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terça-feira, 19 de agosto de 2014
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país
Dados do Banco Central mostram reflexo positivo da queda dos juros para o país
O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (16) que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do país registrou alta de 1,15% em novembro do ano passado, em relação ao mês de outubro. Não por acaso, o crescimento se deu em meio ao processo de redução da taxa de juros iniciado pelo próprio BC, no segundo semestre de 2011.

Alexandre Tombini, presidente do BC: nova fase na política de juros do país?O IBC-Br é um indicador criado pelo Banco Central para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic). Antes divulgado por estados e por regiões, desde o início deste ano o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além dos impostos.
"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção+importações)", explica o Banco Central.
Para Wagner Gomes, presidente da CTB, a realidade fria dos números mostrados pelo BC se soma ao que a população em geral tem sentido na prática: com juros menores, a economia do país se aquece, mais empregos são gerados e o que se vê é um cenário mais positivo em todos os aspectos. “Nossa história recente mostra que juros altos só beneficiam uma parcela muito pequena da sociedade”, comentou o dirigente.
O presidente da CTB reconhece que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC agiu corretamente em suas últimas três reuniões, ao decidir por consecutivas reduções da taxa de juros, mas entende que ainda há uma boa margem para novas quedas. “O Brasil ainda lidera um ranking vergonhoso, de país com a maior taxa de juros real do mundo. É por isso que esperamos uma nova queda para esta quarta-feira”, afirmou.
Expectativa
O IBC-Br é um dos indicadores de atividade econômica utilizados pelo Copom para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic. O BC inicia nesta terça-feira (17) a primeira reunião de 2012. A definição sobre a taxa de juros será conhecida na noite de quarta-feira.
Atualmente, a taxa Selic está em 11% ao ano. A expectativa dos analistas ouvidos pelo BC é de que os juros recuem 0,5% nesta semana, para 10,5% ao ano. Se essa projeção se confirmar, será o quarto corte consecutivo na Selic. O BC começou o ciclo de redução da taxa de juros na reunião de agosto do ano passado.
Analistas têm dito, de forma quase unânime, que ainda haverá mais dois cortes em 2012, até que a taxa de juros estacione em 9,5%. Para Wagner Gomes, é importante que o BC não se deixe influenciar pelos interesses do mercado financeiro. “Esperamos que os membros do Copom vejam a realidade da economia brasileira, da classe trabalhadora, das indústrias, do mercado de trabalho em geral para tomar uma decisão que não coloque em risco o desenvolvimento do país”, afirmou.
Ato
Diante desse delicado cenário, mais uma vez as centrais sindicais se reunirão em São Paulo, em frente à sede local do BC, para exigir uma nova queda da taxa de juros.
O ato está marcado para as 10h, na Avenida Paulista. Clique aqui para mais detalhes.
Fernando Damasceno – Portal CTB, com agências
Alexandre Tombini, presidente do BC: nova fase na política de juros do país?
"A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores da economia acrescida dos impostos sobre produtos, que são estimados a partir da evolução da oferta total (produção+importações)", explica o Banco Central.
Para Wagner Gomes, presidente da CTB, a realidade fria dos números mostrados pelo BC se soma ao que a população em geral tem sentido na prática: com juros menores, a economia do país se aquece, mais empregos são gerados e o que se vê é um cenário mais positivo em todos os aspectos. “Nossa história recente mostra que juros altos só beneficiam uma parcela muito pequena da sociedade”, comentou o dirigente.
O presidente da CTB reconhece que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC agiu corretamente em suas últimas três reuniões, ao decidir por consecutivas reduções da taxa de juros, mas entende que ainda há uma boa margem para novas quedas. “O Brasil ainda lidera um ranking vergonhoso, de país com a maior taxa de juros real do mundo. É por isso que esperamos uma nova queda para esta quarta-feira”, afirmou.
Expectativa
O IBC-Br é um dos indicadores de atividade econômica utilizados pelo Copom para definir o rumo da taxa básica de juros, a Selic. O BC inicia nesta terça-feira (17) a primeira reunião de 2012. A definição sobre a taxa de juros será conhecida na noite de quarta-feira.
Atualmente, a taxa Selic está em 11% ao ano. A expectativa dos analistas ouvidos pelo BC é de que os juros recuem 0,5% nesta semana, para 10,5% ao ano. Se essa projeção se confirmar, será o quarto corte consecutivo na Selic. O BC começou o ciclo de redução da taxa de juros na reunião de agosto do ano passado.
Analistas têm dito, de forma quase unânime, que ainda haverá mais dois cortes em 2012, até que a taxa de juros estacione em 9,5%. Para Wagner Gomes, é importante que o BC não se deixe influenciar pelos interesses do mercado financeiro. “Esperamos que os membros do Copom vejam a realidade da economia brasileira, da classe trabalhadora, das indústrias, do mercado de trabalho em geral para tomar uma decisão que não coloque em risco o desenvolvimento do país”, afirmou.
Ato
Diante desse delicado cenário, mais uma vez as centrais sindicais se reunirão em São Paulo, em frente à sede local do BC, para exigir uma nova queda da taxa de juros.
O ato está marcado para as 10h, na Avenida Paulista. Clique aqui para mais detalhes.
Fernando Damasceno – Portal CTB, com agências
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho
O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.
O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.
Previsões em baixa
O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.
Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).
Cenário crítico
O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.
As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.
Política econômica
A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.
Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.
Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.
Déficit comercial da indústria
As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.
O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.
Correndo atrás do prejuízo
A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.
A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.
Fiesp
Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.
“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.
Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.
O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.
Previsões em baixa
O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.
Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).
Cenário crítico
O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.
As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.
Política econômica
A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.
Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.
Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.
Déficit comercial da indústria
As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.
O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.
Correndo atrás do prejuízo
A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.
A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.
Fiesp
Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.
“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.
Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Opinião do governo: Brasil Maior desonera folha de confecções, calçados, móveis e softwares
www.presidencia.gov.br
Presidenta Dilma Rousseff lança o Plano Brasil Maior, a nova política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do país. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A nova política industrial brasileira – o Plano Brasil Maior, lançado nesta terça-feira (2/8) pela presidenta Dilma Rousseff – reduz a zero a alíquota de 20% para o INSS de setores sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional e intensivos em mão de obra, como confecções, calçados, móveis e softwares. Em contrapartida, será cobrada uma contribuição sobre o faturamento com alíquota a partir de 1,5% de acordo com o setor.
O plano garante que o Tesouro Nacional arcará com a diferença para cobrir a eventual perda de arrecadação da Previdência Social. A medida funcionará como um projeto piloto até dezembro de 2012 e seu impacto será acompanhado por uma comissão tripartite, formada por governo, setor produtivo e sociedade civil.
“Esse plano tem uma principal característica, que é a de ser um plano corajoso, um plano ousado, um plano audaz, que não fugiu ao desafio imposto pelo cenário internacional (…). Vamos defender nosso mercado interno”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que as medidas são uma resposta “à concorrência predatória” imposta pelos países desenvolvidos frente à crise econômica internacional. Na opinião dele, a atual conjuntura financeira mundial prejudica em especial o setor manufatureiro, que “busca mercados a qualquer custo”.
“Vamos tomar conjunto de medidas para dar mais condições de competitividade à indústria brasileira”, afirmou.
Além da desoneração da folha, o Brasil Maior prevê uma série de ações iniciais que vão desde a desoneração das exportações, com a criação do Reintegra, até a regulamentação da Lei de Compras Governamentais, passando pelo fortalecimento da defesa comercial e pela criação de regimes especiais setoriais, com redução de impostos.
Veja abaixo as principais medidas do Brasil Maior
Devolução em dinheiro
Criado por medida provisória, o Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras) irá devolver ao exportador de bens industrializados 0,5% da receita da exportação, nos mesmos moldes da restituição do Imposto de Renda. Por meio de decreto presidencial, a presidenta da República poderá elevar esse percentual para até 4%. O valor em espécie será depositado na conta do exportador, mas quem desejar também poderá usar os recursos para quitar débitos existentes junto à Receita Federal.
O objetivo do regime é desonerar as exportações de bens industrializados de tributos pagos ao longo da cadeia de produção que, hoje, não são desonerados pelas sistemáticas vigentes, como ISS, IOF e CIDE, entre outros. O benefício é linear e está de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio.
Compras governamentais
Para fortalecer a indústria brasileira, o decreto de regulamentação da Lei 12.349/2010, a Lei de Compras Governamentais, estipula uma margem de preferência de até 25% nos processos de licitação para produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam às normas técnicas brasileiras.
Essas margens serão definidas levando em consideração a geração de emprego e renda e o desenvolvimento e a inovação tecnológica realizados no país. O dispositivo será usado também para fortalecer pequenos e médios negócios e será focado nas áreas de Defesa, Saúde e Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
Um dos exemplos de aplicação da nova política poderá vir com a preferência para o produto nacional em licitações do Ministério da Defesa para compra de fardas e coturnos.
Defesa comercial
A defesa comercial brasileira também será reforçada. A principal medida é o aumento do número de investigadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que passará de 30 para 120. O prazo de investigação para aplicação de medidas antidumping será reduzido de 15 para 10 meses e, para aplicação de direito provisório, cairá de 240 para 120 dias. Também será negociada no âmbito do Mercosul a flexibilização da administração das alíquotas de importação.
Serão reforçados ainda o combate à circunvenção, por meio da extensão do direito antidumping ou de medidas compensatórias a importações que estejam tentando burlar o mecanismo de defesa comercial, à falsa declaração de origem, com o indeferimento da licença de importação quando constatada a prática, e ao subfaturamento de preços. Outra medida prevê o aumento do número de produtos sujeitos à certificação compulsória.
Modernização do Inmetro
Para fazer frente à ampliação do número de produtos certificados, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) terá sua estrutura modernizada e ampliada. Passará a se chamar Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e atuará em aeroportos e portos para atestar a qualidade das mercadorias importadas que terão de respeitar as mesmas normas impostas aos produtos nacionais.
Para isso, a autarquia terá livre acesso às alfândegas de portos e aeroportos do país e será chamado a participar da formulação de acordos de livre comércio quando os temas forem “barreiras técnicas” e “harmonização de regulamentos”. O Inmetro também terá a função de autoridade notificadora dos regulamentos técnicos federais ao Comitê do Acordo sobre Barreiras Técnicas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O órgão ainda vai expandir suas atividades científicas e tecnológicas para apoio à inovação da indústria com a implantação de uma rede de laboratórios em todo o país.
Regime automotivo
O Plano Brasil Maior inclui um novo regime automotivo. Os benefícios ainda estão em estudo, mas envolverão veículos acabados e autopeças. Como contrapartida, um decreto presidencial vai definir as exigências para enquadramento no regime como aumento de investimento, agregação de valor, transferência tecnológica, emprego e inovação.
PIS-Cofins e desonerações
O Brasil Maior também contempla pedido antigo do setor produtivo ao prever a devolução imediata de créditos de PIS-Cofins sobre bens de capital – o prazo já havia sido reduzido de 48 meses para 24 meses e, posteriormente, para os atuais 12 meses.
O plano prevê o processamento automático dos pedidos de ressarcimento e o pagamento em 60 dias para empresas com escrituração fiscal digital a partir de outubro deste ano. A partir de março de 2012, a escrituração digital será obrigatória.
Ainda na área de desonerações, estão previstos o atendimento mais célere dos pedidos de ressarcimento dos 116 maiores exportadores que somam R$ 13 bilhões e a extensão, por mais 12 meses, da redução de IPI sobre bens de capital, material de construção, caminhões e veículos comerciais leves.
Inovação e financiamento
A política industrial reserva ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) papel de relevo no financiamento à inovação e ao investimento. Uma das principais medidas nesta área é a concessão de crédito de R$ 2 bilhões à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, para ampliação da carteira de inovação da instituição.
O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com orçamento de R$ 75 bilhões, será estendido até dezembro de 2012 e incluirá novos programas para componentes e serviços técnicos especializados; equipamentos de Tecnologias da Informação Comunicação (TICs) produzidos no país; e ônibus híbridos, entre outros.
O BNDES Revitaliza, também de financiamento ao investimento, terá R$ 6,7 bilhões e incluirá um novo setor: o de autopeças. As taxas de juros para micro e pequenas empresas serão de 6,5% ao ano e para grandes empresas, de 8,7% ao ano.
Conselho industrial
Mais medidas se somarão às anunciadas hoje nos próximos dias. Outras serão construídas em parceria com o setor privado ao longo do período de vigência do plano (2011-2014). As propostas serão elaboradas no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que tem a função de propor ao presidente da República políticas nacionais e medidas específicas destinadas a promover o desenvolvimento industrial do país e também irá estabelecer as orientações estratégicas gerais do Brasil Maior.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
A conta da inflação não pode recair sobre os trabalhadores - Por Augusto Vasconcelos, Vice-presidente do SEEB-BA
”A grande imprensa no Brasil está orquestrada em coro para anunciar o retorno da inflação descontrolada, elegendo como “bode expiatório” os trabalhadores e suas campanhas salariais. ”
A grande imprensa no Brasil está orquestrada em coro para anunciar o retorno da inflação descontrolada, elegendo como “bode expiatório” os trabalhadores e suas campanhas salariais. O mercado tenta a todo custo emparedar o governo a manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares aviltantes, favorecendo o rentismo em detrimento da produção.
Assim, utilizam de todas as artimanhas numa tentativa descabida de apontar os aumentos salariais como mola propulsora do risco inflacionário. Todavia, a recente Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE revela exatamente o oposto.
Enquanto a renda média mensal do trabalhador cresceu e a taxa de desemprego estabilizou-se em um patamar recorde de 6,4%, a inflação vem registrando sinais de queda. Na primeira quinzena de junho, o IPCA-15 foi de 0,23%, menos da metade do que foi registrado no início de maio (0,70%).
Como no segundo semestre teremos campanhas salariais de categorias importantes para a nossa economia, incluindo a dos bancários, a cantilena neoliberal mostra suas garras, anunciando um surto inflacionário caso os reajustes salariais sejam superiores às “migalhas” que as empresas pretendem propor.
Não podemos aceitar este engodo. Devemos arregaçar as mangas, nos mobilizar e compreender que somente triunfaremos com amplo envolvimento dos trabalhadores. Derrotar a mídia que defende os interesses dos seus patrocinadores, entre eles os bancos, não é tarefa fácil, mas já demos provas de que isto é possível.
*Augusto Vasconcelos é vice-presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, advogado e professor universitário.
Este artigo pode ser encontrado no sitehttp://www.bahiatododia. com.br/index.php?artigo=3021 , no grupo de rede social: Juventude CTB e no site www.bancariosbahia.org.br
Assim, utilizam de todas as artimanhas numa tentativa descabida de apontar os aumentos salariais como mola propulsora do risco inflacionário. Todavia, a recente Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE revela exatamente o oposto.
Enquanto a renda média mensal do trabalhador cresceu e a taxa de desemprego estabilizou-se em um patamar recorde de 6,4%, a inflação vem registrando sinais de queda. Na primeira quinzena de junho, o IPCA-15 foi de 0,23%, menos da metade do que foi registrado no início de maio (0,70%).
Como no segundo semestre teremos campanhas salariais de categorias importantes para a nossa economia, incluindo a dos bancários, a cantilena neoliberal mostra suas garras, anunciando um surto inflacionário caso os reajustes salariais sejam superiores às “migalhas” que as empresas pretendem propor.
Não podemos aceitar este engodo. Devemos arregaçar as mangas, nos mobilizar e compreender que somente triunfaremos com amplo envolvimento dos trabalhadores. Derrotar a mídia que defende os interesses dos seus patrocinadores, entre eles os bancos, não é tarefa fácil, mas já demos provas de que isto é possível.
*Augusto Vasconcelos é vice-presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, advogado e professor universitário.
Este artigo pode ser encontrado no sitehttp://www.bahiatododia.
Veja também:Intervenção de Augusto Vasconcelos na posse como vice-presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia
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