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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Nossos peitos, nossos braços são muralhas do Brasil! - Paulo Vinícius da Silva

 

Essa bandeira sempre foi nossa!


"Não temais ímpias falanges

  que apresentam face hostil.

Vossos peitos, vossos braços

são muralhas do Brasil!"

Hino da independência do Brasil, Evaristo da Veiga (letra), D. Pedro I (melodia)


O dinamitar da ordem mundial pactuada ao fim da Segunda Guerra segue a desafiar nosso entendimento, sob a batuta de Donald Trump, abusador, delinquente, chantagista, sequestrador e perigoso detentor de arsenal nuclear capaz de acabar com o mundo inúmeras vezes. A ordem multipolar não significa propriamente "ordem", a guerra é a realidade da época. O que não se sabe é se evoluirá para uma confrontação geral e nuclear ou se haverá um acordo amplíssimo, a exemplo do proposto pelo Presidente da China Xi Jinping em seu discurso no Fórum Econômico de Davos em 25/01/2021, "Que o multilateralismo ilumine o caminho da humanidade". Sim, como alertáva-nos Fidel, o futuro da espécie humana está em risco. São tantos os fatores destrutivos a ameaçar-nos que não é fácil manter uma atitude esperançosa. Contudo, é a própria decadência do imperialismo estadunidense a medida dos seus limites, de seu desespero e das possibilidades de termos mudanças, inclusive nos EUA, que apontem outro caminho que não a mútua destruição assegurada.

Recordo-me da expressão de João Amazonas sobre o século XXI, que seria no princípio mais trevas do que luz, e que somando-se as luzes que surgiriam aqui e ali, poderíamos viver um período de grandes esperanças, que é a própria perspectiva socialista, a conciliação da vida do ser humano com o planeta Terra, em busca da harmonia, ou ao menos da sobrevivência do gênero humano e do ecossistema tão maltratado. Mas é preciso defender tão pouca luz diante de tanta treva, e nisso nos estimulam os exemplos de Lula, mas também de Nicolás Maduro, com sua tranquilidade de esfinge mesmo sequestrado pelo imperialimo, como experiente motorista de ônibus que é, sangue frio, que mostra como há que se desviar dos problemas, não apenas confrontá-los. Não está morto quem peleia.

O "novo normal" de Trump é inaceitável, e visa a alargar os limites de ação do imperialismo estadunidense, tem natureza didática e exemplar. Com as big techs a seu serviço, suas ações violadoras da soberania das nações se somam ao que o Partido Democratas fez com a sua hipocrisia, com a Guerra ao Terror e a defesa do "feminismo" e da "democracia" que chega com as tropas estadunidenses. Trump testa os limites e arma seus instrumentos no interior das nações. 

Lula mais uma vez foi campeão na leitura do sentimento do povo e dos perigos que enfrentamos. Ao zombar do Bananinha com a célebre mofa "Ô Trampi, defende meu pai!", armou o povo brasileiro para a defesa da soberania. Mas, seja no Brasil, no Irã, na Venezuela, em Cuba, o exemplo foi dado, e vemos como a denúncia desses traidores das nações em que vivem é decisiva para afirmar as frentes amplas que isolem o inimigo principal, que é o imperialismo estadunidense, o fascismo, e que possui como ponta de lança as Big techs e o rentismo parasitário. 

Esse bloco histórico do 1% que quer lucrar com o fim do mundo precisa ser isolado, e os cordões que Trump puxa são exatamente aqueles que em cada país, clamam: "ô Trampi", "defende a Venezuela", "bombardeia a Baía de Guanabara", "defende a democracia e as mulheres no Irã", promovendo a traição nacional descarada como posição política legítima - que não é. Assim como a extrema direita ganhou espaço no campo político, o "jalabolismo macunche" denunciado por Chávez, ou em tradução livre, o "babaovismo fuleragem" dos lambe-botas do imperialismo, inimigos de seu próprio povo, traidores, Silvérios dos Reis, que querem ter legitimidade para crimes de lesa-pátria, terrorismo, subversão armada contra a democracia, assassinatos e conspiração com potência estrangeira para nos impôr um neocolonialismo descarado. 

Tanto é falsa a polarização entre extrema-direita x esquerda, quanto é ilegítima a posição dos traidores da Nação. A extrema direita se opõe à democracia, e não apenas à esquerda. Por isso a Frente Ampla é incontornável, na defesa da democracia e da Nação Brasileira, ameaçadas. Crime de lesa-pátria não é posição política legítima. Pior, na Constituição de 1988 e no Brasil, são crimes de lesa-pátria os únicos que admitem a possibilidade de pena de morte, em caso de guerra, em conluio com potência estrangeira.

Então, abusador como é, alhures e aqui, Trump avança os limites para violar o que não deve ser admitido jamais, e encontra quem lhe dê guarida, aberta ou veladamente. É preciso desmascarar essa súcia, é preciso unir o povo, é preciso transcender do individualismo perverso e irracional, do medo e do ódio, para alcançar o sentimento de coletivo, fratria, pátria, que nos países subdesenvolvidos é inseparável da defesa do multilateralismo, da solidariedade, razão pela qual a luta pela soberania representa o proletariado, e não o ufanismo de direita. Essa é a diferença entre o nacionalismo de mentira de um Bolsonaro e a defesa do Brasil pelo Presidente Lula. A Nação é o Povo.

É preciso defender a soberania do Brasil e dos povos do mundo. Não podemos jamais atribuir ao imperialismo estadunidense a possibilidade de intervir em qualquer país, seja sob que pretexto for. E é preciso tomar lições sobre o eixo da defesa da soberania e da paz, diante de quem resiste ao imperialismo, assim como tirar lições do que pode acontecer com o Brasil, se ignorarmos os perigos diante de nós. A Líbia, o Haiti, a Palestina e a Síria nos demonstram o que se prepara para o Brasil. Ao mesmo tempo, vemos que é possível resistir.

Ao contrário do que muitos creram e divulgaram, o imperialismo não tem vida fácil em suas ações criminosas. Trump busca juntar a blitzkrieg - guerra relâmpago - e as mentiras dessa época, com o apoio dos "mercados" para dobrar as Nações. Propaga o pessimismo, o babaovismo, as mentiras e a ignorância, a impressão que não é possível resistir aos seus intentos de abuso, violação, que sequer se deve gritar, muito menos reagir, quando é precisamente do que se trata. Mas quebrou a cara três vezes.

Na Venezuela, longe de atemorizar, tocou os brios do povo que há tantos anos resiste ao bloqueio, à mentira e às agressões. No Irã, aproveitando-se das dificuldades que causa ao povo iraniano, não hesitou em infiltrar MOSSAD e a CIA, injetar dinheiro, promover o terrorismo e assassinar pessoas para derrubar a República Islâmica e devastar o país. E em Cuba, suas ameaças e bravatas não encontraram eco, pois a Revolução Cubana e seu líder, Díaz-Canel, há tempos tem sabido esclarecer ao seu povo do que se trata. É Pátria ou Morte.

Também o Brasil enfrenta esse desafio existencial. Também aqui se alimentam os traidores da Nação a cumprir o triste papel de conspirar contra nosso próprio povo. E querem ser aceitos como se fizessem política, como se não cometessem crimes, como os promovidos no 8/1/2023, entre atos terroristas, depredação de patrimônios nacionais, ações armadas, mentiras, conspirações e sabotagem da democracia em aliança com potência estrangeira. Eles mostram que não há limites, que têm lado. Não devemos ignorar, muito menos crer que os limites da nossa democracia mutilada são suficientes para os enfrentar. É preciso lançar pontes para a undade do povo.

Em todos esses países que conseguiram resistir até o momento ao acosso imperialista para destruir as suas nações, vemos que se impôs a vontade do povo nas ruas, aos milhões, mobilizado por frentes políticas e sociais firmemente entranhadas nos territórios e no coração das multidões. Não apenas um partido, ou o movimento sindical, ou os instrumentos da democracia burguesa, não apenas a representação. Há uma unidade superior que desarma mesmo a direita e a oposição, e arma de política as amplas massas populares, que passam a se ver como povo, como Nação. E são pautas civilizatórias aquelas que inserem a classe trabalhadora, mulheres, negros, a população LGBTQIAPN+ como legítimos filhos da Nação Brasileira, merecedores de direitos e deveres iguais. 

Diz-nos o nosso Hino da Independência o que Venezuela, Cuba e Irã fizeram na prática, vencendo tudo, impedindo a destruição e a entrega de suas nações aos canalhas traidores. O Brasil também o ensaiou, a despeito da desarticulação de que padece o campo popular. Nós também temos um líder - ainda. Nós também temos um povo. Mas precisaremos de uma sólida unidade entre as forças de esquerda para resisitirmos a tanto poder, tanta mentira, tanta violência. E ao defender nossa Nação, reelegendo o presidente Lula e mudando o Congresso, transcenderemos os interesses particulares, unindo as forças consequentes e necessárias na luta contra o imperialismo, em especial as forças populares, a frente popular. Assim contribuiremos para a paz, para o multilateralismo, para tempos de grandes esperanças. Nossos peitos, nossos braços são muralhas do Brasil.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

A que será que se destina? Artigo na Tribuna de Debates do 16º Congresso do PCdoB - Paulo Vinícius da Silva

Com Eduardo Navarro e Nivaldo Santana em Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília

Paulo Vinícius Santos da Silva (PV)
Data: 27/08/2025


O PCdoB tem razão de existir? Tem, existe, e vive!

Já o Capitalismo, agoniza face a crises que o lucro não resolve; e apela ao fascismo. Surpreendentemente, as ideias socialistas ganham espaço até nas redes sociais, um “reality show” para os 1% mais ricos, donos das bigtechs. A propaganda e o algoritmo são gringos, direitistas, monetizam o ódio, leem a alma; excluem e segregam a esquerda. Mais que mercadorias, ofertam valores estruturados pelo big data. A “realidade” é a telinha e o perfil sou eu?! Sob essa matriz, a IA só agrava a ameaça distópica.

Isso mexe conosco. A economia comportamental mapeia fragilidades e personaliza o estímulo ao consumismo e à adicção. Não é para satisfazer, é para criar necessidades esse grande jogo do tigrinho. Não tenhamos ilusões com a panaceia das redes sociais, sem nossa soberania. Na China, as redes salvaram vidas na época da COVID. No Brasil, espalharam desinformação e morte. Não podemos pensar como usuários, mas como leninistas e hackers.

O “espectro do comunismo” segue o grande adversário, combatido com a nova propaganda nazi digital, incluindo a confusão, com comunismo e socialismo para todo gosto.

O PCdoB deve disputar o sentido de ser comunista, unir os comunistas dispersos e captar política e eleitoralmente os simpatizantes do socialismo. Devemos lançar um amplo movimento de formação de bases, com fixação renovada dos quadros no território para mapear e unir o que há de mais avançado da Frente Ampla. Ser mais comunista e do Brasil é o que pode nos levar a vencer, e para um novo desenvolvimento com valorização do trabalho, aproveitar a conjunção histórica da ascensão da China e do mundo multipolar, ainda com o Presidente Lula.

Mas, existir significa alguns defeitos naturais, o erro, o oportunismo, a divisão e a autonomização de interesses, em prejuízo do coletivo. Existir é pouco… “a que será que se destina?” A razão de o PCdoB ter se mantido e ampliado é uma só: a grande política.

Devemos muito à geração da Conferência da Mantiqueira (1943). Depois, na maré baixa (1964), resistiu o PCdoB com galhardia, liderado por Amazonas, Pomar, Grabois e Arruda. Em plena Ditadura, a Ação Popular deu vida nova ao Partido da Guerrilha do Araguaia. Amazonas apostou em Tancredo e em Lula e na Frente Brasil Popular, já nos anos 1980. Sustentamos a foice e o martelo.

Mas quando o imperialismo nos atacou na Guerra Híbrida (2013), nós não detivemos o Golpe contra a Presidenta Dilma. A história mostra a insuficiência das instituições da democracia burguesa para vencer o fascismo. Só a máxima concentração de forças e grande amplitude permitem vencer o fascismo. Nosso lugar é junto à classe trabalhadora e à juventude. A ação institucional, a luta social, tudo deve estar conectado à linha política. Sem o Partido, não há liga. Sem a classe, o Partido se debilita. Resistir mesmo, é renovar, é cumprir o deliberado.

Já no fim de 2018, a incorporação do PPL foi o Drible da Vaca na Cláusula de Barreira. No movimento sindical, a fusão CTB/CGTB, apontou o caminho da união classista e com todas as centrais contra o fascismo. Somos pioneiros na ideia de Frente Ampla e esteio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV).

Em meio a esse esforço, sobre fio de navalha e sob ataque, houve sentidas vacilações. Tanto pelo deslumbramento com a institucionalidade e o defensismo, quanto por defecções de quadros sob argumentos que não esperaram o Congresso. Isso se somou ao mau resultado eleitoral, pondo em xeque o Partido. Não destrói o partido comunista perda de eleição, mas erros políticos e organizativos no curso da luta; a repressão, a descaracterização, a divisão, a falta de comunistas, o envelhecimento de ideias e pessoas. É a linha política que une e aponta a direção.

Contudo, o tal tripé é torto, a institucionalidade enquadra geral…E é natural uma aliança tácita entre institucionalidade e burocracia. Mas quando o fascismo vem pra cima, tem de ter povo pra vencer, e ainda precisa de um Lula. Como João Amazonas, jamais podemos descuidar da juventude e dos trabalhadores. Se defendemos a pirâmide invertida e o continuísmo, se a base sequer escolhe quem a representa na sua área/categoria, para que ela serve?

Quem limita e corrige a institucionalidade? O Partido deve dirigir seus mandatos parlamentares, não o contrário. Precisamos enfrentar debilidades gritantes já decididas, na organização, na luta de ideias e na luta popular, para chegar a 2026 unidos pela disputa à Câmara com as melhores candidaturas, e assim somar com a 4ª vitória de Lula. Precisamos acelerar a marcha e dar a cara. Mais que concentrar, é preciso unir. É preciso prioridade para o Partido.

Não nos faltam sentido e lugar ante a encruzilhada histórica. Hoje, nosso papel desejável é maior que nossas forças. Só venceremos se formos mais comunistas: acertar na política, unir o povo e libertar o Brasil. Na costura da unidade e no caminho, o PCdoB é imprescindível. A bússola deve ser a defesa mais consequente do Brasil, da democracia e do Socialismo.

Com muito trabalho e a sorte do Lula, PT, PCdoB, PV, PSB e PSOL podem reforçar a Frente Ampla, e dentro dela construir a Frente Popular, retomar as ruas e abrir um novo ciclo em 2026. As possibilidades de organizar o povo e a classe trabalhadora são imensas em um ambiente democrático, com unidade, formalização e crescimento econômico. Podemos encontrar esses caminhos, como no passado, com os Fóruns Sociais. Não desisto de ver o socialismo.

Mas, como perguntou o governador da Bahia, Jerônimo de Sousa, no 9° Encontro Sindical (2023): Cadê os jovens?!


Leia também: A guerra híbrida como chacina e traição nacional

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

ATO POLÍTICO da 27ª Conferência do PCdoB Cearense, Sábado, 10h na UECE


🚩 27ª Conferência Estadual do PCdoB Ceará

🗓 20 e 21 de setembro de 2025
📍 Auditório Central da Universidade Estadual do Ceará – Campus Itaperi

📌 Programação

Sábado, 20/09/25
8h00 – Credenciamento
9h00 – Início da Conferência
9h30 – Votação do Regimento
10h00 – Ato Político da 27ª Conferência do PCdoB Ceará
Apresentação dos documentos do 16º Congresso e da 27ª Conferência, seguida de debate em plenário.


Domingo, 21/09/25
9h00 às 18h00 – Continuidade dos debates
Eleição do novo Comitê Estadual e da delegação cearense ao 16º Congresso Nacional do PCdoB.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Artigos na Tribuna de Debates do 16 Congresso do PCdoB - Página com os links dos artigos até 21 de agosto

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