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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Um Feliz 2026 com Lula, em Frente Ampla e Frente Popular - Paulo Vinícius da Silva

Sindicato dos Bancários de Brasília - Exemplo de resistência e de avanços para a Frente Popular



Mas, se cortaram
O pé de juazeiro,
Menina não chore.
Se mataram o sabiá,
Não chore não.
Pois inda resta o sol
Banhando o milho
Seco no roçado,
Inda tem ruçara
Pra nos inquietar.
Consolança, de Eugênio Leandro e Oswald Barroso


Nem amadorismo, nem ilusões, a Frente Ampla é incontornável. 

Essa é a primeira constatação para a vitória de Lula em 2026. É preciso combater firmemente setores bravateiros que namoram a ilusão de uma guerra sem sacrifícios, ou de que só a esquerda poderá vencer a batalha decisiva de 2026. Essas forças promovem a despolitização do povo, a antipolítica, e assim ocultam seu gritante oportunismo. Não são "esquerda radical", muito ao contrário, são esquerda venal, e por troco. Nem de aritmética entendem, avalie de política.

Insignificantes, sem condição de liderar nada, ignoram a correlação de forças em busca de pequenos poderes, ganhar um sindicato, ser eleito(a) como indivíduo, ganhar curtidas e compartilhamentos nas redes das bigtechs, posar de puro que não "suja as mãos" fazendo política. São força auxiliar da direita desde 2013, e continuarão a sê-lo. Fazem a lavagem ideológica da direita e dão os argumentos "de esquerda", "éticos" para justificar o escapismo, a fuga da disputa real para o mundo dos unicórnios... fazem côro com os subterrâneos algoritmos das redes a serviço do imperialismo estadunidense. Ignoram a máxima leninista de que "Afora o poder, tudo é ilusão". São capazes de pavimentar o caminho para a volta da extrema direita ao poder.

A trairagem disfarçada de ética é o velho udenismo de esquerda, e tem dupla utilidade: dar razão à máxima "é tudo igual" e desmobilizar a sociedade, que pela primeira vez nas ruas ameaça as elites financeiras, desde 2013.

Nem hegemonismo, nem desorganização: Frente Popular.

A  desorientação no eleitorado que votou em Lula e no conjunto das forças progressistas deriva de fatores vários, externos e internos, numa época especialmente desafiadora. Em minha visão, isso é inescapável da disputa na esquerda sobre os caminhos para conquistarmos a democracia, os direitos do povo e vencer o imperialismo. João Amazonas viu longe, quando discerniu que Lula seria o pólo mais avançado da luta do Brasil pela sua libertação, mesmo quando defendia a democracia burguesa como valor universal e jogava tudo na questão social, menosprezando o imperialismo. Muita água passou sob a ponte, e Lula bem que tentou, mas foi convencido pelo golpe contra a Dilma, em sua cela em Curitiba, enfim, da centralidade da luta em defesa da Nação Brasileira. Ele disse, recentemente, falando à comunidade brasileira em Paris: 

"Nós precisamos dotar o mundo de políticos responsáveis e nós precisamos saber que a democracia falhou. A democracia falhou a não atender as aspirações do povo." E confessou que ainda estamos aquém do que podemos realizar e sonhar. Quem parirá esse sonho que é o Brasil?

Não à toa, a expressão encruzilhada histórica é de João Amazonas - veja bem, encruzilhada. Outra fala sua: "é preciso que o povo tenha sua própria experiência". Isso tem a ver com a clareza de que os caminhos são tortos, mas que em determinados momentos, os caminhos se cruzam e é hora de decidir, e nessa hora, errar a trilha é ir para o abismo. Estamos educando o povo para ampliar seu poder na sociedade? 

Acho que sim, e em parte graças a Lula ter adotado a centralidade da luta contra o imperialismo, a defesa do Brasil, a necessidade da Frente Ampla. Uma tese, entretanto, não passou: a necessidade de uma frente popular. Nesse  terceiro mandato, isso ficou claro na aceitação da Frente Ampla, mas sob estrita hegemonia do PT e do próprio Lula. Os traumas da lavajato e a covardia de setores progressistas e de esquerda face ao Golpe - exceto o PT, o PCdoB e o PCO - contribuíram certamente para essa "solução caseira". Sob traição e ataques, tendemos a nos fechar em nós mesmos. Só uma força que dispute a hegemonia na sociedade como um todo pode superar os limites estreitos do hegemonismo que divide o campo progressista, abrindo caminhos ao avanço da democracia no Brasil.

A falta dessa clareza limitou a capacidade de mobilização, a relação com o povo e sua formação política, a defesa dos sindicatos e das organizações do povo, e sobretudo contribuiu para a pulverização do campo progressista e de esquerda. É fácil verificar isso pelas diferentes plataformas de esquerda e na ausência de um veículo único; na existência de dez centrais sindicais e na vigência do aparelhismo e do envelhecimento e cupulismo generalizado; na sucessão de tiros do fogo amigo; na solidão do Presidente Lula, pedindo a mobilização do povo. O PCdoB foi o Partido que disse em 1989 que a candidatura de Lula não deveria ser apenas do PT, mas de uma frente popular. No 10° Congresso, os comunistas disseram claramente, em 2015:

"a palavra de ordem mais relevante da atualidade é constituir uma frente ampla democrática, progressista e patriótica, nucleada pela esquerda e pelas forças progressistas. Urge mais ação frentista, unitária, em lugar de hegemonismos polares de uma força única."

Se o PT tem parte da culpa, não podemos esquecer toda a esquerda que lavajatou e ficou com água na boca com a ilusão de que fosse possível "morder" a popularidade de Lula, de "se garantir" separadamente, mostrando  "o caminho". Nem a irrelevância foi capaz de os convencer do próprio erro. Vemos muito isso nas eleições sindicais e no discurso demagógico assumido pela "esquerda que a direita gosta". A pose de estar à esquerda de Lula é só isso: pose. Na prática, menosprezam o perigo do imperialismo, mesmo vendo o que fazem na Venezuela, no Haiti, na Palestina e além. Ignoram que são mais fracos que um caldo feito com água e bolas de gude, o "caldo de bila". São aqueles chiuauas miseráveis que latem e rosnam protegidos pelo portão. E a Federação Brasil da Esperança é o portão que impede que sejam destroçados. 

Mas são também o escorpião da fábula: é da sua natureza trair. Iludem-se com likes e seguidores que lhe são dados pelos algoritmos das bigtechs. Os partidos de redes sociais, os líderes sem base, os que estão em decadência eleitoral e são capazes de fazer qualquer negócio para morder um pedacinho que seja, e por estas ninharias são capazes de entregar o Brasil nas mãos do imperialismo. Pavimentaram a chegada ao poder de Temer e Bolsonaro. Nunca quis saber dessa gente, sempre os denunciei. São os piores traidores. Sua "ética", "sinceridade", "brilho" só luzem graças à cumplicidade da direita mais truculenta e a interesses pessoais e de grupo inconfessáveis.

São duas ilusões igualmente desastrosas: a Frente Ampla sob o PT e a "terceira via de esquerda" que a direita apoia, para a qual dá palanque. Ambas são expressões de hegemonismo, que se provou desastroso para a mobilização social e a unidade do povo no terceiro mandato do presidente Lula, e para a incapacidade da esquerda ampliar seu peso no Congresso Nacional. É como se a luta pela unidade no campo petista esgotasse todas as tarefas de unir o povo, e quem quiser adira. Tipo a fala do Lula no 16° Congresso do PCdoB. 

Do outro lado, parece até que os radicais de butique estão crescendo, construindo, provando suas teses. Por isso, a ampla maioria dos setores que apoiam o governo não se unem, disputam. Mas é preciso diferenciar o erro da traição, e esta coube sempre aos que se diziam de esquerda, mas estavam dispostos a contornar o óbvio, a liderança do Presidente Lula como grande fator de unidade do povo brasileiro. Lula é muito maior que o PT e a Esquerda. Mas o povo que o apoia não teve lugar entre nós, muito preocupados com a nossa própria disputa. E mal o povo sai as ruas, já setores de "esquerda" promovem a autofagia que ajuda o imperialismo.

Para que a Frente Ampla assegure o seu caráter progressista, é preciso superar ambas ilusões hegemonistas. A Encruzilhada Histórica é assim: errou o caminho, já era. E só mais unida, a esquerda poderá seguir o caminho correto com o Presidente Lula para a vitória nas eleições e  um novo e realizador governo, abrindo caminho para uma hegemonia progressista que isole o fascismo e defenda o Brasil ameaçado. Há uma gigantesca tarefa de mobilização e unificação das forças progressistas que esbarra na cacofonia das redes sociais e na pulverização da esquerda.  E como diz a canção da epígrafe, "o tempo conta pra gente, por isso não chore que o tempo não pára". É urgente superar desconfianças e medos no campo progressista, é preciso mais unidade, é preciso aproveitar a generosidade da História e do Presidente Lula entre nós, ele que é alvo do imperialismo estadunidense. 

Comunista será quem servir ao presente do movimento, servindo ao futuro do movimento, como ensinou Marx em 1848. Quem milita pela divisão do povo nesse momento é o pior traidor do Brasil e do proletariado, simples assim. Por isso, o PCdoB, com Nádia Campeão e Luciana Santos, sai pronto para 2026, como força consequente na defesa da Democracia, do Brasil e do Socialismo.

É preciso ter firmeza para não cair nas armadilhas do inimigo, sobretudo a fragmentação, a demobilização e a antipolítica. Isso se fará com a construção de uma unidade que supere a disputa fratricida entre a esquerda, e mantenha dividido o campo do adversário, sob a liderança de Lula. A unidade, como dizia Amazonas, é ainda "a bandeira da esperança". 

É preciso abraçar-nos firmemente, e com a mesma firmeza não ceder ao oportunismo e ao vanguardismo sem retaguarda. Mas, como Lula sempre disse: a luta continua. Nós já sofremos e desconfiamos demais de nossa força e capacidade. É hora de uma unidade superior, que abra caminhos para um quanrto mandato de Lula que signifique uma nova maioria e isole o fascismo e os setores vacilantes que - não importa a cor que vistam - servem aos objetivos de dividir o povo brasileiro nessa hora decisiva. Se "pedra pode se encontrar", nós também poderemos, para construir uma força de massas muito maior que nossos partidos, centrais e movimentos compartimentados. Essa é a unidade     que chamo de Frente Popular, a maior segurança contra o retrocesso e a mais sólida arma para mobilizar o povo e mudar o sistema político brasileiro. 

A desorientação, as mentiras, a cacofonia e as traições grandes e pequenas serão potenciadas como nunca nessa época de redes anti-sociais, big data e fascismo. A cada minuto surgirá uma nova mentira. É preciso que o povo esteja em crise, com medo e dividido, para o imperialismo poder golpear e destroçar o Brasil. É preciso tirar Lula do jogo. Se uma força política não compreende que Lula lidera o Brasil, que não haverá terceira margem do rio, pode ficar certo: é força a serviço do imperialismo e do fascismo. Pode se pintar de ético, de radical, de vermelho, não importa. Do mesmo modo, quem acredita que apenas um líder - por melhor que seja - ou apenas um partido poderá salvar o Brasil, presta enorme serviço a quem deseja o povo fora do jogo e às forças progressistas divididas. 

Unir a frente popular no seio da frente ampla sob a liderança de Lula, esse é o caminho para uma nova vitória e um novo ciclo político de afirmação do Brasil, da Democracia e dos Direitos do Povo. Nosso Feliz Ano Novo depende da união em torno do Presidente Lula para vencer a eleição de 2026. Quem vacila diante disso, alinha-se ao lado dos inimigos do povo brasileiro.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Assassinos Sociais - Gog


A lição meu irmão esta ai
Nos ataques a bomba
No genocídio em Ruanda
Na pobreza no Haiti
É triste, mas eu vi
O clamor materno
Rogando logo o céu, o inferno
Ao seu filho subnutrido
Que aos dezoito não pesava mais que vinte e poucos quilos
Mas de nada adiantava isso
Do outro lado do mundo seu futuro era decidido
Num café matinal entre políticos malditos
Parasitas cínicos

Assassinos sociais, é
Os poderosos são demais

Derramam pela boca seus venenos mortais
Poluindo a mente dos que são de paz
A gente segura atura estas criaturas
Como pode mas um dia explode
E a idéia sai (então vai)
Eu vou eu vou de vez
Vejam só vocês
No meu Brasil em ano de eleição
O que se vê pela periferia são
Palanques panfletos carros de som
Promessas em alto e bom tom de que as coisas vão melhorar
Mas como acreditar?
Se os que prometem sempre estiveram lá
Prontos para nos trucidar
E pra complicar
Não são humildes, morrem de preguiça
Só rogam o bem pra bem estar pra Deus na missa
E mesmo assim não fazem jus
Não fazem o sinal da cruz
Desses, eu, GOG, sempre quero estar a anos-luz
Acreditando no que creio há
E o que é mais feio
Pra eles o caminho do sucesso não importa os meios
Desses caras já estou cheio (então vai)

Assassinos Sociais
É, os poderosos são demais

Você tem todo o direito de não acreditar
No que estou dizendo
Mas tem o dever de conferir
Pra ver a zona que está ai no parlamento
Metem a mão na cara dura no orçamento
Interferindo na vida de milhões
E não são dois nem três, são mais de cem ladrões
Vou repetir quero mais adesões
Nos palanques seguem antigos padrões
Dizendo que são ricos
Que poderiam estar cuidando da família, do próprios negócios
E que por amor à nação
Adotaram a política como opção
Que ajudar os pobres é a missão
Mas quem são eles pra falar de amor?
E preciso ter antes de mais nada, ter noção do horror
Que é ver velhos vagando na madrugada das ruas
Com frio nas rugas
É preciso ver crianças
Pezinhos pequenos desde cedo na estrada
Esse é o preço pago vendendo dindin picolé amendoim cocada
Pra sobreviver toda a iniciativa é válida
Mas é essencial sim ter escrúpulos honrar a palavra dada
E o que dói mais é ver muitos de meu povo
Caindo na cilada
Trabalhando em campanhas milionárias por migalhas
Empunhando bandeira no sol a sol
O corpo suado coração está do outro lado
Mas infelizmente a necessidade fala alto
A ideia é:
Trabalhando contra nós mesmo sempre sairemos derrotados
E enquanto isso o que eles fazem?
Começam em brasília a semana na quarta e encerram na quinta
Matam a segunda, a terça, a sexta
Mal político em qualquer canto do planeta
É um Anticristo, um cisto, a besta
A atração principal do telejornal
A procura de status investe no visual
Realmente eu sou um marginal
E quero ver sua cabeça seu oco seu mal
Bicho mesquinho
Vejo em seus olhos tochas de fogo luzindo
Nas suas costas asas vermelhas se abrindo
É só olhar pra eles e verá que não estou mentindo
Que não é vacilo, delírio, nem sonho
Mau político pra mim: o pior dos demônios
Junta logo suas malas e vai!

Assassinos Sociais
É, os poderosos são demais

domingo, 19 de junho de 2016

Ele está de volta - Mario Santayana

Ele está de volta

Mauro Santayna

O lançamento, na Europa, do filme “Ele está de volta”, uma “comédia” “leve” sobre o que aconteceria se Adolf Hitler voltasse à Alemanha de nossos dias, com cenas de pessoas parando, na rua, para tirar selfies com o maior assassino da História; e o relançamento de sua obra-síntese, o “Mein Kampf” – “Minha Luta”, em vários países – uma edição portuguesa esgotou-se em poucas horas, esta semana, na Feira do Livro de Lisboa – mostram que, mais do que perder o medo de Hitler, o mundo está, para com ele, cada vez mais simpático, no rastro da entrega – quase sem concorrência – dos grandes meios de comunicação globais a meia dúzia de famílias e de milionários conservadores que, se não simpatizam abertamente com o nazismo, com ele comungam de um profundo, hipócrita, e tosco anticomunismo, fantasma a que sempre recorrem quando seus interesses estão em jogo, ou se sentem de alguma forma ameaçados.

Como também mostram o filme e o livro, e manifestações em vários lugares do planeta, defendendo a tortura, a ditadura, o racismo, o sexismo, a homofobia, o criacionismo, o fundamentalismo religioso, não é Hitler que está de volta.

É o Fascismo.

Um perigo sempre iminente, permanente, persistente, sagaz, que se esconde no esgoto da História, pronto a emergir, como a peste, com sua pregação e suas agressões contra os direitos individuais, a Liberdade e a Democracia, regime que não apenas odeia, como despreza, como um arranjo de fracos e de tolos, desprovidos de mão forte na defesa dos seus interesses.

Os interesses de uma elite “meritocrática” e egoísta, ou da elite sagrada, ungida por direito de sangue e de berço, na hora do nascimento

sábado, 21 de março de 2015

A marcha da vergonha (você foi?). Paulo Vinícius Silva

A imprensa golpista, 
que sustentou a Ditadura, que escondeu torturas e assassinatos, que entregou jornalistas e artistas, sustentada pelas oligarquias carcomidas, 
sonegadora que vive do dinheiro público, 
foi ela quem convocou os “protestos do dia 15 de março de 2015 - mal Dilma assumira. 

A data era simbólica: posse de Costa e Silva, Geisel e Figueiredo, os generais presidentes da Ditadura. mas eles não podiam dizer isso. Então, mentirosamente, vestiram seu ato golpista com o sagrado verde amarelo e com a hipócrita defesa de uma ética que nunca praticaram. 

Ainda assim, não puderam esconder que aquele 15 de março era uma Marcha da Vergonha.
Marcha como aquela, que em 1964 saudou, pediu, implorou pela Ditadura.

E muitos foram, uns por convicção, outros por ilusão. 

Falemos dos primeiros.
Começaram seu "protesto"  uma semana antes.
Tinham palavras de ordem?
Não, tinham palavrões!
Foram entusiasmados, aqueles que gritaram à Presidenta, desde a Copa do Mundo:
- Vá tomar n(@%%##
- Vac$%%
- Vaga*&*&
Sim, os bocas sujas gritaram das varandas Gourmet!!
Bateram panelas caras e cheias e as devolvem à empregada.
Panelaço de panelas cheias, no Jardins, Higienópolis, Águas Claras, Alfavilles, Aldeota etc etc etc.
Panelaços que ofendem duplamente, como a revolta dos filhinhos de papai.
Estes foram todos, podia-se ouvi-los ao longe.

Seu ódio não era contra Dilma, mas contra a própria noção básica de humanidade:
"Todos e todas somos iguais, seres humanos, com direito à dignidade e à felicidade".

Por que não saíam às ruas quando a seca dizimava nordestinos, crianças que morriam?!
Cemitérios de anjinhos nunca os levaram às ruas.
Mas isso acabou. O Brasil saiu do mapa da fome! E, para eles, nunca o Brasil esteve pior.
Por isso, foram protestar, bem acompanhados:

Lá estavam

Exploradores da fé alheia,  malafrários,
os vendilhões do templo,
os fariseus,
Herodias, que pediu a cabeça de João Batista,
até Iscariotes deu o ar de sua desgraça, de braços dados com Silvério dos Reis.
Saíram os defensores da Ditadura Militar e até os torturadores mereceram aplauso,
sordidamente caquéticos e com as mãos sujas ainda de sangue inocente.

Burgueses. Sim, burgueses havia, até herdeira de banco se juntou ao ato “patriótico”.

Sobretudo muitos pequenos burgueses, esmoléus da Ilha da Fantasia do consumismo
(Mais que uma condição econômica, espiritualmente, todos os que se acham superiores.)

Aqueles(as) que não toleram o Bolsa Família, foram!

Os que lamentam muito haver direitos para empregadas domésticas, também.
Sonegadores contumazes, enrolões de direitos de empregados, com o olhar vítreo de fervor cívico!

Aqueles que descobriram o racismo apenas quando a juventude negra teve assegurado o direito de cursar as carreiras que sempre foram monopólio de brancos, esses fizeram questão de ir.

Também aqueles que dizem ser positiva uma taxa maior de desemprego (assim o povo ficará no seu lugar!)

Os que abominam a diversidade como um pecado e querem regular o amor de dentro de seus soturnos armários jamais poderiam perder um baile de hipocrisia dessa magnitude.

Os que querem fatiar e vender a PETROBRAS, aderiram.
A turma que acha absurdo o Brasil produzir 30% do equipamentos do Pré-sal se somou.
Todos os que dizem querer limpar, mas querem na verdade vender a PETROBRAS foram – ou pagaram para que outros fossem.

Os que ameaçam se mudar para Miami tiveram ali o seu dia de glória.

Os defensores do livre mercado ao preço do desemprego, da fome, da soberania, da democracia, da dignidade, os malthusianos estavam lá!

Aqueles que não suportam Dilma ser mulher, a Presidenta, também estavam lá.
Não podiam se omitir, afinal, querem interromper pela força do Golpe a primeira mulher Presidenta da República, contra o voto dos brasileiros e brasileiras.
Quem é contra a democracia estava lá. Até o sigma integralista se viu, garboso e sem vergonha entre analfabetos de História e solidariedade.

Os inimigos de Paulo Freire fizeram questão de marcar presença, com faixa e tudo.

Verde amarelo na roupa e faixas em inglês pedindo a intervenção dos Estados Unidos foram comuns.

Elogios a Ditaduras, o anticomunismo, a defesa dos privilégios de classe que sempre vigeram, tudo estava ali.

Lacerda foi visto como um encosto a repetir, sem ameaça de exorcismo, como disse de Getúlio:
"Não pode se candidatar. Se candidato não pode ganhar. Se eleito não pode assumir.
Se assumir não pode governar e devemos derrubá-la".

(Nós já vimos essa campanha de ódio, força e acusações terríveis - "mar de lama" - a escorrer pelos jornais, levarem Getúlio Vargas ao suicídio, em 24 de agosto de 1954, data sagrada da Carta Testamento.)

Saíram às ruas os que querem acabar com a CLT e que querem a terceirização total.
Saíram também os envolvidos em corrupção, mas protegidos pela imprensa golpista. Corruptos reconhecidos desde sempre e que falam contra a corrupção impunemente.

Saíram às ruas os maiores inimigos do fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Saíram os que param o transporte de carga e sabotam o Brasil, que param pela força os caminhoneiros(as) que só tem o caminhão e as prestações, os que esmagam os pequenos e paralisam as vias até até a sua carga apodrecer.

Também os deputados que criam a despesa, mas não a receita, mas querem as suas emendas para seus currais, e fornecedores. Os achadores se esconderam, mas era possível ver seu nauseabundo rastro e até a presença de vários.

Os pelegos foram!

Todos os que se somam ao problema, e não apoiam as soluções e lucram com a maior Crise do Capitalismo desde 1929, todos os que jogam com a crise, que lucram se a crise crescer, todos foram, ou pagaram quem fosse.

Eram muitos, sim, mas a maioria ainda não foi às ruas.
Acordou a oligarquia. E sua face apareceu despudoramente à luz do dia.
E você, você foi? Mesmo sem nada a ver com eles, você foi?
Você não reparou nesses todos que estavam lá?
Você acreditou na imprensa golpista? 

Eles ameaçam parar o Brasil, mas há uma dificuldade.

Afinal, a oligarquia não produz nada.
A oligarquia - oligarcas de merda - vive de quem trabalha.
A oligarquia não pode parar o Brasil.

Quero te contar um segredo:

O gigante ainda não acordou.

Quem move o Brasil
Quem constrói o Brasil
Quem pôs Lula Lá - duas vezes
Quem pôs Dilma Lá - duas vezes

São os trabalhadores e as trabalhadoras

E a luta, e o poema, continuam.

sexta-feira, 13 de março de 2015

'Marcha da Família com Deus pela Liberdade' completa 50 anos; saiba quem a financiou e dirigiu - Ópera Mundi

Golpe de 64: 'Marcha da Família com Deus pela Liberdade' completa 50 anos; saiba quem a financiou e dirigiu


Tidas como protagonistas do movimento que depôs João Goulart, organizações femininas lideradas por mulheres de classe média eram, na verdade, financiadas e instruídas pelos homens da elite empresarial-militar que queriam derrubar Jango

Há 50 anos, em 19 de março de 1964, era realizada na cidade de São Paulo a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Estima-se que entre 500 mil e 800 mil pessoas partiram às 16h da Praça da República em direção à Praça da Sé, no centro, manifestando-se em resposta ao emblemático comício de João Goulart, seis dias antes, defendendo suas Reformas de Base na Central do Brasil. Passaram à história como as genuínas idealizadoras e promotoras da marcha organizações femininas e mulheres da classe média paulistana. No entanto, por trás deste aparente protagonismo feminino às vésperas do golpe que deu lugar a 21 anos de regime ditatorial, esconde-se um poderoso aparato financeiro e logístico conduzido por civis e militares que tramavam contra Jango. Um detalhe: quase todos eram homens.
Certamente, a atuação de alguns grupos femininos como “pontas-de-lança” da opinião pública contra o governo Goulart foi peça-chave na conspiração levada a cabo pelo complexo empresarial-militar do Ipês-Ibad (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais – Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Destas instituições femininas, as principais eram: a carioca CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) e as paulistas UCF (União Cívica Feminina) e MAF (Movimento de Arregimentação Feminina).
Conforme disseca a historiadora Solange Simões em seu livro Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964, a inserção das mulheres na conspiração que resultou no golpe foi estratégica. Com o intuito de fomentar uma atmosfera de desestabilização política e convencer as Forças Armadas a intervir, as campanhas femininas buscavam dar "espontaneidade" e "legitimidade" ao golpismo, tendo sido as mulheres incumbidas — pelos homens — de influenciar a população.
“Aqueles homens, empresários, políticos ou padres apelavam às mulheres não enquanto cidadãs, mas enquanto figuras ideológicas santificadas como mães”, escreve a pesquisadora. A própria dona Eudóxia, uma das lideranças femininas, reconhece, em entrevista à historiadora, sua função tática:
Nós sabíamos que como nós estávamos incumbidas da opinião pública, os militares estavam à espera do amadurecimento da opinião pública. Porque sem isso eles não agiriam de maneira nenhuma. A não ser que a opinião pública pedisse. E foi isso que nós conseguimos.
Graças a uma bem-sucedida ação, eventos considerados aparentemente “desconexos” foram tomados como "reações espontâneas" de segmentos da população. Na verdade, essas manifestações apresentavam uma sólida coordenação por parte da elite.
Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Protagonismo feminino? Mulheres estavam na linha de frente da marcha, mas quem dirigiu e organizou foram os homens do Ipês
Neste sábado (22/03), 50 anos depois, haverá uma reedição da emblemática marcha, organizada por manifestantes e ativistas que acreditam haver no Brasil uma revolução comunista em processo e veem na intervenção militar a única saída.

Foto:

Elite econômica que deu golpe no Brasil tinha braços internacionais, diz historiadora


Veja abaixo os principais aspectos desse movimento feminino que esteve à frente da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964.
1.) COMO SURGIU E QUEM LIDERAVA?
Quem eram, afinal, essas mulheres que despontavam na rua, em passeatas e comícios, como “donas-de-casa” e “mães-de-família brasileiras”, envolvidas na conspiração civil-militar? Já chamadas de “guerrilheiras perfumadas” ou confundidas com mulheres “das classes médias”, as direções dos movimentos eram constituídas, essencialmente, por mulheres com baixa formação intelectual da burguesia e das elites militares e tecnoempresariais.
Essa ala feminina do golpe foi criada meses antes das eleições gerais de outubro de 1962. Suas principais líderes eram parentes próximas dos grandes nomes do setor empresarial e militar envolvidos na conspiração. Contaram, obviamente, com todo o aparato financeiro e logístico de seus cônjuges, primos e irmãos para erguer suas instituições. “O meu marido me incentivava: ‘Eu ajudo no que precisar’, dizia ele”, relembra em entrevista concedida a Solange Simões, a vice-presidente da CAMDE, Eudóxia Ribeiro Dantas, mulher de José Bento Ribeiro Dantas, empresário ipesiano presidente da Cruzeiro do Sul, uma das maiores companhias aéreas do país.

Do lado carioca, por exemplo, a CAMDE foi criada por Amélia Molina Bastos, irmã do general Antônio de Mendonça Molina, do setor de informação e contrainformação do Ipês. A ideia partiu declaradamente do vigário de Ipanema, Leovigildo Balestieri, e dos líderes ipesianos engenheiro Glycon de Paiva e general Golbery do Couto e Silva. A CAMDE foi lançada no auditório do jornal O Globo, no Rio, oferecido por seu diretor-proprietário, Roberto Marinho. Na manhã do dia 12 de julho de 1962, o periódico carioca estampava na capa: “A Mulher Brasileira está nas Trincheiras”.
Já em São Paulo, nas reuniões de fundação da UCF, compareceram figuras como: Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, diretor-proprietário do jornal O Estado de S.Paulo, e Regina Figueiredo da Silveira, primeira presidente da união paulista e irmã do banqueiro João Baptista Leopoldo Figueiredo, presidente do Ipês e primo do último presidente do ciclo militar.
2.) EM TERMOS PRÁTICOS, O QUE FIZERAM?
Desde sua fundação, a CAMDE carioca e a UCF paulista se engajaram na ação política de combate e desestabilização do governo Goulart, orientadas ideologicamente e materialmente pelocomplexo Ipês-Ibad.
“Caravana a Brasília”: pelo veto a Santiago Dantas
Em 1962, as mulheres organizaram uma “Caravana a Brasília” com o objetivo de formar um efetivo “coro popular” para impedir a posse de San Tiago Dantas como primeiro-ministro. Esse movimento integrava parte da política de rejeição, pela elite, de uma composição com a ala moderada do trabalhismo. Para tanto, entregaram ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, 60 mil cartas pedindo a não aprovação do plebiscito antecipado, bem como o impedimento da delegação de poderes ao conselho de ministros, fundamental à continuidade das Reformas de Base do governo Goulart.
Reprodução/Mestrado Dharana Pérola Ricardo Sestini

A primeira-dama de SP, dona Leonor de Barros (cent.), ladeada pelos deputados Herbert Levy (últ. à dir.) e Cunha Bueno (penúlt. à dir.)
Boicote ao Última Hora, o “diário da guerra revolucionária”
Um dos poucos jornais que se atreveram a criticar a tentativa de deturpar o processo eleitoral por parte dessas organizações femininas, o Última Hora, de Samuel Wainer, foi sistematicamente perseguido pela CAMDE e UCF. Caracterizando o periódico como “o diário da guerra revolucionária que se travava no Brasil”, as senhoras passaram a formar comissões de visitas a empresários, industriais e comerciantes que anunciavam no jornal, pedindo para que suas verbas publicitárias fossem suspensas. A coordenação dessa campanha de boicote foi feita em grande parte em sincronia com o Ibad, liderado pelo integralista Ivan Hasslocher, outra figura central na campanha anti-Jango. Hasslocher se exilou em Genebra depois de comprovados, pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 1963, os atos de corrupção de seu instituto no processo eleitoral de outubro de 1962.
"Marchas da Família com Deus pela Liberdade": quem convocou, dirigiu e financiou
Logo após o discurso de Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, a CAMDE se engajou em campanhas por telefone, incitando as mulheres a permanecerem em casa e acenderem velas em suas janelas como sinal de protesto e fé cristã. A massiva “Cruzada do Rosário em Família”, do padre norte-americano Patrick Peyton, pároco de Hollywood, foi o ensaio-geral para as marchas anticomunistas de abril e março de 1964, fundadas no lema “A família que reza unida permanece unida”.

Seis dias depois do comício de Jango, em 19 de março, data em que se comemora o dia de São José, padroeiro da família, realizou-se em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, coroando o auge dos esforços das associações femininas orientadas pelo Ipês.
["Marcha da Família com Deus pela Liberdade" percorre o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo]
A marcha reuniu entre 500 mil e 800 mil pessoas para protestar contra o comício de Goulart na Central do Brasil. A idealização da marcha partiu do deputado federal Antônio Sílvio Cunha Bueno (PSD), um grande proprietário de terras e diretor da norte-americana Willys-Overland Motors do Brasil, cuja matriz ficou famosa pela fabricação, em parceria com a Ford, do jipe usado pelos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. Ao contrário da propagandeada supervalorização do papel dessas mulheres na condução dos protestos, a organização da marcha não ficou a cargo nem da UCF nem do MAF, ambas entidades sediadas em São Paulo. Quem levou o evento adiante foi o próprio Cunha Bueno, além de outros políticos paulistas, como o vice-governador Laudo Natel, Roberto de Abreu Sodré (UDN) e Conceição da Costa Neves (PSD), deputada mais votada no estado nas eleições de 1962.
Acompanhados de suas esposas, políticos importantes se fizeram representar nas marchas: Adhemar de Barros e sua mulher, dona Leonor; além de Carlos Lacerda, governador do Rio, e dona Letícia. O deputado Herbert Levy, integrante da UDN e líder do Ipês, bradava: “o povo não quer ditaduras, o povo não quer comunismo, o povo quer paz e progresso”. Cunha Bueno discursava: “Todos vocês nessa praça representam a pátria em perigo de ser comunizada. Basta de Jango!”.
Em São Paulo, os banqueiros Hermann Morais Barros (Banco Itaú), Teodoro Quartim Barbosa (Comind) e Gastão Eduardo Vidigal (Banco Mercantil), líderes ipesianos do primeiro escalão, ficaram incumbidos de articular e obter adesão das entidades de classe de todo o país para as marchas.
“O Ipês de São Paulo também fez contribuições diretas e em dinheiro para o movimento feminino: consta do relatório de despesas de 1962 e do orçamento de 1963 uma contribuição mensal para a UCF”, conclui a historiadora Solange Simões.
A organização logística da marcha foi feita no prédio da Sociedade Rural Brasileira, supervisionada pelo Ipês e contando com a presença de membros de diversas entidades patronais e associações industriais. No bem aparelhado quartel-general do movimento feminino fizeram-se ainda pôsteres, cartazes e bandeiras com as seguintes palavras de ordem:
Abaixo o Imperialismo Vermelho
Renúncia ou Impeachment
Reformas sim, com Russos, não
Getúlio prendia os comunistas, Jango premia os traidores comunistas
Vermelho bom, só o batom
Verde, amarelo, sem foice nem martelo
Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Cartaz na marcha estampava "Vitória da Democracia"; golpe que derrubou presidente eleito viria semanas depois
3.) HOUVE PROTAGONISMO FEMININO?
Uma vez vitorioso o golpe de Estado de 1º de abril de 1964, foi deflagrada a chamada “Marcha da Vitória”, reunindo 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro. Logo no dia 3 de abril, o líder do Ipês João Baptista Leopoldo Figueiredo, que estava em reunião na Guanabara na qual discutiam aescolha do “novo candidato” à presidência, telefonou para sua irmã Regina Figueiredo Silveira, presidente da UCF. Motivo: o banqueiro primo-irmão do último presidente militar solicitava à irmã-ativista que o lançamento da candidatura de Castello Branco fosse feito pela própria UCF.
Paulo Ayres Filho, outro líder ipesiano e empresário da indústria farmacêutica, ficou incumbido de elaborar, junto com uma equipe da UCF, o manifesto feminino de apoio ao marechal, levado às estações de TV e jornais pelas senhoras.
O general Olympio Mourão Filho, que marchou de Minas Gerais em 31 de março, antecipando-se ao plano dos conspiradores do eixo Rio-São Paulo, comentou, sobre as marchas das mulheres, que “como todos os homens que participaram da revolução, nada mais fez do que executar aquilo que as mulheres pregavam nas ruas para  acabar com o comunismo”. Cordeiro de Farias foi ainda mais longe, de acordo com Solange Simões, “ao afirmar que a revolução foi feita pelas mulheres”.
Reprodução/Blog CPDOC Jornal do Brasil

Generais que participaram do golpe de 64 exergam protagonismo feminino como ponto central para o sucesso do movimento
Historiadores que estudaram o período são mais céticos: não veem a movimentação das mulheres como sintoma do engajamento universal da população brasileira no combate a Jango. Na verdade, essas mulheres, teriam funcionado como massa de manobra dos conspiradores — todos homens — para criar uma sensação de “espontaneidade” e “clamor popular” apta a dar “legitimidade” ao novo governo. Como aponta a pesquisadora Solange Simões, a marcha foi “ostensivamente uma manifestação das classes média e alta”. E mais: foi muito restrita, pois em uma cidade de 6 milhões de habitantes, como São Paulo, apenas 500 mil pessoas participaram.
Até o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, notório por seu apoio ao golpismo, percebeu a falta de apoio popular no movimento, conforme relata a Washington em um telegrama de 2 de abril de 1964: “A única nota destoante foi a evidente limitada participação das classes mais baixas na marcha”. Seu espião militar no Brasil, o coronel Vernon Walter também atesta que, até a realização das passeatas, havia um receio de que o movimento para derrubar João Goulart fracasse por falta de apoio popular.
Desferido o golpe em 1º de abril, as marchas do Rio e São Paulo foram seguidas de outras menores, organizadas pelas associações femininas em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santos.
“Se antes os maridos enalteciam o papel de mãe e esposa para manter a mulher no lar e discriminadas na esfera pública, passam agora a enaltecer aquele papel para comprometê-la na ‘política’”, arremata Solange Simões. Assim, revelando o ilusório protagonismo vislumbrado pelo espetáculo dessas marchas de massivas mobilizações, “a ‘mulher-dona-de-casa’ que respeitava, no lar, a autoridade do chefe da família, deveria, enquanto mulher-cidadã procurar a autoridade do Estado – autoridade que residia principalmente no seu braço armado”, conclui a historiadora.
(*) Principais fontes: René Armand Dreifuss (‘1964: A conquista do Estado: Ação Política, Poder e Golpe de Classe’) e Solange de Deus Simões (‘Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964’)

quarta-feira, 11 de março de 2015

Quem financia campanha do Impeachment e protesto de Caminhoneiros? - Blog Lemos Ideias

Blog
Lemos Ideias
Os homens mais ricos do Brasil estão tentando minar a Presidência, investindo muito dinheiro para promover as greves de caminhoneiros e o ato pró Impeachment marcado para 15/03. Junto com setores da mídia, estão instalando uma falsa sensação de instabilidade política e econômica, fazendo parecer que o Governo está fragilizado e que é incompetente.
A elite mais rica do país quer, mais uma vez, controlar a opinião pública, manipulando fatos, distorcendo a realidade e comprando apoios.
Essa é uma questão que poucos têm levantado nos últimos dias: Quem está financiando o movimento “Vem pra Rua”, favorável ao impeachment da presidenta Dilma? Pode parecer uma ação meramente civil  e apartidária como tentam pregar, mas informações disponíveis na internet desmentem isso e provam que há uma tentativa gigantesca de manipulação da opinião pública para jogar a maioria dos brasileiros contra o Governo, gerar instabilidade e dar a sensação de fraqueza das instituições democráticas.
Posso afirmar com certeza que os empresários mais ricos de nosso país estão por trás, financiando este movimento diretamente, não por interesse cívico, mas pessoal, econômico e em favor de um projeto deliberado em voltar o Brasil para as condições pré governos do PT.
Quero responder e demonstrar aqui:
  • Quem financia a campanha pró Impeachment
  • Quem financia as greves de Caminhoneiros

Os nomes por trás dos protestos pró Impeachment

Quem são as pessoas por trás desse movimento, investindo dinheiro e suas próprias estruturas empresariais?
Cheguei aos seguintes nomes: Jorge Paulo LemannCarlos Alberto SicupiraMarcel Herrmann Telles. São 3 dos 5 homens mais ricos do Brasil, sócios em vários negócios, onde o mais conhecido é a Ambev.
Vistando a página do Vem Pra Rua Brasil no Facebook (Link), criada durante a campanha de segundo turno das eleições presidenciais de 2014, dou destaque para as seguintes imagens:
Para impulsionar uma publicação (patrocinar um conteúdo) e garantir que mais pessoas vejam aquele post, é preciso pagar ao Facebook. Os valores dependem do tipo de alcance desejado. Mesmo que contratem um valor mínimo, alguém tem que pagar a conta, mas não vemos nenhuma fonte de receita dessa Fan Page.
Diferente da Página do Revoltados Online que é claramente mantida pelo oportunismo de seu criador, que descobriu uma forma de ganhar dinheiro com todo esse movimento, vendendo kits de camisetas e adesivos ao valor de R$170,00 na média. Não vou tratar sobre essa página e seu criador, pois é apenas um caso de oportunismo individual.
O Facebook não permite saber quem são os administradores de uma Página, mas, como podemos ver na segunda imagem, uma publicação do dia 2 de novembro de 2014 do Vem pra Rua Brasil, podemos chegar aos financiadores e aos nomes que citei acima.
Eles divulgavam o endereço http://www.vemprarua.org.br e recentemente mudaram para o endereçohttp://www.vemprarua.net
Só isso já seria um fato suspeito.
Domínios (como são conhecidos os endereços URL dos sites) registrados no Brasil (todos os terminados em .BR) têm os dados dos proprietários como públicos e você pode identificar quem registrou tais domínios.
Diferente dos domínios internacionais que pode ser garantido o anonimato.
A nossa constituição diz no artigo 5º que: “IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato“. Vamos guardar essa informação para depois.
Ao pesquisar pelo sistema WhoIs do Registro.BR (Link) para o antigo endereço “vemprarua.org.br”, chegamos ao que pode ser visto na imagem:
domínio-vemprarua-org-br
Vemos que foi registrado com o CNPJ e com as informações do financeiro da Fundação Estudar. E o que é tal fundação e quem são seus mantenedores?
Para responder isso basta acessar http://www.estudar.org.br e ler a página “Quem Somos”, como destaco na imagem abaixo:
Fundação Estudar
IMPORTANTE: É legítimo que cidadãos, independente de sua situação sócio-econômica, financiem/patrocinem qualquer evento cívico.
O que estou questionando aqui é o anonimato e o que tais empresários ganham com isso.
A conclusão lógica que chego é que, ao mudarem o domínio vemprarua.org.br para o novo vemprarua.net, fizeram com a intenção de não mostrar quem está por trás desse movimento e da página. Esconder quem financia para fazer parecer algo nascido espontaneamente, sem influências externas.
Estou dando destaque a esta página por ser ela a principal divulgadora dos protestos marcados para 15/03 e ser a primeira a publicar sobre essa convocação. O que leva a deduzir que foram eles quem “criaram” a ideia de protestar pelo Impeachment da Dilma.
Se abrirmos a lista da Forbes dos homens mais ricos do Brasil (Link), temos o que está na imagem:
Curiosamente, se somarmos a fortuna dos 3 irmãos Marinho, eles disputam o primeiro lugar com Lemann e fechamos a lista dos 5 homens mais ricos do Brasil.
Um vídeo curioso que encontrei na internet e dá sustentação ao argumento de que estes três empresários estão financiando a página Vem Pra Rua Brasil e financiando o movimento pró impeachment da presidenta Dilma, nos faz pensar.
O mantenedor do Revoltados Online (Link), Marcello Reis, aos 7 minutos (role direto para os 7 min.) do vídeo abaixo diz claramente que o Vem Pra Rua é um movimento de empresários:
Mas este é “peixe pequeno”, que encontrou uma forma de ganhar dinheiro na internet, aproveitando-se da situação. Mesmo assim podemos supor que ele tenha contatos com os organizadores de outros movimentos semelhantes ao dele e, com isso, tenha informações privilegiadas.

E a greve dos Caminhoneiros?

A partir desse ponto tenho apenas especulações e perguntas, mais do que respostas de fato.
Vídeo que a Polícia Rodoviária Federal publicou em 02/03/2015 confirma argumentos que levanto neste artigo. Assista abaixo e continue lendo o texto:
Acredito que estes três homens também estão financiando/patrocinando/estimulando as greves de caminhoneiros por todo o Brasil. Não todos os pontos de greve desses últimos dias, mas os primeiros, que acabaram motivando e incentivando os subsequentes.
No mínimo estão permitindo que seus funcionários participem da Greve e disponibilizando infraestrutura para os caminhoneiros.
Eles são donos das maiores redes de logísticas do Brasil. Como a Ambev, empresas de varejo (ex.: Lojas Americanas), América Latina Logística (que tem mais de mil caminhões próprios e agregados) e a B2W (maior empresa de logística para pequenas entregas de sites de e-commerce no Brasil) são alguns exemplos do poder de influência que eles têm para convocar uma paralisação de caminhões.
Veja mais sobre as principais empresas que eles são donos e o poder de logística que eles dominam:
Podemos imaginar o tamanho da frota de caminhões que eles têm diretamente e todos os terceirizados ou autônomos que prestam serviços para suas empresas. Sem contar tantas outras empresas que dependem da logística que eles dominam.
Será que eles permitiriam que seus serviços fossem prejudicados com tal greve?
Quem acompanha as notícias sobre os protestos dos caminhoneiros, ouviu por diversas vezes e há relatos nas redes sociais dos próprios motoristas, de que muitos estão sendo coagidos a participar das paralisações, forçados e ameaçados caso não participem.
Fica a dúvida:
  • Como que estes homens estão assumindo o risco de ficarem desempregados, perderem dinheiro com dias não trabalhados (já que ganham por Km rodado, inclusive aqueles que são contratados das empresas de logística) e ainda gastarem para se manter parados às beiras de estrada?
  • Quem está sustentando estes trabalhadores, pagando pelas perdas?
  • Quem os estão alimentando?
  • Por que há coerção se este é um movimento livre e espontâneo?
Sem contar que muitos desses motoristas estão perdendo prazos e eles trabalham sob contratos, que incluem multas por atraso e/ou perdas. Quem paga por essas multas contratuais e perdas eventuais?
O que corrobora minhas dúvidas é a aprovação sem veto da Lei dos Caminhoneiros, onde estão incluídos dois pontos questionáveis:
  1. Perdão das multas por excesso de peso dos últimos 2 anos
  2. Prorrogação por mais 12 meses para pagamento de financiamentos do BNDES para compra de caminhões
Estes dois itens favorecem quase que exclusivamente as empresas donas dos caminhões e não os motoristas.
Quem é o responsável pelo caminhão sair carregado além do peso permitido?
É o motorista ou a empresa que o contratou? Quem paga a multa?
O motorista, autônomo ou não, foi coagido a trafegar pelas estradas com seu caminhão carregado além do limite permitido. Se ele não fizer isso pode perder o emprego. Portanto, este perdão das multas favorece às empresas de logística principalmente.
Sem contar que o contribuinte vai pagar essa multa duas vezes. Perde-se arrecadação e nossas estradas vão sendo destruídas pelos caminhões sobrecarregados.
Quem são os maiores compradores de caminhões com financiamento pelo BNDES?
Entendo que aquele motorista autônomo merce renegociar sua dívida. Mas as empresas de logística, que faturam milhões, serão as maiores beneficiadas. Terão o perdão de multas e continuarão destruindo nossas estradas.

Quem financia e quem divulga?

Minha conclusão parte da lógica apresentada acima.
Posso estar errado em chegar a tais conclusões, mas percebo que fazem sentido, mesmo em um olhar superficial.
Não há crime aqui. Não estou acusando tais empresários de cometer qualquer crime. Apenas estou exigindo transparência, coisa que a democracia exige. É legítimo fazer oposição ao Governo, mas não de forma velada e não promovendo o medo ou prejudicando o direito de todos os outros.
Seria interessante cruzar estes dados com os de doações para campanhas de políticos, especialmente de Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin e tantos outros quadros do PSDB e DEM.
Como eu disse antes: é perfeitamente legítimo que estes empresários e tantos outros queiram financiar e investir em manifestações públicas, seus candidatos preferidos. Faz parte da democracia e isso não é nenhum crime. É legítimo.
Mas esses dados, essas informações nos ajudam a elucidar melhor quem está por trás de tudo o que vemos na tentativa de tirar o PT do poder, quando houve uma eleição vencida dentro das regras e não há crime/fato comprovado que dê razão a um pedido de Impeachment da Presidenta Dilma.
Este movimento dos caminhoneiros começou faltando 30 dias para os protestos previstos para 15/03. Com a clara intenção de instaurar o caos, promover instabilidade e a falsa sensação de fragilidade do Governo. A grande mídia deu vasão a isto instigando a população no medo de desabastecimento de combustível e alimentos, provocando uma corrida desnecessária aos postos e supermercados em várias cidades.
Isso provoca ainda mais os ânimos e agressão ao Governo e instiga as pessoas a participar de um protesto que só serve aos interesses corporativos e de uma elite ultra direitista e/ou setores conservadores.
Temos sempre que questionar a quem servem tais propósitos.
São estas as informações e ligações que consegui fazer em poucos minutos de consulta pela internet. Especulações que outras análises podem ser adicionadas para corroborar, reforçar os argumentos e dados apresentados.

Resposta sem conclusão

Em Dezembro/2014 estas suspeitas foram levantadas pelo PCdoB em publicação no Facebook (Link) e o portal de notícias Brasil 247 chegou a entrar em contato com o empresário Lemann (Lemann nega apoio ao Impeachment de Dilma).
Pesquisando não encontrei mais informações sobre o resultado disso, nem mesmo se o funcionário da Fundação Estudar foi responsabilizado. Fato é que a página do Facebook ainda está no ar e conteúdo vêem sendo patrocinados. Por que?
Outra coisa que falta resposta é o andamento das greves que afetam diretamente a estrutura de suas empresas. Ela está assumindo o prejuízo? Por quê?

ATUALIZAÇÃO 09/mar/2015: O site de notícias Brasil 247 publicou artigo repercutindo as informações deste meu blog (Link: Jorge Paulo Lemann é quem financia o Golpismo?).
Eles entraram em contato com o empresário que, dessa vez, não quis comentar o assunto e, desde as primeiras denúncias, não tomou providências quanto ao uso do CNPJ de sua Fundação para o registro de domínios do movimento “Vem pra Rua”.

Coletivizando no Youtube