem poderá ignorar seus crimes? Quem poderá ignorar a falência assassina do neoliberalismo?
Nesse contexto, a bandeira da Frente Ampla ganha ainda mais importância e peso, para inclusive se estender às Forças Armadas, sem as quais não será possível passar por esse terrível momento que viverá o nosso país. O papel das FFAA é muito maior que a página desse governo lamentável, venal, contra os interesses da Nação. É um erro gigantesco que se apequenem, que se confundam e aceitem chafurdar no charco desse louco, a serviço de interesses forâneos, pequenos, afora toda a loucura.
 Ao contrário, devem separar seu papel decisivo desse momento infeliz da nossa história. Não se trata de uma mera disputa política, mas de que as atitudes criminosas não serão perdoadas, quedarão na nossa História com a indelével marca da infâmia, mais uma, que não deveria tocar as nossas FFAA, tão importantes para o Brasil, para a nossa independência, para o nosso futuro.
Há preocupações muito mais importantes para as FFAA que a caquética defesa do Golpe de 1964,  legitimar erros e crimes do passado, confundir-se com torturadores e canalhas, com crimes cometidos contra a juventude e a democracia. Deveriam preocupar-se mais com preservar o Brasil, sua independência, sua soberania, o respeito mundial de que já fomos objeto. Deveriam presidir as preocupações militares o mais elevado interesse nacional, salvar vidas, preocupações que mais e mais se distanciam da defesa desse governo que ficará para a História como uma página de loucura, de vergonha e de morte.
Assim, só a Frente Ampla abrirá um outro caminho para o país. A solidariedade, a Ciência, o SUS, o papel do Estado, a Indústria, a importância dos bancos e empresas públicas, de nossas Forças Armadas, do Brasil, essas serão as armas que utilizaremos para passar por essa tragédia que viveremos. E será inevitável que cada um e cada uma de nós contabilize quantas vidas terá custado o golpe, o neoliberalismo e a eleição de Jair Bolsonaro. Diante de toda incerteza, duas coisas ficarão: a importância de respeitar a quarentena e a tendência de o Basta Bolsonaro e  a luta contra a pandemia unirem o Brasil numa Frente Ampla indispensável para a salvação nacional.

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