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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Caetano Veloso - Haiti - #Jacarezinho #massacre




Quando você for convidado pra subir ao adro
Da fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outro quase pretos
(e são quase todos pretos)
E aos quase brancos, pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada: nem o traço do soldado
Nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for à festa do pelô
E se você não for

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui

 
Na TV se você ver um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização do ensino
De primeiro grau
Se esse mesmo deputado defender a adoção de pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homen mijando na esquina da rua
Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos ou
Quase pretos
Ou quase brancos, quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui


Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro - CTB Rio de Janeiro - Nota Oficial

 Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Nota Oficial: Chacina do Jacarezinho é responsabilidade do Governador Claudio Castro

Mais uma vez, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro vem a público para manifestar seu total repúdio com a política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Após o afastamento em definitivo de Witzel, Cláudio Castro apresenta seu cartão de visitas e deixa claro quem manda no Estado do Rio. A necropolítica de Bolsonaro agora tem seu representante direto no comando das polícias civil e militar, declara guerra aos pobres e, em especial, aos negros e negras que vivem nas comunidades do Rio de Janeiro.

O alvo da Necropolítica, dessa vez, foi a Comunidade do Jacarezinho. Em desastrosa operação da Polícia Civil, 25 vidas foram ceifadas, em um novo bizarro recorde de mortes em operações policiais em nosso Estado. As mesmas polícias que há 20 anos atrás mostrava que era possível prender um chefe do Tráfico do Complexo do Alemão sem disparar um tiro; as mesmas polícias que apreenderam mais de 100 fuzis em condomínio de luxo na Barra da Tijuca sem disparar um tiro sequer, sobem o morro em pleno horário que trabalhadores e estudantes tomam as ruas para ir à suas escolas e locais de trabalho, e espalham um cenário de terror. Operações desse tipo jamais acontecerão em um bairro como Ipanema ou Barra da Tijuca em virtude da natureza do governo e da orientação da própria polícia, ambos consideram a classe trabalhadora e os moradores das favelas como inimigos e alvos a serem abatidos.

Até mesmo passageiros do Metrô, dessa vez, foram vitimados pela ação policial, totalmente ineficaz. É inadmissível que nossas comunidades virem praça de guerra e que trabalhadores tenham que arriscar a vida para chegar a seus locais de trabalho. Não podemos aceitar que famílias inteiras corram riscos dentro de suas casas e as tenham invadidas em atos bárbaros que relembram os piores momentos da Ditadura Militar. Mesmo com a decisão do STF de proibir operações policiais durante a pandemia, a Polícia de Cláudio Castro segue mostrando seu descompromisso com a democracia e com a ordem institucional, usando de pretextos diversos para levar o terror às comunidades do Rio de Janeiro.

É preciso dar um basta na necropolítica de Segurança Pública! Precisamos de mais inteligência, de uma polícia mais bem preparada equipada e com capacidade para lidar com o povo, que em sua maioria, dentro das comunidades, não tem qualquer ligação com o crime organizado.

Chega de Racismo Institucional! A ação policial merece ser chamada pelo seu nome de direito, mais uma chacina bárbara que acontece em nosso Estado. A CTB e sua base social acreditam numa lógica de segurança pública que privilegie a inteligência e a proteção à vida dos cidadãos e cidadãs de nosso Estado.

Total repúdio à Chacina do Jacarezinho! Total Repúdio à polícia de (in)segurança pública do Governador Cláudio Castro!

Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2021

Paulo Sérgio Farias
Presidente da CTB-RJ

 

 

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