— Juan Miguel Garrido (@JuanmiGG_News) October 14, 2023
— Juan Miguel Garrido (@JuanmiGG_News) October 14, 2023
Por Hora do Povo Publicado em 14 de outubro de 2023

“A matança de crianças tem de acabar. Os hospitais estão totalmente sobrecarregados”, afirma Unicef em outro comunicado
A porta-voz da Unicef, Sara Al Hattab, afirmou à rede de TV CNN, que mais de 700 crianças foram mortas na Faixa de Gaza e outras 2.450 foram feridas desde o sábado (7), quando o conflito entre o Hamas e Israel teve início.
“De acordo com os últimos relatórios das autoridades de saúde locais e da mídia, pelo menos 2.215 palestinos foram mortos, incluindo mais de 700 crianças, e mais de 8.714 pessoas ficaram feridas, incluindo mais de 2.450 crianças”, detalhou a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância. da organização, neste sábado (14).
Na sexta-feira (13), um ataque na rota segura para saída dos palestinos em Gaza deixou 70 mortos, entre eles, muitas crianças e mulheres.
“A matança de crianças tem de acabar”, disse o porta-voz da Unicef James Elder em um comunicado divulgado na sexta-feira (13). “As imagens e histórias são claras: crianças com queimaduras horríveis, ferimentos de morteiro e membros perdidos. E os hospitais estão totalmente sobrecarregados para tratá-las”, denunciou Elder.
Por Hora do Povo Publicado em 14 de outubro de 2023

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou neste sábado, dia 14 de outubro, no início da tarde (14h), por telefone, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, líder do povo palestino. Na conversa, Lula expressou preocupação com os civis na região e o bloqueio de ajuda humanitária.
O líder brasileiro reforçou a importância de um corredor humanitário e da libertação imediata de todos os reféns. Lula disse que os inocentes em Gaza não podem pagar o preço da insanidade daqueles que querem a guerra. Ambos reafirmaram a importância da busca por uma solução política e pela paz para a região.
Houve também uma conversa com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, sobre a situação dos brasileiros que aguardam, em Gaza, o retorno ao Brasil. A fronteira sul de Gaza com o Egito estava fechada por causa dos bombardeios de Israel. Até agora não há garantia de que os brasileiros poderão atravessar com segurança em direção ao país vizinho.
Lula falou om Abbas sobre o reconhecimento brasileiro do Estado palestino, posição que é amplamente majoritária na ONU mas não aceita por Israel, país que mantém um cerco criminoso à Faixa de Gaza e a ocupação na Cisjordânia. O presidente brasileiro destacou que está empenhado em trazer de volta para o país todos os brasileiros que estão na zona de conflito e que querem retornar ao seu país, particularmente os que estão na Faixa de Gaza.
Israel se recusou a permitir a abertura do corredor humanitário, proposto pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro já havia condenado os ataques terroristas contra civis em Israel e reforçou a importância de um corredor humanitário e da libertação imediata de todos os reféns. A ditadura israelense fechou o cerco sobre Gaza, impedindo a entrada e alimentos e água e prepara um verdadeiro genocídio na região com a invasão de suas tropas por terre mar e ar.

Carlos Lopes, diretor de redação da Hora do Povo, iniciou a despedida, apontando as caraterísticas que fizeram de Sérgio Rubens “um grande homem”. “Durante 20 ou 30 anos, eu discuti diariamente com ele. Sérgio era, e até agora foi, a alma do Hora do Povo”. “Ele era um homem extremamente inteligente, extremamente comprometido e rigoroso”, disse Carlos.
Assista aos dois pronunciamentos
CARLOS: “SÉRGIO NÃO TEVE UM INIMIGO PESSOAL DURANTE TODA A SUA VIDA”
“Eu sabia perfeitamente que quando as coisas publicadas no jornal não estavam rigorosamente exatas, eu ia receber um telefonema que não ia ser agradável, E, no entanto, meus amigos, era o que ele devia fazer mesmo e isso foi extremamente bom para todos nós”, prosseguiu o chefe de redação do HP.

“Que qualidades o Sérgio tinha que tornavam ele tão especial, além da inteligência, e de outras qualidades que ele tinha? É fundamentalmente a identificação dele com tudo que é humano”, destacou Carlos Lopes, citando um verso latino que Marx reproduziu, “nada do que é humano me é estranho”. “É exatamente o que o Sérgio achava”, acrescentou.
“Vocês podem dizer, mas ele achava que tudo que os seres humanos fazem é bom? Não, ele não achava isso. Mas o que os seres humanos fazem de errado e ruim é exatamente aquilo que não é humano. Exatamente aquilo que os desumanizam e que desumanizam os outros. E era isso que ele não suportava”, apontou o jornalista.
“Desde cedo, desde secundarista, na ligação dele com a cultura, na ligação com a luta do povo brasileiro, ele foi um homem de partido. Brecht, poeta que ele gostava muito, escreveu uma coisa muito importante: ‘um homem sem partido é um homem medíocre’. E isso, Sérgio compreendia muito bem. Ele sempre foi um homem de partido”, destacou o dirigente do PCdoB.
“E isso não tem nenhuma contradição com o amor que ele dedicava à sua família, o amor que ele dedicava aos seus filhos”, prosseguiu. “Eu como amigo pessoal dele, várias vezes conversamos sobre os netos. E em tudo era aquele sentimento de humanidade e de humor. Era um homem severo, mas ao mesmo tempo um homem de uma compreensão imensa”, assinalou.
“Eu o conheci pessoalmente em 1978, durante as conferências regionais para o II Congresso do MR8. Na conferência, realizada na cidade baiana de Lagoinhas, eu estava bastante mal e disse algumas besteiras. No intervalo ele me chamou e começou a fazer perguntas. A capacidade do Sérgio de fazer perguntas que ninguém tinha pensado ainda para descobrir a verdade, para fazer com que a gente estudasse era impressionante”, contou.
“Porque era isso que estava na cabeça dele. Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para ele”, completou.
“Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para Sérgio”
Carlos Lopes enfatizou que “nós perdemos um grande homem”. “Engels, no enterro de Marx, disse que uma das qualidades impressionantes de Marx é que ele nunca teve um inimigo pessoal. E a mesma coisa nós podemos dizer do Sérgio. Era preciso ser um canalha para ser inimigo pessoal do Sérgio. Ele não teve um inimigo pessoal durante a sua vida”, concluiu o jornalista.
LUCIANA : SÉRGIO ERA UM IDEÓLOGO, UM FORMADOR DE GERAÇÕES

“Falar de Sérgio Rubens, um homem como este, não é simples. De um brasileiro, um revolucionário que eu tive a honra de conhecer há três anos atrás, lá no escritório da Hora do Povo. Sabe aquela primeira impressão? A primeira impressão que eu tive foi de apaixonamento”, revelou Luciana.
“Um homem tranquilo, sereno, com ideias consistentes, denso. Nós nos encontramos num momento muito adverso. Nada mais nada menos do que a vitória de Jair Bolsonaro em que as nossas duas legendas, PPL e PCdoB, não tinham alcançado a cláusula de barreira”, lembrou.
“E ali”, prosseguiu Luciana, “nós estávamos exercitando o que é que nos unia”, observou a vice-governadora de Pernambuco.
“Ele, um homem de ideias, que conhecia bem a trajetória do PCdoB, e a gente também conhecia o MR8, depois o PPL. Ali a gente fez esse exercício de unidade. E ele dizia assim. Nós, num momento como este, temos que buscar muito as nossas convergências e nós temos muitas coisas em comum. Nós desejamos o mesmo para o Brasil, para os brasileiros e brasileiras. Nós queremos nada mais do que construir o socialismo no Brasil. E nós temos formulações, os caminhos para chegar nisso. Nós somos marxistas, defendemos o socialismo científico. E as nossas diferenças táticas, elas são secundárias neste momento”.
“E assim ele agiu, praticou”.
“E ao longo do tempo eu tive a honra de conviver com ele e admirá-lo cada vez mais. Pela sua consistência, pela sua capacidade de elaboração e, antes de tudo, pelo espírito partidário, o espírito de unidade. Ele, em qualquer que seja a circunstância do momento, ele é honesto intelectualmente. Ele nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”.
“Sérgio nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”
“Sei depois o quanto cada um e cada uma de vocês, que conviveram com ele desde esse tempo, têm memória da afetividade, da generosidade dele. Isso parece óbvio, mas, o verdadeiro comunista é aquele que, ao entender que esse mundo tem jeito, ele procura cuidar, formar, dar consistência ideológica, persistir. Ele era um formador de gerações, um educador de gerações”.
APAIXONADO POR CINEMA
“Eu sei o quanto ele primava por isso. Apaixonado pelo cinema. Não tinha uma semana que Sérgio Rubens não me mandasse um filme para eu poder assistir. E agora mais recentemente, cuidadoso que ele é, estava cuidando de criar, ele estava montando com a CTB, um cineclube para passar os filmes que refletissem o debate sobre a luta dos trabalhadores”.
“Então, camaradas, Sérgio Rubens era um homem de perspectivas, e as suas ideias, elas estão entre nós. Elas permanecerão como uma necessidade de um futuro que ele sempre lutou para que nós percorrêssemos e alcançássemos. Então, nessas horas é fato que a gente se sente órfão. A gente se sente órfão porque essas são pessoas que são insubstituíveis”.

“Mas que essa convicção que sempre moveu ele, desse mundo que a gente tanto persegue, então, numa hora como essa, ele recai sobre nós com mais responsabilidade ainda. Quando a gente perde um guerreiro, a gente não enterra ele, a gente planta ele. A gente planta para que floresçam mais e mais guerreiros dessa luta, que é a luta por justiça, a luta pela humanidade”.
“Ainda mais ele que era um desses quadros políticos. Porque muitos de nós temos qualidades, defeitos, mas é impressionante como Sérgio era um quadro acima da média. Ele conseguia reunir muitas qualidades, qualidades difíceis de serem desenvolvidas por uma pessoa só. Além de grande capacidade de elaboração teórica, ele tinha opinião própria, ele era ideólogo e de uma densa cultura. Por isso, falava com fundamento, com consistência. Não tinha nada que ele falasse que não fosse fruto de alguma reflexão daquela circunstância, daquele determinado momento”.

“Então, eu sei o quanto ele é amado e vocês podem ter certeza que eu passei a admirá-lo e amá-lo com tudo isso que a gente tem construído juntos”.
“Porque ele fez um gesto de grandeza num momento que não é fácil encontrar. Porque, afinal, ele foi sucessor de Cláudio Campos, ele é sucessor de um grande legado, de uma grande história. Não é uma história recente do povo brasileiro, é de feitos extraordinários, de grande momentos de virada da conjuntura brasileira. Ele podia simplesmente não engrossar essa fileira e ele fez um gesto político de grandeza, do tamanho das ideias dele, do tamanho da estatura que ele é”.
“E vocês podem ter certeza, camaradas, esse legado que Sérgio deixou para a gente, nós vamos fazer jus a ele. Vamos cada vez mais jogar luz, dar o peso e o tamanho que ele tem. E servir de referência pra gente, pra nossa perspectiva. Sérgio Rubens, camarada, presente!”