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domingo, 19 de maio de 2024

Familiares de vítimas da ditadura vão à Brasília de 20 a 23 de maio exigir Justiça e mobilizam sociedade


Foto: Reprodução/Apub

Por: Bélit Loiane no dia 26 de março de 2024 às 15:16

Atualizado: no dia 01 de abril de 2024 às 18:09





Familiares de mortos e desaparecidos políticos brasileiros durante a ditadura militar instalada no país de 1964 a 1985 realizam uma semana de luta e mobilização, entre os dias 20 e 23 de maio, em Brasília-DF. 

O grupo vai pressionar o Governo Federal, principalmente para a reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, extinta em dezembro de 2022 pelo governo do ex-presidente e ex-militar Jair Bolsonaro, e que vem sendo protelada pelo governo do presidente Lula para evitar tensão com os militares brasileiros. 

A mobilização também tem o objetivo de exigir ações concretas do Governo Federal para que o Brasil cumpra as sentenças internacionais e na Justiça brasileira, garantindo o direito à memória, à verdade, à Justiça e à reparação às vítimas de violações de direitos humanos. 

A semana de mobilização inclui visitas ao Ministério Público Federal, ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, reuniões no Congresso Nacional, visitas aos presidentes das comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado; na Comissão da Anistia; além de apoiar e buscar apoio das Organizações não-governamentais e dos movimentos populares.


Confira a programação completa:


Semana de luta de familiares de mortos e desaparecidos políticos


Dia 20/05/2024

10h à 17h | Visitas a organizações da sociedade civil e movimentos sociais.


Dia 21/05/2024

10h | Reunião com Ministério Publico Federal

Endereço: SAS quadra 05 bloco E lote 08

Dia 22/05/2024

9h | Secretaria da presidência (a confirmar)

Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto, 4º andar - Brasília

14h | Comissão de Anistia 

16h30 | Reunião da Comissão de Participação Legislativa com Deputado Glauber Braga

Apresentação da pesquisa sobre desaparecimentos forçados

Local: Plenário 3 - Câmara dos Deputados 


Dia 23/05/2024

8h30 | Audiência privada com a Corte Interamericana de Direitos Humanos

14h | Reunião Ministério DH


Maiores informações:


Jana Sá – 84. 99914.0510

Rafael Duarte – 84. 99654.9404



Veja também:

“A Dinaelza faria 70 anos”, diz Diva Santana, sua irmã, Diva Santana
Dinaelva Santana Coqueiro


sábado, 21 de março de 2015

O silêncio dos democratas, por Urariano Mota - No Vermelho e no GGN

URARIANO MOTA
SEX, 20/03/2015 - 10:41





Eu relutei, tive dúvida em relatar um fato desagradável acontecido comigo no mais recente dia 13 de março, aqui no Recife. Mas agora mudei pra não ser mudo. Vocês já vão entender a razão.

Para a defesa da Petrobras e do governo Dilma, antes de sair de casa no dia 13, aconselhei aos filhos e esposa:

- Olhem, vão acontecer provocações da direita. Mas a gente não tem olhos nem ouvidos para a provocação. Faz de conta que não vemos nem ouvimos, e vamos em frente.

Mas eu próprio não resisti a 2 minutos de insulto fascista. Assim se deu. Quando a passeata da multidão vestida de vermelho saiu da Avenida Guararapes, e dobrou para a avenida Dantas Barreto, antes da Igreja de Santo Antonio, notei que a minha mulher respondia a um senhor forte, de cabelos brancos. Dizia ela:

- Todos nós somos trabalhadores.

Então voltei e me acerquei dele. E ouvi:

- Era bom metralhar, fuzilar todos os petistas, tudo que é comunista.

- Como é? – perguntei.

E o animal:

- Tem que cortar a cabeça de todos eles.

- Que é isso? Que estupidez é essa? – perguntei.

E o animal, passando a mão na cintura me soltou mais um coice:

- Vou marcar a sua cara. Pra no dia em que a gente voltar...

Olhem, entre as minhas raras qualidades não se encontram a coragem ou o desassombro. Mas diante daquela agressão verbal, pior, mais que verbal, diria, pela promessa que encerrava e cerrava, com c ou com s, a democracia, na hora me subiu uma onda que não pude segurar, um calor, um sangue quente veio, e respondi ao fascistão:

- Marque a minha cara, que eu marco a sua – disse-lhe com os dedos da mão direita em V sobre os meus olhos. – Marque a minha, que eu marco a sua. Mas vamos prum combate aberto, franco. Não de modo covarde, não na maior covardia, como vocês fizeram – e neste ponto eu lhe apontava o dedo, que eu desejava fosse um soco na sua carantonha criminosa – Não na covardia, como vocês fizeram com os presos políticos na ditadura. Vocês assassinaram pessoas algemadas, presas, desarmadas, sob torturas.

Ao que o fascistão, réu confesso, sentindo-se identificado, saiu puxando a perna como um diabo coxo. Não sei, tive vontade de segui-lo, mesmo sabendo que entre nós a civilização estava morta, que palavras mais não se deviam pronunciar porque eram surdas e absurdas. Um companheiro que ainda não sei quem é, se acercou de mim e me tocando o ombro procurava me pôr de volta à sensatez:

- O que é que tá acontecendo com você? Relaxe, amigo.

A pressão estava alta e desnorteada, e eu não soube como reagir de modo mais sereno .

Contei isso agora porque uma ameaça maior veio na movimentação no dia 15, em São Paulo. A ótima coluna Notas Vermelhas já havia chamado a atenção para o vídeo que “mostra manifestantes idolatrando o famigerado torturador e assassino Carlinhos Metralha, agente do DOPs que aparece orgulhoso de sua ‘atuação’ durante a ditadura e cercado por ‘admiradores’ ”.

Carlinhos Metralha, o cara que foi sócio do cabo Anselmo nos 6 assassinatos do Recife em 1973, aparece na passeata paulista como herói. Os caras não estão folgados. Estão mais que isso, estão livres, soltos e ameaçadores. Olhem o vídeo onde ele aparece com a cara obscena

https://www.facebook.com/video.php?v=10152760919021238&fref=nf ou aqui

https://www.youtube.com/watch?v=ebzEbjflXkM

No vídeo, ele mostra um cartaz onde se lê: “Quero ser ouvido pela Omissão da Verdade”. Mas notem que o corajoso delegado Carlos Alberto Augusto, ou Carlinhos Metralha, herói dos coxinhas de São Paulo, foi convocado, no fim de 2013, para um depoimento na Comissão da Verdade de Pernambuco, e não quis vir. Por excesso de valentia, digamos. Mas no vídeo, ele faz declarações orgulhosas dos seus crimes:

“Carlinhos Metralha foi o apelido que os comunistas me deram, porque me respeitam até hoje. Já andei infiltrado na organização terrorista VPR, conheci pessoalmente alguns desses delinquentes que estão aí, não metralhei porque não tive essa oportunidade. Se eu tivesse, faria com o maior prazer”. Mais adiante, aparece marchando com um velho. Impune. Os pés que ele bate ritmado no chão pisam sobre os democratas e o sangue de brasileiros assassinados pela ditadura. A isso, a militante comunista Mara Loguercio respondeu por email:

“Isto já é provocação. Caberia, no mínimo, ao meu juízo uma ‘notitia criminis’. O cara dizer que não metralhou nenhum de nós porque não teve oportunidade, embora tenha participado do assassinato de vários, mas que se tivesse (a oportunidade) o faria com prazer, se isto não é crime eu jogo todo o material de estudo e prática de advocacia e magistratura no lixo!!!!

Se mais alguém topar a ideia, eu penso que nos caberia. Ou no mínimo, uma interpelação judicial ou uma representação para o Conselho do Ministério Público ou até para a Comissão da Anistia.

Não dá é para ficar inerte diante disto. Isso é mais do que passividade, passa a ser cumplicidade da nossa parte. É minha visão”.

É a nossa visão também. Porque em outro vídeo, a extrema-direita fala em gravação para pegar em armas, assassinar Dilma e seguidores:

https://www.youtube.com/watch?v=lsB875X-0KA

Trata-se do ex-comandante da Policia Militar de Goiás, olhem só, ex-comandante de uma policia militar, o coronel Pacheco. No vídeo ele insulta a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, além de ameaçar “pegar em armas” para destituir do poder o atual governo federal – eleito através do voto.

Exaltado, Pacheco chama Dilma de “chefe de quadrilha” e o ex-presidente Lula de “ladrão”. Ele diz, ainda, que não tem medo dos “guerrilheiros” da petista. Diz o fascistão, pago com o dinheiro de todos nós, civis, intelectuais e povo desarmados:

“Quero dizer pra você Dilma, pra você Lula ladrão, que eu não tenho medo dos seus guerrilheiros, e tenho certeza que as centenas de milhares de policiais militares dos diversos Estados desse País também estão prontos para ir para a luta armada para defender esse País”. E mais:

“Nós policiais militares da reserva, não aceitamos mais ser roubados e ainda por cima, agora, ser ameaçados e oprimidos. Nós vamos defender a nossa sociedade e estamos prontos para qualquer convocação, seja oficial ou não, para lutar contra os seus guerrilheiros”, completou Camilo, que informou ser coronel da reserva remunerada há três anos.

Observo que nunca é demais lembrar que, de um ponto de vista legal, a Constituição da Federal em seu artigo Artigo 5º :

“XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;”

E então? Vamos continuar à mercê dos criminosos e torturadores, que mal satisfeitos com a impunidade dos seus crimes, nos ameaçam agora com novos assassinatos, a nós, que fazemos parte da civilização e da humanidade brasileira? É claro que deveremos reagir com medidas legais e com movimentos de opinião pública, com uma política de reassentamento da democracia real. Para que se levem a sério as novas ameaças dos fascistas.

Ou iremos todos para o suplício como novos cordeiros para o sacrifício final. Em um novo silêncio dos democratas, que não viram a tempo a aberração da existência desses velhinhos dos quarteis.

*Áudio na Rádio Vermelho http://www.vermelho.org.br/noticia/260793-333Nota 5

quinta-feira, 19 de março de 2015

Atriz Bete Mendes relembra tortura: "a pior perversidade da raça humana" - Pragmatismo Político

Atriz Bete Mendes, brutalmente torturada por Brilhante Ustra na ditadura, pede atenção à democracia no Brasil

Presa e torturada em 1970, a atriz Bete Mendes encontrou o coronel Brilhante Ustra numa viagem ao Uruguai em 1985. Ela era deputada federal, e ele atuava na embaixada em Montevidéu. Na volta, ela denunciou Ustra ao presidente Sarney. Aos 64, a atriz diz não temer retrocessos, mas pede atenção aos movimentos contra a democracia. Em depoimento publicado domingo, no diário paulistano Folha de S.Paulo, a atriz afirma que superou o trauma com tratamento psicológico e se afirma socialista.

Leia abaixo as declarações de Bete Mendes.

Fui presa duas vezes. Na primeira, não fui torturada fisicamente. Na segunda, foi total. Fui torturada [em 1970] e denunciei [o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Isso me marcou profundamente. Não desejo isso para ninguém – nem por meus inimigos. A tortura física é a pior perversidade da raça humana; a psicológica, idem.


“Não dá para ter raiva de quem me torturou. A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem”, diz Bete Mendes

Não dá para ter raiva (de quem me torturou). A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem. Estou muito feliz, sobrevivi e bem. E não quero mais falar desse assunto.

Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, à classe artística, aos amigos que foram meu alicerce.

Carlos Zara me convidou para fazer a novela “O Meu Pé de Laranja Lima”, e isso me salvou. Continuei o trabalho artístico, fui fundadora do PT, fui deputada federal duas vezes e secretária da Cultura de São Paulo.

Comecei a fazer teatro e cantar com seis anos de idade. Com oito já participava de manifestações de alunos. Era do grêmio do colégio, depois fui para o diretório da faculdade. Em bibliotecas públicas ou pegando livros emprestados lia tudo: Rousseau, Marx, Mao, Lênin, Gorki, Aristóteles. Depois, adotei o codinome de Rosa em homenagem a Rosa Luxemburgo.
Var Palmares

Na adolescência escrevi textos de peças de teatro. Quando fui presa, eles levaram esses textos. Achavam que eles eram prova de crime, que depunham contra mim. Nunca mais os recuperei. Era coisa tão pouca, boba, pessoal.Leia também

Amado Batista: “mereci ser torturado na ditadura”

Torturado quando bebê, morre vítima mais jovem da ditadura no Brasil

Nomes de artistas que colaboraram com a ditadura são revelados em documento

Quando fecharam as portas à democracia, me senti usurpada, revoltada, aprisionada. Achei que a única saída era entrar numa organização revolucionária contra a ditadura militar. Entrei na VAR-Palmares. Fizemos aquela opção. Foi certa, errada? É difícil julgar hoje.

A minha visão era a revolução socialista: tirar poder dos militares, dos opressores, do capitalismo selvagem. Deixar a gente governar para o bem de todos, com todos participando.

Eu tinha 18, 19 anos e achava que podia fazer tudo. Não tinha consciência do risco imenso que estava correndo. Era atriz de uma novela que explodia no Brasil, “Beto Rockfeller”, estudava ciências sociais na Universidade de São Paulo e participava de uma organização clandestina revolucionária. Aí deu zebra.

O medo era a pior coisa que a gente sentia na época. Historicamente tem que se reconhecer que nós entramos numa ditadura muito mais pesada do que foi dito no passado. Isso vai sendo desdito atualmente pela Comissão da Verdade.

Hoje não tenho medo de retrocesso, mas é preciso prestar atenção em manifestações como de movimentos nazistas em vários países e no Brasil. Por exemplo? O coronel Brilhante Ustra faz parte desse movimento. Ele tem um site. Há jovens fazendo movimento nazista.
Democracia

É um receio. É preciso ser cauteloso em relação a movimentos que podem ser prejudiciais ao avanço democrático. Mas impedir jamais, porque a gente legitima a manifestação de todos, de opiniões diversas. É preciso cuidar da democracia para que esses movimentos não cresçam.

Sou política como qualquer cidadão. Sou cidadã, atriz, socialista. O socialismo se constrói todo dia. Não temos o modelo socialista do passado, mas a gente constrói um novo. Quero continuar trabalhando como atriz e viajar mais. Poder viver essa democracia até morrer. Sonho político? Que o trabalho escravo acabe no Brasil.

Problema de audição? Tenho. É que eu fui torturada. (Fica com os olhos marejados).

Correio do Brasil

Você foi ao ato do dia 15/03 em que se aplaudiu e falou esse torturador? - Com Fernando Molica


O ATO, OS GOLPISTAS E O TORTURADOR

Por Fernando Molica em 18 de março de 2015

O vídeo sobre a manifestação paulistana que foi preparado por equipe da revista 'Trip' é assustador demais. Não dá para achar razoável ou tolerável que organizadores de ato que diz defender a democracia aceitem a presença de entusiastas de um golpe militar e até liberem o microfone para um ex-torturador, o delegado aposentado Carlos Alberto Augusto. Admitir a participação desses sujeitos seria o mesmo que aceitar a presença de nazistas numa passeata contra a política externa de Israel. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

É razoável imaginar que organizadores da manifestação tomassem a iniciativa de expulsar do ato um grupo de petistas que fosse até lá para condenar a roubalheira na Petrobras e, ao mesmo tempo, defender Dilma Rousseff. Não seria absurdo que eles fossem convidados a se retirar de uma passeata que protesta contra o governo. A eventual presença deles poderia até ser vista como provocação.

O problema é que, pelo que vi e li sobre as manifestações de domingo, não houve qualquer tentativa de expulsão dos pregadores do golpe (o vídeo até mostra mulheres que se revoltaram com a histeria militarista, mas, pelo visto, não passou de um protesto isolado).

É simples, ato que inclui defensores da ditadura, torturadores (havia pelo menos um) e pessoas que não admitem a pluralidade (caso dos que revelam intolerância com comunistas e integrantes de outras correntes de esquerda) não pode ser chamado de democrático. Mais: quem defende a ditadura não tem o direito de dizer que é contra a corrupção. Afinal, na ditadura, casos de corrupção eram censurados ou não geravam qualquer consequência - como as mordomias no escalão federal reveladas pelo 'Estadão' e a negociata, publicada pela 'Folha', que envolveu o grupo Delfin e o Banco Nacional da Habitação (terrenos no valor de Cr$ 10 bilhões quitaram uma dívida de Cr$ 60 bi junto ao BNH). Quem defende a ditadura defende o direito de quem quer roubar sem ser punido.

Vale também ressaltar o absurdo que foi utilizar a belíssima 'Canção do Expedicionário' como trilha sonora da manifestação, isto representou uma ofensa aos pracinhas que foram combater ditaduras na Europa. Um combate que, aqui, acabou provocando a queda de um ditador. A 'Canção' ("Por mais terras que eu percorra/ Não permita Deus que eu morra/
Sem que volte para lá") é linda, deve ser o único canto de guerra que não fala em destruição, em morte, mas da vitória e da saudade da pátria amada:

Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.

Por último, vale registrar: o Carlos Alberto Augusto, vulgo 'Carteira Preta' e 'Carlinhos Metralha', o ex-delegado do Dops que discursou na manifestação, levou para a Avenida Paulista um cartaz em que dizia querer ser ouvido pela Comissão da Verdade. Pena que só diz isso agora, quando os trabalhos da comissão foram encerrados. O relatório diz que ele foi convocado a depor, mas não foi localizado. Na hora de prestar contas à história, ele tratou de não aparecer. Segue trecho do relatório sobre ele:

Carlos Alberto Augusto (1944-) Delegado de polícia. Serviu no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DOPS/SP), sendo conhecido como "Carteira Preta" e "Carlinhos Metralha". Integrou a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Teve participação em casos de detenção ilegal, tortura e execução. Convocado para prestar depoimento à CNV, não foi localizado. Vítimas relacionadas: Carlos Marighella (1969); Eduardo Collen Leite (1970); Antônio Pinheiro Salles e Devanir José de Carvalho (1971); Soledad Barrett Viedma, Pauline Reichstul, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva, Eudaldo Gomes, Evaldo Luiz Ferreira de Souza e Edgard de Aquino Duarte (1973).

A Pauline Reichstul, apontada no relatório como uma das vítimas do 'Carlinhos Metralha', era irmã de Henri Philippe Reichstul, presidente da Petrobras no governo Fernando Henrique Cardoso.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Tortura e Ditadura Nunca Mais - Baixe o livro digital e saiba a verdade que o PIG esconde




TÉCNICAS DE TORTURA UTILIZADAS PELA DITADURA MILITAR - DOCUMENTOS REVELADOS


POR ALUIZIO PALMAR · 19 DE DEZEMBRO DE 2014 ·
Ilustrador recria técnicas de tortura utilizadas pela ditadura militar




O ilustrador Bruno Maron produziu para a Vice uma série retratando as técnicas de tortura cometida pelos militares e agentes da repressão durante a ditadura militar brasileira.

Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade, além das 434 civis mortos ou desaparecidas, mais de 6 mil pessoas foram torturadas durante o regime.



INFORMAÇÕES SOBRE A DITADURA…
As técnicas de tortura foram ensinadas por agentes fraceses que vieram ao Brasil ensinar os métodos aprendidos e utilizados na Guerra da Argélia.

Oficiais brasileiros também foram para aulas de tortura da Escola das Américas, criada pelo Departamento de Defesa dos EUA.

Depois, o Brasil ensinou técnicas de tortura para outros países da América Latina que mantinham regimes ditatoriais.

.

MUROS E PONTES: MEMÓRIA PROTESTANTE NA DITADURA - DOCUMENTOS REVELADOS

MUROS E PONTES: MEMÓRIA PROTESTANTE NA DITADURA 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Baixe o Relatório da Comissão Nacional da Verdade e veja os nomes dos heróis mortos e desaparecidos - CNV

Relatório final da CNV

 http://www.cnv.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=571

Acesse aqui links para download e visualização do Relatório Final da CNV.

Relatório Final CNV: Tomo 1, volume 1   Relatório Final CNV: Tomo 2, volume 1   Relatório Final CNV: volume 2
Relatório Final CNV: volume 3, introdução Relatório Final CNV: volume 3, 1950 - 1969   Relatório Final CNV: volume 3, 1970 - 1971
Relatório Final CNV: volume 3, 1972 - maio de 1973 Relatório Final CNV: volume 3, junho de 1973 - abril de 1974   Relatório Final CNV: volume 3, maio de 1974 - outubro de 1985

Esta página está sendo atualizada. O acesso por capítulos será concluído até o dia 16 de dezembro. Confira:

Relatório Final da CNV: Volume 1 [download, tomo 1]|[download, tomo 2]
Parte I – A Comissão Nacional da Verdade [download]
Capítulo 1 – A criação da Comissão Nacional da Verdade
A) Antecedentes históricos
B) Comissões da verdade: a experiência internacional
C) O mandato legal da Comissão Nacional da Verdade
Capítulo 2 – As atividades da CNV
A) A organização interna da CNV
B) Relacionamento com órgãos públicos
C) Relacionamento com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas
D) Relacionamento com a sociedade civil
E) Cooperação internacional
F) Investigação sobre a morte dos presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart e do educador Anísio Teixeira

Parte II – As estruturas do Estado e as graves violações de direitos humanos [download]
Capítulo 3 – Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988
A) Democracia de 1946
B) O primeiro atentado armado à ordem constitucional de 1946: golpe e contragolpe em 1955
C) O governo Juscelino Kubitschek
D) O golpe de 1961, ensaio geral para 1964
E) O golpe de 1964
F) Os antecedentes imediatos do golpe de 1964: retomando 1961
G) Traços constitutivos do regime entre 1964 e 1988: continuidades e mudanças
H) O segundo ato fundador da autodesignada Revolução
I) A ditadura: a política de controle
J) O controle da política
K) Epílogo: uma transição sob medida
Capítulo 4 – Órgãos e procedimentos da repressão política
A) A criação de um Sistema Nacional de Informações
B) Órgãos de repressão do Exército
C) Centros de Informações das Forças Armadas
D) Os Departamentos Estaduais de Ordem Política e Social (DOPS)
Capítulo 5 – A participação do Estado brasileiro em graves violações no exterior
A) A Divisão de Segurança e Informações na estrutura do Ministério das Relações Exteriores
B) A Comunidade de Informações do Ministério das Relações Exteriores (CI/MRE)
C) O Centro de Informações do Exterior (Ciex)
D) Os antecedentes do Ciex: o intercâmbio com a EIA e a longa transição dos SEI ao Ciex
E) Organização, cadeia de comando e métodos de trabalho do Ciex
F) Informantes e codinomes
G) O envolvimento do Ciex ou da DSI/MRE em graves violações aos direitos humanos de brasileiros no exterior
H) Colaboração do governo britânico
I) O desvirtuamento da instituição: monitoramento de brasileiros no exterior
J) Restrições à concessão de passaportes e à prática de outros atos de natureza consular
K) Repressão interna no MRE
L) Adidâncias
M) A atuação da ditadura brasileira nos foros internacionais
Capítulo 6 – Conexões internacionais: a aliança repressiva no Cone Sul e a Operação Condor
A) A Operação Condor
B) Envolvimento brasileiro na coordenação repressiva internacional anterior à Operação Condor
C) Vítimas da Operação Condor e de outros mecanismos de coordenação repressiva na América Latina

Parte III – Métodos e práticas nas graves violações de direitos humanos e suas vítimas [download]
Capítulo 7 – Quadro conceitual das graves violações
A) Detenção (ou prisão) ilegal ou arbitrária
B) Tortura
C) Execução sumária, arbitrária ou extrajudicial, e outras mortes imputadas ao Estado
D) Desaparecimento forçado e ocultação de cadáver
Capítulo 8 – Detenções ilegais e arbitrárias
A) O uso de meios ilegais, desproporcionais ou desnecessários e a falta de informação sobre os fundamentos da prisão
B) A realização de prisões em massa
C) Da incomunicabilidade do preso
D) As sistemáticas ofensas à integridade física e psíquica do detido e o esforço dos advogados em evitá-las
Capítulo 9 – Tortura
A) A prática da tortura no contexto da doutrina de segurança nacional
B) O caráter massivo e sistemático da tortura praticada pelo aparelho repressivo do regime de 1964
C) A prática da tortura e de outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes
D) As vítimas de tortura e suas marcas
Capítulo 10 – Violência sexual, violência de gênero e violência contra crianças e adolescentes
A) A violência sexual e de gênero como instrumento de poder e dominação
B) Normativa internacional, violência sexual e violência de gênero
C) A preponderância da violência sexual – métodos e procedimentos
D) Consequências para os sobreviventes
E) A violência contra crianças e adolescentes, o legado traumático e sua transmissão
Capítulo 11 – Execuções e mortes decorrentes de tortura 437
A) Homicídio como prática sistemática de violação de direitos humanos
B) Esclarecimento circunstanciado pela CNV: pesquisa, depoimentos e perícias
C) Falsos confrontos com armas de fogo
D) Mortes decorrentes de tortura
E) Homicídios com falsas versões de suicídios
F) Homicídios em manifestações públicas
G) Execuções em chacinas
H) Suicídios decorrentes de sequelas de tortura
I) Os casos de morte reconhecida
Capítulo 12 – Desaparecimentos forçados
A) O desaparecimento forçado no Brasil
B) Desaparecimento forçado em diferentes órgãos e locais do território brasileiro
C) Casos emblemáticos
D) As vítimas de desaparecimento forçado

Parte IV – Dinâmica das graves violações de direitos humanos: casos emblemáticos, locais e autores O Judiciário. [download]
Capítulo 13 – Casos emblemáticos
A) A repressão contra militares
B) A repressão contra trabalhadores, sindicalistas e camponeses
C) A repressão contra grupos políticos insurgentes
D) Violência e terrorismo de Estado contra a sociedade civil
Capítulo 14 – A Guerrilha do Araguaia
A) Início da guerrilha na região do Araguaia
B) Operações das Forças Armadas
C) Camponeses e indígenas
D) Vítimas e violações
E) Audiências públicas e diligências realizadas pela CNV
Capítulo 15 – Instituições e locais associados a graves violações de direitos humanos
A) Unidades militares e policiais
B) A estrutura clandestina
C) Navios-prisões
Capítulo 16 – A autoria das graves violações de direitos humanos
A) Responsabilidade político-institucional pela instituição e manutenção de estruturas e procedimentos destinados à prática de graves violações de direitos humanos
B) Responsabilidade pela gestão de estruturas e condução de procedimentos destinados à prática de graves violações de direitos humanos
C) Responsabilidade pela autoria direta de condutas que ocasionaram graves violações de direitos humanos
Capítulo 17 – O Judiciário na ditadura
A) A atuação do Supremo Tribunal Federal
B) A atuação da Justiça Militar
C) A atuação da justiça comum
D) Considerações finais sobre a apreciação judicial acerca de graves violações de direitos humanos

Parte V – Conclusões e recomendações [download]
Capítulo 18 – Conclusões e recomendações
I CONCLUSÕES
II RECOMENDAÇÕES
A) Medidas institucionais
B) Reformas constitucionais e legais
C) Medidas de seguimento das ações e recomendações da CNV

Relatório Final da CNV: Volume 2 [download]
Texto 1 - Violações de direitos humanos no meio militar
Texto 2 - Violações de direitos humanos dos trabalhadores
Texto 3 - Violações de direitos humanos dos camponeses
Texto 4 - Violações de direitos humanos nas igrejas cristãs
Texto 5 - Violações de direitos humanos dos povos indígenas
Texto 6 - Violações de direitos humanos na universidade
Texto 7 - Ditadura e homossexualidades
Texto 8 - Civis que colaboraram com a ditadura
Texto 9 - A resistência da sociedade civil às graves violações de direitos humanos

Relatório Final da CNV: Volume 3
Introdução [download]
1950 - 1969 [download]
1970 - 1971 [download]
1972 - maio de 1973 [download]
Junho de 1973 - abril de 1974 [download]
Maio de 1974 - outubro de 1985 [download]

Perfis de mortos e desaparecidos políticos – 1946-1988 (em ordem cronológica)
1. Angelina Gonçalves
2. João Pedro Teixeira
3. Ari Lopes de Macêdo
4. Aides Dias de Carvalho
5. Alvino Ferreira Felipe
6. Antônio José dos Reis
7. Eliane Martins
8. Sebastião Tomé da Silva
9. Geraldo da Rocha Gualberto
10. Gilson Miranda
11. José Isabel do Nascimento
12. Divo Fernandes D’ Oliveira
13. Paschoal Souza Lima
14. Ivan Rocha Aguiar
15. Jonas José de Albuquerque Barros
16. Augusto Soares da Cunha
17. Labibe Elias Abduch
18. Ari de Oliveira Mendes Cunha
19. João de Carvalho Barros
20. Otávio Soares Ferreira da Cunha
21. Alfeu de Alcântara Monteiro
22. Antogildo Pascoal Viana
23. João Barcellos Martins
24. Edu Barreto Leite
25. Bernardino Saraiva
26. José de Souza
27. Albertino José de Farias
28. Carlos Schirmer
29. Pedro Domiense de Oliveira
30. Manoel Alves de Oliveira
31. Péricles Gusmão Régis
32. Benedito Pereira Serra
33. Dilermano Mello do Nascimento
34. João Alfredo Dias
35. Newton Eduardo de Oliveira
36. Pedro Inácio de Araújo
37. Israel Tavares Roque
38. Onofre Ilha Dornelles
39. Elvaristo Alves da Silva
40. Leopoldo Chiapetti
41. Severino Elias de Mello
42. Darcy José dos Santos Mariante
43. José Sabino
44. José Nobre Parente
45. Manoel Raimundo Soares
46. Milton Soares de Castro
47. Lucindo Costa
48. Luiz Gonzaga dos Santos
49. Inocêncio Pereira Alves
50. Edson Luiz Lima Souto
51. David de Souza Meira
52. Ornalino Cândido da Silva
53. Jorge Aprígio de Paula
54. Maria Ângela Ribeiro
55. Fernando da Silva Lembo
56. Iguatemi Zuchi Teixeira
57. Manoel Rodrigues Ferreira
58. José Guimarães
59. Luiz Paulo da Cruz Nunes
60. Cloves Dias de Amorim
61. Luiz Carlos Augusto
62. João Antônio Santos Abi-Eçab
63. Catarina Helena Abi-Eçab
64. Marco Antônio Braz de Carvalho
65. Hamilton Fernando Cunha
66. Higino João Pio
67. João Lucas Alves
68. Paulo Torres Gonçalves
69. Nelson José de Almeida
70. Severino Viana Colou
71. Antônio Henrique Pereira Neto
72. Sebastião Gomes dos Santos
73. Reinaldo Silveira Pimenta
74. Carlos Roberto Zanirato
75. Geraldo Bernardo da Silva
76. Fernando Borges de Paula Ferreira
77. José Wilson Lessa Sabbag
78. Roberto Cietto
79. Ichiro Nagami
80. Sérgio Roberto Corrêa
81. João Domingos da Silva
82. Luiz Fogaça Balboni
83. Virgilio Gomes da Silva
84. João Roberto Borges de Souza
85. Eremias Delizoicov
86. Carlos Marighella
87. Chael Charles Schreier
88. Marcos Antônio da Silva Lima
89. Carlos Antunes da Silva
90. Mário Alves de Souza Vieira
91. Abelardo Rausch de Alcântara
92. José Roberto Spiegner
93. Antônio Raymundo de Lucena
94. Cassimiro Luiz de Freitas
95. Avelmar Moreira de Barros
96. Dorival Ferreira
97. José Idésio Brianezi
98. Roberto Macarini
99. Juares Guimarães de Brito
100. Joelson Crispim
101. Ângelo Cardoso da Silva
102. Norberto Nehring
103. Marco Antônio Dias Baptista
104. Olavo Hanssen
105. Alceri Maria Gomes da Silva
106. Antônio dos Três Reis de Oliveira
107. Antônio Bem Cardoso
108. Silvano Soares dos Santos
109. Eiraldo de Palha Freire
110. Lucimar Brandão Guimarães
111. José Maria Ferreira de Araújo
112. Luiz Renato Pires de Almeida
113. Jorge Leal Gonçalves Pereira
114. Joaquim Câmara Ferreira
115. Ary Abreu Lima da Rosa
116. Edson Neves Quaresma
117. Yoshitane Fujimori
118. Eduardo Collen Leite
119. Celso Gilberto de Oliveira
120. Raimundo Eduardo da Silva
121. Aldo de Sá Brito Souza Neto
122. Rubens Beyrodt Paiva
123. Raimundo Nonato Paz
124. Aderval Alves Coqueiro
125. Odijas Carvalho de Souza
126. José Dalmo Guimarães Lins
127. Carlos Alberto Soares de Freitas
128. Antônio Joaquim de Souza Machado
129. Joel Vasconcelos Santos
130. Gerson Theodoro de Oliveira
131. Mauricio Guilherme da Silveira
132. Mário de Souza Prata
133. Marilena Villas Boas Pinto
134. Devanir José de Carvalho
135. Abílio Clemente Filho
136. Joaquim Alencar de Seixas
137. Dimas Antônio Casemiro
138. Raimundo Gonçalves de Figueiredo
139. Stuart Edgar Angel Jones
140. Ivan Mota Dias
141. Dênis Casemiro
142. Mariano Joaquim da Silva
143. Edmur Péricles Camargo
144. José Gomes Teixeira
145. Luiz Almeida Araújo
146. Paulo de Tarso Celestino da Silva
147. Heleny Ferreira Telles Guariba
148. Walter Ribeiro Novaes
149. Luiz Eduardo da Rocha Merlino
150. José Raimundo da Costa
151. Francisco das Chagas Pereira
152. Raul Amaro Nin Ferreira
153. Epaminondas Gomes de Oliveira
154. Iara Iavelberg
155. Amaro Luiz de Carvalho
156. Luiz Antônio Santa Barbara
157. Otoniel Campos Barreto
158. Carlos Lamarca
159. José Campos Barreto
160. Antônio Sérgio de Mattos
161. Eduardo Antônio da Fonseca
162. Manoel José Mendes Nunes Abreu
163. Felix Escobar
164. Aylton Adalberto Mortati
165. José Roberto Arantes de Almeida
166. Francisco José de Oliveira
167. Flavio Carvalho Molina
168. Nilda Carvalho Cunha
169. José Milton Barbosa
170. Carlos Eduardo Pires Fleury
171. Luiz Hirata
172. Boanerges de Souza Massa
173. Amaro Felix Pereira
174. Ruy Carlos Vieira Berbert
175. Hiroaki Torigoe
176. Jeová Assis Gomes
177. Alex de Paula Xavier Pereira
178. Gelson Reicher
179. Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão
180. Sebastião Vieira da Silva
181. Izis Dias de Oliveira
182. Paulo César Botelho Massa
183. Hélcio Pereira Fortes
184. Hamilton Pereira Damasceno
185. Iris Amaral
186. Arno Preis
187. Frederico Eduardo Mayr
188. João Mendes Araújo
189. Alexander José Ibsen Voerões
190. Lauriberto José Reyes
191. Napoleão Felipe Biscaldi
192. Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides
193. Miriam Lopes Verbena
194. Ezequias Bezerra da Rocha
195. Antônio Marcos Pinto de Oliveira
196. Lígia Maria Salgado Nóbrega
197. Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo
198. Wilton Ferreira
199. Antônio Carlos Nogueira Cabral
200. Rui Osvaldo Aguiar Pfutzenreuter
201. Grenaldo de Jesus da Silva
202. Bergson Gurjão Farias
203. Lourival Moura Paulino
204. Paulo Guerra Tavares
205. Idalísio Soares Aranha Filho
206. Ana Maria Nacinovic Corrêa
207. Iuri Xavier Pereira
208. Marcos Nonato da Fonseca
209. Maria Lúcia Petit da Silva
210. Kleber Lemos da Silva
211. Paulo Costa Ribeiro Bastos
212. Sergio Landulfo Furtado
213. Ismael Silva de Jesus
214. Juarez Rodrigues Coelho
215. Célio Augusto Guedes
216. Sabino Alves da Silva
217. José Júlio de Araújo
218. Luiz Eurico Tejera Lisbôa
219. José Toledo de Oliveira
220. Miguel Pereira dos Santos
221. Francisco Manoel Chaves
222. Antônio Carlos Monteiro Teixeira
223. Helenira Resende de Souza Nazareth
224. Manoel José Nurchis
225. João Carlos Haas Sobrinho
226. Ciro Flávio Salazar de Oliveira
227. José Inocêncio Barreto
228. Esmeraldina Carvalho Cunha
229. Juan Antônio Carrasco Forrastal
230. Antônio Benetazzo
231. João Carlos Cavalcanti Reis
232. Aurora Maria Nascimento Furtado
233. Lincoln Cordeiro Oest
234. Getulio de Oliveira Cabral
235. Fernando Augusto da Fonseca
236. José Bartolomeu Rodrigues de Souza
237. José Silton Pinheiro
238. Lourdes Maria Wanderley Pontes
239. Valdir Salles Saboia
240. Carlos Nicolau Danielli
241. José de Oliveira
242. Luiz Ghilardini
243. Jarbas Pereira Marques
244. José Manoel da Silva
245. Pauline Philipe Reichstul
246. Soledad Barret Viedma
247. Eudaldo Gomes da Silva. 248. Evaldo Luiz Ferreira de Souza
249. Anatália de Souza Melo Alves
250. José Mendes de Sá Roriz
251. Antonio Guilherme Ribeiro Ribas
252. Lincoln Bicalho Roque
253. Arnaldo Cardoso Rocha
254. Francisco Emanuel Penteado
255. Francisco Seiko Okama
256. Alexandre Vannucchi Leme
257. James Allen da Luz
258. Ronaldo Mouth Queiroz
259. Merival Araújo
260. Márcio Beck Machado
261. Maria Augusta Thomaz
262. Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa. 263. Edgar de Aquino Duarte
264. Nilton Rosa da Silva
265. Zoé Lucas de Brito Filho
266. José Porfirio de Souza
267. Luiz José da Cunha
268. Helber José Gomes Goulart
269. Rosalindo Sousa
270. Henrique Cintra Ferreira de Ornellas
271. Manoel Aleixo da Silva
272. Aluízio Palhano Pedreira Ferreira
273. Paulo Stuart Wright
274. Emmanuel Bezerra dos Santos
275. Manoel Lisbôa de Moura
276. Túlio Roberto Cardoso Quintiliano
277. Nelson Kohl
278. Rodolfo de Carvalho Troiano
279. Umberto de Albuquerque Câmara Neto
280. Honestino Monteiro Guimarães
281. André Grabois
282. Antônio Alfredo de Lima
283. Divino Ferreira de Souza
284. João Gualberto Calatrone
285. Luiz Carlos de Almeida
286. Wânio José de Mattos
287. Lúcia Maria de Souza
288. Almir Custódio de Lima
289. Ramires Maranhão do Valle
290. Ranúsia Alves Rodrigues
291. Vitorino Alves Moitinho
292. Gildo Macedo Lacerda
293. José Carlos Novaes da Mata Machado
294. Miguel Sabat Nuet
295. Caiupy Alves de Castro
296. Jean Henri Raya Ribard
297. Antonio Luciano Pregoni
298. Arildo Valadão
299. Antônio Carlos Bicalho Lana
300. Sônia Maria de Moraes Angel Jones
301. Jaime Petit da Silva
302. Adriano Fonseca Filho
303. Lúcio Petit da Silva
304. José Carlos da Costa
305. João Batista Rita
306. Joaquim Pires Cerveira
307. Marcos José de Lima
308. Tobias Pereira Júnior
309. José Lima Piauhy Dourado
310. Elmo Corrêa
311. Paulo Mendes Rodrigues
312. Gilberto Olímpio Maria
313. Guilherme Gomes Lund
314. Paulo Roberto Pereira Marques
315. Líbero Giancarlo Castiglia
316. Luiz Vieira
317. Durvalino Porfirio de Souza
318. Joaquinzão
319. Hélio Luiz Navarro de Magalhães
320. Antonio Ferreira Pinto
321. Antônio de Pádua Costa
322. Luiz René Silveira e Silva
323. Custódio Saraiva Neto
324. Dermeval da Silva Pereira
325. Telma Regina Cordeiro Corrêa
326. Jana Moroni Barroso
327. Maria Celia Corrêa
328. Nelson Lima Piauhy Dourado
329. Antônio Teodoro de Castro
330. José Huberto Bronca
331. Luisa Augusta Garlippe
332. Maurício Grabois
333. Orlando Momente
334. Suely Yumiko Kanayama
335. Dinaelza Santana Coqueiro
336. Pedro “Carretel”
337. Vandick Reidner Pereira Coqueiro
338. Oswaldo Orlando da Costa
339. Eduardo Collier Filho
340. Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira
341. Cilon Cunha Brum
342. Pedro Alexandrino Oliveira Filho
343. David Capistrano da Costa
344. José Roman
345. Uirassú de Assis Batista
346. João Massena Melo
347. Luíz Ignácio Maranhão Filho
348. Walter de Souza Ribeiro
349. Ieda Santos Delgado
350. Ana Rosa Kucinski Silva
351. Wilson Silva
352. Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto
353. Issami Nakamura Okano
354. Ruy Frasão Soares
355. Aurea Eliza Pereira
356. Daniel Ribeiro Callado
357. Dinalva Oliveira Teixeira
358. Daniel José de Carvalho
359. Enrique Ernesto Ruggia
360. Joel José de Carvalho
361. José Lavecchia
362. Onofre Pinto
363. Vitor Carlos Ramos
364. Tito de Alencar Lima
365. Walkíria Afonso Costa
366. José Maurílio Patrício
367. Jane Vanini
368. Afonso Henrique Martins Saldanha
369. Batista
370. Élson Costa
371. Hiran de Lima Pereira
372. Jayme Amorim de Miranda
373. Nestor Vera
374. Flávio Ferreira da Silva
375. Itair José Veloso
376. Alberto Aleixo
377. José Ferreira de Almeida
378. José Maximino de Andrade Netto
379. Armando Teixeira Fructuoso
380. Pedro Jerônimo de Souza
381. José Montenegro de Lima
382. Orlando da Silva Rosa Bomfim Junior
383. Vladimir Herzog
384. João Leonardo da Silva Rocha
385. Neide Alves dos Santos
386. Manoel Fiel Filho
387. Sidney Fix Marques dos Santos
388. Francisco Tenório Cerqueira Júnior
389. Ary Cabrera Prates
390. Sérgio Fernando Tula Silberberg
391. Maria Regina Marcondes Pinto
392. Zuleika Angel Jones
393. Jorge Alberto Basso
394. Maria Auxiliadora Lara Barcellos
395. Massafumi Yoshinaga
396. David Eduardo Chab Tarab Baabour
397. Marcos Basílio Arocena da Silva Guimarães
398. Walter Kenneth Nelson Fleury
399. Antônio de Araújo Veloso
400. Feliciano Eugenio Neto
401. João Bosco Penido Burnier
402. Ângelo Arroyo
403. Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
404. João Batista Franco Drumond
405. Roberto Adolfo Val Cazorla
406. Zelmo Bosa
407. José Soares dos Santos
408. Lourenço Camelo de Mesquita
409. Roberto Rascado Rodriguez
410. Juvelino Andrés Carneiro da Fontoura Gularte
411. Therezinha Viana de Assis
412. Manoel Custódio Martins
413. Odair José Brunocilla
414. Norberto Armando Habegger
415. José Jobim
416. Adauto Freire da Cruz
417. Orocilio Martins Gonçalves
418. Benedito Gonçalves
419. Guido Leão
420. Santo Dias da Silva
421. Luiz Renato do Lago Faria
422. Horacio Domingo Campiglia
423. Monica Suzana Pinus de Binstock
424. Raimundo Ferreira Lima
425. Lorenzo Ismael Viñas
426. Jorge Oscar Adur
427. Liliana Ines Goldemberg
428. Eduardo Gonzalo Escabosa
429. Lyda Monteiro da Silva
430. Wilson Souza Pinheiro
431. Solange Lourenço Gomes
432. Margarida Maria Alves
433. Gustavo Buarque Schiller
434. Nativo da Natividade de Oliveira

sábado, 15 de novembro de 2014

Carcereiro da Casa da Morte, Camarão é encontrado pela PF - Pragmatismo Político

Carcereiro da Casa da Morte, Camarão é encontrado pela PF - Pragmatismo Político

Polícia Federal encontra Camarão, o carcereiro da Casa da Morte de Petrópolis - um dos centros de tortura mais bárbaros do regime militar. Ele foi reconhecido pela Inês Etienne Romeu, única sobrevivente do local

camarão casa da morte tortura
Antonio Waneir Pinheiro Lima, o ‘Camarão’ (Reprodução)
Das tristes lembranças que Inês Etienne Romeu carrega sobre os 96 dias de tortura a que foi submetida, uma imagem é mais presente que as outras. Ela jamais conseguiu esquecer o rosto redondo e a pele avermelhada do soldado cearense de codinome Camarão. Sentinela em uma casa no alto do morro Caxambu, em Petrópolis, na Região Serrana, o militar trabalhou em 1971 — auge da ditadura militar—naquela que ficou conhecida como a “Casa da Morte”, uma das principais estruturas do Centro de Informações do Exército (CIE) para assassinar opositores do regime.
VEJA TAMBÉM: Stuart, torturado e assassinado aos 25 anos
Inês só não conseguiu gravar com exatidão o nome do militar. “Wantuil ou Wantuir”, diz ela, desde que foi libertada da prisão em 1979. E durante mais de quatro décadas, por trás de “Camarão” estava o soldado paraquedista Antonio Waneir Pinheiro Lima, descoberto pelo jornal O DIA há três meses. “Eu reconheço”, afirmou Inês, ao verificar duas imagens do militar.
Poucas horas antes do dia em que a reportagem chegou a sua casa, Lima viajou e nunca mais retornou. Foi localizado na semana passada pelo Ministério Público Federal do Rio no Ceará. Amigos próximos confessaram que ele temia ser convocado pela Comissão Nacional da Verdade para prestar esclarecimentos sobre sua atuação na repressão. Por isso, se abrigou na casa de familiares no Nordeste.
Inês foi a única que conseguiu sobreviver à Casa da Morte. No depoimento que prestou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela denunciou que foi estuprada por Lima duas vezes no período em que esteve na casa. A um mês da divulgação do relatório final da CNV, a identificação do agente pode ajudar a elucidar o destino de cerca de 20 desaparecidos políticos que passaram pelo cárcere clandestino no Rio.
Entre eles, há expectativa de informações sobre um dos líderes da VAR-Palmares: Carlos Alberto Soares de Freitas, amigo de Inês e da presidenta Dilma Rousseff. De acordo com a sobrevivente, Lima confessou que Beto ou o comandante Breno, como era chamado pelos amigos e pelos colegas de militância, respectivamente, foi o primeiro prisioneiro da Casa da Morte. “Disse-me que Breno foi o primeiro terrorista que esteve preso naquela casa”, descreveu ela.
Aos 71 anos, Lima vivia até agosto deste ano uma vida modesta em Araruama, na região dos Lagos. Dividia os dias entre caminhadas à beira da lagoa e a leitura de jornais. O tênis de corrida ficava postado na garagem aberta, perto da porta de entrada. Ele é um homem que posa carrancudo. Não sorri nem nas imagens feitas por amigos em datas festivas. Na parede da sala de casa está o que restou da passagem pela tropa: o certificado de integrante da Brigada Paraquedista do Exército. Aos amigos mais próximos, Camarão dividiu o mesmo orgulho que exibiu a Inês sobre seu trabalho como segurança do presidente João Goulart antes do golpe militar. E também a cobiça que sentia ao observar a beleza da ex-­primeira-dama Maria Thereza Goulart em trajes de banho na piscina.
Camarão foi recrutado para a Casa da Morte pelo coronel reformado Paulo Malhães, falecido em abril. O oficial demonstrava intimidade com o antigo subordinado e se negou diversas vezes a fornecer a identificação do soldado. Homem de confiança de Malhães, Camarão esteve com o coronel em diversas missões importantes do Exército. Entre elas, aquela que ficou conhecida como a ‘Operação Juriti ou Medianeira’ e que teve como objetivo a captura e morte de Onofre Pinto, líder da VPR, e de outros cinco militantes em Foz do Iguaçu, no Paraná.
O soldado reformado do Exército integrou a Brigada Paraquedista e trabalhou como caseiro da Casa da Morte de Petrópolis no ano de 1971. Inês Etienne Romeu o reconheceu por meio destas imagens acima e o acusou de estupro durante o tempo em que ficou presa.

Camarão baleou pagodeiro do Grupo Molejo em 2004

A longa trajetória policialesca do soldado Antonio Wenair Pinheiro Lima não terminou quando os militares deixaram o poder. Camarão sempre foi conhecido na tropa por seus excessos com bebida, mulheres e festas — costume que impediu a ascensão de sua carreira militar.
Em 2004, Lima estava em um quarto da Pousada Veleta Flat, na Praia Seca, em Araruama, Região dos Lagos quando baleou o pagodeiro do Grupo Molejo Lúcio Francisco do Nascimento, 52 anos. Os dois que eram amigos, segundo testemunhas, acabaram discutindo e Camarão disparou quatro tiros em Nascimento: dois no tórax, um no punho e outro na coxa. O pagodeiro foi operado e sobreviveu aos ferimentos. Ele acabou acusado por tentativa de homicídio e ficou preso por 30 dias, mas depois foi absolvido.
Pouco antes de morrer, Malhães falava de Camarão com decepção ao citar as confusões envolvendo bebida. Ele contou que após as primeiras entrevistas nas quais admitiu seu trabalho na Casa da Morte em 2012, o ex-subordinado foi o único que o procurou, mas ele estava a caminho do médico. “Vem outro dia porque hoje eu estou indo ao médico e tal”, afirmou Malhães. Camarão nunca mais retornou.

Parentes querem que agente seja chamado pela Comissão da Verdade

A identificação de mais um agente desconhecido da Casa da Morte de Petrópolis reacendeu as esperanças de familiares de desaparecidos políticos. Sérgio Ferreira, primo de Carlos Alberto Soares de Freitas, considerou a descoberta “importantíssima”.
“É obrigação da Comissão Nacional da Verdade procurar essa pessoa reservadamente ou publicamente. Essa é uma novidade importante que não podemos deixar escapar. É fundamental que a CNV convoque ele ”, afirmou Ferreira.
Desaparecido na Zona Sul do Rio em fevereiro de 1971, o comandante Breno teve sua trajetória recontada no livro “Seu amigo esteve aqui”, de Cristina Chacel, em 2012.
Inês Etienne Romeu foi a única sobrevivente do centro de torturas. Ela contou que, quando esteve presa no local, foi informada por seus torturadores que Beto havia sido executado naquela casa. A dirigente da VPR também viu e conversou com Mariano Joaquim da Silva, ouviu as torturas a que foram submetidos Aluísio Palhano, Heleny Telles Guariba e Paulo de Tarso Celestino. Além disso, conforme depoimentos de militares, ao menos outros 15 desaparecidos podem ter morrido no local.
Juliana Dal Piva, O Dia

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Luis Nassif Online- O assassinato do cantor Victor Jara na ditadura chilena

O assassinato do cantor Victor Jara na ditadura chilena

Do Diário da Classe
O assassinato de um cantor popular
Víctor Jara – 28.09.1932 – 15.09.1973
Grande cantor popular chileno, ele foi cruelmente assassinado nos primeiros dias da ditadura instaurada pelos militares liderados por Augusto Pinochet em 1973. O crime aconteceu no Estádio Nacional que servia de prisão para milhares de militantes. O relato chocante abaixo, que mostra a barbaridade do assassinato, foi retirado de No Olho do Furacão, do jornalista brasileiro Paulo Cannabrava, a partir de relatos de quem esteve lá.
“Em um dado momento, Victor desceu para a platéia e se aproximou de uma das portas por onde entravam os detidos. Ali topou – cara a cara – com o comandante do campo de prisioneiros que o olhou fixamente e fez o gesto mimico de quem toca violão. Victor assentiu com a cabeça, sorrindo com tristeza e ingenuidade. O militar sorriu, contente com sua descoberta..
Levaram Victor até à mesa e ordenaram que pusesse suas mãos em cima dela. Rapidamente surgiu um facão. Com um só golpe cortaram seus dedos da mão esquerda e, com outro, os da mão direita. Os dedos cairam no chão de madeira, ainda se mexendo, enquanto o corpo de Victor se movia pesadamente.
.
Depois choveram sobre ele golpes, pontapés e os gritos: ‘canta agora… canta…’, a fúria desencadeada e os insultos soezes do verdugo ante um ‘alarido coletivo’ dos detidos.
.
De improviso, Victor se levantou trabalhosamente e, com o olhar perdido, dirigiu-se às galerias do estádio… fez-se um silêncio profundo. E então gritou:
- Vamos lá, companheiros, vamos fazer a vontade do senhor comandante.
Firmou-se por alguns instantes e depois, levantando suas mãos ensanguentadas, começou a cantar em voz ansiosa o hino da Unidade Popular (Coligação de partidos de esquerda que apoiavam o governo de Allende), a que todos fizeram coro.
.
Aquele espetáculo era demasiado para os militares. Soou uma rajada e o corpo de Victor começou a se dobrar para a frente, como se fizesse uma longa e lenta reverência a seus companheiros. Depois caiu de lado e ficou ali estendido.”

sábado, 27 de abril de 2013

Frias, ditadura: o ministro que mercadeja - Portal Vermelho - Rodrigo Viana

Frias, ditadura: o ministro que mercadeja - Portal Vermelho

Quando os blogueiros foram processados, pela Globo e pela Folha, Aloisio Mercadante não apareceu para prestar solidariedade. Nem em público, nem em privado. Requião (PMDB-PR) foi à tribuna. Paulo Pimenta (PT-RS) também foi. Outros tiveram a atitude (discreta, mas compreensível pelo cargo que ocupam) de mandar mensagens por telefone ou internet, manifestando solidariedade.

Por Rodrigo Vianna, no Blog Escrevinhador
Mercadante não. Mercadeja. Fraqueja. Quando o governo Lula passou pela pior crise de sua história, durante a CPI do Mensalão, lá estava ele – o corajoso senador petista, histérico, tentando salvar a pele (e a imagem) junto aos eleitores de classe média em São Paulo. Quase chorou na tribuna. Não defendeu Lula. E tampouco saiu do PT (como fizeram aqueles que consideraram o “Mensalão” inaceitável). Mercadante ficou no meio do caminho, oportunisticamente.

Agora, Mercadante aparece para se dizer “perplexo” com as afirmações de que o dono da “Folha” era um colaborador estreito da ditadura. Mercadante. Penso nesse nome. Mercadante, mercador, comerciante. Aquele que mercadeja, troca…

Em busca de que está Mercadante? Ninguém escreve uma carta patética como essa (leia aqui o texto de Edu Guimarães, que reproduz a carta na íntegra) à toa. É um recado do governo Dilma (afinal, ele assina como “ministro da Educação”) para a velha mídia? Algo assim: “Fiquem tranquilos, Dilma e a Comissão da Verdade não irão atrás dos pecados que Frias, Marinhos e outros cometeram, em sua associação com a ditadura” – é isso? Há gente que não aceitaria mandar um recado desses…

Ou seria um recado pessoal: “turma da Folha, eu sou confiável, estou com vocês, lembrem-se disso quando eu for candidato a governador (ou a presidente, pois este é o novo delírio a embalar as pretensões do ministro, pelo que dizem em Brasília).

Seja como for, Mercadante ficou pequeno. Minúsculo.

Muitos na direção do PT vão-se afastando de sua história. O partido cedeu muito para governar. Compreensível, trata-se de governo de coalizão. Foi-se entregando a práticas comuns na política brasileira. Era a busca pela tal “governabilidade”. Quem acompanha (e eu o faço) as entranhas de uma investigação como a “Operação Fratelli” (realizada pela PF e o MPF em São Paulo) encontra deputados petistas confortavelmente próximos de lobistas e empreiteiras. Tucanos e petistas, juntos.

É o percurso da social-democracia no mundo inteiro. Ceder para governar? Ou manter-se fiel aos princípios, mas sem intervir na gestão do aparato de Estado? PSOE na Espanha, PS francês, Labour Party inglês e outros preferiram a primeira hipótese. Avalio que o PT até cedeu menos do que os congêneres europeus. Não se entregou totalmente ao programa liberal. Fortaleceu o Estado, distribuiu renda, favoreceu a unidade latino-americana. E tem uma base (operária, sindical, nos movimentos sociais) que empurra o partido um pouco pra esquerda – apesar de tudo.

Mas na direção, os sinais são de que os mercadores avançam. Há muitas exceções, há muita gente boa entre parlamentares e lideranças petistas. Tenho certeza que a maioria absoluta, inclusive, não aprova a carta patética de Mercadante. Mas essa carta é mais um sintoma evidente da doença que vai minando o PT: a doença dos que mercadejam tudo para ficar de bem com os velhos donos do poder.

Uma coisa, diga-se, é fazer acordos para governar. Outra é se lambuzar nas maõs de empreiteiras e lobistas. E outra, ainda pior, é mercadejar a História, aceitando reescrever a História para ficar de bem com dono de jornal. Patético.

Por último, uma observação. Mercadante cometeu, parece-me, um ato falho na carta à “Folha”. Ele diz, ao mercadejar solidariedade ao jornal, que a coluna de “Perseu Abramo” era uma referência dos que lutavam contra a ditadura. Perseu, de fato, era uma referência. Jornalista, combativo, crítico dos meios de comunicação em que havia trabalhado: ele tem uma obra clássica sobre a manipulação midiática (os petistas costumavam lê-la, nos velhos tempos). A Fundação partidária mantida pelo PT foi batizada com o nome de Perseu.

Mas a coluna na “Folha” que era “referência” (e de fato era) no período de transição democrática no Brasil (anos 70 e 80) trazia a assinatura de outro Abramo: Cláudio. Depois de afastá-lo da direção do jornal (para satisfazer a sanha da linha-dura do regime militar, que não aceitava um “esquerdista”), Frias entregou a Claudio Abramo a coluna na página 2. Prêmio de consolação? Se foi, Cláudio honrou o prêmio com textos inteligentes e combativos. Mercadante lembra-se disso? Eu lembro.

Mercadante talvez tenha preferido esquecer que era petista - no momento de escrever a carta. Mas na forma de um ato falho clássico, a condição de petista brotou. Ele quis falar de Claúdio, mas o nome de Perseu é que veio à tona. Mercadante mercadejou quase tudo. Mas o inconsciente pregou-lhe uma peça.


A carta de Mercadante no painel do Leitor da “Folha” [registre-se que o jornal teve, ao menos, a dignidade de publicar a informação – confirmada por várias fontes – de que Frias e a "Folha" tinham grande proximidade com a ditadura e os torturadores; Mercadante escreve para comentar o texto que leu sobre isso na própria "Folha"]

A Folha publicou notícia de que o empresário Octavio Frias de Oliveira visitou frequentemente o Dops e era amigo pessoal do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais ativos agentes da repressão.

A denúncia partiu do ex-agente da repressão, Cláudio Guerra. Recebi a informação perplexo e incrédulo. Especialmente porque militei contra a ditadura militar na dura década de 70 e tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob o comando de “seu Frias”, na luta pelas liberdades democráticas.

A coluna de Perseu Abramo sempre foi referência da luta estudantil nos dias difíceis de repressão. A página de “Opinião” abriu espaço para o debate democrático e pluralista. A Folha contribuiu decisivamente para a campanha das Diretas Já.

Ao longo desses 40 anos de militância política, mesmo com opiniões muitas vezes opostas às da Folha, testemunho que o jornal sempre garantiu o debate e a pluralidade de ideias, que ajudaram a construir o Brasil democrático de hoje.

E “seu Frias” merece, por isso, meu reconhecimento. Acredito que falo por muitos da minha geração.

Aloizio Mercadante, ministro de Estado da Educação (Brasília, DF)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cláudio Guerra Ex-delegado do DOPS: Folha financiava repressão; Frias visitava o DOPS - Viomundo

Ex-delegado: Folha financiava repressão; Frias visitava o DOPS - Viomundo - O que você não vê na mídia




Cláudio Guerra afirmou que os recursos vinham de bancos, como o Banco Mercantil do Estado de São Paulo, e empresas, como a Ultragas e o jornal Folha de S. Paulo. “Frias (Otávio, então dono do jornal) visitava o DOPS, era amigo pessoal de Fleury”
do portal Terra

O ex-delegado da Polícia Civil Claudio Guerra afirmou nesta terça-feira, à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, que foi o autor da explosão de uma bomba no jornal O Estado de S. Paulo, na década de 1980, e afirmou que a ditadura, a partir de 1980, decidiu desencadear em todo o Brasil atentados com o objetivo de desmoralizar a esquerda no País.

“Depois de 1980 ficou decidido que seria desencadeada em todo o País uma série de atentados para jogar a culpa na esquerda e não permitir a abertura política”, disse o ex-delegado em entrevista ao vereador Natalini (PV), que foi ao Espírito Santo conversar com Guerra.

No depoimento, Guerra afirmou que “ficava clandestinamente à disposição do escritório do Sistema Nacional de Informações (SNI)” e realizava execuções a pedido do órgão.

Entre suas atividades na cidade de São Paulo, Guerra afirmou ter feito pelo menos três execuções a pedido do SNI. “Só vim saber o nome de pessoas que morreram quando fomos ver datas e locais que fiz a execução”, afirmou o ex-delegado, dizendo que, mesmo para ele, as ações eram secretas.

Guerra falou também do Coronel Brilhante Ustra e do delegado Sérgio Paranhos Fleury, a quem acusou de tortura e assassinatos. Segundo ele, Fleury “cresceu e não obedecia mais ninguém”. “Fleury pegava dinheiro que era para a irmandade (grupo de apoiadores da ditadura, segundo ele)”, acusou.

O ex-delegado disse também que Fleury torturava pessoalmente os presos políticos e metralhou os líderes comunistas no episódio que ficou conhecido como Chacina da Lapa, em 1976.

“Eu estava na cobertura, fiz os primeiros disparos para intimidar. Entrou o Fleury com sua equipe. Não teve resistência, o Fleury metralhou. As armas que disseram que estavam lá foram ‘plantadas’, afirmo com toda a segurança”, contou.

Guerra disse que recebia da irmandade “por determinadas operações bônus em dinheiro”. O ex-delegado afirmou que os recursos vinham de bancos, como o Banco Mercantil do Estado de São Paulo, e empresas, como a Ultragas e o jornal Folha de S. Paulo. “Frias (Otávio, então dono do jornal) visitava o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), era amigo pessoal de Fleury”, afirmou.

Segundo ele, a irmandade teria garantido que antigos membros até hoje tivessem uma boa situação financeira.

‘Enterrar estava dando problema’
Segundo Guerra, os mortos pelo regime passaram a ser cremados, e não mais enterrados, a partir de 1973, para evitar “problemas”. “Enterrar estava dando problema e a partir de 1973 ou 1974 começaram a cremar. Buscava os corpos da Casa de Morte, em Petrópolis, e levava para a Usina de Campos”, relatou.

Vídeo sugerido por hc:
Alípio Freire e Beatriz Kushnir: A Folha e a ditadura
Beatriz Kushnir: Quem eram os cães de guarda?
Ivan Seixas: “Otavião” tinha medo de ser fuzilado
Beatriz Kushnir: Como a mídia colaborou com os militares
Ivan Seixas: O jornal que “matava” nas manchetes”

domingo, 8 de abril de 2012

Protesto expõe Harry Chibata, legista que encobriu tortura durante ditadura - Portal Vermelho - Portal Vermelho

Protesto expõe legista que encobriu tortura durante ditadura - Portal Vermelho


Postes, muros e pontos de ônibus dos bairros da Vila Madalena e Pinheiros amanheceram com centenas de cartazes de protesto contra Harry Shibata, médico legista e ex-diretor do Instituto Médico Legal de São Paulo.

Por Leonardo Sakamoto 



Protesto realizado em área nobre de São Paulo neste sábado (7)/ Foto: Leonardo Sakamoto

Shibata é acusado de ser responsável por falsos atestados de óbito usados para acobertar assassinatos de opositores pela ditadura militar, ele teria ignorado marcas deixadas por sessões de tortura produzindo laudos de acordo com as necessidades dos militares. Os cartazes foram colados por um grupo de manifestantes na madrugada deste sábado (7).

O legista é acusado de, sem ter visto o corpo, atestar como suicídio a morte de Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura, que fora convocado para “prestar esclarecimentos” no DOI-Codi, em em outubro de 1975. O orgão, ligado ao regime, tinha o objetivo de reprimir opositores e se transformou em um dos principais centros de tortura do país.
A morte do jornalista após sessão de tortura tornou-se um símbolo na luta contra a ditadura. E o culto ecumênico realizado em sua homenagem, em dezembro daquele ano, na Catedral da Sé, foi o primeiro grande ato da sociedade civil contra as atrocidades cometidas pelos militares.

Nos dias 31 de março e 1º de abril, manifestações no Rio de Janeiro e em São Paulo reuniram centenas de pessoas para lembrar o aniversário do golpe de 1964. Elas exigiram que os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar sejam esclarecidos e os envolvidos em casos de tortura punidos por crime contra a humanidade.

Como parte dos protestos, residências de militares acusados de envolvimento em tortura foram marcadas. Da mesma forma, parte dos cartazes fornece o endereço do médico legista, em uma rua de classe média alta.

Neste sábado, comemora-se o Dia do Médico Legista. E o Dia do Jornalista.

Coletivizando no Youtube