quarta-feira, 3 de junho de 2026
O PIX É DO BRASIL - NOTA OFICIAL DO BRASIL À IMPRENSA
O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.
É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.
Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.
Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.
O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.
Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.
ANEXO
Resumo dos argumentos apresentados pelo Brasil sobre os itens investigados no contexto da Seção 301:
Nas sucessivas reuniões realizadas com os técnicos do USTR, as autoridades brasileiras forneceram farta documentação que comprova que a política comercial brasileira não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e nem viola normas internacionais vigentes.
1. Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico: A lei brasileira confere tratamento equitativo a empresas nacionais e estrangeiras. Não há, no Brasil, qualquer restrição contra as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O país é um grande mercado para as “big techs” americanas. O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA.
2. Tarifas preferenciais: Os acordos comerciais celebrados pelo MERCOSUL com terceiros países (México e Índia) não restringem o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro. Insumos e componentes de origem norte-americana incorporados a produtos brasileiros beneficiam-se de Acordos do MERCOSUL com outros mercados.
3. Aplicação de leis anticorrupção: O Brasil é parte dos principais instrumentos internacionais de combate à corrupção e dispõe de arcabouço legal e institucional consistente para sua aplicação, regularmente avaliado pelos mecanismos multilaterais pertinentes. Desde 2017, foram celebrados mais de trinta acordos de leniência. Em abril de 2026, por iniciativa do Governo brasileiro, foi apresentada proposta para enfrentamento ao crime organizado e de combate à corrupção ao Departamento de Estado.
4. Proteção de direitos de propriedade intelectual: Os Estados Unidos são o principal beneficiário do sistema brasileiro de propriedade intelectual. Respondem por cerca de 30% dos pedidos de patente e lideram os contratos de licenciamento e cessão de ativos. Os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano somaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do registrado em 2020.
5. Etanol: O Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não-discriminatórias, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis tem desenvolvido diretrizes técnicas específicas para a participação de produtores norte-americanos no Programa. Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena para os 18% aplicados pelo Brasil. Por outro lado, o açúcar brasileiro conta com cota ínfima de cerca de 150 mil toneladas e, acima da cota, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a uma alíquota de 80%.
6. Desmatamento: Desde 2023, o Governo estabeleceu e está cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em cerca de cinquenta por cento na comparação com 2022. A área queimada no País como um todo recuou cerca de quarenta por cento em 2025 frente à média do período 2017-2024. Além disso, dados divulgados semana passada pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus seis biomas, atingiu seu menor nível em 7 anos.
Governo do Brasil
sábado, 18 de abril de 2026
Capitalismo é quando a Economia melhora e você continua pobre - Domingo, 19/4. às 8h30 - Fórum Sindical com Juliane Furno, Maria Frô e Paulo Vinícius da Silva
terça-feira, 10 de março de 2026
BANQUEIROS GANHAM,BRASIL PAGA! Fórum Sindical, 15/3, Ladislau Dowbor, Maria Frô e Paulo Vinícius da Silva
quarta-feira, 4 de março de 2026
Livros: por Ladislau Dowbor O que é Capital - Primeiros Passos - baixe grátis
Download Gratuito
Este livro procura tornar simples a compreensão de como o capital se transforma, quem dele se apropria, e com que finalidade. Como o capital está no centro das transformações econômicas, trata-se de uma boa introdução à própria ciência econômica. 10ª edição, revista e ampliada em 2003. Tamanho 94 páginas Editora Brasiliense Ano 2003 ISBN 978-8511010640
sexta-feira, 21 de março de 2025
Haddad na Globonews - A luta pela justiça tributária é Já! Isenção de IR até 5 mil R$! Rico TEM DE PAGAR IMPOSTO!
Ou levamos a sério o que diz a constituição ou não pode haver justiça no Brasil.
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) March 20, 2025
Entrevista para a GloboNews. pic.twitter.com/jYu7J0B60m
sábado, 15 de março de 2025
O Socialismo no século XXI - João Amazonas*

O socialismo, como corrente do pensamento avançado, projeta-se sobre o novo século como alternativa inevitável ao capitalismo decadente. É a grande bandeira da renovação social
Já vai distante a época dos profetas que vislumbravam o futuro com a suposta ajuda da divindade. Em geral prediziam as calamidades, os males que atormentariam a humanidade, o fim do mundo. Apareceram também os que negavam a possibilidade de conhecer o porvir. "O futuro a Deus pertence", sentenciavam. Nos tempos modernos surgiram verdadeiros profetas. Já não eram adivinhos, mas pensadores apoiados na ciência, no conhecimento das leis que regem a natureza, a sociedade e conformam o pensamento humano. A predição deixou de ser fruto da simples conjetura, mas resultado da elaboração de teorias e premissas que refletem os processos do eterno movimento de tudo que existe no universo.
Vivemos os anos finais do século XX pleno de contradições. Muitos gostariam de conhecer a feição provável dos acontecimentos vindouros, os caminhos por onde trilhará a humanidade em busca de uma vida feliz. O futuro não pode, porém, desligar-se do passado, do exame crítico da época que vai ficando para trás. Esse exame dá indicações, às vezes precisas, das perspectivas vindouras, porquanto a História segue rumos definidos por leis objetivas.
O século XX começou com a passagem do capitalismo florescente da livre concorrência para a sua fase monopolista, imperialista. Todo este século transcorreu sob o domínio dos monopólios que, afinal, converteram-se em monopólios gigantes, os oligopólios transnacionais que aceleram a globalização da economia mundial.
A par dos progressos indiscutíveis na vida da sociedade ocorridos neste século, na produção, na ciência, nas artes, nos meios de comunicação, na identificação de fenômenos ecológicos, no aumento considerável da população do planeta, destacou-se também o lado sombrio, perverso, do sistema monopolista: duas grandes guerras nas quais pereceram cem milhões de pessoas, guerras variadas de dominação colonial, extermínio nuclear de populações indefesas, supressão violenta da liberdade, alargamento do fosso das desigualdades sociais.
Mas o século XX registra também memoráveis lutas sociais e políticas: revoluções, resistência armada aos opressores, levantes camponeses, combativas greves operárias, embates vigorosos contra o fascismo em defesa das liberdades.

Os fundadores do PCB - Partido Comunista do Brasil, em 25 de março de 1922, em Niterói
A revolução socialista na velha Rússia dos czares é o grande marco da nossa época, seguida mais tarde – por outro evento significativo, a proclamação da República Popular da China. Destaque especial teve ainda o movimento da descolonização. Muitos países, após a II Grande Guerra, sacudiram o jugo da opressão nacional, tornaram-se independentes.
Esse processo violento, contraditório, que já dura cem anos é, em última instância, o lento e prolongado parto da História. O capitalismo chegou ao fim, já não tem condições de resolver os magnos problemas sociais e políticos gerados pelas próprias contradições que encerra. Não pode assegurar a convivência pacífica entre os povos, nem garantir o exercício da liberdade sempre mais restringida. Não pode deter a exclusão social de consideráveis parcelas da população laboriosa, nem impedir o crescimento da miséria que se alastra por todo o Globo. O socialismo, nova forma de organização da sociedade, apresenta deficiências naturais de um regime que acaba de nascer, carece de experiência suficiente para se consolidar em definitivo como sistema progressista. Sofreu derrota passageira na União Soviética e no Leste europeu, depois de haver alcançado importantes vitórias na edificação da nova vida.
A experiência histórica demonstra que o socialismo não conseguirá afirmar-se de um só golpe. Sua consolidação e enraizamento universal registrará muitas vitórias e também reveses. A construção da nova sociedade é mais difícil e complicada do que antes se imaginara. Erra quem pensa que o socialismo morreu definitivamente. Erra igualmente quem o imaginava um processo em linha reta, somando sempre vitórias e expandindo-se sem obstáculos, continuadamente. Também o capitalismo não desaparecerá em cada país com uma única cutilada. De certo modo, a morte do capitalismo está relacionada com a construção êxitos a do socialismo. Em suma, não se constrói a nova vida nem liquida o capitalismo de uma só vez.
A transformação socialista da sociedade é um largo processo de lutas e de aprendizagem permanente. Transferir os meios de produção capitalista para a comunidade é relativamente fácil com a vitória da revolução. Mas essa transferência abrange tão somente a área econômica. Como organizar dinamicamente em todos os aspectos a nova sociedade é obra que demanda tempo e visão progressista, revolucionária.
Quando apareceram as primeiras idéias que sinalizavam a necessidade de substituir o capitalismo, aí pela metade de século XIX, surgiram os utopistas. Saint-Simon, Owen, Proudhon imaginavam, ou melhor, idealizavam a sociedade perfeita do futuro que terminaria com a exploração do homem pelo homem, com a corrida desenfreada ao lucro. Eram pregoeiros de ilusões, de utopias.
O socialismo, em certo sentido, é o novo desconhecido. Até hoje, em vários países, após a revolução, não se sabia exatamente como construir integralmente a sociedade do futuro. Tinha-se o plano geral, de base científica, e as forças militantes do partido de vanguarda. Já é muito, mas não o suficiente, pois além da construção econômica precisa-se forjar a vida espiritual das grandes massas. A sociedade reflete a base material em que se assenta, não, porém, de modo direto. Condicionadas pela base material, as massas criam suas próprias formas de existência. Hábitos, moral, ética, convivência social, vínculos culturais não se forjam de um dia para o outro.
"Fevereiro de 1917"
(História da URSS em cartazes de propaganda https://43419.tilda.ws/page1962866.html#rec37214006)
O socialismo não pôde vencer simultaneamente em todos os países, nem mesmo, como supunham Marx e Engels, nos mais desenvolvidos. Triunfou na Rússia, na China, na Coréia, no Vietnã, na Albânia, em Cuba. As idéias e modos de vida aí predominantes são de países atrasados. Tais idéias e modos de vida entram em contradição com os projetos avançados que se pretendem instaurar. É preciso tempo para reverter essa situação. Ademais, a pressão do modo de vida capitalista dos países ricos repercute entre as populações onde se instituiu um regime diferente, progressista, que não pode, de imediato, assegurar condições de vida confortável a todo o mundo. Certamente, nos países ricos, a par do conforto que desfrutam as classes privilegiadas, existe a imensa faixa dos que vivem na pobreza. Essa faixa, na propaganda capitalista, fica na sombra, não aparece.
O século XXI será cenário da grande batalha histórica que se desenvolve no seio da sociedade humana. Batalha da luta entre o novo que procura abrir caminhos, tradicionais ou inusitados, ao progresso social, e o velho que resiste por todos os meios, pacíficos e não-pacíficos, a desaparecer. Quanto tempo ainda durará esse enfrentamento, é difícil, mesmo impossível prever.
O capitalismo monopolista ingressa nessa batalha, na viragem do século, sustentando a orientação neoliberal que seus apologistas tentam fazer crer tratar-se da nova forma, irreversível, de desenvolvimento da sociedade. A verdade, no entanto, indica que o neoliberalismo é a mais brutal ofensiva do grande capital contra todas as conquistas alcançadas pela humanidade, em termos de democracia, direitos sociais, avanços culturais, identidade nacional, desenvolvimento econômico independente.
Haja vista o quadro desolador do mundo de hoje, em boa parte resultado dessa ofensiva neoliberal:
Um bilhão e 300 milhões de pessoas vivem na pobreza extrema, 800 milhões passam fome; cerca de 900 milhões de trabalhadores vivem o drama do desemprego e do subemprego. Mais de um bilhão de pessoas não conseguem usufruir cuidados básicos de saúde e ter livre acesso à educação.
A regressão antidemocrática, com a degradação da democracia política e os atentados às liberdades fundamentais, é expressão chocante da ofensiva reacionária. A soberania nacional dos países menos desenvolvidos sofre restrições e ameaças de toda ordem. Pari passu, a concentração das riquezas atinge níveis inimagináveis: 358 bilionários possuem fortunas iguais aos rendimentos anuais de 45% da população do mundo. Esta situação paradoxal não pode deixar de suscitar anseios de mudança na forma de organização da sociedade.
De outra parte, o socialismo, como corrente do pensamento avançado, projeta-se sobre o novo século como alternativa inevitável ao capitalismo decadente. É a grande bandeira da renovação social.
Contudo, o socialismo ressente-se da derrota que sofreu na ex União Soviética e no Leste europeu. Suas idéias transformadoras da sociedade perderam força entre as massas. Evidenciou-se profunda crise no campo da teoria, da ideologia. Proliferam por toda parte "críticos" do marxismo, os que renegam princípios e a própria organização de vanguarda, assustados com o final desastroso do regime socialista na URSS e com a campanha anticomunista que se seguiu. "Ser revolucionário - dizem - é coisa do passado, velharias de outros tempos ... "
Sem vencer essa crise, o socialismo não poderá avançar, nem comandar exitosamente a luta emancipadora de milhões de trabalhadores, dos explorados e oprimidos. Não há movimento revolucionário na ausência de teoria revolucionária.
Certamente vencer a crise no plano da teoria não significa repelir simplesmente fórmulas ultrapassadas, posições dogmáticas, sectárias. Impõe-se a defesa dos fundamentos da teoria marxista, seu espírito crítico e revolucionário, desenvolve-la criadoramente, ligada ao tempo em que vivemos. Já Lênin, nos primórdios deste século, dizia: "Não temos a doutrina de Marx como algo acabado, inatingível; ao contrário, estamos persuadidos de que ela somente coloca as pedras angulares da ciência que os socialistas devem fazer progredir em todos os sentidos se eles não querem se atrasar na vida". É preciso renovar o marxismo revolucionário, extrair as lições das primeiras tentativas de instauração do socialismo, particularmente na ex- União Soviética, a fim de que o movimento progressista continue avançando. Longe de pretender fazer prognósticos infalíveis acerca da marcha dos acontecimentos políticos do próximo século, pode-se afirmar que prosseguirão as lutas que vêm de decênios passados por transformações da sociedade e que caracterizam a nossa época como a época da transição do capitalismo para o socialismo. Inevitavelmente, contra o neoliberalismo, expressão acabada do capitalismo declinante, levantar-se-ão os trabalhadores, os camponeses, os democratas, os patriotas, a juventude sem futuro, as massas populares atiradas à miséria.
Entretanto, muitos desses movimentos sociais carecerão de perspectiva política mudancista, enquanto perdure a crise do marxismo. Neles atuarão por certo tempo os sotisticadores social-democratas, pretendendo inutilmente "reformar" o capitalismo.
Voltará o socialismo a triunfar na Rússia?
É possível que os comunistas voltem ao poder na Rússia pós-revolucionária. O capitalismo aí instaurado contrasta brutalmente com a vida no tempo do socialismo, apesar das deficiências. O povo russo tentará livrar-se das calamidades que recaíram sobre o país com o retorno ao capitalismo. Mas a simples volta dos comunistas ao poder não significará ainda o triunfo do socialismo científico. A Rússia perdeu o rumo revolucionário ao final da década de 50. E não conseguiu até hoje desenvolver a teoria marxista, analisar em profundidade a causa dos erros cometidos, como e por que a União Soviética retrocedeu ao capitalismo. O revisionismo de Kruschov, Gorbachov, Brezhnev e outros não são meros desvios ideológicos, é toda uma doutrina contra-revolucionária destinada a solapar as bases do socialismo, desorientar os trabalhadores e o povo, obscurecer a consciência política das massas.
No curso do século XXI a crise de teoria e da construção socialista será superada. Em vários países observam-se sérios esforços para enfrentar essa tarefa de magnitude histórica. A China, passando por altos e baixos, acabará consolidando o regime socialista que sofreu abalos com os erros do passado, nomeadamente no período da chamada revolução cultural proletária. O Vietnã, arrasado pelas agressões bélicas da França e dos Estados Unidos, será reconstruído e fortalecerá a via socialista. Em outros lugares onde houve revoluções e retrocessos, o socialismo terminará predominante.
No conjunto do mundo, particularmente nos países menos desenvolvidos, a bandeira da luta pela liberdade e pela independência nacional, abandonada pela burguesia capitulacionista passará às mãos das forças progressistas que almejam transformações radicais da sociedade. Grandes países, como a Índia e o Brasil, apresentando formas inovadoras de passagem ao socialismo, poderão alcançar expressivas vitórias.
Assim será o século XXI. Em seus começos, haverá sombras e luzes, mais sombras do que luzes. Depois, o quadro se inverterá. A humanidade viverá tempos de grandes esperanças.
*JOÃO AMAZONAS – presidente nacional do Partido Comunista do Brasil.
Revista Princípios
EDIÇÃO 45, MAI/JUN/JUL, 1997, PÁGINAS 6-8
terça-feira, 24 de setembro de 2024
Banco Central: guardião da estagnação econômica, do desemprego e da concentração de renda - Luis Carlos Paes
A Sobrevivência dos Mais Gordos (2002): Jean Galschiot
Ao participar de debate no canal Ópera Mundi após a reunião do Copom, na semana passada, que elevou a Selic em 25 pontos, o renomado economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, afirmou que a política de juros altos é uma circunstância da “guerra entre a Faria Lima e o resto do país” ao ser provocado pela pergunta: “por que o Brasil tem hoje a segunda maior taxa de juros real do mundo, perdendo apenas para a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia? Por que temos uma economia de guerra se não estamos em guerra?”
Os acontecimentos que se sucederam à crise de 2007/2008 desmoralizaram por completo a lógica da macroeconomia neoclássica. Esta teoria pressupunha que a ampliação da base monetária levaria obrigatoriamente à inflação, sendo o único remédio para combatê-la a adoção, pela autoridade monetária, de taxas de juros mais elevadas.
O ex-diretor do Banco Central do Brasil (Bacen), ex-presidente do BNDES e um dos idealizadores do Plano Real, o economista André Lara Resende, no prefácio de seu livro “Camisa de Força Ideológica – A Crise da Macroeconomia” afirma: “...Com o advento do Quantitative Easing, a teoria monetária foi obrigada a fazer uma revisão mais profunda e explícita do que recorrentemente fez desde seus primórdios. ... o dogmatismo fiscalista e a ortodoxia monetária passaram a ser questionados. Primeiro, por economistas mais periféricos em relação aos centros do poder e do prestígio, depois por grande parte das organizações internacionais, como o Banco Mundial, o BID, o FMI e também alguns bancos centrais, como o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu. Finalmente, até os papas da ortodoxia nos Estados Unidos reconheceram a necessidade de revê-los. No Brasil, curiosamente ainda não. ... sem nos livrarmos da camisa de força ideológica da macroeconomia dominante, não há como repensar um projeto de retomada do crescimento.”
Em tempos de Fake News, o Bacen continua a adotar uma falsa teoria, já superada, que só atende aos interesses dos rentistas, parcela da sociedade brasileira, no topo da pirâmide social, que compreende menos de 0,1% da população brasileira.
Na medida, em que o País começa a se aproximar de um crescimento, ainda pequeno, de 3%, o desemprego cai e a renda das famílias tem uma leve recuperação os senhores diretores do Banco Central, salvaguardas do rentismo, decretam que o PIB, o emprego e a renda dos que estão no piso da pirâmide social não podem crescer pois a inflação poderia, na crença destes senhores, subir um pouco além do centro da meta de inflação, estipulada em 3% para os anos de 2024, 2025 e 2026.
E assim, a atual diretoria do Bacen e um punhado de tecnocratas, prisioneiros da camisa de força ideológica, continuam sabotando o crescimento da economia real e transferindo bilhões de reais dos cofres públicos para a especulação financeira, é o conflito a que se refere o professor Belluzzo.
Pergunte a qualquer brasileiro racional, por mais humilde que seja, se ele prefere o desemprego com uma inflação de 3%, ou se prefere o emprego e a possibilidade de um maior crescimento do País, mesmo que a custa de uma inflação um pouco mais elevada?
Assim, toda a nossa solidariedade e apoio ao presidente Lula que, com sobeja razão, desde o ano passado, faz um duro combate à Roberto Campos Neto e aos demais diretores do Bacen nomeados por Bolsonaro, todos comprometidos com o rentismo.
Neste final de ano, Lula terá a oportunidade de trocar três novos diretores, inclusive o presidente do Banco, que somados aos quatros já indicados anteriormente, garantirá uma maioria folgada em relação à diretoria que ele recebeu do inominável. Esperamos que aproveite bem a oportunidade e indique nomes comprometidos com um novo projeto de desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável, incompatível com o rentismo exacerbado.
Fortaleza, 23 de setembro de 2024
Luís Carlos Paes de Castro, engenheiro, analista aposentado do Banco Central e presidente do PCdoB no Ceará
sábado, 8 de maio de 2021
terça-feira, 13 de abril de 2021
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Hoje, 26/01, às 19h - Observatório do Acordo debate a Desestruturação do BB, com Augusto Vasconcelos e Eduardo Araújo
terça-feira, 29 de setembro de 2020
Iso Sendacz: O papel do dinheiro nas relações econômicas - CTB
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
quarta-feira, 17 de abril de 2019
A hora da filosofia (que fazer?) - Elias Jabbour e Alexis Dantas - Brasil Debate
Hegel ensinou que quando tudo parece dividido é a hora da filosofia, do grande pensamento, de construir uma outra lógica e subverter os sentidos do discurso oficial. É preciso mostrar ao Brasil um caminho de futuro
16/04/2019
Não é mais segredo para ninguém que teremos mais um ano de crescimento pífio. O desemprego voltou a subir e a capacidade ociosa na indústria já beira os 40%. A taxa de investimentos (um ótimo indicador à verificação do nível de barbárie social) está em 15,5%. Este índice na China, que necessita gerar 13 milhões de empregos urbanos ao ano, está acima dos 40% há anos. No caso brasileiro uma taxa mínima para somente manter o atual nível de (des) emprego seria de 18%.
Liberais protofascistas aterrorizam a sociedade com a necessidade de uma propalada reforma da previdência e a venda de mais patrimônio público. Os bancos estatais já são fustigados publicamente por um ministro da economia que parece viver sob pressão da vida e da morte para entregar a abutres o futuro de 210 milhões de pessoas. Nem economistas ortodoxos alemães, nem tampouco nossos amigos economistas liberais chineses entenderiam essa obsessão por abrir mão de ativos bancários em épocas de certeza zero por parte dos investimentos privados.
A mentira virou verdade. Desde alunos de economia até donas de casa são levados a acreditar que o problema do país é o Estado. Afinal o Estado está longe das pessoas. E quando comparece é para matar, de forma seletiva, negros e pobres. A urbis, no capitalismo periférico sem perspectivas, transforma-se num Moloch que a tudo devora. Inclusive os sonhos que só podem ser renovados no momento em que o empresário olhar para o orçamento público e decidir investir sozinho e solitário, pois o Estado está fazendo sua parte ao se abster de gerar demanda efetiva. Certamente os empresários varejistas afeitos ao fascismo que hoje financiam uma blitz pela reforma da previdência não utilizaram este argumento para tomar emprestado dezenas de bilhões de reais de nosso BNDES.
O que restou de consciência na sociedade se bate em questões caras aos revolucionários russos do início do século 20. Que fazer? Se render diante da realidade, esbravejar e eleger o vizinho como inimigo? Aceitar a pauta e o campo de debate proposto pelo presidente como parece ser o rumo também escolhido pela “resistência”? Ou, o mais difícil, que é fazer política grande e aceitar o desafio de unir o país? E desde já dizemos que unir um país heterogêneo como o Brasil é tarefa de gigantes que não aceitam a pauta de “resistência” como variável estratégica. Aceitar este desafio é colocar o particular no plano da totalidade. É fazer política dentro e fora da bolha, não se utilizando da gritaria e do ódio como argumentos. Este método de ação deixemos para os nossos inimigos.
Lembrando de nosso amigo Cristiano Capovilla, percebemos Hegel que nos ensinou acerca do momento em que tudo parece dividido e cindido ser a hora da filosofia, do grande pensamento. Não aceitar o jogo vigente é construir uma outra lógica para nomearmos novos valores e verdades para os fenômenos. O que significa, em linha de continuidade com o mesmo Hegel, subverter os sentidos do discurso oficial em sua essência. Logo, não aceitando a polarização proposta como algo dado, imutável.
Logo, a tarefa é óbvia. Pela filosofia chegamos à necessidade de um novo léxico de caráter nacional e popular, adequado aos tempos de hoje no Brasil. No concreto isso significa unir os mais amplos setores da sociedade contra o atual estado de coisas. Não existe saída fora da política, ainda mais quando liberais não neoclássicos já começam a serem chamados de comunistas e perseguidos por convicções democráticas. Mas não chegaremos longe com bandeiras do passado. Não fazemos história sob condições escolhidas por nós e devemos saber que a tarefa de unir o país e reconstruí-lo não será tarefa simples a ser executada, por esta ou aquela força política “iluminada”.
Ignacio Rangel, o maior pensador da brasilidade, nos alertara sobre os riscos das nações que se negaram o direito de se desenvolver. Todas elas pereceram. O Brasil corre este risco. Logo, devemos construir e mostrar à sociedade um caminho de futuro. Uma rota por onde seguir. E como seguir. É crível a necessidade de não aceitarmos o jogo e os termos do jogo propostos pelo inimigo sob forma de uma polarização que só interessa, em Clausevitz, a quem tem a iniciativa de combate. Não é o nosso caso: estamos em franco processo de isolamento desde 2016. A única saída é a amplitude. Observamos o grande jogo que está sendo jogado. Ninguém mira em jogar na descrença do poder legislativo e do STF sem nenhuma boa carta na manga.
Existe método na loucura, sim. O que virá poderá ser um 1964 sem o instituto da correção monetária e, muito menos, um 2° PND. Poderemos acordar num Chile miserável com mais de 200 milhões de habitantes. A nação está em perigo. A bandeira nacional e o lema “Brasil Acima de Tudo” deve ser honraria nossas. Não deles.
Crédito da foto da página inicial: Reprodução/Vídeo Chico Prado/Revista Fórum
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Xadrez da recuperação da economia, por Luis Nassif - Jornal GGN
QUA, 26/09/2018 - 00:23 - ATUALIZADO EM 26/09/2018 - 07:17
Luis Nassif
A crise brasileira será solucionada pela política. Caso seja eleito presidente, Fernando Haddad contará com uma série de fatores que permitirá uma rápida recuperação da economia, sem grandes rupturas. O desafio maior será recompor as alianças com as forças democráticas de vários campos, e selar acordos de governabilidade com o STF (Supremo Tribunal Federal),
Os trunfos são os seguintes:
Recuperação no preço das commodities, especialmente petróleo e grãos.
Desvalorização cambial que se seguirá à vitória de Haddad.
Espaço para redução dos juros, liberando recursos para o mercado de renda variável, especialmente debêntures de infraestrutura.
Uma carteira de projetos de infraestrutura já licitados e negociados com o BNDES, aguardando apenas que se espante o fantasma da Lava Jato.
Vamos por partes:
Peça 1 - recuperação das commodities
Uma das grandes manipulações da mídia nos últimos anos foi associar os problemas da Petrobras apenas à corrupção e ao congelamento de tarifas do governo Dilma Rousseff. Os problemas maiores foram decorrência da queda brutal dos preços do petróleo, de mais de 100 dólares o barril para um fundo do poço.
Os tais R$ 20 bilhões que a Petrobras abateu do seu balanço referem-se exclusivamente ao ajuste para acompanhar o novo preço dos combustíveis, e não às propinas, como falsamente foi espalhado pela Lava Jato. E nunca esteve à beira da insolvência, como fez crer uma propaganda maciça de fakenewspela mídia.
Com a recuperação das cotações internacionais, os ganhos serão imediatos. Além disso, embora não se vislumbre em Haddad a disposição de denunciar os contratos já fechados para a exploração do pré-sal, é quase certo que interromperá os leilões e irá recuperar os princípios básicos da lei da partilha: voltar os componentes de conteúdo nacional, retomar as encomendas para a indústria naval e interromper os leilões de exploração.
Peça 2 – a política cambial
Sem afrontar os dogmas do sistema de metas inflacionárias, o novo presidente poderá se valer das próprias regras do mercado para flexibilizar a política monetária e cambial.
Especialistas do mercado enxergam as seguintes possibilidades.
Câmbio - Receberá o país com o câmbio desvalorizado e com as contas externas em dia. Aliás, uma das grandes heranças do lulismo foi ter aproveitado a enchente de dólares da economia mundial para zerar o passivo externo e montar uma boa base de reservas cambiais.
Fluxo cambial - A recuperação do preço das commodities injetará uma boa quantidade de divisas na economia. Será importante não permitir uma nova apreciação do real. Isso será possível em duas pontas:
Ponta 1 - a redução do diferencial de juros entre o real e o dólar.
Espera-se uma elevação na taxa de juros americana. Estima-se que poderá chegar a 3% ao ano. A estratégia brasileira consistiria em reduzir ainda mais a Selic, eliminando o diferencial de juros com os EUA.
Será possível mesmo incorporando uma miragem criada pelo mercado: a taxa de juros de equilíbrio, ou seja, a taxa de juros que seja neutra em relação à inflação e à atividade econômica.
Essa miragem foi desenvolvida por Pérsio Arida anos atrás. Estimava, então, que o Brasil jamais conseguiria conviver com taxas reais de juros de um digito apenas. Com o tempo deu um desconto para 10%, Depois, para 8%. Hoje em dia, a taxa real oscila entre 3% e 4% e a inflação continua domada.
O mercado também desenvolveu cálculos sobre o chamado PIB potencial - isto e, o crescimento possível dadas as condições da economia. Hoje em dia, há um hiato de PIB. Ou seja, o país cresce abaixo do PIB potencial. Significa que as taxas de juros deveriam estar abaixo da tal taxa de equilíbrio.
O real está colado nas moedas dos emergentes. Mas é a moeda de maior liquidez. A cada crise, é a primeira moeda a ser vendida. Passada a crise, a primeira a ser comprada.
Mesmo assim, fechando o diferencial entre juros americanos e brasileiros, se ainda assim houvesse um fluxo de dólares, ele poderia ser esterilizado com operações de swap - que tem um custo, mas não impactam a dívida líquida nacional.
Peça 3 – a política monetária
Confirmada a vitória de Fernando Haddad, o mercado tenderia a puxar as taxas de juros longas, da NTNB.
Trata-se de um título da dívida que paga IPCA mais uma taxa de juros negociada a mercado. Com a Selic elevada, as NTN-Bs se tornaram um sorvedouro da poupança privada, especialmente dos fundos de pensão, por oferecer rentabilidade maior do que a taxa atuarial necessária, sem risco algum. O patrimônio total dos fundos chega a R$ 1 trilhão. Sua meta atuarial é de IPCA + 5,5%. As NTNBs longas pagam 6,5% mais IPCA, sem risco nenhum.
Com um diretor de política monetária habilidoso, será possível montar a seguinte estratégia:
Se o mercado puxa a taxa de juros para cima, há uma queda no valor do título à vista - o chamado PU (Preço Unitário). É simples entender. O preço de vencimento do papel é, digamos, 100. Se ele rende 10% ao ano, e falta um ano para o vencimento, seu PU será de 90,91 (100 / 1,10 = 90,91). Se a taxa sobre para, digamos, 15% ao ano, o valor do PU cairá para 86,96 (100 / 1,15 = 86,96). O BC pode se aproveitar desse movimento para recomprar as NTNBs e substituí-las por LTNs (Letras do Tesouro Nacional), pré-fixadas. O aumento da demanda por LTNs promoverá uma elevação no seu PU – resultando em menor custo para o BC.
Com esse movimento, e com a redução das taxas de juros, os fundos de pensão terão que buscar papéis mais rentáveis. E aí, abre-se o mercado para papéis privados, os CRAs (Certificados de Recebíveis Agrícolas) e debêntures de infraestrutura.
O mesmo ocorrerá com os bancos que emitem CDBs e que não terão mais as facilidades dos juros da dívida pública para se remunerar.
Haverá outro ganho indireto. Com as NTNBs, o mercado sempre apostava no caos: quando mais desarrumada a economia, mais elevadas são as taxas das NTNBs. Com os pré-fixados, passarão a ser sócios da estabilidade.
Peça 4 – retomada das obras paradas
Para completar o quadro, há uma imensidão de projetos públicos já licitados, analisados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e suspensos devido aos receios com a irracionalidade da Lava Jato e seus filhos.
Esses projetos foram completados no governo Dilma. Para cada um deles exigiu-se a constituições de SPEs (Sociedades de Propósito Específico), com o capital blindado em relação aos acionistas principais – as grandes empreiteiras.
Mas, depois dois abusos do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, com condução coercitiva de dezenas de técnicos do BNDES, criminalização de qualquer operação, houve o chamado apagão das canetas – nada se aprovava, nenhuma medida era tomada, porque tudo estava exposto à criminalização pelo MPF.
Um pacto entre o governo, o STF, a PGR, destravaria os investimentos que seriam rapidamente colocados em marcha. Vale o exemplo dos EUA. A Odebrecht recebeu uma multa bilionária da SEC (a CVM dos EUA). Imediatamente após a aplicação da multa, a própria SEC entrou em conta com os bancos norte-americanos solicitando que destravassem os financiamentos à Odebrecht, inclusive para que a multa pudesse ser honrada.
Além disso, com a taxa de juros em 6,5%, o governo poderia injetar recursos no BNDES sem impacto na dívida pública. O impacto ocorria devido ao diferencial entre as taxas do BNDES e a Selic de 14%. Com Selic próxima às taxas do BNDES, não há impacto na dívida pública.
Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), cada R$ 1 milhão investido no setor gera, em média, 26 empregos.
Só a Linga 6 do Metrô de São Paulo exigirá R$ 15 bilhões de investimento. O PAC Mobilidade, outros R$ 32 bilhões espalhados por várias capitais.
A terceira etapa de concessão de rodovias, outros R$ 13 bilhões, divididos entre a BR 153, BR 101, BR 163, BR 050.
No setor ferroviários, apenas o Ferroanel de São Paulo exigirá outros R$ 3,5 bilhões; a Norte-Sul, mais R$ 4 bilhões. A modernização da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) outros R$ 6 bilhões. Há R$ 3,5 bilhões de projetos parados dos aeroportos.
Destravando os investimentos, só nessa retomada de obras haverá condições de gerar, por baixo, 2 milhões de empregos.
Sem contar os investimentos externos. Os chineses, por exemplo, estão aguardando os primeiros sinais de estabilidade política para voltar a investir.
Peça 5 – a PEC do gasto
A desastrada PEC do Gasto produziu um pterodátilo nas contas públicas. A alegação final era a necessidade de conter gastos para aumentar os investimentos públicos. Mas incluiu-se o investimento público na lei.
Então, se o PIB crescer, digamos, 2,5% ao ano, os investimentos públicos permanecerão congelados, sem conseguir acompanhar o PIB e, por consequência, sem conseguir melhorar a produtividade da economia.
De alguma maneira terá que ser revista.
domingo, 15 de março de 2015
Mauro Santayana: A marcha dos insensatos e a sua primeira vítima (I) - Agência PT de Notícias
Se estes brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para fazer tomar suas decisões, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que o Produto Interno Bruto (PIB) e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando FHC deixou o governo, oito anos depois.
Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 300 bilhões de dólares, em 2013, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.
E isso, apesar de o senhor FHC ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.
Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial, caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo FHC, em 2002.
E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, depois que o PT chegou ao poder, também segundo o World Bank.
O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, hoje, também depois que o PT chegou ao poder.
As reservas monetárias internacionais – o dinheiro que o país possui em moeda forte – que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para 37.832 bilhões de dólares nos oito anos do governo FHC.
Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.
Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 369,803 bilhões de dólares, em dados de ontem, transformando o Brasil de devedor em credor, depois do pagamento da dívida com o FMI em 2005, e de emprestarmos dinheiro para a instituição, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.
E, também, no quarto maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano.
O Investimento Estrangeiro Direto (IED), que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do governo FHC, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial, passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares depois que o PT chegou ao poder.
A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no governo FHC, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.
E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha – cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” – ou o Canadá.
Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20.
Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 – segundo Ipeadata e o Banco Central – nos governos do PT.
Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola – ou da “cachola” – o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem sucedido.
Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo domingo:
A de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa – supostamente maravilhosa – “herança” de Fernando Henrique Cardoso, colocando em risco as conquistas de seu governo.
O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.
Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, há poucos dias, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.
Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, que faz com que estejamos crescendo pouco, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos do que nós.
Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram inúmeros erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos.
Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país, que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.
Mauro Santayana é jornalista
sábado, 7 de março de 2015
Política no comando - Aloísio Barroso - Portal Vermelho
Sergio Barroso *
Abalada pela crise capitalista global, a economia mundial continua a se degradar. Em direção contrária a idéia de “recuperação” difundida pelo establishment americano e repetida por seus papagaios mundo afora.
Mas são evidentes as implicações da resposta norte-americana à grande crise e seu declínio da condição de potência hegemônica. Repassá-la à periferia do capitalismo para que nações e trabalhadores paguem a conta é seu objetivo.
Em matéria geoeconômica, os EUA continuam a se beneficiar da sua moeda, cuja valorização ou não depende de sua política monetária e cambial, onde sua própria taxa de juros também pode determinar seu comando sobre a política cambial nos países que não possuem moeda conversível – caso do Brasil e da imensa maioria dos países do globo. Ou seja: a chamada hierarquia (das moedas) do sistema monetário internacional restringe (ao máximo, mas não impede) a capacidade de outros países praticarem uma política econômica independente!
China luta contra deflação [1]
Ademais, um novo fenômeno sublinha a continuidade da gravidade da crise, além das próprias estimativas (sombrias) do FMI e da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), feitas em Novembro, para 2015, que como sabemos sempre estão a serviço dos banqueiros e ricaços. Trata-se da marcha de uma deflação nas principais economias do planeta.
Na análise percuciente (e pioneira) de Yao Yang, prestigiado reitor da Escola Nacional de Desenvolvimento e diretor do Centro para a Reforma Econômica da China (Universidade de Pequim). Segundo assinalara (“A China consegue evitar a deflação?”, Valor Econômico, 27/01/2015), o mundo inteiro se encontra assolado por forças deflacionárias; e se a China entrar no turbilhão, não haveria como “desta vez” seus parceiros comerciais socorrê-la. O problema crucial para o governo da China, portanto, é se ela poderá safar-se da deflação “por conta própria”, diz ele.
Yang argumenta ainda que, apesar da atual desaceleração da economia chinesa ter sido induzida por políticas econômicas nacional, nos dois últimos anos o governo chinês “o governo promoveu um aperto da política monetária e da política fiscal na esperança de neutralizar os efeitos adversos do grande pacote de estímulos econômicos lançado como resposta à crise financeira mundial de 2008”.
Ora, no último dia 28 de Fevereiro o BC chinês anunciou novo corte, de 0,25% na taxa de juros, exatamente para evitar desaceleração maior de sua economia (e a deflação), ainda que ano passado a poderosa economia chinesa registrou crescimento de 7,4% e projeta cerca de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano.
Deflação nos EUA?
Isso mesmo! Na mesma direção vão os EUA: a inflação norte-americana soma mais de trinta meses abaixo de 2%, o objetivo do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA). Até agora, não existem indícios de um aumento do nível dos preços. Ao contrário, a deflação (queda de preços) se transformou em uma ameaça real na ainda economia de maior tamanho: os preços do consumo ficaram em apenas 0,4% em dezembro de 2014, sua maior queda desde o final de 2008. Em termos anuais, a inflação diminuiu 0,8% ao se colocar em 1,3% em novembro passado. [2]
Para Rodríguez, a chamada “recuperação norte-americana” está mais no aumento dos principais índices da bolsa de valores de Nova York e menos na melhoria substantiva das condições de vida da população intensa precarização do trabalho, desemprego, queda dos salários. “Inclusive, na esfera financeira – afirma ele -, surgiram novas barreiras para a acumulação de capital. Se é certo que o índice Standard & Poors (que cotiza as ações das 500 maiores empresas dos EUA) continua registrando aumentos, a acumulação de lucros por ação e dividendos é cada vez menor”.
Novo governo Dilma: “concessão” não é ”capitulação”
Nesse quadro, rejeitamos a idéia difundida em setores de esquerda de que existe um Brasil “pós-neoliberal”, tanto quanto a que acha que "Dilma capitulou ao mercado financeiro", assim como a que já anuncia uma "viragem neoliberal" do governo Dilma. A nosso juízo tais pontos de vista carregam forte dosagem de economicismo, incompreensão e precipitação, frente aos resultados do quadro real de forças, um Congresso mais conservador, um crescimento econômico médio pífio, forte polarização eleitoral presidencial, atual divisão e desorientação claras no comando do PT (importa recordar que a presidenta Dilma enfrentou eleições presidenciais com dois ex-presidentes de seu partido, o PT, militantes em São Paulo, presos, injustamente!). Ao lado do processo crescente de desindustrialização do país, agora mesmo vivenciamos deterioração das transações correntes no balanço de pagamentos (contas externas), aliado a um cenário internacional que deve ainda considerar (para além da crise e novas "bolhas financeiras" para todo o lado) crescimento contínuo do desemprego em escala mundial (OIT); a estimativa de crescimento econômico negativo na Rússia este ano; a marcha de desestabilização na Venezuela etc.
Pertinente relembrar nossa experiência recente: bem ao invés do "espetáculo de crescimento" prometido pelo ex-presidente Lula no início de seu governo, a recessão foi clara no primeiro trimestre de 2003 (-1,1%) e no segundo (-0,23%), apesar do resultado anual do PIB ter sido 1,1%. Conforme ainda o IBGE-Seade o desemprego naquele ano atingiu por volta de 20% da PEA (População Economicamente Ativa) na Grande São Paulo. Ora, a “humanidade” sabe que a média do crescimento dos governos de Lula ultrapassou os 4%!
Por suposto, sempre estivemos lutando contra os retrocessos, o que também fizemos desde (uma espécie de consentimento impositivo) da “Carta aos Brasileiros", até a sua crítica aberta. A análise dita "Dilma capitulou" não passa de completa ingenuidade em matéria de luta de classes: das concessões que ela estabelece, seus recuos temporários, das necessárias e variadas alianças, ou até mesmo de derrotas - para nós sempre também temporárias.
Certas interpretações se aninham na ideia do "fim da história", ou a decreta, quando mal começaram as batalhas. Assim, mesmo hoje tendo que enfrentar um cenário externo real bem diferente do de Lula, então de evolução favorável ao crescimento econômico, parece óbvio repetir que a história está em aberto, como sempre esteve, por isso também a conduta tática correta (ou a mais ajustada possível), é no sentido de principalizar a defesa do governo Dilma e exercer daí (e a partir daí) o comando da crítica a retrocessos, e da luta de massas e dos trabalhadores – esse o fator decisivo.
Reforçar o ato de 13 de Março: abaixo o golpismo!
Portanto, a questão nodal no Brasil hoje é: política no comando para preservar as principais conquistas do ciclo político iniciado por Lula e Dilma. Repetindo, lutando contra os retrocessos. Fora disso uma derrota severa pode advir. Mas parecem inevitáveis certas concessões neste quadro dado. E como sabe "concessão" e "capitulação" são categorias muito diferentes - particularmente na terminologia da guerra.
A campanha claramente golpista da direita neoliberal brasileira e seus aliados forâneos é a mais pura manifestação da compreensão deles sobre o que é luta de classes. Visam com clareza objetivos internacionais, serviçal do imperialismo (integração latino-americana; BRICS etc.); e notadamente nacional: interrupção do ciclo que conquistamos, inobstante a pressão furiosa do capital financeiro internacional e do jogo bruto do imperialismo.
Notas
[1] A definição tradicional da depressão econômica mundial envolve fundamentalmente: a) uma queda severa do crescimento do produto; b) elevado desemprego; c) movimentos deflacionários (queda acentuada nos preços). Cada depressão “submerge” numa outra e singular situação – não se repete, mas as determinações e características centrais são recorrentes. Ou seja: as crises sistêmicas do capitalismo e os fenômenos sociais (e também as evoluções políticas) que as acompanham.
[2] Ver o importante artigo “O fantasma da deflação norte-americana” (Carta Maior, 10/02/2015), do economista mexicano “Ariel Noyola Rodríguez.
* Médico, doutorando em Economia Social e do Trabalho (Unicamp), membro do Comitê Central do PCdoB
segunda-feira, 10 de março de 2014
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O PIB estagnou e não foi só por culpa da Europa - Portal Vermelho
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (6) uma notícia que não foi nada boa. A economia nacional estagnou no terceiro trimestre. A crise da dívida na Europa certamente contribuiu para tal resultado, mas a causa mais relevante do pífio desempenho não vem de fora. É coisa nossa. É a política econômica ancorada no tripé conservador (juros altos, superávit primário e câmbio flutuante) que cobra seu preço.
O IBGE registrou queda das atividades nos setores secundário (indústria) e terciário (serviços). Em contrapartida, o setor primário (agropecuária) cresceu 3,2%, refletindo o bom desempenho das exportações, a alta dos preços e o crescimento do consumo doméstico.
Previsões em baixa
O órgão também revisou para baixo as taxas de crescimento apuradas no primeiro e segundo trimestres (de 1,2% para 0,8% e de 0,8% para 0,7% respectivamente). O consumo do governo caiu 0,7%, o consumo das famílias foi 0,1% menor e nos investimentos recuaram 0,2%. A perspectiva é de estagnação também para o quarto e último trimestre do ano.
Nos primeiros nove meses do ano o país progrediu 3,2%. Isto fez com que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitisse que a última previsão oficial para este ano (um avanço de 3,8% no PIB) não será alcançada. Note-se que a equipe econômica já havia rebaixado a estimativa anunciada no início do ano (4,5%).
Cenário crítico
O cenário lembra o segundo semestre de 2008, quando a crise mundial, iniciada nos EUA em 2007, fez valer os seus efeitos por aqui, levando a indústria à lona e o conjunto da economia nacional à recessão, que felizmente não tardou a ser contornada. Hoje, o quadro internacional é igualmente crítico, mas a situação é diversa. Não é justo atribuir à Europa a responsabilidade maior pelos nossos infortúnios.
As diferenças parecem óbvias. Naquele ano, o crédito internacional secou bruscamente e o comércio exterior sofreu forte queda. Entre março de 2008 a março de 2009 o volume de comércio internacional caiu 18,7% e a atividade industrial declinou 10,5%. A situação atual ainda não chegou a tal ponto. Embora o financiamento externo esteja escasseando, o intercâmbio de mercadorias com o resto do mundo (excetuando o velho continente) continua em alta. Em novembro, as exportações brasileiras cresceram 73,6% para os EUA e quase 55% para a China.
Política econômica
A crise mundial certamente pesa, mas a estagnação sinalizada pelo IBGE está associada principalmente a opções de política econômica feitas pelo governo Dilma no início do ano com o objetivo deliberado de conter o ritmo de crescimento (que em 2010 chegou a 7,5%). Cabe destacar o ajuste fiscal com cortes de R$ 50 bilhões e cinco rodadas consecutivas de alta dos juros, além das chamadas medidas macroprudenciais do BC para reduzir a expansão do crédito.
Apesar dos recorrentes sinais de agravamento da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos, a equipe econômica cedeu às vozes conservadoras que alertavam para uma suposta escalada incontrolável da inflação e reclamavam juros estratosféricos e maior economia para pagar os juros da dívida interna.
Ao lado disto, pesou (e não menos) a política neoliberal para o câmbio, ou seja, o câmbio flutuante que por aqui virou tabu desde que o ex-presidente Lula se comprometeu com a orientação recomendada pelo FMI e pelo sistema financeiro na famosa e malfadada “Carta aos brasileiros”.
Déficit comercial da indústria
As autoridades econômicas preferem criticar a China por rejeitar o liberalismo cambial à alternativa mais sábia e prudente de controlar as cotações da moeda. Desta forma, a economia permanece refém da política monetária dos EUA, que inundou o mundo de dólares sem lastro. Os efeitos do câmbio apreciado sobre a indústria são notórios e explicam o fato de que a produção interna de manufaturados declina apesar do crescimento da demanda e das vendas.
O hiato entre produção e consumo, no caso, é preenchido por importações, o que se desdobra no déficit comercial da indústria de transformação, que nos nove primeiros meses do ano somou US$ 35,3 bilhões, com aumento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2010. É por isto que os críticos da política econômica falam em desindustrialização.
Correndo atrás do prejuízo
A percepção de que a equipe econômica tinha exagerado na dose e mesmo no diagnóstico chegou ao Palácio do Planalto. Embora talvez um pouco tarde, o governo Dilma tem corrido atrás do prejuízo, adotando medidas de estímulo ao consumo (numa autocrítica velada da estratégia de desaceleração adotada no início do ano) e revelando uma saudável preocupação em preservar o crescimento. São ainda iniciativas tímidas, que não colocam em questão o tripé reacionário da política econômica.
A estagnação é mais um sinal da necessidade de mudar a política econômica, o que requer não só convicção como especialmente coragem política para enfrentar a oligarquia financeira. É crescente a consciência desta necessidade tanto entre representantes dos trabalhadores quanto da indústria.
Fiesp
Mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que sempre foi moderada e bem comportada em suas críticas, está mudando de tom. Em nota divulgada também hoje, a entidade também atribui o desempenho medíocre da economia às medidas de contenção da demanda adotadas pelo governo no início do ano, aos juros altos e à sobrevalorização do real.
“Destaque-se que este quadro de enfraquecimento econômico é resultado das medidas de aumento de juros e restrição de crédito adotadas no final de 2010 e ao longo do primeiro semestre de 2011 e do excesso de importações. Assim, cobramos ações do governo para acelerar o processo de queda da taxa de juros, estimular a oferta de crédito e aumentar as desonerações tributárias”, sustenta a Fiesp.
Quanto ao movimento sindical, não é de hoje que cobra a redução ou o fim do superávit primário, a redução substancial dos juros, o controle do câmbio, maior taxação e restrição das remessas de lucros das multinacionais (que cresce como nunca em períodos de crise) e outras medidas que requerem mudanças de vulto na política econômica e que podem transformar a crise em oportunidade. Resta saber se o governo continuará surdo ao clamor da maioria e amarrado a compromissos (com a oligarquia financeira) hostis ao desenvolvimento nacional.
Da Redação, Umberto Martins, com agências
domingo, 24 de julho de 2011
A disputa da agenda segue bruta - Paulo Vinícius
![]() |
| Charge no Correio Braziliense de domingo 24-07-2011 |
Na verdade, o que se gesta é o isolamento do governo, fazê-lo refém da agenda supostamente "ética" e ofertar ao PT a tentadora proposta da direita para que a esquerda se
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Análise de Conjuntura:vamos ler esses textos
Estadão de Domingo, 04/07/2011
Reforma tributária e Pão de Açúcar - Amir Khair
Maria Lucia Fattorelli: A inflação e a dívida pública - Le Monde Diplomatique Brasil
Coletivizando no Youtube
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Dilma vence debate da Globo e aumenta chances de vitória no dia 3 - Portal Vermelho Aconteceu tudo ao contrário do que a oposição esperava. ...
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A unidade é a bandeira da esperança. João Amazonas ¿Por qué no unirnos? Y luchamos como hermanos Por la Patria que está herida Nuestra Patr...



