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sábado, 11 de dezembro de 2021

As Tarefas das Uniões da Juventude- Lênin (1920) - Arquivo Marxista na Internet




(Discurso no III Congresso de Toda a Rússia da União Comunista da Juventude da Rússia)
V. I. Lénine
2 de outubro de 1920
Transcrição autorizada


Publicado: no Pravda nº 221, 222 e 223, de 5, 6 e 7 de Outubro de 1920

Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Edições "Avante!", 1977, t3, pp 386-397.

Tradução: Edições "Avante!" com base nas Obras Completas de V. I. Lénine, 5.ª ed. em russo, t.41, pp. 298-318.

Transcrição e HTML: Manuel Gouveia

Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por Edições "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo.

(Lénine foi acolhido com uma clamorosa ovação do congresso.) Camaradas, quereria conversar hoje sobre o tema de quais são as tarefas da União da Juventude Comunista e, em ligação com isto, sobre o que devem ser as organizações da juventude numa república socialista em geral.

Devemos deter-nos tanto mais nesta questão quanto se pode dizer, em certo sentido, que é precisamente à juventude que incumbe a verdadeira tarefa de criar a sociedade comunista. Porque é evidente que a geração de militantes educada na sociedade capitalista pode, no melhor dos casos, realizar a tarefa de destruir as bases do velho modo de vida capitalista baseado na exploração. No melhor dos casos poderá realizar a tarefa de criar um regime social que ajude o proletariado e as classes trabalhadoras a conservar o poder nas suas mãos e a criar uma sólida base, sobre a qual só poderá edificar a geração que começa a trabalhar já em condições novas, numa situação em que não existem relações de exploração entre os homens.

Pois bem, ao abordar deste ponto de vista a questão das tarefas da juventude, devo dizer que essas tarefas da juventude em geral e das uniões da juventude comunista e de quaisquer outras organizações em particular poderiam exprimir-se com uma só palavra: a tarefa consiste em aprender.

Naturalmente, isto não é mais que «uma só palavra». Ela não dá ainda respostas às perguntas principais e mais essenciais: que aprender e como aprender? E aqui toda a questão está em que, juntamente com a transformação da velha sociedade capitalista, o ensino, a educação e a formação das novas gerações, que criarão a sociedade comunista, não podem ser os antigos. O ensino, a educação e a formação da juventude devem partir do material que nos ficou da velha sociedade. Só poderemos construir o comunismo com a soma de conhecimentos, organizações e instituições, com a reserva de forças e meios humanos que nos ficaram da velha sociedade. Só transformando radicalmente o ensino, a organização e a educação da juventude conseguiremos que os esforços da jovem geração tenham como resultado a criação duma sociedade que não se pareça com a antiga, isto é, da sociedade comunista. Por isso precisamos de nos deter pormenorizadamente naquilo que devemos ensinar e como deve aprender a juventude se quiser realmente justificar o nome de juventude comunista, e como prepará-la para que seja capaz de acabar de construir e completar aquilo que nós começámos.

Devo dizer que a primeira resposta, e, ao que parece, a mais natural, é que a união da juventude e toda a juventude em geral que queira passar ao comunismo tem de aprender o comunismo.

Mas esta resposta, «aprender o comunismo», é demasiado geral. De que é que necessitamos para aprender o comunismo? Que é que necessitamos de escolher, da soma de conhecimentos gerais, para adquirir o conhecimento do comunismo? Aqui ameaça-nos toda uma série de perigos, que se manifestam a cada passo quando se coloca incorrectamente a tarefa de aprender o comunismo ou quando ela é compreendida duma maneira demasiado unilateral.

À primeira vista, naturalmente, surge a ideia de que aprender o comunismo é assimilar a soma de conhecimentos que se expõem nos manuais, brochuras e trabalhos comunistas. Mas isso seria definir de um modo demasiado grosseiro e insuficiente o estudo do comunismo. Se o estudo do comunismo consistisse unicamente em assimilar aquilo que está exposto nos trabalhos, livros e brochuras comunistas, poderíamos obter com demasiada facilidade exegetas ou fanfarrões comunistas, o que muitas vezes nos causaria dano e prejuízo, porque esses indivíduos, depois de terem aprendido e lido aquilo que se expõe nos livros e brochuras comunistas, seriam incapazes de combinar todos esses conhecimentos e não saberiam agir como o exige realmente o comunismo.

Um dos maiores males e calamidades que nos ficaram da velha sociedade capitalista é o completo divórcio entre o livro e a vida prática, pois tínhamos livros onde tudo era pintado com o melhor aspecto e estes livros, na maior parte dos casos, eram a mentira mais repugnante e hipócrita, que nos desenhava falsamente a sociedade capitalista.

Por isso seria extremamente incorrecta a simples assimilação livresca daquilo que dizem os livros sobre o comunismo. Os nossos discursos e artigos de agora não são uma simples repetição daquilo que se disse antes sobre o comunismo, pois os nossos discursos e artigos estão ligados ao nosso trabalho quotidiano e multilateral. Sem trabalho, sem luta, o conhecimento livresco do comunismo, adquirido em brochuras e obras comunistas, não vale absolutamente nada, porque prolongaria o antigo divórcio entre a teoria e a prática, esse antigo divórcio que constituía o mais repugnante traço da velha sociedade burguesa.

Seria ainda mais perigoso se começássemos a assimilar apenas as palavras de ordem comunistas. Se não compreendêssemos a tempo este perigo e se não orientássemos todo o nosso trabalho para eliminar este perigo, a existência de meio milhão ou de um milhão de jovens rapazes ou raparigas que depois de tal estudo do comunismo se chamassem comunistas apenas traria um grande prejuízo à causa do comunismo.

Aqui coloca-se-nos a questão de saber como combinar tudo isto para aprender o comunismo. Que é que devemos tomar da velha escola, da velha ciência? A velha escola declarava que queria criar homens instruídos em todos os domínios e que ensinava as ciências em geral. Sabemos que isso era pura mentira, pois toda a sociedade se baseava e assentava na divisão dos homens em classes, em exploradores e oprimidos. Como é natural, toda a velha escola, estando inteiramente impregnada de espírito de classe, só dava conhecimentos aos filhos da burguesia. Nessas escolas, a jovem geração de Operários e camponeses não era tanto educada como treinada no interesse dessa mesma burguesia. Educavam-nos para preparar para ela servidores úteis, capazes de lhe dar lucros, e que ao mesmo tempo não perturbassem a sua tranquilidade e ociosidade. Por isso, ao rejeitar a velha escola, propusemo-nos a tarefa de tomar dela apenas aquilo que nos é necessário para conseguir uma verdadeira formação comunista.

Abordarei aqui as acusações, as censuras à velha escola, que constantemente se ouvem e que conduzem não raro a interpretações inteiramente falsas. Diz-se que a velha escola era uma escola de estudo livresco, uma escola de amestramento, uma escola de aprendizagem de cor. Isto é verdade, mas é preciso saber distinguir aquilo que a velha escola tinha de mau daquilo que tinha de útil para nós, é preciso saber escolher dela aquilo que é necessário para o comunismo.

A velha escola era a escola do estudo livresco, obrigava as pessoas a assimilar uma quantidade de conhecimentos inúteis, supérfluos, mortos, que atulhavam a cabeça e transformavam a jovem geração num exército de funcionários talhados todos pela mesma medida. Mas se tentásseis tirar a conclusão de que se pode ser comunista sem ter assimilado os conhecimentos acumulados pela humanidade cometeríeis um enorme erro. Seria errado pensar que basta assimilar as palavras de ordem comunistas, as conclusões da ciência comunista, sem assimilar a soma de conhecimentos de que o comunismo é consequência. O marxismo é um exemplo que mostra como o comunismo surgiu da soma dos conhecimentos humanos.

Lestes e ouvistes que a teoria comunista, a ciência comunista, criada principalmente por Marx, que esta teoria do marxismo deixou de ser obra de um só socialista, ainda que genial, do século XIX, que esta doutrina se tornou a doutrina de milhões e dezenas de milhões de proletários de todo o mundo, que aplicam esta doutrina na sua luta contra o capitalismo. E se levantardes a questão: porque é que a doutrina de Marx pôde conquistar milhões e dezenas de milhões de corações na classe mais revolucionária - recebereis uma só resposta: isto aconteceu porque Marx se apoiava na sólida base dos conhecimentos humanos adquiridos sob o capitalismo. Ao estudar as leis do desenvolvimento da sociedade humana, Marx compreendeu a inevitabilidade do desenvolvimento do capitalismo, que conduz ao comunismo e - o que é essencial - demonstrou-o baseando-se exclusivamente no estudo mais exacto, mais pormenorizado e mais profundo dessa sociedade capitalista, por ter assimilado plenamente tudo aquilo que a ciência anterior tinha dado. Ele reelaborou de um modo crítico, sem deixar de dar atenção a um único ponto, tudo aquilo que a sociedade humana tinha criado. Reelaborou tudo aquilo que o pensamento humano tinha criado, submeteu-o a crítica, comprovou-o no movimento operário e retirou daí as conclusões que as pessoas limitadas ao quadro burguês ou atadas aos preconceitos burgueses não podiam retirar.

É preciso ter isto em conta quando falamos, por exemplo, da cultura proletária(N206). Sem a compreensão clara de que só com um conhecimento preciso da cultura criada por todo o desenvolvimento da humanidade, só com a sua reelaboração, se pode construir a cultura proletária, sem esta compreensão não realizaremos esta tarefa. A cultura proletária não surge do nada, não é uma invenção das pessoas que se chamam especialistas cm cultura proletária. Isso é pura idiotice. A cultura proletária deve ser o desenvolvimento lógico da soma de conhecimentos que a humanidade elaborou sob o jugo da sociedade capitalista, da sociedade latifundiária, da sociedade burocrática. Todos esses caminhos e atalhos conduziram e conduzem e continuarão a conduzir à cultura proletária, do mesmo modo que a economia política, reelaborada por Marx, nos mostrou onde deve chegar a sociedade humana, nos indicou a passagem à luta de classes, ao começo da revolução proletária.

Quando ouvimos com frequência, tanto entre representantes da juventude como entre alguns defensores da nova educação, ataques à velha escola dizendo que a velha escola era a escola da aprendizagem de cor, dizemos-lhes que devemos tomar dessa velha escola tudo quanto ela tinha de bom. Não devemos tomar da velha escola o método que consistia em sobrecarregar a memória dos jovens com uma quantidade desmesurada de conhecimentos, inúteis em nove décimos e adulterados em um décimo, mas isso não significa que possamos limitar-nos às conclusões comunistas e aprender as palavras de ordem comunistas. Desse modo não se criará o comunismo. Só se pode chegar a ser comunista depois de ter enriquecido a memória com o conhecimento de todas as riquezas que a humanidade elaborou.

Não precisamos da aprendizagem de cor, mas precisamos de desenvolver e aperfeiçoar a memória de cada estudante com o conhecimento de factos fundamentais, porque o comunista transformar-se-ia numa palavra vazia, transformar-se-ia num rótulo fútil, e o comunismo não seria mais do que um simples fanfarrão se não reelaborasse na sua consciência todos os conhecimentos adquiridos. Não só deveis assimilá-los, mas assimilá-los com espírito crítico para não atulhar a vossa inteligência com trastes inúteis, e enriquecê-la com o conhecimento de todos os factos sem os quais não é possível ser um homem moderno culto. Se um comunista tivesse a ideia de se vangloriar do seu comunismo na base de conclusões já prontas por ele recebidas, sem ter realizado um trabalho muito sério, muito difícil e muito grande, sem compreender os factos em relação aos quais tem a obrigação de adoptar uma atitude crítica, seria um comunista muito triste. Se eu sei que sei pouco, esforçar-me-ei por saber mais, mas se um homem diz que é comunista e que não tem necessidade de conhecimentos sólidos nunca sairá dele nada que se pareça com um comunista.

A velha escola produzia os servidores necessários aos capitalistas, a velha escola fazia dos homens de ciência pessoas que tinham de escrever e falar ao gosto dos capitalistas. Isso quer dizer que devemos suprimi-la. Mas se devemos suprimi-la, se devemos destruí-la, quer isso dizer que não devemos tomar dela tudo aquilo que a humanidade acumulou e que é necessário para o homem? Quer isso dizer que não devemos saber distinguir aquilo que era necessário para o capitalismo daquilo que é necessário para o comunismo?

No lugar do antigo amestramento, que se praticava na sociedade burguesa, apesar da vontade da maioria, nós colocamos a disciplina consciente dos operários e camponeses, que unem ao seu ódio contra a velha sociedade a decisão, a capacidade e a disposição de unir e organizar as forças para essa luta, a fim de criar, da vontade de milhões e centenas de milhões de pessoas isoladas, divididas e dispersas pela extensão de um país imenso, uma vontade única, pois sem esta vontade única seremos inevitavelmente vencidos. Sem essa coesão, sem essa disciplina consciente dos operários e dos camponeses, a nossa causa é uma causa sem esperança. Sem isto não poderemos vencer os capitalistas e latifundiários de todo o mundo. Nem sequer consolidaremos os alicerces, para não falar já da construção sobre estes alicerces da nova sociedade comunista. Do mesmo modo, rejeitando a velha escola, alimentando contra esta velha escola um ódio absolutamente legítimo e necessário, apreciando a disposição de destruir a velha escola, devemos compreender que o velho ensino livresco, a velha aprendizagem de cor e o velho amestramento devem ser substituídos pela capacidade de se apropriar de toda a soma de conhecimentos humanos, e apropriar-se deles de tal modo que o comunismo não seja em vós algo aprendido de memória, mas seja pensado por vós mesmos, seja uma conclusão necessária do ponto de vista da educação moderna.

É assim que devem ser colocadas as tarefas fundamentais quando falamos da tarefa de aprender o comunismo.

Para vos explicar isto e abordar ao mesmo tempo a questão de como aprender, tomarei um exemplo prático. Todos sabeis que agora, a seguir às tarefas militares, às tarefas da defesa da república, se coloca perante nós a tarefa económica. Sabemos que é impossível edificar a sociedade comunista sem restaurar a indústria e a agricultura, e é preciso restaurá-las não à maneira antiga. É preciso restaurá-las sobre uma base moderna, segundo a última palavra da ciência. Vós sabeis que essa base é a electricidade, que só quando todo o país, todos os ramos da indústria e da agricultura estiverem electrificados, quando realizardes essa tarefa, só então podereis edificar para vós mesmos a sociedade comunista que a velha geração não poderá edificar. Coloca-se perante vós a tarefa do renascimento tanto da agricultura como da indústria sobre uma base técnica moderna, que assente na ciência e na técnica modernas, na electricidade. Compreendeis perfeitamente que a electrificação não pode ser obra de analfabetos e que aqui não basta uma instrução elementar. Aqui não basta compreender o que é a electricidade: é preciso saber como aplicá-la tecnicamente à indústria, à agricultura e a cada um dos ramos da indústria e da agricultura. Tudo isso temos que aprendê-lo nós próprios, e devemos ensiná-lo a toda a jovem geração trabalhadora. Esta é a tarefa que se coloca a cada comunista consciente, a cada jovem que se considera comunista e que se dá claramente conta de que, ao ingressar na União Comunista da Juventude, assumiu a tarefa de ajudar o partido a edificar o comunismo e de ajudar toda a jovem geração a criar a sociedade comunista. Ele deve compreender que só sobre a base da educação moderna a poderá criar, e que se não possuir essa educação o comunismo continuará a ser apenas um desejo.

A tarefa da geração precedente reduzia-se a derrubar a burguesia. Criticar a burguesia, desenvolver nas massas o ódio contra ela, desenvolver a consciência de classe e saber unir as suas forças eram então as tarefas essenciais. A nova geração tem à sua frente uma tarefa mais complexa. Não deveis apenas unir as vossas forças para apoiar o poder operário e camponês contra a invasão dos capitalistas. Isso deveis fazê-lo. Compreendeste-lo admiravelmente, como o vê claramente qualquer comunista. Mas isso é insuficiente. Vós deveis edificar a sociedade comunista. A primeira metade do trabalho está já feita em muitos aspectos. O velho foi destruído, como devia ser destruído, constitui um monte de escombros, que é aquilo em que devia ser transformado. O terreno está já limpo e sobre esse terreno a nova geração comunista deve edificar a sociedade comunista. A vossa tarefa é edificar, e só podereis cumpri-la possuindo todos os conhecimentos modernos, sabendo transformar o comunismo de fórmulas, conselhos, receitas, prescrições e programas já feitos e aprendidos de cor em algo de vivo que dá unidade ao vosso trabalho imediato, transformar o comunismo em guia do vosso trabalho prático.

Esta é a vossa tarefa, pela qual deveis guiar-vos na obra de formação, educação, elevação de toda a jovem geração. Deveis ser os primeiros construtores da sociedade comunista entre os milhões de construtores que devem ser todos os rapazes, todas as raparigas. Se não incorporardes nessa edificação do comunismo toda a massa da juventude operária e camponesa, não construireis a sociedade comunista.

Aqui abordo, naturalmente, a questão de como devemos ensinar o comunismo e em que deve consistir a particularidade dos nossos métodos.

E aqui deter-me-ei antes de mais na questão da moral comunista.

Deveis educar-vos para serdes comunistas. A tarefa da União da Juventude consiste em formular a sua actividade prática de modo que, ao aprender, ao organizar-se, ao unir-se, ao lutar, esta juventude se eduque a si própria e a todos aqueles que a vêem como chefe, que eduque comunistas. É preciso que toda a obra de educação, de formação e de ensino da juventude contemporânea seja a educação nela da moral comunista.

Mas existe uma moral comunista? Existe uma ética comunista? Naturalmente que sim. Apresentam-se frequentemente as coisas de tal modo que nós não teríamos uma moral própria, e a burguesia acusa-nos frequentemente de que nós, os comunistas, rejeitamos toda a moral. Isto é um processo de confundir os conceitos e lançar areia aos olhos dos operários e camponeses.

Em que sentido rejeitamos nós a moral, rejeitamos a ética?

No sentido em que a pregava a burguesia, que deduzia esta ética de mandamentos de Deus. A este respeito dizemos, naturalmente, que não acreditamos em Deus, e sabemos muito bem que em nome de Deus falava o clero, falavam os latifundiários, falava a burguesia, para fazer passar os seus interesses de exploradores. Ou então, em vez de deduzir essa moral dos mandamentos da ética, dos mandamentos de Deus, deduziam-na de frases idealistas ou semi-idealistas, que sempre se reduziram também a algo de muito parecido com os mandamentos de Deus.

Nós rejeitamos toda essa ética, tomada de conceitos extra-humanos, fora das classes. Dizemos que isso é enganar, iludir e embrutecer a inteligência dos operários e camponeses no interesse dos latifundiários e capitalistas.

Dizemos que a nossa ética está por completo subordinada aos interesses da luta de classe do proletariado.

A velha sociedade baseava-se na opressão de todos os operários e camponeses pelos latifundiários e capitalistas. Precisávamos de destruí-la, precisávamos de os derrubar, mas para isso era necessário criar a união. E não era Deus que podia criar tal união.

Tal união só a podiam dar as fábricas, só um proletariado instruído, desperto da velha letargia. Só quando se constituiu esta classe começou o movimento de massas que conduziu àquilo que hoje vemos: à vitória da revolução proletária num dos países mais fracos, que se defende há três anos da investida da burguesia de todo o mundo. E vemos como a revolução proletária cresce em todo o mundo. Agora dizemos, baseando-nos na experiência, que só o proletariado pôde criar uma força tão coesa, que é seguida pelo campesinato disperso e fragmentado e que foi capaz de resistir a todas as investidas dos exploradores. Só esta classe pode ajudar as massas trabalhadoras a unirem-se, a ganhar coesão, a assentar definitivamente, a consolidar definitivamente a sociedade comunista, a edificá-la definitivamente.

Por isso dizemos: para nós a ética tomada fora da sociedade humana não existe; é um logro. Para nós, a ética está subordinada aos interesses da luta de classe do proletariado.

E em que consiste então essa luta de classe? Consiste em derrubar o tsar, em derrubar os capitalistas, em aniquilar a classe dos capitalistas.

E que são as classes em geral? São aquilo que permite a uma parte da sociedade apropriar-se do trabalho da outra. Se uma parte da sociedade se apropria de toda a terra, temos as classes dos latifundiários e dos camponeses. Se uma parte da sociedade tem as fábricas, tem as acções e os capitais, enquanto a outra trabalha nessas fábricas, temos as classes dos capitalistas e dos proletários.

Não foi difícil desembaraçarmo-nos do tsar - bastaram para isso alguns dias. Não foi muito difícil desembaraçarmo-nos dos latifundiários, pudemos fazê-lo em alguns meses, não foi muito difícil desembaraçarmo-nos também dos capitalistas. Mas suprimir as classes é incomparavelmente mais difícil; subsiste ainda a divisão em operários e camponeses. Se um camponês instalado numa parcela de terra se apropria do excedente de cereais, isto é, dos cereais que não são necessários para ele nem para o seu gado, e todos os outros ficam sem pão, esse camponês transforma-se já em explorador. Quanto mais cereais retém, mais ganha, e que os outros passem fome: «quanto mais fome passarem mais caro venderei estes cereais». É preciso que todos trabalhem de acordo com um plano comum numa terra comum, em fábricas comuns e de acordo com um regulamento comum. Será fácil fazê-lo? Vós vedes que aqui não é possível conseguir soluções com a mesma facilidade que quando nos desembaraçámos do tsar, dos latifundiários e dos capitalistas. Aqui é necessário que o proletariado transforme, reeduque uma parte dos camponeses e atraia aqueles que são camponeses trabalhadores, para liquidar a resistência dos camponeses que são ricos e enriquecem com a miséria dos restantes. Por conseguinte, a tarefa da luta do proletariado ainda não terminou com o facto de que derrubámos o tsar e nos desembaraçámos dos latifundiários e dos capitalistas, e é precisamente nisso que consiste a tarefa do regime a que chamamos ditadura do proletariado.

A luta de classe continua; apenas mudaram as suas formas. É a luta de classe do proletariado para que não possam voltar os velhos exploradores, para unir a massa dispersa do campesinato ignorante. A luta de classe continua, e a nossa tarefa é subordinar todos os interesses a essa luta. E nós subordinamos a esta tarefa a nossa ética comunista. Dizemos: a ética é aquilo que serve a destruição da antiga sociedade exploradora e a união de todos os trabalhadores em torno do proletariado, criador da nova sociedade dos comunistas.

A ética comunista é que serve esta luta, a que une os trabalhadores contra toda a exploração, contra toda a pequena propriedade, pois a pequena propriedade coloca nas mãos de uma pessoa aquilo que foi criado pelo trabalho de toda a sociedade. No nosso país, a terra é considerada propriedade comum.

Mas que acontecerá se me aproprio dum pedaço dessa propriedade comum, se cultivo nele duas vezes mais cereais do que necessito e especulo com o excedente dos cereais? Se penso que quanto mais famintos houver mais caro me pagarão, procederei como comunista? Não, como explorador, como proprietário. Temos de lutar contra isso. Se as coisas continuam assim, voltaremos atrás, ao poder dos capitalistas, ao poder da burguesia, como aconteceu mais de uma vez nas revoluções anteriores. E para não deixar que se restaure o poder dos capitalistas e da burguesia, para isto é necessário não permitir o mercantilismo à custa de outras, para isto é necessário que os trabalhadores se unam ao proletariado e constituam a sociedade comunista. Nisto consiste, precisamente, a principal particularidade da tarefa fundamental da união e da organização da juventude comunista.

A velha sociedade baseava-se no princípio de que ou tu roubas outro ou outro te rouba a ti, ou trabalhas para outro ou outro para ti, ou és escravista ou és escravo. E é compreensível que homens educados nesta sociedade assimilem, por assim dizer com o leite materno, a psicologia, o costume, a ideia de que ou se é escravista ou escravo, ou pequeno proprietário, pequeno empregado, pequeno funcionário, intelectual, numa palavra um homem que se preocupa apenas em ter o que é seu e não se importa com os outros. Se exploro esta parcela de terra, pouco me importam os outros; se o outro passa fome, tanto melhor, venderei os meus cereais mais caro. Se tenho o meu lugarzinho, como médico, como engenheiro, professor, empregado, pouco me importam os outros. E talvez sendo complacente, agradando aos poderosos, conserve o meu lugarzinho e possa mesmo fazer carreira e chegar a burguês. Tal psicologia e tal estado de espírito não podem existir num comunista. Quando os operários e camponeses demonstraram que somos capazes, com as nossas próprias forças, de nos defender e de criar uma nova sociedade, precisamente aqui começou a nova educação, a educação na luta contra os exploradores, a educação na aliança com o proletariado contra os egoístas e os pequenos proprietários, contra a psicologia e os hábitos que dizem: eu procuro o meu próprio benefício e o resto não me preocupa.

Eis em que consiste a resposta à pergunta de como deve a jovem geração aprender o comunismo.

Ela só pode aprender o comunismo se ligar cada passo do seu estudo, da sua educação e da sua formação à luta incessante dos proletários e dos trabalhadores contra a velha sociedade exploradora. Quando nos falam de ética, dizemos: para um comunista, toda a ética reside nessa disciplina solidária e unida e nessa luta consciente das massas contra os exploradores. Não acreditamos na ética eterna e desmascaramos a mentira de todas as fábulas acerca da ética. A ética serve para que a sociedade humana se eleve mais alto, se liberte da exploração do trabalho.

Para o realizar precisamos da geração dos jovens que começaram a tornar-se homens conscientes nas condições da luta disciplinada e encarniçada contra a burguesia. É nessa luta que ela educará verdadeiros comunistas, é a essa luta que ela deve subordinar e ligar a cada passo o seu estudo, formação e educação. A educação da juventude comunista não deve consistir em oferecer-lhe discursos adocicados de toda a espécie e regras de ética. Não é nisto que consiste a educação. Quando os homens viram como os seus pais e mães viveram sob o jugo dos latifundiários e capitalistas, quando eles próprios participaram nos sofrimentos que se abatiam sobre aqueles que iniciaram a luta contra os exploradores, quando viram que sacrifícios custou a continuação dessa luta para defender aquilo que foi conquistado e que inimigos furiosos são os latifundiários e os capitalistas, esses homens educam-se nesse ambiente como comunistas. A base da ética comunista está na luta pela consolidação e realização completa do comunismo. Eis em que consiste também a base da educação, da formação e do ensino comunistas. Eis em que consiste a resposta à questão de como se deve aprender o comunismo.

Não acreditaríamos no ensino, na educação e formação se estes estivessem encerrados apenas na escola e separados da vida tempestuosa. Enquanto os operários e os camponeses continuarem oprimidos pelos latifundiários e capitalistas, enquanto as escolas continuarem nas mãos dos latifundiários e capitalistas, a geração da juventude permanecerá cega e ignorante. Mas a nossa escola deve dar à juventude as bases do conhecimento, a capacidade de forjar por si mesmos concepções comunistas, deve fazer deles homens cultos. A escola deve, durante o tempo que os homens estudam nela, fazer deles participantes na luta pela libertação em relação aos exploradores. A União Comunista da Juventude só justificará o seu nome, só justificará que é a União da jovem geração comunista, se ligar cada passo da sua instrução, educação e formação à participação na luta comum de todos os trabalhadores contra os exploradores. Porque vós sabeis perfeitamente que enquanto a Rússia for a única república operária, e no resto do mundo existir a velha ordem burguesa, seremos mais fracos do que eles, que nos ameaça constantemente um novo ataque, e que só aprendendo a manter a coesão e a unidade venceremos na luta futura e, uma vez fortalecidos, tornar-nos-emos verdadeiramente invencíveis. Deste modo, ser comunista significa organizar e unir toda a jovem geração, dar o exemplo de educação e de disciplina nesta luta. Então podereis começar e levar até ao fim a construção do edifício da sociedade comunista.

Para vos tornar isto mais claro citarei um exemplo. Nós chamamo-nos comunistas. Que é um comunista? Comunista é uma palavra latina. Communis significa comum. A sociedade comunista significa que tudo é comum: a terra, as fábricas, o trabalho de todos - eis o que é o comunismo.

Poderá o trabalho ser comum se cada um dirige a sua exploração numa parcela separada? O trabalho comum não se cria de repente. Isso é impossível. Não cai do céu. É preciso ganhá-lo, obtê-lo com sacrifícios, criá-lo. E cria-se durante a luta. Não se trata aqui de um velho livro, livro em que ninguém acreditaria. Trata-se da própria experiência da vida. Quando Koltchak e Deníkine avançavam da Sibéria e do Sul, os camponeses estavam a seu lado. O bolchevismo não lhes agradava, porque os bolcheviques lhes tiravam os cereais a preços fixos. Mas quando os camponeses sofreram na Sibéria e na Ucrânia o poder de Koltchak e Deníkine, compreenderam que o camponês não tem alternativa: ou voltar ao capitalista, e ele entregar-te-á como escravo ao latifundiário, ou seguir o operário, que na verdade não promete mundos e fundos e exige uma férrea disciplina e firmeza na dura luta, mas que te tirará da escravidão dos capitalistas e latifundiários. Quando até os camponeses ignorantes viram isto por experiência própria, então tornaram-se partidários conscientes do comunismo formados numa dura escola. Esta mesma experiência deve ser colocada pela União Comunista da Juventude na base de toda a sua actividade.

Respondi às questões do que devemos aprender, do que precisamos de tomar da velha escola e da velha ciência. Procurarei responder também à questão de como é preciso apreendê-lo: só ligando indissoluvelmente cada passo da actividade na escola, cada passo da educação, da formação e do ensino à luta de todos os trabalhadores contra os exploradores.

Com alguns exemplos, extraídos da experiência do trabalho desta ou daquela organização da juventude, mostrar-vos-ei de modo evidente como se deve fazer esta educação do comunismo. Todos falam de liquidar o analfabetismo. Sabeis que num país analfabeto é impossível edificar a sociedade comunista. Não basta que o poder Soviético dê uma ordem, ou que se lance uma certa parte dos melhores militantes nessa tarefa. Para isto é necessário que a jovem geração deite ela mesmo mãos à obra. O comunismo consiste em que a juventude, os rapazes e raparigas que constituem a União da Juventude digam: essa é a nossa causa, unir-nos-emos e iremos para o campo para liquidar o analfabetismo, para que a nossa jovem geração não tenha analfabetos. Fazemos tudo para que a iniciativa da jovem geração seja consagrada a esta obra. Vós sabeis que é impossível transformar rapidamente a Rússia de um país ignorante e analfabeto num país instruído; mas se a União da Juventude se empenhar nisso, se toda a juventude trabalhar em proveito de todos, então esta União, que une 400 000 rapazes e raparigas, terá o direito de se chamar União Comunista da Juventude. A tarefa da União consiste ainda em, ao assimilar um ou outro conhecimento, ajudar a juventude que não pode libertar-se por si mesma das trevas do analfabetismo. Ser membro da União da Juventude significa consagrar o seu trabalho, as suas forças, à causa comum. Nisto é que consiste a educação comunista. Só neste trabalho um rapaz ou uma rapariga se converterá num verdadeiro comunista. Só se tornarão comunistas se conseguirem alcançar êxitos práticos com este trabalho.

Tomai, por exemplo, o trabalho nas hortas suburbanas. Não será esse um trabalho útil? Essa é uma das tarefas da União Comunista da Juventude. O povo passa fome, há fome nas fábricas. Para nos livrarmos da fome é preciso desenvolver as hortas, mas a agricultura continua a fazer-se à antiga. É preciso que os elementos mais conscientes ponham mãos à obra, e então vereis aumentar o número de hortas, aumentar a sua superfície e melhorar os resultados. A União Comunista da Juventude deve participar activamente. Cada união ou cada célula da União deve considerar esta tarefa como sua tarefa.

A União Comunista da Juventude deve ser um grupo de choque que em qualquer trabalho dá a sua ajuda e manifesta a sua iniciativa e espírito empreendedor. A União deve ser tal que qualquer operário veja nela pessoas cuja doutrina talvez lhe seja incompreensível, em cujas ideias talvez não acredite imediatamente, mas em cujo trabalho real e em cuja actuação veja que são realmente pessoas que lhe indicam o caminho certo.

Se a União Comunista da Juventude não souber organizar assim o seu trabalho em todos os domínios, isso significa que se desvia para o antigo caminho burguês. Precisamos de unir a nossa educação à luta dos trabalhadores contra os exploradores para ajudar os primeiros a cumprir as tarefas que decorrem da doutrina do comunismo.

Os membros da União devem consagrar todas as suas horas livres a melhorar as hortas, ou a organizar em qualquer fábrica a instrução da juventude, etc. Queremos transformar a Rússia de um país pobre e miserável num país rico. E é necessário que a União Comunista da Juventude una a sua formação, o seu ensino e a sua educação ao trabalho dos operários e dos camponeses, que não se feche nas suas escolas nem se limite a ler livros e brochuras comunistas. Só no trabalho com os operários e os camponeses se pode chegar a ser verdadeiro comunista. E é preciso que todos os que entram para a União da Juventude sejam instruídos e, ao mesmo tempo, saibam trabalhar. Quando todos virem como expulsámos da velha escola o velho amestramento, substituindo-o por uma disciplina consciente, como cada jovem participa nos sábados comunistas, como utiliza cada exploração suburbana para ajudar a população, o povo olhará o trabalho de modo diferente do que olhava antes.

É tarefa da União Comunista da Juventude organizar na sua aldeia ou no seu bairro a ajuda numa obra - tomarei um pequeno exemplo – como assegurar a limpeza ou a distribuição de comida. Como se fazia isto na velha sociedade capitalista? Cada qual trabalhava só para si, ninguém se preocupava se havia velhos ou doentes, ou se todos os trabalhos da casa recaíam sobre os ombros da mulher, que se encontrava por isso oprimida e escravizada. Quem tem o dever de lutar contra isto? As uniões da juventude, que devem dizer: nós transformaremos isto, organizaremos destacamentos de jovens que ajudarão a assegurar a limpeza ou a distribuição de comida, percorrendo sistematicamente as casas, que actuarão organizadamente para o bem de toda a sociedade, repartindo acertadamente as forças e mostrando que o trabalho deve ser um trabalho organizado.

A geração cujos membros têm agora cerca de 50 anos não pode esperar ver a sociedade comunista. Esta geração terá morrido antes. Mas a geração que tem hoje 15 anos verá a sociedade comunista e será ela que construirá ela própria esta sociedade. E deve saber que toda a tarefa da sua vida é a construção dessa sociedade. Na velha sociedade, o trabalho fazia-se por famílias isoladas e ninguém o unia a não ser os latifundiários e capitalistas, que oprimiam as massas do povo. Nós devemos organizar todos os trabalhos, por mais sujos ou difíceis que sejam, de modo que cada operário e camponês se veja a si próprio deste modo: sou uma parte do grande exército do trabalho livre e saberei organizar a minha vida sem latifundiários nem capitalistas, saberei estabelecer a ordem comunista. É preciso que a União Comunista da Juventude eduque todos, desde muito jovens(1*), no trabalho consciente e disciplinado. Eis de que modo podemos esperar que sejam realizadas as tarefas que hoje se colocam. Devemos ter em conta que serão necessários pelo menos 10 anos para electrificar o país, para que a nossa terra depauperada possa ter ao seu serviço as últimas conquistas da técnica. A geração que tem actualmente 15 anos e que dentro de 10-20 anos viverá na sociedade comunista deve organizar todas as tarefas da sua instrução de maneira que cada dia, em qualquer aldeia, em qualquer cidade, a juventude cumpra na prática uma ou outra tarefa do trabalho comum, por muito pequena, por muito simples que seja. À medida que isto se realize em cada aldeia, à medida que se desenvolva a emulação comunista, à medida que a juventude demonstre que sabe unir o seu trabalho, à medida que isso se verifique, ficará assegurado o êxito da edificação comunista. Só considerando cada um dos seus passos do ponto de vista de êxito dessa construção, só perguntando a si própria se fizemos tudo para sermos trabalhadores unidos e conscientes, a União Comunista da Juventude conseguirá agrupar o meio milhão dos seus membros num só exército do trabalho e granjear o respeito geral. (Uma tempestade de aplausos).

Início da página

Notas de rodapé:

(N206) Lénine refere-se a conceitos alheios ao marxismo, difundidos sob a denominação da «cultura proletária» pelos membros da organização cultural e educativa Proletkult. Tendo aparecido ainda em Setembro de 1917 como organização independente, a Proletkult continuava a defender a sua «independência» mesmo depois da Revolução de Outubro, opondo-se desta maneira ao Estado proletário. Os membros da Proletkult negavam de facto a herança cultural do passado, tentavam isolar-se das tarefas do trabalho cultural e educativo entre as massas e procuravam criar, desligados da realidade por «via laboratorial» uma «cultura proletária» especial. Reconhecendo em palavras o marxismo, o ideólogo principal da Proletkult, A. A. Bogdánov, defendia de facto uma filosofia idealista subjectivista machista. A Proletkult não era uma organização homogénea, pois incluía, além de intelectuais burgueses que ocupavam posições dirigentes em muitas das suas organizações, também jovens operários que desejavam sinceramente promover o desenvolvimento cultural no Estado Soviético. As organizações da Proletkult tiveram o seu maior desenvolvimento em 1919, tendo entrado em decadência no princípio da década de 1920; em 1932 a Proletkult deixou de existir. (retornar ao texto)

(1*) No Pravda nº 223, de 7 de Outubro de 1920, em vez das palavras «desde muito jovens» aparecem as palavras «desde os doze anos». (N. Ed.) (retornar ao texto)
Fonte


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O sindicalismo classista, o feminismo emancipacionista e as jovens mulheres - Paulo Vinícius Silva

Texto originalmente publicado na revista Mulher d´Classe, da CTB. Baixe a revista completa aqui

Os trabalhadores, as trabalhadoras e o movimento sindical brasileiro têm se beneficiado de um contexto de recuperação do emprego formal, de democracia e avanço das forças de esquerda na cena política. Seu papel nesses avanços é muito anterior e foi decisivo para a vitória na eleição de 2002, marco dessa quadra
histórica para o Brasil. Está em nossas mãos fazer o que conquistamos até aqui avançar ainda mais. Por
isso é importante reconhecer que em cada batalha política e econômica do movimento sindical nesse
período, está a luta das mulheres.

Se não podemos pensar num país avançado sem que as mulheres tenham direito à igualdade, não podemos pensar no desenvolvimento do Brasil sem levar em conta que dois terços de sua força de trabalho ainda sofrem as consequências de mais de 20 anos de concentração de renda, ausência de crescimento econômico e ataques aos direitos do povo, fatos que caracterizaram o Brasil desde a crise do nacional-desenvolvimentismo a que se somou o neoliberalismo.

A retomada do crescimento econômico permite-nos divisar avanços que se expressam em vários indicadores atuais, que dão conta de as jovens mulheres terem escolaridade superior à dos homens, terem diante de si um horizonte mais amplo de direitos e perspectivas, serem contemporâneas da Lei Maria da Penha e das conquistas da Revolução Sexual dos anos 60, serem 41,7% da PEA e terem avançado muito quanto à sua independência financeira.

Todavia, os êxitos não podem nos fazer esquecer as inúmeras consequências do machismo e do
capitalismo sobre as mulheres. Assim, é preciso dizer que há uma imensa estrada ainda a percorrer,
que é ao mesmo tempo a estrada pela qual terá de transitar a nação brasileira no caminho da sua libertação.
Por isso mesmo é decisivo ao movimento sindical e ao movimento feminista compreender o papel que podem cumprir as jovens mulheres para a sua atualização e vigência, assim como para maiores avanços na luta emancipacionista.

Por outro lado, o movimento sindical é em muitos aspectos hostil ou pouco atrativo às mulheres. Afinal, o nosso formato de assembleias e protestos, os horários das atividades, a abordagem  na imprensa sindical, a concentração sexista dos cargos de direção, o pouco apoio dos sindicatos às famílias, o baixo investimento nas atividades políticas com acesso à maternagem, afora o próprio machismo e a baixa presença das mulheres nas direções, são problemas graves que precisam ser encarados com mais ousadia.

Por fim, é preciso que as jovens mulheres, por seu lado, aprendam uma importante lição do passado 
e que serve para os dias de hoje: devem lutar pelos seus direitos e também por seu protagonismo.
Direitos e espaços precisam ser conquistados, elas têm mais do que condições e méritos para brilhar na luta sindical, se decidirem fazê-lo. 

Paulo Vinícius S. da Silva é secretário da Juventude Trabalhadora da CTB

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Entrevista da Semana no Portal CTB - paulo Vinícius Secretário Nacional de Juventude

A juventude quer ser parte integral da sociedade e quer dar sua contribuição
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Paulo Vinícius, sociólogo, milita nos movimentos estudantis desde 1991, da geração cara-pintada do "Fora Collor", foi ativo participante de grêmios estudantis da ETFCE - Escola Técnica Federal do Ceará e do Diretório Central dos Estudantes da UFC – Universidade Federal do Ceará.
Durante o período de 2001 a 2005 foi Diretor de Relações Internacionais da UNE - União nacional dos Estudantes, em 2003, representou a entidade na OCLAE - Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes e no Fórum Social Mundial. Na UJS – União da Juventude Socialista foi diretor de Solidariedade Internacional e de Formação.
PV, como é conhecido, é Secretário de Políticas para a Juventude Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e também membro do CONJUVE - Conselho Nacional de Juventude, concedeu entrevista ao portal da CTB;
Portal CTB: O desenvolvimento econômico dos últimos trouxe novas perspectivas para a juventude trabalhadora no país?
Paulo Vinícius
: Vivemos um momento especial para a juventude brasileira. Há um bônus demográfico, ou seja, uma situação favorável em que os jovens 15 a 34 anos somam 35% da população total, algo em torno de 67 milhões de pessoas. Nunca houve e, se cumprida a tendência da curva de crescimento da população, nem haverá tantos jovens quanto agora, em plena idade produtiva e em busca de um lugar na sociedade. Essa juventude, ademais, vive em uma democracia pujante como a brasileira, e em um momento em que todas as condições estão dadas para conquistarmos um Novo Desenvolvimento para o Brasil.
E essa juventude é determinante para o êxito desse novo momento do país, e por outro lado, integrá-la ao desenvolvimento e à vida adulta de modo exitoso é decisivo para esse novo momento do Brasil. Pois se a juventude é a maior vítima proporcional do desemprego, se ela não tem educação e uma qualificação profissional, se seu ingresso no mercado de trabalho é precário e sem direitos, se ela não pode se expressar e viver sua identidade, sexualidade, se ela não tem acesso à previdência, ao crédito e à terra, como o Brasil vencerá nesse novo momento econômico? Assim as políticas para a juventude são fundamentais para o Brasil dar um salto no rumo do desenvolvimento com valorização do trabalho.
Portal CTB: Nessa recente explosão de manifestações e passeatas notamos a presença de muitos jovens, a que você atribui essa participação maciça da juventude?
Paulo Vinícius
: A juventude que ser parte integral da sociedade e quer dar sua contribuição. Esse peso numérico que ela tem hoje dá uma perfeita possibilidade de isso ter dimensões de massa. As jovens mulheres têm cada vez mais presença na sociedade e no mercado de trabalho, e exigem liberdade, direitos iguais e em especial ao seu próprio corpo. A luta em defesa da livre orientação sexual e contra a homofobia é uma expressão clara de uma parcela importante da sociedade, e também de jovens que desejam viver suas vidas e seu amor sem constrangimentos ou violência.
A luta dos estudantes por uma Reforma da Educação e dos trabalhadores jovens pelo emprego e a qualificação profissional, e pelo direito de continuar estudando são batalhas concretas, pois a moçada quer ter casa, constituir família, ter uma vida profissional e ajudar o Brasil. E por fim, a luta contra a criminalização dos usuários, contra a ausência de políticas de saúde compatíveis com o estágio da epidemia da dependência química e contra o tratamento policialesco e o cerceamento do debate fecham o quadro de referência que estou traçando.
Em todos esses fenômenos que tem ganhado a mídia e a sociedade estão no centro os dilemas da juventude a buscar seu espaço na sociedade brasileira. Em todos, trata-se do direito a ser reconhecido, respeitado, incluído e de ser parte do mundo produtivo. O desafio do movimento sindical - e não apenas dos jovens que atuam na CTB - é dar ouvidos a essas demanda, ouvir as nossas bases sindicais, e fazer do movimento sindical um movimento mais completo, sem abrir mão do classismo, da luta contra o capitalismo, unindo as pontas de uma mesma luta pela emancipação dos trabalhadores.
Portal CTB: Como os jovens participam e analisam a pauta de reivindicações do movimento sindical, em especial da Juventude da CTB.
Paulo Vinícius: Estamos plenamente sintonizados com a Agenda Nacional da Classe Trabalhadora, aprovada na II CONCLAT porque o Brasil precisa crescer, precisa desenvolver sua economia a taxas superiores a 4% ao ano, precisa valorizar o trabalho, pois isso é fundamental para que o desemprego juvenil caia e a juventude possa se incorporar plenamente no mundo do trabalho, e m condições dignas, sem discriminações, e encontre assim seu lugar na vida.
Enquanto vamos demorando nesse caminho, fazendo as concessões que se fazem aos banqueiros, o resultado está aí pelas ruas, no crack e nas drogas feitas para exterminar a juventude da periferia, nas prisões que tem um percentual absurdo de jovens, em especial negros, no desperdício do talento de uma moçada que está cheia de força de vontade e disposição, mas sem a qualificação que lhes desenvolva os talentos e sem a oportunidade de mostrar serviço.
E essa pauta geral do movimento sindical precisa descer para ver essa realidade. Para nós, por exemplo, é importantíssimo influir no PRONATEC, ter um Plano Nacional de Educação que chegue aos jovens trabalhadores, a luta contra a Precarização, contra a terceirização sem limites, pela isonomia e pela sucessão, assuntos muito importantes no debate dos jovens trabalhadores
Portal CTB: Como será a participação da CTB no 52º Congresso da UNE?
Paulo Vinícius: A UNE é uma importante parceira da CTB e o seu congresso é o maior evento da juventude brasileira, por isso a CTB participará de suas atividades com muita alegria. O Presidente da CTB, Wagner Gomes foi convidado a participar e falar na abertura do Congresso. Vários militantes, amigos e simpatizantes vem de todos os estados como delegados porque também são estudantes, e queremos fazer contato com todos e todas para integrar toda essa moçada em nosso trabalho juvenil. Por isso a juventude terá um stand no Congresso. Nele os sindicalistas da CTB poderão aparecer, distribuir seus materiais, trocar umas ideias.
No dia 14 de julho, realizaremos uma reunião do Coletivo Nacional de Jovens Trabalhadores. Pedimos inclusive a compreensão das direções estaduais e dos principais sindicatos da CTB a apoiarem a ida dos estados para essa importante atividade. Vai ser uma reunião fundamental para tratar de nossa I Plenária Nacional da Juventude da CTB, que acontecerá em dezembro. Tratará também de nossas propostas e participação nas conferências de juventude que já acontecem em estados e municípios e que antecedem a 2ª Conferência Nacional de Juventude. E no dia 15 de julho, eu participarei de um dos debates do Congresso, tratando de Educação e Trabalho. Então, esperamos encontrar a juventude da CTB no Congresso da UNE e também aprender com eles, pois a UNE é uma importantíssima referência do movimento juvenil, e seu 52º Congresso será muito importante para esse próximo período.
Celso Jardim - Portal CTB

terça-feira, 26 de maio de 2009

Encontro de Jovens da CTB: a juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro

Paulo Vinícius

A CTB não é um ou mais prédios, carros de som, jornais, esta ou aquela categoria em si mesmas; mais que isto, é uma grande mudança que ainda não mensuramos totalmente. reafirmei esta convicção neste final de semana, ao participar do I Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB, realizado nos dias 23 e 24 de maio em Atibaia, São Paulo.

Graças ao esforço do coletivo de juventude, ao apoio da direção e dos funcionários da CTB e aos 16 estados que enviaram representantes, o encontro superou as expectativas. Mais de 130 jovens, metalúrgicos, marceneiros, operadores de telemarketing, trabalhadores rurais,
comerciários, bancários, funcionários dos Correios, servidores públicos e estagiários estiveram reunidos para refletir e se unir tendo uma mesma aspiração: despertar a juventude para o sindicalismo classista.

Aqueles jovens compreenderam na dura labuta que é indispensável lutar contra a exploração capitalista, e reuniram-se por que sabem ser necessário fazê-lo com a ousadia e a criatividade da juventude. Dispuseram-se a formar uma mesma corrente, chegar a todos os estados
do Brasil, fazendo com que em cada categoria se levante uma voz que chame os outros jovens trabalhadores a tomar seu lugar no movimento e mudar o seu enredo. A juventude se posiciona no novo cenário do sindicalismo brasileiro e o seu potencial revolucionário encontra um
canal privilegiado entre os classistas.

Não era à toa o sorriso nos rostos de alguns de militantes antigos das lutas dos trabalhadores presentes ao encontro. Era visível o seu alento ao perceber que jovens que militavam na CSC e na SSB na UJS, na JSB, no movimento estudantil, independentes, no campo e na cidade se
reuniam assumindo seu posto de combate, dispostos a contribuir com a mudança da prática e da correlação de forças do movimento sindical. O poder dos que produzem a riqueza aliado à garra, irreverência e criatividade da nova geração podem abrir os olhos de milhões de jovens
que são explorados especialmente por sua condição juvenil.

Os jovens querem um futuro melhor. E percebem, em especial agora, quando a máscara neoliberal caiu, o cinismo decadente de um sistema econômico cuja continuidade representa claramente um risco ao futuro. Não acreditamos nas mentiras do capitalismo de que o egoísmo de cada um é a razão da felicidade de todos. A esta mentira, contrapomos a luta por uma mudança verdadeira e profunda, política e econômica, que nos assegure um lugar digno na vida. E, determinados a impedir qualquer retrocesso, queremos apressar as mudanças, aprofundar as
mudanças e abrir caminho ao socialismo. Esta mensagem adquire nova dimensão após se esboroarem vários mitos caros ao sistema, como a teleológica eficiência das forças de mercado e sua mão invisível na alocação de recursos – de fato, o que vimos foi a mão bem visível do
Estado, inclusive no Brasil.

Atentos, concluíram que o sistema penaliza em especial os jovens. São cerca de metade dos desempregados, os primeiros demitidos da crise, expostos à precarização e a condições e salários piores. No campo, sem políticas públicas, crédito e investimentos, espremidos pelo
latifúndio, seguem o cortejo de seus, de nossos, pais e avós, tangidos para as cidades. Vítimas de falsos estágios, penalizados por jornada de trabalho incompatível com o exponencial crescimento da produtividade do trabalho, vêem-se impedidos de prosseguir os estudos,
de viver sua juventude. Submetidos ao assédio moral e também vítimas do assédio sexual, rebelam-se e exigem seu lugar de direito como o futuro do proletariado. Preocupados com o meio ambiente vêem a voracidade irracional do capital que devora vidas, sonhos e a natureza
ameaçando a vida na Terra.

Com tudo isto, sabem que carecem de organização para florescer na luta e desenvolver seu poder mobilizador. E, lado a lado com os atuais dirigentes classistas percebem que podem fazer muito para responder à exploração capitalista e afirmar a alternativa socialista. Batista
Lemos entendeu bem e deu a pista, afirmando que a juventude na CTB não pode ser apenas sindicato, mas deve ser também movimento. E Pascoal Carneiro não hesitou ao afirmar a necessidade imperiosa de a juventude ocupar seu lugar no movimento sindical como condição de sua atualização e futuro.

Já retornamos aos estados com as alegrias e reflexões destes dois dias inesquecíveis. Armados com este mesmo ímpeto, temos agora o desafio de mobilizar a juventude para ocupar seu lugar no 2º Congresso Nacional da CTB, em setembro. O coletivo de jovens eleito definiu uma agenda de organização dos coletivos de jovens trabalhadores em todos os Estados, para compartilhar as reflexões, mobilizar para os cursos de formação da CTB que ocorrem em todo o país e preparar uma grande participação juvenil no congresso. São os primeiros passos, e decerto haverá
dificuldades, mas são decisivos para construir no presente a hegemonia do futuro, fazer da CTB uma central onde a juventude faça a diferença. Beneficiando-se dos egressos do movimento estudantil, unidos aos jovens sindicalistas, campo e cidade, com uma mesma garra classista e
com o rumo socialista, fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pós-98, quem somos nós?

http://bancariosclassistas.blogspot.com/



Paula Goto*
Movi
mento pela Isonomia nos Bancos Públicos Federais: Funcis Pós-98 BB/CEF/BASA/BNB.


No Brasil, a ofensiva neoliberal dirigida aos trabalhadores na década de 1990 impingiu duras derrotas à categoria bancária. Enquanto a reestruturação produtiva intensificava a exploração e diminuía os postos de trabalho, a flexibilização das leis trabalhistas se encarregava da retirada de direitos em favor do capital.


Os bancários foram particularmente atingidos e sofreram toda sorte de insegurança e humilhações. A importação do modelo toyotista de organização do chão das fábricas japonesas para o caso brasileiro foi abraçado pelos banqueiros e se deu sob a égide da maximização da exploração de seus trabalhadores. Desta forma é que, ao tempo em que os bancos desrespeitavam as jornadas de trabalho, promoviam o assédio moral aos seus funcionários e efetivavam demissões arbitrárias, se esforçavam, igualmente, por capturar a subjetividade de seus trabalhadores na tentativa de desmobilização de suas lutas.


Tendo como pressuposto a política do Estado Mínimo, a desarticulação de setores estratégicos do Estado preparava os movimentos privatistas para a perseguição ideológica e deliberada ao funcionalismo das instituições financeiras públicas federais. As táticas de desmonte do Estado intentadas pelos governos Collor e FHC intensificaram os ataques sofridos pelos funcionários dessas instituições e inauguraram os seus “anos de chumbo”.


Karoshi é como designam a morte por esgotamento físico e mental relacionada ao trabalho no Japão. Em nossa realidade nos bancos, para além das lesões e das doenças conhecidas como relacionadas diretamente ao trabalho (LER/DORT), a década de 1990 registrou um número impressionante de mortes originadas pelo estresse nos bancos, chegando ao caso extremo dos suicídios. De 1993 a 1995 o Centro de Epidemiologia do Ministério da Saúde registrou o número de 72 suicídios nos estabelecimentos bancários, perfazendo a média de 1 a cada 15 dias!


Na tentativa de ferir de morte o funcionalismo, o executivo, através do Conselho de Coordenação e Controle das Estatais – CCE/DEST e por intermédio das resoluções nº 10, de 30/05/95 e nº 9, de 08/10/96 promove o esquartejamento do plano de carreira nos Bancos Públicos Federais, com a segmentação de suas categorias em duas: pré e pós-98! Discriminados pela própria instituição e com uma série de benefícios e direitos a menos, os funcionários admitidos a partir de 1998 tiveram os salários de ingresso rebaixados e sentiram, desde o primeiro momento, que traziam tatuada a marca do não direito.


Acorrentados a uma estrutura que utiliza os pós-98 como “exército industrial de reserva”, que pressiona os salários para baixo, aceitar a precarização das condições de trabalho para os novos ingressantes é aceitar a deterioração das relações de trabalho para toda a classe. O aviltamento dos direitos dos mais novos funcionários comprovou que o ataque a um segmento ressoa em toda a categoria. Neste sentido, faz-se urgente a exigência da isonomia imediata de tratamento, benefícios e direitos no Plano de Cargos e Salários, de forma a não dependermos do sabor das negociações coletivas anuais, que não tem garantido a perenidade de direitos aos novos bancários.


Considerando que vivemos em uma conjuntura política mais favorável e sob um governo que contou com o apoio de grande parte do funcionalismo e dos trabalhadores para a sua eleição, carregando em seu nome a esperança pela mudança, é preciso que elevemos bem alto nossas bandeiras e façamos ecoar a nossa voz nas instituições, no executivo, no judiciário, no parlamento e em todos os espaços que se coloquem.


No nível do parlamento, temos o andamento de dois projetos de lei sobre a Isonomia que, aprovados, eliminarão toda a iniqüidade para os funcionários contratados a partir de 1998, dando à isonomia força de lei! O Projeto de Lei 6259/05, apresentado pelos deputados federais Inácio Arruda (PCdoB/CE) – atual senador – e Daniel Almeida (PCdoB/BA), e o PLS 77/2007, apresentado pelo senador Inácio Arruda. Temos um grande instrumento disponibilizado para a categoria. A nós, cabe a grande articulação dos movimentos sociais organizados pela aprovação dos projetos!


Se a dificuldade inicial de organização residia no fato de que no início éramos poucos, hoje, somos mais da metade do quadro funcional. Ao mesmo tempo em que isso nos fortalece, nos impõe uma responsabilidade muito maior sobre os nossos próprios destinos. O debate sobre a isonomia precisa estar na centralidade dos grandes debates e as estratégias para a mobilização pela isonomia precisam ser tratadas com prioridade pelos sindicatos, pelos representantes eleitos de nossas entidades associativistas, pelas centrais sindicais e por toda a categoria!


Pela certeza da justeza de nossa luta, convidamos todos a participarem do Movimento Pela Isonomia nos Bancos Públicos Federais!


Paula Goto é Coordenadora do GT de Isonomia na ANABB

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rumo ao Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB

Paulo Vinícius



Nos dias 23 e 24 de maio a CTB (Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil) realizará o seu I Encontro de Jovens Trabalhadores em Atibaia, São Paulo. Sua realização pode lançar luzes sobre um desafio dos mais relevantes: renovar as formas e atrair para o movimento sindical a juventude brasileira.

Tal empreitada não é simples. Ressentimo-nos todavia das consequências de quase 20 anos de hegemonia das ideias individualistas, cujo corolário é a negação das respostas coletivas e a consequente esterilização do que é mais característico da condição juvenil: seu papel transformador. E para além da pressão das forças de direita, agregue-se a condição minoritária do sindicalismo classista. Assim, a disposição às respostas parciais, o pragmatismo, a falta de estímulo ao empoderamento dos trabalhadores ante sua própria representação e o esposar de idéias do inimigo de classe (como negar a ação política, as ilusões corporativistas e o carreirismo) foram ossificando o movimento sindical, desmoralizando-o como efetivo instrumento de luta para milhões de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho, mas que ocupam um lugar periférico nas direções sindicais.

Por outro lado, na juventude, em especial entre os estudantes, a onda conservadora não encontrou cúmplices à altura durante os anos 90. A UNE e a UBES, sob a direção da UJS e das forças de esquerda mantiveram em dificílimas condições a unidade do movimento e avançaram em conquistas. E os sindicalistas classistas, resistindo bravamente, não apenas defenderam suas posições, mas avançaram ao ponto de criar a CTB, mudando o roteiro de um filme que parecia ter final manjado. E esta ousadia tem mostrado seu valor, um verdadeiro terremoto no movimento, haja vista o crescimento admirável da CTB e a liberdade com que categorias-chave se reposicionam no cenário sindical brasileiro. E o auspicioso, a exemplo do movimento bancário, é que as categorias estão repletas de jovens. Esse encontro da juventude e dos dirigentes sindicais é a pedra de toque que pode fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

Atrair essa juventude para a luta dos trabalhadores é fundamental para as batalhas do socialismo no século XXI, impossível sem o protagonismo destes profissionais de perfil novo, educados sob a égide da terceira revolução tecno-científica, usuários e produtores da internet e de uma gama de avanços teconlógicos, que seguem estudando, que estão nas periferias e no campo e também na vanguarda da produção de conhecimentos.

Não são apenas especificidades, mas uma tendência inescapável. Ao desenvolvimento exponencial das forças produtivas e às mudanças no perfil da classe deve corresponder a incorporação da nova geração de trabalhadores no seu movimento não apenas para a sua continuidade, mas para darmos conta do desafio civilizacional posto à humanidade, retomar a perspectiva socialista. E a urgência desta tarefa, dramatizada pelo avanço dos sinais de barbárie, é reanimada pela crise do capitalismo, pelo retumbante fracasso de seu pútrido credo, pela sua incapacidade de dar respostas aos desejos de felicidade e bem estar da juventude, porque o capitalismo não apenas penaliza em especial os jovens, mas nega-lhes o futuro.

Deste modo, aos jovens superexplorados do presente, ante seus justificados medos acerca do futuro, o sindicalismo classista pode desfraldar a alternativa socialista, recebendo, atraindo e educando a nova geração de lutadores e lutadoras, lançando hoje as sementes da hegemonia de um futuro não tão distante – há pressa, há condições e há que ter audácia.

Temos muitas possibilidades, mas a maior de todas está na passagem para o movimento sindical da geração que fez o movimento estudantil e juvenil nos anos 90 e nesta primeira década do século XXI. Eles e elas estão por aí, nas fábricas e nos campos, no ABC e no serviço público, no telemarketing e nos bancos públicos e privados. Pintaram a cara, elegeram Lula, conheceram a UNE, a UBES e a UJS. Resta saber se fomos capazes de indicar-lhes decididamente que a luta não acabou com a chegada à vida adulta, e que o movimento sindical não precisa ser chato nem pelego. E mais: que agora, trabalhando, podemos fazer muito mais barulho! Podemos inclusive parar o funcionamento de engrenagens centrais, fazendo calar fundo nas consciência destes trabalhadores a surpresa de outro trabalhador, tão bem descrita por Vinícius:

“Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

É hora de reencontrar os amigos. Tendo assumido nosso lugar na construção da vida, na dura labuta cotidiana, confrontados com novas responsabilidades, não desaprendemos as lições mais doces tidas nas salas de aula e nas ruas. Que a indignação e a solidariedade são faces da única forma de ser verdadeiramente humano e de semear o futuro. A tarefa não está terminada, e quem melhor que os jovens trabalhadores para ensinar esta inédita lição? Procuremos os sindicatos, preparemos outra vez as mochilas, atendamos ao chamado da CTB!

Leia mais:

CTB anuncia 1º Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores

domingo, 17 de maio de 2009

O jovem comerciário: trabalho e estudo

www.dieese.org.br
Maio de 2009
Boletim: Trabalho no Comércio
Ano 1 - nº 3

O jovem comerciário: trabalho e estudo

No terceiro número do Boletim Trabalho no Comércio, o DIEESE, com base em dados do Sistema Pesquisa de Emprego e Desemprego - PED, mostrou que em 2008 cerca de um quarto (25%) dos ocupados no setor do comércio tinham entre 16 e 24 anos de idade.

A análise dos resultados da pesquisa feita em cinco regiões metropolitanas e no DF apontou as seguintes proporções de jovens dentro do universo dos ocupados no comércio: Belo Horizonte, 27,3%; Distrito Federal, 26,4%; São Paulo, 26,2%; Porto Alegre 25,2% e, mesmo que em proporção menor, em Salvador (22,6%) e Recife (19,1%).

A renda do jovem comerciário, como mostra o Boletim, é importante na composição da renda de suas famílias, pois a juventude comerciária é responsável por, em média, entre 28,5%, em Belo Horizonte e 34,6%, em Porto Alegre, da renda familiar. Esta participação é maior nas famílias com menor nível de rendimento, caso em o peso chegou a corresponder 78,4% do total de uma renda familiar situada em R$ 356, no Recife. No DF foi observada situação muito semelhante, com contribuições de jovens do comércio aos ganhos familiares chegando a 76,7%.

Os dados da pesquisa indicaram que o jovem comerciário ocupava, na maioria dos casos, a posição de filho nos domicílios em que morava, com mais de 60% dos casos. Contudo, chamou a atenção o fato de que uma parcela considerável já era chefe de domicílio: 13,0% no Distrito Federal, 12,7% em Porto Alegre, 12,9% em Recife e 11,1% em São Paulo.

Apesar do forte peso da remuneração dos jovens comerciários na composição da renda familiar, os dados da PED indicaram que estes trabalhadores mantiveram patamares baixos de salários em 2008, variando entre R$ 429 (Recife) e R$ 653 (São Paulo). Esse rendimento correspondeu a menos do que 70% daquele auferido pelos trabalhadores adultos do comércio, com mais de 25 anos de idade.

A análise revelou ainda que uma grande proporção de jovens ocupados no comércio não estudava em 2008. Segundo os dados da PED, mais de 70% da juventude comerciária estava longe das escolas em todas as regiões analisadas. Este distanciamento pode ser explicado, em parte, pela elevada jornada de trabalho dos jovens comerciários. A jornada média semanal dos jovens que não estudavam em 2008 variou de 44, em Belo Horizonte a 48 horas, em Recife.

Já em relação ao nível de escolaridade dos jovens comerciários, cerca de 60% deles tinham, em 2008, ensino médio completo ou superior incompleto enquanto cerca de 25% tinham ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto

Click aqui para acessar o trabalho na íntegra

Este link ficará disponível temporariamente.

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terça-feira, 14 de abril de 2009

CTB anuncia 1º Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores


13 DE ABRIL DE 2009 - 18h16


A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) promoverá entre os dias 23 e 24 de maio seu 1º Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores, em Atibaia (SP). O objetivo é debater e definir iniciativas que orientarão as lutas da juventude trabalhadora representada pela central na cidade e no campo.

Por Cinthia Ribas, no Portal CTB


O que não era fácil ficou ainda pior. Com o agravamento da crise econômica, a realidade da juventude trabalhadora se agravou. Atualmente, o jovem que ingressa no mercado de trabalho, além de encontrar um longo e árduo caminho pela frente, quando conquista o primeiro emprego tem que conviver com a instabilidade e ameaça de demissão, que é a primeira opção do patronato na hora de reduzir custos.

Dura realidade

Para Vitor Espinoza, diretor executivo da CTB, o jovem trabalhador é o elo mais frágil da corrente no mercado de trabalho e sofre com qualquer instabilidade econômica. “A atual crise econômica mundial, com seus impactos sobre o mercado de trabalho, piorou um quadro que já era péssimo”, afirmou. “Queremos mobilizar a juventude trabalhadora da CTB. Temos na agenda mais de dez encontros estaduais. A ideia é reunir em torno de cem jovens para fazer um debate enriquecedor sobre a realidade da juventude trabalhadora.”

“Temos boas iniciativas por parte do governo voltadas para esse segmento, mas ainda são insuficientes. Um bom exemplo é o Programa Universidade para Todos (ProUni), um financiamento estudantil universitário. Mas precisamos de novos Centros Federais de Educação Técnica voltados para a realidade da região em que forem instalados; no ABC, cursos voltados para a formação industrial; no Rio Grande do Sul, para a agricultura”, ressaltou.

Imagem:CEDOC-01102008 Assembléia deliberativa - foto augusto coelho (44). Fonte: Sindicato dos Bancários de Brasília. Greve de 2008.



Unir rurais e urbanos

A situação do jovem no campo também não é das melhores, principalmente dos homens. Está havendo uma masculinização do campo. As mulheres estão saindo para estudar e tentar outra profissão. Ana Rita Miranda da Silva, secretária de Jovens da CTB, afirma que esse encontro será essencial para balizar as ações dos jovens trabalhadores em seus Estados, unificando forças.

“Atualmente”, explicou, “a juventude rural não visualiza perspectiva de continuidade da atividade no campo, principalmente por falta de geração de renda. Então, o jovem acaba saindo em busca de outras oportunidades de estudo ou trabalho. Isto compromete a atividade da agricultura familiar e pode afetar a produção”, revela. “Precisamos propor políticas públicas específicas, entre elas a garantia de renda para o jovem que permanecer no campo com sua família, através de um subsídio, um auxílio”.

Segundo Vitor Espinoza, para o trabalhador da cidade o problema é com os estágios. “São mais de um milhão de jovens sem emprego. E as empresas usam os estágios para burlar a legislação. Com essa nova lei de estágio, melhorou, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido”, analisa.

Organizar para conquistar

É de olho neste cenário que a Secretaria de Jovens da CTB realizará seu primeiro encontro. O desafio, além de debater essa realidade, é buscar iniciativas que visem ao fomento da participação da juventude no movimento sindical, facilitando e motivando sua inserção nos sindicatos.

O encontro deve acontecer em Atibaia (SP) e pretende reunir entre cem e 150 jovens dos sindicatos que compõem a central. A idéia é mobilizar representantes da juventude trabalhadora do Brasil inteiro para debater os seguintes temas: sucessão rural; nova lei de estágio; a escolha de um coletivo de juventude para organizar os trabalhos nos estados; a realidade do jovem trabalhador na atual conjuntura; Convenção 158 da OIT; acesso ao crédito fundiário; e políticas assistenciais.

Com esse encontro, a CTB fará um intercâmbio entre os segmentos rurais e urbanos para envolver e unir os dois mundos. “É um encontro reflexivo para compreender os impactos da crise, já que somos os mais afetados. E refletir a respeito das políticas públicas existentes, que são insuficientes e muito superficiais”, finaliza a dirigente da CTB.



Resolução sobre Jovens Trabalhadores 14º Congresso Nacional da UJS - União da Juventde Socialista - Congresso Che Guevara


Somos jovens e somos trabalhadores.

Sofremos com trabalhos degradantes, com a precariedade e a negação de nossos direitos, com o assédio moral e sexual. Mesmo a legislação trabalhista não é cumprida e prevalecem condições degradantes para a juventude que anseia ingressar na vida adulta, ter sua independência, viver dignamente, sem medo do futuro.

Há um grande desperdício da capacidade da juventude brasileira que carece de emprego. Por 20 anos o Brasil não cresceu, e a juventude foi vítima desta ofensiva anti-nacional contra o futuro do nosso país.

Estes jovens são público privilegiado para a ação da UJS porque vivem diretamente a exploração capitalista e podem entender como ninguém a mensagem socialista.

No entanto, para dar um salto nesta frente estratégica, com imenso potencial, precisamos elaborar mais sobre o seu funcionamento. Há necessidades próprias ao organizar jovens trabalhadores. O tempo tem outro valor. Por isto, a UJS deve ter atenção em construir espaços amigáveis à organização de jovens trabalhadores, com horários, dinâmicas, responsáveis permanentes para a consolidação da frente, desenvolvendo uma dinâmica de atividades (inclusive esportivas e culturais) e linguagem que permitam a sua incorporação na UJS. É indispensável assegurar um ambiente amigável à organização dos jovens trabalhadores na UJS, adequando horários e locais de reunião desenvolvendo uma tecnologia social própria, a exemplo do que fazemos no movimento estudantil, para incorporar a nova geração de trabalhadores ao movimento sindical e apontar-lhes a perspectiva socialista.

Implementar a organização da UJS entre os trabalhadores é fundamental para completar a nossa consolidação e afirmar o caráter socialista de nossa organização, pela dimensão estratégica de formar a classe trabalhadora do presente e do futuro e para construir o socialismo. É indispensável superar esta grande lacuna de nossa organização, permitindo ao militante socialista completar todo o ciclo de sua juventude na UJS, da escola secundarista até o ingresso pelo trabalho na vida adulta. mantendo as convicções revolucionárias e legando ao movimento sindical uma nova geração de quadros para a atualidade, completando o ciclo etário da nossa escola de socialismo.

Temos avançado bastante ao ter presença de filiados da UJS em muitas categorias. É crescente a incorporação de militantes da UJS trabalhadores no movimento sindical e na Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

O governo Lula realizou concursos que levaram milhares de jovens ao serviço público, e a UJS tem filiados em categorias estratégicas. Articular os jovens trabalhadores da UJS que estão nas fábricas, entre os metalúrgicos, no telemarketing, bancários, metroviários, trabalhadores da educação e da saúde e pesquisadores tem sentido estratégico e pode cumprir um grande papel no desafio deste período que é tornar a CTB a mais importante central na organização da juventude trabalhadora.

Neste sentido, temos de assegurar no próximo período a contribuição da UJS à luta pela redução da jornada de trabalho que pode ser aprovada e seria uma importante conquista, em especial para os jovens trabalhadores, que poderão ter mais tempo livre para o lazer, a educação, o esporte, a cultura e para a militância na UJS. Ademais a UJS deve denunciar com toda a firmeza todas as formas de violação de direitos que atingem os trabalhadores por sua condição juvenil, denunciando o capitalismo.

Mas a tarefa mais importante do próximo período é assegurar melhores condições para os jovens trabalhadores militarem na UJS. Avançamos muito em várias direções que definiram responsável para esta frente estratégica, inclusive nas executivas, e agora é hora de dar seqüência a este trabalho. Nossa ação no movimento sindical deve ser consciente, e não marcada pelo espontaneísmo, e temos o desafio de articular a frente de jovens trabalhadores nacional e localmente, construindo uma rede de coletivos nos Estados e nacionalmente que possa ter um trabalho permanente e acumule uma experiência consistente de organização da UJS entre os trabalhadores apoiando a construção da juventude da CTB, ocupando nosso lugar nos grandes batalhões da luta de classes que são as categorias estratégicas, cheias de jovens que precisam escutar a mensagem socialista para entender sob que regime de exploração vivem.

Esta missão histórica entre os jovens cabe à UJS e será decisiva para enterrar de vez o neoliberalismo e escrever as páginas gloriosas do futuro socialista em nosso país.

Coletivizando no Youtube