PCdoB Fortaleza lança Carta à militância e simpatizantes em seu 104° Aniversário e divulga programação.
Para celebrar seu 104º Aniversário, o PCdoB Fortaleza lançou uma carta para a militância, amigos e a população de Fortaleza e divulga as atividades de aniversário da legenda comunista, defendendo o fim da Escala 6x1, denunciando o Feminicídio e a violência contra as mulheres e chamando a necessidade de unir o Brasil em torno da pré-candidatura de Lula a Presidente. Veja a seguir a carta e a programação.
104 anos do PCdoB Pelo fim da escala 6x1, em defesa do Brasil e das mulheres, e Lula Presidente!
Camarada
Neste março de 2026, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comemora seus 104 anos, uma vida inteira de luta e vitórias pelos sonhos do povo brasileiro.
Somos o primeiro partido da classe trabalhadora. Sempre defendemos a democracia, e nossos melhores militantes tiveram a vida ceifada na luta pela liberdade, contra ditaduras e golpes. Neste março, mês das Mulheres, o PCdoB é dirigido pelas camaradas Nádia Campeão e Luciana Santos. Lutamos por direitos iguais e pela vida e precisamos de mulheres e homens num Pacto Nacional contra o Feminicídio que destrói vidas e famílias.
Fomos pioneiros na luta da Reforma Agrária e sempre valorizamos a contribuição dos negros e povos indígenas e combatemos o racismo estrutural desde seu nascedouro. O deputado e escritor Jorge Amado foi autor da Lei da Liberdade Religiosa na Constituição de 1946. O PCdoB defende o estado laico e o respeito e convivência entre todos os credos e até por quem não crê. O PCdoB é um partido da luta das mulheres e do respeito à diversidade, contra crimes baseados em ódio e preconceito que atingem mulheres e as populações LGBTQ, negra e pobre. Amar o Brasil é lutar pelo povo na sua diversidade, por sua união e progresso.
O PCdoB defende o Brasil contra a ganância do imperialismo que quer tomar riquezas e escravizar os povos. Lutamos pela PAZ, contra intervenções militares que mentem e matam, violam a soberania de países, oprimem o povo e impõem governos entreguistas. Nossa Ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, presidenta licenciada do PCdoB, trabalha para o Brasil ter indústria, tecnologia, saúde de ponta e para vencer monopólios de internet que querem nos dominar ao semear mentiras, preconceito e ódio.
Lute ao nosso lado pelo Fim da escala 6×1 e contra a superexploração, contra uma elite de banqueiros que nos exploram com juros altíssimos. Venha defender um Brasil desenvolvido e soberano, unido à América Latina e aos BRICS por paz e desenvolvimento.
Tantas lutas precisam do PCdoB, de seus filiados(as), de militantes e de deputados(as) estaduais e federais, lutando com talento e conhecimento para apoiar o Presidente Lula e defender o Brasil.
Participe das comemorações dos 104 anos do PCdoB! Vamos juntos com Lula, fazer avançar o Brasil e o Ceará!
PROGRAMAÇÃO DO 104° Aniversário do PCdoB em Fortaleza
- Entrega da Comenda Socorro Abreu - 18/ 3 às 18h, no Sindicato dos Bancários, R. 24 de Maio, 1289
O camarada Rubão, presidente do Distrital Barra Oeste do PCdoB, do alto de seus 87 anos, alertou-nos que a eleição de 2026 é a Encruzilhada Histórica que decidirá se seguiremos no caminho de independência e industrialização, iniciado com Getúlio Vargas em 1930, ou se sofreremos uma regressão que poderia perder o Brasil até em sua unidade. Assim, às vésperas do Centenário da Revolução de 30, o Brasil está diante da redenção ou da tragédia. Rubão viu correto, viu longe. Precisamos nos fortalecer no propósito de libertar o Brasil, de derrotar o imperialismo, e nós podemos.
O Brasil teve um líder em Getúlio. O Brasil tem um líder em Lula. Sem isso, não seria possível, mas é.
A História é caprichosa. Só ela poderia fazer Lula encontrar Getúlio. Ela também fez a Dona Lindú, heroína brasileira que representa essa força hercúlea das mães, do ventre indígena, negro, camponês que pariu o Brasil.
E nossa imperfeição de homens acha um caminho para se curar, sempre que somos capazes de valorar corretamente a força sagrada das nossas mães. Sempre teremos de escolher, se seremos guiados pelo arquétipo de quem bateu ou fez chorar nossa mãe, ou se nos tornaremos mais que machos, se viraremos homens, o que é muito mais difícil. Eu errei muito, sim, difícil não errar quando o machismo nos formou ao lado da criação materna... Mas, errando e acertando, as mulheres ao longo da vida vão nos ensinando. Daí a beleza do emancipacionismo, que não é identitarismo, nem sexismo, e que ensina que o feminismo é para as mulheres, mas também é para os homens, o feminismo é para todos.
É preciso resgatar isso, pois o big data e o fascismo têm adotado os machos e os guia para longe da humanidade, promovendo a destruição da psique e ofertando como saída a morte, o feminicídio, a morte dos próprios filhos e o suicídio. Essa é a alternativa do capitalismo e do fascismo para os homens e as mulheres, a morte e o horror. Precisamos denunciar o feminicídio, ser homens, defendendo e nos unindo às mulheres para lutarmos pela vida, pela alegria e pelo amor. É revolucionário, o amor. Violeta Parra ensina-nos, 'Só o amor consegue fazer do mau algo puro e inocente'. E o amor não tolera a injustiça e a morte. Quem ama, não mata. Quem ama dá a vida e vai à guerra para defender o amor. Eu escolho melhorar, um pouco que seja, pedir perdão, para que seja o amor quem corrija e não o ódio (que humilha, agride e mata) a minha bússola. Prefiro o caminho que Dona Lindú ensinou a Lula, com amor e teimosia, com povo unido em Frente Popular, que é a maneira de a esquerda se unir ao povo.
E a nossa Pátria é a nossa Mãe, ela nos faz irmãos. Por isso não nos é dado amar o Brasil, sermos uma Nação. Encontrar esse amor exige trabalho, consciência, pois amar é difícil.
A escravidão e o colonialismo nutriram e forjaram nosso capitalismo, e nos ensinaram o estupro e a violência de modo muito profundo. Ensinaram ser lícito e moral explorar nossos irmãos como se queima o carvão, até a morte, devolver o amor da mãe com o estupro, a escravidão e a morte, e jamais nos encontrarmos como Brasil.
Daí o Carnaval ser rebelião e amor. Ser rir da cara dos poderosos. Renegar o duro apartheid social que divide a Nação. Unir sem distinção, na alegria, mesmo que por alguns dias, o que jamais podia ter sido separado. Por isso o Carnaval Brasileiro é o maior do mundo, e os inimigos da vida odeiem o Carnaval, desde sempre, e também daí decorre seu secular propósito de matar, prender, criminalizar o Carnaval. ‘Que cada um fique em seu lugar, vão trabalhar para o patrão, vagabundos’, eles sempre o disseram, esses perversos que acreditam numa fé sem alegria, sem dança, triste e doentia.
Por isso, não nos espanta a investida dos inimigos do Brasil, quando a Acadêmicos de Niterói homenageia Lula, pois em verdade, a escola homenageia Dona Lindú e sua obra, seu filho, Lula, nosso farol por entre a neblina que nos guiará pelo caminho torto de sair da Encruzilhada Histórica.
Os ladrões enchem a boca de honestidade fingida, mas querem é censurar o Carnaval, mais uma vez, só isso. Querem calar a voz do povo, que fez um samba Glorioso, síntese da época, que homenageia a Dona Lindú, e é ela quem nos diz:
Me via nos olhares dos meus filhos,
Assombrados e vazios.
Com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos.
Peguei os meus meninos pelos braços.
Brilhou um Sol da pátria, incessante,
Pro destino retirante.
Te levei, Luiz Inácio.
Os hipócritas, machistas, inimigos do Carnaval, das Mulheres, do Brasil e da Vida não podem suportar as verdades de um samba que exalta a família real e as mães que criaram sozinhas seus filhos. Não admitem que um desses meninos tenha crescido e trate com amor de filho a Nação Brasileira, esse mesmo menino que se ergue, junto à voz de Janja, contra a violência que mata as mulheres, um menino que não aceitou ser mero macho, mas que se tornou homem, do tipo que mais o Brasil precisa, para ajudar a cuidar da Pátria Amada, Brasil.
A extrema direita da Censura e da corrupção desbragada mostra que não está morta. E vem com censura, criminalização e mentiras calar esse samba, apavorada diante desse canto que pode encher o coração dos brasileiros. Odeia o libelo pela vida e a luta contra o feminicídio. Odeia a verdade de que podemos nos corrigir e melhorar, que o feminismo é para todos. Odeia o Brasil e a história de nossas mães ancestrais, a história de Dona Lindú! Por isso, querem que discutamos o seu ódio, que não saibamos o que ensina o canto de amor vindo do coração do povo para esse Carnaval!
Que esse samba ecoe na voz do povo, e o Brasil se encontre consigo mesmo no amor universal do Carnaval! Que aprendamos que Não é Não, para que venha a doçura infinita do Sim, do amor, do respeito, do tratar bem, e o Brasil esconjure todo o mal com um grito de amor no Carnaval, que ecoe até a vitória, e cantemos todos:
Vale uma nação, vale um grande enredo
Em Niterói, o amor venceu o medo
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula!
APRENDAMOS O GLORIOSO SAMBA DA ACADÊMICOS DE NITERÓI
Acadêmicos de Niterói - Samba-Enredo 2026
Samba-Enredo
Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil
SARAU DO CEBOLÃO - AGOSTO LILÁS, HOJE, 15/8, 18H, NO SETOR BANCÁRIO SUL
SAMBA COM ANNA CHRISTINA E BANDA
POESIA COM
LADY CALI
ANNAPURNA
NATIVA NA VOZ
POESIA E SAMBA PELA VIDA DAS MULHERES
O Sarau do Cebolão deste mês de agosto chega com o tom roxo da resistência e da esperança. Em sintonia com o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização pelo fim da violência contra a mulher, reunimos arte, voz e presença para afirmar: nenhuma a menos.
Vai ter poesia e as poemas, mulheres que escrevem com a força de quem sobrevive e samba. Teremos a voz potente de Anna Christina com os sambas mais belos do Brasil. Um encontro para celebrar a vida, espalhar informação e fortalecer redes de cuidado.
Venha somar sua escuta, sua palavra e sua dança nessa roda onde a cultura é semente de transformação.
O Sarau do Cebolão é uma realização do sindicato dos Bancários de Brasília, da Secretaria de Política Sindical, da CUT e da CTB.
Apresentação - Rafael Guimarães
Produção - Hélder Nascimento
@saraudocebolao_
VIVA SEM VIOLÊNCIA
O Sindicato dos Bancários de Brasília recebe denúncias de violência contra as mulheres, no canal chamado "Viva Sem Violência", que pode ser acessado via Whats App através do número (61) 99292-5294
Luciana
exalta a militante comunista como uma das militantes que atravessou
todas as lutas pelo socialismo desde sua juventude, acompanhando o líder
comunista Luiz Carlos Prestes desde os anos 1950, até sua morte em
1990.
Maria Prestes e luta pela memória de Luiz Carlos Prestes
A
presidenta nacional do Partido Comunista do Brasil e vice-governadora
de Pernambuco, Luciana Santos, divulgou nota de pesar pelo falecimento
de Maria Prestes, nesta sexta-feira, 4 de fevereiro, em decorrência de
covid.
Luciana exalta a militante comunista como uma das
militantes que atravessou todas as lutas pelo socialismo desde sua
juventude, acompanhando o líder comunista Luiz Carlos Prestes desde os
anos 1950, até sua morte em 1990.
Ela também destaca a amizade e
carinho que o PCdoB mantinha por ela, que juntos produziram alguns
gestos em honra da memória de Luiz Carlos Prestes e sua luta árdua que
atravessou todo o século XX.Leia a íntegra da nota:
Maria Prestes, grande brasileira, guerreira da luta pelo socialismo
Com
imenso pesar, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) registra o
falecimento, aos 92 anos, nesta sexta-feira (4) de dona Maria Prestes,
personalidade de destaque na luta do povo brasileiro.
Maria
Prestes, ao longo de mais setenta anos de militância comunista, deixa
um grande legado revolucionário. Expressamos, neste momento de dor,
nossa solidariedade aos familiares – entre os quais, Ana Maria Prestes,
da direção nacional do PCdoB, neta de dona Maria –, amigos e camaradas.
Nossos sentimentos mais afetuosos e profundos.
Desde os 13 anos
de idade, no final da primeira metade do século passado, engajada, ao
lado do pai, João Rodrigues Sobral, dirigente do PCB, Maria Prestes
percorre a história brasileira participando como militante comunista de
grandes lutas nacionais.
Enfrentou as garras do Estado do Novo e
do governo do general Eurico Gaspar Dutra, e depois a truculência da
ditadura militar. Padeceu em prisões, enfrentou dificuldades extremas,
inerentes à vida do povo, e, depois, o exílio. Mas, apesar dessas
agruras, dona Maria tinha resistência, fibra, convicções, compromissos
revolucionários com a classe trabalhadora, de quem era filha, e com o
socialismo, cuja bandeira sempre manteve ao alto.Em
1952, quando tinha apenas 20 anos de idade, o Partido designou dona
Maria para a segurança de Prestes em São Paulo. Depois de algum tempo,
na clandestinidade, dona Maria e Prestes se casaram e tiveram sete
filhos.
Após o golpe de 1964, Prestes, então líder máximo do
Partido Comunista Brasileiro (PCB), se exilou com a família na União
Soviética, onde viveram por dez anos. Ao voltar ao Brasil, deixou aquela
agremiação partidária, se filiou ao Partido Democrático Trabalhista
(PDT), liderado por Leonel Brizola, do qual foi presidente de honra.
Após
a morte de Prestes, em 7 de março de 1990, dona Maria seguiu firme na
luta pelo socialismo e pelos direitos povo. E, também, junto com seus
filhos, filhas, netos e netas, se dedicou a disseminar às novas gerações
o legado revolucionário do “Velho”, seu companheiro e camarada Prestes.
Foi
amiga estimada do PCdoB, participando de atividades como a restituição
simbólica pelo Senado do mandato de Prestes, eleito em 1945 e cassado em
1948, em 22 de maio de 2013, por iniciativa do senador comunista Inácio
Arruda. Em 2014, a Fundação Maurício Grabois produziu um documentário
em vídeo e livro sobre sua passagem pelo trajeto da Coluna Prestes no
Rio Grande do Sul, acompanhada dos filhos do casal Mariana e Luís
Carlos. A Fundação Maurício Grabois, também, apoiou uma das edições de
seu livro, Meu companheiro, 40 anos ao lado de Luiz Carlos Prestes.
Participou, ainda, de atividades da Escola do Partido.
A luta
pelo socialismo perde uma de suas guerreiras, mas seu exemplo e legado
enchem de esperança os que seguem levantando sua bandeira e inspiram as
novas gerações que seguirão seu caminho. O PCdoB, comovido e honrado por
ter convivido e se enriquecido com suas contribuições, rende as mais
sentidas homenagens à sua memória. Dona Maria viverá para sempre na
memória e na luta dos que batalham por um mundo de paz e justiça.
Me perdoem os que pensam diferente, mas, eu adorava deixar minha filha na creche às 7 horas da manhã e buscá-la às 17horas com banho já tomado e, muitas vezes, com lanche do finzinho de tarde. Adorava. Eu trabalhei, estudei e militei de maneira mais tranquila durante 9 anos. Sim, Clarice saiu da creche e ficou em tempo integral até o 4° ano. Mudou de Colégio e a distância me fez optar por transporte escolar de ida e volta, o que nos fez economizar tempo e dinheiro. Fiz o primeiro ano de mestrado grávida e raríssimas vezes tive que levá-la ao trabalho, ou pra faculdade (mestrado e doutorado), ou mesmo pra atividades militantes. Tudo bem que só houve amamentação por 120 dias, o que nos deixou "mais independentes" uma da outra, mas, sempre tentei preservar o espaço dela e o meu, compreendendo que eu já havia parido e que não poderia carregá-la como se o cordão umbilical não houvesse sido cortado. Sempre recebi críticas: veladas e/ou descabidas. Sempre. Piadas. Olhares tortos. Chegavam a dizer que parecia que eu nem era mãe pq parecia que Clarice não reclamava, não adoecia, não chorava.... O povo é escroto demais, né, não? Sempre tive um suporte emocional fundamental em nossas vidas. Minha mãe assumiu Clarice como dela, tbm. Meu irmão e pai, idem. Sempre estabelecemos redes de apoio e cuidado entre minha filha e seus amigos de colégio. A escola para ela e para nós sempre foi um potente espaço de sociabilidade e formação de redes de solidariedade. Eu tentei priorizar a qualidade de nosso tempo juntas. Há momentos exclusivamente nossos. Tentando fazer com que ela entenda, desde cedo, que somos pessoas diferentes, com necessidades diferentes, embora compartilhemos a mesma casa e os mesmos cuidados uns com os outros. Ela cresceu sabendo que assumimos tarefas conosco e consigo mesmos e que isso nâo tira a nossa individualidade, principalmente, qdo somos mulheres, este "ser" que o mundo inteiro quer frescar e dizer o que fazer. Crianças têm o direito de brincar, de ter seu espaço. Para mães e pais que trabalham demais, não tenhamos culpa. Não fiquemos a carregar nossos meninos pra cima e pra baixo, como se eles não precisassem de uma rotina; precisam, necessitam. Construamos mais redes de solidariedade e maternagem e pensemos mais em nossa saúde mental. Cuidar é bom. Cuidar cansa demais. Cuidar é necessário demais. É tarefa de uma vida inteira. E por isso mesmo, não podemos queimar todos os nossos cartuchos de vitalidade de uma só vez, na infância de nossos filhos.
O PCdoB inicia o ano de 2021 convocando a estrutura partidária e sua militância para uma importante tarefa: a realização da 3ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Emancipação das Mulheres, que está marcada para acontecer entre os dias 19 e 21 de março.
O evento, que deveria ter acontecido em 2020, teve de ser adiado em função da Covid-19. Agora, a Secretaria Nacional da Mulher do partido avalia a possibilidade realizá-la no formato híbrido, com apenas parte dos delegados reunidos presencialmente, a depender dos desdobramentos da pandemia nos próximos meses.
Para falar dos objetivos, da importância da conferência na atual conjuntura e de como se dará o processo preparatório e de mobilização, conversamos com a secretária nacional da Mulher do PCdoB, a ex-senadora Vanessa Grazziotin.
Confira os principais trechos dessa entrevista.
Objetivo da Conferência
“O objetivo é o debate e a atualização da plataforma, da teoria, da luta emancipacionista, um debate no qual devem se envolver não apenas as mulheres, mas também os homens, o partido como um todo porque a luta pela emancipação das mulheres não é só das mulheres, é uma luta da sociedade. A opressão e a discriminação que pesam sobre a mulher devem ser combatidas por todos. Essa forma de opressão, de discriminação, é a própria expressão do sistema capitalista, que precisa manter as mulheres apartadas de qualquer tipo de movimento contestatório e organizativo”.
Envolver as mulheres do povo
“Nesta conferência, devemos tratar também sobre como trazer a mulher para a luta emancipacionista, a mulher do povo, porque a gente vive um movimento de profundo retrocesso, onde aparecem, com muita força, opiniões de que a mulher, tudo bem, tem de trabalhar, mas tem de ser subserviente ao homem. E infelizmente esse tipo de teoria é defendida por ninguém mais, ninguém menos, do que o presidente da República, a ministra da Mulher, o ministro da Educação, ou seja, figuras-chave da República, que deveriam contribuir com a luta emancipacionista, jogam exatamente ao contrário”.
Avanço da extrema-direita
“A conferência vai acontecer, portanto, num momento muito importante, de avanço da extrema-direita, das forças conservadoras, antidemocráticas, misóginas, que não respeitam os direitos humanos e as mulheres. Ou seja, além da luta pela vida, por direitos, a gente enfrenta uma luta ideológica profunda que criminaliza e distorce o feminismo. Através do debate e do esclarecimento, queremos procurar mobilizar a sociedade, sobretudo as mulheres, contra este governo. Será uma conferência, sem dúvida, muito rica na defesa da vida, das mulheres e de um outro país, um país que não esteja sob a tutela do reacionarismo e do antidemocratismo”. Agravamento da situação da mulher
“Temos visto um aumento dos feminicídios, da violência doméstica, principalmente nesse período de pandemia, onde aconteceu o isolamento social e muitas mulheres ficaram confinadas junto com os seus agressores. E também temos o aumento do desemprego, da perda de direitos e da precariedade que atinge muito mais as mulheres do que os homens. E a gente tem de ter claro o porquê que isso acontece. A mulher é discriminada, superexplorada, cumpre uma tripla jornada de trabalho; é ela quem faz o trabalho invisível, não remunerado e, mesmo tendo um nível de escolaridade superior ao dos homens, ela ganha salários menores, não alcança os postos de poder no mercado de trabalho, assim como está sub-representada na política, nos espaços de poder. Quando a gente fala isso tudo, não é um discurso ou estatística. Isso é a vida real”.
Informação e conscientização
“Quando temos o agravamento de uma crise, necessariamente acontece primeiro o agravamento da situação da mulher. O movimento feminista existe exatamente para mostrar que a única forma de superar todas essas dificuldades é através da luta. E o primeiro passo para enfrentar isso tudo é esclarecer as mulheres (e os próprios homens), porque as pessoas só lutam por aquilo que acreditam e por aquilo que têm consciência. Se a mulher não tem consciência da origem do seu sofrimento, da origem da discriminação que sofre, ela não vai se mobilizar contra isso”.
Luta contra forças poderosas
“Hoje, a gente vê crescer essa opinião retrógrada, misógina dentro do próprio poder público, com a expressão maior do presidente da República, mas também o avanço de muitos posicionamentos de líderes religiosos — sobretudo das igrejas neopentecostais —, que têm dito que a mulher deve obediência ao marido, só deve fazer aquilo que ele quer e que a cabeça da família é o homem. Ora, isso já passou! Num espaço muito curto de tempo, foi de 15% para mais de 40% o percentual de famílias que as mulheres mantêm e dirigem. Mas, essa é parte da luta ideológica que a gente tem que enfrentar. E enfrentar de uma forma ampla, de maneira que a gente dialogue não apenas com as intelectuais, com as militantes. Temos de dialogar com aquele mulher que tem filhos, que acorda às 5h da manhã para trabalhar na fábrica, que é a diarista, doméstica…temos de dialogar com as grandes massas e mostrar às mulheres, através de questões cotidianas, da sua própria vida, as razões e as origens do seu sofrimento”.
Formato da Conferência
“Optamos por fazer de forma híbrida. A previsão é de que tenhamos em torno de 450 delegadas e delegados, considerando a eleição nos estados, os membros do Comitê Central e do Fórum Permanente de Emancipação das Mulheres. Desses, pensamos que 100 podem participar de forma presencial; este seria o número máximo. Já providenciamos as condições necessárias, um hotel apenas para essas 100 pessoas, estamos providenciando a testagem anterior, mas ainda consideramos a possibilidade de fazer 100% on line porque estamos vendo uma segunda onda da Covid. Então, é a situação da saúde e as condições sanitárias que vão nos dizer se a gente vai poder fazê-la híbrida ou se será totalmente on line”.
Processo da conferência
“A preparação da conferência vem sendo feita desde o início de 2020, quando tivemos de transferi-la por conta da pandemia. Mas, desde aquele período estão divulgados o documento-base e os critérios para a eleição de delegadas e delegados. Importante registrar que mantivemos o percentual da participação de gênero na conferência, ou seja, no mínimo 30% tem de ser homens. Mas, com a pandemia, tivemos de fazer algumas adaptações. E agora, no início de 2021, a gente está reforçando esse processo de mobilização.
Na segunda quinzena de janeiro, teremos a publicação do documento-base atualizado, um documento mais denso. Logo, teremos o manifesto para orientar o nosso debate com a população em geral. O objetivo é debater com o partido, mas também com mulheres e homens que não sejam do partido; mostrar o quanto nos preocupamos com essa questão e como o PCdoB tem sido vanguarda na luta em defesa das mulheres.
Como a conferência acontecerá de 19 a 21/3, os estados têm até o dia 12/3, ou seja, uma semana antes, para realizar os seus processos de conferência. E como esse processo se dará? A gente está orientando diversas atividades: debates presenciais ou virtuais, lives, encontros de jovens, de trabalhadores, atividades de rua onde puder, com segurança, até que os estados façam as suas conferências municipais ou distritais, regionais e, por fim, no estado, até chegar à direção nacional”.
Tribuna de Debates
“Também queremos incentivar muito as nossas mulheres militantes a escreverem para a Tribuna de Debates. Este é um momento muito rico, portanto, publicar as opiniões das nossas militantes, companheiras e companheiros, também, é fundamental. A nova página da Secretaria da Mulher do PCdoB será disponibilizada também na segunda quinzena de janeiro, com a abertura da Tribuna de Debates”. Ato político-cultural
No dia 28/01, teremos um ato político-cultural de lançamento da conferência, com o centro no nosso manifesto, e a valorização das nossas lideranças, como Manuela d’Ávila, que hoje é sem dúvida uma das maiores lideranças feministas do Brasil, juntamente com o governador Flávio Dino e Luciana Santos, nossa presidenta. E o manifesto estará disponível para ser assinados por mulheres, entidades e bases. Será um documento que exigirá o nosso direito à vacinação, à vida, à segurança, ao trabalho.
Temos uma Comissão de Organização da 3ª Conferência e essa comissão trabalhará de forma muito viva, ao lado das direções estaduais, não só das secretárias de Mulher, mas da direção partidária porque isso é muito importante registrar: não é uma conferência da mulher, mas sobre a situação da mulher e que todos e todas temos o dever de participar, para que a gente tenha um grande processo de mobilização, de construção partidária e de atração de novas companheiras e companheiros para as nossas fileiras”.
Essa seleta de textos é uma maneira de homenagear a luta das mulheres pela igualdade, leituras que acredito fundamentais para a luta feminista. Viva o 8 de março, dia internacional da Mulher! Viva a mulher trabalhadora! Paulo Vinícius MARIA LYGIA QUARTIM DE MORAES RESGATA AS ORIGENS SOCIALISTAS DO 8 DE MARÇO Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional da Mulher
Russian Social-Democrat from 1890s, active in international Socialist Women's movement, and a member of the Mensheviks before 1914. Elected to Central Committee in 1917 and Commissar for Social Welfare in the Soviet government. With Bukharin in 'Left Communist' faction, opposed signing of Brest-Litovsk Peace (Lenin was for signing immediately, Trotsky for delaying in hope of a revolution in Germany, the WO advocated a revolutionary war against Germany); leader of the Workers Opposition. Sent to diplomatic posts in Mexico and Scandanavia. Sympathised with the Left Opposition, but subsequently 'conformed'.
LORETA VALADARES (1943-2004) Militante do Movimento Estudantil da Ação Popular (AP), nos anos de 1960, participou bravamente da luta contra a ditadura militar. Sequelas da prisão e da tortura comprometeram profundamente sua saúde, mas não a impediram de prosseguir na aguerrida militância comunista. Em plena clandestinidade, atuou junto a Diógenes Arruda e outros (as) camaradas na organização de cursos de marxismo-leninismo. Nos anos de 1980, foi professora de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia. Também foi professora da escola do PCdoB, em cursos nacionais e na Bahia. Escreveu importantes textos sobre os fundamentos do Partido de tipo leninista e sobre o PCdoB, os quais têm sido bibliografia dos diversos cursos partidários. Líder emancipacionista, além do testemunho de vida, deixa uma enorme contribuição ao movimento de mulheres e de luta para a conquista e garantia dos direitos humanos no país. Desde 2005, empresta seu nome ao Centro de Referência Loreta Valadares - Prevenção e Atenção a Mulheres em Situação de Violência (CRLV), em Salvador-BA. Também em sua homenagem foi constituída a Escola de Formação Loreta Valadares, a seção estadual/BA da Escola Nacional do PCdoB.
Neste artigo, publicado originalmente na revista Presença da Mulher, Loreta Valadares (1943-2004) joga luz sobre a problemática do conceito de gênero e a teoria emancipacionista. Confira:
CTB-DF DEBATE IV CONGRESSO Feminismo Emancipacionista e a luta das mulheres no Brasil de hoje Terça, 07/03, às 18h00 na CTB-DF Local: SRTVS quadra 701 Bloco I - Ed. Palácio da Imprensa - sobreloja
Poema: Mirela e o Dia Internacional da Mulher
Debate: Kátia Souto - Mestre em Sociologia e ex-Coordenadora Nacional da UBM Ailma Maria - Presidenta da CTB-GO e da DN Rita Poli - UBM Ingrid Mangabeira - UJS
Do luto a luta!
Nenhuma Débora a menos!
Foi com imenso pesar e indignação que recebemos a notícia da morte da jovem Débora Soriano. O machismo ceifou a vida de mais uma de nós, diante de um poder público que pouco ou nada faz para combater a violência patriarcal. Débora era uma jovem mulher de 23 anos, com a vida toda pela frente, cheia de sonhos e expectativas, mas que foi brutalmente violentada e assassinada. Débora acreditava em uma sociedade melhor e mais justa, irradiava alegria de viver e esperança em um mundo novo, para ela e seus dois filhos pequenos.
Nos solidarizamos com a família neste momento de dor e despedida e exigimos dos órgãos responsáveis que este crime bárbaro seja esclarecido e o autor, rigorosamente punido. Não admitimos que os crimes contra as mulheres continuem sendo secundarizados e esquecidos pelas autoridades. Nós não esqueceremos!
A morte trágica de Débora reforça a necessidade de políticas públicas para as mulheres, para que não precisemos mais nos despedir de nenhuma de nós desta maneira.
Por isso, convocamos a todas as mulheres a se somarem a nós neste domingo 18 de dezembro, as 14h na Paulista por Débora e por todas as mulheres que morrem vítimas do machismo e do feminicídio.
O Golpe foi consumado,
é certo, mas isso não é o fim, a luta continua. E o maior exemplo
foi dado pela Presidenta Dilma, a quem coube enfrentar a duríssima
batalha que desmoralizou o próprio golpe, e cujo corolário é o
fato de ter sido impossível ao Senado cassar-lhe os direitos
políticos, a primeira grande vitória na luta contra o golpe. Isso é
tanto mais importante quando aprofundamos a compreensão de que o
Golpe não se trata da Presidência, apenas, mas da desconstrução
dos avanços contidos na CLT, na Constituição de 1988 e na vitória
contra a Ditadura, acrescida dos avanços obtidos desde a vitória de
Lula à Presidência da República.
Talvez, só a
assinatura da Lei Áurea – e há muito o que se questionar sobre o
episódio – tenha conferido papel tão decisivo às mulheres na
História do Brasil. Mas, desta vez, não há dúvida quanto ao
protagonismo, à fidelidade ao lado representado e à coragem
encarnadas na Presidenta Dilma. Em tempos de internet e de celulares
conectados, expôs-se ao mundo em tempo real a vilania do golpismo.
Todavia, o Partido da Imprensa Golpista e nossos erros na própria
luta em curso poderiam ter levado à legitimação do golpe.
Dilma no Ato pela democracia no Teatro dos Bancários em Brasília, 24/08/2016 - Foto de Brito Júnior
Trata-se de uma luta heroica, dessas que, para explicar, apelamos aos mitos gregos. O golpe já era
realidade há meses. Impediram o voto popular de decidir desde 2014.
Para derrubar a Dilma, entregar o Pré-Sal, rasgar os direitos do
povo, inviabilizaram seu mandato. A derrota era certa e como é duro posicionar-se diante da derrota anunciada. E nesse
ambiente, marcado pela confusão e pelas fragilidades intrínsecas e
acessórias à força dirigente do processo, o Partido dos
Trabalhadores, Dilma pôs-se de espada e escudo em punho para
enfrentar as três cabeças de Cérbero, o mítico cão monstruoso
que resguardava os portões do Tártaro, o inferno da mitologia
grega, cuja ferocidade se dirigia aos que ansiavam por se livrarem
daquela terra de sofrimentos. Reitero: o golpe já fora dado, mas a
reação a ele poderia ter sido de tantos modos, que coube à
Presidenta Dilma conduzir-nos para esse confronto e ela própria
enfrentar a criatura nefasta, por isso é importante entender e tirar
as devidas lições do episódio que ilumina a próxima etapa da
resistência.
A primeira cabeça
monstruosa que Dilma enfrentou foi a das mentiras urdidas para
legitimar o Golpe. A sessão de mais de 14 horas em que ela enfrentou
a súcia do Senado será lembrada na História, e foi a sua atitude,
sua postura serena e firme, seu brilho que impediram a farsa de se
manter de pé. Um a um, uma a uma, vimos os e as golpistas tombarem
diante da verdade pura e simples da ilegitimidade do golpe.
A segunda cabeça
monstruosa que Dilma abateu foi a do hegemonismo e da tibieza que se
expressaram no anticlímax provocado pelas declarações do
Presidente do PT, Rui Falcão, e de quem o apoiou, quando em nome da
Frente Brasil Popular, posicionou-se contra as mobilizações levadas
a cabo pela Frente Povo Sem Medo no dia 31 de agosto, unicamente
porque continham a consigna “Que o Povo Decida”, e a sua
inacreditável, reprovável, obtusa e grosseira rejeição à palavra
de ordem do Plebiscito após a declaração da própria Presidenta
Dilma. Ora, quem é da luta social sabe o efeito devastador que isso
teve no último mês de mobilização contra o Golpe. Foi a expressão
mais acabada do limite que o hegemonismo impõe à unidade das forças
democráticas, patrióticas e dos trabalhadores e trabalhadoras, um
tiro no pé na unidade do nosso campo, a razão de pulularem as
especulações sobre o apoio do PT à Presidenta Dilma. Aqui,
complicou. Poderia ter sido um Deus nos acuda e o anticlímax se sentiu por toda parte.
Mas, Dilma foi unindo
ponta a ponta, incorporou a defesa das Diretas como o caminho da
pacificação democrática pela afirmação da soberania popular;
embalou a primavera feminista como um ascenso de participação que
supera a divisão e as correntes. Fez a sua defesa reafirmando a
nossa unidade em tudo, superando a esquerda, ampliando as bandeiras
para a defesa do campo que se insurge contra o Golpe, da defesa da
Democracia, da Soberania ameaçada e dos direitos do povo e da classe
trabalhadora. Naquele momento, toda a insegurança, toda a divisão,
todo o hegemonismo se mostraram vãos, e um despertar foi ocorrendo
por todo o país. Naquele dia, estávamos na Esplanada, e não
estávamos triste, não se viam choros. Dilma enfrentara por nós os
fantasmas de nossos próprios medos, e matara a segunda cabeça de
Cérbero, guardião dos padeceres sem saída, estávamos eletrizados
porque unidos, porque na luta, porque acreditamos em nós mesmos e na
vitória. Mas este ente organizativo da unidade ainda engatinha.
Todavia, as mobilizações espontâneas, ferozmente reprimidas por
todo o país são filhos daquela coragem. E sua fala ao final do
Golpe abre uma nova onda de mobilizações, indispensáveis nessa
fase da resistência. E a luta pelas eleições diretas está no centro, contra o golpismo
Ato contra o Golpe na madrugada de 03/09/2016 em Florianópolis-SC
Já a terceira cabeça
do Cérbero que Dilma cortou foi a do ineditismo do seu gesto face à
às forças que levaram Getúlio Vargas ao suicídio heroico, Jango
ao exílio e à cilada e ao envenenamento. Diante do incontornável
padecer, ela nos ensina a valiosa lição da coragem que resta. Ela
encarna a coragem de todas as mulheres que, no passado e no presente,
desempoderadas, cuidaram sozinhas das famílias, inclusive quando os
maridos estavam na luta, na prisão, desaparecidos, e elas estavam na
luta sem ribalta, sem estátua, aquela luta do sofrimento diário,
sem menções, como a dos agricultores e agricultoras que lavram a
terra, como a da clandestinidade que não tem horizonte de se findar,
e que obriga, antes de tudo, à sobrevivência com discrição, e à
resistência do silêncio face à tortura. Dilma não se matou, não
fugiu, sequer tremeu. Seus algozes, outra vez, empalideceram frente
aquela firmeza. Ela nos deu a mensagem da sobrevivência. E eles não
puderam cassá-la, não puderam.
Exemplos muitos de
heroísmo há, de martírios, de superações. Todavia, quantas vezes
pudemos contar que uma mulher liderasse um país da dimensão do
Brasil, ocupando esse lugar central, e com essa formidável
contribuição individual? Procuro e não encontro. Também esse
feito ficará na História e terá consequências irresistíveis pelo
exemplo que encerra, pelas portas que abre ás mulheres na luta do
povo. Poderemos muito mais com as mulheres que Dilma motiva, e com a
ternura e admiração que ela inspira em nós, homens, nesse
aprendizado do emancipacionismo, tão difícil e tão importante na
luta pelo socialismo.
Foi ela quem deu a
senda da vitória diante da adversidade. O Golpe não pode expor à
luz sua carranca inominável. Estamos unidos. E ela
está viva, conosco, e a luta continua, sempre.
Fátima Lemes e Anacélia Azevedo, do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da FUP. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
CARTA DE REPÚDIO AOS ADESIVOS SEXISTAS E APOIO À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
As delegadas e delegados presentes a 5a Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros – PLENAFUP – vem através desta demostrar nossa indignação e repúdio diante da agressão sofrida pela Presidenta Dilma Rousseff nesta semana. Nossa indignação se dá ao desrespeito à sua função política e como mulher.
Neste momento, circulam peles redes sociais imagens de montagens feitas com o rosto da presidenta Dilma Rousseff, em que ela aparece de pernas abertas. São colados adesivos com essa imagem na entrada no tanque de gasolina dos carros, que, quando abastecidos, passam a ideia de que a bomba de gasolina está penetrando sexualmente a figura falsa da presidenta.
Segundo os adeptos dessa aberração machista, a intenção é “protestar” contra o aumento da gasolina. Parece que para eles a melhor analogia para um protesto é um estupro, uma violação sexual que ainda é exibida como se fosse algo engraçado. A penetração, nesse caso, é a punição contra a presidenta, que está sendo “castigada” por ter subido os custos do abastecimento!
Cenas como essa, com certeza, acarretam um desgaste emocional na mulher Dilma. Isso não é manifestação de liberdade de expressão, mas sim a manifestação de um machismo inaceitável com a Presidenta, com as brasileiras, com as mulheres. É discriminatório, pois permite o desrespeito e a discriminação entre os seres humanos. Adesivos como esse corrompem o povo!
Essa prática, que jamais deve ser chamada de protesto, evidencia que faltam argumentos políticos e embasados em fatos, análises sérias e dados convincentes para respaldar as críticas contra o governo Dilma. Porque, sim, é possível criticar o governo atual e até mesmo manifestar revolta sem apelar para misoginia e analogias de estupro.
Essa plenária e em especial as mulheres petroleiras aqui presentes prestam todo apoio e solidariedade a Presidenta Dilma e às mulheres brasileiras vítimas de violência, bem como repudia qualquer ato de violência ou incitação desta, cometido contra as mulheres.
Por fim, pedimos o apoio da Presidenta Dilma na defesa da Petrobras e muito duramente, neste momento, do pré-sal brasileiro. O Petróleo pertence ao povo brasileiro e deve servir a soberania e desenvolvimento do pais!
Parabéns a todas as mulheres no seu Dia Internacional da Mulher, data criada pelas mulheres socialistas, trabalhadoras, ao longo da secular luta por sua emancipação e a de todo o gênero humano, emancipação das cadeias do machismo e também do sexismo, emancipação do capitalismo!
Nesse dia, como homenagem, passo para todos a Revista Mulher de Classe, uma iniciativa da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, instrumento fundamental para reafirmar que esse dia não é um dia de consumo, mas de luta e celebração de vitórias, como a vitória de sermos pela segunda vez governados pela Presidenta Dilma, uma figura feminina que encarna as maiores aspirações de nosso povo pela soberania, pela democracia, pelo desenvolvimento!
Viva o Dia Internacional das Mulheres!!!
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Os trabalhadores, as trabalhadoras e o movimento sindical brasileiro têm se beneficiado de um contexto de recuperação do emprego formal, de democracia e avanço das forças de esquerda na cena política. Seu papel nesses avanços é muito anterior e foi decisivo para a vitória na eleição de 2002, marco dessa quadra histórica para o Brasil. Está em nossas mãos fazer o que conquistamos até aqui avançar ainda mais. Por isso é importante reconhecer que em cada batalha política e econômica do movimento sindical nesse período, está a luta das mulheres.
Se não podemos pensar num país avançado sem que as mulheres tenham direito à igualdade, não podemos pensar no desenvolvimento do Brasil sem levar em conta que dois terços de sua força de trabalho ainda sofrem as consequências de mais de 20 anos de concentração de renda, ausência de crescimento econômico e ataques aos direitos do povo, fatos que caracterizaram o Brasil desde a crise do nacional-desenvolvimentismo a que se somou o neoliberalismo.
A retomada do crescimento econômico permite-nos divisar avanços que se expressam em vários indicadores atuais, que dão conta de as jovens mulheres terem escolaridade superior à dos homens, terem diante de si um horizonte mais amplo de direitos e perspectivas, serem contemporâneas da Lei Maria da Penha e das conquistas da Revolução Sexual dos anos 60, serem 41,7% da PEA e terem avançado muito quanto à sua independência financeira.
Todavia, os êxitos não podem nos fazer esquecer as inúmeras consequências do machismo e do
capitalismo sobre as mulheres. Assim, é preciso dizer que há uma imensa estrada ainda a percorrer,
que é ao mesmo tempo a estrada pela qual terá de transitar a nação brasileira no caminho da sua libertação.
Por isso mesmo é decisivo ao movimento sindical e ao movimento feminista compreender o papel que podem cumprir as jovens mulheres para a sua atualização e vigência, assim como para maiores avanços na luta emancipacionista.
Por outro lado, o movimento sindical é em muitos aspectos hostil ou pouco atrativo às mulheres. Afinal, o nosso formato de assembleias e protestos, os horários das atividades, a abordagem na imprensa sindical, a concentração sexista dos cargos de direção, o pouco apoio dos sindicatos às famílias, o baixo investimento nas atividades políticas com acesso à maternagem, afora o próprio machismo e a baixa presença das mulheres nas direções, são problemas graves que precisam ser encarados com mais ousadia.
Por fim, é preciso que as jovens mulheres, por seu lado, aprendam uma importante lição do passado
e que serve para os dias de hoje: devem lutar pelos seus direitos e também por seu protagonismo.
Direitos e espaços precisam ser conquistados, elas têm mais do que condições e méritos para brilhar na luta sindical, se decidirem fazê-lo.
Paulo Vinícius S. da Silva é secretário da Juventude Trabalhadora da CTB