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domingo, 1 de janeiro de 2012

Centenário de João Amazonas - A teoria enriquece na luta por um mundo novo Por João Amazonas - 1990


www.grabois.org.br - Fundação Maurício Grabois 


Crise do marxismo. Muitos se alarmam. Mas o desenvolvimento da ciência não é um processo retilíneo, novos problemas e a avaliação da experiência passada exigem correções e, sobretudo, reelaboração da teoria da construção de novo sistema social.


Não é a primeira vez que o marxismo, como doutrina revolucionária da construção da sociedade, passa por uma crise interior. No primeiro decênio do século, Lênin tratou desse assunto no artigo "Acerca de Algumas Particularidades do Desenvolvimento Histórico do Marxismo”. Na atualidade, ocorre também uma crise que surge na metade dos anos 1950 e se aprofunda com a dominação do revisionismo por largo período na União Soviética e em outros países. Gerada por fatores objetivos e subjetivos, no plano da construção do socialismo, a crise manifesta-se com muita força em todos os campos da atividade político-social. Vive-se um clima de renegação de valores fundamentais, de apostasia e ceticismo, de negação de princípios básicos do materialismo histórico, de condenação de experiências revolucionárias válidas. A bússola da marcha da História como que perdeu sua referência essencial. Domina a confusão, a falta de perspectiva do caminho seguro para alcançar os fins projetados – a substituição do capitalismo em declínio pelo socialismo científico.

A doutrina de Marx desenvolve-se dialeticamente

A crise que defrontamos não é fenômeno de decadência do socialismo como muitos afirmam, desnorteados pela profundidade e duração da mesma. De certo modo, é uma crise de desenvolvimento da doutrina revolucionária que avança de maneira dialética. Objetivamente, surgem novas exigências na vida social que reclamam interpretações e soluções corretas. Tudo está em movimento na natureza e na sociedade qualquer que seja o regime nesta predominante. Daí a imprescindibilidade de conhecer as mudanças ocorridas e adotar novos procedimentos científicos. Se assim não se procede, a teoria perde a sua eficácia. A ciência social dá um salto qualitativo toda vez que adquire o conhecimento de determinada realidade em desenvolvimento e se mostra capaz de generalizar a experiência prática. Assim aconteceu na segunda década deste século, quando Lênin, analisando a transformação do capitalismo da livre concorrência em imperialismo monopolista, elaborou a teoria da revolução proletária em consonância com a nova época surgida dessa transformação. Que haveria sido do marxismo, como guia para a ação, se não se levasse em conta que o sistema capitalista entrava em outra etapa? Possivelmente, não se teria realizado a Revolução Socialista em um único país.

Também agora, quando o socialismo venceu uma importante fase da sua concretização, coloca-se na ordem-do-dia a reelaboração, com os novos dados da prática, da teoria da construção da sociedade do futuro.

O socialismo avançou e estagnou na URSS

Não há dúvida de que a União Soviética passou por importantes modificações no curso dos trinta e poucos anos de vigência do sistema socialista. Guiando-se pela teoria de vanguarda, resolveu complexos problemas que exigiam soluções originais. Organizou em novos moldes a economia do país que funcionou sem as crises cíclicas do capitalismo. Realizou uma das mais difíceis tarefas – a conversão da pequena e atrasada propriedade rural em grande propriedade social coletivizada. Num território em que a maioria da população era analfabeta, levou a bom termo a revolução cultural.
Promoveu o entendimento fraternal entre as múltiplas nações que compunham a URSS e incentivou o progresso em todas elas. Deu ao proletariado o status de classe dominante como previra Marx no Manifesto Comunista. Destaque particular teve a defesa do país que dependia da industrialização e do
preparo moral e político do novo homem disposto a todo sacrifício para assegurar a continuidade da Revolução. O prestígio da União Soviética e do socialismo proletário, revolucionário, estendeu-se pelo
mundo inteiro.

Entretanto, aí pelos anos 1950, começaram a aparecer fenômenos de estancamento. Desajustes na economia. Queda no ritmo da produção. Desinteresse pelo progresso social. Descontentamento na intelectualidade. Declínio do ânimo revolucionário. Era evidente que falhava o motor que aciona o avanço social. Os revisionistas apressaram-se em jogar a culpa do que sucedia no regime. Segundo eles, o capitalismo procedia melhor. E conspiraram visando a alcançar o poder. Os defeitos, no entanto, tinham de ser examinados sob outro prisma – o do marxismo, e corrigidos no quadro do sistema socialista.

De onde provêm os fenômenos negativos


O relativo estancamento, o afrouxamento da vontade revolucionária originam-se de dois problemas interligados. Erros cometidos na construção do socialismo. E desconhecimento de que se havia chegado a uma nova etapa da edificação socialista, o que exigia mudanças de profundidade.

Vai ficando claro que existia repressão política e ideológica na URSS sem nenhuma razão plausível. Era demasiada a concentração de poderes nas mãos de poucas pessoas. O Birô Político do PCUS e, dentro dele, um ou alguns dirigentes constituíam uma espécie de poder supremo, inatingível. A constituição dos órgãos dirigentes do Estado se fazia a partir das indicações de cima sem a indispensável participação democrática do povo. As massas ficavam distantes das decisões que diziam respeito à vida da população e do país. Suas entidades sociais – sindicatos, associações populares, femininas, juvenis e outras – não gozavam ou dispunham de pouca autonomia, careciam de iniciativas próprias e se convertiam em apêndices do Partido. Aos artistas, impunha-se o método do realismo socialista, correto na perspectiva do socialismo, mas não pode ser adotado por decreto, intempestivamente, transformado em arte oficial. A inspiração do artista, do escritor, tanto em relação ao conteúdo quanto à forma, é questão subjetiva, dependendo de como ele encara a realidade, ou de como foge da realidade pela abstração. Está provado que ainda se criam obras de grande valor cultural à margem do realismo socialista. Apesar do combate formal sempre empreendido contra a burocracia, ela pontificava por toda parte, prejudicando imensamente a participação das massas dos diferentes campos de atividade. Atingia fortemente o Partido que, pouco a pouco, perdia o espírito revolucionário.

O fato de dirigir como vanguarda, sem um correto modo de atuação, conduziu em muitos casos a colocar o Partido acima das massas. Florescia o método impositivo, de dar ordens vindas do alto, desprezando ou pouco utilizando o método da persuasão, do convencimento político e ideológico, que é o principal. Ser comunista e, sobretudo, dirigente, propiciava vantagens pessoais. Criaram-se lojas especiais para atender aos que dirigiam o Partido. Isto sem falar que a ascensão social passava pela adesão à organização de vanguarda da classe operária. Em geral, os comunistas ocupavam os principais postos da administração, no governo e nos Sovietes, das organizações sociais, culturais, científicas. Eram diretores das empresas, das escolas, dos centros de pesquisas etc. Nem todos os comunistas usufruíam dessas vantagens. As regalias distribuíam-se entre a parcela dos que ocupavam cargos de direção, o que tornava o privilégio ainda mais afrontoso.

Assim, a organização da sociedade socialista, embora de tipo novo, e superior em todos os aspectos à do sistema capitalista, apresentava sérios defeitos, mostrava-se de algum modo monopolizada pelos comunistas. É importante salientar que os documentos fundamentais do Partido, incluindo as obras de Stalin, definiam com certa clareza os princípios do socialismo e até condenavam em palavras vários dos males aqui apontados.

Quando se estuda esses materiais, há neles, teoricamente, muita coisa a aprender. A prática, entretanto, parecia desligada da teoria. Os dados da realidade não se ajustavam àquilo que se escrevia.

Estes e outros erros não mencionados motivaram enormes prejuízos à causa revolucionária. Atrasaram a construção socialista, retardaram a marcha da revolução. Serviram de caldo de cultura à irrupção revisionista. Os adversários do comunismo afirmam que são erros do socialismo que se mostrara inviável. Na verdade, são fruto da inexperiência e de concepções estranhas ao proletariado. Nada têm a ver com o socialismo que é o sistema emancipador dos explorados e oprimidos, modelador da comunidade livre, culta e progressista do futuro.

Etapa nova novos problemas teóricos


Tais erros contribuíram para o desencadeamento da crise que afeta o marxismo, deram argumentos tendenciosos ao oportunismo, facilitaram o domínio revisionista. Mas a crise tem outro componente – a não compreensão de que a URSS entrava numa etapa nova.

Um balanço da construção do socialismo, na década de 1950, indicaria que se chegara a uma etapa mais avançada dessa construção. Apareceram problemas de magnitude a serem resolvidos no campo da teoria e da prática.

A generalização da experiência sob critérios marxistas tinha de levar à reformulação, em muitos aspectos, da teoria da construção socialista. Teses e conclusões que vinham sendo aplicadas mostravam-se superadas, serviram em determinado período, não tinham mais validade.

No terreno econômico, face à demanda do consumo em crescimento e à necessidade de elevar o nível técnico do país, era preciso dar peso maior ao sistema intensivo de produção e menor ao extensivo, tanto mais que se processava uma revolução técnico-científica em âmbito mundial. A reconstrução imediata da economia soviética, destruída maciçamente durante a guerra, fez-se (e parece que não podia ser realizada de outra forma) de maneira extensiva. Os revisionistas, usurpando o poder em 1956-57, continuaram por muitos anos os métodos extensivos cujos resultados negativos são bem conhecidos. Encarando a realidade, Gorbachev tenta reestruturar a economia em crise usando tecnologia moderna. Mas o faz no quadro do sistema capitalista, atraindo recursos e investimentos do capital financeiro internacional, renegando o socialismo e dizendo estupidamente que só naquele sistema poder-se-á cumprir essa tarefa.

No terreno político, havia que acentuar a necessidade da ampliação da democracia socialista. O analfabetismo fora liquidado, crescera o nível cultural da população. As classes exploradoras tinham desaparecido. O regime se consolidava. Mais liberdade, mais democracia era condição indispensável para o ulterior desenvolvimento material e espiritual da sociedade. A situação requeria debates, polêmicas, críticas, espírito criador, contestação à mediocridade. Somente com liberdade seria possível demolir as manifestações de arrogância, de prepotência, de despotismo capazes de ocorrer em regimes de centralização necessária.

No campo social, a realização das tarefas mais avançadas da edificação socialista reclamava maior mobilização, conscientização, iniciativa e impulso revolucionário das massas. Era preciso criar outras formas de incentivos morais e materiais. A experiência demonstrou que o conceito comunista de ser o trabalho um dever social, e não simples meio de subsistência, não fora ainda assimilado pela maioria da classe dos proletários. É uma questão ligada ao melhoramento contínuo e num nível bastante alto das condições de vida da sociedade como um todo. As organizações de massas, sobretudo os sindicatos, tinham de assumir responsabilidades crescentes na direção da produção e nos assuntos de interesse público, visando a romper com a excessiva centralização da cúpula dirigente do país, que entravava a iniciativa das massas e freava o rápido andamento das tarefas planejadas. Deviam-se buscar novos caminhos para pôr em prática o princípio de que o socialismo é obra dos trabalhadores, neles repousa toda a grandeza da construção socialista.

Quanto ao Estado, este precisava sofrer importantes modificações. É um dos problemas mais complexos e delicados da transição que leva ao comunismo. Compreende-se como instituição necessária, mas de caráter transitório. Nos primeiros tempos da revolução desempenha um papel fortemente repressivo contra as classes derrocadas do poder que resistem com ódio centuplicado às profundas transformações efetuadas que contrariam radicalmente os seus interesses. Mas não pode ter idêntica atitude frente às grandes massas do povo que gozam de ampla liberdade para defender a revolução e construir a nova vida. No curso da transição, o Estado deverá realizar dois objetivos essenciais.

De uma parte, estruturar um sistema jurídico-constitucional para o conjunto do país, que estabeleça os direitos e as garantias dos cidadãos, a serem rigorosamente respeitados, de modo que cada pessoa sinta-se protegida contra abusos do poder e desfrute da liberdade de fazer o que pretende, dentro da ordem constituída. É a feição democrática do Estado socialista. De outra parte, incorporar, de diferentes maneiras, milhões de trabalhadores na administração, a fim de ampliar constantemente as bases do poder proletário e educar as massas mais atrasadas. O Estado socialista já não é um simples aparelho destinado a reprimir os inimigos de classe, tem muitas outras funções importantes, as quais, uma após outra, devem passar-às mãos da sociedade organizada socialmente. Pouco a pouco ir-se-á extinguindo. É o aspecto dialético do Estado que se converte no não-Estado. Evidentemente, na nova fase da edificação socialista, impõe-se a criação de mecanismos de democratização crescente do Estado, de maneira a assegurar a ampliação da democracia, com vistas à participação em larga escala das massas na direção e realização das tarefas fundamentais.

Mudanças também tinham que suceder na atividade do Partido Comunista. Ele baseia sua atuação numa teoria revolucionária que está em desenvolvimento. Cumpre papel destacado, insubstituível, na direção da revolução e da construção do socialismo. Seus métodos e procedimentos políticos modificaram-se com a evolução da sociedade. O nível de consciência dos trabalhadores, no socialismo, eleva-se constantemente e, em muitos aspectos, aproxima-se do grau de consciência do Partido. A relação partido/massas não pode assim ser alicerçada em termos de dirigentes e dirigidos. A integração do partido com as massas, na verdadeira expressão do termo, adquire importância ainda maior. É preciso ser comunista e massa ao mesmo tempo, dirigente e dirigido também.

Paulatinamente, torna-se necessário, com o avanço do socialismo, ir dividindo com os trabalhadores em geral a direção concreta da vida da sociedade, a fim de que estes exercitem sua capacidade de gerir os assuntos da coletividade e assumam em toda a plenitude a missão que lhes cabe historicamente. A revolucionarização das fileiras comunistas deve ser permanente para combater a rotina, o apego aos cargos, a auto-suficiência, a tendência ao burocratismo.

Esta exposição sucinta de alguns problemas da construção do socialismo indica que as mudanças em curso estão a requerer tratamento teórico aprofundado.

Examinando de maneira crítica o passado recente e a experiência vivida, constata-se que a teoria, ao não ter respondido às exigências da evolução social, entrou em crise. E dela somente pode sair, reelaborando os fenômenos novos, dando-lhes correta interpretação.

É tarefa transcendental dos nossos dias reformular, em muitos aspectos, a teoria da edificação socialista, a partir do precioso material acumulado na URSS até meados da década de 1950, e em outros países que seguiram idêntico destino. Reformular não significa invalidar a base teórica que existia. Significa atualizar criadoramente o marxismo. É o único meio de repor em seus lugares questões controvertidas ou deformadas pelos falsos socialistas. É a maneira de desfazer a confusão, de esclarecer milhões de pessoas abaladas com a destruição do socialismo na URSS e em outros lugares. É também o modo de contestar arrasadoramente a propaganda burguesa de que o marxismo já não serve para a época atual.

A crise do marxismo será superada

Doutrina criadora e de vanguarda, o marxismo progride com a vida e a faz avançar. Não permanece estático. Desenvolve-se e aperfeiçoa-se. Engels, e depois Lênin, sempre bateram forte nessa tecla. "A nossa teoria não é um dogma – disse Engels – mas a exposição de um processo de evolução e esse processo envolve sucessivas fases”. (Carta a Florence Kelley). "Não temos absolutamente – afirma Lênin – a doutrina de Marx como qualquer coisa de acabado e intangível; ao contrário, estamos persuadidos de que ela somente colocou as pedras angulares da ciência que os socialistas devem fazer progredir em todos os sentidos se não quiserem se atrasar na vida”. ("Nosso Programa").
A crise do marxismo será superada tão prontamente quanto maior for o empenho dos autênticos revolucionários em investigar suas causas e ir ao fundo das questões teóricas que norteiam a marcha da classe operária no rumo do comunismo.

A teoria revolucionária ilumina o caminho da libertação, da construção de uma vida nova. Não se pode avançar com segurança sem o domínio da ciência social. Os princípios que dela decorrem são fundamentais para orientar a estratégia e a tática das forças progressistas em luta contra o sistema reacionário e ultrapassado do capitalismo monopolista.

Defendendo os fundamentos teóricos do marxismo, avancemos, respondendo aos desafios de nossa época. O socialismo, o comunismo são invencíveis, representam o futuro radioso da Humanidade.

* João Amazonas, presidente nacional do PCdoB.

EDIÇÃO 18, JUN/JUL/AGO, 1990, PÁGINAS 4, 5, 6, 7

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Renato Rabelo: Folha de SP se esmera em ironias contra o PCdoB - Portal Vermelho

Renato Rabelo: Folha de SP se esmera em ironias contra o PCdoB - Portal Vermelho

A magra edição de hoje (28) do jornal paulista Folha de S.Paulo dedica um de seus principais editoriais a um exercício de provocações e ironias pobres. Talvez por falta do que dizer – nestes dias de comemorações e festas de final de ano -- seus editores resolveram atacar o PCdoB tendo como mote o falecimento, na semana passada, do líder da República Popular Democrática da Coréia, Kim Jong Il.

Por Renato Rabelo, em seu blog

JJ Coelho



Protest


Seus leitores mais atentos deverão, a esta altura do campeonato, se perguntar como pode um país -- cercado desde a década de 50 pelo maior exército do Planeta (as forças armadas dos EUA atualmente acantonados na Coréia do Sul possuem uma base com mais de 30 mil homens, armados com mísseis balísticos nucleares) -- resistir a todo o tipo de provocações e ações de contra-insurgência? Os fatos, entretanto, estão gravados na história dos povos daquela região da Ásia. Antes dos colonialistas japoneses empreenderem a dominação da península coreana, em 1905, mais exatamente em 1866, um navio pirata norte-americano, o “Sherman”, tentou tomar posse de Pyongyang, mas acabou afundado. Dois anos depois, em 1868, o “Shenandoah”, equipado com canhões, também procurou causar dano àquela cidade e foi rechaçado pelas defesas coreanas que o perseguiu pelo rio Taedong.

No início do século XX, entretanto, o Império Japonês invadiu a Coréia e dominou o país. Mais de 6 milhões de jovens e homens de meia-idade foram obrigados a trabalhos forçados, sendo que um milhão acabou morrendo. Cerca de 200 mil mulheres coreanas foram feitas escravas sexuais dos militares japoneses. Somente em 15 de agosto de 1945 termina a guerra de libertação da Pátria coreana. A República Popular e Democrática da Coréia foi proclamada em 1948, um ano antes da República Popular da China. Foi, então, que os setores mais reacionários dos EUA resolveram invadir a península coreana e interferir nos assuntos internos daquele país.

Com a deflagração da Guerra da Coréia, os norte-americanos sob o comando do General MacArthur, arrasaram Pyongyang em três anos de duros combates. A capital sofreu 1.431 ataques aéreos, quando 428 mil e 700 bombas desabaram sobre seus defensores, o que significou mais de uma bomba para cada habitante. O Exército americano acabou derrotado no campo de batalha e teve que recuar além da linha do Paralelo 38 N. Três milhões e meio de pessoas foram mortas nesta guerra. Os norte-coreanos, por sua vez, contaram nestas batalhas com a ajuda decisiva de 600 mil voluntários do Exército chinês e também com o apoio de vários outros países progressistas e socialistas daquela época, inclusive do movimento contra a Guerra da Coréia e pela paz realizado no Brasil. Por sua incúria guerreira, o general MacArhur foi demitido de suas funções, substituido pelo general Ridgway e os EUA foram obrigados a assinar um armistício.

Hoje, Pyongyang é uma cidade única no mundo, majestosa, com grandes avenidas arborizadas, pontuada por museus e coberta por uma rede moderna de metrô e ônibus elétricos. A atividade cultural, artística e esportiva é intensa. E, mais importante, a Coréia do Norte tem um projeto nacional que colocou em prática, com suas características próprias. Construiu uma indústria pesada e desenvolveu sua defesa nacional, chegando a montar mísseis balísticos nucleares de longo alcance. Não fosse este aparato e o poderoso Exército certamente seu destino teria sido outro, parecido com o imposto pelos EUA ao Iraque, ao Afeganistão e -- mais recentemente -- à Líbia.

Ao contrário do que sugere a Folha, na última reunião do Comitê Central do PCdoB, procuramos fazer uma avaliação da nova situação mundial com o desenvolvimento da terceira grande crise sistêmica do capitalismo e consideramos como positivo, em suas linhas gerais, o ciclo político aberto com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e continuado com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010. Duas tarefas principais se colocam agora diante do povo brasileiro: avançar na defesa da economia do país para o enfrentamento da crise externa e o fortalecimento do mercado interno brasileiro, e lutar para que nosso povo tenha o direito a exprimir seu pensamento de forma democrática contra o monopólio exclusivo da mídia, capitaneada -- entre outros órgãos -- por esta mesma Folha de S.Paulo que nos ataca impunemente. Esta grande mídia, reacionária e conservadora, vem escolhendo o PCdoB como alvo de ataque, demonstrando com isso que este Partido a incomoda. Porém, como sempre, sem podermos ter o direito de defesa.

Fonte: Blog do Renato Rabelo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A batalha pela memória Por Fábio Palácio

www.grabois.org.br


Começou da noite para o dia. A um chamado de Veja, os trustes do oligopólio midiático – hoje alcunhados, não sem razão, de PIG (Partido da Imprensa Golpista) – iniciaram, em uníssono e de forma frenética, intenso bombardeio contra os comunistas brasileiros e sua corrente orgânica, o Partido Comunista do Brasil.

A persistência da memória, pintura de Salvador Dalí

O que começou com agressões contra uma importante e respeitada liderança comunista, o ministro Orlando Silva, foi tomando proporções insólitas. Quando os detratores do PCdoB desceram sorrateiramente aos porões de suas próprias almas, as investidas iniciais deram lugar a uma ofensiva de nítidos contornos ideológicos. Passou-se a atentar contra o Partido como instituição – sua história, suas ideias, sua herança, sua presença na sociedade e na cultura brasileira –, numa espécie de reação ideológica em toda linha, com múltiplas frentes de contestação abertas simultaneamente.

Uma delas foi deflagrada a partir da exibição, nas redes de TV aberta, do programa partidário do PCdoB. Apresentado no último dia 20, o programa trazia uma vinheta veiculada comoavant-première das comemorações pelos 90 anos do Partido, que se realizam em 2012. Vejamos o texto que foi ao ar no programa:

“Mudar era impossível. Até o dia em que eles usaram o que tinham de melhor e simplemente mudaram. A criatividade de Jorge Amado mudou a literatura brasileira. A paixão de Drummond mudou a poesia. A ousadia de Pagu mudou o comportamento feminino. O talento de Portinari mudou a arte. A visão de futuro de Niemeyer mudou a forma da arquitetura. A coragem de Olga Benário mudou a forma de se fazer política. O sonho de João Amazonas, Maurício Grabois e Luís Carlos Prestes mudou a história. De um jeito ou de outro, todos eles mudaram o país. E todos eles fizeram do PCdoB um partido que é a cara do Brasil.”

A exibição da vinheta foi a senha para que o campo conservador e a grande mídia – vergonhosamente secundados por setores que se autoproclamam de esquerda, incluindo seitas exóticas que de maneira delirante se consideram “donas” do legado comunista – percebessem que não bastava questionar o presente do PCdoB. Era preciso golpear os comunistas apagando seu passado, divorciando-os de sua própria história. “O partido delirou: no programa partidário para TV, tratou a História como massinha de moldar. De repente, citam Luís Carlos Prestes, Niemeyer, Drummond como grandes nomes do partido”, afirma o jornalista Carlos Brickmann em coluna publicada em vários jornais do último domingo (23). Trilhando a mesma senda, Fernando Gabeira – figura renegada da esquerda, rendida ao campo conservador por trinta tostões –, joga ainda mais duro: o PCdoB teria cometido, em seu programa na TV, “uma injustiça com a história cultural brasileira”.

O argumento esgrimido é sempre o mesmo: figuras como Prestes, Niemeyer ou Drummond não teriam sido jamais membros das fileiras do PCdoB, não podendo portanto ser evocados por esse partido. Nas palavras de Gabeira, “fica no ar uma impressão falsa de que existe uma continuidade entre eles e o PC do B”. Nessa concepção cartorial de política, que vê sempre os partidos como meras legendas – sem maiores vínculos com correntes de pensamento mais profundas e permanentes –, fico pensando se também não deveríamos ser proibidos de reverenciar figuras como as de Marx, Engels, Lênin, José Bonifácio e Tiradentes. Afinal, eles também “não foram do PCdoB”.

Mas Gabeira vai ainda mais longe. Mostrando-se especialmente indignado com a evocação do poeta Carlos Drummond de Andrade, termina por afirmar que nada autoriza a apresentá-lo “como um dos grandes intelectuais comunistas da história do Brasil”. Logo Drummond, ex-editor da Tribuna Popular (órgão da imprensa comunista da década de 1940) e também autor, como lembra o próprio Gabeira, de A Rosa do Povo, livro de grande sensibilidade social e política, momento alto não apenas da cultura brasileira, mas da literatura de extração comunista em todo o mundo, capaz de ombrear-se à maior literatura do mesmo gênero, bastando para isso compará-lo à poesia comunista de um Pablo Neruda.

Para Gabeira, o rompimento de Drummond com o Partido em 1949, após a realização do congresso da Associação Brasileira dos Escritores, seria suficiente para ficarmos os comunistas proibidos de evocá-lo para todo o sempre. “A poesia de Drummond não cabia nos rígidos cânones estéticos do Partido Comunista. Nem sua individualidade poderia ser conformada nos limites do centralismo democrático.” O intuito é fulgente: exaltar a grandeza de Drummond em oposição à “pequenez” do Partido Comunista. Drummond não precisa disso. E Gabeira, ademais, não se dá conta da contradição em que incorre: ali, quando opõe Drummond aos comunistas, enxerga continuidade entre o PCdoB e a legenda à qual esteve filiado o grande poeta brasileiro. Traduzindo: os comunistas só temos o direito de reivindicar a herança do Partido naquilo que possui de “negativa”, jamais no que possa possuir de positiva.

Abre-se assim um confronto de novo tipo, intangível, que bem poderia ser considerado uma “batalha pela memória”. Está decretado: ficam os comunistas proibidos de evocar sua própria história! Ou, melhor dizendo, ficam os comunistas proibidos de ser quem são!

O irônico de tudo é que, na avalanche anticomunista deflagrada no final dos anos 1980, com a queda do muro de Berlim, o PCdoB foi vilipendiado exatamente por continuar reivindicando símbolos, personagens e, enfim, a herança do movimento comunista. Naquela época não foram poucos os que renegaram essa herança, rasgaram as bandeiras com a foice e o martelo e mergulharam de cabeça no butim neoliberal. Quando nos convidaram a ir junto, recusamos. E se riam de nós, dizendo que, se não nos dispuséssemos a renegar nosso passado, desapareceríamos. Respondemos que não, que preferíamos morrer a jogar no lixo nossa história. Não morremos. Ao contrário, a persistente crise capitalista mundial – à qual nosso país tem resistido bravamente, graças às políticas dos governos Lula e Dilma – nos dá razão dia após dia. E, não por acaso, o Partido cresce a olhos vistos, como revela de maneira insuspeita o semanário Época, apresentando gráficos, tabelas e toda uma parafernália de provas do crescimento dos comunistas, que teriam chegado “ao centro do poder”.

Ou seja: naquela época se riam quando evocávamos a história do comunismo. Hoje, ao contrário, estamos proibidos de reverenciá-la. Num país onde os partidos costumam mudar de nome não como expressão de qualquer avanço programático, mas como reles tentativa de apagar o passado, é surpreendente que se ataque um partido por recusar-se a renegar sua história!

Porém, em pelo menos uma coisa é necessário concordar com nossa moderna inquisição: a memória é coisa séria demais para ser largada “solta” por aí. O marxismo possui fortuna crítica sobre o tema. Em O narrador, Walter Benjamin – intelectual marxista morto em 1940 em decorrência da perseguição fascista na Europa – mostra-se convicto de que o passado contém sempre a força de algo inacabado, e que o presente pode assumir, por meio da memória, um papel redentor. Em sua crítica da modernidade, Benjamin esforçou-se por apontar o que considerou um grave perigo: a “perda da memória”. O homem moderno teria como um de seus traços o culto obsessivo à imediatidade do instante presente, o que terminaria por acarretar uma recusa persistente do passado. Segundo Benjamin, esse fenômeno seria visível na perda, pelo homem moderno, da capacidade de narrar – e, com ela, de comunicar a experiência, instruindo o presente e agregando sentido ao futuro. Benjamin via nesse fenômeno um verdadeiro atentado à cultura e, mesmo, uma tendência à barbárie.

De fato, o mundo em que vivemos é marcado por contínuos e persistentes ataques à consciência histórica. Como afirma o intelectual marxista britânico Terry Eagleton em seu Depois da Teoria – um olhar sobre os estudos culturais e o pós-modernismo, esse processo é consequência direta do clima de desilusão que se instaurou no pós-guerra. Ao longo das últimas décadas, de enfadonho conservadorismo neoliberal, o senso histórico tornou-se crescentemente “obtuso”, já que convém aos detentores do poder que as maiorias populares, não recordando o passado, sejam também incapazes de imaginar alternativas ao estado atual das coisas. Nessa perspectiva, classificada por Eagleton de “política da amnésia”, o futuro seria, simplesmente, o presente indefinidamente repetido.

Essa realidade tem afetado gravemente os empreendimentos coletivos, sejam os dos trabalhadores, sejam os da juventude, sejam os de diversos outros segmentos sociais ou, mesmo, os do povo-nação. Conforme denuncia Eagleton, “o que se provou mais danoso foi a ausência de memórias de ação política coletiva – e efetiva. É isso que tem distorcido tantas ideias culturais contemporâneas”.

Essas ideias distorcidas são expressão de um autoritarismo visceral. Se em tempos outros o anticomunismo tinha como expediente principal a aniquilação física, hoje pratica uma violência simbólica, porém não menos agressiva, que lança mão de um liquidacionismo de tipo “moral” e inclui a negação do direito à memória. Fico pensando se não seria também a isso que faz referência o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, quando, no auge das denúncias contra Orlando Silva, sacou o termo “fascismo pós-moderno”.

No mundo em que vivemos – o mesmo em que um presidente da República é morto e, após ter seu corpo arrastado nas ruas, é enterrado em local desconhecido para que sua memória não se torne ícone da resistência –, é fácil perceber que nem mesmo o direito ao passado está garantido. É preciso lutar contra isso – e essa luta não está restrita às comissões da verdade. Em nossa sociedade, ninguém devia ser proibido de lembrar seus heróis.

Fábio Palácio é jornalista e estudante de doutorado pela ECA/USP. Desenvolve, com financiamento da Capes, projeto de pesquisa sobre o marxismo e o conceito de cultura. Militante comunista, espera poder continuar recordando, sem ser importunado, seus ícones e referências, quando e onde quer que seja.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Intelectuais solidarizam-se com o Partido Comunista do Brasil

Em abaixo-assinado divulgado hoje (25), diversos intelectuais, professores, jornalistas e artistas prestam solidariedade ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que vem sendo vítima de intensa campanha difamatória nos últimos dias. O manifesto está recebendo adesões através do e-mail solidariedadepcdob@gmail.com. Confira abaixo o texto e seus signatários.


Os que assinam esta nota vêm a público denunciar a onda de histeria macarthista deflagrada nos últimos dias contra o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Alimentada por preconceitos antidemocráticos, que pensávamos já superados na vida política nacional, essa sórdida campanha visa a atingir todos os que lutam com dignidade e coragem pelo desenvolvimento do Brasil e pela justiça social.

Nos solidarizamos com o PC do B, destacando sua longa história de luta e dedicação à defesa da democracia, da soberania nacional, do socialismo e dos trabalhadores. Essa trajetória é marcada pelos compromissos com a lisura e com a causa pública. Reafirmamos que, numa ordem democrática, a leviandade da acusação sem provas e sem direito de defesa constitui grave violação do Estado de Direito.

São Paulo, 25 de outubro de 2011.

Assinam:

João Quartim de Moraes – Prof. Doutor Filosofia Unicamp
Luiz Gonzaga Belluzzo – Prof. Doutor Economia Unicamp
Olival Freire Jr. – Pós-Doutor em Física, historiador da ciência USP e UFBA
Luis Fernandes – Prof. Doutor Relações Internacionais PUC-Rio e UFRJ
Aldo Rebelo – Jornalista, escritor, deputado federal pelo PCdoB SP
Aloísio Sérgio Barroso – Doutorando em Economia Social e do Trabalho Unicamp
Aloísio Teixeira – Prof. Doutor e ex-reitor UFRJ
Dermeval Saviani – Pesquisador emérito do CNPq; professor emérito Unicamp
Marcio Pochmann – Prof. Doutor, Livre Docente Economia Unicamp
Francisco Carlos Teixeira – Cientista Político, Prof. Doutor UFRJ
Carlos A. Barbosa de Oliveira –Prof. Doutor Economia Unicamp
Marly Vianna – Profa. aposentada UFSCAR e Faculdade Universo RJ
Frederico Mazzucchelli – Prof. Doutor Economia Unicamp
João Sicsú – Economista, professor UFRJ
Armen Mamigonian – Prof. Livre Docente FFLCH-USP
Heloisa Fernandes – Socióloga, Profa. Doutora USP
Mary Garcia Castro – Profa. Doutora UCSAL; pesquisadora FLACSO Brasil
Luiz Martins de Melo – Prof. Doutor Economia UFRJ
Elisângela Lizardo – Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos
João Carlos Salles – Filósofo UFBA
José Carlos Assis – Professor, Economista, Escritor
Aloisio T. Miranda – Médico, vice-presidente Conselho Federal de Medicina
José C. Lombardi (Zezo) – Prof. Doutor Educação Unicamp
Carlos E. Mendes Gouveia – Professor UniSantos e IFET/Cubatão
Madalena Guasco Peixoto – Profa. Doutora Educação PUC–SP
Olgamir Amancia Ferreira – Mestre e Doutora Políticas Públicas e Gestão da Educação; Professora adjunta FUP/UnB
Meire Rose – Doutoranda, Profa. Geografia UFMT
Jose Ricardo Figueiredo –Prof. Doutor Engenharia Unicamp
Ricardo Moreno – Prof. História UFBA e doutorando UFF
Claudio Augusto Silva Gutierrez – Prof. Doutor Educação Física e Formação Humanística UNISINOS
Carlos José Espíndola – Prof. Doutor CFH-UFSC
Isa De Oliveira Rocha – Prof. Doutor UDESC
José Messias Bastos – Prof. Doutor CFH-UFSC
Nereide Saviani – Profa. aposentada PUC-SP e profa. UniSantos
Marcos Aurelio Da Silva – Prof. Doutor CFH-UFSC
Fabio Napoleão – Prof. Doutor UDESC
Graciana Vieira – Prof. Doutor UDESC
Marta Luedemann – Prof. Doutora UFAL
Fernando Sampaio – Prof. Doutor UNIOESTE
Verônica Bercht – Bióloga, jornalista, editora
Marcelo P. Fernandes – Prof. Doutor Economia UFRRJ
Luiz C. Soares – Historiador UFF
Helena C.L. de Freitas – Profa. aposentada Unicamp
Ilka Dias Bichara – Profa. Doutora UFBA
Romualdo Pessoa Campos Filho – Professor do Instituto de Estudos Socioambientais UFG; secretário regional da SBPC-GO
Haroldo Lima – Engenheiro, ex-deputado Constituinte
Aldo Arantes – Advogado, mestre em Ciência Política UnB
Manoel Motta – Prof. Doutor Educação UFMT
Elias Jabbour – Doutor Geografia USP
Renildo Souza – Prof. Doutor Administração e Economia UFBA
Marlon Clóvis Medeiros – Prof. Doutor UNIOESTE
Eraldo Leme Batista – Doutorando Educação Unicamp
Eduardo Bomfim – Advogado, ex-deputado constituinte
Vandilson Costa – Advogado, ex-deputado estadual
Enio Lins – Jornalista, arquiteto
Maria Alba Correia – Mestra, Profa. Educação UFAL
Claudia Grabois – Advogada
Adalberto Monteiro – Poeta, escritor
Augusto Buonicore – Historiador
Leonardo Grabois – Médico
Oscarino Barreto Jr. – Especialista em Medicina de Família e Comunidade (MFC) / Sociedade Brasileira e Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) / Associação Médica Brasileira (AMB)
José Noronha – Médico, gestor hospitalar
Walter Sorrentino – Médico, escritor
Victor V. Barroso – Médico, Especialista em Saúde Pública
Nelson Nahon – Médico, conselheiro e diretor (CREMERJ)
Maria Paula L. Vilhena – Médica, psicóloga
Bernardo Joffily – Escritor, tradutor, jornalista
Francisco Wellington Duarte – Prof. Economia UFRN e Doutor em Ciência Política
José Carlos Ruy – Jornalista, escritor
José Reinaldo Carvalho – Jornalista, editor do portal Vermelho
Rita Polli Rebelo – Jornalista
Dilermando Toni – Jornalista, escritor
André Cintra – Jornalista, escritor
Jandira Feghalli – Médica, deputada federal (PCdoB – RJ)
Carlos Alberto Oliveira Lima – Economista
Alberto da Silva Jones – Professor aposentado (UFV, UFBA E UFSC)
David Fialkow – Economista
Osvaldo Bertolino – Jornalista, escritor
Mazé Leite – Artista plástica
Fábio Palácio – Doutorando em Ciências da Comunicação USP
Luciano Rezende – Professor e Pesquisador do Instituto Federal de Alagoas;
Juares Ogliari - Prof. Doutor do Instituto Federal de Santa Catarina
Hugo Cortez Crocia Barros – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco
Luiza B. Pereira – Doutoranda em Sociologia do Trabalho UFRJ
Diogo V. Barroso – Nutricionista, mestre em Esporte de Alto Rendimento
Álvaro Martins – Professor Engenharia Elétrica e Engenharia de Segurança do Trabalho; Conselheiro do REA-SP
Dimitri V. Barroso – Biólogo, mestre em Ecologia Social Univ. Coimbra
João Barroso Filho – Mestre em economia, prof. aposentado UFAL
Silvio Costa – Prof. História PUC-GO
Diorge A. Konrad – Prof. Doutor História Social do Trabalho UNICAMP; Professor adjunto Programa de pós-Graduação História UFSM
Gilson Leão – Consultor político
Antonio Carlos S. Miranda –Prof. Doutor Astrofísica Estelar; Adjunto da UFRPE
Lejeune Mirhan – Sociólogo, escritor e arabista
Hildo C. Freire Montysuma - Prof. Filosofia rede pública estadual (AC)
Ronaldo Carmona – Mestrando em Geografia USP
Márcio J. G. de Jesus – Prof. rede pública estadual (MA); História (UFMA)
Julio Veloso – Mestrando Estudos Brasileiros USP
Felipe Maia – Doutorando UERJ
Socorro Gomes – Presidente do Cebrapaz
Almir Braga Filho – Engenheiro civil e de Segurança do Trabalho
Maria A. Dellignhausen Motta – Poeta, coordenadora da Coleção "Ciranda de Letras" (Ed. Autores Associados) e militante ambientalista
Cristina Castro – Profa. Matemática da rede pública (Juiz de Fora)
Wellington Teixeira Gomes – Prof. Sociologia da rede pública (Belo Horizonte)
Celina Arêas – Profª de Literatura (Belo Horizonte)
Wilame Gomes de Abreu – Prof. PUC-GO; Mestre em Filosofia (USP)
Diego Almeida Monsalvo – professor e coordenador da Pastoral dos Pescadores de Santos
Durbens Martins Nascimento – Doutor em Ciências: desenvolvimento socioambiental; Diretor de programas e Projetos de Extensão da Universidade Federal do Pará; Coordenador do Observatório de Estudos de sefesa da Amazônia (OBED)
Margarida Barreto – Médica, Doutora em Psicologia Social Rede Nacional de Combate à Violência no Trabalho
Messias Simão Telecesqui – Diretor do Sindicato dos Professores de Minas Gerais
Leocir Costa Rosa – Advogado militante, especialista em Direito do Trabalho
Rosemary Mafra Nunes Leite – Professora universitária e advogada; procuradora fiscal do Município de Governador Valadares; ex-presidente da OAB-MG, subseção Governador Valadares
Marilda Borges Neutzling – Profa. Doutora Medicina UFRGS
Patrícia Nogueira – Mestranda em Educação UFMT
Marco Eliel – Mestre em Ciências Sociais PUC MG
João Negrão – Jornalista, editor da revista BSB Brasil
João Vicente – Educador
Lavinia Rosa Rodrigues, Professora da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
PAULO TEDESCO Escritor, consultor editorial e professor Professor em EAD da PUC e Studio Clio
Eneida Canèdo Guimarães dos Santos - Mestre em Sociologia - GT Mulher e Participação Política do Grupo de Estudos e Pesquisas
José Varella Pereira, ensaista e articulista – PA
Eline Jonas – Profa. Doutora Ciências Políticas e Sociologia PUC-Goiás
Donizeti Nogueira – Presidente estadual PT-Tocantins
Alexandre Rauh Oliveira Nascimento – Professor Instituto Federal MT, campus Barra do Garças

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dirceu: O esforço para alimentar crise sem provas contra Orlando - Portal Vermelho

Dirceu: O esforço para alimentar crise sem provas contra Orlando - Portal Vermelho

O nome do ministro do Esporte, Orlando Silva, praticamente desapareceu da Veja desta semana como pivô da crise. Depois de terem dito até que ele recebia pacotes e caixas de dinheiro na garagem do Ministério, mudaram o foco do noticiário.

Por José Dirceu

Como não apareceram até agora as provas do soldado ongueiro PM de Brasília, João Dias, contra o ministro, o centro do noticiário desta edição de agora da revista é a história de que assessores seus - não ele - instruíram o soldado sobre como se livrar e não ser descoberto nas falcatruas que teria cometido com dinheiro público em suas ONGs.

Veja fala de gravações dessas instruções de assessores do ministro. Sobre elas, o Ministério do Esporte emitiu nota em que esclarece que esses diálogos de servidores da pasta são uma "suposta gravação que cita supostos trechos, partes de frases, palavras isoladas, com o intuíto claro de induzir os leitores".

O ministério adianta, ainda, que vai pedir à Polícia Federal (PF) que as "supostas gravações" sejam incorporadas à investigação sobre o caso e que "adotará os procedimentos cabíveis para apurar eventuais responsabilidades de servidores". Mas, como sempre, o material da revista terminou pautando os jornais do fim de semana até esta 2ª feira.

Macartismo com força total

Até porque eles não têm fatos novos para prosseguir na campanha denuncista contra o governo. O Estadão aproveitou para dar praticamente uma edição inteira da (editoria de) Política contra o PCdoB, falando de um "esporteduto" da legenda. Nada menos que oito matérias ontem, mais inúmeras hoje. Macartismo, ranço puro contra um partido comunista.

Ranço ao PCdoB que eles, aliás, ignoravam até poucos dias atrás. Não davam ao partido a menor atenção, haviam-no esquecido. Mas, agora, aproveitam a situação de aliado da legenda para exteriorizar esse anticomunismo, ótimo para eles irem na linha que querem contra o governo.

O jornalão da família Mesquita traz até uma matéria de seu correspondente em Zurique (Suíça) que nunca escreve sobre política interna brasileira, dizendo que o ex-presidente Lula mandou o ministro Orlando "resistir" e a presidente Dilma Rousseff não teve condições de demiti-lo.

Temor de "crise" na FIFA vem de um velho conhecido

Afirmar isso é desconhecer quão ciosa a presidente Dilma é da sua autoridade e a forma como atua o ex-presidente da República desde que deixou o cargo dia 1º de janeiro deste ano. O correspondente do Estadão diz em sua matéria, inclusive, que a FIFA teme uma crise em relação à Copa de 2014 no Brasil.

Só que fundamenta esse raciocínio e vê essa "crise" a partir de declarações de Jerome Valcke, secretário geral da entidade. É isso mesmo que vocês leram e perceberam: Valcke é o mesmo que sempre teve posição cética e crítica em relação ao Brasil. É o gerador das grandes manchetes negativas, tão ao gosto da mídia brasileira, de que os nossos estádios não vão ficar prontos para a Copa, tampouco as demais obras ficarão, de que nada vai andar, nem funcionar...

Fonte: Blog do Zé Dirceu

Corrupção, mídia e farsa | Beto Almeida no Correio do Brasil

Corrupção, mídia e farsa | Jornal Correio do Brasil

Que diferença da TV Globo dos anos de 1980 quando sonegou ao povo, até não poder mais, informações sobre a Campanha das Diretas-Já
24/10/2011
Beto Almeida
A farsa da oligarquia da mídia contra a corrupção está em marcha. No feriado do dia 12, a TV Globo fez até plantão, com repórter na Esplanada, em Brasília, interrompendo a programação normal, para falar de toda a sua grande esperança e torcida para que a denominada Marcha contra a Corrupção fosse massiva.
Que diferença da TV Globo dos anos de 1980 quando sonegou ao povo, até não poder mais, informações sobre a Campanha das Diretas-Já, quando milhões de cidadãos foram às ruas para conquistar, finalmente, o voto direto e enterrar a ditadura, defendida pela emissora!
Há uma tentativa de “teorização vulgar”, quando jornalistas tucanos, como Eliane Cantânhede – que chegou a considerar um comício do PSDB como uma “manifestação de massa cheirosa” – esforçam-se por argumentar que algo inédito estaria ocorrendo nestas manifestações porque não registram presença de partidos, sindicatos, movimento estudantil ou social. Segundo dizem, esta característica conferiria um novo conteúdo à manifestação, de modernidade, espontaneísmo, sem contaminação político-partidária, como a negar o papel da liberdade partidária e sindical, conquistada pelo povo após o funeral da ditadura. Há uma dose de farsa nisto tudo, primeiro porque alguém pagou pelas vassouras (que lembram Jânio Quadros) da manifestação, que também contou com convocação da juventude do PSDB.
As greves de várias categorias por melhor remuneração e condição de trabalho, a luta que continua pela reforma agrária, pelo direito a moradia, mostram claramente que partidos, sindicatos e movimentos sociais não estão cooptados. Ao contrário, estão arrancando conquistas legítimas. Esta é uma conclusão importante. Outra, é sobre a aliança que determinados segmentos da esquerda estão realizando com a TV Globo, terminando por reforçar, involuntariamente, o discurso conservador de que a corrupção foi inventada por Lula-Dilma. Isto sim deve ser motivo de preocupação, sobretudo após a assustadora aliança de setores da esquerda com a OTAN em sua agressão imperialista à Líbia.

Sobre o legado de Olga e Prestes - Por Ana Maria Prestes, membro do Comitê Central do PCdoB em seu Blog, Altamira




No último dia 21 de outubro, em carta enviada ao PCdoB, minha tia, Anita Leocádia Prestes, protestou contra a homenagem prestada pelo PCdoB à Olga Benário e Luiz Carlos Prestes em programa televisivo transmitido na noite do dia 20 de outubro.

Como neta de Prestes, sempre penso que felizmente em nossa numerosa família ninguém se arvora a ser proprietário(a) da história do meu avô e temos todos consciência de que sua trajetória é uma referência na história mundial do século XX e não pertence a qualquer um de nós.

Perto de comemorar seus 90 anos, o PCdoB presta uma homenagem a todos aqueles que ajudaram a construir o movimento comunista no Brasil, nas suas diferentes etapas e de diferentes maneiras. Através destas homenagens e graças à força do PCdoB nos dias atuais, as novas gerações de jovens comprometidos com o desenvolvimento do Brasil podem conhecer esta história e decidir se integrar à ela.

O programa de TV veiculado pelo PCdoB expressou este momento especial pelo qual passam os comunistas no Brasil, de aumento da influência de suas idéias e projeção de suas lideranças. Por isso mesmo tem sido alvo de uma poderosa reação de setores que há tempos imemoriais tentam calar a nossa voz.

O PCdoB foi o partido que escolhi para militar há 15 anos e sou testemunha das homenagens e o respeito que se tem rendido à memória de Prestes no seu interior e em suas manifestações públicas. Nas últimas semanas, este partido tem sido sistematicamente atacado como parte de uma estratégia que pretende deslegitimar um governo comprometido com os avanços do Brasil. E, não por coincidência, esta estratégia é inflamada pela mesma imprensa golpista que meu avô e minha avó, Maria, me ensinaram a condenar.

Ana Maria Prestes Rabelo
Membro do Comitê Central do PCdoB
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Ana Maria Prestes Rabelo, cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que na luta por justiça e democracia abdicaram do próprio nome.

domingo, 23 de outubro de 2011

90 anos não são 90 dias - Portal Vermelho - Fernando Borgonovi

90 anos não são 90 dias - Fernando Borgonovi - Portal Vermelho

Fernando Borgonovi *

O linchamento político em curso contra o camarada Orlando Silva, ministro do Esporte, indignou a todos nós, militantes comunistas. Em meio à tormenta e à resistência, um aspecto foi, ao meu ver, pouco explorado e nele reside uma diferença comparativa favorável ao PCdoB dentre a seara partidária nacional. Essa "diferença" tem nome, sobrenome, CPF e crediário nas Casas
Bahia: é a militância.

Digo isso, correndo o risco de parecer óbvio, porque julgo um feito raro o que realizamos nos últimos dias. A postura "natural" diante de uma capa de Veja, somada a um Jornal Nacional, arrematados por 13 minutos de Fantástico, seria a prostração, o recolhimento.

Ocorre que com o PCdoB foi diferente. Desde sábado, foi um final de semana de mobilizações. Ninguém recuou, ninguém cedeu, ninguém ficou magoadinho. Alimentada pela reação firme, de bate-pronto, de nosso ministro e de nosso presidente Renato Rabelo, a infantaria avançou para não recuar.

Já na noite de domingo a militância comunista mostrou que não aceitaria passivamente o enchovalhamento de um destacado dirigente e do Partido que tantos deram a vida para trazer onde está hoje. Pelo twitter, ferramenta que pegou especialmente para a política, os comunistas - por iniciativa pioneira da aguerrida UJS - deram a cara a bater com a campanha #souorlandosoubrasil.

Em poucas horas, o movimento escalou o Aconcágua: foi a segundo lugar no top trend no Brasil. Alguém poderá querer limitar o valor da iniciativa por envolver a internet, mas estará enganado. Ter a presença de espírito para tomar a ofensiva em tema tão intrincado e de tamanha repercussão negativa entre os brasileiros é, para dizer o mínimo, um ato de coragem e desprendimento.

Mas a conquista do Everest ainda estava por vir. Entre a noite de domingo e a tarde de terça-feira, a hashtag #souorlandosoubrasil computou inacreditáveis 11 milhões de postagens. Atingiu a expressiva marca de mais de 142 mil adesões individuais. Virou notícia em grandes portais e, por fim, fez com que o Twitter censurasse a iniciativa, seguramente por algum motivo
comercial ferido.

A grande repercussão conseguiu furar, ainda que parcialmente, o bloqueio da grande mídia à versão antagônica, à contestação. Mostrou que há, sim, espaço para impingir derrotas nesses conglomerados irresponsáveis que ousam definir, numa reunião de pauta em sala refrigerada, quais serão as próximas cabeças a rolar das guilhotinas, as reputações a serem maculadas.

Um Partido com história e que não se deixa abater

Por fim, a mobilização foi um verdadeiro chacoalhão moral. Sim, porque às vezes, no boteco da esquina, na barbearia ou na fila do mercado, podemos esmorecer, nesta aridez desértica que é a luta contra o pensamento hegemônico.

Não se pode prever como será o desfecho da crise iniciada pelas calúnias contra o ministro e nosso Partido. Mas, de todo modo, a militância comunista já deu prova notável do que é o PCdoB nos dias de hoje. Um partido moderno, renovado, que busca ampliar sua influência em todas as áreas, utilizando todas as formas de luta, que prefere não se acomodar ao fácil destino de virar seita e nem teme os desafios do presente.

Um Partido que é comunista e, portanto, é de classe e é de militância. Que se orgulha de seus líderes de hoje, que honra a memória de seus líderes e herois pretéritos. Um Partido que esteve em cada lance, em cada luta travada pela grandeza do Brasil e de seu povo desde o início do século passado. Que sangrou em defesa da liberdade e da democracia e, por isso mesmo, não se curvará nem por um instante à sanha dos que desejam negá-las, através da calúnia e do linchamento político e moral.

Um Partido que tem acertos e erros, porque tem uma linda e viva história de 90 anos. E 90 anos, cá entre nós, não são 90 dias.


* Secretário de Comunicação do PCdoB-SP

sábado, 22 de outubro de 2011

Miguel do Rosário: O Brasil e a calúnia - Portal Vermelho

Miguel do Rosário: O Brasil e a calúnia - Portal Vermelho

Foi uma sexta-feira (21) turbulentíssima. A mídia apertou o cerco em torno de Orlando Silva. Seus exércitos iniciaram um bombardeio concentrado durante o dia inteiro, tentando produzir um fato consumado. Na verdade, desde o dia anterior, a mídia vinha divulgando que o Planalto "emitira sinais" de que Orlando deveria pedir demissão.
A manchete do Jornal O Globo da quinta-feira (20) era enorme, bombástica e definitiva: Planalto decide afastar Orlando Silva. E nesta sexta quase todos os principais jornalistas políticos anunciavam a queda do ministro como inevitável e certa.

Até que, finalmente, chega a patroa. Dilma Rousseff voltou da África, deu declarações irritadas acerca das notícias sobre sua suposta decisão de afastar Orlando Silva, reuniu-se a portas fechadas com o ministro e, por fim, decidiu que ele permanece no cargo. Foi uma tremenda vitória contra a calúnia, contra a manipulação da notícia, e contra os desmandos enlouquecidos de uma mídia sem escrúpulos.

A tensão gerada pela onda crescente e delirante de denúncias vazias acabou, como era de se esperar, transformando-se em rancor também contra o governo, acusado de agir com pusilanimidade em face ao golpismo midiático. "O governo é covarde", tem sido uma acusação frequente.

De fato, é inegável que os políticos brasileiros têm medo da mídia. É preciso entender, porém, que a mídia não precisa passar pelo incômodo eleitoral. Ela tem dinheiro e estabilidade. Já o poder dos representantes políticos sofre de uma grande "fragilidade" (que também é sua força) democrática: é temporário e descartável.

Lembremos que o conflito entre mídia e governo tem sido um problema grave em todo mundo, e acontece de uma forma muito acentuada na América Latina. As instituições políticas por aqui não são respeitadas. Mas é injustiça dizer que o governo brasileiro e as lideranças políticas não estão reagindo.

Nesta sábado (22) o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, fez declarações contundentes contra o que ele chamou de fascismo pós-moderno.

Fonte: Blog do Nassif, publicado originalmente no blog Oleo do Diabo

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ministro fala em público pela quarta vez: onde estão as provas? - Portal Vermelho

Ministro fala em público pela quarta vez: onde estão as provas? - Portal Vermelho

Exijo o dinheiro público desviado por essa entidade. O que fiz foi combater o mau feito. E qual foi a reação de quem cometeu o delito? Acusa o Ministro de Estado e não apresenta provas. Esses são os fatos”. Pela quarta vez, o ministro do Esporte, Orlando Silva, veio a publico esclarecer ataques a sua honra e ao trabalho do Ministério.



Agência Senado


“Já se foram cinco dias, onde estão as provas das falsidades que me acusam?”, indaga o ministro.
Ele falou desta vez aos senadores, nesta quarta-feira (19), na audiência conjunta pelas comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). Ele diz que assim segue o roteiro, estabelecido por ele mesmo, na primeira hora do sábado quando tomou conhecimento da matéria publicada pela Revista Veja.

“Já se foram cinco dias, onde estão as provas das falsidades que me acusam?”, questionou o ministro mais uma vez, criticando aqueles que defendem a saída dele do ministério a partir da acusação. “Se pretende tirar o Ministro de Estado do governo no grito. Não importa se o acusador tenha que devolver recursos públicos. Não tenha provas. O processo tem que ser sumário, isso nos lembra do tempo de exceção, dos tempos de processos sumários”.

A exemplo do que ocorreu na audiência pública realizada ontem (18), na Câmara dos Deputados, o ministro recebeu mais palavras de apoios e solidariedade do que cobranças. Foram duas vozes da oposição contra o ministro, que incluíram palavras de elogios à postura de Orlando Silva.

O senador Mário Couto (PSDB-PA) disse que suspendeu o pronunciamento que faria no Plenário do Senado contra o ministro e que não faria perguntas sobre as denúncias porque considerava correta a atitude do ministro de procurar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar.

E pediu, a exemplo do que fez um deputado na audiência de ontem, que ele apoiasse o pedido da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O ministro agradeceu o voto de confiança, insistiu na gravidade das acusações feita pela Revista Veja e, novamente disse que as investigações serão feitas pelos órgãos competentes.

Imprensa privatizada

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que presidiu a audiência pública, ao encerrar a reunião, disse que a imprensa no Brasil é privatizada e que as pessoas que comandam a imprensa não podem atacar a honra das pessoas sem dar a elas o direito de resposta.

Ele defendeu a aprovação do projeto de lei de sua autoria que garante o necessário direito de resposta, destacando que a proposta não questiona a liberdade de imprensa.

O ministro Orlando Silva já tinha se manifestado sobre o assunto em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), que defendeu a liberdade de imprensa. Orlando disse que decidiu processar os caluniadores e não a Revista Veja e que tomou essa decisão para homenagear os bons profissionais de imprensa , de quem espera critério e apuração devida na cobertura dessa situação.

Ele disse que, embora não tenha hábito de se relacionar com a mídia, procurou diretor da revista (Veja) pedindo mesmo espaço para resposta. “Sigo aguardando resposta”, anunciou.

“Alimentar uma novela”

A novidade surgida na audiência ocorrida hoje no Senado é que a oposição, representada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não questionou o ministro sobre as acusações feitas por João Dias, mas quis repercutir denúncias feitas pelos vários órgãos de imprensa.

O ministro disse que “vamos examinar toda a qualquer denúncia. Nós instauramos processos administrativos como fizemos, não nos esquivamos de responder sobre qualquer contrato. Minha obrigação é essa, prestar contas”.

A essa tentativa da oposição, o senador Inácio Arruda, líder do PCdoB no Senado, disse que as acusações não são apenas contra ele (o ministro), anunciando que “o PCdoB vai tomar providências para não permitir que a cada dia se traga uma história nova para alimentar uma novela”.

E afirmou que nenhuma ONG está impedida de fazer convênio com o governo porque é do PCdoB. E explicou que a ONG Pra Frente Brasil, da vereadora de Jaguariúna (SP), Karina Rodrigues (PCdoB) atende 18 municípios, sendo quatro deles administrados pelo PSDB e vários outros partidos e nenhuma do PCdoB.

“O partido vai às últimas consequências não só no apoio ao senhor, mas ao embate político, porque existem forças que acham que o Ministério do Esporte ficou grande demais para o PCdoB”, afirmou o senador, para quem “é difícil tentar pegar o acusador como base de sustentação para tirar o ministro porque sabe que estão com criminoso e chantagista”.

Inversão de valores

O ministro também avalia que surgem outras acusações porque não existem provas para as acusações de João Dias. E citou como exemplo as insinuações de que ele teria adquridio um terreno em área que poderia se valorizar com a passagem de um duto da Petrobrás.

E explicou que o terreno é o único bem que possui, não faz parte do condomínio como insinuaram e que a área será desvalorizada com a passagem do duto. O ministro disse ainda que a foto da casa estampada nos jornais é de longe para não mostrar que é modesta, de 110 metros quadrados.

O ministro lembrou que tem outro bem em nome de minha mulher, um carro Fox, e que “os meus bens contrastam com o patrimônio de quem me ataca, e um soldado deve ter remuneração inferior ao Ministro de Estado”, desafinado a imprensa a investigar os bens do policial João Dias.

“Existe uma completa inversão de valores. Se a moda pega, os bandidos todos vão atacar os gestores para criar cortina de fumaça em torno de si mesmo”, afirmou o ministro, acrescentando que como baiano é sempre mais tranquilo, mas é que a revolta é muito grande.

“Faço apelo aos amigos da imprensa que exijam as provas (de quem acusa), porque não se pode realizar linchamento público de um homem público a partir de palavra lançada ao léu por um homem de quem se exige a devolução de recursos públicos”, afirmou.

De Brasília
Márcia Xavier

Nádia Campeão: "O PCdoB é alvo de farsa das forças reacionárias" - Portal Vermelho

Nádia Campeão: "O PCdoB é alvo de farsa das forças reacionárias" - Portal Vermelho



“O PCdoB está consciente de que é alvo de farsa de forças reacionárias e anticomunistas. Democracia boa para a direita é aquela comandada pelo fuzil de ditaduras ou aquela em que só os seus partidos e políticos podem governar”, diz Nádia em entrevista ao Vermelho-SP, onde também aborda a posição do partido diante do denuncismo contra a ação social da vereadora Karina, do PCdoB em Jaguariúna-SP.


Vermelho-SP: Nos últimos dias, quem acompanha a grande imprensa, tem recebido uma enxurrada de notícias e manchetes com denúncias contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o PCdoB. Como o Partido tem reagido e qual a repercussão e o impacto para o PCdoB paulista ?
Nádia Campeão: O que está ocorrendo é um recrudescimento dos ataques que a direita no país vem fazendo contra as forças progressistas e de esquerda desde que Lula foi eleito presidente. Não se conformam de terem sido derrotados por três vezes consecutivas. Não se conformam com o crescimento dos partidos de esquerda. Não se conformam com o apoio que a presidente Dilma vem angariando e nem com o novo projeto nacional que vai se consolidando na contramão da receita neoliberal. Como os partidos da oposição de direita, PSDB e DEM, estão cada vez mais enfraquecidos, coube à grande mídia ir para o ataque, ultrapassando todos os limites democráticos. Estão usando uma conhecida tática fascista: repetir mil vezes uma mentira até que ela seja aceita como verdade. Dão voz até a bandidos desde que eles se disponham a atirar calúnias grosseiras contra pessoas e instituições que atuam publicamente na sociedade, que prestam contas a dezenas de órgãos públicos, aos eleitores, que têm compromisso com democracia e com a trajetória da nação.

Desde o primeiro momento, o ministro Orlando e o PCdoB repudiaram com veemência todos os ataques caluniosos e denunciaram exaustivamente a farsa que está sendo montada. Somos os maiores interessados em que tudo seja esclarecido e a postura do ministro Orlando foi decidida e corajosa. O PCdoB está consciente de que é alvo de forças obscuras e anticomunistas, entrincheiradas nas páginas de jornalões e revistas, nos microfones e nas câmeras de TV da chamada grande mídia. Mas vamos enfrentar mais esta luta política, tendo certeza de que a verdade vai se impor e que o PCdoB é conhecido muito de perto por largas camadas do povo e pelos democratas, que não vão se confundir com cortina de fumaça.


Vermelho-SP: Nesse recrudescimento que a senhora cita, equipes de redatores e repórteres são destacados para a missão de comprovar que partidos políticos são produtos semelhantes em embalagens diferente. O PCdoB é o alvo da vez. Terminará nivelado ao final de tanta polêmica ?
NC: Acredito que o objetivo desta gente é desacreditar a própria política para afastar o povo dos processos de decisão dos rumos do país. Tentaram, e ainda tentam, incansavelmente, minar a liderança e o papel de Lula, por exemplo. Quem acompanhou o vexame que a imprensa brasileira deu em Paris quando Lula foi receber uma importante homenagem de uma universidade francesa no mês passado, sabe que o ódio deles contra lideranças populares não tem limites.

Ou seja, democracia boa para a direita é aquela comandada pelo fuzil de ditaduras ou aquela em que só os seus partidos e políticos podem governar. O PCdoB respeita a democracia brasileira, atua permanentemente em defesa dos direitos dos trabalhadores por um país mais justo, defende a soberania nacional e a causa do socialismo. Temos uma história límpida e honrada. Disputamos eleições, apresentamos nossas idéias e candidaturas, elegemos deputados, senadores, vereadores e prefeitos por todo país. Talvez por isso mesmo a direita esteja tão incomodada e raivosa. Eles não podem mais resolver sua fúria nos porões da ditadura, então atuam por outros caminhos sórdidos.

Vermelho-SP: Diante da crise atual, ganhou força a idéia de que o ministério do Esporte se tornará coadjuvante em relação a Copa do Mundo de 2014. Qual a opinião da senhora sobre isso ?
NC: O Ministério do Esporte é parte indissolúvel do governo brasileiro, que não pode ser enfraquecido no desafio de organizar a Copa do Mundo. Até agora tanto a presidente Dilma, expressão máxima do governo, como o Ministério do Esporte, na figura de Orlando Silva, tem se conduzido muito bem nesta questão. E é claro que nem sempre FIFA, CBF, emissoras de TV e outros envolvidos nos negócios do futebol ficam satisfeitos com determinadas posturas do governo de preservar nossos interesses e nossa legislação. É sintomática a tentativa de se utilizar do denuncismo armado para atingir o papel do Ministério na organização da Copa.

Vermelho-SP: Sem provas para sustentar acusações contra o ministro Orlando, as reportagens mudam o foco para a aplicação dos recursos do programa Segundo Tempo. Numa dessas reportagens, é citada uma ONG dirigida por uma vereadora do PCdoB, no interior paulista. Como o PCdoB vê a denúncia e qual o desfecho que ela pode ter ?
NC: As denúncias contra a ONG são requentadas. Já foi alvo de dezenas de reportagens anteriores e nenhuma vez se comprovou irregularidades. O convênio da entidade é realizado com cerca de 17 prefeituras dirigidas por diversos partidos – nenhuma prefeitura dirigida pelo PCdoB, diga-se de passagem - com teor aprovado nas câmaras de vereadores, com todas as suas prestações de contas aprovadas pelos Tribunais de Contas e acompanhadas pelo Ministério Público. As atividades da ONG e do Segundo Tempo são amplamente divulgadas, fiscalizadas pelas próprias prefeituras e pela comunidade. Se surgem novos fatos ou se forem apontadas irregularidades devem ser averiguadas rigorosamente.

Mas repudiamos qualquer tentativa de vincular o trabalho da ONG com a atuação do PCdoB. A vereadora Karina foi eleita por reconhecimento do seu trabalho como ex-atleta e por sua atuação no esporte social e educacional e cumpre as funções do mandato de forma independente de outras atividades de cunho social ou profissional.

Vermelho-SP: Na agitação de tantas manchetes, se fala num cenário de favorecimento e desvios de recursos para o PCdoB. É possível que o PCdoB tenha sido favorecido com recursos dos programas do Ministério do Esporte?
NC: O PCdoB só ganhou até agora os dividendos políticos de ter realizado um trabalho de grande significado no desenvolvimento da política de esporte do país, introduzindo uma legislação que atendeu as necessidades do esporte (estatuto do torcedor, lei de incentivo, bolsa-atleta, etc), de ter organizado e dado dimensão política ao Ministério do Esporte, de ter conquistado para o Brasil a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

O PCdoB financia suas atividades políticas de acordo com a legislação brasileira, presta contas regiamente ao Tribunal Superior Eleitoral todos os anos, em todas as campanhas eleitorais, e jamais foi condenado por nenhuma irregularidade nesta matéria. Fazer este tipo de elucubração é parte da campanha difamatória contra o Partido, que em nenhuma hipótese pode ser comprovada. O único recurso público do qual se utiliza o PCdoB, para os fins previstos em lei, é o Fundo Partidário, como os demais partidos do país.

Por Djalma Bataglhia, do PCdoB-SP


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vermelho: Renato Rabelo: A crise financeira e a oportunidade histórica - Portal Vermelho

Renato Rabelo: A crise financeira e a oportunidade histórica - Portal Vermelho

Está em curso o que podemos chamar de uma segunda fase da crise financeira marcada pelo aprofundamento dos problemas de ordem fiscal nos Estados Unidos e Europa, cujas sinalizações de solução não são positivas: os gestores da crise ainda se encontram no núcleo do poder norte-americano e ainda não ensejaram soluções novas aos problemas econômicos criados. O impasse político e econômico é conseqüência deste modo predominante.

Por Renato Rabelo*

A crise acelera uma “transição sistêmica”, fortalecendo novos blocos de poder, entre eles o BRICS – a articulação formada por Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China. O sinal interessante do momento está na própria sinalização de ajuda financeira à Europa pelo BRICS. Neste contexto de um mundo em transição, outros dois elementos são essenciais, sendo eles a formação de um bloco de países governados por alianças progressistas na América Latina e outro, de caráter reacionário, na resposta lenta do hegemonismo norte-americano à sua própria decadência evidente nos empreendimentos militares do Iraque, Afeganistão e recentemente numa guerra colonial para domínio da Líbia.

Como se comportar o Brasil diante deste quadro? Para o PCdoB, esta crise exige audácia do governo brasileiro no sentido de aproveitar este “cotovelo da história” para avançar no rumo de mudanças e que, concretamente, abra caminho à realização de um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Aproveitar esta chance não é um movimento novo, algo a se inventar. A Revolução de 1930 e as ações do governo Lula no início da crise são bons exemplos que aparecem no retrovisor da história e que podem servir de desenho a uma ação ousada. E de certa forma isso tem sido feito pelo governo de Dilma Rousseff, que desenvolve grande esforço na busca de alternativa nova.

As ações do governo Dilma diante do agravamento da crise se dão num quadro de fortalecimento de sua própria autoridade. O lançamento do Programa Brasil sem Miséria, a redução da taxa de juros, o aumento do IPI sobre os carros importados são sinais positivos nada elementares, assim como é a própria gestão conjugada das políticas monetárias e fiscal, abrindo campo para uma significativa queda da taxa SELIC, fortalecendo a convicção em torno de uma engenharia política e econômica que capacite nosso país chegar em 2014 praticando taxas de juros mais racionais e próximas de patamares internacionais.

Pouco se diz, mas muito se sente – diante da reação do “mercado” e de setores da grande mídia, sobre o real significado da possibilidade de se praticar taxa de juros a níveis internacionais até 2014. Para o PCdoB, o movimento é claro e pode ser sintetizado numa arrumação de médio e longo prazos capaz de desmontar o acordo tácito que configurou o Plano Real. Aí, na prática, passou a se impor um “protocolo” na relação entre o governo e o “mercado” financeiro, garantindo a prevalência de ganhos baseados na – inexplicável – maior taxa de juros do mundo. Este acordo tácito dominante possibilitou o trânsito dos ganhos com a inflação para outro – onde os juros, e a política monetária, tornaram-se a base social do “acordo”. Essa transição a um novo pacto político agora não virá espontaneamente, e a mobilização social e o fortalecimento da luta dos trabalhadores, e o apoio aos empresários da produção são parte essencial deste todo complexo. Este é o caminho para a queda declinante da taxa de juros tornando possível a vigência de uma política monetária que sustente um desenvolvimento acentuado por largo período.

Ao PCdoB, diante deste quadro, cabem esforços para a realização de tarefas importantes. Fortalecer o governo Dilma e o núcleo mudancista. Defender o Brasil e sua economia ante os efeitos da crise. Neste sentido, apoiar e estimular as lutas e mobilizações do povo e dos trabalhadores. O aumento da responsabilidade do PCdoB diante da nação e do povo são demandas normais de uma força em crescimento e partícipe do governo nacional. Não nos esquivaremos de nossas obrigações chanceladas há quase 90 anos.

Fonte: Congresso em Foco
*Presidente nacional do PCdoB

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