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terça-feira, 21 de abril de 2026

Tiradentes: a sagrada missão, ainda necessária! Beto Almeida



A data nacional de Tiradentes, Patrono da Nação, precisa ser comemorada com uma reflexão ativa, tal como se faz no discurso de Darcy Ribeiro, uma caudalosa cachoeira de análises tão inteligentes quanto apaixonadas, sobre o tremendo significado que possui, hoje ainda, a magnífica Insurreição Mineira, rebaixada odiosamente, por seus inimigos escravagistas,  ao rótulo indevido de Inconfidência, que lembra delação, visando desmoralizar o debate, ainda atualíssimo,  sobre a necessidade de assumirmos a audácia do Alferes Rebelde para conquistarmos, ainda que tarde,  o que ainda nos falta: um Programa de Nação!


Apaixonado pelas ideias da Revolução  Francesa, militante desta causa, que também inspirou Marx, Tiradentes foi ao encontro de Thomas Jefferson, na França, acompanhado do revolucionário e culto Padre Rollin, e arrancou do líder revolucionário da jovem República dos EUA, o compromisso de apoiar a revolução brasileira, com armas, recursos financeiros e reconhecimento político. Segundo o discurso de Darcy Ribeiro, proferido em 21 de abril de 1992, no evento Sagração da Liberdade, marcando o Bicentenário do martírio de Tiradentes, este teria dito a Jefferson que o Brasil seria uma República ainda mais rica e mais próspera que os EUA, pois a natureza nos havia dotado de numerosas vantagens comparativas reais, o que se registra em estudos comparativos de Moniz Bandeira sobre a evolução econômica dos dois países, em concordância com a projeção inicial do Alferes.


Os vassalos da sanguinária Coroa Portuguesa sempre buscaram rebaixar a gestão revolucionária mineira,  afirmando que nem possuíam qualquer projeto, o que é rebatido por Darcy Ribeiro elencando um decálogo programático, com destaque para o fim dos monopólios reais e para a prioridade dada pelos insurretos à industrialização, a começar pelo ferro e a pólvora, seguida de toda manufatura. Os revolucionários também projetavam criar uma Universidade em Ouro Preto já naquela época, impedidos pela crueldade da forca e do degredo mortal na África. 


Seria positivo que essas informações chegassem ao presidente Lula, já que , na prisão, também leu bastante sobre Tiradentes e tanto reclama da tardia universidade brasileira.


O ódio ao projeto de revolução republicana era tal que ainda hoje contamina uma certa historiografia que tenta diminuir a importância daquela rebeldia, que chega mesmo até a cobrar, com desprezo,  diploma de dentista de Tiradentes, quando se sabe que na época não havia nenhuma faculdade de odontologia no Brasil. Pode-se deduzir, portanto, que o que está em jogo é esforço para desanimar e confundir os patriotas brasileiros que conseguem vislumbrar a prioridade de se construir um Programa de Nação Brasil, independente e soberana,  industrializada e livre da dependência tecnológica, próspera e justa, e não o que ainda temos hoje, apontada pelo Laboratório do Economista Thomas Piquety, da França, como a 5a. nação mais desigual do mundo, com disparates tais como o de pagar um trilhão de juros/ano da dívida pública para os banqueiros e, ao mesmo tempo, ter o segundo menor salário mínimo da América Latina. Agora surge a ameaça de se lançar mão dos recursos do FGTS para transferi-los aos banqueiros, para quitar o endividamento causado pela escandalosa tolerância com a  cobrança de até 432% de juros de cartão. Isso é crime de usura, conforme Decreto de Getúlio Vargas, de 1933, ainda em vigor.


Como nos faz falta o clamor poético revolucionário de um Cláudio Manoel, a sustentar e embalar as ideias práticas e transformadoras de Tiradentes, quando ainda hoje , na própria Minas Gerais assistimos a prática da rapina do nióbio de Araxá, vendido a preços coloniais (27 dólares o quilo), com 100 toneladas embarcadas diariamente no Porto de Sepetiba, RJ, chegando aos portos europeus valendo 665 dólares o mesmo quilo, após a "milagrosa travessia atlântica", sendo empregadas na fabricação dos mísseis Cruise, em indústria armamentista controlada pela Família Rockfeller, despontando o Banco Itaú e a CBMM(Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) apenas como biombos  que mal ocultam a verdade da operação que Getúlio Vargas já descrevia como Coação da História,  aquela em que os países semi coloniais se vêem submetidos à imposição de comprar a preços mil vezes mais caros os produtos manufaturados originários de sua própria exportação a preços negativos. Esta operação tão daninha aos interesses nacionais, conhecida por todos os governantes, é a continuidade histórica daquela, denunciada energicamente por Tiradentes, que permitia o uso de uma montanha de ouro para pagar o tráfico de escravos  - o mais lucrativo negócio dos homens brancos mercantilistas-   e uma outra montanha de ouro para a Coroa Portuguesa, que a transferia à Inglaterra, verdadeira metrópole, onde o ouro  sustentou a Revolução Indústrial às custas do sofrimento dos negros das Minas, afundados em sangue e miséria. O que deixam as toneladas de nióbio de Araxá rapinadas a não ser  buracos e misérias ao povo mineiro?? Por que esses temas não estão em pauta para a elaboração de um Projeto de Nação Independente e Soberana? Por que nenhum projeto para a industrialização deste nióbio localmente, como faz o Canadá, com enormes ganhos para sua economia? Quando se menciona a ideia de criar uma Terrabrás, por que esquecer essa rapina diária de 100 toneladas de nióbio? Essa rapina poderia até inspirar um novo filme, quem sabe?


                        A Era Vargas Publicou os Autos da Devassa


Os Autos da Devassa - interrogatórios e depoimentos de Tiradentes e seus audaciosos companheiros subversivos mineiros  -   só foram publicados no Brasil pela Biblioteca Nacional, entre 1936 e 1938, na Era Vargas, quando o feriado de 21 de abril foi novamente legalizado com o claro intuito de reverenciar e solidificar a consciência brasileira sobre os passos que todavia faltavam e ainda faltam para que o Brasil venha a ser uma nação plenamente soberana e independente, conforme pronunciamento de Getúlio Vargas em solenidade em Ouro Preto.


Certamente ainda nos faz falta, como brasileiros, encarnar o espírito de Tiradentes, aquele que bradava "se todos quisermos, faremos deste país uma grande nação". Falta-nos a energia sagrada e consciente de Tiradentes para enfrentar a hemorragia que continua ocorrendo com nossas riquezas minerais, seja o nióbio, ou seja o petróleo. 


Foi com tecnologia nacional que a Petrobras descobriu o imenso manancial de petróleo pré-sal, mas ao contrário dos demais países produtores de petróleo, onde cada  Estado fica com 80% da receita petroleira, no Brasil, o Estado detém apenas 8 %  dessa receita, apenas para dar dois exemplos.


Celebremos o Feriado Nacional de Tiradentes com a responsabilidade de cultivar sua ira santa contra as rapinas; de cultivar o canto poético rebelde de um Claudio Manoel da Costa; de unir todos os talentos e instrumentos da nacionalidade para assumir legitimamente o pleno controle democrático e soberano do Brasil.


Tiradentes nos vitaliza, prenhe de sonhos,  a nacionalidade inteira com seu desprendimento de "Dez vidas eu tivera, dez vidas eu daria por esta Causa".



O discurso de Darcy Ribeiro, outro mineiro, é arrebatador! 


E Carlos Drummond de Andrade escreveu:


 "Minas,  árvore alta. Minas de sangue, de lágrima, de cólera. Minas, mãe dos homens. Minas do esperma, do milho, da pétala, da pá, da dinamite. Minas canal da flor e da semente. Minas mãe da dor, mãe da vergonha. Minas, minha mãe crepuscular.

Havemos de amanhecer.

O mundo se tinge com as tintas do anteamanhã"



Beto Almeida, jornalista

Diretor da Telesur

Conselheiro da ABI

sexta-feira, 5 de março de 2021

Ary dos Santos - Não Passam Mais - Letra e recitar de Ary dos Santos - Vermelho, Avante

 Ary dos Santos - Não Passam Mais

Em nome dos nossos braços

em nome das nossas mãos

em nome de quantos passos

deram os nossos irmãos.



Em nome das ferramentas

que nos magoaram os dedos

das torturas das tormentas

das sevícias dos degredos.

Em nome daquele nome

que herdámos dos nossos pais

em nome da sua fome

dizemos: não passam mais!

 

E em nome dos milénios

de prisão adicionada

em nome de tantos génios

com a voz amordaçada

em nome dos camponeses

com a terra confiscada

em nome dos Portugueses

com a carne estilhaçada

em nome daqueles nomes

escarrados nos tribunais

dizemos que há outros nomes

que não passam nunca mais!

 

Em nome do que nós temos

em nome do que nós fomos

revolução que fizemos

democracia que somos

em nome da unidade

linda flor da classe operária

em nome da liberdade

flor imensa e proletária

em nome desta vontade

de sermos todos iguais

vamos dizer a verdade

dizendo: não passam mais!

 

Em nome de quantos corpos

nossos filhos forma feitos.

Em nome de quantos mortos

vivem nos nossos direitos.

Em nome de quantos vivos

dão mais vida à nossa voz

não mais seremos cativos:

o trabalho somos nós.

 

Por isso tornos enxadas

canetas frezas dedais

são as nossas barricadas

que dizem: não passam mais!

 

E em nome das conquistas

vindas nos ventos de Abril

reforma agrária controlo

operário no meio fabril

empresas que são do estado

porque o seu dono é o povo

em nome de lado a lado

termos feito um país novo.

 

Em nome da nossa frente

e dos nossos ideais

diante de toda a gente

dizemos: não passam mais!

 

Em nome do que passámos

não deixaremos passar

o patrão que ultrapassámos

e que nos quer trespassar.

E por onde a gente passa

nós passamos a palavra:

Cada rua cada praça

é o chão que o povo lavra.

Passaremos adiante

com passo firme e seguro.

O passado é já bastante

vamos passar ao futuro.

 

José Carlos Ary dos Santos em "O Sangue das Palavras

 

 


Domingos Lobo: Poeta da revolução portuguesa, Ary dos Santos - No Vermelho


José Carlos Ary dos Santos foi o mais consequente poeta da Revolução de Abril de 1975 em Portugal, o que esteve sempre, fraterno e cúmplice, na primeira linha do combate; o poeta generoso e lúcido, que mascarava, com o manto diáfano dos excessos, a sua íntima, profunda solidão.

Por Domingos Lobo*, no jornal Avante!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Fórum Social Mundial 2021 - CTB Brasil, PIT-CNT Uruguai, CGTP Portugal e FSM Argentina promovem debate sobre Desafios do Movimento Sindical - 26/01/2021 às 15h00 no Youtube

Minha fala está em 1h13m00s





DESAFIOS DO MOVIMENTO SINDICAL - CRISE ECONÔMICA, PANDEMIA, PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E DESEMPREGO

Debate Internacional com Brasil, Portugal, Argentina e Uruguai

Adilson Araújo - Presidente da CTB

Ernesto Quiqui - Federação Sindical Cone Sul - Sindicato do Couro da Argentina

Marcelo Abdala - PIT-CNT do Uruguai

TERÇA-FEIRA, 26/01 através do canal do Youtube da CTB: https://www.youtube.com/user/TVClassista

sábado, 23 de janeiro de 2021

Domingo é dia de afirmar e defender a Constituição Portuguesa - Partido Comunista Português tem João Ferreira candidato a Presidente


AVANÇAR As eleições para Presidente da República são já no próximo domingo, 24. A candidatura de João Ferreira é a única que dá garantias de levar a sério o projecto democrático de desenvolvimento inscrito na Constituição da República Portuguesa.

Desde Setembro, quando foi apresentada, a candidatura de João Ferreira disse ao que vinha: a Constituição da República Portuguesa, com os direitos que consagra e o rumo de desenvolvimento a que aponta, é a sua referência e há que levar a sério o juramento presidencial de a defender, cumprir e fazer cumprir. Ao contrário do que outros sugerem, o problema não está na Constituição, mas precisamente no desfasamento entre o que lá está escrito e a prática política de sucessivos governos e presidentes da República – e a candidatura de João Ferreira mostrou-o, uma e outra vez. 

Ao longo dos últimos meses, em múltiplas e diversificadas acções, declarações, debates e entrevistas, ficou claro o significado prático, concreto, desta defesa intransigente da Lei Fundamental do País: a necessidade de concretizar no dia-a-dia os direitos ao trabalho e a ter direitos no trabalho; à educação, à saúde, à protecção social, à habitação; à cultura e ao desporto; a um ambiente saudável; à protecção especial dos mais vulneráveis – dos jovens às pessoas com deficiência, dos idosos às mães e pais.

Mas lá está, também, o direito a País soberano, com um projecto de desenvolvimento próprio capaz de assegurar o progresso e a justiça social. 

Pela coragem assumida, pela clareza do seu posicionamento e dos seus compromissos e pela confiança que dela emanou, a candidatura de João Ferreira cedo se revelou a única capaz de contribuir para que se abra em Portugal um horizonte de esperança. Por essa razão, agregou apoios oriundos de diferentes sectores políticos e sociais, que não pararam de crescer: só na última semana, João Ferreira recebeu o apoio de mais de 1600 membros de Organizações Representativas dos Trabalhadores, mais de 200 investigadores e docentes do Ensino Superior, 160 advogados e mais de 280 ecologistas. 

Até domingo, há ainda muitos contactos a fazer e apoios a somar. Não só nas iniciativas de campanha com o candidato (que esteve ontem em Aveiro, hoje está no Porto Braga e amanhã estará em Lisboa), mas em múltiplas – e por vezes criativas – acções de esclarecimento e mobilização para o voto em João Ferreira. Certo é que na segunda-feira e para lá dela, os activistas e apoiantes da candidatura de João Ferreira continuarão a estar onde sempre estiveram: no exaltante e decisivo combate por um Portugal com futuro, justo, desenvolvido e soberano! Poderão outros dizer o mesmo?


domingo, 6 de setembro de 2020

Comício da 44.ª Festa do «Avante!» em Lisboa - intervenção de Afonso Sabença, Manuel Rodrigues, Diretor do «Avante!» e Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP

 O áudio começa a 6min50s.

Comício da 44.ª Festa do «Avante!»

Comício da Festa do Avante, no Palco 25 de Abril com intervenção de Afonso Sabença (membro da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP), Manuel Rodrigues (Director do jornal «Avante!») e Jerónimo de Sousa (Secretário-Geral do PCP).

Publicado por PCP - Partido Comunista Português em Domingo, 6 de setembro de 2020

domingo, 25 de agosto de 2013

PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS - Brasil 247


PORTUGAL TAMBÉM PROTESTA, MAS PARA MANTER MÉDICOS CUBANOS



No momento em que governo brasileiro enfrenta revolta da classe médica contra a contratação de médicos do país de Fidel Castro, portugueses lutam para mantê-los. Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, reconhece:“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos, porque passaram a ter um médico”



22 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 08:23





247 – O governo de Dilma Rousseff anunciou ontem a contratação de 4 mil médicos cubanos. A inciativa levanto ainda mais polêmica na classe médica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) classificou como "eleitoreiro, irresponsável e desrespeitoso" o anúncio pelo Ministério da Saúde. Para a entidade, a medida agride direitos individuais, humanos, do trabalhador e ainda expõe a saúde da população a situações de risco. "É uma irresponsabilidade trazer médicos de fora, sejam cubanos, sejam brasileiro formados no exterior, sem a devida verificação da competência técnica", avaliou Roberto d'Ávila, presidente do CFM.

Enquanto isso, em Portugal, população também protesta, mas para manter esses profissionais no país. Leia mais na notícia do blog Tijolaço:

Em Portugal, médicos cubanos são um problema. Ninguém quer que eles se vão

Se o caro amigo internauta fizer uma pesquisa rápida no Google verá que o que pode acontecer aqui no Brasil, no futuro, com os médicos cubanos que o Governo Federal está trazendo para atuar em municípios onde não há profissionais brasileiros dispostos a atuar.

Os problemas não são de incapacidade profissional ou de dificuldade de comunicação.

São que os contratos firmados pelo governo português estão acabando e alguns deles terão de ir embora, para desespero das populações e dos prefeitos do Alentejo, do Algarve e do Ribatejo, regiões pobres que estão ameaçadas de ficarem, outra vez, sem médicos.

O portal SulInformação noticia:

Os cinco médicos cubanos que prestavam serviço de consultas no concelho de Odemira terminaram os seus contratos e regressaram ao seu país, deixando mais de 14 mil utentes sem médico de família.

Esta situação, segundo denuncia, em comunicado, a Câmara Municipal de Odemira, «está a provocar a rotura dos serviços médicos em Odemira, S. Teotónio, Sabóia e Vila Nova de Milfontes e o descontentamento da população e da autarquia, que têm vindo a expressar o seu descontentamento junto dos responsáveis locais, regionais e governamentais sem qualquer sucesso».

A autarquia sublinha, no comunicado a que oSul Informação teve acesso, que no litoral Alentejano prestavam serviço 16 médicos cubanos, cinco dos quais no concelho de Odemira e não foram substituídos, isto apesar de há alguns meses os autarcas terem sido alertados pela direção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Litoral Alentejano para a necessidade de garantir a substituição dos médicos cubanos que terminavam contrato no final do ano de 2011.

As prefeituras são as maiores defensoras do trabalho dos profissionais cubanos, pelos trabalhos pró-ativos de saúde pública que realizam.

Até o presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, apesar da cantilena de que os médicos estrangeiros são “superiores” em qualidade profissional, reconhece:

“Naturalmente os cidadãos que receberam os médicos estrangeiros ficaram satisfeitos. Porque até aí não tinham médico e passaram a ter. Não com as competências adequadas e desejáveis, mas passaram a ter um médico”

Pois é, né, doutor…

Agora, para quem quiser se aprofundar mais no “choque cultural” representado pelos médicos estrangeiros em Portugal, recomendo a leitura de um trabalho de duas sociólogas e uma psicóloga na Revista Iberoamericana de Salud y Ciudadanía,coordenada pela Universidade do Porto.

Ali, são ouvidos médicos cubanos, espanhóis e colombianos que foram trabalhar em Portugal e que falaram sobre essa experiência. Trascrevo apenas um pequeno depoimento, de uma médica uruguaia que está por lá:

Tú tienes que tener un segundo para mí, dos minutos aunque sea de
camino, de acercarte al primer familiar que está y decirle „señora, está
así, hicimos esto, la cosa está así, lo voy a llevar a tal hospital,
quédese tranquila, yo lo voy a acompañar‟. Es lo mínimo. Los
médicos portugueses, entran, salen, meten el tipo y se van. Yo al
principio decía „pero esto es inhumano!‟ […] Yo hablo con los
familiares. Eso les llamó mucho la atención a los enfermeros y a los
TAE [Técnicos de Ambulância de Emergência], yo siempre busco un
minuto […]. Hay cosas que son de sensibilidad humana porque el
paciente no es una cosa o un objeto. (E2, médica uruguaia)
Talvez tenhamos alguma coisa a aprender por aqui, não é?

Por: Fernando Brito

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PCdoB enaltece manifestação dos 300 mil em Portugal






Neste domingo (12), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) divulgou uma nota em solidariedade ao Partido Comunista Português (PCP) face o agravamento da crise em Portugal e na União Europeia. O texto, assinado pelo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu, ressalta que as “políticas neoliberais são verdadeiros crimes contra a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores e dos povos”.
A nota enaltece a realização da “histórica manifestação” realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa, a “maior manifestação dos últimos 30 anos em Portugal”, que reuniu mais de 300 mil pessoas nas ruas da capital do país. E ressalta a importância da “contundente resposta aos exterminadores do futuro do povo português” ao passo que valoriza a “decisiva participação do Partido Comunista Português”.

Leia a íntegra da nota:


“Os comunistas e o movimento sindical e popular no Brasil acompanham com atenção os acontecimentos em Portugal e nos países da União Européia. Diante do agravamento da crise do capitalismo, os governos da zona do euro, submetidos aos interesses dos monopólios e comandados pela “troika” (Comissão Européia, Banco Central Europeu e FMI), adotam políticas neoliberais que são verdadeiros crimes contra a soberania nacional e os direitos dos trabalhadores e dos povos, um “pacto de agressão”.


Para enfrentar estas medidas neoliberais os trabalhadores e os povos de Portugal e de toda a União Européia têm realizado gigantescas e combativas manifestações, greves e protestos de todo o tipo. Assim foi, em Portugal, a histórica manifestação de 11 de fevereiro de 2012, no Terreiro do Paço, em Lisboa, convocada pela CGTP-IN e contando com a decisiva participação do Partido Comunista Português.


A maior manifestação dos últimos 30 anos em Portugal é uma contundente resposta aos exterminadores do futuro do povo português, um bravo e massivo clamor por um programa patriótico e de esquerda para Portugal, pela valorização do trabalho, por um país desenvolvido e soberano.


O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) solidariza-se com o Partido Comunista Português e com os trabalhadores portugueses, e valoriza enormemente a participação dos comunistas portugueses nessa histórica jornada de lutas. Seguramente, na tradição de abril de 1974 e nas lutas de hoje, está a semente de um Portugal com futuro e independência nacional, soberania, de uma democracia avançada que abra caminho para o socialismo”.


Da Redação do Vermelho

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em entrevista, Ilda Figueiredo do Partido Comunista Português fala das mudanças na UE - Portal Vermelho

Em entrevista, Ilda Figueiredo do PCP fala das mudanças na UE - Portal Vermelho

Durante dois mandatos e meio a deputada pelo PCP (Portugal), Ilda Figueiredo, foi uma das vozes mais ativas no parlamento Europeu, mérito que lhe é reconhecido mesmo pelos adversários políticos, mantendo sempre uma estreita ligação à realidade do País, que percorreu incessantemente de ponta a ponta, multiplicando contatos, visitas e encontros. Em seu terceiro mandato, a deputada sai e será substituída pela jovem Inês Zuber. Em entrevista, explica que se trata de uma decisão natural.

Ela também faz um balanço das alterações ocorridas na União Europeia e da sua determinação de continuar a lutar em outras frentes pela causa justa dos comunistas.

Avante!: Quais são os motivos da tua saída do Parlamento Europeu depois de 12 anos?Ilda Figueiredo - Foram na realidade 12 anos e meio, já que estamos no meio de um mandato (os mandatos no Parlamento Europeu são de cinco anos) e fui três vezes cabeça de lista da CDU ao PE. A isto soma-se, entre outras atividades, cerca de 12 anos na Assembleia da República, cinco anos como vereadora na Câmara Municipal do Porto, não falando da Câmara Municipal de Gaia, onde fui eleita à Assembleia Municipal durante 11 anos, acumulando com outros cargos. Ou seja, desempenho cargos políticos eleitos há cerca de 30 anos. Mas, no que toca ao Parlamento Europeu, trata-se sobretudo de dar a possibilidade a outra pessoa de desempenhar o cargo, porque temos de pensar no futuro e é fundamental passar o testemunho aos jovens, que estão disponíveis para aceitar estas tarefas e que têm condições para o fazer, como é o caso de Inês Zuber.

Avante!: E porquê agora?IF: Analisamos esta questão com a direcção do PCP e consideramos que esta era altura para concretizar a substituição, o que acontecerá precisamente no próximo dia 18 de Janeiro, numa semana de sessão do Parlamento, que aproveitaremos para ajudar a integrar Inês Zuber, apresentando-a nas diferentes comissões onde participo e tenho responsabilidades e no grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, em que participam os deputados do PCP no Parlamento Europeu. Mas o próprio grupo do PCP tem excelentes condições para integrar a nova deputada. É uma equipe que trabalha coletivamente, que conta com João Ferreira, que entrou neste mandato e está a desempenhá-lo muito bem, e com os camaradas do secretariado. Inês Zuber é socióloga, está terminando um doutoramento em sociologia, e a minha intervenção tem muito a ver com esta área, designadamente na Comissão de Emprego e Assuntos Sociais e na Comissão dos Direitos das Mulheres. Não só pela sua formação, mas também pelas suas características e pelas provas que já deu como quadro do Partido, certamente que Inês Zuber irá desempenhar muito bem esta tarefa.

Avante!: Que balanço fazes deste período no Parlamento Europeu, durante o qual ocorreram tantas alterações da União Europeia? Quais os momentos mais marcantes?IF: Foi de fato um período marcado por profundas alterações. A União Europeia que temos hoje é bastante diferente da que existia em 1999, quando fui para o Parlamento Europeu. É bastante diferente para pior, e creio que hoje essa é uma imagem clara para a população portuguesa mas também de outros países, nomeadamente do Centro e Leste europeu, cuja adesão constituiu numa enorme mudança na UE.

A integração europeia tornou-se cada vez mais federalista, com contornos militaristas e também cada vez mais neoliberais – um capitalismo cada vez mais agressivo. É claro que o capitalismo é sempre agressivo, dado que é um sistema explorador, mas essa sua natureza, antes atenuada por políticas sociais-democratas, manifesta-se hoje com toda a crueza. Diria que caminhamos para um capitalismo monopolista de Estado, em que alguns estados pretendem apoderar-se do que ainda resta da democracia neste espaço da União Europeia. As decisões do último Conselho Europeu (8 e 9 de Dezembro) são reflexo muito forte disso.
Dos momentos mais marcantes, creio que se destaca a luta contra a dita "constituição europeia", chumbada pelos referendos da Irlanda, da França e da Holanda. Eu própria cheguei a participar na campanha do referendo em França e naturalmente partilhei com os camaradas franceses a grande alegria que foi a vitória do Não.

Avante!: Disse que alguns estados tentam apoderar-se do que resta da democracia. A democracia está ameaçada na UE?IF: O processo que está em curso põe em questão a própria democracia, tanto em nível da UE como dos próprios estados-membros. Se as decisões do Conselho Europeu de 8 e 9 de dezembro forem algum dia concretizadas, Portugal deixa de ser soberano para elaborar o Orçamento do Estado, que é onde se decidem as orientações políticas, económicas e sociais de um país. Se o Orçamento do Estado tiver de ser submetido ao exame da Comissão Europeia, antes da sua aprovação na Assembleia da República, então Portugal fica com menos poderes do que uma associação de bairro, que, apesar de tudo, tem o direito de aprovar o seu orçamento, sem interferência de ninguém. Penso que a agudização das contradições entre as grandes potências e o agravamento geral das condições de vida dos povos tornam inevitáveis grandes mudanças na União Europeia.

Avante!: A experiência no Parlamento Europeu foi gratificante em termos pessoais?IF: Claro que foi uma experiência muito estimulante porque permitiu o conhecimento de outros países, outros povos, de outros problemas sejam referentes à União Europeia, sejam referentes a outros países, em particular a América Latina, onde acompanhei as grandes mudanças que ocorreram. Conheci pessoalmente vários dirigentes como Evo Morales, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Lugo, José Mujica e vários outros homens e mulheres, quando lutavam na oposição contra governos quase ditatoriais, e depois tive a alegria de voltar a vê-los quando se tornaram presidentes dos seus países. Isso também é a prova de que as lutas valem a pena, nem sempre se ganha mas é possível chegar ao poder. Na América Latina as coisas estão longe de estarem todas resolvidas, mas a situação é muito diferente da que existia há 15 anos, neste caso felizmente para melhor. Neste continente, o capitalismo levou tão longe a sua exploração que os povos não aguentaram mais e começaram a lutar por toda a parte, alcançando mudanças qualitativas importantes. E temos também o exemplo de Cuba, que resistiu com grande coragem à ofensiva do capitalismo. De início estava praticamente sozinha e hoje está muito mais apoiada por uma América Latina em grande mudança. Isto é uma prova de que também vale a pena resistir, e embora as coisas continuem difíceis devido ao bloqueio norte-americano, é evidente que a solidariedade de outros países da região torna a situação em Cuba muito diferente. Tive a oportunidade de viver e acompanhar todos estes processos, o que é de fato muito gratificante e constitui uma valiosa experiência pessoal.

Avante!: Mas também houve processos de sentido contrário...IF: Sim, recordo em particular o intenso trabalho contra a guerra no Iraque, desenvolvido por uma grande delegação da qual fiz parte, integrada por deputados de vários grupos políticos. Estivemos no Iraque antes da guerra, fomos aos Estados Unidos falar com congressistas progressistas, estivemos na Organização das Nações Unidos (ONU), fizemos tudo o que foi possível para tentar evitar aquele desastre. Infelizmente não fomos ouvidos, mas a história veio demonstrar que tínhamos razão, e não foi preciso passar muito tempo para reconhecerem que a guerra não era a solução para aquele problema. Como não o é em todo o Oriente Médio, cujos povos continuam a ser vítimas da ingerência, pressão e ocupação, por exemplo, por parte de Israel, que conta com a cobertura não só dos Estados Unidos, sejamos claros, mas da própria União Europeia.

Esta política de desrespeito pelos direitos dos povos sofreu recentemente um revés com a recusa do Parlamento Europeu de prorrogar o acordo de pescas com Marrocos, que, como é sabido, abrangia ilegalmente as águas do Saara Ocidental. Isto significa que aquilo que parece uma luta isolada, com o tempo, por vezes, é possível fazer vingar as suas razões justas. Estou falando da luta do povo do Saara Ocidental, da Palestina, do Iraque, do Afeganistão, bem como de todo o Norte da África e Médio Oriente, onde as justas lutas dos povos por seus direitos estão sendo manipuladas pelas potências imperialistas, que tentam aproveitar a instabilidade política e social para assegurar a defesa dos seus interesses económicos, é disso que se trata…

Avante!: Como deputada viajou muito para diversos países, e também, talvez até mais, pelas diferentes regiões do nosso País…IF: Esse é outro aspecto importantíssimo do nosso trabalho que permite manter uma ligação muito estreita à nossa realidade. Fazemos de maneira sistemática em conjunto com as organizações regionais do PCP, mas também com organizações, instituições e associações locais, quer a seu pedido quer por nossa iniciativa. Nas visitas a empresas, nos contatos com as populações, nos encontros e debates com os sindicatos, com associações de pequenos e médios empresários e outras, procuramos ouvir os problemas com vista a lhes darmos voz no Parlamento Europeu ou junto das instituições europeias. É um trabalho que se insere na defesa intransigente da produção nacional, da agricultura, das pescas, da indústria, na defesa dos interesses de Portugal.

Avante!: É sabido que as políticas europeias tiveram efeitos muito negativos no nosso tecido produtivo. As visitas e contactos pelo País confirmam esse quadro de destruição?
IF: Eu própria vivi e acompanhei o desmantelamento de parte do nosso aparelho produtivo. Por exemplo, todo o drama da Sorefame, depois Bombardier, o desmantelamento da Siderurgia Nacional, o definhamento da indústria naval, a destruição da indústria têxtil, da indústria vidreira. Ainda há dias estive na Marinha Grande, onde me encontrei com antigos operários vidreiros, cujas fábricas encerraram. São operários altamente especializados, que dominam a técnica do vidro de sopro, e que estão desempregados.

Recordo a supressão da produção de beterraba sacarina, levando ao encerramento da fábrica de Coruche, a única que tínhamos no continente, a redução brutal dos produtores de leite, dos criadores de gado, etc. Vemos hoje terras de cultivo abandonadas no nosso país porque, a partir de certo momento, os apoios foram desligados da produção e passaram a ser atribuídos em função de um histórico, independentemente de se produzir ou não. Naturalmente que os grandes agrários deixaram as terras ao abandono e continuaram recebendo o dinheiro.
Assisti ao desmantelamento da nossa frota de pescas, incentivado com verbas comunitárias, e depois a saída de nossos pescadores para França e Espanha em busca de trabalho. Ao mesmo tempo, vemos as frotas desses países pescando na nossa zona exclusiva e o povo português a consumir pescado importado. O mesmo se passou com a indústria de conservas. É uma dor de alma ver que tudo isto aconteceu, naturalmente há grande culpa nas políticas europeias mas também dos sucessivos governos, constituídos pelas três forças políticas que, seja em Portugal, seja na União Europeia, têm aplicado e apoiado estas políticas.

Avante!: O PCP tem sido a única força que ao longo dos anos batalhou pela produção nacional?
IF: Isso é hoje reconhecido pela generalidade dos setores. Mas o PCP e os seus deputados no Parlamento Europeu defenderam os direitos dos trabalhadores. Recordo várias tentativas para alterar a diretiva sobre a organização do tempo de trabalho, até hoje sem êxito, embora no plano nacional serão dados passos no mesmo sentido. Estivemos também na grande batalha contra a diretiva Bolkestein, da qual acabaram por ser excluídos importantes serviços como a Saúde ou a Água. Apoiamos também a luta contra a liberação da atividade portuária, projeto que foi derrotado três vezes no Parlamento Europeu. É claro que todas essas vitórias só foram possíveis porque os trabalhadores se mobilizaram por toda a Europa.

Avante!: E quais são os seus planos para o futuro, continuará atuando na política…
IF: É claro que vou continuar a minha atividade no partido, mas também no plano unitário, eu tenho responsabilidades em algumas organizações, em particular no Conselho Português Para a Paz e Cooperação (CPPC), onde fui recentemente eleita presidente do conselho de direção.

Avante!: Há uma linha de continuidade das suas intervenções no Parlamento Europeu?
IF: De certo modo, sim. Também no Parlamento Europeu o PCP sempre deu muita importância à luta em defesa da paz, contra a guerra, contra o militarismo, em defesa dos direitos dos povos, do desenvolvimento e progresso social. Penso que o CPPC já hoje desempenha um papel importante e que poderá no futuro alargar a sua atividade quer em termos nacionais quer em cooperação com outras organizações congêneres no plano internacional.

Avante!: A última pergunta é sobre a publicação do teu último livro, Geografia do Olhar, que é de poesia. Como é que ainda sobra tempo para escrever poemas?IF: (Risos…) É uma faceta da minha vida que foi secundarizada face a todas as tarefas que tive de desempenhar.

Avante!: Uma vocação antiga?
IF: Sim, iniciei-me no suplemento juvenil do Diário de Lisboa, depois houve publicações esporádicas em jornais e revistas, nem sempre com o meu nome completo, e longos períodos sem publicar nada. De qualquer modo, este é de fato o meu primeiro livro de poesia, com pinturas de Agostinho Santos.

Avante!:São poemas de várias épocas?IF: Não. Foram todos escritos neste ano (2011) especialmente para este livro, embora em diferentes lugares e situações, durante as viagens à Tunísina, ao Senegal, no Fórum Social Mundial, à Islândia, em Bruxelas e Portugal, por exemplo, durante a última campanha para as legislativas em Viana do Castelo, onde fui cabeça de lista, etc.

Avante!: E porquê de repente um livro de poesia?IF: Foi uma ideia conjunta, um desafio que me foi lançado por Agostinho Santos que manifestou a vontade de pintar a partir de poemas meus. E assim foi.

Fonte: Avante!

domingo, 17 de abril de 2011

Crise em Portugal e a luta dos comunistas por uma alternativa Patriótica e de Esquerda

A CDU é a força onde reside a esperança de um Portugal com futuro
Domingo 17 de Abril de 2011
Na intervenção de encerramento do Encontro Nacional do PCP sobre Eleições Legislativas 2011, Jerónimo de Sousa afirmou que a CDU é a única força cujo reforço eleitoral e político pode pôr fim ao círculo vicioso da alternância sem alternativa e abrir portas a uma vida nova de progresso e desenvolvimento para os portugueses.
Uma campanha de massas, por uma política patriótica e de esquerda
Domingo 17 de Abril de 2011
Na intervenção de abertura do Encontro Nacional do PCP sobre as Eleições Legislativas 2011, Jorge Cordeiro, da Comissão Política salientou que a «ruptura com a política de direita, a construção de uma política patriótica e de esquerda, o reforço do PCP e da CDU como condição nuclear e indispensável para sua concretização, são em síntese os elementos essenciais da nossa intervenção política mais imediata.»
Valorização do trabalho: condição essencial para uma política patriótica e de esquerda
Sexta 15 de Abril de 2011
O PCP encontrou-se com a CGTP-IN, no âmbito  da preparação da proposta do PCP para uma política alternativa, patriótica e de esquerda. Nesta reunião, verificou-se uma convergência relativa a uma condição fundamental para o desenvolvimento do país: a valorização dos direitos dos trabalhadores, dos salários e do emprego.
PCP denuncia ilegítima intervenção externa
Quinta 14 de Abril de 2011
Jerónimo de Sousa, na apresentação dos candidatos da CDU pelo círculo eleitoral do Porto, sublinhou que esta é a semana em que entraram em Portugal os fiscais do FMI, em resultado de uma decisão ilegítima do Governo, secundado pelo PSD e CDS e pelo Presidente da República, uma decisão inaceitável quando os portugueses vão ser chamados a pronunciarem-se sobre o rumo do País.

sábado, 22 de maio de 2010

Cúpula da UE e FMI incitam a luta de classes no velho continente - Umberto Martins

www.vermelho.org.br

Economia

21 de Maio de 2010 - 19h16


O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, disse nesta sexta-feira (21) que a maioria dos governos do bloco apoia sanções mais duras para punir países que violaram os limites de déficit e da dívida. O contraste entre as orientações da cúpula europeia e do FMI, que fazem o jogo da oligarquia financeira, e os interesses da classe trabalhadora está exacerbando as contradições e a luta de classes no velho continente.

Por Umberto Martins

Enquanto a cúpula do bloco europeu discute regras mais severas, a crise ganha as ruas, com milhares de trabalhadores protestando na Espanha, Grécia e Portugal contra as medidas de arrocho anunciadas pelos governos.

Atenas parou

Na quinta (20), a Grécia foi palco de uma nova greve geral, a sexta neste ano. Uma passeata seguiu até o Parlamento, onde os manifestantes, dirigindo-se aos parlamentares, gritavam “saiam, ladrões”. Os trabalhadores protestam contra o governo e o FMI, que está por trás do pacote de ajuste que o governo social-democrata liderado pelo primeiro-ministro George Papandreou quer impor, a despeito da rejeição do povo trabalhador e da maioria da nação.

O pacote grego, no velho e reacionário estilo do Fundo Monetário Internacional, prevê corte de salários, elevação da idade mínima para aposentadoria, redução dos gastos públicos e aumento dos impostos. Não vai ajudar a recuperar a economia, pelo contrário, tende a agravar a crise, deprimindo o consumo e a produção.

A paralisação realizada na quinta foi convocada por sindicatos que representam 2,5 milhões de trabalhadores. Escolas e órgãos públicos não funcionaram, hospitais ficaram limitados ao atendimento essencial, o turismo foi afetado, assim como o transporte no céu e no mar.


Protesto em Atenas. O recado foi claro: a crise é dos ricos e eles é que devem pagar

Espanha e Portugal

Na Espanha, os trabalhadores deram início, também na quinta (20), a uma série de manifestações de rua que devem desembocar numa greve geral do setor público, que emprega 2,6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, convocada pelo movimento sindical para 8 de junho.

O governo social-democrata do país também anunciou duras medidas para combater o déficit fiscal, incluindo o corte de salários do funcionalismo (de até 7%) e congelamento das aposentadorias. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas em Madri, Valência, Toledo e Santiago de Compostela nesta 5ª. “Trazer os tanques do Afeganistão e reduzir o financiamento da Igreja Católica são medidas que poderiam ser adotadas para diminuir o déficit, sem que aposentados e trabalhadores pagassem o pato”, desabafou o dirigente da União Geral dos Trabalhadores espanhóis, Rafael Espertero García.

A Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) também realizou várias manifestações ao longo dos últimos dias e tem concentrado sua energia na mobilização de um grande ato político em defesa dos direitos da classe trabalhadora dia 29 de maio em Lisboa. O dilema é o mesmo: o governo de José Sócrates, social-democrata como o grego e o espanhol e igualmente atolado na crise da dívida externa, apresentou um pacote semelhante ao de seus colegas, preconizando corte de salários e o retrocesso nas regras da aposentadoria.

Bem estar em xeque

A crise da dívida serviu de pretexto à direita europeia para desencadear uma feroz ofensiva contra a classe trabalhadora. Ressuscitaram o FMI e reativaram o neoliberalismo, tendo por objetivo final o desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social, erigido no pós-guerra, durante os “anos dourados” do capitalismo, que contemplou bandeiras e lutas históricas do movimento sindical e dos partidos de esquerda.

A defesa dos direitos sociais é a ordem do dia do movimento sindical no velho continente e se contrapõe ao projeto das elites, que foi bolado basicamente “para proteger bancos alemães, e especialmente franceses, do cancelamento de dívidas”, conforme denunciou o ex-governador do Bundesbank (banco central da Alemanha), Karl Otto Pöhl, em entrevista à revista Der Spiegel.

Ampliando a crise

“No dia em que o pacote do resgate [no valor de 750 bilhões de euros] foi aprovado as ações dos bancos franceses subiram 24%. Ao olhar para tudo isto, pode-se ver realmente do que se trata – nomeadamente, de resgatar os bancos e os gregos ricos", declarou Pöhl. Falando durante a manifestação diante do Parlamento em Atenas, o desempregado grego Nikos Galiatsatos, resumiu o sentimento que anima os protestos da classe trabalhadora: “essas medidas estão destruindo tudo pelo que lutamos. Cadê as medidas contra o desemprego? Não fomos nós que criamos esta crise.”


O ex-governador do Bundesbank denunciou: "o pacote foi feito para salvar os bancos"

Os pacotes podem até se revelar eficazes para resgatar os bancos e os ricos. Em contrapartida, tende a ampliar a crise econômica, prolongando a recessão e obstruindo a recuperação com a redução da demanda, elevando o nível de desemprego e o descontentamento social. O acirramento da luta de classes, entre capital e trabalho, é outro notório óbice ao plano perverso das classes dominantes europeias. O povo busca nas ruas uma alternativa progressista, exigindo que os ricos paguem pela crise. Uma das medidas nesta direção é a moratória das dívidas externas, que vai na contramão dos interesses dos bancos da Alemanha e da França e dos ricaços da Europa.




Veja abaixo o vídeo da manifestação na Grécia:




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