SIGA O COLETIVIZANDO!

sábado, 18 de março de 2017

Miruna Genoíno lança livro sobre a segunda prisão política de seu pai - Paulo Vinícius Silva

Eu vi a notícia do livro que Miruna Genoíno dedicou a seu pai, ex-presidente do DCE UFC, minha universidade, o cearense José Genoíno. Pensei na minha filha, no ser humano que anseio que se torne, e me comovi - não é novidade, eu sou um comovido.

E pensei nas ilusões dos que descriam da dureza da luta de classes, que ansiavam por mudanças sem rupturas, que viam o avanço infinito... só que não.

E pensei nessas coisas: amor, luta, a mulher, os filhos, e nos tempos de hoje, tão assustadores.

Meus heróis sempre pegaram cadeia, tortura, achincalhe, perseguição e morte. E eu sabia, em 1991, com 14 anos, explicando à minha mãe, o que era escolher o lado dos oprimidos, o que se nos reserva, cedo ou tarde. E foi lindo, desde então. 25 anos de luta na legalidade, tantas conquistas, tanto por fazer!

Então, oxalá minha filha, os filhos que ainda possa ter, sejam capazes desses gestos de carinho transcendentes, muito além de seu pai, nas horas tormentosas que certamente haveremos de passar. Que seja-nos possível formar assim nossos filhos, de sangue e de coração, porque se o fizermos, tudo terá valido a pena.

E haverá um dia em que todos serão filhos de todos. Não haverá mais a exploração, nem as classes, nem o Estado, nem o mercado. Lembremo-nos sempre do grandioso ideal que carregamos, feito de tanta lágrima, tanto martírio, mas sobretudo de uma inquebrantável esperança. Que a palavra comunista seja objeto da maldição dos opressores, é o mínimo que devemos aspirar, se estamos corretos.

Ainda estamos na pré-história do ser humano, é preciso ter garra, dureza, ciência, mas a ternura, a alegria, o amor, a poesia são igualmente indispensáveis. Coragem! Alegria! Beleza! Assim, como Miruna ensina-nos.





Livro conta historia da família Genoino muito além das manchetes
“O vôvi é a nossa felicidade, e ele ficou lá preso, fechado, então a nossa felicidade estava fechada. Ainda bem que ele saiu”, a frase é da neta de José Genoíno, Paula, e dá o título ao livro de sua mãe, Miruna, Felicidade Fechada. O relato corajoso de Miruna se converteu em uma obra que retrata a história da família Genoíno, mas, de certa forma, um período obscuro da história do Brasil.

Por Mariana Serafini





A família viu as coisas acontecerem gradativamente sem poder se defender, até que chegou o dia mais temido, 15 de novembro de 2014, quando o ex-parlamentar e ex-presidente do PT, José Genoino, foi encarcerado na Penitenciária da Papuda, em Brasília. É esta história, vista por um ângulo distante das manchetes da grande imprensa, que Miruna traz em seu livro, Felicidade Fechada, cujo lançamento acontece nesta quinta-feira (16).

Com o livro Miruna Genoino pretende contar a história de seu pai e de sua família por uma outra ótica, a de quem viveu de dentro uma injustiça. Ela viu o pai se tornar preso político pela segunda vez [a primeira durante a ditadura militar], porém, durante um período democrático, e conta sobre como isso impactou a rotina de todos ao redor que foram bombardeados por manchetes irresponsáveis da grande imprensa.

José Genoino foi condenado a 4 anos e 8 meses em regime semiaberto pela Ação Penal 470 e de lá pra cá a família foi envolta num turbilhão de ataques e emoções. Conhecido por seu jeito descontraído, o político que viveu praticamente a vida toda na mesma casa na Zona Oeste de São Paulo, filho de uma dona de casa e um agricultor do sertão nordestino, de repente foi transformado no grande inimigo nacional.

Miruna, que é pedagoga, sempre teve uma comunicação muito próxima e franca com o pai, mas esta foi interrompida logo que ele foi encarcerado. A partir disso, ela sentiu a necessidade de fazer algo capaz de deixar claro que jamais teria vergonha de ser filha de José Genoino. Foi então que começou a escrever as experiências familiares.

Os relatos, junto às longas cartas que ela enviou ao pai enquanto ele estava preso, se transforaram no livro que foi financiado de forma coletiva. Felicidade Fechada será lançando na noite desta quinta-feira (16), na capital paulista. O evento começa às 20 horas, na Rua Piragibe, 1100, Vila Indiana, próximo à estação Butantã, da Linha 4.




Do Portal Vermelho

quarta-feira, 8 de março de 2017

Minha homenagem às Mulheres - uma seleta de textos feministas

Essa seleta de textos é uma maneira de homenagear a luta das mulheres pela igualdade, leituras que acredito fundamentais para a luta feminista.

Viva o 8 de março, dia internacional da Mulher!
Viva a mulher trabalhadora!
Paulo Vinícius


MARIA LYGIA QUARTIM DE MORAES RESGATA AS ORIGENS SOCIALISTAS DO 8 DE MARÇO




Às que vieram antes de nós: histórias do Dia Internacional da Mulher

Alexandra Kolontai: Discurso da primeira mulher ministra da história permanece atual




Kollontai, Alexandre (1872-1952)
Russian Social-Democrat from 1890s, active in international Socialist Women's movement, and a member of the Mensheviks before 1914. Elected to Central Committee in 1917 and Commissar for Social Welfare in the Soviet government. With Bukharin in 'Left Communist' faction, opposed signing of Brest-Litovsk Peace (Lenin was for signing immediately, Trotsky for delaying in hope of a revolution in Germany, the WO advocated a revolutionary war against Germany); leader of the Workers Opposition. Sent to diplomatic posts in Mexico and Scandanavia. Sympathised with the Left Opposition, but subsequently 'conformed'.





ESPECIAIS

Dia Internacional das Mulheres - Fundação Maurício Grabois


LORETA VALADARES (1943-2004)

Militante do Movimento Estudantil da Ação Popular (AP), nos anos de 1960, participou bravamente da luta contra a ditadura militar. Sequelas da prisão e da tortura comprometeram profundamente sua saúde, mas não a impediram de prosseguir na aguerrida militância comunista. Em plena clandestinidade, atuou junto a Diógenes Arruda e outros (as) camaradas na organização de cursos de marxismo-leninismo. Nos anos de 1980, foi professora de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia. Também foi professora da escola do PCdoB, em cursos nacionais e na Bahia. Escreveu importantes textos sobre os fundamentos do Partido de tipo leninista e sobre o PCdoB, os quais têm sido bibliografia dos diversos cursos partidários. Líder emancipacionista, além do testemunho de vida, deixa uma enorme contribuição ao movimento de mulheres e de luta para a conquista e garantia dos direitos humanos no país. Desde 2005, empresta seu nome ao Centro de Referência Loreta Valadares - Prevenção e Atenção a Mulheres em Situação de Violência (CRLV), em Salvador-BA. Também em sua homenagem foi constituída a Escola de Formação Loreta Valadares, a seção estadual/BA da Escola Nacional do PCdoB.


Teoria: Gênero e emancipacionismo – o clamor da radicalidade



CTB-DF debate a luta das mulheres no rumo de seu 4º Congresso

A CTB Distrito Federal iniciou as atividades preparatórias ao seu 4º Congresso com o debate Feminismo Emancipacionista e a luta das Mulheres no Brasil hoje, que aconteceu nesta terça-feira, 07 de março, contando com cerca de 40 participantes.

A mesa foi coordenada pela diretora da CTB-DF e Presidenta da UNEGRO, Santa Alves, e a palestra foi ministrada pela ex-Coordenadora Nacional da União Brasileira de Mulheres e Mestre em Sociologia, Kátia Souto, sendo comentada pela ex-Senadora Emília Fernandes, pela Diretora de Mulheres da UJS-DF, Ingrid Mangabeira e pela Doutora em Ciência Política Ana Maria Prestes, autora do livro infantil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. Prestigiaram também o debate o Deputado Federal Chico Lopes (PCdoB-CE) e dirigentes sindicais (SAEP – auxiliares de educação privada -, SINPRO, Bancários, CONTRICOM – construção civil -, o Presidente da CTB e do SINDIVACS, Aldemir Domício, entre outros), além de militantes da UJS e da UBM.

Kátia Souto esclareceu sobre o feminismo e a sua vertente emancipacionista, que leva a discussão do feminismo para o campo da história e da luta de classes, compreendendo a História do surgimento da opressão de gênero a partir da luta de classes e a fundamental contribuição das mulheres para a superação do capitalismo, unindo a luta cotidiana à perspectiva estratégica da emancipação humana, algo muito além da “guerra dos sexos” ou do feminismo burguês. Kátia, ademais, levantou a importância da luta em defesa do corpo das mulheres, ante a escalada de violência simbólica, física e institucional que se verifica depois do Golpe contra a democracia que depôs a Presidenta Dilma, Golpe inegavelmente misógino e machista.

Emília Fernandes, além de ter sido Senadora, foi Secretária de Mulheres do Governo Lula e propositora do Disque 180. Resgatou o papel da educação como trincheira da luta contra o machismo e a importância da luta das mulheres na política, inclusive no interior dos partidos, e por uma Reforma Política Democrática, oposta às maquinações golpistas em curso no Congresso, que amplie a participação feminina, com lista partidária alternada que assegure a representação das mulheres.

Ingrid Mangabeira ressaltou a importância da luta de mulheres no presente e no futuro, como parte da luta pelo socialismo, e a complementariedade das lutas comportamentais, de classe e pelo socialismo, destacando o avanço da luta de mulheres no movimento estudantil e o protagonismo da UJS nessa luta cotidiana para mudar a cultura, nas universidades e escolas.

Ana Maria Prestes apresentou um panorama histórico do 8 de Março, e o protagonismo das mulheres na luta dos trabalhadores e pelo socialismo. Resgatou que a Revolução de Fevereiro (no calendário Juliano, na Rússia, mas em março no nosso calendário) teve origem exatamente numa greve de operárias que incendiou o país que meses depois se tornaria o primeiro a implantar o socialismo. Retomou também a importância de personagens históricas como Clara Zetkin, Alexandra Kolontai, e a necessidade de nos apropriarmos da História de luta das mulheres. Relatou sua experiência de, a partir de um trabalho escolar de sua filha, contar a História do 8 de março para as crianças, uma necessidade fundamental de lutar pela cultura progressista, nesses tempos de intolerância e fascismo.

O ponto alto do debate, no entanto, foi a participação de Helena, filha de Ana, que recitou o poema Mirela e o Dia internacional das Mulheres para o público do debate. A emoção tomou o plenário e gerou uma importante reflexão nas falas, entre elas a do Deputado Chico Lopes, que manifestou sua solidariedade à luta feminista e a importância desse tipo de espaço para que os homens reflitam sobre seu papel e reconheçam a necessidade de superar o machismo.

O primeiro debate do processo do 4º Congresso da CTB-DF mostrou a vontade dos trabalhadores ampliarem sua formação política para enfrentar o momento atual e a necessidade imperiosa do protagonismo feminino na luta da classe trabalhadora. Certamente terá impacto no documento local, na agenda do congresso e na renovação da sua direção.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Nova etapa na luta sindical, nos bancários de Brasília - Paulo Vinícius Silva

A partir de hoje, inicio uma nova etapa na luta iniciada aos 14 anos, como militante dos movimentos sociais, ainda secundarista.

Adicionar legenda
Com a minha liberação sindical pela CONTRAF, em nome do Sindicato dos Bancários de Brasília, passo a exercer plenamente o mandato de Diretor de Políticas Sindicais, assumido em agosto de 2016. Voltei por decisão própria em 2013 ao meu posto de escriturário, pra agência, saindo da Executiva Nacional da CTB, e agora me reincorporo plenamente à luta, depois de um mergulho na vida e na luta da categoria bancária. Com essa vivência, tenho a honra de poder lutar mais em seu favor, nessa entidade tão importante no movimento nacional e no DF, entidade de gente como o Adelino Cassis (conheça:http://coletivizando.blogspot.com.br/…/se-pudesse-faria-tud…
) , com grande importância para a luta do povo.

Essa composição entre CUT, CTB e independentes (ver artigo: http://coletivizando.blogspot.com.br/…/ctb-participara-do-s…
) surgiu para expressar na nossa categoria a unidade necessária para enfrentar esses tempos difíceis, para a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dos bancários e bancárias, e a própria defesa da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, dos bancos regionais - em especial o BRB -, que é a defesa de ferramentas essenciais ao desenvolvimento brasileiro, ameaçadas pela quadrilha entreguista que açambarcou o poder, contra o voto popular, pelo Golpe.

Essa unidade foi, é e será decisiva para vencermos essa quadra difícil. E é com alegria, gosto e indignação que me somo como mais um soldado nessa trincheira de luta. E agradeço a confiança dos colegas, pelo voto e o apoio, agradeço o esforço dos militantes e dirigentes (em nome do Presidente Eduardo Araújo, represento a todos e todas) que participaram de todo esse processo, que me trouxe de volta pro centro do tabuleiro. E espero honrar essa confiança, fazendo o melhor, paixão e a reflexão de mãos dadas, com boas pitadas de poesia, como só posso fazer.

E agradeço, com Violeta Parra, Gracias a la vida  E a luta continua ;-)






CTB-DF DEBATE IV CONGRESSO - Mulheres - 07/03/2017 às 18h00 na CTB-DF





CTB-DF DEBATE IV CONGRESSO
Feminismo Emancipacionista e a luta das mulheres no Brasil de hoje
Terça, 07/03, às 18h00 na CTB-DF
Local: SRTVS quadra 701 Bloco I - Ed. Palácio da Imprensa - sobreloja

Poema:
Mirela e o Dia Internacional da Mulher

Debate:
Kátia Souto - Mestre em Sociologia e ex-Coordenadora Nacional da UBM
Ailma Maria - Presidenta da CTB-GO e da DN
Rita Poli - UBM
Ingrid Mangabeira - UJS

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

STF protege o “angorá”! Cadê o panelaço? Por Altamiro Borges

Blog do Miro
Numa decisão que pode inflamar a revolta, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu nesta terça-feira (14) o cargo de ministro da Secretaria-Geral do covil golpista para o peemedebista Moreira Franco, o famoso "gato angorá" da corrupção nativa. A decisão anula todas as liminares dadas antes por juízes da primeira instância que suspenderam a sinistra escolha. Com isso, o cupincha de Michel Temer garante o direito ao foro especial e só poderá ser investigado pelos seus supostos crimes pelo próprio STF. Moreira Franco tem uma longa ficha corrida de acusações – apenas nas delações premiadas da midiática Operação Lava-Jato ele já foi citado 34 vezes – 34 vezes!

Segundo matéria do jornal O Globo, "antes de tomar a decisão, Celso de Mello pediu informações ao presidente [sic] Michel Temer sobre o assunto. Em resposta, assessores do presidente reafirmaram a legalidade da nomeação. A decisão do ministro foi tomada em duas ações do PSOL e da Rede pedindo a anulação da nomeação, por entender que Moreira foi indicado com o único propósito de dar a ele direito ao foro privilegiado. Sem o cargo, os indícios contra o peemedebista ficariam nas mãos do juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava-Jato na primeira instância do Judiciário". Quem ainda lembra como atuou o STF, que fez o maior estardalhaço para impedir a nomeação do ex-presidente Lula para compor o governo Dilma Rousseff, deve ter estranhado a decisão do "decano" do Supremo.

Celso de Mello simplesmente aceitou a desculpa esfarrapada apresentada pelo covil golpista de que a escolha de Moreira Franco foi angelical, imaculada. "Não houve qualquer má intenção do Presidente da República em criar obstruções ou embaraços à Operação Lava Jato", afirmou o documento escrito pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Já os outros ministros do STF preferiram se calar, repetindo as cenas de covardia que viraram moda desde o início da cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff. Eles sequer se manifestaram sobre as três liminares de juízes de primeira instância que anularam a nomeação do "angorá" devida a sua sinistra trajetória. Triste sina do Supremo!

Desfaçatez como tábua de salvação

Até veículos que apoiaram o "golpe dos corruptos" e dão sustentação à quadrilha que assaltou o poder estranharam a nomeação. A Folha, em editorial na sexta-feira (10), foi dura nas críticas. "Acumulam-se, nestes últimos dias, os sinais de que o governo do peemedebista Michel Temer – a exemplo do mundo político em geral – deixa de lado o compromisso com as aparências republicanas e adota como prioridade a sobrevivência de seu núcleo de poder. Em manobra incapaz de passar como mera providência administrativa, o presidente alçou a ministro de seu governo Wellington Moreira Franco, identificado como "Angorá" em delações da Lava Jato". Para o jornal, os usurpadores – este adjetivo logicamente não é do veículo chapa-branca – "importam-se, a esta altura, com quase nada. Tomam a iniciativa, seguem adiante e recorrem à desfaçatez como tábua de salvação".

Até a revista Época, pertencente à famiglia Marinho, foi forçada a reconhecer que a nomeação visou exclusivamente "blindar Moreira Franco, citado na Lava-Jato". Conforme lembrou a reportagem, "o presidente Michel Temer vai criar um novo ministério – a Secretaria-Geral da Presidência – dentro do Palácio do Planalto para abrigar seu aliado Moreira Franco, que atualmente é secretário do Programa de Parcerias e Investimentos. Com isso, Moreira, que foi citado por delatores da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, ganha status de ministro e direito ao foro privilegiado. Assim, ele só poderá ser investigado e julgado na esfera do Supremo Tribunal Federal".

O texto mais contundente na mídia hegemônica, porém, foi o do veterano jornalista Janio de Freitas. Diante da indecorosa nomeação, agora confirmada pelo "decano" Celso de Mello, ele provocou os "coxinhas" que bateram panelas e foram às ruas para exigir o "Fora Dilma". Se a sua provocação der resultado, despertando consciências, as vidas do sinistro Moreira Franco e do Judas Michel Temer não terão paz no próximo período. A conferir!

*****

Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer

Por Janio de Freitas - Folha, 12 de fevereiro de 2017

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.

Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.

Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.

Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.

Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Jandira Feghali - Nota oficial

NOTA

A convenção do PCdoB foi devidamente registrada e acompanhada pelo TRE. Fiscais, sem autorização para impedir o evento, invadiram o local com violência e fizeram uso de spray de pimenta em idosos, mulheres e crianças. Causa estranhamento que atos de outros partidos não tenham tido a mesma atenção do tribunal, o que demonstra a arbitrariedade da justiça eleitoral neste episódio.

Jandira Feghali
Dep. Federal (PCdoB/RJ)

Jandira Feghali, rosa vermelha, ameaçada pelos parasitas da democracia - Paulo Vinícius Silva *

Jandira Feghali, tal qual Dilma, representa a força, a graça e a coragem da Mulher Brasileira. É esse o seu "crime". Em tempos sombrios - em que o novo Collor parte em defesa de Temer, golpista e múltiplas vezes citado, em que os bandidos mais abjetos pululam, como vermes, mas feitos reis -, vemos a deputada comunista ser "denunciada", exposta na Globo, porque enfrentou no peito e na raça uma absurda agressão ao direito de livre reunião e manifestação.



A Convenção Estadual do PCdoB-RJ de 2014 foi invadida de modo truculento, com postura e atos incompatíveis com a função da justiça eleitoral. Num evento em local fechado, causaram tumulto, jogaram spray de pimenta em mulheres e crianças e queriam encerrar no grito o encontro dos comunistas (que era oficial, informado à Justiça Eleitoral e público), como se ainda estivéssemos na Ditadura Militar. Não houve nada semelhante contra nenhum outro partido. Por que essa perseguição ao PCdoB?

E ela, com seus cabelos encaracolados - como pétalas - com seu porte e coragem, fez o que se esperava de quem é parte dessa florada de Olgas que toma as ruas, as praças, os púlpitos e as nossas vidas, granjeando admiração e encanto, ensinando o caminho da luta, sempre. Jandira Feghali resistiu. E com graça, verbo, firmeza e postura, não permitiu que imperasse o arbítrio. Não estávamos mais na Lapa, em São Paulo, em 1976. Foi com mártires, desaparecidos e torturados que os e as comunistas conquistaram o direito de erguer suas bandeiras, reunir-se, de apresentar-se com sua face limpa diante do povo brasileiro.

Que exemplo perigoso. Ela impediu o arbítrio, ELA. Defendeu a legalidade conquistada com tanta política, tanto amor, com o sacrifício supremo do sangue de outras rosas vermelhas, como Helenira Rezende, Jana Custódio, Dina Coqueiro, seiva vermelha que nutriu as águas e o solo do Araguaia, alimentando a "árvore da democracia" - bela metáfora de Dilma -, agora infestada de pútridos parasitas que a querem matar. E são parasitas tão abjetos que se apoderam de palavras como "ética", "luta contra a corrupção", "democracia", que usam o verde e o amarelo para entregar nossa soberania, destruir nossa democracia, massacrar os trabalhadores e trabalhadoras. Mas esse infinito descaro não pode ocultar jamais a fedentina abjeta que exalam os parasitas, nem o perfume das rosas que se erguem delicadas e altivas, mas com os espinhos à mostra, para lembrarmos que a beleza só pode vicejar se for defendida. Não é à toa, nessa hora dramática da vida nacional, que o rascante machado, fortaleza do golpe, tente atingir Jandira Feghali, tenta atingir o Partido Comunista do Brasil.

Olho, camaradas, democratas, brasileiras(os), trabalhadores e trabalhadoras! A Reforma Política que se urde sob o golpe quer espalhar veneno sobre a mata para impôr a monocultura do transgênico contra a diversidade da natureza democrática, conquistada com tanta luta. Depõem Dilma, cassam injustamente Lula de modo cruel, enquanto bandidos abjetos definem que flores poderão nascer, que pássaros se permitirá cantar, e que é preciso matar as rosas vermelhas, sobretudo, porque perigosíssimas.

Podem tentar esconder seu vil propósito sob estranhas palavras como fim das coligações, fim do voto proporcional, cláusula de barreira, podem inventar as mais torpes mentiras, mas é unicamente para que a democracia tombe inerme e só parasitas, ervas daninhas e aves de rapina imperem num bosque que se conheceu por ter mais vida e mais amores.

E que seja Jandira Feghali o alvo dessa ameaça, só reforça a sua correção, seu brilho, a necessidade de que floresçam Jandiras, e que nos postemos como cerca viva em sua defesa, que lutemos contra as ervas daninhas que a querem sufocar, que a protejamos contra os que a querem tombar, que inclusive coloquemo-nos ao seu redor contra qualquer lâmina que a queira ferir.

Jandira Feghali, nossa rosa vermelha, sabe defender-se, mas é a solidariedade que lhe devemos que assegurará o florir de tantas rosas que retomarão a primavera, como cerca viva que proteja a árvore da democracia, esse juazeiro altivo que hoje sofre e agoniza, mas que resiste, sempre, jamais se entrega. Força, Jandira Feghali, estamos contigo, nenhuma mentira global, nenhum processo forjado, nenhuma defesa do arbítrio poderão te calar, nem deter a primavera, pois, caramba, ensinou-nos Maiakovski: a primavera é inexorável!

* corrigido às 10h35

Coletivizando no Youtube