Blog do Sorrentino » Blog Archive » A CGU e o Ministério do Esporte
Começo de desvendamento, é o que permite a Folha de São Paulo hoje, em
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/18530-uniao-demora-20-anos-para-cobrar-desvio-de-r-300-mi.shtml.
Os “desvios” em Ministérios nos últimos 10 anos, segundo a Controladoria Geral da União, somam 7,7 bilhões e são assim oriundos: 34% do Ministério da Saúde, 14,5% da Integração Nacional, 12,5% da Educação, 8,1 da Fazenda, 6,2% do Trabalho, 5,7 do Planejamento, 3,5% do Meio Ambiente, 2,6% da Cultura, 1,7% da Ciência e Tecnologia, 1,6 % da Previdência. O restante são 9,6% de outros, onde se inclui o Ministério do Esporte.
Tamanho não é documento, por suposto, quando se trata de práticas com a coisa pública. Mas para enfrentar o problema – e a CGU já alegou que nem funcionários suficientes tem para toda a ação fiscalizatória – deve-se pô-lo em perspectiva adequada, hierarquizá-lo. Por que não indicar as ações que os Ministérios adotaram frente aos processos indicados? Quantos deles estão ou estiveram em processos do TCU?
Sabe-se que o Ministério do Esporte, sob a direção de Orlando Silva, condenou o denunciante João Dias a devolver aos cofres públicos perto de 4 milhões desviados. O processo chegou a termo no TCU, por iniciativa do Ministro. Sabe-se que a percentagem de convênios do Ministério com entidades não governamentais era cadente, chegariam a termo no ano de 2011, e a soma envolvida era menos de 1% do total de convênios feitos por todos os demais ministérios.
A verdade toda tem que aparecer e um trabalho permanente tem que ser mantido nesse sentido. Fiscalizar ação pública é uma coisa. A denúncia contra Orlando Silva é outra: foi armada, sem nenhum indício e menos ainda prova. A mídia oposicionista criou um factóide aproveitando a suposta denúncia de um criminoso. A questão fez parte da luta política contra o governo Dilma e renovou insuspeito – ao menos para alguns – anticomunismo.
A questão é que o Ministério do Esporte, sob comando de Orlando Silva, agiu corretamente, em defesa da coisa pública. Por que a mídia se assume como um poder unilateral infenso a qualquer norma de direito, que “fiscaliza”, indicia, julga e condena? A verdade bastará para desvendar a trama. Quem tem medo dela?
O Partido da Imprensa Golpista (PIG) tentou derrubar o ex-presidente Lula, em 2005, ao inventar que o governo dele fazia pagamentos a deputados para obter apoio no Congresso Nacional. A isso a velha mídia batizou de “mensalão”.
O denunciante do “esquema”, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), em recente depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), jurou que o “mensalão” nunca existiu e que a denúncia feita por ele era apenas uma “retórica” parlamentar.
O PIG pediu desculpas a Lula pela campanha golpista? Que nada. O ex-presidente chorou diante das câmeras, na despedida do cargo, ao se lembrar do preconceituoso ódio da velha mídia.
Mas o tiro saiu pela culatra
No que pese as tentativas da imprensa derrubá-lo, Lula deixou o governo com 90% de aprovação. A artilharia pesada do PIG, que nada provou, gerou efeito contrário daquele que esperava: vitimizou o ex-presidente e o blindou do denuncismo.
Outro caso de insucesso de golpe ocorreu na vizinha Argentina, que reelegeu a presidenta Cristina Kirchner neste domingo. Responsável pela aprovação da Ley de Medios, que regula a mídia naquele país, a presidenta atravessou intacta os últimos anos mesmo sob bombardeio intenso da imprensa. Ou melhor, o povo argentino a consagrou nas urnas com 54% dos votos.
Orlando Silva fortalecido
O ministro do Esporte, Orlando Silva, do PCdoB, também atravessa uma espécie “Rubicão” e, ao que parece, começa avistar a outra margem mais fortalecido do que nunca. O exagero nas denúncias contra o “Negão”, como os amigos o chamam, transformaram-no em mártir de uma luta contra a mídia golpista. Os ataques ao comunista aceleraram as discussões sobre a regulação do setor no país. Ele poderá ser uma das principais estrelas no I Encontro Mundial de Blogueiros, que ocorrerá neste final de semana em Foz do Iguaçu (PR).
As denúncias do policial militar João Dias Ferreira, de que Orlando teria recebido dinheiro na garagem do Ministério, publicadas na revista Veja, até agora não foram provadas. O semanário de acusador passou a ser acusado pelo ministro e pelo PCdoB de cometer uma fraude.
O blog obteve informação nesta segunda-feira (24) sobre os áudios enviados pelo policial à Polícia Federal. São treze conversas captadas ilegalmente, mas nenhuma compromete o ministro acusado pela mídia golpista. Aliás, o próprio PIG rachou diante da ausência de provas contra “Negão”. A TV Globo cobra de Veja os documentos contra Orlando Silva. A briga é feia.
No Palácio do Planalto e nos setores mais conscientes do PT firmou-se a convicção de que os disparos contra o ministro do Esporte visam atingir a presidenta Dilma Rousseff. O alvo imediato – Orlando – seria apenas um caminho tático para os golpistas chegarem ao objetivo estratégico: derrubar o governo do PT. Por isso a intervenção de Lula no episódio, ao pedir que o PCdoB e o ministro resistissem firmes à onda denuncista.
Ao objetivo do PIG derrubar o governo de Dilma, somam-se os interesses econômicos contrariados da FIFA e da CBF, aliados de primeira hora dos jornalões.
Nesta semana, o ministro Orlando Silva vai comandar no Congresso Nacional as discussões acerca da Lei Geral da Copa de 2014. Ou seja, depois de dez dias insistente bombardeio, definitivamente, colocará os pés na outra margem do “Rubicão”.
Haverá trégua nessa guerra? O PCdoB de Orlando Silva acredita que não e se diz preparado para todos os horrores dessa verdadeira carnificina de honras.