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sábado, 13 de outubro de 2018

Mestre Môa do Batendê - o primeiro artista assassinado pelo fascismo de 2018 - Pedro Sanchez - Farofafá



(Foto Instagram @moadokatende)
(Foto Instagram @moadokatende)
O baiano Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Môa do Katendê, tem sido tratado como capoeirista no obituário sobre seu assassinato a facadas por um eleitor de Jair Bolsonaro, numa discussão na madrugada pós-eleitoral de 8 de outubro, em Salvador. Moa é, além disso, o primeiro artista a sucumbir à onda protofascista que emerge das urnas no Brasil de 2018. Compositor ligado a blocos afro como Ilê Aiyê e Badauê, ele foi iluminado nacionalmente primeiro por Caetano Veloso, que gravou uma vinheta de “Badauê” no disco Cinema Transcendental, de 1979: “Misteriosamente/ o badauê surgiu/ sua expressão cultural/ o povo aplaudiu”. (À época, o nome do artista foi grafado como Môa do Catendê.)
Caetano citou o Badauê e o Ilê de Môa noutras canções daquele período, como as espontaneamente antifascistas “Beleza Pura” (“não me amarra dinheiro, não,/ mas elegância/ não me amarra dinheiro, não,/ mas a cultura/ dinheiro não/ a pele escura/ dinheiro não/ a carne dura/ dinheiro não/ moço lindo do Badauê/ beleza pura/ do Ilê Aiyê/ Beleza pura”), também de 1979, e “Sim/Não” (“No Badauê/ gira menina, macumba, beleza, escravidão/ no Badauê/ toda a grandeza da vida no sim/não”), de 1981.
O Ilê Aiyê gravou outro “Badauê” de Môa: “Na Liberdade/ e na cidade/ sua crioulada engalanada/ 100% emocionada/ delirando toda a massa cantando assim/ badauê”. Num contexto ainda mais explícito que o da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, em março passado, Môa foi assassinado pelo barbeiro Pedro Sérgio Ferreira de Santana, militante do PSL de Bolsonaro, após defender voto no PT. Na terça-feira 9, o jornalista Ricardo Boechat disse ao vivo, na BandNews FM, que não vê agressividade na presente campanha eleitoral e classificou o assassinato de Môa do Katendê de “uma bobagem, minha gente”.
Veículos comprometidos com a frente antifascista em formação, como Opera Mundi e CartaCapital, têm publicado material de fundamental importância para o enfrentamento da onda fascista. A mídia internacional já repercute o Mapa da Violência Política elaborado de forma colaborativa a partir do site Opera Mundi.
  • (Este texto foi produzido originalmente para a edição 1.025 da revista CartaCapital.)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Comentário sobre: Um militar que não vota em Bolsonaro - As votações dele Congresso



O depoimento do militar é excelente reflexão sobre o nosso país. É uma reflexão do primeiro turno, mas que reúne importantes lições e polêmicas legítimas sobre os projetos em disputa.
A desqualificação do candidato da extrema direita é escondida por uma campanha midiática sem paralelo na História política do país. Uma campanha que estimula o ódio e a divisão do país e que esconde a diversidade que é a grande força do nosso país. E o primeiro que fazem é impedir o debate pela demonização do outro, num baixo nível doentio e violento. É preciso recuperar a condição do diálogo e da defesa da humanidade.
Isso não implica a concordância com tudo o que ele observa, ainda que reconheça o mérito da lucidez. É absolutamente aceitável discutir os erros do socialismo no século XX. É uma reflexão rica, que já fizemos e estamos bem para o diálogo, temos inclusive um Programa Socialista para o Brasil, que defende as formas mistas de propriedade, o pluralismo, mas sobretudo coloca como primeira tarefa a defesa do Brasil ameaçado pela ganância do imperialismo.
A interdição do debate e o ataque à esquerda se dá por um posicionamento em defesa da soberania brasileira. Defendemos as estatais. Defendemos o gás e a gasolina mais baratos por um preço regulado pela Petrobras que deve fazer a autossuficiência servir ao povo e com transportes públicos de massa eficientes. Defendemos a ELETROBRAS, o BB, a CEF, a Amazônia, o programa do submarino nuclear brasileiro, a modernização das forças armadas brasileiras, defendemos que a base de Alcântara lance o veículo brasileiro e JAMAIS seja entregue aos estadunidenses.

Então, para além do debate moral, comportamental, resta a questão de como é possível desconsiderar a suma importância do debate nacional na vida brasileira. A constituição do nosso Exército e uma das consequências não previstas da Guerra do Paraguai - um ato genocida de nosso país - foi o fortalecimento da luta contra a escravidão, que avançou até a Lei Áurea como corolário da maior mobilização nacional já vista e que é o verdadeiro ato fundacional da Nação Brasileira. Não é à toa que o Hino da Proclamação da República diz:

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar !

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

É a Lei Áurea que se quer abolir.
A terceirização infinita instaura o intermediador de mão-de-obra, em conjunto com a Deforma Trabalhista, acaba por ser o mais brutal ajuste contra os trabalhadores no mundo, precarizando o trabalho, favorecendo os acidentes de trabalho, calote dos empregadores, trabalho intermitente, exposição de mulheres e lactantes ao trabalho insalubre e à culpabilização pecuniária e moral do demandante na justiça do trabalho. Ademais, institui-se a indenização segundo o salário do atingido, e não pelo dano que atingiu a vítima. Diminuiu as multas dos que violam as leis trabalhistas.
É, concretamente, uma lei que favorece as formas de trabalho análogas à escravidão, a precarização do trabalho, à perda de poder aquisitivo de todos e todas, às injustiças no trabalho e à dificuldade de se demandar à justiça, é uma violência que leva a classe trabalhadora brasileira para um patamar anterior à CLT de Getúlio Vargas. A Deforma Trabalhista de Temer que foi votada pelo candidato fascista é a neo-escravidão. e eles acharam um pouco Querem Acabar com 13º salario criar uma carteira sem nenhum direito, será a plena aplicação da deforma Trabalhista de Temer.
Isso implodir área as categorias profissionais e levará a uma perda salarial massiva. A venda do patrimônio público terá um efeito pior do que a mudança da política de combustíveis. Estaremos entregando as principais ferramentas do desenvolvimento nacional construídas por gerações de brasileiros a uma banda de entreguistas, o Brasil está mesmo ameaçado.
O povo brasileiro é uno, a classe trabalhadora não é uma segunda classe. Votar em Haddad 13, votar em Manuela 13, é defender a integridade social da nação brasileira e é defender a democracia, porque a democracia social e política devem andar juntas para fazerem sentido como defesa da Nação Brasileira, feita de gente, de povo.
Mais adiante, debaterei o tema do socialismo.


Haddad 13 - Jingle "Chama que o povo quer" (Eleições 2018)

Pastor Henrique Vieira explica por que o cristão deve rejeitar o ódio de Bolsonazi

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Pastor Ed René Kivitz - Intoleráveis falas de preconceito e de ódio de Bolsonaro - Vídeo


Pastor batista chamou de intoleráveis as falas preconceituosas e os discursos de ódio de Bolsonaro.

Publicado em 02/10/2018.

Pastor Ed René Kivitz. 

Em um culto no último domingo (30) na Igreja Batista da Água Branca (Ibab), em São Paulo, o pastor Ed René Kivitz chamou de intoleráveis aa falas preconceituosas e os discursos de ódio de Bolsonaro, candidato de extrema-direita à presidência da República pelo PSL. Ed abordou as falas por ocasião das eleições que se aproximam e o envolvimento de várias igrejas e líderes no pleito, inclusive apoiando Bolsonaro.

O pastor lembrou do adúltero do rei Davi com Bate-Seba, mulher de Urias, um dos homens do exército dele. Após engravidá-la, tentar fazer com que que Urias acreditasse que o filho dele mesmo e não conseguir, Davi manda seu súdito fiel ao campo de batalha para ser morto. E assim aconteceu, como está relatado no livro de 2 Samuel, capítulo 11. Após isso, Davi tomou Bate-Seba para si, como esposa.

Repreendido por um profeta, Davi estava tão alienado que não conseguiu reconhecer seus próprios erros. Dessa angústia, nasceu o Salmo 51, uma oração do rei Davi a Deus, pedindo desculpas por seus erros e crimes, até um assassinato, pois suas mãos estavam sujas de sangue.

Ed René lembrou que o Davi era um homem “segundo o coração de Deus”, íntimo de Deus, piedoso, mas mesmo assim foi capaz de cometer tais atrocidades.

“Eu me pergunto por que um homem de Deus, um homem íntimo de Deus, piedoso, faz um mal nessas proporções?”

Segundo ele, a resposta está em forças monstruosas que todos temos dentro de nós:

“A palavra de Deus me informa que existem em nós forças, que nos vêm dos nossos antepassados. Forças atávias, que, se não forem mantidas sobre controle, despertam monstros. E nos levam a fazer coisas que só podem ser explicadas porque fomos arrebatados do nosso juízo, da nossa razoabilidade, do nosso senso.”

Isso explicaria também nosso contexto político atual e a aceitação de discursos extremistas, como os de Bolsonaro:

“Os monstros tomaram conta de nós. É isso que a Bíblia chama de tentação, quando a nossa carne assume o controle. Essas forças e esses monstros estão dentro de nós, mas também estão nas nossas sociedades. E os fenômenos sociais fazem com que esses monstros apareçam. E de repente, uma sociedade se torna monstruosa. Estou com muito medo de que isso esteja acontecendo no nosso país.

Sim, estou me referindo ao nosso processo eleitoral, às nossas eleições de domingo e aos monstros que estão soltos na nossa sociedade.”

Ed diz que essas forças estão dentro das igrejas também:

“A violência, a intolerância, os extremismos, os monstros de todos os lados, que são acordados, eles despertam. E esses monstros tomam conta da sociedade, e inclusive da igreja.

Nos já vimos a igreja, por exemplo, comprometida com a Ku Klux Klan. Diáconos e pastores batistas membros de uma seita racista e do movimento de segregação racial nos Estados Unidos. Nós já vimos o Apartheid na África do Sul, e a igreja estava presente sustentando o regime racista. A igreja protestante na Alemanha sustentou o nazismo.”

Por fim, o pastor aborda as falas de Bolsonaro:

“Eu fico chocado com as expressões do Jair Bolsonaro dizendo que ‘o problema da ditadura é que torturou mas não matou, poderia ter matado mais’, ‘não estupraria você porque não merece’. Eu fico chocado com a brincadeira ‘vamos metralhar os petralhas’, com uma criancinha fazendo sinal de revólver.

Fico chocado quando Jair Bolsonaro, no legítimo exercício da sua cidadania, é esfaqueado em praça pública.

Os monstros estão soltos. E estão soltos também entre nós.

O discurso racista, homofóbico, classista, machista, está presente dentro das nossas comunidades.”

Ed afirma que qualquer homem é capaz de qualquer coisa, assim como Davi foi capaz de assassinar um súdito seu, para ter sua esposa.

“A santidade não é um comportamento, não é prática rotineira de atividade religiosa. A santidade é um tipo de coração, é uma postura diante de Deus, um coração quebrantado, que Deus não despreza. É colocar nossos monstros diante de Deus e pedir misericórdia, que apague nossas transgressões, para que não nos abandone.”

Assista à pregação na íntegra abaixo.

Vídeo – Santidade como quebrantamento




Pastorais da Igreja católica recomendam propostas para escolher candidatos nas Eleições de 2018


"Neste momento dramático, em que estão em risco o presente e o futuro de nossa nação, não podemos “lavar as mãos”, nos omitir, nem buscar refúgio na neutralidade.

O momento exige solidariedade com os empobrecidos, oprimidos e marginalizados.

Para tanto, propomos construir um programa que seja uma referência e orientação para nossa gente nas eleições e que possa movimentar a espiral de cidadania e do bem comum.

Entre esses pontos, as entidades signatárias propõem:

1° Revogação das mudanças aprovadas na CLT que retiram direitos trabalhistas.

2° Reversão das privatizações executadas e fortalecimentos das empresas públicas.

3° Revogação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos sociais por 20 anos.

4° Realização de uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública, que consome aproximadamente metade de todo o orçamento público brasileiro.

5° Realização de Reforma Tributária que combata a desigualdade, taxando as grandes fortunas, as grandes heranças, os dividendos de grandes empresas e do sistema financeiro. Reversão das isenções fiscais e do perdão de dívidas e cobrança dos impostos devidos por grandes empresas.

6° Retomada dos programas sociais nos moldes anteriores a 2016, reforçando-os e universalizando-os. Denúncia da partidarização e seletividade do judiciário.

7° Respeito à presunção da inocência e a Constituição que garante que a prisão somente deve ocorrer quando todos os recursos e instâncias tenham se esgotado.

8° Mobilizar a sociedade para uma ampla Reforma do Estado, que estimule mecanismos de participação direta, promova a democratização e a pluralidade dos meios de comunicação e garanta o pleno respeito aos direitos humanos.

9° Implementação do direito a demarcação das terras indígenas e quilombolas e realização de uma reforma agrária ampla e popular, com incentivos à produção agroecológica e agroflorestal e à comercialização de alimentos saudáveis para toda a população brasileira."

Assinam:

Cáritas Brasileira

Comissão Brasileira Justiça e Paz

Comissão Pastoral da Terra

Conferência dos Religiosos do Brasil

Conselho Indigenista Missionário

Conselho Nacional do Laicato do Brasil

Conselho Pastoral dos Pescadores

Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social

Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA)

Pastoral Carcerária

Pastoral Operária

Serviço Pastoral do Migrante

Comunidade Vicentina Chama de Amor.

sábado, 21 de julho de 2018

Fica a Dica do PCdoB: vamos de mãos dadas - Paulo Vinícius Silva

Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Drummond





Manuela Dávila, do PCdoB


O PCdoB tem uma longa tradição de construção da unidade não só na esquerda, mas com nacionalistas e democratas. O chamado para a criação da Frente Brasil Popular de 1989 foi feito pela sigla, num gesto de grandeza em apoio à candidatura de Lula. Mas também a Constituinte, a Redemocratização e a vitória de Tancredo, a vitória de JK, tiveram lá a contribuição dos comunistas do Brasil, que buscam ser consequentes, seguir o conselho do Marx, no Manifesto Comunista, que completou 170 anos: lutar no presente com a cabeça no futuro do movimento. Ver longe. O Comitê Central do PCdoB adotou uma resolução justa, cirúrgica, ajustada ao momento de confusão e ameaça que vivemos. Mais que isso, a resolução é funcional, orienta o conjunto das ações de todos e todas as militantes na reta decisiva das coligações. E nos dá liberdade para agir.

O Partido é muito habilidoso, tem conteúdo, seus quadros são notáveis e tem princípios, como sempre se mostrou na solidariedade ao Ex-Presidente Lula - sempre. Reflete num momento grave de união da direita golpista e dispersão do povo. Age com a sensibilidade e a responsabilidade que o momento exige. E foi cristalino ao apresentar seu projeto, é muito importante o avanço eleitoral do PCdoB como parte de uma vitória do povo brasileiro e da nossa democracia.




Treino é treino, jogo é jogo, e o que se poder perder é o futuro do Brasil, da democracia, uma vida de privações para nosso povo. Vamos por toda parte dialogar pela unidade da esquerda, dos nacionalistas, democratas, já no primeiro turno para salvar o Brasil.

A Frente Ampla exige o entendimento da esquerda, representada nas candidaturas de Manu, Lula, Ciro e Boulos para a partir daí unir o Brasil e vencer o golpe. Então, essa clareza é material finíssimo para a luta política nas próximas semanas.

Vamos trabalhar pela unidade, rejeitar provocações e arroubos, o momento é de paciência, mobilização, responsabilidade. Nossa Pré-candidata, a querida camarada Manuela Dávila seguirá nos orgulhando a cada gesto, construindo a política desse coletivo que se afirma no cenário nacional como o que é: uma força já quase secular, mas que renova a política brasileira, força nacionalista, da classe trabalhadora, das mulheres e da juventude. Como foi acertado ter lançado Manu e ver a importância do papel que tem assumido e tanto há para fazer!




Eu acredito que é possível unir, é possível vencer, como diz o PCdoB. O povo unido jamais será vencido. É essa união que permitirá à maioria do povo entender o perigo e salvar o nosso país pela democracia.

Confira na íntegra:
PCdoB faz chamado a PT, PDT e PSB à unidade

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Vídeo - 20ª Conferência dos Bancários - Falei pela CTB sobre as eleições de 2018 - Rosolução



RESOLUÇÃO 
As delegadas e os delegados eleitos e reunidos na 20ª Conferência Nacional dos Bancários, reforçam a importância do respeito à democracia, da realização das eleições 2018 e orientam a escolha de candidatos comprometidos com a classe trabalhadora. 
Isso significa candidatos à Presidência da República que se comprometam 
com a revogação da reforma trabalhista, 
revogação da PEC da Morte, 
da revogação da lei das terceirizações e 
em defesa das empresas públicas, da democracia brasileira e da soberania nacional. 
Também candidatos que se posicionem contrários à criminalização da política e dos movimentos sociais e sindical.

ELEIÇÕES 2018: POR UM CONGRESSO NACIONAL COMPROMETIDO COM O POVO 

Pela revogação da reforma trabalhista, pelo direito à aposentadoria, em defesa das empresas públicas, da democracia e da soberania nacional

Em 2017, quase 200 mil estudantes matriculados abandonaram o ensino superior. E este ano, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, teve 1,2 milhão de inscritos a menos.

O Brasil tem atualmente quase 14 milhões de desempregados. Ao todo, são 27,7 milhões de pessoas com força de trabalho subutilizada. Se comparado com 2014, o número de desempregados cresceu 94,2%, o que significa que há 6,6 milhões de pessoas a mais procurando emprego no país desde o golpe por meio do qual Michel Temer (MDB-SP) assumiu o governo no Brasil. São 4,6 milhões os trabalhadores que sequer têm forças para procurar uma vaga no mercado de trabalho, depois de meses e meses de tentativas frustradas. A maioria (60,6%) vive na região Nordeste, onde estão 2,8 milhões dos desalentados.

Desalento é a palavra que hoje, talvez, melhor defina o povo brasileiro, antes conhecido por sua alegria e disposição de viver. Mas isso é passado e o que vemos hoje é um país que voltou atrás, 20 anos em dois. Um país onde não há emprego, onde não há estudo, onde a crueldade sob a alcunha de austeridade fiscal mata. A taxa de mortalidade na infância (proporção de óbitos de menores de 5 anos para cada mil nascidos vivos), que durante de mais de uma década teve quedas consecutivas, subiu 11% em 2016, em comparação com o ano anterior.

Enquanto isso, seis milionários brasileiros têm a mesma riqueza que 50% dos mais pobres no país.

Já somam 40% os municípios brasileiros que não contam com uma agência bancária. E em muitos onde ainda há esse serviço, prestado prioritariamente pelos bancos públicos, já não chega mais dinheiro. Cidades abandonadas, desemprego que assombra.

O resultado do golpe, para onde quer que se olhe, é mais pobreza, o estrangulamento do desenvolvimento nacional, o aumento do desrespeito aos direitos dos trabalhadores, dívidas interna e externa em alta, o caos.

Quando da última eleição, mesmo antes do golpe, o perfil dos eleitos dava uma ideia, ainda que distante da terrível realidade vivida agora, do país que teríamos. A bancada de deputados federais que defende a causa dos trabalhadores caiu quase pela metade. Levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em outubro de 2014, identificava que os eleitos pela classe trabalhadora diminuíram de 83 representantes para 46. E que do outro lado, a
bancada empresarial contaria com 190 parlamentares.

O resultado foi visto ao longo dos últimos anos, com medidas que praticamente inviabilizaram o governo de Dilma Rousseff. Foi esse Congresso – majoritariamente patronal e com bancadas relacionadas a igrejas (“da bíblia), avessas aos direitos humanos (“da bala”), ex-jogadores de futebol (“da bola”) e ruralistas – que votou, em 2016, o impeachment da presidenta eleita.

As consequências foram nefastas para a sociedade brasileira, com o avanço de ditas reformas que na verdade estão levando ao desmonte de setores estratégicos da economia nacional.

Assim, foi aprovada a toque de caixa, em dezembro de 2016, a Emenda Constitucional 95, devidamente apelidada de PEC da Morte, por meio da qual foram congelados por 20 anos os investimentos nas áreas de Saúde, Educação, infraestrutura. Vai faltar dinheiro também para a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos que vão para a mesa do povo brasileiro. E para programas de combate à violência contra a mulher – isso em um país que registra uma agressão contra elas a cada quatro minutos.  Outro ataque frontal à maioria do povo brasileiro foi a “reforma” trabalhista. A lei 13.467, sancionada em julho do ano passado, praticamente rasga a CLT, retirando direitos e reduzindo a força do movimento sindical. Entre as mudanças, autorização para o trabalho intermitente e temporário, liberação da terceirização, fim das homologações nos sindicatos, prevalência do negociado sobre o legislado, o que possibilita o desrespeito a conquistas históricas dos trabalhadores.

O governo tentou ainda promover uma reforma da Previdência, por meio da PEC 287 protocolada em dezembro de 2016. As mudanças praticamente extinguiam o direito à aposentadoria, inviabilizando a Previdência pública e penalizando principalmente os que ingressaram mais cedo no mercado de trabalho, os mais carentes. Os movimentos sindical e social se uniram e conseguiram barrar a proposta até agora. O decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro, de fevereiro de 2018, suspendeu as votações de Proposta de Emenda Constitucional até dezembro deste ano. Esse é o cenário em que se darão as campanhas salariais do segundo semestre de 2018, quando ocorrerão também as eleições que definirão o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O PCdoB acerta e muda o jogo: Manuela Pré-Candidata a Presidenta - Paulo Vinícius Silva

O PCdoB acerta ao lançar Manuela Pré-Candidata a Presidenta da República. Esse gesto, absolutamente normal para um Partido (ter candidato), anunciado há tempos, causa surpresa pelo significado e pela sua própria qualidade. Denota uma realista análise de impossibilidade de unificação de esquerda no primeiro turno, qualifica a disputa, que estava até agora num nível da rede de esgoto. O PCdoB demonstra autonomia e desejo de protagonismo e formulação na unidade da esquerda, dos democratas e patriotas. Essa formulação já é um diferencial: o PCdoB propõe uma Frente, mas uma Frente Ampla.

Como expressão do PCdoB, teremos essa jovem mãe, guerreira, política experiente e habilíssima, brilhante, umas das melhores oratórias do Brasil. Ela expressará magistralmente a política do PCdoB, política complexa, mas combativa, radical, mas com capacidade de diálogo respeitoso e democrático. Será uma mensagem em defesa do Brasil, da Democracia e das conquistas do povo. Quando uma tão necessária mensagem encontra porta-voz à altura, isso é mais que alvissareiro. O resultado imediato é o impacto na cena política. O fato teve ampla repercussão, e isso é, de saída, uma vitória, um tento da Presidenta Luciana Santos e do Comitê Central dos comunistas, que mostram possuir uma nova geração disposta a ousar nas lutas que antecedem à comemoração do Centenário do PCdoB em 2022.

Manu vai dar trabalho e eleva o potencial eleitoral do PCdoB em um momento grave e urgente da luta pela democracia, que tem como uma de suas colunas a legalidade dos partidos de esquerda, e do PCdoB, o mais antigo, ameaçados pelas maquinações da maioria no Congresso, que joga com todas as cartas na Reforma Política e na cláusula de barreira.

Manuela e o PCdoB são necessários para o debate da esquerda e do Brasil. Manuela debaterá o Brasil, a Democracia, os direitos do povo, a juventude.Significa uma grande vitória tê-la como candidata pelo significado para as mulheres, para a luta contra o ódio; será uma coisa linda de se ver.

O PCdoB terá de revolucionar suas campanhas eleitorais nessa experiência eleitoral alvissareira. Treino é treino, mas, agora, jogo é jogo. Que bote em campo um símbolo da juventude e das mulheres - como é a camarada Manuela Dávila - , mostra habilidade, ousadia, sabedoria.

Quanto à unidade? É a bandeira da esperança. Mas fazer unidade é bicho enjoado, dá trabalho. E a primeira condição para a unidade é o respeito, reconhecer o outro como igual, e também constituir relações políticas democráticas, sem hegemonismo, para unificar programas; vai muito além de ter inimigos comuns. Há diversos graus de unidade. Atualmente não existe esse ente unificador de uma Frente Política, Social e Eleitoral. Não somos o Uruguai. E nem o PCdoB rompe nada, só atua com realismo político ante a incerteza na eleição de 2018, as exigências da cláusula de barreira, o baixo nível do debate político e o esgotar de todas as gestões que tem feito há cerca de 30 anos pela constituição de uma Frente Popular.

Mais que uma ruptura, o gesto ilustra tirocínio político e uma novidade para a construção da UNIDADE na esquerda, que agora passará pela voz ativa dos comunistas no conjunto das Forças de que possam compor a Frente Ampla, e que pode ocorrer em qualquer dos turnos da eleição de 2018. O PCdoB, que sempre apoiou o PT, de saída, quer ser ouvido, e não apenas pelo PT, ou pela esquerda. O PCdoB quer falar ao Brasil.

Fala, Manuela, o Brasil vai te ouvir.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CNBB recebe Coalizão por Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e prepara ações

Entidades debatem Reforma Política Democrática - Portal CTB             
A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas realizou na manhã desta quinta-feira (04), na sede da CNBB, em Brasília, uma reunião com as entidades que a compõem, onde foi apreciado e aprovado o texto-base com a proposta de reforma politica da sociedade.
O trabalho desempenhado pela Coalizão, mediante a articulação de mais de cem entidades da sociedade civil, resultou em um abaixo-assinado com 900 mil assinaturas de apoio ao Projeto de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática.

Na reunião de hoje, participaram a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UNE (União Nacional de Estudantes), Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), Auditoria Cidadã da Dívida, CONAM (Confederação Nacional das Associações de Moradores), MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia), CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares), Aldo Arantes e Roberto Amaral

Representando a CTB, Paulo Vinícius (PV) defendeu ampliação dá coalizão e ampliação do diálogo com as frentes. Ele destacou a necessidade de estabelecer o vínculo entre o voto dos deputados contra o povo e a estrutura do sistema político atual. “Sem mudar a politica, a tendência é o povo seguir sub-representado. Por isso, o papel dos trabalhadores na política é cada vez mais importante”, afirmou PV.
O dirigente sindical também falou da ameaça à democracia em tempos de golpe e a necessidade de atenção sobre a eleição de 2018, que só será democrática se houver mobilização popular que impeça o tapetão ou coisa pior. Além disso, Paulo Vinícius defendeu a necessidade de unificação da luta pela reforma política e em defesa da democracia e da Constituição de 1988.

Griôs: Francisco Urbano (CONTAG), Roberto Amaral (ex-vice da UBES, meu conterrâneo, ex-Presidente do PSB) e Aldo Arantes, o maior Presidente da História da UNE, o pai da lei do Grêmio Livre.

“Querem destruir direitos dos trabalhadores, a previdência e impor precarização sem limites. A centralidade da reforma política democrática com eleições limpas para a renovação do congresso que o povo quer seja feita com trabalhadores, mulheres e jovens é urgente”, finalizou PV.

De Brasília, Sônia Corrêa – Portal CTB

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