Hoje o PCdoB, os socialistas, revolucionários e democratas semearão o camarada Renato Rabelo. João, pequenino, era Amazonas; Renato era chamado por muitos de nós de Renatão, sem ter estatura física elevada. O reconhecimento de grandeza foi obtido na luta de classes em seis décadas, em gestos titânicos que em nada se percebiam nas suas atitudes modestas e gentis, não obstante firmes e definidoras. Sobreviver à Ditadura e vir ao PCdoB, propor a Frente Brasil Popular com Lula, resistir ao fim da URSS e a autocrítica sem cedência, a chegada ao governo, a manutenção do caráter revolucionário e a transição para as camaradas Luciana e Nádia sem abrir mão do Socialismo. Gigante, Renato Rabelo, à altura da confiança de Amazonas, de Lula, de Dilma, e nossa. Custará a passar a dor. Mas não as dores, e sim os mesmos sonhos nos movem. Honra e glória, aprendamos!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Comunicado e Nota sobre a perda do Camarada Renato Rabelo, ex-Presidente do PCdoB
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Renato Rabelo: Luta ideológica numa nova ordem mundial de transição

O presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, durante intervenção no 15o. Congresso Nacional do PCdoB. Foto: Richard Silva
O presidente da Fundação Maurício Grabois assinala o cenário internacional de disputas ideológicas, com o Brasil em franco retrocesso, e como a instituição contribui para a compreensão da conjuntura para elaboração tática e estratégica na atuação política.
O presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, apresentou um informe sobre a atuação da instituição, nesta sexta-feira (15), durante o início da plenária final do 15º Congresso do PCdoB, rumo ao centenário do partido. Ele abordou a importância do debate de ideias em meio a uma nova ordem mundial conturbada, na abertura da plenária do congresso, que pela primeira vez aconteceu de maneira virtual devido à pandemia, com a participação de mais de 600 delegados de todo o país.
Ele considera importante que a partido compreenda plenamente o papel da Fundação, nesses 13 anos, disseminando ideias e formando quadros e a militância. “[A fundação] empreendeu um espaço de confluência do pensamento marxista, revolucionário e progressista, e tem se dedicado às questões chave no enfrentamento do curso da luta de ideias na atualidade do nosso período histórico”, afirmou, lembrando o papel protagonista do jornalista Adalberto Monteiro, desde sua origem.
Na concepção da Fundação, a luta de ideias, como assinala o programa socialista do PCdoB, é uma luta que se dá no sentido de acumulação de forças, visando a conquista do poder político. “Portanto, não é uma atividade acadêmica, mas é voltada aos objetivos programáticos e ao ideário da luta política e revolucionária do partido comunista em nosso país”, explicou. Para Renato, essa é a tarefa essencial da Fundação.
Leia a íntegra da intervenção: Renato Rabelo faz balanço da atividade da FMG no 15º Congresso do PCdoB
A experiência do socialismo nas entranhas do capitalismo
Para ele, a luta de ideias tem relevância ainda maior na contemporaneidade, em que a transição na ordem mundial se intensifica e acelera na pandemia. Renato observa que, com o distanciamento do período mais agudo do fim da União Soviética (URSS), projeta-se o ascenso da República Popular da China e o declínio relativo da potência hegemônica dos EUA. Este é, para ele, um fato de grande significado histórico e um fato estrutural do sistema internacional, com repercussão no mundo todo.
“Neste novo contexto geopolítico mundial, os países socialistas remanescentes estruturam projetos nacionais de orientação socialista incorporando formas de renovação contemporâneas, destacadamente a China, no âmbito da própria economia capitalista mundial, superando o modelo soviético próprio de uma época”, destaca ele. Renato salienta o fato desses projetos não se apresentarem “edificando um sistema mundial socialista”, como foi o esforço da URSS, contudo estão em evolução favorável às experiências socialistas, contando com as lições do século XX.
Além disso, nas condições presentes, diversos estados estruturam projetos nacionais de desenvolvimento, em que adquirem centralidade as tarefas nacional e democrática, distinguem nova oportunidade histórica de resguardar sua soberania e seguir caminho próprio, impondo-se uma situação favorável à realização de projetos nacionais contra-hegemônicos.
Em contrapartida, o dirigente do PCdoB considera que o capitalismo estadunidense hegemônico responde ao seu próprio declínio com mais ação agressiva e bélica. “Mobiliza seus aliados fieis para conter a China, utilizando todas as formas e meios, especificamente os militares, buscando isolar a Rússia e desarranjar sua aliança estratégica com os chineses”, analisa ele, lembrando que, durante um período avançado da URSS, o imperialismo conseguiu criar uma contradição com a China, que contribuiu para sua fragilização.
O retrocesso brasileiro em meio à transição mundial
De acordo com Renato, o capitalismo financeirizado rentista e sua ortodoxia neoliberal têm sido cada vez mais incapazes de responder aos desafios do mundo atual, do desenvolvimento das nações, em cooperação mútuas, e do bem estar dos povos.
“O tempo presente e o futuro clamam pelo socialismo. Esta é a questão que evolui num processo moldado numa alternativa contemporânea. A China é o exemplo maior dessa alternativa contemporânea”, declara.
A experiência chinesa, conforme distingue ele, adquire uma forma histórica. “Não se trata de teses subjetivas ou desejos. O desafio, portanto, é como conduzir uma sociedade, que, nascida pela revolução, se desenvolve nas entranhas de um mundo dominado por outro modo de produção”, analisa Renato, citando os remanescentes socialistas China, Vietnã, Cuba e Coreia, com o gigante asiático à frente, por sua dimensão.
Renato situa o lugar histórico do Brasil nessa ordem mundial em transição, em que ocorre imposição de projetos desenvolvimentistas para os estados nacionais. Num momento favorável para o desenvolvimento nacional, “o Brasil atravessa um período de tanto retrocesso, de obscurantismo, boicotes do próprio presidente da República à ação pandêmica criada pela ciência, caracterizando uma atitude genocida contra o povo levando a crise sanitária a condição de tragédia nacional, sem semelhança de tais acontecimentos na historia da própria República”.
Diante deste cenário de resistência do governo brasileiro a acompanhar a nova ordem de fragilização neoliberal e afirmação de estados nacionais, o dirigente comunista aponta que a orientação de Frente Ampla, defendida pelo PCdoB, baseada na história política do Brasil, “é, hoje, o caminho para a vitória, sendo meio insofismável para desmascarar, isolar e derrotar Bolsonaro”. Esta é, para ele, a questão premente para salvar o país.
Renato destacou a aprovação recente da lei das federações partidárias como uma vitória da democracia e do pluripartidarismo. “Foi num contexto muito adverso que se conseguiu esta vitória extraordinária”, lembrou ele, considerando a dominância bolsonarista no Congresso Nacional. “Esse conjunto de medidas no sentido estratégico e ação tática demonstra a lucidez e o protagonismo do PCdoB”, celebrou.
Ação coordenada da Fundação Maurício Grabois
Renato passou, então, a pontuar as ações da Fundação Maurício Grabois para o enfrentamento deste cenário histórico, a partir de um trabalho de pesquisa e estudo que estabelecesse uma nova fase em sua trajetória. “[Uma nova fase que] exige assumir os meios modernos da tecnologia de informação e da formação, e novas ferramentas e metodologias, para não ficarmos a margem da luta de ideias. A luta ideológica tem os meios modernos e temos que absorver essa tecnologia e ter nosso espaço”, enfatizou.
A atualização da atuação da Fundação se deu, portanto, a partir da linha de pesquisa de temas candentes desse início do século XXI. Ele citou a preocupação em compreender em profundidade as singularidades do capitalismo contemporâneo financeirizado. Outros temas constantes são as tendências do sistema internacional, a luta por uma nova ordem mundial, as experiências revolucionarias do século XX, ressaltando o estudo das contribuições de Lênin e o papel dos países de orientação socialista, destacadamente a China, que desempenha um lugar central na nova luta pelo socialismo. Junto com isso, ocorre a atualização do programa socialista do PCdoB, centrado no seu caminho relativo ao ideário nacional desenvolvimentista.
Para isso, Renato citou iniciativas significativas da Fundação, como a adaptação dos cursos da Escola João Amazonas, para versão virtual, atualizando currículos, por meio de seus núcleos de ensino e pesquisa. “[A escola] continua a todo o vapor, em grande mobilização do partido”.
Citou ainda a instituição da Cátedra Claudio Campos, que coroa a homenagem ao líder do PPL e a integração entre os partidos. O papel fundamental da cátedra agrega a concentração no estudo do nacional-desenvolvimentismo. Foi através dela que se editou o livro Pensamento Nacional-Desenvolvimentista, com 31 textos de 16 autores, além da realização do Seminário O Nacional-Desenvolvimentismo e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, com 11 mesas e dezenas de especialistas.
Renato explica que esta série de debates foi fundamental para a elaboração das propostas que têm sido feitas sobre a plataforma emergencial, nesse período, chegando ao Congresso do partido.
Ele mencionou ainda que, neste período de apropriação tecnológica para formação, ocorreram diversos cursos, tematizando a obra O Capital de Karl Marx e o pensamento de Antonio Gramsci, assim como os temas da saúde e socialismo e a imprescindibilidade do SUS, com participação de 5 mil alunos inscritos e a parceira com a Escola Castro Alves, da UJS (União da Juventude Socialista). Para ele, o êxito de visualizações e participação é espetacular.
Foram publicados oito livros, finalizados outros três e novas edições de obras anteriormente publicadas. Ele destacou a publicação de livro, em parceria com a ADJC (Associação de Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania), sob o tema Reconstruir a Democracia – União de Amplas Forças Políticas e Sociais.
Na opinião de Renato, o livro China, O Socialismo do Século XXI, de Elias Jabbour e o economista italiano Alberto Gabrielli, é uma das mais avançadas obras sobre o assunto a ser publicada internacionalmente.
Outro investimento na modernização tecnológica da intervenção da Fundação, assinalada pelo dirigente, foi a TV Grabois, que ganhou forte impulso em 2021, sob o comando de Manuela D’Ávila, que formou e capacitou cinco youtubers, que tratam de temas específicos como China, América Latina, gênero e antiracismo, cultura e comunicação. “Este foi um projeto que aprofundou nossa presença nas redes, com perfis nas mais importantes, com conteúdo próprio e crescimento acelerado de dezenas de milhares de visualizações, mesmo nesse trabalho inicial”.
Junto com isso, ocorre a nova atualização do portal Grabois, sob a direção da jornalista Renata Mielli. Ele também destacou o protagonismo de Júlio Vellozo e Fábio Palácio na reformulação da revista Princípios, que completou 40 anos de circulação, em nova fase com renovação de projeto editorial e gráfico. Agora, ela é indexada com revistas científicas nacionais e internacionais, para construir pontes de relações com universidades e centros de pesquisa. “Uma iniciativa inédita em todos os partidos nessa dimensão”.
O Centro de Documentação e Memória (CDM) continua com seu grande acervo, num “trabalho consistente e perseverante”, voltado para o centenário do PCdoB, em pesquisa por documentos inéditos e elaboração do livro iconográfico sobre a história do Partido.
Outra iniciativa importante da Fundação, foi o Observatório da Democracia, que agregou a parceria da Fundação Perseu Abramo, para mobilizar a ação conjunta de dez fundações partidárias do campo progressista. Renato ainda citou o esforço de capilaridade ativa da Grabois nos estados para intensificar este debate de ideias por todo o país. Com tudo isso, a Fundação tem cumprido o papel de contar com a colaboração de grandes intelectuais e quadros do partido, agregando personalidades do mundo acadêmico para além das fronteiras de filiação.
A Fundação ainda organizará uma comissão para atualização do programa do PCdoB de 2009, após o 15º. Congresso, que deverá demandar a realização de uma conferência para aprovação dessa atualização.
Renato concluiu homenageando a memória de dois grandes quadros, que deixam um grande legado intelectual, e um grande vazio, para a Fundação Maurício Grabois e o PCdoB: o historiador Augusto Buonicore e o jornalista José Carlos Ruy, falecidos no último período. “Quero aproveitar com muita emoção e alegria de dizer que este Congresso tem como patrono Haroldo Lima, camarada da minha geração e um dos maiores quadros do nosso partido”.
(por Cezar Xavier)
Acompanhe abaixo a intervenção de Renato Rabelo e a homenagem à militância feita por Aldo Arantes e Rozana Barroso ( a fala de Renato Rabelo inicia por volta dos 10 min do vídeo - Coletivizando)
terça-feira, 22 de junho de 2021
RENATO RABELO: O PCdoB vive décadas transpondo travessias, mas seguro de seu rumo!
Não se pode entender a história do Partido Comunista do Brasil sem entender a história política do Brasil, mas também não se pode entender a história brasileira sem se ter em conta a ação dos comunistas. Salientamos esta realidade histórica desde a comemoração dos 90 anos do PCdoB.
Ao longo da sua trajetória, o PCdoB enfrentou diversas situações. Extensos períodos de governos autoritários, de ditaduras que levaram à perseguição, cassação de mandatos, prisões, repressões e mortes de heróis e mártires, levando à resistência prolongada dos comunistas; e períodos de abertura, de ascenso democrático; fases de luta ideológica complexa, com as apostasias nas fileiras comunistas à época da crise do socialismo na União Soviética e do ápice da ofensiva neoliberal na década de 1990; até as experiências recentes de participação no governo nacional no período progressista.
O Partido passou por implacáveis riscos de delicadas travessias tendo que exercer sua reestruturação em consequência da forte ação repressora, na Conferência da Mantiqueira, em 1943; no final da ditadura militar na década de 1980; e até na sua reorganização em função da tentativa em seu próprio seio de renunciar à sua identidade política e ideológica, em 1962.
A luta constante pela renovação
Mas o Partido também buscou sempre sua renovação e contemporaneidade, como no 8º Congresso Nacional, realizado em 1992, diante da constatação de novo tempo e da nova luta pelo socialismo no final do século passado. A 8ª Conferência, realizada em 1995, que aprovou o Programa Socialista, representou um novo patamar teórico. Ela proporcionou respostas justas aos dilemas da realidade surgida com a crise do socialismo, sendo um acerto de contas com o dogmatismo reducionista um salto avançado do pensamento estratégico do PCdoB.
E seguindo essa linha adotada, levando em conta as grandes mudanças no início do século atual e as novas experiências de construção do socialismo, sobretudo a demonstração do socialismo como forma histórica na China – emergência de uma nova, complexa e inovadora experiência econômico-social e a ascensão da China. Assim, o debate na Fundação Maurício Grabois e no Partido desembocou no 12º Congresso, que aprovou por unanimidade o novo Programa de 2009, cuja essência é: O Rumo socialista e o caminho cuja aplicação é um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Na atualidade, pelo ritmo das mudanças na luta de classes no mundo e no Brasil, já estamos diante da tarefa de reatualizar e redimensionar o Programa vigente desde 2009. Assim é o PCdoB, caminhando para seu centenário e sempre se renovando.
Foco no curso da situação mundial e nacional
Hoje, o PCdoB tem procurado sempre vivenciar outra linha de sua atuação: a análise concreta da situação do mundo e do Brasil.
Onde chegamos? A característica principal mundial atual é o declínio relativo dos Estados Unidos e a ascensão da China; tal quadro conforma a principal tendência da geopolítica contemporânea. Diante disto, os EUA têm como objetivo estratégico central conter a todo custo a ascensão da China e relançar sua hegemonia no sistema mundial. E para alcançar esses objetivos torna-se mais agressivo e intervencionista unilateralmente, provocando profundas implicações para a paz e a estabilidade internacional.
Desse quadro, ressalta uma conclusão importante: o socialismo nas condições históricas da China, que impressiona amplamente, junto aos esforços de outros países socialistas, demonstra que há esperança para os povos e nações, sendo uma alternativa que enseja um ciclo de Nova Luta pelo Socialismo – sendo seu tempo presente e futuro.
Em contraste a desesperança da dura realidade do capitalismo contemporâneo, propiciou em escala global uma onda política conservadora, de direita de cunho fascista. A derrota do ex-presidente Donald Trump nos EUA, sob o impacto da pandemia, permitiu de certo modo uma desarticulação dessas forças no mundo.
Em nosso país onde chegamos? O presidente Bolsonaro se mantém como um dos maiores bastiões dessas forças de ultradireita globais. O caráter autoritário do seu projeto de poder insiste em conduzir as instituições ao impasse, busca depreciar o ambiente democrático, emitindo sinais de uma preparação de tipo golpista, a fim de se manter no poder por todos os meios. Seu governo impeliu o Brasil para uma crise de múltiplas faces.
É grave a regressão a que submeteu o Brasil enquanto país soberano e democrático. O Estado nacional está ao sabor do capital especulativo e do rentismo. A pandemia em nosso país adquiriu a envergadura de uma tragédia humana. A política ultraliberal de Bolsonaro-Guedes, apressa a desnacionalização da economia e a desindustrialização; agrava sobremodo a exclusão e as desigualdades sociais.
PCdoB na linha de frente para derrotar Bolsonaro
O PCdoB se encontra na primeira fileira da luta decisiva de isolar e derrotar Bolsonaro. Esta é a questão mais premente para salvar o Brasil. Mais uma vez o PCdoB com base na sua vasta experiência lançou a tática de frente ampla que vai ganhando grande influência entre as oposições. É preciso levar em conta que essa é a forma de acumular forças do lado democrático e progressista na rota da transição para suplantar a fase da defensiva tática, fortalecendo a esquerda.
Junta-se a isso o crescimento da mobilização do povo e das classes trabalhadoras, superando o refluxo por conta do isolamento social na pandemia. Contudo, agora, voltando a ocupar as ruas, com cuidados sanitários, como nas duas últimas mobilizações massivas que se irrompeu por todo país, além das capitais dos Estados. Como tem assinalado nosso Partido a tática de frente ampla respaldada pela mobilização política do povo, levantando suas bandeiras mais candentes e urgentes, torna-se a orientação e o modo político necessários para enfrentar e derrotar Bolsonaro, contendo-o na sua manobra golpista, visando pôr fim ao regime democrático.
Em um governo cujo centro de gravidade do poder político nacional se encontra uma força de extrema direita, obscurantista e visceralmente antidemocrática e anticomunista, como em outros períodos semelhantes, o PCdoB se encontra numa situação de muita desvantagem estratégica e tática. Impõe-se uma situação, ainda de defensiva tática, mas de resistência e de luta a fim de acumular condições que possam assegurar a sua sobrevivência institucional.
Por essa situação de grave retrocesso, o PCdoB avalia ser preciso construir a unidade das forças progressistas e democráticas, superando a crise e abrindo o caminho para a Reconstrução Nacional, sustentado por forças amplas, com o resgate do Estado Nacional democrático e o encontro com a estabilidade democrática. Esta é a primeira grande jornada para o deslanche e crescimento das forças progressistas e, em especial, do nosso Partido.
E soma-se a isto, contra o PCdoB, o dilema das restrições à democracia para o papel institucional do Partido. É a Constituição de 1988 que consagrou o pluralismo partidário no Brasil. No entanto, jamais cessaram as pressões dos setores conservadores para restringir e elitizar o sistema eleitoral partidário, com cláusulas de barreira e eliminação abusiva das alianças nas eleições proporcionais parlamentares. Esta legislação eleitoral restritiva e casuística atinge forças políticas estruturadas com base em programa e ideário bem definidos, cuja presença eleva o patamar do sistema político-partidário em nosso país.
A atuação em frentes, tanto políticas e eleitorais, quanto no embate social, são parte formadora da identidade da luta dos comunistas. Como também as amplas frentes unitárias estão na formação histórica da Nação brasileira, no rumo do avanço civilizacional.
A bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Renildo Calheiros, em intenso diálogo com praticamente todas as legendas do Congresso Nacional, procura formar uma maioria que aprove as Federações partidárias. Todo o Partido está empenhado para suplantar as atuais restrições à democracia e garantir sua representação institucional, baseado no pressuposto da sua continuidade histórica, identidade e autonomia.
Em suma, o Partido Comunista do Brasil em seu longo percurso na sequência da história da nossa Nação, passou por escarpados entroncamentos, por períodos extensos de regimes de chumbo, de escassa liberdade política, por situações díspares, por períodos de fim de linha e de recomeços, sempre manteve sua continuidade e sua permanência, e pelo tempo percorrido, uma trajetória partidária única no Brasil. Por tudo isso, o PCdoB tem demonstrado ser indispensável à democracia, à luta dos trabalhadores e à defesa do Brasil.
Estamos seguros do rumo e do caminho da nossa luta
Os dirigentes e militantes do Partido e das suas fileiras estamos seguros do rumo e do caminho que nossa luta deva seguir, agora e no futuro. Milhares de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, intelectuais, artistas, lideranças públicas, fizeram a história de quase 100 anos do Partido Comunista do Brasil. Alguns atuaram nessas fileiras por algum tempo, mas a força do Partido está centrada na militância e nas lideranças reconhecidas que, a ele dedica toda sua vida de lutas, muitos oferecendo a própria vida.
O Partido formou e promoveu lideranças renomadas, cujo currículo de maior representação pública foi construída no Partido, contribuindo para engrandecê-lo. Alguns destes tendo permanência episódica. Outros por sua dimensão, provocaram abalos com sua saída, mas não atingiram as raízes profundas do PCdoB. Nestes casos, o corpo partidário se levanta em contundente defesa do Partido.
Assim também uma grande liderança do Partido, como Manuela D’Ávila, afirma salientando um princípio básico da organização partidária, consagrado na história da corrente universal dos comunistas: “Não acredito em saída individual para problemas coletivos”. E que, “O Partido encontrará soluções para seus desafios”. Ou diante da avalanche de comentários nas redes sociais neste momento, Luciana Santos, presidente da nossa legenda afirma, o que realmente se passa: “O PCdoB, prestes a completar seu centenário, seguirá sua jornada alicerçado em seu valioso coletivo de militantes e no seu elenco de respeitadas lideranças”.
Assim prosseguiremos, unindo-nos aos aliados possíveis e necessários para defrontar os desafios iminentes de conformar uma Plataforma Programática de Governo, com três movimentos integrados e coetâneos: medidas emergenciais em defesa da vida, deflagração do processo de reconstrução nacional e as primeira medidas para retomada do desenvolvimento de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.
Para implementar esta Plataforma, defender a vida e reconstruir a economia nacional, é necessário e urgente consolidar esforços para a construção de uma ampla frente democrática com os mais amplos setores da sociedade a fim de isolar e derrotar o desgoverno genocida de Jair Bolsonaro (Proposta encaminhada ao Comitê Central do PCdoB a ser apresentada ao 15º Congresso do Partido, neste ano).
A construção de saídas vincará a dinâmica do processo congressual do 15º Congresso, com uma linha de soluções coletivas, coesão e tempo hábil para aprovação da alternativa.
Enquanto existir capitalismo, o PCdoB é objetiva e subjetivamente uma exigência da história.
sábado, 2 de janeiro de 2021
Renato Rabelo: Camarada Amazonas, presente!
Foto: reprodução
Uma breve memória do pensamento e do legado de João Amazonas
Quase uma constância, inúmeras vezes visitava o camarada João Amazonas no primeiro dia do ano – data do seu nascimento, no ano de 1912. Eu era acompanhado muitas vezes por Conchita (minha esposa e camarada) e recebido por João e Edíria Carneiro, sua companheira até a morte, sempre muito simples, afável e afetuosa. Nos serviam chá e biscoitos e a conversa rolava geralmente durante mais de três horas com divagações, atualizações dos mais variados assuntos, rememorações, até mesmo se desenhavam sortidas abstrações, em um ambiente terno, de prazer e confiança mútua.
Por Renato Rabelo*
Tive a ventura de conviver com o camarada João desde maio de 1973, no primeiro encontro, celebrado entre João Amazonas e Pedro Pomar, pelo PCdoB, e Haroldo Lima e eu, pela AP num “aparelho” clandestino do Partido, em plena ditadura militar, no curso da incorporação da Ação Popular Marxista-Leninista ao Partido Comunista do Brasil. A partir desse desenlace logo me dediquei ao lado de João na formação de uma retaguarda de apoio à resistência armada no Araguaia. Logo após — em novas circunstâncias em função da Queda da Lapa, onde vários camaradas dirigentes foram assassinados pela Ditadura Militar nos impedindo de retornar ao país já que estávamos em missão no exterior — junto com João Amazonas e Diógenes Arruda vivemos e atuamos na condição de exilados em Paris, França, durante quase dois anos.
Na volta ao Brasil, pós-anistia, no final de 1979, se desenrola um novo ciclo de existência do PCdoB, começando com a paciente reestruturação do Partido, redemocratização e início do maior período de legalidade da história do Partido Comunista no Brasil. João Amazonas não viveu para ver a vitória da campanha presidencial consumada no final de 2002, com o que, desde os primórdios a partir de 1989, ele contribuiu substancialmente para esse resultado.
Minha vivência com Amazonas
Tornou-se para mim uma fortuna essa larga vivência de quase 30 anos, ao lado e na luta com esse eminente dirigente comunista, arguto elaborador político e teórico, ideólogo e construtor protagonista do Partido Comunista desde a década de 1940. Essa trajetória foi marcante na minha formação política, teórica, metodológica, ideológica, descortinando para mim novos horizontes, forjando as condições necessárias para galgar o maior desafio da minha experiência política e humana: assumir a presidência de um partido lastreado de insignes dirigentes, com um rastro de heróis e mártires, na comunhão do grande desiderato histórico de abrir a senda para edificação de uma nova sociedade pós-capitalista, socialista, até a “utopia” marxista, o comunismo. Estes fatos deixaram em mim não a resignação, mas a convicção: O tempo apreendido com o pensamento avançado, levado à sinergia da força motriz de grandes contingentes dos que trabalham, ainda dará conta à história de profundas transformações, disruptivas, revolucionárias.
A prática e o pensamento de João Amazonas organizaram-me a lógica da procura da compreensão do todo, de uma situação concreta – um simples acontecimento, ou uma época. Assim intentar levar a cabo um conhecimento profundo, sem apenas reduzi-lo à aparência do imediatismo, contextualizando-o num longo prazo. Ou seja, a tentativa da elaboração que possa realizar a sistematização histórica e teórica. Para João tudo vindo do humano, da história, do acontecido concreto ou imaginário, deve passar pelo nosso olhar e crivo, transitando do espontâneo ao consciente, a fim de que possa permitir uma resposta, uma solução, um discernimento lógico objetivo.
O rico e extenso legado de Amazonas
A práxis constante de longa atividade política nas diversas circunstâncias de tempo e lugar, do seu incessante estudo, permitiu a João, de forma persistente, colocar o Partido no curso dos acontecimentos políticos, permitindo então, uma prática que fosse a base para definições sistêmicas, estratégicas, táticas e programáticas. Nesse sentido, o pensamento de Lênin tinha-lhe sido uma referência maior. Ele conceituava a última grande obra do líder da Revolução de Outubro, Esquerdismo, doença infantil do comunismo (1920), como uma “verdadeira enciclopédia da estratégia e da tática”. E afirmava: “É uma obra tão densa, baseada em gigantesca experiência revolucionária que, em dezenas de leituras feitas, sempre se descobre algo novo”. Tornou-se clássica sua caracterização de que a tática deve ser “ampla, combativa e flexível” e, de que, a luta dos trabalhadores para conseguir êxito deve seguir uma relação dialética: “ampliar para radicalizar, radicalizar para ampliar”. Assim, querer radicalizar sem acumular e ampliar forças políticas e sociais, nos leva ao isolamento e à derrota. E já diante da radicalização é preciso sempre mais ampliação de forças para avançar.
João Amazonas na sua rica atuação prática adquiriu agudo censo tático em função do objetivo estratégico e, deste, não se afastar. Em correta relação entre estratégia e tática. Ele nunca teve ilusões do papel antinacional e antidemocrático das classes dominantes conservadoras no Brasil. E nunca perdeu de vista o alvo de investida principal, o adversário a ser isolado e derrotado. Na campanha pelas Diretas Já (1984-1985), a militância comunista participou de forma consequente e intensa. Quando a Emenda que devolvia aos brasileiros o direito de votar para presidente da República foi derrotada no Congresso Nacional, com a indicação de Amazonas, o PCdoB defendeu naquele momento, que o foco da luta se transferia para o próprio Colégio Eleitoral, instituição do regime militar. Este tornava-se o meio viável naquela situação dada, porquanto podia formar pela primeira vez uma maioria no dito Colégio, pelo qual se poderia vencer a ditadura, abrindo o caminho para conquistas maiores. Manter nossa ausência no Colégio Eleitoral ainda permitiria a sobrevida do regime ditatorial.
E adiante, após 3 derrotas consecutivas de Lula à presidência da República, a proposta defendida por Amazonas de que a esquerda sozinha, dificilmente ganharia as eleições presidenciais e, menos ainda, poderia governar o país, em face da estrutura da correlação de forças existente, demonstrava ser correta. Disso e das próprias lições da derrota levaram o PT estender a aliança, permitindo o alcance da primeira vitória de Lula, em 2002. O núcleo da aliança foi formado com o Partido Liberal contando com José Alencar como candidato a vice-presidente, e o segundo turno eleitoral garantiu a vitória final, com aliança mais alargada ao centro-direita do espectro político de então. De forma indubitável, explícita ou implícita, três chaves conceituais do arsenal leninista, assumidas na orientação do PCdoB, instruídas por Amazonas, justificam e fundamentam a aplicação dessas orientações adotadas: “análise concreta da situação concreta”; “a essência da tática é a correlação de forças”. “Para o êxito da luta revolucionária é imperativo a celebração das alianças”. O que conta é a influência que o aliado tenha sobre um setor determinado da sociedade, ou melhor: o seu peso quanto a possibilidade de desequilibrar a correlação de forças existente. Podendo ser um aliado “temporário” e “vacilante”.
Amazonas também deixou importante contribuição teórica, na qual se empenhou vivamente, acerca do período de extinção do socialismo na URSS e no Leste europeu. Sob sua direção, a realização do significativo VIII Congresso do PCdoB, em 1992, trouxe à luz do dia o pano de fundo da débâcle: sem o desenvolvimento da teoria, os problemas estruturais postos pelo desafio de construir o socialismo não puderam ser enfrentados de forma condizente com a exigência histórica daquele período.
E foi adiante, o seu estudo desenvolve a elaboração teórica da fase objetiva de transição do capitalismo ao socialismo, no seu brilhante trabalho, Capitalismo de Estado na transição para o socialismo: notável contribuição de Lênin à teoria revolucionária do progresso social. A fundamentação central defendida por João Amazonas, nesta obra, foi um começo que permitiu o conhecimento mais consistente, antes “adormecido”, do processo contraditório na formação econômico-social, sob a condução do novo poder estatal, com etapas determinadas, na transição socialista. Hoje, podemos compreender que foi uma visão prenunciadora de Amazonas, refletida no estudo e pesquisa que estamos realizando na atualidade, que enfoca o conceito de “nova formação econômico-social”, e os seus fundamentos de uma “ressignificação da transição socialista”, no contexto da nova luta do socialismo contemporâneo na China, Vietnã e Cuba.
É extenso e rico o legado político e teórico deixado por João Amazonas. Muito poderia ainda destacar por exemplo, a respeito da sua clarividência sobre o papel e o lugar da organização partidária dos comunistas na luta política e ideológica, instrumento insubstituível para a conquista do poder político estatal e o êxito revolucionário. A consequência dessa concepção traduzida em como cuidar sempre e melhor do partido – atenção incessante pronunciada e estimulada por ele. A sua luta e seu desvelo pela aplicação do Programa do Partido. O papel crescente das mulheres e da juventude na formação da força motriz empenhada nas profundas transformações sociais e a relação primordial do Partido com as massas trabalhadoras, a prioridade da formação marxista-leninista dos quadros e militantes … É extensa a lista da sua dedicação e contribuição à construção do Partido.
Neste dia em que comemoramos o nascimento de João Amazonas enaltecemos a sua gloriosa e saudosa memória junto com nossa militância e nosso Partido.
*Renato Rabelo é presidente da Fundação Maurício Grabois e ex-presidente do PCdoB
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(PL)
Blog Renato Rabelo
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Renato Rabelo: Gilse, orgulho de uma grande combatente de minha geração
| Gilse ao centro, com Juliana e Gilda, suas filhas |
| Gilse, Presidenta do PCdoB no Ceará |
quinta-feira, 9 de abril de 2015
PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacional - PCdoB. O Partido do socialismo.
PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacional - PCdoB. O Partido do socialismo.
PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacionalO Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) reunido no último fim de semana (27 a 29), aprovou a resolução que convoca a 10º Conferência Nacional do partido que se realizará entre os dias 29 a 31 de maio deste ano em São Paulo.
A resolução a ser discutida no processo de conferência foi divida em quatro partes. A primeira debate a conjuntura política internacional e nacional e propõe a constituição de uma “frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia”. A segunda parte trata da organização: “Atualizar e efetivar as linhas de construção partidária”. O terceiro item da resolução aborda a sucessão da presidência nacional do partido. Já o último trecho apresenta os aspectos da regulamentação do processo da 10ª Conferência.
No que tange à situação política nacional, o documento destaca que a “presente escalada da direita se desencadeou na própria sucessão presidencial de 2014, que se intensificou com a recusa do consórcio oposicionista em aceitar a quarta derrota consecutiva nas urnas e projeta-se para um tempo e desfecho indefinidos. Com essa investida, a direita neoliberal objetiva ceifar os ciclos democrático e progressista, reconquistando o governo ou em 2018 ou antes pela via do golpismo”.
Segundo o projeto de resolução, as denúncias de desvios de recursos da Petrobras na chamada Operação Lava Jato serviu para agravar a crise política e dar vazão à investida “manipulada e seletiva” de setores da direita para atingir a base do governo, especialmente a presidenta Dilma e o PT, mas “a crise estende-se também ao Poder Legislativo”, uma vez que há indícios de envolvimento dos presidentes das duas Casas do Congresso. Ainda segundo o documento, “o baixo crescimento econômico” do pais é outro fator estrutural da crise que, instrumentalizada, agrava a instabilidade”.
Neste sentido, o documento preparatório da 10ª Conferência nacional do PCdoB propõe “defender a democracia e o legítimo mandato constitucional da presidenta Dilma” e ainda “rechaçar e vencer o golpismo da direita seja repelindo e desmascarando a pregação de um impeachment fajuto, posto que sem base jurídica, seja derrotando outra vertente desse golpismo, que é a de tentar paralisar o governo, desestabilizá-lo – vertente essa que também se expressa pela conduta truculenta, autodeclarada do PSDB, de ‘sangrar’ a presidenta, de enfraquecê-la continuadamente”.
Para impulsionar a contraofensiva, o projeto de resolução apresenta ainda “a retomada da iniciativa política a ser empreendida pelas forças democráticas e progressistas em torno de bandeiras unificadoras que se relacionam com a tarefa central de rechaçar com firmeza o golpismo, de defender o mandato da presidenta e de conquistar a estabilidade do governo”. Essas bandeiras são a defesa da Petrobras, da engenharia, da economia nacional; o combate à corrupção com o fim do financiamento empresarial das campanhas; a retomada do crescimento econômico e a garantia dos direitos trabalhistas e sociais.
Segue a íntegra do documento (anexo).
Do Portal Vermelho
PROJETO DE RESOLUÇÃO DA 10ª CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCDOB
sábado, 28 de fevereiro de 2015
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