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sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Antônio Carlos Queiroz (ACQ), Jornalista, militante da luta, instigante e divertido, lança hoje, sexta, 18/8, Poemas & Prósias no Sebinho em Brasília às 17h30 *


 Peia por peia, ludopeia!

Jornalista da Velha Guarda na luta contra a ditadura militar, o Antônio Carlos Queiroz (ACQ) resolveu finalmente mostrar o dedo em poesia. 

No próximo dia 18 de agosto, sexta-feira, a partir das 17h30, vai lançar a primeira coletânea de poesias & prósias na Livraria Sebinho, na 406 Norte.



ACQ é leitor e feitor de poemas desde a adolescência em Anápolis, Goiás, mas, “autocrítico em excesso” (tirada assumida de efeito publicitário!), rasgou toda a produção anterior a 2015, por aí. “Ecoei o conselho do Umberto Eco, de jogar no lixo os poemas ruins. Não quer dizer que sejam bons os que agora publico!”, adverte.

– Com qual escola você se identifica?

– Com nenhuma! Mas gosto de dizer que prefiro a companhia do Lucrécio, do Ovídio, do Horácio, da Emily Dickinson, do Drummond – esse tipo de gente. É que também sigo a lição de outro guru, o Millôr Fernandes, que está completando agora o Centenário: em Ciência, leio sempre os livros mais novos. Em Literatura, os mais velhos.

– Melopeia, fanopeia ou logopeia?

– Nada de peia! Hum, talvez a ludopeia... O que importa é a gozação, a ironia, o sarcasmo, pra tornar mais leve a vida e evitar a depressão!

poemas & prósias
Lançamento dia 18 de agosto, às 17h30
Livraria Sebinho, 406 Norte




Hegel na Cozinha



* Divulgação e texto do Autor, com pitacos do Coletivizando.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Canção do Tamoio - Gonçalves Dias - recita Paulo Vinícius Silva


JORNAL DE POESIA (SITE ESPETACULAR)

Gonçalves Dias

Canção do Tamoio

(Natalícia)


I


Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.



II


Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.



III


O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!



IV


Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!



V


E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.



VI


Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D'imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d'ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.



VII


E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!



VIII


Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.



IX


E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.



X


As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

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