O arcebispo anglicano Hosam Naoum diz que o hospital al-Alhi em Gaza recebeu “avisos específicos” por telefone durante 3 dias consecutivos para “evacuar o hospital” antes da explosão mortal.
A evidência é esmagadora e indiscutível. Israel bombardeou o hospital.
Anglican Archbishop Hosam Naoum says al-Alhi hospital in Gaza received “specific warnings” by phone for 3 days straight to “evacuate the hospital” ahead of the deadly blast.
Por Hora do Povo Publicado em 14 de outubro de 2023
Parentes carregam os corpos de crianças da família Abu Quta, mortas em ataque israelense em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. (Said Khatib/AFP)
“A matança de crianças tem de acabar. Os hospitais estão totalmente sobrecarregados”, afirma Unicef em outro comunicado
A porta-voz da Unicef, Sara Al Hattab, afirmou à rede de TV CNN, que mais de 700 crianças foram mortas na Faixa de Gaza e outras 2.450 foram feridas desde o sábado (7), quando o conflito entre o Hamas e Israel teve início.
“De acordo com os últimos relatórios das autoridades de saúde locais e da mídia, pelo menos 2.215 palestinos foram mortos, incluindo mais de 700 crianças, e mais de 8.714 pessoas ficaram feridas, incluindo mais de 2.450 crianças”, detalhou a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância. da organização, neste sábado (14).
Na sexta-feira (13), um ataque na rota segura para saída dos palestinos em Gaza deixou 70 mortos, entre eles, muitas crianças e mulheres.
“A matança de crianças tem de acabar”, disse o porta-voz da Unicef James Elder em um comunicado divulgado na sexta-feira (13). “As imagens e histórias são claras: crianças com queimaduras horríveis, ferimentos de morteiro e membros perdidos. E os hospitais estão totalmente sobrecarregados para tratá-las”, denunciou Elder.
Por Hora do Povo Publicado em 14 de outubro de 2023
Mahmoud Abbas, e Lula (Fotomontagem HP)
Lula disse ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que os inocentes em Gaza não podem pagar o preço da insanidade daqueles que querem a guerra
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou neste sábado, dia 14 de outubro, no início da tarde (14h), por telefone, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, líder do povo palestino. Na conversa, Lula expressou preocupação com os civis na região e o bloqueio de ajuda humanitária.
O líder brasileiro reforçou a importância de um corredor humanitário e da libertação imediata de todos os reféns. Lula disse que os inocentes em Gaza não podem pagar o preço da insanidade daqueles que querem a guerra. Ambos reafirmaram a importância da busca por uma solução política e pela paz para a região.
Houve também uma conversa com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, sobre a situação dos brasileiros que aguardam, em Gaza, o retorno ao Brasil. A fronteira sul de Gaza com o Egito estava fechada por causa dos bombardeios de Israel. Até agora não há garantia de que os brasileiros poderão atravessar com segurança em direção ao país vizinho.
Lula falou om Abbas sobre o reconhecimento brasileiro do Estado palestino, posição que é amplamente majoritária na ONU mas não aceita por Israel, país que mantém um cerco criminoso à Faixa de Gaza e a ocupação na Cisjordânia. O presidente brasileiro destacou que está empenhado em trazer de volta para o país todos os brasileiros que estão na zona de conflito e que querem retornar ao seu país, particularmente os que estão na Faixa de Gaza.
Israel se recusou a permitir a abertura do corredor humanitário, proposto pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro já havia condenado os ataques terroristas contra civis em Israel e reforçou a importância de um corredor humanitário e da libertação imediata de todos os reféns. A ditadura israelense fechou o cerco sobre Gaza, impedindo a entrada e alimentos e água e prepara um verdadeiro genocídio na região com a invasão de suas tropas por terre mar e ar.
Los periodistas muestran un mapa de la ubicación de las bases militares estadounidenses en todo el planeta 📝 "África, medio Oriente, Europa, bases a lo largo de toda la costa China".
Y con todo esto, "China y Rusia son una amenaza" 🤦 ️
Em celebração ao Dia Internacional de Al-Quds (Jerusalém), reuniram-se em Brasília Centrais Sindicais, Partidos e Movimentos Sociais no último dia 28 de abril no SINPRO-DF. O dia corresponde ao 26o. dia do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, e a data é anualmente celebrada em solidariedade ao povo Palestino. A CTB participou da atividade graças ao convite do Instituto Brasil Palestina, por seu presidente Dr. Ahmed Shehada e do caa
mrada Sayid Ahmed, o nosso Marcos Tenório, que no DF lidera o CEBRAPAZ, que no Brasil representa o Movimento Mundial pela Paz.
A CTB foi representada por seu Secretário Geral do Distrito Federal e Entorno, o bancário Paulo Vinícius da Silva. A atividade cnotou com a presença do Presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, da Deputada Federal Érika Kokay (PT-DF), da ex-deputada Maninha e do dirigente do PSOL Toninho; o PCdoB-DF foi representado por Gustavo Alves e Jorge Gregory, ambos da Executiva. A juventude Sanaud foi representada e a atividade contou com uma numerosa presença do assentamento Dandara, da Frente Nacional de Lutas. O evento contou ainda com a presença da Embaixada do Irã, da Palestina e a representação da Frente Polisário do Saara Ocidental.
Gustavo Alves e Gregory, Sayid Ahmed, Paulo Vinícius da Silva e Ahmed Shehada
As falas denunciaram a dupla moral da imprensa ocidental sob o domínio dos grandes oligopólios, que ignoram as diárias agressões ao povo Palestino promovidas desde Israel, e que atingem homens, mulheres e crianças sob o silêncio das potências que promovem guerras por todo o mundo. O lema da atividade foi "Palestina Livre do #apartheid, muito em breve!"
A fala da CTB resgatou que o regime de Apartheid e de ocupação será derrotado, como a experiência histórica o demonstra, e que a luta de resistência palestina inspira-nos em todo o mundo. Também no Brasil, a Casa Grande busca dividir a Nação brasileira em cidadãos e subcidadãos, e o governo de Bolsonaro é a prova da estupidez que se torna crime contra o povo brasileiro. Em homenagem aos palestinos e palestinas que lutam em todo o mundo, Paulo Vinícius da Silva recitou o poema Não iremos embora, do palestino Tawfic Zayyad:
Não iremos embora
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro
*Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré
Conflito na Ucrânia: A paz deve ser o objetivo imediato alcançado
“O
atual conflito tem suas raízes na agressiva expansão dos EUA e da OTAN,
após o fim da União Soviética, em direção às fronteiras da Federação
Russa, ali instalando bases militares e armas nucleares, ignorando os
repetidos e insistentes protestos da Rússia, hoje totalmente cercada por
forças hostis”, diz, em nota, o Cebrapaz.
O
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)
defendeu, em nota, um cessar-fogo que construa o ambiente de diálogo na
Ucrânia; uma solução política para o conflito que contemple as
preocupações de segurança da Rússia e desmantele os grupos neonazistas; e
o fim da política de provocações e guerra da Otan/EUA.
Conheça a íntegra da nota do Cebrepaz:
A
humanidade acompanha com extrema preocupação o desenrolar dos acontecimentos na
Europa Oriental, com a eclosão do conflito militar envolvendo a Rússia e a
Ucrânia.
O
Cebrapaz defende negociações que conduzam ao cessar-fogo e que permitam criar
um ambiente de diálogo e a construção de uma saída política para esse conflito.
A paz
deve ser o objetivo imediato e urgente a ser alcançado!
A defesa
consequente da paz exige que as causas e os principais responsáveis pela guerra
sejam identificados.
O atual
conflito tem suas raízes na agressiva expansão dos EUA e da OTAN, após o fim da
União Soviética, em direção às fronteiras da Federação Russa, ali instalando
bases militares e armas nucleares, ignorando os repetidos e insistentes
protestos da Rússia, hoje totalmente cercada por forças hostis.
Após as
ondas de expansão militar, os EUA e a OTAN patrocinaram, em 2014, um golpe de estado,
que destituiu o presidente eleito da Ucrânia – por resistir a uma integração à
OTAN – levando grupos neonazistas ao poder.
A rebelião
das populações do leste da Ucrânia contra esse golpe foi reprimida “a ferro e
fogo” pelo governo de Kiev, com a conivência e o apoio dos EUA e da OTAN.
Os
acordos de Minsk, de 2014, que buscaram pacificar o país, foram ignorados por
Kiev – sob os olhos complacentes dos EUA e da União Europeia. Seguiram-se oito
anos de ataques das Forças Armadas ucranianas às populações de Lugansk e Donetsk,
causando a morte de milhares de cidadãos ucranianos, em especial de origem
russa, na região de Donbass.
Por essas
razões, não pode restar dúvidas de que os EUA e a OTAN são os principais
responsáveis pelo atual conflito na Europa Oriental.
Denunciamos
também a manipulação do vasto aparato midiático hegemônico que torna invisível
a expansão guerreira da OTAN e dos EUA e o apoio prestado por eles aos grupos
neonazistas ucranianos, procurando colocar sobre a Federação Russa toda a
responsabilidade da atual crise.
Condenamos,
além disso, as sanções econômicas contra a Federação Russa, que em nada
contribuem para a paz e, ao contrário, tornam ainda mais tensa a situação.
Assim, o
Cebrapaz defende:
Um cessar-fogo que construa
o ambiente de diálogo.
Uma solução política para o
conflito que contemple as preocupações de segurança da Rússia e desmantele
os grupos neonazistas.
O fim da política de
provocações e guerra da Otan/EUA.
Pepe Escobar é jornalista e correspondente de várias publicações internacionais
O Enigma Papa-Sistani
Francisco e Sistani fizeram pronunciamentos anti-guerra,
anti-genocídio e anti-sectarismo além da compreensão da maior parte da
mídia ocidental, escreve o jornalista Pepe Escobar sobre o encontro
entre o Papa Francisco e o Grande Aiatolá Sistani
Seja qual for a avaliação histórica empregada, foi um divisor de
águas: o primeiro encontro, desde o século VII, entre um Papa Católico
Romano e um líder espiritual xiita visto como "fonte a ser emulada".
Vai demorar muito até que se consiga avaliar todas as implicações
dessa imensamente intrigante conversa de 50 minutos, com a presença
apenas dos intérpretes, entre o Papa Francisco e o Grande Aiatolá
Sistani, em sua humilde morada em uma ruela de Najaf, próximo ao
esplêndido santuário de Imam Ali.
Um paralelo confessadamente imperfeito é que, para a comunidade de
fiéis xiitas, Najaf é tão rica em significado quanto Jerusalém o é para a
Cristandade.
A versão oficial do Vaticano é que o Papa Francisco foi a uma
cuidadosamente coreografada "peregrinação" ao Iraque sob o signo da
"fraternidade"- não apenas em termos geopolíticos mas também como um
escudo contra o sectarismo religioso, seja dos sunitas contra os xiitas,
seja dos muçulmanos contra os cristãos.
Francisco retornou ao tema principal em uma conversa extremamente franca
(em italiano) com a mídia, no avião que o trouxe de volta a Roma. O
mais extraordinário, entretanto, foi sua avaliação sincera do Aiatolá
Sistani.
O Papa ressaltou: "O Aiatolá Sistani disse uma frase, espero
lembrá-la de forma correta: 'Os homens ou são irmãos pela religião ou
iguais pela criação'. Francisco vê a transposição dessa dualidade também
como uma jornada cultural.
Ele descreveu o encontro com Sistani como portador de uma "mensagem
universal", louvando o Grande Aiatolá como "um sábio" e "um homem de
Deus": Ouvindo-o falar, não se pode deixar de notá-lo. Ele é uma pessoa
que traz sabedoria e também prudência. Ele me disse que há mais de dez
anos não recebe 'pessoas que vêm me visitar, mas com outros objetivos
políticos'".
O Papa acrescentou: "Ele foi muito respeitoso, e senti-me honrado,
mesmo nas saudações finais. Ele nunca se põe de pé, mas o fez para
saudar-me, por duas vezes. Um homem humilde e sábio. Fez bem à minha
alma, esse encontro".
Um vislumbre dessa cordialidade foi revelado nesta imagem, não
publicada pela mídia convencional do Ocidente - que, em grande medida,
tentou manipular, sabotar, ignorar, apagar ou sectarizar o encontro, em
geral sob camadas mal disfarçadas de propaganda do tipo "ameaça xiita".
Eles assim agiram porque, essencialmente, Francisco e Sistani estavam
enviando uma mensagem anti-guerra, anti-genocídio, anti-sectarismo e
anti-ocupação, que não pode deixar de incorrer na ira dos suspeitos de
sempre.
Houve algumas tentativas desesperadas de retratar o encontro como o
Papa privilegiando a Najaf quietista em detrimento da Qom militante, no
universo xiita - ou, em termos mais crus, Sistani de preferência ao
Aiatolá Khamenei, do Irã. Isso é pura bobagem. Para um contexto mais
aprofundado, ver o contraste entre Najaf e Qom em meu e-book Persian Miniatures, publicado pelo Asia Times.
O Papa, em data recente, escreveu ao Aiatolá Shirazi, do Irã. Teerã
mantém um embaixador no Vaticano, e há anos vem colaborando em
protocolos de pesquisa científica. Essa peregrinação, entretanto, tratou
exclusivamente do Iraque. Ao contrário da mídia Ocidental, a do Eixo de
Resistência (Irã, Iraque, Síria, Líbano) trouxe uma cobertura
completíssima.
A fatwa crucial
Tive o privilégio de acompanhar os movimentos do Aiatolá Sistani
desde inícios dos anos 2000 e, por várias vezes, visitei seu gabinete em
Najaf.
Quando, em 2003, o bicho-papão du jour, Abu Musab al-Zarqawi,
literalmente explodiu o venerado Aiatolá Muhammad Baqir al-Hakim em
frente ao santuário Imam Ali, em Najaf, Sistani apelou para que não
houvesse retaliação: a máquina de ocupação americana era forte demais, e
Sistani percebeu os perigos do dividir para governar e de uma guerra
sectária sunita-xiita.
Mas em 2004 ele, praticamente sozinho, derrotou moralmente o poderoso
aparato de ocupação da medonha Autoridade Provisória de Coalizão, que
então contemplava um banho de sangue para se livrar do incandescente
clérigo Moqtada al-Sadr, então refugiado em Najaf.
Em 2014, Sistani publicou uma fatwa legitimando o uso de civis
iraquianos na luta contra o ISIS/Daesh - principalmente porque os
takfiris pretendiam atacar os quádruplos santuários xiitas no Iraque:
Najaf, Karbala, Kazimiya e Samarra.
Foi portanto Sistani quem legitimou o nascimento de grupos defensivos
armados que se uniram às Unidades de Mobilização Popular (UPM), ou
Hashd a-Shaabi, mais tarde incorporadas ao Ministério da Defesa
Iraquiano.
As UPMs eram - e continuam sendo - um grupo amplo, algumas delas mais
próximas a Teerã que outras, trabalhando sob a supervisão estratégica
do Major General Qassem Soleimani até seu assassinato causado por um
drone americano no aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020.
Nunca prometi um jardim de rosas
Apesar de toda a cordialidade entre eles, o encontro entre o Papa e
Sistani talvez não tenha sido o proverbial jardim de rosas. Meu colega,
Elijah Magnier, o principal repórter em todas as questões relativas ao
Eixo da Resistência, confirmou alguns detalhes surpreendentes com suas
fontes em Najaf:
Sayyed Sistani recusou ter seu próprio fotógrafo, e não quis que
nenhum clérigo xiita, nem qualquer dos funcionários de seu gabinete,
estivessem presentes na Rua Al-Rasoul, onde ele recebeu Sua Santidade o
Papa... O Vaticano não emitiu qualquer declaração nem tomou qualquer
posição clara de reconhecimento ou apoio aos xiitas que foram mortos
quando resistiam ao ISIS e defendiam os cristãos da Mesopotâmia. Sayyed
Sistani, portanto, não julgou necessário divulgar um "documento
conjunto", como era desejo e intenção do Papa, como ele fez em Abu
Dhabi, ao se encontrar com o Sheik de Al-Azhar.
Magnier, com razão, foca-se no comunicado subsequentemente emitido
pelo gabinete de Sistani - em especial em sua votação nominal de Não,
Não, Não... Cada Não é uma acusação ao Hegêmona.
Sistani denuncia o "cerco às populações" - incluindo as sanções. Ele
nega que os iraquianos queiram a permanência das tropas dos Estados
Unidos, e quando denuncia a "violência", ele se refere aos bombardeios
americanos.
Adicionalmente, "Não à injustiça" é a mensagem de Sistani não apenas
aos políticos de Bagdá - atolados em corrupção e omissos no fornecimento
de serviços básicos e oportunidades de emprego - mas também à
"linguagem bélica" dirigida ao Oriente Médio mais amplo, da Síria e Irã à
Palestina.
Fontes em Roma confirmam que houve negociações que se prolongaram por
meses, na tentativa de convencer Bagdá a normalizar suas relações com
Israel. Uma "mensagem" foi enviada por intermédio do Vaticano. Sistani
respondeu asperamente que não havia a menor possibilidade de
normalização. O Vaticano permanece mudo.
Uma das razões dessa mudez é que a declaração do gabinete de Sistani
deixa claro que o Vaticano não está fazendo o bastante para apoiar o
Iraque. Segundo a fonte de Najaf citada por Magnier, entre 2014 e 2017
"O Vaticano manteve silêncio enquanto os xiitas perdiam milhares de
homens que defendiam os cristãos (e outros iraquianos), e não receberam
do Papa qualquer atenção, e nem ao menos uma declaração explícita de
reconhecimento durante todos os anos que decorreram desde então".
A declaração do gabinete de Sistani refere-se explicitamente ao
"desterro, às guerras, aos atos de violência, aos bloqueios econômicos, à
ausência de justiça social aos quais o povo palestino se encontra
exposto nos territórios ocupados".
Tradução: O Iraque apoia a causa palestina.
Uma coroa de espinhos
O encontro do catolicismo e do Islã xiita girou em torno de uma coroa
de espinhos geopolíticos. Tomemos, por exemplo, o fato de que
porta-vozes ou subalternos de um presidente católico dos Estados Unidos,
bem como a mídia convencional americana, demonizam o inimigo da vez
como sendo "milícias apoiadas pelo Irã", "milícias com apoio xiita", ou
"milícias xiitas afiliadas ao Irã".
Bobagem. O que vi ao me encontrar com alguns deles no Iraque, em
2017, foi que as brigadas das Unidades de Mobilização Popular são
compostas não apenas por xiitas, mas por iraquianos de todas as
religiões. Por exemplo, há um Conselho de Estudiosos do Sagrado Ribat de
Maomé; o Conselho para a Luta contra o Pensamento Takfiri da Sunnah
Fallujah e Anbar, e a Brigada Cristã Caldeia liderada por Rayan
al-Kildani, que se encontrou com o Papa Francisco.
Para sermos justos, o Papa Francisco, em sua peregrinação, de fato
condenou aqueles que instrumentalizam a religião para arquitetar guerras
- em benefício de Israel, do latifúndio petrolífero saudita, do império
e de todos os acima citados. Ele orou em uma igreja destruída pelo
ISIS-Daesh.
Em um gesto de grande significado, o Papa Francisco entregou um
rosário a al-Kildani, o chefe da milícia da Babilônia das Unidades de
Mobilização Popular. O Papa considera al-Kildani nada menos que o
salvador dos cristãos do Iraque. No entanto, al-Kildani é o único
cristão do planeta a constar da lista de terroristas dos Estados Unidos.
Nunca é bastante lembrar que as UMP foram o alvo da excelente
aventura bombardeira de Biden-Harris de 25-26 de fevereiro: militantes
foram de fato bombardeados em território iraquiano, e não sírio.
Anteriormente, o comandante geral de campo das UMPs era Abu al-Muhandis,
que conheci em Bagdá em fins de 2017. Ele foi assassinado ao lado de Soleimani.
O Papa Francisco só foi capaz de embarcar em sua peregrinação
iraquiana graças ao Hashd al-Shaabi - que foi de importância
absolutamente crucial, atuando na linha de frente para salvar o Iraque
da partição pelos takfiris e/ou de se tornar um (falso) califado.
Francisco, em sua peregrinação abraâmica, seguiu alguns dos passos do
Profeta, especialmente em Ur, na Babilônia. Mas os ecos ressoam muito
mais longe, chegando a al-Khalil (Hebron) na Palestina, e até a Síria e a
Jordânia modernas.
Uma simples peregrinação não irá alterar os duros fatos no terreno
mesopotâmio: 36% de desemprego (quase 50% entre os jovens); 30% da
população vivendo na pobreza; a ameaça iminente de intervenção da OTAN; a
incapacidade do hegêmona de soltar o controle porque precisa desse
império-de-bases entre o Mediterrâneo e o Oceano Índico; a corrupção
política generalizada de uma oligarquia fortemente entrincheirada.
Francisco fez questão de deixar claro que esse foi apenas um
"primeiro passo", que implica "riscos". O máximo que se pode esperar,
nas atuais circunstâncias, é que o Papa e seu "humilde e sábio"
interlocutor continuem afirmando que o dividir para governar e o atiçar
as chamas das lutas religiosas, étnicas e comunitárias, só irá
beneficiar - quem mais seria? - os suspeitos de sempre.
Realizada
pela primeira vez há 75 anos, poucas semanas após a derrota do nazismo,
a Parada da Vitória é um dos acontecimentos mais importantes na então
União Soviética e agora Rússia.
Publicado 27/06/2020 22:57
Desfile reuniu combatentes que derrotaram o nazismo e homenageou grandes líderes soviéticos
A TV estatal da Rússia fez algo impressionante:
encontrou nos velhos arquivos soviéticos as imagens completas, originais e
inéditas da Parada de Vitória de 1945 e as restaurou digitalmente.
Leia também: 79 anos da invasão da URSS: Aprender as lições da história
Em
24 de junho de 1945 se realizou na Praça Vermelha de Moscou a maior e
mais importante parada militar da História: o desfile do vitorioso
Exército Vermelho que poucas semanas antes derrotou as forças da
Alemanha nazista.
Soldados do Exército Vermelho externam o orgulho pela vitória
As únicas versões conhecidas daquele importantíssimo
momento histórico eram dois filmes: um colorido de 20 minutos e outro preto e
branco de 50 minutos. Ambos com baixa qualidade de imagem. Mas a TV russa Pervy Kanal encontrou as
filmagens completas nos arquivos soviéticos e restaurou todos eles, lançando a
versão integral da Parada da Vitória em HD! A qualidade das imagens é tamanha que cada
quadro parece uma fotografia em alta definição.
Populares e combatentes comemoraram a vitória contra o nazismo
Leia também: 75 anos da Grande Guerra pela Pátria: responsabilidade perante o passado e o futuro
Com
uma nova narração, o filme agora tem 2 horas e meia de duração e mostra
muitos detalhes novos sobre o desfile. Grandes nomes da História
estavam reunidos numa ocasião que nunca mais se repetiu. Os incontáveis
heróis da URSS nessa parada haviam acabado de voltar da linha de frente e
desfilavam pela Praça Vermelha orgulhosos pelos feitos que haviam
conquistado: a libertação do mundo e a morte do nazi-fascismo.
"Si en Colombia no erradicamos la práctica de la violencia en el ejercicio de la política, no habrá paz", cuenta Rodrigo Londoño 'Timochenko', máximo líder de las FARC. ¿Por qué la implementación de los acuerdos de paz terminó siendo mucho más difícil que el proceso de negociación? ¿Sienten los guerrilleros que sus vidas y las vidas de sus familiares peligran? ¿Puede existir marcha atrás en el proceso de paz? De todo ello habla en exclusiva para RT.
Por três vezes mataram a equipe do Charlie. De três modos sofrem os muçulmanos no mundo de hoje.
A primeira morte na barbárie que significa matar um jornalista/chargista/funcionário/policial com vistas a calar-lhes e também de potencializar o ódio. No fim das contas, os assassinos agiram para armar o imperialismo, a despeito de sua retórica e do sentido aparente de sua infames ações. A sinergia dos objetivos de fundamentalistas e dos imperialistas em favor da guerra é gritante. O terrorismo fundamentalista tem sido instrumento mais que eficaz para propagar a guerra que interessa, permanentemente, ao imperialismo.
A falta de caráter da extrema direita, da direita e da imprensa monopolista não tem limites. Não acreditei quando vi Netanyahu - troféu Herodes 2014, carrasco de Gaza, que matou centenas de crianças - posando lépido e fagueiro na multitudinária manifestação parisiense contra o terrorismo, a paz, ou dizendo Je Suis Charlie. Mataram, assim, pela segunda vez os jornalistas, chargistas e funcionários do CharlieHebdo. Alguns dos quais inclusive trabalharam em L´Humanité, eram gente de esquerda, que jamais apoiariam qualquer sentimento xenofóbico, racista, sionista e de direita. Gente que jamais jogaria água no moinho da intolerância. Assim, há que diferenciar na aparente unanimidade da marcha os interesses antagônicos da maioria do povo, dos interesses do imperialismo, francês inclusive. Não é à toa que vemos a defesa dos valores da República, da democracia, como a posição consequente presente ao protesto.
A terceira vez que os mataram foi a maneira como a imprensa monopolista discrimina as pessoas, e dessa vez, usando seu nome. Como as vidas de uns e de outros, segundo o país, valem tudo ou nada. Quantas vidas palestinas valem a de um Israelense? Quantas vidas nigerianas vale uma francesa? A pergunta infame não é minha, infame é a cobertura da imprensa, seletiva, todo dia. Afinal, e o Iraque? E o Afeganistão? E a Palestina, cujas crianças gazenses que sobreviveram passam o frio invernal em meio a escombros? E a Nigéria, em que 2000 (sim, DUAS MIL!) pessoas, a maioria crianças e mulheres!? É difícil ignorar o silêncio da imprensa ante a morte de inocentes em tantas partes do mundo, e que morreram exatamente pela política dos mandatários da Europa e Estados Unidos que colocou o mundo nessa situação triste e perigosa. Graças à vitória do povo em 2002, o Presidente Lula desde o princípio denunciou a guerra imperialista contra árabes e muçulmanos.
Como vemos, humor é coisa seriíssima, em especial diante das consequências trágicas da "guerra ao terror" desatada por Bushinho. Irônica ou tragicamente, por isso estão mais próximos os povos que professam o Islã das vítimas francesas, pois nada tem a ver com os mandatários hipócritas e a imprensa monopolista que promovem a guerra. Pelo contrário, os últimos eram alvo permanente das ironias e críticas dos profissionais do Charlie.
Os muçulmanos sofrem também triplamente. Massacrados pela política imperialista de Estados Unidos, França e União Europeia, cuja "guerra ao terror" só desatou mais e mais terror. Confrontados com os fundamentalistas, cuja ação os atinge mais que a qualquer país ocidental, cobrando inúmeras vidas. E, por fim, padecem ante o inclemente preconceito que coloca o Islã como um todo, e os árabes, como vinculados ao imaginário "terrorista" promovido pela imprensa monopolista a serviço do imperialismo.
A capa do CharlieHebdo, retratando o Profeta Mohammed (Maomé) a chorar, e a dizer, "Tudo está perdoado", é o tapa de luva de pelica, a melhor resposta. Tão ácidos, resgataram a palavra que mais fortemente deveria marcar o judaísmo, cristianismo e islamismo, assim como todo agnóstico e ateu consequente, humanista. A misericórdia, o perdão, a fraternidade deveriam lhes falar mais alto.
Charlie, que primava pela dissidência e pelo humor ácido e sem travas, em seu maior número diz-nos o que necessitamos ouvir, sem poder rir, e lindamente: não em nosso nome, imperialistas; não em nosso nome, racistas; não em nosso nome, direitistas; não em nosso nome, sionistas; não em nosso nome, fundamentalistas. O mundo não precisa do reforço da Guerra, nem da militarização.
A PAZ, esta sim segue como a bandeira revolucionária e anti-imperialista.
P.S.: O Governo Nigeriano, através de seu Diretor de Informação do Ministério da Defesa, Maj. Gen. Chris Olukolade,questionou a informação de haveria 2000 mortos no ataque do Boko Haram em Baga, Nigéria, alegando que 150 pessoas teriam morrido. A comprovar. Mantenho o argumento. (12/01/2014 às 23h43)
O Cebrapaz realizará uma Mesa Redonda no Fórum Mundial de Direitos Humanos para debater "Direitos Humanos e a Paz", no dia 11/12, das 10 às 12 horas. O fórum e a atividade acontecem no Centro Internacional de Convenções do Brasil -> http://www.fmdh.sdh.gov.br/index.php/local-do-forum
Queremos convidar vocês para três atividades:
1) Terça-feira, dia 10/12 - 16 horasSessão de abertura do FMDH e distribuição por seus membros de uma nota pública
2) Quarta-feira, dia 11/12
Mesa Redonda com o tema: Direitos Humanos e a Paz. Nesse momento de crescimento da agressividade imperialista e de crises em que os direitos humanos são diariamente desrespeitados pelas guerras.
Serviço
Quarta-feira, 11 de dezembro de 2013 às 10h00 Centro Internacional de Convenções do Brasil – CICB Endereço: Setor de Clubes Esportivos Sul Trecho 02 Conj. 63, Lote 50
Com informaçõres de Marcos Tenório e do site do Fórum.
Para começar a conhecer Pete Seeger - Paulo Vinícius Silva
Nunca tive muita vontade de ir aos EUA. Pelo menos não aonde em geral se quer ir, ou fazer o que caracteriza o American Way of Life. Mas essa semana, soube que Toshi, Seeger, em julho faleceu aos 91 anos. Apesar da longevidade, entristece-me a partida da grande produtora e companheira de toda a vida de Pete Seeger, lenda do folk, da esquerda, da luta pelos direitos civis e pela paz, o provecto comunista que enfrentou o Maccarthismo. Assim, queria muito poder visitar sua casa, que eles mesmos construíram, à beira do rio Hudson, para dar um abraço nele.
Pete Seeger, o companheiro de Woody Guthrie, conheçam, vale muito a pena. O Bob Dylan que amamos é o que o Pete orientou e projetou para as lindas canções de coragem que nos comovem ainda hoje. Mas Pete Seeger manteve-se sempre do mesmo lado, imbatível campeão da democracia, da justiça social e da cultura nos EUA. É mais um lutador que nos inspira, maestro de coros de multidões, crítico implacável do capitalismo, cantor dos trabalhadores nos EUA, pesquisador que resgatou We Shall Overcome, intrépido cantor da paz em meio às guerras, que cantava Guantanamera em meio à crise dos mísseis e à campanha contra CUBA, que denunciou TODAS as guerras do imperialismo e pôs sua arte a disposição desse ideal, uma pessoa de uma coragem artística que deveria inspirar a todos os lutadores e lutadoras da cultura.
Deixo-lhes a uma hora de programa no Democracy Now, e abaixo o filme "The Power of Song", da PBS, sobre a sua vida - produzido por Toshi Seeger, a despeito dos créditos - e duas canções. Depois escreverei mais sobre essa pessoa que honra a humanidade, esse comunista que jamais se vergou ao fascismo nem à mercantilização. Infelizmente só tenho os filmes em inglês, mas prometo um artigo, iluminando melhor o caminho para que se possa conhece-lo e à luta heroica que o povo estadunidense enfrenta no estômago da besta imperialista.
Para entender essa luta, para falar com lutadores de todo o mundo, para isso vale muito a pena dominar o idioma. Como bem ensinou o Vladimir, o carequinha mais amado dos trabalhadores em todo o mundo, não é a coisa em si que interessa, mas sim como ela está no contexto e o nosso lado. Desse modo, é encantador ver como o inglês pode ser utilizado como arma de luta.
Ouvir o que diz Pete Seeger na língua dos ianques ensina muito, encanta, inspira. Faça um esforço de pesquisar, você não se arrependerá. Mesmo assim, faço a minha tradução mal ajambrada da cançao da luta dos direitos civis, da Marcha sobre Washington do dia do discurso de Martin Luther King, I have a Dream (Eu tenho um Sonho), só para vocês sentirem esse calor da voz e da mensagem que há quase um século semeia flores num solo tão árido, mostrando que há, sim, luta heroica em toda parte, e que não há opressão que não enfrente a resistência, e que é possível ter coragem, dignidade, e fé na humanidade.
Pete Seeger. The Power of Song (2007) by PBS American Masters
Which Side Are You On? (De que lado você está? Canção dos trabalhadores, linda)
We Shall Overcome
Hey we shall overcome, we shall overcome
We shall overcome someday
Darlin' here in my heart, yeah I do believe
We shall overcome someday
Vernceremos
Venceremos, venceremos,
Um dia, sim, venceremos! Sim, amor, dentro deste meu coração, eu creio
que venceremos um dia!
Well we'll walk hand in hand, we'll walk hand in hand
We'll walk hand in hand someday
Darlin' here in my heart, yeah I do believe
We'll walk hand in hand someday
E marchamos de mãos dadas,
marchamos de mãos dadas
E um dia, amor, dentro deste meu coração, sim, eu creio.
Marcharemos de mãos dadas um dia
Well we shall live in peace, we shall live in peace
We shall live in peace someday
Darlin' here in my heart, yeah I do believe
We shall live in peace someday
E viveremos em paz, sim, viveremos em paz
Viveremos em paz um dia.
Sim, amor, dentro deste meu coração, eu creio
que viveremos em paz um dia!
Well we are not afraid, we are not afraid
We shall overcome someday
Yeah here in my heart, I do believe
We shall overcome someday
E não temos medo, não, não temos medo
E venceremos um dia
Sim, amor, dentro deste meu coração, eu creio
que venceremos um dia!
Hey we shall overcome, we shall overcome
We shall overcome someday
Darlin' here in my heart, I do believe
We shall overcome someday
We shall overcome someday
Venceremos, venceremos,
Um dia, sim, venceremos! Sim, amor, dentro deste meu coração, eu creio, venceremos um dia!
27/4/2013, Uri Avnery, Media with Conscience, MWC
http://mwcnews.net/focus/analysis/26519-russians-came.html
Quando a grande onda de imigrados russos chegou, vindos da União Soviética, em 1990, todos em Israel nos alegramos.
Em primeiro lugar, porque cremos que a imigração faz bem ao país. Em geral, faz.
Segundo, porque estávamos convencidos de que esses específicos imigrantes empurrariam Israel na direção certa.
Essas pessoas, dizíamos a nós mesmos, foram educados, durante 70 anos, num espírito internacionalista. Acabam de pôr fim a um sistema ditatorial cruel, e devem vir ávidos de democracia. Muitos não eram judeus, mas parentes (às vezes remotos) de judeus. Ganhávamos centenas de milhares de novos cidadãos secularistas, internacionalistas, não nacionalistas, exatamente o de que muito precisamos. Acrescentariam um elemento positivo ao coquetel demográfico que é Israel.
Sobretudo, dado que a comunidade de judeus do pré-estado no país (a chamada yishuv) foi largamente modelada por imigrantes da Rússia czarista e dos primeiros anos da Revolução, os novos imigrantes com certeza se misturariam facilmente com a população em geral. Pelo menos, era o que esperávamos que acontecesse.
Hoje, a situação é praticamente o total oposto disso.
Os imigrantes da ex-União Soviética – “os russos”, como se diz na fala diária – absolutamente não se misturaram a coisa alguma. São até hoje comunidade à parte, que vive num ghetto criado por eles mesmos.
Até hoje, falam russo. Leem seus próprios jornais russos, todos furiosamente nacionalistas e racistas. Só votam no partido deles, liderado pelo moldaviano Evet (hoje trocou o prenome: decidiu chamar-se Avigdor) Lieberman. Vivem praticamente sem qualquer contato com outros israelenses.
Nos dois primeiros anos em Israel, votaram predominantemente em Yitzhak Rabin do Partido Labor, mas não porque prometia paz: porque era general e apresentava-se sempre como militar destacado. Daí em diante, os russos sempre votaram, sem variação, na extrema direita.
A grande maioria deles odeiam árabes, rejeitam a paz, apoiam os colonos e votam para eleger governos de direita.
Dado que hoje constituem quase 20% da população israelense, aí está um dos principais motores da marcha de Israel rumo à direita.
Por que, santo Deus?!
Há várias teorias, todas, provavelmente, certas.
Uma delas, ouvi-a de um funcionário russo de alto escalão: “Durante a era soviética, os judeus eram cidadãos soviéticos como todos os outros. Com o fim da URSS, cada cidadão recolheu-se para a nação de origem. Os judeus ficaram num vazio. Então partiram para Israel. E tornaram-se os mais israelenses dos israelenses. Até os não judeus que havia entre eles tornaram-se israelenses super patriotas.”
Outra teoria diz que “Quando o comunismo entrou em colapso na Rússia, só restou o nacionalismo (ou a religião) para substituí-lo. A população aprendera atitudes totalitárias, desdém pela democracia e pelo liberalismo, uma nostalgia por líderes fortes. E havia também o racismo disseminado da população ‘branca’ do norte da URSS, contra os povos ‘escuros’ do sul. Quando os judeus (e não judeus) russos vieram para Israel, trouxeram com eles essas atitudes. Apenas substituíram, por árabes, os armênios, chechenos e os demais povos que desprezavam. Essas atitudes são eternamente alimentadas pelos jornais russos diários e pelas redes de televisão em Israel.”
Observei essas atitudes quando visitei a URSS pela primeira vez em 1990, durante a Glasnost de Mikhail Gorbachev. Nunca pudera ir antes, porque meu nome era sempre riscado em todas as listas de gente convidada a conhecer as glórias da pátria soviética. Não sei por quê. (Curiosamente, também fui cortado de listas de convidados às festas do 4 de julho na embaixada dos EUA, e em algumas oportunidades encontrei dificuldades até para conseguir um visto norte-americano. Talvez porque participei de manifestações contra a Guerra do Vietnã. Devo ser das poucas pessoas no mundo que se podem orgulhar de constar simultaneamente nas listas da CIA e da KGB.)
Viajei à Rússia para escrever sobre o fim dos regimes comunistas na Europa Oriental (livro que foi publicado em hebraico, sob o título “Lênin não mora mais aqui”). Rachel e eu gostamos muito de Moscou, mas só precisamos de alguns dias para começar a ver o espantoso, crescente racismo que havia por todos os cantos. Os cidadãos de pele morena, ou mais escura, eram tratados com indisfarçado desprezo. No mercado, quando conversávamos e ríamos com os vendedores, gente do sul, com os quais nos relacionamos imediatamente, nosso simpático, mas de rosto sério, jovem e agradável intérprete distanciava-se bem acintosamente.
Meus amigos e eu nos encontramos às 6as-feiras, há cerca de 50 anos. Quando os russos começaram a chegar, nossa ‘mesa’ ficava no Café Kassit, em Telavive, local mitológico de reunião de escritores e artistas.
Um dia, vimos um grupo de jovens imigrantes russos, que haviam estabelecido ‘mesa’ própria. Cheios de simpatia – e também muita curiosidade – vez ou outra nos juntávamos a eles.
De início, funcionou. Formaram-se ali algumas amizades. Até que aconteceu uma coisa curiosa. Eles afastaram-se de nós, deixando bem claro que, para eles, não passávamos de bárbaros do Oriente Médio, sem cultura, gente à qual não tinham interesse de associar-se, gente que lia Tolstoi e Dostoyevski. Em pouco tempo, desapareceram de circulação.
Lembrei-me disso na 6ª-feira passada, quando irrompeu em nossa mesa uma discussão surpreendentemente acalorada. Tínhamos uma convidada, uma jovem cientista “russa”, que acusou a esquerda de ser indiferente e de promover um tipo de atitude, em relação à comunidade russa, que a teria empurrado na direção da direita. Uma líder feminista presente reagiu com fúria. Disse que os russos já chegaram ao país com atitude bem perto de fascista.
Concordei com ambas. A atitude de Israel em relação a novos imigrantes sempre foi um tanto estranha.
Líderes como David Ben-Gurion trataram a imigração sionista como se não passasse de um problema de transporte. Fizeram grandes esforços e foram bem longe para trazer judeus, do outro lado do mundo, para Israel; mas, depois de chegados, eram esquecidos, entregues aos próprios meios. Sim, recebiam ajuda material, tinham moradia, mas fazia-se praticamente nada para integrá-los à sociedade.
Foi exatamente assim na imigração em massa de judeus alemães nos anos 1930s, de judeus orientais nos anos 1950s e de russos nos anos 1990s. Quando os judeus russos manifestaram clara preferência pelos EUA, o governo israelense pressionou o governo dos EUA para que batesse a porta na cara deles. Foram praticamente forçados a vir para Israel. Quando chegaram, foram deixados nos seus ghettos, sem qualquer movimento local que os induzisse a espalhar-se e integrar-se conosco.
Não foi diferente, na esquerda israelense. Quando falharam alguns frágeis esforços para atraí-los para o grupo da paz, lá ficaram. A organização da qual participo, Gush Shalom [Bloco da Paz], distribuiu certa vez 100 mil cópias de nosso principal manifesto (“Truth against Truth” [Verdade contra Verdade], a história do conflito) em russo. Mas desistimos, quando recebemos uma única resposta. Obviamente, os russos não tinham interesse algum pela história de Israel, da qual não tinham sequer uma mínima ideia, que fosse.
Para entender a importância desse problema, é preciso visualizar a composição da sociedade israelense tal qual é (escrevi, no passado, sobre isso), formada de cinco setores principais, praticamente de igual tamanho, a saber:
Judeus de origem europeia, chamados Ashkenazim, grupo no qual se inclui quase toda a elite cultural, econômica, política e militar. Nesse grupo está praticamente toda a esquerda israelense.
Judeus de origem oriental, em geral chamados (erradamente) Sephardim, de países árabes e de outros países muçulmanos. São a base do Partido Likud.
Judeus religiosos, grupo que inclui os Haredim ultra-ortodoxos, Ashkenazi e orientais; e os sionistas, nacional-religiosos, grupo que inclui as lideranças dos colonos.
Cidadãos árabe-palestinos, concentrados quase todos em três grandes blocos geográficos.
E os “russos”.
Alguns desses cinco setores se sobrepõem em pequena parte, mas o quadro é claramente esse. Os árabes e muitos dos Ashkenazim trabalham no campo da paz. Todos os demais são declarada e solidamente de direita.
Por isso, é absolutamente imperativo conquistar pelo menos alguns grupos dos judeus orientais, dos judeus religiosos e – claro – de “russos”, para constituir uma maioria em Israel a favor da paz. Na minha opinião, essa é a mais importante tarefa para o campo da paz, nesse momento.
Ao final de um furioso debate em nossa mesa, tentei acalmar os contendores: “Não precisam brigar tanto. Há culpa que chegue, para todos.”