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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Comunicado e Nota sobre a perda do Camarada Renato Rabelo, ex-Presidente do PCdoB

COMUNICADO

Com pesar, o Partido Comunista do Brasil, informa que um dos mais importantes dirigentes de sua história centenária, Renato Rabelo, faleceu neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, aos 83 anos, em decorrência de complicações de saúde. 
Filiado desde 1973, Renato presidiu o PCdoB de 2001 a 2015. 

O velório será realizado nesta segunda-feira, 16/02, das 8h às 12h, no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, onde receberá as homenagens de familiares, amigos e militantes do partido.

Nesse momento de dor profunda, o PCdoB reafirma que seu legado fortalece a essência do Programa dos comunistas, a luta por um Brasil soberano, democrático e socialista, para o qual contribuiu enormemente. Leia a nota publicada pelo PCdoB:
 https://pcdob.org.br/noticias/renato-rabelo-deixa-importante-legado-ao-brasil-e-ao-pcdob/

A cerimônia de cremação será restrita. 
SERVIÇO

Velório: 16/02 - segunda feira, das 8h às 12h.
Local: Palácio do Trabalhador 
R. Galvão Bueno, 782 - Liberdade, São Paulo.
Camarada Renato Rabelo, presente!
Renato Rabelo deixa importante legado ao Brasil e ao PCdoB

O PCdoB comunica, com imensa dor, o falecimento de Renato Rabelo, um dos mais importantes dirigentes de sua história centenária, do qual foi presidente de 2001 a 2015. Nos últimos três anos, Renato dedicou-se a cuidar da saúde, sem deixar de contribuir com o PCdoB. No período mais recente, lutou de modo tenaz, contra a evolução de um câncer.

Ao mesmo tempo, o PCdoB manifesta condolências à esposa, Conceição Leiro Vilan, a Conchita, a seus filhos, André e Nina, aos demais familiares e aos amigos/as. Expressa o sentimento de consternação de toda a militância comunista que, em homenagem a Renato, inclina a bandeira verde e amarela da pátria, entrelaçada com os estandartes vermelhos da revolução e do socialismo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

"UnB 60 Anos" | Mesa solene de comemoração da assinatura da Lei de Criação da UnB

 “UnB 60 anos” – Comemoração da assinatura da Lei de Criação da UnB (15/12/1961 – 15/12/2021) e inauguração dos eventos de comemoração dos 60 anos da UnB 14h – 15h30 – Mesa solene de comemoração da assinatura da Lei de Criação da UnB 

Márcia Abrahao - Reitora 

Enrique Huelva - Vice-Reitor 

João Goulart Filho - Presidente do Instituto João Goulart 

José Ronaldo - Presidente da Fundar 

Nisia Trindade- Presidente da FIOCRUZ 

Bruna Brelaz - Presidenta da UNE 

Flávia Calé - Presidenta ANPG 

Representante da Comissão UnB 60 - José Geraldo de Souza JR 

Mediação: Decana Extensão Profa. Olgamir Amancia Ferreira

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Começam em Brasília os Jogos Universitários Brasileiros, os JUBS #ForaBolsonaro

Começam em Brasília os Jogos Universitários Brasileiros, os JUBS. Vejam só a energia da estudantado, que ajudará nosso povo a salvar o Brasil:



 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Luto: Morre o jornalista Duarte Pereira - Portal Vermelho





No final da década de 1960 e início de 1970, Duarte Pereira foi dirigente da Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML) e, também, um de seus ideólogos. Dele, por exemplo, partiu a proposta de unificação daquela organização com o PCdoB.


por Cezar Xavier

Publicado 12/08/2021 21:49 | Editado 13/08/2021 00:35
Morre Duarte Pereira, aos 82 anos

Morreu nesta quinta-feira (12), o jornalista Duarte Brasil Lago Pacheco Pereira, aos 82 anos. O dirigente nacional da Ação Popular faleceu em decorrência de um câncer.

No final da década de 1960 e início de 1970, Duarte Pereira foi dirigente da Ação Popular Marxista-Leninista (AP-ML) e, também, um de seus ideólogos. Dele, por exemplo, partiu a proposta de unificação daquela organização com o PCdoB.

Nascido em 1939, em Salvador, Duarte era formado em Direito pela UFBa, e teve, em 1962, decisiva atuação na criação da Ação Popular. Teve papel importante na transformação teórico-ideológica desta entidade estudantil que, a partir de março de 1971, passou a se denominar Ação Popular Marxista Leninista.

Desde 1965, na cidade de São Paulo, trabalhando como jornalista, Duarte Pereira participou da criação da revista Realidade e foi um dos principais colaboradores de Movimento, jornal da imprensa alternativa que fazia um firme combate à ditadura militar e aglutinava jornalistas, sindicalistas, intelectuais, acadêmicos e artistas – progressistas e de esquerda – em defesa da redemocratização do país.

Com consistente formação teórica marxista, Duarte Pereira foi um fértil autor de artigos sobre temas diversos e aprofundados publicados na imprensa alternativa e comercial, mesmo na clandestinidade sob pseudônimo. Desde 1966 até anos recentes, escreveu sob a perspectiva do socialismo revolucionário, questões políticas, ideológicas e sociais em diferentes conjunturas políticas brasileiras e internacionais.
Leia também:

Renato Rabelo: Integração de AP ao PCdoB é grande contribuição de Duarte Pereira

Duarte Pereira – o socialismo pensado com rigor


Conheça a trajetória e pensamento de Duarte Brasil Pacheco Pereira reunido em dossiê pelo portal Marxismo21

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Dia do/a Estudante: Manuela destaca papel da UNE e da juventude na luta contra Bolsonaro


Foto: arquivo pessoal/redes sociais

A jornalista e ex-deputada do PCdoB, Manuela d’Ávila celebrou, pelas redes sociais, os 84 anos da União Nacional dos Estudantes (UNE), comemorados nesta quarta-feira (11), Dia do Estudante. Ela ressaltou a importância da entidade e da luta da juventude brasileira contra Bolsonaro, recordou parte de sua trajetória como liderança advinda do movimento estudantil e chamou atenção para as manifestações do #11A, que ocorrem no mesmo dia em diversos pontos do país.

“Neste Dia do Estudante, a União Nacional dos Estudantes (UNE) completa 84 anos de lutas e tenho muito orgulho de dizer que participei de muitas delas. Fui vice-presidente da UNE em 2003, antes de me tornar vereadora”, declarou.

Manuela lembrou que como parlamentar, participou da construção e da defesa do Prouni e das cotas e lutou pela aprovação dos 10% do PIB para Educação. “Além disso, como deputada pude ser autora da lei do estágio e relatora do Estatuto da Juventude, que garantiram direitos essenciais para estudantes e estagiários de todo país”, disse.

A ex-deputada apontou ainda que “conseguimos avançar muito, mas o desmonte do governo Bolsonaro na educação tem sido catastrófico. Por isso, a luta não para! Hoje, os estudantes estarão mobilizados no #11A em defesa da educação. Então, fiquem de olho e ajudem na divulgação das ações deste dia que acontecem em todo país! Vida longa à UNE e fora Bolsonaro!”.

Nesta quarta-feira (11), uma série de manifestações chamadas pela UNE, União Brasileira de Estudantes (Ubes) e Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) acontecem em diversos pontos do país, pedindo vida, pão, vacina e educação, bandeira que tem sido defendida pelos movimentos estudantis em reação ao governo Bolsonaro e à grave crise sanitária, social e econômica enfrentada pela população em geral e pela juventude em particular.


Leia também: Defender a educação para salvar o Brasil 

Por Priscila Lobregatte

sábado, 29 de maio de 2021

Textos de Combate: Sem perder a ternura, jamais - Paulo Vinícius da Silva - à Venda

O livro Textos de Combate: sem perder a ternura, jamais! já está disponível!Não precisa ter kindle, basta baixar o aplicativo ou entrar no computador com senha.  É um ótimo leitor de PDF.

Ainda só na Versão E-book, ajudem a divulgar!

Prefaciado pela diretora do Sindicato dos Bancários de Brasília, Teresa Cristna Pujals, o livro reúne 21 textos, escritos, entre 1991 (a entrevista, com 14 anos) e 2021. Marca assim as efemérides do aniversário de 44 anos e de três décadas de militância comunista, desde o Liceu do Ceará, no Fora Collor, na UJS, até a luta sindical na CTB, como Bancário e, principalmente, Sociólogo. 

Nesse percurso, fui do grêmio do Salomé Bastos à Solidariedade Internacional, mas sempre com a juventude e a classe trabalhadora, tendo visitado 18 países nesse período, tendo encontros com líderes sociais dos 5 continentes, além de ter conhecido pessoalmente Lula, Dilma, Daniel Ortega, Hugo Chávez, Ramón Cardona, Renato Rabelo, Luciana Santos, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Manuela D'ávila, lutando ao lado da nova geração que anseia ainda por um país melhor, democrático, justo, desenvolvido, em vez da tragédia que se abateu contra o Brasil, um capítulo sinistro  da Guerra Híbrida e das manipulações do Imperialismo e seus títeres.

Nesse período, busquei sempre refletir criteriosamente sobre o mundo e a nossa luta. Assim me construí como intelectual orgânico da classe trabalhadora, dedicado à polêmica e à luta, mas sem perder a ternura, jamais. É o primeiro de um conjunto de livros em elaboração e compilação, ainda para  ano de 2021.


Compre pelo link, ou abaixo:

terça-feira, 16 de julho de 2019

Brutal repressão aos estudantes no MEC em Brasília - Mídia Ninja no Twitter

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os estudantes mostram cidadania, o Ministro do MEC é a pura vergonha alheia. Assista e confira!










Uma faixa maior ainda!
EM DEFESA DA EDUCAÇÃO!
UFPR recoloca faixa arrancada por manifestantes pró-Bolsonaro.
Hoje é mais um dia de luta contra os cortes na educação!#TusnamiDaEducação

Vídeo: Ana Paula Schreider pic.twitter.com/XGoCOM7PYv
— PT Brasil (@ptbrasil) 30 de maio de 2019 pt>












sábado, 3 de junho de 2017

As boas práticas que fortalecem o movimento estudantil - Daniel Iliescu



por Daniel Iliescu*

Acontece entre os dias 14 e 18 de junho, em Belo Horizonte, o mais incrível encontro político da juventude brasileira, o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE).

A história da UNE e de suas vitórias para a educação e a juventude brasileira é conhecida por muita gente. Não é preciso escrever suas bandeiras e conquistas históricas para que o/a leitor/a tenha algumas delas na ponta da língua.

Tive a alegria imensa de ter participado, desde os 16 anos, do movimento estudantil brasileiro, da UJS, do grêmio da minha escola, do centro acadêmico do meu curso, do DCE da minha universidade, da UEE-RJ e da UNE, em várias tarefas.

Minha geração viveu um tempo muito precioso, em que a luta estudantil garantiu vitórias estratégicas como a inédita ampliação do acesso à universidade brasileira pelas camadas mais pobres da população e em que o Brasil e seu povo nutriam crescentes esperanças por mais inclusão social, econômica e educacional, apesar de toda a desigualdade e a violência que continuavam marcando a sociedade capitalista brasileira, dominada ainda por elites muito covardes em todos os sentidos.

Durante estes muitos anos de militância convivi com muita gente admirável. Gente sonhadora e guerreira, capaz de exemplos de dedicação e coragem inspiradores, em sua grande maioria, gente simples, trabalhadora e estudiosa, que o caminho da luta reuniu e me fez conhecer.

Aprendi tantas e tantas coisas, uma vida inteira! Dentre os tesouros, destaco aqui um: me esforçar por ter sempre uma visão ampla e generosa das coisas, dos processos e das pessoas.

Não é algo mecânico nem abstrato. É algo que se adquire na vida vivida. Que se aprende só quando se convive com gente diferente, ombro a ombro na luta. Em uma passeata, em uma ocupação, em uma greve. Quando se compartilha do esforço pela mobilização de um ato e da proteção contra a repressão que vem. Quando se canta junto, do fundo do peito, uma palavra de ordem ou música que liberta das nossas gargantas o grito universal da liberdade e o sonho de igualdade e felicidade geral comum a militantes de diferentes movimentos.

Em cada local, uma história. A cada dia, uma ou muitas lições. Como em 26 de junho de 2012, por exemplo, durante a greve das federais, quando a UNE realizava uma histórica passeata que ampliou a lista das vitórias da UNE para a educação e a juventude brasileira. Nesta data memorável, de arrepiar os pêlos e bater forte o peito só de lembrar, a UNE reuniu nas ruas da capital federal cerca de 4.000 estudantes universitários de todo o país, reforçados por mais de mil secundaristas da UBES de Brasília, Goiânia e entorno.

Pela manhã, nós estudantes ocupamos o térreo do Ministério da Educação, em ato da greve estudantil e de apoio à greve docente e técnica. A ocupação teve de ser recebida pelo então ministro Aloizio Mercadante que dialogou com uma comissão de 70 estudantes, composta por 21 diretorxs da UNE e 49 DCEs de universidades federais, anunciados um a um no início da audiência. Esta forte ação do movimento estudantil contou com a decisiva e sólida unidade na luta entre vários setores da situação e da oposição na UNE.

E resultou, entre outras vitórias, na ampliação do Plano Nacional de Assistência Estudantil para R$ 600 milhões de reais e na criação da bolsa de R$ 400 reais para os estudantes cotistas e para os estudantes prounistas de tempo integral (valores de 2012); além da criação de uma comissão oficial composta por dois membros do MEC, dois membros da ANDIFES (associação dos reitores das federais), dois membros da FASUBRA (associação dos servidores) e dois membros da UNE, que trabalhou semanalmente pelos seis meses seguintes no diagnóstico da situação de cada uma das 63 universidades da rede federal de ensino superior, e que contribuiu reconhecidamente na reorientação da expansão com qualidade e promoveu uma série de conquistas concretas em termos de qualidade acadêmica, financiamento, condições de permanência e acesso, políticas e equipamentos de assistência estudantil, infraestrutura, gestão democrática, avaliação interna, e por aí vai.

Pela UNE, decidimos que os dois representantes seriam um da situação e outro da oposição. Fomos indicados eu e meu companheiro Yuri Pires, então militante da UJR. A convivência e o dedicado esforço político, teórico e prático para construir o melhor posicionamento dos estudantes nos debates da comissão, para mobilizar as melhores energias das entidades estudantis na discussão dos documentos e relatórios das reuniões, para enfrentar as polêmicas e elaborar as propostas e soluções que pudessem obter conquistas reais, palpáveis, para a vida dos estudantes, construíram uma relação de grande respeito mútuo e solidariedade militante que só é possível desenvolver em companheirismo, ou seja, dividindo o pão da luta.

Neste mesmo incrível dia, o melhor estava por vir. Após a audiência com o ministro, fomos em marcha até o Congresso Nacional. Lá estava em pauta, em uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o Plano Nacional de Educação, e dentro dele, a destinação de 10% do PIB para a Educação, com os recursos dos royalties e do Fundo Social do Pré Sal.

A história inacreditável desta tarde, em que, aos milhares de jovens, conseguimos ocupar organizadamente a Comissão e as galerias da Câmara e aprovar com pressão e habilidade política, contra todos os prognósticos, a maior vitória política da educação e da juventude brasileira em nossos tempos - um Plano Nacional de Educação avançado com a meta de 10% do PIB pra Educação a partir dos recursos do petróleo brasileiro -, já contei e ainda contarei muitas vezes nas rodas, salas de aula, mesas de bar, e praças da vida, e não me repetirei aqui.

Mas aproveito para transmitir um abraço emocionado em cada estudante de cada cidade brasileira que lá esteve. Em cada militante de cada uma das diversas organizações políticas e movimentos da amplíssima e plural união nacional entre estudantes convertida na força invencível em que nos transformamos naquele dia.

Dos Congressos da UNE, então, o que falar? Desde que eu era secundarista até o último em que fui como presidente da UJS do Rio de Janeiro, quando já havia saído do movimento estudantil, fui a sete congressos.

É o mais massivo espaço autoorganizado da juventude no Brasil. Um ambiente de altíssimo nível de politização dos estudantes. Não há nada parecido ou que chegue perto em termos de democracia e diversidade ideológica. São dezenas e dezenas de diferentes correntes de pensamento, todas com o mesmo tempo de fala em qualquer debate ou plenária, que divergem em chapas e propostas e sempre se unem em passeatas e moções e na construção da própria entidade, patrimônio maior da luta estudantil e popular.

O Congresso da UNE não é só o encontro de milhares de estudantes de todo o país em alguma cidade brasileira, extremamente qualificado, fértil e saudável para nossos jovens. É um processo longo, que dura cerca de quatro meses de muito debate político, de campanhas em torno de ideias, de conscientização dos estudantes de seus direitos e da importância de seu engajamento na luta por um país melhor.

No Congresso em que saí da presidência da UNE, as eleições de delegados alcançaram 97% das universidades brasileiras, com quorum médio de cerca de 30% de votos e votação total de cerca 1,8 milhão de estudantes, de acordo com o sistema de credenciamento, que de tão transparente, é atualizado na internet algumas vezes ao dia e gerenciado - à época - por 82 entidades da rede do movimento estudantil eleitas por mais de 400 DCEs reunidos em um Conselho (o CONEG), com representação de TODAS as correntes organizadas e expressões autônomas do movimento.

Isso mesmo! Cada processo de eleição de delegado ao CONUNE, em qualquer universidade brasileira, como a UCP de Petrópolis, por exemplo, é acompanhado em tempo real por qualquer estudante, filiado ou não à qualquer organização política, de qualquer cidade brasileira, como Cruzeiro do Sul, no Acre ou Cerro Largo, no Rio Grande do Sul. Não há nada parecido também no movimento social brasileiro, em nenhum partido, nenhuma confederação ou central sindical, nenhum movimento urbano ou rural, tão transparente, tão plural e tão democrático. Tantas forças disputando entre si, reconhecendo e construindo uma mesma luta.

Apesar de testemunhar incontáveis exemplos de unidade e grandeza política de diferentes militantes e coletivos, é evidente que tive também o desprazer de presenciar cenas e gestos da mais grotesca estreiteza, do mais cego sectarismo e da mais lamentável mesquinhez.

É claro que nossa preocupação fundamental agora deve ser a luta pelo resgate da democracia no Brasil, a derrubada do Temer golpista com a conquista das Diretas Já e a derrota das reformas trabalhista e da previdência, que retiram direitos da classe trabalhadora.

No entanto, em tempos de franca expansão do fascismo e desavergonhado avanço do moralismo sobre a política, é preciso exercitar o olhar crítico sobre determinados discursos, presentes em pequenos setores do movimento, que aparecem às vezes na forma de "artigos" como um que ontem li com tristeza, vazio de qualquer conteúdo político ou politizante, que não sustenta sequer uma bandeira de luta ou proposta para os estudantes e a qualidade do ensino, e se vale dos mesmos recursos que os jornalões de massa e as revistas burguesas como a Veja, esforçando-se por espalhar falsidades sem qualquer prova para atacar a UNE e tentar deslegitimar suas lideranças nacionais ou locais.

Sempre muito parecido: na arrogância de sua visão pequeno burguesa e amparado pela sua concepção idealista e autoritária de mundo, o militante sectário se confunde na luta, esquece o real inimigo e a luta de classes, ataca companheiros e dissemina a desconfiança das pessoas sobre seus principais instrumentos de luta que são os partidos classistas e as organizações populares.

Lembro-me bem, há pouco mais de um ano, no início de 2016: era noite de chuva fina e eu caminhava rumo ao terminal de ônibus do centro de Petrópolis. Encontrei o autor do artigo descrito acima e perguntei a ele, naquele contexto: "companheiro, vamos realizar um ato unitário contra o golpe?" Ao que ele respondeu: "você sabe que na nossa opinião não tem golpe. O golpe é o ajuste fiscal". Respondi a tempo: "eu não acreditava que você ia dizer isso, por isso tentei".

Ao contrário do lamento amargo e da mentira azeda conscientemente empregados por alguns na ausência de melhor argumento para o embate, prefiro estar atento à verdadeira luta que hoje travam a juventude brasileira e a população trabalhadora, em defesa de nossos direitos, da democracia e da soberania do país e por perspectivas e consciências mais avançadas.

Escolho afirmar a esperança na luta da juventude, a confiança na honestidade e honradez da militância ideológica e combativa que desde muito jovem aprende a respeitar a história das entidades que as lutas de gerações legaram, na altivez dos que não rebaixam seu discurso e nem a guarda contra os reais inimigos do povo, no valor dos que praticam o que falam e acreditam no que fazem. Como Gonzaguinha, "ponho fé é na fé da moçada" e "vou à luta com essa juventude".

Acredito na UNE e nos estudantes! Desejo força e coragem a todas e todos militantes da UNE, dos vários movimentos estudantis de todo o país que hoje seguram o rojão e enfrentam o leão! Vamos à luta, Carina Vitral, Marianna Dias, Rafaela Elisiário, tantas lideranças, cada um(a) e todxs nós! Estamos juntos queridas e queridos camaradinhas, companheiras e companheiros.

Que venha um lindo e vibrante Congresso Nacional dos Estudantes e que a força de tanta gente boa junta seja um marco na virada deste duro jogo! Vamos retomar a esperança e o rumo da manhã geral em nosso país!

Viva o caráter daquelas e daqueles forjados na sincera consciência da unidade e da honestidade no cotidiano da luta!

Afinal, "a prática é o critério da verdade", dizia Lenin.

E Quintana dizia: "eles passarão, nós passarinho".

*Daniel Iliescu é sociólogo e professor e foi presidente da UNE entre 2011 e 2013

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CNBB recebe Coalizão por Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e prepara ações

Entidades debatem Reforma Política Democrática - Portal CTB             
A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas realizou na manhã desta quinta-feira (04), na sede da CNBB, em Brasília, uma reunião com as entidades que a compõem, onde foi apreciado e aprovado o texto-base com a proposta de reforma politica da sociedade.
O trabalho desempenhado pela Coalizão, mediante a articulação de mais de cem entidades da sociedade civil, resultou em um abaixo-assinado com 900 mil assinaturas de apoio ao Projeto de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática.

Na reunião de hoje, participaram a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), UNE (União Nacional de Estudantes), Ubes (União Brasileira de Estudantes Secundaristas), Auditoria Cidadã da Dívida, CONAM (Confederação Nacional das Associações de Moradores), MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia), CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares), Aldo Arantes e Roberto Amaral

Representando a CTB, Paulo Vinícius (PV) defendeu ampliação dá coalizão e ampliação do diálogo com as frentes. Ele destacou a necessidade de estabelecer o vínculo entre o voto dos deputados contra o povo e a estrutura do sistema político atual. “Sem mudar a politica, a tendência é o povo seguir sub-representado. Por isso, o papel dos trabalhadores na política é cada vez mais importante”, afirmou PV.
O dirigente sindical também falou da ameaça à democracia em tempos de golpe e a necessidade de atenção sobre a eleição de 2018, que só será democrática se houver mobilização popular que impeça o tapetão ou coisa pior. Além disso, Paulo Vinícius defendeu a necessidade de unificação da luta pela reforma política e em defesa da democracia e da Constituição de 1988.

Griôs: Francisco Urbano (CONTAG), Roberto Amaral (ex-vice da UBES, meu conterrâneo, ex-Presidente do PSB) e Aldo Arantes, o maior Presidente da História da UNE, o pai da lei do Grêmio Livre.

“Querem destruir direitos dos trabalhadores, a previdência e impor precarização sem limites. A centralidade da reforma política democrática com eleições limpas para a renovação do congresso que o povo quer seja feita com trabalhadores, mulheres e jovens é urgente”, finalizou PV.

De Brasília, Sônia Corrêa – Portal CTB

domingo, 8 de janeiro de 2017

Haroldo Lima: Juventude e chacina 

O Secretário Nacional de Juventude do Governo Temer defendeu "uma chacina por semana". Disse, sobre a chacina em Manaus, onde morreram 56 pessoas, que "tinha era que matar mais". O Governo Temer disse que essas opiniões "não são as do Governo".

Por Haroldo Lima

 

Essas opiniões, definitivamente, não são é da juventude de parte alguma do mundo, muito menos da juventude brasileira, que é das mais avançadas do planeta.

Um governo que nomeia para Secretário Nacional de Juventude uma pessoa que pensa assim agride toda a juventude do país, revela ser um governo contra os jovens, além de ser golpista e portanto ilegítimo, como de fato é esse governo de velhos, machos,brancos, ricos, corruptos e incompetentes. 

Michel Temer chamou para representar a juventude brasileira em seu Governo, como Secretário Nacional da Juventude, um tipo que poderia ser o Secretário Nacional das Chacinas, se esse cargo fosse criado. Anunciou que o homem que queria mais morte nas chacinas "pediu demissão", ante o escândalo provocado por suas declarações, que o governo concordou, e que vai procurar outro secretário.

É impossível esse governo arranjar uma pessoa que represente legitimamente a juventude no meio dos seus quadros, por ser um governo que nem conhece, nem sabe onde fica, nem respeita os grandes órgãos juvenis brasileiros, como a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. Não tem a menor idéia das justas razões que levaram os estudantes secundaristas brasileiros a ocupar cerca de 1.100 escolas em 22 estados da Federação. Acha que isto é baderna e para resolver esse gravíssimo problema só lhe ocorre uma coisa - usar a polícia. 
O secretário que se demitiu, embora ainda não oficialmente, falou em seu ideal de "uma chacina por semana". O governo esclareceu que essa não é sua opinião. Ainda bem.

Mas, nem bem o ano de 2018 começou, e já tivemos três chacinas, mais de uma por semana: a chacina de Manaus, com 56 mortos; a de Campinas, com 12 mortos, 9 mulheres; e a de Roraima, com 33 mortos, a maioria decapitada. É o ódio disseminado em todas, a misoginia divulgada em carta bem escrita do assassino da segunda chacina, a crueldade das decapitações da terceira chacina.

O ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, especialista em segurança pública, chamou a atenção de outros riscos sérios dessas ocorrências. Como há organizações criminosas funcionando nas cadeias superlotadas, diz Beltrame, existe o perigo dessas barbaridades se estenderem para as ruas. A chacina de Roraima seria resposta do chamado Primeiro Comando da Capital , o PCC, ao que ocorreu em Manaus. E há indicações de que isto estaria se ramificando por países vizinhos.

Por onde se vê que o problema é sério, e é a manifestação dramática, em um ponto determinado - o sistema carcerário brasileiro - da doença que vai corroendo a sociedade como conjunto, com a proliferação de idéias de extrema direita, como o antifeminismo, ( que chama a Lei Maria da Penha de Lei Vadia da Penha), a intolerância religiosa e de orientação sexual, a escola sem partido, a corrupção, o uso de pretenso combate à corrupção para acobertar corruptos-amigos e acabar com políticas de integração social, a perda da auto-estima da Nação brasileira com a entrega de nossas riquezas, com a liquidação de nossa engenharia de grandes obras e sua substituição por engenharia estrangeira. 

Precisamos estar atentos á gravidade da crise que nos assola. Não se deixar iludir, nem perder o rumo. 

Na Alemanha, numa fase de grande crise, no final da década de 1930, essas idéias de extrema-direita ganharam a cabeça de multidões, que começaram a enxergar, no seu amigo seu inimigo, e no inimigo encapuchado, seu amigo, seu líder. O homem que se apresentou como puro, incorruptível , defensor da ordem e da tolerância zero para os que não eram da raça "pura", ou eram comunistas, ou judeus, ou tinham diversidade de orientação sexual, cresceu, sob palmas torrenciais. Foi Hitler. 

*Haroldo Lima - é membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

UNE - Ocupações de todo o Brasil vão se unir na Universidade de Brasília

UNE

11/11/2016 às 17:29, por Cristiane Tada.

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UNE vai organizar uma força-tarefa de estudantes e entidades educacionais em caravana contra a PEC 55

Estudantes de ocupações universitárias e secundaristas de todo o Brasil vão se reunir na Ocupação da UnB, na capital federal, junto com diversas entidades do movimento educacional nos próximos dias 14 e 15 de novembro.

A UNE quer construir uma grande caravana até o Senado Federal no dia 29 de novembro, em que será votada em primeira instância a PEC 55.

A ocupação da Universidade de Brasília (UnB) está se preparando para receber os representantes das quase 200 ocupações e construir uma força-tarefa de resistência.

‘Vamos trocar experiências, nos organizar e construir uma caravana que vai chamar a atenção da sociedade ainda mais e mostrar para o Senado e para o governo que os estudantes sabem exatamente o que querem, não queremos essa PEC que pode prejudicar nosso futuro”, destacou o diretor da UNE e estudante da UnB, Iago Montalvão.


Estudantes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), ocupada desde o dia 25 de outubro estarão em Brasília. “Esperamos não só um posicionamento da UNE a respeito da criminalização dos movimentos sociais, como também que seja decidido trâmite de organização de transporte e de estrutura para conseguirmos integrar a caravana, e no caso da PEC passar já fala-se em ficar lá do dia 28 até a segunda votação no dia 13”, destacou Peter”, afirma Angelo Peter, presidente do DCE.

De acordo com ele além da luta contra a PEC 55 e o pacote de maldades de Temer na Rural a ocupação também apoia a luta dos terceirizados da universidade por melhores condições de trabalho. Os professores também decretaram apoio ao movimento.

Os estudantes da ocupação da Universidade Federal do Ceará (UFC) em greve desde o dia 03 também irão a Brasília. “Vamos construir uma grande caravana do Ceará rumo a Brasília com cerca de 200 estudantes para ir ao Senado”, afirmou Luis Carlos de Sousa, do DCE e do CA de Economia.

Segundo ele na UFC já são 24 cursos ocupados e as assembleias só aumentam. A reitoria se manifestou a favor da legitimidade da manifestação e os estudantes. “Estamos vivendo um momento histórico aqui, de forte resistência, as ocupações tem conseguindo fomentar o debate e conscientizar os estudantes sofre os efeitos maléficos da PEC 55”, afirmou.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

NOTA DA UBES, UNE E ANPG SOBRE ADIAMENTO DO ENEM





O movimento de ocupações de escolas e universidades tomou o Brasil contra a Medida Provisória 746 da Reforma do Ensino Médio e contra a PEC 241, agora PEC 55 em tramitação no Senado Federal. Este movimento é claramente legítimo ao sair em defesa intransigente da educação pública, gratuita, de qualidade e inclusiva, e já é vitorioso pela dimensão da sua mobilização – já são mais de 1.200 escolas e institutos federais ocupados, além de 139 universidades em todo o país.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), entidades nacionais representativas dos estudantes, vêm a público condenar o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 para os estudantes que fariam provas nas escolas ocupadas. O ato do Ministério da Educação causará transtornos a mais de 190 mil estudantes em 304 locais de prova.

O diálogo poderia ter garantido a realização do ENEM em todo o Brasil, mas esse não foi o caminho escolhido pelo MEC, que desde o princípio ameaçou os estudantes por meio do cancelamento do ENEM e da responsabilização das entidades e ocupantes. Vivemos nas eleições municipais no último final de semana a realização da votação em coexistência com as escolas ocupadas, propiciado pelo diálogo entre a Justiça Eleitoral e os ocupantes. Hoje mesmo aconteceu uma reunião entre o Inep, a Secretaria de Educação de Minas Gerais e os estudantes que chegaram à conclusão que é possível garantir o ENEM no Estado. Seguiremos nos empenhando nesse diálogo torcendo para que a decisão precipitada do MEC possa ser revertida.

É necessário ressaltar que a existência do ENEM é uma conquista do movimento estudantil que lutou em toda a sua história pela democratização da universidade. Por esse motivo, nunca seria o movimento estudantil a impedir a realização das provas, porque sabemos que isso significa a oportunidade de milhares de nós – estudantes de escolas públicas – a ingressarem na universidade. É bom lembrar que vários estudantes ocupantes farão a prova do ENEM.

Reafirmamos com a presente nota a luta contra a MP 746 porque achamos que a Reforma do Ensino Médio não cabe numa medida provisória, queremos ser ouvidos para a necessária reforma, queremos o envolvimento de toda a comunidade acadêmica nesse processo. Queremos que pare a PEC 241 (agora PEC 55 no senado), pois ela congela os investimentos em educação e junto inviabilizam o Plano Nacional de Educação.

Ao adiar a realização do ENEM nas instituições ocupadas para o mês de dezembro, o ministério tenta lamentavelmente colocar os estudantes uns contra os outros, buscando enfraquecer o movimento legítimo das ocupações. No entanto, não terá sucesso. A juventude se ergueu contra o congelamento do seu futuro, vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC e a MP do ensino médio com toda a nossa força. Nossa luta não acabou, segue e se fortalece por meio de novas instituições ocupadas e mobilizadas.

Reivindicamos:

* Pela retirada imediata da MP 746 de reforma do Ensino Médio;
* Pela retomada da discussão do PL 6840/2013 sobre a Reformulação do Ensino Médio, em sua Comissão Especial no Congresso;
* Por um calendário de audiências públicas para discutir e debater a Reformulação do Ensino Médio com a sociedade civil, intelectuais, entidades educacionais;
* Pela não aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241);
* Contra a Lei da mordaça (escola sem partido)


União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES
União Nacional dos Estudantes – UNE
Associação Nacional dos Pós-graduandos – ANPG

1º de novembro de 2016

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Os acendedores de manhãs  Joan Edesson de Oliveira * - Portal Vermelho

Ah! Esses meninos. Ah! Essas meninas. 
Espalham-se pelas ruas, pelas escolas, pelas universidades. Não se contentam mais em esperar pelo amanhã, não querem apenas, como deles dizia Máximo Górki, ter a face do amanhã. Têm sede de hoje, estão famintos pelo agora.

Quem são esses meninos, que ocupam o Brasil, que transbordam em sua juventude e em sua rebeldia, que não podem mais ser escondidos, por mais que tentem? São herdeiros de outros meninos, em lugares e em tempos tantos da nossa história. São herdeiros daquele menino baiano Antônio de Castro Alves, abolicionista e republicano, voz tão poderosa a pregar aos séculos que “toda noite tem auroras” e a dizer aos moços como ele que “não tarda a aurora da redenção”. Descendem eles do menino alagoano Zumbi, que imberbe ainda comandou homens e sonhou a liberdade.

Quem são essas meninas, buliçosas e de olhar tão vivo, que transpiram beleza e coragem, que erguem a voz doce e firme em tribunas hostis, obrigando velhos conservadores a desviar o olhar, envergonhados e derrotados, por mais que se vistam de vencedores? São descendentes diretas daquela menina Anita Garibaldi, que aos dezoito anos fazia guerra e amor, incendiando o sul do Brasil com a chama da liberdade. Elas vêm da baiana Maria Quitéria, pondo em fuga o opressor português. Vêm de outra baiana, Maria Bonita, que aos vinte anos armou a ternura e alou-se em lenda na caatinga sertaneja. 

Por que despertam tanto ódio nas elites, por que são tão atacados? Não são um exército com tanques, mísseis, fuzis. Não são uma força estrangeira a nos invadir. Qual o perigo que representam, então? Por que jornais e emissoras de TV se empenham tanto em atacá-los? Por que representantes de um governo ilegítimo, velho, machista e misógino, atacam com tal força essas meninas que discursam? Por que recrutam milícias que parecem integralistas saídos de um mofado livro de história para atacar esses jovens?

É que esses meninos, essas meninas, riso solto e gargalhada livre, são uma grande ameaça. Os alicerces desse edifício secular das classes dominantes tremem ante o riso deles, temem a sua gargalhada. Mas acima de tudo, o que causa temor mesmo são os sonhos desses meninos e meninas. Sim, eles sonham. Sonham com educação de qualidade, sonham com justiça, sonham com uma polícia que não seja executora da juventude, sonham com um Brasil novo e têm a mais pura e justa certeza de que o novo sempre vem. 

É por isso que eles são tão perigosos. É por isso que há jornalistas vendidos que os atacam. É por isso que há promotores de justiça que ordenam que eles sejam algemados. É por isso que há juízes que autorizam e recomendam o uso de técnicas de tortura contra eles. É por isso que há policiais prontos a bater, a socar, a prender. Porque esses meninos e essas meninas são perigosos, porque eles agarraram o futuro com as mãos e querem que o futuro seja aqui e agora, e não num tempo que nunca chega. Esses meninos são perigosos porque eles podem colocar o mundo de ponta cabeça, e de virá-lo em festa, trabalho e pão, como sonhou o poeta.

E esses meninos e essas meninas estão armados. Suas armas são as ideias que carregam, são o verbo que corta, a voz que inflama. Estão armados, eles. Trazem consigo a arma mais poderosa que há. Como em Pessoa, trazem em si todos os sonhos do mundo.

Parece que saíram de algum poema, esses meninos, essas meninas. Parecem que saíram de algum poema, para em tempos de tanta escuridão, de noite tão comprida, correrem pelas esquinas do Brasil, chamando pela aurora, acendendo as manhãs.

* Educador, Mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará.



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vídeo e texto integrais do pronunciamento de Dilma após o Golpe consumado pelo Senado - Portal Vermelho

Dilma: Haverá a mais firme oposição que o governo golpista pode sofrer - Portal Vermelho:
Em pronunciamento após a aprovação do impeachment pelo Senado, Dilma Rousseff, legítima presidenta eleita do Brasil, afirmou nesta quarta-feira (31) que os senadores que votaram pelo seu afastamento definitivo rasgaram a Constituição e consumaram um golpe parlamentar.

“O golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido ou os partidos aliados. Isso foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática. O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções”, denunciou Dilma, que estava acompanhada pelo ex-presidente Lula, além de lideranças dos movimentos sociais e parlamentares da oposição.

Dilma afirmou que a decisão do Senado Federal “entra para a história das grandes injustiças”. “Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal, decidiram pela interrupção do mandato de uma presidente que não cometeu crime. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar”, afirmou.

Dirigindo a sua mensagem ao povo brasileiro, Dilma reforçou que o golpe é contra as conquistas sociais garantidas nos últimos anos. “O golpe é contra o povo e a nação. O golpe é misógino, homofóbico e racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito e da violência”, salientou.

Com a voz firme e o olhar altivo, Dilma Rousseff conclamou o povo a lutar contra o retrocesso. “Peço, não desistam da luta. Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos nós vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer. Repito. Haverá contra eles a mais determinada oposição que um governo golpista pode sofrer”, avisou.

Leia a íntegra do pronunciamento:

Ao cumprimentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimento todos os senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.

Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.


Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.

É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.

O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.

Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.

Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.

O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.

O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.

Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.

Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.

A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.

Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Quando o presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.

Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de Estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.

Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.

Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.

Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.

Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.

Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces. Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero. Nada nos fará recuar.

Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.

Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:

“Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.”

Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.


Do Portal Vermelho, Dayane Santos

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