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sábado, 1 de novembro de 2025

A guerra híbrida como chacina e traição nacional - Paulo Vinícius da SIlva

Viva la muerte! Abajo la inteligência! José Millán-Astray 
(Militar e líder fascista espanhol, atacando Miguel de Unamuno, reitor da Universidade de Salamanca, em 1936)



Estamos - a minoria - chocados com os resultados da pesquisa que dá mais de 80% de apoio à chacina promovida pelo Governo do Rio de Janeiro, sob ordens do Governador Castro, alinhado aos interesses dos EUA e ao Bolsonarismo: 121 pessoas mortas, numa "operação" em que apenas 80 foram presos. O nome disso é chacina, massacre. Dá aquele baque emocional. Pô, que é que eu tô fazendo aqui?! Párem o mundo, eu quero descer. Muito bom. É sinal que você quem me lê não cai na armadilha de um dos mais eficazes  discursos do crime organizado, o discurso de que "bandido bom, é bandido morto". Mas está errada a visão que espera algo diferente, sem ver o óbvio: estamos em meio a mais um ataque de guerra híbrida. É preciso ter nervo para entender e reagir adequadamente. Não se surpreenda com o apoio popular.

As agências de pesquisas e o que elas perguntam estão fora da nossa determinação e são pagas, em geral, pelo mercado financeiro ou por veículos de comunicação cuja propriedade é de atores importantes do mercado ffinanceiro. As pesqusias são nada diante do big data, a medida da nossa opinião nas redes sociais, feita em tempo real. Ou seja, a pesquisa, a manchete no jornal e na TV, estão fora de nosso controle. Digo mais: as big techs e os gabinetes do ódio digital, também. Sendo a agenda da extrema direita apoiar a intervenção militar estadunidense direta sob o argumento da existência do "narco-terrorismo", não surpreende, pois é combinado, oficialmente, haja vista o dossiê do Governo do Rio à embaixada estadunidense, apoiando a malfadada proposição. A empáfia do governador e sua certeza de impunidade já estava embasada em métricas da opinião pública, apoio político e de potência estrangeira. Por isso ele foi, matou e reivindicou o morticínio. Só 4 pessoas, os policiais, poderiam ser chorados. Isso é construído muito antes do primeiro tiro. Deu tempo inclusive para um vereador carioca aventar como seria bom que houvesse ataques estadunidenses a "narcoterroristas" na Baía de Guanabara, dando o toque sobre o que viria. É verdade, esse bilhete, eles são descarados, tudo ocorre há poucos dias da prisão de Bolsonaro. Eles também são bandidos. A opinião pública não foi construída após o fato, mas antes.

É como na época da Lava-Jato. Ou apoia a lava-jato, ou é a favor da corrupção, um "lulo-petista". Ou tu apoia o esquadrão da morte, os milicianos e bolsonaristas, ou é bandido também. No fim, é tudo comunista e precisa morrer. O nazismo e o fascismo precisam das duas coisas: que a emoção embote o pensamento, que se defina tranquilamente que precisamos eliminar uma classe inteira de pessoas. 

Ademais, isso é um sistema. O mesmo crime organizado está infiltrado no Estado e nas polícias. Jamais quem ganha mesmo com isso morrerá numa operação dessas. Isso é para um lugar aonde há sobretudo pessoas negras. Essa prática é secular. Sempre fizemos isso com a mesma cara de pau: é admissível a guerra contra as comunidades em que estão negros e índios. Jamais uma operação assassina ocorreria num bairro em que a maioria das pessoas se acha branca. Se fossem brancos empilhados, a solidariedade seria outra. 

É preciso afirmar em alto e bom som que o crime organizado não está apenas nas facções, e jamais esteve a elas relegado. Não se deve ignorar que esquadrões da morte e milicianos são crime organizado também, fazem as mesmas barbaridades. Mas tem muito mais poder. Podem até se articular com governos e até potências estrangeiras, e ainda posar de quem está contra o crime. Mentira. Se a operação fosse outra coisa que não uma chacina eleitoreira, nós aceitaríamos isso em nosso bairro. Levar pra sua vizinhança a chacina, quem quer? Nessa guerra entre bandidos, quem morre é o povo. Não se combate o crime praticando crime e matando gente, isso é crime do mesmo modo. Vingança não é Justiça. Na pesquisa, jamais entraria a pergunta: "Você que apoia a "operação", aceitaria que ela fosse feita no seu bairro?"


Mafalda, de Quino


Essa sensação de júbilo com atos cruéis e assassinos demonstra como a turma está perdida e curtindo a perversão, sem pensar direito. Olha, o carioca que circula pelo Rio pode ficar tranquilo, sabendo que está mais seguro? Os caras fizeram uma orgia de sangue digna das Waffen SS nazistas. Pegaram 2500 trabalhadores policiais militares e meteram eles nisso aí. Não apenas inexistiu escolha. Foi um rito de passagem. Eles aplicaram unidos o grito fascista de Viva a morte! E a defesa desses atos é feita sob a mesma lógica de Abaixo a Inteligência! Importa o ódio, o medo, a vingança. E esses trabalhadores foram para casa, depois de terem feito essas ações criminosas, elogiados, apoiados. Você se sente seguro ao saber que um policial que arrancou cabeça, fez tudo aquilo, que ele te "protege"? O que foi feito com a PM de SP e do RJ é monstruoso com o povo e com os policiais também. Eles são um público com altas taxas de suicídio e problemas de saúde mental, tanto quanto os bancários, que curioso.  Esses episódios são exemplares e progressivos: começam com um grupo cujo extermínio é legitimado e terminam fazendo com todo mundo, como fizeram com o Vladimir Herzog, há 50 anos. 

E, por fim, não podemos esquecer que o massacre e a chacina sempre foram capazes de atrair aplausos. Sob os auspícios das classes dominantes, promoviam os circos, que, literalmente, se faziam com sangue e vísceras, sob aplausos. A Bíblia já nos alerta que se gritou "Barrabás", libertem Barrabás, e não a Jesus. No Sul dos EUA, os linchamentos de pessoas, negras, enforcadas, era motivo de fotografias comemorativas, cartões postais. Toda vez que uma mulher apanha e a gente passa direto, toda vez que uma Dandara é trucidada e nada fazemos, toda vez que a polícia faz uma chacina, é-nos dito algo imemorial nos ouvidos, nas nossas almas brasileiras. É-nos dito o mesmo quando o índio, o negro, o comunista eram triturados à luz do dia, torturados, mortos, decapitados: Passa direto! Não olha, não! Fica na tua! E a gente obedece, porque também nos é dito: posso fazer o mesmo contigo.

Então, o sentido de rebeldia e amor em nós precisa ser muito forte, para não conceder nada à necropolítica, ao imperialismo estadunidense, aos bandidos. A Frente Ampla deve se afirmar por aí. E há uma parte dessa discussão que não pode ser contornada: é preciso que as forças armadas brasileiras compreendam seu magno papel de não se deixarem capturar pelo crime organizado, pelo imperialismo estadunidense, pelos que desejam a destruição do Brasil. As forças armadas precisarão outra vez reafirmar seu compromisso com a democracia, ou seremos arrastados para um caminho de desagregação.  Correta está a análise de Elias Jabbour: o neoliberalismo conduz à desagregação nacional, ao empobrecimento e à subordinação do Brasil aos EUA. Esse é um capítulo.


https://x.com/eliasjabbour/status/1984412456610119814

O papel de Lula se agiganta. Fica mais claro, agora, como o governo federal tem atuado para resolver, em vez de politizar o problema para dele tirar proveito. O controle da lavagem de dinheiro, facilitada com o pix e a criação das Fintechs, é um exemplo. As medidas de justiça tributária trazem para dentro da economia real muitos que poderiam estar fora. O ganho real do salário mínimo, o aumento do emprego formal e o crescimento da economia e a redução da informalidade. A PEC da segurança pública - que unifica nacionalmente o combate ao crime organizado - é fundamental para uma ação séria e efetiva. Lula sancionou o projeto de endurecimento das penas para facções criminosas. Avança o trabalho de inteligência. É nessa hora que eles dão um cavalo de pau e saem matando, muito estranho. Eles votam para proteger os bilionários que ganham com o que? Tem quem queira guerra, golpe e confusão. E o povo quer paz e solução. Vamos enfrentar o problema.  Grita em nossos ouvidos a urgência da união do nosso povo para enfrentar esses inimigos tão cruéis e brutais, quanto inimigos do Brasil e de sua gente. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Prisão de uma MULHER em SC mostra a Ditadura que o Brasil vive

domingo, 8 de janeiro de 2017

Haroldo Lima: Juventude e chacina 

O Secretário Nacional de Juventude do Governo Temer defendeu "uma chacina por semana". Disse, sobre a chacina em Manaus, onde morreram 56 pessoas, que "tinha era que matar mais". O Governo Temer disse que essas opiniões "não são as do Governo".

Por Haroldo Lima

 

Essas opiniões, definitivamente, não são é da juventude de parte alguma do mundo, muito menos da juventude brasileira, que é das mais avançadas do planeta.

Um governo que nomeia para Secretário Nacional de Juventude uma pessoa que pensa assim agride toda a juventude do país, revela ser um governo contra os jovens, além de ser golpista e portanto ilegítimo, como de fato é esse governo de velhos, machos,brancos, ricos, corruptos e incompetentes. 

Michel Temer chamou para representar a juventude brasileira em seu Governo, como Secretário Nacional da Juventude, um tipo que poderia ser o Secretário Nacional das Chacinas, se esse cargo fosse criado. Anunciou que o homem que queria mais morte nas chacinas "pediu demissão", ante o escândalo provocado por suas declarações, que o governo concordou, e que vai procurar outro secretário.

É impossível esse governo arranjar uma pessoa que represente legitimamente a juventude no meio dos seus quadros, por ser um governo que nem conhece, nem sabe onde fica, nem respeita os grandes órgãos juvenis brasileiros, como a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. Não tem a menor idéia das justas razões que levaram os estudantes secundaristas brasileiros a ocupar cerca de 1.100 escolas em 22 estados da Federação. Acha que isto é baderna e para resolver esse gravíssimo problema só lhe ocorre uma coisa - usar a polícia. 
O secretário que se demitiu, embora ainda não oficialmente, falou em seu ideal de "uma chacina por semana". O governo esclareceu que essa não é sua opinião. Ainda bem.

Mas, nem bem o ano de 2018 começou, e já tivemos três chacinas, mais de uma por semana: a chacina de Manaus, com 56 mortos; a de Campinas, com 12 mortos, 9 mulheres; e a de Roraima, com 33 mortos, a maioria decapitada. É o ódio disseminado em todas, a misoginia divulgada em carta bem escrita do assassino da segunda chacina, a crueldade das decapitações da terceira chacina.

O ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, especialista em segurança pública, chamou a atenção de outros riscos sérios dessas ocorrências. Como há organizações criminosas funcionando nas cadeias superlotadas, diz Beltrame, existe o perigo dessas barbaridades se estenderem para as ruas. A chacina de Roraima seria resposta do chamado Primeiro Comando da Capital , o PCC, ao que ocorreu em Manaus. E há indicações de que isto estaria se ramificando por países vizinhos.

Por onde se vê que o problema é sério, e é a manifestação dramática, em um ponto determinado - o sistema carcerário brasileiro - da doença que vai corroendo a sociedade como conjunto, com a proliferação de idéias de extrema direita, como o antifeminismo, ( que chama a Lei Maria da Penha de Lei Vadia da Penha), a intolerância religiosa e de orientação sexual, a escola sem partido, a corrupção, o uso de pretenso combate à corrupção para acobertar corruptos-amigos e acabar com políticas de integração social, a perda da auto-estima da Nação brasileira com a entrega de nossas riquezas, com a liquidação de nossa engenharia de grandes obras e sua substituição por engenharia estrangeira. 

Precisamos estar atentos á gravidade da crise que nos assola. Não se deixar iludir, nem perder o rumo. 

Na Alemanha, numa fase de grande crise, no final da década de 1930, essas idéias de extrema-direita ganharam a cabeça de multidões, que começaram a enxergar, no seu amigo seu inimigo, e no inimigo encapuchado, seu amigo, seu líder. O homem que se apresentou como puro, incorruptível , defensor da ordem e da tolerância zero para os que não eram da raça "pura", ou eram comunistas, ou judeus, ou tinham diversidade de orientação sexual, cresceu, sob palmas torrenciais. Foi Hitler. 

*Haroldo Lima - é membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil. 

sábado, 2 de julho de 2016

Urariano Mota - O repórter como porta-voz da polícia, por Urariano Mota - Jornal GGN Luís Nassif


Urariano Mota

O repórter como porta-voz da polícia, por Urariano Mota Publicado, originalmente, no Diário de Pernambuco

Em artigo anterior sobre o assassinato de uma criança de 10 anos pela polícia, pude observar a falta de investigação, ora, investigação, nem mesmo um distanciamento, da reportagem da televisão que transmitia as informações mais absurdas, como foi o caso de uma criança que dirigia abrindo e fechando o vidro do carro enquanto atirava, como se fosse um supermenino, afinal executado.

Mas esta semana pude ver que o fenômeno é maior e mais amplo, ao ver no Bom Dia Brasil esta notícia: “Dinheiro de fraude pagava contas de Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann". O documento a que a TV Globo teve acesso é um relatório da Polícia Federal sobre o material apreendido no escritório do advogado Guilherme Gonçalves, em Curitiba, no ano passado. Serviu de base para a Operação Custo Brasil, que prendeu 11 pessoas na semana passada. Entre elas, o próprio advogado "Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma”. Ao ver isso, tive um choque e uma descoberta. É que já deixou de existir a chamada imprensa investigativa. A polícia investiga pela imprensa e faz do repórter o seu porta-voz. Tão simples, e não havia notado antes.

Até entendemos que diante de uma notícia-bomba, algo como “O ex-presidente Lula matou mais de cem amantes”, o repórter nem respira, toca a inverossimilhança para a frente. Na pressa e na prensa, ele não vai deixar o furo de reportagem para outro. Mas o que espanta é o depois da bomba, a retaguarda da notícia que não apura nem põe um salutar sinal de interrogação, uma dúvida sequer na fala noticiada. Pelo contrário, a retaguarda da Rede Globo, Band, SBT, rádios, e até mesmo da imprensa escrita, se põe a levantar um autêntico castelo de cartas, uma teoria que justifique a única verdade, a versão policial.

Imagino o dia em que a Polícia Federal descobrir, por exemplo, que Deus existe, conforme documentos apreendidos em investigação no Mercado Público de Água Fria. Claro, com provas fotográficas e testemunhas. Numa delas seria visto um senhor barbudo, numa manhã de domingo a comer cuscuz com guisado em uma mesa, num boxe do mercado. Sim, e daí? Daí é que houve esta revelação: o grisalho homem não pagou a conta com dinheiro vivo ou cartão. Ele sorriu, abençoou a graça da refeição, se levantou e sumiu por uma larga porta. Intrigada, a Polícia Federal, que hoje é o próprio olho de Deus, ao qual nada escapa, perguntou ao dono do boxe por que o cidadão não pagou. E o comerciante assim lhe respondeu: “Esse homem pra mim é Deus. É meu maior amigo”. E os policiais, para não se ajoelharem, registraram a ocorrência descoberta em relatório, ao qual nada escapa.

Levada a notícia para a televisão, os apresentadores acrescentariam que essa era mais uma prova da infinita humildade e concretude da existência divina. Quando mesmo se esperava, Deus se revelara a comer cuscuz com um guisadinho no popular bairro de Água Fria. E terminaria a notícia com o ar mais grave: “o local agora é destino de imensa romaria, e de tal sorte, que Denizar, filho de Seu João do Caldíssimo, está agora de plantão ali com uma imagem de São Jorge para que seja abençoada. Fieis de um terreiro próximo, o mais antigo do Recife, o do Pai Adão, já comparecem e batem os mais lindos toques de tambor todas os dias. O dono da coalhada no bairro, única do Recife, se tornou o mais ardoroso crente diante dos lucros por sua fórmula santa de coalhar o leite. E Carlos, o barbeiro da Rua Japaranduba, afirmou que será capaz de deixar o Santa Cruz e torcer pelo Sport, se Deus assim lhe mandar”.

Tudo agora é possível.

domingo, 14 de abril de 2013

OS DEDOS SUJOS DO PIG E A PERVERSÃO ÉTICA NA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

"A essa hora exatamente há uma criança na rua.
  Uma criança na rua!
  A honra do adulto é proteger o que cresce
  Cuidar que não haja infância dispersas pelas ruas
  Evitar que naufrague seu coração de barco
  Sua incrível aventura de pão e chocolate.
  Por uma estrela no lugar da fome.
  De outro modo é inútil, de outro modo é absurdo
  Ensaiar na terra a alegria e o canto,
  Porque de nada vale si há uma criança na rua."


Hay un niño en la calle - Armando Tejada Gómez




PAULO VINÍCIUS S. SILVA


São cerca de 51 milhões de jovens - considerados até os 29 anos. Jamais haverá tantos outra vez no Brasil. Doravante a idade aumentará numa população de menor crescimento vegetativo. Essa juventude nasceu em meio à crise do desenvolvimento brasileiro, em meio o monopólio midiático, após a queda do socialismo europeu, em meio à perda de direitos dos anos neoliberais. Mas, com a sua luta, ela também pôde iniciar a mudança que, limitada e combatida, ainda engatinha, Que lugar terá essa geração no futuro do Brasil? O que o país lhe dá, que pode dela esperar?

Que esperar, quando endurecemos o coração e desviamos o olhar da multidão de miseráveis, muitos crianças, a pedir, a cheirar cola, a se prostituir, a viver, dormir, fazer necessidades básicas, nas ruas? Crianças usando crack, vivendo mal, e expostas aos valores de consumo da sociedade capitalista que lhes grita incessantemente na cara que não são humanos, que não merecem viver, e que a vida, a felicidade é o consumo.

Que esperar com o sangue a escorrer e a apologia da violência a ensurdecer e doutrinar por toda a comunicação social? Que esperar se importa apenas o dinheiro, e nada mais? Que esperar se a tortura e o desaparecimento não punidos no passado se perpetuam nas favelas e delegacias, ainda hoje? Que esperar, quando parte de todos os que somos responsáveis por elas, conformamo-nos porque nos cremos partícipes dessa ordem de consumo e “vida boa” , um pessoal que “só quer ser feliz”, resumindo a felicidade ao seu entorno familiar mais estreito? 

Não me estranha que muitos se sintam tão agredidos, ao perceberem o insustentável dessa ordem, que já é violentíssima, mas que a todo custo visa a preservá-los da violência que reserva para os mais pobres. É esse sentimento que clamem pelo Estado/força e violência organizada, a eliminar quem consideram ameaça ao seu mundinho de classe média. Apostaram suas vidas em saídas individuais,  ratinhos no labirinto ou na esteira. Creem-se capazes de sair incólumes à violência que, no entanto, está sempre ao lado, contra os mais pobres e historicamente excluídos.

Qual é a surpresa defenderem a pena de morte, a redução da maioridade penal para 16, ou 15, ou 14, ou 10 anos? Qual é a surpresa a imprensa da Ditadura, do consumismo doente, do Big Brother, do golpismo, da auto-censura, do monopólio, do patrão e da casa grande ser a favor disso? Imprensa aliada ao câncer se lhes render dividendos políticos, a lamentar o emprego em alta e os direitos das domésticas, reclamam dos pobres e negros e índios nas escolas e universidades outrora suas.... Imprensa que não pode ver abertos os porões pútridos das torturas da Ditadura que embalou contra a Democracia...

Sabotam a economia, defendem o caos no sistema elétrico, associam-se ao crime organizado como suas fontes informativas mais críveis, distorcem, mentem, manipulam, editam. Querem a alta de juros para benefício de seus sócios rentistas, mesmo que diminua o emprego, estourem as dívidas do povo, impeçam os investimentos em... educação, saúde, luta contra a miséria extrema, trabalho decente, cultura para a juventude, dignidade para as periferias, a reforma agrária, ou seja: o verdadeiro combate à violência pelas suas causas, e não pelas suas consequências.

Então não me estranha que os defensores da desigualdade, das saídas individuais, os apologistas de seu lugar no labirinto do ratinho de laboratório, os fanáticos, os rancorosos, os infelizes de toda sorte se aliem. São os(as) que calam e se rejubilam diante do sistema prisional que estupra, que corrompe e enlouquece, que é sujo, fedido, monstruoso... Querem a prisão especial, e a dignidade para suas torpezas e crimes... Mas defendem até que a família do preso(a) passe fome. Opõem-se ao Brasil não admitir mais que famílias e suas crianças passem fome, São inimigos do Bolsa Família.

Enoja-me, é certo, mas não surpreende. Por isso é decisivo viver e lutar ao lado da justiça, pela democracia, por um futuro melhor para o Brasil. Por isso a luta pelos 10% do PIB, os 100% dos Royalties, os 50% do fundo social do Pré Sal para a Educação. Por isso lutamos contra qualquer discriminação, pelo Estatuto da Juventude, pela meia entrada, o meio passe, o passe livre estudantis que chamem os pobres pela cultura para dentro da sala de aula, para que os analfabetos saiam da cegueira e vejam a luz de ler tudo que os circunda e que não podem...

E quando volta ao debate a discussão da Redução da Maioridade Penal?! Ora, quando tudo isso pode ser conquistado e a Presidenta da República recebe as juventudes estudantis, trabalhadoras, negra, da diversidade sexual, da liberdade religiosa e do Estado Laico, da cultura, das periferias, do meio ambiente, dos sem terra e camponeses, das mulheres. E ouve dos jovens uma só voz, uma só bandeira: Presidenta, salvemos a juventude abandonada, assassinada, torturada, desempregada, explorada, sem escola, nas ruas! Presidenta, integremo-la ao Projeto de um grande, desenvolvido, justo país. Presidenta, são mais de 50 milhões os que tem os piores indicadores, apesar dos avanços do Brasil...

E ela nos olhou e disse: isso é extraordinário e inédito. Ajudem-me a aprovar os recursos para a educação que vão universalizar as creches para todas as crianças, a escola integral, a banda larga, as escolas técnicas em todos os níveis, as escolas também para as periferias e o campo e a educação integral. Ajudem-me a aprovar os recursos que permitirão o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Para que as escolas tenham laboratórios, escolas, cultura, como tem as escolas das elites, mas com uma educação mais humana. Superar as desigualdades e fazer avançar o Brasil!

É exatamente aí que a imprensa bandida mostra à classe média a dolorosa tragédia que aflige a juventude que mata, mata-se e morre.  Onde está o pranto daquele porteiro, daquela desempregada, da dona de casa daqueles pais e mães, das avós humildes e doentes que viram seus filhos negros e pobres, gente de bem, trabalhadora, morrer na esquina da humildes casas ou barracos tão distante da Avenida Paulista? Ora, a ROTA será homenageada!!!!  E também na denúncia da violência contra a juventude - 50 mil jovens mortos por ano - descobrimos que para o PIG, vale mais a vida de uns que de outros...

O que fazem os mais de 8 milhões de jovens que nem estudam e nem trabalham e onde está a indignação diante disso? 73% dos que morrem violentamente na juventude são negros e negras. Onde estão os culpados, onde está a revolta da imprensa bandida? Por que deve o ódio de classe, num país rico como o Brasil, criar uma clivagem criminosa como essa, em que se é levado a condoer-se mais com a morte de uns, ignorando outros? A dignidade humana é irrenunciável. Salvemos a todos e a todas. E é a hora.

Não me escandaliza ver os beneficiários do arbítrio e da violência as defenderem com tanto ardor e ódio. Escandaliza-me sim, a dor das famílias, todas, seu luto, sua indignação. Penso com muito medo na minha família também, na minha filha, tudo isso me é tremendamente próximo.

O que me escandaliza é ver pessoas que estão conosco, do nosso lado, que se acham parte do mesmo caminho da dignidade e da compaixão, da luta pela igualdade e pela justiça, e que deixam emergir de si uma trevosa voz que talvez até então, bem ocultassem. E surge, vigorosa e desavergonhada, a pedir sangue, no bloco dos opressores. Para eles e elas, o Brasil deve, como o mitológico Cronos, pai de Zeus, devorar seus próprios filhos, e não salvá-los, educá-los, investir neles.

O Brasil já devora seus filhos, basta ver o extermínio da juventude negra das periferias e os indicadores da juventude mais pobre desse país. Isso sim me escandaliza. Escandaliza-me também que, nesse momento, organizações que tem grandes responsabilidades para com o país possam permitir-se causar qualquer fissura nas fileiras do nosso povo, em especial na juventude, em vez de fortalecer suas mais históricas organizações.

Ora, existe sim um caminho para deter o doentio cordão da violência e do ódio contra a juventude. Devemos aprovar já o Estatuto da Juventude, resgatar o direito à meia entrada, ao meio-passe e passe livre estudantil. E fazer uma revolução na Educação Brasileira, com recursos, trabalho e causas: o desenvolvimento com preservação ambiental e soberania e a igualdade. Reduzir a maioridade penal, como bem disse meu saudoso amigo De Leon, é uma maldade do ponto de vista ético, uma inviabilidade financeira e politicamente uma catástrofe. É preciso lutar contra esse crime, e abrir caminhos para o florescimento da juventude e da Nação Brasileira.

Veja aqui o sentido da luta pela aprovação do Estatuto da Juventude pelas palavras do Alessandro de Leon, na audiência no Senado em dezembro de 2012


Hay un niño en la calle- Mercedes Sosa y 
Calle 13



Pivete - Chico Buarque


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

'Ordem absurda não se cumpre', diz major da PM sobre nova norma de socorro - São Paulo - iG

'Ordem absurda não se cumpre', diz major da PM sobre nova norma de socorro - São Paulo - iG

Major Olímpio Gomes, deputado estadual e policial da reserva, pede afastamento de novo secretário de segurança e diz que resolução não impede crimes de policial mal intencionado

Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo 
"Não tem nenhum comandante da PM que tenha mais contato com os policiais militares do que eu". Foi com afirmações desse tipo que o deputado estadual e policial da reserva, Major Olímpio Gomes (PDT), recebeu o iG em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em pleno recesso parlamentar.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Deputado Olímpio Gomes em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo


Por entender que a resolução publicada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado na última terça-feira (8) - que proibe socorro policial a vítimas de confronto com agentes - aumenta a desconfiança da população em relação à PM, ele recomenda que os colegas policias desobedeçam as ordens do governador Geraldo Alckmin e do novo secretário de Segurança, Fernando Grella Vieira. "Não preciso pedir ao governador para cumprir minha obrigação que foi escrita em 1940 no Código Penal", afirmou.
Segundo o deputado, Grella Vieira deveria pedir afastamento do cargo porque sua decisão desgasta a imagem da PM e não impede que maus policiais executem suas vítimas, uma das principais justificativas para a edição da resolução. "Se um policial tiver uma conduta desequilibrada e quiser matar, ele mata".
Leia abaixo a entrevista completa:
iG - Por que o senhor é contra a resolução da SSP que proíbe o socorro policial a vítimas de confronto com a PM?
Deputado Major Olímpio Gomes - Essa medida é preconceituosa porque só se aplica aos policias militares. Se policiais civis trocarem tiro com marginais e prestar socorro, está perfeito, mas se um PM fizer o mesmo, será punido. O governo está dando um tiro no pé porque, se já existe um sentimento de incredulidade da população em relação aos militares, essa resolução é a admissão da incompetência governamental em controlar a polícia. O governador, o secretário de segurança e comandante-geral da PM estão dizendo: "não conseguimos conter a fúria assassina dos nossos policiais militares". Tudo isso para mascarar a incompetência do Estado em apurar os delitos, especialmente os homicídios, as chacinas.
iG - A medida busca impedir que policiais executem criminosos no trajeto entre o confronto e o hospital.
Gomes - Quem vai chamar o Samu para o socorro vai ser o policial por meio do radio da viatura. Então, se a ideia dele é matar, ele espera cinco, dez minutos, deixa a vítima se esvair em sangue e depois avisa. O policial vagabundo está comemorando a resolução… Se um policial tiver uma conduta desequilibrada e quiser matar, ele mata e tem os mecanismos dentro do pronto-socorro. Se um colega quiser terminar o servido do outro, mata por asfixia dentro do carro de resgate.
iG - E se o policial quiser socorrer e não fizer isso em respeito à resolução, ele pode acabar condenado em um processo movido pela família da vítima?
Gomes - No futuro, o Ministério Público pode entender que era clara a necessidade de socorro e que o policial desrespeitou o Decreto-Lei do Artigo 136 do Código Penal, que fala sobre o crime de omissão. Na hierarquia das leis, ele vale mais do que uma resolução interna da secretaria.
iG - Então o policial ainda pode ser responsabilizado pela morte da vítima?
Gomes - Sim. Se eu fosse policial da ativa, porque você pode dizer que estou no conforto de estar na reserva, eu diria que ordem absurda não se cumpre. As normas que estão no Código Penal são auto-executáveis. Não preciso pedir ao governador para cumprir minha obrigação que foi escrita em 1940 no Código Penal. Eu não posso cometer um crime para cumprir uma norma administrativa. É a hierarquia das leis.
iG - Então, se estivesse na ativa, o senhor…
Gomes - Se eu estivesse na ativa, eu seria punido administrativamente tantas vezes fossem necessárias, como fui na minha carreia. Eu não cumpriria uma ordem porque meu juramento não foi feito para o governo, nem para o Geraldo Alckmin, nem para o PSDB. Fizemos um juramento para a população. Eu, enquanto puder, vou dizer para o policial seguir o Código Penal, seguir a própria consciência e enfrentar o processo administrativo, porque não se trata de desobedecer o Estado, mas de ser justo com o seu juramento.
iG - E se o senhor fosse o secretário de segurança, o que teria feito?
Gomes - Se eu fosse esse secretário, eu pediria demissão. Ele está tentando administrar uma coisa que não conhece. Agora, se eu fosse o secretario, a minha resposta para a sociedade seria esclarecer todos esses crimes de autoria desconhecida. Se um policial fez um disparo e acertou o sujeito, eu tenho de ter mecanismos de controle. Hoje temos a eletrônica a serviço disso. Em muitos países, toda a conduta dentro da viatura é monitorada por áudio e vídeo. Em alguns deles, há uma micro-câmera instalada no boné do policial. O GPS e o rádio da viatura devem monitorar todo o deslocamento.
iG - Qual seria o principal erro da secretaria?
Gomes - Não se pode generalizar e desmoralizar toda a instituição e muito menos colocar essa síndrome de insegurança na população. Olha o que estamos dizendo para a sociedade: "se você for baleado em um assalto, não tenha o azar de ser socorrido pela PM". É um negócio tenebroso.
iG - Essa também é a opinião dos policiais? Porque o comandante-geral da PM [coronel Benedito Roberto Meira] apoia a resolução.
Gomes - Não tem nenhum comandante da PM que tenha mais contato com os policiais militares, civis, agentes penitenciários do que eu. O sentimento é de pesar, de indignação. Estão matando a vaca para acabar com o carrapato. Meu telefone não para de tocar. Eles dizem: "enterramos 107 policiais no ano passado e ainda temos que cumprir essa norma do Estado". Mas se o policial falar, ele será punido. O regulamento disciplinar se aplica inclusive ao policial da reserva.
iG - Então o senhor, que está na reserva, poderia ser punido por essas declarações?
Gomes - Eu não porque eu tenho imunidade de ato, palavra e voto como parlamentar, então, como diz o filósofo Zagalo, eles vão ter de me engolir.
iG - O senhor já participou de um tiroteio, já atingiu alguém e precisou socorrer?
Gomes - Várias vezes na minha vida. Já tive a infelicidade de ver policial meu baleado, policial morto… Milhões de vidas já foram salvas pelo aparato policial em função desse socorro.
iG - Qual é a sua opinião sobre o novo secretário?
Gomes - Ele tem conduta ilibada, procurador-geral por dois mandatos, um douto, um gentleman . Entretanto, eu fico imaginando se me nomeassem secretario da Saúde. Eu tentando saber como funciona os cargos, as funções, os trambiques… Eu ia ficar louco.
iG - O senhor quer dizer que falta experiência de rua para o atual secretário?
Gomes - Ele nunca aprendeu a fazer respiração. Ele não conhece como funciona a polícia militar, a policia civil e a técnico cientifica.
iG - Então por que o senhor acha que o governador Alckmin o escolheu?
Gomes - Primeiro por ser promotor público, segundo por ter sido procurador-geral. O governador quer estar de bem com o Ministério Público e se aproximar da Justiça.
iG - E o que senhor pode fazer enquanto deputado estadual?
Gomes - O que eu posso fazer como deputado, além de manifestar inconformismo, é apresentar um Projeto de Decreto Legislativo, a única forma constitucional de anular um ato do Executivo através do Legislativo. Não estou apresentando hoje porque a Assembleia está em recesso. Às nove horas da manhã do dia primeiro de fevereiro será protocolado.
iG - O governador tem maioria na Assembleia, como conseguir derrubar a resolução?
Gomes - Eu vou tentar sensibilizar deputado a deputado porque essa não é uma questão de situação e oposição. É uma questão de proteção às pessoas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Caso da menina paranaense Rachel Oliveira Genofre completa três anos sem pistas sobre o assassino


No dia 03 de novembro a família faz missa para rememorar a data; no dia 07, Assembleia Legislativa do Paraná fará pronunciamento sobre o caso

Nesta quinta-feira (03), o assassinato brutal da menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, de 9 anos, completa três anos. Em 2008, o corpo dela foi encontrado dentro de uma mala, na rodoviária de Curitiba. Segundo a polícia, havia sinais de estrangulamento e violência sexual.

Segundo a tia de Rachel, Maria Carolina Lobo Oliveira, durante esses anos a investigação foi incansável. As denúncias foram apuradas, os indícios averiguados, no entanto, afirma que o problema não está na investigação, mas na negligência quando da descoberta do corpo. “A questão central é a perda de todas as pistas do crime. O saco em que o corpo estava envolto foi jogado no lixo, a mala passou de mão em mão. Foram tantos os erros cometidos que não dá para considerar incompetência e sim negligência dos policiais envolvidos, isso dificulta – e muito – na busca de uma solução. Conquistamos um investigador exclusivo para o caso. O começo foi muito errado”, relembra Carol.

Mobilização - No próximo dia 07 de novembro, às 14 horas, a deputada estadual Luciana Rafagnin fará um pronunciamento na Assembleia Legislativa do Paraná. A atividade será em apoio à campanha "Pelo fim da violência contra mulheres e meninas: Por mim, por nós e pelas outras", da União Brasileira de Mulheres – seção Paraná (UBM-PR). O objetivo é reivindicar políticas públicas para combater a violência contra as crianças e para que o Estado ampare as famílias vítimas da violência urbana. A UBM-PR também fará outras ações. “Estamos organizando uma audiência com o secretário de Segurança Pública e a secretária de Justiça. Vamos fazer ainda uma manifestação na Conferência Estadual de Política Para Mulheres, nos dias 11 e 12 de novembro, para cobrar a responsabilidade do poder público em relação a esse crime brutal”, ressalta a coordenadora estadual da UBM, Gisele Schimidt.

Caso semelhante – Gisele lembra que em agosto deste ano uma menina de 11 anos foi encontrada morta na periferia de Buenos Aires em situação semelhante à de Rachel. O corpo estava em uma mala, com claros sinais de violência, no oeste daquela capital. Para ela, crimes como esse não podem ficar impunes. “O corpo foi encontrado por uma mulher que revirava lixo e que viu o braçinho saindo da mala. Não podemos permitir que estes assassinos continuem a circular livremente pelas ruas. Precisamos mover a opinião pública e as autoridades para que haja empenho cotidiano a fim de chegar aos culpados. Não podemos passar dez anos relembrando essa barbárie”, pontua Gisele.

A tia da Rachel, Carol, reforça que a mobilização é fundamental, mas também destaca que o Estado precisa se envolver para por fim a tais atrocidades. “Na Argentina, a mobilização social foi muito diferente. A presidente do país, Cristina Kirchner, deu atenção pessoal ao caso. Ela ficou sensibilizada com tamanha covardia. No Paraná, temos uma delegada sensível às questões da família que nos permite acompanhar e contribuir. Mas há outras famílias que não tem nem satisfação da investigação do caso de seus filhos. Já ouvi relatos de mães que vieram me procurar para chorar junto, pois é o que resta. Essas famílias necessitam, além de justiça, de atenção psicológica, de assistência social, entre outras. O Estado tem de se responsabilizar, pois essas são as consequências da falta de segurança pública, da falta de políticas sociais, entre outros”, enfatiza Carol.

Lei Maria da Penha e ECA - Segundo a coordenadora nacional da UBM, Elza Campos, a entidade irá exigir mais uma vez das autoridades que crimes contra mulheres e meninas recebam uma atenção efetiva das autoridades brasileiras. “É preciso que as Políticas Públicas sejam efetivadas, como a implementação imediata da Lei Maria da Penha e o fortalecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, além de outras políticas públicas. Este ano, dedicado à realização da III Conferência de Políticas para as Mulheres e da avaliação do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, estaremos alertas entendendo que os desafios são enormes para o movimento feminista e de mulheres. Enfrentar e superar a dominação ainda presente nas estruturas do Estado e na sociedade é tarefa central para a pavimentação de um caminho de justiça e liberdade para as mulheres”, finaliza Elza.

Missa – No dia 03 de novembro, às 19h30, haverá missa organizada pela família em homenagem à Raquel na igreja Perpétuo Socorro (Rua da Glória, próximo ao Estádio Couto Pereira).

Violência sexual – Rachel foi encontrada morta na madrugada do dia 05 de novembro de 2008 dentro de uma mala abandonada embaixo de uma das escadas do setor de transporte da rodoviária de Curitiba. O corpo, ainda com o uniforme do Instituto de Educação - colégio onde ela estudava - apresentava sinais de estrangulamento. Os médicos do Instituto Médico Legal (IML) confirmaram que a menina sofreu violência sexual.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Morte de jovens negros tem cenário de 'extermínio'

A morte entre os jovens negros

Por Danilo Morais
Gostaria de chamar a atenção para um dos dados desta pesquisa, que é a alarmante constatação de que na média nacional morrem mais que o dobro de jovens negros em comparação com os jovens brancos. É importante salientar que os movimentos sociais da juventude negra, destacando aqui o Fórum Nacional de Juventude Negra (FONAJUNE) e a Juventude da Coordenação Nacional de Entidades Negras (JCONEN), entre outros tem nomeado este fenômeno de extermínio ou mesmo de "genocídio" da juventude negra.
Envio abaixo o link e a matéria da agência Estado descrevendo mais esta flagrante demonstração da desigualdade racial no Brasil.




Para cada jovem branco assassinado morrem dois negros; proporcionalmente, número chega a 20 na Paraíba24 de fevereiro de 2011 | 12h 11Lisandra Paraguassu, Rafal Moraes Moura e Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O Mapa da Violência 2011 mostra que a vitimização juvenil por homicídios continua a crescer. O número de homicídios entre a população negra é explosivo e, o que é pior ainda, a vitimização entre jovens negros tem índices muito altos, beirando um cenário de "extermínio". Após uma década (1998-2008), continua praticamente inalterada a marca histórica de 92% da masculinidade nas vítimas de homicídio.
Levando em conta o tamanho da população, o Mapa mostra que a taxa de homicídios entre os jovens passou de 30 (em 100 mil jovens), em 1980, para 52,9 no ano de 2008. Já a taxa na população não-jovem permaneceu praticamente constante. O estudo concluiu que o incremento da violência homicida no Brasil das últimas décadas teve "como motor exclusivo e excludente a morte de jovens".
Em 1998, a taxa de homicídios de jovens (idade 15 e 24 anos) era 232% maior que a taxa de homicídios da população não-jovem. Em 2008, as taxas juvenis já eram 258% maiores. Essa é média nacional, mas há Estados com índices de vitimização jovem acima de 300%, como Paraná e o Distrito Federal.
Na população não jovem, só 9,9% do total de óbitos são atribuíveis a causas externas (homicídios, suicídios e acidentes de transporte). Já entre os jovens, as causas externas são responsáveis por 73,6% das mortes. Se na população não-jovem só 1,8% dos óbitos são causados por homicídios, entre os jovens, os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes.
O Estado de menor vitimização juvenil, Roraima, no ano de 2008, tinha proporcionalmente 66% mais vítimas juvenis. No outro extremo, Amapá e Paraná e Distrito Federal ostentam quatro vezes mais mortes juvenis do que as outras faixas.
Negros e jovens. A partir de 2002 fica evidente um forte crescimento na vitimização da população negra. Se em 2002 morriam proporcionalmente 46% mais negros que brancos, esse percentual eleva-se para 67% em 2005 e mais ainda, para 103% em 2008. Assim, morrem proporcionalmente mais do dobro de negros do que brancos.
Segundo o Mapa da Violência/2011, isso acontece porque, por um lado, as taxas de homicídios brancos caíram de 20,6 homicídios em 100 mil brancos em 2002 para 15,9 em 2008. Já entre os negros, as taxas subiram: de 30 em 100 mil negros em 2002 para 33,6 em 2008.
Entre os jovens, esse processo de vitimização por raça/cor foi mais grave ainda. O diferencial (índice de vitimização) que em 2002 era também de 46% eleva-se para 78% em 2005 e pula para 127% em 2008. Mas essas são médias nacionais.
"Esmiuçando os dados, vemos que há estados como Paraíba ou Alagoas em que por cada jovem branco assassinado morrem proporcionalmente mais de 13 jovens negros (13 em Alagoas, mas são 20 na Paraíba", descreve o Mapa.

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