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terça-feira, 17 de novembro de 2020

NERVO, AMOR E ATITUDE- Frente Ampla e vencer o Segundo Turno - Paulo Vinícius Silva


NERVO, AMOR E ATITUDE.
PARA VENCER, SÓ COM UNIÃO.
FRENTE AMPLA E PROTAGONISMO POPULAR
Já vencemos o 2° turno em Porto Alegre, São Paulo e Fortaleza - no mínimo?
Não.
Já estamos unidos?
Não.
Já ampliamos para poder ter a metade mais um voto?
Não.
Já preparamos como vencer nas ruas, numa onda avançada para afirmar a frente ampla?
Não.
Já acabou a pandemia?
Não.
Então, meu camarada, minha camarada, dediquemo-nos a isso, porque a avaliação tem espaço e sobretudo tem tempo: o da decisão das coisas da vida que ainda estão em curso... O povo nos deu o caminho, há muito que fazer! Batalhas de tiro curtíssimo!
Parafraseando a canção portuguesa: Avante, camarada avante! Faz do povo a tua voz! Avante camarada, avante camarada, e o sol brilhará para todos nós!
A vitória do povo e a derrota do bolsonarismo é a única coisa que importa nesse momento. Vamos para dentro do segundo turno com toda a força! Frente Ampla e protagonismo redobrado dos/as comunistas.
Nós podemos vencer! Manuela, Rosseto são 65, e com o povo podem resgatar Porto Alegre. Quanto poderá a esquerda unida em São Paulo? Haveremos de derrotar o fascismo em Fortaleza para que ela siga exemplo de liberdade, como Bárbara de Alencar! São Luís voltará ao passado? Nunca mais grilhões!
E há mais tantas batalhas, agora! Como dizia Diógenes Arruda Câmara Ferreira: "ampliar radicalizando e radicalizar ampliando". Estamos sempre aprendendo a justeza dessa relação dialética e a oportunidade de implementá-la é agora. A crítica justa é sempre movida pelo amor e pela preocupação da síntese libertadora, catalisadora do melhor em nós.
Força, Brio, Atitude, é a hora!
Avante camaradas!

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Nivaldo Santana em seu amor por São Paulo e a Vila Brasilândia, ceifada pelo Covid 19

Cansei de estar com Nivaldo e ele sair para pegar o ônibus para casa, quando fui da UNE e vivia em São Paulo. Ele é das melhores coisas que há em São Paulo, em seu amor teimoso e operário pelo seu povo.
Escritor despretensioso, extremamente cioso pela concisão e a clareza - arte da arte escrita -, lembra o Brecht, cuja dureza ou simplicidade era prenhe de emoção e poesia, como esse relato de sua vida, fremente de preocupação com sua cidade e sua gente.

sábado, 19 de março de 2016

Lula na Paulista: Precisamos reestabelecer a paz e a esperança - Portal Vermelho

Portal Vermelho


18 de março de 2016 - 21h28


Mais de trezentas e cinquenta mil pessoas participaram da manifestação em defesa de democracia e contra o golpe na tarde desta sexta-feira (18), na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato foi organizado por diversas entidades reunidas na Frente Brasil Popular. Diferentemente das manifestações do último domingo (13) que pregavam o ódio e a intolerância, o ato desta noite privilegiou a alegria, a diversidade e a paz.


Lula na paulista. Lula na paulista.
Esse também foi o tom do discurso do ex-presidente Lula - e agora ministro da Casa Civil - que chegou no local pouco depois das 19 horas acompanhado do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e do presidente do PT, Rui Falcão. Para Lula, todos precisam respeitar a democracia. "Nós temos que convencê-los que na democracia a gente tem que acatar o voto da maioria do povo brasileiro”.

“Eu não quero diminuir ‘eles’ para subir, disse Lula, “se eles podem comer três vezes por dia, nós também temos o direito de comer, se eles podem estudar, nós também temos o direito de estudar, por isso, não os tratem como inimigos”, avisou.

Somos tão brasileiros quanto eles

Eles vestem roupa amarela e verde para dizer que são mais brasileiros que nós, mas não são, o sangue deles é verde amarelo? Não, é vermelho como o nosso, que também somos brasileiros”, disse.

O que eles têm medo é da nossa consciência e do nosso coração

Tratando dos atos golpistas do último domingo (13), Lula lembrou do diferencial desta manifestação. “Não estamos aqui porque teve metro de graça, porque foi convocada pela imprensa, essas pessoas que estão aqui sabem o valor da democracia, sabem o valor do pobre subir um degrau da escala social deste país, de uma filha de empregada doméstica chegar a universidade. Um jovem fazer um curso técnico. E é esse país que queremos construir”, completou.

A gente junta todo mundo e faz o que pode

O ministro Lula disse que entrou para o governo para ajudar a presidenta Dilma. “Gente, a única coisa que eu quero, é ajudar a presidenta Dilma, acho que temos que reestabelecer a paz, a esperança, precisamos recuperar a alegria e a autoestima do brasileiro”.

Não vamos aceitar o fim da democracia e nenhum golpe no país

“Não é tentar antecipar as eleições, muitos de nós que estamos aqui lutamos para derrubar o regime militar e não vamos aceitar um golpe. “Eu queria dizer olhando para cara de vocês: Não Vai Ter Golpe!”, disse levantando o público com a mesma palavra de ordem.

“Eles têm que saber que essas pessoas que estão aqui de vermelho são parte daqueles que produzem o pão de cada dia do povo brasileiro”.

Democracia

“Tem gente nesse país que fala em democracia só da boca para fora. Eu perdi as eleições de 1989, eu perdi as eleições de 94, eu perdi as eleições de 98, lá em 82 eu perdi as eleições para o governo de São Paulo e em nenhum momento eu fui protestar contra quem ganhou as eleições”.

Sobre o governo, Lula disse que falta apenas dois anos e alguns meses para terminar o mandato de Dilma, mas que para ele, é tempo suficiente “para virar a história do país, o povo voltar a ser feliz”. E citou a necessidade da reforma agrária, de ter mais Fies, Pronatec, gerar mais renda e trabalho.

O ministro disse que na próxima terça-feira (22) estará “orgulhosamente servindo a presidente Dilma, servindo ao povo brasileiro”. E ressaltou que é importante para a presidenta Dilma ouvir o apoio do povo. “É importante a Dilma ouvir o que vocês estão falando... Aqui em São Paulo tem muita gente dizendo que não vai ter golpe”. E pediu para levantarem a mão para fotografar e ele mostrar à presidenta.

Lula finalizou o discurso pedindo para não aceitarem a provocação “deles”. “Quem quiser brigar que morda o próprio dedo! ”, completou.

Diversidade

As pessoas presentes no ato da Paulista não eram apenas sindicalistas e militantes do PT, como a grande imprensa sempre tenta imputar, mas de diversos setores da sociedade, como professores, artistas, estudantes, intelectuais, além de mulheres, jovens, negros, idosos e crianças. Muitas pessoas que espontaneamente foram pedir pela manutenção da democracia.


Do Portal Vermelho, Eliz Brandão

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Torcedores do Corinthians fazem manifestação contra a Globo e a máfia da merenda nos estádios - Portal CTB

Acabou de vez o sossego da Globo. Agora enfrenta a fúria dos torcedores de futebol. A maior torcida organizada do Corinthians, a Gaviões da Fiel, tem levado aos estádios faixas de protesto com grau alto de politização. Já na quinta-feira (11), em Capivari, interior de São Paulo, as faixas foram abertas e retiradas pela Polícia Militar.

As faixas diziam: "Rede Globo o Corinthians não é seu quintal", "jogo às 22h também merece punição" e "cadê as contas", em relação ao estádio do próprio Corinthians.

O Globo Esporte apoia a decisão da PM em tomar as faixas dos torcedores e se apoia no Art. 13-IX do Estatuto do Torcedor, onde está escrito que é proibido "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo".

Já o jornalista Gian Oddi diz que “cada vez que uma faixa do gênero for vetada, devemos divulga-la mais e mais”. Os torcedores se defendem afirmando que suas faixas são apenas de protesto e não têm conteúdo racista ou xenófobo e dizem que realizam um protesto pacífico e democrático.

Neste domingo (14), durante o clássico entre Corinthians e São Paulo pelo Campeonato Paulista, voltaram a abrir faixas com os dizeres:
 “Quem vai punir o ladrão da merenda”, 
“Futebol refém da Rede Globo”, 
“Ingresso mais barato” e 
“CBF e FPF vergonhas do futebol”.

A certa altura, o árbitro Luiz Flávio de Oliveira pediu ao capitão da equipe corintiana, o zagueiro Felipe, que pedisse para a torcida retirar as faixas. Pedido ignorado pelos torcedores. Desta vez a PM não reprimiu. O jogo ocorria na Arena Corinthians, em Itaquera, capital paulista.
Além de reclamar dos jogos às 22h, depois da novela, os torcedores pedem mais organização no futebol e atacam a máfia da merenda escolar, que já começa a atingir os altos escalões do governo Alckmin em São Paulo, de acordo com reportagem do Brasil 247.
Para não haver dúvidas a Gaviões veio a público “reafirmar todas as recentes posturas críticas à falta de transparência por parte da diretoria do Corinthians, aos mandos e desmandos da FPF, e ao infeliz banco de negócios futebolísticos, que coloca os interesses da Rede Globo a frente dos interesses do futebol, que deveriam envolver, sobretudo, os jogadores, clubes e torcedores”, afirmam os dirigentes.
Numa pesquisa encomendada pela Confederação Brasileira de Futebol constatou-se que “a maioria dos entrevistados disse que frequentaria mais os estádios se os jogos começassem mais cedo.
A Globo que já perde pontos e mais pontos de audiência ano a ano, começa a ser “vaiada nos estádios e também em outros espaços públicos, sendo rejeitada no seu poder monopolista”, diz Altamiro Borges em seu blog.
Paulo Nogueira publicou em seu blog que “no futebol, e não só no futebol, o interesse público não pode se subordinar a ninguém. Mas no Brasil, a Globo vem primeiro”. Ele conclui que “a manifestação dos corintianos sugere que esta aberração indecente e indefensável pode estar chegando ao fim”.
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

Cadê a merenda de nossas crianças, Geraldo Alckmin? Portal CTB

 Portal CTB

A União Paulista de Estudantes Secundaristas (Upes) juntamente com diversos movimentos sociais organiza um movimento em defesa da merenda escolar em todo o estado. “Pretendemos paralisar todas as escolas no estado para denunciar essa pouca vergonha que é roubar merenda das crianças”, diz Ângela Meyer, presidenta da Upes.
Ela conta que entre os planos dos secundaristas está informar estudantes e pais sobre a situação com objetivo de "paralisar as escolas no estado para denunciar essa pouca vergonha que é roubar merenda das crianças”.
“Nessa volta às aulas, esse escândalo que envolve mais de 200 cidades no estado de São Paulo, deixa milhões de estudantes secundaristas sem merenda”, por isso, “vamos paralisar nossas escolas, fazer trancaços nas principais avenidas de todas as cidades e descobrir a resposta pra nossa pergunta que não quer calar: Cadê a merenda que tava aqui?”, diz a Upes.
"O ano letivo começa sem merenda e com a denúncia de roubo da merenda. Sob a proteção da mídia e dos deputados aliados, o PSDB e Geraldo Alckmin, vão ampliando seu leque de corrupção, mas os movimentos sociais estão atentos e saberão dar um basta. Roubar comida de criança é um crime hediondo", diz Francisca Seixas, secretária para Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp (sindicato dos professores da rede pública estadual de SP).
A revista “Carta Capital” apelidou caso de superfaturamento da merenda escolar de “merendão”. A Polícia Civil e o Ministério Público Federal instauraram a Operação Alba Branca para investigar desvios de recursos da merenda escolar na rede pública do estado de São Paulo.  acordo com a revista as investigações já atingem o primeiro escalão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Já passam de R$ 40 milhões de desvios comprovados, segundo as acusações.
“É muito desumano tirar comida da boca de criança”, reclama Ângela. Por isso, a Upes convoca uma manifestação na terça-feira (23), às 14h na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com objetivo de pressionar os deputados estaduais a assinarem o pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.
merendao alckmin
Ela informa que faltam apenas 10 assinaturas para que o pedido de abertura de CPI possa ser protocolado. “A máfia da merenda escolar precisa ser investigada pelos deputados da Alesp ou o PSDB e seus aliados têm medo das investigações?”, questiona.
A coisa está tão feia que o delegado Mário José Gonçalvez, disse ao Brasil 247 que a investigação já "nos permite concluir que estamos diante de um grande esquema criminoso, que desviou e ainda desvia do prato de comida dos alunos da rede pública alimentos valiosos que são transformados em cifras que acabam banhando a conta bancária de funcionários públicos e de empresários corruptos".
Além do escândalo de desvios da merenda escolar, Ângela denuncia que muitas escolas iniciaram as aulas na segunda-feira (15) com o aviso para os pais enviarem os filhos com lanche para a escola, pois "está faltando merenda e merendeiras". Inclussive a torcida organizada Gaviôes da Fiel tem elvado faixas nos estádios perguntando "quem vai punir o ladrão da merenda?"
falta de merenda sp
Secundaristas iniciam ano em luta
Ela também reforça a luta das escolas ocupadas do ano passado porque o governador já iniciou o ano letivo com 1.112 classes fechadas. “Essa atitude inclusive desacata a justiça que proibiu a reorganização escolar sem diálogo”, afirma.
De acordo com Ângela já houve um corte superior a R$ 1 bilhão, tanto que “muitas escolas estão iniciando as aulas às 7h50 em vez do horário normal que é 7h, por exclusiva falta de professores”.
“É o jeito do PSDB governar. Suspende a reorganização e disfarçadamente reorganiza, como se ninguém fosse perceber”, afirma Francisca.
Já a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, denuncia que “estão sendo fechadas salas de aula. Ora, esse movimento não é outra coisa senão uma reorganização silenciosa”. Segundo ela, o número real de classes fechadas pode ser ainda muito maior.
Para a líder estudantil a falta de merenda nas escolas contribui inclusive para a evasão escolar, porque “o aluno é obrigado a ir para a casa jantar. Aí perde a hora da escola e a direção barra sua entrada devido ao atraso. Esse aluno acaba desistindo”.
De acordo com a Apeoesp, no ano passado foram fechadas mais de 2 mil classes, neste ano já passam de mil salas de aula a menos. “Nesse ritmo, daqui a pouco não existirá mais escola estadual pública em São Paulo. Essa perspectiva está acabando com nossas vidas”, diz Ângela.

Agricultura familiar em perigo
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Paulo Rodrigues, acredita que esse esquema de corrupção possa prejudicar a produção da agricultura familiar no estado.
"O MST teme que esse escândalo seja utilizado para os interesses do agronegócio, prejudicando a agricultura familiar no estado. Atualmente, existem programas estaduais, como o Alimentação Escolar, que prevê o uso de até 35% da verba para a compra de alimentos oriundos do modelo familiar”, acentua.
A Upes que após o movimento contra a reorganização escolar no ano passado, “a primavera secundarista foi surpreendida com o superfaturamento da merenda das escolas estaduais”. Dizem os estudantes que “nada vimos sobre o tema na Globo e nas outras emissoras que deveriam nos informar sobre isso”.

Programa Nacional de Alimentação Escolar
Desde 2009, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, do governo federal, distribui verbas para a merenda escolar de todas as unidades da federação. Neste ano, serão R$ 3,9 bilhões para a merenda e R$ 600 milhões para o custeio de transporte, segundo o Ministério da Educação.
Os políticos (maioria do PSDB e PMDB) e empresários paulistas se aproveitaram da Lei 11.947/2009, que instituiu o programa e para facilitar a vida das crianças dispensou licitação para a compra da merenda, sendo necessário apenas um “chamamento público”.
Segundo as investigações da Alba Branca foi criado um cartel com farta distribuição de propinas. “Parece uma tragicomédia, mas o que está acontecendo em São Paulo é muito sério e os responsáveis não podem ficar impunes”, reclama Francisca.
Aparecem nas acusações o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), os deputados federais Baleia Rossi (PMDB), Nelson Marquezelli (PTB) e o deputado estadual Luiz Carlos Gondim (SD), além dos ex-secretários Edson Aparecido (Casa Civil), Herman Voorwald (Educação), do secretário de Transportes , Duarte Nogueira e da Agricultura, Arnaldo Jardim, além de diversos empresários.

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Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

A corrupção endêmica e o aparelhamento tucano em São Paulo - Fábio Konder Comparato - Carta Maior e Portal Vermelho

Brasil
16 de fevereiro de 2016 - 14h42

A corrupção endêmica e o aparelhamento tucano em São Paulo
Em entrevista à jornalista Tatiana Carlotti, na Carta Maior, o jurista Fábio Konder Comparato, uma das maiores autoridades do mundo Jurídico do país, analisa a fragilidade da democracia brasileira, a corrupção endêmica no país e, também, a sistemática blindagem dos escândalos que envolvem o tucanato em São Paulo.



Jurista Fábio Konder Comparato O professor alerta sobre a inexistência de uma verdadeira democracia em nosso país: “O povo jamais teve qualquer espécie de poder político no Brasil”. Um exemplo? A própria Constituição brasileira que determina ser da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito. “Somente os mandatários do povo tem poder para autorizar as manifestações de vontade deste!”, denuncia.

Confiram a íntegra da entrevista:

A corrupção dos órgãos oficiais do Estado de São Paulo

Tatiana Carlotti: Como é possível avançar no combate à corrupção, apesar do bloqueio e das manobras sistemáticas que impedem, por exemplo, investigações e CPIs no Estado de São Paulo?


Fábio Konder Comparato - O PSDB acha-se no governo do Estado há mais de um quarto de século. Durante esse tempo, conseguiu aparelhar um sistema de controle, ou pelo menos de influência dominante, sobre a Assembleia Legislativa, as Polícias e também, em grande parte, o Judiciário e o Ministério Público. O partido conseguiu, além disso, montar igualmente um esquema de controle do eleitorado, esquema esse, aliás, vinculado à corrupção.

A eliminação dessa máquina de poder partidário somente ocorrerá quando tivermos introduzido em nossa organização constitucional algumas medidas, como a eleição do chefe do Ministério Público estadual pelos seus pares, e a autonomia da Polícia Judiciária em relação à chefia do Poder Executivo.

Enquanto tais medidas não existirem, é preciso usar dos poucos recursos disponíveis pelos cidadãos, como a ação popular e outras ações judiciais, bem como representações junto ao Ministério Público, ou até mesmo o Conselho Nacional de Justiça ou o Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília. Como se percebe, não é um jogo fácil.

A corrupção no Brasil, como um mal endêmico

O sr. vem alertando que a corrupção é um mal endêmico no Brasil. Tivemos algum avanço?

Denomina-se endemia uma doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa numa determinada população. Pois bem, falando simbolicamente, a corrupção dos órgãos públicos no Brasil é uma endemia cujas primeiras manifestações irromperam já no primeiro século da colonização. Assinale-se que, quando em 1549 aqui chegou Tomé de Souza, o primeiro Governador-Geral do Brasil, ele trazia consigo um Ouvidor-Geral, ou seja, chefe dos serviços de Justiça e Polícia, e um Provedor-Mor, ou seja, o encarregado de dirigir os assuntos econômicos da colônia. Pois bem, ambos haviam sido acusados de desviar dinheiro do Tesouro Régio, quando ainda estavam em Portugal. Ao aqui chegar, o Ouvidor-Geral enviou um ofício enviado ao Rei de Portugal, para declarar que o quadro geral da colônia configurava “uma pública ladroíce e grande malícia”.

Note-se que, à época, os administradores para cá enviados pela metrópole haviam comprado seus cargos públicos, costume já consolidado em Portugal. Aqui chegando, a fim de amortizar o valor da compra de seus cargos e para compensar o sacrifício de viver nesta colônia atrasada e distante, tais administradores procuravam de qualquer maneira ganhar dinheiro. Para tanto, associavam-se aos senhores de engenho e grandes fazendeiros, participando de seus negócios; quando não se tornavam, eles próprios, senhores de engenho ou proprietários de fazendas.

A partir de então, institucionalizou-se a associação permanente dos potentados econômicos privados com os grandes agentes estatais, formando o grupo oligárquico que até hoje comanda este país. Estabeleceu-se desde então o costume da privatização do dinheiro público, usado pelos oligarcas como uma espécie de patrimônio pessoal. Ou seja, corruptos são apenas os que se vendem por dois tostões de mel coado. É o tema do conto de Machado de Assis, Suje-se gordo!

Sem dúvida, a operação Lava Jato parece ter sido o começo de uma mudança nessa longa tradição. Mas é preciso dizer que tal operação tem sido ostensivamente seletiva, pois deixa de lado todas as ladroíces cometidas nos governos anteriores ao PT no poder, abusando do vício dos dois pesos e duas medidas.

Democracia inexistente

Quais os entraves e caminhos que ainda precisamos percorrer para que o poder, efetivamente, “emane do povo”?

Para resumir o assunto, o povo jamais teve qualquer espécie de poder político no Brasil. Fala-se habitualmente em reconquista da democracia com o término do regime de exceção empresarial-militar instalado em 1964, e o restabelecimento das eleições. Mas nestas, a vontade popular é sistematicamente falseada pela influência do poder econômico dos oligarcas e as práticas ardilosas dos políticos profissionais.

Pior ainda: na nossa política, desde os tempos coloniais temos tido uma tradição de dissimulação do poder oligárquico por meio de belas instituições oficiais ocultando a realidade. Nossas Constituições, por exemplo, desde a primeira de 1824, são peças puramente retóricas, incapazes de enfraquecer e, menos ainda, de extinguir o regime oligárquico.

A atual “Constituição Cidadã”, por exemplo, declara em seu art. 14 que a soberania popular é exercida, além do sufrágio eleitoral, pelo plebiscito, o referendo e a iniciativa popular legislativa. Mais adiante, porém, o art. 49, inciso XV vem precisar que “é da competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito”. Ou seja, trocando em miúdos, somente os mandatários do povo tem poder para autorizar as manifestações de vontade deste! É, literalmente, a submissão do mandante à autoridade do mandatário.

E quanto à iniciativa popular, a direção da Câmara dos Deputados já fixou, desde o início de vigência da Constituição, que os milhares de assinaturas necessárias à apresentação de um projeto de lei de iniciativa popular devem ser reconhecidas, uma a uma, pelos funcionários daquela Casa do Congresso Nacional. É exatamente por isso que até hoje nenhum projeto dessa natureza foi votado e aprovado pelo Congresso Nacional.

Revoltado contra esse embuste jurídico oficial, tentei atuar. Em 2004, em nome do Conselho Federal da OAB, apresentei à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados um projeto de lei de regulamentação do art. 14 da Constituição, para eliminar a interpretação de que o Congresso Nacional tem poderes acima do povo soberano, em matéria de plebiscitos e referendos. O projeto ainda não foi votado em plenário na Câmara, mas já um substitutivo apresentado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania por um deputado do PT veio reafirmar, com outras palavras, que somente o Congresso Nacional tem o poder de autorizar o povo soberano a votar em plebiscitos e referendos.

Em 2005, apresentei a dois Senadores um anteprojeto de Proposta de Emenda Constitucional, introduzindo em nosso país o instituto de recall; isto é, do referendo revocatório de mandatos políticos. O povo elege e pode, portanto, destituir o representante eleito. Obviamente, após nove anos de tramitação, a proposta foi desaprovada em plenário.

Mas saibam que não desistirei de denunciar a impostura política que prevalece neste país sob a forma constitucional.




Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

'Ordem absurda não se cumpre', diz major da PM sobre nova norma de socorro - São Paulo - iG

'Ordem absurda não se cumpre', diz major da PM sobre nova norma de socorro - São Paulo - iG

Major Olímpio Gomes, deputado estadual e policial da reserva, pede afastamento de novo secretário de segurança e diz que resolução não impede crimes de policial mal intencionado

Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo 
"Não tem nenhum comandante da PM que tenha mais contato com os policiais militares do que eu". Foi com afirmações desse tipo que o deputado estadual e policial da reserva, Major Olímpio Gomes (PDT), recebeu o iG em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em pleno recesso parlamentar.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Deputado Olímpio Gomes em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo


Por entender que a resolução publicada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado na última terça-feira (8) - que proibe socorro policial a vítimas de confronto com agentes - aumenta a desconfiança da população em relação à PM, ele recomenda que os colegas policias desobedeçam as ordens do governador Geraldo Alckmin e do novo secretário de Segurança, Fernando Grella Vieira. "Não preciso pedir ao governador para cumprir minha obrigação que foi escrita em 1940 no Código Penal", afirmou.
Segundo o deputado, Grella Vieira deveria pedir afastamento do cargo porque sua decisão desgasta a imagem da PM e não impede que maus policiais executem suas vítimas, uma das principais justificativas para a edição da resolução. "Se um policial tiver uma conduta desequilibrada e quiser matar, ele mata".
Leia abaixo a entrevista completa:
iG - Por que o senhor é contra a resolução da SSP que proíbe o socorro policial a vítimas de confronto com a PM?
Deputado Major Olímpio Gomes - Essa medida é preconceituosa porque só se aplica aos policias militares. Se policiais civis trocarem tiro com marginais e prestar socorro, está perfeito, mas se um PM fizer o mesmo, será punido. O governo está dando um tiro no pé porque, se já existe um sentimento de incredulidade da população em relação aos militares, essa resolução é a admissão da incompetência governamental em controlar a polícia. O governador, o secretário de segurança e comandante-geral da PM estão dizendo: "não conseguimos conter a fúria assassina dos nossos policiais militares". Tudo isso para mascarar a incompetência do Estado em apurar os delitos, especialmente os homicídios, as chacinas.
iG - A medida busca impedir que policiais executem criminosos no trajeto entre o confronto e o hospital.
Gomes - Quem vai chamar o Samu para o socorro vai ser o policial por meio do radio da viatura. Então, se a ideia dele é matar, ele espera cinco, dez minutos, deixa a vítima se esvair em sangue e depois avisa. O policial vagabundo está comemorando a resolução… Se um policial tiver uma conduta desequilibrada e quiser matar, ele mata e tem os mecanismos dentro do pronto-socorro. Se um colega quiser terminar o servido do outro, mata por asfixia dentro do carro de resgate.
iG - E se o policial quiser socorrer e não fizer isso em respeito à resolução, ele pode acabar condenado em um processo movido pela família da vítima?
Gomes - No futuro, o Ministério Público pode entender que era clara a necessidade de socorro e que o policial desrespeitou o Decreto-Lei do Artigo 136 do Código Penal, que fala sobre o crime de omissão. Na hierarquia das leis, ele vale mais do que uma resolução interna da secretaria.
iG - Então o policial ainda pode ser responsabilizado pela morte da vítima?
Gomes - Sim. Se eu fosse policial da ativa, porque você pode dizer que estou no conforto de estar na reserva, eu diria que ordem absurda não se cumpre. As normas que estão no Código Penal são auto-executáveis. Não preciso pedir ao governador para cumprir minha obrigação que foi escrita em 1940 no Código Penal. Eu não posso cometer um crime para cumprir uma norma administrativa. É a hierarquia das leis.
iG - Então, se estivesse na ativa, o senhor…
Gomes - Se eu estivesse na ativa, eu seria punido administrativamente tantas vezes fossem necessárias, como fui na minha carreia. Eu não cumpriria uma ordem porque meu juramento não foi feito para o governo, nem para o Geraldo Alckmin, nem para o PSDB. Fizemos um juramento para a população. Eu, enquanto puder, vou dizer para o policial seguir o Código Penal, seguir a própria consciência e enfrentar o processo administrativo, porque não se trata de desobedecer o Estado, mas de ser justo com o seu juramento.
iG - E se o senhor fosse o secretário de segurança, o que teria feito?
Gomes - Se eu fosse esse secretário, eu pediria demissão. Ele está tentando administrar uma coisa que não conhece. Agora, se eu fosse o secretario, a minha resposta para a sociedade seria esclarecer todos esses crimes de autoria desconhecida. Se um policial fez um disparo e acertou o sujeito, eu tenho de ter mecanismos de controle. Hoje temos a eletrônica a serviço disso. Em muitos países, toda a conduta dentro da viatura é monitorada por áudio e vídeo. Em alguns deles, há uma micro-câmera instalada no boné do policial. O GPS e o rádio da viatura devem monitorar todo o deslocamento.
iG - Qual seria o principal erro da secretaria?
Gomes - Não se pode generalizar e desmoralizar toda a instituição e muito menos colocar essa síndrome de insegurança na população. Olha o que estamos dizendo para a sociedade: "se você for baleado em um assalto, não tenha o azar de ser socorrido pela PM". É um negócio tenebroso.
iG - Essa também é a opinião dos policiais? Porque o comandante-geral da PM [coronel Benedito Roberto Meira] apoia a resolução.
Gomes - Não tem nenhum comandante da PM que tenha mais contato com os policiais militares, civis, agentes penitenciários do que eu. O sentimento é de pesar, de indignação. Estão matando a vaca para acabar com o carrapato. Meu telefone não para de tocar. Eles dizem: "enterramos 107 policiais no ano passado e ainda temos que cumprir essa norma do Estado". Mas se o policial falar, ele será punido. O regulamento disciplinar se aplica inclusive ao policial da reserva.
iG - Então o senhor, que está na reserva, poderia ser punido por essas declarações?
Gomes - Eu não porque eu tenho imunidade de ato, palavra e voto como parlamentar, então, como diz o filósofo Zagalo, eles vão ter de me engolir.
iG - O senhor já participou de um tiroteio, já atingiu alguém e precisou socorrer?
Gomes - Várias vezes na minha vida. Já tive a infelicidade de ver policial meu baleado, policial morto… Milhões de vidas já foram salvas pelo aparato policial em função desse socorro.
iG - Qual é a sua opinião sobre o novo secretário?
Gomes - Ele tem conduta ilibada, procurador-geral por dois mandatos, um douto, um gentleman . Entretanto, eu fico imaginando se me nomeassem secretario da Saúde. Eu tentando saber como funciona os cargos, as funções, os trambiques… Eu ia ficar louco.
iG - O senhor quer dizer que falta experiência de rua para o atual secretário?
Gomes - Ele nunca aprendeu a fazer respiração. Ele não conhece como funciona a polícia militar, a policia civil e a técnico cientifica.
iG - Então por que o senhor acha que o governador Alckmin o escolheu?
Gomes - Primeiro por ser promotor público, segundo por ter sido procurador-geral. O governador quer estar de bem com o Ministério Público e se aproximar da Justiça.
iG - E o que senhor pode fazer enquanto deputado estadual?
Gomes - O que eu posso fazer como deputado, além de manifestar inconformismo, é apresentar um Projeto de Decreto Legislativo, a única forma constitucional de anular um ato do Executivo através do Legislativo. Não estou apresentando hoje porque a Assembleia está em recesso. Às nove horas da manhã do dia primeiro de fevereiro será protocolado.
iG - O governador tem maioria na Assembleia, como conseguir derrubar a resolução?
Gomes - Eu vou tentar sensibilizar deputado a deputado porque essa não é uma questão de situação e oposição. É uma questão de proteção às pessoas.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Um espectro assusta os caciques da política paulistana: Netinho de Paula, do PCdoB.

Paulo Vinícius Silva


Ele não sabia que era impossível. Foi lá e fez.
Jean Cocteau





O Netinho tem um grave problema... Ele é muito bom. Capaz, articulado, ousou ir para o Partido Comunista (ai, Jesus, aí a direita e os troscos e os socialdemocratas mooooorrrreeeeem!), e o povo adora o cara. Ele anda na rua e os mais pobres, aqueles para quem a esquerda não consegue muitas vezes falar, os trabalhadores que fazem essa locomotiva que os devora, esses lhe abraçam, querem tocá-lo. Com o povo, é um peixe dentro d´água. E o negão abre aquele sorriso cativante, e conversa, de igual pra igual. E ele estuda, ele se forma, ele abriu a cabeça e o coração para essa antológica capacidade dos comunistas formarem quadros. Foi inclusive pra sociologia. Veio do povo, mas postou-se na vanguarda, e quer levar o povo consigo.

O problema do Netinho é ele saber o que está fazendo, surpreender pela positiva. É se reinventar dia após dia e melhorar sempre. Vindo do povo mais humilde, passo a passo ele ascende e mostra que é possível ser negro, pobre, da periferia, discriminado, e vencer. E, já no alto, ele disse: quero ser comunista! E, pouco a pouco, vimos o PCdoB de São Paulo ser cada vez mais samba, estar mais perto do povo. A Leci que o diga. Não ia ser de graça. Nessa cidade tão conservadora, tem coisa que não se perdoa.

E ele tem a virtude mais difícil nesses tempos de individualismo insano: Netinho faz autocrítica. Autocrítica é coisa de comunista. É o mais difícil de fazer. Como é difícil reconhecer o erro e mudar... Qual foi o brasileiro que errou com uma mulher e se expôs ao público na autocrítica implacável contra o seu erro? Quem, senão ele, teve coragem de levar e encarar a Maria da Penha em cadeia nacional de TV e dizer: eu errei? Ele pagou pelo seu erro, e fez autocrítica. E, curiosamente, aqueles que lhe condenam e exige para elem o magma eterno, trazem o inequívoco esgar da hipocrisia de quem não assume seus interesses ocultos ou preconceitos inconfessos. Interesse de o prejudicar eleitoralmente. Preconceito inconfesso contra esse negro, pobre e da periferia, cujo êxito incomoda, ainda que não se o diga.

Já ele, mostra que não é chegado a preconceitos. Afinal, quando já tinha vencido, quando não precisava, quando ninguém esperava, optou pelo socialismo. Ele, que não sabia fazer política, é o candidato que pode alterar o jogo eleitoral de São Paulo, presa na mediocridade de uma suposta luta binária que não representa nem a esquerda nem o povo paulistano. Netinho incomoda. Netinho dará trabalho. Netinho tem votos. Netinho é do povo. Netinho é do PCdoB.

Quem estranha que a ele se contraponham máquinas potentíssimas e ferozes? Quem duvida que a imprensa venal seguirá a trucidá-lo, por não admitir que um astro como ele tenha optado pelos encarnados? Quem negaria que ele é um obstáculo concreto ao cômodo jogo eleitoral que dura já duas décadas e que sempre beneficiou os tucanos? Quem pode ignorar a sua coragem e a de seu Partido em remar contra a maré, apenas com a esperança em que a força do povo saberá reconhecê-lo como um dos seus, como gente de sua gente?

Tantas virtudes encontraram no terno e vermelho coração dos comunistas um campo fértil. A militância o adora e está disposta a carregá-lo nos braços ante toda intempérie. Estão acostumados a enfrentar batalhas impossíveis - e a vencê-las. Estão acostumados a enfrentar da elite a cara feia, e sem temê-la. E você também, não é? Quem diria que chegaria aonde chegou?! A sua existência e garra animam as pessoas que mais precisam, e que se espelham nas coisas boas que você representa. Você é a voz, a cara, a força do povo que não cabe na São Paulo da Avenida Paulista. Há a classe em si, e a classe para si. Você é São Paulo para si, é o povo se a levantar e a querer participar da disputa de sua cidade.

Com Netinho de Paula, o PCdoB inscreverá com o vermelho de sua bandeira e com a negra pele desse filho da periferia uma nova página na luta política de São Paulo e do Brasil. O Brasil e a esquerda podem ousar mais. Um espectro assusta os caciques da política paulistana: Netinho de Paula, do PCdoB.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Vereador Netinho visita empresa de Telemarketing

O vereador e Pré-Candidato à Prefeitura de São Paulo, Netinho de Paula, e a radialista Patrícia Liberato, da Transcontinental FM, acompanhados da Diretoria do Sintratel, visitaram a empresa de telemarketing Vikstar, na região da ZN Leste.

Ambos ficaram impressionados pelo trabalho realizado pela empresa com os jovens naquela Região. Isso vem ao encontro do desenvolvimento social necessário na ZN Leste. E reforça ainda mais a importância do Incentivo Fiscal, para que outras empresas se estabilizem na periferia.

Alem de gerar emprego, ativa a economia local e contribui para o melhor deslocamento ao local de trabalho, o que é muito importante, visto que o transporte é hoje e um dos grandes desafios da cidade.

Essa  experiência serve de exemplo para elaboração das políticas de desenvolvimento  econômico para São Paulo. “E uma iniciativa importante e que contribui para mudança de vidas NetinhoVikstar-Site-2destes jovens e contribui para geração de emprego e renda da região, deslocando este processo das áreas privilegiadas do município”, comentou o Vereador Netinho de Paula.

Pesquisa:
Segundo pesquisa feita para prefeitura de São Paulo, executada pelo instituto Ibope/Band, Netinho de Paula, do PCdoB, está em primeiro lugar em  4 cenários.
Clique AQUI para ver maiores detalhes.

AguardemOs sócios do Sintratel em breve terão acesso a uma grande parceria entre a Radio Transcontinental FM e o Sindicato. Só sócio tem benefícios...


NetinhoVikstar-Site-1
 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quadras para Pinheirinho, São José dos Campos - Paulo Vinícius Silva

Onde dormirão essa noite,
os pobres do Pinheirinho?
Pobreza tangida a açoite -
Idoso, mulher e meninos!

Como Caldeirão e Canudos,
O roteiro é conhecido:
Os pobres viram bandidos
Na imprensa dos graúdos.

E o frio que vence o colo
Em que dorme uma criança,
Tem  na justiça o dolo
Defensor da abundância!

E a polícia com seus tiros,
Que não respeitam criança.
E o indefeso, o esquecido
Traz-me Jesus à lembrança.

Sem teto ele foi igual,
Porque tangidos seus pais,
Por armas também demais,
Eis a origem do Natal!

Seu pai era José,
Vejam só, que ironia,
Ser o nome da cidade
O do esposo da Maria.

Pinheiro nenhum havia...
E o presente, de verdade,
Que sob a estrela luzia
Era a solidariedade.

Onde viverão doravante,
Os pobres de Pinheirinho?
Como seguirão adiante,
Qual será o seu caminho?

Que ameaça ofertavam?
Quanto mentem os jornais?
Tão torpes que nos enojam:
Cínicos, sujos, venais!

Porrete para o mais fraco,
Justiça para o patrão
Essa é a lei em São Paulo.
Pode dizer: lei de cão!

Mas a verdade, quem diria,
Sempre acha defensores.
Pois o poder da maioria
Está com os trabalhadores.

Suas mãos produzem tudo.
E suas vozes, se estão unidas,
Podem sim mudar o mundo,
E São Paulo e suas vidas.

Como chispa que se espalha,
Como lava de um vulcão,
Pinheirinho ao peito fala,
E cresce a indignação.

Vede povo brasileiro,
Não esquecais esse dia:
É esse o tratamento
Ao estilo privataria!

Toda cidade é cenário
Dessa luta sem igual:
O povo a receber salário
A lutar contra o capital.

"Toda noite tem aurora"
Castro Alves já sabia
E mesmo quando demora,
Há de chegar esse dia!

Em que São Paulo, liberado,
Poderá ser de esperança,
Sem que o policial armado
Se volte contra crianças.


Sem governo repugnante,
Cuja força do Estado
Tem endereço certo:
Inimiga do mais fraco.

Valente com o viciado,
O estudante e o pobre,
Defensora de engomados
De banqueiros e de "nobres".


Expulsa trabalhadores,
De barracos miseráveis,
E apoia especuladores
Pra sociedade imprestáveis!


Por isso, de mãos dadas,
Vamos! Vozes levantadas,
Gritando pelo caminho:
#SomosTodosPinheirinho!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vereador Jamil Murad visita Cracolândia e vê pouco resultado da Operação Militar - PCdoB. O Partido do socialismo.

Jamil visita Cracolândia e vê pouco resultado da Operação Militar - PCdoB. O Partido do socialismo.
O vereador Jamil Murad (PCdoB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, percorreu as ruas do centro de São Paulo, conversou com uma equipe de guardas-civis e visitou a Tenda Mauá, conveniada da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) que recebe crianças e adolescentes da região.

Sergio Carvalho / Diario SP



Polícia Militar e Prefeitura de São Paulo fazem operação em conjunto para a "limpeza da Cracolândia", na região central da capital paulista

Ao acompanhar de perto, andar pelos arredores, conversar com comerciantes e funcionários da prefeitura o vereador constata que o fim da Cracolândia precisa de um planejamento mais apurado com a participação da Prefeitura, governo estadual, Ministério da Saúde e Poder Judiciário.

Ação isolada

Após os diálogos, o vereador comunista observou que no local há apenas uma ação de segurança, sem outras áreas importantes para o encaminhamento dos usuários de crack para centros de tratamento e acompanhamento social.

Um dos guardas-civis confirmou a verificação de Jamil. “Na prática essa ação só provoca dispersão dos usuários de crack”, disse o guarda que pediu para não ser identificado.
Outro funcionário da Secretaria de Assistência Social confirmou que a ação não foi planejada conjuntamente com a Prefeitura. “Ontem não sabíamos o que fazer aqui”, relatou outro funcionário que prefere não ser identificado.

“Com indignação constatei que a Prefeitura, através da Secretaria de Saúde e da SMADS e também o Poder Judiciário foram excluídos do plano de ação”, afirmou Murad.
Para Jamil é urgente e indispensável que se faça uma ação integrada dos três níveis de governo, unindo segurança, saúde, assistência social, judiciário e sociedade civil.

Pouco resultado

Mesmo com todo o aparato policial, ao lado de uma base móvel da Polícia Militar havia um grande grupo de pessoas usando crack, além de diversas pessoas utilizando a droga em outros pontos.

Essa imagem demonstra a ineficiência da ação militar, por limpar uma determinada área e espalhar os dependentes químicos por outras ruas e regiões da cidade.

“Só podemos vencer com união, solidariedade e compromisso mais profundo com o futuro da sociedade, pensando e agindo a médio e longo prazo. Sem desespero e pirotecnia visando resultados instantâneos e imediatos”, concluiu o presidente da Comissão de Direitos Humanos.

A Comissão de Direitos Humanos encaminhará um requerimento solicitando informações sobre o plano de ação da Operação Militar.

Com informações da Assessoria de Jamil Murad

Mais:
-"Cracolândia não é um problema de polícia", diz defensora pública
-Médicos questionam: operação contra o crack ou limpeza social?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vereador Jamil Murad repudia truculência e racismo da PM na USP

O vereador comunista Jamil Murad postou em seu perfil no Facebook um desabafo que merece ser lido, pela luta imprescindível contra os abusos cometidos pela PM do Estado ponta de lança no projeto da reação, São Paulo, e cujo caráter racista, antipopular e autoritário estão expostos para a nação. Confira!


Jamil Murad
Como cidadão brasileiro,como vereador do PCdoB de SP, como autor da lei SOS Racismo, repudio a atitude do policial que ao ver um grupo de estudantes protestando dentro da USP logo quis saber quem era e o que estava fazendo aquele negro ali.
Poderia ter feito isto com outros mas escolheu exatamente o negro. Por que?
A elite brasileira é racista,e o cidadão negro além de ter quase nenhuma oportunidade de estudar é o 1º suspeito diante de qualquer crime,falha etc. Felizmente o Brasil tem leis que punem o racismo. Esta chaga se acentua quando o capitalismo entra em crise como agora.
A formação do povo brasileiro tem no cidadão afrodescendente um pilar fortíssimo. Se o racismo predominar, o Brasil se desintegra como um vaso de vidro que cai. Nosso futuro, de todos brasileiros, só é possível se combatermos duramente este crime de lesa Humanidade.
Se os cidadãos negros brasileiros receberem todo investimento, apoio, respeito oportunidades na sociedade o Brasil será uma extraordinária nação com fraternidade,solidariedade e grande capacidade para resolver todas as questões que afligem o povo brasileiro. Hoje estamos desperdiçando as inteligencias brasileiras porque são negros ou pobres ou porque são negros pobres. Urge medidas imediatas e exemplares para punir o crime cometido na Usp contra este jovem brasileiro negro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Garoto negro é expulso de restaurante por ser confundido como mendigo - Com Luís Nassif e Pragmatismo Político

Não costumo envergonhar-me do Brasil. Mas é isso que a situação descrita abaixo me faz sentir: vergonha.

Garoto negro é expulso de restaurante por ser confundido como mendigo - Pragmatismo Político

Texto de Mário Sérgio em Luis Nassif Online

Com a arrogância típica de ignorantes, o gerente admitiu que teria sido ele mesmo o autor de tal atitude racista



Negar o racismo no Brasil é se esquivar do problema

Neste final de ano pude testemunhar e viver a vergonha dessa praga do rascismo aqui em nossa multicultural São Paulo. E com pessoas próximas e queridas. Não dá para ficar calado e deixar apenas o inquérito policial que abrimos tomar conta dos desdobramentos desse episódio lamentável e sórdido.

Na sexta feira, 30, nossos primos, espanhóis, e seu pequeno filho de 6 anos foram a um restaurante, no bairro Paraíso (ironia?) para almoçar. O garoto quis esperar na mesa, sentado, enquanto os pais faziam os pratos no buffet, a alguns metros de distância. A mãe, entre uma colherada e outra, olhava para o pequeno que esperava na mesa. De repente, ao olhar de novo, o menino não mais estava lá. Tinha sumido.

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Preocupada, deixou tudo e passou a procurá-lo ao redor. Ao perguntar aos outros frequentadores, soube que o menino havia sido retirado do restaurante por um funcionário de lá. Desesperada, foi para a rua e encontrou-o encolhido e chorando num canto. Perguntado (em catalão, sua língua) disse que "o senhor pegou-me pelo braço e me jogou aqui fora".

O casal e a criança voltaram para o apartamento de minha sogra e contaram o ocorrido. Minha sogra que é freguesa do restaurante, revoltada, voltou com eles para lá. Depois de tergiversações, tentativas de uma funcinária em pôr panos quentes, enfim o tal sujeito (gerente?) identificou-se e com a arrogância típica de ignorantes, disse que teria sido ele mesmo a cometer o descalabro. Mas era um engano, mas plenamente justificável porque crianças pedintes da feira costumavam pedir coisas lá e incomodar. E que ele era bom e até os alimentava de vez em quando. Nem sequer pediu desculpas terminando por dizer que se eles quisessem se queixar que fossem à delegacia.

Minha sogra ligou-me e, de fato, fomos à delegacia do bairro e fizemos boletim de ocorrência. O atendimento da delegada de plantão foi digno e correto. Lavrou o BO e abriu inquérito. Terminou pedindo desculpas e que meus primos não levem uma impressão ruim do Brasil.

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Em tempo: o filho de 6 anos é negro. Em um e-mail (ainda não respondido pelo restaurante Nonno Paolo) pergunto qual teria sido a atitude se o menino fosse um loirinho de olhos azuis.

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