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sábado, 23 de novembro de 2024

União Europeia acata mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu, Herodes de Israel

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Medidas do Banco Central Europeu – um paliativo ao serviço dos interesses do grande capital financeiro - PC Português

Face à decisão hoje anunciada pelo Conselho de Governadores do Banco Central Europeu de medidas ditas de “expansão quantitativa”, o PCP salienta que:
1 – Estas decisões confirmam a persistência e a profundidade da crise económica e financeira na União Europeia e na Zona Euro, com a conjugação de crescimento económico “anémico” com deflação.
2 – Esta operação de expansão quantitativa (Quantitative Easing), através da qual se pretende comprar dívida soberana dos Estados-Membros no valor de 1,1 Biliões de Euros, não representa um financiamento directo aos Estados. Pelo contrário significa uma nova injecção de somas colossais no sistema financeiro sem qualquer garantia que se venha a traduzir em transferência de fundos para a chamada “economia real”. Trata-se de uma mega operação de fornecimento de liquidez aos bancos e aos grandes investidores institucionais detentores de títulos da dívida pública.
3 – A União Europeia insiste, assim, em políticas cuja falência esta decisão vem comprovar, ao mesmo tempo que força a persistência da austeridade, insiste na limitação das despesas sociais e do investimento público, impõe os cortes e o congelamento de salários e pensões e insiste nas ditas “reformas estruturais”. Esta decisão vem comprovar que a União Europeia não só não retira quaisquer lições do passado como insiste em medidas que já se provaram serem completamente ineficazes, medidas que perante a continuação e mesmo aprofundamento da liberalização dos mercados de capitais representam novos perigos de bolhas especulativas nos mercados financeiros, elas próprias propiciadoras de novas crises.
4 - A intervenção do BCE, não anulando contradições e clivagens no seio da União Europeia - nomeadamente sobre a natureza e instrumentos do próprio BCE – expressa os interesses do grande capital, nomeadamente o alemão, como é patente no envolvimento dos bancos centrais nacionais na assumpção dos riscos de incumprimento de uma mega operação que visa essencialmente dar resposta às pretensões e interesses do grande capital.
5 – No quadro em que a União Europeia e a União Económica e Monetária se confirmam como causas centrais da actual crise, esta medida não pode deixar de ser considerada como um paliativo incapaz de resolver as fundas causas da actual crise.
6 – A solução da profunda crise económica e social que afecta a generalidade dos Estados membros da União Europeia só pode ser resolvida por via de uma ruptura com as suas políticas e orientações, pela revogação do Tratado Orçamental, pelo abandono do Pacto de Estabilidade e pela rejeição da governação económica, entre outras. Um caminho que passa pela solução dos profundos problemas sociais e pelo respeito pela soberania dos Estados e pelo seu direito ao desenvolvimento económico e social. Um caminho que, no caso de Portugal, passa pela renegociação da dívida de acordo com os interesses nacionais; pelo estudo e preparação do País para a libertação do domínio do Euro; pelo fim das políticas de austeridade; por uma decidida política de investimento público; pelo reforço do poder de compra dos trabalhadores; pelo controlo público do sector financeiro, designadamente por via da nacionalização, no quadro de uma política alternativa patriótica e de esquerda

sábado, 31 de dezembro de 2011

Em entrevista, Ilda Figueiredo do Partido Comunista Português fala das mudanças na UE - Portal Vermelho

Em entrevista, Ilda Figueiredo do PCP fala das mudanças na UE - Portal Vermelho

Durante dois mandatos e meio a deputada pelo PCP (Portugal), Ilda Figueiredo, foi uma das vozes mais ativas no parlamento Europeu, mérito que lhe é reconhecido mesmo pelos adversários políticos, mantendo sempre uma estreita ligação à realidade do País, que percorreu incessantemente de ponta a ponta, multiplicando contatos, visitas e encontros. Em seu terceiro mandato, a deputada sai e será substituída pela jovem Inês Zuber. Em entrevista, explica que se trata de uma decisão natural.

Ela também faz um balanço das alterações ocorridas na União Europeia e da sua determinação de continuar a lutar em outras frentes pela causa justa dos comunistas.

Avante!: Quais são os motivos da tua saída do Parlamento Europeu depois de 12 anos?Ilda Figueiredo - Foram na realidade 12 anos e meio, já que estamos no meio de um mandato (os mandatos no Parlamento Europeu são de cinco anos) e fui três vezes cabeça de lista da CDU ao PE. A isto soma-se, entre outras atividades, cerca de 12 anos na Assembleia da República, cinco anos como vereadora na Câmara Municipal do Porto, não falando da Câmara Municipal de Gaia, onde fui eleita à Assembleia Municipal durante 11 anos, acumulando com outros cargos. Ou seja, desempenho cargos políticos eleitos há cerca de 30 anos. Mas, no que toca ao Parlamento Europeu, trata-se sobretudo de dar a possibilidade a outra pessoa de desempenhar o cargo, porque temos de pensar no futuro e é fundamental passar o testemunho aos jovens, que estão disponíveis para aceitar estas tarefas e que têm condições para o fazer, como é o caso de Inês Zuber.

Avante!: E porquê agora?IF: Analisamos esta questão com a direcção do PCP e consideramos que esta era altura para concretizar a substituição, o que acontecerá precisamente no próximo dia 18 de Janeiro, numa semana de sessão do Parlamento, que aproveitaremos para ajudar a integrar Inês Zuber, apresentando-a nas diferentes comissões onde participo e tenho responsabilidades e no grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, em que participam os deputados do PCP no Parlamento Europeu. Mas o próprio grupo do PCP tem excelentes condições para integrar a nova deputada. É uma equipe que trabalha coletivamente, que conta com João Ferreira, que entrou neste mandato e está a desempenhá-lo muito bem, e com os camaradas do secretariado. Inês Zuber é socióloga, está terminando um doutoramento em sociologia, e a minha intervenção tem muito a ver com esta área, designadamente na Comissão de Emprego e Assuntos Sociais e na Comissão dos Direitos das Mulheres. Não só pela sua formação, mas também pelas suas características e pelas provas que já deu como quadro do Partido, certamente que Inês Zuber irá desempenhar muito bem esta tarefa.

Avante!: Que balanço fazes deste período no Parlamento Europeu, durante o qual ocorreram tantas alterações da União Europeia? Quais os momentos mais marcantes?IF: Foi de fato um período marcado por profundas alterações. A União Europeia que temos hoje é bastante diferente da que existia em 1999, quando fui para o Parlamento Europeu. É bastante diferente para pior, e creio que hoje essa é uma imagem clara para a população portuguesa mas também de outros países, nomeadamente do Centro e Leste europeu, cuja adesão constituiu numa enorme mudança na UE.

A integração europeia tornou-se cada vez mais federalista, com contornos militaristas e também cada vez mais neoliberais – um capitalismo cada vez mais agressivo. É claro que o capitalismo é sempre agressivo, dado que é um sistema explorador, mas essa sua natureza, antes atenuada por políticas sociais-democratas, manifesta-se hoje com toda a crueza. Diria que caminhamos para um capitalismo monopolista de Estado, em que alguns estados pretendem apoderar-se do que ainda resta da democracia neste espaço da União Europeia. As decisões do último Conselho Europeu (8 e 9 de Dezembro) são reflexo muito forte disso.
Dos momentos mais marcantes, creio que se destaca a luta contra a dita "constituição europeia", chumbada pelos referendos da Irlanda, da França e da Holanda. Eu própria cheguei a participar na campanha do referendo em França e naturalmente partilhei com os camaradas franceses a grande alegria que foi a vitória do Não.

Avante!: Disse que alguns estados tentam apoderar-se do que resta da democracia. A democracia está ameaçada na UE?IF: O processo que está em curso põe em questão a própria democracia, tanto em nível da UE como dos próprios estados-membros. Se as decisões do Conselho Europeu de 8 e 9 de dezembro forem algum dia concretizadas, Portugal deixa de ser soberano para elaborar o Orçamento do Estado, que é onde se decidem as orientações políticas, económicas e sociais de um país. Se o Orçamento do Estado tiver de ser submetido ao exame da Comissão Europeia, antes da sua aprovação na Assembleia da República, então Portugal fica com menos poderes do que uma associação de bairro, que, apesar de tudo, tem o direito de aprovar o seu orçamento, sem interferência de ninguém. Penso que a agudização das contradições entre as grandes potências e o agravamento geral das condições de vida dos povos tornam inevitáveis grandes mudanças na União Europeia.

Avante!: A experiência no Parlamento Europeu foi gratificante em termos pessoais?IF: Claro que foi uma experiência muito estimulante porque permitiu o conhecimento de outros países, outros povos, de outros problemas sejam referentes à União Europeia, sejam referentes a outros países, em particular a América Latina, onde acompanhei as grandes mudanças que ocorreram. Conheci pessoalmente vários dirigentes como Evo Morales, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Fernando Lugo, José Mujica e vários outros homens e mulheres, quando lutavam na oposição contra governos quase ditatoriais, e depois tive a alegria de voltar a vê-los quando se tornaram presidentes dos seus países. Isso também é a prova de que as lutas valem a pena, nem sempre se ganha mas é possível chegar ao poder. Na América Latina as coisas estão longe de estarem todas resolvidas, mas a situação é muito diferente da que existia há 15 anos, neste caso felizmente para melhor. Neste continente, o capitalismo levou tão longe a sua exploração que os povos não aguentaram mais e começaram a lutar por toda a parte, alcançando mudanças qualitativas importantes. E temos também o exemplo de Cuba, que resistiu com grande coragem à ofensiva do capitalismo. De início estava praticamente sozinha e hoje está muito mais apoiada por uma América Latina em grande mudança. Isto é uma prova de que também vale a pena resistir, e embora as coisas continuem difíceis devido ao bloqueio norte-americano, é evidente que a solidariedade de outros países da região torna a situação em Cuba muito diferente. Tive a oportunidade de viver e acompanhar todos estes processos, o que é de fato muito gratificante e constitui uma valiosa experiência pessoal.

Avante!: Mas também houve processos de sentido contrário...IF: Sim, recordo em particular o intenso trabalho contra a guerra no Iraque, desenvolvido por uma grande delegação da qual fiz parte, integrada por deputados de vários grupos políticos. Estivemos no Iraque antes da guerra, fomos aos Estados Unidos falar com congressistas progressistas, estivemos na Organização das Nações Unidos (ONU), fizemos tudo o que foi possível para tentar evitar aquele desastre. Infelizmente não fomos ouvidos, mas a história veio demonstrar que tínhamos razão, e não foi preciso passar muito tempo para reconhecerem que a guerra não era a solução para aquele problema. Como não o é em todo o Oriente Médio, cujos povos continuam a ser vítimas da ingerência, pressão e ocupação, por exemplo, por parte de Israel, que conta com a cobertura não só dos Estados Unidos, sejamos claros, mas da própria União Europeia.

Esta política de desrespeito pelos direitos dos povos sofreu recentemente um revés com a recusa do Parlamento Europeu de prorrogar o acordo de pescas com Marrocos, que, como é sabido, abrangia ilegalmente as águas do Saara Ocidental. Isto significa que aquilo que parece uma luta isolada, com o tempo, por vezes, é possível fazer vingar as suas razões justas. Estou falando da luta do povo do Saara Ocidental, da Palestina, do Iraque, do Afeganistão, bem como de todo o Norte da África e Médio Oriente, onde as justas lutas dos povos por seus direitos estão sendo manipuladas pelas potências imperialistas, que tentam aproveitar a instabilidade política e social para assegurar a defesa dos seus interesses económicos, é disso que se trata…

Avante!: Como deputada viajou muito para diversos países, e também, talvez até mais, pelas diferentes regiões do nosso País…IF: Esse é outro aspecto importantíssimo do nosso trabalho que permite manter uma ligação muito estreita à nossa realidade. Fazemos de maneira sistemática em conjunto com as organizações regionais do PCP, mas também com organizações, instituições e associações locais, quer a seu pedido quer por nossa iniciativa. Nas visitas a empresas, nos contatos com as populações, nos encontros e debates com os sindicatos, com associações de pequenos e médios empresários e outras, procuramos ouvir os problemas com vista a lhes darmos voz no Parlamento Europeu ou junto das instituições europeias. É um trabalho que se insere na defesa intransigente da produção nacional, da agricultura, das pescas, da indústria, na defesa dos interesses de Portugal.

Avante!: É sabido que as políticas europeias tiveram efeitos muito negativos no nosso tecido produtivo. As visitas e contactos pelo País confirmam esse quadro de destruição?
IF: Eu própria vivi e acompanhei o desmantelamento de parte do nosso aparelho produtivo. Por exemplo, todo o drama da Sorefame, depois Bombardier, o desmantelamento da Siderurgia Nacional, o definhamento da indústria naval, a destruição da indústria têxtil, da indústria vidreira. Ainda há dias estive na Marinha Grande, onde me encontrei com antigos operários vidreiros, cujas fábricas encerraram. São operários altamente especializados, que dominam a técnica do vidro de sopro, e que estão desempregados.

Recordo a supressão da produção de beterraba sacarina, levando ao encerramento da fábrica de Coruche, a única que tínhamos no continente, a redução brutal dos produtores de leite, dos criadores de gado, etc. Vemos hoje terras de cultivo abandonadas no nosso país porque, a partir de certo momento, os apoios foram desligados da produção e passaram a ser atribuídos em função de um histórico, independentemente de se produzir ou não. Naturalmente que os grandes agrários deixaram as terras ao abandono e continuaram recebendo o dinheiro.
Assisti ao desmantelamento da nossa frota de pescas, incentivado com verbas comunitárias, e depois a saída de nossos pescadores para França e Espanha em busca de trabalho. Ao mesmo tempo, vemos as frotas desses países pescando na nossa zona exclusiva e o povo português a consumir pescado importado. O mesmo se passou com a indústria de conservas. É uma dor de alma ver que tudo isto aconteceu, naturalmente há grande culpa nas políticas europeias mas também dos sucessivos governos, constituídos pelas três forças políticas que, seja em Portugal, seja na União Europeia, têm aplicado e apoiado estas políticas.

Avante!: O PCP tem sido a única força que ao longo dos anos batalhou pela produção nacional?
IF: Isso é hoje reconhecido pela generalidade dos setores. Mas o PCP e os seus deputados no Parlamento Europeu defenderam os direitos dos trabalhadores. Recordo várias tentativas para alterar a diretiva sobre a organização do tempo de trabalho, até hoje sem êxito, embora no plano nacional serão dados passos no mesmo sentido. Estivemos também na grande batalha contra a diretiva Bolkestein, da qual acabaram por ser excluídos importantes serviços como a Saúde ou a Água. Apoiamos também a luta contra a liberação da atividade portuária, projeto que foi derrotado três vezes no Parlamento Europeu. É claro que todas essas vitórias só foram possíveis porque os trabalhadores se mobilizaram por toda a Europa.

Avante!: E quais são os seus planos para o futuro, continuará atuando na política…
IF: É claro que vou continuar a minha atividade no partido, mas também no plano unitário, eu tenho responsabilidades em algumas organizações, em particular no Conselho Português Para a Paz e Cooperação (CPPC), onde fui recentemente eleita presidente do conselho de direção.

Avante!: Há uma linha de continuidade das suas intervenções no Parlamento Europeu?
IF: De certo modo, sim. Também no Parlamento Europeu o PCP sempre deu muita importância à luta em defesa da paz, contra a guerra, contra o militarismo, em defesa dos direitos dos povos, do desenvolvimento e progresso social. Penso que o CPPC já hoje desempenha um papel importante e que poderá no futuro alargar a sua atividade quer em termos nacionais quer em cooperação com outras organizações congêneres no plano internacional.

Avante!: A última pergunta é sobre a publicação do teu último livro, Geografia do Olhar, que é de poesia. Como é que ainda sobra tempo para escrever poemas?IF: (Risos…) É uma faceta da minha vida que foi secundarizada face a todas as tarefas que tive de desempenhar.

Avante!: Uma vocação antiga?
IF: Sim, iniciei-me no suplemento juvenil do Diário de Lisboa, depois houve publicações esporádicas em jornais e revistas, nem sempre com o meu nome completo, e longos períodos sem publicar nada. De qualquer modo, este é de fato o meu primeiro livro de poesia, com pinturas de Agostinho Santos.

Avante!:São poemas de várias épocas?IF: Não. Foram todos escritos neste ano (2011) especialmente para este livro, embora em diferentes lugares e situações, durante as viagens à Tunísina, ao Senegal, no Fórum Social Mundial, à Islândia, em Bruxelas e Portugal, por exemplo, durante a última campanha para as legislativas em Viana do Castelo, onde fui cabeça de lista, etc.

Avante!: E porquê de repente um livro de poesia?IF: Foi uma ideia conjunta, um desafio que me foi lançado por Agostinho Santos que manifestou a vontade de pintar a partir de poemas meus. E assim foi.

Fonte: Avante!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aversão à democracia no capitalismo europeu - Umberto Martins - Portal Vermelho

Aversão à democracia no capitalismo europeu - Portal Vermelho

A razão da queda do valor das ações foi o anúncio feito pelo primeiro-ministro grego, George Papandreou, da convocação de um plebiscito para decidir sobre o novo pacote implícito no plano aprovado pelos líderes europeus, que prevê uma redução do valor da dívida externa do país associada a novas medidas de ajuste fiscal, que significam novos sacrifícios para a classe trabalhadora.

A possibilidade da consulta popular provocou pânico nos mercados e suscitou críticas virulentas de dirigentes políticos da Alemanha, França e outros países da região. É compreensível. A oposição dos trabalhadores e trabalhadoras da nação helênica aos ajustes impostos pela chamada troika (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia) foi demonstrada nas seis greves gerais realizadas ao longo deste ano e é igualmente confirmada por diversas pesquisas de opinião.

Laboratório de horrores
A Grécia se transformou no laboratório de horrores do capitalismo europeu, ferozmente empenhado no desmantelamento do Estado de Bem Estar Social, que bem ou mal traduz relevantes conquistas arrancadas pela classe trabalhadora num momento histórico em que a correlação de forças era mais favorável e a existência do socialismo soviético induzia a burguesia a maiores concessões no interior das potências capitalistas.

A realidade mudou, a URSS já não existe e a era dourada do pós-guerra no velho continente cedeu lugar a uma fase de notória decadência, baixo crescimento, elevação da taxa de desemprego e perda da competitividade industrial, cenário agravado pela ascensão da China, acirramento da concorrência das economias emergentes e eclosão da crise mundial.

Guerra de classes
Neste novo cenário, a burguesia europeia resolveu declarar uma verdadeira guerra de classes contra o Estado de Bem Estar Social. A Grécia é o principal laboratório da nova estratégia, mas a ofensiva contra o trabalho ocorre em maior ou menor medida em toda a zona do euro, como revelam os pacotes antissociais adotados em Portugal, Espanha, Irlanda, Itália e muitos outros países.

Sob a batuta do incorrigível FMI, o governo grego impôs o caminho do retrocesso e semeou a recessão (que sacrifica a economia pelo quarto ano consecutivo), colhendo em troca uma taxa de desemprego superior a 16%, aumento da idade da aposentadoria, corte de salários, emprego e de direitos. Mas teve de enfrentar uma reação irada e firme do povo. Acossado, inclusive por integrantes do próprio partido (que se diz socialista), Papandreou decidiu convocar o plebiscito.

Tendência à reação
Muitos críticos consideram a medida tardia, uma vez que sacrifícios inaceitáveis já foram impostos goela abaixo do povo, sem qualquer consulta. O fato é que na reação dos mercados transparece a aversão do capitalismo europeu à democracia. O cálculo é simples: não se pode pretender que medidas antipopulares, subordinadas aos interesses do capital financeiro, sejam referendadas pelas massas trabalhadoras. As instituições da democracia burguesa servem apenas de fachada para impor o projeto do capital financeiro. É quase uma certeza que o novo pacote de maldades bolado pela troika não passa pelo plebiscito.

Daí a aversão atual do capitalismo europeu à consulta popular. O desmantelamento do Estado de Bem Estar Social não combina com democracia e conduz a classe dominante a posturas cada vez mais reacionárias. O imperialismo em crise tende irresistivelmente à reação no plano político. Era o que dizia Lênin. É o que se vê hoje. A história é mestre em reviravoltas, ironias e convulsões. Lembremos que em passado não tão distante a Europa já foi palco da experiência trágica do nazi-fascismo. A paz social e a democracia dependem, mais do que nunca, da ação e da luta decidida da classe trabalhadora.

 Da Redação, Umberto Martins

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Grécia vai demitir 30 mil funcionários e não atingirá meta do FMI - Portal Vermelho

Grécia vai demitir 30 mil funcionários e não atingirá meta do FMI - Portal Vermelho


Com uma economia em queda acentuada e uma recessão cada vez mais profunda, o governo grego anunciou o que há muito era esperado. O país não vai conseguir cumprir as metas de deficit orçamentário de 2011 e de 2012 fixadas no plano de resgate da União Europeia e do FMI. O governo anunciou também mais uma impopular medida de austeridade. Num país onde dados oficiais apontam um desemprego acima dos 16%, serão demitidos 30 mil funcionários públicos.

As informações foram divulgadas neste domingo (02), após o conselho de ministros aprovar o esboço do Orçamento para 2012. Esta redução do quadro público é apenas um dos pontos mais polêmicos do plano de austeridade destinado à liberação dos empréstimos da União Europeia (UE) e do FMI (Fundo Monetário Internacional) à Grécia.

O plano cria uma "reserva trabalhista" permitindo que trabalhadores estatais recebam apenas pagamentos parciais e sejam demitidos um ano depois. Ou seja, os funcionários que, depois de um ano recebendo apenas um pedaço do seu salário, não tenham encontrado outro emprego ficarão sem o seu posto de trabalho.O governo planeja ainda cortar 20% das aposentadorias acima de 1.200.

As demissões para cumprir as exigências da UE e do FMI provocaram a reação dos principais sindicatos de trabalhadores da Grécia, que convocaram greves para os dias 5 e 19 de outubro. Nesta quarta, eles protestarão também contra os cortes de gastos e o aumento de impostos.

Por outro lado, as demissões poderão não ser suficientes para os credores do país. A Grécia não atingirá as metas do déficit orçamentário de 2011 e de 2012 determinadas no plano de resgate, de acordo com números publicados pelo Ministério das Finanças neste domingo, após o gabinete aprovar o esboço do orçamento para 2012. O anúncio aumenta a incerteza sobre o futuro da economia grega.

O déficit orçamentário de 2011 ficará em 8,5% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano, sem atingir a meta de 7,6%. Ele também será rebaixado para 6,8% do PIB no ano que vem, mas ainda assim não atingirá a meta do resgate, de 6,5%.
Segundo o ministério, não foi possível atingir a meta devido à recessão mais intensa que o esperado -a economia teve retração de 5,5%, em vez de 3,8%, como havia sido estimado em maio deste ano.

"Ainda restam três meses críticos para terminar 2011, e a estimativa final de 8,5% de déficit do PIB pode ser atingida caso os mecanismos de Estado e os cidadãos respondam de acordo", informou o Ministério das Finanças em comunicado.

Com agências

sábado, 22 de maio de 2010

Cúpula da UE e FMI incitam a luta de classes no velho continente - Umberto Martins

www.vermelho.org.br

Economia

21 de Maio de 2010 - 19h16


O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, disse nesta sexta-feira (21) que a maioria dos governos do bloco apoia sanções mais duras para punir países que violaram os limites de déficit e da dívida. O contraste entre as orientações da cúpula europeia e do FMI, que fazem o jogo da oligarquia financeira, e os interesses da classe trabalhadora está exacerbando as contradições e a luta de classes no velho continente.

Por Umberto Martins

Enquanto a cúpula do bloco europeu discute regras mais severas, a crise ganha as ruas, com milhares de trabalhadores protestando na Espanha, Grécia e Portugal contra as medidas de arrocho anunciadas pelos governos.

Atenas parou

Na quinta (20), a Grécia foi palco de uma nova greve geral, a sexta neste ano. Uma passeata seguiu até o Parlamento, onde os manifestantes, dirigindo-se aos parlamentares, gritavam “saiam, ladrões”. Os trabalhadores protestam contra o governo e o FMI, que está por trás do pacote de ajuste que o governo social-democrata liderado pelo primeiro-ministro George Papandreou quer impor, a despeito da rejeição do povo trabalhador e da maioria da nação.

O pacote grego, no velho e reacionário estilo do Fundo Monetário Internacional, prevê corte de salários, elevação da idade mínima para aposentadoria, redução dos gastos públicos e aumento dos impostos. Não vai ajudar a recuperar a economia, pelo contrário, tende a agravar a crise, deprimindo o consumo e a produção.

A paralisação realizada na quinta foi convocada por sindicatos que representam 2,5 milhões de trabalhadores. Escolas e órgãos públicos não funcionaram, hospitais ficaram limitados ao atendimento essencial, o turismo foi afetado, assim como o transporte no céu e no mar.


Protesto em Atenas. O recado foi claro: a crise é dos ricos e eles é que devem pagar

Espanha e Portugal

Na Espanha, os trabalhadores deram início, também na quinta (20), a uma série de manifestações de rua que devem desembocar numa greve geral do setor público, que emprega 2,6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, convocada pelo movimento sindical para 8 de junho.

O governo social-democrata do país também anunciou duras medidas para combater o déficit fiscal, incluindo o corte de salários do funcionalismo (de até 7%) e congelamento das aposentadorias. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas em Madri, Valência, Toledo e Santiago de Compostela nesta 5ª. “Trazer os tanques do Afeganistão e reduzir o financiamento da Igreja Católica são medidas que poderiam ser adotadas para diminuir o déficit, sem que aposentados e trabalhadores pagassem o pato”, desabafou o dirigente da União Geral dos Trabalhadores espanhóis, Rafael Espertero García.

A Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) também realizou várias manifestações ao longo dos últimos dias e tem concentrado sua energia na mobilização de um grande ato político em defesa dos direitos da classe trabalhadora dia 29 de maio em Lisboa. O dilema é o mesmo: o governo de José Sócrates, social-democrata como o grego e o espanhol e igualmente atolado na crise da dívida externa, apresentou um pacote semelhante ao de seus colegas, preconizando corte de salários e o retrocesso nas regras da aposentadoria.

Bem estar em xeque

A crise da dívida serviu de pretexto à direita europeia para desencadear uma feroz ofensiva contra a classe trabalhadora. Ressuscitaram o FMI e reativaram o neoliberalismo, tendo por objetivo final o desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social, erigido no pós-guerra, durante os “anos dourados” do capitalismo, que contemplou bandeiras e lutas históricas do movimento sindical e dos partidos de esquerda.

A defesa dos direitos sociais é a ordem do dia do movimento sindical no velho continente e se contrapõe ao projeto das elites, que foi bolado basicamente “para proteger bancos alemães, e especialmente franceses, do cancelamento de dívidas”, conforme denunciou o ex-governador do Bundesbank (banco central da Alemanha), Karl Otto Pöhl, em entrevista à revista Der Spiegel.

Ampliando a crise

“No dia em que o pacote do resgate [no valor de 750 bilhões de euros] foi aprovado as ações dos bancos franceses subiram 24%. Ao olhar para tudo isto, pode-se ver realmente do que se trata – nomeadamente, de resgatar os bancos e os gregos ricos", declarou Pöhl. Falando durante a manifestação diante do Parlamento em Atenas, o desempregado grego Nikos Galiatsatos, resumiu o sentimento que anima os protestos da classe trabalhadora: “essas medidas estão destruindo tudo pelo que lutamos. Cadê as medidas contra o desemprego? Não fomos nós que criamos esta crise.”


O ex-governador do Bundesbank denunciou: "o pacote foi feito para salvar os bancos"

Os pacotes podem até se revelar eficazes para resgatar os bancos e os ricos. Em contrapartida, tende a ampliar a crise econômica, prolongando a recessão e obstruindo a recuperação com a redução da demanda, elevando o nível de desemprego e o descontentamento social. O acirramento da luta de classes, entre capital e trabalho, é outro notório óbice ao plano perverso das classes dominantes europeias. O povo busca nas ruas uma alternativa progressista, exigindo que os ricos paguem pela crise. Uma das medidas nesta direção é a moratória das dívidas externas, que vai na contramão dos interesses dos bancos da Alemanha e da França e dos ricaços da Europa.




Veja abaixo o vídeo da manifestação na Grécia:




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