Vermelho
Jornal GGN
Eis que o grande acontecimento político da semana abre uma nesga de luz na sombria noite brasileira. Por óbvio, não falo da aprovação, em segundo turno, da Reforma da Previdência, esse Frankenstein destruidor de direitos dos mais pobres ao qual eu, meu Partido e outros parlamentares progressistas nos opusemos vivamente.
Nesse caso, combatemos o bom combate, a resistência nas ruas e no parlamento logrou conquistas importantes que diminuíram alguns dos muitos prejuízos contidos no texto. Mas o fato é que o atual parlamento tem uma composição amplamente favorável às pautas econômicas antipopulares – nesse terreno, nos resta a luta de resistência, que travamos abnegadamente e sem tréguas.
O acontecimento alvissareiro da semana, ao qual esse texto se refere, foi o verdadeiro levante institucional contra o disparate da ordem de transferência do ex-presidente Lula, à revelia do direito, do bom-senso e mesmo de elementares sentimentos humanitários – afinal, levá-lo ao presídio de Tremembé poderia ter implicações para sua segurança e mesmo para sua vida.
A atitude da PF e da juíza da execução penal, extemporânea e inconsistente com a já autorizada progressão de regime concedida a Lula, simbolizou uma tentativa de desviar o foco das graves revelações de ilegalidades que envolvem a força-tarefa da Lava-Jato e seus principais agentes, além de sinalizar com uma escalada de parte do judiciário para impor um Estado de exceção, abertamente autoritário e contra as garantias constitucionais.
Ato contínuo, a Câmara Federal reagiu amplamente e de maneira exemplar. Afora os discursos condenando a atitude, que se avolumaram e envolveram até mesmo deputados do DEM e do PSDB, formou-se uma delegação suprapartidária de cerca de 70 parlamentares, com distintas posições no espectro ideológico, para procurar institucionalmente o Supremo Tribunal Federal e solicitar a revogação da ordem da justiça paranaense.
Na esteira dos acontecimentos, a sessão plenária do Supremo Tribunal de Federal decidiu, pelo acachapante placar de 10 votos a 1, suspender a transferência, acatando o pedido da defesa do ex-presidente.
Seria inocente acreditar que essa vitória pontual venha a simbolizar, de imediato, uma mudança qualitativa na correlação de forças na sociedade, ainda favorável às vozes do atraso e do obscurantismo. Não se mobilizará, nesse momento, o mesmo contingente para defender a liberdade do ex-presidente Lula ou para barrar medidas econômicas de cunho liberal. Infelizmente, algumas pautas mais avançadas e democráticas, por justas e importantes que sejam, ainda abarcam parcelas já aderentes às forças progressistas e de esquerda.
Contudo, seria um erro político crasso minimizar ou tratar como “mera obrigação” o levante institucional de ontem. Ora, na quadra atual, o Brasil vive justamente uma luta que opõe institucionalidade x arbítrio, democracia x autoritarismo, civilização x barbárie. Portanto, o que se viu ontem foi um primeiro ensaio de formação de uma frente ampla democrática, cujo objetivo central é defender o país contra a escalada do arbítrio.
Essa frente deve estar aberta a todos os segmentos que defendem a democracia, a institucionalidade, os direitos e garantias constitucionais, sem veto de coloração política ou ideológica. Ao enquadrar os arreganhos autoritários do lavajatismo, a frente ampla democrática fez seu ensaio geral em grande estilo.
Derrotas de Moro no “pacote anticrime” são vitórias da Constituição
Esse assunto deve ser abordado mais detalhadamente em outro artigo, mas vale o registro dos debates realizados no Grupo de Trabalho constituído na Câmara para produzir uma síntese entre o PL 882/19, o “pacote” de Sérgio Moro, e o projeto elaborado por uma comissão de juristas liderada por Alexandre de Moraes, hoje ministro do Supremo.
O PL 882/19, que ganhou grande expressão midiática, se pauta pelo punitivismo, facilita o encarceramento em massa e a violação de garantias fundamentais do processo penal. Nas discussões do GT, Moro foi derrotado em dois aspectos centrais de sua proposta: foram rejeitados a prisão antes do trânsito em julgado da sentença condenatória e a adoção do instituto “plea bargain”.
Este último é uma espécie de acordo penal, copiado do modelo norte-americano, que dá superpoderes ao Ministério Público para barganhar a redução da pena, desde que o réu assuma o crime e renuncie ao devido processo legal, antecipando o cumprimento de pena, inclusive a privativa de liberdade.
As derrotas de Sérgio Moro no tal “pacote” devem ser comemoradas por quem defende a Constituição e suas garantias fundamentais, como a presunção de inocência, o direito à ampla defesa e o devido processo legal.
Orlando Silva é deputado federal pelo PCdoB-SP e membro do GT Penal da Câmara.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
Contra a privatização do saneamento e do abastecimento. Cortem os juros!! - Orlando Silva
Encaminhei a posição contrária do @PCdoB_Oficial à MP da Seca, que visa privatizar as empresas de saneamento e abastecimento de água. Faremos "um inferno no plenário", mas não deixaremos que aprovem esse absurdo! pic.twitter.com/BVNuImtgi0— Orlando Silva (@orlandosilva) 7 de maio de 2019
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Bloco de oposição (PSB-PCdoB-PDT) na Câmara se reúne sindicalistas para barrar reforma da Previdência - Hora do Povo e Facebook Dep. André Figueiredo
Por Hora do Povo Publicado em 13 de fevereiro de 2019

Ato aconteceu na Câmara do Deputados
O governo Bolsonaro ainda não apresentou sua proposta de reforma da Previdência na Câmara, mas os trabalhadores, servidores públicos, aposentados, sindicalistas e diversas entidades da sociedade civil reuniram-se nesta quarta-feira (13) com parlamentares que integram o bloco de oposição liderado pelo PSB, PDT e PCdoB, na Câmara dos Deputados, para organizar ações contra a reforma da Previdência.
A reunião contou com a participação de entidades como a Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), o Fórum Sindical dos Trabalhadores, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Confederação da Mulheres do Brasil (CMB), entre outras.
Durante o ato, os parlamentares e lideranças das entidades debateram e deliberam estratégias de enfrentamento à reforma da Previdência, que deverá ser apresentada ao Congresso nos próximos dias pelo governo.
O deputado André Figueiredo, líder do PDT na Câmara, que dirigiu a reunião, afirmou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), garantiu que não haverá atropelo do regimento.
“A reforma da Previdência que será enviada ao Congresso possivelmente irá incluir uma alteração profunda no modelo trabalhista. As mudanças teriam como alvo os mais jovens, que devem ser enquadrados no modelo de capitalização, onde cada trabalhador contribui para sua própria aposentadoria. Não admitiremos nenhum tipo de precarização. A reforma é importante, mas não a proposta que está colocada pelo governo,” afirmou Figueiredo.
O líder do PCdoB na Câmara, deputado Orlando Silva (SP), destacou que “nosso desafio será ter capacidade de atrair novos partidos para se somar nesse movimento em defesa do Brasil e dos direitos dos trabalhadores”. O parlamentar lembrou que PT e PSOL devem se somar ao movimento, mesmo ausentes na reunião desta quarta-feira.
“Precisamos estabelecer parâmetros básicos que agreguem. Previdência é direito ou negócio? Essa é a estratégia do setor financeiro. Transformar direitos em negócios. Esse é um exemplo das unidades que devemos buscar, de modo que tenhamos um discurso consistente, capaz de influenciar a sociedade, o parlamento e alcançar os melhores resultados”, afirmou Orlando Silva.
O líder do PSB na Câmara, deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), destacando que o PSB quer aprofundar o debate sobre a Previdência Social, disse: “Nós queremos fazer um debate profundo, largo e honesto. Sem atropelo, que não se admita o rolo compressor que muitas vezes se quer imprimir nesta Casa”, disse Alencar.
Também falaram no evento a deputadas Jandira Feghalli (PCdoB/RJ) e Alice Portugal (PCdoB – BA), e os deputados Mauro Benevides Filho (PDT/CE), Paulo Ramos (PDT – RJ) e Daniel Almeida (PCdoB-BA).
Durante o debate, a deputada Jandira Feghali (RJ) lembrou que “hoje temos um regime de repartição seguro, onde há o patronato, a União, a contribuição da sociedade e do empregado. [Com a capitalização] partiremos para um regime inseguro. Nosso problema é a economia. Estamos num regime econômico onde os trabalhadores estão em altíssima rotatividade, e um alto índice de desemprego. O problema da Previdência não é o que diz a Constituição, mas a economia. Vamos precisar fazer uma ampla resistência para evitar que essa proposta avance”, disse.
Paulo Vinicius da Silva, da CTB, destacou a necessidade de ampliação do grupo de parlamentares contrários à reforma. “Precisamos falar com todos os deputados para ampliar o número de votos. Vamos vencer essa luta com povo nas ruas”, disse.
O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira destacou que deve ser desmascarada por completo a fabricação do déficit da Previdência e denunciou que a previdência está sendo roubada, através da Desvinculação de Receitas da União (DRU), desonerações e sonegação por parte da empresas. “Não tem déficit na Previdência, ela é superavitária. Eles querem dar dinheiro aos bancos, querem privatizar a Previdência”, destacou Bira.
Segundo o presidente da ANFIP, Floriano Martins de Sá Neto, “a reforma da Previdência não é para melhorá-la, para melhor geri-la, pois se fosse isto, era só usar a CPI da Previdência – que foi aprovada por unanimidade no Senado”.
ANTÔNIO ROSA
ACOMPANHE ALGUNS VÍDEOS DA AUDIÊNCIA - Facebook do Deputado André Figueiredo (PDT-CE)
Minha fala em nome da Secretaria de Relações do Trabalho da CTB Nacional
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Orlando Silva: É preciso ouvir Guimarães Rosa - Sobre a eleição da Câmara
PORTAL VERMELHO
As eleições para as mesas da Câmara e do Senado sempre ensejam muita intriga política, disputas por protagonismo e por objetivos das forças políticas que compõem o Parlamento, sejam elas governistas ou de oposição. Muitas vezes, para galvanizar prestígio na opinião pública “engajada” e deslegitimar movimentos de outras forças, argumentos enviesados são apresentados, como se as eleições internas do parlamento seguissem as mesmas regras ou fossem um terceiro turno das eleições gerais.
Richard Silva/PCdoB na Câmara
Por Orlando Silva*
A verdade, no entanto, é que são eleições em quase tudo distintas. Nas eleições gerais são debatidos – ou ao menos deveriam ser – projetos para o país, objetivos a perseguir na economia, em políticas públicas para as diversas áreas, como saúde e educação, que, ao fim, são submetidos a escolha popular através do voto em candidatos que sustentem tais programas.
No caso das eleições para o comando das casas legislativas, os debates giram entorno da reafirmação da autonomia do poder e não submissão ao Executivo, dos compromissos com a manutenção da democracia interna da Casa, do respeito ao regimento e à proporcionalidade para distribuição dos espaços na mesa diretora, em comissões, relatorias. Não são questões menores, pois garantem a própria condição para o exercício de prerrogativas caras às minorias e oposições. Mas também não são, como alguns querem fazer parecer, debates entre programas de governo. Tais pactos firmados pelos candidatos guiam as posições partidárias – não é, portanto, necessariamente, uma disputa entre direita e esquerda, nem uma questão de princípios.
A ação dos comunistas no Parlamento sempre esteve acompanhada de polêmica. É natural, trata-se de uma instituição que ganhou formas mais precisas com a democracia liberal e se constituiu em mecanismo funcional para o domínio institucional das classes dominantes. Por outro lado, pode ser uma caixa de ressonância das demandas dos trabalhadores e, a depender da correlação de forças, até um espaço de conquistas para o povo.
O PCdoB já tem uma tradição relevante de atuação parlamentar, que remonta a 1945. Já atravessamos momentos bem distintos da vida nacional. E essa história deve nos inspirar. A conjuntura atual tempera muito os debates políticos, exigindo balizar e justificar a posição a ser tomada pelos comunistas com base em objetivos traçados para atuação no Congresso no próximo período. A meu ver:
1. Garantir funcionamento democrático do parlamento, de maneira que a oposição possa exercer efetivamente seu papel;
2. Atuar para o que o legislativo reequilibre a relação com outros poderes. Isso nos interessa porque interessa à estabilidade democrática, o que no quadro atual tem especial importância. No Brasil de hoje, a estabilidade institucional tem um valor chave.
3. Manter relações políticas amplas, fundamentais para nossa ação política nos próximos anos.
4. Participar da governança da Casa e das comissões, com alguma relevância.
Tenho dito que eleição da Mesa da Câmara não é do líder do Governo, nem da Oposição. Isso é importante porque o ambiente político está extremamente polarizado e essa polarização vai prosseguir, pois ela é funcional para os polos. Um alimenta o outro: facilita o exercício do poder para um lado, e mantém a perspectiva de poder para o outro. E o interesse nacional vai sucumbindo nesse estica e puxa. É triste.
No caso concreto da eleição para a direção da Câmara, a candidatura de Rodrigo Maia polariza o debate. Natural, é o atual presidente. É um político conservador. Na economia, um liberal convicto. Mas é um democrata, não um déspota.
Com a queda de Eduardo Cunha, foi eleito presidente. Assumiu e cumpriu movimentos delicados, como impedir que instrumentos legislativos fossem utilizados para perseguir e criminalizar entidades e movimentos sociais ou o acordo que retirou de pauta o projeto de privatização da Eletrobrás.
Na eleição atual para a Mesa, havia uma construção para unir um bloco em defesa da política.
O PSL percebeu o jogo e correu para anunciar o apoio a Maia, assim reduzindo o risco do governo sofrer uma derrota estratégica. Contudo, a eventual vitória de Rodrigo Maia não deve ser lida como uma vitória do campo governista, uma vez que este sempre o qualificou como “velha política”. Lembremos que o Clã Bolsonaro anunciou a quem quisesse ouvir que “o tempo de Rodrigo Maia havia passado” – mais claro, impossível.
Candidaturas forjadas só para marcar posição servem para ganhar likes nas bolhas das redes sociais, mas seguem uma lógica de isolamento que em nada serve à oposição.
Há, também, candidatos avulsos tentando pescar em águas turvas, buscando bênçãos da sorte “Severina”. Lembram do Severino?
Esse é o quadro, com uma novidade aqui e outra ali, fatos acessórios, úteis à crônica política. No mais, há uma polêmica na esquerda, que diz respeito a diferenças estratégicas e táticas, de leitura de correlação de forças, de frente ampla ou frente de esquerda. Na eleição da Câmara, tais divergências vão aparecer sempre. O debate de fundo se arrasta faz tempo. Esse será apenas mais um round.
O país vive uma situação delicada. Temos um governo de extrema direita, que diz abertamente que entre seus objetivos está perseguir a esquerda, acabar com direitos sociais e democráticos. Neste quadro extremamente desfavorável para as forças progressistas, o isolamento no Congresso pode ser fatal até mesmo para o exercício pleno da oposição ao governo.
Guimarães Rosa já nos ensinou que “o sapo não pula por boniteza, mas por precisão”. É o caso. Rodrigo Maia, nas atuais condições políticas, é o nome que reúne melhores condições para presidir a Câmara dos Deputados e garantir o seu funcionamento democrático e autonomia diante dos outros poderes.
O PCdoB indicou sua posição. E busca construir com PSB e PDT um caminho comum.
* Orlando Silva é líder do PCdoB na Câmara dos Deputados.
As eleições para as mesas da Câmara e do Senado sempre ensejam muita intriga política, disputas por protagonismo e por objetivos das forças políticas que compõem o Parlamento, sejam elas governistas ou de oposição. Muitas vezes, para galvanizar prestígio na opinião pública “engajada” e deslegitimar movimentos de outras forças, argumentos enviesados são apresentados, como se as eleições internas do parlamento seguissem as mesmas regras ou fossem um terceiro turno das eleições gerais.
Richard Silva/PCdoB na Câmara
Por Orlando Silva*
A verdade, no entanto, é que são eleições em quase tudo distintas. Nas eleições gerais são debatidos – ou ao menos deveriam ser – projetos para o país, objetivos a perseguir na economia, em políticas públicas para as diversas áreas, como saúde e educação, que, ao fim, são submetidos a escolha popular através do voto em candidatos que sustentem tais programas.
No caso das eleições para o comando das casas legislativas, os debates giram entorno da reafirmação da autonomia do poder e não submissão ao Executivo, dos compromissos com a manutenção da democracia interna da Casa, do respeito ao regimento e à proporcionalidade para distribuição dos espaços na mesa diretora, em comissões, relatorias. Não são questões menores, pois garantem a própria condição para o exercício de prerrogativas caras às minorias e oposições. Mas também não são, como alguns querem fazer parecer, debates entre programas de governo. Tais pactos firmados pelos candidatos guiam as posições partidárias – não é, portanto, necessariamente, uma disputa entre direita e esquerda, nem uma questão de princípios.
A ação dos comunistas no Parlamento sempre esteve acompanhada de polêmica. É natural, trata-se de uma instituição que ganhou formas mais precisas com a democracia liberal e se constituiu em mecanismo funcional para o domínio institucional das classes dominantes. Por outro lado, pode ser uma caixa de ressonância das demandas dos trabalhadores e, a depender da correlação de forças, até um espaço de conquistas para o povo.
O PCdoB já tem uma tradição relevante de atuação parlamentar, que remonta a 1945. Já atravessamos momentos bem distintos da vida nacional. E essa história deve nos inspirar. A conjuntura atual tempera muito os debates políticos, exigindo balizar e justificar a posição a ser tomada pelos comunistas com base em objetivos traçados para atuação no Congresso no próximo período. A meu ver:
1. Garantir funcionamento democrático do parlamento, de maneira que a oposição possa exercer efetivamente seu papel;
2. Atuar para o que o legislativo reequilibre a relação com outros poderes. Isso nos interessa porque interessa à estabilidade democrática, o que no quadro atual tem especial importância. No Brasil de hoje, a estabilidade institucional tem um valor chave.
3. Manter relações políticas amplas, fundamentais para nossa ação política nos próximos anos.
4. Participar da governança da Casa e das comissões, com alguma relevância.
Tenho dito que eleição da Mesa da Câmara não é do líder do Governo, nem da Oposição. Isso é importante porque o ambiente político está extremamente polarizado e essa polarização vai prosseguir, pois ela é funcional para os polos. Um alimenta o outro: facilita o exercício do poder para um lado, e mantém a perspectiva de poder para o outro. E o interesse nacional vai sucumbindo nesse estica e puxa. É triste.
No caso concreto da eleição para a direção da Câmara, a candidatura de Rodrigo Maia polariza o debate. Natural, é o atual presidente. É um político conservador. Na economia, um liberal convicto. Mas é um democrata, não um déspota.
Com a queda de Eduardo Cunha, foi eleito presidente. Assumiu e cumpriu movimentos delicados, como impedir que instrumentos legislativos fossem utilizados para perseguir e criminalizar entidades e movimentos sociais ou o acordo que retirou de pauta o projeto de privatização da Eletrobrás.
Na eleição atual para a Mesa, havia uma construção para unir um bloco em defesa da política.
O PSL percebeu o jogo e correu para anunciar o apoio a Maia, assim reduzindo o risco do governo sofrer uma derrota estratégica. Contudo, a eventual vitória de Rodrigo Maia não deve ser lida como uma vitória do campo governista, uma vez que este sempre o qualificou como “velha política”. Lembremos que o Clã Bolsonaro anunciou a quem quisesse ouvir que “o tempo de Rodrigo Maia havia passado” – mais claro, impossível.
Candidaturas forjadas só para marcar posição servem para ganhar likes nas bolhas das redes sociais, mas seguem uma lógica de isolamento que em nada serve à oposição.
Há, também, candidatos avulsos tentando pescar em águas turvas, buscando bênçãos da sorte “Severina”. Lembram do Severino?
Esse é o quadro, com uma novidade aqui e outra ali, fatos acessórios, úteis à crônica política. No mais, há uma polêmica na esquerda, que diz respeito a diferenças estratégicas e táticas, de leitura de correlação de forças, de frente ampla ou frente de esquerda. Na eleição da Câmara, tais divergências vão aparecer sempre. O debate de fundo se arrasta faz tempo. Esse será apenas mais um round.
O país vive uma situação delicada. Temos um governo de extrema direita, que diz abertamente que entre seus objetivos está perseguir a esquerda, acabar com direitos sociais e democráticos. Neste quadro extremamente desfavorável para as forças progressistas, o isolamento no Congresso pode ser fatal até mesmo para o exercício pleno da oposição ao governo.
Guimarães Rosa já nos ensinou que “o sapo não pula por boniteza, mas por precisão”. É o caso. Rodrigo Maia, nas atuais condições políticas, é o nome que reúne melhores condições para presidir a Câmara dos Deputados e garantir o seu funcionamento democrático e autonomia diante dos outros poderes.
O PCdoB indicou sua posição. E busca construir com PSB e PDT um caminho comum.
* Orlando Silva é líder do PCdoB na Câmara dos Deputados.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Audiência pública desmascara a Reforma dos patrões contra a CLT - Portal CTB
Intervenção da CTB - Paulo Vinícius Silva - na Audiência Pública das Comissões de Trabalho e Legislação Participativa - vídeo da TV Câmara - https://www.youtube.com/watch?v=GmlFFsVBfbw
“Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente. Mas, esse povo de quem fui escravo, não será escravo de ninguém”. Lembrando Getúlio Vargas, ao promulgar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Paulo Vinícius Santos, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), representou a entidade na audiência pública, ocorrida na manhã desta terça-feira (18), das comissões do Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) e de Legislação Participativa (CLP), da Câmara dos Deputados.
Quase que uníssonos, os participantes discorreram contrários ao substitutivo apresentado na semana passada pelo relator da Reforma Trabalhista, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Entre os debatedores do Projeto de Lei 6787/16, estiveram dirigentes de Centrais Sindicais, Ministério do Trabalho e Emprego, Associação de Magistrados, Ministério Público do Trabalho, advogados trabalhistas, juízes e desembargadores.

A desembargadora Vólia Bomfim Cassar, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, apresentou um vasto trabalho de análise do relatório do deputado Marinho, onde criticou duramente o texto. Segundo ela, as limitações à jurisprudência da Justiça Trabalhista, a possibilidade de trabalho intermitente, o custo das ações trabalhistas que passariam a ser cobrado dos empregados e o teletrabalho são alguns dos pontos mais cruéis da proposta. “Chega às raias da inconstitucionalidade impedir a jurisprudência de analisar um princípio constitucional”, disse.
Vólia também citou como pontos negativos a previsão de trabalho em casa sem a contagem da jornada de trabalho, horas extras e trabalho noturno. A desembargadora foi muito firme contra o ponto que trata da cobrança de pagamento de custas judiciais pelo empregado que perder uma ação trabalhista. “O empregado tem que pagar custas judiciais e só pode entrar com outra ação quando pagar. Mas o empregador não precisa”, comparou.
Parlamentares defendem direitos trabalhistas
Deputados comprometidos com a luta dos trabalhadores e trabalhadoras também se manifestaram. O deputado Bebeto (PSB/BA) deixa claro que o substitutivo do relator veio por encomenda. Segundo ele, os 117 artigos da CLT que estão sendo alterados, servem para piorar a vida da classe trabalhadora. Ele exemplificou que a proposta de trabalho intermitente coloca os trabalhadores e trabalhadoras à disposição da empresa, mas na eventualidade de ele ficar doente e não poder cumprir a convocação empresarial, impõe-lhe multa.
Ele também criticou o fim dos marcos protetivos da classe trabalhadora, ao propor a sobreposição do negociado sobre o legislado. Bebeto defende que é necessário derrotar o requerimento de urgência e fazer com que um amplo debate aconteça na sociedade.
O deputado Assis Melo (PCdoB/RS) autor do requerimento da audiência pública afirmou que “cada vez que nós debatemos esta proposta, nos apavoramos mais. Peço que os trabalhadores não sejam atropelados. Não queremos votar este projeto assim. Precisamos aprofundar o debate, fazer emendas. Este projeto não tem nada de inovação, ele vem na contramão da história”, afirmou o deputado que também é membro da comissão especial.
Para o presidente da CTASP, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o relatório de Marinho é um “desastre” e como apresenta uma série de propostas diferentes do texto original defendido pelo governo não deve ter uma votação acelerada.
“O papel do Parlamento não é afirmar um ponto de vista, mas atender às necessidades do nosso povo. Por isso, esse relatório é um desastre. A proposta do governo já era ruim, mas o substitutivo é pior ainda. Modificar 117 artigos da CLT é um absurdo e mais absurdo ainda é querer tramitar isso como a base do governo quer: da noite para o dia”, criticou o parlamentar.
A palavra-chave que encerrou a maioria dos discursos, não apenas dos sindicalistas, mas também dos representantes do direito, foi a Greve Geral de 28 de abril. No entendimento dos expositores, somente a mobilização da sociedade será capaz de barrar a ofensiva do Governo Temer e seus representantes no parlamento, contra os direitos sociais, previdenciários e trabalhistas.
De Brasília, Sônia Corrêa - Portal CTB
sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Orlando Silva se emociona em seminário da UJS
O último dia do seminário preparatório ao 16º congresso da UJS teve inicio com o tema sobre a história da União da Juventude Socialista e as perspectivas futuras da maior organização de jovens socialistas do Brasil. O debate reuniu três gerações de dirigentes durante os 28 anos da UJS, que serão completados no dia 22 de setembro.
Ricardo Abreu, mais conhecido como Alemão, falou em nome da geração da década de 1980 e inicio da década de 1990, tratando da fundação da UJS e seus primeiros passos na luta política do Brasil.
Além de Alemão, participaram do debate Orlando Silva, ex-ministro dos esportes e presidente da UJS entre os anos de 1999 a 2001 e Wadson Ribeiro, que presidiu a UJS entre 2001 e 2006. Wadson falou do momento político que viveu entre a passagem do governo FHC ao governo Lula, relatando a atuação protagonista da UJS nestes dois períodos.
O momento mais importante ocorreu quando o ex-ministro Orlando Silva contou sobre os ataques que sofrera da grande imprensa recentemente, agradecendo a defesa que a UJS fez de sua figura como ministro. Na ocasião a UJS realizou ações nas redes sociais, que tiveram grande repercussão e ajudaram a combater os ataques desferidos pela direita em conluio com diversos meios de comunicação.
Segundo Orlando, houve um dia, em meio a crise política no ministério dos esportes, que não conseguiu conter as lágrimas, foi quando percebeu que todas as pessoas que o apoiavam haviam substituído suas fotos pela foto do ministro no twitter.
Assista na íntegra o depoimento de Orlando Silva:
Ricardo Abreu, mais conhecido como Alemão, falou em nome da geração da década de 1980 e inicio da década de 1990, tratando da fundação da UJS e seus primeiros passos na luta política do Brasil.
Além de Alemão, participaram do debate Orlando Silva, ex-ministro dos esportes e presidente da UJS entre os anos de 1999 a 2001 e Wadson Ribeiro, que presidiu a UJS entre 2001 e 2006. Wadson falou do momento político que viveu entre a passagem do governo FHC ao governo Lula, relatando a atuação protagonista da UJS nestes dois períodos.
O momento mais importante ocorreu quando o ex-ministro Orlando Silva contou sobre os ataques que sofrera da grande imprensa recentemente, agradecendo a defesa que a UJS fez de sua figura como ministro. Na ocasião a UJS realizou ações nas redes sociais, que tiveram grande repercussão e ajudaram a combater os ataques desferidos pela direita em conluio com diversos meios de comunicação.
Segundo Orlando, houve um dia, em meio a crise política no ministério dos esportes, que não conseguiu conter as lágrimas, foi quando percebeu que todas as pessoas que o apoiavam haviam substituído suas fotos pela foto do ministro no twitter.
Assista na íntegra o depoimento de Orlando Silva:
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Blog do Sorrentino - A CGU e o Ministério do Esporte
Blog do Sorrentino » Blog Archive » A CGU e o Ministério do Esporte
Começo de desvendamento, é o que permite a Folha de São Paulo hoje, em
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/18530-uniao-demora-20-anos-para-cobrar-desvio-de-r-300-mi.shtml.
Os “desvios” em Ministérios nos últimos 10 anos, segundo a Controladoria Geral da União, somam 7,7 bilhões e são assim oriundos: 34% do Ministério da Saúde, 14,5% da Integração Nacional, 12,5% da Educação, 8,1 da Fazenda, 6,2% do Trabalho, 5,7 do Planejamento, 3,5% do Meio Ambiente, 2,6% da Cultura, 1,7% da Ciência e Tecnologia, 1,6 % da Previdência. O restante são 9,6% de outros, onde se inclui o Ministério do Esporte.
Tamanho não é documento, por suposto, quando se trata de práticas com a coisa pública. Mas para enfrentar o problema – e a CGU já alegou que nem funcionários suficientes tem para toda a ação fiscalizatória – deve-se pô-lo em perspectiva adequada, hierarquizá-lo. Por que não indicar as ações que os Ministérios adotaram frente aos processos indicados? Quantos deles estão ou estiveram em processos do TCU?
Sabe-se que o Ministério do Esporte, sob a direção de Orlando Silva, condenou o denunciante João Dias a devolver aos cofres públicos perto de 4 milhões desviados. O processo chegou a termo no TCU, por iniciativa do Ministro. Sabe-se que a percentagem de convênios do Ministério com entidades não governamentais era cadente, chegariam a termo no ano de 2011, e a soma envolvida era menos de 1% do total de convênios feitos por todos os demais ministérios.
A verdade toda tem que aparecer e um trabalho permanente tem que ser mantido nesse sentido. Fiscalizar ação pública é uma coisa. A denúncia contra Orlando Silva é outra: foi armada, sem nenhum indício e menos ainda prova. A mídia oposicionista criou um factóide aproveitando a suposta denúncia de um criminoso. A questão fez parte da luta política contra o governo Dilma e renovou insuspeito – ao menos para alguns – anticomunismo.
A questão é que o Ministério do Esporte, sob comando de Orlando Silva, agiu corretamente, em defesa da coisa pública. Por que a mídia se assume como um poder unilateral infenso a qualquer norma de direito, que “fiscaliza”, indicia, julga e condena? A verdade bastará para desvendar a trama. Quem tem medo dela?
Começo de desvendamento, é o que permite a Folha de São Paulo hoje, em
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/18530-uniao-demora-20-anos-para-cobrar-desvio-de-r-300-mi.shtml.
Os “desvios” em Ministérios nos últimos 10 anos, segundo a Controladoria Geral da União, somam 7,7 bilhões e são assim oriundos: 34% do Ministério da Saúde, 14,5% da Integração Nacional, 12,5% da Educação, 8,1 da Fazenda, 6,2% do Trabalho, 5,7 do Planejamento, 3,5% do Meio Ambiente, 2,6% da Cultura, 1,7% da Ciência e Tecnologia, 1,6 % da Previdência. O restante são 9,6% de outros, onde se inclui o Ministério do Esporte.
Tamanho não é documento, por suposto, quando se trata de práticas com a coisa pública. Mas para enfrentar o problema – e a CGU já alegou que nem funcionários suficientes tem para toda a ação fiscalizatória – deve-se pô-lo em perspectiva adequada, hierarquizá-lo. Por que não indicar as ações que os Ministérios adotaram frente aos processos indicados? Quantos deles estão ou estiveram em processos do TCU?
Sabe-se que o Ministério do Esporte, sob a direção de Orlando Silva, condenou o denunciante João Dias a devolver aos cofres públicos perto de 4 milhões desviados. O processo chegou a termo no TCU, por iniciativa do Ministro. Sabe-se que a percentagem de convênios do Ministério com entidades não governamentais era cadente, chegariam a termo no ano de 2011, e a soma envolvida era menos de 1% do total de convênios feitos por todos os demais ministérios.
A verdade toda tem que aparecer e um trabalho permanente tem que ser mantido nesse sentido. Fiscalizar ação pública é uma coisa. A denúncia contra Orlando Silva é outra: foi armada, sem nenhum indício e menos ainda prova. A mídia oposicionista criou um factóide aproveitando a suposta denúncia de um criminoso. A questão fez parte da luta política contra o governo Dilma e renovou insuspeito – ao menos para alguns – anticomunismo.
A questão é que o Ministério do Esporte, sob comando de Orlando Silva, agiu corretamente, em defesa da coisa pública. Por que a mídia se assume como um poder unilateral infenso a qualquer norma de direito, que “fiscaliza”, indicia, julga e condena? A verdade bastará para desvendar a trama. Quem tem medo dela?
A guerra suja da grande mídia contra o crescimento do PCdoB Por Adalberto Monteiro - Blog do Renato Rabelo
O balanço do primeiro ano do governo Dilma, considerando os impactos negativos da crise mundial do capitalismo sobre o Brasil e o “cerco” que lhe impôs o monopólio midiático, como resultante é positivo. Mesmo que a economia tenha crescido aquém do esperado e na rabeira da classificação dos Brics, o governo assegurou um bom índice de geração de empregos. No Congresso obteve êxitos, entre eles, a aprovação da Comissão da Verdade e do novo Código Florestal. A presidenta chegou ao final de 2011 ostentando índices recordes de aprovação popular, segundo pesquisas de opinião.
Todavia, a grande mídia – porta-voz do capital financeiro e do conservadorismo – tem feito um verdadeiro cerco contra o governo. Manipulando a bandeira do combate à corrupção, ela empreende corrosiva campanha falsamente moralista que já levou ao chão seis ministros. E, como parte dessa escalada contra o governo, desencadeou um bombardeio cerrado contra o PCdoB e seu ex-ministro do Esporte, Orlando Silva.
A campanha difamatória contra do PCdoB teve como ponto de partida uma matéria de capa da revista Veja de 15 de outubro de 2011. Nela se acusava o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e o PCdoB de terem montando um suposto esquema de corrupção no qual “seriam utilizadas ONGs de fachada para desviar recursos públicos do Programa Segundo Tempo para os cofres do Partido”.
Todavia, ao ler a pretensa reportagem se via que a munição do ataque era podre, pois se fundamentava tão somente nas palavras de um farsante, o soldado João Dias. Um elemento com folha corrida na polícia, tendo, inclusive, sido preso, acusado de corrupção. Dias, também, fora instado pelo Ministério do Esporte a devolver mais três milhões de reais, por não ter cumprido as normas de um convênio que ele havia assinado com o ministério.
A partir dessa “senha” de Veja se formou uma santa aliança de todos os grandes veículos de comunicação que, por cerca de 20 dias seguidos, espalharam essa mentira até a saturação.
O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, com altivez, apresentou esclarecimentos demonstrando a lisura de sua gestão. Deu inúmeras entrevistas, de vontade própria foi às duas casas do Congresso Nacional, cobrando de seus caluniadores ao menos uma prova que fosse. Do mesmo modo, a direção nacional do PCdoB, por intermédio de seu presidente Renato Rabelo, liderou a defesa da dignidade da histórica legenda dos comunistas e a integridade do ministro.
Todavia, a grande mídia – agindo na condição de um verdadeiro tribunal de exceção, em rito sumário, e sem provas – julgou, condenou e promoveu um verdadeiro linchamento moral do ex-ministro e de seu Partido.
De lá para cá, nenhuma prova – conforme desafiou o ex-ministro Orlando – surgiu contra ele, tampouco contra o PCdoB. O farsante João Dias, depois da injusta queda de Orlando, foi preso duas vezes, em 7 e 15 dezembro último, por tentar invadir o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.
O PCdoB, apoiado na verdade, na coesão de seu coletivo militante e na coragem política de sua direção, no apoio de aliados e do povo, tem conseguido batalha a batalha enfrentar a armação política contra ele montada. A guerra suja não conseguiu nem retirá-lo do governo, nem isolá-lo.
Na história brasileira, toda vez que recorreu ao anticomunismo – além de procurar “aniquilar” o Partido Comunista em virtude do seu crescimento ou de sua resistência à tirania – a direita sempre usou esse ataque como estratagema para golpear governos democráticos. Isso se repete agora. A direita reacionária recorre ao seu atávico anticomunismo para satanizar o PCdoB, justamente porque ele ganha crescente força política e social, exerce responsabilidades destacadas no governo da República, e se qualifica como um Partido revolucionário e contemporâneo.
Das lições de 2011, do balanço do primeiro ano do governo Dilma, duas grandes tarefas se apresentam: avançar na adoção de uma nova política macroeconômica, com redução forte dos juros, ajuste cambial e política fiscal consoante aos tempos de crise; e garantir à sociedade o direito constitucional à liberdade de expressão, o direito à informação e à comunicação.
Se outrora a comunicação plural e a liberdade de imprensa foram aniquiladas pela ditadura militar, agora se encontram sufocadas pelos monopólios do setor. Assim como o sufrágio universal decorrente da luta do povo, nas primeiras décadas do século XX, foi uma conquista determinante à ampliação da democracia, hoje, no século XXI, pela dimensão adquirida pela mídia – sobretudo, na esfera da política –, sua democratização é uma condição à conquista de uma sociedade verdadeiramente democrática.
Todavia, a grande mídia – porta-voz do capital financeiro e do conservadorismo – tem feito um verdadeiro cerco contra o governo. Manipulando a bandeira do combate à corrupção, ela empreende corrosiva campanha falsamente moralista que já levou ao chão seis ministros. E, como parte dessa escalada contra o governo, desencadeou um bombardeio cerrado contra o PCdoB e seu ex-ministro do Esporte, Orlando Silva.
A campanha difamatória contra do PCdoB teve como ponto de partida uma matéria de capa da revista Veja de 15 de outubro de 2011. Nela se acusava o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e o PCdoB de terem montando um suposto esquema de corrupção no qual “seriam utilizadas ONGs de fachada para desviar recursos públicos do Programa Segundo Tempo para os cofres do Partido”.
Todavia, ao ler a pretensa reportagem se via que a munição do ataque era podre, pois se fundamentava tão somente nas palavras de um farsante, o soldado João Dias. Um elemento com folha corrida na polícia, tendo, inclusive, sido preso, acusado de corrupção. Dias, também, fora instado pelo Ministério do Esporte a devolver mais três milhões de reais, por não ter cumprido as normas de um convênio que ele havia assinado com o ministério.
A partir dessa “senha” de Veja se formou uma santa aliança de todos os grandes veículos de comunicação que, por cerca de 20 dias seguidos, espalharam essa mentira até a saturação.
O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, com altivez, apresentou esclarecimentos demonstrando a lisura de sua gestão. Deu inúmeras entrevistas, de vontade própria foi às duas casas do Congresso Nacional, cobrando de seus caluniadores ao menos uma prova que fosse. Do mesmo modo, a direção nacional do PCdoB, por intermédio de seu presidente Renato Rabelo, liderou a defesa da dignidade da histórica legenda dos comunistas e a integridade do ministro.
Todavia, a grande mídia – agindo na condição de um verdadeiro tribunal de exceção, em rito sumário, e sem provas – julgou, condenou e promoveu um verdadeiro linchamento moral do ex-ministro e de seu Partido.
De lá para cá, nenhuma prova – conforme desafiou o ex-ministro Orlando – surgiu contra ele, tampouco contra o PCdoB. O farsante João Dias, depois da injusta queda de Orlando, foi preso duas vezes, em 7 e 15 dezembro último, por tentar invadir o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.
O PCdoB, apoiado na verdade, na coesão de seu coletivo militante e na coragem política de sua direção, no apoio de aliados e do povo, tem conseguido batalha a batalha enfrentar a armação política contra ele montada. A guerra suja não conseguiu nem retirá-lo do governo, nem isolá-lo.
Na história brasileira, toda vez que recorreu ao anticomunismo – além de procurar “aniquilar” o Partido Comunista em virtude do seu crescimento ou de sua resistência à tirania – a direita sempre usou esse ataque como estratagema para golpear governos democráticos. Isso se repete agora. A direita reacionária recorre ao seu atávico anticomunismo para satanizar o PCdoB, justamente porque ele ganha crescente força política e social, exerce responsabilidades destacadas no governo da República, e se qualifica como um Partido revolucionário e contemporâneo.
Das lições de 2011, do balanço do primeiro ano do governo Dilma, duas grandes tarefas se apresentam: avançar na adoção de uma nova política macroeconômica, com redução forte dos juros, ajuste cambial e política fiscal consoante aos tempos de crise; e garantir à sociedade o direito constitucional à liberdade de expressão, o direito à informação e à comunicação.
Se outrora a comunicação plural e a liberdade de imprensa foram aniquiladas pela ditadura militar, agora se encontram sufocadas pelos monopólios do setor. Assim como o sufrágio universal decorrente da luta do povo, nas primeiras décadas do século XX, foi uma conquista determinante à ampliação da democracia, hoje, no século XXI, pela dimensão adquirida pela mídia – sobretudo, na esfera da política –, sua democratização é uma condição à conquista de uma sociedade verdadeiramente democrática.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Nada contra o ministro Orlando Silva | Jornal Correio do Brasil
Nada contra o ministro Orlando Silva | Jornal Correio do Brasil
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:
Sem nenhuma prova, apenas com a palavra de um ex-presidiário acusado de desvios de recursos do Ministério do Esporte, a revista Veja publicou uma reportagem acusando Orlando Silva de integrar um suposto esquema de desvio de verbas. A imprensa repercutiu o caso, a oposição explorou politicamente e Orlando caiu.
O deputado pelo PCdoB paulista Aldo Rebelo assumiu a pasta e pediu auditoria nos convênios com ONGs.
Ontem, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou ao jornal Valor Econômico que a fiscalização dos convênios com organizações não-governamentais (ONGs) não identificou nenhum desvio de recursos. “Ao que me consta, não foram encontrados desvios”, disse, ao fazer uma avaliação da pasta que assumiu há menos de dois meses. Rebelo afirmou que foram identificados apenas problemas formais na prestação de contas. “Às vezes é prazo de incorporação de documento, de emissão de nota. Irregularidade é isso. Não é propriamente desvio de recursos”, disse.
Ao tomar posse, Rebelo disse que acabaria com os contratos com ONGs. A posição foi endossada pela presidenta da República Dilma Rousseff, que suspendeu os repasses a essas organizações.Ele afirmou que o ministério não renovou os contratos encerrados e não iniciou novos convênios com ONGs. Estão sendo mantidos aqueles em andamento, segundo ele, com fiscalização “rigorosa” e acompanhamento da Controladoria Geral da União (CGU) para identificar possíveis problemas.A intenção, disse, é substituir os convênios por parcerias com estados e municípios.
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:
Sem nenhuma prova, apenas com a palavra de um ex-presidiário acusado de desvios de recursos do Ministério do Esporte, a revista Veja publicou uma reportagem acusando Orlando Silva de integrar um suposto esquema de desvio de verbas. A imprensa repercutiu o caso, a oposição explorou politicamente e Orlando caiu.
O deputado pelo PCdoB paulista Aldo Rebelo assumiu a pasta e pediu auditoria nos convênios com ONGs.
Ontem, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou ao jornal Valor Econômico que a fiscalização dos convênios com organizações não-governamentais (ONGs) não identificou nenhum desvio de recursos. “Ao que me consta, não foram encontrados desvios”, disse, ao fazer uma avaliação da pasta que assumiu há menos de dois meses. Rebelo afirmou que foram identificados apenas problemas formais na prestação de contas. “Às vezes é prazo de incorporação de documento, de emissão de nota. Irregularidade é isso. Não é propriamente desvio de recursos”, disse.
Ao tomar posse, Rebelo disse que acabaria com os contratos com ONGs. A posição foi endossada pela presidenta da República Dilma Rousseff, que suspendeu os repasses a essas organizações.Ele afirmou que o ministério não renovou os contratos encerrados e não iniciou novos convênios com ONGs. Estão sendo mantidos aqueles em andamento, segundo ele, com fiscalização “rigorosa” e acompanhamento da Controladoria Geral da União (CGU) para identificar possíveis problemas.A intenção, disse, é substituir os convênios por parcerias com estados e municípios.
sábado, 26 de novembro de 2011
PCdoB processa editoras Abril e Globo por ataques ofensivos - Portal Vermelho
O PCdoB vai entrar na terça-feira (27), na Justiça do Distrito Federal, com ações penal e indenizatórias contra as editoras Abril e Globo, por conta de publicações ofensivas nas revistas Veja e Época. A primeira por ter deflagrado uma campanha ofensiva orquestrada pela grande mídia contra um membro do partido e o própria legenda. Já a segunda, pela gratuidade do ataque e por ser de tão baixo calão.
“Já tínhamos, no decorrer desse enfrentamento, o compromisso de que nós iríamos lutar em todas as frentes, inclusive a judicial, sobretudo procurando construir ações contra dois órgãos de imprensa que nos atacaram de forma mais agressiva”, declarou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
Contra a Veja, serão duas ações. Uma de reparação de danos, que pedirá 3 mil salários mínimos, contra três edições - de 19 de outubro, 26 de outubro e 2 de novembro. Na primeira matéria, do dia 19, com intitulada “O ministro recebia dinheiro na garagem”, faz acusações baseadas em uma entrevista, com o policial militar João Dias Ferreira, que acusa, sem provas, o partido por desvio de verbas, inclusive, o fato que dá título à matéria, de que o então ministro do Esporte, Orlando Silva, receberia valores em uma garagem. Nem o próprio militar testemunhou.
Na matéria da edição de 26 de outubro, "A coisa fugiu do controle", o semanário forja a ideia de que o ministério se tornou “numa fábrica de moedas para os cofres de entidades ligadas aos comunistas”. E, por falta de provas e fontes, repete a falácia exposta na edição anterior.
“Escândalo latente”, matéria publicada na edição de novembro, a Veja abre o texto com um lide emporcalhado, que nem mesmo suas 30 linhas o sustentam. Tenta sacramentar a saída de Orlando Silva do ministério como parte de uma pseudo faxina da presidente Dilma Rousseff, como se o PCdoB fosse uma corrupção a ser varrida. E mais, ainda tenta dissociar o atual governo de seu antecessor, o presidente Lula, o que não é verdade.
Tamanho foram os ataques feitos pela revista, que os jornalistas que redigiram as matérias, Rodrigo Rangel e Daniel Pereira, e o redator-chefe mauro Sabino, serão processados criminalmente. A ação penal contra os profissionais será por crime contra a honra - calúnia, difamação e injúria.
“Nesse caso, houve os três, injúria, calúnia e difamação. Houve ataques e tentativas de desqualificar o partido e um membro do partido, atentando contra a dignidade. E além deles terem publicado na edição impressa, mantêm disponível em suas páginas na internet”, declarou o advogado Paulio Machado, responsável pelas ações.
O advogado acrescentou que, com relação às indenizações por danos morais, o que mais importa é a condenação e não os valores obtidos. “O que pesa na ação é o julgamento, uma vez que no país não há jurisprudência para condenações de grandes valores”, observou Paulo Machado.
Época
No caso da Revista Época, da Editora Globo, será uma ação por danos morais pela matéria, Comunismo de resultados, e capa com a chamada “PC do Bolso”, em uma insinuação de que a legenda estaria retirando recursos da pasta do Esporte e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). A ação pede dois mil salários mínimos.
“Partidos comunista causam um certo pavor nas forças conservadoras. E a mídia é o instrumento que elas têm para atacarem. O que demonstra o antagonismo dessas forças com o partido”, declarou Renato Rabelo, referindo-se ao anticomunismo presente na sociedade.
domingo, 6 de novembro de 2011
Em artigo, Martinho da Vila defende Orlando Silva - Portal Vermelho
Em artigo, Martinho da Vila defende Orlando Silva - Portal Vermelho
Em artigo publicado no jornal O Dia, o consagrado sambista Matinho da Vila defende o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e lembra: “Não dê ouvidos às intrigas e calúnias; só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância e a calúnia pode ser uma honra para quem a recebe”. Martinho apoia Aldo Rebelo, mas disse ter ficado triste com a saída de Orlando Silva.
Leia abaixo a íntegra do artigo.
Salve, meu anjo da guarda!
No horóscopo chinês, sou do signo de Tigre, e no ocidental, de Aquário. Na religião afro, todos têm um orixá de cabeça, um de costa e um de frente. Para saber qual é o seu santo protetor, caríssimo leitor, terás que submeter-se a um jogo de búzios. Convém consultar três babalorixás ou ialorixás para confirmar. No judaísmo e no catolicismo, todos têm um anjo da guarda e um arcanjo. Fazendo o exercício do livro dos anjos é possível saber qual nos protege.
Por Martinho da Vila
Dona Ivone Lara me disse que tenho de me lembrar sempre do meu anjo da guarda para ele não esquecer de mim. Disse também que quem tem um protetor forte sai ileso das situações mais embaraçosas e não entra em fria. Meu santo-forte é poderoso e já me livrou de muitas situações difíceis — como podem observar em três ocasiões que vou citar, que poderiam me deixar mal, mas eu fiquei numa boa.
Na primeira, quando era sargento do Exército, ia viajar para o Oriente Médio e, na última hora, fui cortado do Batalhão Suez. Fiquei chateado, mas depois feliz porque, com o corte, escapei de sofrer com a Guerra dos Seis Dias. Na segunda, na hora do embarque, fui transferido do voo do avião da Varig que caiu em Orly e todos os passageiros morreram. Na terceira, escapei de ser vítima do humor sarcástico de algum cronista sensacionalista, vejam só: pretendia fazer uma escolinha de futebol lá na terra do Arouca, que joga pelo Santos do Neymar, e ia inscrever o Instituto Cultural Martinho da Vila no programa Segundo Tempo da Secretaria Nacional de Esporte Educacional, com o objetivo de formar outros Aroucas em Duas Barras. Como o ICMV vai passar por uma reforma e está com as atividades suspensas, pensando bem, achei melhor esperar a conclusão das obras da sede e, depois de retomada as atividades, batalhar pela escolinha.
Creio que foi um anjo que me guiou para tal decisão porque, mesmo se eu tivesse conseguido o patrocínio, o campo não estaria pronto e um comentarista político maldoso poderia soltar o verbo pra cima de mim, possivelmente assim: “Sambista filiado ao PCdoB, amigo do Orlando Silva, que já fez festa de aniversário para o ministro em sua residência na Barra e que já o hospedou em sua fazenda, recebeu dinheiro do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes e não fez nada”.
É… meu santo é mesmo forte. Meu anjo da guarda está sempre de plantão, e meu arcanjo não dorme. O comentário seria uma calúnia, pecado que deveria ser classificado como capital, mas eu nem iria me amofinar e permaneceria com o meu sorriso aberto porque está escrito: “Não dê ouvidos às intrigas e calúnias; só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância e a calúnia pode ser uma honra para quem a recebe”. Continuo sorrindo porque o correto Aldo Rebelo assumiu a pasta, mas fiquei triste com a queda do ministro Orlando Silva.
Em artigo publicado no jornal O Dia, o consagrado sambista Matinho da Vila defende o ex-ministro do Esporte Orlando Silva e lembra: “Não dê ouvidos às intrigas e calúnias; só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância e a calúnia pode ser uma honra para quem a recebe”. Martinho apoia Aldo Rebelo, mas disse ter ficado triste com a saída de Orlando Silva.
Leia abaixo a íntegra do artigo.
Salve, meu anjo da guarda!
No horóscopo chinês, sou do signo de Tigre, e no ocidental, de Aquário. Na religião afro, todos têm um orixá de cabeça, um de costa e um de frente. Para saber qual é o seu santo protetor, caríssimo leitor, terás que submeter-se a um jogo de búzios. Convém consultar três babalorixás ou ialorixás para confirmar. No judaísmo e no catolicismo, todos têm um anjo da guarda e um arcanjo. Fazendo o exercício do livro dos anjos é possível saber qual nos protege.
Por Martinho da Vila
Dona Ivone Lara me disse que tenho de me lembrar sempre do meu anjo da guarda para ele não esquecer de mim. Disse também que quem tem um protetor forte sai ileso das situações mais embaraçosas e não entra em fria. Meu santo-forte é poderoso e já me livrou de muitas situações difíceis — como podem observar em três ocasiões que vou citar, que poderiam me deixar mal, mas eu fiquei numa boa.
Na primeira, quando era sargento do Exército, ia viajar para o Oriente Médio e, na última hora, fui cortado do Batalhão Suez. Fiquei chateado, mas depois feliz porque, com o corte, escapei de sofrer com a Guerra dos Seis Dias. Na segunda, na hora do embarque, fui transferido do voo do avião da Varig que caiu em Orly e todos os passageiros morreram. Na terceira, escapei de ser vítima do humor sarcástico de algum cronista sensacionalista, vejam só: pretendia fazer uma escolinha de futebol lá na terra do Arouca, que joga pelo Santos do Neymar, e ia inscrever o Instituto Cultural Martinho da Vila no programa Segundo Tempo da Secretaria Nacional de Esporte Educacional, com o objetivo de formar outros Aroucas em Duas Barras. Como o ICMV vai passar por uma reforma e está com as atividades suspensas, pensando bem, achei melhor esperar a conclusão das obras da sede e, depois de retomada as atividades, batalhar pela escolinha.
Creio que foi um anjo que me guiou para tal decisão porque, mesmo se eu tivesse conseguido o patrocínio, o campo não estaria pronto e um comentarista político maldoso poderia soltar o verbo pra cima de mim, possivelmente assim: “Sambista filiado ao PCdoB, amigo do Orlando Silva, que já fez festa de aniversário para o ministro em sua residência na Barra e que já o hospedou em sua fazenda, recebeu dinheiro do Programa Segundo Tempo do Ministério dos Esportes e não fez nada”.
É… meu santo é mesmo forte. Meu anjo da guarda está sempre de plantão, e meu arcanjo não dorme. O comentário seria uma calúnia, pecado que deveria ser classificado como capital, mas eu nem iria me amofinar e permaneceria com o meu sorriso aberto porque está escrito: “Não dê ouvidos às intrigas e calúnias; só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância e a calúnia pode ser uma honra para quem a recebe”. Continuo sorrindo porque o correto Aldo Rebelo assumiu a pasta, mas fiquei triste com a queda do ministro Orlando Silva.
sábado, 5 de novembro de 2011
Renato Rabelo: Inácio critica mídia conservadora e defende PCdoB - Portal Vermelho
Renato Rabelo: Inácio critica mídia conservadora e defende PCdoB - Portal Vermelho
O senador Inácio Arruda citou William Shakespeare para criticar as denúncias de setores da imprensa contra o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que integra seu partido. De acordo com o parlamentar, na peça, o dramaturgo inglês diz que não há homem, por mais poderoso que seja, que possa escapar da calúnia.
Por Renato Rabelo, presidente do PCdoB
Em pronunciamento nesta quinta (27), Inácio Arruda lembrou que, no passado, um homem recorria aos duelos para salvar sua honra. Afirmou que atualmente os duelos são proibidos, mas uma parte da "mídia conservadora" continua armada, e, como um pistoleiro, atira contra homens inocentes e desarmados. O senador disse que essa parte da mídia usou a “pistolagem” para atingir o ministro e também seu partido. Reafirmou que o PCdoB tem um projeto para a sociedade brasileira, em defesa da erradicação da miséria e do acesso de todos à saúde e educação de qualidade.
“O PCdoB tem um papel reconhecido de grande significado pela discussão do Projeto Brasil”, garantiu. Inácio Arruda acrescentou que essa mesma mídia, que se sente à vontade para atacar seu partido, não fala no pagamento de R$ 200 bilhões anuais de juros da dívida, tampouco das empresas estatais que foram vendidas "na bacia das almas". Ele ressaltou que seu partido não se calou, mas reagiu, com todas as forças. O ministro deixou o governo, mas corajosamente dizendo que saía para defender sua honra.
“O nosso partido mostrou que é possível, sim, você ter uma agremiação partidária unida, forte, sem disputas internas, alguém esperando que seu ministro caia a qualquer hora para assumir o posto”, informou. O senador elogiou a presidente da República, Dilma Rousseff, que, segundo ele, manteve o ministério do Esporte com o PCdoB "de forma altiva".
E lembrou que Aldo Rebelo tem "uma responsabilidade imensa", que é conduzir a Copa do Mundo e "o maior empreendimento esportivo do Brasil", os Jogos Olímpicos de 2016. E lembrou que 40% da representação brasileira no Jogos Pan-americanos, no México, são bolsistas do ministério do Esporte, “bolsistas de um programa nacional que visa elevar a capacidade do povo para participar de grandes eventos esportivos no mundo”.
No final, fez questão de ler a carta que Luiz Carlos Prestes Filho e a Maria Prestes (esposa de Prestes), enviaram a direção do PCdoB, agradecendo a homenagem do partido ao “Cavaleiro do Esperança”, durante programa de televisão transmitido no dia 20 de outubro.
Inácio leu também a carta da neta de Prestes, Ana Maria Prestes Rabelo, falando sobre o legado de Prestes e Olga Benário, contestando carta de Anita Leocádia (filha de Prestes e Olga). Segundo Ana Maria Prestes, “em nossa numerosa família ninguém se arvora a ser proprietário(a) da história do meu avô e temos todos consciência de que sua trajetória é uma referência na história mundial do século 20 e não pertence a qualquer um de nós”.
Fonte: Blog do Renato Rabelo
O senador Inácio Arruda citou William Shakespeare para criticar as denúncias de setores da imprensa contra o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que integra seu partido. De acordo com o parlamentar, na peça, o dramaturgo inglês diz que não há homem, por mais poderoso que seja, que possa escapar da calúnia.
Por Renato Rabelo, presidente do PCdoB
Em pronunciamento nesta quinta (27), Inácio Arruda lembrou que, no passado, um homem recorria aos duelos para salvar sua honra. Afirmou que atualmente os duelos são proibidos, mas uma parte da "mídia conservadora" continua armada, e, como um pistoleiro, atira contra homens inocentes e desarmados. O senador disse que essa parte da mídia usou a “pistolagem” para atingir o ministro e também seu partido. Reafirmou que o PCdoB tem um projeto para a sociedade brasileira, em defesa da erradicação da miséria e do acesso de todos à saúde e educação de qualidade.
“O PCdoB tem um papel reconhecido de grande significado pela discussão do Projeto Brasil”, garantiu. Inácio Arruda acrescentou que essa mesma mídia, que se sente à vontade para atacar seu partido, não fala no pagamento de R$ 200 bilhões anuais de juros da dívida, tampouco das empresas estatais que foram vendidas "na bacia das almas". Ele ressaltou que seu partido não se calou, mas reagiu, com todas as forças. O ministro deixou o governo, mas corajosamente dizendo que saía para defender sua honra.
“O nosso partido mostrou que é possível, sim, você ter uma agremiação partidária unida, forte, sem disputas internas, alguém esperando que seu ministro caia a qualquer hora para assumir o posto”, informou. O senador elogiou a presidente da República, Dilma Rousseff, que, segundo ele, manteve o ministério do Esporte com o PCdoB "de forma altiva".
E lembrou que Aldo Rebelo tem "uma responsabilidade imensa", que é conduzir a Copa do Mundo e "o maior empreendimento esportivo do Brasil", os Jogos Olímpicos de 2016. E lembrou que 40% da representação brasileira no Jogos Pan-americanos, no México, são bolsistas do ministério do Esporte, “bolsistas de um programa nacional que visa elevar a capacidade do povo para participar de grandes eventos esportivos no mundo”.
No final, fez questão de ler a carta que Luiz Carlos Prestes Filho e a Maria Prestes (esposa de Prestes), enviaram a direção do PCdoB, agradecendo a homenagem do partido ao “Cavaleiro do Esperança”, durante programa de televisão transmitido no dia 20 de outubro.
Inácio leu também a carta da neta de Prestes, Ana Maria Prestes Rabelo, falando sobre o legado de Prestes e Olga Benário, contestando carta de Anita Leocádia (filha de Prestes e Olga). Segundo Ana Maria Prestes, “em nossa numerosa família ninguém se arvora a ser proprietário(a) da história do meu avô e temos todos consciência de que sua trajetória é uma referência na história mundial do século 20 e não pertence a qualquer um de nós”.
Fonte: Blog do Renato Rabelo
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Orlando Silva é aplaudido de pé: "Eu sou inocente" - Portal Vermelho
Orlando Silva é aplaudido de pé: "Eu sou inocente" - Portal Vermelho
Depois de deixar o cargo na semana passada após denúncias sem nenhuma prova, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva foi aplaudido de pé ao discursar na cerimônia em que entregou o cargo ao sucessor Aldo Rebelo. "Eu fico feliz de olhar para minha mãe, para minha esposa , minha filha e à senhora, presidenta, e dizer: eu sou inocente". Os dias vão passar, evidências vão surgir e a verdade vai prevalecer", afirmou o ex-ministro.
Reflexões à luz do tiroteio - Paulo Vinícius Silva
Os acontecimentos recentes expõem a cruenta luta de classes em curso no Brasil.
Sob a superfície do funcionamento normal das instituições democráticas, a direita joga sujo para tentar reverter a sucessão de derrotas nacionais e locais e a desidratação de seus partidos mais relevantes (DEM, PSDB). É cada vez mais evidente a interferência no processo político por outros meios disponíveis à burguesia para a disputa do Estado e da opinião pública.
Por um novo pacto em favor do desenvolvimento
Esses movimentos subterrâneos se intensificam, na medida em que a Presidenta Dilma se afirma e dá passos decididos no sentido de reverter a subserviência da Nação ao esquema macroeconômico do Plano Real, que cobra altíssimo custo aos brasileiros e privilegia a especulação em detrimento da produção e do desenvolvimento (vide gráfico).
Surge no horizonte um novo e possível pacto político para substituir o anterior, que trocou hiperinflação por juros altíssimos. Pode ser um pacto pelo desenvolvimento, pela produção e pela valorização do trabalho. A combinação é poderosa: mudança na macroeconomia e afirmação do Brasil em um mundo de mudanças, o que pode abrir caminhos para uma nova era para o nosso país. Isso eles não podem admitir.
Experimentos sociais da direita visam a juventude
As forças progressistas, afinal, chegaram ao governo central, mas o poder em si tem instâncias mais efetivas que ultrapassam a representação política. E a perda de relevância do consórcio demo-tucano tem aberto espaço para experimentos que visam ao ressurgimento de uma extrema direita liberal no discurso, elitista na sua visão de democracia, conservadora moralmente, racista inconfessa ou descarada, cheia de complexo de vira-latas, cínica e debochada, anti-popular, e, infelizmente, com apelo junto a jovens de classe média.
A direita não desconhece a relevância da juventude. A imprensa golpista visa a constituir o "seu" movimento social. Daí advém seu ódio à UNE e aos partidos de esquerda, assim como a suas organizações juvenis. Com isto, ela precisa, em verdade, blindar seu experimento de influências externas. Precisa atacar as representações legítimas dos estudantes e da juventude para preservar sua legitimidade conservadora.
A corrupção e a esquerda: nem omissão, nem oportunismo, mas ousadia democrática.
Ao contrário do esperado pelo PIG, a esquerda não se pôs em retirada ante a disputa política enunciada desde antes da posse da Presidenta Dilma. Quando atacada, reagiu e travou a luta campal da opinião pública, ainda em curso. Todavia, ao combater os comunistas e a esquerda abertamente, a fúria da imprensa conservadora alertou e unificou o campo da mudança e deu visibilidade aos comunistas. Desconhecendo sua própria impopularidade, a imprensa golpista mostrou quem lhe incomoda, e granjeou-lhes involuntária simpatia, pela coragem com que os encarnados lhe deram combate. Daí que a luta continua, e não se espera outra coisa que não novos embates.
A principal armadilha do PIG é manter o domínio do debate político, a partir dos pressupostos da direita, que se concentram na sua cantilena hipócrita da corrupção. Essa é uma tática histórica, já usada contra Getúlio, Juscelino e Jango, e que malogrou em 2005 graças à mobilização popular e da juventude.
Algumas características saltam aos olhos no discurso ético histérico e rancoroso:
- tem apenas um viés. A análise é claramente dirigida, há dois pesos e duas medidas;
- tornou-se uma armadilha com as concessões que permitiram a incorporação da "ultra-esquerda", que passa a ser instrumentalizada para legitimar o PIG;
- considera a luta contra a corrupção um cenário preto e branco, ignora ser a corrupção um problema estrutural no capitalismo, firmemente assentada no sistema político, e não só aqui;
- só mira um lado, demoniza atores e organizações, desconhece a natureza processual e democrática, única forma séria de se combater a corrupção;
- inverte o ônus da prova; institui o linchamento político para paralisar o governo; silencia sobre o financiamento privado; noveliza a política.
Essa grita serve a propósitos antidemocráticos. Visa à limitação da democracia, à demonização de partidos, entidades sociais representativas, ONGs e centrais sindicais. Nesse contexto, aspiram à adoção de medidas restritivas, como o voto facultativo, com indisfarçável desejo de diminuir a participação popular e fortalecer a elitização das eleições, como nos Estados Unidos.
O verdadeiro combate à corrupção não serve a propósitos desestabilizadores
A luta contra os desvios éticos é permanente, parte do avanço de nossa democracia em criar mecanismos de controle social e fiscalização que permitam o aprimoramento do investimento público, combater o desperdício e melhorar o impacto das políticas públicas. Ninguém está interessado mais nisso que o governo e a esquerda, que nos últimos 9 anos mais trabalharam para estruturar as instituições públicas desmontadas pelo neoliberalismo.
A radicalização do raciocínio ético unidirecionalmente dirigido contra o governo é uma trama, uma trampa, um alçapão. Por isso a direita não tem propostas, só tem calúnias. É em torno dessa armadilha que o PIG pretende galvanizar movimento próprio que, no futuro, sirva de lastro social a seus intentos golpistas.
Por isso mesmo, longe de acuada, a esquerda deve incorporar às bandeiras de luta de massas o debate acerca da corrupção, mas com viés distinto do que pretende a imprensa golpista. Em vez do moralismo hipócrita, o controle através da participação popular. Em vez da personalização rasteira, a denúncia das causas estruturais que lastreiam esse mal, e que constrangem o sistema político. Em vez da criminalização da relação das entidades sociais e ONGs com o Estado, a normatização republicana da participação como parte do arcabouço jurídico brasileiro e o aprofundamento do protagonismo popular para alterar os dogmas das elites, incrustadas no Estado. Faz falta uma ampla plataforma unitária, como foi o Fórum Nacional de Lutas, para servir de contraponto e alternativa unificadora da luta por reformas democráticas no Brasil.
É luta política, pura e brutal
Trata-se de luta política pelo poder. Não nos iludamos com os arroubos éticos dos filhotes das oligarquias. Não acreditemos na indignação fingida de canastrões a posar de jornalistas para legitimar os propósitos golpistas de veículos que se legitimaram e firmaram na concupiscência lambe botas dos torturadores da Ditadura. O povo ensina: não lhes dá crédito.
O anseio supremo da direita nessa batalha, longe de mobilizar a população, é arregimentar uma suposta elite e desmoralizar a militância de esquerda, confundindo-a; equiparar esquerda e direita à luz de uma distorção bizarra do debate da corrupção; equiparar a sua falta de projeto ao programa de governo eleito pelo povo, que é de desenvolvimento com valorização do trabalho e afirmação do Brasil.
Não combinaram com o Zé
Todavia, o ardil da oposição não saiu como esperava. Seu apetite desesperado induziu a erros. O povo vê as manobras que querem impedir o governo Dilma de funcionar. É cada vez mais claro que a oposição torce contra oportunidades estratégicas para o país. Ficou marcada na população a conspiração que atingiu o governo para ocultar uma participação fenomenal nos Jogos Panamericanos e a serviço de entidades estrangeiras interessadas em enfraquecer o país nas negociações acerca da Copa de 2014. Ficou evidente o jogo baixo, a inversão do ônus da prova, o cerco midiático e a preparação da crise para obrigar a saída de Orlando Silva.
Mais explícita ainda ficou a celebração zombeteira e maldosa dos "vitoriosos", alheia a qualquer prurido ético, movida por despeito e inclinação partidária explícita. Desmascararam-se. E ainda assim, deram-se mal, porque terão que engolir ninguém menos que Aldo Rebelo.
Contra as vilezas, a força da unidade
Mas o pior ainda viria. Com a descoberta de um câncer na laringe de Lula, das profundezas mais abjetas da direita, emergiu qual purulenta secreção um gozo sinistro e deformado, exposto enfim ao escárnio público. O Brasil teve calafrios ao ver que os mesmo veículos e articulistas que clamam por ética foram incapazes de esconder sua lúgubre satisfação ante a doença de Lula. E isso doeu no Brasil, porque o Brasil não é essa vileza, essa maldade, esse ódio.
A direita e o PIG foram longe demais. Mas falta ao campo progressista convicção para desmontar os alçapões no caminho do desenvolvimento brasileiro, que não poderão ser vencidos sem participação popular, democratização da mídia e o despir-se da camisa-de-força em que os banqueiros e rentistas colocaram o Brasil.
Tantos foram os ataques e a violência, que a unidade se fortalece no campo democrático, solidário, humanista, da diversidade e da tolerância. Unidade e luta, de mãos dadas, impulsionarão a mudança, como onda vermelha a purgar todo fascismo, tanta vileza, toda a arrogância dos golpistas, que podem ter ódio, mas não tem povo, não tem moral, nem tem um futuro a oferecer ao Brasil.
Sob a superfície do funcionamento normal das instituições democráticas, a direita joga sujo para tentar reverter a sucessão de derrotas nacionais e locais e a desidratação de seus partidos mais relevantes (DEM, PSDB). É cada vez mais evidente a interferência no processo político por outros meios disponíveis à burguesia para a disputa do Estado e da opinião pública.
Por um novo pacto em favor do desenvolvimento
Esses movimentos subterrâneos se intensificam, na medida em que a Presidenta Dilma se afirma e dá passos decididos no sentido de reverter a subserviência da Nação ao esquema macroeconômico do Plano Real, que cobra altíssimo custo aos brasileiros e privilegia a especulação em detrimento da produção e do desenvolvimento (vide gráfico).
Surge no horizonte um novo e possível pacto político para substituir o anterior, que trocou hiperinflação por juros altíssimos. Pode ser um pacto pelo desenvolvimento, pela produção e pela valorização do trabalho. A combinação é poderosa: mudança na macroeconomia e afirmação do Brasil em um mundo de mudanças, o que pode abrir caminhos para uma nova era para o nosso país. Isso eles não podem admitir.
Experimentos sociais da direita visam a juventude
As forças progressistas, afinal, chegaram ao governo central, mas o poder em si tem instâncias mais efetivas que ultrapassam a representação política. E a perda de relevância do consórcio demo-tucano tem aberto espaço para experimentos que visam ao ressurgimento de uma extrema direita liberal no discurso, elitista na sua visão de democracia, conservadora moralmente, racista inconfessa ou descarada, cheia de complexo de vira-latas, cínica e debochada, anti-popular, e, infelizmente, com apelo junto a jovens de classe média.
A direita não desconhece a relevância da juventude. A imprensa golpista visa a constituir o "seu" movimento social. Daí advém seu ódio à UNE e aos partidos de esquerda, assim como a suas organizações juvenis. Com isto, ela precisa, em verdade, blindar seu experimento de influências externas. Precisa atacar as representações legítimas dos estudantes e da juventude para preservar sua legitimidade conservadora.
A corrupção e a esquerda: nem omissão, nem oportunismo, mas ousadia democrática.
Ao contrário do esperado pelo PIG, a esquerda não se pôs em retirada ante a disputa política enunciada desde antes da posse da Presidenta Dilma. Quando atacada, reagiu e travou a luta campal da opinião pública, ainda em curso. Todavia, ao combater os comunistas e a esquerda abertamente, a fúria da imprensa conservadora alertou e unificou o campo da mudança e deu visibilidade aos comunistas. Desconhecendo sua própria impopularidade, a imprensa golpista mostrou quem lhe incomoda, e granjeou-lhes involuntária simpatia, pela coragem com que os encarnados lhe deram combate. Daí que a luta continua, e não se espera outra coisa que não novos embates.
A principal armadilha do PIG é manter o domínio do debate político, a partir dos pressupostos da direita, que se concentram na sua cantilena hipócrita da corrupção. Essa é uma tática histórica, já usada contra Getúlio, Juscelino e Jango, e que malogrou em 2005 graças à mobilização popular e da juventude.
Algumas características saltam aos olhos no discurso ético histérico e rancoroso:
- tem apenas um viés. A análise é claramente dirigida, há dois pesos e duas medidas;
- tornou-se uma armadilha com as concessões que permitiram a incorporação da "ultra-esquerda", que passa a ser instrumentalizada para legitimar o PIG;
- considera a luta contra a corrupção um cenário preto e branco, ignora ser a corrupção um problema estrutural no capitalismo, firmemente assentada no sistema político, e não só aqui;
- só mira um lado, demoniza atores e organizações, desconhece a natureza processual e democrática, única forma séria de se combater a corrupção;
- inverte o ônus da prova; institui o linchamento político para paralisar o governo; silencia sobre o financiamento privado; noveliza a política.
Essa grita serve a propósitos antidemocráticos. Visa à limitação da democracia, à demonização de partidos, entidades sociais representativas, ONGs e centrais sindicais. Nesse contexto, aspiram à adoção de medidas restritivas, como o voto facultativo, com indisfarçável desejo de diminuir a participação popular e fortalecer a elitização das eleições, como nos Estados Unidos.
O verdadeiro combate à corrupção não serve a propósitos desestabilizadores
A luta contra os desvios éticos é permanente, parte do avanço de nossa democracia em criar mecanismos de controle social e fiscalização que permitam o aprimoramento do investimento público, combater o desperdício e melhorar o impacto das políticas públicas. Ninguém está interessado mais nisso que o governo e a esquerda, que nos últimos 9 anos mais trabalharam para estruturar as instituições públicas desmontadas pelo neoliberalismo.
A radicalização do raciocínio ético unidirecionalmente dirigido contra o governo é uma trama, uma trampa, um alçapão. Por isso a direita não tem propostas, só tem calúnias. É em torno dessa armadilha que o PIG pretende galvanizar movimento próprio que, no futuro, sirva de lastro social a seus intentos golpistas.
Por isso mesmo, longe de acuada, a esquerda deve incorporar às bandeiras de luta de massas o debate acerca da corrupção, mas com viés distinto do que pretende a imprensa golpista. Em vez do moralismo hipócrita, o controle através da participação popular. Em vez da personalização rasteira, a denúncia das causas estruturais que lastreiam esse mal, e que constrangem o sistema político. Em vez da criminalização da relação das entidades sociais e ONGs com o Estado, a normatização republicana da participação como parte do arcabouço jurídico brasileiro e o aprofundamento do protagonismo popular para alterar os dogmas das elites, incrustadas no Estado. Faz falta uma ampla plataforma unitária, como foi o Fórum Nacional de Lutas, para servir de contraponto e alternativa unificadora da luta por reformas democráticas no Brasil.
É luta política, pura e brutal
Trata-se de luta política pelo poder. Não nos iludamos com os arroubos éticos dos filhotes das oligarquias. Não acreditemos na indignação fingida de canastrões a posar de jornalistas para legitimar os propósitos golpistas de veículos que se legitimaram e firmaram na concupiscência lambe botas dos torturadores da Ditadura. O povo ensina: não lhes dá crédito.
O anseio supremo da direita nessa batalha, longe de mobilizar a população, é arregimentar uma suposta elite e desmoralizar a militância de esquerda, confundindo-a; equiparar esquerda e direita à luz de uma distorção bizarra do debate da corrupção; equiparar a sua falta de projeto ao programa de governo eleito pelo povo, que é de desenvolvimento com valorização do trabalho e afirmação do Brasil.
Não combinaram com o Zé
Todavia, o ardil da oposição não saiu como esperava. Seu apetite desesperado induziu a erros. O povo vê as manobras que querem impedir o governo Dilma de funcionar. É cada vez mais claro que a oposição torce contra oportunidades estratégicas para o país. Ficou marcada na população a conspiração que atingiu o governo para ocultar uma participação fenomenal nos Jogos Panamericanos e a serviço de entidades estrangeiras interessadas em enfraquecer o país nas negociações acerca da Copa de 2014. Ficou evidente o jogo baixo, a inversão do ônus da prova, o cerco midiático e a preparação da crise para obrigar a saída de Orlando Silva.
Mais explícita ainda ficou a celebração zombeteira e maldosa dos "vitoriosos", alheia a qualquer prurido ético, movida por despeito e inclinação partidária explícita. Desmascararam-se. E ainda assim, deram-se mal, porque terão que engolir ninguém menos que Aldo Rebelo.
Contra as vilezas, a força da unidade
Mas o pior ainda viria. Com a descoberta de um câncer na laringe de Lula, das profundezas mais abjetas da direita, emergiu qual purulenta secreção um gozo sinistro e deformado, exposto enfim ao escárnio público. O Brasil teve calafrios ao ver que os mesmo veículos e articulistas que clamam por ética foram incapazes de esconder sua lúgubre satisfação ante a doença de Lula. E isso doeu no Brasil, porque o Brasil não é essa vileza, essa maldade, esse ódio.
A direita e o PIG foram longe demais. Mas falta ao campo progressista convicção para desmontar os alçapões no caminho do desenvolvimento brasileiro, que não poderão ser vencidos sem participação popular, democratização da mídia e o despir-se da camisa-de-força em que os banqueiros e rentistas colocaram o Brasil.
Tantos foram os ataques e a violência, que a unidade se fortalece no campo democrático, solidário, humanista, da diversidade e da tolerância. Unidade e luta, de mãos dadas, impulsionarão a mudança, como onda vermelha a purgar todo fascismo, tanta vileza, toda a arrogância dos golpistas, que podem ter ódio, mas não tem povo, não tem moral, nem tem um futuro a oferecer ao Brasil.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
José Dirceu: Orlando saiu de cabeça erguida - Portal Vermelho
José Dirceu: Orlando saiu de cabeça erguida - Portal Vermelho
Há um aspecto fundamental a se observar em todo o processo de fritura do ministro do Esporte, Orlando Silva, que culminou com seu pedido de demissão: as iniciativas de apuração dos fatos partiram do próprio acusado.
Por José Dirceu*, no blog do Eliomar
É possível que essa informação esteja escondida ou tenha sido negligenciada no noticiário, mas os pedidos de abertura de investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público foram feitos pelo, agora, ex-ministro, que abriu seu sigilo telefônico, fiscal, bancário e de correspondência.
Como também foi o Ministério do Esporte que identificou as irregularidades nos convênios com as ONGs (Organizações Não-Governamentais), suspendeu esses contratos e busca resgatar as verbas usadas irregularmente.
Aliás, deve-se registrar que 91% dos 15 mil convênios do Ministério no programa Segundo Tempo são com o Poder Público e apenas 9% são com ONGs —o que não invalida a necessidade de apuração.
Diante da pressão e tentativa de desgaste do governo federal, faz todo o sentido, portanto, que Orlando Silva tenha pedido afastamento do cargo. Primeiro, como partícipe dos avanços da pasta e defensor do governo, para impedir que a crise “forçada” se alongue. Segundo, para que ele possa ter mais tempo para se defender.
Vale destacar que os dois acusadores do ex-ministro —o policial militar João Dias Ferreira, já preso, e o motorista Célio Soares— simplesmente não compareceram à Câmara dos Deputados para prestar depoimento, conforme anunciaram. Algo que só reforça as afirmações de Orlando Silva de que se trata de “dois criminosos que fugiram do Congresso Nacional porque não têm provas”.
Orlando Silva disse, com razão, que sofreu por 12 dias um linchamento público de sua honra. De fato, no Brasil, estamos nos acostumando à inversão do ônus da prova. Com o apoio da grande mídia, acusa-se e condena-se sem a necessidade de apresentação de provas e, não raro, a defesa fica em segundo plano.
Mesmo no caso do ex-ministro, que veio a público prestar esclarecimentos tão logo as suspeitas foram lançadas. Porque estamos nos acostumando a conviver com a máxima “culpado até que prove a inocência”, no lugar do “inocente até que se prove sua culpa”.
O ex-ministro deixa o governo afirmando que nenhuma prova contra ele surgiu e sequer surgirá. E um grande avanço conseguido na pasta — hoje, com maior visibilidade devido à Copa do Mundo-2014 e às Olimpíadas-2016, os dois maiores eventos esportivos do planeta.
Mas também é de se ressaltar que 40% da delegação que representa o Brasil nos Jogos Panamericanos de Guadalajara (México) são de bolsistas do Ministério, o que mostra que o esporte tem outro nível de tratamento.
Por todas essas razões, Orlando Silva deixa o governo de cabeça erguida. Resta, neste momento, torcer para que o caso não se esgote com sua demissão —que é o que pretendem os que querem desestabilizar o governo. E, como pediu o ex-ministro, que “os profissionais da imprensa continuem acompanhando os fatos e dediquem as mesmas páginas e o mesmo espaço que dedicaram até agora para mostrar com quem está a verdade”.
*José Dirceu, 65, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT .
Há um aspecto fundamental a se observar em todo o processo de fritura do ministro do Esporte, Orlando Silva, que culminou com seu pedido de demissão: as iniciativas de apuração dos fatos partiram do próprio acusado.
Por José Dirceu*, no blog do Eliomar
É possível que essa informação esteja escondida ou tenha sido negligenciada no noticiário, mas os pedidos de abertura de investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público foram feitos pelo, agora, ex-ministro, que abriu seu sigilo telefônico, fiscal, bancário e de correspondência.
Como também foi o Ministério do Esporte que identificou as irregularidades nos convênios com as ONGs (Organizações Não-Governamentais), suspendeu esses contratos e busca resgatar as verbas usadas irregularmente.
Aliás, deve-se registrar que 91% dos 15 mil convênios do Ministério no programa Segundo Tempo são com o Poder Público e apenas 9% são com ONGs —o que não invalida a necessidade de apuração.
Diante da pressão e tentativa de desgaste do governo federal, faz todo o sentido, portanto, que Orlando Silva tenha pedido afastamento do cargo. Primeiro, como partícipe dos avanços da pasta e defensor do governo, para impedir que a crise “forçada” se alongue. Segundo, para que ele possa ter mais tempo para se defender.
Vale destacar que os dois acusadores do ex-ministro —o policial militar João Dias Ferreira, já preso, e o motorista Célio Soares— simplesmente não compareceram à Câmara dos Deputados para prestar depoimento, conforme anunciaram. Algo que só reforça as afirmações de Orlando Silva de que se trata de “dois criminosos que fugiram do Congresso Nacional porque não têm provas”.
Orlando Silva disse, com razão, que sofreu por 12 dias um linchamento público de sua honra. De fato, no Brasil, estamos nos acostumando à inversão do ônus da prova. Com o apoio da grande mídia, acusa-se e condena-se sem a necessidade de apresentação de provas e, não raro, a defesa fica em segundo plano.
Mesmo no caso do ex-ministro, que veio a público prestar esclarecimentos tão logo as suspeitas foram lançadas. Porque estamos nos acostumando a conviver com a máxima “culpado até que prove a inocência”, no lugar do “inocente até que se prove sua culpa”.
O ex-ministro deixa o governo afirmando que nenhuma prova contra ele surgiu e sequer surgirá. E um grande avanço conseguido na pasta — hoje, com maior visibilidade devido à Copa do Mundo-2014 e às Olimpíadas-2016, os dois maiores eventos esportivos do planeta.
Mas também é de se ressaltar que 40% da delegação que representa o Brasil nos Jogos Panamericanos de Guadalajara (México) são de bolsistas do Ministério, o que mostra que o esporte tem outro nível de tratamento.
Por todas essas razões, Orlando Silva deixa o governo de cabeça erguida. Resta, neste momento, torcer para que o caso não se esgote com sua demissão —que é o que pretendem os que querem desestabilizar o governo. E, como pediu o ex-ministro, que “os profissionais da imprensa continuem acompanhando os fatos e dediquem as mesmas páginas e o mesmo espaço que dedicaram até agora para mostrar com quem está a verdade”.
*José Dirceu, 65, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT .
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A luta continua - Paulo Vinícius Silva
Não me desespero, nem mesmo triste me permito ficar. Diante da ofensiva da direita e de seu poder, do oportunismo suicida da "ultra-esquerda" e da tibieza e dificuldades de nosso campo, o que fica é um imenso orgulho de como temos enfrentado essa situação tão desfavorável, e o exemplo que damos aos lutadores que saberão ver a diferença de um partido verdadeiro e revolucionário.
Afinal, na vida, na política, sói às vezes enfrentarmos batalhas assim, imensamente desfavoráveis. Penso no Araguaia. Penso no Diário de Maurício Grabois. Penso em Zumbi ante a iminência da derrota de Palmares. Penso em João Amazonas a observar a dissolução da URSS. Lembro até do meu pai, doente, sabedor muito antes de nós de que partiria.
Quando a batalha é imensamente desfavorável, que fazem os revolucionários? Ora, eles fazem aquilo pelo que se definem: lutam. Lutam ainda mais bonito, legam o seu exemplo. Porque a nossa libertação nunca será um êxito individual ou de um grupo. Ela é uma decisão muito mais ampla. E os exemplos precisam frutificar para que a vitória seja nossa. E é importante afirmar essa característica essencial ao militante comunista, essa firmeza especial de quem não está só para as boas horas, esse compromisso que Diógenes Arruda Câmara nos ensinou ser uma opção cotidiana.
Por vários dias, sob intenso bombardeio, a militância cerrou fileiras como um lindo exército ante inimigos gigantescos. Numa correlação de forças cruelmente desfavorável, cada um e cada uma tomou seu posto no combate. Ao contrário do que quis fazer a direita e a imprensa golpista, a militância mostrou e defendeu a sua dignidade. Quantos amigos, conhecidos, militantes de outras legendas não nos tocaram com palavras de afeto! Como brilhou, à luz dos bombardeios, a integridade da militância comunista. E que bonito foi ver a juventude à frente dessa batalha, sem qualquer possibilidade de vacilação ou abatimento. Como é importante para o nosso Partido olhar com carinho para essa geração que é o seu futuro.
E que orgulho que tenho do Orlando.
É importante que o Brasil observe o que está acontecendo. Hoje mesmo, imensa era a grita de pessoas de outras forças políticas revoltadas com a possibilidade da saída de Orlando. Por que? Porque ficou claro que é um justo que se está a cristianizar. É evidente para os patriotas, os democratas, para a esquerda sincera e consequente: estava em curso uma luta desigual e cruel.
E que orgulho que tenho do Orlando.
É importante que o Brasil observe o que está acontecendo. Hoje mesmo, imensa era a grita de pessoas de outras forças políticas revoltadas com a possibilidade da saída de Orlando. Por que? Porque ficou claro que é um justo que se está a cristianizar. É evidente para os patriotas, os democratas, para a esquerda sincera e consequente: estava em curso uma luta desigual e cruel.
Serviu toda a nossa resistência para alertar o Brasil das ameaças do fascismo midiático contra a democracia. Claro está para todos que não há qualquer debate ético em curso, e sim uma cruenta luta pelo poder pela direta derrotada em 2010, que está disposta a tudo: sabotagem contra a Copa e as Olimpíadas, associação com entidades internacionais em desfavor dos interesses da Nação, ao acumpliciamento com o crime, que não defende a liberdade de imprensa, que iniciou um intento de macartismo que não respeita nada, que funciona como uma mini-gestapo para destruir a integridade das pessoas. Tudo isso são lições para o Brasil que só puderam existir pela indômita coragem dos comunistas. E esse episódio, se traz importantes ensinamentos aos comunistas, ensina à esquerda e aos que verdadeiramente defendem a democracia.
Aumenta a responsabilidade dos comunistas em lutar pela unidade de todos os que não se acumpliciam com o fascismo midiático. Camaradas, ainda falta muito, nossa obrigação é ter serenidade, firmeza, e lutar ainda mais pela unidade do povo contra o PIG e o capital financeiro, que ameaçam gravemente a democracia que os comunistas conquistaram dando a sua vida. Temos de estar preparados para enfrentamentos muito mais ferozes. Esmaecem as ilusões reformistas de alguns desavisados, e fortalece-se ainda mais a convicção da urgência em defender e aprofundar a nossa democracia, ameaçada pelas forças coligadas do capital financeiro e da imprensa golpista.
Estamos aqui para isso mesmo, e não seremos derrotados. Lembro nitidamente da fala de Renato Rabelo ao alertar lá atrás, sutilmente, que a batalha em curso, de tão desigual, poderia ter revezes, ao mencionar que a verdade, cedo ou trade prevaleceria. É confrontado com inimigos maiores que nos agigantamos, e foi exatamente o que o PCdoB fez. Só é derrotado quem desiste da luta. E a luta continua.
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