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sábado, 13 de outubro de 2018

Conheça o Mestre Moa do Katendê - 2015 - Blog Congo de Ouro

Congo de OuroCapoeira e Percussão Romário Itacaré


Môa do Katendê nasceu em Salvador (BA) e é um artista ligado às tradições afro-baianas. Compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, descobriu suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN”, terreiro de sua tia e incentivadora. Em 1977, consagrou-se campeão do Festival da Canção Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, e em Maio de 1978 fundou o “Afoxé “Badauê”, que desfilou pela primeira vez no ano seguinte e tornou-se campeão do carnaval na categoria de afoxé. Em 1995 com a união de colegas e admiradores da cultura afro-brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”.
Mestre Môa do Katendê é baiano de Salvador. Artista ligado às tradições Afro-baianas; compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador, tendo descoberto suas raízes aos oito anos de idade no “ILÊ AXÉ OMIN BAIN” terreiro de sua tia e incentivadora.


Em 1995, com a união de colegas e admiradores da cultura afro brasileira, surge o grupo de afoxé “Amigos de Katendê”, que neste mesmo ano participou do carnaval em São Paulo na Cohab José Bonifácio. Em 1996 o grupo viaja a Salvador reintegrando os componentes do “Badauê” e outros afoxés e desfila no carnaval, estabelecendo assim um intercâmbio entre Bahia e
São Paulo. Atualmente Mestre Moa do Katendê vem ministrando oficinas de afoxé na Bahia, Sudeste e Sul do Brasil e na Europa
e é o coordenador geral do afoxé “Amigos de Katendê”.
Mestre Moa do Katende fala sobre a “reafricanização” da juventude da Bahia e do processo batizado por Antonio Risério de “reafricanização” do carnaval na Bahia, e atribui este processo a própria dinâmica interna da vida baiana.
Enumera os marcos fundamentais deste processo: a forte presença de organizações e clubes negros nos carnavais da Bahia o “renascimento” do Afoxé Filhos de Gandhi, um dos símbolos do carnaval baiano organização carnavalesca fundada em 1949 por trabalhadores da estiva do Porto de Salvador, um ano antes, portanto do aparecimento do Trio Elétrico, e que no início do dos anos 1970 praticamente desaparecera – e o surgimento do Ilê Ayiê, o primeiro dos muitos Blocos Afro surgidos neste período.
Extrapolando os limites de uma mera participação no carnaval os Blocos Afro ocupam física e culturalmente espaços da cidade, alguns, antes estigmatizados por serem “lugar de preto”, outros, hegemonizados desde sempre pelas elites .
Assim como o surgimento do Trio Elétrico, em 1950, veio revolucionar e particularizar o carnaval da Bahia, o processo de “reafricanização”, especialmente com a entrada em cena dos “blocos afro” precipitando a reação africanizante e explicitando marcadamente um caráter étnico hegemonizam do ponto de vista estético, musical e gestual, transformam radicalmente a trama carnavalesca baiana . As pessoas que criaram as novas entidades “afrocarnavalescas” da Bahia assumem e explicitam a matriz negra da cultura baiana numa dimensão nunca antes registrada como é o caso, por exemplo, do próprio Moa do Katendê fundador do Afoxé Badauê, onde vemos a importância assumida pelos cantores na expressão de valores afros entre a comunidade negromestiça de Salvador a consciência da africanidade e da nova poesia afro-baiana, baseada em reminiscências e jogando com a sonoridade das palavras africanas extraídas do vocabulário dos candomblés, textos da autoria de Paulinho Camafeu, Moa do Catendê, Caetano Veloso, Antonio Risério, Heron, Curimã, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Ivo do Ilê, Milton de Jesus, Charles Negrita, Chico Evangelista, Jorge Alfredo, Ana Cruz, Cebolinha, Alírio do Olodum, Lazinho Boquinha, Jailton, Egídio e Buziga.
Tamo junto Mestre


Mestre Môa do Batendê - o primeiro artista assassinado pelo fascismo de 2018 - Pedro Sanchez - Farofafá



(Foto Instagram @moadokatende)
(Foto Instagram @moadokatende)
O baiano Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Môa do Katendê, tem sido tratado como capoeirista no obituário sobre seu assassinato a facadas por um eleitor de Jair Bolsonaro, numa discussão na madrugada pós-eleitoral de 8 de outubro, em Salvador. Moa é, além disso, o primeiro artista a sucumbir à onda protofascista que emerge das urnas no Brasil de 2018. Compositor ligado a blocos afro como Ilê Aiyê e Badauê, ele foi iluminado nacionalmente primeiro por Caetano Veloso, que gravou uma vinheta de “Badauê” no disco Cinema Transcendental, de 1979: “Misteriosamente/ o badauê surgiu/ sua expressão cultural/ o povo aplaudiu”. (À época, o nome do artista foi grafado como Môa do Catendê.)
Caetano citou o Badauê e o Ilê de Môa noutras canções daquele período, como as espontaneamente antifascistas “Beleza Pura” (“não me amarra dinheiro, não,/ mas elegância/ não me amarra dinheiro, não,/ mas a cultura/ dinheiro não/ a pele escura/ dinheiro não/ a carne dura/ dinheiro não/ moço lindo do Badauê/ beleza pura/ do Ilê Aiyê/ Beleza pura”), também de 1979, e “Sim/Não” (“No Badauê/ gira menina, macumba, beleza, escravidão/ no Badauê/ toda a grandeza da vida no sim/não”), de 1981.
O Ilê Aiyê gravou outro “Badauê” de Môa: “Na Liberdade/ e na cidade/ sua crioulada engalanada/ 100% emocionada/ delirando toda a massa cantando assim/ badauê”. Num contexto ainda mais explícito que o da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, em março passado, Môa foi assassinado pelo barbeiro Pedro Sérgio Ferreira de Santana, militante do PSL de Bolsonaro, após defender voto no PT. Na terça-feira 9, o jornalista Ricardo Boechat disse ao vivo, na BandNews FM, que não vê agressividade na presente campanha eleitoral e classificou o assassinato de Môa do Katendê de “uma bobagem, minha gente”.
Veículos comprometidos com a frente antifascista em formação, como Opera Mundi e CartaCapital, têm publicado material de fundamental importância para o enfrentamento da onda fascista. A mídia internacional já repercute o Mapa da Violência Política elaborado de forma colaborativa a partir do site Opera Mundi.
  • (Este texto foi produzido originalmente para a edição 1.025 da revista CartaCapital.)

Caetano Veloso comenta assassinato de Mestre Moa do Catendê por fanático bolsonarista

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dirigente da CTB recebe título de cidadão de Salvador - Portal CTB

Dirigente da CTB recebe título de cidadão de Salvador

 
 30 Julho 2014
batista1
“Batista, guerreiro do povo brasileiro”. Foi com esta saudação, que o dirigente nacional da CTB, João Batista Lemos, foi recepcionado no plenário da Câmara de Municipal de Salvador, na noite desta terça-feira (29), onde recebeu o título de cidadão soteropolitano. A homenagem, de iniciativa do vereador Everaldo Augusto (PCdoB), atendeu a um anseio do movimento sindical classista na Bahia, que recebeu grande colaboração de Batista para o seu fortalecimento.

A relevância da contribuição de Batista foi tema da fala de todos os oradores do evento, que ressaltaram a influência positiva e a sensatez das intervenções do sindicalista em momentos importantes da luta dos trabalhadores baianos. “Nós estamos aqui homenageando um operário, que mesmo em difíceis condições se arriscou para defender os interesses da classe operária. Batista não se abateu com as ameaças e perseguições da ditadura militar, persistindo na luta. Ele é um dos quadros mais destacados do movimento sindical do Brasil”, afirmou o vereador Everaldo Augusto.

O presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, também destacou a importância da atuação do homenageado. “Batista é um homem imprescindível, seja pelo caráter e personalidade ou pelo papel que exerce junto ao movimento operário deste país. Ele é do tempo em que os dirigentes sindicais eram fichados e perseguidos. Passou por etapas importantes da luta dos trabalhadores e foi fundamental na construção da CTB, que hoje tem 1.121 sindicatos filiados e atua como protagonista no movimento sindical brasileiro. Batista sempre fez crer que poderíamos dar um passo a diante na luta pela construção de um mundo novo e melhor. Esta é uma justa homenagem”.

“Eu me sinto muito honrado com esta homenagem. Quando olhei para o plenário e a mesa, passou um filme na minha cabeça e lembrei de muitas lutas aqui no estado, com lideranças que estão aqui e outras que já se foram, como Washington de Souza, Paulo Colombiano e Wilson Furtado. Eu sempre me inspirei na atuação do movimento sindical da Bahia. Quando queria saber para onde a gente estava caminhando, eu vinha aqui primeiro. Por isso, me sinto mais honrado com este título”, agradeceu Batista Lemos.

Batista afirmou ainda que a homenagem revigorou suas forças para continuar lutando para tornar o Brasil uma nação socialista. ”Nesta luta tem muita adversidade. Então, quando a gente é homenageado, revigora as forças. Ainda mais aqui na Bahia, que foi vanguarda na construção na construção da Corrente Sindical Classista, na criação da CTB”.

Ascom CTB Bahia

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Haroldo Lima: O Partido Comunista do Brasil se despede de Calucho

Não conheci pessoalmente Calucho, mas, além da tristeza que nos toma quando um militante falece, não pude deixar de comover-me com as lindas homenagens que se fazem a esse camarada que partiu tão cedo. Para honrar esse patrimônio indispensável na esquerda e no PC - o(a) militante - republico o belo texto de Haroldo Lima, e aproveito para enviar meu abraço ao camarada José Reinaldo de Carvalho, que além de um camarada, perdeu um irmão.

Paulo Vinícius



30 DE OUTUBRO DE 2013 - 11H41


A memória das pessoas fica marcada em nossas mentes em função dos acontecimentos relevantes da vida. Logo depois da Anistia, em 1979, foi para mim crucial começar a participar da atividade política aberta na Bahia, afinal eu vinha de 13 anos de clandestinidade e prisão política.

Por Haroldo Lima*

Naquele momento o clima era de efervescência. A liberdade renascendo iluminava os rostos, inspirava os discursos, dava ritmo novo à vida que ressurgia dos escombros da tirania.

Um fato chamava a atenção, a movimentação febril dos novos atores que ocupavam a cena. Eram jovens, plenos de entusiasmo e idealismo, no fragor das batalhas libertárias, arrancando os novos tempos das entranhas do tempo que combateram.

Calucho era um desses jovens. Ativo, inteligente, pensava e agia. Era visceralmente ligado ao processo em curso, e opinava sobre tudo que acontecia, sedento de futuro. O Partido Comunista do Brasil ainda era clandestino e Calucho já era do Partido.

Naquele momento fazíamos um grande esforço para alargar as conquistas, ocupar novos espaços, destroçar os grilhões que ainda existiam. Foi quando fundamos o jornal Tribuna da Luta Operária. A Tribuna tinha que crescer. E só podia crescer e ampliar sua influência se em cada estado tivesse um grupo decidido que a assumisse, que a recebesse no aeroporto, levasse para um escritório central, distribuísse os pacotes por entre militantes e amigos, fizesse reuniões para discutir as orientações que vinham pelo jornal. Era a velha fórmula do jornal como orientador e organizador.

Um grupo ocupou essa trincheira na Bahia. Calucho estava na linha de frente desse grupo. Era edificante vê-lo trabalhando, incansável, sempre otimista, cumprindo essa, que era das mais importantes tarefas do momento.

Aquela geração se torna adulta, e Calucho se casa e forma família, tem filhos que lhe enchem de orgulho. Vieram depois as campanhas eleitorais, as primeiras que fazíamos em 30 anos, as primeiras que aquela geração de Calucho fez em toda a vida. Vitórias sucederam, novos desafios também.

Calucho vai a Brasília, onde ocupa posto de destaque na direção partidária local. Ajuda a nascente bancada dos comunistas a cumprir suas tarefas, organiza debates dentro da Câmara.

O tempo passa, as conquistas se ampliam, os combatentes da luta contra a ditadura vão ocupando novas posições na nova sociedade que ajudaram a criar e vão descobrindo aptidões que se desenvolveram.

Calucho sempre foi muito inteligente. Mas sua inteligência tinha aquele viés criativo, aquela propensão à inovação, à novidade. E por aí ele chega ao ramo publicitário. Como publicitário procurou sempre vincular essa sua nova atividade aos projetos políticos progressistas. Ajudou-me em diversas campanhas, foi esteio importante de campanhas de sua primeira esposa, a hoje senadora Lídice da Mata, e também do atual governador da Bahia Jaques Wagner.

Inesperadamente acometido por uma doença maligna, não se desesperou, lutou contra ela, com denodo e otimismo. Chegou a ir aos Estados Unidos atrás de uma medicação inexistente por aqui, mas que já não lhe deu o alento esperado.

No aconchego de seus familiares, que tanto amava e por quem era tanto amado, acolhido pelos seus camaradas do Partido e pelos seus amigos, Calucho se foi hoje [quarta-feira (30)]. Deixa a saudade imorredoura dos que souberam cativar amigos e admiradores, e lutaram, sem nunca perder a esperança, por um tempo em que a amizade e não a opressão ilumine nossos caminhos.

O Partido Comunista do Brasil se despede de Calucho.


* Haroldo Lima é membro da direção nacional do PCdoB

terça-feira, 3 de julho de 2012

Em entrevista à Tribuna da Bahia, Alice Portugal dá show de política e explica porque em Salvador Olívia Santana será vice de Pellegrino(PT)


Leiam abaixo entrevista de Alice Portugal na Tribuna da Bahia, onde ela explica a decisão do PCdoB de aceitar a vice de Pellegrino, para unificar a esquerda na disputa de Salvador, ante o assanhamento do carlismo e a confusão entre a esquerda - em grande parte por erros do governo Wagner, é certo, mas não justifica abrir o flanco pros coronéis...
 
Parabéns à direção do PCdoB de Salvador pela postura corajosa e honesta, pelo espírito unitário com que, vendo a confusão no seio da própria esquerda, não se exime de sua responsabilidade e, ampliando seu espaço político e influência, indica com o apoio de Alice uma mulher também guerreia como Olívia Santana para ser vice de Pellegrino, o que dará grandes possibilidades de vitória na capital. Correto o Partido, que não tem saudades do Carlismo nem se propõe a esquerda que a Direita gosta.

Tribuna da Bahia - Deputada, o que levou o PCdoB a retirar a candidatura que era defendida com tanta força e com tanta garra pela senhora e pelo PCdoB?

Alice Portugal - A direção do partido analisa uma mudança na conjuntura da cidade. O crescimento das forças remanescentes do carlismo e o desgaste de certa forma do governo, em função de problemas relacionados com a greve da polícia, com a greve dos professores, esta relação conflituosa com o funcionalismo público e com os movimentos sociais. Área da qual, inclusive, sou oriunda com muita honra. Essa avaliação levou os setores da base do governo, especialmente o governador, a optar por uma tática de concentração desde o primeiro turno. A nossa preferência era uma tática de pulverização das forças da base para que dialogássemos com as faixas do eleitorado de cada um e no segundo turno nos alinhássemos em torno do que tivesse melhor desempenho. Evidentemente, essa tática faria com que buscássemos alcançar todos os segmentos, desde os mais satisfeitos até aqueles que neste momento têm efetivas insatisfações, mas que se mantêm firme ao projeto de mudança. Essa tática não foi aceita. Os partidos se alinharam um a um com a proposta do governador. A força gravitacional do governo é muito grande e, sem dúvida alguma, esta circunstância nos deixou num semi-isolamento. Tivemos duas legendas menores, não quero citar, que se dispuseram a se alinhar conosco, mas a opção do partido foi a de evitar essa diminuição de tamanho do ponto de vista da coligação e migrar, abrindo mão da candidatura.

Tribuna da Bahia - A pressão foi muito grande? O governador chegou a pressionar diretamente para a desistência da candidatura?


Alice Portugal – Não digo que houve assim uma pressão. Houve uma conversa. Inicialmente, com o deputado Daniel Almeida sozinho, na quarta-feira. Depois, na quinta-feira, o governador me ligou pela manhã, de uma maneira extremamente cortês e respeitosa. Aliás, como tem sido o tratamento dele para comigo. Conhecedor da minha ênfase em relação à política, às coisas do povo e a seriedade dos meus compromissos com o povo, quando os assumo. Houve uma conversa muito séria e muito longa. À noite, ele nos chamou e fomos ao gabinete. Eu, o deputado Daniel Almeida e mais a presença do presidente do PT, Jonas Paulo. O convite me foi feito de maneira direta para ser vice. Inclusive, reconhecendo os valores dos demais, mas sem querer comparar pessoas. Elogiando a nossa vereadora Olívia Santana, que agrega tanto a questão de gênero como de etnia. Todos sabem da minha relação extremamente positiva para com ela. Mas com a preferência explícita para mim.

Tribuna da Bahia - E o deputado Nelson Pelegrino?

Alice Portugal -
Na sexta de manhã, tomei um café com ele. E essa conversa também se deu neste sentido. O deputado Nelson é meu amigo de muitos anos, um parceiro de muitas lutas. Aliás, já fomos chamados de Nelson papa-greve e Lili passeata. Continuo sendo. E, neste momento, a solicitação foi feita. Elegante, direta, pessoal, personalizada. Mas, a minha avaliação é que o meu papel foi cumprido. O meu papel foi cumprido. Fiz uma embalada pré-candidatura com uma decisão coletiva entusiasmada do partido no município de mostrar propostas que o número 65 do velho PCdoB. PCdoB que fez 90 anos este ano, que de maneira festiva elegeu o desejo de mostrar a sua cara, a sua liderança.

Tribuna da Bahia - O desejo de crescimento do PT aqui em Salvador frustrou os planos e os projetos então do PCdoB?

Alice Portugal -
A avaliação é de que, separados no primeiro turno, poderíamos perder. Só isso. Na verdade, a argumentação é essa. Que se sai cada candidato da base, sozinhos, poderia se perder no primeiro turno. Essa é uma avaliação. E, evidentemente, a direção do PCdoB optou por ela.

Tribuna da Bahia - Houve ameaças de perder espaços no governo?

Alice Portugal -
Não. Não houve isso. Não houve isso e houve, de imediato, com adesão de setores ao governo e houve acomodação deste segmento que está sobejamente divulgada na mídia. Não houve nenhum tipo de ameaça ao PCdoB e muito menos a mim.

Tribuna da Bahia – A senhora falou da questão da greve. A extensão da greve vai dificultar demais a candidatura de Pelegrino? Pode prejudicar? Este desgaste do governo pode prejudicar o processo eleitoral?

Alice Portugal –
O desgaste existe. Existe e está diagnosticado. E o apelo, inclusive, para esta tática de aglutinação, se dá em torno destas duas questões. Da mudança conjuntural relacionada com o crescimento do carlismo, pelo menos momentâneo, eu julgo. Não creio que vá adiante, o povo de Salvador é inteligente. O povo de Salvador é inteligente, é politizado, já há muito tempo derrotou o carlismo, espero que não caia no “canto da sereia”. E, evidentemente, esta circunstância da greve, ela abala relações. Relações tradicionais da política entre segmentos avançados da sociedade, organizados da sociedade e o governo, mas isso é superável na minha compreensão, desde que haja habilidade, flexibilidade e respeito.

Tribuna da Bahia - Temem desgastes e a expectativa realmente dos protestos grandes contra o governo, contra o PCdoB no cortejo do Dois de Julho?

Alice Portugal –
Enquanto a mesa de negociação não for montada, este tensionamento acontecerá. Para o PCdoB, nós estamos muito tranquilos porque nós temos militantes e dirigentes no Sindicato, mas todos os partidos têm. E, por isso mesmo, é necessário que se deixe claro que a greve é a greve dos professores. Na minha opinião, o governador não merece agressões nem enterro. Mas os professores merecem mesa de negociação.

Tribuna da Bahia – A senhora acha então que o governo está sendo intransigente? O governador deveria sentar para conversar?

Alice Portugal –
Eu não faria adjetivações, mas a mesa é uma necessidade. Greve é direito do trabalhador e a mesa é uma necessidade.

Tribuna da Bahia - Como foi feita a escolha da candidata a vice? O que a senhora acha que pesou mais, o fato de Olívia Santana ser negra, como forma de se tentar contrabalancear com os outros dois candidatos da oposição a vice que são negros?

Alice Portugal -
Na medida que eu não aceitei ser vice, o partido abriu a discussão à sua direção, com a minha participação, com a participação de todos. E alguns nomes foram postos à mesa, vários nomes com condições. Assim como em relação à candidatura própria. Inicialmente, nós tínhamos vários nomes. E, agora, surge esta circunstância do partido. De o partido desistir da candidatura própria. Porque tem alguns meios de comunicação dizendo que Alice recuou. Não. Foi uma decisão partidária. A nossa decisão era pela candidatura própria coletiva. Uma decisão coletiva, e a análise foi feita em relação a um nome que somaria mais à chapa de Pelegrino. Já que a tática é essa de aglutinação, temos que jogar para ganhar. E para ganhar, o nome é o de Olívia. Mulher, negra, militante, professora, e então realmente é um nome que toma a chapa de Pelegrino. E eu volto para o meu mandato como deputada. Terceiro como deputada federal. O partido tem só catorze deputados. Um está exercendo o ministério dos Esportes, que é Aldo. Evidentemente, as responsabilidades são grandes, e quando eu fui destacada, fui destacada para uma candidatura de prefeita e não de vice-prefeita.

Tribuna da Bahia – Como vê as duas candidaturas de oposição? Elas ameaçam realmente o projeto do PT, dos partidos da base do governo?

Alice Portugal –
Oposição mesmo é o DEM e o PSDB, infelizmente, com o PV deixando a sua identidade de lado. O PMDB faz parte da base da presidenta Dilma (Rousseff). Portanto, nas últimas das hipóteses, se tivermos a necessidade de um segundo turno para combater a remanescência carlista de ACM, o Neto, da infeliz oligarquia que assolou a Bahia por mais de 40 anos, eu tenho certeza que, conforme o próprio Mário (Kertész) já disse, ele não votará nele. Então, trataremos como oposição quem é oposição.

Tribuna da Bahia - Com o cenário delineado, qual a aposta da senhora para um segundo turno?

Alice Portugal
- É ganhar no primeiro turno.

Tribuna da Bahia - E Mário, a senhora acha que ele pode surpreender, ele pode ser o fiel da balança nessa eleição?
Alice Portugal -
O debate é tudo. Por isso eu gostaria de participar dele.

Tribuna da Bahia - E Pelegrino? Agora com os partidos da base do governo, a senhora acha que ele vai conseguir pegar fôlego?
Alice Portugal –
Espero. E contará com o meu apoio.

Tribuna da Bahia - Mas ele tem dificuldades hoje em deslanchar com a candidatura?
Alice Portugal -
A coalizão é uma coalizão forte e poderosa. Todos os partidos, todas as inteligências desses anos de construção, então eu acredito que, com base nesta coalizão agregada, bastante intensa, a tendência é da vitória.

Tribuna da Bahia – O que tem no programa ou tinha no programa do PCdoB que vocês queriam levar para discussão e que será abraçado agora por Pelegrino?

Alice Portugal
- Essa é uma discussão que vai começar agora, porque até então nós tínhamos um programa do PCdoB e ainda não tivemos acesso ao programa do PT. E, evidentemente, a partir desta aglutinação de força terá que ser compatibilizada.

Tribuna da Bahia - Quais são as duas prioridades que a senhora acha que deve ser o norte do próximo prefeito, independentemente de qual seja o partido?

Alice Portugal -
Primeiro, fazer com que a cidade seja escutada. É preciso ouvir a cidade na sua totalidade, instalar o Conselho da Cidade, garantir que, de fato, esta democracia seja plena em Salvador. É necessário ouvir o que querem os trabalhadores, os empresários, a juventude, os estudantes, as mulheres. É fundamental que, de fato, esta relação entre o poder municipal e a cidade seja estabelecida. Isso eu faria em primeira hora se prefeita fosse. Depois, há problemas crônicos que nós sabemos que não são apenas culpa do último gestor, mas que ele tem grande responsabilidade. A mobilidade urbana, é preciso ter coragem e boa relação com o governo federal e estadual e atitude intrépida para buscar, inclusive, capital fora. Ao mesmo tempo, é preciso ter coragem para tomar medidas internas em relação a Salvador e sua arrecadação para que Salvador seja uma cidade viável financeiramente. 
Portanto, mobilidade urbana, restauração da saúde financeira da cidade, discussão sobre o espaço urbano, requalificação das políticas culturais na cidade que estão em grave dificuldade. A intelectualidade, os artistas, os literatos da cidade que sofrem neste momento e o turismo como grande indústria esquecida e que precisa, pelos órgãos municipais, ter a efetiva atenção para que nós possamos, inclusive, aproveitar essa realização de grandes eventos. Em Salvador, agora tem mais o sorteio da Copa do Mundo, além da Copa das Confederações e com bom desempenho destas obras relacionadas com o parque esportivo, é preciso fazer com que a cidade ganhe com isto. Então, é uma tarefa de gigante.

Tribuna da Bahia – A senhora acha que o governador Jaques Wagner poderia estar investindo mais em Salvador? Poderia dar uma atenção maior à cidade, mesmo ele sendo governador de um estado com 417 municípios?

Alice Portugal
- Tenho consciência de que o governador tem investido bastante com obras de grande porte. Obras como a Via Expressa, a solução da Rótula do Abacaxi. A assinatura da Consulta Pública, que resultará na futura licitação da linha 2 do metrô. Agora, a cidade entrou em caos. Em caos financeiro, em caos fiscal. Ficou inadimplente junto ao CAUC [uma espécie de Serasa das prefeituras], impedida de receber determinados convênios em nível nacional. Enfim, então tem que restaurar a cidade até para ela poder abrir os braços, para ela poder receber ajuda. Salvador chegou a um ponto que não tinha capacidade de receber ajuda de políticas que estão sendo instaladas em todo o Brasil. No interior do estado as políticas públicas chegam muito mais do que na periferia de Salvador. Você vai a qualquer cidade média, pequena, do interior da Bahia e estão lá as políticas públicas. Programas de lazer na cidade, de esporte, programas relacionados com a saúde, relacionados com os direitos humanos. Salvador não se preparou nestes oitos anos para receber políticas básicas que o governo federal e o governo estadual já realizam. Não é um problema do governador, é um problema da gestão municipal.

Tribuna da Bahia - O PT e o PCdoB estão juntos agora com o prefeito João Henrique, do PP. Dividem o mesmo palanque. Isso vai causar incômodo no processo eleitoral?

Alice Portugal -
O PCdoB não foi responsável pela aglutinação das forças em torno do candidato. O PCdoB foi o último partido a incorporar porque defendíamos uma outra tática. A tática de que cada um dialogasse com a sua faixa eleitoral. Então, evidentemente, a coligação é de responsabilidade do partido nuclear e a nossa posição é de apoiar em função da conjuntura de uma circunstância de semi-isolamento que o PCdoB estaria e, obviamente, estaremos com o candidato Nelson Pelegrino. Quanto à companhia coletiva, quem construiu a arquitetura do palanque, evidentemente, tem que dar suporte para que ele fique de pé.

Tribuna da Bahia – O PT vai defender a gestão atual do PP ou pelo menos vai tentar diminuir as críticas do discurso durante a campanha?

Alice Portugal –
Acredito que não. Mas essa questão você vai ter que perguntar ao PT. A nossa opinião é esta que eu estou exarando. A cidade é uma cidade antiga, uma cidade que as ruas centrais foram construídas para carros de tração animal, o planejamento da administração do susto. Você vê uma avenida como a Tancredo Neves, que tem grandes edifícios, construções arrojadas do ponto de vista arquitetônico, com estacionamentos insuficientes, automóveis nas ruas, sem área para pedestres. Ou seja, uma concentração de interesses na especulação imobiliária e nenhum cuidado com a cidade. É evidente que estas coisas não são de responsabilidade total do atual gestor, mas ele corroborou de maneira intensa com essa desconstrução de Salvador. Portanto, merece a crítica. Onde eu estiver, a farei.

Tribuna da Bahia - A senhora acha que o próximo prefeito deve levar as relações com o empresariado de forma mais clara para a sociedade? Chamando o setor para ajudar, para investir, para participar de parcerias públicas ou privadas e dar a sua contrapartida mesmo para a população?
Alice Portugal –
O governo municipal deve dialogar com todos os setores da cidade: trabalhadores, empresários, juventude movimento social organizado, setor cultural, setor do turismo e no caso do empresariado, que gera emprego na cidade, este tem que ser conversado para buscar a contrapartida social. Queremos, todos, que cresça a construção civil na cidade, que tenha emprego para a construção civil em todas as áreas, desde a mais especializada à mais básica, inclusive para mulheres. Mas não dá para desmatar de maneira indistinta, não dá para sombrear a praia. Olha a decisão do Tribunal de Justiça em relação à Lous (Lei de Ordenamento, Uso e Ocupação do Solo), que, por sinal, me orgulhou muito. Portanto, é evidente que nós precisamos ter uma relação ampla com todos os setores da cidade, mas que a prioridade seja a população de Salvador.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Haroldo Lima recebe homenagem por sua luta em defesa da liberdade - PCdoB. O Partido do socialismo.

Haroldo Lima recebe homenagem por sua luta em defesa da liberdade - PCdoB. O Partido do socialismo.


Em uma sessão bastante concorrida na manhã desta segunda-feira (12/12), em Salvador, o dirigente nacional do PCdoB e ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, recebeu o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira. A comenda oferecida pela Assembleia Legislativa da Bahia é um reconhecimento à trajetória política do comunista, que foi preso, torturado, perseguido e viveu muitos anos na clandestinidade durante a ditadura militar iniciada em 1964.






A atuação sempre destemida de Haroldo Lima em defesa de seus ideais foi reverenciada por todos os presentes à homenagem, que foi organizada pelo deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB). Os oradores não se cansavam de repetir o quanto a atuação de Lima foi importante para a construção da democracia que hoje se vive no Brasil. De sua militância iniciada no movimento estudantil, da perseguição, das prisões, torturas e da vida na clandestinidade. Muitos lembraram também das cinco eleições consecutivas para a Câmara Federal e da gestão altamente vitoriosa à frente da ANP, que se encerrou no último domingo.

“Para o PCdoB é uma alegria extraordinária a trajetória e as homenagens a Haroldo Lima. É bom perceber o reconhecimento de sua luta em defesa do povo brasileiro. Eu já fui a umas cinco solenidades e sei que muitas outras estão agendadas para os próximos dias. Com isso, vamos nos dando conta da dimensão de sua atuação à frente da ANP. Para nós que conhecemos Haroldo isso não é surpresa nenhuma”, afirmou o presidente do PCdoB na Bahia, deputado federal Daniel Almeida.

Grande exemplo

As qualidades de Lima como gestor também foram ressaltadas pela deputada federal Alice Portugal. “A gestão de Haroldo à frente da ANP mostrou que, além de homem de coerência, de coragem e um preceptor de muitos comunistas, como eu, ele também é um homem de ação e um gestor de grande responsabilidade na administração da coisa pública. Então, ele com certeza merece esta homenagem e reconhecimento”.

Segundo o deputado Álvaro Gomes, o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira busca fazer justiça a um homem que durante toda a sua vida buscou a construção de uma sociedade onde todos tenham os seus direitos assegurados. “Haroldo sempre lutou pelo direito à saúde, educação, emprego e habitação digna, mas acima de tudo, por democracia, paz e justiça social. Ele é um exemplo para a Bahia, o Brasil e o mundo”, disse.

Liberdade e justiça

“Eu fico muito satisfeito com os discursos e a presença de todas estas pessoas aqui presentes. Neste período em que estou saindo da direção da ANP tenho recebido muitas homenagens, umas onze, se não me engano. Não vejo isso como uma coisa pessoal, mas como uma homenagem a todos aqueles que tiveram um passado e um presente iguais aos meus. É uma homenagem bonita, não apenas e mim, mas a toda uma geração que resistiu bem. Eu vejo este título de cidadão da liberdade e fico muito feliz, pois liberdade é uma coisa pelo que sempre lutei”, declarou Haroldo Lima.

Em seu discurso de agradecimento, o dirigente comunista lembrou ainda dos 10 anos que passou na clandestinidade, da prisão, da tortura, dos amigos que fez, dos que tombaram na luta e ressaltou o apoio que sempre recebeu da esposa, Solange Silvani Lima, nos quase 50 anos de convivência. Falou também da atuação como deputado federal e principalmente da gestão à frente da ANP, onde colaborou para a descoberta do Pre-Sal e a mudança do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no país. “O Pré-sal é um grande potencial, MS é preciso saber o que fazer para que isso se reverta em um grande benefício para o Brasil. Nós trabalhamos para isso e uma das minhas grandes alegrias é saber que graças à nossa atuação o Brasil ficou mais dono da Petrobras e do nosso petróleo”, concluiu.

A sessão em homenagem a Haroldo Lima contou com a participação de sua esposa, Solange Lima, de sua neta Beatriz, de 11 anos, e de seu genro Lucas. O governador Jaques Wagner, em viagem à China, foi representado pelo secretário de Relações Institucionais César Lisboa. Também estiveram presentes o secretário Estadual do Trabalho, Nilton Vasconcelos, deputados estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças de diversos segmentos da sociedade.



De Salvador,
Eliane Costa

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Congresso da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe elege nova diretoria e cria diretoria de Juventude

Escrito por Laércio Goes, com pitacos de Paulo Vinícius
28/11/2011

O 12o Congresso da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, realizado no último final de semana, dias 26 e 27, em Salvador, aprovou alterações no estatuto e elegeu a nova diretoria da entidade para o triênio 2012/2015. Foram reeleitos como presidente, Emanoel Souza, e como vice, Eduardo Navarro. No congresso, os bancários discutiram também temas de interesse da categoria, como a crise econômica mundial, a regulamentação do Sistema Financeiro e as perspectivas do sindicalismo no Brasil.

Foto: Manoel Porto

Na solenidade de abertura do Congresso, no sábado (26), estiveram presentes a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) e representantes de outras entidades sindicais, como Rumiko Tanaka (Contec), Miguel Pereira (Contraf) e Edival Góes, presidente da CTB-SE. Participaram do Congresso, 102 delegados (81 homens e 21 mulheres), 13 observadores e 11 convidados.

Homenagem
O momento mais marcante na abertura do encontro foi a homenagem prestada ao ex-dirigente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana durante o golpe militar, Osmar Pereira Ferreira, que sofreu prisão e tortura em defesa dos seus ideais e pela luta dos trabalhadores. O companheiro Osmar, ao receber a placa comemorativa, emocionou a todos com seu depoimento forte e corajoso: "Continue a luta. Fortaleça seus sindicatos e reúnam os bancários. Não podemos depor as armas!", conclamou Osmar.

Crise econômica
No debate sobre a crise econômica mundial, José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, traçou um panorama da situação do sistema capitalista na atualidade. Uma crise que começou em 2008 nos Estados Unidos e agora alcança gravemente os países da Europa, como Grécia, Itália, Portugal, Espanha e França. Souza destacou que as dificuldades econômicas neste momento mostram o poder do mercado financeiro, que tem derrubado governos e atacado o Estado de bem-estar social, levando a população a ir para ruas protestar.

Foto: Manoel Porto
Sistema financeiro 
Eduardo Navarro, vice-presidente da Federação e diretor da CTB Nacional, iniciou a discussão sobre a regulamentação do Sistema Financeiro. Navarro reafirmou a necessidade de uma reforma no sistema financeiro no Brasil, que é altamente concentrado com apenas 10 grandes bancos e com os bancos públicos disputando o mercado e possuindo relações trabalhistas às vezes piores do que dos bancos privados.

Eduardo enxerga uma mudança de postura do governo Dilma em relação ao sistema financeiro, com uma ênfase na diminuição das taxas de juros. Destacou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico e bancarização do país. Criticou a bancarização adotada atualmente no Brasil baseada nos correspondentes bancários: "É esse o sistema financeiro que se quer para um país de ponta?", questionou. Para Navarro, "um sistema financeiro que temos que pensar deve ser baseado nos bancos públicos, voltado para a clientela e que valoriza o capital humano".

Foto: Manoel Porto
Sindicalismo 
No sábado à tarde, os debates foram reiniciados com a exposição de Emanoel Souza sobre a perspectiva do sindicalismo no Brasil. Emanoel lembrou os ataques que os sindicatos dos bancários sofreram no período da implantação do neoliberalismo no país a partir do Governo Collor, com corte de liberação de dirigentes, demissões, perdas de direitos para os novos trabalhadores e epidemia de LER (Lesões por Esforços Repetitivos).

Emanoel avaliou que durante a Era Lula o sindicalismo viveu uma crise de identidade, com muito dirigentes sindicais no governo. Mas neste período aconteceu a legalização das centrais e a realização da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que definiu uma agenda conjunta dos trabalhadores, como a diminuição da jornada de trabalho.

O presidente da Federação chamou a atenção para os desafios do movimento sindical na atualidade, como a reforma da Previdência, que pretende retirar direitos dos trabalhadores, e a reforma sindical defendida pela CUT, que propõe a unicidade e a extinção do imposto sindical. Emanoel defendeu a participação dos sindicatos na luta pela democratização da mídia e a busca por um nível maior de mobilização no movimento sindical.


FEEB Sergipe e Bahia aposta na renovação e na Juventude
A federação inovou ao incluir no seu estatuto a diretoria de juventude, que será ocupada por Lucas Galindo (à esquerda), jovem bancário do Banco do Brasil e militante da União da Juventude Socialista. Ademais, a FEEB Bahia e Sergipe incluiu em seu estatuto mecanismo que fortalece a renovação, com a proibição de eleições sucessivas, que passam a ser limitadas a dois mandatos.


Veja as fotos do Congresso aqui .

http://feebbase.com.br e Coletivizando

terça-feira, 15 de junho de 2010

JUVENTUDE E CLASSISMO: DA BAHIA PARA O BRASIL

Paulo Vinícius

Regresso a Salvador para uma agenda intensa vinculada aos jovens trabalhadores. Estarei no
I Encontro da Juventude Trabalhadora da CTB da Bahia, a 16 de junho, a convite do camarada e amigo Adilson Araújo, nosso presidente, que preparou com determinação e esmero uma atividade que vai dar grande contribuição à luta classista. Afinal, a CTB, a terceira central sindical brasileira, tem na Bahia uma de suas principais referência, sendo a maior central desse Estado de formidáveis tradições de lutas. A estruturação desse trabalho juvenil de fato representará muito para o sindicalismo classista.




Mas Salvador também será palco do XV Congresso da União da Juventude Socialista, a UJS. Será meu primeiro congresso saído, inaugurando o painel dos "tios", os veteranos da UJS, ainda que me caiba essa "peinha" de juventude que é a de organizar os jovens trabalhadores, entendidos assim aqueles até 35 anos de idade identificados com a juventude. E estar nessa tarefa mais tem a ver com a compreensão de sua importância que com qualquer apego ao tema, De fato acredito que minha contribuição essencial nesta quadra é ajudar a preparar a passagem de largos contingentes juvenis para o sindicalismo classista, fechando com chave de ouro esse ciclo. Nesse sentido, comporei uma mesa entitulada Mundo do trabalho e juventude, uma descoberta, a 17 de junho, tendo como colegas expositores, Nilton Vasconcelos - Secretário Estadual do Trabalho e Renda da Bahia, Danilo Moreira – Presidente do Conselho Nacional de Juventude e meu colega de UNE e Luiz Paulo Oliveira – Professor da Universidade Federal do Recôncavo. Além de outras atividades no Congresso, ligadas à juventude trabalhadora, haverá também o Sétimo Congresso da FETAG-BA, a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Bahia, que inicia também no dia 17 de junho, debatendo a política e elegendo a direção de uma das mais importantes organizações da luta camponesa no Brasil.

Cabe mencionar a grata surpresa havida com a leitura da Tese do XV Congresso Nacional da UJS,
cujo lema é Pra ser Muito mais Brasil. Nem terminei, mas a leitura me levou incontinenti a realizar esta postagem. Texto limpo, idéias claras, disposição para enfrentar com a juventude essa singular quadra histórica vivida pelo nosso país. Segundo o texto:
"Ao chegar aos 25 anos, a UJS reafirma seu caráter juvenil, patriótico e socialista.
Juvenil, por entender que não é possível realizar transformações profundas na sociedade sem envolver essa parcela significativa de brasileiros. Patriótico, porque compreende que o imperialismo manifesta sua face mais cruel no processo de desmonte dos Estados nacionais e combate aauto-determinação dos povos. Socialista, por afirmar que apenas com o fim da sociedade dividida entre explorados e exploradores resolveremos as contradições profundas no seio do nosso povo. (...) Por toda essa história, por nos
caracterizarmos como uma “Escola de Socialismo”, lutamos para ser a principal força de mobilização da juventude brasileira na busca pela nova sociedade. É essa a vocação e razão de ser da UJS: lutar pela construção do Brasil socialista!"

Ademais, a UJS avança na compreensão dos dilemas vividos pelo Brasil nesse momento de transição, reafirmando as convicções no seu papel militante e na unidade da juventude como protagonista da mudança para um Novo Projeto nacional de Desenvolvimento. São claros sinais de um maior entendimento do desenvolvimento nacional e uma visão mais abrangente da participação da juventude, através da escola e do trabalho, nesse processo.

Oxalá a renovação de suas fileiras, de seu ânimo militante e de suas bandeiras, lastreados na convicção de seus princípios tão vivos ajudem o Brasil a vencer a batalha de 2010, inclusive nos Estados, fazendo avançar a força da juventude brasileira. E é bom, ainda que por uns dias, estar no meio desse furacão outra vez, sabendo que cresce a consciência dessa moçada de que, seja na escola, na faculdade, no trabalho, militância é pra vida inteira.

Leia também:

Juventude da CTB-BA promove encontro visando o fortalecimento da luta no Estado - Portal CTB

Tese do 15º Congresso Nacional da UJS - Pra Ser Muito Mais Brasil - www.ujs.org.br

Sangue novo e experiência marcam o futuro da FETAG-BA - Portal CTB

sexta-feira, 11 de junho de 2010

I Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB Bahia

Brasil, avançar mais no caminho das mudanças


Juventude trabalhadora: mola propulsora para um sindicalismo autêntico, de luta e renovado

Ampliar a atuação do movimento sindical entre os jovens brasileiros é fundamental para a luta geral dos trabalhadores por uma nova sociedade. Atuando sempre de forma enérgica e irreverente, os jovens de todo o mundo têm sido protagonistas de mudanças importantes na política e de grandes transformações históricas.

Nos últimos tempos, as mudanças ocorridas no perfil do proletariado brasileiro atestam a importância da organização dos jovens trabalhadores. Os jovens trabalhadores estão entre os segmentos que mais sentem a exploração capitalista. Sob o pretexto da “falta de experiência”, a grande maioria dos jovens, quando encontra emprego, recebe baixos salários e é submetida a jornadas acima da média e a condições precárias de trabalho.

Essa situação coloca na ordem do dia – não apenas como reivindicação da juventude, mas do conjunto dos trabalhadores – as lutas por melhores remunerações, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, contra a informalidade e pelo direito ao trabalho e à educação e contra a demissão imotivada.

Em função de diversos fatores, a participação da juventude no movimento sindical ainda está longe de ser a ideal, principalmente se considerarmos a enorme quantidade de jovens participantes da População Economicamente Ativa (PEA) e o papel estratégico desempenhado por esse segmento nos momentos de ascensão da luta dos trabalhadores e nas rupturas políticas.

Atuar entre os jovens trabalhadores significa na prática fortalecer a organização por local de trabalho e a luta contra a exploração e a dominação capitalista. Além disso, uma juventude atuante, com sua característica básica de ousadia e inovação, pode servir de mola propulsora para importantes transformações na organização sindical.

A juventude representa um importante vetor da disputa pela hegemonia das idéias avançadas no movimento sindical brasileiro. Contudo, é imprescindível forjar nas futuras lideranças uma consciência política avançada e classista. *(Resolução do 1º Encontro Nacional de Jovens Trabalhadores da CTB)


O quê: Brasil, avançar mais no caminho das mudanças

I Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB Bahia

Quando: 16 de junho de 2010

Onde: Ginásio dos Bancários

Horário: 08:30 às 20:00

Programação:

08:30 - Ato Político de Abertura

09:00 - Sindicalismo para um novo tempo: Adilson Araújo (Presidente da CTB Bahia)

09:30 - Trabalho e juventude: Paulo Vinícius (Secretário de Juventude da CTB)

11:00 - Os movimentos sociais e o Novo Projeto de Desenvolvimento para o Brasil: Lúcia Stumpf (Coordenação dos Movimentos Sociais-CMS)

14:00 – Intervenção especial: Juventude e Perspectiva Socialista – Juremar Oliveira (Presidente da UJS Bahia)

14:10 - A juventude rural e a luta no campo: Claúdio Bastos ( Diretor da Fetag Bahia)

15:20 – Intervenção especial: Jovens operários: o dia a dia no chão da fábrica – Júlio Bonfim (Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Diretor da CTB Bahia)

15:30 - Cultura e Cidadania – MC William (Nação Hip Hop Brasil)

16:50 – Intervenção especial: A luta nacional pela Isonomia – Augusto Vasconcelos ( Diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Membro da Comissão de Empregados da Caixa)

17:00 - Proposta de Resolução Política/ Eleição do Coletivo Estadual da Juventude Trabalhadora da CTB Bahia

20:00 - FORRÓ DA JUVENTUDE: DAVI CARVALHO E BANDA FAROFA DÁGUA

Realização: Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB Bahia

Apoio: FETAG, FETIM, FEEB-BASE, FECOMERCIO, UJS, JSB, UNEGRO, UBM, CAJAVERDE, IAPAZ, UEB, ABES, UNE, UBES, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica de Camaçari, Sindicato dos Bancários da Bahia.

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