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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Paz e Solidariedade para a Venezuela. Ianques, Go Home! Paulo Vinícius Silva

Gilberto Dimenstein, Marcelo Rubens Paiva e Heloísa Genro, Gregório Duvivier e talvez até você, que me lê agora, todos concordam que a Venezuela seria uma ditadura e apoiam, objetivamente, os movimentos de países que querem apear Maduro do governo de seu país. Não à toa, a sabedoria popular ensina a separar o querer bem de seguir as besteiras que uma pessoa que admiramos fale. Esse é o problema da cultura dos avatares. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A coincidência das opiniões não é fortuita, reflete os limites da concepção da democracia burguesa e da sua ética, que posa de radical e afeta especialmente à classe média.

Curiosamente, não se apercebem, da coincidência de sua visão de política exterior com a esposada pelo Ministro Ernesto Araújo. Desse modo, chancelam uma política absurda de hostilidade contra o país irmão num grau de agressividade inédito há pelo menos um século. Todavia, foi acertada a posição de PT e PCdoB, desde o princípio, de denunciar as perigosas bravatas que se fazem de nosso país contra o povo irmão venezuelano, sem atentar para as consequências catastróficas e infames dessa política. Quem é contra Bolsonaro deveria ouvir seus ataques e hostilidade contra a Venezuela, agressão movida por governos, estes sim, frutos de fraude eleitoral, de extrema direita, a cumprir o funesto papel sabujo de cães de caça do império estadunidense contra um país latino-americano, contra a Pátria de Simón Bolívar.

É uma atitude burra o Brasil apoiar essa aventura golpista pelo intervencionismo externo que agora se tornou a panacéia universal, destinada a "salvar o povo venezuelano"do "regime de Maduro". Ora, quanta bobagem. O que estamos vendo é mais um capítulo do jogo bruto que se tornou o direito internacional e a noção de democracia desde a trágica invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003 - o Presidente Lula foi contra.

A partir dali, passa-se a admitir que se "exporte" via bombardeios a "democracia". A partir daí, torna-se aceitável o tipo de infâmia que representa o governo espanhol, monarquia metropolitana da Venezuela, derrotada por Bolívar, ter a pachorra de emitir um ultimato dando dias para que a Venezuela deponha seu presidente. É um escárnio. Jamais o Brasil podia apoiar isso, se levasse em conta o interesse dos brasileiros. Tal sorte de ataque contra a soberania de um país pode se voltar contra nós, que temos o Pré-Sal (tínhamos), a Amazônia, e somos um país invadido, entregue por dentro por uma quinta coluna. A quem interessa esse direito internacional em que um país ou um conjunto de países fora do ordenamento jurídico internacional - uma coalizão de interesses espúrios, de conquista, colonial, imperialista - possa se reunir e dizer: não reconheço sua eleição, ou ainda, dou-lhe prazo pra sair do poder, ou ainda, anule sua eleição e chame outra, ou ainda, que o derrotado, o Aécio deles assuma!? É uma loucura. Eles farão o mesmo conosco. É uma posição que fragiliza a soberania do nosso país, expõe-nos a uma guerra, completamente despreparados, com um caos evidente, sob um governo de incapazes. Devia o governo apoiar os venezuelanos na nossa fronteira, isso eles não fazem. Vocês entendem o que é o impacto de refugiados de guerra? Tem noção?!

A Venezuela está sofrendo uma guerra econômica, um bloqueio financeiro internacional, a secessão interna, atos terroristas promovidos pela oposição - houve há poucos dias um atentado com drone contra Maduro num ato público -, inúmeras atividades financiada desde fora. Há uma peculiaridade no subdesenvolvimento venezuelano estudada desde a década de 50 por Celso Furtado, e que no debate acadêmico nacional se refere a uma específica fragilidade econômica, o rentismo petroleiro, fator geopolítico incontornável dos interesses em disputa na Venezuela, uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
2018

O peso do petróleo na economia se reflete na abundância de divisas internacionais que afeta sobretudo o câmbio e o valor nominal dos salários e preços. É um desestímulo massivo a qualquer atividade econômica interna, pois é mais barato importar tudo, não dá para competir. Essa conjuntura se agrava quando a classe empresarial comercial e importadora “acarapa" os produtos que deveria vender ao publico. No governo Sarney, no Brasil, em parte isso aconteceu com a carne, quando se escondiam as reses, especulando com o preço. No caso venezuelano é um locaute, liderado pelas associações empresariais, como FEDECAMARAS, que ficou célebre no sequestro e na tentativa de golpe contra o falecido presidente Chávez. Assim, a crise econômica venezuelana tem razões estruturais do seu rentismo petroleiro, agravadas pelo boicote econômico. A isso se soma o boicote diplomático promovido pelo alinhamento à politica hostil dos EUA, agravada por Trump.
2017

Outro aspecto do “regime de Maduro” é a caracterização de seu governo como ditadura, porque que ele não se submeteu à pantomima de atendimento às tentativas institucionais de golpe de Estado. No exercício de seu mandato, dado pela traumática eleição em que Chávez morrera, Maduro teve de enfrentar a insubmissão da Assembleia - lembram do Cunha, do impeachment? - que visava simplesmente a retirá-lo do poder dado pelas urnas. Maduro, ao contrário de Dilma, não se submeteu à sanha golpista e, com base na mesma Constituição, foi ao Supremo, anulando o golpe e chamando novas eleições, que venceu por 67% dos votos num sistema eletrônico similar ao nosso. O grau de polarização da sociedade e da disputa política e econômica no país vai a extremos com o estímulo externo, para a derrocada do governo e a retomada, pela força, da direção da PDVSA e do petróleo Venezuelano. Que moral o Brasil de hoje tem para criticar um país como a Venezuela? Esse país teve o maior número de eleições no mundo, no período de 1998-2018. Foram 6 eleições presidenciais, 5 eleições parlamentares, 7 eleições regionais, 4 eleições municipais (desde 2013), 6 referendos e 2 eleições de assembleia constituinte. Por que a Arábia Saudita, reino autoritário e misógino, merece o apoio dos EUA e a Venezuela apenas o ódio. Petróleo é a palavra, não democracia, não nos iludamos.

Não podemos jamais nos enredar nessa sorte de manobra estimulada claramente pelo imperialismo estadunidense e seus interesses petroleiros.

A fragilidade de nossas FFAA devido ao sucateamento é gritante. Para pagar o serviço da dívida pública e para a agenda da “corrupção”, que foi corrompida, vimos sacrificados projetos centrais da defesa nosso país, como o submarino nuclear - com a prisão do gênio brasileiro, Vice-Almirante Othon, criador das centrífugas de enriquecimento de urânio brasileiras - , a renovação frustrada dos caças, o satélite brasileiro (já dominado) e o alheamento crescente aos interesses nacionais por um deslumbre injustificado diante de uma potência decadente como os EUA.

Enquanto isso, no país vizinho vimos o fortalecimento inaudito da autoridade política dos militares e da capacidade de defesa venezuelana, assim como a vinculação de sua economia às chinesa e russa, mudando o eixo de seu comércio exterior e também saindo dos grandes acordos do sistema financeiro.

Expomo-nos, assim, a um conflito internacional em plena Amazônica, em que o interesse de superpotências se impõem sobre a vontade soberana de um povo para lhe retirar o petróleo. Nada pode depor mais contra o interesse dos brasileiros e brasileiras. A América Latina deve ser solidária à Venezuela, recebendo com dignidade os irmãos venezuelanos e repudiando toda chantagem e ingerência externa, somando  em favor do diálogo e da paz na nossa região. E devemos repudiar a intervenção dos EUA promovendo a guerra na América Latina. Essas sim são as posições que correspondem aos grandes interesses nacionais. Ianques, go Home! Paz para a Venezuela, não à ingerência externa! Os venezuelanos são os e as donos(as) de seu destino!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ATÉ QUANDO? - Sobre a tragédia em Campinas - Manoel Olavo

Como professor de psicopatologia, sei que é questionável fazer afirmações categóricas sem examinar pessoalmente um paciente. Mas, no caso da recente chacina à sangue-frio de 12 pessoas em Campinas, arrisco-me a dizer algumas coisas, pois envolvem reflexões necessárias e urgentes sobre o adoecimento de nossa sociedade.

Em primeiro lugar, chama a atenção a ausência de qualquer alteração psicopatológica óbvia na carta deixada pelo assassino. Em termos formais, não se verificam alterações de pensamento, conteúdo delirante, referências à alterações de sensopercepção, desorganização formal da escrita ou linguagem. Nada, enfim, que possa sugerir um quadro psicótico agudo ou crônico. Por sua vez, descartando uma alteração de consciência, observa-se um discurso coerente e bem organizado, típico de uma pessoa com formação cultural relativamente elevada, que busca desenvolver, com argumentos lógicos, uma justificativa para seu ato.

Sidnei justifica a chacina múltipla que cometeu, inclusive do filho e da ex-mulher, seguida de suicídio, como um ato de heroísmo exemplar contra as leis de "um paizeco feito para bandidos e bandidas". A carta é raivosa, mas não é irracional. Na tipologia de suicídios proposta por Durkheim, podemos falar dum suicídio de tipo altruístico. Sidnei seria uma espécie de homem-bomba brasileiro. Um vingador solitário de filme norte-americano, acertando as contas com as injustiças que sofreu, oferecendo um exemplo para a sociedade.

Dois temas percorrem a carta de alto a baixo: a misoginia e o ódio. A palavra "vadia" é repetida dezenas de vezes, como sinônimo de mulher. O aparente enquadramento de Sidnei na lei Maria da Penha e sua proibição de ver o filho, segundo ele, por imposição da ex-mulher, teriam sido os elementos que detonaram a sua "loucura". Para Sidnei: "na verdade, somos todos loucos, depende da necessidade dela aflorar". Mas o que nele aflorou, ao invés de loucura, foi ódio passional de tipo fascista.

Um outro aspecto chama a atenção na carta de Sidnei. Ela nos parece estranhamente familiar. Na realidade, é. A carta é um apanhado de quase todos os lugares comuns do pensamento de extrema-direita que tomou conta do Brasil nos últimos anos. A raiva, a misoginia, o horror ao feminismo, o desprezo à democracia, o discurso fanático anticorrupção, o ódio aos direitos humanos, ao Estado, a intolerância social, a glorificação da violência e dos militares. Está tudo lá. É como se ouvíssemos o discurso de algum coxinha exaltado numa mesa de bar, como se assistíssemos a um programa policial na TV bandeirantes, como se ouvíssemos um comentarista da rádio jovem pan, como se lêssemos os comentários odiosos postados na redes sociais sobre os mais diferentes assuntos. O pensamento de Sidnei, em seu conteúdo, é uma expressão sociológica clara do que nos transformamos, graças à ação de grupos de extrema-direita, visando seus interesses políticos, e ao trabalho diário da grande mídia.

Mais um trecho da carta: "Não tenho medo de ficar preso, além do que eu, preso, vou ter 3 alimentações completas, banhos de sol, salário, não precisarei acordar cedo pra trabalhar, vou ter representantes dos direitos humanos puxando meu saco, também não vou perder 5 meses do meu salário em impostos" - Ao pensar sobre si mesmo na cadeia, Sidnei se atribui todos os jargões de extrema-direita sobre bandidos em penitenciárias (vagabundo, recebe salário, come 3 vezes ao dia, tem defensores dos direitos humanos, etc). Vida boa, enfim. Termina referindo-se a uma ideia do ultraliberalismo norte americano que também predomina no pensamento de extrema-direita que nos invadiu: ele será feliz porque não pagará mais impostos.

Noutro trecho, dirigido ao filho, Sidnei escreve: "Morto também já estou, porque não posso ficar contigo, ver você crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e um bando de loucas" - Aqui, uma pretensa declaração de amor paterno encontra seu grande obstáculo: são elas, "as loucas feministas"; outra ideia onipresente no pensamento de extrema-direita brasileiro. Mais adiante, Sidnei nega sua misoginia: "filho, não sou machista e não tenho raiva das mulheres"; mas acrescenta: "tenho raiva das vadias que se proliferam e muito, a cada dia se beneficiando da lei Vadia da Penha".

A ideia dum país dominado pela corrupção que sustenta os políticos, o que causa todos os seus males e mortes (o clichê dos clichês do fascismo brasileiro) surge no trecho a seguir, junto a uma referência aos "bandidos que matam por um celular": "No Brasil, crianças adquirem microcefalia e morrem por corrupção, policiais e bombeiros morrem dignamente na profissão, jovens de bem (dois sexos) morrem por celulares, tênis, selfies e por idolos, jornalistas morrem por amor à profissão, muitas pessoas pobres morrem no chão dos hospitais para manter políticos na riqueza e no poder".

O ódio misógino sequer poupa uma citação ao impeachment da presidente "vadia" Dilma Roussef, criticando, pelo viés da extrema-direita, a preservação de seus direitos políticos: "Infelizmente muitas vadias fazem tudo de errado para distanciar os filhos dos pais e elas conseguem, pois as leis deste paizeco são para bandidos e bandidas. A justiça brasileira é igual ao Lewandowski (um marginal que limpou a bunda com a constituição no dia que tirou outra vadia do poder), um lixo!" Quem costuma percorrer os meandros das publicações de direita das redes sociais, sabe que esta expressão - "É um lixo!" - é a maior ofensa possível. É outro jargão muito usado pela extrema-direita.

No trecho a seguir, Sidnei exalta o caráter exemplar de seu ato, definindo-se como o herói de uma classe: "Eu morro por justiça, dignidade, honra e pelo direito de ser pai! Na verdade somos todos loucos, depende da necessidade dela aflorar! A vadia foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os filhos, agora os pais quem irão se inspirar e acabar com as famílias das vadias. As mulheres, sim, tem medo de morrer com pouca idade". A violência do seu ato foi, sobretudo, uma ameaça com endereço certo. As feministas que se cuidem. Assim, a violência extrema é apresentada como um recurso legítimo, quando cometida por alguém verdadeiramente corajoso, honrado e ultrajado.

Esta "violência legítima" contra os diversos "lixos" que infestam o país (feministas, bandidos, corruptos, petistas, gays) é moeda corrente no pensamento de extrema-direita que prolifera entre nós. Esta talvez seja a fórmula mais repetida dentre todas. Só a morte nos libertará dos lixos. É fácil, por exemplo, encontrar postagens nas redes sociais dizendo que o erro da ditadura militar foi só ter torturado, e não ter matado todos os comunistas do país enquanto era possível.

A evidência que se coloca diante desta tragédia é o fato dela pertencer não apenas ao homem que a cometeu e às suas pobres vítimas, mas a todos nós. Ela é o produto de um país. Há pelo menos uma década este pensamento doentio, intolerante, misógino, homofóbico, anticomunista, antihumanista, contrário aos direitos humanos, pregador da barbárie e da violência viceja entre nós.

Era uma questão de tempo para um fato como este acontecer, dentro desse caldo de cultura. O ódio, a agressão ao diferente, o ideário fascista, a ruptura dos padrões mínimos de civilidade, a morte como solução estão impregnados em todas as relações sociais e espaços públicos de discussão no Brasil. E também na carta de Sidnei. Seu ato monstruoso alimentou-se do ideário fascista que existe entre nós.

Significativa parte da elite sócio-política e da grande mídia brasileiras tem estimulado este tipo de pensamento, pois ele foi-lhes útil para chegar ao poder pela derrubada de um governo legitimamente eleito, para desmoralizar a esquerda e para obter o que antes não tinham no Brasil: credibilidade social.

Diante de tamanho horror e irresponsabilidade, deixo no ar uma pergunta simples: até quando?

Manoel Olavo - psiquiatra e psicanalista. Visitem meu blog de poesia http://simetria-do-aluviao.blogspot.com/

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

De férias, com mais leveza, mas avaliando a conjuntura - Paulo Vinícius SIlva

Barbalha, Ceará, 27 de janeiro de 2015.


Negada, meu povo e minha pova, everibodi, é preciso ter nervo pra mudar o Brasil! Não dá para, em janeiro, nessa correlação de força nacional e internacional, entrar numa onda de desespero, prostração, um cornosentimento medonho!!!

O que eu tô vendo é outras coisas, vamo lá:
1- já é o segundo cadáver em véspera de eleição no Cone Sul, para instabilizar gravemente a eleição e jogar "culpa" sobre a candidata do povo. A Páscoa tá chegando, se acreditasse nessas coisas, tava esperando o ovo da páscoa do coelhinho.

2- Já é o segundo "atentado" numa cidade emblemática, sede de um eixo imperialista, com um presidente mais fraco que caldo de bila que se torna um potentado da luta pelo terrorismo, e graças a esses grupos que, sinceramente, não são apenas de gente doida, mas aquela gente doida especial que conta com a torcida vibrante do imperialismo. Como disse, cadê o meu ovo da Páscoa?

3 - Israel ligado indissoluvelmente aos dois episódios em momento de profundo isolamento político e diplomático.

4 - Obama é um menino bom, né? Vede: a) em ardilosa manobra com seus aliados sauditas (que queime nos quintos do inferno o tirano recentemente falecido), ataca gravemente as economias de Rússia e Venezuela. Em meio aos ataques midio-tucano-judiciais-financeiros contra a Petrobrás, dá duríssimo golpe contra o Pré-Sal. b) aproximação com Cuba é fruto de isolamento e inutilidade do bloqueio, e intento de neutralizar a liderança da Revolução interna e internacionalmente. Tolinhos: Fidel, Raúl, o Partido Comunista de Cuba, a CTC, a UJC, a FEU estão aí para o que der e vier. É um bom desafio, mas eu confio, e muito, na capacidade de Cuba o superar e sanar suas inúmeras dificuldades econômicas, esse sim um obstáculo gravíssimo ao prosseguimento da Revolução. c) com toda a fraseologia, Obama joga no colo dos republicanos toda a sua pauta positiva que posiciona os democratas na melhor posição: em favor dos latinos, que serão a maioria do eleitorado estadunidense. A maioria no Congresso, republicana, virou um tremendo abacaxi; d) Petróleo saudita barato e independência energética graças à areia de xisto, que legal pros EUA; e) continuam a armar terroristas, a CIA continua seus assassinatos pelo mundo, só que agora o cabra posa de "esquerda". Cenários bastante perigosos adiante;

5 - Vitórias de esquerda na Grécia com o Syriza ( e PC da Grécia cresceu em 25% sua bancada ) e possibilidades alvissareira na Espanha. Situação desesperadora na economia, não será fácil, nem retilíneo o caminho. Tenho esperanças, mas nem demonizo nem idolatro essas alternativas. Europa segue um caminho que já percorremos, ou não? Construção de frentes sociais e políticas amplas e heterogêneas de esquerda contra a tragédia neoliberal. Vai ter muita ida e vinda. O resultado dependerá da unidade do povo. O farol é a América Latina e a Ásia. Apoiemos as mudanças, torçamos pela unidade dos povos grego e espanhol e esperemos que isso jogue muita areia na empada neoliberal da União Europeia que, não é à toa, mandou a "austeridade" para as cucuia, liberando o crédito pelo BCE, já que o esquema do Quantitative Easing, as emissões para tapar os buracos da especulação, deram tão certo. Também não é à toa à "guerra ao terrorismo 2, nous sommes hipocrites". Ora, não é apenas guerra de mentira, e restrição democrática, militarização, carta branca para os arapongas e uma força descomunal para a extrema direita.

6 - No Brasil, as centrais sindicais recuperam condições de unidade e tem uma postura correta e firme diante das vacilações da DIlminha. Isso é ótimo, cria condições para a pressão justa que impeça barbeiragems. Diminui as ilusões com as iniciativas do Executivo, para que o povo assuma seu papel, que não é de espectador, mas de ator central das mudanças. Também não devemos entrar nessa lógica do cornosentimento "fui traído, buáááá´", isso é besteira. É a classe média que tem essa visão da pureza e da retidão a todo preço, isso é uma abstração, o Brasil é mais complexo, temos de jogar o jogo, galera, governo em disputa, lembra? E lembram que a gente ganhou, mas a direita se fortaleceu? Então!!! Calma, meu povo! Não à abertura do Capital da Caixa! Nenhum direito a menos!!! É isso mesmo. Mas, jogar Dilminha pro lado de lá em janeiro, Ave, Maria. Camomila e pressão e luta política, e construção de unidade, isso sim!!!

7- Lula está lépido e fagueiro circulando com o povo, excelente notícia. O que emos de levar adiante é a grande UNIDADE POPULAR. Partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicais, juvenis, para que exista uma frente orgânica, e não apenas eleitoral. Um programa de reformas avançado, e não uma permanente briga por pedaços de pautas específicas. Para mim, essa é a questão central, e as bandeiras na crista da onda são, além da defesa do crescimento e do emprego e dos direitos, a REFORMA CONTRA A MONOPOLIZAÇÃO DA MÍDIA e a implantação imediata da PROIBIÇÃO DO FINANCIAMENTO PRIVADO, sob o boicote do Ministro Gilmar Mendes.

8 - O Brasil é grande e nosso povo é talentoso e de luta, havemos de encontrar os caminhos. As palavras centrais continuam sendo Soberania, Democracia, DESENVOLVIMENTO, DIREITOS! Vamos por aí, disputar o rumo do grande, para que os neolibelês não matem nossa economia a pauladas, como a uma ratazana prenha. Temos de unir-nos por uma pauta econômica que vença esse momento de tergiversação, confusões, adversidades e falta de clareza sobre o futuro imediato da nossa economia. Mas, convenhamos, cadê a nossa agenda econômica para agora, para o já? Como reunir forças, e não apenas dos trabalhadores, mas também na indústria, no campo, na academia, para a disputa do projeto e desenvolvimento???

9 - O PCdoB há de contribuir muito, e precisa, sobretudo, apoiar uma maior e mais orgânica unidade de esquerda. Grandes esperanças no Maranhão e na C&T não podem eludir as imensas responsabilidades e obstáculos, sobretudo vinculados à nossa capacidade de diálogo, de construção de frentes e de implementação de ações para o DESENVOLVIMENTO. Espetacular o momento que se abre para o PCdoB, ainda mais com dois camaradas como Dino e Aldo Rebelo. Isso tudo nos exigirá mais clareza, organização e sagacidade política. Bem vinda a nossa Conferência. Não devemos, apenas apoiar o PT. É preciso apoiar, criticar, jogar o jogo, e construir uma grande frente que una democratas, patriotas e a esquerda. O Glorioso partido dos mártires, sua juventude, intelectuais, trabalhadores tem muito a ajudar, e não será apenas no grito, mas naquilo que o Partido tem de mais nobre: a política. Complexa, como é o Brasil, clara, mas cheia de mediações, e deve ser ponte para essa grande unidade. Sem uma grande UNIDADE POPULAR o Brasil não avançará mais do que até aqui chegamos, esse eterno meio barro, meio tijolo. Só com amplas massas envolvidas, com um caminho mais claro, poderemos avançar, e foi assim que se avançou por toda a parte. Mudar o Brasil, superar o neoliberalismo, abrir uma nova quadra para nossa pátria, não será tarefa de um presidente(a), ou de um partido, necessariamente é tarefa para milhões, e só pode ser levada a cabo com o concurso dessa preciosidade, a militância. Mas tá todo mundo inquieto, e meio descacorçoado. Temos de ter clareza e mobilização, mas também há que ter nervo. Complexo de corno não serve pra nada nem em casamento, avalie em política, só pra errar. Clareza, unidade, mobilização, certas estão as centrais sindicais, e me dá grande esperança ver tanta sintonia entre a CTB e a CUT, grandes esperanças.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A FARSA DA LIBERDADE DE EXPRESSAO OCIDENTAL - A prisão do humorista Dieudonné em Paris ´Frente Brasileira de Solidariedade com a Síria

 O famoso comediante politicamente incorreto Dieudonné fez uma piada com o slogan JE SUIS CHARLIE e foi detido na França! Entenderam? Ele foi preso! A liberdade na França é apenas para os que atacam muçulmanos.
Nesta segunda-feira a polícia especializada anti-terrorismo prendeu o comediante, exatamente uma semana após o atentadom aparentemente por causa do uso de slogan criado pelo comediante, "Je me sens Charlie Coulibaly", que associa o nome do jornal satírico vítima de um atentado islamita ao apelido do terrorista que atacou sexta-feira um supermercado judeu.
A detenção de Dieudonné coincide com o dia em que o Charlie Hebdo esgota a sua primeira edição após os atentados de há uma semana, que vitimaram alguns dos seus principais cartunistas, incluindo o diretor do jornal.
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Esta detenção reacendeu o debate sobre os limites do humor, dias atrás milhões foram para a rua, sob o slogan "Je suis Charlie", supostamente em defesa da liberdade de expressão e para condenar o recurso do homicídio para calar uma sátira.
O semanário satírico, acolhido no jornal Libération, publicou esta quarta-feira na sua capa uma caricatura aparentemente de Maomé, muito triste e comovido, segurando um cartaz "Je suis Charlie" sob as palavras "tudo está perdoado".
A edição de Charlie Hebdo uma semana após os atentados esgotou três milhões de exemplares em poucas horas obrigando à publicação de mais dois milhões.
A prisão de Dieudonné levanta agora a questão de, em França, ser aparentemente lícito para uns publicarem desenhos que desdenham símbolos de uma religião professada por milhões e ser considerado crime o caso de Dieudonné, que expressa opiniões politicamente "incorretas".
A justiça condena Dieudonné regularmente por "difamação, injúria e provocação ao ódio racial" e por "contestação de crimes contra a humanidade, difamação racial, provocação ao ódio racial e injúria pública".
O próprio jornal francês Le Monde, ainda antes da detenção de Dieudonné, questiona num extenso artigo as diferenças entre a sátira de Charlie Hebdo e as ações de Dieudonné, que levam a que o jornal, apesar de levado a tribunal diversas vezes (cerca de 50 processos 1992 e 2014, 10 destes só em 1998), tenha sido absolvido, e o humorista, pelo contrário, condenado várias vezes.
De facto, afirma Le Monde após citar a legislação francesa que limita a liberdade de expressão, esta "pode ser enquadrada na lei".
Livres... mas enquadrados "Os principais limites à liberdade de expressão em França abrangem duas categorias: a difamação e o insulto, por um lado; discursos que apelam ao ódio, que incluem designadamente a apologia de crimes contra a humanidade, os propósitos anti-semitas, racistas ou homofóbicos, por outro lado", refere o jornal.
A lei aplica-se a qualquer tipo de publicação incluindo o Facebook e abrange não só o autor mas também os responsáveis pelo meio onde o crime se concretize.
Uma provisão que já vem da lei sobre liberdade de imprensa de 29 de julho de 1881. Nesta o seu artigo 1.º é claro, diz o Le Monde: "a impressão e a livraria são livres", pode-se imprimir e editar o que se quiser. Mas logo depois surgem as exceções.
A primeira é a injúria, o insulto e a difamação. Os artigos 23.º e 24.º explicam ainda que "serão punidos como cúmplices de uma ação qualificada como crime ou delito aqueles que, seja pelo seu discurso, gritos ou ameaças proferidas em lugares públicos ou de reunião". E lista os propósitos que podem levar a uma condenação.
São seis e incluem a apologia de crimes de guerra e contra a humanidade, o incitamento a crimes de terrorismo e a provocação à discriminação, ao ódio ou a violência, contra pessoas "devido à sua origem ou não a uma etnia, uma nação, uma raça ou uma religião determinada" ou pela "sua orientação sexual ou a sua deficiência".
O racismo e o anti-semitismo são por isso crimes.
Dieudonné acena aos seus fãs após o Conselho de Estado ditar o cancelamento do seu espetáculo em Nantes a 9 de janeiro de 2014, por anti-semitismo. Um tribunal de Nantes tinha autorizado o espetáculo mas o ministro francês do Interior apelou da decisão para o Conselho de Estado.
Tanto o caso do Charlie Hebdo como de Dieudonné referem-se contudo a um tipo particular de discurso, o humorístico.
Le Monde cita um jurista para lembrar que, em 1992, o Tribunal de Grande Instância de Paris reconheceu que a liberdade de expressão "autoriza um autor a forçar os traços e a alterar a personalidade daquele que representa" e que existe direito "ao desrespeito e à insolência".
Resta saber em que categoria criminal, se alguma, será colocado o mais recente slogan de Dieudonné. "Je suis Charlie Coulibaly" poderá ser considerado o equivalente a uma injúria ou até um incitamento ao terrorismo como pretende a investigação que levou à sua detenção? E se sim, porquê?
Com informações de RTP
Gonzalo Fuentes/Reuters

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo e a manipulação imperialista. Paulo Vinícius Silva

Por três vezes mataram a equipe do Charlie. De três modos sofrem os muçulmanos no mundo de hoje.

A primeira morte na barbárie que significa matar um jornalista/chargista/funcionário/policial com vistas a calar-lhes e também de potencializar o ódio. No fim das contas, os assassinos agiram para armar o imperialismo, a despeito de sua retórica e do sentido aparente de sua infames ações. A sinergia dos objetivos de fundamentalistas e dos imperialistas em favor da guerra é gritante. O terrorismo fundamentalista tem sido instrumento mais que eficaz para propagar a guerra que interessa, permanentemente, ao imperialismo.


A falta de caráter da extrema direita, da direita e da imprensa monopolista não tem limites. Não acreditei quando vi Netanyahu - troféu Herodes 2014, carrasco de Gaza, que matou centenas de crianças - posando lépido e fagueiro na multitudinária manifestação parisiense contra o terrorismo, a paz, ou dizendo Je Suis Charlie. Mataram, assim, pela segunda vez os jornalistas, chargistas e funcionários do CharlieHebdo. Alguns dos quais inclusive trabalharam em L´Humanité, eram gente de esquerda, que jamais apoiariam qualquer sentimento xenofóbico, racista, sionista e de direita. Gente que jamais jogaria água no moinho da intolerância. Assim, há que diferenciar na aparente unanimidade da marcha os interesses antagônicos da maioria do povo, dos interesses do imperialismo, francês inclusive. Não é à toa que vemos a defesa dos valores da República, da democracia, como a posição consequente presente ao protesto.

A terceira vez que os mataram foi a maneira como a imprensa monopolista discrimina as pessoas, e dessa vez, usando seu nome. Como as vidas de uns e de outros, segundo o país, valem tudo ou nada. Quantas vidas palestinas valem a de um Israelense? Quantas vidas nigerianas vale uma francesa? A pergunta infame não é minha, infame é a cobertura da imprensa, seletiva, todo dia. Afinal, e o Iraque? E o Afeganistão? E a Palestina, cujas crianças gazenses que sobreviveram passam o frio invernal em meio a escombros? E a Nigéria, em que 2000 (sim, DUAS MIL!) pessoas, a maioria crianças e mulheres!? É difícil ignorar o silêncio da imprensa ante a morte de inocentes em tantas partes do mundo, e que morreram exatamente pela política dos mandatários da Europa e Estados Unidos que colocou o mundo nessa situação triste e perigosa. Graças à vitória do povo em 2002, o Presidente Lula desde o princípio denunciou a guerra imperialista contra árabes e muçulmanos.

Como vemos, humor é coisa seriíssima, em especial diante das consequências trágicas da "guerra ao terror" desatada por Bushinho. Irônica ou tragicamente, por isso estão mais próximos os povos que professam o Islã das vítimas francesas, pois nada tem a ver com os mandatários hipócritas e a imprensa monopolista que promovem a guerra. Pelo contrário, os últimos eram alvo permanente das ironias e críticas dos profissionais do Charlie.

Os muçulmanos sofrem também triplamente. Massacrados pela política imperialista de Estados Unidos, França e União Europeia, cuja "guerra ao terror" só desatou mais e mais terror. Confrontados com os fundamentalistas, cuja ação os atinge mais que a qualquer país ocidental, cobrando inúmeras vidas. E, por fim, padecem ante o inclemente preconceito que coloca o Islã como um todo, e os árabes, como vinculados ao imaginário "terrorista" promovido pela imprensa monopolista a serviço do imperialismo.

A capa do CharlieHebdo, retratando o Profeta Mohammed (Maomé) a chorar, e a dizer, "Tudo está perdoado", é o tapa de luva de pelica, a melhor resposta. Tão ácidos, resgataram a palavra que mais fortemente deveria marcar o judaísmo, cristianismo e islamismo, assim como todo agnóstico e ateu consequente, humanista. A misericórdia, o perdão, a fraternidade deveriam lhes falar mais alto.

Charlie, que primava pela dissidência e pelo humor ácido e sem travas, em seu maior número diz-nos o que necessitamos ouvir, sem poder rir, e lindamente: não em nosso nome, imperialistas; não em nosso nome, racistas; não em nosso nome, direitistas; não em nosso nome, sionistas; não em nosso nome, fundamentalistas. O mundo não precisa do reforço da Guerra, nem da militarização.

A PAZ, esta sim segue como a bandeira revolucionária e anti-imperialista.

P.S.: O Governo Nigeriano, através de seu Diretor de Informação do Ministério da Defesa, Maj. Gen. Chris Olukolade,questionou a informação de haveria 2000 mortos no ataque do Boko Haram em Baga, Nigéria, alegando que 150 pessoas teriam morrido. A comprovar. Mantenho o argumento. (12/01/2014 às 23h43)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fundação Maurício Grabois: A guerra ao terror é uma falsificação - Por Paul Craig


http://grabois.org.br/portal/

Na década passada, Washington matou, mutilou, deslocou e tornou viúvas e órfãos milhões de muçulmanos em seis países, tudo em nome da "guerra ao terror". Os ataques de Washington a outros países constituem agressão nua e impactam primariamente em populações civis e infraestrutura – e, por isso, constituem crimes de guerra segundo a lei.


Nazis foram executados precisamente pelo que Washington está hoje a fazer. 

Além disso, as guerras e ataques militares custaram aos contribuintes americanos, em prejuízos e custos a serem incorridos no futuro, pelo menos 4 trilhões de dólares – um terço da dívida pública acumulada – o que resultou numa crise do déficit dos EUA, que ameaça a segurança social, o valor do dólar norte-americano e o seu papel de divisa de reserva, enquanto enriquece para além de tudo que já foi visto na história o complexo militar/segurança e seus apologistas. 



Talvez o mais elevado custo da "guerra ao terror" de Washington tenha sido pago pela Constituição dos Estados Unidos e as suas liberdades civis. Qualquer cidadão dos EUA que Washington acuse é privado de todos os direitos legais e constitucionais. Os regimes Bush-Cheney-Obama arruinaram a maior conquista da humanidade – a responsabilidade do governo perante a lei. 



Se olharmos em torno para o terror do qual a polícia de estado e uma década de guerra supostamente nos protegeu, o terror é difícil de descobrir. Exceto para o próprio 11/Set, assumindo que aceitamos a improvável teoria conspiratória do governo, não houve ataques terroristas nos EUA. Na verdade, como destacou o RT em 23/Agosto/2011, um programa de investigação da Universidade da Califórnia descobriu que as "tramas de terror" interno publicitadas na imprensa foram preparadas por agentes do FBI. http://rt.com/usa/news/fbi-terror-report-plot-365-899/. 



O número de agentes encobertos do FBI agora ascende a 15 mil, dez vezes o número existente durante os protestos contra a guerra do Vietnã, quando manifestantes eram acusados de simpatias comunistas. Como aparentemente não há conspirações reais de terror para esta enorme força de trabalho descobrir, o FBI justifica seu orçamento, alertas de terror e buscas invasivas de cidadãos americanos criando "tramas de terror" e descobrindo alguns indivíduos dementes para capturar.

Exemplo: a trama da bomba no Metrô de Washington DC, a trama do metrô na cidade de Nova York, a trama para explodir a Sears Tower em Chicago foram todos estratagemas organizados e geridos por agentes do FBI. 

O RT informa que apenas três destas tramas podem ter sido independentes do FBI, mas como nenhuma das três funcionou elas obviamente não foram obra de uma organização profissional de terror como se pretende que seja a Al Qaeda.

O carro bomba na Times Square não explodiu e aparentemente não podia ter explodido. 

O mais recente laço armado pelo FBI é um homem de Boston, Rezwan Ferdaus, o qual é acusado de planejar atacar o Pentágono e o Capitólio dos EUA com modelos de aviões carregados com explosivos C-4. A promotora dos EUA, Carmen Ortiz, assegurou aos americanos que eles nunca estiveram em perigo porque os agentes encobertos do FBI estavam a controlar a trama. usatoday.com/news/washington/story/2011-09-28/DC-terrorist-plot-drone/50593792/1 



A trama de Ferdaus organizada pelo FBI para explodir o Pentágono e o Capitólio com modelos de aviões provocou acusações de que ele proporcionou "apoio material a uma organização terrorista" e conspirou para destruir edifícios federais – a acusação mais grave, a qual implica 20 anos de aprisionamento por cada edifício alvejado. 



Qual é a organização terrorista a que serve Ferdaus? Certamente não a al Qaeda, que supostamente passou a perna a todos os 16 serviços de inteligência, todos os serviços de inteligência dos EUA, Otan, israelenses, Norad, o National Security Council, Air Traffic Control, Dick Cheney e a segurança de aeroportos estado-unidenses quatro vezes em uma hora na mesma manhã. Uma organização de terror tão altamente capaz não estaria envolvida numa trama tão sem sentido como explodir o Pentágono com um modelo de avião. 



Como um americano que esteve no serviço público durante anos e que sempre defendeu a Constituição, um dever patriótico, devo esperar que a pergunta já tenha disparado nas cabeças dos leitores: por que esperam que acreditemos que um pequeno avião modelo seja capaz de explodir o Pentágono quando um avião 757 carregado com jet fuel foi incapaz de efetuar a tarefa, fazendo meramente um buraco não suficientemente grande para um avião de carreira. 



Quando observo a credulidade dos meus concidadãos para com as absurdas "tramas de terror" que o governo dos EUA fabrica, isso leva-me a perceber que o medo é a mais poderosa arma que tem qualquer governo para avançar uma agenda não declarada. Se Ferdaus for levado a julgamento, não há dúvida de que um júri o condenará por uma trama para explodir o Pentágono e o Capitólio com aviões modelo. Mais provavelmente ele será torturado ou coagido a um acordo de cooperação (plea bargain). 



Aparentemente, os americanos, ou a maior parte deles, estão tão dominados pelo medo que não sofrem remorsos pelo fato de o "seu" governo assassinar e deslocar milhões de pessoas inocentes. Na mente americana, mil milhões de "cabeças de pano" (towel-heads) foram reduzidas a terroristas que merecem ser exterminados. Os EUA estão no caminho de um holocausto que tornam os terrores dos judeus face ao nacional-socialismo um mero precursor. 



Pense acerca disto: não será admirável que após uma década (2,5 vezes a extensão da II Guerra Mundial) de matança de muçulmanos, de destruição de famílias e das suas perspectivas em seis países não haja eventos terroristas reais nos EUA? 



Pense por um minuto quão fácil seria o terrorismo nos EUA se houvesse quaisquer terroristas. Será que um terrorista da Al Qaeda, a organização que alegadamente conseguiu o 11/Set – a mais humilhante derrota sofrida por uma potência ocidental, ainda mais "a única superpotência do mundo" – mesmo face a toda a filtragem ainda estaria a tentar sequestrar ou explodir um avião? 



Certamente não quando há tantos alvos fáceis. Se a América estivesse realmente infectada por uma "ameaça terrorista", um terrorista simplesmente entraria nas maciças filas de espera da "segurança" de aeroportos e largaria ali a sua bomba. Isso mataria muito mais pessoas do que poderia ser alcançado explodindo um avião e tornaria completamente claro que "segurança de aeroporto" não significa que o mesmo seja seguro. 



Seria uma brincadeira de criança para terroristas explodir subestações elétricas pois ninguém está ali, nada exceto um cadeado na cerca de arame. Seria fácil para terroristas explodirem centros comerciais. Seria fácil para terroristas despejarem caixas de pregos em ruas congestionadas e auto-estradas durante horas de ponta, interrompendo o tráfego de artérias importantes durante dias. 



Antes, caro leitor, de me acusar de dar ideias terroristas, pensa realmente que elas já não teriam ocorrido a terroristas capazes de executar o 11/Set? 



Mas nada acontece. Então o FBI prende um rapaz por planejar explodir a América com modelos de aviões. É realmente deprimente [verificar] quantos americanos acreditarão nisto. 

Considere também que neoconservadores americanos, os quais orquestraram a "guerra ao terror", não têm seja o que for de proteção e que a proteção do Serviço Secreto de Bush e Cheney é mínima.

Se a América realmente enfrentasse uma ameaça terrorista, especialmente uma tão profissional como a que executou o 11/Set, todo neoconservador juntamente com Bush e Cheney podia ser assassinados dentro de uma hora numa manhã ou numa noite. 



O fato de neoconservadores tais como Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld, Condi Rice, Richard Perle, Douglas Feith, John Bolton, William Kristol, Libby, Addington, et. al., viverem desprotegidos e livres do medo é prova de que a América não enfrenta ameaça terrorista. 


Pense agora acerca da trama do sapato-bomba, da trama do xampú engarrafado e da trama da bomba nas cuecas. Peritos, outros que não as prostitutas contratadas pelo governo estado-unidense, dizem que tais tramas não têm sentido.

O "sapato-bomba" e a "bomba nas cuecas" eram fogos de artifício coloridos incapazes de explodir uma lata de comida. A bomba líquida, alegadamente misturada na toilete de um avião, foi considerada pelos peritos como fantasia. 



Qual a finalidade destas tramas falsas? E recorde que todas as informações confirmam que a "bomba nas cuecas" foi trazido para dentro do avião por um oficial, apesar do fato de o "bombista de cuecas" não ter passaporte. Nenhuma investigação foi efetuada pelo FBI, CIA ou quem quer que seja quanto à razão pela qual foi permitido um passageiro sem passaporte num voo internacional. 



A finalidade destas pretensas tramas é despertar o nível de medo e criar oportunidade para o ex czar da Homeland Security, Michael Chertoff, ganhar uma fortuna a vender porno-scanners à Transportation Security Administration (TSA). 



O resultado destas publicitadas "tramas terroristas" é que todo cidadão americano, mesmo com altas posições no governo e certificados de segurança, não podem embarcar num voo comercial sem tirar os sapatos, o casaco, o cinto, submeter-se a um porno-scanner ou ser sexualmente apalpado.

Nada podia tornar as coisas mais simples do que uma "segurança de aeroporto" que não pode distinguir um terrorista muçulmano de um entusiástico patriota americano, de um senador, de um general da Marinha ou de um operacional da CIA. 



Se um passageiro precisa por razões de saúde ou outras quantidades de líquidos e cremes para além dos limites impostos à pasta de dente, xampú, alimentos ou medicamentos, ele deve obter previamente autorização da TSA, a qual raramente funciona.

Um dos mais admiráveis momentos da América é o caso, documentado no YouTube, de uma mulher moribunda numa cadeira de rodas, que exige alimentação especial, tendo o seu alimento jogado fora pela gestapo TSA apesar da aprovação escrita da Transportation Safety Administration, com a sua filha presa por protestar e a mulher moribunda abandonada sozinha no aeroporto. 



Isto é a América de hoje. Estes assaltos a cidadãos inocentes são justificados pela extrema-direita estúpida como "protegendo-nos contra o terrorismo", uma "ameaça" que toda evidência mostra que não é existente. 

Nenhum americano hoje está seguro.

Sou um antigo associado da equipe do subcomitê de da House Defense Appropriations. Requeria altas autorizações (clearances) de segurança pois tenho acesso a informação a respeito de todos os programas americanos de armas.

Como economista chefe do House Budget Committee tenho informação sobre os orçamentos militares e de segurança dos EUA. Quando secretário assistente do Tesouro dos EUA, me era fornecida toda manhã o relatório da CIA ao presidente, bem como infindável informação de segurança. 



Quando deixei o Tesouro, o presidente Reagan nomeou-me para um comitê super-secreto destinado a investigar a avaliação da CIA da capacidade soviética. Resumindo, eu era consultor do Pentágono. Tinha toda espécie de autorização de segurança. 



Apesar do meu registo das mais altas autorizações de segurança e da confiança do governo dos EUA em mim, incluindo confirmação pelo Senado numa nomeação presidencial, a polícia aérea não pode distinguir-me de um terrorista. 


Se eu brincasse com modelismo de aviões ou comparecesse a manifestações anti-guerra, há pouca dúvida de que também seria preso. 

Após o meu serviço público no último quartel do século XX, experimentei durante a primeira década do século XXI todas as conquistas da América, apesar das suas falhas serem apagadas.

No seu lugar, foi erigido um monstruoso desejo de hegemonia e de riqueza altamente concentrada. A maior parte dos meus amigos e concidadãos em geral são capazes de reconhecer a transformação da América num estado policial belicista que tem a pior distribuição de renda de qualquer país desenvolvido. 



É extraordinário que tantos cidadãos americanos, cidadãos da única superpotência do mundo, realmente acreditem que estão a ser ameaçados por povos muçulmanos que não têm unidade, nem marinha, nem força aérea, nem armas nucleares, nem mísseis capazes de cruzar os oceanos. 



Na verdade, grandes percentagens destas "populações ameaçadoras", especialmente entre os jovens, estão enamoradas da liberdade sexual que existe na América. Mesmo os iranianos tolos da "Revolução Verde" orquestrada pela CIA esqueceram a derrubada por Washington na década de 1950 do seu governo eleito.

Apesar de uma década de ações militares abusivas contra povos muçulmanos, muitos muçulmanos ainda olham para a América para a sua salvação. 

Seus "líderes" são simplesmente subornados com grandes somas de dinheiro. 



Com a "ameaça terrorista" e a Al Qaeda esvaziada com o alegado assassinato pelo presidente Obama do seu líder, Osama bin Laden, o qual fora deixado desprotegido e desarmado pela sua "organização terrorista de âmbito mundial", Washington produziu um novo bicho-papão – os Haqqanis. 



Segundo John Glaser e anônimo responsáveis da CIA, o presidente do US Joint Chiefs of Staff, Mike Mullen, "exagerou" o caso contra o grupo insurgente Haqqani quando afirmou, determinando uma invasão estadunidense do Paquistão, que os Hagganis eram um braço operacional do serviço secreto do governo do Paquistão, o ISI.

O almirante Mullen está agora a afastar-se do seu "exagero", um eufemismo para uma mentira. Seu ajudante, capitão John Kirby, disse que as acusações de Mullen foram destinadas a influenciar os paquistaneses a romper a Rede Haqqani". Por outras palavras, os paquistaneses deveriam matar mais gente do seu próprio povo para salvar os americanos de perturbações. 



Se não sabe o que é a Rede Haqqani, não fique surpreendido. Você nunca ouviu falar da Al Qaeda antes do 11/Set. O governo dos EUA cria não importa a que seja de novos bicho-papão e são necessários incidentes para prover a agenda neoconservadora de hegemonia mundial e de lucros mais altos para a indústria de armamentos. 



Durante dez anos, a população da "superpotência" americana sentou aí, sendo apavorada pelas mentiras do governo. Enquanto americanos assentam no medo de "terroristas" não existentes, milhões de pessoas em seis países tiveram suas vidas destruídas. Tanto quanto existe de evidência, a vasta maioria dos americanos não está perturbada pelo assassinato desumano de outras pessoas em países que não são capazes de localizar nos mapas. 



Realmente, a Amerika é uma luz para o mundo, um exemplo para todos.

Fonte: Resistir.info

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