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sábado, 3 de junho de 2017

As boas práticas que fortalecem o movimento estudantil - Daniel Iliescu



por Daniel Iliescu*

Acontece entre os dias 14 e 18 de junho, em Belo Horizonte, o mais incrível encontro político da juventude brasileira, o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (CONUNE).

A história da UNE e de suas vitórias para a educação e a juventude brasileira é conhecida por muita gente. Não é preciso escrever suas bandeiras e conquistas históricas para que o/a leitor/a tenha algumas delas na ponta da língua.

Tive a alegria imensa de ter participado, desde os 16 anos, do movimento estudantil brasileiro, da UJS, do grêmio da minha escola, do centro acadêmico do meu curso, do DCE da minha universidade, da UEE-RJ e da UNE, em várias tarefas.

Minha geração viveu um tempo muito precioso, em que a luta estudantil garantiu vitórias estratégicas como a inédita ampliação do acesso à universidade brasileira pelas camadas mais pobres da população e em que o Brasil e seu povo nutriam crescentes esperanças por mais inclusão social, econômica e educacional, apesar de toda a desigualdade e a violência que continuavam marcando a sociedade capitalista brasileira, dominada ainda por elites muito covardes em todos os sentidos.

Durante estes muitos anos de militância convivi com muita gente admirável. Gente sonhadora e guerreira, capaz de exemplos de dedicação e coragem inspiradores, em sua grande maioria, gente simples, trabalhadora e estudiosa, que o caminho da luta reuniu e me fez conhecer.

Aprendi tantas e tantas coisas, uma vida inteira! Dentre os tesouros, destaco aqui um: me esforçar por ter sempre uma visão ampla e generosa das coisas, dos processos e das pessoas.

Não é algo mecânico nem abstrato. É algo que se adquire na vida vivida. Que se aprende só quando se convive com gente diferente, ombro a ombro na luta. Em uma passeata, em uma ocupação, em uma greve. Quando se compartilha do esforço pela mobilização de um ato e da proteção contra a repressão que vem. Quando se canta junto, do fundo do peito, uma palavra de ordem ou música que liberta das nossas gargantas o grito universal da liberdade e o sonho de igualdade e felicidade geral comum a militantes de diferentes movimentos.

Em cada local, uma história. A cada dia, uma ou muitas lições. Como em 26 de junho de 2012, por exemplo, durante a greve das federais, quando a UNE realizava uma histórica passeata que ampliou a lista das vitórias da UNE para a educação e a juventude brasileira. Nesta data memorável, de arrepiar os pêlos e bater forte o peito só de lembrar, a UNE reuniu nas ruas da capital federal cerca de 4.000 estudantes universitários de todo o país, reforçados por mais de mil secundaristas da UBES de Brasília, Goiânia e entorno.

Pela manhã, nós estudantes ocupamos o térreo do Ministério da Educação, em ato da greve estudantil e de apoio à greve docente e técnica. A ocupação teve de ser recebida pelo então ministro Aloizio Mercadante que dialogou com uma comissão de 70 estudantes, composta por 21 diretorxs da UNE e 49 DCEs de universidades federais, anunciados um a um no início da audiência. Esta forte ação do movimento estudantil contou com a decisiva e sólida unidade na luta entre vários setores da situação e da oposição na UNE.

E resultou, entre outras vitórias, na ampliação do Plano Nacional de Assistência Estudantil para R$ 600 milhões de reais e na criação da bolsa de R$ 400 reais para os estudantes cotistas e para os estudantes prounistas de tempo integral (valores de 2012); além da criação de uma comissão oficial composta por dois membros do MEC, dois membros da ANDIFES (associação dos reitores das federais), dois membros da FASUBRA (associação dos servidores) e dois membros da UNE, que trabalhou semanalmente pelos seis meses seguintes no diagnóstico da situação de cada uma das 63 universidades da rede federal de ensino superior, e que contribuiu reconhecidamente na reorientação da expansão com qualidade e promoveu uma série de conquistas concretas em termos de qualidade acadêmica, financiamento, condições de permanência e acesso, políticas e equipamentos de assistência estudantil, infraestrutura, gestão democrática, avaliação interna, e por aí vai.

Pela UNE, decidimos que os dois representantes seriam um da situação e outro da oposição. Fomos indicados eu e meu companheiro Yuri Pires, então militante da UJR. A convivência e o dedicado esforço político, teórico e prático para construir o melhor posicionamento dos estudantes nos debates da comissão, para mobilizar as melhores energias das entidades estudantis na discussão dos documentos e relatórios das reuniões, para enfrentar as polêmicas e elaborar as propostas e soluções que pudessem obter conquistas reais, palpáveis, para a vida dos estudantes, construíram uma relação de grande respeito mútuo e solidariedade militante que só é possível desenvolver em companheirismo, ou seja, dividindo o pão da luta.

Neste mesmo incrível dia, o melhor estava por vir. Após a audiência com o ministro, fomos em marcha até o Congresso Nacional. Lá estava em pauta, em uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o Plano Nacional de Educação, e dentro dele, a destinação de 10% do PIB para a Educação, com os recursos dos royalties e do Fundo Social do Pré Sal.

A história inacreditável desta tarde, em que, aos milhares de jovens, conseguimos ocupar organizadamente a Comissão e as galerias da Câmara e aprovar com pressão e habilidade política, contra todos os prognósticos, a maior vitória política da educação e da juventude brasileira em nossos tempos - um Plano Nacional de Educação avançado com a meta de 10% do PIB pra Educação a partir dos recursos do petróleo brasileiro -, já contei e ainda contarei muitas vezes nas rodas, salas de aula, mesas de bar, e praças da vida, e não me repetirei aqui.

Mas aproveito para transmitir um abraço emocionado em cada estudante de cada cidade brasileira que lá esteve. Em cada militante de cada uma das diversas organizações políticas e movimentos da amplíssima e plural união nacional entre estudantes convertida na força invencível em que nos transformamos naquele dia.

Dos Congressos da UNE, então, o que falar? Desde que eu era secundarista até o último em que fui como presidente da UJS do Rio de Janeiro, quando já havia saído do movimento estudantil, fui a sete congressos.

É o mais massivo espaço autoorganizado da juventude no Brasil. Um ambiente de altíssimo nível de politização dos estudantes. Não há nada parecido ou que chegue perto em termos de democracia e diversidade ideológica. São dezenas e dezenas de diferentes correntes de pensamento, todas com o mesmo tempo de fala em qualquer debate ou plenária, que divergem em chapas e propostas e sempre se unem em passeatas e moções e na construção da própria entidade, patrimônio maior da luta estudantil e popular.

O Congresso da UNE não é só o encontro de milhares de estudantes de todo o país em alguma cidade brasileira, extremamente qualificado, fértil e saudável para nossos jovens. É um processo longo, que dura cerca de quatro meses de muito debate político, de campanhas em torno de ideias, de conscientização dos estudantes de seus direitos e da importância de seu engajamento na luta por um país melhor.

No Congresso em que saí da presidência da UNE, as eleições de delegados alcançaram 97% das universidades brasileiras, com quorum médio de cerca de 30% de votos e votação total de cerca 1,8 milhão de estudantes, de acordo com o sistema de credenciamento, que de tão transparente, é atualizado na internet algumas vezes ao dia e gerenciado - à época - por 82 entidades da rede do movimento estudantil eleitas por mais de 400 DCEs reunidos em um Conselho (o CONEG), com representação de TODAS as correntes organizadas e expressões autônomas do movimento.

Isso mesmo! Cada processo de eleição de delegado ao CONUNE, em qualquer universidade brasileira, como a UCP de Petrópolis, por exemplo, é acompanhado em tempo real por qualquer estudante, filiado ou não à qualquer organização política, de qualquer cidade brasileira, como Cruzeiro do Sul, no Acre ou Cerro Largo, no Rio Grande do Sul. Não há nada parecido também no movimento social brasileiro, em nenhum partido, nenhuma confederação ou central sindical, nenhum movimento urbano ou rural, tão transparente, tão plural e tão democrático. Tantas forças disputando entre si, reconhecendo e construindo uma mesma luta.

Apesar de testemunhar incontáveis exemplos de unidade e grandeza política de diferentes militantes e coletivos, é evidente que tive também o desprazer de presenciar cenas e gestos da mais grotesca estreiteza, do mais cego sectarismo e da mais lamentável mesquinhez.

É claro que nossa preocupação fundamental agora deve ser a luta pelo resgate da democracia no Brasil, a derrubada do Temer golpista com a conquista das Diretas Já e a derrota das reformas trabalhista e da previdência, que retiram direitos da classe trabalhadora.

No entanto, em tempos de franca expansão do fascismo e desavergonhado avanço do moralismo sobre a política, é preciso exercitar o olhar crítico sobre determinados discursos, presentes em pequenos setores do movimento, que aparecem às vezes na forma de "artigos" como um que ontem li com tristeza, vazio de qualquer conteúdo político ou politizante, que não sustenta sequer uma bandeira de luta ou proposta para os estudantes e a qualidade do ensino, e se vale dos mesmos recursos que os jornalões de massa e as revistas burguesas como a Veja, esforçando-se por espalhar falsidades sem qualquer prova para atacar a UNE e tentar deslegitimar suas lideranças nacionais ou locais.

Sempre muito parecido: na arrogância de sua visão pequeno burguesa e amparado pela sua concepção idealista e autoritária de mundo, o militante sectário se confunde na luta, esquece o real inimigo e a luta de classes, ataca companheiros e dissemina a desconfiança das pessoas sobre seus principais instrumentos de luta que são os partidos classistas e as organizações populares.

Lembro-me bem, há pouco mais de um ano, no início de 2016: era noite de chuva fina e eu caminhava rumo ao terminal de ônibus do centro de Petrópolis. Encontrei o autor do artigo descrito acima e perguntei a ele, naquele contexto: "companheiro, vamos realizar um ato unitário contra o golpe?" Ao que ele respondeu: "você sabe que na nossa opinião não tem golpe. O golpe é o ajuste fiscal". Respondi a tempo: "eu não acreditava que você ia dizer isso, por isso tentei".

Ao contrário do lamento amargo e da mentira azeda conscientemente empregados por alguns na ausência de melhor argumento para o embate, prefiro estar atento à verdadeira luta que hoje travam a juventude brasileira e a população trabalhadora, em defesa de nossos direitos, da democracia e da soberania do país e por perspectivas e consciências mais avançadas.

Escolho afirmar a esperança na luta da juventude, a confiança na honestidade e honradez da militância ideológica e combativa que desde muito jovem aprende a respeitar a história das entidades que as lutas de gerações legaram, na altivez dos que não rebaixam seu discurso e nem a guarda contra os reais inimigos do povo, no valor dos que praticam o que falam e acreditam no que fazem. Como Gonzaguinha, "ponho fé é na fé da moçada" e "vou à luta com essa juventude".

Acredito na UNE e nos estudantes! Desejo força e coragem a todas e todos militantes da UNE, dos vários movimentos estudantis de todo o país que hoje seguram o rojão e enfrentam o leão! Vamos à luta, Carina Vitral, Marianna Dias, Rafaela Elisiário, tantas lideranças, cada um(a) e todxs nós! Estamos juntos queridas e queridos camaradinhas, companheiras e companheiros.

Que venha um lindo e vibrante Congresso Nacional dos Estudantes e que a força de tanta gente boa junta seja um marco na virada deste duro jogo! Vamos retomar a esperança e o rumo da manhã geral em nosso país!

Viva o caráter daquelas e daqueles forjados na sincera consciência da unidade e da honestidade no cotidiano da luta!

Afinal, "a prática é o critério da verdade", dizia Lenin.

E Quintana dizia: "eles passarão, nós passarinho".

*Daniel Iliescu é sociólogo e professor e foi presidente da UNE entre 2011 e 2013

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em entrevista, Presidente da UNE, Daniel Iliescu, traça rumos para 2012




Presidente da UNE faz balanço sobre início de gestão e aponta as prioridades para 2012, quando que a entidade completa 75 anos



O ano de 2011 foi do “manifestante”, aquele indivíduo, homem ou mulher, que resolveu ocupar o espaço público para protestar, derrubar regimes, denunciar a falência do sistema econômico ou garantir mais direitos para a população. Esse manifestante, em grande número jovem, multiplicou-se aos milhões em episódios como a mobilização estudantil no Chile, em defesa da educação pública, e, no Brasil, com as grandes marchas durante o ano e a luta pelos 10% do PIB investidos no ensino do país.


Segundo o presidente da UNE, Daniel Iliescu, que tomou posse em julho deste ano, os jovens da América Latina vivem a sua melhor fase: “O movimento estudantil está mais forte e amadurecido do que nunca. E isso não vale apenas para o Brasil”, declara nesta entrevista de balanço, previsões e perspectivas para 2012.


No ano que vem a UNE completa 75 anos, três quartos de século, sendo simultaneamente o movimento social mais antigo e mais renovado do Brasil, sempre acompanhando as demandas de cada geração. Para Iliescu, a identidade do movimento atualmente tem a ver com a sua diversidade: “Temos cada vez mais grupos de estudantes atuando em movimentos de cultura, de meio ambiente, associações de bairro, ONGs ligadas a várias temáticas e isso traz para o movimento estudantil e para a UNE uma riqueza muito interessante”, afirma.


O presidente da UNE ainda comenta a relação da entidade com o governo Dilma Rousseff, o cenário de crise econômica internacional e a mobilização em torno do Plano Nacional de Educação (PNE). Confira abaixo a íntegra da conversa com o carioca que assumiu a direção da entidade de 75 anos de vida há pouco mais de seis meses.


Você assumiu a UNE em julho de 2011, no começo da segunda década do século 21. Qual é a cara do movimento estudantil nos tempos de hoje?


Com certeza, cada geração carrega sua marca, sua identidade, e eu diria que, no século 21, a grande marca da juventude brasileira é a diversidade. Temos cada vez mais grupos de estudantes atuando em movimentos de cultura, de meio ambiente, associações de bairro, ONGs ligadas a várias temáticas e isso traz para o movimento estudantil e para a UNE uma riqueza interessantíssima. Por outro lado, há algo que não se altera. Mesmo em 1968 ou em 2011, os jovens tem uma sede incontrolável por mudar a sua realidade, estão dispostos a fazer a diferença e contribuir com algo. Isso pôde ser comprovado no 52º Congresso da UNE, que aconteceu este ano e foi o mais participativo da história. Na etapa preparatória nos estados, o Congresso reuniu os votos de mais de 1,6 milhão de alunos de universidades públicas e particulares. Houve, no total, votação em 97% das universidades de todo o país. O movimento estudantil está mais forte e amadurecido do que nunca. E isso não vale apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina, tenha-se o exemplo das manifestações dos estudantes do Chile pela educação pública do seu país, a quem levamos esse ano a nossa solidariedade, recebendo também a líder Camila Vallejo em nossas manifestações. Os jovens da América Latina estão em sua melhor fase.


O que foi mais marcante para a UNE em 2011?

Foi um ano movimentado, que já começou com a 7ª Bienal, no Rio, durante o mês de janeiro, reunindo milhares de estudantes do Brasil e do exterior em um festival de cultura que teve como tema o samba. Pouco antes disso, a UNE realizou, também no Rio, um dos seus maiores CONEBs [Conselho Nacional de Entidades de Base], com cerca de 5 mil representantes de DAs e CAs de todo o Brasil. Em maio, foi a vez do 59º CONEG [Conselho Nacional de Entidades Gerais] na cidade de São Paulo. Saímos do 52º Congresso da UNE, em Goiânia, engatilhados em uma mobilização enorme pelos 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação, que se tornou uma jornada de lutas nacional, o “Agosto Verde e Amarelo”. Essa luta se intensificou no final do ano com o #OcupeBrasília, criamos coragem e acampamos de vez na porta do Congresso Nacional, em um movimento de pressão que rendeu a aprovação parcial pelo senado dos 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação. Entre outros pontos, eu destacaria a realização do 4º Encontro de Mulheres da UNE, do III Encontro de Negros, Negras e Cotistas da UNE, e a nossa grande participação no Congresso da OCLAE [Organização Latino Americana e Caribenha dos Estudantes] no Uruguai. Tivemos a aprovação do Estatuto da Juventude, uma iniciativa inédita que valoriza essa que é a parcela mais estratégica da população brasileira e a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude. No campo da política, tivemos acontecimentos muito importantes, como a decisão do STF que reconheceu a união entre homosexuais e a aprovação da Comissão da Verdade, que pode resgatar o passado negligenciado de muitos que perderam suas vidas na ditadura miliar, entre eles estudantes.

Você assumiu também no primeiro ano de mandato da presidente Dilma Roussef. Qual a avaliação ea relação da UNE com o atual governo federal?
Mesmo sendo apenas o primeiro ano da presidenta Dilma, conseguimos tirar algumas conclusões sobre o seu governo. Achamos válida a sua postura de manter o diálogo com os movimentos sociais, escutar as suas reivindicações, como aquela que fizemos em Brasília, no dia 31 de agosto, em um protesto com 12 mil estudantes em defesa de mais verbas para a educação. Porém, não estamos satisfeitos ainda com atual disposição de prioridades do governo. O orçamento da União destina, todo ano, cerca de 3% para a educação e cerca de 50% para pagar a dívida pública e remunerar o capital financeiro. O governo se apresenta com uma tônica importante, que é eliminar a miséria, reduzir essa desigualdade social que ainda vigora no país, mas, na nossa opinião, esse processo não será possível sem maiores investimentos na escola pública, no salário dos professores, em todos os níveis da educação. Também não acabaremos com a miséria com a permanência da atual política econômica, que impede o pleno desenvolvimento do Brasil. Medidas mais ousadas precisam ser tomadas nessa área para o Brasil avançar e se desenvolver. Isso acontecerá, somente na base da pressão dos movimentos por mudanças profundas na política econômica, fiscal, cambial e monetária do Brasil. Ainda aguardamos esses avanços e vamos protestar muito por eles.


Você assumiu também no primeiro ano de mandato da presidente Dilma Roussef. Qual a avaliação ea relação da UNE com o atual governo federal?

Isso é muito curioso porque, durante alguns anos, falou-se no fim das utopias, dos sonhos, no fim da história, todas essas ideias de que a humanidade não teria novas revoluções populares, que isso era coisa dos livros, do passado. O ano de 2011 prova o contrário, demonstra que a força da coletividade é ainda a maior de todas, está muito além do poder econômico, das ditaduras, dos sistemas políticos. A história da UNE e do movimento estudantil no Brasil revela isso. Quantas “primaveras” os jovens desse país já fizeram para enfrentar a ditadura, conquistar as eleições diretas, e agora estamos fazendo mais uma primavera brasileira, para evitar o retrocesso no desenvolvimento da educação do país. Vejo com muito bons olhos as manifestações e os manifestantes de 2011. Sempre que houver povo na rua defendendo mais democracia e justiça social, haverá ali a completa solidariedade e o apoio da União Nacional dos Estudantes.


A principal campanha do ME este ano foi a defesa dos 10% do PIB para a Educação no Brasil, garantidos pelo PNE-2011-2020. Qual o saldo dessa luta e as expectativas para o ano que vem?

Foi importante o movimento estudantil e também o movimento social no geral, professores, entidades ligadas à educação e outros terem unificado essa pauta, cientes do que é melhor para o Brasil. Lamentamos que a aprovação do Plano tenha ficado para o ano de 2012 e sentimos que precisamos fazer muito mais pressão junto aos parlamentares, ao governo, à imprensa para que essa pauta tenha mais visibilidade. Garantir 10% do PIB para a educação é uma das medidas mais importantes para desenvolver o Brasil, esse não é um tema setorial, investir na educação é investir na economia, no setor produtivo, na ciência e tecnologia, na democracia, no combate à corrupção, no desenvolvimento sustentável, em tudo. Não iremos recuar nesse sentido, essa campanha deve se fortalecer no ano que vem, até a aprovação do PNE.


Como a UNE avalia a atual conjuntura de crise no mundo e a situação do Brasil?

Uma reflexão importante que essa crise nos traz se refere aos sinais de falência de um modelo econômico baseado nas riquezas de poucos e na exclusão de milhares. Antes, os chamados países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos sofriam fortemente as consequências desse modelo, agora sabemos que trata-se de um problema estrutural, que pode atingir em cheio os países centrais, como se observa na violenta crise que se assombra para a zona do Euro. É papel do movimento social, além de apontar a insuficiência desse sistema financeiro, lutar contra a redução de direitos da população. No Brasil, temos uma situação um pouco mais estável, mas ficamos preocupados com a insistência pela manutenção de uma política econômica de juros altos, conservadora em relação a investimentos sociais estratégicos e menos atenta às necessidades humanas. Nesse sentido, o movimento social brasileiro se mobilizou bastante esse ano, com protestos em todas as reuniões do COPOM [Comitê de Política Monetária], pedindo a redução dos juros e outras medidas mais progressistas. A UNE permanecerá nessa luta em 2012.


Quais devem ser as prioridades do Movimento estudantil em 2012?
Primeiramente, vale dizer que 2012 é o ano em que a UNE completa 75 anos. Vamos comemorar esses três quartos de século fazendo o que sabemos melhor, nas ruas, ocupando espaços, protestando pela educação pública do país, mobilizados nas universidades e também nas redes sociais. Começaremos as obras da nova sede e do novo centro cultural da UNE na Praia do Flamengo, 132 e planejamos, também, uma Caravana da UNE como marco de comemoração dos 75 anos. A Caravana refletirá sobre o Brasil daqui a 10 anos, ao completar 200 de independência. Na pauta das nossas lutas estarão o desenvolvimento do Brasil, a ampliação da assistência estudantil, o aumento de vagas na universidade, principalmente nas públicas, mas também em importantes iniciativas como o Prouni, que já está mudando a cara do ensino privado. Na verdade, permaneceremos na luta por uma verdadeira reforma do ensino privado, que precisa ser devidamente regulamentado de forma a garantir a qualidade da educação e não tratá-la como mercadoria. Como já disse anteriormente, continuaremos muito firme nas nossas principais lutas a favor da educação: 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para essa área. Outro ponto de grande interesse do movimento estudantil em 2012 será, sem sombra de dúvida, a questão da meia-entrada em espetáculos culturais e esportivos. Seguiremos na luta intransigente para garantir o direito à meia-entrada estudantil, que, no nosso ponto de vista, é fundamental para garantir a formação plena dos nossos jovens, vale lembrar que a UNE não abrirá mão da regulamentação federal da meia-entrada, valendo, inclusive, para os jogos da Copa do Mundo de 2014. Será uma honra participar da UNE em um ano histórico como esse, por ocasião dos seus 75 anos, e certamente essa gestão irá fazer valer esse momento.


Artênius Daniel e Rafael Minoro

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Senado quer aprovação rápida do Estatuto de Juventude - Portal Vermelho

Senado quer aprovação rápida do Estatuto de Juventude - Portal Vermelho


A federalização da meia entrada para transporte público e eventos culturais ainda causa controvérsia, mas não devem atrapalhar a aprovação rápida do Estatuto da Juventude no Senado. Em audiência pública realizada nesta terça-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a maioria dos senadores manifestou interesse em votar a matéria. A proposta já consta da pauta de votações da CCJ para esta quarta-feira (23).

Agência Senado


Presidente da UNE quer driblar resistências à implantação da meia entrada para os jogos da Copa.


O relator da matéria, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), recomenda a manutenção do texto aprovado pela Câmara dos Deputados relatado pela deputada Manuela D´Ávila (PCdoB-RS). Mas o senador solicitou ao presidente da Comissão, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que adie a votação para sete de dezembro caso não seja possível chegar a um acordo para a deliberação nesta quarta-feira.

Ao contrário do ocorrido há duas semanas, quando os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Demóstenes Torres (DEM-GO) fizeram críticas à proposta, especialmente ao desconto de 50% em passagens de transportes interestaduais e intermunicipais para jovens de 15 a 29 anos, a ser concedido independentemente da motivação da viagem, hoje o debate foi mais consensual.

A secretária Nacional de Juventude da Presidência da República, Severine Macedo, admitiu existirem divergências dentro do governo federal em torno do Estatuto da Juventude. Segundo ela, a União está avaliando o impacto de algumas medidas sobre as finanças de estados e municípios. “É preciso encontrar mecanismos de consenso, porque não interessa ao governo que a aprovação do estatuto se arraste por mais anos”, afirmou.

Driblando resistências

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, defendeu a federalização do direito à meia-entrada em eventos culturais e de lazer, até para driblar resistências à sua implantação para os jogos da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Os representantes das entidades civis presentes à discussão também reivindicam o abatimento nas passagens de ônibus. Para eles, é uma conquista incluída no Estatuto da Juventude e terá a mesma relevância da garantia de meia-entrada em eventos culturais, de entretenimento e lazer.

Liberdade sexual

Um dos pontos altos do Estatuto da Juventude assinalado pela deputada Manuela D'Ávila, que participou da audiência, foi o entendimento entre a bancada evangélica e o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) para elaboração de um texto que não incentive a intolerância religiosa e garanta a liberdade de orientação sexual.

O presidente do Conselho Nacional de Juventude, Gabriel Medina, ressaltou o Estatuto da Juventude como a primeira lei brasileira a estabelecer a liberdade na orientação sexual dos jovens. Para o coordenador do setor de juventude do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Antônio Francisco de Lima Neto, esse reconhecimento é importante no enfrentamento da conjuntura de criminalidade e violência contra homossexuais.

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 19 de julho de 2011

Vídeo: Augusto Chagas e Daniel Iliescu na Plenária Final do 52º Congresso da UNE



Falas de Augusto Chagas (UJS - Presidente da UNE 2009-2011) e de Daniel Iliescu (UJS - 2011-2013) na defesa da Chapa 7 "Transformar o Sonho em Realidade, eleita no 52º Congresso da UNE, realizado em Goiania, de 13 a 17 de julho de 2011. 
A Chapa 7 foi eleita no mais reprrsentativo congresso da História de 74 anos de vida da UNE, em que 97% das IES elegeram delegados em votação direta. A Chapa 7, liderada pela UJS, recebeu apoio de Kizomba, Mudança e CNB (PT), JSB, (PSB), MDB (PMDB), JSPDT, MJT (PTB) e obteve cerca de 75% dos votos. 
Chapa 3 – Por uma nova UNE: 05 votos
Chapa 5 – Oposição de Esquerda: 581 votos
Chapa 6 – Movimento Mude: 182 votos
Chapa 7 – O Movimento Estudantil Unificado para as Mudanças do Brasil: 2.367 
Obs.: as chapas não citadas, toda sde oposição,  se retiraram depois de fazer a sua defesa verbal para se somar às que restaram.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Entrevista: Daniel Iliescu, candidato do Transformar o Sonho em Realidade no CONUNE

www.ujs.org.br



Qui, 14/07/11 16h31
Saiba mais sobre as propostas do movimento para a próxima gestão da UNE.
Lançado pelo Transformar o Sonho em Realidade à disputa pela presidência da União Nacional dos Estudantes no 52º CONUNE, Daniel Iliescu tem longa trajetória e experiência no movimento estudantil. Conversamos com ele para saber sobre as principais propostas de sua campanha e quais os caminhos ele vislumbra para a entidade, caso seja escolhido até o próximo domingo como o representante de todos os estudantes brasileiros.
Você foi lançado recentemente candidato a presidância da UNE. Como tem encarado esse desafio e por que quer ser presidente da UNE?
A União Nacional dos Estudantes é um dos símbolos mais fortes da democracia no Brasil. Há décadas representa os estudantes de todo o país e interfere na vida política nacional. Este é o desafio de uma geração: ajudar o Brasil a percorrer os caminhos e as lutas para tornar-se uma nação mais justa e desenvolvida. O movimento estudantil brasileiro está muito amadurecido e se prepara para vôos maiores. Encaramos com muito entusiasmo, tanto o Congresso quanto os desafios que virão. Temos a confiança e o respeito de todos os que nos acompanham de perto e queremos muito ajudar o país a dar passos largos e ousados, em especial, na área da Educação.

Ha uma tentantiva permanente da imprenssa em caraterizar a UNE de hoje como uma entidade de poucas lutas, chegando a fazer certas comparações grosseiras como utilizar das mobilizações juvenis da Europa e do mundo Árabe para dizer que aqui a juventude não se mobliza. O que você acha disso?
   
Vejo que uma parte da mídia tem uma visão ultrapassada e caricata da UNE e da sociedade civil organizada. Outros veículos, no entanto e cada vez mais, têm valorizado o crescente protagonismo da juventude e dos estudantes em todas as esferas da vida pública. Dois claros exemplos de efervescência política: a 2ª Conferência Nacional de Juventude e o 52º Congresso da UNE, cada um deles com milhões de pessoas dando opinião e organizando campanhas e lutas. Em 2011, inúmeras manifestações de rua reforçaram esse protagonismo crescente, desde atos contra o aumento das tarifas de ônibus em várias capitais até a Jornada de Lutas de março deste ano, que levou a campanha "Educação tem que ser 10!" a cento e vinte universidades em mais de quarenta cidades.

A UNE é chamada para dar opinião sobre todos os temas revlevantes para o país. O que você tem achado do governo de Dilma Roussef, quais são para você os principais obstáculos do atual governo na luta por construir um projeto de desenvolvimento?

Dilma foi eleita pela maioria dos brasileiros para aprofundar um projeto de transformações para o Brasil. Somos, ainda, um país muito desigual. A superação destas desigualdades e o desenvolvimento do país devem ser, portanto, as prioridades do governo. O Brasil avançou muito nos últimos anos, mas ainda estamos muito distantes de ver consolidadas as transformações desejadas. É preciso, então, acelerar o passo!

As principais dificuldades encontradas são de convicção e de correlação de forças. O governo fez algumas escolhas, no início do ano, com as quais discordamos, como o corte no orçamento e mais um aumento da taxa de juros. Essas medidas não jogam a favor do desenvolvimento, pelo contrário, desaceleram o crescimento e combinadas à sobrevalorização do dólar, o país pode correr o risco de desindustrialização. A UNE defende um projeto de desenvolvimento democrático e autossustentável, soberano e solidário, com distribuição de renda, valorização do trabalho e da produção para um povo e uma juventude mais feliz. Entendemos que nosso papel é pressionar os governos e dialogar com a sociedade para que o país avance.
  
Qual você acha que deva ser o foco de atuação da UNE nos próximos dois anos?

A UNE deve estar concentrada em interferir no debate educacional no Brasil, ajudando o país a investir 10% do PIB e 50% do Fundo Social do pré-sal na educação, a erradicar o analfabetismo e ampliar o acesso e a qualidade do ensino superior. A UNE deve convocar um grande debate do que há de melhor no pensamento brasileiro atual. Deve discutir com artistas, políticos, esportistas, jornalistas, acadêmicos sobre o Brasil da década que se inicia. Qual o projeto de país? Qual o papel do Desenvolvimento e da Educação? Assim, estará, lado a lado com o conjunto dos movimentos sociais brasileiros, mobilizando a população em torno de bandeiras unitárias e estratégicas para o país, como a redução da jornada de trabalho, as reformas agrária e urbana, entre outras. E estará decidida a estruturar-se e enraizar-se cada vez mais, lançando campanhas, organizando atividades, ampliando sua ação na internet, consolidando sua ouvidoria, avançando na construção de sua sede, mobilizando passeatas, percorrendo o Brasil. 

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