Dix ans après la remise de son titre de Docteur Honoris Causa de Sciences Po, Luiz Inácio Lula da Silva, ancien président de la République fédérative du Brésil, revient pour une conférence exceptionnelle. Il s’exprimera sur le thème « Quelle place pour le Brésil dans le monde de demain ?
Dez anos após ter recebido seu título de Doutor Honoris Causa da Sciences Po, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República Federativa do Brasil, regressa para uma conferência excepcional. Ele falará sobre o tema: Qual o lugar do Brasil no mundo de amanhã?
Negada, meu povo e minha pova, everibodi, é preciso ter nervo pra mudar o Brasil! Não dá para, em janeiro, nessa correlação de força nacional e internacional, entrar numa onda de desespero, prostração, um cornosentimento medonho!!!
O que eu tô vendo é outras coisas, vamo lá: 1- já é o segundo cadáver em véspera de eleição no Cone Sul, para instabilizar gravemente a eleição e jogar "culpa" sobre a candidata do povo. A Páscoa tá chegando, se acreditasse nessas coisas, tava esperando o ovo da páscoa do coelhinho.
2- Já é o segundo "atentado" numa cidade emblemática, sede de um eixo imperialista, com um presidente mais fraco que caldo de bila que se torna um potentado da luta pelo terrorismo, e graças a esses grupos que, sinceramente, não são apenas de gente doida, mas aquela gente doida especial que conta com a torcida vibrante do imperialismo. Como disse, cadê o meu ovo da Páscoa?
3 - Israel ligado indissoluvelmente aos dois episódios em momento de profundo isolamento político e diplomático.
4 - Obama é um menino bom, né? Vede: a) em ardilosa manobra com seus aliados sauditas (que queime nos quintos do inferno o tirano recentemente falecido), ataca gravemente as economias de Rússia e Venezuela. Em meio aos ataques midio-tucano-judiciais-financeiros contra a Petrobrás, dá duríssimo golpe contra o Pré-Sal. b) aproximação com Cuba é fruto de isolamento e inutilidade do bloqueio, e intento de neutralizar a liderança da Revolução interna e internacionalmente. Tolinhos: Fidel, Raúl, o Partido Comunista de Cuba, a CTC, a UJC, a FEU estão aí para o que der e vier. É um bom desafio, mas eu confio, e muito, na capacidade de Cuba o superar e sanar suas inúmeras dificuldades econômicas, esse sim um obstáculo gravíssimo ao prosseguimento da Revolução. c) com toda a fraseologia, Obama joga no colo dos republicanos toda a sua pauta positiva que posiciona os democratas na melhor posição: em favor dos latinos, que serão a maioria do eleitorado estadunidense. A maioria no Congresso, republicana, virou um tremendo abacaxi; d) Petróleo saudita barato e independência energética graças à areia de xisto, que legal pros EUA; e) continuam a armar terroristas, a CIA continua seus assassinatos pelo mundo, só que agora o cabra posa de "esquerda". Cenários bastante perigosos adiante;
5 - Vitórias de esquerda na Grécia com o Syriza ( e PC da Grécia cresceu em 25% sua bancada ) e possibilidades alvissareira na Espanha. Situação desesperadora na economia, não será fácil, nem retilíneo o caminho. Tenho esperanças, mas nem demonizo nem idolatro essas alternativas. Europa segue um caminho que já percorremos, ou não? Construção de frentes sociais e políticas amplas e heterogêneas de esquerda contra a tragédia neoliberal. Vai ter muita ida e vinda. O resultado dependerá da unidade do povo. O farol é a América Latina e a Ásia. Apoiemos as mudanças, torçamos pela unidade dos povos grego e espanhol e esperemos que isso jogue muita areia na empada neoliberal da União Europeia que, não é à toa, mandou a "austeridade" para as cucuia, liberando o crédito pelo BCE, já que o esquema do Quantitative Easing, as emissões para tapar os buracos da especulação, deram tão certo. Também não é à toa à "guerra ao terrorismo 2, nous sommes hipocrites". Ora, não é apenas guerra de mentira, e restrição democrática, militarização, carta branca para os arapongas e uma força descomunal para a extrema direita.
6 - No Brasil, as centrais sindicais recuperam condições de unidade e tem uma postura correta e firme diante das vacilações da DIlminha. Isso é ótimo, cria condições para a pressão justa que impeça barbeiragems. Diminui as ilusões com as iniciativas do Executivo, para que o povo assuma seu papel, que não é de espectador, mas de ator central das mudanças. Também não devemos entrar nessa lógica do cornosentimento "fui traído, buáááá´", isso é besteira. É a classe média que tem essa visão da pureza e da retidão a todo preço, isso é uma abstração, o Brasil é mais complexo, temos de jogar o jogo, galera, governo em disputa, lembra? E lembram que a gente ganhou, mas a direita se fortaleceu? Então!!! Calma, meu povo! Não à abertura do Capital da Caixa! Nenhum direito a menos!!! É isso mesmo. Mas, jogar Dilminha pro lado de lá em janeiro, Ave, Maria. Camomila e pressão e luta política, e construção de unidade, isso sim!!!
7- Lula está lépido e fagueiro circulando com o povo, excelente notícia. O que emos de levar adiante é a grande UNIDADE POPULAR. Partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicais, juvenis, para que exista uma frente orgânica, e não apenas eleitoral. Um programa de reformas avançado, e não uma permanente briga por pedaços de pautas específicas. Para mim, essa é a questão central, e as bandeiras na crista da onda são, além da defesa do crescimento e do emprego e dos direitos, a REFORMA CONTRA A MONOPOLIZAÇÃO DA MÍDIA e a implantação imediata da PROIBIÇÃO DO FINANCIAMENTO PRIVADO, sob o boicote do Ministro Gilmar Mendes.
8 - O Brasil é grande e nosso povo é talentoso e de luta, havemos de encontrar os caminhos. As palavras centrais continuam sendo Soberania, Democracia, DESENVOLVIMENTO, DIREITOS! Vamos por aí, disputar o rumo do grande, para que os neolibelês não matem nossa economia a pauladas, como a uma ratazana prenha. Temos de unir-nos por uma pauta econômica que vença esse momento de tergiversação, confusões, adversidades e falta de clareza sobre o futuro imediato da nossa economia. Mas, convenhamos, cadê a nossa agenda econômica para agora, para o já? Como reunir forças, e não apenas dos trabalhadores, mas também na indústria, no campo, na academia, para a disputa do projeto e desenvolvimento???
9 - O PCdoB há de contribuir muito, e precisa, sobretudo, apoiar uma maior e mais orgânica unidade de esquerda. Grandes esperanças no Maranhão e na C&T não podem eludir as imensas responsabilidades e obstáculos, sobretudo vinculados à nossa capacidade de diálogo, de construção de frentes e de implementação de ações para o DESENVOLVIMENTO. Espetacular o momento que se abre para o PCdoB, ainda mais com dois camaradas como Dino e Aldo Rebelo. Isso tudo nos exigirá mais clareza, organização e sagacidade política. Bem vinda a nossa Conferência. Não devemos, apenas apoiar o PT. É preciso apoiar, criticar, jogar o jogo, e construir uma grande frente que una democratas, patriotas e a esquerda. O Glorioso partido dos mártires, sua juventude, intelectuais, trabalhadores tem muito a ajudar, e não será apenas no grito, mas naquilo que o Partido tem de mais nobre: a política. Complexa, como é o Brasil, clara, mas cheia de mediações, e deve ser ponte para essa grande unidade. Sem uma grande UNIDADE POPULAR o Brasil não avançará mais do que até aqui chegamos, esse eterno meio barro, meio tijolo. Só com amplas massas envolvidas, com um caminho mais claro, poderemos avançar, e foi assim que se avançou por toda a parte. Mudar o Brasil, superar o neoliberalismo, abrir uma nova quadra para nossa pátria, não será tarefa de um presidente(a), ou de um partido, necessariamente é tarefa para milhões, e só pode ser levada a cabo com o concurso dessa preciosidade, a militância. Mas tá todo mundo inquieto, e meio descacorçoado. Temos de ter clareza e mobilização, mas também há que ter nervo. Complexo de corno não serve pra nada nem em casamento, avalie em política, só pra errar. Clareza, unidade, mobilização, certas estão as centrais sindicais, e me dá grande esperança ver tanta sintonia entre a CTB e a CUT, grandes esperanças.
O famoso comediante
politicamente incorreto Dieudonné fez uma piada com o slogan JE SUIS CHARLIE e foi
detido na França! Entenderam? Ele foi preso! A liberdade na França é
apenas para os que atacam muçulmanos.
Nesta segunda-feira a
polícia especializada anti-terrorismo prendeu o comediante, exatamente
uma semana após o atentadom aparentemente por causa do uso de slogan
criado pelo comediante, "Je me sens Charlie Coulibaly", que associa o
nome do jornal satírico vítima de um atentado islamita ao apelido do
terrorista que atacou sexta-feira um supermercado judeu.
A
detenção de Dieudonné coincide com o dia em que o Charlie Hebdo esgota a
sua primeira edição após os atentados de há uma semana, que vitimaram
alguns dos seus principais cartunistas, incluindo o diretor do jornal.
Esta detenção reacendeu o debate sobre os limites do humor, dias atrás
milhões foram para a rua, sob o slogan "Je suis Charlie", supostamente
em defesa da liberdade de expressão e para condenar o recurso do
homicídio para calar uma sátira.
O semanário satírico, acolhido
no jornal Libération, publicou esta quarta-feira na sua capa uma
caricatura aparentemente de Maomé, muito triste e comovido, segurando um
cartaz "Je suis Charlie" sob as palavras "tudo está perdoado".
A
edição de Charlie Hebdo uma semana após os atentados esgotou três
milhões de exemplares em poucas horas obrigando à publicação de mais
dois milhões.
A prisão de Dieudonné levanta agora a questão de,
em França, ser aparentemente lícito para uns publicarem desenhos que
desdenham símbolos de uma religião professada por milhões e ser
considerado crime o caso de Dieudonné, que expressa opiniões
politicamente "incorretas".
A justiça condena Dieudonné
regularmente por "difamação, injúria e provocação ao ódio racial" e por
"contestação de crimes contra a humanidade, difamação racial, provocação
ao ódio racial e injúria pública".
O próprio jornal francês Le
Monde, ainda antes da detenção de Dieudonné, questiona num extenso
artigo as diferenças entre a sátira de Charlie Hebdo e as ações de
Dieudonné, que levam a que o jornal, apesar de levado a tribunal
diversas vezes (cerca de 50 processos 1992 e 2014, 10 destes só em
1998), tenha sido absolvido, e o humorista, pelo contrário, condenado
várias vezes.
De facto, afirma Le Monde após citar a legislação
francesa que limita a liberdade de expressão, esta "pode ser enquadrada
na lei". Livres... mas enquadrados "Os principais limites à
liberdade de expressão em França abrangem duas categorias: a difamação e
o insulto, por um lado; discursos que apelam ao ódio, que incluem
designadamente a apologia de crimes contra a humanidade, os propósitos
anti-semitas, racistas ou homofóbicos, por outro lado", refere o jornal.
A lei aplica-se a qualquer tipo de publicação incluindo o Facebook e
abrange não só o autor mas também os responsáveis pelo meio onde o crime
se concretize.
Uma provisão que já vem da lei sobre liberdade de
imprensa de 29 de julho de 1881. Nesta o seu artigo 1.º é claro, diz o
Le Monde: "a impressão e a livraria são livres", pode-se imprimir e
editar o que se quiser. Mas logo depois surgem as exceções.
A
primeira é a injúria, o insulto e a difamação. Os artigos 23.º e 24.º
explicam ainda que "serão punidos como cúmplices de uma ação qualificada
como crime ou delito aqueles que, seja pelo seu discurso, gritos ou
ameaças proferidas em lugares públicos ou de reunião". E lista os
propósitos que podem levar a uma condenação.
São seis e incluem a
apologia de crimes de guerra e contra a humanidade, o incitamento a
crimes de terrorismo e a provocação à discriminação, ao ódio ou a
violência, contra pessoas "devido à sua origem ou não a uma etnia, uma
nação, uma raça ou uma religião determinada" ou pela "sua orientação
sexual ou a sua deficiência".
O racismo e o anti-semitismo são por isso crimes.
Dieudonné acena aos seus fãs após o Conselho de Estado ditar o
cancelamento do seu espetáculo em Nantes a 9 de janeiro de 2014, por
anti-semitismo. Um tribunal de Nantes tinha autorizado o espetáculo mas o
ministro francês do Interior apelou da decisão para o Conselho de
Estado.
Tanto o caso do Charlie Hebdo como de Dieudonné referem-se contudo a um tipo particular de discurso, o humorístico.
Le Monde cita um jurista para lembrar que, em 1992, o Tribunal de
Grande Instância de Paris reconheceu que a liberdade de expressão
"autoriza um autor a forçar os traços e a alterar a personalidade
daquele que representa" e que existe direito "ao desrespeito e à
insolência".
Resta saber em que categoria criminal, se alguma,
será colocado o mais recente slogan de Dieudonné. "Je suis Charlie
Coulibaly" poderá ser considerado o equivalente a uma injúria ou até um
incitamento ao terrorismo como pretende a investigação que levou à sua
detenção? E se sim, porquê?
Com informações de RTP Gonzalo Fuentes/Reuters
Mélenchon: [Resistência, resistência!] Baixem as bandeiras, para que eu possa vê-los!
Caros amigos, caros camaradas. Mais uma vez, vocês respondem ao chamado das organizações da Frente de Esquerda. Quero lembrá-los, mais uma vez, nessa praça dos mártires de Stalingrado, que aqui nos reunimos no primeiro comício das eleições presidenciais, e também no último dos comícios daquela campanha.
Voltamos a essa praça hoje, porque é importante que todos vejam, em toda a França, que a força que constituímos não foi aglomeração de circunstância, mas um grande movimento, educado, politizado, que assume conscientemente uma via capaz de, de modo disciplinado, mostrar o que é direito de todos esperar de nossa revolução cidadã.
Dia 22 de abril, pelos votos que recebemos e por nosso trabalho paciente – e não só o meu trabalho, que não é o mais importante –, mas pelo trabalho de milhares e milhares de vocês, militantes, homens e mulheres, além dos outros, dos muitos de nós que, pela primeira vez na vida, envolvem-se numa batalha política. E se dedicaram a buscar cada um o seu vizinho, a sua vizinha, para explicar e tornar compreensível para eles as raízes da infelicidade que desgraça o mundo.
E cada um que, também na vida profissional, se dedicou a mostrar – desafiando a propaganda que repete, sem parar, sempre o mesmo discurso alucinado –, que o problema da França não é os imigrados. Porque o problema da França são os banqueiros!
E que trabalharam, com a paciência que é própria do povo, desde que se põe em movimento, e com a inteligência dos muitos, quando ela busca ir iluminando progressivamente as trevas do preconceito, o obscurantismo do egoísmo social.
Com nossos votos, constituímos juntos uma força imensa! Quatro milhões de votos reuniram-se em torno de nossa candidatura comum. ¾ , nada menos que três quartos, do avanço da esquerda vem de nós!
Hoje, seria absolutamente impossível pensar em qualquer tipo de vitória possível da esquerda, se vocês não tivessem feito, todos vocês, esse trabalho paciente e obstinado, ao longo do qual vocês, com muita razão, tantas vezes se impacientam.
À altura da metade da vida de mais de 150 mil habitantes, a Frente de Esquerda alcançou seu objetivo de passar à frente dessa força maléfica e obscura da Frente Nacional. Nas cidades populares, em Veau..., em .... , em Grigny, ... em toda a parte, estamos à frente, por milhares e milhares de votos populares, nas cidades, nas vilas distantes, estamos à frente. Nossa saudação especial aos habitantes de .............. onde vencemos com grande diferença de votos! Lá está como sempre esteve, a estrada pela qual andaremos!
Essa força aí está, e não é constituída em benefício de um homem ou de um partido, ela não é constituída para olhar o próprio umbigo, ou para meter-se em disputas de obscuras comparações de adjetivos ou batalhas de vírgulas, mas para pesar sobre a realidade, para tomar a história no momento em que ela vacila e fazê-la andar na direção que nós determinamos que ela vá, custe o que custar. E tem de ser assim, se quisermos afastar de nós a dupla catástrofe do fascismo que se organiza em toda a Europa e a catástrofe da mudança climática, a catástrofe ecológica que nos ameaça e contra a qual ninguém dos que mandam no mundo faz coisa alguma.
Somos todos coletivamente responsáveis por essa força. E agora, ataquemos o assunto principal, por difícil que seja.
A primeira responsabilidade que temos é responsabilidade ante nós mesmos, precisamente em relação à força que constituímos. Nós nos devemos, uns aos outros, o respeito, que é condição de nossa união. Se é verdade que a maioria de nós já decidiu sobre o voto essencialmente importante de domingo, também é verdade que muitos de nós ainda pensam, hesitam, e têm nobres razões para hesitar.
Nosso ponto de vista e o modo de falar uns aos outros não será a demonização, o por contra a parede, a estigmatização, mas o trabalho da razão e do convencimento. Só assim continuaremos a ser a grande força que somos. Não há outro chefe entre nós, que o dever que a consciência nos dita.
É indispensável essa reflexão aprofundada que nos aguarda nesse fim de semana, talvez com nossos filhos, se nos perguntarem, pedirem conselhos, se quiserem compreender o que faremos, dado que eles não votam. É a reflexão de cada um, cada uma, na cozinha de casa, na sala de casa, antes de votar e fazer sua profissão de fé, porque essa reflexão o levará a tomar partido, e, assim, transformará cada um, cada uma, de dentro para fora, quando escolhe o futuro que cada um propõe para todos. Preparar o próprio voto é ato de imensa significação humana, filosófica e política. É unir-se à comunidade humana, declarando que se partilha do interesse comum. Por isso é tão importante pensar bem o próprio voto.
Por isso lhes digo que a primeira reflexão é apelar ao senso comum. O voto é, antes de tudo, voto de ação, determinado a pesar sobre os acontecimentos. O voto não existe para manifestar alguma sensibilidade ou alguma inclinação pessoal.
É preciso que assim seja, porque eles tentarão nos desmobilizar.
Não duvidem, nem por um segundo: eles já compreenderam muito bem o que resultará da derrota que temos de impor a eles. Já compreenderam muito bem que o voto do povo nesse momento não é um cheque em branco, não é ato votivo, mas, ao contrário, é um élan, um impulso, um momento no qual a força se acumula para projetar-se, para lançar-se para o futuro. Peçam, exijam contas dos que têm obrigação de prestar contas, e apertem a garganta dos poderosos de hoje!
Vejam, meus amigos, como, às vezes, uma hesitação pode ter consequências importantes, não previstas. Pensem no colega de trabalho, no conhecido, na amiga, na conhecida da cidade, num familiar, um desses que foram atraídos pelo projeto que apresentamos, pelos meios que mobilizamos, pela poesia que pusemos em ação no nosso projeto, em todas essas belas coisas que fazem sonhar, não no sentido do delírio, mas sonhar no sentido de dar vontade de por-se em ação. Pensem em todos esses que, depois, no último momento, ouviram a voz insidiosa dos que nos caluniaram, tentaram nos diminuir: a voz do fantasma do voto ‘útil’ [vaias].
Sim, sim, respeitamos a escolha deles, respeitamos a decisão deles, compreendemos, sim, mas é preciso dizer: vejam bem, vocês, a consequência do que fizeram!
Se tivessem nos ouvido, se tivessem vindo nos ajudar, quando os convocamos, teriam posto Mme. Le Pen e os outros fascistas, atrás de nós. Sim, sim, vocês entendiam que estariam fazendo o melhor, votando ‘útil’, como supunham, para afastar de vez a Frente Nacional. Mas e agora? Estão vendo o que fizeram? Fizeram exatamente o contrário!
De certo modo, o que vocês fizeram foi instalar a Frente Nacional num pedestal confortável, e nos obrigaram a passar mais duas semanas sem ouvir uma palavra sobre salários, ou sobre educação, ou sobre saúde, ou sobre o lugar da França na grande batalha pelo destino humano ante a crise ecológica. Mais uma vez, passamos dias e dias sendo embrutecidos pelos ataques contra os imigrados! Que insuportável tolice fizeram, que não os levou a nada! Esses ataques nada fazem além de semear mais ódio, mais feridas.
Por isso lhes digo, caros camaradas, que ainda não avaliamos completamente a amplidão [daquele erro], porque, outra vez, o que tivemos foi a estupidez bestial da máquina infernal da Frente Nacional e suas máximas.
Alguém ainda poderia pensar que fosse só isso, mais uma vez, os feitos de uma seita doentia, que já conhecíamos. E era isso, mas era muito mais!
As mesmas palavras pervertidas foram repetidas pelo atual presidente! [vaias] Que validou o raciocínio mais imbecil que se ouviu! O presidente repetiu, por exemplo, que os imigrados seriam culpados do desequilíbrio das contas sociais. A verdade é o contrário! Vocês sabem que, de fato, eles dão 12 milhões de euros a mais, do que recebem! [Resistência! Resistência!]
Homens e mulheres, dentro de poucos dias, vocês serão chamados a eleger seus deputados. Digo-lhes que, outra vez também, é a mesma coisa. Pensem bem no que fazem. E que, dessa vez, tratem de ir na direção da insurreição de esquerda!
Aqui está a nova guarda da esquerda! Os jovens, os que marcham, os que lutam. Mais uma vez, todos os que sofrem e lutam na França têm todo o direito de estar representados na Assembleia Nacional. Ponhamos lá esse grupo forte, disciplinado, cabeças-duras como mulas, que jamais cedem!
Porque somos todos, vocês e eu, corresponsáveis pela força que constituímos juntos. Convoco, em nome de vocês, todos que nos escutam e confiam em nós: mostrem-se, apareçam nesse novo episódio da batalha, com responsabilidade. Ser responsável não é renunciar aos seus objetivos. Ser responsável, ao contrário, é tomar a peito a parte do futuro que depende de cada um.
Na França, não se faz coisa alguma na esquerda sem nós. E, conosco, tudo é possível.
Dirijo-me a vocês com as mesmas palavras, os mesmos objetivos inalterados, do primeiro dia. Não temos de pedir licença a ninguém para nos mobilizar para derrotar Sarkozy. Não precisamos da permissão de ninguém, de nenhum ator, de nenhum acordo do quadro da 5ª República, para alcançar nosso objetivo que, de qualquer modo, começa por arrancar a direita do poder.
Partisan da 6ª República, ninguém se poderá dizer partidário da partilha da riqueza, do salário mínimo de 1.700 euros, do planejamento ecológico-econômico, da saída da França da corte dos EUA e da OTAN, não poderemos fazer nada disso, se, primeiro, não arrancarmos Sarkozy do poder.
Ainda uma palavra, que devemos distribuir a todos os demais. Convoco todos a assumir a responsabilidade de cada um, caros camaradas, a assumir a responsabilidade de cada um, na história. Estamos escrevendo uma página da história da esquerda, reconstituindo, pela primeira vez depois de 30 anos, a outra esquerda, e presente, contando-se aos milhões os que aqui se reúnem.
Essas imagens que correm o mundo, de nossos comícios gigantes, de nossas bandeiras vermelhas, geraram mensagens de apoio de toda a Europa. E nos ajudam a pensar.
Decidimos derrotar Sarkozy e, para isso, votamos em Hollande. E, ouçam bem. Precisamos de uma grande, de uma ampla derrota de Sarkozy. Quanto maior for, mais forte o impulso que dela resultará.
Li o que disse o camarada Oskar Lafontaine, líder do partido “A Esquerda” alemão, que não hesitou em dizer que, se derrotarmos Sarkozy, provocaremos um terremoto na Europa inteira, do qual todos precisam muito.
Os operários e sindicatos alemães sabem que hoje 20% da população ativa vive no limite da linha da miséria. Sabem que os níveis de pleno emprego, como dizem, na Alemanha, só existem, porque já há lá uma legislação que Sarkozy tenta implantar aqui. Por essas leis, se o empregado recusa o emprego que lhe seja proposto, perde o direito a qualquer tipo de indenização e, portanto o empregado é condenado ao subemprego.
Em outubro, os alemães votarão. A esquerda alemã não conseguiu construir candidato à presidência, e observam muito atentamente o que estamos fazendo aqui. Estarei lá, naquela batalha, como, depois, estarei também na Grécia. Os companheiros gregos já disseram que precisam do que estamos aprendendo na França, para que a esquerda também lá vote em massa!
Os irlandeses também votarão, em maio, um referendo, para decidir se o Tratado Europeu deve aplicar-se lá, ou não.
Camaradas, companheiros, amigos, franceses, vocês estão sendo convocados para resgatar todos os povos de toda a Europa! Cumpriremos nosso dever!
Nossa autonomia duramente conquistada, por uma política inflexível que anuncia seus objetivos e não os abandona pelo caminho, brota do nosso programa, que tivemos a sorte de discutir e construir ao longo do tempo, instrumento de nossa autonomia.
Por tudo isso lhes digo que a Frente de Esquerda estará no poder dentro de dez anos. O que não significa que demore dez anos!
Não teremos de esperar dez anos, porque seremos convocados aos nossos postos de combate bem antes disso. Já recebemos a mensagem da Europa: e ela vem, se bem a compreendo, da pior direita europeia, ao futuro presidente da França, seja quem for, e esperemos que seja François Hollande, não Nicolas Sarkozy.
A mensagem vem do dito presidente da União Europeia e vem também do banqueiro do Banco Central Europeu: a política de austeridade é o centro de qualquer política aceitável na Europa. Significa que a batalha começará 2ª-feira, de manhã cedo.
Se tivermos derrotado Sarkozy, só haverá duas vias possíveis: capitular ou resistir. E para resistir, estamos prontos!
Camaradas, nossa força implica nosso dever. O dever político não pode ser moralmente partilhado. Não se pode entregar o trabalho a outro. Cabe a cada um, como adulto responsável, lúcido, consciente, fazendo política, não profecia, tomar seu título eleitoral e votar. Essa a tarefa, esse o dever moral de quem queira olhar-se no espelho e dizer: fiz o que tinha o dever de fazer.
Não somos essa espécie de animal vociferante, como os energúmenos reunidos como tropa de muares em torno de Mme. LePen, que, em 40 anos, serviram para rigorosamente nada, além de disseminar ódio entre o povo e fazer as pessoas detestarem o vizinho, o próximo.
E vejam só, essa nada! Quando chega o momento de decidir, o que ela decidiu? Nada. É cúmplice do sistema, que o faz durar, durar, durar, para nunca acabar! Quanto antes nos livremos disso, quanto antes poderemos responder às perguntas que se impõem aos nossos povos e ao nosso continente.
Domingo, quando usarmos nosso voto, saberemos que nos livramos de dois, pelo preço de um.
Domingo, então, temos esse dever. E imediatamente depois, começa a batalha pelas eleições legislativas.
Ainda não sei, porque ainda não tivemos tempo de decidir sobre isso, qual será minha participação pessoal nesse combate geral. O que sei é que é mais fácil para mim voltar ao meu velho posto de combate, que me foi confiado. Mas, dessa vez, como das outras vezes, irei aonde o dever mandar que eu vá.
Espero que outros da minha geração respondam ao meu apelo e comportem-se como devem, em relação à geração seguinte, como é nosso dever hoje.
Sejamos, amigos, camaradas, os guias que levem os demais pelas trilhas que haja, difíceis, se forem difíceis, sem nos dividir, sem perder o foco. As trilhas difíceis são perigosas, sim, mas são mais rápidas, porque são menos frequentadas.
Sejamos a luz que ilumina o caminho, mas, sobretudo, os que passam o bastão, a chama, a bandeira, nossa bela bandeira vermelha que se agita ao vento da nossa pátria comum.
É muito provável que eu participe da batalha legislativa, talvez em Paris, talvez em Marselha. O resultado não me ocupa nem preocupa. Cuido sempre mais do combate, que do resultado.
Falo a cada um de vocês. Nos reunimos, porque há um rito a cumprir. É importante que todos se vejam aí, e que outros muitos, nos lugares mais distantes, mais isolados, os vejam aí,como sardinhas em lata, para que se sintam muitos, apoiados, amparados pela solidariedade dos camaradas, essa nossa força de idades tão diferentes, das profissões mais variadas, com tantas e diversas esperanças, todos empenhados a dar o melhor de nós, à luta pelo bem comum, em todos os serviços, em todas as profissões, seja qual for o lugar que ocupamos na sociedade.
Todos, ajudem a França a virar essa página!
Se não o fizermos, a vergonha será enorme. Se torcermos o pescoço a esse horror chamado de “LePenização” da direita, conseguiremos demonstrar que, numa eleição, não vale a pena comportar-se como grande fascio.
O povo francês aspira a uma unidade de fraternidade e recusa-se a apontar o dedo acusador ao vizinho, por sua religião.
Espero que o que teremos de lutar aqui terá efeitos por toda a Europa. O “basta” que diremos aqui ecoará por toda a Europa. E fará andar avante o movimento de todos os povos europeus que lutam contra a miséria. Sei que virar a página não basta.
Também sinto, como vocês, que a história é lenta, é cruel, mas viraremos essa página, porque, assim, teremos cumprido a primeira etapa do que temos de fazer para começar a escrever a história, nós mesmos.
Viva a República! Viva a França! Viva a República Social!
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A crise capitalista está produzindo cenas chocantes e inimagináveis na Europa. O Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), fruto das lutas dos trabalhadores e também do “medo do comunismo”, segundo o historiador Eric Hobsbawm, está sendo desmontado para saciar o apetite da burguesia rentista, maior culpada pelo caos europeu. Abaixo, três cenas deprimentes dos últimos dias: Crianças entregues à adoção na Grécia
Segundo o jornal britânico Guardian, vítimas do desemprego crescente e da queda brusca de poder aquisitivo, famílias gregas têm entregado seus filhos para a adoção. Nas ruas de Atenas e de outras cidades, cresce o número de menores abandonados nas ruas. E médicos e enfermeiras afirmam que bebês recém-nascidos têm sido abandonados nas portas de várias clínicas.
O jornal relata o caso dramático de Dimistris Gasparinatos. Atolado em dívidas, ele decidiu entregar, na véspera do Natal, quatro de seus seis filhos para adoção numa instituição de Patras, vizinha de Atenas. “Psicologicamente, estávamos todos em meio a uma bagunça. Dormíamos em colchonetes no chão, não pagávamos o aluguel por meses, tínhamos que fazer alguma coisa”, descreve.
“Tenho vergonha de dizer, mas cheguei ao ponto de não ter nem €2 (R$ 4,8) para comprar pão. Não queríamos separar a família, mas achamos que seria melhor para eles, se quatro dos nossos filhos fossem enviados para uma instituição por dois ou três anos”. Segundo o prefeito da cidade, Theoharis Massaras, “os pedidos de auxílio social dispararam” nos últimos dois anos.
Em 2010, a prefeitura deu comida para 400 famílias no Natal. “Neste ano, 1.200 pediram ajuda e elas não eram de baixa renda. Muitos tinham bons trabalhos até este ano, quando seus comércios e negócios fecharam”, relata o prefeito. O pedido de adoção, porém, foi uma novidade em Patras. Mas, segundo várias ONGs, já há centenas de casos em todo o país devastado pela crise.
Cerca de 500 famílias entregaram seus filhos para ONG SOS Children's Village, segundo o jornal grego "Kathimerini". Um bebê foi deixado num berçário com o bilhete: “Não voltarei para pegar Anna. Não tenho dinheiro. Sinto muito. Sua mãe”. Dimistris Tzoura, diretora da ONG, confirma o quadro desolador: “Infelizmente, houve um aumento enorme de famílias passando necessidade”.
Barcelona cria cota para papel higiênico nas escolas
Segundo o jornal El País, a administração catalã, na obsessão neoliberal da “austeridade fiscal” que atormenta a Espanha em crise, decidiu estabelecer uma cota para o uso de papel higiênico nas escolas públicas de Barcelona. O documento oficial e jocoso sobre as “quantidades máximas de consumo” foi encaminhado pelo consórcio que dirige o setor, fixando a metragem do papel higiênico e de secar mãos.
Restrição aos mendigos em Paris
Da jornalista Angelique Chrisafis: “As cintilantes vitrines das lojas de luxo de Paris freqüentemente contrastam com a imagem de uma pessoa trêmula mendigando moedas nas imediações, encolhida por trás de uma cartolina onde se lê ‘fome’. Com a economia em crise, os pobres e os moradores de rua de Paris estão mais presentes que nunca nas entradas de edifícios e do metrô”.
Diante deste cenário, o presidente Nicolas Sarkozy decidiu lançar uma guerra contra os mendigos. O governo promulgou uma série de decretos que proíbem que mendigos circulem nas mais populares áreas comerciais e turísticas de Paris. “Ele diz que deter e multar mendigos é crucial para impedir que visitantes estrangeiros sejam importunados por pedintes ‘delinqüentes’”.
O prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, definiu as medidas como “um golpe barato de relações públicas”, criado para “estigmatizar parte da população”. Para ele, “combater a pobreza com repressão e multas é chocante num momento em que o Estado não cumpre a obrigação de abrigar pessoas jovens e vulneráveis”. Sarkozy tentará sua reeleição neste ano. Por isso, ele reforça a sua imagem fascistóide.
Programa Memória Política da TV Câmara traz a última entrevista de Amazonas, em seu último ano de vida. Com invejável lucidez, o mais então antigo comunista em atividade, avalia a sua vida e a luta pelas liberdades, a soberania e o socialismo no Brasil do século XX. É uma aula, vale muito a pena ver.
"As turbulências do presidente"; "Os pés pelas mãos" - por si só os títulos dos editoriais nos quais os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo trataram, neste início de ano, a questão da compra pelo governo brasileiro de um lote de novos caças para a Força Aérea Brasileira, indicam a indisfarçada torcida pela abertura de uma crise no governo federal.
A decisão vem sendo amadurecida há bastante tempo. Além das audiências públicas, consultas, relatórios técnicos e demais providências que uma decisão dessa envergadura envolve (dados seus aspectos políticos, militares e financeiros), há também um pesado jogo de pressões (internas e estrangeiras) que extrapolam os aspectos técnicos e financeiros e revelam o fundamental caráter geopolítico do que está em jogo.
O vazamento de um relatório da FAB, noticiado pela Folha de S. Paulo no dia 4, faz parte desse jogo pesado. E a reação da mídia, com forte eco na oposição neoliberal, revela aspectos dele que se interpõem entre a manifesta preferência de Lula pela oferta francesa e a torcida pela compra do sueco Gripen NG.
Alega-se que o sueco é um avião mais barato. Mas é como comprar um apartamento na planta. É um avião que ainda não está pronto mas só existe em projeto, com limitações importantes. Seu motor, por exemplo, é fabricado nos EUA; outra fragilidade decorre de que, para baratear a produção, ele depende de um sem número de fornecedores de peças espalhados pelo mundo. Quando se lembra que, há poucos anos, a Embraer foi proibida pelo governo de Washington de vender aviões Tucanos para a Venezuela porque tinham componentes fabricados nos EUA esta fragilidade do projeto sueco fica ainda mais evidente - ela não é técnica nem financeira, mas política.
A decisão final pela compra cabe ao presidente Lula que, como chefe da Nação, é o comandante em chefe das Forças Armadas. Não será uma decisão solitária, como insinuam os pregoeiros da crise, mas envolverá o Ministro da Defesa, o Conselho de Defesa, a assessoria técnica da FAB e as necessárias consultas para uma decisão que envolve tamanha responsabilidade. Mas ela é prerrogativa do presidente da República.
Isto é, será uma decisão política, como insistem o próprio Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e outras autoridades do Governo. Este é o coração da polêmica. A decisão final poderá consolidar e fortalecer o caminho autônomo que o Brasil segue desde 2003. É um rumo contra o qual a oposição neoliberal, e as forças sociais que ela representa, mantém o dogma do alinhamento automático entre o Brasil e os EUA, opinião que fundamenta sua torcida por uma escolha para recolocar nosso país numa situação subalterna e dependente.
Mas o governo trabalha com outra opção, a do fortalecimento da autonomia que poderá resultar da consolidação de pactos internacionais múltiplos e soberanos, fora da esfera norte-americana, e que possam aumentar a capacidade de defesa de nosso país sem a dependência de decisões externas.
O embate entre estas duas opções, uma dependente, outra soberana, é o fundamento da torcida da oposição neoliberal por uma crise entre o governo e os militares. Tudo indica que mais uma vez não passará intriga midiática, e que - ao contrário do que querem os ventríloquos da mídia, a soberania nacional saíra fortalecida.