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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Ato da 3a. Conferência do PCdoB sobre a Emancipação da Mulher, 28/01 às 19h, com Luciana Santos, Manuela D'ávila, Vanessa Grazziotin, Jandira Feghali e Flávio Dino

 


3ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Emancipação das Mulheres


Presenças confirmadas!

Luciana Santos

Manuela D'Ávila

Vanessa Grazziotin

Jandira Feghali

Flávio Dino


Ato de Lançamento, dia 28/1 quinta-feira!

Inscreva-se para participar! 

https://bityli.com/MUIoB


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PCdoB mobiliza a militância para a 3a. Conferência sobre a Emancipação das Mulheres - PCdoB - LEIA A TESE




PCdoB retoma processo da 3ª Conferência sobre Emancipação das Mulheres

11 de Janeiro, 2021


LEIA A TESE


O PCdoB inicia o ano de 2021 convocando a estrutura partidária e sua militância para uma importante tarefa: a realização da 3ª Conferência Nacional do PCdoB sobre a Emancipação das Mulheres, que está marcada para acontecer entre os dias 19 e 21 de março.

O evento, que deveria ter acontecido em 2020, teve de ser adiado em função da Covid-19. Agora, a Secretaria Nacional da Mulher do partido avalia a possibilidade realizá-la no formato híbrido, com apenas parte dos delegados reunidos presencialmente, a depender dos desdobramentos da pandemia nos próximos meses.

Para falar dos objetivos, da importância da conferência na atual conjuntura e de como se dará o processo preparatório e de mobilização, conversamos com a secretária nacional da Mulher do PCdoB, a ex-senadora Vanessa Grazziotin.

Confira os principais trechos dessa entrevista.

Objetivo da Conferência

“O objetivo é o debate e a atualização da plataforma, da teoria, da luta emancipacionista, um debate no qual devem se envolver não apenas as mulheres, mas também os homens, o partido como um todo porque a luta pela emancipação das mulheres não é só das mulheres, é uma luta da sociedade. A opressão e a discriminação que pesam sobre a mulher devem ser combatidas por todos. Essa forma de opressão, de discriminação, é a própria expressão do sistema capitalista, que precisa manter as mulheres apartadas de qualquer tipo de movimento contestatório e organizativo”.

Envolver as mulheres do povo

“Nesta conferência, devemos tratar também sobre como trazer a mulher para a luta emancipacionista, a mulher do povo, porque a gente vive um movimento de profundo retrocesso, onde aparecem, com muita força, opiniões de que a mulher, tudo bem, tem de trabalhar, mas tem de ser subserviente ao homem. E infelizmente esse tipo de teoria é defendida por ninguém mais, ninguém menos, do que o presidente da República, a ministra da Mulher, o ministro da Educação, ou seja, figuras-chave da República, que deveriam contribuir com a luta emancipacionista, jogam exatamente ao contrário”.

Avanço da extrema-direita

“A conferência vai acontecer, portanto, num momento muito importante, de avanço da extrema-direita, das forças conservadoras, antidemocráticas, misóginas, que não respeitam os direitos humanos e as mulheres. Ou seja, além da luta pela vida, por direitos, a gente enfrenta uma luta ideológica profunda que criminaliza e distorce o feminismo. Através do debate e do esclarecimento, queremos procurar mobilizar a sociedade, sobretudo as mulheres, contra este governo. Será uma conferência, sem dúvida, muito rica na defesa da vida, das mulheres e de um outro país, um país que não esteja sob a tutela do reacionarismo e do antidemocratismo”.

Agravamento da situação da mulher

“Temos visto um aumento dos feminicídios, da violência doméstica, principalmente nesse período de pandemia, onde aconteceu o isolamento social e muitas mulheres ficaram confinadas junto com os seus agressores. E também temos o aumento do desemprego, da perda de direitos e da precariedade que atinge muito mais as mulheres do que os homens. E a gente tem de ter claro o porquê que isso acontece. A mulher é discriminada, superexplorada, cumpre uma tripla jornada de trabalho; é ela quem faz o trabalho invisível, não remunerado e, mesmo tendo um nível de escolaridade superior ao dos homens, ela ganha salários menores, não alcança os postos de poder no mercado de trabalho, assim como está sub-representada na política, nos espaços de poder. Quando a gente fala isso tudo, não é um discurso ou estatística. Isso é a vida real”.

Informação e conscientização

“Quando temos o agravamento de uma crise, necessariamente acontece primeiro o agravamento da situação da mulher. O movimento feminista existe exatamente para mostrar que a única forma de superar todas essas dificuldades é através da luta. E o primeiro passo para enfrentar isso tudo é esclarecer as mulheres (e os próprios homens), porque as pessoas só lutam por aquilo que acreditam e por aquilo que têm consciência. Se a mulher não tem consciência da origem do seu sofrimento, da origem da discriminação que sofre, ela não vai se mobilizar contra isso”.

Luta contra forças poderosas

“Hoje, a gente vê crescer essa opinião retrógrada, misógina dentro do próprio poder público, com a expressão maior do presidente da República, mas também o avanço de muitos posicionamentos de líderes religiosos — sobretudo das igrejas neopentecostais —, que têm dito que a mulher deve obediência ao marido, só deve fazer aquilo que ele quer e que a cabeça da família é o homem. Ora, isso já passou! Num espaço muito curto de tempo, foi de 15% para mais de 40% o percentual de famílias que as mulheres mantêm e dirigem. Mas, essa é parte da luta ideológica que a gente tem que enfrentar. E enfrentar de uma forma ampla, de maneira que a gente dialogue não apenas com as intelectuais, com as militantes. Temos de dialogar com aquele mulher que tem filhos, que acorda às 5h da manhã para trabalhar na fábrica, que é a diarista, doméstica…temos de dialogar com as grandes massas e mostrar às mulheres, através de questões cotidianas, da sua própria vida, as razões e as origens do seu sofrimento”.

Formato da Conferência

“Optamos por fazer de forma híbrida. A previsão é de que tenhamos em torno de 450 delegadas e delegados, considerando a eleição nos estados, os membros do Comitê Central e do Fórum Permanente de Emancipação das Mulheres. Desses, pensamos que 100 podem participar de forma presencial; este seria o número máximo. Já providenciamos as condições necessárias, um hotel apenas para essas 100 pessoas, estamos providenciando a testagem anterior, mas ainda consideramos a possibilidade de fazer 100% on line porque estamos vendo uma segunda onda da Covid. Então, é a situação da saúde e as condições sanitárias que vão nos dizer se a gente vai poder fazê-la híbrida ou se será totalmente on line”.

Processo da conferência

“A preparação da conferência vem sendo feita desde o início de 2020, quando tivemos de transferi-la por conta da pandemia. Mas, desde aquele período estão divulgados o documento-base e os critérios para a eleição de delegadas e delegados. Importante registrar que mantivemos o percentual da participação de gênero na conferência, ou seja, no mínimo 30% tem de ser homens. Mas, com a pandemia, tivemos de fazer algumas adaptações. E agora, no início de 2021, a gente está reforçando esse processo de mobilização.

Na segunda quinzena de janeiro, teremos a publicação do documento-base atualizado, um documento mais denso. Logo, teremos o manifesto para orientar o nosso debate com a população em geral. O objetivo é debater com o partido, mas também com mulheres e homens que não sejam do partido; mostrar o quanto nos preocupamos com essa questão e como o PCdoB tem sido vanguarda na luta em defesa das mulheres.

Como a conferência acontecerá de 19 a 21/3, os estados têm até o dia 12/3, ou seja, uma semana antes, para realizar os seus processos de conferência. E como esse processo se dará? A gente está orientando diversas atividades: debates presenciais ou virtuais, lives, encontros de jovens, de trabalhadores, atividades de rua onde puder, com segurança, até que os estados façam as suas conferências municipais ou distritais, regionais e, por fim, no estado, até chegar à direção nacional”.

Tribuna de Debates

“Também queremos incentivar muito as nossas mulheres militantes a escreverem para a Tribuna de Debates. Este é um momento muito rico, portanto, publicar as opiniões das nossas militantes, companheiras e companheiros, também, é fundamental. A nova página da Secretaria da Mulher do PCdoB será disponibilizada também na segunda quinzena de janeiro, com a abertura da Tribuna de Debates”.

Ato político-cultural


No dia 28/01, teremos um ato político-cultural de lançamento da conferência, com o centro no nosso manifesto, e a valorização das nossas lideranças, como Manuela d’Ávila, que hoje é sem dúvida uma das maiores lideranças feministas do Brasil, juntamente com o governador Flávio Dino e Luciana Santos, nossa presidenta. E o manifesto estará disponível para ser assinados por mulheres, entidades e bases. Será um documento que exigirá o nosso direito à vacinação, à vida, à segurança, ao trabalho.

Temos uma Comissão de Organização da 3ª Conferência e essa comissão trabalhará de forma muito viva, ao lado das direções estaduais, não só das secretárias de Mulher, mas da direção partidária porque isso é muito importante registrar: não é uma conferência da mulher, mas sobre a situação da mulher e que todos e todas temos o dever de participar, para que a gente tenha um grande processo de mobilização, de construção partidária e de atração de novas companheiras e companheiros para as nossas fileiras”.

LEIA A TESE


3ª CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCdoB SOBRE A EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES

I – A CRISE ESTRUTURAL DO CAPITALISMO E SEU IMPACTO PARA AS MULHERES

quarta-feira, 8 de março de 2017

Minha homenagem às Mulheres - uma seleta de textos feministas

Essa seleta de textos é uma maneira de homenagear a luta das mulheres pela igualdade, leituras que acredito fundamentais para a luta feminista.

Viva o 8 de março, dia internacional da Mulher!
Viva a mulher trabalhadora!
Paulo Vinícius


MARIA LYGIA QUARTIM DE MORAES RESGATA AS ORIGENS SOCIALISTAS DO 8 DE MARÇO




Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional da Mulher

Alexandra Kolontai: Discurso da primeira mulher ministra da história permanece atual




Kollontai, Alexandre (1872-1952)
Russian Social-Democrat from 1890s, active in international Socialist Women's movement, and a member of the Mensheviks before 1914. Elected to Central Committee in 1917 and Commissar for Social Welfare in the Soviet government. With Bukharin in 'Left Communist' faction, opposed signing of Brest-Litovsk Peace (Lenin was for signing immediately, Trotsky for delaying in hope of a revolution in Germany, the WO advocated a revolutionary war against Germany); leader of the Workers Opposition. Sent to diplomatic posts in Mexico and Scandanavia. Sympathised with the Left Opposition, but subsequently 'conformed'.





ESPECIAIS

Dia Internacional das Mulheres - Fundação Maurício Grabois


LORETA VALADARES (1943-2004)

Militante do Movimento Estudantil da Ação Popular (AP), nos anos de 1960, participou bravamente da luta contra a ditadura militar. Sequelas da prisão e da tortura comprometeram profundamente sua saúde, mas não a impediram de prosseguir na aguerrida militância comunista. Em plena clandestinidade, atuou junto a Diógenes Arruda e outros (as) camaradas na organização de cursos de marxismo-leninismo. Nos anos de 1980, foi professora de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia. Também foi professora da escola do PCdoB, em cursos nacionais e na Bahia. Escreveu importantes textos sobre os fundamentos do Partido de tipo leninista e sobre o PCdoB, os quais têm sido bibliografia dos diversos cursos partidários. Líder emancipacionista, além do testemunho de vida, deixa uma enorme contribuição ao movimento de mulheres e de luta para a conquista e garantia dos direitos humanos no país. Desde 2005, empresta seu nome ao Centro de Referência Loreta Valadares - Prevenção e Atenção a Mulheres em Situação de Violência (CRLV), em Salvador-BA. Também em sua homenagem foi constituída a Escola de Formação Loreta Valadares, a seção estadual/BA da Escola Nacional do PCdoB.


Teoria: Gênero e emancipacionismo – o clamor da radicalidade



quinta-feira, 2 de março de 2017

CTB-DF DEBATE IV CONGRESSO - Mulheres - 07/03/2017 às 18h00 na CTB-DF





CTB-DF DEBATE IV CONGRESSO
Feminismo Emancipacionista e a luta das mulheres no Brasil de hoje
Terça, 07/03, às 18h00 na CTB-DF
Local: SRTVS quadra 701 Bloco I - Ed. Palácio da Imprensa - sobreloja

Poema:
Mirela e o Dia Internacional da Mulher

Debate:
Kátia Souto - Mestre em Sociologia e ex-Coordenadora Nacional da UBM
Ailma Maria - Presidenta da CTB-GO e da DN
Rita Poli - UBM
Ingrid Mangabeira - UJS

sábado, 3 de setembro de 2016

Dilma venceu Cérbero e nos mostra que venceremos o Golpe - Paulo Vinícius Silva

O Golpe foi consumado, é certo, mas isso não é o fim, a luta continua. E o maior exemplo foi dado pela Presidenta Dilma, a quem coube enfrentar a duríssima batalha que desmoralizou o próprio golpe, e cujo corolário é o fato de ter sido impossível ao Senado cassar-lhe os direitos políticos, a primeira grande vitória na luta contra o golpe. Isso é tanto mais importante quando aprofundamos a compreensão de que o Golpe não se trata da Presidência, apenas, mas da desconstrução dos avanços contidos na CLT, na Constituição de 1988 e na vitória contra a Ditadura, acrescida dos avanços obtidos desde a vitória de Lula à Presidência da República.

Talvez, só a assinatura da Lei Áurea – e há muito o que se questionar sobre o episódio – tenha conferido papel tão decisivo às mulheres na História do Brasil. Mas, desta vez, não há dúvida quanto ao protagonismo, à fidelidade ao lado representado e à coragem encarnadas na Presidenta Dilma. Em tempos de internet e de celulares conectados, expôs-se ao mundo em tempo real a vilania do golpismo. Todavia, o Partido da Imprensa Golpista e nossos erros na própria luta em curso poderiam ter levado à legitimação do golpe.
Dilma no Ato pela democracia no Teatro dos Bancários em Brasília, 24/08/2016 - Foto de Brito Júnior

Trata-se de uma luta heroica, dessas que, para explicar, apelamos aos mitos gregos. O golpe já era realidade há meses. Impediram o voto popular de decidir desde 2014. Para derrubar a Dilma, entregar o Pré-Sal, rasgar os direitos do povo, inviabilizaram seu mandato. A derrota era certa e como é duro posicionar-se diante da derrota anunciada. E nesse ambiente, marcado pela confusão e pelas fragilidades intrínsecas e acessórias à força dirigente do processo, o Partido dos Trabalhadores, Dilma pôs-se de espada e escudo em punho para enfrentar as três cabeças de Cérbero, o mítico cão monstruoso que resguardava os portões do Tártaro, o inferno da mitologia grega, cuja ferocidade se dirigia aos que ansiavam por se livrarem daquela terra de sofrimentos. Reitero: o golpe já fora dado, mas a reação a ele poderia ter sido de tantos modos, que coube à Presidenta Dilma conduzir-nos para esse confronto e ela própria enfrentar a criatura nefasta, por isso é importante entender e tirar as devidas lições do episódio que ilumina a próxima etapa da resistência.
Héracles trazendo Cérbero para Euristeu, 525 AC, atribuido a Aigles, no Museu do Louvre 

A primeira cabeça monstruosa que Dilma enfrentou foi a das mentiras urdidas para legitimar o Golpe. A sessão de mais de 14 horas em que ela enfrentou a súcia do Senado será lembrada na História, e foi a sua atitude, sua postura serena e firme, seu brilho que impediram a farsa de se manter de pé. Um a um, uma a uma, vimos os e as golpistas tombarem diante da verdade pura e simples da ilegitimidade do golpe.

A segunda cabeça monstruosa que Dilma abateu foi a do hegemonismo e da tibieza que se expressaram no anticlímax provocado pelas declarações do Presidente do PT, Rui Falcão, e de quem o apoiou, quando em nome da Frente Brasil Popular, posicionou-se contra as mobilizações levadas a cabo pela Frente Povo Sem Medo no dia 31 de agosto, unicamente porque continham a consigna “Que o Povo Decida”, e a sua inacreditável, reprovável, obtusa e grosseira rejeição à palavra de ordem do Plebiscito após a declaração da própria Presidenta Dilma. Ora, quem é da luta social sabe o efeito devastador que isso teve no último mês de mobilização contra o Golpe. Foi a expressão mais acabada do limite que o hegemonismo impõe à unidade das forças democráticas, patrióticas e dos trabalhadores e trabalhadoras, um tiro no pé na unidade do nosso campo, a razão de pulularem as especulações sobre o apoio do PT à Presidenta Dilma. Aqui, complicou. Poderia ter sido um Deus nos acuda e o anticlímax se sentiu por toda parte.

Mas, Dilma foi unindo ponta a ponta, incorporou a defesa das Diretas como o caminho da pacificação democrática pela afirmação da soberania popular; embalou a primavera feminista como um ascenso de participação que supera a divisão e as correntes. Fez a sua defesa reafirmando a nossa unidade em tudo, superando a esquerda, ampliando as bandeiras para a defesa do campo que se insurge contra o Golpe, da defesa da Democracia, da Soberania ameaçada e dos direitos do povo e da classe trabalhadora. Naquele momento, toda a insegurança, toda a divisão, todo o hegemonismo se mostraram vãos, e um despertar foi ocorrendo por todo o país. Naquele dia, estávamos na Esplanada, e não estávamos triste, não se viam choros. Dilma enfrentara por nós os fantasmas de nossos próprios medos, e matara a segunda cabeça de Cérbero, guardião dos padeceres sem saída, estávamos eletrizados porque unidos, porque na luta, porque acreditamos em nós mesmos e na vitória. Mas este ente organizativo da unidade ainda engatinha. Todavia, as mobilizações espontâneas, ferozmente reprimidas por todo o país são filhos daquela coragem. E sua fala ao final do Golpe abre uma nova onda de mobilizações, indispensáveis nessa fase da resistência. E a luta pelas eleições diretas está no centro, contra o golpismo

Ato contra o Golpe na madrugada de 03/09/2016 em Florianópolis-SC
Já a terceira cabeça do Cérbero que Dilma cortou foi a do ineditismo do seu gesto face à às forças que levaram Getúlio Vargas ao suicídio heroico, Jango ao exílio e à cilada e ao envenenamento. Diante do incontornável padecer, ela nos ensina a valiosa lição da coragem que resta. Ela encarna a coragem de todas as mulheres que, no passado e no presente, desempoderadas, cuidaram sozinhas das famílias, inclusive quando os maridos estavam na luta, na prisão, desaparecidos, e elas estavam na luta sem ribalta, sem estátua, aquela luta do sofrimento diário, sem menções, como a dos agricultores e agricultoras que lavram a terra, como a da clandestinidade que não tem horizonte de se findar, e que obriga, antes de tudo, à sobrevivência com discrição, e à resistência do silêncio face à tortura. Dilma não se matou, não fugiu, sequer tremeu. Seus algozes, outra vez, empalideceram frente aquela firmeza. Ela nos deu a mensagem da sobrevivência. E eles não puderam cassá-la, não puderam.

Exemplos muitos de heroísmo há, de martírios, de superações. Todavia, quantas vezes pudemos contar que uma mulher liderasse um país da dimensão do Brasil, ocupando esse lugar central, e com essa formidável contribuição individual? Procuro e não encontro. Também esse feito ficará na História e terá consequências irresistíveis pelo exemplo que encerra, pelas portas que abre ás mulheres na luta do povo. Poderemos muito mais com as mulheres que Dilma motiva, e com a ternura e admiração que ela inspira em nós, homens, nesse aprendizado do emancipacionismo, tão difícil e tão importante na luta pelo socialismo.

Foi ela quem deu a senda da vitória diante da adversidade. O Golpe não pode expor à luz sua carranca inominável. Estamos unidos. E ela está viva, conosco, e a luta continua, sempre.

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