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sexta-feira, 7 de maio de 2021

Caetano Veloso - Haiti - #Jacarezinho #massacre




Quando você for convidado pra subir ao adro
Da fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outro quase pretos
(e são quase todos pretos)
E aos quase brancos, pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada: nem o traço do soldado
Nem a lente do Fantástico, nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for à festa do pelô
E se você não for

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui

 
Na TV se você ver um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização do ensino
De primeiro grau
Se esse mesmo deputado defender a adoção de pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homen mijando na esquina da rua
Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos ou
Quase pretos
Ou quase brancos, quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui o Haiti não é aqui


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Justiça para Eduardo, 16 anos, preso por ser negro - Liomezia Maria de Jesus, mãe de Eduardo, provou sua inocência - Ponte Jornalismo

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Una indígena canadiense graba al personal de un hospital insultándola antes de morir - Russia Today

Publicado:

El caso ha provocado una serie de vigilias y protestas en contra del racismo que enfrentan los indígenas en el país norteamericano.
Una indígena canadiense graba al personal de un hospital insultándola antes de morir

Una indígena canadiense de la comunidad Atikamekw ha fallecido este lunes en un hospital de Joliette, en Quebec. Mientras la paciente agonizaba, trabajadores del centro médico la insultaron varias veces sin saber que la mujer estaba grabando todo con su celular.

El video, transmitido en vivo a través de Facebook, registra perturbadoras imágenes de los últimos momentos de Joyce Echaquan. En él se escucha al personal sanitario decir frases como: "Eres estúpida como el infierno", "Solo sirve para tener sexo, mejor estaría muerta", entre otras.

ADVERTENCIA: El siguiente video puede herir su sensibilidad

 

 

 

"Tengo siete hijos que se encuentran sin madre […] Estoy triste. Estoy tan triste", se oye decir a Joyce tras pedir ayuda repetidamente. "¿Has terminado de actuar como tonta? ¿Ya terminaste?", "Tomaste algunas malas decisiones, querida […] ¿Qué van a pensar tus hijos al verte así?", le responden los trabajadores en diferentes momentos.

Según contó a medios locales el esposo de la fallecida, Carol Dubé, su pareja acudió al hospital por un dolor de estómago el sábado y "dos días después murió". Otros familiares comentaron que la mujer padecía problemas cardíacos y consideran que le estaban dando demasiada morfina.

La muerte de Joyce, de 37 años, ha provocado una serie de vigilias y protestas en contra del racismo que enfrentan los indígenas en el país norteamericano. El Consejo de la Nación Atikamekw (CNA) interpeló al gobierno de Quebec sobre las circunstancias que precedieron al fallecimiento de la mujer.

"Es lamentable que en el 2020 este comportamiento todavía pueda ocurrir. Es responsabilidad de todos denunciarlo, especialmente en el contexto de los servicios de salud, cuyas normas éticas deberían protegernos del racismo", declaró el jefe del CNA, Constant Awashish.

Por su parte, las autoridades han anunciado el inicio de una investigación forense y administrativa. En una conferencia de prensa, el primer ministro de Quebec, François Legault, calificó el incidente como "inaceptable" y anunció que una de las enfermeras involucradas ya ha sido despedida.








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    quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

    A crise do macho branco adulto no comando, por Sérgio Saraiva - Jornal GGN


    A crise do macho branco adulto no comando, por Sérgio Saraiva
    SERGIO SARAIVA
    TER, 03/01/2017 - 18:10

    O macho branco adulto é um ser em crise e perigoso. Frustrado e inseguro e sob um experimento de manipulação social que só encontra paralelo no nazismo, a violência é sua resposta.



    por Sérgio Saraiva

    “Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval”.

    São versos de Caetano Veloso para a música “Podres Poderes”. A composição é de 1984. O que talvez explique a citação a padres fazendo o carnaval – vivíamos os tempos da Teologia da Libertação, ainda na Ditadura e antes da Constituição Cidadã de 88.

    A sociedade da descriminação

    Há uma clara dualidade e antagonismo nesses versos: homens se contrapondo a índios e padres e bichas e negros e mulheres e adolescentes. Os podres poderes se contrapondo ao Carnaval. Claramente também se nota não se tratar de qualquer homem e sim do homem branco, adulto e heterossexual.

    Há duas coisas que sempre me incomodaram nesses versos.

    A primeira é que Caetano atribui todos os podres poderes a uma minoria: o homem branco, adulto e heterossexual. Mas como negar que é a representação do poder. E de um poder conservador e reacionário como fica explicito nos demais versos da canção.

    “Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica
    que sempre precisará de ridículos tiranos?”.

    Caetano não trata especificamente da questão social, mas se lembrarmos que no Brasil a riqueza tem cor e a cor dela é branca, poderíamos reduzir ainda mais esse círculo de poder. Homem, branco, adulto, heterossexual e de classe média acima.

    A segunda coisa que me incomoda nos versos de Caetano é a sua generalização.

    Somos a sociedade da descriminação.

    Negros discriminam mulheres e homossexuais e mulheres brancas discriminam negros e talvez discriminam mais ainda às mulheres negras. Homossexuais discriminam pobres. Adultos desrespeitam crianças e adolescentes a ponto de ser necessário um estatuto para protege-los. Estatuto que é apontado como a causa da nossa criminalidade justamente pelos adultos.

    Sulistas e sudestinos discriminam nordestinos… e por aí vai.

    Somos a sociedade da discriminação e ela vai além do homem branco, adulto e heterossexual. Mas o tem como referencial.

    E aqui a causa do incômodo: a discriminação contamina as vítimas da discriminação, que também discriminam de alguma forma, o que acaba por justificar a discriminação através um círculo vicioso.

    Há que se estudar tal contaminação, já que me parece inescapável que ela contribui para que um grupo tão minoritário – o macho branco adulto detenha o poder.

    O macho adulto branco sempre no comando e em crise

    Tais divagações voltaram-me à mente por causa de duas tragédias acontecidas no final de 2016 onde estava novamente presente o estereótipo do homem branco, adulto, heterossexual e de classe média.

    Em novembro, Goiânia – GO, um homem de 60 anos matou o filho de 20 anos. Motivo do assassinato: o pai discordava a posição política do filho. E mais o quê? Quando pais e filhos não tiveram visões diferentes de mundo? E não somo uma sociedade de filicidas. Um caso isolado de um psicopata?

    Na noite de fim de ano, em Campina – SP, um homem de 46 anos matou 12 pessoas da família da ex-esposa. Incluindo a ex-esposa e o filho. Motivo dos assassinatos: disputava a guarda do filho com a ex-esposa e havia perdido na Justiça. Deixou uma carta explicando o ato onde misturava misoginia e ódio político característico da extrema-direita. E mais o quê? Separações podem ou não ser traumáticas, mas não acabam em chacinas. Mais um caso isolado de outro psicopata?

    Esse mais “o quê” é a chave para entendermos a crise pela qual passa o “macho adulto branco”.

    Ocorre que o macho adulto branco sempre no comando é só uma representação. E cada vez menos válida.

    Após a revolução sexual dos anos sessenta do século passado que deu às mulheres o poder de decisão sobre sua sexualidade e capacidade reprodutiva; após a tecnologia dispensar a força física nas atividades de produção e privilegiar a capacidade intelectual; após a inserção das mulheres nas escolas e no mercado de trabalho e até nas forças armadas e de segurança interna que deram às mulheres independência econômica, o macho adulto branco deixou de ser importante por si só para manutenção da sociedade. Tornou-se inclusive dispensável.

    Após os movimentos de ação afirmativa de negros e homossexuais, o macho adulto branco está deixando de ser a referência do “normal”. Passou a ter de pensar até nas anedotas com que animava suas rodas de amigos.

    Mas o macho branco adulto atual – aquele com mais de 35 anos – ainda se espelha muito na figura do seus pais. E esses ainda refletiam a sociedade anterior à revolução sexual e social no Brasil – “um mundo onde cada um sabia o seu lugar”.

    O macho branco adulto atual é um ser em crise. Anacrônico e deslocado. Rebaixado em seus status social. É um frustrado e um inseguro que se transformou em poço de mágoas pronto a explodir. Bastava algo que justificasse sua revolta contra “tudo isso que está aí”.

    E essa justificativa veio através da instrumentalização da sua frustração na forma do anti-esquerdismo.

    Por que o anti-esquerdismo?

    Porque foi a esquerda que modernamente encampou as lutas das mulheres, dos homossexuais, dos negros e sua representação como pobres.

    Fora Dilma

    Não é difícil perceber o porquê do ódio associado aos governos Dilma.

    Mas é interessante notar-se que o macho adulto branco foi também arregimentado.

    Quando da domingueiras que pediam o impeachment, a Folha traçou o perfil dos participantes: 57% eram homens – na população são 48,6% – 77% tinham mais de 36 anos e 40% tinham mais de 50 anos; 63% tinham renda de mais de 5 salários mínimo e 13% tinham renda acima de 20 salários mínimos e 77% se declararam brancos.

    Alguma dúvida do grau de ódio e intolerância exercidos em tais domingueiras?



    Tais domingueiras eram eventos de massa com marketing e público alvo bem definidos. E recurso financeiros para planejamento, divulgação e realização.

    O estrato da população alvo dessas ações – o macho adulto branco – foi e continua sendo submetido a um experimento de dominação e manipulação cultural e ideológica que só encontra paralelo no nazismo.

    Foi lhe dado um inimigo que seja responsabilizado por todos os seus fracassos e frustrações. E o ódio e intolerância decorrentes foram devidamente justificados. Seriam resultados da revolta dos “homens de bem” contra uma sociedade corrupta. O autoengano é uma poderosa ferramenta de persuasão e convencimento.

    Pouco importa se a realidade o negue. Aceitar a realidade seria aceitar seu novo papel na sociedade e este é menor, na sua visão.

    Seus heróis não se submetem a nada- são o próprio poder salvador e conservador.



    Sob tal nível de pressão, o macho branco adulto é um ser em crise. Rebaixado em seu status social, frustrado e inseguro – mas convencido que sua missão é salvar a nação – a violência foi sua reposta.

    Inicialmente a violência praticada contra indivíduos associados com a esquerda – foi saudado como alguém com consciência política. Agora a violência praticada contra a própria família. Essa não encontra saudações – mas uma hipócrita compreensão.

    O macho branco adulto é mais um dos problemas que esta Nação tem de resolver em seu processo civilizatório.



    PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia matando um leão a cada dia.

    sábado, 2 de julho de 2016

    Urariano Mota - O repórter como porta-voz da polícia, por Urariano Mota - Jornal GGN Luís Nassif


    Urariano Mota

    O repórter como porta-voz da polícia, por Urariano Mota Publicado, originalmente, no Diário de Pernambuco

    Em artigo anterior sobre o assassinato de uma criança de 10 anos pela polícia, pude observar a falta de investigação, ora, investigação, nem mesmo um distanciamento, da reportagem da televisão que transmitia as informações mais absurdas, como foi o caso de uma criança que dirigia abrindo e fechando o vidro do carro enquanto atirava, como se fosse um supermenino, afinal executado.

    Mas esta semana pude ver que o fenômeno é maior e mais amplo, ao ver no Bom Dia Brasil esta notícia: “Dinheiro de fraude pagava contas de Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann". O documento a que a TV Globo teve acesso é um relatório da Polícia Federal sobre o material apreendido no escritório do advogado Guilherme Gonçalves, em Curitiba, no ano passado. Serviu de base para a Operação Custo Brasil, que prendeu 11 pessoas na semana passada. Entre elas, o próprio advogado "Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma”. Ao ver isso, tive um choque e uma descoberta. É que já deixou de existir a chamada imprensa investigativa. A polícia investiga pela imprensa e faz do repórter o seu porta-voz. Tão simples, e não havia notado antes.

    Até entendemos que diante de uma notícia-bomba, algo como “O ex-presidente Lula matou mais de cem amantes”, o repórter nem respira, toca a inverossimilhança para a frente. Na pressa e na prensa, ele não vai deixar o furo de reportagem para outro. Mas o que espanta é o depois da bomba, a retaguarda da notícia que não apura nem põe um salutar sinal de interrogação, uma dúvida sequer na fala noticiada. Pelo contrário, a retaguarda da Rede Globo, Band, SBT, rádios, e até mesmo da imprensa escrita, se põe a levantar um autêntico castelo de cartas, uma teoria que justifique a única verdade, a versão policial.

    Imagino o dia em que a Polícia Federal descobrir, por exemplo, que Deus existe, conforme documentos apreendidos em investigação no Mercado Público de Água Fria. Claro, com provas fotográficas e testemunhas. Numa delas seria visto um senhor barbudo, numa manhã de domingo a comer cuscuz com guisado em uma mesa, num boxe do mercado. Sim, e daí? Daí é que houve esta revelação: o grisalho homem não pagou a conta com dinheiro vivo ou cartão. Ele sorriu, abençoou a graça da refeição, se levantou e sumiu por uma larga porta. Intrigada, a Polícia Federal, que hoje é o próprio olho de Deus, ao qual nada escapa, perguntou ao dono do boxe por que o cidadão não pagou. E o comerciante assim lhe respondeu: “Esse homem pra mim é Deus. É meu maior amigo”. E os policiais, para não se ajoelharem, registraram a ocorrência descoberta em relatório, ao qual nada escapa.

    Levada a notícia para a televisão, os apresentadores acrescentariam que essa era mais uma prova da infinita humildade e concretude da existência divina. Quando mesmo se esperava, Deus se revelara a comer cuscuz com um guisadinho no popular bairro de Água Fria. E terminaria a notícia com o ar mais grave: “o local agora é destino de imensa romaria, e de tal sorte, que Denizar, filho de Seu João do Caldíssimo, está agora de plantão ali com uma imagem de São Jorge para que seja abençoada. Fieis de um terreiro próximo, o mais antigo do Recife, o do Pai Adão, já comparecem e batem os mais lindos toques de tambor todas os dias. O dono da coalhada no bairro, única do Recife, se tornou o mais ardoroso crente diante dos lucros por sua fórmula santa de coalhar o leite. E Carlos, o barbeiro da Rua Japaranduba, afirmou que será capaz de deixar o Santa Cruz e torcer pelo Sport, se Deus assim lhe mandar”.

    Tudo agora é possível.

    Día Al-Quds, la jornada mundial de denúncia a la ocupación Palestina - Hispan TV


    Día Al-Quds, la voz de los oprimidos contra los opresores







    Día de Al-Quds, la voz de los oprimidos contra los opresores


    Hoy, más que nunca, el Día de Al Quds es un acontecimiento, reconocido como una fecha internacional en la que todo el mundo sale a las calles para defender a palestinos.

    En este artículo pretendemos repasar el origen de la ocupación israelí, el nombramiento del Día Al Quds y su importancia.

    Israel ocupa Palestina

    El 2 de noviembre de 1917, el secretario de Relaciones Exteriores británico, Arthur James Balfour, publicó una declaración favorable a la creación de un hogar para los judíos dentro de los territorios de Palestina. Solo un año después, en 1918, el Reino Unido ocupó Palestina y entre 1919 y 1923, unos 35 mil judíos emigraron hacia allí. También, entre 1932 y 1935, otros ciento cuarenta y cinco entraron ilegalmente, con apoyo del Gobierno británico. La ola migratoria fue tal que el censo realizado en 1938 mostró un aumento del 30 por ciento en la población judía en esos territorios.

    La situación continuó avanzando, al punto de que, en 1945, en un acto coordinado con Washington, Londres envió otros cien mil judíos desde Europa y EE.UU. a Palestina y, en ese año, la población judía conformaba ya el 32.9 por ciento de los residentes del país árabe. En 1948, los judíos saquearon las tierras de los palestinos y motivaron la migración de cientos de miles de ellos. En estas circunstancias, el Reino Unido dejó el Mandato de la Sociedad de Naciones sobre Palestina y el entonces premier israelí, David Ben-Gurión, declaró la independencia de su régimen dentro de los territorios palestinos.

    Día de Al Quds, no a la represión

    Los palestinos no toleraron la ocupación de sus tierras y desde el inicio de la usurpación israelí comenzaron a luchar para recuperar lo que les pertenecía. No obstante, el régimen israelí, que contaba y aún cuenta con el apoyo de las superpotencias, especialmente EEUU y Francia, recurrió a la presión y la guerra para socavar la voz palestina. Hasta 1979 pasaban ya unos treinta años de lucha por la supervivencia ante las balas y las bombas que mataban a sus hijos, ante los alambres de púa y los desplazamientos, ante las conspiraciones que querían que Palestina dejara de ser lo que es.

    En estas circunstancias, y mientras el régimen israelí atacaba el sur de El Líbano, se había establecido un sistema islámico en Irán, cuyos principios se basan en la lucha contra la opresión y en la defensa de los oprimidos. Por esta razón, en agosto de 1979, el fundador de la República Islámica, el Imam Jomeini (que en paz descanse), quien consideraba al régimen israelí como un elemento usurpador que pretendía dominar los territorios palestinos, denominó el último viernes del sagrado mes de Ramadán como el Día de Al-Quds.

    "El Día de Al-Quds es una jornada en la que tienen que esforzarse y esforzarnos para salvar Al-Quds", declaró el Imam Jomeini (P). Desde entonces, el último viernes de cada Ramadán, el alma de Palestina hace del mundo musulmán un solo cuerpo y una sola voz que grita ante la opresión.

    De hecho, esa jornada no se limita solo a Al-Quds. Es también el día del enfrentamiento contra los opresores. Si bien, el Imam Jomeini determinó esa fecha en 1979, ahora, más de tres décadas después, no solo los países musulmanes la conmemoran, sino también aquellos no musulmanes. Porque Palestina es el símbolo de los oprimidos, atrapados en las garras de los opresores, y Al-Quds es el de la rebelión ante el opresor.

    En ese día, Palestina se convierte en el centro del mundo. Cada año se incrementa el número de ciudades en las que confluyen mareas humanas a favor de Palestina. Blanco o negro, musulmán, cristiano o judío, basta ser humano para levantar la voz. Todos expresan su repudio a Israel, a sus bombas, a su bloqueo de odio contra Gaza, a su vergonzoso muro de separación, repudian sus asentamientos ilegales y el robo de las tierras palestinas.

    Israel tiene un plan: ocupar toda Palestina y judaizar su corazón, Al-Quds. Una afirmación que se evidencia en las palabras de su premier, Benyamin Netanyahu: "No regresaremos a una ciudad [Jerusalén] dividida, desgarrada, una ciudad con cercas de alambres de púa y francotiradores en sus murallas".

    El régimen israelí, en varias ocasiones, ha atacado el pueblo oprimido de Palestina en la Franja de Gaza. Un pueblo que se encuentra en la mayor cárcel del mundo, donde ni siquiera puede acceder a medicamentos o materiales para reconstruir sus casas arruinadas por las guerras israelíes.

    Incluso el régimen de Israel está intensificando su cerco a Gaza para continuar su proyecto de construir un muro subterráneo de hormigón en torno a los más de 96 kilómetros de límites de la asediada Franja.

    Unos crímenes que, además de violar las leyes internacionales, provocan el odio hacia sus autores, por lo que no resulta extraño que, hoy en día, no sean solo los musulmanes quienes celebren el Día de Al-Quds, sino también todos los pueblos de otras religiones del mundo.

    Muestra de ello es la creciente ola de a favor del boicot a productos israelíes, tanto en Europa como en Latinoamérica. Una iniciativa de grupos pro palestinos que, solo en 2015, causó pérdidas superiores a los 31 mil millones de dólares para el régimen israelí. En este sentido, el secretario general del partido de la Iniciativa Nacional Palestina, Mustafa Barghouti, saludó la decisión del Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas (CDHNU) de hacer una lista negra de compañías israelíes e internacionales que operan directa o indirectamente en los asentamientos ilegales israelíes de Cisjordania, en Al-Quds (Jerusalén) y en el Golán, una iniciativa que está dando fruto y a la que cada día más países se incorporan.

    Cabe destacar que en la actualidad, desde Francia, Holanda, Italia, el Reino Unido, hasta los países de América Latina, además de otros Oriente Medio se han incorporado al Movimiento de Desinversión y Sanciones (BDS) que está despertando la conciencia del mundo sobre las atrocidades del régimen contra los palestinos.

    Otro de los eventos que presiona y aísla al régimen de Tel Aviv, es la ola de reconocimiento de ese pueblo como un Estado. La gran mayoría de los países del mundo ya lo han hecho. En Europa, Suecia se convirtió el 30 de octubre de 2014 en el primer país de la Unión Europea (UE), casi 67 años después de la ocupación del país árabe por el régimen israelí.

    También, los Parlamentos de otros países de este continente, como el Reino Unido, España, Francia, Portugal, Irlanda y Bélgica han pedido a sus propios gobiernos seguir los pasos de Suecia, provocando así la ira de las autoridades del régimen de Tel Aviv.

    Con todo lo expuesto, se puede destacar la importancia de eventos como el Día Al Quds, una iniciativa para concienciar a la opinión pública internacional acerca de los actos de represión y las violaciones de derechos humanos de algunos regímenes, en este caso el de Israel. Además, la conmemoración de tales fechas y eventos sirven para dar una voz a los pueblos oprimidos y aislar, aún más, a sus represores.

    quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

    Formation (Dirty) - Beyoncé denuncia o racismo na maior audiência da TV estadunidense - Toni C no Vermelho


    Beyoncé esfrega o racismo na maior audiência da TV
    Enquanto o carnaval fazia as pazes com as ruas do país e a TV Globo escondia o maior espetáculo a céu aberto em sua transmissão noturna. Longe da Marquês de Sapucaí, Beyoncé pautava o óbvio, ela não é a Globeleza.

    Por Toni C.


    Foi no intervalo da 50ª edição do Super Bowl, as finais do campeonato de futebol americano nos Estados Unidos, com a maior audiência da história da TV norte-americana: nada menos que 169 milhões de telespectadores, segunda a NFL. São aguardadas grandes apresentações nestas ocasiões, Michael Jackson, U2, James Brown, Paul Mccartney foram algumas das atrações em edições anteriores. Mas nenhuma causou mais polêmica que a apresentação da nova música de Beyouncé, Formation, que marcou um touchdown no racismo.

    “Beyoncé pode ser uma entertainer talentosa, mas ninguém devia ligar para ela ou o que ela pensa que são questões sérias em nossa nação, ao contrário da aceitação desse clipe pró Panteras Negras e antipolícia pela mídia, quando são os homens e mulheres em azul que colocam suas vidas em risco por todos nós e merecem nosso apoio incondicional”, esbravejou um congressista republicano, condenando a cantora e seu novo videoclipe.



    O Blog Coletivizando foi em busca da letra, confira:


    What happened after New Orleans?
    Bitch, I'm back by popular demand

    Y'all haters corny with that illuminati mess
    Paparazzi, catch my fly, and my cocky fresh
    I'm so reckless when I rock my Givenchy dress (stylin')
    I'm so possessive so I rock his Roc necklaces
    My daddy Alabama, Momma Louisiana
    You mix that negro with that Creole make a Texas bamma
    I like my baby hair, with baby hair afros
    I like my negro nose with Jackson Five nostrils
    Earned all this money but they never take the country out me
    I got hot sauce in my bag, swag

    Oh yeah baby, oh yeah I, ohh, oh yes I like that
    I did not come to play with you hoes
    I came to slay, bitch
    I like cornbreads and collard greens, bitch
    Oh yes, you best to believe it

    Y'all haters corny with that illuminati mess
    Paparazzi, catch my fly, and my cocky fresh
    I'm so reckless when I rock my Givenchy dress (stylin')
    I'm so possessive so I rock his Roc necklaces
    My daddy Alabama, Momma Louisiana
    You mix that negro with that Creole make a Texas bamma
    I like my baby hair, with baby hair afros
    I like my negro nose with Jackson Five nostrils
    Earned all this money but they never take the country out me
    I got hot sauce in my bag, swag

    I see it, I want it
    I stunt, yeah, little hornet
    I dream it, I work hard
    I grind 'til I own it
    I twirl on them haters
    Albino alligators
    El Camino with the seat low
    Sippin' Cuervo with no chaser
    Sometimes I go off, I go off
    I go hard, I go hard
    Get what's mine, take what's mine
    I'm a star, I'm a star
    Cause I slay, slay
    I slay, hey, I slay, okay
    I slay, okay, all day, okay
    I slay, okay, I slay okay
    We gon' slay, slay
    Gon' slay, okay
    We slay, okay
    I slay, okay
    I slay, okay
    Okay, okay, I slay, okay
    Okay, okay, okay, okay
    Okay, okay, ladies, now let's get in formation, cause I slay
    Okay ladies, now let's get in formation, cause I slay
    Prove to me you got some coordination
    Slay trick, or you get eliminated

    When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay
    When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay
    If he hit it right, I might take him on a flight on my chopper, cause I slay
    Drop him off at the mall, let him buy some J's, let him show up, cause I slay
    I might get your song played on the radio station, cause I slay
    I might get your song played on the radio station, cause I slay
    You just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay
    I just might be a black Bill Gates in the making, cause I slay

    I see it, I want it
    I stunt, yeah, little hornet
    I dream it, I work hard
    I grind 'til I own it
    I twirl on them haters
    Albino alligators
    El Camino with the seat low
    Sippin' Cuervo with no chaser
    Sometimes I go off, I go off
    I go hard, I go hard
    Get what's mine, take what's mine
    I'm a star, I'm a star
    Cause I slay, slay
    I slay, hey, I slay, okay
    I slay, okay, all day, okay
    I slay, okay, I slay okay
    We gon' slay, slay
    Gon' slay, okay
    We slay, okay
    I slay, okay
    I slay, okay
    Okay, okay, I slay, okay
    Okay, okay, okay, okay
    Okay, okay, ladies, now let's get in formation, cause I slay
    Okay ladies, now let's get in formation, cause I slay
    Prove to me you got some coordination
    Slay trick, or you get eliminated

    Okay ladies, now let's get in formation, I slay
    Okay ladies, now let's get in formation
    You know you that bitch when you cause all this conversation
    Always stay gracious, best revenge is your paper

    Girl I hear some thunder
    Golly this is that water boy, oh lord

    Letra enviada por Faniesgrey

    Link: http://www.vagalume.com.br/beyonce/formation.html#ixzz3zr0yeFSt




    quarta-feira, 18 de novembro de 2015

    Com coragem e luta, Marcha das Mulheres Negras enfrenta o racismo - Potal Vermelo

     


    Ramila Moura
    Marcha das Mulheres Negras leva música e cor para Brasília Marcha das Mulheres Negras leva música e cor para Brasília

    As mulheres negras encheram as ruas de Brasília-DF, nesta terça-feira (18), com cor, música e discursos contra a violência e o racismo. Até chegar em frente ao prédio do Congresso Nacional, a marcha, que saiu do Ginásio Nilson Nelson, percorreu o Eixo Monumental e a Esplanada dos Ministérios com faixas, cartazes e palavras de ordem “contra o racismo, contra a violência, pelo bem estar”. E receberam de parlamentares, ao longo da marcha, palavras de apoio.



    Com um disparo de arma de fogo e vários rojões, um manifestante do acampamento que pede o impeachment da presidenta Dilma e a volta do regime militar tentou provocar tumulto na Marcha das Mulheres Negras. A correria das mulheres, inclusive idosas, não foi o suficiente para dispersar a marcha.

    As palavras de apoio foram novamente ouvidas durante a sessão do Congresso Nacional, que acontecia no mesmo momento em que houve o tumulto provocando pelos manifestantes golpistas. Foi a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), quem pediu ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que presidia a sessão, que fosse feita uma revista no acampamento dos manifestantes golpistas. Na semana passada, a polícia prendeu um sargento reformado da polícia que participava do acampamento com uma pistola e várias armas brancas.

    Luciana Santos, presidenta do PCdoB e deputada federal por Pernambuco, presenciou estarrecida a “cena de horror” e relatou: “Eu estava vindo com a Marcha das Mulheres Negras em direção ao Congresso Nacional quando um manifestante pró-impeachment atirou para cima no meio da marcha. Foram 3 tiros! Uma manifestação de ódio e intolerância que nós não podemos aceitar. O PCdoB vai reagir à altura e solicitar à mesa diretora da Câmara e do Senado que não permita esse acampamento com pessoas armadas, perto do Congresso Nacional. Isso vai de encontro a qualquer tipo de manifestação plural e democrática”.



    Luciana contou ainda que depois do susto inicial “e vendo que todas estávamos bem, consegui registrar o momento da prisão. Um absurdo que o rancor e a intolerância tentem tomar o lugar da coragem, da força, da alegria e da combatividade que marcaram esta linda Marcha das Mulheres Negras 2015”, desabafou.



    Durante a Marcha das Mulheres Negras, em cima do carro de som, a líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali, declarou: “Nós não podemos permitir que as mulheres sejam assassinadas no aborto ilegal. Nós não podemos permitir que os homens entendam as mulheres negras como algo que possa ser descartado da vida com violência familiar”.


     

    Jandira Feghali na Marcha das Mulheres Negras “Nós não podemos permitir que as mulheres sejam assassinadas no aborto ilegal. Nós não podemos permitir que os homens entendam as mulheres negras como algo que possa ser descartado da vida com violência familiar” declara a líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali, durante a 2015 - Marcha das Mulheres Negras que ruma ao Congresso Nacional do Brasil.
    Posted by PCdoB na Câmara on Quarta, 18 de novembro de 2015




    Movimento de luta
     
    Com roupas e turbantes coloridos, com música e dança, cartazes e discursos, cerca de 25 mil mulheres negras percorreram as ruas anunciando que marchariam “até que todas as mulheres sejam livres”.

    A presidenta da Unegro no Distrito Federal, Santa Alves, considerou a marcha um grande sucesso pela força demonstrada pelas mulheres negras, reforçando o desejo das mulheres negras de combater o racismo que as oprime, para garantir a construção de uma sociedade de bem-estar. E acrescentou que as mulheres negras não vão permitir que o Congresso aprove matérias que aumente a opressão contra as mulheres.



    Um grupo de mulheres do Quilombo Quingoma, de Lauro de Freitas, na Bahia, aproveitaram a marcha para denunciar as ameaças à comunidade remanescente de quilombolas com a construção da Via Metropolitana Camaçari-Lauro de Freitas, que vai passar dentro da terra delas.

    Vídeo com as mulheres cantando.

    Agressão dos golpistas

    A marcha alegre que chegou em frente ao prédio do Congresso Nacional, parada tradicional das manifestações públicas, foi recebida com tiros por um sargento da polícia que foi preso em seguida. Ele alegou que se sentiu “ameaçado” pela presença das mulheres negras no espaço público.

    Após os tiros, seguido de rojões, houve correria e dispersão. As mulheres ocuparam o gramado onde estão acampados os golpistas, que as ameaçaram e expulsaram do local. A polícia legislativa, que fez um cerco na entrada do prédio do Congresso, a tudo assistiu sem nenhuma interferência.

    Do alto do carro de som, as organizadoras da marcha pediam as mulheres que não aceitassem provocação, saíssem do gramado e seguissem a marcha, que continuou pelo outro lado da Esplanada dos Ministérios, após a prisão do golpista.






    De Brasília
    Márcia Xavier 

    terça-feira, 28 de outubro de 2014

    Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma - Como denunciar - Artigo - Com Mundo Bit e Coletivizando

    Nordestinos sofrem preconceito na internet após vitória de Dilma - Mundo Bit

     Saiba o que fazer em casos de difamação, calúnia e cyberbulling na internet - Mundo Bit


    Texto de 2010, após a vitória de Dilma, quando latiu o preconceito anti-nordestino do eleitorado de direita que votou Serra e agora votou Aécio. 

    O Nordeste é o Brasil (e em todo lugar). Paulo Vinícius Silva (2010)





    Saiba o que fazer em casos de crimes de injúria, racismo e incitação ao ódio - See more at: http://blogs.ne10.uol.com.br/mundobit/2014/10/26/nordestino-preconceito-dilma/?doing_wp_cron=1414370543.5090599060058593750000#sthash.q49Heu8u.dpuf
    Saiba o que fazer em casos de crimes de injúria, racismo e incitação ao ódio - See more at: http://blogs.ne10.uol.com.br/mundobit/2014/10/26/nordestino-preconceito-dilma/?doing_wp_cron=1414370543.5090599060058593750000#sthash.q49Heu8u.dpuf

    sábado, 15 de março de 2014

    Cartão vermelho para o racismo - Aldo Rebelo



    Artigo do ministro Aldo Rebelo* publicado no jornal Diário de São Paulo.

    O Ministério do Esporte vai relançar o livro O Negro no Futebol Brasileiro, publicado originalmente em 1947 pelo jornalista Mário Filho e entronizado como um estudo clássico do esporte no País. Em
    edição bilíngue, a obra insere-se no propósito de realizarmos uma Copa do Mundo sem racismo. E mais que isso: um reconhecimento da contribuição do negro à formação social brasileira e exaltação à
    mestiçagem que nos distingue como nação.

    O racismo é uma das infâmias mais antigas e resistentes desde que o mundo é mundo. As abolições da escravatura, o avanço geral do processo civilizatório, o progresso dos direitos humanos atenuaram sua prática institucionalizada, mas a discriminação e o preconceito sobrevivem não mais como políticas de Estado e sim nas relações sociais e de trabalho. No esporte aparece, intermitente mas sempre abjeto, em
    manifestações de torcedores contra jogadores negros - ainda que a torcida não seja um enclave ariano.

    Ao contrário, o último episódio de repercussão internacional, quando o brasileiro Tinga, do Cruzeiro, em jogo com o Real Garcilaso pela Libertadores, foi apupado por guinchos que o relacionavam ao macaco,
    ocorreu no Peru. O país é fortemente miscigenado. A uma pesquisa de 2006 do Instituto Nacional de Estatística e Informação a população declarou-se mestiça (59,5%), quíchua (22,7%), aimará (2,7%),
    amazônicos (1,8%), negra/parda (1,6%), branca (4,9%) e outros (6,7%).

    Como podem membros de uma nação com tal composição étnica, construída com o esforço comum do colonizador espanhol branco, índio nativo e escravo africano grunhir num estádio de futebol que negro é macaco?

    Se é episodicamente contaminado por tais vilanias, o esporte mais popular do mundo, elevado à categoria de arte justamente pelo bailado dos jogadores negros, propicia em seu campeonato mundial a oportunidade de darmos o cartão vermelho a essa atitude infame.

    Ao tratarmos do problema do racismo, na coluna da semana passada, abordamos, além da oportuna reedição pelo Ministério do Esporte do livro O Negro no Futebol Brasileiro, também a agressão ao jogador Tinga, do Cruzeiro, em jogo no Peru. Mas logo a seguir registraram-se episódios semelhantes no Brasil. O juiz Márcio Chagas da Silva foi xingado por torcedores do Esportivo, em Bento Gonçalves (RS), e o volante Arouca, do Santos, por seguidores do Mogi Mirim (SP).

    Não fosse uma infâmia em qualquer campo, hostilizar um jogador negro é o clímax da impertinência. Foi do patrimônio genético dos negros que o futebol brasileiro extraiu a ginga que o singularizou em relação à cintura dura dos europeus. Como insultar, pela cor da pele, artistas da bola do naipe de Friedenreich, Leônidas, Zizinho, Fausto, Didi e aquele que basta chamar de Rei?
    País escravocrata, como todos, o Brasil ostenta peculiaridades nas relações humanas que nos distinguiram das nações em que o racismo foi institucionalizado, a exemplo dos Estados Unidos. Era legal negros serem apartados nas relações de trabalho e no cotidiano, não podendo frequentar o mesmo espaço dos brancos, como um banco de escola ou de ônibus.
    Fomos pioneiros em leis antirracistas, como a Afonso Arinos, de 1951. Construímos uma civilização em que, do ponto de vista étnico, o ponto mais importante é a miscigenação. Às vésperas de uma Copa que faremos em paz e sem racismo, não podemos reproduzir atitudes mais comuns a países da Europa, onde amiúde jogadores negros se queixam de insultos raciais.
    Infelizmente, os instrumentos legais para repressão são limitados, e as investigações que conduziriam a punições, sofríveis. Não basta interditar estádio nem apenar o clube cuja torcida insulta a cor do adversário. Urge castigar os criminosos ao menos com a brandura da lei que define esses atos infames como simples injúria pessoal.

    Aldo Rebelo é ministro do Esporte

    quarta-feira, 28 de agosto de 2013

    O Dia da Vergonha - No Ceará a xenofobia veste branco - Rosemberg Cariri - Cineasta Cearense



    (Este texto é dedicado ao Dr. Luiz Teixeira Neto e à memória do Dr. Caetano Ximenes de Aragão, dois médicos-poetas e humanistas, que muito me ensinaram da vida e da solidariedade).

    Um choque profundo, uma sensação de mal-estar, uma vontade de vomitar... Algo me atingiu em cheio, acho que não no corpo, mas no espírito. Não posso precisar o que senti naquele momento, em que vi, pela TV, o constrangimento que alguns médicos cearenses infligiram aos aqui aportados médicos estrangeiros, em franca ação de hostilidade. Esses senhores, vestidos de branco, em nome dos seus interesses corporativos e econômicos, fizeram um espécie de “corredor polonês”, por onde os médicos estrangeiros, que vieram para trabalhar pela saúde da população, nos mais distantes e miseráveis rincões do país, foram obrigados a passar, entre vaias e xingamentos. Talvez o melhor termo para traduzir o que senti seja a palavra VERGONHA. Acreditem, fui acometido de uma profunda vergonha, ao ver um ato de tamanha hostilização e incivilidade acontecer na minha terra, sob a tutela do Sindicato dos Médicos do Ceará. Pensei comigo: chegamos ao fundo do poço!

    Posso compreender toda a mística que se faz em torno do “Ceará Moleque” e do sentido cultural do uso da vaia, ao longo de toda a nossa história. Porém, se ser “Ceará Moleque” é vaiar médicos estrangeiros, afasto-me por inteiro de sua valia como modo de expressão, porque isto me cheira muito mais a xenofobia e a fascismo. Quanto ao significado deste ato, como ação política, podem os senhores sindicalistas ter a certeza de que atraíram para si o desprezo de milhões de cearenses e de brasileiros. Em todo canto deste imenso Brasil, nos últimos dias, não se comenta outra coisa, a não ser esta atitude vergonhosa.

    Eu sou de um tempo em que os médicos eram conhecidos pela civilidade, pela erudição, pelo humanismo, pelo saber profundo que nascia de uma vocação, do ser e do construir-se na vida dentro de uma comunidade de destinos. A maioria destes médicos de boa cepa, pois, além de grandes profissionais, eram ainda homens que cultivavam as artes, que sabiam filosofia, que refletiam sobre a vida e o destino da humanidade, colocando a ética como um bem supremo.

    Eram homens sábios, homens de tal grandeza, dos quais as comunidades se orgulhavam, chegando a nomear ruas e praças para que as futuras gerações deles se lembrassem, quando eles deixavam o nosso convívio. Quem na vida não conheceu um desses médicos, também escritores, poetas ou filósofos, com os seus ensinamento de caráter iniciático na vida e nas artes? Quem poderia imaginar um médico desta envergadura espiritual vaiando um colega estrangeiro, em um ato cheio de ódio e xenofobia? Impossível imaginar!

    Mas o que acontece hoje? No Ceará, alguns médicos hostilizam, de forma escandalosa, estrangeiros com ameaças e xingamentos. É bem possível, que as universidades, sobretudo as universidade e faculdades particulares, fábricas de lucro e de técnicos destituídos de cultura e de humanismo, estejam produzindo estes “monstrinhos vestidos de branco”, analfabetos de qualquer humanismo, incapazes de ler a dimensão humana de um romance de Dostoievsky ou a metafísica de um conto de Guimarães Rosa. Falar em Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Gilberto Freire, Graciliano Ramos ou Euclides da Cunha, perto deles, é falar em javanês. Pobres médicos-tecnocratas, jogados a um convívio viciado e naturalizado com a indústria farmacêutica, quantas vezes submetidos aos grandes laboratórios que, em nome do lucro e da ganância capitalista, erguem o seu reinado da morte, travestidos de tecnologias arrojadas e mascarados de patentes.

    Quando vi estes jovens médicos, feito moleques incultos e incivilizados, vaiando e xingando os seus colegas estrangeiros de profissão, pensei comigo mesmo: esperem, mas não somos todos netos de estrangeiros? Não vivemos em um país que nasceu de um grande encontro de povos e culturas? Não é esta a grande característica do nosso país? Não é a generosidade e a hospitalidade o nosso maior tesouro? A cena brutal e humilhante imposta aos médicos estrangeiros, fez-me imaginar os nossos avós estrangeiros sendo vaiados, forçados a passar pela humilhação do xingamentos e do preconceito, nos corredores poloneses armados pelos “reacionários nacionalistas” da época (filhos também de estrangeiros).

    Não devíamos receber estes irmãos cubanos, espanhóis, portugueses, ucranianos, venezuelanos, mexicanos e de tantos outros países, com água de coco e maracatu? Não devíamos recebê-los ao som de violas e rodas de coco? Não deveríamos aplaudir aqueles que quisessem ficar e ajudar na construção da grande nação, da mesma forma que fizeram os nossos avós, que aqui chegando, casaram-se com gente de todas as raças e nos fizeram mestiços e multiculturais? Não somos nós os herdeiros de mil e um povos e de mil uma culturas?

    O que aconteceu no Ceará neste triste episódio ficará registrado nos anais da nossa história como o Dia da Vergonha, o dia em que o fascismo triunfou sobre a solidariedade e a universalidade que tem marcado, por definição cultural, o espírito do povo cearense e brasileiro.

    Acredito que os médicos cearenses, humanistas e éticos, farão uma “Carta de Desagravo”, pedindo desculpas aos colegas estrangeiros que aqui chegaram. Da minha parte, como cidadão cearense, torno público que não compartilho com esta vileza e, em meu próprio nome, peço desculpas aos médicos estrangeiros hostilizados, acreditando que este pedido de desculpas é o pedido de milhões de cearenses e de brasileiros que padecem nos mais profundos sertões, praias, florestas e montanhas, sem médicos e solidariedade nenhuma por parte daqueles que deviam ter como missão o sagrado dever do amor e da solidariedade, acima da sede do lucro e da ascensão social.

    Para concluir este meu simples ato de indignação, cito um fato cotidiano. Discutia o grave acontecimento com um motorista de táxi e dizia a ele que iria escrever sobre o assunto. Do alto da sua sabedoria, o motorista de táxi, aconselhou-me: “Escreva não. Um dia o senhor pode chegar em um hospital, cair nas mãos de um deles e eles podem desligar os aparelhos”. Eu que preparava-me para fazer duras acusações contra os “vândalos vestidos de branco”, terminei defendendo-os, quando de pronto respondi: “Nisto eu não posso acreditar! Sei sim, que estes médicos que hostilizaram os médicos estrangeiros, com vaias e xingamentos, agem como moleques, como xenófobos pequeno-burgueses e corporativistas, mas não acredito que as faculdades de medicina do meu país estejam também forjando potenciais assassinos”. Acreditar nisto seria descrer não apenas da medicina, mas da sua deontologia, como princípio e garantia de regulação ética das normas que regulam esta profissão, cunhada, desde os seus primórdios, para proteger e salvar a vida humana.

    De qualquer forma, cito o fato, para que estes equivocados “médicos-moleques” saibam qual o conceito que terminaram por cravar no coração das pessoas, com tal espetáculo público de despreparo profissional.

    (Escrito por Rosemberg Cariry, cineasta. Fortaleza – Ceará, 27 de agosto de 2013).

    quinta-feira, 22 de novembro de 2012

    As mentiras que os meios de propaganda difundiram para justificar a existência e os crimes de Israel



    Tradução: Caminho Alternativo

    Michel Collon explica no seguinte vídeo as dez mentiras que foram difundidas pelos meios de propaganda sobre Israel e que foram assimiladas profundamente entre a população, especialmente as tiranias capitalistas, chamadas por esses mesmos meios de “democracias”. Estas mentiras permitem que o estado sionista, que nada têm a ver com o judaísmo, possa justificar seus crimes e assassinatos contínuos contra o povo palestino, como ocorre atualmente em Gaza:


    Perguntamos às pessoas em Bruxelas se conheciam a história de Israel e as respostas foram catastróficas!
    Havia uma grande ignorância do público e creio que essa ignorância nao é por um acaso. Há mais de sessenta anos que os meios de comunicação europeus, que se dizem os melhores do mundo, vêm falando sobre o assunto, porém, este público não sabe sequer o essencial. Acredito que seja uma operação de propaganda israelense realizada com a ajuda dos grandes meios e eu o resumi nas dez grandes mentiras midiáticas para justificar Israel.

    A primeira grande mentira midiática que se diz é que Israel foi criado como uma reação ao genocídio de judeus entre 1940-1945. Isto é totalmente falso! Na verdade isto é um projeto colonial que já estava previsto no congresso de 1897, quando o movimento nacionalista judeu decide colonizar a Palestina. Nesse momento o colonialismo estava no auge. Eles então pedem ajuda às potências coloniais, porque percebem que precisam de proteção. Primeiro pedem ao império turco, que não demonstra interesse, depois pediram ao império britânico, que sim estava interessado em possuir colonos instalados no meio do mundo árabe, entre a parte leste e oeste, que queria debilitar o exitoso Egito , controlar o canal de Suez. O caminho em direção à Índia que possui muitas riquezas. Depois aparecem os EUA pela questão do petróleo.

    Portanto a criação de Israel nada têm a ver com o período entre 1940-1945, senão fruto de um projeto colonial. É necessário lembrar que nessa época as potências coloniais repartem a África como um pastel na conferência de Berlim de 1885, repartida entre Inglaterra, França, Bélgica, Portugal, Espanha, Alemanha, sem a presença de nenhum convidado africano.

    Se trata então de uma época colonial e Israel é um projeto colonial.

    Outros mitos que justificam Israel é que os judeus regressam à terra que lhes foi arrebatada pelo império romano em 70a.c. Isto é um mito absoluto! Porque entrevistei no livro do historiador Schlomo Sand onde ele fala com arqueólogos e historiadores de Israel e todos eles dizem que não houve êxodo nem retorno, a maior parte da população permaneceu no mesmo lugar.

    Isto têm duas consequências, a primeira é que no fundo, os descendentes destes judeus que viveram na época de Jesus são os palestinos que vivem ali hoje e a segunda é que se não houve gente que saiu, quem são esses que “retornaram”?

    Na realidade são os convertidos, são europeus do leste, do oeste, magrebs, são os que se converteram ao judaísmo em distintos momentos e por diferentes razões, mas não o povo judeu. E como diz Sand, o “povo judeu” não existe como tal, pois não há uma mesma história, uma mesma língua e uma mesma cultura, apenas compartem uma mesma religião, mas uma religião não é um povo. Não se fala de um “povo cristão”, um “povo muçulmano” e portanto, não existe “povo judeu”.

    O terceiro grande mito é que “não é tão grave que tenham colonizado esta terra porque aquilo estava deserto e vazio”. Isto também é uma absoluta mentira! As testemunhas da época no fim do século XIX dizem que a Palestina era um oceano de trigo. Havia cultivos, exportação, por exemplo, à França, produção de sabão de azeite das famosas laranjas. E quando os colonos britânicos e posteriormente, os judeus, se instalam na Palestina a partir de 1920, os camponeses palestinos se negam a dar suas terras, começam as revoltas, as greves gerais, manifestações com grande números de mortos e até uma guerrilha.

    O que destruiu tudo isto foi uma enorme repressão exercida pelo exército de ocupação britânico e depois pelo exército sionista.

    Outra coisa que se diz é que se existia palestinos eles mesmos se foram da região. Isto é absolutamente falso! Eu mesmo acreditei nisto, assim como todo mundo, nesta versão oficial de Israel. Até que novos historiadores israelenses como Illan Pappe ou Benny Morris, que está no livro, dizem que não. Os palestinos foram expulsos através da violência, pelo terror, por uma operação sistemática para expulsá-los do país e assim esvaziar a terra de seus habitantes. Portanto se trata de um mito!

    Esta é a parte histórica de Israel, tudo que nos ocultam mas que é muito importante compreender.

    Se nos referirmos ao período atual, se diz que de toda forma, “Israel é a única democracia no Oriente Médio e que vale a pena defendê-lo e que é um Estado de direito”. Em primeiro lugar, Israel não é um Estado de direito, pois é o único país cuja constituição não fixa seus limites territoriais. Em todos os países do mundo a constituição estabelece onde começa o estado e onde termina. Israel não, porque é precisamente um projeto de expansão que não possui limites! Além de uma constituição totalmente racista que diz que Israel é um Estado dos judeus e os outros são cidadãos de segunda categoria, isto é a negação da democracia.

    Gostaria de dizer que Israel é o colonialismo, é o roubo da terra, é a limpeza étnica da população e isto não pode ser considerado uma democracia. Há quem diga que possui parlamento, meios de comunicação, professores universitários que criticam. Isto é verdade, mas dado que é um estado baseado no roubo da terra isto quer dizer que é uma democracia entre os ladrões para saber como vão continuar roubando. Isto não é democracia, isto é colonialismo e uma ditadura!

    Nos dizem que EUA, o país que protege Israel e que doa 3 bilhões de dólares por ano para ajudar os israelenses a atacarem seus vizinhos, quer proteger a democracia no Oriente Médio. Bom, se EUA quisesse defender a democracia não teria colocado e protegido as ditaduras da Arábia Saudita, Kuwait ou Egito. Quem instalou estas ditaduras foram os EUA. E o que querem EUA e Israel é o petróleo e não a democracia.

    Na realidade jogam um papel de guardas do petróleo, isto é explicado nos livros de Chomsky, Samir Amin, entre outros. O que EUA quer é controlar o petróleo do Oriente Médio e quer destruir qualquer país que se oponha a dar seu petróleo em troca de nada. Vimos isto na guerra do Iraque, Líbia e em outras agressões. Mas EUA não pode atacar ele sozinho todos os países do Oriente Médio. Por isso precisa do papel de “guardião” exercido por Israel. Chomsky o chama de “polícia do bairro”.

    Há algum tempo EUA fazia o mesmo com o Xá do Irã para este fim, uma ditadura espantosa imposta, retirando em 1953 àquele que era democraticamente eleito, Mosadeq. Mas EUA perdeu o Irã e lhe resta agora Israel, por isso protege Israel embora viole a legislação internacional e convenções da ONU.

    É claramente uma guerra econômica o que está fazendo os EUA. A Europa quer passar a imagem de que é mais neutra, que está em busca de um processo de diálogo que consiga a paz entre israelenses e palestinos. Isto também é falso!

    Europa declarou há pouco tempo à Israel que é o 28º Estado da União Européia. A indústria de armamento europeia é a que financia e colabora com a indústria bélica israelense. Existem pessoas na França como Lagardére e Dassault que são muito próximas à Sarkozy e que colaboram com a indústria de armas de Israel.

    Além disto, quando os palestinos elegeram seu governo a União Européia não só se negou a reconhecê-lo como deu sinal verde para que Israel iniciasse o bombardeio em Gaza. Portanto, quando Netanyahu, Barak, Olmer e demais bombardeiam os palestinos são Sarkozy, Merkel e os governos europeus que bombardeiam.

    Quando alguém conta a verdadeira história de Israel, quando se mostra os interesses escandalosos dos governos dos EUA e europeus, tentam calar a boca de quem denuncia, tachando-os de “antissemita” ou “racista anti-judeu”.

    Vamos deixar uma coisa bem clara, quando se critica Israel o que fazemos é denunciar o governo que nega igualdade entre os seres humanos, entre os judeus e os muçulmanos.

    Nós queremos o contrário, uma paz entre judeus e muçulmanos no futuro, os cristãos e os laicos no Oriente Médio. E para isto é necessário parar Israel neste crime, pois seu objetivo é gerar ódio, esta é sua estratégia.

    terça-feira, 20 de novembro de 2012

    Racismo, raça, etnia e marxismo - Edson França -Portal Vermelho

    Racismo, raça, etnia e marxismo - Portal Vermelho
    Edson França *

    Reconhecidamente, há um grande déficit teórico do marxismo em relação às questões raciais. O socialismo científico, a mais libertária e conseqüente teoria sociológica, nasce contemporâneo à radicalização do abolicionismo na Inglaterra, França e Estados Un


    Apesar do momento sombrio que se avizinhava à ciência polítcia, Marx e Engels não avançaram os limites colocados em seu tempo histórico, para eles a questão étnica e racial não se impôs claramente. Outros importantes teóricos marxistas não desenvolveram reflexões sobre esse tema, isso explica as lacunas teóricas e alguns erros políticos do movimento comunista. Ainda assim, o marxismo é o melhor método científico tanto para entender como para combater o racismo.



    Ciente do limite teórico ora explicitado, as correntes liberais e pós-modernas, algumas se auto-intitulam pós-marxistas, como mais um meio de propagar o fim do marxismo e a consolidação de um novo tempo histórico, desenvolve reflexões nefastas ao desenvolvimento do socialismo. Acusam o marxismo de ter fracassado na resolução das contradições relacionadas à raça, gênero e etnia existentes no interior das classes; argumentam que as experiências do socialismo no leste europeu foi um fiasco, sufocou as nacionalidades, essas só expressaram suas aspirações e singularidades com plena liberdade após a “democratização” da região. Advogam que a ênfase marxista nas classes sociais é reducionista, pois as classes estão dissolvendo. A política contemporânea responde a impulsos enraizados em identidades diversas (raça, gênero, etnia, nacionalidade, orientação sexual, etc.), cujos interesses políticos não se esgotam nos limites dado pelas divisões de classes.


    Hipocritamente omitem que o racismo está enraizado, desde sua gênese, em base econômica, sempre serviu a interesses sociais, econômicos e políticos de Estados e das classes dominantes, por isso imbrica-se na luta de classes, na luta contra o colonialismo e contra o imperialismo. Segundo Libero Della Piana, presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos, “o racismo em nosso país é a maior ferramenta do capitalismo, ferramenta número um para dividir os trabalhadores. O racismo faz os capitalistas mais ricos” .


    Essa mesma corrente não esconde sua verdadeira intenção quando apregoa a minimização do Estado e plena liberdade aos mercados; associam as experiências socialistas com autoritarismo e corrupção; propõe a solidariedade entre as classes, fim do antiiperialismo e fortalecimento do conceito de interdependência entre ricos e pobres. Resumidamente estão na contramão do anti-racismo, pois propõe uma agenda conservadora que deve ser combatida, porque beneficia exclusivamente a burguesia internacional e os Estados nacionais ricos.


    As manifestações culturais subjacentes no racismo - estereotipo negativo e preconceito - sobrevivem as mudanças estruturais econômicas e políticas. Para construção do socialismo haverá necessidade de um longo período de transição após a classe operária ascender ao poder político, ou seja, a mudança estrutural deverá ser processual. Quanto a superestrutura o processo é idêntico, mudando a estrutura material a sociedade processualmente se divorciará das idéias dominantes anterior. O racismo não putrefará na inércia, haverá necessidade de atuar sobre ele, reeducar o povo contra os resquícios culturais e psicológicos oriundos do racismo. Por essa razão a luta contra o racismo é compatível e deve organizar-se em concomitância e unidade com a luta do proletariado para tomada do poder político e construção do socialismo. O que exige dos comunistas, em especial dos brasileiros pelo histórico de miscigenação e multiculturalidade do país, protagonismo na formulação de ferramentas teóricas e políticas, sempre sintonizadas a nossa experiência histórica, assim  erradicaremos o atraso do racismo no Brasil.



    Conceito de raça e etnia   

    No marxismo, raças / etnia são elementos irrelevantes para explicar as diferenças políticas, grupos homogêneos competem por recurso comum disponíveis, para isso lutam politicamente entre si. No entanto, em certos contextos políticos, a percepção de equivalências sócio-econômicas contribui na formação vínculos políticos para atuação na luta de classe, fenômeno invariavelmente confundido com lutas raciais – a grande rebelião da comunidade negra em Los Angeles em 1992 e o levante nos subúrbios de Paris em 2007 são exemplos da luta de classe subjacente em conflitos raciais. “Os diferentes grupos étnicos são colocados em relações de cooperação, simbiose ou conflito, pelo fato de que como grupos têm diferentes funções econômicas e políticas” .


    O conceito de raça é inoperante para explicar a variabilidade humana, não tem amparo na ciência biológica. A sociedade humana é uma espécie que não subdivide em raças ou sub-raças diferentes, “mas em seis bilhões de indivíduos genomicamente diferentes entre si, mas com graus maiores ou menores de parentesco em suas variadas linhagens genealógicas. (...) Em outras palavras, pode ser fácil distinguir fenotipicamente um europeu de um africano ou asiático, mas tal facilidade desaparece por completo quando se procuram evidências dessas diferenças ´raciais’ no genoma das pessoas” . Raça não é uma realidade biológica, é uma construção sócio-política, carregada de ideologia, como tal, não proclama seu verdadeiro sentido: relação de poder e dominação .


    Na forma “científica” o conceito foi elaborado e desenvolvido pelas elites burguesas européias em finais do século 18 e 19, com objetivo de legitimar filosoficamente dominação e sujeição política e econômica entre classes sociais, através da colonização, escravidão, discriminação, diversas formas de exploração e atrocidades. A elaboração anterior proposta pela Igreja não se sustentava racionalmente, o racismo científico foi uma chave fundamental para as mudanças estruturais impostas pela burguesia - classe social que acabara de assumir definitivamente o poder político – e para o desenvolvimento do capitalismo enquanto modo de produção globalmente dominante.


    A partir do século 16, época das grandes navegações, colonização da América, fase inicial do encontro e trocas comerciais entre os povos europeus, africanos e asiáticos, as populações negras, em todo planeta, vivem com acúmulos de desvantagens provocadas pela violência, saques e exploração insana da sua mão de obra. No imaginário do senso comum negro é sinônimo de pobre e marginal, os negros compartilham histórico de discriminação negativa e subalternidade. Esse lugar social secularmente imposto, teórica e filosoficamente sustentado determinou identidades comuns, racializou a humanidade.


    Desde finais da segunda guerra mundial as teorias racistas baseadas em pseudos ciências foram rejeitadas pela comunidade cientifica internacional, ainda assim, se mantêm a desigualdade herdada do racismo científico e do histórico de exploração direcionada as populações não brancas. Provando que o racismo, na atualidade, não necessita de uma teoria para legitimá-lo nem da proclamação científica de existência das raças, o pensamento coletivo a convencionou, há forças políticas e econômicas lucrando com sua vitalidade, será necessário tempo para que sua sustentação mental seja aniquilada e luta política para sua superação. As variedades fenotípicas entre os seres humanos são empiricamente incontestáveis, não se confunde visualmente um esquimó da Groenlândia com um aborígine australiano, por isso a noção social de raça dispensa critérios genótipos, é na “raça biologicamente fictícia” que se assenta a classificação hierárquica, se assentam os estereótipos e o racismo sobrevive vigorosamente.


    Etnia é um conceito de caráter sócio-cultural, histórico, psicológico, lingüístico e de identidade, está em constante desenvolvimento, tem se fortalecido na mesma medida da inviabilidade científica das raças. Se para a ciência a hierarquização biológica é uma fraude, então se substitui pela cultura, assim mantem a respeitabilidade teórica da desigualdade produzida pelo racismo e legitima a dominação política anterior. As identidades étnicas tomam lugar das raças, prendendo as populações representantes das culturas “menos desenvolvidas”, “atrasadas” e “primitivas” nas franjas da sociedade moderna. Marx nos alertou ao peso negativo para luta emancipacionista do proletariado a inobservância da opressão direcionada a setores ou camadas dos trabalhadores e o quanto a opressão etnorracial divide a luta e beneficia os algozes:


    “Cada centro industrial e comercial na Inglaterra possui uma classe trabalhadora dividida em dois campos hostis, proletários ingleses e proletários irlandeses. O trabalhador inglês comum odeia o trabalhador irlandês como um competidor que rebaixa seu padrão de vida. Em relação ao trabalhador irlandês ele se sente um membro da nação dominante, e assim torna-se num instrumento dos aristocratas e capitalista de seu país contra a Irlanda, fortalecendo a sua dominação sobre ele próprio. Ele aprecia os preconceitos sociais, religiosos e nacionais contra os trabalhadores irlandeses. A sua atitude é muito parecida a dos ‘brancos pobres’ em relação aos negros nos antigos estados escravagistas dos EUA. O irlandês lhe paga com juros na mesma moeda. Ele vê no trabalhador inglês ao mesmo tempo o cúmplice e o instrumento estúpido do domínio inglês na Irlanda.”  


    Nessas palavras de Marx são possíveis duas deduções, uma que o racismo e a discriminação estabelecem desvantagem material a segmentos étnicos, raciais ou nacionais no interior do proletariado, divide a classe e fortalece a burguesia. Outra que a parcela dos trabalhadores que não recebe o impacto direto do racismo e da discriminação se sente psicologicamente superior, esse sentimento conforta a angústia da miséria em que se encontra, arrefecida pela facilidade em despejar-la sobre seu bode expiatório: o discriminado. A mensagem racista seduz parcela dos trabalhadores, pois está implícita uma promessa de solução imaginária ao problema real, como a pobreza, desemprego, exploração, que os defronta cotidianamente. Segundo Alcir Lenharo o nazismo triunfou na Alemanha porque “... a ideologia racista oficial era de fato acatada e subassumida, e servia de ponto norteador da conduta individual e coletiva da população.” Silenciar e subestimar o racismo enquanto uma proposta política social reacionária para benefício de uma minoria, equivale a apoiar tacitamente a própria dominação. Por isso combate-lo é uma tarefa revolucionária, cabe ao proletariado e seu Partido, a quem está dada a tarefa da transformação social, ações com objetivo de desarticular, enfraquecer e superar o racismo.


    Os comunistas e a compreensão do povo brasileiro


    Os comunistas reconhecem a existência do racismo e da desigualdade racial no Brasil, compreendem que dispomos de condições e instrumentos positivos para melhor combate-lo. Somos um povo uno, unidade formada pelo encontro assimétrico e miscigenação de três povos: os colonizadores portugueses, os índios nativos da terra e os africanos utilizados como mão de obra escrava. Unidade forjada na luta popular contra a opressão imperialista e das elites locais. Não há em todo território nacionalidades em conflitos, movimentos ou forças separatistas conseqüentes, etnias reivindicando território e autodeterminação. Somos um povo profundamente miscigenado - compreendendo miscigenação não apenas como intercurso sexual para procriação, mas encontro de valores humanísticos que envolvem religião, mitos de criação, culturas, folclores, etc. -, falamos apenas um idioma, enquanto povo-nação, o povo brasileiro é um todo indivisível.


    A compreensão da existência de um povo uno no Brasil, não ignora e nem subtrai da unidade contradições de diversas dimensões que devem ser tratadas: gênero, etnia/ raça, desigualdades regionais, dentre outras. Encontramos-nos entre as sociedades mais desiguais do planeta; convivemos com índices alarmantes de violência, onde a juventude negra é o principal alvo; temos uma classe média racista e conservadora, tenaz atuante contra os avanços sociais propostos; a elite mais mesquinha, gananciosa e antipatriota do mundo. Estamos diante de uma unidade doente, sob suspeita, em situação de risco, inconclusa, mas, contraditoriamente em processo de aperfeiçoamento. Daí a importância das forças progressistas ocuparem os governos para aprofundarem a mudança, dando prioridade na universalização da intervenção do Estado junto a população, sem prejuízo do olhar atento sobre as especificidades. A manutenção das contradições no interior do povo favorece a desagregação da sociedade e dificulta o processo de construção – ainda em curso – da Nação brasileira.     

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    Historiador e Coordenador Geral da Un

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