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sábado, 21 de março de 2015

A marcha da vergonha (você foi?). Paulo Vinícius Silva

A imprensa golpista, 
que sustentou a Ditadura, que escondeu torturas e assassinatos, que entregou jornalistas e artistas, sustentada pelas oligarquias carcomidas, 
sonegadora que vive do dinheiro público, 
foi ela quem convocou os “protestos do dia 15 de março de 2015 - mal Dilma assumira. 

A data era simbólica: posse de Costa e Silva, Geisel e Figueiredo, os generais presidentes da Ditadura. mas eles não podiam dizer isso. Então, mentirosamente, vestiram seu ato golpista com o sagrado verde amarelo e com a hipócrita defesa de uma ética que nunca praticaram. 

Ainda assim, não puderam esconder que aquele 15 de março era uma Marcha da Vergonha.
Marcha como aquela, que em 1964 saudou, pediu, implorou pela Ditadura.

E muitos foram, uns por convicção, outros por ilusão. 

Falemos dos primeiros.
Começaram seu "protesto"  uma semana antes.
Tinham palavras de ordem?
Não, tinham palavrões!
Foram entusiasmados, aqueles que gritaram à Presidenta, desde a Copa do Mundo:
- Vá tomar n(@%%##
- Vac$%%
- Vaga*&*&
Sim, os bocas sujas gritaram das varandas Gourmet!!
Bateram panelas caras e cheias e as devolvem à empregada.
Panelaço de panelas cheias, no Jardins, Higienópolis, Águas Claras, Alfavilles, Aldeota etc etc etc.
Panelaços que ofendem duplamente, como a revolta dos filhinhos de papai.
Estes foram todos, podia-se ouvi-los ao longe.

Seu ódio não era contra Dilma, mas contra a própria noção básica de humanidade:
"Todos e todas somos iguais, seres humanos, com direito à dignidade e à felicidade".

Por que não saíam às ruas quando a seca dizimava nordestinos, crianças que morriam?!
Cemitérios de anjinhos nunca os levaram às ruas.
Mas isso acabou. O Brasil saiu do mapa da fome! E, para eles, nunca o Brasil esteve pior.
Por isso, foram protestar, bem acompanhados:

Lá estavam

Exploradores da fé alheia,  malafrários,
os vendilhões do templo,
os fariseus,
Herodias, que pediu a cabeça de João Batista,
até Iscariotes deu o ar de sua desgraça, de braços dados com Silvério dos Reis.
Saíram os defensores da Ditadura Militar e até os torturadores mereceram aplauso,
sordidamente caquéticos e com as mãos sujas ainda de sangue inocente.

Burgueses. Sim, burgueses havia, até herdeira de banco se juntou ao ato “patriótico”.

Sobretudo muitos pequenos burgueses, esmoléus da Ilha da Fantasia do consumismo
(Mais que uma condição econômica, espiritualmente, todos os que se acham superiores.)

Aqueles(as) que não toleram o Bolsa Família, foram!

Os que lamentam muito haver direitos para empregadas domésticas, também.
Sonegadores contumazes, enrolões de direitos de empregados, com o olhar vítreo de fervor cívico!

Aqueles que descobriram o racismo apenas quando a juventude negra teve assegurado o direito de cursar as carreiras que sempre foram monopólio de brancos, esses fizeram questão de ir.

Também aqueles que dizem ser positiva uma taxa maior de desemprego (assim o povo ficará no seu lugar!)

Os que abominam a diversidade como um pecado e querem regular o amor de dentro de seus soturnos armários jamais poderiam perder um baile de hipocrisia dessa magnitude.

Os que querem fatiar e vender a PETROBRAS, aderiram.
A turma que acha absurdo o Brasil produzir 30% do equipamentos do Pré-sal se somou.
Todos os que dizem querer limpar, mas querem na verdade vender a PETROBRAS foram – ou pagaram para que outros fossem.

Os que ameaçam se mudar para Miami tiveram ali o seu dia de glória.

Os defensores do livre mercado ao preço do desemprego, da fome, da soberania, da democracia, da dignidade, os malthusianos estavam lá!

Aqueles que não suportam Dilma ser mulher, a Presidenta, também estavam lá.
Não podiam se omitir, afinal, querem interromper pela força do Golpe a primeira mulher Presidenta da República, contra o voto dos brasileiros e brasileiras.
Quem é contra a democracia estava lá. Até o sigma integralista se viu, garboso e sem vergonha entre analfabetos de História e solidariedade.

Os inimigos de Paulo Freire fizeram questão de marcar presença, com faixa e tudo.

Verde amarelo na roupa e faixas em inglês pedindo a intervenção dos Estados Unidos foram comuns.

Elogios a Ditaduras, o anticomunismo, a defesa dos privilégios de classe que sempre vigeram, tudo estava ali.

Lacerda foi visto como um encosto a repetir, sem ameaça de exorcismo, como disse de Getúlio:
"Não pode se candidatar. Se candidato não pode ganhar. Se eleito não pode assumir.
Se assumir não pode governar e devemos derrubá-la".

(Nós já vimos essa campanha de ódio, força e acusações terríveis - "mar de lama" - a escorrer pelos jornais, levarem Getúlio Vargas ao suicídio, em 24 de agosto de 1954, data sagrada da Carta Testamento.)

Saíram às ruas os que querem acabar com a CLT e que querem a terceirização total.
Saíram também os envolvidos em corrupção, mas protegidos pela imprensa golpista. Corruptos reconhecidos desde sempre e que falam contra a corrupção impunemente.

Saíram às ruas os maiores inimigos do fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Saíram os que param o transporte de carga e sabotam o Brasil, que param pela força os caminhoneiros(as) que só tem o caminhão e as prestações, os que esmagam os pequenos e paralisam as vias até até a sua carga apodrecer.

Também os deputados que criam a despesa, mas não a receita, mas querem as suas emendas para seus currais, e fornecedores. Os achadores se esconderam, mas era possível ver seu nauseabundo rastro e até a presença de vários.

Os pelegos foram!

Todos os que se somam ao problema, e não apoiam as soluções e lucram com a maior Crise do Capitalismo desde 1929, todos os que jogam com a crise, que lucram se a crise crescer, todos foram, ou pagaram quem fosse.

Eram muitos, sim, mas a maioria ainda não foi às ruas.
Acordou a oligarquia. E sua face apareceu despudoramente à luz do dia.
E você, você foi? Mesmo sem nada a ver com eles, você foi?
Você não reparou nesses todos que estavam lá?
Você acreditou na imprensa golpista? 

Eles ameaçam parar o Brasil, mas há uma dificuldade.

Afinal, a oligarquia não produz nada.
A oligarquia - oligarcas de merda - vive de quem trabalha.
A oligarquia não pode parar o Brasil.

Quero te contar um segredo:

O gigante ainda não acordou.

Quem move o Brasil
Quem constrói o Brasil
Quem pôs Lula Lá - duas vezes
Quem pôs Dilma Lá - duas vezes

São os trabalhadores e as trabalhadoras

E a luta, e o poema, continuam.

domingo, 15 de março de 2015

Lista do HSBC liga Globo, Folha, Band e Abril a crime de evasão fiscal - Agência PT de Notícias

Nesta madrugada, foi divulgada a lista com os nomes de brasileiros com contas no HSBC da Suíça, envolvidos num dos maiores esquema de evasão fiscal e de divisas já revelados no mundo. A relação traz representantes de grandes grupos de comunicação no País. Dentre eles, Folha, Globo, Abril, Bandeirantes, Verdes Mares, Rede Transamérica e outros arautos da moralidade.

O material foi divulgado após as manifestações em defesa da democracia, realizadas nesta sexta-feira por movimentos sindicais e sociais de todo o Brasil, e à véspera dos atos marcados para 15 de março, numa estratégia para tentar diminuir a repercussão do caso junto à sociedade.

A lista mais recente, divulgada pelo jornalista Fernando Rodrigues e pelo site do jornal “O Globo”, contém o nome do já falecido empresário Otávio Frias, fundador do Grupo Folha, e de seu filho, Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário de conta no paraíso fiscal.

O material também revela o nome de Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo, morta em 2011, com nada menos que US$ 750,2 mil. O material caiu como uma bomba dentro da organização que tentou desviar a atenção do caso relacionando o ex-marido de Lily, Horácio de Carvalho, morto em 1983, aos recursos.

Quatro integrantes da família Saad, da Rede Bandeirantes, também mantinham contas no HSBC, em Genebra. São eles, João Jorge Saad, a empresária Maria Helena Saad Barros, Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet.

A conta de José Roberto Guzzo, colunista e membro do conselho editorial da Abril, que edita a revista Veja, um dos mais raivosos meios de imprensa contra o governo e o Partido dos Trabalhadores, também foi revelada.

O apresentador do SBT, Carlos Massa, conhecido como Ratinho, manteve a bagatela de US$ 12,4 milhões nos cofres suíços, enquanto desfere discurso contra políticos em seu programa de tevê.

Mona Dorf, jornalista ligada à Rádio Jovem Pan, que mantém programa no qual profere libelos contra a corrupção, mantinha US$ 310 mil na conta no paraíso fiscal.

Arnaldo Bloch, do extinto grupo Manchete, também foi correntista, assim como a família Dines, que, à época, manteve US$ 1,3 milhão no banco suíço.

Com US$ 120,5 milhões, Aloysio de Andrade Faria, dono da Rede Transamérica, tem a maior soma das contas. Em suas rádios críticas contra à corrupção são comuns por parte de seus jornalistas e apresentadores.

Depois dele, aparecem Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho, do grupo Verdes Mares, afiliado da Globo no Ceará, com US$ 83,9 milhões.

Ao Blog do Fernando Rodrigues, do Uol, todos eles disseram não terem cometido irregularidades. Além deles, aparece na lista Luiz Fernando Levy, que quebrou a Gazeta Mercantil, deixando dívidas tributárias e trabalhistas. Os registros indicam que 14 contas já estavam encerradas em 2007, quando os dados vazaram.

No Senado, a CPI do HSBC aguarda a indicação dos membros pelos partidos para que as investigações sobre o caso sejam iniciadas.

Da Redação da Agência PT de Notícias

domingo, 8 de março de 2015

Homenagem às mulheres é a defesa da Democracia e da Presidenta Dilma - Paulo Vinícius Silva

A polissemia é a multiplicidade dos significados presente em tudo que fazemos, e de um modo próprio na arte e na literatura, incluindo-se aí as artes plásticas. Nesse 8 de março, um domingo, observamos a capa de O Globo, que no dia das mulheres traz uma caricatura que evoca horror e perplexidade. Assim são as caricaturas, em especial se políticas, em especial em momentos delicados. Mas não há que culpar o caricaturista, há que entender o ânimo de nossa imprensa e a armadilha polissêmica em que ela própria se meteu.

Na caricatura, uma Dilma, ajoelhada, vestida com o tenebroso uniforme laranja - que os EUA impõem aos presos de Guantânamo, e também o Estado Islâmico a suas vítimas (com o repúdio da amplíssima maioria do Islã) – olha para um mascarado em roupas pretas, como os do EI, com uma faca no pescoço. E Dilma olha para o seu carrasco e pede para negociar.

O mau gosto é evidente, mas a imagem diz muito mais do que uma leitura apressada pode nos fazer ver. E o fato de ocorrer no Dia Internacional da Mulher não o desnaturaliza, mas afirma. Afinal, hoje não é um dia de consumo, hoje é um dia de luta, criado pelas mulheres trabalhadoras e socialistas em uma luta secular pela emancipação das mulheres, e não apenas do machismo, mas do sexismo e do capitalismo. E a imagem diz isso: é preciso defender Dilma da vil degola que os corruptos, a imprensa golpista, os imperialistas cobiçosos das nossas riquezas no Pré Sal. Dilma, coração valente, não se dobrará, mas para isso precisa do povo ao seu lado. 

Está em curso um golpe de Estado contra a primeira mulher Presidenta do Brasil. Eles involuntariamente mostraram a sua verdadeira face na charge de Caruso. O povo deve ir ao socorro de Dilma contra os interesses funestos que querem desrespeitar a soberania popular e se apoderar do Brasil. E essa semana do Dia Internacional da Mulher, que terá hoje seu início e dia 13 de Março o seu ápice, deve servir para isso, defender a Democracia, defender a Presidenta Dilma, essa a melhor maneira de homenagear as mulheres, a democracia, a soberania e todas as vitórias conquistadas nos últimos 12 anos. Não passarão!

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Assista os Cearenses desmoralizando o golpismo em plena TV Globo - #impitimaemeuzovo

A cobertura do carnaval de 2015 ganhou um conteúdo político-satírico inesperado. Vindo de Fortaleza, uma intervenção de populares em reportagem da TV Verdes Mares com transmissão nacional lançou a hashtag #impitimaemeuzovo, que viralizou na internet.

Tinha de ser em Fortaleza, a cidade que vaiou o sol, terra do Bode Ioiô, do nosso Ceará Moleque, no melhor sentido do termo, pois com humor e sarcasmo impagáveis põe por terra pelo ridículo o golpismo dos derrotados da eleição de 2015. Confiram o vídeo a seguir, com o Blog da Dilma, que
reproduziu as imagens da TV Verdes Mares. Guerrilha pura!!! #impitimaemeuzovo

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Jandira Feghali denuncia na Câmara blindagem de FHC e tucanos e o golpismo contra Dilma


A deputada comunista Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da base de Dilma denuncia na tribuna da Câmara dos Deputados plano da Grande Mídia em acobertar FHC no noticiário sobre a corrupção na Petrobras. TV Globo teve e-mail vazado sobre blindagem ao ex-presidente pelo jornalista Luis Nassif. Assista!!
Publicação by Jandira Feghali.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

P or que os brasileiros desconhecem as realizações do governo Dilma? - Carta Maior

http://www.cartamaior.com.br

Em 2014, o Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu mais de 9 horas de notícias desfavoráveis ao governo Dilma, contra apenas 45 minutos de favoráveis.





Brasília - Os brasileiros que assistiram ao horário eleitoral gratuito da última quinta, na TV, se surpreenderam com a grandiosidade das realizações do governo Dilma Rousseff (PT), mostradas com extremo cuidado estético pela propaganda eleitoral. Quando a peça publicitária exibiu a imagem de duas torres de transmissão de energia instaladas sob o Rio Amazonas, na fronteira do Pará com o Amapá, cada uma delas com 295 metros, só 29 a menos do que a Torre Eiffel de Paris, a reação de muitos foi protestar nas redes sociais: “Isso só pode ser mentira”.

Não é. As duas torres compõem um conjunto de outras 3,3 mil, de menores proporções, instaladas em uma rede de transmissão de 1.750 Km, que levam a energia gerada pela Usina de Tucuruí, no Pará, até Macapá, no Amapá, e depois até Manaus, no amazonas. Absolutamente desconhecida dos brasileiros, a obra faz parte de um programa maior que, nos quatro anos do governo Dilma, implantou 23 mil Km de linhas de transmissão, o equivalente à metade da circunferência do planeta. E, dessa forma, permite que uma região do país possa socorrer a outra, em caso de insuficiência energética.

“Mas como nós nunca soubemos disso? Como uma imagem dessas proporções e significado nunca estampou a capa dos jornais e revistas”, se questionavam muitos. A resposta é simples e foi dada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo programa. “Meus amigos e minhas amigas, eu tenho certeza que você já tá surpreso com tanta coisa que a Dilma fez e você não sabia. Garanto que ficará ainda mais. Esta campanha vai servir exatamente para isso: para você ver como certa imprensa gosta mais de fazer política do que informar bem, como só consegue falar mal e é capaz de esconder obras fundamentais que estão transformando o Brasil. É por isso que a gente diz que, na minha primeira campanha, a esperança venceu o medo e, nesta da Dilma, a verdade vai vencer a mentira”, afirmou.

Lula não fez bravata. A afirmação tem lastro científico. Pesquisa realizada pelo Laboratório de Mídia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), no projeto batizado como “Manchetômetro”, comprova que, em 2014, o Jornal Nacional da TV Globo, o principal do país, exibiu 9 horas, 19 minutos e 37 segundos de notícias desfavoráveis ao governo federal. Já as positivas ocuparam um espaço de apenas 29 minutos e 40 segundos. A pesquisa considerou toda as notícias exibidas este ano. Como é atualizada diariamente, os dados contidos nesta matéria englobam até o noticiário da última sexta (22).

A pesquisa classifica também as notícias negativas por partido: o PSB de Marina Silva teve 1h 12m e 12 S de noticiário neutro, o PSDB de Aécio Neves foi retrato em 1h 25m e 31s de notícias neutras, 1 h 19m e 18s de notícias contrárias e 8m de favoráveis. Já o PT de Dilma Rousseff contou com 1h 9m e 13s de neutras, 55s de favoráveis e 3h 25m e 5 s de negativas. Em relação aos candidatos, o estudo aponta que o JN exibiu 1h, 25m e 30s de notícias negativas sobre a presidente, e apenas 3m e 35s de notícias favoráveis.

A proporção muda significativamente quando o candidato em questão é Aécio Neves. Foram 5m e 35s de notícias desfavoráveis a ele, contra 7m e 45s de favoráveis. No restante da imprensa monopolista, não é diferente. Outra pesquisa realizada pelo mesmo instituto mostra que, durante todo o ano, as manchetes dos três principais jornais do país (O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo) são visivelmente contrárias ao governo da presidenta Dilma: 48 negativas contra 8 positivas. Os candidato Aécio Neves (PSDB) teve 6 favoráveis e 3 contrárias, uma proporção bastante diferente. O então candidato Eduardo Campos, do PSB, morte recentemente em acidente aéreo, tal como o tucano, teve 6 favoráveis e 3 contrárias. O PT foi retratado em 56 manchetes negativas e apenas uma única positiva.

Preconceito contra a atividade política e crítica à economia
As pesquisas da UERJ revelam também o preconceito exacerbado da mídia contra a atividade política e a crítica permanente ao modelo econômico adotado pela presidenta para enfrentar a crise econômica mundial, sem prejudicar os mais pobres. Nos três principais jornais do país, foram 136 manchetes negativas acerca da atividade política, contra apenas duas positivas. Em relação à economia, o Brasil do pleno emprego e da inflação controlada dentro da meta foi retratado em 118 desfavoráveis e apenas 5 positivas. No Jornal Nacional, foram 15h, 58m e 5s de notícias contrárias à atividade política e apenas 1h, 21m e 10s de favoráveis. Em relação à economia, 3h, 5m e 2s de noticiário negativo, contra 18m e 40s de positivo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Presidenta Dilma Roussef em cadeia nacional acaba com palhaçada alarmista da Imprensa Golpista



www.planalto.gov.br

23 de janeiro de 2013

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,
Acabo de assinar o ato que coloca em vigor, a partir de amanhã, uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros. Além de estarmos antecipando a entrada em vigor das novas tarifas, estamos dando um índice de redução maior do que o previsto e já anunciado. A partir de agora, a conta de luz das famílias brasileiras vai ficar 18% mais barata.
É a primeira vez que isso ocorre no Brasil, mas não é a primeira vez que o nosso governo toma medidas para baixar o custo, ampliar o investimento, aumentar o emprego e garantir mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros. Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil.
No caso da energia elétrica, as perspectivas são as melhores possíveis. Com essa redução de tarifa, o Brasil, que já é uma potência energética, passa a viver uma situação ainda mais especial no setor elétrico. Somos agora um dos poucos países que está, ao mesmo tempo, baixando o custo da energia e aumentando sua produção elétrica. Explico com números: como acabei de dizer, a conta de luz, neste ano de 2013, vai baixar 18% para o consumidor doméstico e até 32% para a indústria, a agricultura, o comércio e serviços. Ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia, e ela irá crescer ainda mais nos próximos anos.
Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo. No ano passado, colocamos em operação 4 mil megawatts e 2.780 quilômetros de linhas de transmissão.
Este ano, vamos colocar mais 8.500 megawatts de energia e 7.540 quilômetros de novas linhas. Temos uma grande quantidade de outras usinas e linhas de transmissão em construção ou projetadas. Elas vão nos permitir dobrar, em 15 anos, nossa capacidade instalada de energia elétrica, que hoje é de 121 mil megawatts. Ou seja, temos contratada toda a energia que o Brasil precisa para crescer, e bem, neste e nos próximos anos.
Minhas amigas e meus amigos,
O Brasil vive uma situação segura na área de energia desde que corrigiu, em 2004, as grandes distorções que havia no setor elétrico e voltou a investir fortemente na geração e na transmissão de energia. Nosso sistema é hoje um dos mais seguros do mundo porque, entre outras coisas, temos fontes diversas de produção de energia, o que não ocorre, aliás, na maioria dos países.
Temos usinas hidrelétricas, nucleares, térmicas e eólicas, e nosso parque térmico, que utiliza gás, diesel, carvão e biomassa foi concebido com a capacidade de compensar os períodos de nível baixo de água nos reservatórios das hidrelétricas. Praticamente todos os anos as térmicas são acionadas, com menor ou maior exigência, e garantem, com tranquilidade, o suprimento. Isso é usual, normal, seguro e correto. Não há maiores riscos ou inquietações.
Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. O Brasil não deixou de produzir um único kilowatt que precisava, e agora, com a volta das chuvas, as térmicas voltarão a ser menos exigidas.
Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anunciado.
Hoje, além de garantir a redução, estamos ampliando seu alcance e antecipando sua vigência. Isso significa menos despesas para cada um de vocês e para toda a economia do país. Vamos reduzir os custos do setor produtivo, e isso significa mais investimento, mais produção e mais emprego. Todos, sem exceção, vão sair ganhando.
Aproveito para esclarecer que os cidadãos atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao nosso esforço terão, ainda assim, sua conta de luz reduzida, como todos os brasileiros. Espero que, em breve, até mesmo aqueles que foram contrários à redução da tarifa venham a concordar com o que eu estou dizendo.
Aliás, neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia, e que tentavam amedrontar nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. Os juros caíram como nunca, o emprego aumentou, os brasileiros estão podendo e sabendo consumir e poupar. Não faltou comida na mesa, nem trabalho. E nos últimos dois anos, mais 19 milhões e 500 mil pessoas, brasileiros e brasileiras, saíram da extrema pobreza.
O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido o dos que têm fé e apostam no Brasil. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história. E a maioria dos brasileiros sente e expressa esse sentimento. Vamos viver um tempo ainda melhor, quando todos os brasileiros, sem exceção, trabalharem para unir e construir. Jamais para desunir ou destruir. Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais.
Muito obrigada e boa noite.

Ouça a íntegra do pronunciamento (08min23s) da Presidenta Dilma

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Telesur - Equador: Rafael Correa vence imprensa bandida na justiça e, magnânimo, perdoa os condenados por calúnia

Telesur



   

Enviado por em 27/02/2012
Pese a las condenas de cárcel y multa por injurias que dispuso la justicia ecuatoriana contra un columnista y tres directivos del diario El Universo, el presidente de ese país, Rafael Correa, decidió perdonar a los acusados concediéndoles la remisión de las penas y desistió también de su demanda contra los autores del libro El gran hermano. teleSUR




El presidente de Ecuador, Rafael Correa, destacó que en el proceso judicial contra el diario El Universo se cumplieron tres objetivos. El primero, demostrar que el periódico mintió; segundo, evidenciar que los responsables son los directivos del medio; el tercer objetivo fue lograr que los ciudadanos de Ecuador y toda América superen el miedo a la prensa corrupta y abusiva para defender sus derechos ciudadanos con la ley en la mano. teleSUR
http://multimedia.telesurtv.net

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A guerra suja da grande mídia contra o crescimento do PCdoB Por Adalberto Monteiro - Blog do Renato Rabelo

O balanço do primeiro ano do governo Dilma, considerando os impactos negativos da crise mundial do capitalismo sobre o Brasil e o “cerco” que lhe impôs o monopólio midiático, como resultante é positivo. Mesmo que a economia tenha crescido aquém do esperado e na rabeira da classificação dos Brics, o governo assegurou um bom índice de geração de empregos. No Congresso obteve êxitos, entre eles, a aprovação da Comissão da Verdade e do novo Código Florestal. A presidenta chegou ao final de 2011 ostentando índices recordes de aprovação popular, segundo pesquisas de opinião.

Todavia, a grande mídia – porta-voz do capital financeiro e do conservadorismo – tem feito um verdadeiro cerco contra o governo. Manipulando a bandeira do combate à corrupção, ela empreende corrosiva campanha falsamente moralista que já levou ao chão seis ministros. E, como parte dessa escalada contra o governo, desencadeou um bombardeio cerrado contra o PCdoB e seu ex-ministro do Esporte, Orlando Silva.

A campanha difamatória contra do PCdoB teve como ponto de partida uma matéria de capa da revista Veja de 15 de outubro de 2011. Nela se acusava o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e o PCdoB de terem montando um suposto esquema de corrupção no qual “seriam utilizadas ONGs de fachada para desviar recursos públicos do Programa Segundo Tempo para os cofres do Partido”.

Todavia, ao ler a pretensa reportagem se via que a munição do ataque era podre, pois se fundamentava tão somente nas palavras de um farsante, o soldado João Dias. Um elemento com folha corrida na polícia, tendo, inclusive, sido preso, acusado de corrupção. Dias, também, fora instado pelo Ministério do Esporte a devolver mais três milhões de reais, por não ter cumprido as normas de um convênio que ele havia assinado com o ministério.

A partir dessa “senha” de Veja se formou uma santa aliança de todos os grandes veículos de comunicação que, por cerca de 20 dias seguidos, espalharam essa mentira até a saturação.

O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, com altivez, apresentou esclarecimentos demonstrando a lisura de sua gestão. Deu inúmeras entrevistas, de vontade própria foi às duas casas do Congresso Nacional, cobrando de seus caluniadores ao menos uma prova que fosse. Do mesmo modo, a direção nacional do PCdoB, por intermédio de seu presidente Renato Rabelo, liderou a defesa da dignidade da histórica legenda dos comunistas e a integridade do ministro.

Todavia, a grande mídia – agindo na condição de um verdadeiro tribunal de exceção, em rito sumário, e sem provas – julgou, condenou e promoveu um verdadeiro linchamento moral do ex-ministro e de seu Partido.

De lá para cá, nenhuma prova – conforme desafiou o ex-ministro Orlando – surgiu contra ele, tampouco contra o PCdoB. O farsante João Dias, depois da injusta queda de Orlando, foi preso duas vezes, em 7 e 15 dezembro último, por tentar invadir o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

O PCdoB, apoiado na verdade, na coesão de seu coletivo militante e na coragem política de sua direção, no apoio de aliados e do povo, tem conseguido batalha a batalha enfrentar a armação política contra ele montada. A guerra suja não conseguiu nem retirá-lo do governo, nem isolá-lo.

Na história brasileira, toda vez que recorreu ao anticomunismo – além de procurar “aniquilar” o Partido Comunista em virtude do seu crescimento ou de sua resistência à tirania – a direita sempre usou esse ataque como estratagema para golpear governos democráticos. Isso se repete agora. A direita reacionária recorre ao seu atávico anticomunismo para satanizar o PCdoB, justamente porque ele ganha crescente força política e social, exerce responsabilidades destacadas no governo da República, e se qualifica como um Partido revolucionário e contemporâneo.

Das lições de 2011, do balanço do primeiro ano do governo Dilma, duas grandes tarefas se apresentam: avançar na adoção de uma nova política macroeconômica, com redução forte dos juros, ajuste cambial e política fiscal consoante aos tempos de crise; e garantir à sociedade o direito constitucional à liberdade de expressão, o direito à informação e à comunicação.

Se outrora a comunicação plural e a liberdade de imprensa foram aniquiladas pela ditadura militar, agora se encontram sufocadas pelos monopólios do setor. Assim como o sufrágio universal decorrente da luta do povo, nas primeiras décadas do século XX, foi uma conquista determinante à ampliação da democracia, hoje, no século XXI, pela dimensão adquirida pela mídia – sobretudo, na esfera da política –, sua democratização é uma condição à conquista de uma sociedade verdadeiramente democrática.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Franklin Martins: Blogosfera pode reviver jornalismo "heroico" - Portal Vermelho

Franklin Martins: Blogosfera pode reviver jornalismo "heroico" - Portal Vermelho

O jornalista e ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Franklin Martins, defende a necessidade de a blogosfera avançar na produção de reportagens. Ele acredita na retomada do que ele chama de "período heroico do jornalismo" com a ampliação do papel da internet como fonte de informação pela sociedade

Franklin, que ocupou o cargo no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez um discurso assumidamente otimista sobre o horizonte da comunicação no país. Ele participou do seminário "Mercado Futuro de Comunicação", organizado pela Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) em São Paulo, nesta segunda-feira (5). O evento é voltado a discutir as oportunidades do setor nos próximos anos, especialmente para pequenas e microempresas.

Falando a um público de editores de publicações alternativas, produzidas fora de conglomerados de mídia, o jornalista defendeu a necessidade de se evitar o estigma da segmentação. "Ser alternativa não é segmento, é fazer jornalismo alternativo, de grande qualidade onde o espaço público prevaleça sobre o privado", definiu.

A blogosfera, avaliou, embora cumpra uma importante função de "grilo falante" da imprensa, como Martins se acostumou a defender, "não conseguiu avançar na reportagem". A maior parte da produção vai no sentido de qualificar ou desqualificar o conteúdo publicado pela velha mídia, o que foi importante para revelar a verdade em episódios como o plágio de um artigo do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em maio de 2010, e o que ficou conhecido como o "caso da bolinha de papel" atirada em José Serra (PSDB) durante a campanha eleitoral do ano passado.

O jornalista avalia ainda que a redução de custos para produção de conteúdo permite uma democratização importante, que precisa ser aprofundada com a criação de alguma forma de central de reportagem autônoma. O modelo seria o de uma central de uma rede de veículos que captaria recursos, absorveria e remuneraria a produção. O conjunto de publicações na internet, seja de portais de notícia, seja de blogues, reproduziria as reportagens, permitindo ampliar a visibilidade da produção. "Sozinho, ninguém tem 'bala na agulha' para isso", avalia.

O ministro citou reportagens importantes já produzidas por blogueiros autônomos como sinal de que é possível avançar nesse sentido. O primeiro exemplo foram matérias escritas por Conceição Oliveira (do blogue Maria Frô), sobre as enchentes em São Paulo no início de 2011. O segundo, mais recente, foram informações apuradas pelo deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) e pelo jornalista Fernando Brito sobre o acidente da Chevron na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

"Isso mostra que a blogosfera pode fazer isso, pode ir atrás de assuntos que a velha mídia não dá, seja porque não tem interesse em apurar, seja porque está cansada", sugere. "A blogosfera vai ter bala na agulha para isso? Será que pode ter uma central de reportagem, que capte recursos para isso, bancada politicamente por todo mundo?"

Ele avalia que o desafio é superar a opinião e entrar na seara da informação. "Mas o jornalismo heróico (do século 19) começou igualzinho, com muita opinião e pouca informação", disse. A necessidade de mudar deveu-se a demandas do público e da necessidade de se preservar a relevância.

O papel que cabe aos conglomerados de comunicação no Brasil depende da forma como essas empresas se comportarem. "Se a imprensa ficar de mal com o país, não vai a lugar nenhum, não manda em nada. Se pensar que Bolsa Família é 'bolsa-esmola', se for contra o Plano Nacional de Banda Larga, não chega a lugar nenhum", disse.

Mas ele descarta a possibilidade de a internet eliminar os jornais e revistas – embora possa eliminar a necessidade de impressos em papel. A questão é a necessidade de forjar um espaço público onde temas são trabalhados com mais profundidade e menos parcialidade. "Mas os jornais no Brasil são muito ruinzinhos, não se pautam pelo imponderável da notícia, mas pelos seus próprios preconceitos", sustenta.

Fonte: Rede Brasil Atual

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.

O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.

Previsões em baixa

O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.

Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).

Cenário crítico

O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.

As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.

Política econômica

A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.

Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.

Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.

Déficit comercial da indústria

As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.

O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.

Correndo atrás do prejuízo

A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.

A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.

Fiesp

Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.

“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.

Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.

Da Redação, Umberto Martins, com agências

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Protocoladas ações do PCdoB contra revistas Época e Veja - Portal Vermelho

Protocoladas ações do PCdoB contra revistas Época e Veja - Portal Vermelho

Nesta terça-feira (29), o PCdoB praticou mais um ato em defesa da democracia e da verdade no país. Protocolou na Vara Civil Especial de Brasília três ações em que defende sua honra e sua história. Duas são ações indenizatórias por calúnias e são dirigidas contra as empresas Globo e Abril, respectivamente responsáveis pelas revistas Época eVeja. Outra ação é penal, contra jornalistas da revista Veja, autores de matérias caluniosas, juntamente com seus editores.

Gustavo Alves



Os dirigentes do PCdoB foram pessoalmente entregar as ações

As ações são fundamentadas nos incisos V e X, ambos do artigo 5º da Constituição Federal, e que assim estão expressos: V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

Estiveram presentes no momento de entrega das ações, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, o líder do PCdoB no Senado, Inácio Arruda, e o líder do PCdoB na Câmara, Osmar Junior, além do advogado da direção nacional do Partido, Paulo Guimarães.

Defesa

Segundo Renato, diante da dimensão dos ataques virulentos que sofreu, o Partido teve a consciência de que essa é uma importante forma de se defender. “São esses os instrumentos cabíveis. Ficou uma situação desigual, nosso coletivo foi alvo de ataques que o atingiram em todo o país e não tivemos o direito de resposta”. Ele afirmou que ao tomar essa atitude, atende a um clamor da militância que se sentiu ultrajada e caluniada.

O dirigente fez questão de valorizar a atitude da militância, que demonstrou uma grande unidade e mobilização durante o período em que os comunistas foram atacados. O ápice dessa mobilização, lembrou Renato, “pôde ser demonstrado, por exemplo, quando nossa militância e amigos do PCdoB, através de ações virtuais, mostraram a força dos comunistas”. Rabelo se referia ao fato dessas ações entrarem nos Trending Topics (TTs, temas mais comentados na rede social) com as hashtag #SouOrlandoSouBrasil e #SouPCdoBSouBrasil”

Marco Regulatório

Renato afirmou que as calúnias das revistas comprovaram o que o PCdoB já colocou como pauta prioritária há um tempo. A urgente regulamentação dos meios de comunicação. “Em outros país, existe o direito ao contraditório, uma imprensa plural, com variedade de opiniões. No Brasil, a velha mídia cumpre o papel de oposição e ataca sem provas”.

Os líderes do PCdoB no Congresso também defenderam uma regulamentação dos meios de comunicação, o que para eles tem que ser feito através da aprovação do marco regulatório da comunicação.

Conteúdo da ações

Contra a Veja, o PCdoB protocolou duas ações. Uma de reparação de danos, pedindo 3 mil salários mínimos, contra três edições – de 19 de outubro, 26 de outubro e 2 de novembro. Na primeira matéria, do dia 19, intitulada “O ministro recebia dinheiro na garagem”, a revista faz acusações baseadas em uma entrevista com o policial militar João Dias Ferreira, que denuncia, sem provas, o partido por desvio de verbas, afirmando – o que inclusive dá título à matéria – que o então ministro do Esporte, Orlando Silva, receberia valores em uma garagem. Nem o próprio militar testemunhou.

Na matéria da edição de 26 de outubro, "A coisa fugiu do controle", o semanário forja a ideia de que o ministério se tornou “uma fábrica de moedas para os cofres de entidades ligadas aos comunistas”. E, por falta de provas e fontes, repete a falácia exposta na edição anterior.

Em “Escândalo latente”, matéria publicada na edição de 2 de novembro, Veja abre o texto com um lide emporcalhado, que nem mesmo suas 30 linhas sustentam. Tenta sacramentar a saída de Orlando Silva do ministério como parte de uma pseudofaxina da presidente Dilma Rousseff, como se o PCdoB fosse um corrupto a ser varrido. E mais ainda, tenta dissociar o atual governo de seu antecessor, o do presidente Lula, o que não é verdade.

Jornalistas

Tamanhos foram os ataques feitos pela revista, que os jornalistas que redigiram as matérias e seus editores são processados criminalmente. A ação penal contra os profissionais é por crime contra a honra – calúnia, difamação e injúria.

“Nesse caso, houve os três, injúria, calúnia e difamação. Houve ataques e tentativas de desqualificar o partido e um membro do partido, atentando contra a dignidade. E além deles terem publicado na edição impressa, mantêm disponível em suas páginas na internet”, declarou o advogado Paulo Machado.

No caso da revista Época, trata-se de uma ação por danos morais pela matéria “Comunismo de resultados” e capa com a chamada “PC do Bolso”, em uma insinuação de que a legenda estaria retirando recursos da pasta do Esporte e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A ação pede 2 mil salários mínimos.

De Brasília,
Kerison Lopes, com informações de Deborah Moreira

sábado, 26 de novembro de 2011

PCdoB processa editoras Abril e Globo por ataques ofensivos - Portal Vermelho

O PCdoB vai entrar na terça-feira (27), na Justiça do Distrito Federal, com ações penal e indenizatórias contra as editoras Abril e Globo, por conta de publicações ofensivas nas revistas Veja e Época. A primeira por ter deflagrado uma campanha ofensiva orquestrada pela grande mídia contra um membro do partido e o própria legenda. Já a segunda, pela gratuidade do ataque e por ser de tão baixo calão.

“Já tínhamos, no decorrer desse enfrentamento, o compromisso de que nós iríamos lutar em todas as frentes, inclusive a judicial, sobretudo procurando construir ações contra dois órgãos de imprensa que nos atacaram de forma mais agressiva”, declarou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

Contra a Veja, serão duas ações. Uma de reparação de danos, que pedirá 3 mil salários mínimos, contra três edições - de 19 de outubro, 26 de outubro e 2 de novembro. Na primeira matéria, do dia 19, com intitulada “O ministro recebia dinheiro na garagem”, faz acusações baseadas em uma entrevista, com o policial militar João Dias Ferreira, que acusa, sem provas, o partido por desvio de verbas, inclusive, o fato que dá título à matéria, de que o então ministro do Esporte, Orlando Silva, receberia valores em uma garagem. Nem o próprio militar testemunhou.

Na matéria da edição de 26 de outubro, "A coisa fugiu do controle", o semanário forja a ideia de que o ministério se tornou “numa fábrica de moedas para os cofres de entidades ligadas aos comunistas”. E, por falta de provas e fontes, repete a falácia exposta na edição anterior.

“Escândalo latente”, matéria publicada na edição de novembro, a Veja abre o texto com um lide emporcalhado, que nem mesmo suas 30 linhas o sustentam. Tenta sacramentar a saída de Orlando Silva do ministério como parte de uma pseudo faxina da presidente Dilma Rousseff, como se o PCdoB fosse uma corrupção a ser varrida. E mais, ainda tenta dissociar o atual governo de seu antecessor, o presidente Lula, o que não é verdade.

Tamanho foram os ataques feitos pela revista, que os jornalistas que redigiram as matérias, Rodrigo Rangel e Daniel Pereira, e o redator-chefe mauro Sabino, serão processados criminalmente. A ação penal contra os profissionais será por crime contra a honra - calúnia, difamação e injúria.

“Nesse caso, houve os três, injúria, calúnia e difamação. Houve ataques e tentativas de desqualificar o partido e um membro do partido, atentando contra a dignidade. E além deles terem publicado na edição impressa, mantêm disponível em suas páginas na internet”, declarou o advogado Paulio Machado, responsável pelas ações.

O advogado acrescentou que, com relação às indenizações por danos morais, o que mais importa é a condenação e não os valores obtidos. “O que pesa na ação é o julgamento, uma vez que no país não há jurisprudência para condenações de grandes valores”, observou Paulo Machado.

Época

No caso da Revista Época, da Editora Globo, será uma ação por danos morais pela matéria, Comunismo de resultados, e capa com a chamada “PC do Bolso”, em uma insinuação de que a legenda estaria retirando recursos da pasta do Esporte e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). A ação pede dois mil salários mínimos.

“Partidos comunista causam um certo pavor nas forças conservadoras. E a mídia é o instrumento que elas têm para atacarem. O que demonstra o antagonismo dessas forças com o partido”, declarou Renato Rabelo, referindo-se ao anticomunismo presente na sociedade.

Deborah Moreira, da redação do Vermelho

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A batalha pela memória Por Fábio Palácio

www.grabois.org.br


Começou da noite para o dia. A um chamado de Veja, os trustes do oligopólio midiático – hoje alcunhados, não sem razão, de PIG (Partido da Imprensa Golpista) – iniciaram, em uníssono e de forma frenética, intenso bombardeio contra os comunistas brasileiros e sua corrente orgânica, o Partido Comunista do Brasil.

A persistência da memória, pintura de Salvador Dalí

O que começou com agressões contra uma importante e respeitada liderança comunista, o ministro Orlando Silva, foi tomando proporções insólitas. Quando os detratores do PCdoB desceram sorrateiramente aos porões de suas próprias almas, as investidas iniciais deram lugar a uma ofensiva de nítidos contornos ideológicos. Passou-se a atentar contra o Partido como instituição – sua história, suas ideias, sua herança, sua presença na sociedade e na cultura brasileira –, numa espécie de reação ideológica em toda linha, com múltiplas frentes de contestação abertas simultaneamente.

Uma delas foi deflagrada a partir da exibição, nas redes de TV aberta, do programa partidário do PCdoB. Apresentado no último dia 20, o programa trazia uma vinheta veiculada comoavant-première das comemorações pelos 90 anos do Partido, que se realizam em 2012. Vejamos o texto que foi ao ar no programa:

“Mudar era impossível. Até o dia em que eles usaram o que tinham de melhor e simplemente mudaram. A criatividade de Jorge Amado mudou a literatura brasileira. A paixão de Drummond mudou a poesia. A ousadia de Pagu mudou o comportamento feminino. O talento de Portinari mudou a arte. A visão de futuro de Niemeyer mudou a forma da arquitetura. A coragem de Olga Benário mudou a forma de se fazer política. O sonho de João Amazonas, Maurício Grabois e Luís Carlos Prestes mudou a história. De um jeito ou de outro, todos eles mudaram o país. E todos eles fizeram do PCdoB um partido que é a cara do Brasil.”

A exibição da vinheta foi a senha para que o campo conservador e a grande mídia – vergonhosamente secundados por setores que se autoproclamam de esquerda, incluindo seitas exóticas que de maneira delirante se consideram “donas” do legado comunista – percebessem que não bastava questionar o presente do PCdoB. Era preciso golpear os comunistas apagando seu passado, divorciando-os de sua própria história. “O partido delirou: no programa partidário para TV, tratou a História como massinha de moldar. De repente, citam Luís Carlos Prestes, Niemeyer, Drummond como grandes nomes do partido”, afirma o jornalista Carlos Brickmann em coluna publicada em vários jornais do último domingo (23). Trilhando a mesma senda, Fernando Gabeira – figura renegada da esquerda, rendida ao campo conservador por trinta tostões –, joga ainda mais duro: o PCdoB teria cometido, em seu programa na TV, “uma injustiça com a história cultural brasileira”.

O argumento esgrimido é sempre o mesmo: figuras como Prestes, Niemeyer ou Drummond não teriam sido jamais membros das fileiras do PCdoB, não podendo portanto ser evocados por esse partido. Nas palavras de Gabeira, “fica no ar uma impressão falsa de que existe uma continuidade entre eles e o PC do B”. Nessa concepção cartorial de política, que vê sempre os partidos como meras legendas – sem maiores vínculos com correntes de pensamento mais profundas e permanentes –, fico pensando se também não deveríamos ser proibidos de reverenciar figuras como as de Marx, Engels, Lênin, José Bonifácio e Tiradentes. Afinal, eles também “não foram do PCdoB”.

Mas Gabeira vai ainda mais longe. Mostrando-se especialmente indignado com a evocação do poeta Carlos Drummond de Andrade, termina por afirmar que nada autoriza a apresentá-lo “como um dos grandes intelectuais comunistas da história do Brasil”. Logo Drummond, ex-editor da Tribuna Popular (órgão da imprensa comunista da década de 1940) e também autor, como lembra o próprio Gabeira, de A Rosa do Povo, livro de grande sensibilidade social e política, momento alto não apenas da cultura brasileira, mas da literatura de extração comunista em todo o mundo, capaz de ombrear-se à maior literatura do mesmo gênero, bastando para isso compará-lo à poesia comunista de um Pablo Neruda.

Para Gabeira, o rompimento de Drummond com o Partido em 1949, após a realização do congresso da Associação Brasileira dos Escritores, seria suficiente para ficarmos os comunistas proibidos de evocá-lo para todo o sempre. “A poesia de Drummond não cabia nos rígidos cânones estéticos do Partido Comunista. Nem sua individualidade poderia ser conformada nos limites do centralismo democrático.” O intuito é fulgente: exaltar a grandeza de Drummond em oposição à “pequenez” do Partido Comunista. Drummond não precisa disso. E Gabeira, ademais, não se dá conta da contradição em que incorre: ali, quando opõe Drummond aos comunistas, enxerga continuidade entre o PCdoB e a legenda à qual esteve filiado o grande poeta brasileiro. Traduzindo: os comunistas só temos o direito de reivindicar a herança do Partido naquilo que possui de “negativa”, jamais no que possa possuir de positiva.

Abre-se assim um confronto de novo tipo, intangível, que bem poderia ser considerado uma “batalha pela memória”. Está decretado: ficam os comunistas proibidos de evocar sua própria história! Ou, melhor dizendo, ficam os comunistas proibidos de ser quem são!

O irônico de tudo é que, na avalanche anticomunista deflagrada no final dos anos 1980, com a queda do muro de Berlim, o PCdoB foi vilipendiado exatamente por continuar reivindicando símbolos, personagens e, enfim, a herança do movimento comunista. Naquela época não foram poucos os que renegaram essa herança, rasgaram as bandeiras com a foice e o martelo e mergulharam de cabeça no butim neoliberal. Quando nos convidaram a ir junto, recusamos. E se riam de nós, dizendo que, se não nos dispuséssemos a renegar nosso passado, desapareceríamos. Respondemos que não, que preferíamos morrer a jogar no lixo nossa história. Não morremos. Ao contrário, a persistente crise capitalista mundial – à qual nosso país tem resistido bravamente, graças às políticas dos governos Lula e Dilma – nos dá razão dia após dia. E, não por acaso, o Partido cresce a olhos vistos, como revela de maneira insuspeita o semanário Época, apresentando gráficos, tabelas e toda uma parafernália de provas do crescimento dos comunistas, que teriam chegado “ao centro do poder”.

Ou seja: naquela época se riam quando evocávamos a história do comunismo. Hoje, ao contrário, estamos proibidos de reverenciá-la. Num país onde os partidos costumam mudar de nome não como expressão de qualquer avanço programático, mas como reles tentativa de apagar o passado, é surpreendente que se ataque um partido por recusar-se a renegar sua história!

Porém, em pelo menos uma coisa é necessário concordar com nossa moderna inquisição: a memória é coisa séria demais para ser largada “solta” por aí. O marxismo possui fortuna crítica sobre o tema. Em O narrador, Walter Benjamin – intelectual marxista morto em 1940 em decorrência da perseguição fascista na Europa – mostra-se convicto de que o passado contém sempre a força de algo inacabado, e que o presente pode assumir, por meio da memória, um papel redentor. Em sua crítica da modernidade, Benjamin esforçou-se por apontar o que considerou um grave perigo: a “perda da memória”. O homem moderno teria como um de seus traços o culto obsessivo à imediatidade do instante presente, o que terminaria por acarretar uma recusa persistente do passado. Segundo Benjamin, esse fenômeno seria visível na perda, pelo homem moderno, da capacidade de narrar – e, com ela, de comunicar a experiência, instruindo o presente e agregando sentido ao futuro. Benjamin via nesse fenômeno um verdadeiro atentado à cultura e, mesmo, uma tendência à barbárie.

De fato, o mundo em que vivemos é marcado por contínuos e persistentes ataques à consciência histórica. Como afirma o intelectual marxista britânico Terry Eagleton em seu Depois da Teoria – um olhar sobre os estudos culturais e o pós-modernismo, esse processo é consequência direta do clima de desilusão que se instaurou no pós-guerra. Ao longo das últimas décadas, de enfadonho conservadorismo neoliberal, o senso histórico tornou-se crescentemente “obtuso”, já que convém aos detentores do poder que as maiorias populares, não recordando o passado, sejam também incapazes de imaginar alternativas ao estado atual das coisas. Nessa perspectiva, classificada por Eagleton de “política da amnésia”, o futuro seria, simplesmente, o presente indefinidamente repetido.

Essa realidade tem afetado gravemente os empreendimentos coletivos, sejam os dos trabalhadores, sejam os da juventude, sejam os de diversos outros segmentos sociais ou, mesmo, os do povo-nação. Conforme denuncia Eagleton, “o que se provou mais danoso foi a ausência de memórias de ação política coletiva – e efetiva. É isso que tem distorcido tantas ideias culturais contemporâneas”.

Essas ideias distorcidas são expressão de um autoritarismo visceral. Se em tempos outros o anticomunismo tinha como expediente principal a aniquilação física, hoje pratica uma violência simbólica, porém não menos agressiva, que lança mão de um liquidacionismo de tipo “moral” e inclui a negação do direito à memória. Fico pensando se não seria também a isso que faz referência o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, quando, no auge das denúncias contra Orlando Silva, sacou o termo “fascismo pós-moderno”.

No mundo em que vivemos – o mesmo em que um presidente da República é morto e, após ter seu corpo arrastado nas ruas, é enterrado em local desconhecido para que sua memória não se torne ícone da resistência –, é fácil perceber que nem mesmo o direito ao passado está garantido. É preciso lutar contra isso – e essa luta não está restrita às comissões da verdade. Em nossa sociedade, ninguém devia ser proibido de lembrar seus heróis.

Fábio Palácio é jornalista e estudante de doutorado pela ECA/USP. Desenvolve, com financiamento da Capes, projeto de pesquisa sobre o marxismo e o conceito de cultura. Militante comunista, espera poder continuar recordando, sem ser importunado, seus ícones e referências, quando e onde quer que seja.

sábado, 5 de novembro de 2011

Jô rebate ataques de Noblat ao presidente do PCdoB - PCdoB. O Partido do socialismo.

Jô rebate ataques de Noblat ao presidente do PCdoB - PCdoB. O Partido do socialismo.


Indignada. Assim a deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG) se definiu ao reagir durante discurso, na tarde do último dia 1º, na tribuna da Câmara contra os ataques desferidos pelo jornalista Ricardo Noblat, em seu blog, ao presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo. Ela lembrou que o artigo do blog também é veiculado em vários jornais do País.

"O Senhor Noblat rebaixa o jornalismo, ataca com intrigas, futricas, como se isso pudesse, nem que por um momento, atingir a dignidade e a honra do Presidente do meu partido, Renato Rabelo”, reagiu.

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento da deputada federal Jô Moraes:

“Caros Deputados e queridas Deputadas, meus cumprimentos.

Senhor Presidente, Vossa Excelência tem consciência, como histórico defensor dos direitos humanos, que a maior conquista do século passado em nosso País foi a da democracia.

Em nosso País instalou-se, após longa resistência de grandes lutadores, um ambiente de3mocrático que se fortaleceu sobretudo com o Governo do Presidente Lula e da Presidenta Dilma.

Fui dessa geração, integrei essa geração que se motivava por valores maiores, pela solidariedade, pela luta pela liberdade. Tive vários companheiros do meu partido que foram torturados e até mortos. exatamente por ter integrado essa geração de defesa da democracia é que eu não posso deixar de registrar minha indignação contra o Senhor Ricardo Noblat, que tem um blog cujo artigo diário é publicado por vários jornais.De forma desonesta, ele ataca não o Presidente do meu partido, não as idéias do meu partido, mas incorpora um jornalismo de intriga, de fofoca, como se isso impactasse o PCdoB.

O Senhor Noblat podia atacar as posições do PCdoB. O Senhor Noblat pode dizer que é contra o desenvolvimento do País, tão caro ao nosso partido. O Senhor Noblat poderia dizer que a posição do PCdoB, quando defende a distribuição de renda e a incorporação dos trabalhadores em nosso desenvolvimento, está errada. O Senhor Noblat tem o direito de ser contra a ideia do PCdoB de que um projeto de desenvolvimento precisa de ampla aliança, incorporando o conjunto das forças desenvolvimentistas deste País. O Senhor Noblat poderia atacar esse desejo do PCdoB de organizar o povo, dar-lhe consciência e liberdade. Mas não. O Senhor Noblat rebaixa o jornalismo, ataca com intrigas, futricas, como se isso pudesse, nem que seja por um momento, atingir a dignidade e a honra do Presidente do meu partido, Renato Rabelo.

Senhor Noblat, Renato Rabelo é de uma geração que dedicou sua vida à luta pela liberdade. Na década de 60, foi Vice-Presidente da UNE. Renato Rabelo viveu no exílio, perseguido que foi pela ditadura militar. Renato Rabelo teve a coragem de retornar ao Brasil e de colocar-se à frente da construção de um partido. Renato Rabelo incorporou-se ao grande desafio do PCdoB, quando foi interrompida a experiência socialista com a queda do Muro de Berlim. Ali havia um desafio: deveremos manter a bandeira do socialismo? Nós, do PCdoB, o fizemos, com João Amazonas e Renato Rabelo à frente.

Quando colocado o desafio para o PCdoB de que temos de defender a bandeira do socialismo, aprendendo com os erros, adaptando o projeto ao nosso País, à nossa gente, que tem uma forma própria de lutar, o Presidente Renato Rabelo, juntamente com João Amazonas, assumiram esse desafio.

Conduziram um debate democrático em nosso partido que apresentou à sociedade, em seu 10º Congresso, um programa socialista que incorporava a compreensão de que é preciso aprofundar as reformas estruturantes; aperfeiçoar o processo democrático e qualificar o desenvolvimento do nosso País.

É nessa luta por um desenvolvimento nacional com distribuição de renda, que o PCdoB se apresenta e cresce, construindo um partido moderno, democrático, onde todas as instâncias participam desse processo. Por isso, eu quero dizer ao Senhor Noblat: lamentavelmente, que dó!, o senhor não faz jus a um passado de jornalistas que deram o melhor das suas vidas à resistência contra a ditadura. Há jornalistas que se colocaram à frente até da imprensa alternativa, Senhor Presidente, como é o caso do jornal O Pasquim.

Quero dizer que o Presidente Renato Rabelo não precisa de defensores, porque na sua história mostrou a capacidade de contribuir para a construção de um projeto de país. A humildade com que ele se apresentou à sociedade, a tranquilidade e a serenidade ao enfrentar as duras crises recentemente vividas pelo meu partido fazem com que ele não precise de defesa, mas a minha militância, a minha necessidade da verdade não me permitem escutar calada tamanha ignomínia contra aquele que é o defensor do meu partido e que o conduz na construção de um novo projeto para o Brasil.

Era isso, Senhor Presidente.”

De Belo Horizomte,
Graça Borges
Foto: Ricardo Stuckert/PR


Renato Rabelo: Inácio critica mídia conservadora e defende PCdoB - Portal Vermelho

Renato Rabelo: Inácio critica mídia conservadora e defende PCdoB - Portal Vermelho

O senador Inácio Arruda citou William Shakespeare para criticar as denúncias de setores da imprensa contra o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que integra seu partido. De acordo com o parlamentar, na peça, o dramaturgo inglês diz que não há homem, por mais poderoso que seja, que possa escapar da calúnia.

Por Renato Rabelo, presidente do PCdoB

Em pronunciamento nesta quinta (27), Inácio Arruda lembrou que, no passado, um homem recorria aos duelos para salvar sua honra. Afirmou que atualmente os duelos são proibidos, mas uma parte da "mídia conservadora" continua armada, e, como um pistoleiro, atira contra homens inocentes e desarmados. O senador disse que essa parte da mídia usou a “pistolagem” para atingir o ministro e também seu partido. Reafirmou que o PCdoB tem um projeto para a sociedade brasileira, em defesa da erradicação da miséria e do acesso de todos à saúde e educação de qualidade.

“O PCdoB tem um papel reconhecido de grande significado pela discussão do Projeto Brasil”, garantiu. Inácio Arruda acrescentou que essa mesma mídia, que se sente à vontade para atacar seu partido, não fala no pagamento de R$ 200 bilhões anuais de juros da dívida, tampouco das empresas estatais que foram vendidas "na bacia das almas". Ele ressaltou que seu partido não se calou, mas reagiu, com todas as forças. O ministro deixou o governo, mas corajosamente dizendo que saía para defender sua honra.

“O nosso partido mostrou que é possível, sim, você ter uma agremiação partidária unida, forte, sem disputas internas, alguém esperando que seu ministro caia a qualquer hora para assumir o posto”, informou. O senador elogiou a presidente da República, Dilma Rousseff, que, segundo ele, manteve o ministério do Esporte com o PCdoB "de forma altiva".

E lembrou que Aldo Rebelo tem "uma responsabilidade imensa", que é conduzir a Copa do Mundo e "o maior empreendimento esportivo do Brasil", os Jogos Olímpicos de 2016. E lembrou que 40% da representação brasileira no Jogos Pan-americanos, no México, são bolsistas do ministério do Esporte, “bolsistas de um programa nacional que visa elevar a capacidade do povo para participar de grandes eventos esportivos no mundo”.

No final, fez questão de ler a carta que Luiz Carlos Prestes Filho e a Maria Prestes (esposa de Prestes), enviaram a direção do PCdoB, agradecendo a homenagem do partido ao “Cavaleiro do Esperança”, durante programa de televisão transmitido no dia 20 de outubro.

Inácio leu também a carta da neta de Prestes, Ana Maria Prestes Rabelo, falando sobre o legado de Prestes e Olga Benário, contestando carta de Anita Leocádia (filha de Prestes e Olga). Segundo Ana Maria Prestes, “em nossa numerosa família ninguém se arvora a ser proprietário(a) da história do meu avô e temos todos consciência de que sua trajetória é uma referência na história mundial do século 20 e não pertence a qualquer um de nós”.

Fonte: Blog do Renato Rabelo

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os fundamentos do golpismo da mídia brasileira - Osvaldo Bertolino - www.grabois.org.br

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Osvaldo Bertolino, no Grabois.org.br
O vendaval anticomunista que varre o país nestes dias trouxe à tona novamente um velho dilema brasileiro. A multiplicidade que caracteriza a nação implica em conviver com elementos que são verdadeiros entraves ao progresso, ao mesmo tempo em que estimulam a procura de caminhos flexíveis para o desenvolvimento com justiça social. A ampliação da democracia nas administrações do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva mostrou com mais nitidez a existência de vários “países”, superpostos ou enfileirados, que trazem consigo as mais variadas formas de consciência e comportamento políticos. 
Essa característica brasileira parece não existir para aqueles setores que se dedicam a criar e vender falsas imagens de ordem, progresso e moralidade. A pregação monolítica desses extratos sociais pretende, à força da repetição, condicionar atitudes, formar hábitos e conter os anseios populares em limites por eles estabelecidos. Uma complexa engrenagem publicitária se encarrega de fazer campanhas dessa natureza, mostrando um país com ares de gente rica, que compra mais carros e mais eletrodomésticos, que viaja mais, que festeja mais, graças a suas doutrinas e aos seus mandamentos.
Comunistas e os filo-comunistas
Os métodos desses arautos da mentira, que vivem de jogadas financeiras e de notórias negociatas, nada ficam a dever ao nazi-fascismo. Tenho sempre presente na memória esse fato porque as fórmulas da direita invariavelmente recorrem a tais práticas. Para documentar-me, procuro estudar o que foi aquela experiência, tão bem retratada em obras como Diário — últimas anotações, 1945, de Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler; Ascensão e queda do Terceiro Reich, de William Shirer; e Por Dentro do Terceiro Reich, de Albert Speer. Nelas é fácil verificar, em inúmeras passagens, como se produzem ondas de mentiras ou de meias-verdades.
Hitler e Goebbels puseram a culpa dos seus atos de loucura nos “judeus internacionais” e nos “comunistas”. Os porta-vozes do conservadorismo brasileiro repetem monotonamente que os comunistas e os filo-comunistas são os culpados por não termos um país sustentado em bases morais ditadas por eles. Trata-se, sabemos muito bem, de espetacular hipocrisia. O que eles não toleram mesmo é a luta por uma vida melhor, mais justa e mais digna para o povo. Isso fica evidente nos ataques à vida política brasileira. Não se conhece outra forma para fazer o país avançar sem a ampliação da democracia, com partidos organizados e representativos, com vida regular das instituições e com amplo direito à informação.
O sistema partidário brasileiro, desde a política regional das oligarquias, tem sido caracterizado por organizações político-eleitorais de representação, predominantemente, das classes dominantes. Em poucos interregnos sobressaíram, como forças dominantes, partidos de raízes populares. As arenas decisórias sempre ofereceram alternativas que não ameaçavam o satus quo. Nas poucas ocasiões em que as forças progressistas se apresentaram com condições reais de assumir as rédeas do processo histórico brasileiro, essas representações dominantes reagiram com violência. Foi assim em 1937, com o golpe do Estado Novo após a insurreição de 1935; foi assim na década de 1940 com a densidade eleitoral do Partido Comunista do Brasil (então PCB); foi assim com a efervescência das massas no início da década de 1960; está sendo assim agora.
Atitude de Juscelino Kubitschek
Em poucos meses de governo da presidenta Dilma Rousseff a direita já acumulou um farto material que será usado nas campanhas eleitorais de 2012, cujos resultados serão decisivos para a sucessão presidencial de 2014. Essa condensação tem como fio condutor, que perpassa e une essas etapas golpistas, o que a etimologia define como mass media, “meios (de comunicação) de massas”, instrumento mediador, elemento intermédio. Ou por outra: aquilo que medeia uma ideologia. No Brasil, essa ideologia, que já foi chamada de “pensamento único”, expressa o propósito político e os usos e costumes dos conservadores — a elite brasileira.
Conferir credibilidade ao seu projeto equivale a fundar, hoje, um partido a favor do colonialismo. A ideologia conservadora guerreia com o Brasil em transformação pelo menos desde o início da década de 1940 do século XX, quando as forças populares começaram a deixar de ser marginais para tornarem-se capazes de influir no grande jogo político do país. Um exemplo disso foi a atitude de Juscelino Kubitschek que, por conta do sentimento patriótico entre o povo desenvolvido pelos setores progressistas da sociedade, em sua campanha eleitoral para a Presidência da República foi forçado a reformular a sua proposta de governo sobre o petróleo, conforme ele mesmo disse.
Por não expressar os anseios do povo, as organizações partidárias da ideologia conservadora sempre foram efêmeras, no mais das vezes formadas para disputar eleições. O que tem dado sustentação ao seu programa de governo, desde tempos remotos, é exatamente a mídia. Em torno dela se organizam movimentos que, por não ter nada a oferecer ao povo em termos de futuro, apelam para a hipocrisia, para as campanhas difamatórias, para os falsos moralismos. Numa palavra: para o golpismo. Nessa trajetória golpista, há uma data determinada para se ter uma referência da mídia que existe hoje no Brasil — 1º de abril de 1964, quando os conservadores consolidaram o golpe que tentavam há muito tempo.
Jornalismo americano
Os golpistas promoveram substanciais reformas legislativas com a outorga dos Atos Institucionais (AIs) que submeteram a mídia ao completo domínio da ideologia conservadora. O AI-2, de 27 de outubro de 1965, dizia que não seria “tolerada propaganda de guerra, de subversão da ordem ou de preconceitos de raça e de classes”. Para o regime, “subversão”, conceito não definido na legislação, era tudo aquilo que as forças progressistas defendiam. A Constituição de 1967 consolidou todos os atos discricionários anteriormente preparados. O AI-5, de 13 de dezembro de 1968, reforçou ainda mais o controle do regime sobre a liberdade de expressão.
A mídia tratou de se adequar rapidamente ao novo sistema. Nelson Werneck Sodré, em sua obra História da imprensa no Brasil, publicada em 1966, insinua — possivelmente para fugir da censura e da repressão — que o jornalismo conservador se integrou facilmente às novas regras. “O desenvolvimento da imprensa no Brasil foi condicionado, como não podia deixar de ser, ao desenvolvimento do país. Há, entretanto, algo de universal, que pode aparecer mesmo em áreas diferentes daquelas em que surgem por força de condições originais: técnicas de imprensa, por exemplo, no que diz respeito à forma de divulgar, ligadas à apresentação da notícia”, escreveu.
Segundo ele, o jornalismo americano criou o lead, cujos princípios se fundaram na regra dos cinco W e um H; qualquer foca americano sabe que a notícia deve conter, obrigatoriamente, os seguintes elementos: Who, que; When, quando; Where, onde; Why, por quê; e How, como. “Qualquer jornalista sabe, por outro lado, estabelecer a distinção entre o que é a notícia e o que não interessa, dentro daquela malícia de Charles Dana que, para ensinar a alguém essa diferença elementar, contou: ‘Se um homem vai andando pela rua e um cão o morde, isso não é notícia, a não ser que esse homem tenha projeção política, social, financeira, notoriedade por qualquer motivo; mas se um homem morde um cão, isso é notícia’”, afirmou.
Orientação empresarial
Sempre se referindo ao jornalismo americano, Nelson Werneck Sodré escreveu que o “foca” (jornalista principiante), utilizando aplicadamente a técnica do lead, “transforma qualquer sinal de um problema social constante em fatos isolados que se repetem diariamente e cujas raízes reais ficam apagadas sob os detalhes específicos de cada história”. É o que se vê na mídia, um veículo repetindo o outro, todos divulgando as mesmas coisas, com a mesma conotação. A criminalidade, os efeitos da pobreza, a corrupção, os problemas ambientais e o que mais for de relevância para a sociedade se perdem entre doses diárias maciças de propaganda ideológica conservadora.
A informação fragmentada, sem mostrar a relação de um acontecimento e sua causa, na verdade é uma técnica de encobrir os interesses e as relações econômicas dos grupos monopolistas que controlam a mídia na estrutura da sociedade de classes. O golpe de 1964 moldou essa configuração de maneira mais sólida, mas ela vinha sendo ensaiada desde quando o movimento nacionalista no Brasil começou a ganhar projeção com o objetivo de combatê-lo. Em 1948, chegou ao país a Seleções do Reader’s Digest, uma publicação de matérias selecionadas em diversos veículos mundiais. Em 1950, foi a vez do grupo Vision Inc criar a revista Visão e várias publicações corporativas.
No golpe, segundo René Armand Dreifuss no livro A conquista do Estado — ação política, poder e golpe de classe, os clãs midiáticos eram o centro do que ele definiu como ''elite orgânica'', de “orientação empresarial”, que atuou intensamente na desestabilização do regime democrático pré-1964 para pôr no lugar a ''ordem empresarial'' após o ''golpe de classe''. O exemplo mais evidente é o da TV Globo, conforme relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na época para apurar o papel do grupo Time-Life na criação da rede de televisão.
Intermediação de Victor Civita
O caso foi resumido pelo jornalista Genival Rabelo, em artigo publicado na Tribuna de Imprensa, em 1966, com o título “O exemplo americano de ‘liberdade’ de imprensa", onde se lê:
“As investigações sobre a invasão ianque na imprensa brasileira, ou melhor, sobre o complexo processo de alienação da consciência brasileira, no sentido de nos levar a admitir que a ‘solução está nos Estados Unidos’, chegarão, forçosamente, às seguintes conclusões:
1 -  A Constituição foi brutalmente burlada desde que Seleções obteve permissão para ser impressa em português no Brasil, acelerando, desde então, o processo de manipulação da opinião pública com objetivos políticos-ideológicos.
2 – Depois de dominar praticamente o setor de revistas, os americanos voltam suas vistas para os jornais, estações de rádio e televisão.
3 – A TV Globo, inequivocamente, foi financiada pelo grupo Time-Life.
4 – A discriminação publicitária, exercida por agências americanas (J. W. Thompson, McCann-Erickson, Grant Adversiting, International Adversit-ing Service, Multi Propaganda etc.), compromete a grande imprensa brasileira, quase toda ela constituída de jornais que baseiam suas receitas em mais de 80% de publicidade.”
A trama para a criação da TV Globo foi intermediada por Victor Civita, da Editora Abril. Ele quase foi convencido a criar a TV pretendida pelo grupo Time-Life, mas o temor de ser flagrado em delito por ser estrangeiro e possuir um grupo de comunicação — um impedimento legal, e por isso ele vivia no anonimato — o fez transferir o negócio para o amigo Roberto Marinho. Pelo acordo, a Globo comprou equipamentos a uma taxa de dólar um terço mais baixa do que o valor de mercado em vigor. O grupo Time-Life daria assessoria técnica à emissora.
Escândalo instaurado
De acordo com o contrato principal, o grupo norte-americano obteria parte dos lucros líquidos da Globo — ou seja, um ato ilegal, já que não podia haver participação estrangeira nos lucros de empresas brasileiras de comunicação. No contrato de assistência técnica constava a “obrigação” de o grupo Time-Life “colaborar” na elaboração do conteúdo da programação e noticiários — mais uma prática proibida.
Era uma violação do código brasileiro de telecomunicações da época. O acordo sequer foi apreciado pelo Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel). Apenas dois anos após a assinatura dos contratos a Globo enviou um deles — o de assistência técnica — para a Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc) — hoje com o nome de Banco Central (BC). Mesmo assim, os documentos não puderam ser lidos porque continham muitas rasuras. O contrato sem rasuras só seria entregue, por ordem do Contel, em julho de 1965.
Novamente para burlar as leis, a Globo, com o escândalo instaurado, trocou o contrato principal por um de arrendamento de um terreno onde se localizava a sede da televisão. Pelo contrato, a Globo seria locatária de um prédio vendido ao grupo Time Life. O problema é que o documento foi feito antes da venda do local aos norte-americanos. A Globo alugou um prédio que era seu. Em troca do uso, a televisão se comprometeu a pagar 45% do lucro líquido da empresa pelo aluguel. Somado aos 5% do lucro liquido, destinado à assessoria técnica, o grupo norte-americano detinha 50% da Globo.
Condenação por unanimidade
Para impedir qualquer tipo de fiscalização, alguns documentos da transação desapareceram. Depois de muita insistência do Contel, a Câmara dos Deputados, contrariando os golpistas, decidiu instaurar a CPI para investigar o caso. O assunto ganhou dimensão de escândalo público.
Em 22 de agosto de 1966, a CPI divulgou a condenação, por unanimidade, da Globo. ''Os contratos firmados entre a TV Globo e o grupoTime-Life ferem o Artigo 160 da Constituição, porque uma empresa estrangeira não pode participar da orientação intelectual e administrativa de sociedade concessionária de canal de televisão; por isso, sugere-se ao Poder Executivo aplicar à empresa faltosa a punição legal pela infrigência daquele dispositivo constitucional'', dizia o parecer do relator, deputado Djalma Marinho, que pertencia à Arena, o partido que sustentava a ditadura.
O primeiro presidente do ciclo golpista, Humberto Castelo Branco, pedira que o caso fosse investigado. Mas seu sucessor, Artur da Costa e Silva, decidiu não acatar a decisão da CPI e apoiar oficialmente a Globo. Em 1969, o grupo Time-Life desistiu dos contratos. A emissora de televisão da família Marinho, no entanto, já era um poderoso meio de comunicação — posição conquistada por meio de linhas de créditos abertas pela então estatal Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). “Sinto-me feliz todas as noites quando assisto ao noticiário, porque na Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz”, disse o terceiro general no poder, Emílio Garrastazu Médici.
Devidamente recompensados
Outras negociatas favoreceram os grupos que hoje dominam a mídia — como O Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo, a Editora Abril, que também deram amplo respaldo ao regime de 1964 e foram devidamente recompensados pelos golpistas. O rompimento de Júlio de Mesquita Filho, do grupo O Estado de S. Paulo, com a ditadura, por exemplo, começou quando Castelo Branco não contemplou todos os seus interesses na formação do ministério. Quem conta a história é ninguém menos do que Armando Falcão, homem das entranhas do regime, no livro Tudo a declarar. O grupo de Júlio Mesquita Filho continuou apoiando o regime, mas a relação com o governo começou a se deteriorar, explica Armando Falcão.
No dia 1º de abril de 1964, O Estado de S. Paulo saudou o golpe com um editorial intitulado “São Paulo repete 32” — uma alusão à chamada “revolução constitucionalista”, da qual o principal líder civil era o então dono do jornal, Júlio de Mesquita Filho, para quem “o império da lei e da justiça” só poderia ser restabelecido no dia em que São Paulo voltasse “à sua condição de líder insubstituível da nação''. Era o pensamento da direita brasileira, insatisfeita com a Revoluçãode de 1930 liderada por Getúlio Vargas, já manifestado por Hipólito da Costa em 1808 quando surgiu o primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense — mesmo ano da criação da imprensa no Brasil. “Ninguém deseja mais do que nós as reformas úteis, mas ninguém se aborrece mais do que nós que essas reformas sejam feitas pelo povo”, disse ele.
Quando se aproximava o período mais duro da ditadura, em 11 de junho de 1968, O Estado de S. Paulo defendeu, em editorial, a censura a peças teatrais. "Foi uma oportuna manifestação a que se registrou recentemente na Assembléia Legislativa, pela palavra do deputado Aurélio Campos, sobre os excessos que se tem verificado em representações teatrais no terreno do desrespeito aos mais comezinhos preceitos morais. O mundo teatral — tanto os atores e atrizes como os autores — vêm movendo uma campanha sistemática contra a censura, e como esta nem sempre é exercida por autoridades à altura de tão graves e, às vezes, tão delicadas questões, a tendência de muitos é cerrar fileiras entre os que combatem”, disse o jornal.
Cooptação de jornalistas
O alinhamento da mídia com os métodos daquele governo da ideologia conservadora também se deu com a formação de jornalistas no plano organizado pelo então diretor do Departamento de Projetos Sociais do Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre — “American Institute for Free Labor Development” (AIFLD) —, William Doherty Jr., um célebre agente da Central Intelligence Agency (CIA). Ele foi diretor do AIFLD durante 30 dos 34 anos de existência daquela organização. Depois foi embaixador dos Estados Unidos na Guiana e ativo membro do fascista “Centro Por Uma Cuba Livre”.
O AIFLD surgiu no governo do presidente John Fitzgerald Kennedy por meio da Direção de Planificação da CIA para cercar a influência da revolução cubana na América Latina. Segundo o seu então presidente, George Meany, era “dever dos Estados Unidos contribuir para o desenvolvimento dos sindicatos livres na América Latina”. Foram ministrados cursos para 243.668 sindicalistas latino-americanos — muitos deles, jornalistas. Alguns receberam “capacitação especial” no “instituto de formação”, o Front Royal School, no Estado da Virginia.
A especialidade era, além da formação sindical, o comércio exterior norte-americano e a propaganda anticomunista. Um de seus braços era a Federação Interamericana de Organizações de Periodistas Profissionais (FIOPP). Seu secretário, o jornalista argentino Artur Scthirbu, esteve no Brasil por cerca de dois anos para cooptar o movimento sindical jornalístico brasileiro. A própria história da FIOPP explica a sua finalidade.
Interesses da categoria
Em 1959, o American Newspaper Guild, que é um sindicato de jornalistas dos Estados Unidos, e uma intitulada União de Jornalistas Livres, formada por exilados dos países do Leste Europeu, dirigiram um apelo a todo o continente americano para que os profissionais da imprensa participassem de uma reunião no Panamá, em 1960, quando seria criada uma entidade interamericana de organizações jornalísticas profissionais. Era uma resposta à tentativa de criação de uma federação latino-americana de jornalistas profissionais, com uma evidente linha de defesa dos interesses da categoria e de viés progressista.
As entranhas da FIOPP foram expostas quando uma vasta rede de corrupção mantida pela CIA foi desmontada, revelando como a organização — além da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), sediada em Bruxelas —, era financiada. No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais denunciou a FIOPP quando uma “junta governativa” foi nomeada pela ditadura no lugar da direção eleita no X Congresso Nacional de Jornalistas, realizado em setembro de 1963. “Os mesmos grupos que em 1961 haviam sido derrotados (...), e que em 1963 não haviam logrado sequer compor uma chapa concorrente às eleições, alcançaram finalmente (...) o domínio da Federação”, dizia uma mensagem da diretoria destituída.
Sindicalismo jornalístico
Segundo o documento da Federação, a diretoria conhecia bem os planos dos agentes da FIOPP. Emissários do grupo teriam viajado pelo Brasil, “numa campanha de arregimentação sem precedentes”, financiados com recursos estrangeiros — conforme denunciou o jornalCorreio da Manhã. “Os jornalistas e os demais trabalhadores reconquistarão as organizações sindicais para nelas trabalhar na defesa dos seus interesses que se confundem com os interesses do Brasil independente, democrático, soberano, progressista e fraternal”, finalizava a mensagem.
A ''junta governativa'' logo filiaria a Federação à FIOPP. Para valorizar a decisão, o III Congresso da organização interamericana foi realizado no Rio de Janeiro em novembro de 1964. Uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, registrou a sua satisfação por “ver profissionais da imprensa empenhados na campanha por melhores meios de desenvolver a cooperação interamericana”. Terminado o evento, a diretoria nomeada da Federação começou a aplicar as diretrizes da FIOPP. Quem se der ao trabalho de ler a coleção do boletim da entidade da época verá claramente os esforços para enquadrar o sindicalismo jornalístico brasileiro na linha daquela organização.
A corrupção e o anticomunismo eram discutidos publicamente — como foi o caso de uma nota da redação do Jornal do Brasil publicada no dia 13 de julho de 1966, quando as eleições na Federação entraram na ordem do dia e dois grupos (um deles apoiado pela FIOPP) disputavam o comando da entidade. “Agora — e é o mais grave —, uma estranha organização norte-americana, a FIOPP, a pretexto de fazer anticomunismo, está despejando muito dinheiro nos meios sindicais, prejudicando o andamento natural das eleições na Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais”, disse o jornal. Apesar dos protestos, a chapa da FIOPP venceu as eleições.
Intolerância social
Graças às práticas dessa mídia golpista muita gente no Brasil vê a política como um gesto pouco nobre. Atribuem-se à sua lógica coisas como a depauperação dos valores. É comum se ouvir que política é feita pela escória da sociedade. Um marciano de boa índole que tivesse chegado à Terra pelo Brasil e estivesse estudando a humanidade munido do noticiário da mídia, certamente anotaria em sua agenda que política é uma das coisas ruins que se inventaram por aqui.
O nexo dessas práticas é o entrave conservador. Apesar de os ideais da Revolução Francesa e da Independência Americana ter estimulado movimentos como os inconfidentes de Minas Gerais e da Bahia, ainda hoje pode-se dizer que eles não se realizaram plenamente em nossa pátria. É do arcabouço filosófico dos ideais republicanos que advêm idéias como democracia, direitos individuais, liberdade de expressão. Ele gerou, entre outras coisas, a revolução industrial, os sistemas políticos modernos, o conceito de igualdade entre os cidadãos e o advento de governos contratuais e eleitos. Desde a Era das Luzes até hoje, essa lógica impulsiona a luta por justiça social e justeza política.

Uma sociedade democrática deve alargar ao máximo o leque de possibilidades individuais e garantir um lugar digno a cada um. Para isso, é preciso assegurar, por meio de um regime verdadeiramente democrático, o direito de a sociedade escolher seu destino. Remover entraves como esse representado pela mídia é uma necessidade que se impõe pela relevância da circulação de informações verdadeiras em uma sociedade civilizada. A democratização da comunicação não pode ser uma abstração com pouca relação com a realidade objetiva do país. Se esquecermos os ensinamentos da história, estaremos dando chance para o fortalecimento da tese de que um regime baseado na ideologia conservadora, de intolerância social e de homens autômatos, é insubstituível. Aí vem o fascismo.

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