O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.
O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.
Previsões em baixa
O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.
Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).
Cenário crítico
O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.
As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.
Política econômica
A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.
Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.
Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.
Déficit comercial da indústria
As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.
O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.
Correndo atrás do prejuízo
A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.
A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.
Fiesp
Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.
“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.
Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
"Jurômetro"da Fiesp evidencia os males dos juros altos - Portal Vermelho
"Jurômetro"da Fiesp evidencia os males dos juros altos - Portal Vermelho
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou nesta terça-feira (29) o Jurômetro, uma ferramenta online que calcula quanto o governo brasileiro pagou em juros da dívida no acumulado do ano. Além disso, o instrumento permite comparar o que o governo poderia fazer com o dinheiro em relação à educação, habitação, renda e transportes; quantas escolas ou casas populares poderiam ser construídas, quantas cestas básicas poderiam compradas ou quantos novos aeroportos inaugurados.
De acordo com o Jurômetro, o País já pagou cerca de R$ 216 bilhões em juros no acumulado de 2011, montante suficiente para construir 332 aeroportos. Toda esta dinheirama é desviada pelo governo dos investimentos em saúde, educação, infraestrutura e outras áreas para o pagamento de juros.
896 milhões de Bolsa Família
Ainda no transporte, o dinheiro poderia ser destinado à construção de 90 mil km de ferrovias e 166 km de rodovias. Caso fosse destinado à renda, daria para pagar 397 milhões de salários mínimos, ou 896 milhões de benefícios do Bolsa Família. O montante poderia arcar com os custos de 667 milhões de cestas básicas.
Na educação, o total pago daria para manter cerca de 104 milhões de crianças estudando, além de equipar 527 mil escolas e construir outras 234 mil. Já na habitação, os R$ 216 bilhões poderiam ser destinados à constução de cerca de 3 milhões de casas populares, 100 milhões de novas ligações de água e 64 milhões de ligações de esgoto.
Conscientização
A ferramenta utiliza dados oficiais do Banco Central (BC), corrigidos com base em mudanças na meta da taxa básica de juros (Selic) e do número de dias. Segundo o BC, a dívida pública líquida do País é de 37,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado em 12 meses. De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o objetivo é mostrar para a população o que ocorre quando a taxa de juros aumenta ou diminui.
"Quantos sabem o que representa 1 ponto percentual nos juros? Além disso, o objetivo é haver mais conscientização por parte da sociedade, e talvez lembrar as pessoas do BC que aqueles valores são muito elevados", afirmou Skaf. A Fiesp está construindo paineis do Jurômetro para serem colocados diante da sede da instituição, na avenida Paulista em SP, e próximo ao BC em Brasilia.
Agiotagem
A Fiesp acredita que se a Selic for mantida em 11,5% até o fim do ano serão pagos pelo governo R$ 240 bilhões em juros da dívida pública. A média de juros reais no mundo é de 0,04%, enquanto no Brasil é quase de 6%, segundo a entidade. Ou seja, pagamos juros de agiota.
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira à tarde e termina amanhã a última reunião de 2011. A expectativa dos analistas financeiros da iniciativa privada é de redução de 0,5%, o que reduziria a Selic a 11% ao ano. Ainda assim o Brasil continuaria pagando os mais altos juros reais do mundo.
Uma redistribuição perversa da renda
O que se dá na prática é uma escandalosa redistribuição de riquezas que o Estado recolhe de toda sociedade para um reduzido grupo de credores. A DRU (Desvinculação das Receitas da União) viabiliza o negócio que beneficia os rentistas, possibilitando o desvio de recursos que a Constituição destina à saúde e outras áreas essenciais. O chamado superávit primário, que neste ano deve ultrapassar a casa dos R$ 100 bilhões, é o realizado precisamente para garantir o pagamento dos juros.
Além de prejudicar a saúde e educação do povo, a agiotagem praticada com dinheiro público impede o Brasil de crescer a taxas mais altas, como fazem a China e Argentina, entre outros, uma vez que quase todo o superávit primário é feito à custa dos investimentos públicos, como mostra recente estudo do Ipea, e o dinheiro pago aos credores geralmente não é reciclado para atividades produtivas.
Com agências
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou nesta terça-feira (29) o Jurômetro, uma ferramenta online que calcula quanto o governo brasileiro pagou em juros da dívida no acumulado do ano. Além disso, o instrumento permite comparar o que o governo poderia fazer com o dinheiro em relação à educação, habitação, renda e transportes; quantas escolas ou casas populares poderiam ser construídas, quantas cestas básicas poderiam compradas ou quantos novos aeroportos inaugurados.
De acordo com o Jurômetro, o País já pagou cerca de R$ 216 bilhões em juros no acumulado de 2011, montante suficiente para construir 332 aeroportos. Toda esta dinheirama é desviada pelo governo dos investimentos em saúde, educação, infraestrutura e outras áreas para o pagamento de juros.
896 milhões de Bolsa Família
Ainda no transporte, o dinheiro poderia ser destinado à construção de 90 mil km de ferrovias e 166 km de rodovias. Caso fosse destinado à renda, daria para pagar 397 milhões de salários mínimos, ou 896 milhões de benefícios do Bolsa Família. O montante poderia arcar com os custos de 667 milhões de cestas básicas.
Na educação, o total pago daria para manter cerca de 104 milhões de crianças estudando, além de equipar 527 mil escolas e construir outras 234 mil. Já na habitação, os R$ 216 bilhões poderiam ser destinados à constução de cerca de 3 milhões de casas populares, 100 milhões de novas ligações de água e 64 milhões de ligações de esgoto.
Conscientização
A ferramenta utiliza dados oficiais do Banco Central (BC), corrigidos com base em mudanças na meta da taxa básica de juros (Selic) e do número de dias. Segundo o BC, a dívida pública líquida do País é de 37,2% do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado em 12 meses. De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o objetivo é mostrar para a população o que ocorre quando a taxa de juros aumenta ou diminui.
"Quantos sabem o que representa 1 ponto percentual nos juros? Além disso, o objetivo é haver mais conscientização por parte da sociedade, e talvez lembrar as pessoas do BC que aqueles valores são muito elevados", afirmou Skaf. A Fiesp está construindo paineis do Jurômetro para serem colocados diante da sede da instituição, na avenida Paulista em SP, e próximo ao BC em Brasilia.
Agiotagem
A Fiesp acredita que se a Selic for mantida em 11,5% até o fim do ano serão pagos pelo governo R$ 240 bilhões em juros da dívida pública. A média de juros reais no mundo é de 0,04%, enquanto no Brasil é quase de 6%, segundo a entidade. Ou seja, pagamos juros de agiota.
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia nesta terça-feira à tarde e termina amanhã a última reunião de 2011. A expectativa dos analistas financeiros da iniciativa privada é de redução de 0,5%, o que reduziria a Selic a 11% ao ano. Ainda assim o Brasil continuaria pagando os mais altos juros reais do mundo.
Uma redistribuição perversa da renda
O que se dá na prática é uma escandalosa redistribuição de riquezas que o Estado recolhe de toda sociedade para um reduzido grupo de credores. A DRU (Desvinculação das Receitas da União) viabiliza o negócio que beneficia os rentistas, possibilitando o desvio de recursos que a Constituição destina à saúde e outras áreas essenciais. O chamado superávit primário, que neste ano deve ultrapassar a casa dos R$ 100 bilhões, é o realizado precisamente para garantir o pagamento dos juros.
Além de prejudicar a saúde e educação do povo, a agiotagem praticada com dinheiro público impede o Brasil de crescer a taxas mais altas, como fazem a China e Argentina, entre outros, uma vez que quase todo o superávit primário é feito à custa dos investimentos públicos, como mostra recente estudo do Ipea, e o dinheiro pago aos credores geralmente não é reciclado para atividades produtivas.
Com agências
Ato contra juros altos ocupa Paulista, em São Paulo - Portal Vermelho
Ato contra juros altos ocupa Paulista, em São Paulo - Portal Vermelho
Manifestantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Nova Central e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, nesta terça-feira (29), para exigir que o Banco Central (BC) reduza os juros no país, dando continuidade ao processo de redução da taxa Selic. O ato ocorreu em frente à sede do BC e contou com a participação de movimentos sociais.

Aos gritos de “1, 2, 3, 4, 5, 1000, ou abaixam os juros, ou paramos o Brasil!”, cerca de 200 estudantes e trabalhadores chamaram a atenção da população para explicar o que representa para o país a manutenção de juros exorbitantes.
Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, somente com juros menores será possível o Brasil se tornar uma nação mais desenvolvida, com um parque industrial forte e competitivo, que seja capaz de criar mais empregos e diminuir a desigualdade social.
“Ainda temos a taxa de juros real mais alta do mundo. Apesar das recentes quedas, é preciso dizer que essa redução em conta-gotas não resolve o problema do Brasil”, afirmou Wagner Gomes, referindo-se às duas mais recentes decisões do Copom, de queda de 0,5%, nos meses de setembro e outubro.
Para o dirigente, é fundamental a mobilização de toda a classe trabalhadora pela queda dos juros no Brasil. “Chega de dar dinheiro para banqueiro. Esperamos do Copom (Comitê de Política Monetária) uma atitude patriota, em um nível necessário para que o país possa se desenvolver”, declarou.
Entre hoje e amanhã (30), o Copom do BC estará reunido em Brasília para decidir qual será a nova taxa de juros.
da redação, com informações da CTB
Manifestantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Nova Central e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) tomaram a Avenida Paulista, em São Paulo, nesta terça-feira (29), para exigir que o Banco Central (BC) reduza os juros no país, dando continuidade ao processo de redução da taxa Selic. O ato ocorreu em frente à sede do BC e contou com a participação de movimentos sociais.
Movimentos sociais e centrais sindicais fazem ato na Paulista / crédito: CTB
Aos gritos de “1, 2, 3, 4, 5, 1000, ou abaixam os juros, ou paramos o Brasil!”, cerca de 200 estudantes e trabalhadores chamaram a atenção da população para explicar o que representa para o país a manutenção de juros exorbitantes.
Para o presidente da CTB, Wagner Gomes, somente com juros menores será possível o Brasil se tornar uma nação mais desenvolvida, com um parque industrial forte e competitivo, que seja capaz de criar mais empregos e diminuir a desigualdade social.
“Ainda temos a taxa de juros real mais alta do mundo. Apesar das recentes quedas, é preciso dizer que essa redução em conta-gotas não resolve o problema do Brasil”, afirmou Wagner Gomes, referindo-se às duas mais recentes decisões do Copom, de queda de 0,5%, nos meses de setembro e outubro.
Para o dirigente, é fundamental a mobilização de toda a classe trabalhadora pela queda dos juros no Brasil. “Chega de dar dinheiro para banqueiro. Esperamos do Copom (Comitê de Política Monetária) uma atitude patriota, em um nível necessário para que o país possa se desenvolver”, declarou.
Entre hoje e amanhã (30), o Copom do BC estará reunido em Brasília para decidir qual será a nova taxa de juros.
da redação, com informações da CTB
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Vermelho: Renato Rabelo: A crise financeira e a oportunidade histórica - Portal Vermelho
Renato Rabelo: A crise financeira e a oportunidade histórica - Portal Vermelho
Está em curso o que podemos chamar de uma segunda fase da crise financeira marcada pelo aprofundamento dos problemas de ordem fiscal nos Estados Unidos e Europa, cujas sinalizações de solução não são positivas: os gestores da crise ainda se encontram no núcleo do poder norte-americano e ainda não ensejaram soluções novas aos problemas econômicos criados. O impasse político e econômico é conseqüência deste modo predominante.
A crise acelera uma “transição sistêmica”, fortalecendo novos blocos de poder, entre eles o BRICS – a articulação formada por Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China. O sinal interessante do momento está na própria sinalização de ajuda financeira à Europa pelo BRICS. Neste contexto de um mundo em transição, outros dois elementos são essenciais, sendo eles a formação de um bloco de países governados por alianças progressistas na América Latina e outro, de caráter reacionário, na resposta lenta do hegemonismo norte-americano à sua própria decadência evidente nos empreendimentos militares do Iraque, Afeganistão e recentemente numa guerra colonial para domínio da Líbia.
Como se comportar o Brasil diante deste quadro? Para o PCdoB, esta crise exige audácia do governo brasileiro no sentido de aproveitar este “cotovelo da história” para avançar no rumo de mudanças e que, concretamente, abra caminho à realização de um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Aproveitar esta chance não é um movimento novo, algo a se inventar. A Revolução de 1930 e as ações do governo Lula no início da crise são bons exemplos que aparecem no retrovisor da história e que podem servir de desenho a uma ação ousada. E de certa forma isso tem sido feito pelo governo de Dilma Rousseff, que desenvolve grande esforço na busca de alternativa nova.
As ações do governo Dilma diante do agravamento da crise se dão num quadro de fortalecimento de sua própria autoridade. O lançamento do Programa Brasil sem Miséria, a redução da taxa de juros, o aumento do IPI sobre os carros importados são sinais positivos nada elementares, assim como é a própria gestão conjugada das políticas monetárias e fiscal, abrindo campo para uma significativa queda da taxa SELIC, fortalecendo a convicção em torno de uma engenharia política e econômica que capacite nosso país chegar em 2014 praticando taxas de juros mais racionais e próximas de patamares internacionais.
Pouco se diz, mas muito se sente – diante da reação do “mercado” e de setores da grande mídia, sobre o real significado da possibilidade de se praticar taxa de juros a níveis internacionais até 2014. Para o PCdoB, o movimento é claro e pode ser sintetizado numa arrumação de médio e longo prazos capaz de desmontar o acordo tácito que configurou o Plano Real. Aí, na prática, passou a se impor um “protocolo” na relação entre o governo e o “mercado” financeiro, garantindo a prevalência de ganhos baseados na – inexplicável – maior taxa de juros do mundo. Este acordo tácito dominante possibilitou o trânsito dos ganhos com a inflação para outro – onde os juros, e a política monetária, tornaram-se a base social do “acordo”. Essa transição a um novo pacto político agora não virá espontaneamente, e a mobilização social e o fortalecimento da luta dos trabalhadores, e o apoio aos empresários da produção são parte essencial deste todo complexo. Este é o caminho para a queda declinante da taxa de juros tornando possível a vigência de uma política monetária que sustente um desenvolvimento acentuado por largo período.
Ao PCdoB, diante deste quadro, cabem esforços para a realização de tarefas importantes. Fortalecer o governo Dilma e o núcleo mudancista. Defender o Brasil e sua economia ante os efeitos da crise. Neste sentido, apoiar e estimular as lutas e mobilizações do povo e dos trabalhadores. O aumento da responsabilidade do PCdoB diante da nação e do povo são demandas normais de uma força em crescimento e partícipe do governo nacional. Não nos esquivaremos de nossas obrigações chanceladas há quase 90 anos.
Fonte: Congresso em Foco
*Presidente nacional do PCdoB
Está em curso o que podemos chamar de uma segunda fase da crise financeira marcada pelo aprofundamento dos problemas de ordem fiscal nos Estados Unidos e Europa, cujas sinalizações de solução não são positivas: os gestores da crise ainda se encontram no núcleo do poder norte-americano e ainda não ensejaram soluções novas aos problemas econômicos criados. O impasse político e econômico é conseqüência deste modo predominante.
Por Renato Rabelo*
Como se comportar o Brasil diante deste quadro? Para o PCdoB, esta crise exige audácia do governo brasileiro no sentido de aproveitar este “cotovelo da história” para avançar no rumo de mudanças e que, concretamente, abra caminho à realização de um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Aproveitar esta chance não é um movimento novo, algo a se inventar. A Revolução de 1930 e as ações do governo Lula no início da crise são bons exemplos que aparecem no retrovisor da história e que podem servir de desenho a uma ação ousada. E de certa forma isso tem sido feito pelo governo de Dilma Rousseff, que desenvolve grande esforço na busca de alternativa nova.
As ações do governo Dilma diante do agravamento da crise se dão num quadro de fortalecimento de sua própria autoridade. O lançamento do Programa Brasil sem Miséria, a redução da taxa de juros, o aumento do IPI sobre os carros importados são sinais positivos nada elementares, assim como é a própria gestão conjugada das políticas monetárias e fiscal, abrindo campo para uma significativa queda da taxa SELIC, fortalecendo a convicção em torno de uma engenharia política e econômica que capacite nosso país chegar em 2014 praticando taxas de juros mais racionais e próximas de patamares internacionais.
Pouco se diz, mas muito se sente – diante da reação do “mercado” e de setores da grande mídia, sobre o real significado da possibilidade de se praticar taxa de juros a níveis internacionais até 2014. Para o PCdoB, o movimento é claro e pode ser sintetizado numa arrumação de médio e longo prazos capaz de desmontar o acordo tácito que configurou o Plano Real. Aí, na prática, passou a se impor um “protocolo” na relação entre o governo e o “mercado” financeiro, garantindo a prevalência de ganhos baseados na – inexplicável – maior taxa de juros do mundo. Este acordo tácito dominante possibilitou o trânsito dos ganhos com a inflação para outro – onde os juros, e a política monetária, tornaram-se a base social do “acordo”. Essa transição a um novo pacto político agora não virá espontaneamente, e a mobilização social e o fortalecimento da luta dos trabalhadores, e o apoio aos empresários da produção são parte essencial deste todo complexo. Este é o caminho para a queda declinante da taxa de juros tornando possível a vigência de uma política monetária que sustente um desenvolvimento acentuado por largo período.
Ao PCdoB, diante deste quadro, cabem esforços para a realização de tarefas importantes. Fortalecer o governo Dilma e o núcleo mudancista. Defender o Brasil e sua economia ante os efeitos da crise. Neste sentido, apoiar e estimular as lutas e mobilizações do povo e dos trabalhadores. O aumento da responsabilidade do PCdoB diante da nação e do povo são demandas normais de uma força em crescimento e partícipe do governo nacional. Não nos esquivaremos de nossas obrigações chanceladas há quase 90 anos.
Fonte: Congresso em Foco
*Presidente nacional do PCdoB
terça-feira, 16 de agosto de 2011
CTB critica veto de Dilma sobre o ganho real dos aposentados - Portal CTB
16/08/2011
A presidente Dilma Rousseff vetou, ontem, um artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, que assegurava recursos para os reajustes reais - acima da inflação - para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com a decisão, cerca de nove milhões de brasileiros, que recebem o benefício acima do salário mínimo, serão prejudicados. O valor do ganho ainda seria definido com as centrais sindicais e os representantes dos aposentados.
O presidente da CTB, Wagner Gomes, mostrou indignação com o veto da presidenta Dilma, lembrou que os aposentados já sofrem com perdas salariais que chegam a 70%, por conta do reajuste diferente do aplicado ao mínimo, e agora correm o risco de também não terem o reajuste real se for mantida a decisão da presidenta Dilma.
“Precisamos mobilizar a todos os brasileiros, todas as centrais sindicais para derrubar o veto no Congresso Nacional. Não podemos deixar passar esse veto e vamos lutar até o fim”, declarou Wagner Gomes.
Como justificativa para o veto, o governo disse que é impossível garantir os recursos necessários se os percentuais dos reajustes das aposentadorias e pensões ainda não foram definidos. O texto da LDO havia sido aprovado na Câmara e no Senado.
“Mais uma vez a presidente Dilma não cumpre um acordo firmado com as centrais sindicais, frustrando novamente a classe trabalhadora e os quase 10 milhões de aposentados e pensionistas”, lamentou Wagner Gomes.
Celso Jardim – Portal CTB
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