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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

PCdoB mobiliza a militância para a 3a. Conferência sobre a Emancipação das Mulheres - PCdoB - LEIA A TESE




PCdoB retoma processo da 3ª Conferência sobre Emancipação das Mulheres

11 de Janeiro, 2021


LEIA A TESE


O PCdoB inicia o ano de 2021 convocando a estrutura partidária e sua militância para uma importante tarefa: a realização da 3ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Emancipação das Mulheres, que está marcada para acontecer entre os dias 19 e 21 de março.

O evento, que deveria ter acontecido em 2020, teve de ser adiado em função da Covid-19. Agora, a Secretaria Nacional da Mulher do partido avalia a possibilidade realizá-la no formato híbrido, com apenas parte dos delegados reunidos presencialmente, a depender dos desdobramentos da pandemia nos próximos meses.

Para falar dos objetivos, da importância da conferência na atual conjuntura e de como se dará o processo preparatório e de mobilização, conversamos com a secretária nacional da Mulher do PCdoB, a ex-senadora Vanessa Grazziotin.

Confira os principais trechos dessa entrevista.

Objetivo da Conferência

“O objetivo é o debate e a atualização da plataforma, da teoria, da luta emancipacionista, um debate no qual devem se envolver não apenas as mulheres, mas também os homens, o partido como um todo porque a luta pela emancipação das mulheres não é só das mulheres, é uma luta da sociedade. A opressão e a discriminação que pesam sobre a mulher devem ser combatidas por todos. Essa forma de opressão, de discriminação, é a própria expressão do sistema capitalista, que precisa manter as mulheres apartadas de qualquer tipo de movimento contestatório e organizativo”.

Envolver as mulheres do povo

“Nesta conferência, devemos tratar também sobre como trazer a mulher para a luta emancipacionista, a mulher do povo, porque a gente vive um movimento de profundo retrocesso, onde aparecem, com muita força, opiniões de que a mulher, tudo bem, tem de trabalhar, mas tem de ser subserviente ao homem. E infelizmente esse tipo de teoria é defendida por ninguém mais, ninguém menos, do que o presidente da República, a ministra da Mulher, o ministro da Educação, ou seja, figuras-chave da República, que deveriam contribuir com a luta emancipacionista, jogam exatamente ao contrário”.

Avanço da extrema-direita

“A conferência vai acontecer, portanto, num momento muito importante, de avanço da extrema-direita, das forças conservadoras, antidemocráticas, misóginas, que não respeitam os direitos humanos e as mulheres. Ou seja, além da luta pela vida, por direitos, a gente enfrenta uma luta ideológica profunda que criminaliza e distorce o feminismo. Através do debate e do esclarecimento, queremos procurar mobilizar a sociedade, sobretudo as mulheres, contra este governo. Será uma conferência, sem dúvida, muito rica na defesa da vida, das mulheres e de um outro país, um país que não esteja sob a tutela do reacionarismo e do antidemocratismo”.

Agravamento da situação da mulher

“Temos visto um aumento dos feminicídios, da violência doméstica, principalmente nesse período de pandemia, onde aconteceu o isolamento social e muitas mulheres ficaram confinadas junto com os seus agressores. E também temos o aumento do desemprego, da perda de direitos e da precariedade que atinge muito mais as mulheres do que os homens. E a gente tem de ter claro o porquê que isso acontece. A mulher é discriminada, superexplorada, cumpre uma tripla jornada de trabalho; é ela quem faz o trabalho invisível, não remunerado e, mesmo tendo um nível de escolaridade superior ao dos homens, ela ganha salários menores, não alcança os postos de poder no mercado de trabalho, assim como está sub-representada na política, nos espaços de poder. Quando a gente fala isso tudo, não é um discurso ou estatística. Isso é a vida real”.

Informação e conscientização

“Quando temos o agravamento de uma crise, necessariamente acontece primeiro o agravamento da situação da mulher. O movimento feminista existe exatamente para mostrar que a única forma de superar todas essas dificuldades é através da luta. E o primeiro passo para enfrentar isso tudo é esclarecer as mulheres (e os próprios homens), porque as pessoas só lutam por aquilo que acreditam e por aquilo que têm consciência. Se a mulher não tem consciência da origem do seu sofrimento, da origem da discriminação que sofre, ela não vai se mobilizar contra isso”.

Luta contra forças poderosas

“Hoje, a gente vê crescer essa opinião retrógrada, misógina dentro do próprio poder público, com a expressão maior do presidente da República, mas também o avanço de muitos posicionamentos de líderes religiosos — sobretudo das igrejas neopentecostais —, que têm dito que a mulher deve obediência ao marido, só deve fazer aquilo que ele quer e que a cabeça da família é o homem. Ora, isso já passou! Num espaço muito curto de tempo, foi de 15% para mais de 40% o percentual de famílias que as mulheres mantêm e dirigem. Mas, essa é parte da luta ideológica que a gente tem que enfrentar. E enfrentar de uma forma ampla, de maneira que a gente dialogue não apenas com as intelectuais, com as militantes. Temos de dialogar com aquele mulher que tem filhos, que acorda às 5h da manhã para trabalhar na fábrica, que é a diarista, doméstica…temos de dialogar com as grandes massas e mostrar às mulheres, através de questões cotidianas, da sua própria vida, as razões e as origens do seu sofrimento”.

Formato da Conferência

“Optamos por fazer de forma híbrida. A previsão é de que tenhamos em torno de 450 delegadas e delegados, considerando a eleição nos estados, os membros do Comitê Central e do Fórum Permanente de Emancipação das Mulheres. Desses, pensamos que 100 podem participar de forma presencial; este seria o número máximo. Já providenciamos as condições necessárias, um hotel apenas para essas 100 pessoas, estamos providenciando a testagem anterior, mas ainda consideramos a possibilidade de fazer 100% on line porque estamos vendo uma segunda onda da Covid. Então, é a situação da saúde e as condições sanitárias que vão nos dizer se a gente vai poder fazê-la híbrida ou se será totalmente on line”.

Processo da conferência

“A preparação da conferência vem sendo feita desde o início de 2020, quando tivemos de transferi-la por conta da pandemia. Mas, desde aquele período estão divulgados o documento-base e os critérios para a eleição de delegadas e delegados. Importante registrar que mantivemos o percentual da participação de gênero na conferência, ou seja, no mínimo 30% tem de ser homens. Mas, com a pandemia, tivemos de fazer algumas adaptações. E agora, no início de 2021, a gente está reforçando esse processo de mobilização.

Na segunda quinzena de janeiro, teremos a publicação do documento-base atualizado, um documento mais denso. Logo, teremos o manifesto para orientar o nosso debate com a população em geral. O objetivo é debater com o partido, mas também com mulheres e homens que não sejam do partido; mostrar o quanto nos preocupamos com essa questão e como o PCdoB tem sido vanguarda na luta em defesa das mulheres.

Como a conferência acontecerá de 19 a 21/3, os estados têm até o dia 12/3, ou seja, uma semana antes, para realizar os seus processos de conferência. E como esse processo se dará? A gente está orientando diversas atividades: debates presenciais ou virtuais, lives, encontros de jovens, de trabalhadores, atividades de rua onde puder, com segurança, até que os estados façam as suas conferências municipais ou distritais, regionais e, por fim, no estado, até chegar à direção nacional”.

Tribuna de Debates

“Também queremos incentivar muito as nossas mulheres militantes a escreverem para a Tribuna de Debates. Este é um momento muito rico, portanto, publicar as opiniões das nossas militantes, companheiras e companheiros, também, é fundamental. A nova página da Secretaria da Mulher do PCdoB será disponibilizada também na segunda quinzena de janeiro, com a abertura da Tribuna de Debates”.

Ato político-cultural


No dia 28/01, teremos um ato político-cultural de lançamento da conferência, com o centro no nosso manifesto, e a valorização das nossas lideranças, como Manuela d’Ávila, que hoje é sem dúvida uma das maiores lideranças feministas do Brasil, juntamente com o governador Flávio Dino e Luciana Santos, nossa presidenta. E o manifesto estará disponível para ser assinados por mulheres, entidades e bases. Será um documento que exigirá o nosso direito à vacinação, à vida, à segurança, ao trabalho.

Temos uma Comissão de Organização da 3ª Conferência e essa comissão trabalhará de forma muito viva, ao lado das direções estaduais, não só das secretárias de Mulher, mas da direção partidária porque isso é muito importante registrar: não é uma conferência da mulher, mas sobre a situação da mulher e que todos e todas temos o dever de participar, para que a gente tenha um grande processo de mobilização, de construção partidária e de atração de novas companheiras e companheiros para as nossas fileiras”.

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3ª CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCdoB SOBRE A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES

I – A CRISE ESTRUTURAL DO CAPITALISMO E SEU IMPACTO PARA AS MULHERES

terça-feira, 27 de junho de 2017

Manuela D'Ávila debate transtorno de imagem e dano psíquico às mulheres - Do Facebook

Eu tenho transtorno de imagem (ou distorção de imagem corporal).

Esses dias minha sobrinha de sete anos respondeu a uma brincadeira minha com a seguinte frase: "cada vez mais tenho certeza que tu tens aquela doença que a pessoa se acha gorda", fazendo menção a anorexia.
Não, não tenho. Nunca tive.

Depois que Isadora me disse isso, decidi voltar pra terapia para enfrentar um problema escondido de mim mesma e visível para muitos. Decidi tratar dessa doença contagiosa antes que ela contamine minha filha.

Algumas pessoas sabem que eu fui obesa até os 17 anos. A obesidade fez de mim essa pessoa que "debocha de si mesma", para que os outros não precisem debochar. A obesidade fez de mim a divertida, a líder de turma, a corajosa. Eu precisava mostrar que meu corpo não importava. E ele, de fato, importava pouco. Eu era tão segura de mim que as pessoas não ligavam muito para o fato de eu pesar cem quilos. 
Mas eu sabia o que era não ter onde comprar roupas tamanho 48 ou 50. Claro, existem as lojas pra gordo, mas eu queria as mesmas roupas de minhas colegas.
Eu sabia o que era ouvir que eu não era feminina pois afinal, mulheres femininas andam de Mini saia e Mini blusa (chamava assim em minha adolescência). Mulheres femininas não usam camiseta larga e calça preta. 
Eu sabia e um dia decidi emagrecer. E emagreci, afinal sou uma das pessoas mais determinadas que eu conheço. Emagreci 40 quilos. Entrei no terceiro ano do ensino médio gorda e formei magérrima. Não fiz nada de errado, apenas reeducação alimentar. Passei a comer bem, regrada e com horários.

Passaram muitos anos e eu engordei - um pouco - apenas duas vezes: quando parei de fumar (doze quilos) e na gestação de Laura (dezoito).

ao contrário do que as pessoas imaginam nunca fiz loucuras muito loucas para perder peso. Apenas todas as dietas - razoavelmente - saudáveis. O meu problema não reside aí. Até porque eu perco peso com razoável facilidade.

O meu problema é que eu sempre me acho gorda. Mesmo quando estou um palito eu me vejo mais gorda do que estou.

Eu tenho um peso magro magro, um peso magro ideal e um peso magro limite (quase o que me considero gorda). Agora estou no magro limite. Racionalmente eu decidi comer o que sinto vontade. Eu amamento Laura, não durmo a noite, faço mestrado, sou deputada, faço roteiros pelo estado inteiro. Acho razoável que eu não faça grandes sacrifícios alimentares. Mas Eu disse "racionalmente".

Fora da razão eu odeio meu corpo 24 horas por dia. Basta minha cabeça não estar trabalhando que eu fico pensando em tudo o que eu poderia fazer se estivesse mais magra.

Ontem eu vi aquele filme EMBRACE - pelo amor de suas filhas, vejam!!! Chorei do início ao fim. É difícil para um homem entender ao que somos submetidas. E ainda mais difícil para uma mulher feminista como eu reconhecer o quão envolvidas podemos ser nessa trama de horror aos nossos corpos promovida pela indústria da moda, do entretenimento, da "saúde"...

Eu, que nunca quis agradar ninguém, que sempre dei minhas opiniões e mesmo que mudei de opinião quando quis, eu não consigo agradar a mim mesma. E como uma versão moderna do "anjo do lar", de Virgínia Woolf. E como se todas nós tivéssemos dentro de nós uma "Anja do corpo". Alguém que nos lembra o que comeria, quantas horas de exercício, que número de calça usaria uma verdadeira Anja do corpo.

Eu decidi enfrentar minha Anja do corpo. Decidi "embrace" (abraçar, aceitar) meu transtorno de imagem para que minha filha não sofra como eu sofro. Decidi falar sobre isso pois conheço mulheres lindas que odeiam seu corpos. Conheço mulheres que trabalhavam com seus corpos e não podem ficar velhas pois a Anja do corpo não fica velha.

Eu não sei o caminho. Mas decidi caminhar. Por Laura. Por todas as meninas. Por mim.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A crise do macho branco adulto no comando, por Sérgio Saraiva - Jornal GGN


A crise do macho branco adulto no comando, por Sérgio Saraiva
SERGIO SARAIVA
TER, 03/01/2017 - 18:10

O macho branco adulto é um ser em crise e perigoso. Frustrado e inseguro e sob um experimento de manipulação social que só encontra paralelo no nazismo, a violência é sua resposta.



por Sérgio Saraiva

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval”.

São versos de Caetano Veloso para a música “Podres Poderes”. A composição é de 1984. O que talvez explique a citação a padres fazendo o carnaval – vivíamos os tempos da Teologia da Libertação, ainda na Ditadura e antes da Constituição Cidadã de 88.

A sociedade da descriminação

Há uma clara dualidade e antagonismo nesses versos: homens se contrapondo a índios e padres e bichas e negros e mulheres e adolescentes. Os podres poderes se contrapondo ao Carnaval. Claramente também se nota não se tratar de qualquer homem e sim do homem branco, adulto e heterossexual.

Há duas coisas que sempre me incomodaram nesses versos.

A primeira é que Caetano atribui todos os podres poderes a uma minoria: o homem branco, adulto e heterossexual. Mas como negar que é a representação do poder. E de um poder conservador e reacionário como fica explicito nos demais versos da canção.

“Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica
que sempre precisará de ridículos tiranos?”.

Caetano não trata especificamente da questão social, mas se lembrarmos que no Brasil a riqueza tem cor e a cor dela é branca, poderíamos reduzir ainda mais esse círculo de poder. Homem, branco, adulto, heterossexual e de classe média acima.

A segunda coisa que me incomoda nos versos de Caetano é a sua generalização.

Somos a sociedade da descriminação.

Negros discriminam mulheres e homossexuais e mulheres brancas discriminam negros e talvez discriminam mais ainda às mulheres negras. Homossexuais discriminam pobres. Adultos desrespeitam crianças e adolescentes a ponto de ser necessário um estatuto para protege-los. Estatuto que é apontado como a causa da nossa criminalidade justamente pelos adultos.

Sulistas e sudestinos discriminam nordestinos… e por aí vai.

Somos a sociedade da discriminação e ela vai além do homem branco, adulto e heterossexual. Mas o tem como referencial.

E aqui a causa do incômodo: a discriminação contamina as vítimas da discriminação, que também discriminam de alguma forma, o que acaba por justificar a discriminação através um círculo vicioso.

Há que se estudar tal contaminação, já que me parece inescapável que ela contribui para que um grupo tão minoritário – o macho branco adulto detenha o poder.

O macho adulto branco sempre no comando e em crise

Tais divagações voltaram-me à mente por causa de duas tragédias acontecidas no final de 2016 onde estava novamente presente o estereótipo do homem branco, adulto, heterossexual e de classe média.

Em novembro, Goiânia – GO, um homem de 60 anos matou o filho de 20 anos. Motivo do assassinato: o pai discordava a posição política do filho. E mais o quê? Quando pais e filhos não tiveram visões diferentes de mundo? E não somo uma sociedade de filicidas. Um caso isolado de um psicopata?

Na noite de fim de ano, em Campina – SP, um homem de 46 anos matou 12 pessoas da família da ex-esposa. Incluindo a ex-esposa e o filho. Motivo dos assassinatos: disputava a guarda do filho com a ex-esposa e havia perdido na Justiça. Deixou uma carta explicando o ato onde misturava misoginia e ódio político característico da extrema-direita. E mais o quê? Separações podem ou não ser traumáticas, mas não acabam em chacinas. Mais um caso isolado de outro psicopata?

Esse mais “o quê” é a chave para entendermos a crise pela qual passa o “macho adulto branco”.

Ocorre que o macho adulto branco sempre no comando é só uma representação. E cada vez menos válida.

Após a revolução sexual dos anos sessenta do século passado que deu às mulheres o poder de decisão sobre sua sexualidade e capacidade reprodutiva; após a tecnologia dispensar a força física nas atividades de produção e privilegiar a capacidade intelectual; após a inserção das mulheres nas escolas e no mercado de trabalho e até nas forças armadas e de segurança interna que deram às mulheres independência econômica, o macho adulto branco deixou de ser importante por si só para manutenção da sociedade. Tornou-se inclusive dispensável.

Após os movimentos de ação afirmativa de negros e homossexuais, o macho adulto branco está deixando de ser a referência do “normal”. Passou a ter de pensar até nas anedotas com que animava suas rodas de amigos.

Mas o macho branco adulto atual – aquele com mais de 35 anos – ainda se espelha muito na figura do seus pais. E esses ainda refletiam a sociedade anterior à revolução sexual e social no Brasil – “um mundo onde cada um sabia o seu lugar”.

O macho branco adulto atual é um ser em crise. Anacrônico e deslocado. Rebaixado em seus status social. É um frustrado e um inseguro que se transformou em poço de mágoas pronto a explodir. Bastava algo que justificasse sua revolta contra “tudo isso que está aí”.

E essa justificativa veio através da instrumentalização da sua frustração na forma do anti-esquerdismo.

Por que o anti-esquerdismo?

Porque foi a esquerda que modernamente encampou as lutas das mulheres, dos homossexuais, dos negros e sua representação como pobres.

Fora Dilma

Não é difícil perceber o porquê do ódio associado aos governos Dilma.

Mas é interessante notar-se que o macho adulto branco foi também arregimentado.

Quando da domingueiras que pediam o impeachment, a Folha traçou o perfil dos participantes: 57% eram homens – na população são 48,6% – 77% tinham mais de 36 anos e 40% tinham mais de 50 anos; 63% tinham renda de mais de 5 salários mínimo e 13% tinham renda acima de 20 salários mínimos e 77% se declararam brancos.

Alguma dúvida do grau de ódio e intolerância exercidos em tais domingueiras?



Tais domingueiras eram eventos de massa com marketing e público alvo bem definidos. E recurso financeiros para planejamento, divulgação e realização.

O estrato da população alvo dessas ações – o macho adulto branco – foi e continua sendo submetido a um experimento de dominação e manipulação cultural e ideológica que só encontra paralelo no nazismo.

Foi lhe dado um inimigo que seja responsabilizado por todos os seus fracassos e frustrações. E o ódio e intolerância decorrentes foram devidamente justificados. Seriam resultados da revolta dos “homens de bem” contra uma sociedade corrupta. O autoengano é uma poderosa ferramenta de persuasão e convencimento.

Pouco importa se a realidade o negue. Aceitar a realidade seria aceitar seu novo papel na sociedade e este é menor, na sua visão.

Seus heróis não se submetem a nada- são o próprio poder salvador e conservador.



Sob tal nível de pressão, o macho branco adulto é um ser em crise. Rebaixado em seu status social, frustrado e inseguro – mas convencido que sua missão é salvar a nação – a violência foi sua reposta.

Inicialmente a violência praticada contra indivíduos associados com a esquerda – foi saudado como alguém com consciência política. Agora a violência praticada contra a própria família. Essa não encontra saudações – mas uma hipócrita compreensão.

O macho branco adulto é mais um dos problemas que esta Nação tem de resolver em seu processo civilizatório.



PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia matando um leão a cada dia.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A versão e o fato - Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)


De uma coisa todos temos certeza, Dilma não está sendo afastada do governo por ter cometido qualquer crime de responsabilidade, mesmo porque os decretos e as tais pedaladas nem sequer podem ser tipificados como tal.

A verdadeira razão é política, aguçada por motivação ideológica e preconceito machista.

Querem destruir o legado de avanços políticos construído nos últimos 13 anos e mudar radicalmente o rumo da economia e da política; impedir que uma ideologia de centro-esquerda se viabilize como alternativa de poder e solapar a primeira mulher a presidir o Brasil, reforçando o estigma de que as mulheres devem ser apenas "belas, recatadas e do lar".

Por esse motivo, os defensores do golpe se apegam ao chamado "conjunto da obra". Alegam que Dilma governou de modo irresponsável, que teria feito uma verdadeira farra fiscal, levando o país à ruína financeira. Na prática, propõem um voto de desconfiança, que não se aplica ao presidencialismo.

Coerência é que o menos importa. Se um deficit primário de R$ 90 bilhões no governo Dilma era irresponsabilidade, é absolutamente normal aprovar um deficit de R$ 170 bilhões para o interino Michel Temer (PMDB).

O malabarismo retórico, entretanto, não se sustenta quando confrontados com os números do IBGE relativos ao Brasil real de 2016 e 2002 do governo de Fernando Henrique Cardoso. Vejamos.

O investimento estrangeiro direto foi de R$ 72 bilhões no governo Dilma (abril/2016), contra mirrados R$ 14 bilhões no de FHC (2002).

As reservas cambiais, mecanismo que garante nossa solidez financeira, saltaram de R$ 37 bilhões com FHC para R$ 376 bilhões com Dilma.

A taxa anual de inflação era 12,53% (2002) com FHC e 10,67% com Dilma (2015).

A taxa básica de juros era 19,1% na era FHC e 14% no governo Dilma.

Sobre a taxa de desemprego, em torno de 11,5% da população economicamente ativa estava desempregada no fim do governo FHC, contra 9,28% no governo Dilma (abril/2016).

Se os indicadores macroeconômicos falam a favor de Dilma, os sociais são avassaladores: expansão das universidades públicas; 36 milhões de brasileiros saíram da situação de extrema pobreza; e o crescimento real de 76% do valor do salário mínimo.

Assim como Dilma, FHC também enfrentou uma forte crise econômica internacional que abalou a economia do país, mas teve um tratamento muito diferenciado por parte do Congresso Nacional. Em apenas seis meses aprovou todas as suas medidas, inclusive a CPMF. A Dilma restaram a traição, as armações, a pauta bomba, cujo objetivo era assaltar o governo para abrir caminho à velha, derrotada e superada política neoliberal.      

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vanessa-grazziotin/2016/08/1803330-a-versao-e-o-fato.shtml

quarta-feira, 11 de março de 2015

É preciso “coragem” para chamar uma mulher de “vaca” da janela do prédio 1345 - Blog do Leonardo Sakamoto


Blog do Leonardo Sakamoto
Uol, 08/03/2015 às 21:40
Durante o pronunciamento de Dilma Rousseff, em cadeia nacional de rádio e TV, na noite deste
domingo (8), um panelaço foi ouvido em várias cidades brasileiras. Em São Paulo, o barulho foi grande em bairros ricos como Higienópolis, Jardins, Itaim Bibi, Perdizes, Vila Madalena, Morumbi.

Por outro lado, quase nada se ouviu em bairros mais pobres, como Capão Redondo, Itaim Paulista, Cidade Tiradentes e Grajaú.

Particularmente, não gostei do pronunciamento. Achei que não respondeu às principais indagações
sobre a condução do governo. E não estou falando apenas da parte do combate à corrupção, mas sim de questões de manutenção de direitos trabalhistas e do desenvolvimento econômico.

E, particularmente, não tenho nada contra vaias (a menos que sejam durante a execução de hinos
nacionais de outros países em jogos de Copa do Mundo – aquele episódio foi ridículo…). Também não tenho nada contra panelas que estrilam (só espero que se forem de teflon, que tenham usado colher-de-pau, porque risca).

Essas coisas fazem parte da democracia. E políticos, se gostam de elogios, devem aprender a conviver com críticas.

Mas é preciso muita coragem para gritar a plenos pulmões que alguém é “vaca'' da janela do
apartamento, com todos os vizinhos e os transeuntes na rua olhando.  Coragem ou a certeza de que nada vai acontecer. Porque talvez a pessoa saiba que vivemos em uma sociedade misógina, que premia esse tipo de comportamento. Uma sociedade que é incapaz de fazer críticas ou demonstrar insatisfação e indignação sem apelar para questões de gênero.

Chamar de “vaca'' não é fazer uma análise da honestidade e competência de alguém que ocupa um
cargo público e sim uma forma machista de depreciar uma mulher simplesmente por ser mulher. De
colocá-la no seu “devido lugar'', que é fora da política institucional.

E isso vale para qualquer mulher. De Luciana Genro à Roseana Sarney, de Marina Silva à Kátia Abreu. Pois a origem da truculência masculina percorre todo o espectro político. Da esquerda à direita.  O significado de “vaca'' que os ignóbeis usam não remete aos simpáticos ruminantes. Se assim fosse, seria apenas especismo da minha parte reclamar da comparação. Mas o termo, neste caso, quer rotular através de uma crítica moral sobre um comportamento sexual atrelado a um gênero. Tanto que a versão masculina (“touro'') não é depreciativo, pelo contrario.

É meio ridículo explicar a adultos que mulheres, em nenhuma hipótese, devem ser criticadas por esse
ponto de vista. Ou chamadas de “prostitutas'' como xingamento genérico a qualquer comportamento
em desacordo com o que se “espera'' de uma “mulher de bem''. E que prostitutas continuem a serem
reduzidas a xingamento e não tratadas com o mesmo respeito despendido a qualquer outra
trabalhadora. E que alguém ainda tenha a cara-de-pau de usar a expressão “mulher de bem''. E que eu
esteja escrevendo um texto sobre isso a esta hora, em um domingo à noite, quando poderia estar
assistindo aos gols da rodada.

Fico imaginando se alguns dos marmanjos e mesmo das mulheres que gritaram “vaca'' da janela de
casa, celebraram com suas mães, esposa e amigas, algumas horas antes, o Dia Internacional das
Mulheres, comemorado neste 8 de março. A quantidade de mulheres na política, independentemente de sua orientação ideológica, infelizmente é pequena. Mas elas também estão sub-representadas como CEOs, executivas, gerentes, síndicas de condomínios. Isso sem falar das chefias de redação. E o Judiciário ainda transpira machismo, haja visto as interpretações distorcidas proferidas por arautos da masculinidade de toga sobre a Lei Maria da Penha.

Como já contei aqui neste espaço, nas manifestações de junho de 2013, abordei educadamente um
rapaz que carregava um cartaz chamando Dilma de “vaca”. Pedi desculpas pela intromissão, mas
expliquei que o protesto dele seria muito mais legítimo se ele usasse um termo para criticá-la que não
fosse tão machista. Poderia questionar a idoneidade, a moral, a competência, a capacidade para o cargo  e um sem número de coisas. Ele entendeu, ficou sem graça e disse que tinha escolhido só porque rimava com o restante da ideia.

Contudo, um senhor mais velho que o acompanhava afirmou que ela era mesmo uma “vaca”. Ele disse que sabia disso porque que era professor universitário de história e havia estudado a vida de Dilma e podia atestar que ela é uma “vaca” (WTF?). As novas gerações até tentam, mas o ranço de naftalina insiste em manter os direitos como artigo de luxo.

É o que eu já disse aqui antes: todos nós, homens, de esquerda, de direita, de centro, somos sim
inimigos até que sejamos educados para o contrário. E tendo em vista a formação que tivemos, é um
longo caminho até alcançarmos um mínimo de decência para com o sexo oposto. E não confundir o
justo protesto com o bizarro machismo.

(E para quem tem dificuldade estrutural com interpretação de texto, o gabarito: isso não é uma defesa
da Dilma, isso é uma crítica ao machismo.)

domingo, 8 de março de 2015

Viva o Dia Internacional da Mulher! Leiam a Revista Mulher de Classe, da CTB

Parabéns a todas as mulheres no seu Dia Internacional da Mulher, data criada pelas mulheres socialistas, trabalhadoras, ao longo da secular luta por sua emancipação e a de todo o gênero humano, emancipação das cadeias do machismo e também do sexismo, emancipação do capitalismo!
Nesse dia, como homenagem, passo para todos a Revista Mulher de Classe, uma iniciativa da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, instrumento fundamental para reafirmar que esse dia não é um dia de consumo, mas de luta e celebração de vitórias, como a vitória de sermos pela segunda vez governados pela Presidenta Dilma, uma figura feminina que encarna as maiores aspirações de nosso povo pela soberania, pela democracia, pelo desenvolvimento!

Viva o Dia Internacional das Mulheres!!!

  • Secretária de Mulheres da CTB avalia o seu primeiro ano de gestão - Ivânia Pereira
  • Artigo: A Invisibilidade da Mulher Negra no Mercado de Trabalho - Mônica Custódio
  • A luta das trabalhadoras domésticas por direitos - Domésticas Cidadãs - Lucileide Mafra Reis
  • Patriarcado e Capitalismo: elos de opressão das mulheres - Lúcia Rincón
  • Margaridas se preparam  para a maior marcha de todos os tempos
  • Entrevista com Maria Elizabeth Guimarães, presidenta do Superior Tribunal Militar
  • Poder Feminino - Érika Ceconi 
  • A Luta Feminina por Direitos na França - Jenny Dauvergne
  • A emancipação da mulher na América Latina - Laura Porcel
  • Formando lideranças
  • femininas - Celina Arêas
  • Por uma educação não sexista! - Marilene Betros
  • “Educação é a salvação do país”, diz Leci Brandão


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

3ª Conferencia de Políticas para Mulheres do DF - participe!

3ª Conferencia de Políticas para Mulheres do DF:


Com o objetivo de discutir e elaborar políticas públicas voltadas à construção da igualdade, tendo como perspectiva o fortalecimento da autonomia econômica, social, cultural e política das mulheres, contribuindo para a erradicação da extrema pobreza e para o exercício pleno da cidadania das mulheres no DF, está convocada a 3ª Conferência Distrital de Políticas para as Mulheres, que acontecerá nos dias 21, 22 e 23 de outubro de 2011, no Museu Nacional Honestino Guimarães, em Brasília. 

 Regimento 3ª Conferência Distrital de Políticas para Mulheres

A 3ª Conferência Distrital de Políticas para as Mulheres será precedida de quatro etapas regionais, sendo que o horário de credenciamento será das 8h às 9h, com abertura dos trabalhos às 9h, para as conferências matutinas e das 13h às 14h, com abertura dos trabalhos às 14h, para as conferências vespertinas: 

08 de outubro de 2011 

MANHÃ - Conferência Regional I – em Ceilândia (Águas Claras, Brazlândia, Ceilândia, Riacho Fundo I, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires); 

TARDE - Conferência Regional II – no Gama (Gama, Recanto das Emas, Riacho Fundo II e Santa Maria); 

 

15 de outubro de 2011 

MANHÃ - Conferência Regional III – em Brasília (Brasília, Candangolândia, Cruzeiro, Jardim Botânico, Núcleo Bandeirante, São Sebastião, SCIA, SIA, Lago Sul e Norte, Sudoeste-Octogonal e Varjão); 

TARDE -. Conferência Regional IV – em Planaltina (Itapoã, Paranoá, Planaltina, Sobradinho I e Sobradinho II).

Poderão ainda ocorrer conferências temáticas (livres), entre 15 de setembro e 14 de outubro, desde que estas tenham a participação mínima de 15 mulheres e seja comunicada à Comissão de Organização com a antecedência mínima de 72 horas. As conferências temáticas não elegem delegadas.

Para participar da etapa distrital é obrigatório ter participado em, pelo menos, uma das etapas regionais.

Para garantir a mais ampla participação, a comissão organizadora está trabalhando para assegurar recursos de acessibilidade e permanência, como atendimento de recreação às crianças e transporte gratuito nas cidades.

Solicite mais informações pelo e-mail conferenciamulheresdf2011@gmail.com .

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