SIGA O COLETIVIZANDO!

Mostrando postagens com marcador Jovens trabalhadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jovens trabalhadores. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de abril de 2015

Ator Bemvindo Sequeira - Sem a luta dos trabalhadores a gente moraria em cavernas e trabalharia 14 horas por dia - Brasil de Fato

Brasil de Fato


Foto: Pablo Vergara

O ator Bemvindo Sequeira fala sobre a polêmica lei da terceirização; Segundo ele, chegamos ao esgotamento de um modelo "Como resolve isso? Com reformas", pontuou

09/04/2015

Por Fania Rodrigues,

Do Rio de Janeiro (RJ)

Ator consagrado nos palcos e na TV, Bemvindo Sequeira quase foi batizado como Alegria, não fosse o pai mudar de ideia na última hora. Ainda assim nasceu com dom de fazer graça. Seu humor, seu senso crítico apurado e, claro, o talento de ator lhe renderam papeis como o "Seu Brasilino", da Escolinha do Professor Raimundo, e os personagens "Zebedeu", na novela Mandacaru, e "Bafo de Bode", na novela Tieta. Desde 2006 o artista trabalha na Record.

Mas Bemvindo Sequeira também é conhecido por seu engajamento político e sua defesa aos direitos dos trabalhadores. Participou da elaboração da lei que regulou a profissão de artista e técnico de espetáculos, em 2010, e foi o primeiro profissional a ter seu registro na Delegacia Regional do Trabalho do estado da Bahia, há 40 anos. É para falar sobre os direitos trabalhistas e a lei da terceirização que o ator concedeu uma entrevista esta semana ao Brasil de Fato.

Brasil de Fato – Como você avalia essa lei da terceirização da força de trabalho?

Bemvindo Sequeira - A terceirização é ruim para o trabalhador, ele perde direitos e, muitas vezes, o vínculo com o sindicado e sua categoria. Por exemplo, eu trabalho para a Record há quase 10 anos e estou filiado ao sindicato dos artistas. Se a emissora resolver contratar uma empresa da indústria do cinema e fazer uma novela com atores terceirizados vamos ter que recorrer ao sindicado da indústria cinematográfica. Isso vai desarticular a luta sindical por melhores salários. E esse é apenas um dos problemas.

Brasil de Fato – Que impacto isso pode gerar para o trabalhador e a economia?

Essa medida vai resultar no aumento do desemprego, da rotatividade nos postos de trabalho, porque a empresa perde esse vínculo direto com o empregado, queda nos salários, e até modificação na lei trabalhista e perda de conquistas acumuladas desde o presidente Getúlio Vargas.

Brasil de Fato – Existe por parte dos empresários uma pressão muito grande para ampliar ainda mais os setores onde podem atuar com mão de obra terceirizada. Quais são as razões dessa pressão?

O empresário quer lucro. O único objetivo do capital é aumentar as taxas de lucratividade, ele não tem nenhuma função social. Se não fosse a luta dos trabalhadores a gente ainda estaria morando em cavernas e trabalhando 14 horas por dia.

Brasil de Fato – Os empresários reclamam dos autos impostos trabalhistas, que acaba afetando o pequeno e médio empregador também. Qual sua opinião sobre o tema?


É claro que a gente precisa modernizar as relações de contratação. Não é possível que os tributos continuem tão altos. Mas o que está acontecendo é que o empresário quer aliviar suas costas à custa do trabalhador. Isso é o que não pode acontecer. Se a Federação das Indústrias é a favor dessa lei da terceirização, se os patrões são a favor, nós, os trabalhadores, temos que ser contra, pois está na contramão dos nossos direitos.

Brasil de Fato – Qual a solução então?

Chegamos ao esgotamento de um modelo. Como resolve isso? Com reformas. Se não houver reforma agrária, tributária e política não vamos avançar. E se a burguesia e a elite conservadora têm a hegemonia no Congresso, então nós precisamos nos mobilizar.

sábado, 11 de abril de 2015

CTB DF, DIEESE e DIAP promovem debate sobre PL da Terceirização no dia 15/04 em Brasília

PALESTRA/DEBATE
PL 4330 - TERCEIRIZAÇÃO SEM LIMITES: ATAQUE AOS DIREITOS DOS TRABALHADORES(AS), 
Dia 15/04, quarta-feira, às 18h30, com teto às 21h30.
Palestrantes: 
Lilian Arruda - Assessora Técnica do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos) e Marcos Verlaine, jornalista e assessor do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. 

Local: CTB/PASSI SRTVS 701, BL I, LT 19, SL 7, Asa Sul, Edifício Palácio da Imprensa. Brasília -DF

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

IBGE: Em nove anos, aumenta a escolaridade e o acesso ao ensino superior - dados importantes sobre a juventude, educação e emprego


  • Barbara Cobo, coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, durante a coletiva da Síntese de Indicadores Sociais (ISIS) 2014 
 Baixe o material de apoio da Síntese dos Indicadores Sociais

SIS 2014: Em nove anos, aumenta a escolaridade e o acesso ao ensino superior


A escolaridade média da população de 25 anos ou mais aumentou entre 2004 e 2013, passando de 6,4 para 7,7 anos de estudo. Esse incremento foi mais intenso entre os 20% com os menores rendimentos, que elevaram de 3,7 para 5,4 os seus anos de estudo. Entre 2004 e 2013, a proporção de pessoas da faixa etária 25 a 34 anos com ensino superior praticamente dobrou, passando de 8,1% para 15,2%. Porém, o percentual é o menor, se comparado aos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).No mesmo período, os estudantes que fazem parte dos 20% com os maiores rendimentos (5°quinto) deixaram de ser maioria tanto nas universidades públicas (38,8%) quanto nas particulares (43,0%), aumentando o acesso a esse nível de ensino dos demais estratos de renda, inclusive dos mais pobres. Em 2004, apenas 1,7% dos estudantes do ensino superior pertencentes aos 20% com os menores rendimentos (1° quinto) frequentavam universidades públicas. Em 2013, essa proporção chegou a 7,2%. Por outro lado, os estudantes do ensino fundamental regular de 13 a 16 anos de idade que faziam parte do quinto mais pobre possuíam taxa de distorção idade-série 3,3 vezes maior do que a taxa dos 20% mais ricos (5°quinto), fazendo com que o atraso escolar afetasse mais da metade desses estudantes (54,0%) em 2013. Em 2004, a distância entre essas taxas para o 1° quinto e o 5° quinto era ainda maior (4,3 vezes).

É o que revela o estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2014, que mostra, ainda, que, apesar de avanços, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda persiste, principalmente quando a jornada de trabalho é conjugada aos afazeres domésticos. Entre as mulheres ocupadas de 16 anos ou mais, 88% realizavam afazeres domésticos, enquanto, entre os homens, este percentual era 46%. As mulheres tinham uma jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens (20,6 horas/semana). Considerando a jornada no mercado de trabalho e aquela com a realização de afazeres domésticos, a jornada feminina semanal era de 56,4 horas, superior em quase 5 horas à masculina.

A SIS também detectou mudanças nos arranjos familiares entre 2004 e 2013, período em que houve redução na proporção de casais com filhos e aumento dos sem filhos, além do aumento dos arranjos unipessoais.O estudo mostra ainda que, em 2013, no Brasil, em 25,7% dos domicílios urbanos alugados (ou 5,2% do total de domicílios urbanos), o aluguel ultrapassava 30% do rendimento domiciliar.

A SIS 2014 tem como principal base de informações a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, além de fontes de dados como o Censo Demográfico 2010, a Projeção da População do Brasil por sexo e idade 2013, além de bases de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação, e Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Seus resultados completos estão disponíveis no link http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2014/default.shtm.

Aspectos demográficos: 28,4% das adolescentes de 15 a 17 anos de idade com ao menos um filho estavam na escola em 2013

Em 2013, 38,4% das mulheres de 15 a 49 anos não tinham filhos. Nessa mesma faixa etária, enquanto 41,5% das mulheres brancas não eram mães, para as pretas ou pardas o percentual era de 35,8%. Entre as mulheres de 25 a 29 anos, ocorria a maior diferença entre as brancas (48,1%) e pretas ou pardas (33,8%) que não eram mães. A proporção de mulheres entre 45 e 49 anos e sem filhos foi de 8,2% para aquelas com menor escolaridade e 15,1% entre as mais escolarizadas. Entre as mulheres de 15 a 17 anos que não tinham filhos, 88,4% estavam estudando, enquanto entre as mães, apenas 28,4% estudavam.

Em 2013, a proporção dos jovens de 15 a 29 anos que só estudavam foi de 22,7%. O percentual daqueles que trabalhavam e estudavam foi de 13,0% e aqueles que só trabalhavam foi de 44,0%. Em 2013, praticamente um em cada cinco jovens nessa faixa etária não frequentava escola nem trabalhava. No grupo de 15 a 17 anos, esta proporção foi de 10,2%, entre aqueles com 18 a 24 anos, chegou a 24,0%, e para aqueles com 25 a 29 anos, 21,8%. Entre os que não trabalhavam ou estudavam, 45,8% residiam no Nordeste ou no Norte. Além disso, 62,9% eram pretos e pardos, uma participação maior do que a desse grupo no total de jovens (56,1%).

Para as mulheres que só estudavam, 7,1% tinham ao menos um filho. Entre aquelas que trabalhavam e estudavam, essa proporção foi de 14,4%. Já entre as que somente trabalhavam, esse indicador se eleva a 44,0%, enquanto para aquelas que não trabalhavam nem estudavam, 57,1% tinham ao menos um filho nascido vivo.

Grande parte (44,8%) dos jovens que não trabalhavam nem estudavam vivia em domicílio cujo rendimento mensal domiciliar por pessoa não ultrapassava meio salário mínimo.

Entre os jovens que não trabalhavam nem estudavam, 26,3% procuraram por trabalho na semana de referência da PNAD (de 22/09/2012 a 28/09/2013), sendo 36,6% dos homens e 21,6% das mulheres.

Famílias: Uma em cada cinco famílias são formadas por casais sem filhos


De 2004 a 2013, entre os principais tipos de arranjos familiares encontrados pela PNAD, houve redução de 13,7% na proporção dos casais com filhos (de 50,9% para 43,9%), enquanto a proporção de casais sem filhos cresceu 33,0% (de 14,6% para 19,4%). Essas mudanças também podem ser notadas através do crescimento de 35,0% na proporção de arranjos unipessoais (de 10,0% em 2004 para 13,5% em 2013). Em 2013, 61,7% dos arranjos unipessoais eram compostos por pessoas com 50 anos ou mais. Em 2004 eram 57,4%.

Em 2013, a participação de casais DINC (do inglês double income and no children, ou seja, casais sem filhos em que ambos têm rendimentos) no total de casais sem filhos era de 19,9%. O Sudeste apresentou a maior proporção (23,2%) e o Norte, a menor (12,0%).

Geração Canguru: um em cada quatro jovens com 25 a 34 anos vive com os pais


O prolongamento da convivência familiar entre pais e filhos originou o termo “geração canguru”, pessoas de 25 a 34 anos que ainda vivem na casa dos pais. Entre 2004 e 2013, a proporção de indivíduos nessa condição subiu de 21,2% para 24,6%. No Sudeste, o indicador chegou a 26,8%. As taxas de ocupação desses indivíduos são elevadas (90,7%), embora um pouco mais baixas do que a média deste grupo etário (93,1%). Por outro lado, a geração canguru possui maior escolaridade média (média 10,9 anos de estudo), indicando que a opção de viver na casa dos pais pode estar ligada à maior dedicação aos estudos. Quanto maior o rendimento familiar per capita, maior a presença de jovens de 25 a 34 anos vivendo com os pais. Na região metropolitana de Fortaleza, por exemplo, 21,9% dos arranjos familiares com renda familiar per capita de mais de 2 salários mínimos possuíam jovens de 25 a 34 anos de idade na condições de filhos. Por outro lado, na faixa de ½ salário mínimo, essa proporção era de apenas 9,4%.

Educação: Enquanto 84,3% dos jovens de 15 a 17 anos frequentavam escola, pouco mais da metade estava no ensino médio

A elevada frequência escolar bruta dos jovens de 15 a 17 anos (84,3%) não significa que eles estavam no nível adequado à faixa etária. As proporções dos que frequentavam o ensino médio subiu de 44,2% em 2004 para 55,2% em 2013, elevando a taxa de frequência escolar líquida. Com isso, caiu a proporção desses jovens no ensino fundamental, reduzindo de 34,7% em 2004 para 26,7% em 2013. Nessa faixa etária, os brancos possuíam uma taxa de frequência escolar líquida 14,4 pontos percentuais acima dos jovens pretos ou pardos (49,3%). As mulheres tinham frequência escolar líquida 9,9 pontos percentuais maior do que a dos homens (50,3%).

A distorção idade-série atingia quase metade dos estudantes de 13 a 16 anos em 2004 (47,1%) e 41,4% em 2013, totalizando cerca de 3,7 milhões de estudantes. Em 2013, as regiões Norte (55,2%) e Nordeste (52,2%) tiveram as maiores taxas. A proporção dos estudantes com atraso no ensino fundamental era mais elevada entre os da rede de pública, homens, residentes em área rural e de cor preta ou parda. Os 20% mais pobres da distribuição do rendimento mensal familiar per capita nacional (1° quinto) possuíam taxa de distorção idade-série 3,3 vezes maior do que a taxa dos estudantes pertencentes aos 20% mais ricos (5° quinto), fazendo com que o atraso escolar afetasse mais da metade daqueles estudantes (54,0%). Em 2004, a distância entre essas taxas para o 1° quinto e o 5° quinto era ainda maior (4,3 vezes).

Estudantes com maiores rendimentos deixam de ser maioria nas universidades


Em relação ao ensino superior, houve redução da participação dos estudantes que fazem parte dos 20% mais ricos (5°quinto) entre 2004 e 2013 nas duas redes de ensino. Em 2004, eles representavam 55,0% dos estudantes da rede pública e 68,9% da rede privada. Em 2013, esses valores caem para 38,8% e 43,0%, respectivamente. Com isso, os estudantes do quinto com maiores rendimentos deixaram de ser maioria nas duas redes do ensino superior, aumentando o acesso à educação de pessoas dos demais estratos de rendimento, inclusive dos mais pobres.

Em 2013, 55,0% dos estudantes de 18 a 24 anos de idade frequentavam o ensino superior, enquanto, em 2004, 32,9% desses estudantes estavam no nível de ensino recomendado para a sua faixa etária. Essa adequação da idade em relação ao curso frequentado ainda é desigual dependendo da cor ou raça do estudante. Enquanto do total de estudantes brancos de 18 a 24 anos, 69,4% frequentavam o ensino superior, apenas 40,7% dos pretos ou pardos cursavam o mesmo nível. Essa proporção continua sendo menor do que o patamar alcançado pelos jovens brancos em 2004 (47,2%).

Em 2013, 31,0% dos jovens de 18 a 24 anos de idade não haviam concluído o ensino médio e não estavam estudando, representando uma queda de 7,6 pontos percentuais nos últimos nove anos. A taxa média de abandono escolar precoce entre os jovens dessa faixa etária nos 28 países membros da União Europeia em 2013 foi de 12,0%. Em 2013, o abandono escolar precoce atingia cerca de metade dos jovens de 18 a 24 anos de idade pertencentes ao quinto mais pobre (50,9%) enquanto no quinto mais rico essa proporção era de apenas 9,8%.

Na comparação com os países membros da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil possui a menor proporção de pessoas com ensino superior na faixa de 25 a 34 anos. Entretanto, nos últimos nove anos, essa proporção praticamente dobrou, se comparada com a de 2004, passando de 8,1% para 15,2%, em 2013.

A escolaridade média da população de 25 anos ou mais aumentou de 2004 a 2013, passando de 6,4 para 7,7 anos de estudo completos. Apenas 41,8% das pessoas dessa faixa etária alcançaram 11 anos de estudo ou mais. O incremento de escolaridade foi mais intenso para o quinto de rendimento inferior, cujo aumento foi de 45,9%, enquanto o quinto superior apresentou uma elevação de 9,2% na média de anos de estudo entre 2004 e 2013.

Trabalho: Taxa de formalização é a maior desde 2004

Em 2013, o mercado de trabalho teve a mais elevada taxa de formalização (58,0%). Há nove anos, a taxa não chegava à metade da população ocupada (45,7%). Norte e Nordeste registraram, em 2013, percentuais de formalização abaixo da média nacional na década passada (40,2% e 39,7%, respectivamente). Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste apresentaram os maiores percentuais de pessoas em trabalhos formais (67,4% e 67,8%, respectivamente).

Em 2004, o número de trabalhadores formais era de 37,4 milhões. Em nove anos, esse número aumentou 47,8%. Já a população ocupada em trabalhos informais teve uma redução de 10,1%, passando de 44,5 milhões para 40 milhões (42,0%) Entre as pessoas em trabalhos informais, 62% tinham até oito anos de estudo, mais de 70% eram empregado sem carteira ou por conta-própria e 27% estavam na agricultura.

Mulheres, pretos e pardos, jovens e idosos são grupos significativos no trabalho informal


O perfil das pessoas em trabalhos informais indica uma proporção um pouco maior de mulheres nesta condição (42,7%). Contudo, a distância entre as taxas por sexo se reduziu nos últimos anos. Em 2004, o percentual de homens e mulheres em trabalhos informais era 52,6% e 56,7%, respectivamente. Em 2013 essa diferença era cerca de um ponto percentual (41,5% e 42,7%, respectivamente). Em 2013, cerca de 45% dos jovens de 16 a 24 anos ocupados estavam em trabalhos informais. Entre os idosos no mercado de trabalho este percentual era ainda maior (69%). Quase metade das pessoas de 16 anos ou mais de cor preta ou parda ocupadas estavam em trabalhos informais (48,7%). Na população ocupada branca, este percentual era de 34,7%.

Em 2013, o rendimento médio da população ocupada em trabalhos informais correspondia a 57% do rendimento da população ocupada em trabalhos formais. No Piauí, essa relação foi de 36%, a maior desigualdade entre todos os estados. Nos últimos nove anos, a desigualdade caiu, pois a variação do rendimento médio dos informais foi de 51,8%, percentual superior ao dos formais (26,7%). O maior avanço do rendimento médio da população ocupada em trabalhos formais ocorreu na região Nordeste (34,6%). No Rio Grande do Norte, a variação foi a mais elevada do país (54,4%). No caso da população ocupada em trabalhos informais, a maior variação do rendimento médio foi na região Centro-Oeste (62,8%).

Menos de um quarto dos empregados sem carteira contribui para a previdência social
Os empregados sem carteira de trabalho assinada, os trabalhadores domésticos sem carteira e os trabalhadores por conta-própria contabilizavam quase 40% da força de trabalho e uma parcela reduzida desse grupo buscava a previdência social de forma individual Dentre os empregados sem carteira, 22,3% contribuíram para a previdência social. No caso dos trabalhadores domésticos sem carteira e trabalhadores por conta-própria os percentuais eram 11,9% e 25,6%, respectivamente.

Os empregados sem carteira e os trabalhadores por conta-própria somavam 33,6 milhões de pessoas e se assemelham por apresentar baixa formalização e um dos menores rendimentos médios, acima apenas dos trabalhadores domésticos. Tem–se que 44% dos empregados sem carteira estavam no setor de serviços, sendo que entre as mulheres este percentual chegava a 67,6% Com relação ao perfil educacional, quase 60% dos homens tinham até o ensino fundamental e cerca de 73% das mulheres tinham mais de 8 anos de estudo. O trabalho por conta-própria é uma categoria cujo sexo do trabalhador influencia no perfil deste segmento, pois o trabalho é inerente à formação de cada pessoa. Dessa maneira, tem-se que 51% dos trabalhadores por conta-própria do sexo masculino estavam nos setores agrícola e construção; por outro lado, havia uma concentração de 69,2% das trabalhadoras por conta-própria nos setores de comércio e serviços

A desigualdade de rendimentos entre mulheres e homens na categoria de conta-própria era mais elevada que entre os empregados sem carteira. As mulheres que trabalhavam nesta categoria recebiam em média 69% do rendimento dos homens. O rendimento médio das mulheres com até quatro anos de estudo equivalia a 53% do dos homens. Entre os mais escolarizados essa relação era de 61%.

Entre os empregados sem carteira, o rendimento médio das mulheres era próximo ao dos homens (90%). Mas a desigualdade se acentua segundo a escolaridade. O rendimento médio dos empregados sem carteira com mais de oito anos de estudo era o dobro daqueles com até quatro anos. O rendimento médio das mulheres com mais de oito anos de estudo nesta categoria correspondia a 71% do dos homens com os mesmos atributos. Entre os menos escolarizados essa relação era de 79%.

Nos últimos nove anos, as categorias ocupacionais com os maiores ganhos de remuneração foram os trabalhadores domésticos sem carteira (60,9%) e o empregado sem carteira (57,3%). O rendimento-hora da população ocupada de 16 anos ou mais aumenta com a escolaridade. Em 2013, em média, a hora trabalhada da população ocupada com até 4 anos de estudo era R$7,10, enquanto para aqueles com 12 anos ou mais de estudo, era de R$28,24 (4 vezes maior).

Desigualdade de gênero diminui, mas ainda é relevante no mercado de trabalho

Entre as mulheres ocupadas de 16 anos ou mais de idade, 88% realizavam afazeres domésticos, enquanto entre os homens este percentual era 46%. As mulheres tinham uma jornada média em afazeres domésticos mais que o dobro da observada para os homens (20,6 horas/semana). Considerando a jornada no mercado de trabalho e aquela com a realização de afazeres domésticos, a jornada feminina semanal é de 56,4 horas, superior em quase 5 horas à masculina.

As mulheres recebiam em média menos que os homens em todas as formas de trabalho. No entanto, a relação de desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres é maior nos trabalhos informais, onde elas recebiam 65% do rendimento médio dos homens em 2013. Nos trabalhos formais essa relação era de 75%. Essa desigualdade era maior em 2004, e sua redução foi possível em virtude de um maior crescimento do rendimento das mulheres em trabalhos informais (56,8%).

À medida que avança a escolaridade, a desigualdade de rendimentos por sexo aumenta. Entre aqueles com até quatro anos de estudo, o rendimento-hora das mulheres equivalia a 81% do dos homens com a mesma escolaridade. Com 12 anos ou mais de estudo, essa relação era 66%.

Domicílios: Ônus excessivo com o aluguel comprometia a renda de 5,2% dos domicílios

Enquanto a população brasileira cresceu 9,8% entre 2004 e 2013, o número total de domicílios particulares no Brasil cresceu 25,1% no mesmo período.

Em 2013, em 16,4% dos domicílios urbanos o rendimento era de até meio salário mínimo por pessoa. Na classe de rendimento acima de dois salários mínimos, este percentual alcançou 21,7%.

Entre 2004 e 2013, entre os domicílios urbanos, houve estabilidade na proporção de domicílios próprios (de 73,5% para 73,6%), elevação da parcela dos domicílios alugados (de 17,8% para 20,3%) e tendência de redução dos domicílios cedidos (de 8,6% para 6,0%).

No Brasil, em 25,7% dos domicílios urbanos alugados (5,2% do total de domicílios urbanos) o aluguel ultrapassava 30% do rendimento domiciliar, configurando o ônus excessivo. O percentual de domicílios alugados com ônus excessivo, em relação ao total de domicílios urbanos alugados, foi maior nas regiões Sudeste (27,7%) e Norte (25,8%).

Na região Norte, apenas 21,2% dos domicílios urbanos possuem saneamento adequado


Considerou-se como adequados os domicílios urbanos onde havia a simultaneidade no acesso ao abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora (diretamente ou via fossa séptica ligada à rede ) e coleta de lixo (direta ou indireta). Estes representaram 70,6% dos domicílios particulares permanentes urbanos em 2013. Nas regiões Norte e Nordeste, o percentual de domicílios urbanos com acesso simultâneo a serviços de saneamento foi de 21,2% e 51,1%, respectivamente. No Sudeste, este mesmo indicador alcançou 91,1% dos domicílios urbanos, enquanto as regiões Sul e Centro–Oeste registraram 67,0% e 51,8%, respectivamente.

Em 2013, 43,4% dos domicílios urbanos tinham acesso simultâneo a computador, TV em cores e máquina de lavar roupa. Quando se faz a inclusão do DVD, a proporção passa para 38,1%. Já quando se inclui acesso à internet, o percentual de domicílios cai para 34,5%.

Distribuição de renda: concentração de renda e desigualdade diminuem, mas ainda são elevadas


Em 2013, as pessoas com os 10% menores rendimentos concentravam 1,2% da renda total, enquanto a parcela com maiores rendimentos ficou com 41,7%. Na comparação 2004-2008-2013, houve ganhos do 1º ao 8º décimo, com um crescimento de 31,6% no 2º décimo. No décimo com maior rendimento familiar per capita a participação na renda total caiu 9,8%. Mas esses movimentos não foram suficientes para alterar substancialmente o quadro de desigualdades na distribuição de rendimentos, com o décimo mais rico concentrando mais de 40% da totalidade da renda per capita no período analisado.

Transferências governamentais representam 37,5% dos rendimentos das famílias com até ¼ de salário mínimo per capita


Para o total das famílias em 2013, as “outras fontes” de rendimento (transferências de programas sociais, aplicações financeiras, rendimentos de aluguéis, bônus etc.) representavam 4,5% dos rendimentos. Para as famílias com até ¼ de salário mínimo per capita, representavam 37,5% e, para famílias entre ¼e ½ salário mínimo, 12,5%. Houve, portanto, em nove anos, um aumento expressivo na participação de outras fontes nas famílias com menores rendimentos, passando de 20,3% em 2004 para 37,5% em 2013. No Nordeste, essa proporção chegou a 43,8%.

O crescimento das outras fontes modificou a composição por origem, mas não ocorreu em substituição da renda do trabalho, que também cresceu no período. O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas de 15 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, com rendimento de trabalho, cresceu 42,1% entre 2004 e 2013. Para o primeiro décimo da distribuição, esse crescimento foi de 84,8% e, para o segundo décimo, 94,9%.


Comunicação Social do IBGE
17 de dezembro de 2014

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O sindicalismo classista, o feminismo emancipacionista e as jovens mulheres - Paulo Vinícius Silva

Texto originalmente publicado na revista Mulher d´Classe, da CTB. Baixe a revista completa aqui

Os trabalhadores, as trabalhadoras e o movimento sindical brasileiro têm se beneficiado de um contexto de recuperação do emprego formal, de democracia e avanço das forças de esquerda na cena política. Seu papel nesses avanços é muito anterior e foi decisivo para a vitória na eleição de 2002, marco dessa quadra
histórica para o Brasil. Está em nossas mãos fazer o que conquistamos até aqui avançar ainda mais. Por
isso é importante reconhecer que em cada batalha política e econômica do movimento sindical nesse
período, está a luta das mulheres.

Se não podemos pensar num país avançado sem que as mulheres tenham direito à igualdade, não podemos pensar no desenvolvimento do Brasil sem levar em conta que dois terços de sua força de trabalho ainda sofrem as consequências de mais de 20 anos de concentração de renda, ausência de crescimento econômico e ataques aos direitos do povo, fatos que caracterizaram o Brasil desde a crise do nacional-desenvolvimentismo a que se somou o neoliberalismo.

A retomada do crescimento econômico permite-nos divisar avanços que se expressam em vários indicadores atuais, que dão conta de as jovens mulheres terem escolaridade superior à dos homens, terem diante de si um horizonte mais amplo de direitos e perspectivas, serem contemporâneas da Lei Maria da Penha e das conquistas da Revolução Sexual dos anos 60, serem 41,7% da PEA e terem avançado muito quanto à sua independência financeira.

Todavia, os êxitos não podem nos fazer esquecer as inúmeras consequências do machismo e do
capitalismo sobre as mulheres. Assim, é preciso dizer que há uma imensa estrada ainda a percorrer,
que é ao mesmo tempo a estrada pela qual terá de transitar a nação brasileira no caminho da sua libertação.
Por isso mesmo é decisivo ao movimento sindical e ao movimento feminista compreender o papel que podem cumprir as jovens mulheres para a sua atualização e vigência, assim como para maiores avanços na luta emancipacionista.

Por outro lado, o movimento sindical é em muitos aspectos hostil ou pouco atrativo às mulheres. Afinal, o nosso formato de assembleias e protestos, os horários das atividades, a abordagem  na imprensa sindical, a concentração sexista dos cargos de direção, o pouco apoio dos sindicatos às famílias, o baixo investimento nas atividades políticas com acesso à maternagem, afora o próprio machismo e a baixa presença das mulheres nas direções, são problemas graves que precisam ser encarados com mais ousadia.

Por fim, é preciso que as jovens mulheres, por seu lado, aprendam uma importante lição do passado 
e que serve para os dias de hoje: devem lutar pelos seus direitos e também por seu protagonismo.
Direitos e espaços precisam ser conquistados, elas têm mais do que condições e méritos para brilhar na luta sindical, se decidirem fazê-lo. 

Paulo Vinícius S. da Silva é secretário da Juventude Trabalhadora da CTB

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Juventude da CTB participa de reunião nacional por jornada de lutas em março



A CTB é signatária da convocatória de uma ampla reunião de juventudes políticas e do movimento social que acontecerá na sede da UNE e da UBES em São Paulo nessa quarta-feira, 07 de agosto, e que reunirá entre outras organizações a UJS, o MST, a Juventude do PPL, a Via Campesina, o levante popular da Juventude. A CTB ademais estendeu o convite à CGTB, que é também organização afiliada à Federação Sindical Mundial no Brasil.




O objetivo da reunião é a convocaçãod e uma jornada unitária de lutas que envolva a juventude como um todo, integrando estudantes e trabalhadores e trabalhadoras. Já em 2012, a jornada de luta dos estudantes contou com a adesão e o apoio dos trabalhadores, no que a CTB teve importante papel.




Mobilizar a juventude e dar um passo adiante na garantia dos direitos


A ideia é dar um passo adiante nessa mobilização, dessa vez num contexto ainda mais favorável. Avança a articulação e a mobilização para que se ampliem significativamente os recursos destinados à educação para 100% dos royalties do petróleo. O impacto de uma tal proposta - que o governo encampou graças às pressões, em especial dos estudantes - na vida nacional seria imenso e poderia mudar a face do Brasil e tornar realidade a inclusão da juventude. Também é o período em que podemos aprovar o Estatuto da Juventude, que a consolida como sujeito de direitos e pode, dentre várias medidas, dentre elas reconhecer o direito à Profissionalização, ao Trabalho e à renda, e retomar a meia estudantil nacional para que a cultura e a educação andem de mãos dadas pela juventude brasileira. Assim, a luta e a pressão social pode definir vitórias concretas para a juventude e é preciso povo na rua.




A CTB será representada na atividade pelo Secretário Nacional de Juventude, Paulo Vinícius e convoca a juventude dos sindicatos e núcleos de base do estado a participar da atividade.Confira a convocatória:





CONVOCATÓRIA PARA A REUNIÃO DAS ORGANIZAÇÕES DE JUVENTUDE




A organização, articulação e luta da juventude brasileira são fundamentais para lutar por melhores condições de vida para o povo brasileiro e pressionar pelas grandes transformações sociais do Brasil.

Os jovens enfrentam no seu cotidiano problemas relacionados ao trabalho (falta de oportunidades, superexploração e falta de renda), ao tempo perdido no transporte público, à violência da polícia (especialmente os jovens negros das periferias das grandes cidades), à falta de acesso a educação, cultura, esporte e lazer, à falta de qualidade do ensino e a repressão à organização nas universidade (especialmente nas privadas) e a dificuldade de participação nas grandes decisões (na família, na escola/universidade, no trabalho e no país).

A juventude tem uma histórico de organização, como nos partidos, nos movimentos sociais e no movimento estudantil. No último período, ganharam força novos tipos de manifestação da juventude, como em redes, na internet, na cultura (grupos de artes), a favor da diversidade sexual, na defesa dos ciclistas e do meio ambiente entre outras.

Neste sentido convocamos as organizações da juventude para uma reunião, no dia 7 de Novembro , das 16h as 21h na sede da UNE, para discutir a articulação nacional das organizações de juventude e a construção de uma jornada de lutas em março de 2013. O endereço é na Rua Vergueiro, nº 2485, Vila Mariana. Próximo ao Metro Ana Rosa.




MST - UJS - LEVANTE POPULAR - VIA CAMPESINA - UNE - UBES - CTB

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Veja as fotos da Marcha e do Debate da Juventude da CTB no FSMT (24 e 25 de janeiro))


Veja as fotos da Marcha do Fórum Social Mundial Temático (24/01) que debate "Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental" e também do debate que a Juventude da CTB realizou no Acampamento da Juventude hoje, 25/01, com o tema Juventude e a Crise do Capitalismo. 

Os debatedores foram:
- Professor Pedro Fonseca, do Departamento de Economia da URGS;
- Martin Pereyra, da Comissão de Jovens e da Executiva Nacional da PIT-CNT Uruguai, que ocupa agora a coordenação da Comissão de Jovens da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS);
- Paulo Vinícius Silva - Sociólogo e Secretário nacional de Juventude da CTB.

Juventude da CTB promove debate no Fórum Social Mundial Temático agora no Parque da Harmonia

x0apto.jpg 
 
 O debate "Crise Capitalista e Juventude" que a Juventude da CTB promove agora às 14h00 no Acampamento da Juventude no Parque da Harmonia do Fórum Social Temático acontece no galpão que está logo abaixo do balão da CTB e em frente ao Restaurante Galpão Crioulo, veja foto acima.
 
Participam da mesa:
- Professor Pedro Fonseca, do Departamento de Economia da URGS;
- Martin Pereira, da Comissão de Jovens e da Executiva Nacional da PIT-CNT Uruguai, que ocupa agora a coordenação da Comissão de Jovens da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS);
- Paulo Vinícius Silva - Sociólogo e Secretário nacional de Juventude da CTB



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

UJS Gaúcha: Juventude da CTB aposta na irreverência

UJS Gaúcha: Juventude da CTB aposta na irreverência

O Coletivo da Juventude da CTB gaúcha reuniu-se na última segunda-feira (05/12) para debater sua participação no Fórum Social Temático de 2012, que terá como tema a "Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental". O evento acontecerá do dia 24 a 29 de janeiro de 2012 e será sediado por Porto Alegre e cidades da região Metropolitana – Gravataí, Canoas, São Leopoldo, e Novo Hamburgo.

A CTB Jovem irá promover atividades no Acampamento Intercontinental da Juventude, que será localizado no Parque Harmonia em Porto Alegre. Dentre as atividades previstas está a oficina sobre Juventude e Crise do capitalismo mundial e a culturata com o lançamento do samba-enredo do Bloco da CTB Jovem.

Crise do capitalismo no centro do debate
Para o coordenador de jovens trabalhadores da CTB gaúcha Vítor Espinoza, o tema do Fórum não poderia ser mais apropriado do que a crise capitalista. "Vivemos a mais grave crise do capitalismo dos últimos 80 anos. Precisamos discutir com a juventude o período de falência da chamada globalização neoliberal, bem como a apresentação de uma alternativa a este modelo, que na nossa opinião é um projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho e da juventude", afirma. Para ele, está na essência do Fórum a apresentação de modelos alternativos ao estabelecido. "O neoliberalismo está ruindo, mas não cairá sozinho. Cabe ao Fórum ser mais um momento de construção de alternativas para um outro mundo possível para além dessa ordem mundial que agride os trabalhadores e a juventude".

Culturata e samba da juventude e dos trabalhadores
A CTB Jovem também vai cair no samba em plena Harmonia. O Acampamento Intercontinental será palco da culturata de lançamento do samba enredo do Bloco da Juventude da CTB, que está sendo criado pela Escola de Samba Cruzeiro do Sul de Novo Hamburgo. A ideia foi do dirigente do SEEACOM Fábio Flores, que é um dos compositores da escola. "Pretendemos cantar outros sambas de luta do povo e da Juventude, como o samba enredo da Imperatriz Dona Leopoldina sobre a União Nacional dos Estudantes e o samba-enredo da UJS. Vamos fazer o FST cair no samba abrindo o carnaval 2012", anuncia Fábio. A atividade acontecerá antes do carnaval de Porto Alegre, que será nos dias 17 e 18 de fevereiro, e antes dos carnavais da região metropolitana de PoA, que ocorrem em sua maioria no mês de março.

As reuniões do Fórum Social Temático estão acontecendo todas as quintas-feiras às 16h na Assembléia Legislativa.

De Porto Alegre, por Igor Corrêa Pereira

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Conciliação dos estudos, trabalho e vida familiar - Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude

Os dados evidenciam uma ampliação do número de jovens que busca conciliar suas experiências no mundo do trabalho, sua escolarização e qualificação profissional. Educação e trabalho não são situações que se anulam na vida dos jovens, especialmente a partir dos 18 anos, onde de maneira mais intensa é possível perceber a busca por conciliar formação e experiência no mundo do trabalho. No entanto, não são poucas as dificuldades para esta conciliação, bem como para dedicação a outras atividades particularmente fundamentais neste momento do ciclo da vida, considerando a extensa, intensa e flexível jornada no mercado de trabalho brasileiro.

Este aspecto é ainda mais acentuado entre moças e rapazes que já possuem responsabilidades familiares, particularmente para jovens grávidas ou que já são mães. Também são necessárias ações no interior das escolas, universidades e ambientes de trabalho na perspectiva de contribuir para que os e as jovens que precisam ou desejam trabalhar possam fazê-lo sem prejuízos da elevação de sua escolaridade e qualificação
profissional. Ao mesmo tempo, são importantes ações específicas na perspectiva de ampliar 
as chances de combinação do emprego, estudo e responsabilidades familiares.


Linhas de ação e programas sugeridos: 

1) Compatibilização de jornadas de trabalho e permanência na escola:
a. Induzir a organização de jornadas de trabalho que permitam o acesso e a permanência dos/as jovens trabalhadores e estudantes na educação básica, profissional e superior, ou que garantam seu retorno às atividades escolares; 
b. Aplicar a Convenção 140 concernente  à Licença Remunerada para Estudos, 1974 (n. 140) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil em 17/9/1992, que trata da concessão de licença remunerada aos trabalhadores/as para fins de estudos e qualificação profissional por tempo 
determinado;  
c. Criar mecanismos de inibição de jornadas extraordinárias para jovens e estudantes, como horas extras e bancos de horas, mediante convenções ou acordos coletivos de trabalho; 
d. Criar mecanismos que viabilizem jornadas de trabalho reduzidas para jovens; 
e. Apoiar as possibilidades de inserção de jovens estudantes em oportunidades de trabalho próximas de suas residências e de suas escolas. 

2) Ampliar as oportunidades para jovens  de ambos os sexos compatibilizarem trabalho, estudos e vida familiar 
a. Garantir a instalação de creches públicas em condições adequadas e de qualidade no interior ou em locais próximos a instituições escolares visando ao cuidado de filhos de jovens mães e pais trabalhadores/as e/ou estudantes;  
b. Fiscalizar o cumprimento da lei 8.212-91 que garante a concessão do auxílio creche;  
c. Fortalecer o debate de mecanismos  e estratégias sobre a importância da ampliação das licenças paternidade e paternidade, mediante convenções e acordos coletivos de trabalho;
d. Garantir no local de trabalho a igualdade de oportunidades e tratamento aos trabalhadores/ as com responsabilidades familiares, sem prejuízo do cumprimento das respectivas obrigações.  

Conheça o texto integral da Agenda Nacional do Trabalho Decente para a Juventude, definida na 2ª Conferência Nacional da Juventude - por consenso - como prioritária para a luta juvenil no Brasil.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

I Plenária da Juventude da CTB convoca 2º Encontro Nacional para 2013 e fortalece seu coletivo




Paulo Vinícius Silva

A Juventude da CTB realizou nos dias 12 e 13 de dezembro a sua I Plenária Nacional, reunindo 40 jovens de Roraima, Acre, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, no CESIR-CONTAG, no Núcleo Bandeirante-DF, ao fim da 2ª Conferência Nacional de Juventude, que se realizou em Brasília, de 9 a 12 desse mês e em que a CTB atuou com protagonismo e cara própria.

Prestigiaram a atividade o Presidente da CONTAG, Alberto Broch, o Secretário de Formação e Organização Sindical, Juraci Moreira Souto e a Secretária de Juventude, Helenice Anastácio. A calorosa acolhida do Presidente Broch aos participantes, a disposição acolhedora de Juraci Souto e à saudação de Helenice. A CTB agradeceu a acolhida e a solidariedade da CONTAG, que a seu pedido recebeu 20 jovens do #OcupeBrasília, desprotegidos em face das fortes chuvas que chegaram à capital federal.

Uma agenda de debates para impulsionar o trabalho de juventude
Os principais debates avaliaram o trabalho da CTB na juventude no ano de 2011, a conjuntura do país e da juventude, a Agenda Nacional do Trabalho Decente, o fortalecimento da juventude rural na CTB e a sua interação com as lutas juvenis. No debate sobre a organização, decidiu-se pela ampliação do Coletivo Nacional e pelas suas tarefas permanentes, num clima de unidade e colaboração, integrando importantes entidades, e recebendo a inestimável contribuição do Norte, que, através do Acre e Roraima, estiveram representados na atividade. As maiores delegações vieram dos Estados da Bahia e de Minas, que teve grade apoio da FEATEMG.

A I Plenária reforçou o Coletivo Nacional da Juventude da CTB e estabeleceu mais claramente seu funcionamento, com alterações em sua composição original de sete membros. Além da permanência de Adroaldo Negreiros, Alex Boccia(SP), Vítor Espinoza(RS) e Igo Meneses (RJ), incorporaram-se 11 lideranças juvenis representativas e definiram-se responsabilidades permanentes para um núcleo operativo mínimo, sob a coordenação da Secretaria Nacional de Juventude da CTB.

Tais medidas fortalecem o trabalho de juventude no caminho do 2º Encontro da Juventude da CTB, convocado para abril de 2013, ano do 3º Congresso da CTB. Além disso, aprovou uma Resolução que orientará as ações da juventude da CTB ate o 2º Encontro, para o que a CTB lançará uma revista nacional da juventude em elaboração, que atualizará a plataforma de lutas da juventude classista. O I Encontro também aprovou uma moção de aplauso à Federação de Bancários da Bahia e Sergipe por sua aposta na renovação e na juventude.

Renovação e fortalecimento do Coletivo Nacional de Juventude da CTB
Desse modo, a I Plenária definiu um coletivo nacional com 16 membros, com todas as regiões do país representadas, com a presença de mais de 30% de mulheres. Suas reuniões serão abertas aos Secretários de Juventude da CTB e a membros dos coletivos de juventude nos Estados.

Composição do Coletivo Nacional de Juventude da CTB

Coordenador – Paulo Vinícius – DF – Secretário Nacional de Juventude da CTB











1-Finanças – Luciana Oliveira – FETAG-BA












2 - Comunicação – Alfredo Santiago– Comerciários de Salvador-BA












3 - Formação e Cultura – Wallace Melo – SINPRO-PE












4 - Mulheres – Erveline Batista – Municipais – GO



















5 - Vítor Espinoza – Comerciários de Taquari-RS – FECOSUL












6 - Maria Souza – FETAEMG









7 - Deyller Moura Silva de Paula – SAAE-MG











8 – Juliana Matias - FETAEMG












9 - Adroaldo Negreiros – SINTECT-SP











10 - Alex Boccia – SINTRATEL-SP










11 - Davi Chakrian – oposição dos Metroviários de SP












12 - Igo Meneses – Transporte Alternativo - RJ












13 - Reinaldo Souza da Silva – STR de Amargosa-BA













14 - Max Mota Rodrigues– Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul-RS












15 - Rosicléia dos Santos (Rose) – FETASE-SE

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Começa hoje na CONTAG, no Distrito Federal, a I Plenária Nacional da Juventude em dezembro







Começa hoje na CONTAG, no DF,  I Plenária Nacional da Juventude da CTB 



A I Plenária Nacional da Juventude da CTB reunirá jovens trabalhadores de todo o Brasil para fortalecer e ampliar o coletivo nacional e atualizar a política de juventude, e assim dialogar com essa importante parcela dos trabalhadores e do movimento sindical. Já estão em Brasília representantes das CTB estaduais da Bahia (maior delegação), Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Goiás, Distrito Federal e Acre, o que contemplará todas as regiões do Brasil.

A I Plenária ocorrerá na sede da CONTAG, no Núcleo Bandeirante, Distrito Federal, o endereço é Núcleo Bandeirante - SMPW Quadra 1 Conjunto 2 Lote 2 (61) 2102 2288 ou 61 98049171 (Paulo Vinícius). Um ônibus sairá às 16h00 do local da 2ª Conferência Nacional da Juventude, Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.

Será uma grande chance para os Estados capacitarem seus jovens líderes. Como as vagas são limitadas, é muito importante que os Estados estejam representados nos dias 12 e 13 de dezembro na I Plenária da Juventude da CTB, em Brasília.

Programação da I Plenária Nacional da Juventude da CTB
12/12/2011 – segunda-feira
18h00 – Credenciamento -
18h30 - Abertura
19h00 – Conjuntura Nacional e a Organização da Juventude Trabalhadora da CTB

13/12/2011 - terça-feira
8h30 às 11h00 – Grupos de trabalho

Grupo I – A juventude trabalhadora e empoderamento das mulheres na CTB
Grupo II – Mais organização para o trabalho de juventude da CTB no campo e na cidade:
Grupo III – Atualização do programa: a juventude e o Projeto Nacional de Desenvolvimento:
Grupo IV – Conexão e formação: a juventude trabalhadora da CTB e as possibilidades da internet

Coletivização dos grupos: 11h30 -12h30

10 minutos para cada grupo

14h00 – Apresentação do coletivo nacional ampliado da juventude da CTB e da resolução da I Plenária Nacional da Juventude da CTB.
17h00 - Encerramento

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Jovens sindicalistas do Cone-Sul debatem na UGT Educação e Trabalho em Seminário Internacional em São Paulo nos dias 30 e 31




A Comissão de Juventude da  Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone-Sul (CCSCS) realizará nos dias 30 e 31 de agosto em São Paulo o Seminário Internacional  “Educação e Trabalho – desafios para a Juventude”,  com a presença de representantes da juventude sindicalista de várias centrais sindicais da nossa região e das Centrais Sindicais brasileiras.

“Educação e Trabalho – desafios para a Juventude”, que ocorrerá nos próximos dias 30 e 31 de agosto promovido pela Comissão de Jovens da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).


Reunião da Comissão de Jovens em Assunção, Paraguai, agosto de 2010

O Seminário debaterá à luz do Trabalho Decente as dificuldades e possibilidades de jovens trabalhadores da região. "É fundamental os sindicatos da CTB São Paulo contribuírem com esse debate importante para a região e o país, em especial porque o evento acontece numa das maiores cidades do mundo, com importante peso da juventude trabalhadora e forte presença de imigrantes dos países irmãos. Em São Paulo a integração se faz na prática, mas é preciso lutar pelo trabalho decente, posto que recentemente tivemos claros indícios de trabalho, atingindo em especial bolivianos. Assim, cabe-nos debater uma integração solidária, o trânsito não só de bens, mas de pessoas e a plena garantia de direitos a todos os trabalhadores, entre outros temas, destaca o Secretário de Juventude da CTB, Paulo Vinícius, que acompanhará a atividade.
Delegação Brasileira na reunião da CCSCS em Assunção, Paraguai, em agosto de 2010.



Este Seminário será realizado em São Paulo, na União Geral dos Trabalhadores – UGT. R. Aguiar de Barros 144 – Bela Vista.

Programação:

Terça-feira - 30/08
14:30 – 15:00  - Abertura do Seminário
Rafael Freire – Secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA
Rosana Sousa – Coordenadora da Comissão de Juventude da CCSCS
Moderador: Jefferson Tiego – Secretário de Juventude da Força Sindical

15:00- 17:00 -Mesa “Juventude Trabalhadora do Cone Sul e suas perspectivas sobre educação”
Mesa: José Renato Martins (Secretário Geral UNILA)
          Gonzalo Berrón (Secretaria de Integração Regional CSA)
          Roberto Leão (Setor Educação CCSCS)
          Maria Carla Carrochano (Ação Educativa)
          Moderador: João Vidal – Secretário de Juventude da UGT

17:00 – 18:00 Debate em Plenário
18:00 – 18:30 Fechamento do dia


Quarta-feira - 31/08
09:00 – 11:00 - Mesa sobre “Educação e Trabalho Decente: Prioridades da Juventude Trabalhadora”
Mesa: 1 representante por Central de cada país
Moderador: CGTB
Participação da CTB

11:00 – 12:30 Debate em Plenário
12:30 – 13h

Encerramento da atividade

Este Seminário será realizado em São Paulo, na União Geral dos Trabalhadores – UGT. R. Aguiar de Barros 144 – Bela Vista.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Altamiro Borges: McDonald’s e o inferno do trabalho

Altamiro Borges: McDonald’s e o inferno do trabalho

Por Vivian Fernandes, no jornal Brasil de Fato:

Pesquisa aponta que o McDonald’s é a empresa que mais contrata no Brasil e uma das cem melhores empresas para se trabalhar no país. A avaliação divulgada nesta semana foi produzida pelo Instituto Great Place to Work – que atua no país em parceria com a revista Época (Editora Globo). No entanto, a rede de fast food é alvo de denúncias de funcionários e do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp). As principais denúncias são em função dos baixos salários e ambiente de trabalho degradante.

No último ano, em um acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo, o McDonald’s teve que pagar multa de R$ 13,2 milhões e cumprir uma série de adequações trabalhistas. Na investigação, o MPT comprovou várias irregularidades, como extensas jornadas de trabalho (com prorrogação além das duas horas extras diárias permitidas por lei), ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre dois turnos, falta de descanso contínuo de 24 horas pelo menos uma vez por semana e o cumprimento de toda a jornada em pé, sem local para repouso. Também foi constatado o fornecimento de alimentação inadequada aos seus funcionários, entre outros pontos.

Pesquisa a favor
O McDonald’s há 13 anos está na lista das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Nos sub-rankings, a empresa ocupa o primeiro lugar nas que mais contratam e com maior número de jovens. Também aparece entre as que possuem o melhor treinamento de funcionários (17º) e com maior número de mulheres (20º). A contratação é uma das práticas culturais analisadas pela pesquisa, como comenta a gerente de marketing do Instituto, Viviane Rocha.

“O que a gente viu no McDonald’s é que além dele ser a que mais contratou, ele tem um lado de uma preocupação muito grande de contratar alinhado com a cultura dele”. Ela também aborda o perfil jovem do trabalhador contratado pela rede. O que, para a pesquisa, justificaria a alta rotatividade de funcionários na empresa.

“O McDonald’s tem um estilo de contratar pessoas muito jovens, em início de carreira. É uma marca forte, na qual se consegue fazer um currículo bem feito. Mas para os funcionários, dentro da nossa pesquisa, a gente avalia que é um excelente lugar para trabalhar”.

A metodologia divulgada pelo estudo atribui peso de 67% para a opinião dos funcionários, através de 58 afirmativas fechadas e duas perguntas abertas. Os outros 33% são de respostas abertas vindas do setor de recursos humanos das empresas.

A pesquisa é lançada em uma edição especial da revista Época, no dia 20 de agosto, com o título de “Guia Melhores Empresas para Trabalhar 2011/2012”. No Brasil, foram avaliadas 923 empresas. O mesmo estudo é realizado em outros 45 países.

Sindicato contra
O Sinthoresp – que moveu a ação geradora da multa milionária ao McDonald’s –, recebe com frequência denúncias de funcionários. Entre as mais constantes estão aquelas sobre a jornada móvel e variável e a despensa de mulheres durante a gravidez. O advogado do Sindicato, Rodrigo Rodrigues, explica como é a remuneração neste tipo de jornada aplicada pela rede de fast food.

“Você tem 220 horas mensais para cumprir perante a empresa. Mas você pode trabalhar em um mês 40, 50 horas. E vai receber pelo horário trabalhado. Você pode receber R$ 650, como também R$ 50, R$ 100”.

O valor da hora trabalhada no McDonald’s é de R$ 2,38 – como divulgado em reportagem do jornal Brasil de Fato com o contra-cheque de um funcionário.

Para Rodrigues, a explicação para os índices de entrada e saída de trabalhadores na empresa está nos baixos salários e, também, nas condições precárias de trabalho.

“A rotatividade do McDonald’s chega a 90%. Mais que seis meses, dificilmente eles [os funcionários] ficam. Porque, primeiro, a jornada é muito extenuante. Na verdade, isso não é trabalho, é exploração. Ainda mais quando se trata de crianças e jovens de 14 a 18 anos”.

Atualmente, o Sinthoresp move ação na Justiça pedindo a aplicação a convenção coletiva proposta pelo Sindicato, que tem salários e benefícios melhores aos praticados hoje. Outra ação judicial importante foi a do Ministério Público no Paraná, que ganhou a ação contra a cláusula da jornada móvel e variável no Tribunal Superior do Trabalho no estado.

Encontro da Juventude Trabalhadora aprova carta à sociedade gaúcha

Encontro da Juventude Trabalhadora aprova carta à sociedade gaúcha


encontro_juventude_ctb_rs_2O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região sediou neste sábado, dia 13, o 2º Encontro Estadual da Juventude Trabalhadora do Rio Grande do Sul no Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região.
No evento, que reuniu cerca de 80 jovens de diversos municípios do Estado, foi elaborada a Carta da Juventude à sociedade gaúcha. O documento, que será encaminhado à Prefeitura de Caxias do Sul e ao governo do Estado, aprovado por unanimidade, reúne as principais pautas dos trabalhadores jovens e servirá para nortear as próximas mobilizações em todo o Estado.

Com o tema "A juventude trabalhadora conquistando direitos para desenvolver o Rio Grande do Sul", o encontro promovido pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), à qual o Sindicato é filiado, integra o calendário de mobilizações da juventude gaúcha e brasileira para a Conferência Nacional de Juventude, que será realizada em duas etapas: em setembro, a estadual e em dezembro a nacional.

“O objetivo foi discutir com os jovens as principais dificuldades enfrentadas hoje no mercado de trabalho e discutir estratégias de mobilização para garantir os direitos a educação, cultura, trabalho e lazer, além de elencar novas bandeiras”, explica o secretário executivo adjunto da Juventude da CTB-RS, Vitor Espinoza.
Conforme levantamento da CTB, a participação dos jovens no mercado de trabalho varia de 50%, na maioria das categorias, até 80% no caso dos comerciários. A partir deste encontro, a Juventude da CTB começará a realizar encontros periódicos e formação de novas lideranças.

“Nas últimas semanas, visitamos vários sindicatos e uma ideia levantada foi de realizar uma plenária na Serra, com o objetivo de trazer para dentro dos sindicatos de diversas categorias cada vez mais jovens”, observa Espinoza. 
A deputada federal Manuela D’Ávila, que tem um mandato dedicado ao desenvolvimento do país e reconhecido no Brasil e na América Latina pela defesa dos interesses da juventude e dos trabalhadores, abriu o encontro, defendendo a mobilização dos jovens nas principais bandeiras da classe trabalhadora. “Não temos que pensar na juventude como apenas uma parte da classe trabalhadora, pois os jovens são maioria no mercado de trabalho, então a participação da juventude em todas as discussões é fundamental”.

Manuela elencou a redução da jornada de trabalho como uma das principais bandeiras dos trabalhadores e, especialmente os jovens. “Hoje nas universidades públicas, as aulas começam às 18h30min e qual é o jovem trabalhador que a essa hora está liberado para entrar em sala de aula?”.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Assis Melo, defendeu a ampliação da representatividade dos jovens no movimento sindical. Para tentar se aproximar dos jovens, a entidade deve iniciar em breve uma pesquisa qualitativa, com o objetivo de identificar quais são as principais demandas destes trabalhadores na faixa etária entre 18 e 35 anos, que representam 60% da categoria. “As bandeiras dos jovens são as mesmas de toda a classe trabalhadora, mas precisamos trabalhar propostas específicas visando mais educação, formação e qualificação profissional”, defendeu.

João Cleber Lima Soares, tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul, defendeu durante o encontro a inclusão na carta à sociedade gaúcha da proposta do fim da terceirização. “Regulamentar a terceirização da forma como está sendo proposta na Câmara dos Deputados - um projeto do deputado Sandro Mabel (PR-GO) prevê que não mais se configurará vínculo empregatício entre a empresa contratante e os trabalhadores ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo - é abrir as porteiras para a precarização do trabalho”.

Carta da Juventude da CTB/RS a sociedade gaucha


Em todo o Brasil, jovens estão botando a boca no mundo, mostrando as suas opiniões. São as Conferências de Juventude. No Rio Grande do Sul, estão acontecendo Conferências de todo o tipo, reunindo jovens para apresentar propostas para o poder público. Que estado e país nós queremos?

Dentro desse processo, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), está convidando os jovens trabalhadores para dar suas opiniões e propostas. O que nós precisamos para melhorar no nosso trabalho, na nossa vida? As Conferências de Juventude são um canal de comunicação entre o governo e a juventude. Nós da juventude da CTB estamos apostando nesse canal para apresentar ao governo as prioridades para a juventude trabalhadora. O objetivo desse Encontro é organizar a nossa intervenção nas Conferências Municipais de Juventude, contribuindo para que nossas pautas sejam aprovadas na Conferência Estadual.

Aqui estão presentes jovens metalúrgicos, agricultores, comerciários, funcionários públicos, sapateiros, dentre vários outros ramos de atuação, bem como jovens desempregados. Estamos com forte organização em pelo menos sete municípios desse estado, e precisamos organizar nossa intervenção nas conferências municipais desses lugares.


No estado do Rio Grande do Sul, mais de 12% da população gaúcha está na faixa etária jovem. Nunca antes a parcela jovem foi tão representativa assim. Vivemos o que se chama de bônus demográfico. Temos um enorme conjunto de jovens que precisa de oportunidades para se desenvolver, e com isso desenvolver o Rio Grande do Sul e o Brasil.
Conquistar direitos

Reafirmamos a necessidade da conquista de direitos da classe trabalhadora. Homens e mulheres, construímos lado a lado a nossa nação. Por isso, não toleramos mais a desigualdade de gênero, que ainda se manifesta, dentre outras formas, na desigualdade salarial entre homens e mulheres. Propomos a aprovação de mecanismos de punição da desigualdade salarial entre homens e mulheres que realizam a mesma função.

Conquistar direitos significa mais tempo para a família, estudo, lazer e ao mesmo tempo desenvolve a nação. Com a redução da jornada de trabalho para 40h e a regulamentação do trabalho aos domingos, além de benefício aos trabalhadores, propiciaria o crescimento econômico, aumentando circulação de riqueza e número de empregos. Também nesse sentido, se encaixa a necessidade do fim do fator previdenciário.

Como diz a música, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. A produção e o acesso a cultura na sua dimensão musical, estética, etc, é um direito humano, e portanto dos trabalhadores. Dentro desse contexto, é essencial a aprovação do vale-cultura, como um incentivo ao maior contato dos trabalhadores com bens culturais.

Educação e Trabalho andam juntos
Para que a nossa geração possa contribuir para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil, precisamos de oportunidades. Para a juventude, trabalho e educação andam de mãos dadas. Oportunidade de acesso a trabalho decente não significa somente acesso a emprego e direitos trabalhistas, mas sim também a um sistema de ensino que prepare para o mercado de trabalho e que contribua de fato para o desenvolvimento integral de nossas potencialidades.

Repudiamos que a juventude seja explorada com o argumento de sua falta de experiência. Por isso lutamos pela regulamentação dos estágios, que não pode transformar o jovem num funcionário sem carteira de trabalho. Lutamos pelo estágio para educar, e não para explorar.

Necessitamos da ampliação da oferta de ensino em todos os níveis, a começar pela educação infantil, com programas de auxílio creche para garantir que nossas crianças estejam amparadas. Precisamos de ampliação da oferta do Ensino Fundamental e Médio, investimento na qualificação curricular, tecnologia e inovação, valorização dos trabalhadores na educação, maior aproximação do ensino médio com o mundo do trabalho.
Precisamos de ações decididas do Estado para fortalecer a Educação Profissional. É necessário mobilizar o Estado em torno da bandeira da ampliação da educação profissional, articulando as redes municipal, estadual e federal de ensino, bem como o Sistema “S”. Lutamos pela ampliação de oferta de escolas técnicas na cidade e no campo, bem como pela ampliação de programas como o PROJOVEM Trabalhador, dobrando sua abrangência nos municípios gaúchos.

Nossa luta também compreende o aumento da educação superior. O aumento da Universidade pública deve continuar, e nesse contexto se insere a luta pela reconstrução da UERGS, que foi sucateada nos últimos governos, bem como a luta pela construção de um pólo da UFRGS em Caxias do Sul, garantindo o acesso à Universidade pública a essa importante cidade industrial gaucha. Precisamos garantir ainda a ampliação de cursos voltados a vocação agrícola de nosso estado, garantindo a formação superior da juventude agricultora com vistas a qualificar sua permanência no campo.

A falta de oportunidade de acesso a educação de qualidade, crédito e assistência técnica muitas vezes expulsa milhares de nós do meio rural, contribuindo para o aumento da concentração fundiária e o crescimento desordenado das cidades. O futuro que queremos semear no campo depende de educação, assistência técnica e crédito fundiário para todos, e em especial para a juventude, como forma de garantir a continuidade da agricultura familiar.

Não são poucas as demandas da juventude trabalhadora. A conquista de seus direitos contribui diretamente para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil. Intensificar a mobilização e as lutas é o único caminho para construir um projeto de desenvolvimento que valorize os jovens trabalhadores do campo e da cidade, que na maioria das vezes estudam, e que não pode abrir mão de acessar e produzir cultura. O desafio do Coletivo da Juventude trabalhadora da CTB/RS é contribuir na construção de uma agenda positiva para os trabalhadores no estado.

Para organizar nossa intervenção, as principais bandeiras que defenderemos na Conferência de Juventude são:
• O fim do fator previdenciário e redução da jornada de trabalho para 40h; 
• A aprovação da PL 371/2011 que pune empresas que remunerem desigualmente homens e mulheres que realizam mesma função;
• O efetivo cumprimento da lei dos estágios que garante seguridade social e caraga horária fixa ao estudante;
• A aprovação do vale­cultura, que garante um auxilio financeiro ao trabalhador para consumir bens culturais;
• O investimento pesado em educação (10% do PIB e 50% do fundo social do pré­sal para o setor), como forma de incentivar a maior escolarização e melhor entrada do jovem no mundo do trabalho.
• A ampliação das redes de creche e auxílio­creche para mães e pais, como política de incentivo e permanência;
• AaprovaçãodaLeiqueCriaoConselhoestadualdeJuventudecomgarantia de participação das entidades da juventude trabalhadora
• O comprometimento estadual com PROUNI, criação do PROUNI estadual e do PROUNI técnico tanto para o campo e para a cidade;
• ampliação da educação profissional, articulando as redes municipal, estadual e federal de ensino, bem como o Sistema “S”
• ampliação de oferta de escolas técnicas na cidade e no campo, bem como pela ampliação de programas como o PROJOVEM Trabalhador, dobrando sua abrangência nos municípios gaúchos.
• Educação, assistência técnica e crédito fundiário para todos, e em especial para a juventude, como forma de garantir a continuidade da agricultura familiar
• Aproximar mais a escolas do meio rural da realidade desse meio, qualificando os professores, garantindo uma boa infra­estrutura, ampliando espaço para as práticas agrícolas, adaptando os currículos dessas escolas para ampliar a permanência da juventude na agricultura
• Lutar pela implementação de ensino médio no meio rural.
• Que as escolas técnicas sejam articuladas ou conveniadas com os municípios para que os profissionais formados trabalhem no auxilio da diversificação da produção e gestão das propriedades.
• Lutar pela ampliação dos quadros técnicos e por uma maior atuação da EMATER nas propriedades, possibilitando maior assistência técnica ao agricultor.
• Lutar pela revitalização do Primeiro Crédito da Juventude Rural, ampliando seus tetos e a liberação de mais recursos;
• Lutar pela ampliação dos tetos do Crédito Fundiário; • Lutar pela revitalização do Primeiro Crédito da Juventude Rural, ampliando seus tetos e a liberação de mais recursos;
• Criar um programa de acesso a terra para jovens filhos de agricultores familiares no modelo dos assentamentos do INCRA;
• Lutar pela criação de criação de mais linhas de crédito para a produção agrícola dos agricultores familiares.
• Lutar pela desburocratização dos financiamentos agrícolas para que facilite o acesso aos agricultores;
• Lutar pela diminuição dos impostos para a agricultura familiar;
• Criar uma bolsa auxílio para jovens trabalhadores rurais de 16 a 32 anos que esteja no meio rural produzindo alimento. Viva a juventude e a luta dos trabalhadores!.

Caxias do Sul, 13 de agosto de 2011.

Coletivizando no Youtube