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domingo, 9 de novembro de 2014

Conceição Lemes - o Mais Médicos em Novo Hamburgo: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar” - Blog VioMundo

Viomundo e o Mais Médicos em Novo Hamburgo

Conceição Lemes: “Os médicos cubanos tocam na gente para examinar”

publicado em 6 de novembro de 2014 às 21:04
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O secretário Luiz Carlos Bolzan e o médico cubano Antonio Betancourt fazem  a diferença. Fotos: Robson Nunes 
por Conceição Lemes
Novo Hamburgo, capital nacional do Calçado, fica a 40 km de Porto Alegre (RS).
Até o ano passado, como a maioria das cidades brasileiras, esse município gaúcho tinha falta de médicos.
Não era por escassez de recursos, mas por falta de profissionais para contratar.
Eram 160 para cuidar de 240 mil habitantes. Cobriam apenas 28% da população.
Em setembro de 2013, Novo Hamburgo recebeu os três primeiros médicos do programa Mais Médicos: duas argentinas e um brasileiro formado em Cuba.
Hoje, são 40, dos quais 29 cubanos. Os demais são dois brasileiros formados fora do país (um em Cuba e uma na Venezuela), quatro argentinos, três uruguaios, um dominicano e um venezuelano.
O doutor Antonio Betancourt Léon é um deles. Foi o primeiro médico cubano a atender na Vila Palmeira, uma das áreas mais carentes da cidade. Chegou no início de 2014.
Antes, trabalhou durante dois anos na Guiana Inglesa, num programa de Saúde da Família, parecido com o Mais Médicos, que visa à atenção básica de saúde, ou atenção primária.
Jaci da Silva Carvalho (69), Santa Emília Alves de Almeida (75 anos) e Roseline Quadros Abreu (35) são algumas das dezenas de pacientes que já passaram em consulta com ele. As três moram na Vila Palmeira.
Dona Jaci padece com uma ferida na perna, diagnosticada como úlcera varicosa, há seis anos.
– Quando começa a doer, fico louca. Me tratei no Hospital Operário. Depois, no posto de saúde Santo Afonso. Aí, faziam curativos a cada 15 dias. Não davam nenhum remédio para eu aguentar a dor na hora do curativo. Eu tinha que suportar tudo ali, no osso… Pior é que não melhorava. Eu pedia pra eles trocarem a pomada que eu usava em que casa, porque custava caro, eles não ligavam.
Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"Dona Jaci: "Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando"
Dona Jaci: “Doutor Antonio tirou uma parte dos remédios que eu tomava. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?”
– Hoje em dia, estou me tratando no posto mais ali para baixo, com o doutor Antonio,  do Mais Médicos. Eles tratam a gente com mais carinho. As gurias são muito boas.
– Agora, faço curativo todo dia. Engraçado…devido ao jeito de a guria fazer o curativo, não dói tanto como antes… Estou com muita esperança de que agora vai dar certo…Ah, ia me esquecendo. Não preciso mais comprar a pomada, eles dão pra mim.
-- Se eu entendo o que o doutor Antônio fala? Entendo um pouco, sim, mas levo sempre o meu filho que entende melhor do que eu.
– Guria, tu acreditas que eu estava tomando 25 comprimidos por dia?!  Eu já nem podia mais comer de tanta dor no estômago. O doutor Antonio achou que era muito remédio. Tirou uma parte. Não é que a minha dor no estômago está melhorando?
Dona Santa Emília está muito empolgada:
– Os do Mais Médicos atendem, mesmo, bem melhor. Dão mais atenção ao que gente sente do que os outros médicos. Eu tenho diabetes, hipertensão arterial e problema de coluna, que toda pessoa velha tem…
Roseline tem quatro filhos: 15, 14, 13 e 4 anos de idade:
– Para a minha família, o atendimento está sendo ótimo. Eles examinam a gente!
– Até achei que a comunicação com eles [os médicos cubanos] iria ser difícil. Mas está muito tranquilo. Eles falam bem devagar.
– No outro posto que a gente frequentava antes, às vezes, eu chegava lá com o meu gurizinho de 4 anos com febre, dor de garganta…Os médicos nem examinavam, davam direto ampicilina [um tipo de antibiótico]!
– O meu filho de 15 anos tem muita acne, também está se tratando. O rosto estava se deformando. Ele se sentia tão mal que se fechava em casa. O resultado está bem bom.
– Um dia desses, levei o meu gurizinho. Precisa ver como eles são atenciosos. Eles examinam os olhos, a barriguinha, abrem a boca para ver como estão os dentinhos, garganta…
– A gente não tinha isso antes! Os médicos do Mais Médicos são mais humanos. Eles trabalham com gosto. Eles tocam na gente para examinar! Já os outros a gente percebe não gostam de pôr a mão na gente; às vezes nem olham para o nosso rosto.
AGENTE DE SAÚDE: “TODO MUNDO QUER SE CONSULTAR COM OS CUBANOS”
Emília, Jaci e Roseline estão entre as 215 famílias que a agente de saúde Altiva Motta dos Santos acompanha mensalmente em casa.
Atuando há cinco anos na Vila Palmeira, Altiva tem a mesma percepção das suas pacientes, como mostra esta breve entrevista que fizemos com ela:
– Como está sendo trabalhar com os médicos cubanos? 
– Muito boa. Eles são muito atenciosos. Examinam bem as pessoas. Todo mundo está gostando muito. Eles falam com calma para as pessoas entenderem.
– Algum paciente recusou ser atendido por eles?
– Nããããããão! Todo mundo quer se consultar com eles.  Não é propaganda, falo a verdade.
– O que os pacientes te contam?
– Sobre os outros médicos, era comum eu ouvir: “Fulano não examina, sicrano atende a gente em pé, até na porta; não faz isso, não faz  aquilo…”
Já sobre cubanos, eles dizem: “perguntam tudo sobre a saúde da gente, ouvem o que estamos sentindo, examinam bem, tiram a pressão, colocam a gente na maca…”
– Mudou alguma coisa?
– Melhorou bastante a adesão ao tratamento, às orientações. Os usuários estão mais felizes. E eles estando mais felizes, nós, agentes de saúde, também ficamos mais felizes.
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: "Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros"
Em casa, Dona Emília recebe a visita mensal da agente de saúde Altiva: “Os médicos do Mais Médicos dão mais atenção ao que gente sente do que os outros”
DR. ANTONIO: “A GENTE TEM DE LEMBRAR QUE O PACIENTE NÃO É UMA DOENÇA”
Entrevistando o doutor Antonio, fica claro por que tanto as usuárias quanto a agente de saúde derramam-se em elogios à sua atuação.
Principais observações do médico cubano às minhas perguntas:
– Eu fico muito contente com a reação dos pacientes. O acolhimento foi muito bom.
– No início, por causa da língua diferente, tivemos algumas incongruências, mas agora a comunicação está muito boa. Além disso, a relação médico-paciente é muito, muito, muito legal!
– Eu falo devagar para eles. Ao final da consulta, pergunto se entenderam tudo. E, ainda, peço para eles repetirem pra mim.
– Nós estamos trabalhando com uma população muito pobre. Eles precisam de mais atenção e amor, nós estamos fazendo o possível para dar isso.
– A reação dos médicos brasileiros contra nós, cubanos, foi também político-ideológica e não apenas corporativa.
– Logo que cheguei, fui trabalhar com uma médica brasileira totalmente contrária ao Mais Médicos. Ela não queria saber  da gente. Mas, depois de algum tempo, mudou de opinião e me disse: “Eu gosto de trabalhar com os médicos cubanos. Vocês dão mais atenção aos pacientes e nós temos de aprender como vocês fazem isso”. Hoje somos muito bons colegas. Eu acho que com o tempo a opinião dos médicos brasileiros em relação a nós vai mudar.
– Qual a principal diferença entre a nossa escola de medicina e a brasileira?Pelo que eu detectei até agora, a nossa preconiza fazer muita clínica médica. Ensina-nos a conversar bastante com o paciente, o que é muito importante.  É, para mim, a principal diferença.
– A gente tem que lembrar que o paciente não é uma doença. Às vezes só de conversar com conosco, ele melhora. O entorno dele é quase sempre complicado e nós não podemos ignorar isso.
– Em minha modesta opinião, no Brasil, é preciso fortalecer a atenção básica à saúde.  E o primeiro contato com a população tem de ser o melhor possível. Estamos aqui para ajudar como irmãos, para que o primeiro contato da população com o sistema de saúde seja o melhor possível.
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no país: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Nessa foto, durante a capacitação dos médicos, ele faz uma demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini 
Em Novo Hamburgo, experiência inédita no Brasil: os profissionais dos Mais Médicos usam tablet para acessar o prontuário dos pacientes e acrescentar novas informações. Doutor Antonio foi o primeiro a aprender. Na foto, durante uma capacitação, ele faz demonstração às colegas cubanas Susete Villarreal (de blusa azul) e Ilena Isabel Cabrales (de laranja) e à uruguaia Gabriela Varini
FIM DA CONSULTA DE TRÊS MINUTOS E ASSISTÊNCIA MAIS HUMANA
Pesquisa realizada de janeiro a julho de 2014 pela Secretaria de Saúde de Novo Hamburgo com 564 usuários do programa revela o êxito do Mais Médicos junto à população: 98,6% estão satisfeitos, sendo que 90% deram-lhe notas 9 e 10.
“É o serviço público mais bem avaliado pelos usuários, supera o Samu, os correios e os bombeiros”, observa Luiz Carlos Bolzan, secretário de Saúde do município e presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Consems/ RS).
Os gestores também estão satisfeitos:
* Os médicos do programa estão oito horas por dia na comunidade.
* Têm o perfil para trabalhar com saúde da família e atenção básica.
* Se propõem a atuar em equipe e fazer visitas domiciliares.
Resultado: em Novo Hamburgo, a cobertura da assistência à população saltou de 30% para 76%.
Além disso, a pesquisa feita em Novo Hamburgo já permite detectar alguns resultados positivos Mais Médicos.
O secretário Luiz Carlos Bolzan destaca três:
1. Resgate da prática clínica e da assistência mais humana nos serviços públicos de saúde
Antes a consulta durava três a cinco minutos e se resumia à prescrição de medicamentos a partir de uma queixa, sem fazer qualquer exame clínico. Os pacientes diziam que às vezes o médico nem olhava no rosto deles.
Essa prática está sendo deixada de lado.
Agora, a consulta demora de 20, 30, 40 minutos, permitindo ao médico fazer realmente uma avaliação clínica do pacientes, discutir e prescrever o tratamento.
É justamente a clínica que permite a criação do vínculo médico-paciente.
E se isso acontece, é maior a possibilidade de o paciente seguir as recomendações e retornar à reconsulta. Consequentemente, maior possibilidade de sucesso do tratamento em relação à queixa apresentada.
2. Prescrição mais criteriosa de medicamentos
A pesquisa realizada em Novo Hamburgo revela que os profissionais do Mais Médicos dão menos remédios por receita do que fora do programa.
E quanto menos medicamentos, menor o risco de danos colaterais e maior a possibilidade de o paciente seguir o tratamento recomendado.
3. Aumento das imunizações que não fazem parte das campanhas de vacinação
Por exemplo, a vacina contra a febre amarela, recomendada para quem mora ou vai viajar para áreas de risco da infecção.
Em Novo Hamburgo, o pico coincidiu com a chegada do Mais Médicos.
Isso tem muito a ver com a maior atenção na consulta e no enfoque da prevenção de doenças. Afinal, faz parte uma consulta bem feita, o médico perguntar a todo paciente se está em dia com as vacinas.
SE AÉCIO TIVESSE SIDO ELEITO, MAIS MÉDICOS ACABARIA; IMPOSSÍVEL SEM OS CUBANOS
Não é à toa que, quando questionadas por mim, Conceição Lemes, sobre a hipótese do fim do Mais Médicos e os cubanos irem embora, Jaci, Emília e Rosilene foram taxativas: “De jeito, nenhum!”
Rosilene, mãe de quatro filhos, argumenta: “Todos nós só ganhamos com a vinda deles. Eu acho que eles deveriam ficar aqui para sempre”.
Não é o que aconteceria se Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, tivesse ganhado as eleições.
Explico.
Em julho, durante ato, em Brasília, na Associação Médica Brasileira (AMB), quando recebeu apoio de representantes da entidade, Aécio afirmou, sob os aplausos: “Os cubanos têm prazo de validade, ficarão aqui por três anos.
O número de médicos existentes hoje no Brasil é insuficiente para atender às necessidades do país.
Novos cursos de Medicina estão sendo abertos. Porém, como a formação é demorada – 6 anos de graduação, mais 2 ou 3 de Residência Médica –, esses novos médicos só estarão disponíveis no mercado por volta de 2022.
Cuba é o único país do mundo que forma grande número de médicos. Os cubanos estão sendo fundamentais na epidemia de ebola, na África.
Consequentemente, sem os cubanos é impossível manter o Mais Médicos. Haveria um hiato entre os médicos que estão se formando aqui e as necessidades da população brasileira.
Novo Hamburgo é a prova. Sem o programa, no mínimo 12 mil consultas por mês deixariam de ser feitas, retardando  a sequência de atendimento.
Repercutiria, aliás, em todo o Rio Grande do Sul, onde 76% dos municípios aderiram aos Mais Médicos, que hoje chega a pessoas que antes não tinham acesso à assistência médica: populações rurais, indígenas, de assentamentos dos trabalhadores sem terra, quilombolas, periferias das grandes cidades, pessoas atingidas por barragens.
“O Mais Médicos está democratizando o acesso à assistência médica como nunca se viu antes no país”, avalia Bolzan.
“Contudo, por má-fé ou motivos político-ideológicos, dirigentes de entidades médicas continuam difundindo informações equivocadas. Pena que eles tenham uma visão corporativa tão limitada, a ponto de relegar a saúde da população a segundo plano.”
Em tempo 1: Convictamente. durante anos e anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) bateram na mesma tecla: no Brasil não havia falta de médicos, mas má distribuição deles pelo país.
O Mais Médicos provou que essa afirmação era corporativista e não baseada em evidências científicas: no Brasil, os médicos estão mal distribuídos, sim, mas também faltam muitos profissionais.
O primeiro especialista a mostrar a realidade foi o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina (FMUSP), em entrevista, aqui no Viomundo.
Em tempo 2: Como repórter especializada na área de saúde há 34 anos e usuária do SUS, observo que, no Brasil, a prática da clínica médica é cada vez menos valorizada, prejudicando os pacientes. Há médicos que sequer ouvem direito as queixas dos doentes. Nesse particular,acredito eu, muitos profissionais brasileiros têm a aprender com os cubanos.
Em tempo 3: Se a presidenta Dilma Rousseff  teve a ousadia de bancar o Mais Médicos – afinal, quem precisa de assistência médica, não pode esperar a solução ideal, que é a criação da carreira de Estado –, Novo Hamburgo tem a sorte de contar com um secretário da Saúde exemplar.
Luiz Carlos Bolzan é competente, ótimo gestor, humano e ético. Além disso tudo, 100% comprometido com o SUS, ao contrário de uns e outros que se fantasiam de “susetes” para ficar bem na fita com o pessoal da saúde pública.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fernando Brito: E a médica cubana vai morar em Miami…

Com o Viomundo

O vídeo acima, que nos foi sugerido pelo Jair de Souza, mostra o programa dos Estados Unidos criado especialmente para sabotar a solidariedade cubana

Que coisa feia, Dra. Ramona…Dizer que quer asilo no Brasil só depois de ir à embaixada dos EUA?

5 de fevereiro de 2014 | 17:30

Fernando Brito, no Tijolaço

Ainda não apareceu tudo, mais vai aparecer.

A médica cubana do Caiado mentiu ontem descaradamente aos brasileiros.

Não disse que tinha ido, assim que chegou a Brasília, pedir asilo nos Estados Unidos.

(Os Estados Unidos, ao contrário do Brasil, não pagam a Cuba por ter educado uma multidão de médicos de povão, o que falta na terra do Tio Sam. Eles estimulam a fuga de médicos cubanos, concedendo visto de imigração preferencial e usando uma organização chamada Solidariedad sin fronteras, que paga uma bolsa de sete mil dólares para os que abandonarem o país e fizeram um cursinho para a revalidação do diploma. Mais barato que formar médico, não é?)

Mentiu também ao dizer que foi a Caiado porque estava sendo perseguida pela Polícia Federal brasileira. Estava – se é que estava – sendo procurada porque desaparecera.

Aliás, a história ainda está mal contada. Agora ela saiu cedo de Pacajá (7h) e foi a Marabá pegar um avião até Brasília.

Neste caso, só pode ter chegado a Brasília no final da tarde de um sábado e, a menos que já tivesse tudo combinado por alguém, não ia ter atendimento na missão diplomática, se é que teve.

A doutora não quer morar no Brasil, está na cara. Muito menos em Pacajá.

Ela quer ir para Miami.

Tem todo o direito de querer.

A dona Ramona pode querer ir morar em qualquer lugar do mundo, por nós, mas não venha de historinha mentirosa de que policiais brasileiros a estão perseguindo e nem de usar as instituições brasileiras como trampolins para os Estados Unidos, mentindo.

Ninguém a está perseguindo, e a sua situação não precisa de nada além de uma hipótese para ser entendida.

Se um brasileiro entrar na Imigração americana dizendo que assinou um contrato de trabalho que acha que paga pouco e por isso quer asilo nos EUA o que farão com ele? Convidam ele a sair ou o põe para fora direto, sem mais delongas?

Ainda vai aparecer mais coisa sobre as intenções da Dra. Ramona. Aguardem.

PS. Mais vergonhoso ainda foi o presidente do Conselho Federal de Medicina aplaudir essa manobra e dizer que ela deve mesmo se asilar em outro país. Então o problema não é sua qualidade médica, mas não fazer concorrência aos médicos brasileiros. Porque o salário de R$ 10 mil que brasileiros recebem no “Mais Médicos”, não é de fome, é?

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Brasil 247 - POVO FAZ FESTA PARA MÉDICO CUBANO QUE NÃO ERROU



Afastado do posto de saúde de Feira de Santana, na Bahia, por suspeita de ter dado dose excessiva de dipirona para uma criança, médico cubano é isentado de erro e volta a trabalhar; diante de junta do Ministério da Saúde, mãe de medida diz que receita estava certa; festa popular emociona Isoel Goméz Molina em seu retorno; apesar de todo o ciúme, programa Mais Médicos está fazendo a diferença no interior do País

247 – Não se conhecia, até a tarde desta segunda-feira 25, nenhuma manifestação popular pelo motivo da volta de um médico ao posto de saúde em que está trabalhando. Mas agora aconteceu. Foi em Feira de Santana, no interior da Bahia, e em homenagem ao médico cubano Isoel Goméz Molina.

Afastado nos últimos dias em razão da investigação aberta em torno de uma acusação de dosagem excessiva de remédio para uma criança, ele foi isentado do erro e pode retomar suas atividades no programa Mais Médicos. Foi surpreendido na volta ao trabalho, porém, por uma grande festa.

Entre cartazes que o saudavam, abraços e muitos sorrisos, Isoel foi recebido por um grande número de usuários do posto de saúde. "Quem te inveja te faz valioso. Seja bem-vindo", registrava um dos textos escritos pela população.

O profissional estrangeiro fora denunciado à Câmara de Vereadores da cidade por ter ministrado 40 gotas de dipirona a uma criança. Mas uma junta de médicos formada pelo Ministério da Saúde apurou que a dose tinha a recomendação de ser ministrada ao longo de quatro momentos durante 24 horas, com dez gotas a cada seis horas. A prescrição estava na receita médica emitida e foi explicada verbalmente à mãe da criança, que confirmou a ausência de erro à junta médica.

A denúncia pode ter sido feita por algum integrante do próprio posto de saúde, insatisfeito com a atuação dos profissionais cubanos, mas foi rechaçada durante a apuração – e chamou ainda mais atenção para os acertos do programa Mais Médicos.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Dia da Vergonha - No Ceará a xenofobia veste branco - Rosemberg Cariri - Cineasta Cearense



(Este texto é dedicado ao Dr. Luiz Teixeira Neto e à memória do Dr. Caetano Ximenes de Aragão, dois médicos-poetas e humanistas, que muito me ensinaram da vida e da solidariedade).

Um choque profundo, uma sensação de mal-estar, uma vontade de vomitar... Algo me atingiu em cheio, acho que não no corpo, mas no espírito. Não posso precisar o que senti naquele momento, em que vi, pela TV, o constrangimento que alguns médicos cearenses infligiram aos aqui aportados médicos estrangeiros, em franca ação de hostilidade. Esses senhores, vestidos de branco, em nome dos seus interesses corporativos e econômicos, fizeram um espécie de “corredor polonês”, por onde os médicos estrangeiros, que vieram para trabalhar pela saúde da população, nos mais distantes e miseráveis rincões do país, foram obrigados a passar, entre vaias e xingamentos. Talvez o melhor termo para traduzir o que senti seja a palavra VERGONHA. Acreditem, fui acometido de uma profunda vergonha, ao ver um ato de tamanha hostilização e incivilidade acontecer na minha terra, sob a tutela do Sindicato dos Médicos do Ceará. Pensei comigo: chegamos ao fundo do poço!

Posso compreender toda a mística que se faz em torno do “Ceará Moleque” e do sentido cultural do uso da vaia, ao longo de toda a nossa história. Porém, se ser “Ceará Moleque” é vaiar médicos estrangeiros, afasto-me por inteiro de sua valia como modo de expressão, porque isto me cheira muito mais a xenofobia e a fascismo. Quanto ao significado deste ato, como ação política, podem os senhores sindicalistas ter a certeza de que atraíram para si o desprezo de milhões de cearenses e de brasileiros. Em todo canto deste imenso Brasil, nos últimos dias, não se comenta outra coisa, a não ser esta atitude vergonhosa.

Eu sou de um tempo em que os médicos eram conhecidos pela civilidade, pela erudição, pelo humanismo, pelo saber profundo que nascia de uma vocação, do ser e do construir-se na vida dentro de uma comunidade de destinos. A maioria destes médicos de boa cepa, pois, além de grandes profissionais, eram ainda homens que cultivavam as artes, que sabiam filosofia, que refletiam sobre a vida e o destino da humanidade, colocando a ética como um bem supremo.

Eram homens sábios, homens de tal grandeza, dos quais as comunidades se orgulhavam, chegando a nomear ruas e praças para que as futuras gerações deles se lembrassem, quando eles deixavam o nosso convívio. Quem na vida não conheceu um desses médicos, também escritores, poetas ou filósofos, com os seus ensinamento de caráter iniciático na vida e nas artes? Quem poderia imaginar um médico desta envergadura espiritual vaiando um colega estrangeiro, em um ato cheio de ódio e xenofobia? Impossível imaginar!

Mas o que acontece hoje? No Ceará, alguns médicos hostilizam, de forma escandalosa, estrangeiros com ameaças e xingamentos. É bem possível, que as universidades, sobretudo as universidade e faculdades particulares, fábricas de lucro e de técnicos destituídos de cultura e de humanismo, estejam produzindo estes “monstrinhos vestidos de branco”, analfabetos de qualquer humanismo, incapazes de ler a dimensão humana de um romance de Dostoievsky ou a metafísica de um conto de Guimarães Rosa. Falar em Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Gilberto Freire, Graciliano Ramos ou Euclides da Cunha, perto deles, é falar em javanês. Pobres médicos-tecnocratas, jogados a um convívio viciado e naturalizado com a indústria farmacêutica, quantas vezes submetidos aos grandes laboratórios que, em nome do lucro e da ganância capitalista, erguem o seu reinado da morte, travestidos de tecnologias arrojadas e mascarados de patentes.

Quando vi estes jovens médicos, feito moleques incultos e incivilizados, vaiando e xingando os seus colegas estrangeiros de profissão, pensei comigo mesmo: esperem, mas não somos todos netos de estrangeiros? Não vivemos em um país que nasceu de um grande encontro de povos e culturas? Não é esta a grande característica do nosso país? Não é a generosidade e a hospitalidade o nosso maior tesouro? A cena brutal e humilhante imposta aos médicos estrangeiros, fez-me imaginar os nossos avós estrangeiros sendo vaiados, forçados a passar pela humilhação do xingamentos e do preconceito, nos corredores poloneses armados pelos “reacionários nacionalistas” da época (filhos também de estrangeiros).

Não devíamos receber estes irmãos cubanos, espanhóis, portugueses, ucranianos, venezuelanos, mexicanos e de tantos outros países, com água de coco e maracatu? Não devíamos recebê-los ao som de violas e rodas de coco? Não deveríamos aplaudir aqueles que quisessem ficar e ajudar na construção da grande nação, da mesma forma que fizeram os nossos avós, que aqui chegando, casaram-se com gente de todas as raças e nos fizeram mestiços e multiculturais? Não somos nós os herdeiros de mil e um povos e de mil uma culturas?

O que aconteceu no Ceará neste triste episódio ficará registrado nos anais da nossa história como o Dia da Vergonha, o dia em que o fascismo triunfou sobre a solidariedade e a universalidade que tem marcado, por definição cultural, o espírito do povo cearense e brasileiro.

Acredito que os médicos cearenses, humanistas e éticos, farão uma “Carta de Desagravo”, pedindo desculpas aos colegas estrangeiros que aqui chegaram. Da minha parte, como cidadão cearense, torno público que não compartilho com esta vileza e, em meu próprio nome, peço desculpas aos médicos estrangeiros hostilizados, acreditando que este pedido de desculpas é o pedido de milhões de cearenses e de brasileiros que padecem nos mais profundos sertões, praias, florestas e montanhas, sem médicos e solidariedade nenhuma por parte daqueles que deviam ter como missão o sagrado dever do amor e da solidariedade, acima da sede do lucro e da ascensão social.

Para concluir este meu simples ato de indignação, cito um fato cotidiano. Discutia o grave acontecimento com um motorista de táxi e dizia a ele que iria escrever sobre o assunto. Do alto da sua sabedoria, o motorista de táxi, aconselhou-me: “Escreva não. Um dia o senhor pode chegar em um hospital, cair nas mãos de um deles e eles podem desligar os aparelhos”. Eu que preparava-me para fazer duras acusações contra os “vândalos vestidos de branco”, terminei defendendo-os, quando de pronto respondi: “Nisto eu não posso acreditar! Sei sim, que estes médicos que hostilizaram os médicos estrangeiros, com vaias e xingamentos, agem como moleques, como xenófobos pequeno-burgueses e corporativistas, mas não acredito que as faculdades de medicina do meu país estejam também forjando potenciais assassinos”. Acreditar nisto seria descrer não apenas da medicina, mas da sua deontologia, como princípio e garantia de regulação ética das normas que regulam esta profissão, cunhada, desde os seus primórdios, para proteger e salvar a vida humana.

De qualquer forma, cito o fato, para que estes equivocados “médicos-moleques” saibam qual o conceito que terminaram por cravar no coração das pessoas, com tal espetáculo público de despreparo profissional.

(Escrito por Rosemberg Cariry, cineasta. Fortaleza – Ceará, 27 de agosto de 2013).

domingo, 25 de agosto de 2013

UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS - Hélio Doyle

Parece que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos, indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação de diploma também não é argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a língua falada é o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi entrave.
Resta, assim, a forma de contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora ocorram rotineiramente.

1 – Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos, operários especializados e funcionários administrativos, todos eles empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los, ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.

2 – Os governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio que é a empresa estatal brasileira.

Por que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para seus empregos públicos.

Não teria o menor sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados diretamente pelos governos desses países. Trata-se de uma prestação de serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos quadros de saúde daquele país.

A outra crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$ 10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o Estado.

A possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade (quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e pela solidariedade, e não pelo lucro.

É difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da assistência à saúde no Brasil.

http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/112780/Entenda-por-que-médicos-cubanos-não-são-escravos.htm

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Médicos cubanos pedem respeito e dizem que vêm trabalhar para o povo brasileiro - Agência Brasil

Daniel Lima - Repórter da Agência Brasil


Brasília - O primeiro grupo dos 206 médicos cubanos que vão trabalhar no Brasil desembarcou hoje (24) à tarde no país. No Recife, ficaram 30 profissionais e 176 seguiram para Brasília, onde chegaram à noite. Ao desembarcar, Oscar González Martinez, graduado há 23 anos e especialista em atenção à família, disse que tinha grande expectativa em trabalhar com a população brasileira.

Martinez disse que veio ao Brasil por várias razões, entre elas, a oportunidade de trabalhar para o povo brasileiro. Sobre a polêmica em torno do pagamento dos salários, que serão feitos por meio do governo cubano e não diretamente aos profissionais, González disse que isso é o que menos importa, pois tem o emprego garantido em seu país e parte dos recursos irá para ajudar o seu povo.

“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro que existe há muito tempo”, disse.


A médica Jaiceo Pereira, de 32 anos, lembrou, bem-humorada, que, apesar de ser a mais jovem do grupo, tem bastante experiência profissional e no início de sua formação já trabalhava com saúde da família. Ela pediu o apoio do povo brasileiro e respeito aos profissionais de seu país. “Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos", disse. “Queremos dar amor e queremos receber amor.” Já Alexander Del Toro destacou que veio para trabalhar junto e não competir.

Um grupo de 25 simpatizantes do socialismo e de Cuba esteve no Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek com cartazes. Durante a longa espera, que durou mais de duas horas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Cubano amigo, Brasil está contigo” e “Brasil, Cuba, América Central, a luta socialista é internacional”.

Em meio às manifestações de apoio, Ana Célia Bonfim, que se identificou como médica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal chegou a gritar entre os manifestantes que tudo não passava de uma “palhaçada”. “Profissional troca alguma coisa por bolsa. Isso não é coisa de profissional. Pelas condições que tem o médico cubano, claro que eles vão trocar isso pelas condições brasileiras. Mas isso é exploração de mão de obra”, disse.

O restante dos médicos cubanos desembarca amanhã (25) em Fortaleza, às 13h20, no Recife, às 16h, e em Salvador, às 18h, segundo o ministério. Ao todo, 644 médicos, incluindo os 400 cubanos, com diploma estrangeiro chegam ao Brasil até este domingo (25). Na sexta-feira (23), começaram a chegar os médicos inscritos individualmente em oito capitais.

Os profissionais cubanos fazem parte do acordo entre o ministério com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para trazer, até o final do ano, 4 mil médicos cubanos. Eles vão atuar nas cidades que não atraírem profissionais inscritos individualmente no Programa Mais Médicos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as críticas das entidades médicasque questionam a formação médica dos profissionais cubanos.

Na segunda-feira (26), tantos os médicos inscritos individualmente (brasileiros e estrangeiros), quanto os 400 cubanos contratados via acordo, começam a participar do curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Após a aprovação nesta etapa, eles irão para os municípios. Os médicos formados no país iniciam o atendimento à população no dia 2 de setembro. Já os com diploma estrangeiro começam a trabalhar no dia 16 de setembro.

O curso vai ter carga de 120 horas com aulas expositivas, oficinas, simulações de consultas e de casos complexos. Também serão feitas visitas técnicas aos serviços de saúde com o objetivo de aproximar o médico do ambiente de trabalho.

* Colaborou Ana Cristina Campos
Edição: Fábio Massalli//A matéria sofreu ajuste às 14h24, do dia 25/08/2013 para corrigir a grafia do primeiro sobrenome do médico cubano Oscar González Martinez. Anteriormente, González estava grafado com a letra "s" ao final
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sábado, 17 de agosto de 2013

800 MIL REAIS PARA FORMAR UM MÉDICO NA UNIVERSIDADE PÚBLICA: CONSERVADORISMO DE BRANCO É ATRASO, BRENO ALTMAN - BRASIL 247




Procure os negros na foto, por favor

Em análise exclusiva para o 247, o jornalista Breno Altman comenta os protestos de médicos contra o programa do governo federal que visa ampliar a oferta de profissionais no SUS; "sua natureza reside em defender privilégios corporativos, contrapostos aos interesses do país e aos direitos da cidadania", diz ele; Altman lembra que a formação de um médico custa R$ 800 mil à União; "Parte expressiva da categoria, diplomada em instituições do Estado, não está nem aí para a hora do Brasil e se acha no direito de pensar apenas em carreira pessoal e montar um rentável consultório privado em alguma metrópole"



Por Breno Altman, especial para o 247As manifestações de médicos, nessa última terça-feira, revelam um núcleo duro e mobilizado das elites brasileiras. Sua influência nos meios de comunicação, na sociedade e nas instituições já ameaça o programa de saúde recentemente lançado pelo governo. A julgar pelas emendas apresentadas na Câmara dos Deputados, a desfiguração desse projeto será inevitável.
O Palácio do Planalto pode estar pagando um preço por ter agido de forma atabalhoada, sem consultar e articular as correntes mais progressistas da medicina, o que seria obrigatório para batalha dessa envergadura. Mas a reação não é contra eventuais falhas de interlocução: sua natureza reside em defender privilégios corporativos, contrapostos aos interesses do país e aos direitos da cidadania.
As três principais bandeiras nas marchas dos jalecos brancos são elucidativas. São contra a extensão da residência em dois anos, com obrigatoriedade de servir o Sistema Único de Saúde. Não concordam com a vinda de doutores estrangeiros para cobrir déficit de profissionais, especialmente nos rincões do país. Reivindicam a derrubada do veto presidencial sobre o chamado Ato Médico, que fixava supremacia da categoria em relação a outros trabalhadores do universo sanitário.
São reivindicações de quem olha para o próprio umbigo. Insuflada pelos extratos mais ricos e articulados com o conservadorismo, a mobilização médica não entra na briga para a melhoria da saúde pública. Seus maiores aliados são os que comandaram campanha para eliminar a CPMF e retiraram cerca de 40 bilhões de reais anuais para o financiamento do setor.
Não passa de deslavada hipocrisia quando se afirma que o problema não é a falta de médicos, mas a carência de estrutura nos hospitais e centros de atendimento. As dificuldades são inegáveis, isso é fato. No contexto deste embate, porém, não passam de álibi para que o andar de cima possa fazer sua vida sem reciprocidade com os milhões de brasileiros que suaram a camisa e pagaram impostos para garantir a existência de boas faculdades públicas de medicina.
O Brasil tem um número pífio de médicos, na proporção de 1,8 para cada mil habitantes. Na Inglaterra, esse índice é de 2,7. Em Cuba, de 6. Nos últimos dez anos, surgiram 147 mil novas vagas no mercado de trabalho, mas apenas 93 mil profissionais foram formados. Há 1,9 mil municípios com menos de um médico por 3 mil habitantes. Em outras 700 cidades, não há doutores com residência fixa. Nem é preciso dizer que esses 2,6 mil municípios sem assistência adequada estão entre os mais pobres e distantes dos grandes centros.
O governo criou o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), para levar médicos ao interior e aos subúrbios. A demanda era de 13 mil trabalhadores, mas apenas 3,8 mil postos foram preenchidos, apesar do salário de 8 mil reais que é oferecido, agora aumentado para 10 mil no Programa Mais Médicos. Até mesmo bairro periféricos de cidades importantes, como Porto Alegre e São Paulo, não conseguem atrair interessados.
Parte expressiva da categoria, diplomada em instituições do Estado, não está nem aí para a hora do Brasil. Não quer sair de sua zona de conforto e se acha no direito de pensar apenas em carreira pessoal e montar um rentável consultório privado em alguma metrópole.
Entidades da área, especialmente o Conselho Federal de Medicina, fazem de tudo para impedir a ampliação do número de faculdades (em nome da qualidade de ensino, é claro) e a contratação de médicos estrangeiros ou formados no exterior. A reserva de mercado, para essa gente, está acima da saúde pública.
E essa gente é muito diferenciada. Enquanto 40% do total de alunos da Universidade de São Paulo frequentaram colégios públicos, na Faculdade de Medicina essa origem restringe-se a 2% dos matriculados. Na turma de 2013, nenhum deles era negro. Médicos ricos querem ficar mais ricos atendendo os ricos. Como os pobres têm bem menos chances de ganhar o canudo, esses que se lasquem.
O governo tentou resolver o problema apenas por métodos de atração. Não encontrou auditório. Resolveu, então, adotar um modelo semelhante àquele adotado, há décadas, por países tão distintos quanto Israel e Cuba, instituindo uma variante de serviço civil obrigatório, ainda que bem remunerado.
A formação de um médico, na universidade pública, custa ao redor de 800 mil reais para o tesouro da União e dos estados. Nada mais justo que haja alguma forma de retribuição pelo aporte realizado por toda a sociedade para cada indivíduo que virou doutor. Dois anos de reembolso, com um razoável contracheque, é uma bagatela. Vale lembrar que o dever do Estado é com o povo, não com os médicos.
Talvez os estudantes das faculdades privadas pudessem estar isentos dessa medida, mas todo o cuidado é pouco para evitar que os endinheirados aproveitem brechas para escapar de sua obrigação social, trocando de curso. Uma ou outra correção cabe ser feita, mas o ministro da Saúde e a presidente Dilma Rousseff estão cumprindo sua tarefa constitucional.
O que falta, além de mobilizar os setores da saúde favoráveis às providências adotadas, é travar uma batalha de valores mais firme sobre o programa em discussão. Por enquanto, parece que a preocupação principal é acalmar a ira de médicos ensandecidos pelo egoísmo de classe. O objetivo principal deveria ser debater os deveres de solidariedade dos que recebem privilégios e os direitos de todos a receber assistência médica de qualidade.
Não se pode dar moleza a porta-vozes da ignorância e má fé. Quando personagens como Cláudio Lottenberg e Miguel Srougi se voltam contra a vinda de médicos cubanos, há pouco o que acrescentar. Mentem descaradamente sobre a qualidade desses especialistas, cuja proficiência é atestada pela Organização Mundial da Saúde e pelas 65 nações nas quais trabalham para suprir deficiências locais.
Afinal, seria um horror para o reacionarismo de branco assistir médicos da ilha de Fidel, muitos entre eles negros, pegando no batente em locais para os quais seus colegas brasileiros viram as costas e tapam o nariz. A nudez de seu comportamento lhes seria insuportável.
Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Duas médicas explicam porque aceitaram o Mais Médicos - Pragmatismo Político


Duas médicas do grupo de 45 profissionais que passará a atuar em São Paulo revelam porque encararam desafio do programa Mais Médicos


Kátia vê no programa federal a oportunidade de tratar os mais carentes (Foto: Marcello Palhais/Diário SP)

Beatriz da Costa Thome tem 35 anos, estudou em uma universidade pública da capital, já trabalhou em Moçambique, Quênia, Congo, Ruanda e Costa do Marfim, na África, e em Seattle e Nova York, nos Estados Unidos. Agora ela vai atuar em São Paulo. Kátia Regina Marquinis tem 39 anos, estudou em uma faculdade pública do interior, trabalhou quase toda carreira na capital e, em breve, estará em São Bernardo do Campo, na região do ABC.

Ambas fazem parte do grupo de 45 médicos que passará a atender em setembro na capital e demais regiões do estado de São Paulo pelo programa Mais Médicos do governo federal.

A primeira é pediatra especializada em saúde pública e, a segunda, é oftalmologista com especialização em uveítes (inflamações em diversas estruturas do olho, associadas a outras doenças).Leia também

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Apesar das diferenças, ambas têm algo em comum: a vontade de retribuir a oportunidade de ter cursado medicina em uma instituição pública prestando atendimento às camadas mais pobres e vulneráveis da sociedade.
SONHO

Após se formar e fazer residência na Escola Paulista de Medicina, Beatriz se inscreveu em um programa da Universidade de Columbia, dos EUA, para tratar de crianças em Moçambique, onde 16% da população têm Aids. “Além de problemas de saúde corriqueiros, me especializei em HIV.”

Foram quatro anos e, em seguida, a pediatra foi fazer um mestrado nas duas cidades norte-americanas. Há seis meses ela retornou ao Brasil, mas retornava à África em viagens esporádicas. Quando soube do Mais Médicos, não teve dúvida em inscrever-se.

“O SUS é um modelo visto como exemplo no exterior, mas aqui é pouco valorizado. Como trabalhei muito tempo fora, sempre quis ver o sistema de saúde fortalecido no Brasil, que é a nossa solução. É um desafio, mas a saúde precisa chegar a quem vive em locais mais distantes”, diz. Ela escolheu São Paulo pela família, mas a segunda opção era o Distrito Sanitário Especial Indígena do Xingu.
‘Como cidadã brasileira decidi fazer minha parte’

Kátia Regina Marquinis fez medicina na Faculdade de Medicina de Jundiaí, mas, assim que se formou, veio para São Paulo para cursar o período de residência no Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual). Lá, começou a se especializar em cardiologia, mas resolveu mudar de área e optou, depois, por oftalmologia.


Pediatra Beatriz Thome é mestre em saúde pública e já trabalhou em vários países (Foto: Alexandre Moreira/ Diário SP)

Dentro dessa especialidade, Kátia se aprofundou em uveítes porque normalmente há outras doenças associadas à inflamação nos olhos e, por esse motivo, ela também precisava ter um denso conhecimento de clínica geral, com a qual tinha afinidade. “Gostei muito da área pois precisava tratar quase todo tipo de doenças mais comuns, como tuberculose e hipertensão”, explica.

A oftalmologista também sempre teve gosto por ensinar e aprender e, por isso, tornou-se preceptora (professora médica que ensina os residentes) voluntária do Iamspe. Depois desse período, Kátia foi trabalhar em um hospital privado com um setor filantrópico (que atende pelo SUS), onde ela também foi preceptora. “Ali eu percebi a demanda por médicos, as filas enormes na espera por atendimento”, conta. “Mas era algo que já vinha me incomodando, sempre tive isso dentro de mim e vi no Mais Médicos a oportunidade de atender a população mais carente do entorno da Grande São Paulo. Como cidadã brasileira decidi fazer minha parte oferecendo meu trabalho a áreas onde há maior vulnerabilidade social.”
Maior parte das vagas não foi preenchida

Lançado em 8 de julho, o Mais Médicos quer melhorar o atendimento no SUS, acelerar os investimentos em infraestrutura nas unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país. A bolsa federal é de R$ 10 mil. Mas, até agora, só 938 das 15.460 vagas que os municípios informaram precisar foram preenchidas.

Filipe Sansone, Diario de SP

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