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sábado, 15 de março de 2014

Cartão vermelho para o racismo - Aldo Rebelo



Artigo do ministro Aldo Rebelo* publicado no jornal Diário de São Paulo.

O Ministério do Esporte vai relançar o livro O Negro no Futebol Brasileiro, publicado originalmente em 1947 pelo jornalista Mário Filho e entronizado como um estudo clássico do esporte no País. Em
edição bilíngue, a obra insere-se no propósito de realizarmos uma Copa do Mundo sem racismo. E mais que isso: um reconhecimento da contribuição do negro à formação social brasileira e exaltação à
mestiçagem que nos distingue como nação.

O racismo é uma das infâmias mais antigas e resistentes desde que o mundo é mundo. As abolições da escravatura, o avanço geral do processo civilizatório, o progresso dos direitos humanos atenuaram sua prática institucionalizada, mas a discriminação e o preconceito sobrevivem não mais como políticas de Estado e sim nas relações sociais e de trabalho. No esporte aparece, intermitente mas sempre abjeto, em
manifestações de torcedores contra jogadores negros - ainda que a torcida não seja um enclave ariano.

Ao contrário, o último episódio de repercussão internacional, quando o brasileiro Tinga, do Cruzeiro, em jogo com o Real Garcilaso pela Libertadores, foi apupado por guinchos que o relacionavam ao macaco,
ocorreu no Peru. O país é fortemente miscigenado. A uma pesquisa de 2006 do Instituto Nacional de Estatística e Informação a população declarou-se mestiça (59,5%), quíchua (22,7%), aimará (2,7%),
amazônicos (1,8%), negra/parda (1,6%), branca (4,9%) e outros (6,7%).

Como podem membros de uma nação com tal composição étnica, construída com o esforço comum do colonizador espanhol branco, índio nativo e escravo africano grunhir num estádio de futebol que negro é macaco?

Se é episodicamente contaminado por tais vilanias, o esporte mais popular do mundo, elevado à categoria de arte justamente pelo bailado dos jogadores negros, propicia em seu campeonato mundial a oportunidade de darmos o cartão vermelho a essa atitude infame.

Ao tratarmos do problema do racismo, na coluna da semana passada, abordamos, além da oportuna reedição pelo Ministério do Esporte do livro O Negro no Futebol Brasileiro, também a agressão ao jogador Tinga, do Cruzeiro, em jogo no Peru. Mas logo a seguir registraram-se episódios semelhantes no Brasil. O juiz Márcio Chagas da Silva foi xingado por torcedores do Esportivo, em Bento Gonçalves (RS), e o volante Arouca, do Santos, por seguidores do Mogi Mirim (SP).

Não fosse uma infâmia em qualquer campo, hostilizar um jogador negro é o clímax da impertinência. Foi do patrimônio genético dos negros que o futebol brasileiro extraiu a ginga que o singularizou em relação à cintura dura dos europeus. Como insultar, pela cor da pele, artistas da bola do naipe de Friedenreich, Leônidas, Zizinho, Fausto, Didi e aquele que basta chamar de Rei?
País escravocrata, como todos, o Brasil ostenta peculiaridades nas relações humanas que nos distinguiram das nações em que o racismo foi institucionalizado, a exemplo dos Estados Unidos. Era legal negros serem apartados nas relações de trabalho e no cotidiano, não podendo frequentar o mesmo espaço dos brancos, como um banco de escola ou de ônibus.
Fomos pioneiros em leis antirracistas, como a Afonso Arinos, de 1951. Construímos uma civilização em que, do ponto de vista étnico, o ponto mais importante é a miscigenação. Às vésperas de uma Copa que faremos em paz e sem racismo, não podemos reproduzir atitudes mais comuns a países da Europa, onde amiúde jogadores negros se queixam de insultos raciais.
Infelizmente, os instrumentos legais para repressão são limitados, e as investigações que conduziriam a punições, sofríveis. Não basta interditar estádio nem apenar o clube cuja torcida insulta a cor do adversário. Urge castigar os criminosos ao menos com a brandura da lei que define esses atos infames como simples injúria pessoal.

Aldo Rebelo é ministro do Esporte

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Você torce contra o Brasil na Copa? Que bonito, hein?! Paulo Vinícius Silva (Versão final) *

Sou, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amôÔÔÔR.

Amigos e amigas! Torci pelo Brasil em TODAS as Copas que vi, e até as em que não vivia, nunca tive dúvida. Agora, querem alguns quadrúpedes bicéfalos que eu torça contra a Copa do Mundo no Brasil!? E ainda querem se passar por gente preocupada com o país, com o povo pobre, passar por gente de esquerda? É realmente um posicionamento digno do elogio da  fina flor da CIA, do MOSSAD, do Partido da Imprensa Golpista!

Meu amigo, minha amiga, como diz-se no Ceará, te alui! Abre os olhos, criatura! Quer votar nos tucanos, assume, tira a máscara, pode deixar o amarelo do bico sair por detrás dessa tinta guache avermelhada. Pode tirar a camisa e mostrar a bandeira estadunidense. Sim, porque ainda que não saiba, é um tucano de bico vermelho e roupas íntimas nas cores do imperialismo.

Poucos sinais de falta de agenda, candidato e apoio popular são mais explícitos que essa farsa contra o futebol, o Brasil e os interesses do seu povo, torcer contra o Brasil na Copa do mundo no Brasil e lamentar termos derrotado os EUA - o Obama, fí - com a conquista de ser também a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

É preciso não conciliar com alguns temas. Perguntemos claramente: você não torce pelo Brasil?! Tudo bem que vai ser derrotado, mas justifique, por favor!

Esporte é direito, economia, desenvolvimento e o futebol é cultura brasileira!

Sou filho de um esportista cearense, Seu Louro. Goleiro, Massagista, Árbitro. Um homem que só fazia o que queria e fazia questão de fazer o certo. Daí nunca ter trabalhado em outra coisa, senão na grande paixão de sua vida, o esporte e em especial o futebol. Não era o amor a um time, era o amor à arte, à profissão, ao esporte. Ele sempre quis estar lá, mudou de atividades dentro do esporte. Nunca se aposentou do futebol. Uma incontornável ponta de tristeza vem ao perceber que o Seu Louro gostaria de ver esse momento do nosso país.

Eu lembro do jeito dele de andar - jeito de jogador -, lembro das roupas, das meias, uniformes, produtos, do grito e da coragem, do jogo limpo - meu pai jamais se vendeu, era incorruptível, meu pai nem devia. Lembro da concentração absoluta quando assistia e da preocupação, e como meu pais explicava todos os fenômenos materiais e espirituais da História humana a partir de casos futebolísticos, históricos, de pessoas do futebol cearense.

E graças ao futebol e à escola de minha mãe, foi que nos sustentaram e criaram tão dignamente meus pais. É a partir dessa vivência que vejo incrédulo alguns argumentos que querem ser politizados porque contrários ao futebol.

Penso nos que trabalham, amam, sofrem, vibram, gritam pelo futebol. E eu me comovo quando imagino a força desse grito imenso dizendo o nome do Brasil, na conquista do hexacampeonato na Arena renovada do Maracanã, penso quando o que isso faria ao povo brasileiro, se somos capazes de a partir disso melhorarmos o nosso país.

Devemos sim, como qualquer Nação, ter orgulho de nosso resultado como civilização, que avança, que melhora a vida das pessoas e amplia o acesso e o acervo de direitos. O Brasil é um país em construção, e tem avançado.

Louro Massagista, meu pai, aficionado, atleta, militante e trabalhador do futebol cearense

O Seu Louro me ensinou o sentido mais profundo do futebol, como vida e sonho de multidões de brasileiros e o espaço de projeção de inúmeras lideranças negras e indígenas como expressões maravilhosas do que é o talento brasileiro. São tantos nomes, mas Pelé, Garrinhcha, tantos poderiam ser citados como expressões magníficas do que é ser brasileiro?

Eu quero é a minha camisa da Seleção.

Apesar da resistência de meus pés-chatos e de meu sedentarismo, escandaliza-me perceber esse jeitinho "blasé" - cara de taboca rachada - daqueles que creem ser de esquerda, ou politizados, ou honestos, ou corretos, por denunciar o esporte, o futebol como coisas desnecessárias, supérfluas, sem sentido. Sinto dolorosamente que não possam perceber o que há de belo e os sonhos e as vidas envolvidas na potência do futebol que é o nosso país. Essa posição é mais um dos sinais de coisa muito estranha por trás dessa antipatia contra o povo brasileiro, contra o Brasil. É coisa de fora, de interesses contrários ao Brasil e a seu povo. Futebol é economia, é trabalho, é indústria, são serviços, ignorá-lo no Brasil é gravíssimo sinal de falta de contato com a realidade.

Afinal, porque tamanho desprezo pelo Brasil e pelo seu povo? Esporte deve ser um direito, em especial para quem não pode pagar as academias, os "personal trainers". O socialismo sempre dinamizou e popularizou o esporte. Como desconhecer o trabalho qualificado por trás do futebol, o trabalho dos operários por trás das colunas, o trabalho dos taxistas, garçons, jornalistas, como desconhecer que num momento como esse, de crise capitalista,em que nosso país se levanta, em que abrirmos caminhos para investir como jamais fizemos em educação; esse momento em que estamos com os índices mais baixos de desemprego da História, em que uma mulher preside o país, em democracia, por que não podemos celebrar a Copa do Mundo no Brasil?

Como não perceber que essa sabotagem contra a Copa aqui visa não apenas a dinamitar a nossa auto estima, aproveitar-se de modo nefasto do calendário eleitoral para prejudicar o país e sua imagem diante do mundo?! O Brasil é o anfitrião! Será que é duro demais perceber que detonar a Copa é agenda da Direita - e de quem quer derrotar o Brasil em solo pátrio?  Por que você não torceu contra as outras Copas, lá fora?! Que papelão!!!

Acabou o tempo de brincar, temos de contribuir com a vitória dos nosso país. E que a Copa seja a maior de todas, e o Brasil receba com carinho quem vem conhecer nossas virtudes universalmente reconhecidas. Povo acolhedor e educado, povo único e mestiço, caldeirão, povo vencedor, uma democracia de muitas dezenas de milhões, uma classe trabalhadora que cresce e uma juventude que deseja ser parte do Desenvolvimento, também no Esporte.

A Economia do Esporte, o impacto dessas atividades acabou servindo como chance de fazer investimentos emergenciais em cidades claramente surpreendidas pela ascensão de uma numerosa e jovem classe trabalhadora a partir da Eleição de Lula em 2002.

A Copa e as Olimpíadas, desse modo, permitem investimentos inadiáveis e ainda pequenos para o necessário. E interessa-nos muitas oras, o crescimento da economia, a ampliação do direito a uma vida digna e investimentos de mais longo prazo. Assim, o problema não são as obras, muito ao contrário, são a solução. A oposição que critica as obras, o desenvolvimento, a distribuição de renda, deseja que o Brasil patine em meio à crise capitalista. Se fosse diferente não se oporiam a investimentos importantes sobre todos os aspectos.

Por que negar os avanços no transporte público, no emprego, no turismo, na renovação de arenas que passaram 40 anos sem investimento, até o ponto de matar torcedores, como na Fonte Nova? Por que não celebrar a expansão dos aeroportos para atender a crescente demanda do transporte aéreo? Por que você não vibra com as centenas de milhares de pais de família que se empregarão agora e depois com os avanços do Esporte no Brasil?

A ultra-direita pinta-se de vermelho e esconde a cara pra confundir!
Queridos(as) será que não dá pra ver que há quem torce pela derrota do Brasil na Copa, na economia, na eleição de 2014? De que lado você joga? Eu não sou um fã tradicional do futebol. Mas sou brasileiro, comunista, e não sou burro. Nessas horas, cumpre resgatar Nelson Rodrigues, aquele reaça - muitas vezes- , aquele revolucionário - muitas mais. Pois bem, Nelson tem um incontornável acerto político. Ele denuncia o COMPLEXO DE VIRA LATAS no brasileiro. E o caracteriza em seu útero: na grã-fina das narinas de cadáver. 

E digo mais: os "honestos" preocupados com o dinheiro que se gasta nos estádios, porque não denunciam a SELIC de 10,5% ao ano? Por que defendem que o melhor contra a corrupção é parar o Brasil? Que eu saiba, o correto é o contrário: faça-se e puna-se quem tiver de ser punido, oras! Parar o Brasil só interessa aos inimigos do país, do desenvolvimento, dos trabalhadores e trabalhadoras e da juventude.  Papo furado: essa "esquerda" que acha que o Brasil não pode ter estádio, rodovias, portos, hidrelétricas, defesa nacional compatível com a atual realidade, satélites, não é esquerda, é a turma do Malan, são os ultraliberais da escola austríaca, são infiltrados com discurso pseudo-esquerda e pseudo-ambientalista e pseudo-ético. Olha a classe mérdia aí querendo encobrir suas podridões com a legitimidade da esquerda. E ainda tem abestado que acredita.

Aposto com quem quiser que o povo trabalhador não admitirá essa imbecilidade, essa traição, essa sabotagem. Multidões, de verde amarelo atropelarão esse crime de lesa pátria, essa burrice rutilante, essa armadilha da direita contra o Brasil e seu povo! Explique-se quem quiser torcer contra o Brasil. Não me interessa, serão derrotados. O Brasil vai ser Hexa. E se há, na História, uma Copa a celebrar, é a Copa do Mundo de 2014, ano indispensável para se defender o Brasil!

PS- Tive de refazê-lo. Havia erro e lacunas.
PV

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sábado, 3 de março de 2012

Aldo Rebelo pede que Fifa retire o contraditório Jérome Valcke - Portal Vermelho

Aldo Rebelo pede que Fifa retire o contraditório Jérome Valcke - Portal Vermelho

Ao rebater declarações contraditórias do secretário-geral da FIFA, Jérome Valcke, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou neste sábado que vai pedir ao presidente da entidade, Joseph Blatter, que retire Valcke do cargo de interlocutor com o governo do Brasil para os assuntos relacionados a Copa do Mundo de 2014.

"As declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro. As declarações contradizem completamente com o que o próprio secretário falou em sua visita no dia 17 de janeiro. As informações não são verdadeiras, porque os estádios estão inclusive adiantados ao cronograma inicial da Copa", disse Rebelo, comentando declarações dadas pelo secretário-geral da Fifa.

"Diante dessas declarações, que são palavras inadequadras e inaceitáveis para qualquer tipo de relacionamento, o governo brasileiro vai enviar uma carta ao Blatter informando que não aceita mais o secretário geral, Jérome Valcke, como interlocutor. O governo brasileiro vai continuar trabalhando com a certeza que o Mundial será um sucesso", completou.

Durante entrevista coletiva concedida na manhã deste sábado (3) em um hotel de São Paulo, o ministro disse que “o governo não aceitará mais o secretário-geral como interlocutor nesses assuntos da Fifa”. Para o ministro, o governo brasileiro não pode dialogar com um interlocutor que “emite declarações descuidadas e intempestivas”.

Segundo Rebelo, a maior parte das obras dos estádios brasileiros para a Copa do Mundo está seguindo o cronograma previsto. As únicas obras que estão um pouco mais atrasadas com relação ao cronograma, de acordo com o ministro, são as dos estádios de Cuiabá, Manaus, Recife e do Rio de Janeiro. “Já as obras de mobilidade urbana, do total de 51 [obras previstas para serem realizadas], a previsão continua sendo a de entregar pelo menos 42 em 2013”.

Rebelo reforçou que não há razão para que o Brasil não receba a Copa do Mundo. “O Brasil tem hoje a infraestrutura, a logística e a capacidade de realizar um evento dessa natureza”, disse.

Em entrevista concedida sexta (2), Valcke disse que as obras para a realização do Mundial no Brasil "estão em estado crítico", chegando a dizer que os organizadores "precisavam de um pontapé na bunda" para, segundo ele, as coisas andarem.

"As coisas não estão funcionando no Brasil. Muitas coisas estão atrasadas...Acho que a prioridade do Brasil é ganhar o Mundial. Não creio que seja organizar a Copa do Mundo", afirmou.

A destemperança do número dois da Fifa acontece em seguida à anulação da votação da Lei Geral da Copa. A entidade luta para que o parlamento aprove o quanto antes alterações nas leis que regem as atividades esportivas no país, para que não tenha um suposto "prejuízo" com a realização da Copa do Mundo de futebol no país em 2014

"Não entendo porque as coisas não avançam. A construção dos estádios não está acontecendo dentro dos prazos. Por que será?", questionou Valcke. "Os organizadores precisam de um pontapé na bunda", vociferou, em contradição ao que disse em visita ao Brasil em meados de janeiro, quando elogiou o andamento das obras, principalmente em Salvador e Fortaleza.

Não é de hoje que Valcke se intromete em assuntos de competência das autoridades brasileiras. Em um último comunicado publicado no site da Fifa, o secretário insistiu em apressar a aprovação da Lei Geral da Copa.

"Sinto muito, mas as coisas não estão andando bem. Esperamos mais apoio (das autoridades brasileiras), há discussões sem fim sobre a Lei Geral da Copa. O texto deveria ter sido aprovado em 2007 e já estamos em 2012", lamuriou-se.

Com ressalvas, a lei foi aprovada na última terça, mas anulada um dia depois. A nova votação acontece na próxima terça-feira.

Com agências

sábado, 29 de outubro de 2011

Novo ministro diz que defende projeto do governo para Copa - PCdoB. O Partido do socialismo.

Novo ministro diz que defende projeto do governo para Copa - PCdoB. O Partido do socialismo.


“Não vou discutir a posição da Fifa. Como ministro, vou defender o projeto do Poder Executivo. Há de se manter posição de cooperação e independência entre os dois entes, um público, com responsabilidade diante da sociedade, e o outro ente privado, que se rege e se orienta por interesses objetivos que nem sempre têm sido os interesses do Estado”. A fala é do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em entrevista coletiva à imprensa, na tarde desta quinta-feira (27), na Câmara dos Deputados.

Agência Câmara



Ele anunciou a reunião que teve com o ex-ministro Orlando Silva, para tomar conhecimento da estrutura e ações do Ministério, e a posse, na próxima segunda-feira (31), quando decidirá sobre a equipe que vai trabalhar com ele.

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“Procurei, ainda hoje, tomar conhecimento básico da estrutura do Ministério, suas responsabilidades e seu funcionamento, e a partir de agora começar a pensar na montagem da equipe que deverá começar, logo após a minha posse, na segunda-feira, a acompanhar o trabalho no Ministério”, afirmou.
Ele negou que tenha recebido da presidente Dilma qualquer recomendação quanto á troca de membros da equipe. Ou sobre a relação que terá com a Fifa, na organização da Copa do Mundo de 2014.

“Recebi da presidente Dilma demonstração de confiança e responsabilidade de montar a minha equipe”, afirmou, anunciando que “as mudanças serão anunciadas de acordo com as consultas que vou realizar para estruturar a equipe que trabalhará comigo. Certamente que haverá mudanças”.

Sem condenações

Segundo o novo ministro, as competências que lá estão e que têm correspondido às suas atribuições serão mantidas e outras serão mudadas pelo critério de escolha pessoal ou técnica, descartando que as mudanças representem “condenações”.

Disse ainda que “as sindicâncias instaladas continuarão e as ações do Ministério Público, Controladoria Geral da União e Polícia Federal, todas terão curso com apoio e ajuda do ministério, como deve ser a atividade do poder público”.

As indagações mais agressivas dos jornalistas, o novo ministro reagiu com ironia. Foi o caso da pergunta sobre sua posição diante dos parceiros da Fifa de quem recebeu doações de campanha. Quais? Quis saber Aldo Rebelo. O jornalista citou o banco Itaú. “Ah, os grandes anunciantes de jornais? Não tenho de cabeça, mas estão todos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Não há problema dos parceiros divulgarem nos grandes jornais”, disse, acrescentando que “se houve contribuição não atinge a minha independência”.

Relacionamento de praxe

E rejeitou um possível comprometimento na relação com a Fifa pelo ter sido presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Nike, que investigou a entidade. “O relacionamento será o de praxe. A Fifa tem uma responsabilidade e o governo tem também a sua e trabalharão levando em conta a cooperação, na construção da Copa do Mundo, e a independência.”

“A Fifa tem responsabilidade com organizadora ( do evento) e o governo, como país que vai sediar, e eu como principal executivo do governo na organização do evento. O fato de ter investigado Fifa não vai gerar qualquer tipo de ressentimento na atividade como ministro”, assegurou.

Os jornalistas também insistiram sobre a polêmica questão da meia-entrada. Ele disse que foi presidente da UNE e como ex-líder estudantil defende a meia-entrada. E explicou aos repórteres que não cabe ao ministro mudar a lei proposta pelo Executivo. A atribuição é da Câmara, onde o projeto está tramitando.

“Fui presidente da UNE e líder estudantil e uma das bandeiras do movimento estudantil é a meia-entrada. Isso consta na legislação brasileira. Eu não tenho atribuição de rever a Lei da Copa. É atribuição da Câmara. Eu vou defender a posição do governo”.

Queda de braço

Diante da insistência dos jornalistas sobre a mudança da Lei Geral da Copa para recepcionar a cobrança de meia-entrada, que é rejeitada pela Fifa, o ministro manteve a mesma insistência na resposta: “A Lei Geral da Copa foi enviada pelo governo. Como ministro do Esporte, eu tenho compromisso com o projeto do governo. Não sei se a Câmara tem disposição de mudar, como é sua prerrogativa. Se houver, como integrante do Poder Executivo, devo respeitar”.

“Então o senhor vai mudar de opinião para atender o governo?”, insistiram os jornalistas. “Eu sou torcedor do Palmeiras, eu vou mudar de posição porque a presidente é do Corinthians ou do Vasco? Não. Eu vou defender o projeto do governo”, insistiu o ministro, encerrando a entrevista.

Na sua fala introdutória, Aldo Rebelo disse que aceitou o novo cargo como “uma honra, uma responsabilidade, um desafio” e que se comprometeu com a presidente Dilma a fazer todo esforço para corresponder à confiança. Segundo ele, é grande a responsabilidade do nosso país e do Ministério do Esporte de conduzir, não apenas as ações ordinárias e programáticas de governo, como também a responsabilidade extraordinária do Brasil de acolher os eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

“A responsabilidade do Ministério não é só do Partido, mas minha, pessoal, e do governo e, acima de tudo, responsabilidade diante do povo e da população. Governo e Estado existem para a população e eu vou procurar cumprir essas responsabilidades de acordo com a minha capacidade, minha história, minha competência e minhas limitações”, afirmou.

De Brasília
Márcia Xavier

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Luta pela meia-entrada nos jogos da Copa “ganha corpo” - Portal Vermelho

Luta pela meia-entrada nos jogos da Copa “ganha corpo” - Portal Vermelho

O ministro do Esporte, Orlando Silva, declarou que “nossa linha não é restringir direitos”. A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), membro da comissão especial que analisará a Lei Geral da Copa, diz que “questões com relação a nossa soberania de legislação nacional chegarão a um entendimento que a Fifa terá que absorver”. O presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, destaca que “nossa opinião é que a lei brasileira não pode se submeter à lei da Fifa”.

As declarações dão o norte da luta pela meia-entrada nos jogos da Copa do Mundo de 2014. A Fifa (Federação Internacional de Futebol) não aceita desconto nos ingressos para os jogos. O Estatuto do Idoso e legislação nacional garantem 50% de desconto nos ingressos para eventos esportivos e culturais para idosos e juventude.






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Relator e Idec divergem sobre Lei Geral da Copa
“Vamos ver o caso concreto e buscar uma saída”, anunciou o ministro Orlando Silva. A mesma disposição demonstra Jô Moraes. Para ela, é possível discutir alternativas de compensações, “para que a juventude, grande público desses eventos, possa participar com todos os seus direitos”.

“Eu acredito que essa é uma legislação nacional que deverá ser defendida. Essa é a orientação da presidente Dilma, com apoio do ministro Orlando”, destaca a deputada.

“A construção dos entendimentos terá que se realizar ao longo do processo de aprovação da lei”, anunciou Jô Moraes, enfatizando a existência da legislação nacional, que é o Estatuto do Idoso e meia-entrada para a juventude, que deverão ser respeitadas.

O líder estudantil também está empenhado em fazer valer os direitos dos jovens. Yann Evanovick diz que “o povo e a juventude brasileira querem participar desse evento. Sem o instrumento da meia-entrada, uma parcela significativa da população ficará de fora desse evento”, afirma, enfatizando que “não tem meio termo, nada menos do que a meia-entrada”.

A Comissão Especial que vai analisar a Lei Geral da Copa será instalada nesta terça-feira (11). A expectativa do governo é de que a legislação para o evento seja votada pelo Congresso até o fim deste ano.

De Brasília
Márcia Xavier

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