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domingo, 30 de abril de 2017

1º de Maio da CTB no DF será apoiando o 4º Sarau dos Trabalhadores(as) no Gama - Participe!




A Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil, o PCdoB do Gama, o Espaço Semente, os artistas, sindicalistas, a juventude organizada preparam o Primeiro de Maia no Gama com um lindo sarau, ato político, poético e musical em defesa da Classe Trabalhadora, ameaçada pelo Golpe, pelas Deformas Trabalhistas e da Previdência e pela Terceirização ilimitada. #ForaTemer

Programação

12h às 13h - DJ Altervir e seus Comparsas
13h às 14h - Jairo Mendonça/Mônica Costa
14h às 15h - Manoel Pretto
15h às 16h - Cleyson Batah
16h às 16:30 - Ato Político
16:30 às 17h - Jenis Bragança
17h às 18h - Zé Miguel
18h às 19h - Banda Mungunzá
Inserção poéticas entre as apresentações musicais

Adequado para Crianças
Entrada gratuita

Para você chegar ao Espaço Semente, que receberá o Primeiro de Maio, Sarau do Trabalhador e Trabakhadora, no Gama, ao lado da Rodoviária do Gama https://goo.gl/maps/28upGYzHvM82

sábado, 1 de abril de 2017

Nas ruas de Fortaleza e os caminhos da vitória do povo - Paulo Vinícius Silva

Tinha comprado uma passagem para Fortaleza, antes de baterem martelo no dia 31, como preparação da Greve Geral. E pude me somar à passeata alencarina, com mais de 20 mil pessoas, outra vez a andar pelos mesmos percursos que percorrera desde 1991. Que emoção.
Tantos lutadores e lutadoras de décadas, que me viram adolescente, tantos meninos e meninas despertando para a luta, e o filme passando pelas retinas da memória.
Dia de luta, dia de amor, dia de abraços, como tem sido ao longo dos já quase 26 anos de militância que completarei em maio. Cumpre registrar o grato encontro com meu professor de Geografia da 8a. série, professor Cícero, que nos pedira um trabalho escolar sobre a Ditadura Militar, instalada no fatídico 31 de março de 1964. Tal dever de casa me levou à pesquisa e à sede do PCdoB, ainda na rua São Paulo, em 1991, onde entrevistei o camarada Cabo Chico, e tudo começou.

Tive a alegria de rever esse meu professor, conhecer seu jovem filho, em meio à greve nacional da CNTE, nas ruas. E lembrar do que fui e me tornei, com grata satisfação.

Aproveito a oportunidade para refletir sobre a atividade, que expressa um grande capital da esquerda cearense, com lições para a mobilização popular que estamos a construir, ainda em um cenário bastante adverso. Nesse contexto, a mobilização cearense reuniu as virtudes mais importantes que, creio, necessitamos para esse tipo de ato e para o período atual, daí a razão do presente artigo.
Ao longo da marcha, pude encontrar militantes de 20, 30 anos de luta, e inclusive das gerações precedentes. Dirigiram a mobilização a partir de carros de som organizados ao longo da marcha, presentes as principais organizações de luta do povo cearense, com grande unidade. As centrais sindicais (CUT, CTB e INTERSINDICAL, CGTB, CONLUTAS) dirigiram a concentração, o trajeto e o ato final, sem exclusões, mas respeitando a amplíssima diversidade. Estudantes, trabalhadores(as), sem-teto, sem-terra, mulheres, religiosos, e a presença dos militantes do PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSTU,  PPL, o MAIS e até os resistentes de luta que ainda restam no PSB, e a UJS e Levante, e inclusive organizações menores e peculiares, como a turma do Crítica Radical estavam ombro a ombro. Esse exemplo de unidade sincera e sem hegemonismo blinda a mobilização popular e dá um sinal imensamente positivo para a população.

Destaco também a organização da atividade. As alas claramente definidas ao longo do cortejo, reunindo categorias, movimentos e organizações políticas (bancários, professores, saúde, estudantes, juventudes, centrais), o que se somava à própria presença física dos e das dirigentes dos movimentos, assegurando estabilidade, clareza de palavras de ordem, coesão na marcha e segurança, prevenindo a ação de provocadores e infiltrados, tornando o ato muito mais seguro, sem expor os manifestantes a ações policiais. Certamente, o governo estadual em mãos progressistas minimiza - ainda que existam problemas - esses riscos. Mas o movimento estava pronto e organizado, mesmo para uma situação adversa, que não houve.
Destacaria, ademais, o foco definido dos alvos e dos caminhos desta luta. Afinal, a mobilização popular precisa não apenas da força das ruas; carece decerto de caminhos claros, de perspectiva para o atingimento dos objetivos. Assim, o ato de Fortaleza serviu como ampla divulgação da Greve Geral convocada para o dia 28 de abril e, ao mesmo tempo, focou nos deputados que votaram contra o povo, apontando a pressão sobre o Congresso, a luta do Fora Temer e a defesa da democracia, do Brasil e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Uma ala com grandes "pirulitos" expunha a carranca dos que jamais deveriam poder votar contra o povo no Congresso.

E, finalmente, a irreverência, o canto, as palavras de ordem, a bandinha tão característica das mobilizações do povo cearense, as figuras folclóricas que marcam a vida do centro e interagem com o ato, os cartazes feitos por populares, a dinâmica cultural, irreverente, o ar moleque - no bom sentido da cearensidade -, que fez dessa marcha um ato de rebeldia, mas prenhe de esperança; cheio de indignação, mas afirmando a beleza; unitário, mas expressão da força da diversidade. De fato, essas características, na medida em que fundadas numa sólida unidade, puderam aflorar plenamente, causando esse sentimento de "quero mais", da alegria e da beleza da luta, tão necessários em tempos difíceis como os que ora vivemos. Por isso, penso devamos nos inspirar nesse método, muito anterior ao povo estar na rua, fruto de um desejo sincero de unidade, da consciência da adversidade, da responsabilidade da esquerda, de democratas e patriotas. Na prática, as reuniões prévias das frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e das Centrais Sindicais asseguraram o êxito.
Há tanto por que lutar, tanto a defender, tanto a avançar!  O dia 31 de março na Terra da Luz ilumina o caminho a seguir, a despeito destes trevosos tempos, no rumo da vitória do povo contra o governo golpista, entreguista, inimigo do povo de Mister #ForaTemer.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Justiça autoriza técnicas de tortura para forçar desocupações no DF - UBES

Justiça autoriza técnicas de tortura para forçar desocupações no DF Com cortes de luz e água, isolamento físico e privação de alimentos, policiais fazem reintegração em escolas   http://ubes.org.br/2016/justica-autoriza-tecnicas-de-tortura-para-forcar-desocupacoes-no-df/#sthash.bXO9sjhU.dpuf




O governo do Distrito Federal realizou na manhã desta quinta-feira (3/11), no Centro Educacional Gisno, na Asa Norte, reintegração de posse usando técnicas de tortura para “restrição à habitabilidade” das escolas. A ação foi determinada pelo juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, com estratégias semelhantes às utilizadas no período da ditadura militar para reprimir e amedrontar secundaristas.

Durante a ação, os estudantes denunciaram pelas redes sociais o abuso de poder da polícia militar. “No momento estamos cercados. A princípio havia uma viatura do Bope na frente da nossa instituição. Som alto na frente da escola. Cortaram a luz. Estão andando pelos corredores. Avistados com armas nas mãos”, diz publicação.

A tática repressora acontece também no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, na Asa Sul. Em relato, estudantes contam que após quatros horas de isolamento dos portões de entrada do colégio, com três camburões da polícia, o oficial de Justiça informou a ação de reintegração.

“Informaram às 14hs que, se não desocuparmos em uma hora, haveria invasão. É assustador, porque a repressão que sempre vimos da polícia na rua, agora está dentro da escola. Estamos presenciando a repressão aos estudantes, à educação, usando essa perturbação psicológica para acabar com a nossa luta contra a MP 746 e a PEC 55”, conta o secundarista do 2º ano, Marcelo Acácio.
ORDEM JUDICIAL VIOLENTA

Apesar das ocupações ocorrerem pacificamente no DF, o mecanismo de repressão foi deferido pelo juiz no domingo (30), que expediu a decisão de reintegração a partir da ação no Centro de Ensino Asa Branca (Cemab). Entre os abusos está a suspensão da entrada de alimentos, corte do fornecimento de água e energia, utilização de instrumentos sonoros para que os ocupantes não conseguissem dormir.

A decisão judicial inclui o uso de técnicas como corte de gás das unidades de ensino; restrição ao acesso de familiares e amigos, inclusive que estejam levando alimentos aos estudantes. O juiz ainda ressalta que tais medidas ficam mantidas, “independentemente da presença de menores no local”.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, que é Coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho de Direitos Humanos de São Paulo, a decisão é “uma afronta ao próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”. Ele explica que, ao impedir a entrada de alimentos e familiares nas ocupações e de familiares, a ação expõe os jovens à violência, crueldade e opressão. “O juiz está legitimando a tortura. É incompatível que um juiz da infância tenha essas práticas, ilegais, inconstitucionais e que podem configurar crimes de tortura e maus tratos”, diz. A pena por crime de tortura é de reclusão de dois a oito anos, segundo a Lei 9455/1997, que define os crimes de tortura.
ESTUDANTES REPUDIAM REPRESSÃO

Assim como a UBES, a União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), que participa das ocupações, lançou nota de repúdio à liminar e à atuação da polícia militar.

“A PM chega nas escolas causando terror psicológico nos estudantes, isolando as entradas e impedindo os estudantes de sair e entrar na instituição. Duas escolas foram desocupadas em pleno feriado, por pressão e terror psicológicos. Está claro que se trata de Estado de exceção. Todo apoio aos estudantes que ocupam as escolas, resistiremos”, diz nota.

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NOTA DA UBES, UNE E ANPG SOBRE ADIAMENTO DO ENEM





O movimento de ocupações de escolas e universidades tomou o Brasil contra a Medida Provisória 746 da Reforma do Ensino Médio e contra a PEC 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado Federal. Este movimento é claramente legítimo ao sair em defesa intransigente da educação pública, gratuita, de qualidade e inclusiva, e já é vitorioso pela dimensão da sua mobilização – já são mais de 1.200 escolas e institutos federais ocupados, além de 139 universidades em todo o país.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades nacionais representativas dos estudantes, vêm a público condenar o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para os estudantes que fariam provas nas escolas ocupadas. O ato do Ministério da Educação causará transtornos a mais de 190 mil estudantes em 304 locais de prova.

O diálogo poderia ter garantido a realização do ENEM em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC, que desde o princípio ameaçou os estudantes por meio do cancelamento do ENEM e da responsabilização das entidades e ocupantes. Vivemos nas eleições municipais no último final de semana a realização da votação em coexistência com as escolas ocupadas, propiciado pelo diálogo entre a Justiça Eleitoral e os ocupantes. Hoje mesmo aconteceu uma reunião entre o Inep, a Secretaria de Educação de Minas Gerais e os estudantes que chegaram à conclusão que é possível garantir o ENEM no Estado. Seguiremos nos empenhando nesse diálogo torcendo para que a decisão precipitada do MEC possa ser revertida.

É necessário ressaltar que a existência do ENEM é uma conquista do movimento estudantil que lutou em toda a sua história pela democratização da universidade. Por esse motivo, nunca seria o movimento estudantil a impedir a realização das provas, porque sabemos que isso significa a oportunidade de milhares de nós – estudantes de escolas públicas – a ingressarem na universidade. É bom lembrar que vários estudantes ocupantes farão a prova do ENEM.

Reafirmamos com a presente nota a luta contra a MP 746 porque achamos que a Reforma do Ensino Médio não cabe numa medida provisória, queremos ser ouvidos para a necessária reforma, queremos o envolvimento de toda a comunidade acadêmica nesse processo. Queremos que pare a PEC 241 (agora PEC 55 no senado), pois ela congela os investimentos em educação e junto inviabilizam o Plano Nacional de Educação.

Ao adiar a realização do ENEM nas instituições ocupadas para o mês de dezembro, o ministério tenta lamentavelmente colocar os estudantes uns contra os outros, buscando enfraquecer o movimento legítimo das ocupações. No entanto, não terá sucesso. A juventude se ergueu contra o congelamento do seu futuro, vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC e a MP do ensino médio com toda a nossa força. Nossa luta não acabou, segue e se fortalece por meio de novas instituições ocupadas e mobilizadas.

Reivindicamos:

* Pela retirada imediata da MP 746 de reforma do Ensino Médio;
* Pela retomada da discussão do PL 6840/2013 sobre a Reformulação do Ensino Médio, em sua Comissão Especial no Congresso;
* Por um calendário de audiências públicas para discutir e debater a Reformulação do Ensino Médio com a sociedade civil, intelectuais, entidades educacionais;
* Pela não aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241);
* Contra a Lei da mordaça (escola sem partido)


União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
União Nacional dos Estudantes – UNE
Associação Nacional dos Pós-graduandos – ANPG

1º de novembro de 2016

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Associação Juizes para a Democracia denuncia #ViolenciadaPM

A defesa da livre manifestação exige o controle efetivo da atividade policial pelo Ministério Público

A ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA, entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, vem a público externar repúdio e contrariedade em face dos atos de violência e repressão que atentam contra o livre exercício do direito de livre manifestação, ocorridos nos dias que sucedem à deposição da presidenta eleita Dilma Vana Roussef, esperando do Ministério Público o efetivo controle da atividade policial, nos seguintes termos:

1. A livre manifestação do povo encontra guarida no seio do corpo democrático, conforme o art. 5º da Constituição da República, que estabelece ser livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato, podendo se reunir pacificamente em locais abertos ao público, independentemente de autorização, sendo desnecessário registrar, no presente instrumento, o alto custo social pago durante os regimes de exceção para que tal direito fosse erigido à estatura constitucional.

2. Diversos atos e fatos no pós 31 de agosto de 2016 demonstram o total despreparo do braço policial do Estado para a escorreita aplicação e preservação da Constituição da República. Nesse sentido, têm-se notícias de uso indiscriminado de balas de borracha contra manifestantes em geral em diversas cidades; tem-se a notícia de estudante que perdeu a visão do olho esquerdo em São Paulo; tem-se a notícia de advogado preso e agredido, em Caxias do Sul, quando se encontrava no exercício da função de defender cidadãos contra abusos oficiais; tem-se, ainda, a notícia de manifestantes presos mantidos incomunicáveis por várias horas e de agressão gratuita contra pessoas que participavam do ato pacífico ocorrido em São Paulo no dia 4 de setembro, o que foi testemunhado na pele por repórter da BBC Brasil, violentamente atacado por policiais.

3. O uso da força tem se mostrado desproporcional, por todo o Brasil. A violência praticada envolve lançamento de gás, bombas, disparo de balas, ocasionando lesões corporais indiscriminadas de natureza grave e prisões arbitrárias, tudo em desrespeito primário à cidadania e aos direitos fundamentais.

4. A repressão que impede o exercício pleno de tal direito elementar milita contra a Democracia, contra a Constituição, contra o povo, muito especialmente contra os que tombaram na construção da ordem constitucional vigente.

5. É imprescindível, por tudo isso, que o Ministério Público exerça sua função prevista no artigo 129, VII, da Constituição da República, fiscalizando a atividade policial e exigindo, dos responsáveis pelo comando da polícia e dos próprios secretários da segurança e governadores estaduais, o pleno respeito às liberdades democráticas. Espera-se que o Ministério Público exerça tal função considerando que, em uma democracia fundada na promessa de construção de sociedade livre, justa e solidária, como previsto no art. 3º, I, da Constituição da República, o direito de manifestação é garantido não apenas à parcela da população que apoia um determinado grupo político; tal direito assiste aos manifestantes defensores das mais diversas ideologias e agremiações políticas que, sob um regime democrático, deveriam alcançar o poder apenas pelo voto popular.

6. A defesa das liberdades públicas é dever constitucional atribuído a todo sistema de Justiça, inclusive ao Ministério Público na fiscalização da atividade policial. A Associação Juízes para a Democracia reitera que o sistema de Justiça afeto à Constituição é aquele que respeita o direito constitucional de livre manifestação e aceita o pluralismo de ideias. Urge reorientação no sentido de uma inflexão na escalada ascendente de desrespeitos e rupturas constitucionais vivenciadas na quadra atual.

sábado, 3 de setembro de 2016

Dilma venceu Cérbero e nos mostra que venceremos o Golpe - Paulo Vinícius Silva

O Golpe foi consumado, é certo, mas isso não é o fim, a luta continua. E o maior exemplo foi dado pela Presidenta Dilma, a quem coube enfrentar a duríssima batalha que desmoralizou o próprio golpe, e cujo corolário é o fato de ter sido impossível ao Senado cassar-lhe os direitos políticos, a primeira grande vitória na luta contra o golpe. Isso é tanto mais importante quando aprofundamos a compreensão de que o Golpe não se trata da Presidência, apenas, mas da desconstrução dos avanços contidos na CLT, na Constituição de 1988 e na vitória contra a Ditadura, acrescida dos avanços obtidos desde a vitória de Lula à Presidência da República.

Talvez, só a assinatura da Lei Áurea – e há muito o que se questionar sobre o episódio – tenha conferido papel tão decisivo às mulheres na História do Brasil. Mas, desta vez, não há dúvida quanto ao protagonismo, à fidelidade ao lado representado e à coragem encarnadas na Presidenta Dilma. Em tempos de internet e de celulares conectados, expôs-se ao mundo em tempo real a vilania do golpismo. Todavia, o Partido da Imprensa Golpista e nossos erros na própria luta em curso poderiam ter levado à legitimação do golpe.
Dilma no Ato pela democracia no Teatro dos Bancários em Brasília, 24/08/2016 - Foto de Brito Júnior

Trata-se de uma luta heroica, dessas que, para explicar, apelamos aos mitos gregos. O golpe já era realidade há meses. Impediram o voto popular de decidir desde 2014. Para derrubar a Dilma, entregar o Pré-Sal, rasgar os direitos do povo, inviabilizaram seu mandato. A derrota era certa e como é duro posicionar-se diante da derrota anunciada. E nesse ambiente, marcado pela confusão e pelas fragilidades intrínsecas e acessórias à força dirigente do processo, o Partido dos Trabalhadores, Dilma pôs-se de espada e escudo em punho para enfrentar as três cabeças de Cérbero, o mítico cão monstruoso que resguardava os portões do Tártaro, o inferno da mitologia grega, cuja ferocidade se dirigia aos que ansiavam por se livrarem daquela terra de sofrimentos. Reitero: o golpe já fora dado, mas a reação a ele poderia ter sido de tantos modos, que coube à Presidenta Dilma conduzir-nos para esse confronto e ela própria enfrentar a criatura nefasta, por isso é importante entender e tirar as devidas lições do episódio que ilumina a próxima etapa da resistência.
Héracles trazendo Cérbero para Euristeu, 525 AC, atribuido a Aigles, no Museu do Louvre 

A primeira cabeça monstruosa que Dilma enfrentou foi a das mentiras urdidas para legitimar o Golpe. A sessão de mais de 14 horas em que ela enfrentou a súcia do Senado será lembrada na História, e foi a sua atitude, sua postura serena e firme, seu brilho que impediram a farsa de se manter de pé. Um a um, uma a uma, vimos os e as golpistas tombarem diante da verdade pura e simples da ilegitimidade do golpe.

A segunda cabeça monstruosa que Dilma abateu foi a do hegemonismo e da tibieza que se expressaram no anticlímax provocado pelas declarações do Presidente do PT, Rui Falcão, e de quem o apoiou, quando em nome da Frente Brasil Popular, posicionou-se contra as mobilizações levadas a cabo pela Frente Povo Sem Medo no dia 31 de agosto, unicamente porque continham a consigna “Que o Povo Decida”, e a sua inacreditável, reprovável, obtusa e grosseira rejeição à palavra de ordem do Plebiscito após a declaração da própria Presidenta Dilma. Ora, quem é da luta social sabe o efeito devastador que isso teve no último mês de mobilização contra o Golpe. Foi a expressão mais acabada do limite que o hegemonismo impõe à unidade das forças democráticas, patrióticas e dos trabalhadores e trabalhadoras, um tiro no pé na unidade do nosso campo, a razão de pulularem as especulações sobre o apoio do PT à Presidenta Dilma. Aqui, complicou. Poderia ter sido um Deus nos acuda e o anticlímax se sentiu por toda parte.

Mas, Dilma foi unindo ponta a ponta, incorporou a defesa das Diretas como o caminho da pacificação democrática pela afirmação da soberania popular; embalou a primavera feminista como um ascenso de participação que supera a divisão e as correntes. Fez a sua defesa reafirmando a nossa unidade em tudo, superando a esquerda, ampliando as bandeiras para a defesa do campo que se insurge contra o Golpe, da defesa da Democracia, da Soberania ameaçada e dos direitos do povo e da classe trabalhadora. Naquele momento, toda a insegurança, toda a divisão, todo o hegemonismo se mostraram vãos, e um despertar foi ocorrendo por todo o país. Naquele dia, estávamos na Esplanada, e não estávamos triste, não se viam choros. Dilma enfrentara por nós os fantasmas de nossos próprios medos, e matara a segunda cabeça de Cérbero, guardião dos padeceres sem saída, estávamos eletrizados porque unidos, porque na luta, porque acreditamos em nós mesmos e na vitória. Mas este ente organizativo da unidade ainda engatinha. Todavia, as mobilizações espontâneas, ferozmente reprimidas por todo o país são filhos daquela coragem. E sua fala ao final do Golpe abre uma nova onda de mobilizações, indispensáveis nessa fase da resistência. E a luta pelas eleições diretas está no centro, contra o golpismo

Ato contra o Golpe na madrugada de 03/09/2016 em Florianópolis-SC
Já a terceira cabeça do Cérbero que Dilma cortou foi a do ineditismo do seu gesto face à às forças que levaram Getúlio Vargas ao suicídio heroico, Jango ao exílio e à cilada e ao envenenamento. Diante do incontornável padecer, ela nos ensina a valiosa lição da coragem que resta. Ela encarna a coragem de todas as mulheres que, no passado e no presente, desempoderadas, cuidaram sozinhas das famílias, inclusive quando os maridos estavam na luta, na prisão, desaparecidos, e elas estavam na luta sem ribalta, sem estátua, aquela luta do sofrimento diário, sem menções, como a dos agricultores e agricultoras que lavram a terra, como a da clandestinidade que não tem horizonte de se findar, e que obriga, antes de tudo, à sobrevivência com discrição, e à resistência do silêncio face à tortura. Dilma não se matou, não fugiu, sequer tremeu. Seus algozes, outra vez, empalideceram frente aquela firmeza. Ela nos deu a mensagem da sobrevivência. E eles não puderam cassá-la, não puderam.

Exemplos muitos de heroísmo há, de martírios, de superações. Todavia, quantas vezes pudemos contar que uma mulher liderasse um país da dimensão do Brasil, ocupando esse lugar central, e com essa formidável contribuição individual? Procuro e não encontro. Também esse feito ficará na História e terá consequências irresistíveis pelo exemplo que encerra, pelas portas que abre ás mulheres na luta do povo. Poderemos muito mais com as mulheres que Dilma motiva, e com a ternura e admiração que ela inspira em nós, homens, nesse aprendizado do emancipacionismo, tão difícil e tão importante na luta pelo socialismo.

Foi ela quem deu a senda da vitória diante da adversidade. O Golpe não pode expor à luz sua carranca inominável. Estamos unidos. E ela está viva, conosco, e a luta continua, sempre.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ex-ministro Joaquim Barbosa denuncia golpe e defende novas eleições - #ForaTemer #Golpista




Nunca pensei que postaria um vídeo com o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa.
Mas faço-o. A causa da democracia, a denúncia contra o Golpe e o governo do #golpista Michel Temer devem unir o Brasil, e precisamos de uma nova eleição para devolver a soberania popular
a quem de direito, defender a democracia, o Brasil e os direitos do povo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Terra em Transe, de Glauber Rocha, e a posse de Temer



Brasil é Terra em Transe agora
Há quase 50 anos atrás Glauber Rocha já filmava a cena da posse de Michel Temer, no filme Terra em Transe, lançado em maio de 67.
Com a mídia Ninja e Alan Bueno

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