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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Grécia recomeça com a Ley de Medios - Conversa Afiada

O novo Governo grego do partido de esquerda Syriza se elegeu com os compromissos do “programa de Salônica”, lançado na cidade de Salônica em setembro passado.

É uma “Carta aos Brasileiros” do Lula, de 2002.

O líder Alexei Tsipras se comprometeu a repudiar os termos dos acordos da Grécia com os bancos – especialmente alemães: “a austeridade ficou pra trás”, disse ele ao comemorar a vitória.

A dívida grega equivale a 174% do PIB.

A tentativa de pagar a dívida provocou desemprego em massa.

Entre jovens ultrapassa 50% – assim como na Espanha, onde um Governo também conservador aplica um programa do gênero Joaquim Levy e corre o risco de perder a próxima eleição para um partido jovem, de esquerda, o Podemos.

O programa de Salônica prevê:

- um Luz para Todos, especialmente nas casas que não tem como pagar pelo aquecimento no inverno;

- construção de moradias para os sem teto;

- aumentar o salário mínimo;

- reduzir o imposto dos pobres e da classe média;

- subsidiar a compra de comida e o transporte;

- ampliação do alcance da Saúde Pública.

E um capítulo muito interessante, que deveria merecer a atenção do Ministro Berzoini:

- refundar o sistema publico de televisão e audio-visual que foi canibalizado pelos neolibelês que o antecederam.

“Para promover a defesa do pluralismo e da qualidade, o serviço aos cidadãos, e ao espírito de equidade e probidade, sob a experiência do jornalismo militante dos últimos anos.”

As empresas privadas de telecomunicação – as Globo de lá – serão submetidas à lei (porque lá como aqui, a Globo não cumpre a Constituição, a de 1988). Da mesma forma, as concessões, as mudanças de controle acionário e a fiscalização seguirão a lei do pais !

Que horror !

4c. Nous allons retracer la carte des médias d’information en Grèce.

Nous allons refonder l’audiovisuel public grec – sous le label ERT supprimé par le gouvernement actuel et qui sera rétabli – en défendant le pluralisme et la qualité, le service des citoyens, l’esprit d’équité et de probité, en nous inspirant des expériences du journalisme militant des dernières années. Nous renforcerons aussi  les médias d’information locaux.

En ce qui concerne les médias d’information privés ils seront soumis aux obligations prévues par la loi auxquelles ils ont longtemps échappé grâce aux passe-droits accordés. Il en sera ainsi des licences, des cotisations sociales, de la fiscalité.
Navalha
O Brasil vai precisar quebrar, a juventude vai ter que se submeter a um desemprego de 50% para o Governo trabalhista fazer uma Ley de Medios.
Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim




domingo, 30 de setembro de 2012

Catastroika (legendas em português) - Entenda o saque neoliberal na Grécia e no mundo


Texto do Canal da  IAC - Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívidaem seu canal do Youtube, visitem:

O novo documentário da equipa responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em setores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.

De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.

As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2011: a barbárie capitalista na Europa - Crianças entregues à adoção na Grécia - Barcelona cria cota para papel higiênico nas escolas - Barcelona cria cota para papel higiênico nas escolas - Por Altamiro Borges



Por Altamiro Borges

A crise capitalista está produzindo cenas chocantes e inimagináveis na Europa. O Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), fruto das lutas dos trabalhadores e também do “medo do comunismo”, segundo o historiador Eric Hobsbawm, está sendo desmontado para saciar o apetite da burguesia rentista, maior culpada pelo caos europeu. Abaixo, três cenas deprimentes dos últimos dias:

Crianças entregues à adoção na Grécia

Segundo o jornal britânico Guardian, vítimas do desemprego crescente e da queda brusca de poder aquisitivo, famílias gregas têm entregado seus filhos para a adoção. Nas ruas de Atenas e de outras cidades, cresce o número de menores abandonados nas ruas. E médicos e enfermeiras afirmam que bebês recém-nascidos têm sido abandonados nas portas de várias clínicas.

O jornal relata o caso dramático de Dimistris Gasparinatos. Atolado em dívidas, ele decidiu entregar, na véspera do Natal, quatro de seus seis filhos para adoção numa instituição de Patras, vizinha de Atenas. “Psicologicamente, estávamos todos em meio a uma bagunça. Dormíamos em colchonetes no chão, não pagávamos o aluguel por meses, tínhamos que fazer alguma coisa”, descreve.

“Tenho vergonha de dizer, mas cheguei ao ponto de não ter nem €2 (R$ 4,8) para comprar pão. Não queríamos separar a família, mas achamos que seria melhor para eles, se quatro dos nossos filhos fossem enviados para uma instituição por dois ou três anos”. Segundo o prefeito da cidade, Theoharis Massaras, “os pedidos de auxílio social dispararam” nos últimos dois anos.

Em 2010, a prefeitura deu comida para 400 famílias no Natal. “Neste ano, 1.200 pediram ajuda e elas não eram de baixa renda. Muitos tinham bons trabalhos até este ano, quando seus comércios e negócios fecharam”, relata o prefeito. O pedido de adoção, porém, foi uma novidade em Patras. Mas, segundo várias ONGs, já há centenas de casos em todo o país devastado pela crise.

Cerca de 500 famílias entregaram seus filhos para ONG SOS Children's Village, segundo o jornal grego "Kathimerini". Um bebê foi deixado num berçário com o bilhete: “Não voltarei para pegar Anna. Não tenho dinheiro. Sinto muito. Sua mãe”. Dimistris Tzoura, diretora da ONG, confirma o quadro desolador: “Infelizmente, houve um aumento enorme de famílias passando necessidade”.

Barcelona cria cota para papel higiênico nas escolas

Segundo o jornal El País, a administração catalã, na obsessão neoliberal da “austeridade fiscal” que atormenta a Espanha em crise, decidiu estabelecer uma cota para o uso de papel higiênico nas escolas públicas de Barcelona. O documento oficial e jocoso sobre as “quantidades máximas de consumo” foi encaminhado pelo consórcio que dirige o setor, fixando a metragem do papel higiênico e de secar mãos.

Restrição aos mendigos em Paris

Da jornalista Angelique Chrisafis: “As cintilantes vitrines das lojas de luxo de Paris freqüentemente contrastam com a imagem de uma pessoa trêmula mendigando moedas nas imediações, encolhida por trás de uma cartolina onde se lê ‘fome’. Com a economia em crise, os pobres e os moradores de rua de Paris estão mais presentes que nunca nas entradas de edifícios e do metrô”.

Diante deste cenário, o presidente Nicolas Sarkozy decidiu lançar uma guerra contra os mendigos. O governo promulgou uma série de decretos que proíbem que mendigos circulem nas mais populares áreas comerciais e turísticas de Paris. “Ele diz que deter e multar mendigos é crucial para impedir que visitantes estrangeiros sejam importunados por pedintes ‘delinqüentes’”.

O prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, definiu as medidas como “um golpe barato de relações públicas”, criado para “estigmatizar parte da população”. Para ele, “combater a pobreza com repressão e multas é chocante num momento em que o Estado não cumpre a obrigação de abrigar pessoas jovens e vulneráveis”. Sarkozy tentará sua reeleição neste ano. Por isso, ele reforça a sua imagem fascistóide.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Com 88 anos Manolis Glezos agita protestos contra o FMI na Grécia - Portal Vermelho

Com 88 anos Manolis Glezos agita protestos contra o FMI na Grécia - Portal Vermelho

Há setenta anos, Manolis Glezos ficou conhecido por seu ato de resistência ao escalar os muros da Acrópole e rasgar a bandeira nazista hasteada no monumento. Hoje, aos 88 anos, ele trava uma nova batalha. Desta vez, contra o governo, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional sobre o que ele acredita serem ataques injustos contra a soberania econômica da Grécia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Grécia de Marat? Gilson Caroni - Portal Vermelho

A Grécia de Marat? - Portal Vermelho

Gilson Caroni *

"Que querem dizer nas nossas fronteiras esses grupos de emigrados e esses exércitos que avançam para nos apertar em um círculo de ferro? Que fazem os nossos ministros? Por que os bens dos emigrados não são confiscados? E queimadas as suas casas? E postas a prêmio suas cabeças? Nas mãos de quem estão as armas? Na dos traidores. Quem comanda as vossas tropas? Traidores, traidores, traidores por toda a parte. Cuidado! Um grande golpe se prepara, prestes a rebentar. Se não tratarem de evitá-lo com um outro, súbito e mais terrível, adeus povo e adeus liberdade."

O trecho acima foi escrito por Marat, revolucionário jacobino, há mais de dois séculos. Se vivo fosse e estivesse em Atenas, participando da reação contra a ofensiva da lógica financista, creio que o "Amigo do Povo" poderia repetir a advertência. Com algumas diferenças, tragicamente para pior. Os emigrados, em sua nova versão, já estão dentro da fortaleza, como o Marquês de Lafayette no tempo de Luis XVI. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, Herman Van Rompuy e José Manuel Durão Barroso, ameaçam bloquear o sexto lance de ajuda internacional à Grécia, cerca de 8 bilhões de euros, caso o primeiro-ministro George Papandreou não desista de convocar um referendo sobre o plano de resgate financeiro ao país.

O tacão do capital, sob a máscara da social-democracia, metodicamente se esmera em mostrar quais são os limites da esfera pública e da democracia dentro do capitalismo. Nos principais jornais europeus se podem ler informações que, de tão repetidas, se instituem em verdade: a economia grega está arruinada, e pode cair no precipício se permitir que a ação política soberana se manifeste. O povo, em toda a parte, é visto como um desvio indesejável, e como tal deve ser tratado, sob pena de se caminhar rapidamente para a hecatombe social.

O mais sensato é a submissão incondicional a um ajuste fiscal que estabilize a situação. E para estabilizar é necessária uma política fiscal austera, com cortes dos salários dos funcionários públicos, demissões, corte das contribuições sociais e reforma da previdência social. Mais ainda: o importante é enfraquecer o Estado, consolidando o poder de organismos multilaterais, das instituições financeiras e a capacidade de chantagem das agências classificadoras de risco.

Sem respeito aos mais elementares Direitos Humanos, o risco da operação é mínimo. Ela compreende a venda de um país livre de qualquer passivo, na medida em que os trabalhadores, destituídos de sua própria história, devem acreditar que fizeram parte desse plano de "recuperação" e concordaram com a venda. Nunca o capitalismo, como destacou Saul Leblon, foi tão transparente. A taxa de lucro é o critério de verdade.

Os Estados burgueses, mesmo os mais liberais, não permitem o exercício de qualquer tipo de poder que ponha em risco a aceleração de processos acumulativos. Não basta lutar pela ampliação dos direitos democráticos, pela liberdade para todos os poderes políticos, pelo sufrágio universal, apesar da importância que todos estes direitos têm. Ou aprofundamos o pensamento crítico, questionando os fundamentos que alicerçam uma racionalidade econômica estruturalmente falida, ou nossas conquistas oscilarão ao sabor das cotações do mercado. O que está acontecendo na Grécia não é acidental, um ponto fora da curva. É bom retomar a crítica marxista que nos ensinou a localizar a "ilusão liberal", na sua afirmação da independência da sociedade civil – como espaço do livre jogo dos egoísmos – face à ordem política. Não há mais como ignorar a crescente redução desta às articulações do grande capital, ao jogo da dominação e das coerções inevitáveis.

Marat foi apunhalado por Charlotte Corday quando tomava banho. Os sinais que vêm da terra de Péricles são inequívocos. Os girondinos voltaram a encher a banheira.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aversão à democracia no capitalismo europeu - Umberto Martins - Portal Vermelho

Aversão à democracia no capitalismo europeu - Portal Vermelho

A razão da queda do valor das ações foi o anúncio feito pelo primeiro-ministro grego, George Papandreou, da convocação de um plebiscito para decidir sobre o novo pacote implícito no plano aprovado pelos líderes europeus, que prevê uma redução do valor da dívida externa do país associada a novas medidas de ajuste fiscal, que significam novos sacrifícios para a classe trabalhadora.

A possibilidade da consulta popular provocou pânico nos mercados e suscitou críticas virulentas de dirigentes políticos da Alemanha, França e outros países da região. É compreensível. A oposição dos trabalhadores e trabalhadoras da nação helênica aos ajustes impostos pela chamada troika (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia) foi demonstrada nas seis greves gerais realizadas ao longo deste ano e é igualmente confirmada por diversas pesquisas de opinião.

Laboratório de horrores
A Grécia se transformou no laboratório de horrores do capitalismo europeu, ferozmente empenhado no desmantelamento do Estado de Bem Estar Social, que bem ou mal traduz relevantes conquistas arrancadas pela classe trabalhadora num momento histórico em que a correlação de forças era mais favorável e a existência do socialismo soviético induzia a burguesia a maiores concessões no interior das potências capitalistas.

A realidade mudou, a URSS já não existe e a era dourada do pós-guerra no velho continente cedeu lugar a uma fase de notória decadência, baixo crescimento, elevação da taxa de desemprego e perda da competitividade industrial, cenário agravado pela ascensão da China, acirramento da concorrência das economias emergentes e eclosão da crise mundial.

Guerra de classes
Neste novo cenário, a burguesia europeia resolveu declarar uma verdadeira guerra de classes contra o Estado de Bem Estar Social. A Grécia é o principal laboratório da nova estratégia, mas a ofensiva contra o trabalho ocorre em maior ou menor medida em toda a zona do euro, como revelam os pacotes antissociais adotados em Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e muitos outros países.

Sob a batuta do incorrigível FMI, o governo grego impôs o caminho do retrocesso e semeou a recessão (que sacrifica a economia pelo quarto ano consecutivo), colhendo em troca uma taxa de desemprego superior a 16%, aumento da idade da aposentadoria, corte de salários, emprego e de direitos. Mas teve de enfrentar uma reação irada e firme do povo. Acossado, inclusive por integrantes do próprio partido (que se diz socialista), Papandreou decidiu convocar o plebiscito.

Tendência à reação
Muitos críticos consideram a medida tardia, uma vez que sacrifícios inaceitáveis já foram impostos goela abaixo do povo, sem qualquer consulta. O fato é que na reação dos mercados transparece a aversão do capitalismo europeu à democracia. O cálculo é simples: não se pode pretender que medidas antipopulares, subordinadas aos interesses do capital financeiro, sejam referendadas pelas massas trabalhadoras. As instituições da democracia burguesa servem apenas de fachada para impor o projeto do capital financeiro. É quase uma certeza que o novo pacote de maldades bolado pela troika não passa pelo plebiscito.

Daí a aversão atual do capitalismo europeu à consulta popular. O desmantelamento do Estado de Bem Estar Social não combina com democracia e conduz a classe dominante a posturas cada vez mais reacionárias. O imperialismo em crise tende irresistivelmente à reação no plano político. Era o que dizia Lênin. É o que se vê hoje. A história é mestre em reviravoltas, ironias e convulsões. Lembremos que em passado não tão distante a Europa já foi palco da experiência trágica do nazi-fascismo. A paz social e a democracia dependem, mais do que nunca, da ação e da luta decidida da classe trabalhadora.

 Da Redação, Umberto Martins

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Grécia vai demitir 30 mil funcionários e não atingirá meta do FMI - Portal Vermelho

Grécia vai demitir 30 mil funcionários e não atingirá meta do FMI - Portal Vermelho


Com uma economia em queda acentuada e uma recessão cada vez mais profunda, o governo grego anunciou o que há muito era esperado. O país não vai conseguir cumprir as metas de deficit orçamentário de 2011 e de 2012 fixadas no plano de resgate da União Europeia e do FMI. O governo anunciou também mais uma impopular medida de austeridade. Num país onde dados oficiais apontam um desemprego acima dos 16%, serão demitidos 30 mil funcionários públicos.

As informações foram divulgadas neste domingo (02), após o conselho de ministros aprovar o esboço do Orçamento para 2012. Esta redução do quadro público é apenas um dos pontos mais polêmicos do plano de austeridade destinado à liberação dos empréstimos da União Europeia (UE) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) à Grécia.

O plano cria uma "reserva trabalhista" permitindo que trabalhadores estatais recebam apenas pagamentos parciais e sejam demitidos um ano depois. Ou seja, os funcionários que, depois de um ano recebendo apenas um pedaço do seu salário, não tenham encontrado outro emprego ficarão sem o seu posto de trabalho.O governo planeja ainda cortar 20% das aposentadorias acima de 1.200.

As demissões para cumprir as exigências da UE e do FMI provocaram a reação dos principais sindicatos de trabalhadores da Grécia, que convocaram greves para os dias 5 e 19 de outubro. Nesta quarta, eles protestarão também contra os cortes de gastos e o aumento de impostos.

Por outro lado, as demissões poderão não ser suficientes para os credores do país. A Grécia não atingirá as metas do déficit orçamentário de 2011 e de 2012 determinadas no plano de resgate, de acordo com números publicados pelo Ministério das Finanças neste domingo, após o gabinete aprovar o esboço do orçamento para 2012. O anúncio aumenta a incerteza sobre o futuro da economia grega.

O déficit orçamentário de 2011 ficará em 8,5% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano, sem atingir a meta de 7,6%. Ele também será rebaixado para 6,8% do PIB no ano que vem, mas ainda assim não atingirá a meta do resgate, de 6,5%.
Segundo o ministério, não foi possível atingir a meta devido à recessão mais intensa que o esperado -a economia teve retração de 5,5%, em vez de 3,8%, como havia sido estimado em maio deste ano.

"Ainda restam três meses críticos para terminar 2011, e a estimativa final de 8,5% de déficit do PIB pode ser atingida caso os mecanismos de Estado e os cidadãos respondam de acordo", informou o Ministério das Finanças em comunicado.

Com agências

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Trabalhadores dos Correios e CTB-DF prestam solidariedade ao povo grego



Nota de solidariedade sugerida pela CTB-DF e aprovada por unanimidade pela assembleia dos trabalhadores dos correios realizada na Esplanada dos Ministérios em Brasília.


Nesse dia 22 de setembro, os trabalhadores brasileiros nos unimos às manifestações do movimento sindical em todo mundo em solidariedade ao povo grego que, com a participação destacada de seus trabalhadores e sindicalistas, liderados pelo PAME e pela Federação Sindical Mundial, tem tomado as ruas de todo o país, resistindo heroicamente contra a ganância dos banqueiros, da União Europeia e do FMI, que impõem, com a conivência de seu governo entreguista, uma agenda de ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo, de absurdo ajuste fiscal, para alimentar a ganância do sistema financeiro.

De Brasília, em plena greve dos trabalhadores dos Correios, enviamos o nosso abraço e a solidariedade ao povo grego, repudiamos as medidas anti-povo que seu governo adota e que destroem o país, e reafirmamos o nosso compromisso de luta em todo o mundo para que os trabalhadores e o povo não paguem pela crise capitalista!

Viva a solidariedade internacional. Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!
Viva a luta do povo grego por sua soberania e direitos!

Brasília, Esplanada dos Ministérios, 22 de setembro de 2011

Assembleia dos Trabalhadores dos Correios do Distrito Federal    
CTB-Distrito Federal


Trabalhadores dos Correios continuam greve e se solidarizam com os trabalhadores Gregos

A greve dos Correios no Distrito Federal segue forte e mobilizada. Nesta quinta-feira, 22/09, o SINTECT-DF, liderado por sua Presidenta, Amanda Corcino, diretora de Mulheres da CTB-DF, realizou uma importante assembleia no Ministério das Comunicações em que aprovou a contra proposta feita pelo Comando Nacional de Greve às 35 assembleias dos sindicatos da categoria, em respeito à decisão do Congresso dos Trabalhadores dos Correios.

A contraproposta foi aprovada por unanimidade no Distrito Federal, e se contar com o apoio da maioria das assembleias pelo país será apresentada à ECT, que tenta intimidar os trabalhadores com o corte do ponto dos dias da greve.  Os itens apresentados aos trabalhadores e trabalhadoras são os seguintes:

 

  • Reposição da inflação de 7.16%, calculados pelo IPCA;

  • Reposição das perdas salariais de 24.76%, de 1994 à 2010;

  • Piso salarial de R$ 1.635,00;

  • Aumento linear de R$ 200,00;

  • Vale alimentação/refeição de R$ 28,00;

  • Vale-cesta de R$ 200,00;

  • Vale extra em Dezembro/2011 no valor de R$ 750,00;

  • Portaria para Motociclista e Motorizado no valor de R$ 500,00;

  • Diferencial de Mercado para todos os trabalhadores(as) no valor de R$ 180,00;

  • Auxílio creche para todos os trabalhadores(as), até o sétimo ano de vida de
    seus filhos e, após essa idade, ser transformado em auxílio educação no valor de
    R$ 500,00;

  • AADC para todos os Motoristas;

  • Não contratação de mão de obra terceirizada;

  • Contratação imediata dos concursados.


Em seguida, os trabalhadores se dirigiram até a Câmara dos Deputados em passeata, e aprovaram uma nota de solidariedade aos trabalhadores gregos, no dia em que por todo o mundo a Federação Sindical Mundial organiza atos de apoio ao povo grego, que com a forte presença sindical do PAME, organiza a luta contra o brutal ajuste fiscal imposto, causando imenso retrocesso social e trabalhista para livrar a cara dos banqueiros e da UNião Europeia, os verdadeiros autores da crise. Os trabalhadores dos correios aprovaram a nota de solidariedade por entenderem que na Grécia ou no Brasil, os Trabalhadores não podem pagar o preço da crise dos capitalistas.

Leia a Nota de Solidariedade ao povo grego

Leia a CARTA ABERTA À POPULAÇÃO dos Trabalhadores dos Correios

Paulo Vinícius, com informações do SINTECT, da FENTECT e da CTB-DF.


sábado, 7 de agosto de 2010

Sobre canções e a luta do povo - Nikos Ksilouris

en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas
Paulo Leminski



Dias corridos. Realizou-se há uns dias na Venezuela, o Encontro Sindical Nossa América. Hugo Chávez esteve mais de duas horas em companhia de sindicalistas de todo o mundo. Depois, realizou-se o II Festival da Juventude Rural da CONTAG, reunindo milhares de jovens rurais, a juventude camponesa no parque da Cidade, em Brasília. E semana que vem, em Asunción, capital do Paraguai, começa o Fórum Social Américas. E a CTB se faz presente com feição própria e uma contribuição política do Brasil a esse momento político que vive a América Latina e o mundo.

E eu, lá do Ceará, - absolutamente despretensioso de chegar para além do Juazeiro do Norte do meu Padim - mais uma vez me vejo testemunha desses momentos de crescente encontro e entrelaçamento de nossas agendas políticas e destinos, na América Latina.

E infelizmente não é possível traduzir o que significa cada um desses grandes eventos. Gente solidária e preocupada com o mundo e as pessoas se encontrando em busca de caminhos.

E uma coisa que sempre procurei trazer de todos esses lugares aonde fui, foi música. Sendo eventos essencialmente políticos, muita música relacionada à luta do povo. E foi assim que descobri o que se convencionou falar de Folk Music, que é um rótulo que reúne muito mais do que escreve. Falo de Mercedes Sosa, Victor Jara, Violeta Parra, Pete Seeger, Joan Baez, Ali Primera, Sílvio Rodríguez, Pablo Milanés, o primeiro Bob Dylan, Quilapayun. (Falaremos de todos, mais amiúde.)

Fortíssimo isso também no Brasil nos anos 60 e 70, com o mesmo tom dessa expressão folk que, pelo mundo, representou uma opinião muito generosa, de que era importante fazer luta com os versos e as canções, e a história entranhada em cada uma dessas expressões musicais e poéticas que resgatavam aspectos essenciais da história desses povos.
(Inevitável a lembrança de Maria Betânia cantando Carcará, na busca de transpor para alago equivalente, assim como Luiz Gonzaga, Ednardo.)

E nessa viagem à Venezuela bolivariana - que figura importante e carismática foi Simón Bolívar, para além da ignorância do PIG a tentar estigmatizar o termo - peguei uns vídeos de Ali Primera e Victor Jara, o que me fez retomar essa ideia de, por meio desses textos transpor algo dessas canções, a fim de também aqui no Brasil podermos nos beneficiar dessas jóias musicais, culturais, de vida e luta. Muitos dos artistas tiveram suas existências violentamente interrompidas ou enfrentaram grandes provações pelo que cantavam e escreviam e significavam. É preciso simplesmente escutar toda a riqueza poética, o retrato de um povo, de uma época, tudo que se deixa transparecer no característico canto, nos temas, nas letras, nas faces, gestual e vestimentas. E ainda tem a política, cuja riqueza é à parte.

E não só da América Latina. Ouvi esses dias um CD de música grega que recebi quando estive no Congresso da KNE - Juventude Comunista da Grécia. Era um CD comemorativo que percorre praticamente um século de canções de luta. E eis-me insone a tentar entender o que me diziam aqueles gregos caracteres que realmente para mim são grego. Mas a internet é para isso, e descobri que uma das canções mais bonitas se chama "E os inimigos entraram na Cidade". E encontro as imagens do músico de grande parte das canções em um show. Seu nome, Nikos Xilouris. Encontro a trilha musical ilustrada por imagens da ditadura grega. Hoje, o mundo tem visto centenas milhares de trabalhadores gregos nas ruas de Atenas.

Em Atenas funciona a sede da federação Sindical Mundial. Esta cidade receberá em abril de 2010, ocorrerá o 16º Congresso da FSM, que em 2010 completou 65 anos. No dia 07 de agosto, a Federação Sindical Mundial chama um dia internacional de lutas contra as consequências que a crise econômica acarretam àqueles que não a engendraram, a maioria, os trabalhadores e trabalhadoras. Aqui no Brasil, na Cidade de Deus, nessa data a juventude mais progressista e representativa do Brasil se reunirá na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, e se postará ombro a ombro com a companheira Dilma que apresentará suas propostas para a juventude. A luta avança por muitos caminhos. Viver e ouvir coisas novas, mesmo que antigas. Vitórias do povo, por exemplo, há tanto ansiadas e só agora vividas.

Ouçamos admirados Nikos Xilouris - E os inimigos entraram na Cidade -Mpikan Stin Poli Oxthroi - Μπήκαν στη πόλη οι οχτροί e um pouco mais.





sábado, 22 de maio de 2010

Cúpula da UE e FMI incitam a luta de classes no velho continente - Umberto Martins

www.vermelho.org.br

Economia

21 de Maio de 2010 - 19h16


O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, disse nesta sexta-feira (21) que a maioria dos governos do bloco apoia sanções mais duras para punir países que violaram os limites de déficit e da dívida. O contraste entre as orientações da cúpula europeia e do FMI, que fazem o jogo da oligarquia financeira, e os interesses da classe trabalhadora está exacerbando as contradições e a luta de classes no velho continente.

Por Umberto Martins

Enquanto a cúpula do bloco europeu discute regras mais severas, a crise ganha as ruas, com milhares de trabalhadores protestando na Espanha, Grécia e Portugal contra as medidas de arrocho anunciadas pelos governos.

Atenas parou

Na quinta (20), a Grécia foi palco de uma nova greve geral, a sexta neste ano. Uma passeata seguiu até o Parlamento, onde os manifestantes, dirigindo-se aos parlamentares, gritavam “saiam, ladrões”. Os trabalhadores protestam contra o governo e o FMI, que está por trás do pacote de ajuste que o governo social-democrata liderado pelo primeiro-ministro George Papandreou quer impor, a despeito da rejeição do povo trabalhador e da maioria da nação.

O pacote grego, no velho e reacionário estilo do Fundo Monetário Internacional, prevê corte de salários, elevação da idade mínima para aposentadoria, redução dos gastos públicos e aumento dos impostos. Não vai ajudar a recuperar a economia, pelo contrário, tende a agravar a crise, deprimindo o consumo e a produção.

A paralisação realizada na quinta foi convocada por sindicatos que representam 2,5 milhões de trabalhadores. Escolas e órgãos públicos não funcionaram, hospitais ficaram limitados ao atendimento essencial, o turismo foi afetado, assim como o transporte no céu e no mar.


Protesto em Atenas. O recado foi claro: a crise é dos ricos e eles é que devem pagar

Espanha e Portugal

Na Espanha, os trabalhadores deram início, também na quinta (20), a uma série de manifestações de rua que devem desembocar numa greve geral do setor público, que emprega 2,6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, convocada pelo movimento sindical para 8 de junho.

O governo social-democrata do país também anunciou duras medidas para combater o déficit fiscal, incluindo o corte de salários do funcionalismo (de até 7%) e congelamento das aposentadorias. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas em Madri, Valência, Toledo e Santiago de Compostela nesta 5ª. “Trazer os tanques do Afeganistão e reduzir o financiamento da Igreja Católica são medidas que poderiam ser adotadas para diminuir o déficit, sem que aposentados e trabalhadores pagassem o pato”, desabafou o dirigente da União Geral dos Trabalhadores espanhóis, Rafael Espertero García.

A Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) também realizou várias manifestações ao longo dos últimos dias e tem concentrado sua energia na mobilização de um grande ato político em defesa dos direitos da classe trabalhadora dia 29 de maio em Lisboa. O dilema é o mesmo: o governo de José Sócrates, social-democrata como o grego e o espanhol e igualmente atolado na crise da dívida externa, apresentou um pacote semelhante ao de seus colegas, preconizando corte de salários e o retrocesso nas regras da aposentadoria.

Bem estar em xeque

A crise da dívida serviu de pretexto à direita europeia para desencadear uma feroz ofensiva contra a classe trabalhadora. Ressuscitaram o FMI e reativaram o neoliberalismo, tendo por objetivo final o desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social, erigido no pós-guerra, durante os “anos dourados” do capitalismo, que contemplou bandeiras e lutas históricas do movimento sindical e dos partidos de esquerda.

A defesa dos direitos sociais é a ordem do dia do movimento sindical no velho continente e se contrapõe ao projeto das elites, que foi bolado basicamente “para proteger bancos alemães, e especialmente franceses, do cancelamento de dívidas”, conforme denunciou o ex-governador do Bundesbank (banco central da Alemanha), Karl Otto Pöhl, em entrevista à revista Der Spiegel.

Ampliando a crise

“No dia em que o pacote do resgate [no valor de 750 bilhões de euros] foi aprovado as ações dos bancos franceses subiram 24%. Ao olhar para tudo isto, pode-se ver realmente do que se trata – nomeadamente, de resgatar os bancos e os gregos ricos", declarou Pöhl. Falando durante a manifestação diante do Parlamento em Atenas, o desempregado grego Nikos Galiatsatos, resumiu o sentimento que anima os protestos da classe trabalhadora: “essas medidas estão destruindo tudo pelo que lutamos. Cadê as medidas contra o desemprego? Não fomos nós que criamos esta crise.”


O ex-governador do Bundesbank denunciou: "o pacote foi feito para salvar os bancos"

Os pacotes podem até se revelar eficazes para resgatar os bancos e os ricos. Em contrapartida, tende a ampliar a crise econômica, prolongando a recessão e obstruindo a recuperação com a redução da demanda, elevando o nível de desemprego e o descontentamento social. O acirramento da luta de classes, entre capital e trabalho, é outro notório óbice ao plano perverso das classes dominantes europeias. O povo busca nas ruas uma alternativa progressista, exigindo que os ricos paguem pela crise. Uma das medidas nesta direção é a moratória das dívidas externas, que vai na contramão dos interesses dos bancos da Alemanha e da França e dos ricaços da Europa.




Veja abaixo o vídeo da manifestação na Grécia:




sexta-feira, 7 de maio de 2010

FSM lidera mobilizações na Grécia e envia mensagem à CTB

Moçada, vejam a mensagem que a CTB recebeu de Nikos Teodorakis da PAME (Frente Militante dos Trabalhadores) da Grécia, com quem estivemos na Conferência Internacional da Federação Sindical Mundial em Lima, Peru:

Caros camaradas,

Queremos agradecê-los pelas suas inicativas em expressar solidariedade à luta da classe trabalhadora grega e às lutas da PAME (Frente Militante dos Trabalhadores). Nossa greve no dia 5 de maio foi um momento histórico para os trabalhadores gregos.Milhões aderiram à greve, muitos pela primeira vez. Demonstramos nosssa oposição às políticas do capital, do FMI, da União Européia e do governo grego. E exigimos que a riqueza que produzimos retorne a nós, à classe trabalhadora.


E o sucesso de nossa greve aterrorizou a classe dominante.





Essa é a razão pela qual eles usaram de provocações para afastar os(as) trabalhadores(as) a fim de que retornassem às suas casas. Grupelhos de infiltrados mascarados começaram a incendiar construções e a causar tumultos. E não eram os(as) trabalhadores(as), não eram manifestantes. Suas ações só ajudam os capitalistas a reforçarem suas políticas.

Os monopólios da mídia capitalista (CNN, BBC, etc) tentam mostrar tais ações de pequenos grupos de provocadores infiltrados como ações de trabalhadores. Eles querem que o mundo acredite que o dilema em questão é escolher entre a ordem capitalista mudial ou o caos. Essa é a razão pela qual não mostram as centenas de milhares de manifestantes que pacificamente demonstraram e declararam que nós não aceitamos fazer mais nenhum sacrifício pelos capitalistas.

A solidariedade de vocês e as atividades que realizem por todo o mundo ajudam-nos a desmascarar as mentiras dessa propaganda. A solidariedade de todo o mundo fortalece a nossa luta.

Enviamos-lhes essas fotos e um breve vídeo das demonstrações da PAME em Atenas no dia 5 de maio.

http://www.youtube.com/watch?v=7EOnyx3Cxto


Nikos Teodorakis

PAME-Grécia


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Revolta na Grécia: o povo não quer se sacrificar pelos banqueiros

www.vermelho.org.br

A Grécia foi paralisada nesta quarta-feira (5) por uma greve geral da classe trabalhadora contra o novo pacote negociado pelo governo social-democrata liderado pelo primeiro-ministro George Papandreou com o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia. O protesto foi temperado por manifestações de rua e confrontos com a polícia. Pelo menos três pessoas morreram.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Grécia e o FMI, um roteiro de terror contra o povo

www.vermelho.org.br
Editorial

03 de Maio de 2010 - 15h55 O Brasil viveu, no passado recente, pilhagem semelhante à que ameaça o povo grego como condição para o megaempréstimo internacional cujo objetivo é salvar os banqueiros que fizeram empréstimos especulativos para a Grécia e agora, à beira do precipício, tentam jogar o custo da crise sobre os ombros dos trabalhadores e do povo.

O pacote negociado pelo governo grego prevê um conjunto de más notícias aos trabalhadores para acertar o acesso a uma montanha de recursos que praticamente nem chegarão a sair dos cofres das entidades empr
estadoras pois serão empregados para liquidar parcelas da dívida externa grega (parte das quais vencem no próximo dia 19). E que o povo grego terá que pagar com um arrocho inaudito nos próximos três anos, permitindo ao governo "reequilibrar" as finanças do país.

O Brasil viveu situação semelhante na crise da divida nos anos 1980 e em 1998. Nesta última, sob Fernando Henrique Cardoso, o país quebrou e o governo tucano acertou um
empréstimo de 40 bilhões de dólares com o FMI com objetivo semelhante: garantir o pagamento dos juros aos banqueiros internacionais. Da mesma forma, aquele dinheiro nem chegou a sair dos cofres dos bancos, mas ficou por lá como garantia de que o país pagaria suas contas. E o peso daquele empréstimo caiu duramente sobre os ombros dos trabalhadores e do povo: para satisfazer a voracidade dos banqueiros, FHC se comprometeu a gerar superávits primários que sabotaram a capacidade de investimento do Estado, a adotar metas draconianas de inflação (comprometendo o desenvolvimento nacional), a aumentar o tempo de trabalho para a aposentadoria e reduzir os valores das pensões, a arrochar os salários e reduzir o número de funcionários públicos. O resultado foi um enorme empobrecimento dos brasileiros e o agravamento da estagnação econômica.

Esse mesmo filme de terror está sendo exibido em Atenas e nas demais cidades gregas. O FMI, a União Européia e os banqueiros europeus (particularmente os alemães, principais credores da dívida externa grega) impõem um receituário semelhante: aumento dos impostos, redução do déficit orçamentário grego de 13,6% para 3% até 2014, flexibilização das leis trabalhistas facilitando as demissões de trabalhadores, aumento da idade média para aposentadoria de 53 para 67 anos, redução dos valores das pensões, que passarão a serem calculadas com base na méd
ia dos salários ao longo da carreira e não mais o último vencimento recebido pelo trabalhador. Além disso, o congelamento dos salários dos funcionários públicos, que vigora este ano, será estendido até 2014 e haverá cortes no 13º dos trabalhadores.

Desde o final do ano passado, quando a crise grega eclodiu, os trabalhadores resistem contra a ofensiva patronal e dos banqueiros e se recusam a pagar pela crise. Nos últimos dias, a resistência cresceu e as manifestações se espalham por todo o país, pontilhado de confrontos com a polícia. Os sindicatos e partidos da esquerda (o Partido Comunista Grego entre eles) marcaram uma grande greve para o próximo dia 5. A previsão de sucesso da manifestação está baseada no dado divulgado pelas agências de pesquisa: mais de 50% dos gregos apoiam as manifestações e os protestos e não aceitam o alto custo da cobrança por uma crise econômica que não criaram mas que decorre de negócios escusos entre o governo e os banqueiros internacionais.

Quando a crise mundial eclodiu, em 2008, muita gente viu nela a submersão das doutrinas neoliberais e das práticas lesivas aos povos e aos trabalhadores promovidas p
or governos conservadores e banqueiros gananciosos. Mas o neoliberalismo não estava vencido e, passado o momento crítico, voltou aos mesmos truques para garantir lucros fáceis e espoliativos, como revelam as notícias ligadas à grave situação de países como a Grécia e, também, ligadas a negócios obscuros e fraudulentos promovidos por corretoras financeiras como a Goldman Sachs, de Nova York. A batalha contra o neoliberalismo e o vampiresco rentismo financeiro internacional prossegue. Uma de suas etapas está sendo vivida pela resistência popular nas ruas das cidades gregas.


Conheça as páginas do

Partido Comunista da Grécia (inglês) - KKE

e em Português

e da

Juventude Comunista da Grécia - KNE
(Inglês)


Leia Meu Artigo sobre

O 9º Congresso da Juventude Comunista da Grecia

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