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segunda-feira, 26 de junho de 2023

Solidariedade ao povo Palestino - A voz de uma criança em meio a escombros

 

sábado, 10 de junho de 2023

Roger Waters: artista da luta antifascista desde o berço, perseguido e caluniado - do Twitter, com @vermelho_sim

 

domingo, 6 de junho de 2021

O arranjo do novo governo sionista e a resistência palestina - Sayid Marcos Tenório





Alternância no comando sionista não trará nenhum benefício para o povo palestino. É mais do mesmo.


por Sayid Marcos Tenório no Portal Vermelho

Publicado 05/06/2021 10:36 | Editado 05/06/2021 12:01
Naftali Bennett

Segundo a mídia internacional, o chefe do partido de direita Yamina, Naftali Bennett, deve assumir o cargo de primeiro-ministro da entidade sionista, derrotando Benjamin Netanyahu, o premiê que desde 2009 se mantém à frente do governo israelense, sem interrupção do mandato. Contudo, o novo gabinete só será anunciado na próxima quarta-feira (9), quando o Knesset, o Parlamento israelense, fará votação para aprovação do novo gabinete.

Apesar das previsões a respeito da escolha de Bennett, Netanyahu ainda busca uma última cartada, tentando provocar uma nova eleição, que poderia alterar a atual composição do Knesset para permanecer à frente do governo da ocupação. Manter-se no poder significa, para Netanyahu, não ter que responder as acusações de suborno, fraude e abuso de confiança que poderiam, caso fosse condenado, levá-lo a cumprir até 10 anos de prisão.

Este arranjo para formação do novo governo que envolve uma coalizão de oito partidos foi anunciado nos últimos minutos do prazo pelo líder do bloco de oposição no Knesset, Yair Lapid. O esforço do bloco será unificar partidos da direita e centro-direita sionistas que supera o apoio de 61 deputados, para formação do governo que incluirá o Yamina e Yesh Atid, mas também o Azul e Branco, liderados por Benny Gantz; Yisrael Beytenu, dirigido por Avigdor Lieberman; Nova Esperança, dirigido por Gideon Saar; o Partido Trabalhista, liderado por Marav Michaeli; Meretz, dirigido por Nitzan Horowitz; e o Ra’am, ou Lista Árabe Unida, liderada por Mansur Abbas.

Um fato que chamou a atenção, foi o anúncio de que os “árabes” estariam apoiando a nova composição política que governará a ocupação sionista. A Lista Árabe Unida (Ra’am) também conhecida como Movimento Islâmico, é um partido árabe religioso que elegeu quatro deputados nas últimas eleições e que fez parte da Lista Conjunta, uma coligação partidária “árabe” que incluía os partidos Balad, Hadash e Taal. Sua plataforma política concentra-se amplamente em questões socioeconômicas para os cidadãos palestinos, sem, no entanto, contestar a ocupação, as violações cotidianas de Israel contra palestinos, mesmo os que vivem nos territórios de 1948.

Apesar do que afirmam alguns analistas e até órgãos de mídia, a Lista Árabe e o seu líder Mansour Abbas, embora sejam considerados como uma organização islâmica na configuração política israelense, não mantém nenhum nível de relação direta com o Movimento de Resistência Islâmica – Hamas ou com a Jihad Islâmica Palestina. O Hamas rejeita fortemente a participação política no Knesset e não apoia qualquer iniciativa de composição de governo.

Em um comunicado de imprensa na noite da quarta-feira 2 de junho, o membro do Birô Político do Hamas, Izzat al-Rishq, declarou que o povo palestino não apoia nenhum governo sionista, e que alimenta esperanças apenas na “nossa valente resistência, para libertar todas as nossas terras palestinas ocupadas.”

A narrativa de que a Lista Árabe e seus integrantes são ligados ao Hamas, além da desonestidade intelectual, tem como objetivo confundir tanto a opinião pública israelense, quanto o movimento global de solidariedade pró-Palestina. Ao se associar a esse processo de formação de um novo governo de direita, a Lista Árabe age com o objetivo de ganhar benefícios para os seus integrantes e não para os árabes israelenses, que continuarão sendo tratados como cidadãos de segunda categoria pelos governos da ocupação sionista.

O Hamas não fez nenhuma declaração oficial ou se posicionou sobre a composição do novo Governo da entidade sionista. Simplesmente, porque a coalizão que está se formando para assumir o governo é composta por partidos da direita e centro-direita sionistas, incluindo o Ra’am. O pretenso novo premiê, Naftali Bennett, é tão ou mais radical de direita quanto Benjamin Netanyahu, no que se refere ao direito dos palestinos ao seu estado nacional soberano.

O entendimento é que essa alternância no comando sionista não trará nenhum benefício para o povo palestino. É mais do mesmo. A resistência continuará com o dedo no gatilho, porque a qualquer momento, seja Bennett ou Netanyahu, a entidade sionista desencadeará novas agressões com o objetivo de expandir a ocupação e negar os direitos do povo palestino ao seu Estado e o retorno dos refugiados. Por isso, o Hamas e as demais forças da resistência palestina continuarão lutando pelos direitos do povo, pela preservação dos locais sagrados, pela libertação dos presos políticos e pelo fim da ocupação em todos os territórios palestinos.

Outro ponto coincidente entre Netanyahu e Bennett, que causa preocupação, refere-se ao posicionamento a respeito dos aliados externos da resistência palestina, entre eles o Hezbollah, o Irã e a Síria. Ambos são capazes de uma aventura contra o Irã, por exemplo, com o único objetivo de mobilizar a os israelenses em torno dos seus objetivos de consagrar o projeto colonial e o apartheid na Palestina.

Mesmo sem vislumbrar mudança na composição do governo sionista, gostaríamos de salientar algumas mudanças no cenário interno e externo em Israel e na Palestina ocupada que podem sinalizar alterações principalmente na imagem de “bom mocismo” e na narrativa surrada do “direito legítimo de defesa” que Israel vem sustentando nas sete décadas de ocupação do território palestino.

O evidente fracasso militar e da inteligência da entidade sionista na recente agressão militar contra Gaza, a crescente impopularidade de Israel em todo o mundo, o fato de o Tribunal Penal Internacional ter iniciado inquérito sobre os crimes de guerra e de lesa-humanidade praticados contra a Faixa de Gaza desde 2014, se somam a recente decisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que aprovou a abertura de investigação sobre os abusos de Israel nos territórios palestinos ocupados, após os episódios criminosos de maio deste ano. Esses fatos demonstram que Israel dificilmente vencerá batalhas contra palestinos em qualquer terreno.

Estamos assistindo os esforços dos políticos sionistas de direita e centro-direita onde a incapacidade de firmarem um acordo para compor o governo de ocupação, evidenciam a inviabilidade histórica e civilizacional do estado judeu, essa aberração criada após a partilha ilegal e injusta da Palestina Histórica em 1947. Por outro lado, é notório o crescimento mundial do sentimento de que povo palestino tem o legítimo direito de existir e de resistir ao apartheid e a limpeza ética com todas as medidas e métodos possíveis, inclusive com os mísseis da resistência.

Sayid Marcos Tenório
Historiador, Vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) e autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (Anita Garibaldi/Ibraspal, 2019). E-mail: sayid.tenorio@uol.com.br - Twitter: @HajjSayid

sábado, 15 de maio de 2021

NAKBA: o povo palestino continuará resistindo. Por Sayid Marcos Tenório - Portal Desacato


Por Sayid Marcos Tenório, para Desacato.info.


Estamos assistindo estarrecidos a escalada de violência, bombardeios com destruição e mortes por parte de Israel nos territórios palestinos ocupados. As agressões do ocupante sionista que vêm ocorrendo neste mês maio de 2021 é parte da Nakba, palavra árabe que significa tragédia, para designar os eventos sinistros que se sucederam após a fundação do chamado estado judeu de Israel, em 15 de maio de 1949.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do “Estado judeu”, mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos e inúmeras cidades esvaziadas.

Quando a primeira Nakba foi concluída pelas forças sionistas, o novo estado de Israel compreendia 78% da Palestina histórica, restando apenas a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, que estavam sob o controle da Jordânia e do Egito, respectivamente. Na agressão de 1967, Israel avançou sobre os 22% restantes e a colonização começou logo em seguida e não parou mais e o seu objetivo final e? a completa desenraização e destruição da Palestina.

É gritante a simetria dos acontecimentos de 1948 com o que estamos assistindo atualmente na cidade sagrada de Jerusalém, onde colonos judeus-sionistas de extrema-direita, apoiados pelas forças militares da ocupação estão atacando o Bairro Sheikh Jarrah, e praticando invasões, saques, incendiando terras agrícolas, violência e apropriações ilegais de propriedades.

Uma das cenas mais dantescas foi a dos colonos judeus-sionistas racistas atacando e jogando bombas no interior da sala de oração lotada de palestinos na Mesquita Al-Aqsa, um local sagrado para mais de 2 bilhões de muçulmanos em todo o mundo e em pleno período do sagrado mês do Ramadã.

Nesta situação de permanente agressões, o povo palestino não tem escolha a não ser resistir a? ocupação e as investidas opressivas contra a terra palestina, seu povo, recursos e lugares sagrados. Porém, esperança dos palestinos na vitória cresce a cada agressão. Já é possível notar que o equilíbrio de forças mudou. Houve um dia em que o jovem palestino se defendia atirando pedras. Hoje, responde ao inimigo lançando mísseis de precisão, como o Ayyash 250-K, desenvolvidos e fabricados pela resistência graças a assistência do chamado eixo da resistência, frente de luta anti-imperialista formado pelo Irã, Hezbollah libanês, Síria e forças da resistência iraquiana.

Apesar das diferenças de condições militares com a enorme superioridade israelense, o inimigo sionista fica mais fraco a cada ano. Hoje sabe-se que o exército que se apresentava como um “exército nunca derrotado”, não passa de um exército que não verá mais a cor de vitória. Sobretudo após as experiências da Guerra dos 33 Dias no Líbano e das guerras recentes com enfrentamentos diretos da resistência em Gaza.

Como é notório, os crimes de Israel são acobertados pelos Estados Unidos, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos Estados Unidos entra governo e sai governo e a política em relação a Israel é sempre a mesma. Após as recentes agressões o “democrata” Joe Biden, como fiel representante do lobby judaico das armas e bancos, apressou-se em declarar que Israel tem o direito de se defender. Certamente sugerindo que os palestinos não têm o mesmo direito, porque para o imperialismo os palestinos não têm direito algum.


No entanto, e apesar das constantes agressões e violações de Israel e mesmo sabendo que resistir ao imperialismo e ao sionismo tem um elevado custo do ponto de vista humano, social e econômico, o povo palestino continua resistindo bravamente para proteger suas terras e seus ancestrais. A luta por Jerusalém será até a vitória definitiva, que é a conquista da Palestina Livre, do Rio ao Mar.

O povo palestino tem o direito legítimo de existir e de resistir a ocupação sionista, ao apartheid e a? limpeza ética, com todas as medidas e métodos possíveis. É legítima a reação da resistência de Gaza, tendo à frente o Movimento de Resistência Islâmica – HAMAS e a Jihad Islâmica diante das agressões de Israel. Essa reação nada mais é do que a aplicação prática da Carta das Nações Unidas e do direito internacional que asseguram os povos oprimidos reagir por todos os meios. Assim foi no Vietnam, assim está sendo na Palestina, na Síria, no Iraque e no Iêmen.

O respeito a? justiça exige que se cumpra com o direito ao Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém sua capital eterna e ecumênica. Só haverá paz quando estes preceitos forem atendidos, com o direito de regresso dos refugiados, a compensação e a permanência de todos na terra palestina, pondo fim a doença do sionismo que ceifou a vida, as terras, as casas e os sonhos de milhões de homens e mulheres na Palestina.

Seria louvável que as pessoas que se manifestaram estarrecidas nas redes sociais com os crimes de ódio racista nos Estados Unidos e as manifestações do

"Black Lives Matter"
(Vidas Negras Importam), e igualmente com a deplorável operação policial na Favela do Jacarezinho, que resultou no assassinato de 28 pessoas, observassem as muitas semelhanças entre o cotidiano das favelas do Rio de Janeiro com a Palestina, por exemplo, na forma dos assassinatos, nas escolas fechadas, no desemprego, no medo, nas invasões e demolições de casas, na negação do direito de ir e vir, além de tantos outros problemas.


Sayid Marcos Tenório é historiador e Vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL). É autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (Anita Garibaldi/Ibraspal, 2019)



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ali Khamenei:"confrontar o Estado Islâmico, denunciar o Império da Arrogância e armar a Palestina” - 11/2014 - Oriente Mídia

Oriente Mídia 
25/11/2014, Sayed Ali Khamenei, Guia Supremo da República Islâmica do Irã no Congresso Internacional sobre movimentos extremistas e takfiris
Enviado por Sayed Hasan e traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu
Excerto: “As três tarefas urgentes”  vídeo original
Versão original legendada em inglês a seguir:

[...] É nossa responsabilidade levar a bom termo algumas tarefas da mais alta importância. Durante esse Congresso de dois dias, os senhores, ilustres participantes, elaboraram e propuseram algumas soluções e especificaram certas responsabilidades. Cuidarei aqui de mencionar também duas ou três tarefas que não devem ser negligenciadas.
Primeira tarefa
Uma é que os teólogos do Islã têm de formar um movimento racional, global, de inteligência, que inclua todas as escolas islâmicas, que terá por objetivo cortar as raízes da corrente takfiri. Esse movimento não se deverá limitar a algumas escolas de pensamento [islâmicas]. Todas as correntes do Islã que creiam nessa religião e a considerem bem-vinda e a vejam com generosidade partilham esse responsabilidade. Todos os sábios do Islã devem lançar um grande movimento intelectual.
[O Estado Islâmico] entrou em cena sob a falsa pretensão de seguir “os piedosos predecessores” [al-Salafu al-Saleh]. Temos de demonstrar e provar que os piedosos predecessores sempre se opuseram radicalmente aos atos que eles perpetram e ao movimento que eles lançaram. Deve-se fazer isso recorrendo à linguagem da religião, do saber e da razão.
É vosso dever salvar os mais jovens. Muitos se deixam influenciar por esses pensamentos desviantes e desorientados. Esses infelizes supõem que estejam realizando boas ações. São a encarnação dos santos versos do Corão: “Quereis que vos inteire de quem são os mais desmerecedores, por suas obras? São aqueles cujos esforços se desvaneceram na vida terrena, não obstante crerem haver praticado o bem”. [Alcorão, 18, 103-104].
São a encarnação desses versos corânicos. Pensam, errados, que combatem na trilha de Deus. São os que dirão a Deus, no Dia do Julgamento Final: “Ó Senhor nosso, em verdade, obedecíamos aos nossos chefes, os quais nos desviaram da (verdadeira) senda. Ó Senhor nosso, redobra-lhes o castigo e amaldiçoa-os reiteradamente!”. [Alcorão, 33, 67-68].
[Os que combatem pelo Estado Islâmico] são esses miseráveis. Os que assassinaram um grande sábio na mesquita de Damasco são também desses. Os que decapitaram muçulmanos acusando-os de apostasia são também desses. Os que fazem correr, em atentados, o sangue de inocentes no Paquistão, no Afeganistão, em Bagdá e em diferentes vilas do Iraque, Síria, Líbano são dos que gemerão no Dia do Juízo Final: “Oh, Senhor, nos seguimos nossos chefes que nos desviaram da (verdadeira)senda. Castiga-os, Senhor, com duplo castigo”.
Em outro ponto do Santo Alcorão, Deus diz [aos que lhe pedem que duplique o castigo infernal] “o dobro será para todos” [Alcorão, 7, 38]. Todos vocês serão castigados, ao mesmo tempo os chefes e guias e os guiados. “Por certo que é real a disputa dos réprobos!”. [Alcorão, 38, 64]
Nesse dia, esses todos estarão em campos opostos e se enfrentarão. Por isso é necessário salvá-los [dessa provação]. Os jovens têm de ser salvos e essa é a responsabilidade dos sábios, porque eles estão em contato, ao mesmo tempo, com os intelectuais e com as massas. É necessário que se esforcem para salvar os mais jovens. Deus, o Altíssimo, interrogará os sábios no Último Dia: “O que fizeste?” É imperioso que os sábios ajam [desde já]. Essa é uma primeira tarefa imediata.
A segunda tarefa
A segunda tarefa extremamente urgente que tem de ser executada é chamar a atenção e destacar sempre o papel dos políticos arrogantes dos EUA e da Inglaterra.
O papel deles tem de ser destacado e explicado. Cada pessoa do mundo muçulmano deve conhecer o papel e a responsabilidade dos políticos dos EUA em tudo que tenha a ver com o Estado Islâmico.
Todos devem conhecer o papel dos serviços secretos norte-americanos, britânicos e do regime sionista, em todos os atos do movimento takfiri. Todo o mundo deve saber que o Estado Islâmico trabalha para eles; que o complô foi fomentado pela Arrogância [o Imperialismo Ocidental] e que essas correntestakfiris são ajudadas e financiadas por aquelas potências.
O Estado Islâmico recebe dinheiro dos regimes fantoches da região. São esses regimes fantoches que lhes fornecem dinheiro, mas o complô é fomentado pelo Imperialismo Ocidental, a Arrogância, e o resultado é, principalmente, que destroem esses infelizes jovens takfiris. Estão criando problemas sem precedentes para o mundo do Islã. E aí está a segunda tarefa a ser cumprida completamente, imediatamente.
A terceira tarefa
A terceira tarefa absolutamente inadiável é ocupar-se, como prioridade, da causa palestina. Não permitam que a causa da Palestina, da Santa Al-Qods (Jerusalém) e da Mesquita Al-Aqsa seja apagada e caia no esquecimento. Isso, precisamente, é o que eles desejam: querem que o mundo islâmico esqueça a causa palestina.
Já viram que, recentemente, o regime sionista declarou que a Palestina seria estado judeu. O regime sionista anunciou que a Palestina seria estado judeu. É o que sempre tentaram, já faz muito tempo.
Agora, apenas o declararam abertamente. Aproveitando-se da ignorância e da apatia do mundo muçulmano, das massas, das populações dos países muçulmanos, depois de ter ocupado a Santa Al-Qods (Jerusalém) e a Mesquita Al-Aqsa, o regime sionista continua a enfraquecer os palestinos, o mais que consiga.
Temos de nos manter vigilantes. Todos os povos devem exigir de seus governos que assumam, como deles, a causa palestina. Os mestres e sábios do Islã devem exigir dos governos que assumam, como deles, a causa palestina, que a abracem, que se envolvam nela. Essa é responsabilidade de importância capital.
Agradecemos a Deus que, na República Islâmica do Irã, o governo e o povo partilham esse princípio. Desde o início, o governo da República Islâmica e nosso generoso Imã [Khomeini] anunciaram e estimularam a política de apoio à Palestina e de hostilidade declarada contra o regime sionista. Essa política continua mantida até hoje. São já 35 anos que vimos mantendo essa linha de conduta, e nosso povo mantém a mesma política com entusiasmo e com adesão plena.
Vez ou outra, alguns dos nossos jovens, cujas demandas não são plenamente satisfeitas nesse campo, escrevem para mim e pedem insistentemente: “Permita que partamos, para lutar contra o regime sionista nas linhas de frente!”. Nosso povo deseja ardentemente combater contra o regime sionista, e a República Islâmica também manifestou seu compromisso com essa luta.
Pela Graça de Deus e Sua Misericórdia, ultrapassamos as barreiras e as lutas sectárias e em torno de questões de doutrina.
Ajudamos o Hezbollah libanês, que é grupo de xiitas, assim como ajudamos o Hamas e a Jihad Islâmica, sunitas. E continuaremos a ajudá-los. Nunca nos deixamos capturar por barreiras sectárias. Jamais demarcamos qualquer diferença entre xiitas, sunitas, hanafitas, hanbalitas, xafitas ou zaidis [escolas do Islã]. Mantivemos nossos olhos focados no nosso objetivo principal e oferecemos nossa ajuda.
Conseguimos reforçar os contingentes de nossos irmãos palestinos em Gaza e, pela Graça de Deus, continuaremos a fazê-lo. Já anunciei, e sem dúvida será feito conforme foi anunciado, que a Cisjordânia tem de ser armada, como Gaza, e preparar-se para se autodefender também militarmente.
http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/12/ali-khamenei-muculmanos-devem.html

domingo, 28 de abril de 2013

Quando os russos chegaram em Israel - Uri Avnery - Media with Conscience - Tradução Coletivo Vila Vudu


27/4/2013, Uri Avnery, Media with Conscience, MWC
http://mwcnews.net/focus/analysis/26519-russians-came.html

Quando a grande onda de imigrados russos chegou, vindos da União Soviética, em 1990, todos em Israel nos alegramos.

Em primeiro lugar, porque cremos que a imigração faz bem ao país. Em geral, faz.

Segundo, porque estávamos convencidos de que esses específicos imigrantes empurrariam Israel na direção certa.

Essas pessoas, dizíamos a nós mesmos, foram educados, durante 70 anos, num espírito internacionalista. Acabam de pôr fim a um sistema ditatorial cruel, e devem vir ávidos de democracia. Muitos não eram judeus, mas parentes (às vezes remotos) de judeus. Ganhávamos centenas de milhares de novos cidadãos secularistas, internacionalistas, não nacionalistas, exatamente o de que muito precisamos. Acrescentariam um elemento positivo ao coquetel demográfico que é Israel.

Sobretudo, dado que a comunidade de judeus do pré-estado no país (a chamada yishuv) foi largamente modelada por imigrantes da Rússia czarista e dos primeiros anos da Revolução, os novos imigrantes com certeza se misturariam facilmente com a população em geral. Pelo menos, era o que esperávamos que acontecesse.

Hoje, a situação é praticamente o total oposto disso.

Os imigrantes da ex-União Soviética – “os russos”, como se diz na fala diária – absolutamente não se misturaram a coisa alguma. São até hoje comunidade à parte, que vive num ghetto criado por eles mesmos.

Até hoje, falam russo. Leem seus próprios jornais russos, todos furiosamente nacionalistas e racistas. Só votam no partido deles, liderado pelo moldaviano Evet (hoje trocou o prenome: decidiu chamar-se Avigdor) Lieberman. Vivem praticamente sem qualquer contato com outros israelenses.

Nos dois primeiros anos em Israel, votaram predominantemente em Yitzhak Rabin do Partido Labor, mas não porque prometia paz: porque era general e apresentava-se sempre como militar destacado. Daí em diante, os russos sempre votaram, sem variação, na extrema direita.

A grande maioria deles odeiam árabes, rejeitam a paz, apoiam os colonos e votam para eleger governos de direita.

Dado que hoje constituem quase 20% da população israelense, aí está um dos principais motores da marcha de Israel rumo à direita.

Por que, santo Deus?!

Há várias teorias, todas, provavelmente, certas.

Uma delas, ouvi-a de um funcionário russo de alto escalão: “Durante a era soviética, os judeus eram cidadãos soviéticos como todos os outros. Com o fim da URSS, cada cidadão recolheu-se para a nação de origem. Os judeus ficaram num vazio. Então partiram para Israel. E tornaram-se os mais israelenses dos israelenses. Até os não judeus que havia entre eles tornaram-se israelenses super patriotas.”

Outra teoria diz que “Quando o comunismo entrou em colapso na Rússia, só restou o nacionalismo (ou a religião) para substituí-lo. A população aprendera atitudes totalitárias, desdém pela democracia e pelo liberalismo, uma nostalgia por líderes fortes. E havia também o racismo disseminado da população ‘branca’ do norte da URSS, contra os povos ‘escuros’ do sul. Quando os judeus (e não judeus) russos vieram para Israel, trouxeram com eles essas atitudes. Apenas substituíram, por árabes, os armênios, chechenos e os demais povos que desprezavam. Essas atitudes são eternamente alimentadas pelos jornais russos diários e pelas redes de televisão em Israel.”

Observei essas atitudes quando visitei a URSS pela primeira vez em 1990, durante a Glasnost de Mikhail Gorbachev. Nunca pudera ir antes, porque meu nome era sempre riscado em todas as listas de gente convidada a conhecer as glórias da pátria soviética. Não sei por quê. (Curiosamente, também fui cortado de listas de convidados às festas do 4 de julho na embaixada dos EUA, e em algumas oportunidades encontrei dificuldades até para conseguir um visto norte-americano. Talvez porque participei de manifestações contra a Guerra do Vietnã. Devo ser das poucas pessoas no mundo que se podem orgulhar de constar simultaneamente nas listas da CIA e da KGB.)

Viajei à Rússia para escrever sobre o fim dos regimes comunistas na Europa Oriental (livro que foi publicado em hebraico, sob o título “Lênin não mora mais aqui”). Rachel e eu gostamos muito de Moscou, mas só precisamos de alguns dias para começar a ver o espantoso, crescente racismo que havia por todos os cantos. Os cidadãos de pele morena, ou mais escura, eram tratados com indisfarçado desprezo. No mercado, quando conversávamos e ríamos com os vendedores, gente do sul, com os quais nos relacionamos imediatamente, nosso simpático, mas de rosto sério, jovem e agradável intérprete distanciava-se bem acintosamente.

Meus amigos e eu nos encontramos às 6as-feiras, há cerca de 50 anos. Quando os russos começaram a chegar, nossa ‘mesa’ ficava no Café Kassit, em Telavive, local mitológico de reunião de escritores e artistas.

Um dia, vimos um grupo de jovens imigrantes russos, que haviam estabelecido ‘mesa’ própria. Cheios de simpatia – e também muita curiosidade – vez ou outra nos juntávamos a eles.

De início, funcionou. Formaram-se ali algumas amizades. Até que aconteceu uma coisa curiosa. Eles afastaram-se de nós, deixando bem claro que, para eles, não passávamos de bárbaros do Oriente Médio, sem cultura, gente à qual não tinham interesse de associar-se, gente que lia Tolstoi e Dostoyevski. Em pouco tempo, desapareceram de circulação.

Lembrei-me disso na 6ª-feira passada, quando irrompeu em nossa mesa uma discussão surpreendentemente acalorada. Tínhamos uma convidada, uma jovem cientista “russa”, que acusou a esquerda de ser indiferente e de promover um tipo de atitude, em relação à comunidade russa, que a teria empurrado na direção da direita. Uma líder feminista presente reagiu com fúria. Disse que os russos já chegaram ao país com atitude bem perto de fascista.

Concordei com ambas. A atitude de Israel em relação a novos imigrantes sempre foi um tanto estranha.

Líderes como David Ben-Gurion trataram a imigração sionista como se não passasse de um problema de transporte. Fizeram grandes esforços e foram bem longe para trazer judeus, do outro lado do mundo, para Israel; mas, depois de chegados, eram esquecidos, entregues aos próprios meios. Sim, recebiam ajuda material, tinham moradia, mas fazia-se praticamente nada para integrá-los à sociedade.

Foi exatamente assim na imigração em massa de judeus alemães nos anos 1930s, de judeus orientais nos anos 1950s e de russos nos anos 1990s. Quando os judeus russos manifestaram clara preferência pelos EUA, o governo israelense pressionou o governo dos EUA para que batesse a porta na cara deles. Foram praticamente forçados a vir para Israel. Quando chegaram, foram deixados nos seus ghettos, sem qualquer movimento local que os induzisse a espalhar-se e integrar-se conosco.

Não foi diferente, na esquerda israelense. Quando falharam alguns frágeis esforços para atraí-los para o grupo da paz, lá ficaram. A organização da qual participo, Gush Shalom [Bloco da Paz], distribuiu certa vez 100 mil cópias de nosso principal manifesto (“Truth against Truth” [Verdade contra Verdade], a história do conflito) em russo. Mas desistimos, quando recebemos uma única resposta. Obviamente, os russos não tinham interesse algum pela história de Israel, da qual não tinham sequer uma mínima ideia, que fosse.

Para entender a importância desse problema, é preciso visualizar a composição da sociedade israelense tal qual é (escrevi, no passado, sobre isso), formada de cinco setores principais, praticamente de igual tamanho, a saber:

Judeus de origem europeia, chamados Ashkenazim, grupo no qual se inclui quase toda a elite cultural, econômica, política e militar. Nesse grupo está praticamente toda a esquerda israelense.

Judeus de origem oriental, em geral chamados (erradamente) Sephardim, de países árabes e de outros países muçulmanos. São a base do Partido Likud.

Judeus religiosos, grupo que inclui os Haredim ultra-ortodoxos, Ashkenazi e orientais; e os sionistas, nacional-religiosos, grupo que inclui as lideranças dos colonos.

Cidadãos árabe-palestinos, concentrados quase todos em três grandes blocos geográficos.

E os “russos”.

Alguns desses cinco setores se sobrepõem em pequena parte, mas o quadro é claramente esse. Os árabes e muitos dos Ashkenazim trabalham no campo da paz. Todos os demais são declarada e solidamente de direita.

Por isso, é absolutamente imperativo conquistar pelo menos alguns grupos dos judeus orientais, dos judeus religiosos e – claro – de “russos”, para constituir uma maioria em Israel a favor da paz. Na minha opinião, essa é a mais importante tarefa para o campo da paz, nesse momento.

Ao final de um furioso debate em nossa mesa, tentei acalmar os contendores: “Não precisam brigar tanto. Há culpa que chegue, para todos.”

Síria: repete-se o teatro do “gás sarin”. [28/4/2013, Robert Fisk, The Independent - Tradução Vila vudu



Síria: repete-se o teatro do “gás sarin”
Conversa dos EUA é repetição de repetição de repetição...
28/4/2012, Robert Fisk, The Independent – http://goo.gl/QOiQs


Será que não há meio para escaparmos do teatro das armas químicas? Primeiro, a “inteligência militar” de Israel diz que o exército da Síria teria usado/provavelmente usou/poderia talvez usar armas químicas. Depois, Chuck Hagel, secretário de Defesa dos EUA, surge em Israel, para prometer mais armas para Israel já super mega over militarizada – nem menciona as mais de 200 bombas atômicas do arsenal de Israel – e repete a conversa da “inteligência” de Israel sobre o uso/provável uso/possível uso/talvez uso de armas químicas pelo governo sírio.

Aí então o bom velho Chuck volta a Washington e conta ao mundo que “esse negócio é sério. Temos de reunir todos os fatos.” A Casa Branca conta ao Congresso que agências da inteligência dos EUA, presumivelmente as mesmas antes referidas como “inteligência” de Israel, porque o pessoal ali trabalha sempre em perfeita harmonia, têm “graus variáveis de confiança” na avaliação. Mas a senadora Dianne Feinstein, presidente da Comissão de Inteligência do Senado – a mesma que deu jeito de defender todas as ações de Israel em 1996, depois de Israel ter massacrado 105 civis, a maioria crianças, em Qana no Líbano – já diz, da Síria, que “as linhas vermelhas foram evidente e claramente transgredidas e é preciso agir para evitar uso em larga escala.” E lá vem o mais velho e gasto clichê da Casa Branca – ultimamente usado exclusivamente contra o Irã e o provável/possível desenvolvimento de armas atômicas: “Todas as opções estão sobre a mesa”.

Qualquer sociedade normal já estaria em estado de atenção, sirenes tocando, sobretudo nas redações das empresas-imprensa. Mas, não.

Jornalistas dedicam-se a lembrar o mundo que Obama disse, sim, que o uso de armas químicas na Síria “mudaria o jogo” – pelo menos, os jornalistas norte-americanos admitem que a coisa é jogo. – E jornalistas e mais jornalistas ‘confirmam’, pela repetição, o que ninguém, até agora, confirmou.

Usaram armas químicas. Em dois estúdios da televisão canadense, os produtores me abordam brandindo a mesma manchete. Digo logo que, se me perguntarem, desmontarei, ao vivo, aquela “prova” lixo. Então, repentinamente, a matéria desaparece dos dois programas de entrevista. Não porque não venham a usar a “prova” lixo (usarão logo depois), mas porque não querem correr o risco de alguém dizer, pela televisão, que aquilo tudo pode bem ser um amontoado de sandices.

A CNN não se inibe. Perguntaram ao repórter da CNN em Amã o que se sabe sobre o uso de armas químicas. E ele: “Menos do que o mundo gostaria de saber. É a psique do regime de Assad...”

Mas... e alguém tentou saber alguma coisa? Ou algum jornalista perguntou a pergunta óbvia que ouvi de um homem da inteligência síria, em Damasco, semana passada: “Dado que a Síria pode causar dano infinitamente maior se usar os seus jatos bombardeiros MiG, por que usaria armas químicas?”

Além disso, dado que tanto o governo Assad quanto seus inimigos acusaram-se mutuamente de estar usando armas químicas... Por que Chuck teme mais as armas químicas do governo sírio? As armas químicas dos ‘rebeldes’ estariam, talvez, liberadas?

Tudo se resume àquele clichê, o mais infantil dos clichês: que EUA e Israel teme(ria)m que as armas químicas de Assad “caiam em mãos erradas”. Em outras palavras, temem que todas essas ‘químicas’ acabem no arsenal dos mesmíssimos ‘rebeldes’, sobretudo islamistas fundamentalistas, que Washington, Londres, Paris, Qatar e Arábia Saudita estão apoiando. Se essas mão são “erradas”, então as armas do arsenal de Assad estariam em “mãos certas”.

Era exatamente o que se dizia, exatamente, das armas químicas que havia no arsenal de Saddam Hussein – até que foram usadas contra os curdos.

Dizem os jornalistas que em três incidentes específicos pode(ria)m ter sido usadas armas químicas na Síria: em Aleppo, onde os dois lados acusam-se (mas os vídeos de hospitais foram publicados pela televisão estatal síria); em Homs, aparentemente, em pequena escala; e nos arredores de Damasco. E, embora a Casa Branca pareça ter esquecido esse detalhe, três crianças sírias refugiadas chegaram ao hospital no norte de Trípoli, no Líbano, com profundas, terríveis queimaduras pelo corpo.

Há aí vários problemas. As bombas de fósforo provocam queimaduras profundas e é possível que gerem defeitos em fetos. Mas os EUA não estão dizendo que o exército sírio teria usado bombas de fósforo (que é bomba química). Afinal de contas, os EUA usaram bombas de fósforo na cidade iraquiana de Fallujah, onde há hoje um assustador aumento no número de nascituros com defeitos de formação.

Talvez o horror que o governo sírio provoca no ocidente deva-se às notícias sobre tortura pela polícia secreta síria. Mas aqui também há um problema: há apenas dez anos, os EUA também faziam “entrega especial” de homens inocentes, entre os quais um cidadão canadense, exatamente àquelas mesmas prisões sírias, para serem interrogados e torturados pelos mesmos torturadores da mesma polícia secreta síria.

E, já que se falou de armas químicas de Saddam, há mais uma: os componentes químicos dessas armas hoje amaldiçoadas eram (então) fabricados por uma empresa de New Jersey e entregues em Bagdá pelos EUA.

Mas nas redações, hoje, não se fala de nada disso, é claro. Quem entre em qualquer redação de qualquer rede de televisão, só vê jornalistas que leem jornais. E quem entre em qualquer redação de jornais... só vê jornalistas que assistem à televisão, dia e noite. O sistema é osmótico. Todas as manchetes são a mesma manchete: o governo sírio usa armas químicas. E assim seque o teatrinho.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

As mentiras que os meios de propaganda difundiram para justificar a existência e os crimes de Israel



Tradução: Caminho Alternativo

Michel Collon explica no seguinte vídeo as dez mentiras que foram difundidas pelos meios de propaganda sobre Israel e que foram assimiladas profundamente entre a população, especialmente as tiranias capitalistas, chamadas por esses mesmos meios de “democracias”. Estas mentiras permitem que o estado sionista, que nada têm a ver com o judaísmo, possa justificar seus crimes e assassinatos contínuos contra o povo palestino, como ocorre atualmente em Gaza:


Perguntamos às pessoas em Bruxelas se conheciam a história de Israel e as respostas foram catastróficas!
Havia uma grande ignorância do público e creio que essa ignorância nao é por um acaso. Há mais de sessenta anos que os meios de comunicação europeus, que se dizem os melhores do mundo, vêm falando sobre o assunto, porém, este público não sabe sequer o essencial. Acredito que seja uma operação de propaganda israelense realizada com a ajuda dos grandes meios e eu o resumi nas dez grandes mentiras midiáticas para justificar Israel.

A primeira grande mentira midiática que se diz é que Israel foi criado como uma reação ao genocídio de judeus entre 1940-1945. Isto é totalmente falso! Na verdade isto é um projeto colonial que já estava previsto no congresso de 1897, quando o movimento nacionalista judeu decide colonizar a Palestina. Nesse momento o colonialismo estava no auge. Eles então pedem ajuda às potências coloniais, porque percebem que precisam de proteção. Primeiro pedem ao império turco, que não demonstra interesse, depois pediram ao império britânico, que sim estava interessado em possuir colonos instalados no meio do mundo árabe, entre a parte leste e oeste, que queria debilitar o exitoso Egito , controlar o canal de Suez. O caminho em direção à Índia que possui muitas riquezas. Depois aparecem os EUA pela questão do petróleo.

Portanto a criação de Israel nada têm a ver com o período entre 1940-1945, senão fruto de um projeto colonial. É necessário lembrar que nessa época as potências coloniais repartem a África como um pastel na conferência de Berlim de 1885, repartida entre Inglaterra, França, Bélgica, Portugal, Espanha, Alemanha, sem a presença de nenhum convidado africano.

Se trata então de uma época colonial e Israel é um projeto colonial.

Outros mitos que justificam Israel é que os judeus regressam à terra que lhes foi arrebatada pelo império romano em 70a.c. Isto é um mito absoluto! Porque entrevistei no livro do historiador Schlomo Sand onde ele fala com arqueólogos e historiadores de Israel e todos eles dizem que não houve êxodo nem retorno, a maior parte da população permaneceu no mesmo lugar.

Isto têm duas consequências, a primeira é que no fundo, os descendentes destes judeus que viveram na época de Jesus são os palestinos que vivem ali hoje e a segunda é que se não houve gente que saiu, quem são esses que “retornaram”?

Na realidade são os convertidos, são europeus do leste, do oeste, magrebs, são os que se converteram ao judaísmo em distintos momentos e por diferentes razões, mas não o povo judeu. E como diz Sand, o “povo judeu” não existe como tal, pois não há uma mesma história, uma mesma língua e uma mesma cultura, apenas compartem uma mesma religião, mas uma religião não é um povo. Não se fala de um “povo cristão”, um “povo muçulmano” e portanto, não existe “povo judeu”.

O terceiro grande mito é que “não é tão grave que tenham colonizado esta terra porque aquilo estava deserto e vazio”. Isto também é uma absoluta mentira! As testemunhas da época no fim do século XIX dizem que a Palestina era um oceano de trigo. Havia cultivos, exportação, por exemplo, à França, produção de sabão de azeite das famosas laranjas. E quando os colonos britânicos e posteriormente, os judeus, se instalam na Palestina a partir de 1920, os camponeses palestinos se negam a dar suas terras, começam as revoltas, as greves gerais, manifestações com grande números de mortos e até uma guerrilha.

O que destruiu tudo isto foi uma enorme repressão exercida pelo exército de ocupação britânico e depois pelo exército sionista.

Outra coisa que se diz é que se existia palestinos eles mesmos se foram da região. Isto é absolutamente falso! Eu mesmo acreditei nisto, assim como todo mundo, nesta versão oficial de Israel. Até que novos historiadores israelenses como Illan Pappe ou Benny Morris, que está no livro, dizem que não. Os palestinos foram expulsos através da violência, pelo terror, por uma operação sistemática para expulsá-los do país e assim esvaziar a terra de seus habitantes. Portanto se trata de um mito!

Esta é a parte histórica de Israel, tudo que nos ocultam mas que é muito importante compreender.

Se nos referirmos ao período atual, se diz que de toda forma, “Israel é a única democracia no Oriente Médio e que vale a pena defendê-lo e que é um Estado de direito”. Em primeiro lugar, Israel não é um Estado de direito, pois é o único país cuja constituição não fixa seus limites territoriais. Em todos os países do mundo a constituição estabelece onde começa o estado e onde termina. Israel não, porque é precisamente um projeto de expansão que não possui limites! Além de uma constituição totalmente racista que diz que Israel é um Estado dos judeus e os outros são cidadãos de segunda categoria, isto é a negação da democracia.

Gostaria de dizer que Israel é o colonialismo, é o roubo da terra, é a limpeza étnica da população e isto não pode ser considerado uma democracia. Há quem diga que possui parlamento, meios de comunicação, professores universitários que criticam. Isto é verdade, mas dado que é um estado baseado no roubo da terra isto quer dizer que é uma democracia entre os ladrões para saber como vão continuar roubando. Isto não é democracia, isto é colonialismo e uma ditadura!

Nos dizem que EUA, o país que protege Israel e que doa 3 bilhões de dólares por ano para ajudar os israelenses a atacarem seus vizinhos, quer proteger a democracia no Oriente Médio. Bom, se EUA quisesse defender a democracia não teria colocado e protegido as ditaduras da Arábia Saudita, Kuwait ou Egito. Quem instalou estas ditaduras foram os EUA. E o que querem EUA e Israel é o petróleo e não a democracia.

Na realidade jogam um papel de guardas do petróleo, isto é explicado nos livros de Chomsky, Samir Amin, entre outros. O que EUA quer é controlar o petróleo do Oriente Médio e quer destruir qualquer país que se oponha a dar seu petróleo em troca de nada. Vimos isto na guerra do Iraque, Líbia e em outras agressões. Mas EUA não pode atacar ele sozinho todos os países do Oriente Médio. Por isso precisa do papel de “guardião” exercido por Israel. Chomsky o chama de “polícia do bairro”.

Há algum tempo EUA fazia o mesmo com o Xá do Irã para este fim, uma ditadura espantosa imposta, retirando em 1953 àquele que era democraticamente eleito, Mosadeq. Mas EUA perdeu o Irã e lhe resta agora Israel, por isso protege Israel embora viole a legislação internacional e convenções da ONU.

É claramente uma guerra econômica o que está fazendo os EUA. A Europa quer passar a imagem de que é mais neutra, que está em busca de um processo de diálogo que consiga a paz entre israelenses e palestinos. Isto também é falso!

Europa declarou há pouco tempo à Israel que é o 28º Estado da União Européia. A indústria de armamento europeia é a que financia e colabora com a indústria bélica israelense. Existem pessoas na França como Lagardére e Dassault que são muito próximas à Sarkozy e que colaboram com a indústria de armas de Israel.

Além disto, quando os palestinos elegeram seu governo a União Européia não só se negou a reconhecê-lo como deu sinal verde para que Israel iniciasse o bombardeio em Gaza. Portanto, quando Netanyahu, Barak, Olmer e demais bombardeiam os palestinos são Sarkozy, Merkel e os governos europeus que bombardeiam.

Quando alguém conta a verdadeira história de Israel, quando se mostra os interesses escandalosos dos governos dos EUA e europeus, tentam calar a boca de quem denuncia, tachando-os de “antissemita” ou “racista anti-judeu”.

Vamos deixar uma coisa bem clara, quando se critica Israel o que fazemos é denunciar o governo que nega igualdade entre os seres humanos, entre os judeus e os muçulmanos.

Nós queremos o contrário, uma paz entre judeus e muçulmanos no futuro, os cristãos e os laicos no Oriente Médio. E para isto é necessário parar Israel neste crime, pois seu objetivo é gerar ódio, esta é sua estratégia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Íntegra do acordo de cessar-fogo [e fim do bloqueio! Grande vitória do Hamás] na Faixa de Gaza - Coletivo Vila Vudu



1. a. Israel deve cessar todas as hostilidades na Faixa de Gaza, em terra, mar e ar, inclusive incursões contra indivíduos [orig. targeting of individuals].

1. b. Todos os grupos palestinos devem cessar todas as hostilidades a partir da Faixa de Gaza contra Israel, inclusive o lançamento de foguetes e ataques nas áreas de fronteira.

c. Devem-se abrir todas as passagens e facilitar o movimento de pessoas e o trânsito de bens e produtos e devem ter fim todas as restrições à livre movimentação dos residentes em áreas de fronteira. Os procedimentos para implementar essas medidas devem começar a ser analisados e definidos 24 horas depois do início do cessar-fogo.

d. Outras questões que se imponham serão analisadas com a rapidez necessária.

2. Mecanismo de implementação:

a. Esse cessar-fogo entra em vigência à zero hora.

b. O Egito receberá garantia das partes de que cada parte se compromete a cumprir o que fica aqui acordado.

c. Cada parte se compromete a não praticar atos que firam os termos desse acordo. Em caso de ocorrências que firam o que aqui fica acordado, o Egito, como patrocinador desse termo de entendimento, deve ser notificado, para acompanhamento.
(Íntegra do acordo de cessar-fogo [e fim do bloqueio] entre Israel e os palestinos [Washington Post não explica, mas, de fato, o acordo é entre Israel e o Hamás] em Gaza. O texto foi distribuído em conferência de imprensa no Cairo, na presença da secretária de Estado Hillary Clinton [que ninguém sabe por que estava lá ou o que fazia! O patrocinador do acordo é, completamente, O EGITO] e do ministro de Relações Exteriores do Egito, Mohamed Amr)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Diplomatas da UE: Israel está se apropriando da Cisjordânia - Portal Vermelho

Diplomatas da UE: Israel está se apropriando da Cisjordânia - Portal Vermelho

Os chefes das delegações europeias em Ramala e Jerusalém advertiram Bruxelas de que está se fechando rapidamente a possibilidade de uma solução de dois Estados ao conflito entre israelenses e palestinos, devido à progressiva apropriação da Área C da Cisjordânia por Israel.

Em um documento interno elaborado pelos cônsules e diplomatas europeus ao qual a Agência Efe teve acesso, são sugeridas diversas medidas para que a União Europeia (UE) "apoie os esforços de construção estatal palestina" nessa área, que compreende 62% do território palestino ocupado da Cisjordânia e que os israelenses "estão progressivamente integrando a Israel".

O relatório, elaborado em julho e apresentado em Bruxelas em dezembro, aponta que através de medidas administrativas e de planejamento urbano Israel "mina a presença palestina na Área C", uma tendência que "piorou no último ano e que, se não for interrompida e corrigida, tornará mais remoto do que nunca o estabelecimento de um Estado palestino viável nas fronteiras anteriores a 1967".

Para isso, propõe estimular Israel a mudar sua política e ajudar a reduzir a vulnerabilidade da terra e da população, oferecer uma melhor coordenação do acesso a necessidades básicas, promover o desenvolvimento econômico e melhorar a ação humanitária e de desenvolvimento na Área C.

Os acordos de paz de Oslo (1993) dividiram a Cisjordânia em três zonas: a C, na que Israel exerce absoluto controle administrativo e de segurança; a B, que compõe 20% do território cisjordaniano e na qual o Estado judeu tem o controle da segurança, e A (18% do território), governada pelos palestinos.

A Área C é o único território contínuo e comunica as localidades isoladas das zonas A e B, nas quais residem 96% da população, motivo pelo qual sem ela os palestinos nunca teriam um Estado geograficamente viável e se veriam reclusos em uma série de pontos isolados.

O relatório europeu descreve em detalhes como Israel comete múltiplas violações da legislação internacional nessa área, entre elas a expulsão forçada dos palestinos, a demolição de suas casas e edifícios públicos, a proibição da construção e a restrição de seu acesso a grandes áreas.

O Exército israelense também impede o desenvolvimento de infraestruturas necessárias para o desenvolvimento e incentiva e financia o estabelecimento de colonos na região, que cada vez são mais violentos e perpetram mais ataques contra a população local, segundo o documento.

Para contornar a situação, os diplomatas europeus pedem que "se persiga em nível político" a reclassificação de partes da Área C como A e B.

Também demandam que sejam realizadas ações como "pedir uma cessação imediata das demolições até que os palestinos tenham acesso a um planejamento justo e não discriminatório", além de "apoiar a presença palestina oferecendo acesso à água potável, alimentos e apoio psicossocial".

Fonte: Efe

Justiça de Israel confirma lei que limita a possibilidade dos cidadãos israelenses de viverem com seus cônjuges palestinos - Portal Vermelho

Justiça de Israel confirma polêmica lei sobre palestinos - Portal Vermelho

A Corte Suprema israelense confirmou nesta quinta-feira a validade de uma lei que limita a possibilidade dos cidadãos israelenses de trazerem para viver com eles seus cônjuges de nacionalidade palestina.

Por seis votos a favor e um contra, o Supremo não declarou inconstitucional a chamada Lei de Cidadania, aprovada em 2003 e que havia sido questionada diante dos tribunais pelas ONGs de direitos humanos israelenses Adalah, ACRI e Hamoked, informaram as mesmas.

A lei permite a reunificação familiar em Israel só aos israelenses casados com palestinos homens que tenham ao menos 36 anos e mulheres maiores de 26 que, em uma cultura onde os casamentos ocorrem em idade adiantada, limita enormemente a possibilidade de trazer para Israel os palestinos da Cisjordânia. Também impede que os cônjuges de israelenses obtenham a nacionalidade israelense se forem palestinos.

Essas limitações não se aplicam se o cônjuge for estrangeiro ou de qualquer outra nacionalidade, por isso não afeta a população judaica israelense e se dirigem fundamentalmente a minoria árabe, que representa 20% da população.

O Supremo reconhece que a lei garante aos cônjuges o direito a viver juntos, mas ressalta que esse direito não tem necessariamente de ser exercido em seu país, Israel.

A maioria dos membros da corte admite que a lei fere o direito a igualdade, mas considera que o faz de forma proporcional e entende que não entra em conflito com as leis fundamentais do país.

Entre os votos contra está o da presidente do Supremo, a magistrada Dorit Beinisch, que acredita que a lei viola o princípio de igualdade ao afetar maciçamente a população árabe do país, que representa 20% da população total de 7 milhões.

A ONG ACRI (Associação pelos Direitos Civis em Israel) declarou nesta quinta-feira em comunicado que "o Supremo fracassou gravemente em seu trabalho de defender os direitos humanos diante da tirania da maioria parlamentar".

"É um dia obscuro para a proteção dos direitos humanos e para o Supremo", garante a nota, que acrescenta que a corte "estampou sua aprovação a uma lei racista que danificará as vidas de famílias cujo único pecado é o sangue palestino que corre em suas veias".

Fonte: Efe

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Israel teme até status de observador para a Palestina, por cometer crimes de guerra - Portal Vermelho

Israel teme ser observado pela Palestina - Portal Vermelho


Se a Palestina não conseguir ser membro pleno da Organização das Nações Unidas (ONU), a alternativa seria solicitar o status de “Estado observador não membro” na Assembleia Geral.

Por Thalif Deen, na agência IPS


Contudo, mesmo isto preocupa os israelenses. Esse status permitiria aos palestinos, por exemplo, acusar Israel perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede na cidade holandesa de Haia, por crimes de guerra.

“Se Israel não vai cometer crimes de guerra nem violar o direito humanitário internacional, não tem absolutamente nenhuma razão para temer nossa integração ao TPI”, disse Nabeel Shaath, alto funcionário da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e ex-chanceler. “Se não cometem nenhuma violação, por que devem se preocupar?”, perguntou Shaath, um dos funcionários palestinos mais eloquentes, que possui doutorado pela Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos), onde foi professor de finanças e economia.

“Naturalmente, Shaath está retoricamente certo”, disse Richard Falk, ex-relator especial da ONU sobre os direitos humanos na Palestina. “Entretanto, a resposta de Israel será que não poderá impedir que a ANP faça acusações irresponsáveis. De fato, duvidaria que a ANP empregue seu status de observador para fazer acusações sobre passados crimes de guerra de Israel, porém, poderia usá-lo para apresentar novas acusações pelo futuro comportamento israelense”, disse à IPS. É uma questão mais política do que legal, afirmou Falk, professor emérito de direito internacional na Universidade de Princeton.

Por sua vez, Medea Benjamin, cofundadora do Code Pink, movimento criado por mulheres pela paz e a justiça social, disse à IPS: “Verdade, se o governo israelense sente que suas ações estão justificadas sob o direito internacional, nada tem a temer com a entrada da Palestina no TPI”. “Evidentemente, eles entendem que a contínua construção de assentamentos em terra palestina, o bloqueio a Gaza e a brutal invasão da Faixa de Gaza (Operação Chumbo Derretido) são graves violações do direito internacional”, acrescentou.

Seguramente, não querem se submeter a um intenso exame que acabe no TPI, ponderou Medea, também cofundadora da organização internacional pelos direitos humanos Global Exchange. A Palestina tem dois claros obstáculos políticos para ser reconhecida Estado-membro pleno da ONU: obter nove dos 15 votos no Conselho de Segurança e escapar de um veto dos Estados Unidos. É pouco provável que supere ambos, por isso os palestinos só teriam uma alternativa: solicitar o status de Estado observador não membro na Assembleia Geral.

Para isto, necessitam maioria simples (97 dos 193 membros) e já contariam com apoio de 125 a 130 países. Com o status de observador não membro, igual ao do Vaticano, a Palestina poderia integrar as agências das Nações Unidas e também o TPI, criado para julgar crimes de guerra e contra a humanidade.

Atualmente, os palestinos são representados na ONU pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que em 1974 recebeu das Nações Unidas o status de observador permanente. A nova iniciativa permitiria à Palestina ser reconhecida como Estado, o que constitui um avanço diplomático. “Seriamos aceitos como Estado, mas não como membro pleno, que só o Conselho de Segurança pode conceder”, disse Shaath aos jornalistas na semana passada.

Entretanto, Mouin Rabbani, do Instituto para Estudos Palestinos, disse à IPS que ainda não está claro se a ANP procuraria o status de observador não membro na Assembleia Geral. “Creio que os temores de Estados Unidos e Israel de que a OLP possa ter acesso ao Estatuto de Roma (que criou o TPI), e que sejam apresentados casos contra eles, são precisamente as razões pelas quais os palestinos deveriam fazer um esforço concertado para procurar esse caminho”, afirmou.

O tribunal de Haia só pode realizar investigações em Estados signatários do Estatuto de Roma. Israel não aderiu a esse tratado internacional, aprovado em 1998 na capital italiana. No entanto, o desconhecimento do TPI pelos israelenses não deveria impedir uma eventual investigação por crimes de guerra, pois o único fator pertinente é se as supostas transgressões ocorreram no território de um Estado, como passaria a ser a Palestina.

Se tornou cada vez mais claro, nas duas últimas décadas, e particularmente desde que Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos, em 2009, que os palestinos necessitam romper definitivamente como o contexto dos acordos de Oslo para desenvolver estratégias alternativas que desafiem as políticas de Washington. Esses acordos, assinados entre a OLP e Israel em 1993, permitiram a criação da ANP, chamaram uma retirada das forças israelenses dos territórios palestinos e estabeleceram diretrizes para as futuras relações entre os dois países.

Rabbani afirmou que a história demonstra que a mediação norte-americana se identificou, quase invariavelmente, com as políticas do Estado judeu, o que permitiu a consolidação da ocupação israelense nos territórios palestinos.

Fonte: Envolverde

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vermelho: Entrevista de Socorro Gomes, do Conselho Mundial da Paz,em seu retorno da Palestina ocupada

Socorro Gomes: "É uma obrigação aprovar o Estado palestino" - Portal Vermelho


Em terras brasileiras, após liderar uma missão do Conselho Mundial da Paz (CMP), na Palestina, Socorro Gomes, presidente do CMP e do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), falou com exclusividade ao Vermelho sobre a experiência de estar em território palestino e de acompanhar, de lá, a repercussão da abertura da 66º Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).




Vermelho: O objetivo da missão na palestina foi atingido?Socorro Gomes: Sim. Entre as 12 organizações que formaram a missão, havia duas entidades internacionais, o Conselho Mundial da Paz (CMP) e a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), liderada por Tiago Vieira, que foram até lá com objetivo de intensificar a campanha pela paz no Oriente Médio. Fomos levar a solidariedade do Conselho Mundial da Paz (CMP) ao povo palestino, à sua luta pela desocupação de seu território, e demonstrar a indignação com a política criminosa de Israel. Além disso, apoiamos seu pleito como Estado soberano na Organização das Nações Unidas [ONU].

Vermelho: E a população está otimista com relação à criação do estado Palestino?
SG: Estão todos extremamente otimistas e de acordo com a estratégia da OLP [do pedido de reconhecimento pela ONU]. Para se ter ideia, 80% dos palestinos apóiam o pedido de reconhecimento do Estado palestino. Em Israel, segundo dados passados por parlamentares, 64% aceitam o Estado palestino.

Vermelho: E na sua avaliação, quais as chances que a Palestina tem de ser reconhecida como um estado soberano?
SG: Tudo indica que a grande maioria das Nações Unidas apóia a criação do Estado palestino. Isso porque há uma questão primordial que está em jogo, que é a premissa de estar de acordo com o direito internacional. A OLP está seguindo as determinações feitas pela própria ONU, em 1947,de partilhar o território a partir da criação de dois Estados: o de Israel e o da Palestina. Por isso, é essencial que as Nações Unidas assumam suas responsabilidades, é uma obrigação aprovar a criação do Estado palestino.

No entanto, os Estados Unidos (EUA) já disse que vai interceder pela não criação do Estado palestino, argumentando que os palestinos têm que se entender com os israelenses. Ora, é isso que vem sendo tentado há 20 anos e não há avanços justamente pela postura militarista de Israel, que insiste em usar a força bruta para continuar saqueando os palestinos e, assim, mantendo esse crime contra a humanidade, visando a dominação da região que é rica em água e petróleo. São interesses comerciais e estratégicos que estão se sobrepondo aos interesses humanitários.

Vermelho: Quais os compromissos e encontros marcaram a viagem?
SG: Fomos recebidos pelas principais organizações e grupos representativos como a Autoridade Nacional da Palestina (ANP), a Organização Pela Libertação da Palestina (OLP), a Frente Democrática pela Libertação da Palestina e a Frente Popular pela Libertação da Palestina, o Conselho Legislativo do parlamento palestino, o Partido Popular da Palestina ( PPP) , além de movimentos sociais israelenses e membros do parlamento de Israel e do Partido Comunista de Israel, com quatro membros no parlamento. O partido é composto por israelenses e árabes que atuam juntos contra a ocupação criminosa do território da Palestina.

Vermelho: Com relação aos efeitos diretos dos conflitos na Palestina, o que mais impressionou a delegação durante a visita?
SG: Alguns relatos dão conta de que atualmente 5.800 pessoas estão presas, sendo 250 menores de 18 anos,34 mulheres, 21 membros do Conselho Legislativo(parlamento). O próprio presidente do parlamento se encontra numa solitária há dois anos, com outros cem prisioneiros. O muro erguido em torno dos reservatórios de água e do petróleo, descoberto recentemente, já tem 820 quilômetros de extensão. Centenas de árvores foram queimadas e cinco aldeias atacadas em represália à presença da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na ONU. Além disso, o muro divide famílias, trabalhadores de seus locais de trabalho. Soubemos que há a intenção de expulsar mais de 30 mil árabes palestinos, sendo mais de 27 mil só na Cijordânia.

Vermelho: E como foi entrar na Palestina? Ainda é muito difícil entrar por conta da segurança israelense?
SG: No aeroporto fomos totalmente revistados, no checkpoint [postos israelenses de controle militarizados] também fomos obrigados a esperar por um longo tempo e novamente revistados. Na volta , a delegação também ficou uma hora numa barreira militar e outro tempo no aeroporto israelense, correndo o risco de perder o vôo. É uma situação que se assemelha muito ao aparteid da África do Sul. É um estado militarizado completamente. Inclusive, tem retirado recursos de suas áreas sociais para injetar na militarização, com treinamento militar feito com colonos israelenses. Trata-se de uma política que está a serviço dos EUA, que tem se colocado como inimigos da paz para manter hegemonia militar no mundo.

Vermelho: Quais os próximos passos?
SG: Vamos dar continuidade à campanha, exigindo que os países se posicionem oficialmente contra a política armamentista de Israel , que é o terceiro maior exportador de armas. É preciso tomar medidas para sinalizar claramente que o mundo quer a paz. O CMP enviou uma carta aberta a Assembleia Geral da ONU. Um novo documento será redigido nos próximos dias, em conjunto com a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD).


Deborah Moreira, da redação do Vermelho

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"É a ONU que deve agir agora", diz embaixador da Palestina - Portal Vermelho

"É a ONU que deve agir agora", diz embaixador da Palestina - Portal Vermelho





Chegou o momento em que a comunidade internacional, representada pelo Conselho de Segurança da ONU, vai anunciar seu veredicto e pôr fim a seis décadas de violência na Palestina histórica, entre Israel e o povo palestino. Entre o Golias e o Davi contemporâneos.

Por Ibrahim M. K. Alzeben*, em Folha de S.Paulo
Não se pode perder mais tempo em sessões de discussão. O conflito contabiliza centenas de resoluções não acatadas por Israel e bilhões de dólares gastos em missões para a região. Ninguém pode dizer que não sabia. A Palestina reivindica justiça, liberdade e independência há seis décadas. Exige o fim da ocupação colonial.

É o momento de invocar o espírito conciliador e pacifista de Enrique R. Fabrigat e de Oswaldo Aranha, cuja intenção verdadeira, ao recomendar a partilha da Palestina, era alcançar a "paz entre povos irmãos" e ver criados dois Estados.

Palestinos e israelenses somos as principais vítimas da violência decorrente dessa negligência das superpotências e de seus interesses geopolíticos e petrolíferos, que condenam novas gerações ao atraso, ao fanatismo e à violência.

Israel e Palestina, como existem hoje, não são os que desejamos para nossos filhos e para as gerações seguintes, muito menos para a região, berço de civilizações milenares, que tanto contribuíram para o patrimônio da humanidade.

É a ONU que deve agir, e agora, após 18 anos de negociações estéreis que consolidaram a ocupação israelense de nosso território.

A negociação com Israel, desde a conferência de Madri (1991) até hoje, resultou na quadruplicação do número de assentamentos e colonos em terras palestinas, na criação do muro da vergonha, no assassinato de milhares de líderes e cidadãos, na judaização de Jerusalém, capital ocupada do Estado da Palestina, no bloqueio de Gaza e em milhares de presos políticos.

É precisamente em função desses fatos flagrantes que estamos recorrendo à ONU, ao Conselho de Segurança: para buscar proteção e o direito legítimo negado.

O direito internacional, não a força, é a garantia de paz para essa Palestina apreciada e bendita, mil vezes ultrajada em nome de Deus. O mundo responsável é convocado a ajudar-nos a conviver sem medo do futuro. A comunidade internacional pode monitorar tanto as negociações futuras quanto as relações entre as duas partes, seja mediante capacetes azuis da ONU, seja por meio de organismos regionais.

O mundo está mudando. É preciso fazer uma leitura correta das primaveras populares. Os povos estão mais conscientes e participativos.

Os israelenses são convocados a rever seu pacto sociopolítico, para se abrirem ao mundo de hoje, em transformação. As reconhecidas conquistas técnico-científicas devem levá-los a se conciliarem com seus vizinhos, não a colonizá-los.

Estamos preparados para nos governarmos de modo autônomo. O maciço reconhecimento mundial é a prova. Estamos prontos e nos comprometemos a observar e cumprir o direito internacional, com todos os seus detalhes e exigências.

Não existe outra saída civilizada para o conflito a não ser a de compartilhar o território da Palestina histórica, sua capital e água; definir fronteiras, solucionar com dignidade a questão dos refugiados e depositar a página de ódio e violência em algum museu. É hora de fazer florescer nossa criatividade.

Israel deve renascer fortalecendo a tendência existente em sua sociedade de convivência pacífica com os vizinhos. Isso para que a Palestina possa existir em paz.

Exigimos o fim da ocupação e o reconhecimento do Estado da Palestina. Já.


*Ibrahim M. K. Alzeben é embaixador da Palestina no Brasil.

Palestinos irão a ONU brigar por seu Estado


A Organização para a Libertação Palestina – OLP- reiterou que fará a discussão em setembro no fórum da ONU. O pleito dos palestinos é que a ONU reconheça seu Estado nas fronteiras antes da Guerra dos Seis Dias Arábico-Israelense de 1967, o que deixaria assentamentos judaicos fora de Israel. Estima-se que cerca de 300 mil colonos israelenses vivam na Cisjordânia
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Palestinos prometem levar à votação o reconhecimento de seu Estado na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em articulação unilateral. Enquanto isso, o Governo de Israel se movimenta para barrar a discussão no fórum internacional e solicita que seus correligionários divulguem a posição do país no mundo a fora.
O pedido será avaliado pelo Conselho de Segurança da ONU e depois segue para votação, em que os palestinos devem ter pelo menos dois terços dos votos da Assembleia Geral, que é constituída de 128 países.

Mesmo em momento de campanha, os palestinos encontram dificuldades quanto à sustentação política do processo, pois forte aliado do governo Israelense e com grande articulação dentro da Assembleia da ONU, os Estados Unidos, que mantém o status ilegal de ocupação e domínio sobre os palestinos, podem usar o poder de veto para retirar a discussão da pauta.


Segundo o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Emir Mourad, as próprias resoluções da ONU, reconhecem o direito inalienável do povo palestino ao retorno e autodeterminação. Os refugiados palestinos, cadastrados pela ONU, somam mais de cinco milhões e pela própria resolução do fórum internacional, eles têm o direito ao retorno aos seus lares na Palestina de onde foram expulsos a partir de 1947 pelas milícias sionistas e que mais tarde resultou na criação do estado de Israel. Nessa época foram destruídas, varridas do mapa, mais de 500 aldeias e cidades palestinas.


"A ONU já emitiu várias resoluções onde Israel tem que se retirar dos territórios palestinos ocupados para que possa estabelecer seu estado independente e soberano. Estados Unidos e Israel e outras potências militares, mantém pela força das armas essa situação ilegal e criminosa", argumenta Emir.


Durante o lançamento da campanha pelo Estado Palestino no Brasil, o embaixador da Palestina no Brasil Ibrahim al-Zeben, demonstrou estar otimista com o momento palestino, após "Primavera Árabe", movimento que levou milhares de manifestantes às ruas no Oriente Médio por mudanças políticas e econômicas.


"Estamos melhor que antes, com a perspectiva de restaurar a unidade nacional e transformar a OLP, com o retorno do diálogo entre o Hamas e o Fatah. As massas disseram: chega de divisão e pediram a unidade nacional para já", disse Ibrahim durante ato em São Paulo.


Histórico


A briga entre palestinos e israelenses é antiga e frequentemente faz parte da pauta mundial. Isso se deve porque desde a proclamação do Estado de Israel, em 1947, quando a Organização das Nações Unidas recomendaram a partição da Palestina em um Estado Judeu, um Estado Árabe e uma administração direta das Nações Unidas em Jerusalém. A proposta foi aceita pelos israelenses, porém rejeitada pelos líderes árabes.


A Organização para Libertação da Palestina - OLP - é membro observador da ONU desde 1974. Tem embaixadas em mais de 120 países que reconhecem a OLP como única e legitima representante do povo palestino. No Brasil, desde 1979, a OLP tem seu escritório que foi aumentando de status e hoje atua praticamente como uma embaixada no país.


Fonte: O Estado RJ

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