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sábado, 7 de agosto de 2010

Sobre canções e a luta do povo - Nikos Ksilouris

en la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras, noches, poemas
Paulo Leminski



Dias corridos. Realizou-se há uns dias na Venezuela, o Encontro Sindical Nossa América. Hugo Chávez esteve mais de duas horas em companhia de sindicalistas de todo o mundo. Depois, realizou-se o II Festival da Juventude Rural da CONTAG, reunindo milhares de jovens rurais, a juventude camponesa no parque da Cidade, em Brasília. E semana que vem, em Asunción, capital do Paraguai, começa o Fórum Social Américas. E a CTB se faz presente com feição própria e uma contribuição política do Brasil a esse momento político que vive a América Latina e o mundo.

E eu, lá do Ceará, - absolutamente despretensioso de chegar para além do Juazeiro do Norte do meu Padim - mais uma vez me vejo testemunha desses momentos de crescente encontro e entrelaçamento de nossas agendas políticas e destinos, na América Latina.

E infelizmente não é possível traduzir o que significa cada um desses grandes eventos. Gente solidária e preocupada com o mundo e as pessoas se encontrando em busca de caminhos.

E uma coisa que sempre procurei trazer de todos esses lugares aonde fui, foi música. Sendo eventos essencialmente políticos, muita música relacionada à luta do povo. E foi assim que descobri o que se convencionou falar de Folk Music, que é um rótulo que reúne muito mais do que escreve. Falo de Mercedes Sosa, Victor Jara, Violeta Parra, Pete Seeger, Joan Baez, Ali Primera, Sílvio Rodríguez, Pablo Milanés, o primeiro Bob Dylan, Quilapayun. (Falaremos de todos, mais amiúde.)

Fortíssimo isso também no Brasil nos anos 60 e 70, com o mesmo tom dessa expressão folk que, pelo mundo, representou uma opinião muito generosa, de que era importante fazer luta com os versos e as canções, e a história entranhada em cada uma dessas expressões musicais e poéticas que resgatavam aspectos essenciais da história desses povos.
(Inevitável a lembrança de Maria Betânia cantando Carcará, na busca de transpor para alago equivalente, assim como Luiz Gonzaga, Ednardo.)

E nessa viagem à Venezuela bolivariana - que figura importante e carismática foi Simón Bolívar, para além da ignorância do PIG a tentar estigmatizar o termo - peguei uns vídeos de Ali Primera e Victor Jara, o que me fez retomar essa ideia de, por meio desses textos transpor algo dessas canções, a fim de também aqui no Brasil podermos nos beneficiar dessas jóias musicais, culturais, de vida e luta. Muitos dos artistas tiveram suas existências violentamente interrompidas ou enfrentaram grandes provações pelo que cantavam e escreviam e significavam. É preciso simplesmente escutar toda a riqueza poética, o retrato de um povo, de uma época, tudo que se deixa transparecer no característico canto, nos temas, nas letras, nas faces, gestual e vestimentas. E ainda tem a política, cuja riqueza é à parte.

E não só da América Latina. Ouvi esses dias um CD de música grega que recebi quando estive no Congresso da KNE - Juventude Comunista da Grécia. Era um CD comemorativo que percorre praticamente um século de canções de luta. E eis-me insone a tentar entender o que me diziam aqueles gregos caracteres que realmente para mim são grego. Mas a internet é para isso, e descobri que uma das canções mais bonitas se chama "E os inimigos entraram na Cidade". E encontro as imagens do músico de grande parte das canções em um show. Seu nome, Nikos Xilouris. Encontro a trilha musical ilustrada por imagens da ditadura grega. Hoje, o mundo tem visto centenas milhares de trabalhadores gregos nas ruas de Atenas.

Em Atenas funciona a sede da federação Sindical Mundial. Esta cidade receberá em abril de 2010, ocorrerá o 16º Congresso da FSM, que em 2010 completou 65 anos. No dia 07 de agosto, a Federação Sindical Mundial chama um dia internacional de lutas contra as consequências que a crise econômica acarretam àqueles que não a engendraram, a maioria, os trabalhadores e trabalhadoras. Aqui no Brasil, na Cidade de Deus, nessa data a juventude mais progressista e representativa do Brasil se reunirá na Cidade de Deus, Rio de Janeiro, e se postará ombro a ombro com a companheira Dilma que apresentará suas propostas para a juventude. A luta avança por muitos caminhos. Viver e ouvir coisas novas, mesmo que antigas. Vitórias do povo, por exemplo, há tanto ansiadas e só agora vividas.

Ouçamos admirados Nikos Xilouris - E os inimigos entraram na Cidade -Mpikan Stin Poli Oxthroi - Μπήκαν στη πόλη οι οχτροί e um pouco mais.





sexta-feira, 7 de maio de 2010

FSM lidera mobilizações na Grécia e envia mensagem à CTB

Moçada, vejam a mensagem que a CTB recebeu de Nikos Teodorakis da PAME (Frente Militante dos Trabalhadores) da Grécia, com quem estivemos na Conferência Internacional da Federação Sindical Mundial em Lima, Peru:

Caros camaradas,

Queremos agradecê-los pelas suas inicativas em expressar solidariedade à luta da classe trabalhadora grega e às lutas da PAME (Frente Militante dos Trabalhadores). Nossa greve no dia 5 de maio foi um momento histórico para os trabalhadores gregos.Milhões aderiram à greve, muitos pela primeira vez. Demonstramos nosssa oposição às políticas do capital, do FMI, da União Européia e do governo grego. E exigimos que a riqueza que produzimos retorne a nós, à classe trabalhadora.


E o sucesso de nossa greve aterrorizou a classe dominante.





Essa é a razão pela qual eles usaram de provocações para afastar os(as) trabalhadores(as) a fim de que retornassem às suas casas. Grupelhos de infiltrados mascarados começaram a incendiar construções e a causar tumultos. E não eram os(as) trabalhadores(as), não eram manifestantes. Suas ações só ajudam os capitalistas a reforçarem suas políticas.

Os monopólios da mídia capitalista (CNN, BBC, etc) tentam mostrar tais ações de pequenos grupos de provocadores infiltrados como ações de trabalhadores. Eles querem que o mundo acredite que o dilema em questão é escolher entre a ordem capitalista mudial ou o caos. Essa é a razão pela qual não mostram as centenas de milhares de manifestantes que pacificamente demonstraram e declararam que nós não aceitamos fazer mais nenhum sacrifício pelos capitalistas.

A solidariedade de vocês e as atividades que realizem por todo o mundo ajudam-nos a desmascarar as mentiras dessa propaganda. A solidariedade de todo o mundo fortalece a nossa luta.

Enviamos-lhes essas fotos e um breve vídeo das demonstrações da PAME em Atenas no dia 5 de maio.

http://www.youtube.com/watch?v=7EOnyx3Cxto


Nikos Teodorakis

PAME-Grécia


terça-feira, 4 de maio de 2010

A Grécia e o FMI, um roteiro de terror contra o povo

www.vermelho.org.br
Editorial

03 de Maio de 2010 - 15h55 O Brasil viveu, no passado recente, pilhagem semelhante à que ameaça o povo grego como condição para o megaempréstimo internacional cujo objetivo é salvar os banqueiros que fizeram empréstimos especulativos para a Grécia e agora, à beira do precipício, tentam jogar o custo da crise sobre os ombros dos trabalhadores e do povo.

O pacote negociado pelo governo grego prevê um conjunto de más notícias aos trabalhadores para acertar o acesso a uma montanha de recursos que praticamente nem chegarão a sair dos cofres das entidades empr
estadoras pois serão empregados para liquidar parcelas da dívida externa grega (parte das quais vencem no próximo dia 19). E que o povo grego terá que pagar com um arrocho inaudito nos próximos três anos, permitindo ao governo "reequilibrar" as finanças do país.

O Brasil viveu situação semelhante na crise da divida nos anos 1980 e em 1998. Nesta última, sob Fernando Henrique Cardoso, o país quebrou e o governo tucano acertou um
empréstimo de 40 bilhões de dólares com o FMI com objetivo semelhante: garantir o pagamento dos juros aos banqueiros internacionais. Da mesma forma, aquele dinheiro nem chegou a sair dos cofres dos bancos, mas ficou por lá como garantia de que o país pagaria suas contas. E o peso daquele empréstimo caiu duramente sobre os ombros dos trabalhadores e do povo: para satisfazer a voracidade dos banqueiros, FHC se comprometeu a gerar superávits primários que sabotaram a capacidade de investimento do Estado, a adotar metas draconianas de inflação (comprometendo o desenvolvimento nacional), a aumentar o tempo de trabalho para a aposentadoria e reduzir os valores das pensões, a arrochar os salários e reduzir o número de funcionários públicos. O resultado foi um enorme empobrecimento dos brasileiros e o agravamento da estagnação econômica.

Esse mesmo filme de terror está sendo exibido em Atenas e nas demais cidades gregas. O FMI, a União Européia e os banqueiros europeus (particularmente os alemães, principais credores da dívida externa grega) impõem um receituário semelhante: aumento dos impostos, redução do déficit orçamentário grego de 13,6% para 3% até 2014, flexibilização das leis trabalhistas facilitando as demissões de trabalhadores, aumento da idade média para aposentadoria de 53 para 67 anos, redução dos valores das pensões, que passarão a serem calculadas com base na méd
ia dos salários ao longo da carreira e não mais o último vencimento recebido pelo trabalhador. Além disso, o congelamento dos salários dos funcionários públicos, que vigora este ano, será estendido até 2014 e haverá cortes no 13º dos trabalhadores.

Desde o final do ano passado, quando a crise grega eclodiu, os trabalhadores resistem contra a ofensiva patronal e dos banqueiros e se recusam a pagar pela crise. Nos últimos dias, a resistência cresceu e as manifestações se espalham por todo o país, pontilhado de confrontos com a polícia. Os sindicatos e partidos da esquerda (o Partido Comunista Grego entre eles) marcaram uma grande greve para o próximo dia 5. A previsão de sucesso da manifestação está baseada no dado divulgado pelas agências de pesquisa: mais de 50% dos gregos apoiam as manifestações e os protestos e não aceitam o alto custo da cobrança por uma crise econômica que não criaram mas que decorre de negócios escusos entre o governo e os banqueiros internacionais.

Quando a crise mundial eclodiu, em 2008, muita gente viu nela a submersão das doutrinas neoliberais e das práticas lesivas aos povos e aos trabalhadores promovidas p
or governos conservadores e banqueiros gananciosos. Mas o neoliberalismo não estava vencido e, passado o momento crítico, voltou aos mesmos truques para garantir lucros fáceis e espoliativos, como revelam as notícias ligadas à grave situação de países como a Grécia e, também, ligadas a negócios obscuros e fraudulentos promovidos por corretoras financeiras como a Goldman Sachs, de Nova York. A batalha contra o neoliberalismo e o vampiresco rentismo financeiro internacional prossegue. Uma de suas etapas está sendo vivida pela resistência popular nas ruas das cidades gregas.


Conheça as páginas do

Partido Comunista da Grécia (inglês) - KKE

e em Português

e da

Juventude Comunista da Grécia - KNE
(Inglês)


Leia Meu Artigo sobre

O 9º Congresso da Juventude Comunista da Grecia

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