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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

V Curso do Barão de Itararé: Comunicação para derrotar o bolsonarismo - Inscrição até 14/08

 

 O Barão faz um grandioso curso para armar a luta nas redes contra a extrema direita e o genocídio. Além da qualidade das palestras e debatedores, os custos de R$ 100 da inscrição ajudarão muito na reisistência dessa entidade fundamental da luta em defesa da democracia, o nosso Centro Barão de Itararé. O Blog Coletivizando apoia totalmente.

Participe! Garanta a sua inscrição acessando o formulário aqui



V Curso Nacional de Comunicação do Barão de Itararé

Como enfrentar e derrotar o bolsonarismo

INSCREVA-SE

24, 25 e 26 de agosto de 2020

24 de agosto, segunda-feira, às 9 horas

Quem são os bolsonaristas?

- Esther Solano – pesquisadora da USP;
- Felipe Nunes – Diretor da Consultoria Quaest;
- Marcos Coimbra – diretor do Vox Populi;

Coordenação: Rita Casaro

 

24 de agosto, segunda-feira, às 14 horas

 

As batalhas políticas

- Gleisi Hoffmann – deputada federal e presidenta nacional do PT;
- Manuela D’Ávila – ex-deputada do PCdoB
- Juliano Medeiros – presidente nacional do PSOL
- Túlio Gadelha – deputado federal do PDT-PE
- Lídice da Mata – deputada federal do PSB-BA

-Coordenação: Wesley Oliveira Lima

 INSCREVA-SE

24 de agosto, segunda-feira, às 17 horas

 

Cultura e humor em tempos de cólera

- Danilo Miranda – diretor do Sesc;
- Sergio Mamberti – ator, diretor e produtor cultural;
- Renato Aroeira - cartunista;
- Gregório Duvivier – ator e humorista;
- Maria Augusta Ramos – cineasta;

Coordenação: Larissa Gould

INSCREVA-SE

25 de agosto, terça-feira, às 9 horas

 

Os embates teóricos

- Marcia Tiburi – filósofa, escritora e professora da Université Paris 8;
- Silvio Almeida – jurista, escritor e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie;
- Laurindo Lalo Leal Filho – professor aposentado da Universidade de São Paulo, ex-apresentador da TV Brasil e integrante do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI);

Coordenação: Carlos Tibúrcio

INSCREVA-SE

25 de agosto terça-feira, às 14 horas

 

A disputa nas redes sociais

- Sérgio Amadeu – sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC;
- Fabio Malini – pesquisador em ciências de dados e professor da Universidade Federal do Espírito Santo;
- Nina Santos – Pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital;
- Diego Dorgam – professor de Deep Learning na Universidade de Brasília;

Coordenação: Ana Flávia Marx

INSCREVA-SE

26 de agosto, quarta-feira, às 9 horas

 

A mídia diante do bolsonarismo

- Renata Mielli – coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC);
- Leonardo Attuch – editor do Brasil 247;
- Angela Carrato – professora da Universidade Federal de Minas Gerais;
- Bia Barbosa – jornalista e conselheira eleita do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)

Coordenação: Maria Alice Vieira

 INSCREVA-SE

26 de agosto, quinta-feira, às 14 horas

 

O bolsonarismo está em crise?

- Franklin Martins – ex-ministro da Secom-PR no governo Lula;
- Heloisa Starling – professora da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Projeto República;
- Rodrigo Vianna - jornalista
- Dennis de Oliveira – jornalista e professor da Universidade de São Paulo;

Coordenação: Roni Barbosa

 

*A confirmar

quinta-feira, 3 de maio de 2018

6º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais - 25 e 26 de maio em SP - Centro de Mídia Barão de Itaraé



A sexta edição do #BlogProg ocorre em um cenário no qual a mídia monopolista, composta por sete famílias que dominam a comunicação no Brasil, faz de tudo para defender as “reformas” regressivas e os atentados à liberdade de expressão e de organização da sociedade. Mais do que nunca, a mídia contra-hegemônica joga um papel decisivo na disputa de narrativas no país, contrapondo-se ao pensamento único "emburrecedor" e desmobilizador imposto pelas forças do capital que assaltaram o poder da República.


Com cinco encontros realizados nos últimos sete anos, fica evidente a importância de reunir e organizar, de forma horizontal, o movimento. O 6º Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais é um momento oportuno para fortalecer a trincheira da comunicação em um momento de duros ataques aos trabalhadores e à democracia.


Confira a programação completa e faça a sua inscrição.


PROGRAMAÇÃO


Sexta-feira, 25 de maio, às 18 horas
A situação política e a batalha de ideias


- Gleisi Hoffmann (PT);
- Manuela D´Ávila (PCdoB);
- Ciro Gomes (PDT) [*];
- Guilherme Boulos (MTST);
- Roberto Requião (PMDB)


Sexta-feira, às 22 horas
Confraternização


Sábado, 26 de maio, às 9 horas
As regressões na área da comunicação.


- Renata Mielli – coordenadora-geral do FNDC;
- Maria José Braga – presidenta da Fenaj;
- Jean Wyllys – coordenador da Frentecom [*];
- José Trajano – jornalista esportivo.


Sábado, às 14 horas
Rodas de Conversa (troca de experiências) com a moderação de blogueir@s


Sábado, às 16 horas
Plenária Final – discussão e aprovação da "Carta de São Paulo" e eleição da nova comissão nacional do BlogProg


[*]: ainda não confirmados


INSCRIÇÕES

O valor da adesão é de R$ 100 e dá direito à certificado de participação. Para garantir a sua inscrição, basta acessar o formulário e realizar o pagamento: https://doity.com.br/6-encontro-de-blogueiros


Os 30 primeiros pagantes que não forem residentes na região da grande São Paulo terão direito à hospedagem em local próximo ao evento.

>>> FAÇA A SUA INSCRIÇÃO AQUI <<<











segunda-feira, 1 de maio de 2017

A origem e o significado do 1º de Maio - Blog do Miro


Por Altamiro Borges

“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores. 

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista. 

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos. 

Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 - maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA. 

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas. 

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”. 

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos. 

Os oito mártires de Chicago

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento - o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe - foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”. 

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller). 

A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto. 

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário. 

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

*****

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Altamiro Borges às 12:55

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

STF protege o “angorá”! Cadê o panelaço? Por Altamiro Borges

Blog do Miro
Numa decisão que pode inflamar a revolta, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu nesta terça-feira (14) o cargo de ministro da Secretaria-Geral do covil golpista para o peemedebista Moreira Franco, o famoso "gato angorá" da corrupção nativa. A decisão anula todas as liminares dadas antes por juízes da primeira instância que suspenderam a sinistra escolha. Com isso, o cupincha de Michel Temer garante o direito ao foro especial e só poderá ser investigado pelos seus supostos crimes pelo próprio STF. Moreira Franco tem uma longa ficha corrida de acusações – apenas nas delações premiadas da midiática Operação Lava-Jato ele já foi citado 34 vezes – 34 vezes!

Segundo matéria do jornal O Globo, "antes de tomar a decisão, Celso de Mello pediu informações ao presidente [sic] Michel Temer sobre o assunto. Em resposta, assessores do presidente reafirmaram a legalidade da nomeação. A decisão do ministro foi tomada em duas ações do PSOL e da Rede pedindo a anulação da nomeação, por entender que Moreira foi indicado com o único propósito de dar a ele direito ao foro privilegiado. Sem o cargo, os indícios contra o peemedebista ficariam nas mãos do juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava-Jato na primeira instância do Judiciário". Quem ainda lembra como atuou o STF, que fez o maior estardalhaço para impedir a nomeação do ex-presidente Lula para compor o governo Dilma Rousseff, deve ter estranhado a decisão do "decano" do Supremo.

Celso de Mello simplesmente aceitou a desculpa esfarrapada apresentada pelo covil golpista de que a escolha de Moreira Franco foi angelical, imaculada. "Não houve qualquer má intenção do Presidente da República em criar obstruções ou embaraços à Operação Lava Jato", afirmou o documento escrito pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil. Já os outros ministros do STF preferiram se calar, repetindo as cenas de covardia que viraram moda desde o início da cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff. Eles sequer se manifestaram sobre as três liminares de juízes de primeira instância que anularam a nomeação do "angorá" devida a sua sinistra trajetória. Triste sina do Supremo!

Desfaçatez como tábua de salvação

Até veículos que apoiaram o "golpe dos corruptos" e dão sustentação à quadrilha que assaltou o poder estranharam a nomeação. A Folha, em editorial na sexta-feira (10), foi dura nas críticas. "Acumulam-se, nestes últimos dias, os sinais de que o governo do peemedebista Michel Temer – a exemplo do mundo político em geral – deixa de lado o compromisso com as aparências republicanas e adota como prioridade a sobrevivência de seu núcleo de poder. Em manobra incapaz de passar como mera providência administrativa, o presidente alçou a ministro de seu governo Wellington Moreira Franco, identificado como "Angorá" em delações da Lava Jato". Para o jornal, os usurpadores – este adjetivo logicamente não é do veículo chapa-branca – "importam-se, a esta altura, com quase nada. Tomam a iniciativa, seguem adiante e recorrem à desfaçatez como tábua de salvação".

Até a revista Época, pertencente à famiglia Marinho, foi forçada a reconhecer que a nomeação visou exclusivamente "blindar Moreira Franco, citado na Lava-Jato". Conforme lembrou a reportagem, "o presidente Michel Temer vai criar um novo ministério – a Secretaria-Geral da Presidência – dentro do Palácio do Planalto para abrigar seu aliado Moreira Franco, que atualmente é secretário do Programa de Parcerias e Investimentos. Com isso, Moreira, que foi citado por delatores da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, ganha status de ministro e direito ao foro privilegiado. Assim, ele só poderá ser investigado e julgado na esfera do Supremo Tribunal Federal".

O texto mais contundente na mídia hegemônica, porém, foi o do veterano jornalista Janio de Freitas. Diante da indecorosa nomeação, agora confirmada pelo "decano" Celso de Mello, ele provocou os "coxinhas" que bateram panelas e foram às ruas para exigir o "Fora Dilma". Se a sua provocação der resultado, despertando consciências, as vidas do sinistro Moreira Franco e do Judas Michel Temer não terão paz no próximo período. A conferir!

*****

Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer

Por Janio de Freitas - Folha, 12 de fevereiro de 2017

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.

Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.

Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.

Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.

Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Golpes na Argentina, Venezuela e Brasil? - ALTAMIRO BORGES - Portal CTB


Portal CTB





Diante desta onda reacionária, os governantes dos três países (Argentina, Venezuela e Brasil) são chamados a enfrentar a “guerra da comunicação” e derrotar os aparatos de hegemonia da elite colonizada.

Há algo muito estranho ocorrendo em três países decisivos na geopolítica da América Sul. A Venezuela, rica em petróleo, enfrenta uma onda permanente de desestabilização – com sabotagem no abastecimento de produtos básicos, choques violentos nas ruas e ameaças de golpes militares contra o presidente Nicolás Maduro.

Na Argentina, segunda economia da região, está em curso um processo de judicialização da política que pode desembocar na cassação da presidenta Cristina Kirchner. Já no Brasil, a principal força no tabuleiro político do subcontinente, a direita mais suja do que pau de galinheiro se traveste de vestal da ética, bravateia a tese do impeachment e incentiva as marchas dos grupelhos fascistas. O que explica esta sinistra coincidência? Os EUA, que sempre trataram a região como o seu quintal, têm algo a ver com esta onda nitidamente golpista?

Os três países têm vários traços em comum. Em todos eles, a direita partidária sofreu duras derrotas eleitorais nos últimos anos. Forças contrárias ao neoliberalismo, com suas nuances e ritmos diferenciados, chegaram ao governo – e não ao poder. Fragilizada, a elite colonizada foi substituída no seu ódio ao campo popular pela mídia monopolista e manipuladora.

Na Venezuela, Argentina e Brasil, os jornalões, as revistonas e as emissoras de rádio e tevê fazem oposição diariamente – jogam no pessimismo da sociedade, difundem a visão fascista da negação da política, tentam impor sua agenda neoliberal derrotada nas urnas e apostam na desestabilização dos governos progressistas. Nos três países, os barões da mídia hoje lideram as forças golpistas e estão cada dia mais agressivos. Nada mais contém a sua sanha conservadora e entreguista, pró-império.

Além da mídia monopolista, outros aparatos de disputa de hegemonia também servem aos interesses das oligarquias nativas e alienígenas. Na Argentina e no Brasil, boa parte do corrompido poder Judiciário está nas mãos das elites. O suspeito caso da morte do promotor Alberto Nisman, responsável pelo inquérito sobre o atentado terrorista a um centro judaico em Buenos Aires, tem servido para atiçar a campanha pela deposição da presidenta Cristina Kirchner. Já o escândalo da Petrobras, com vazamentos seletivos e técnicas de tortura do Ministério Público e da Polícia Federal – outros dois aparatos de hegemonia –, alimenta o sonho da oposição demotucana de sangrar e, se possível, de derrubar a presidenta Dilma Rousseff. Na Venezuela, focos golpistas voltaram a aparecer nas Forças Armadas e se unem aos empresários sabotadores da economia.

Diante desta onda reacionária, os governantes dos três países são chamados a enfrentar a “guerra da comunicação” e derrotar os aparatos de hegemonia da elite colonizada. Na semana passada, o chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Capitanich, acusou explicitamente a mídia e a Justiça de tramarem um golpe. “É uma estratégia de golpismo judicial ativo. No mundo, a disputa é entre democracia e grupos obscuros vinculados a poderes econômicos”. Ele inclusive citou o Brasil, no qual “Dilma Rousseff sofre ataques com pedidos de julgamento político”. Já o secretário-geral da Presidência da República, Aníbal Fernández, falou em “manobra de desestabilização democrática” e conclamou os setores populares a irem às ruas para defender a continuidade do mandato de Cristina Kirchner.

Também na semana passada, o presidente Nicolás Maduro acusou novamente o governo dos EUA de orquestrar um golpe na Venezuela. Na última quinta-feira (12), ele anunciou a prisão de 14 civis e militares, entre eles de um general da reserva. Segundo as investigações, o grupo pretendia causar tumultos e mortes num ato agendado pela direita local. Em rede de televisão, o líder bolivariano afirmou que “os EUA pagaram [os sabotadores] em dólares e lhes deram vistos com data de 3 de fevereiro. A Embaixada dos EUA lhes disse que, em caso de fracasso, poderiam entrar no território americano”. A grave denúncia foi, como sempre, ridicularizada pela mídia venezuelana e mundial – a mesma que apoiou efusivamente o golpe fracassado de abril de 2002. Já a Casa Branca considerou as acusações “ridículas”. Afinal, o império nunca apoiou golpes e ditaduras!

Já no Brasil, a “guerra da comunicação” anunciada por Dilma Rousseff na primeira reunião ministerial, no início de janeiro, ainda não saiu do papel. Nenhum ministro teve a coragem de denunciar “a estratégia de golpismo judicial ativo” – que deverá ficar ainda mais agressiva no pós-Carnaval com a nova fase da midiática Operação Lava-Jato. A presidenta Dilma Rousseff também ainda não ocupou a rede nacional de rádio e televisão para criticar os setores que pretendem destruir a Petrobras e entregar o Pré-Sal – um antigo desejo dos EUA. Num contexto bastante explosivo na região, aonde as coincidências golpistas são estranhas e os interesses imperiais são violentos, é preciso reagir rapidamente! O fantasma do retrocesso assombra a América do Sul.

Altamiro Borges é presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé

Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Concepções Sindicais - ALTAMIRO BORGES - O Tradeunismo

A luta entre concepções no interior do sindicalismo não é nova. Desde o surgimento dos
sindicatos que ela se manifesta - ora com mais, ora com menos intensidade, dependendo de vários fatores. Alguns a encaram como algo extremamente negativo, que atrapalha a unidade dos trabalhadores - já que as várias correntes se digladiam numa luta intensa. No nosso entender, essa disputa não é nem positiva ou negativa. Ela é natural. Faz parte da própria natureza dos sindicatos, que procuram representar o conjunto dos trabalhadores.

Pode-se dizer que o sindicato é um campo fértil de idéias e de luta entre as várias propostas
existentes em seu meio. Querer impedir essa disputa de concepções, de forma artificial, fere a
própria essência do sindicato e representa a sua negação, resultando num tipo de partidarização.

Mesmo para combater o tendencismo, que seria o extremo negativo da disputa que é sempre
natural, é necessário democratizar as discussões no interior dos sindicatos. Só dessa maneira se
contribui para a educação da classe, que, na polêmica, vai se posicionar sobre as propostas que mais lhe interessam. A luta pela hegemonia, que está presente em toda vida social, manifesta-se com força nos sindicatos e não se pode temê-la ou nega-la.

Tradeunionismo
Uma das primeiras concepções a ganhar destaque no meio sindical foi a tradeunionista. O
próprio nome indica que ela surgiu no interior das trade unions da Inglaterra - e isso no final do
século passado. Fatores de ordem econômica e política explicam o florescimento dessa corrente
sindical. Num primeiro momento, as trade unions se caracterizaram pela combatividade e heroísmo de seus integrantes - que atuaram na clandestinidade, sofreram violentas perseguições e dirigiram as primeiras greves do novo sistema social. Através de memoráveis lutas, ganharam respaldo e conquistaram a legalidade.

Entretanto, a Inglaterra, como “berço do capitalismo”, passou por intenso desenvolvimento
econômico. Enquanto no restante dos países ainda imperava o modo de produção feudal, baseado no atraso do campo, a burguesia inglesa já passava pelo progresso gigantesco da revolução industrial. Acumulando capital, essa nova classe passa a interferir no mundo. Inicia-se a fase caracterizada por Lênin como imperialismo, um estágio do capitalismo. A burguesia inglesa internacionaliza o seu capital, em busca de inúmeras vantagens.

Nos países atrasados, os grupos industriais da Inglaterra podiam contar com uma mão-de-obra
barata, desorganizada. Na matriz, as trade unions já questionavam a exploração capitalista.
Nesses países coloniais também havia a vantagem da fartura de matéria-prima e a própria
existência de um mercado de consumo ainda virgem. Na Inglaterra, a disputa por fontes de
matéria-prima e a concorrência na venda das mercadorias aumentam as dificuldades dos
empresários. Além disso, nos países atrasados era mais fácil dirigir os governos, que serviriam
como testas-de-ferro para implantar políticas de interesse do capital inglês - via subsídios,
construção na infra-estrutura necessária etc.

Por último - e o que mais importa na discussão sobre a origem do Tradeunionismo -, a
exploração dos países coloniais permitia à burguesia inglesa obter altas taxas de mais-valia. Esse recurso extra vai possibilitar uma certa distribuição dos lucros para parcelas do operariado inglês.

Desta forma, a burguesia da Inglaterra podia amainar os conflitos na matriz, deslocando-os para as suas colônias. Essa distribuição de “migalhas”, obtidas em decorrência da super - exploração nos países atrasados, vai resultar no surgimento de uma parcela de trabalhadores com maior poder aquisitivo na Inglaterra - que Engels chamara de “aristocracia operária”.
Essa parcela “aburguesada” de trabalhadores é que vai ser responsável pela mudança de
comportamento do sindicalismo inglês. Aos poucos, nasce e se consolida uma nova concepção
sindical - o Tradeunionismo, que é uma corrente típica dos países mais avançados do capitalismo.

Nos setores de ponta da economia, que mais preocupavam e que foram beneficiados pela
burguesia, começam a se manifestar opiniões em defesa do próprio sistema capitalista. Nas
mesmas bases sindicais, que tiveram papel de relevo nas primeiras lutas contra a exploração,
surgem lideranças que justificam o saque das nações dependentes. O pragmatismo é uma das
principais características dessa concepção sindical. Com o objetivo de manter as “migalhas”, o
Tradeunionismo nega a luta de classes, deixa de questionar a própria lógica exploradora do capital.

Para ele, o que importa é o crescimento do capitalismo, sua difusão pelo mundo enquanto sistema imperialista. Para garantir esse avanço, essa tendência procura suavizar os conflitos. Ela prega abertamente a conciliação de classes. Seu interesse é unicamente pela conquista de pequenas melhorias imediatas. Daí sua pregação economista, que rejeita qualquer confronto político com o sistema em vigor. Em decorrência dessa concepção, o Tradeunionismo se contrapõe às greves, procurando evitá-las. A central sindical inglesa, a TUC (Trade Unions Congress), hegemonizada por essa corrente, vai inclusive condenar inúmeras paralisações de trabalhadores, colocando-se ao lado do patronato. Para obter pequenas vantagens econômicas, as trade unions vão priorizar as negociações, em detrimento da pressão organizada das bases sindicais. Isso resulta numa prática cupulista, que afasta as entidades sindicais das massas assalariadas. Além disso, essa concepção vai utilizar como tática o lobby político, pressionando os parlamentares - sem distinção de ideologias e partidos. As trade unions vão se contrapor a formação de um partido revolucionário, que lute contra o sistema capitalista. Com o tempo, torna-se apêndice de um partido de concepção burguesa - o Labour Party (Partido Trabalhista). Os sindicalizados são automaticamente contabilizados como filiados dessa agremiação partidária.

É preciso ter claro que a parcela aburguesada, a “aristocracia operária”, era minoritária
mesmo na Inglaterra. Apenas alguns segmentos, principalmente dos setores de ponta da economia são contemplados pelo saque imperialista. No restante, persistem as péssimas condições de trabalho e salário. Para esses, as trade unions adotam uma postura de discriminação. Cada vez mais, o sindicalismo inglês passa a representar apenas os setores aburguesados. Há uma forte tendência ao corporativismo, como os sindicatos encaminhando as reivindicações puramente profissionais dos trabalhadores dos setores mais dinâmicos da economia - em especial dos operários especializados. O sindicalismo tradeunionista inclusive se preocupa apenas com os sindicalizados, deixando o restante na marginalização. Os interesses da minoria organizada vão se contrapor aos conjuntos de classe. Predomina a defesa mesquinha dos interesses de algumas categorias de ponta, o que resulta numa maior divisão da classe.

Sob direção da corrente tradeunionista, o sindicalismo inglês - e posteriormente o
movimento sindical de outros países imperialistas - adota em vários momentos da história uma
postura nacional - chauvinista. Defende os interesses da burguesia local, a exploração dos
trabalhadores dos países dependentes. Essa característica ficará mais nítida nos períodos de
guerra - em especial as duas grandes guerras mundiais. Essa proximidade de concepção entre o patronato e os sindicalistas tradeunionistas terá como conseqüência um maior vínculo, inclusive orgânico, entre capital e trabalho. Em vários dos países onde essa concepção ganhou hegemonia, os sindicatos passaram a ter negócios empresariais, tornando-se ricas instituições.

Deu-se início ao chamado “bussiness -union” - sindicalismo de negócio. A central sindical americana vai comprar logo no início desse século, terra nas Flórida e ações de várias empresas, utilizando-se para isso das pensões dos assalariados por ela administrada.

Em síntese, pode-se afirmar que as principais características da corrente tradeunionista são
as seguintes: defesa do sistema capitalista, pragmatismo, economicismo, negação da luta de
classe, corporativismo e cupulismo. Em decorrência desse comportamento, o sindicalismo
hegemonizado por essa tendência terá sua história manchada por vários acontecimentos
negativos. Evidente que no decorrer da sua trajetória, ocorrerão situações diferenciadas - fruto de acontecimentos políticos e econômicos marcantes. No processo da II Guerra Mundial, por
exemplo, a TUC inglesa e parte do sindicalismo norte-americano, tendo a frente a CIO (Congress Industrial Organization), defende a constituição de uma frente anti - nazista - refletindo a própria postura de seus países na constituição das forças aliadas.

No entanto, o que se observa no geral é a manutenção da mesma concepção - o que resulta
em várias iniciativas contrárias aos interesses dos trabalhadores. As conseqüências da prática
tradeunionista ficam mais nítidas no estudo do sindicalismo do EUA, a principal potência
imperialista desse século. Antes do desenvolvimento industrial desse país, o sindicalismo
americano se caracteriza por uma prática de combate ao capital. Em 1866, é fundada a União
Nacional do Trabalho (National Labour Union), organizada por G. Sylvis, que dirigirá importantes greves e pedirá filiação a AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores).

Muitos dos fundadores dos sindicatos americanos nessa época são assassinados e perseguidos pela polícia e pelas milícias privadas dos patrões - como o conhecido bando de “pinkerton”. Nesse período, a concepção anarquista terá maior força no sindicalismo americano. Ele se fará sentir inclusive na Federação Americana do Trabalho - a famosa AFL (American Federation Of Labour), fundada em 1886.

Ocorre que os EUA vão passar por um intenso processo de desenvolvimento capitalista. Já
no final do século passado, a burguesia americana disputa a hegemonia econômica com a
Inglaterra e outras potências. Aos poucos, os EUA se transformam também numa potência
imperialista - investindo contra a soberania das nações mais frágeis. Primeiro, conquistam as
antigas colônias espanholas na América central. Depois, tendo acumulado capital suficiente,
passam a dominar nações do próprio continente e de outras partes do mundo.

A conseqüência desse crescimento, do ponto de vista do sindicalismo americano, é a
constituição também de uma aristocracia operária nos EUA. Aos poucos, o movimento sindical
abandona sua tradição de luta. A concepção tradeunionista derrota a anarquista, principalmente nos sindicatos representativos dos trabalhadores dos setores de ponta da economia. Samuel Gompers, fundador da AFL, renega o seu próprio passado. Como presidente da central americana, ele participou ativamente das atividades da Associação Internacional dos Trabalhadores, a I Internacional, fundada por Marx e Engels. Ele inclusive se dizia um “marxista” e teve como conselheiro o militante político F. A. Sorge, correspondente de Karl Marx nos EUA. Com o processo de formação do império americano, muda radicalmente de concepção.

Gompers será ideólogo do Tradeunionismo nos EUA. Para ele, os sindicatos não devem
mais questionar o sistema. Pelo contrário, devem contribuir para o seu crescimento. “O papel dos sindicatos é de simples regulador da mercadoria trabalho”, afirma. Outro dirigente da central americana, John Lewis, dará definição mais precisa da visão tradeunionista: “O sindicato é parte integrante do sistema capitalista. Ele é um fenômeno capitalista tanto quanto a sociedade anônima.

Um reúne operários objetivando uma nação comum na produção e na venda; a outra agrupa
capitalistas que tem a mesma finalidade. O objetivo econômico é o mesmo para ambos: o lucro”.

O processo de burocratização do sindicalismo norte-americano é marcante. Os contratos
coletivos de trabalho são celebrados pela cúpula da AFL-CIO, sem qualquer consulta a base. O número de sindicalizados não corresponde a 1/3 da mão-de-obra. As taxas de inscrição e a
mensalidade dos sócios são altas. Os dirigentes da AFL-CIO é que designam as direções das
entidades intermediárias e locais. As assembléias são espaçadas - às vezes ocorrem anos entre
uma e outra. A corrupção campeia na direção dos principais sindicatos nacionais e na AFL-CIO. Os cargos de direção são regiamente pagos. Há também notórias vinculações, até hoje, com a máfia.

Com sua política imperialista, a AFL apoiou o envio de tropas quando do cerco contra os
revolucionários russos, na guerra civil que se estendeu de 1918 a 1922. Ela também apoiou a
invasão do Vietnã para “defender o bem-estar dos trabalhadores americanos”. A resolução de
“apoio incondicional” foi aprovada no congresso de San Francisco, em 1965. Nesse caso, chegou a orientar os sindicatos nacionais a tornarem suas sedes centros de alistamento militar.

No último período apoiou, discretamente, os contras da Nicarágua, condicionando esse apoio a mudanças na política social do governo Reagan. Em decor6encia dessa identidade com a política imperialista do governo dos EUA, o departamento de relação internacional da AFL-CIO coleciona denúncias sobre seus vínculos com a CIA. Joy Lovestone, acusado de ser agente pago da agência de espionagem, foi durante três décadas, o responsável por este departamento. A AFL-CIO também cria institutos para interferir na política de outros países, como o IADESIL - que é uma entidade tripartite, dirigida pela central sindical, o governo dos EUA e a entidade patronal Council of America.

A história do sindicalismo americano é marcada por dois momentos. Um primeiro, antes dos
EUA se transformarem numa potência imperialista, que se caracteriza por uma ação combativa. Na jornada internacional de luta pela redução da jornada para oito horas diárias, em 1886, ele terá papel de destaque. Cerca de 5 mil greves ocorreram nesse ano em torno dessa reivindicação - inclusive a greve de Chicago, que deu origem ao 1o de maio.

Depois, a partir do final do século passado, o sindicalismo passa a ser hegemonizado pela
corrente tradeunionista. Há disputa de posições. As correntes mais à esquerda, anarquistas e
socialistas, fundam em 1905 a Industrial Workers of the World (IWW), que às vésperas da primeira guerra mundial congrega mais de 2 milhões de filiados. Essa entidade é dilacerada pela disputa entre anarquistas e comunistas e, em 1912, é dissolvida pelo governo.

Quando da queda da bolsa de 29, que significou profunda depressão econômica,
trabalhadores formam sindicatos por ramo de produção - contrariando a orientação da AFL, que defendia as entidades por profissão, apenas dos trabalhadores qualificados. Através de acordo com a máfia, os burocratas sindicais garantem certa estrutura financeira e o afastamento, via gangsters, das lideranças mais combativas. Al Capone confessa, em seu julgamento, que a máfia realiza o contrabando via sindicatos e que possui um membro no comitê executivo da AFL. Fruto do acirramento da luta de classes nesse período de crise no capitalismo, surge em 38 a CIO - uma central sindical de oposição à AFL e com posições mais combativas, sob a liderança do líder mineiro John Lewis. Ela se estrutura por ramo de produção, opõe-se a discriminação racial e defende a participação política dos trabalhadores. Ela chega a ter mais de 5 milhões de aderentes.

Durante a II Guerra, alia-se aos sindicatos soviéticos na luta contra o nazi-fascismo. Já a AFL
monta nos EUA os comitês em defesa de Hitler.

O clima de guerra fria, as perseguições do governo no período do Macartismo e as disputas
internas na CIO vão enfraquecê-las, a partir da década de 40. Ela se retira da FSM (Federação Sindical Mundial) e funda, justamente com a AFL e os sindicatos dirigidos pela social-democracia, a CIOSL (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres) em dezembro de 49, no congresso de Bruxelas. Em 55 é completada a fusão com a AFL.
Outro caso é o do Japão. Após a II Guerra, o país fica sob intervenção dos EUA. O
sindicalismo que era conhecido por sua prática combativa, com grande influência de
revolucionários, é violentamente reprimido. Em 46/48 ocorrem os famosos “expurgos vermelhos”, quando cerca de 12 mil sindicalistas são presos e afastados da vida sindical. Há também a introdução do pluralismo sindical, o que gerou uma fragmentação em mais de 78 mil sindicatos - muitos deles dirigidos e fundados por empresas.

Em Israel, a Histradut é o segundo maior patrão do país, cabendo ao Estado o primeiro
lugar. Ela emprega cerca de 250 mil assalariados. Sua holding, Hevrat Ovdim, possui cerca de 600 fábricas e estabelecimento comerciais. Em 85 estas empresas foram responsáveis por 25% do produto interno bruto, por 2/3 dos bens manufaturados e por 85% da produção agrícola. O bando Hapoalin, o segundo maior do país, é da central sindical. Estas empresas exploraram a mão de obra palestina, que é remunerada em cerca da metade do salário dos israelenses.

Já na Alemanha, a DGB dirige a holding BGAG, que controla várias empresas e empregava,
em 82, mais de 40 mil assalariados. O BFG, segundo informações de 71, era o maior banco do país. E a Neue Heimat é a companhia de construções urbanas da Europa.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana - A entrevista completa dos Blogueiros Progressistas com Amaury Ribeiro Jr.

trevista Enviado por em 10/12/2011
Em entrevista concedida aos blogueiros progressistas ,o jornalista Amaury Ribeiro Jr revela a ferida tucana jamais citada no jornalismo brasileiro. Como bem disse Luís Nassif , é a reportagem investigativa da década .



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