Leia a parte 2
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Diógenes Arruda: O guerreiro sem repouso (1) - Augusto Buonicore
Leia a parte 2
domingo, 15 de novembro de 2009
Reflexões sobre a 6ª. Marcha Nacional da Classe Trabalhadora*
Foi como se todos os passos dados na consolidação da central se consubstanciassem naquele ato político transcendente. Em parte porque a Marcha expressou a consigna central do congresso da central classista: Unir os trabalhadores para enfrentar a crise. A justeza dessa posição, abraçada com o mesmo espírito unitário pelas outras centrais, mostrou seu potencial na cena política brasileira e internacional, apesar do boicote da grande imprensa, ou do despreparo, como no caso da TV Câmara, que noticiou a marcha como organizada por apenas uma central.
Os trabalhadores pautaram a sua agenda política às vésperas de um ano decisivo para o Brasil, pelas 40 horas, em defesa do Pré-sal para o Brasil – com o apoio inestimável da UNE e da UBES que levaram 1500 estudantes para a marcha – e pela aprovação das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho. Não é pouca coisa.
Como empoderar o povo para impulsionar as mudanças?
Afinal, um dos dilemas do processo brasileiro de mudança que o diferencia em profundidade e rapidez do que se conquista na Bolívia, Venezuela e Equador, é exatamente a questão do empoderamento popular como parte da mudança. A América Latina causa espécie ao inovar na política, pela unificação de distintas formas de luta que fazem toda a diferença na busca de caminhos para a superação do neoliberalismo. A onda progressista que ganhou corpo a partir da eleição de Hugo Chávez à presidência da Venezuela, em 1998, tem como característica que a diferencia reunir a luta político-eleitoral a partir de frentes amplas, a luta de idéias contra o neoliberalismo e o lastro dos movimentos sociais mobilizados como elementos indispensáveis para a chegada ao poder político nacional.
É pacífico tal caminho? Sim, mas não desarmado. É por dentro da institucionalidade vigente, burguesa? Sim, mas não a ela subordinado. No mínimo, tais processos neutralizaram as tradicionais forças repressivas e alteraram a institucionalidade para amparar as mudanças no povo, pois seriam impossíveis apenas com a anuência dos oligarcas de sempre, com ilusões do apoio da banca, da mídia e de Washington. Aonde isso não se deu, como em Honduras, vejam-se as dificuldades.
A novidade é essa combinação de formas de luta e a decisão de promover mudanças de fundo, alterando a constituição, disputando a agenda política para reformas decisivas, na defesa dos governos democraticamente eleitos – como na resistência ao golpe na Venezuela e na defesa do governo Lula em 2005 no Brasil.
As maiorias, tantas vezes caladas à custa de repressão brutal ou intervenção estrangeira, impõem-se crescentemente como atoras centrais da luta política pela superação do neoliberalismo, contribuindo com grande qualidade para assegurar a mudança. Quando o povo entra na cena política, entra para decidir e faz a direita tremer. Daí seu ódio inclemente à Venezuela e a Chávez, à Bolívia e a Evo, chamados tantas vezes de populistas por simplesmente, como fez Lula em 2005, não assumirem o protocolo mais caro do que seria um presidente, aquele que não quereria o povo na política. Mas, na medida em que os presidentes progressistas expressam realmente o sentimento popular e chamam o povo a assumir seu papel na cena política, ameaçando os seculares e recentes monopólios das oligarquias latino-americanas, que esperar, senão o ódio de classe mais empedernido e desesperado?!
A unidade das centrais: um grande achado.
E por isso é fundamental apreender o sentido, a força, as lições contidas nos recentes acontecimentos que permitiram unificar os trabalhadores através das centrais sindicais, porque pode ser esse um elemento importantíssimo na solução desse enigma da esfinge no processo brasileiro, que é o de conferir ao povo maior protagonismo na defesa e no aprofundamento das mudanças. O fórum das centrais cumpre hoje um papel decisivo. A marcha mostrou o peso que tem na cena política a movimentação decidida desses batalhões da luta de classes. E é lastreado na correção desses exemplos práticos que o povo aprende na luta e que ganha corpo a proposta da CTB pela convocação de uma nova Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras que possa assegurar a unidade na defesa do aprofundamento das mudanças no Brasil e na consolidação de inúmeras conquistas alcançadas no governo Lula.
Não é gratuita a ação de inconstitucionalidade movida pelo DEMO contra o reconhecimento das centrais sindicais, a CPI do MST, os ataques à UNE. A direita se move decidida para criminalizar, neutralizar, desmoralizar, anular o peso dos movimentos sociais como atores destacados do processo político brasileiro.
Ciência sumamente complexa é a de escutar o povo para entender o que o pode unir como força motriz do avanço social, força política de combate que empurra a política para a esquerda. É a difícil busca do ascenso de massas. O Brasil é imenso, poderosas forças conservadoras atuam dia e noite para impedir os avanços do povo, forças que têm 500 anos na direção do país, cujas origens remontam ainda aos grandes latifundiários de sempre e mesmo os traficantes de escravos que se reciclaram geração após geração, aliando-se à potência de turno para manter nosso país de joelhos. Em comum com seus antepassados, a cínica defesa da cobrança do mesmo quinto que levou Tiradentes ao patíbulo, o mesmo desprezo pela nação e a mesma sanha que não hesitou em cortar aquele mártir em postas, demolir-lhe a casa e salgar seu chão para que nada mais nascesse no futuro. Em vão. O Brasil é muito mais que essa elite pusilânime.
Assim, quando o povo constrói instrumentos poderosos como a unidade das centrais, que pode ser a chave para uma unidade ainda mais ampla de todo o movimento social, há que dar a tais fatos recentes a devida atenção para que se expresse aí a arte na política: alterar a correlação de forças para o aprofundamento das mudanças.
A CTB na marcha: massiva, alegre, brasileira e jovial
E talvez por isso essa impressão de uma alegria militante tão clara nas filas da CTB durante a marcha. Presentes estavam pessoas de todo o país, muitos dos delegados do Congresso recentemente ocorrido no último setembro, todos os sotaques, trabalhadores do campo e da cidade, muitas mulheres, e todas as idades, por uma pujante presença de jovens trabalhadores e estudantes.
Com sua característica irreverência, a juventude correu e fez coreografias, gritou divertidas palavras de ordem, expressou sua perene confiança no Brasil pela centralidade que conferiu à questão do Pré-Sal. A UNE e a UBES mobilizaram nos Estados e mantiveram uma equipe por meses em Brasília para assegurar esse brilho que conferiu à Marcha. E há que mencionar a alegria com que as bandeiras da CTB, da UNE e da UBES tremularam lado a lado, esse reconhecimento da juventude pela novidade que a central classista representa e a resposta da CTB em valorizar os(as) jovens como atores políticos de primeira linha na luta pela mudança do Brasil. É fundamental investir nisso: encher as fileiras de nossos sindicatos de jovens e estreitar as relações da CTB com os movimentos sociais, a juventude, o movimento de mulheres e o movimento negro. E uma palavra de ordem se fez gesto na 6ª. Marcha: a unidade entre trabalhadores e estudantes.
Unidade, unidade, e mais unidade
É preciso ter generosidade para assumir um papel de destaque na histórica luta do povo brasileiro, para sair do contingente e do espontâneo, para disputar os rumos do país. E é essa grandeza que deve buscar o sindicalismo classista, ao assegurar a unidade da classe e incorporar de coração aberto tantos lutadores e lutadoras, estudantes e jovens. Como diz a canção, “vamos precisar de todo mudo pra banir do mundo a opressão”, e o jogo, não nos iludamos, é bruto.
Foi essa síntese que permitiu à CTB evoluir incontestavelmente em sua contribuição à 6ª. Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, o que por sua vez reafirmou a viabilidade e a urgência de posicionar os trabalhadores em torno da continuidade e do aprofundamento da mudança no Brasil. Ganha legitimidade a luta por realizar uma nova CONCLAT que signifique a voz dos trabalhadores em uníssono com o povo para exorcizar qualquer possibilidade de retorno das elites neoliberais ao centro do poder. E, assim, abrir caminhos para uma democracia mais ampla, onde o povo possa agir e ser ouvido, acelerando o ritmo e dando uma contribuição que só pode ser nossa, brasileira, à nova luta pelo socialismo.
*Paulo Vinícius Santos da Silva – Cientista Social e Bancário é Secretário Nacional de Juventude Trabalhadora da CTB.
sábado, 14 de novembro de 2009
Agenda Internacional juvenil da CTB: Brasília e Perúu
| Do Portal CTB | |
| A agenda internacional da CTB na juventude está forte nesse final de ano. A Central Geral de Trabalhadores do Peru, em nome da Federação Sindical Mundial, sediará de 18 a 20 de novembro a I Conferência Internacional da Juventude Sindicalista em Lima, Peru. E na mesma data, a Secretaria Nacional de Juventude do Governo Federal sediará em Brasília a reunião especializada de Juventude do Mercosul com um seminário latino-americano promovido em parceria com a OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre trabalho decente. Em Brasília, a secretaria de juventude e o seu coletivo estarão representados na reunião da REJ por Vítor Espinoza (Comerciários Taquaral - RS), Adroaldo Negreiros (Correios - SP), Marcela Nogueira (CTB-PA) e Caio Santana (Sociólogos-AP). Oito vagas para compôr a delegação brasileira no Peru Já em Lima, Paulo Vinícius, Secretário de Jovens Trabalhadores da CTB, e Igo Menezes (CTB-RJ) representarão a central classista. Fruto das boas relações internacionais entre as duas centrais a CGTP permitiu enviar até 10 companheiros(as) como parte da delegação brasileira. Para isso, os demais 8 participantes terão que contactar a Secretaria de Juventude através dos e-mails pvss65@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email e marcia@portalctb.org.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email até o dia 13 de novembro, sendo necessário enquadrar-se nos seguintes critérios: 1- Ser trabalhador(a) com até 35 anos; 2- Ser membro do Coletivo Nacional ou Secretário Estadual de Jovens Trabalhadores da CTB; 3 - Ser do coletivo estadual de jovens eleito da CTB; 4- Outros casos, a convite da Secretaria de Juventude e em consulta à Secretaria de Relações Internacionais. No dia 14 de novembro, será enviado a lista definitiva dos participantes, porém a Secretaria alerta que é preciso ter garantida a passagem e dinheiro para manutenção nos quatro dias no Peru. Não há necessidade de passaporte para os brasileiros. Leia a seguir o CHAMADO À JUVENTUDE SINDICALISTA aprovado na reunião preparatória do Encontro ocorrida em Atenas, Grécia. Para maiores informações: no sítio da Confederação Geral de Trabalhadores do Peru, a CGTP CHAMADO À JUVENTUDE SINDICALISTA Reunidos na cidade de Atenas-Grécia, os integrantes do Comitê Preparatório da Primeira Conferência Internacional da Juventude Sindicalista, fazemos este chamado aos(às) jovens sindicalistas da América, África, Europa, Ásia, Europa e Oriente Médio para participar dos debates sobre os principais problemas que enfrenta hoje em dia a juventude trabalhadora e construir alternativas na Conferência Internacional dos Jovens Sindicalistas a realizar-se em Lima-Peru, de 18 a 20 de Novembro de 2009. Afinal, o sistema capitalista, corroído por suas próprias crises, só oferece aos(às) jovens trabalhadores(as) um futuro sombrio em que: • Os jovens somos um dos setores mais explorados da classe trabalhadora, com piores condições laborais e baixos salários; • O sistema capitalista só nos oferece precariedade e mais desemprego em todos os continentes, e isto apesar de a revolução tecnológica ter dado grandes saltos e as corporações transnacionais terem acumulado imensos lucros à custa da superexploração e do saque aos povos; • O sistema capitalista e os governos servis são tão cruéis que preferem injetar somas milionárias do dinheiro dos contribuintes para salvar aos banqueiros corruptos, mas não dão um centavo para salvar os milhões de trabalhadores que • Impede-se aos jovens trabalhadores de filiar-nos a sindicatos, intimidando-nos com contratos temporários e a angústia de não sermos contratados, numa tentativa de confiscar nossa dignidade e neutralizar-nos; • O sistema capitalista utiliza os jovens como carne de canhão a serem enviados pelos governos às guerras imperialistas. É hora de nós, jovens trabalhadores, fazermos ouvida a nossa voz; CHEGA DE GUERRAS E DE CORRIDA ARMAMENTISTA, SIM AO INVESTIMENTO PÚBLICO PRODUTIVO PARA GERAR EMPREGO. É hora de os jovens trabalhadores lutarmos por uma educação e uma saúde públicas e gratuitas. É hora de os jovens trabalhadores lutarmos pela defesa dos recursos naturais de nossos países explorados pelo imperialismo. É hora de os jovens trabalhadores lutarmos pelos direitos dos imigrantes e pela melhoria das condições laborais em nossos países. Os EUA e a União Européia respondem com muros e medidas vergonhosas contra os jovens imigrantes. A mentira e a corrupção são a filosofia do capitalismo neoliberal. Os jovens somos a força moral e classista para a construção de outro mundo com justiça social. Somos a esperança e o futuro do sindicalismo de luta com princípios de Classe para transformar a sociedade. E frente à política destrutiva do sistema capitalista respondemos com a firmeza ideológica para a derrotar. Que as riquezas e recursos do planeta estejam a serviço da humanidade e não de um pequeno grupo de corporações transnacionais. A juventude luta por uma nova forma de desenvolvimento. O futuro das novas gerações não é o capitalismo, mas a abolição da exploração do homem pelo homem. Felicitamos à Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP) e à Federação Sindical Mundial (FSM) pela iniciativa de organizar esta conferência internacional tão importante. Esperamo-os em Lima–Peru de 18 a 20 de novembro de 2009. Atenas- Grécia 16 de Outubro de 2009 MEMBROS DO COMITÊ PREPARATÓRIO: GUSTAVO MINAYA - CGTP-PERU ULLAH AZAM SYED ZIA - APFUTU-PAQUISTÃO ABDULL KAREEM MOTAJO - NUATE-NIGÉRIA GEORGE XARVALIAS - PAME – GRÉCIA PAULO VINÍCIUS SANTOS DA SILVA - CTB-BRASIL |
Os jovens vão 'estar tomando' o poder
Carta Capital
13/11/2009 15:26:34
Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão “vamos estar solucionando”, os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos aos das antigas linhas de produção industriais.
Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no País. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idades entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.
Esses jovens significam hoje para o PCdoB quase a mesma coisa que os operários do ABC representaram para o PT. Sindicatos da categoria, como os de São Paulo e Belo Horizonte, são ligados à União da Juventude Socialista (UJS), o braço jovem do PCdoB. Durante o 12º. Congresso do partido, realizado entre os dias 5 e 8 no Anhembi, em São Paulo, a atividade e a mobilização dessa categoria foi ressaltada pelos dirigentes comunistas.
O 12º Congresso do PC do B
Renato Rabelo: PCdoB está mais forte e armado para luta política | | |
| Qui, 12 de Novembro de 2009 19:03 | ||||
| Logo após o 12º Congresso, o presidente Renato Rabelo falou ao Vermelho sobre a presença de Lula e de Dilma ao evento; das eleições de 2010 e principalmente da vida partidária. Reafirmando ser este seu último mandato à frente da legenda, disse que o partido está “mais forte e armado para a luta política” e que o PCdoB "não é um partido qualquer" no cenário político nacional.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O Partido Comunista do Brasil de Congresso em Congresso
De: O Outro lado da Notícia
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) inicia a 05/11 seu XII Congresso. O I foi realizado em 1922. A seguir, um breve resumo de todos os Congressos do Partido.
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I Congresso: fundação do Partido
Segundo a revista Movimento Comunista, em meados de fevereiro de 1922, por iniciativa dos comunistas do Grupo de Porto Alegre, o Grupo do Rio de Janeiro entendeu-se com os demais grupos existentes sobre a necessidade de se apressar a realização do I Congresso do Partido Comunista do Brasil. O objetivo era definir a organização do Partido diante da aproximação do IV Congresso da Internacional de Moscou, no qual deveriam fazer-se representar os comunistas do Brasil. “Um trabalho ativo foi iniciado, neste sentido, marcando-se a data de reunião do Congresso: 25, 26 e 27 de março”, diz a revista.
Nos dois primeiros dias, o Congresso reuniu-se no Rio de Janeiro e no terceiro em Niterói. “Estavam representados por delegação direta os Grupos de Porto Alegre, do Recife, de São Paulo, de Cruzeiro (SP), de Niterói e do Rio. Não puderam enviar delegados os Grupos de Santos (SP) e Juiz de Fora (MG). Igualmente se fizeram representar o Bureau da IC (Internacional Comunista) para a América do Sul e o Partido Comunista do Uruguai”, explica a Movimento Comunista. Foi estabelecida a seguinte ordem do dia para os trabalhos do Congresso: 1) Exame das 21 condições de admissão na Internacional Comunista; 2) Estatutos do Partido Comunista; 3) Eleição da Comissão Central Executiva; 4) Ação pró-flagelados do Volga (União Soviética); 5) Assuntos vários.
II Congresso: consolidação do Partido
Em maio de 1925, o Partido Comunista do Brasil, então com a sigla PCB, realizou o seu II Congresso com uma representatividade maior e fisionomia de um verdadeiro partido comunista. Sobre a situação política nacional, predominou a concepção dualista “agrarismo-industrialismo”. Na verdade, essa concepção correspondia às análises contidas no livro Agrarismo e Industrialismo, escrito por Octávio Brandão — ele e Astrojildo Pereira eram então os principais teóricos do PCB — em 1924 e publicado em 1926.
Agrarismo e Industrialismo, um “ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classe no Brasil”, segundo o subtítulo do livro, dizia, em síntese, que os interesses agrários, em conluio com os do imperialismo anglo-americano, eram os principais entraves para a industrialização e o progresso do país. Para Brandão, uma terceira revolta — a primeira foi o levante do Forte de Copacabana em 1922 e a segunda o movimento de São Paulo de 1924 — deveria unir “o Exército e Marinha, o Rio e São Paulo, o Sul e o Norte, o proletariado, a pequena burguesia urbana e a grande burguesia industrial”. E ressalvava: “O proletariado entrará na batalha como classe independente, realizando uma política própria.”
III Congresso: revolução a vista
Entre os dias 29 e 31 de dezembro de 1928, o PCB realizou o seu III Congresso, em Niterói (RJ), e aprovou as resoluções com o Partido ainda sob a influência da concepção da “terceira revolta” como progressão natural dos levantes de 1922 e 1924. Para o Partido, havia uma conjuntura revolucionária, resultado da combinação da crise econômica em conseqüência da catástrofe na política do café com o fracasso do plano de estabilização monetária e a instabilidade política vinculada à sucessão presidencial de 1930.
Mas a análise da evolução da luta política no país revelou o limite das concepções que haviam no Partido. As resoluções falavam de “uma terceira explosão revolucionária”, continuação mais ampla e radical dos movimentos anteriores, para a qual “toda a tática do Partido Comunista do Brasil deve (…) subordinar-se”. Uma das mais importantes resoluções do 3º Congresso foi a que caracterizou o Bloco Operário e Camponês (BOC) como uma forma de trabalho legal do PCB.
Segundo o Congresso, dois perigos rondavam o BOC: o de o PCB perder a direção política do movimento e ele transformar-se em instrumento para “políticos parlamentares da pequena burguesia, colocando o proletariado a reboque desses elementos”, e o de o Partido perder sua fisionomia própria, “subordinando sua ação às possibilidades de trabalho legal”. Na edição de 15 de fevereiro de 1930, o jornal A Classe Operária publicou esta manchete: “Votar no Bloco Operário e Camponês é Votar pela Revolução!”
Mas a resolução que mereceu mais destaque foi a que tratou do combate ao fascismo. Segundo a direção do Partido, “a questão da luta contra o imperialismo e os perigos de guerra — posta no segundo ponto da ordem do dia — foi, a bem dizer, o fio condutor de todos os debates do Congresso”.
IV Congresso: programa do Partido
A edição de A Classe Operária de 1º de agosto de 1934 publicou um texto na capa, intitulado “Em Marcha para IV Congresso do PCB”, no qual o “prestismo” foi caracterizado como “teoria pequeno-burguesa direitista, golpista, que deixa de ter fé no proletariado”. Mas o Congresso seria adiado devido aos intensos acontecimentos daquela segunda metade da década de 30 — levante de 1935 e resistência à ditadura do Estado Novo.
Quando saiu a primeira edição do jornal A Classe Operária em sua nova fase, em meados de 1940, o e editor Maurício Grabois escreveu um texto intitulado “A Classe Operária será o órgão do IV Congresso”, no qual fez uma retrospectiva do heróico trabalho para reorganizar o Partido e conduzi-lo até ali. “É significativo o reaparecimento de A Classe Operária justamente quando o Partido Comunista do Brasil se mobiliza para a realização de seu IV Congresso, seu primeiro Congresso do período de legalidade. A Classe Operária será o órgão do Congresso, para discussões das teses e demais materiais a serem estudados durante este período preparatório”, escreveu.
A nova edição de A Classe Operária publicou ainda as “Normas orgânicas para o IV Congresso”. O PCB havia divulgado um folheto intitulado “Em marcha para o IV Congresso”, com orientações preliminares para o evento — que logo seria postergado. Uma nota da Comissão Executiva do dia 16 de abril de 1946 anunciou que o Congresso seria adiado “para data mais oportuna” e a convocação de uma Conferência Nacional.
O IV Congresso realizou-se entre os dias 7 e 11 de novembro de 1954. Na tribuna, na abertura do evento, Maurício Grabois apresentou uma intervenção especial, intitulada “Agitação e Propaganda Para Milhões, Fator Decisivo Para a Vitória do Programa do Partido”, e disse que nenhum documento do Partido foi tão popularizado e debatido como o Programa do PCB. Era, de fato, um documento importante para o Partido — resultado de uma experiência internacional, em conjunto com outros dois ou três partidos comunistas, de implantar programas socialistas. A iniciativa brasileira teve tanta importância mundial que dirigentes soviéticos leram e aprovaram o texto do PCB.
V Congresso: racha no Partido
O 5º Congresso realizou-se em agosto de 1960 e o grupo liderado por Luiz Carlos Prestes articulou o afastamento de quase a metade dos membros do Comitê Central. Embora no período que precedeu a realização do Congresso tivesse ocorrido um amplo debate na imprensa do Partido, houve interferências nas conferências e nas assembléias visando a aprovação da linha política que ficou conhecida como “revisionista”.
O Congresso afastou do Comitê Central doze de seus membros efetivos num conjunto de vinte e cinco, além de vários suplentes. Maurício Grabois, João Amazonas e Diógenes Arruda não foram reeleitos. Carlos Danielli, Pedro Pomar e Ângelo Arroyo algum tempo depois também seriam afastados. E, mais adiante, foram também destituídos da direção do Partido Lincoln Oest, José Duarte, Walter Martins e Calil Chade.
No dia 11 de agosto de 1961, o jornal Novos Rumos publicou um suplemento com o Programa e os Estatutos do Partido Comunista Brasileiro — anunciando a criação, na prática, de um novo partido. Prestes, em manifesto ao povo publicado na mesma edição, disse que aqueles documentos seriam encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral com a finalidade de obter a legalidade do novo PCB. Essa atitude revoltou os comunistas que combateram a linha vitoriosa no 5º Congresso.
Eles imediatamente enviaram à nova direção uma carta com cem assinaturas — a Carta dos Cem — solicitando a revogação das medidas anunciadas pelo jornal. O documento, que classificava as medidas da direção como uma “violação frontal dos princípios partidários, aberta infração das decisões do V Congresso (que) ferem a disciplina e atingem a própria unidade do Partido”. Ele acabaram expulsos de um partido do qual, a rigor, nunca pertenceram e reorganizaram o o Partido Comunista do Brasil, com a sigla PCdoB.
VI Congresso: balanço da repressão
O VI só seria realizado em 1983. O Partido saira de uma fase em que fora duramente atingido pela ditadura militar. No curso dos preparativos da Guerrilha do Araguaia, e depois na Chacina da Lapa, perdeu importantes dirigentes e militantes.
VIICongresso: encruzilhada histórica
Durante a Assembléia Nacional Constituinte, em maio de 1988, o PCdoB realizou o seu VII Congresso. O Partido avaliou sua trajetória desde a realização do VI Congresso e conclui, com base no informe político apresentado por João Amazonas, que chegava ao evento com um balanço positivo. E com um êxito significativo: havia ultrapassado a casa dos cem mil filiados.
O VII Congresso selou o afastamento do Partido das posições de defesa do governo do presidente José Sarney. O presidente Sarney, disse o PCdoB, a princípio viu-se forçado a cumprir, pelo menos em parte, a plataforma de Tancredo Neves, mas não demorou para investir contra os movimentos populares, as greves e as lutas camponesas. O peso das dificuldades originárias da inflação havia sido descarregado sobre as costas dos trabalhadores.
O PCdoB concluiu a sua análise apontando que o Brasil encontrava-se em uma encruzilhada histórica — ou rompia radicalmente com aquele estado de coisas a fim de assegurar um desenvolvimento econômico independente, abrindo clareiras para o progresso efetivo, para a democratização e a modernização da vida nacional, ou afundaria.
VIII Congresso: reafirmação do socialismo
Com os acontecimentos no campo socialista no final da década de 80 e início da de 90, o Partido decidiu antecipar o VIII Congresso para 1992 — que estatutariamente deveria ocorrer em 1993. Os novos problemas de indiscutível importância política e ideológica que convulsionavam o cenário mundial repercutiram fortemente no país e atingiram o PCdoB de frente. A causa da derrocada do socialismo na União Soviética, no Leste europeu e também na Albânia precisava de respostas no âmbito do marxismo-leninismo.
O PCdoB considerava que as condições para a resistência era difíceis porque mesmo antigas referências da luta anti-revisionista, como o Partido do Trabalho da Albânia (PTA), capitularam, mudaram de campo. O que havia de alentador era o fato de alguns países que construíam o socialismo com suas peculiaridades — como Cuba, Vietnã, Coréia do Norte e China Popular — manterem-se decididos a levar adiante a causa que defendiam.
No VIII Congresso, o PCdoB fez um amplo balanço das conquistas da Revolução Russa de 1917 e indicou que embora o novo sistema não tivesse ainda alcançado o nível de desenvolvimento econômico dos grandes países capitalistas, demonstrou inequívoca superioridade no equacionamento e na solução dos problemas angustiantes com que se defronta a humanidade. A União Soviética havia avançado séculos na luta por um mundo melhor, avaliou o Partido.
O PCdoB também passou em revista o período revisionista iniciado em fins da década de 1950 e começo da de 1960, quando uma tendência anti-socialista, de fundo liberal-burguês, assumiu o comando do país dos sovietes. E concluiu que Josef Stálin, como o principal dirigente do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e teórico marxista-leninista, teve responsabilidade no ocorrido. Ele não deixou cair a bandeira revolucionária, disse o Partido, mas revelou deficiências, cometeu erros — alguns graves —, equivocou-se em questões importantes da luta de classes, avaliou o PCdoB.
Para o Partido, particularmente no fim da vida Stálin exagerou seu papel de dirigente máximo. Caiu no subjetivismo e, de certo modo, no voluntarismo. Permitiu o culto à sua personalidade que conduzia à subestimação do PCUS. O PCdoB também constatou que as debilidades ideológicas no enfrentamento com os revisionistas, em 1956/57, quando toda a velha guarda bolchevique deixou se envolver nas maquinações de Nikita Kruschev, demonstrava que Stálin não deu atenção suficiente, em especial a partir da década de 1940, à formação leninista e à luta ideológica.
O Partido constatou ainda que a tese de Stálin de quanto mais avança a construção do socialismo, maior é o acirramento da luta de classes, mostrou-se equivocada. Conduziu a repressões continuadas e possivelmente desnecessárias, com repercussão negativa na credibilidade do regime. Dificultou o fortalecimento da legalidade democrática e socialista. O PCdoB ressalvou, entretanto, que os ataques a Stálin era um artifício para manifestar oposição a certos conceitos básicos do socialismo. O Partido concluiu que avaliava a figura de Stálin no plano histórico e que não era stalinista nem tampouco anti-stalinista.
No plano da reflexão nacional, VIII Congresso reviu o pensamento de duas etapas estratégicas da revolução brasileira, que vinha da III Internacional e da análise que se fazia da realidade brasileira — o caráter nacional, democrático, antiimperialista e anti-feudal da revolução na primeira etapa, e socialista na segunda. Esse relativo mecanicismo no pensamento do Partido cedeu lugar a uma compreensão mais interligada das duas etapas.
IX Congresso: cuidar do Partido
No apogeu da globalização neoliberal, em 1997, o PCdoB realizou o seu IX Congresso. O partido concentrou-se no caminho e plataforma para construir uma ampla frente com a finalidade de derrotar o neoliberalismo e abrir caminho para o socialismo. Teve início a definição de um tipo de partido revolucionário de princípios e feição moderna. O IX Congresso levantou a consigna de “cuidar mais e melhor do Partido”, com o objetivo de debater o tipo de partido revolucionário que deveria ser construindo no novo tempo.
O IX Congresso fez uma análise criteriosa da história do Partido e concluiu que a principal conquista foi a formação de uma corrente marxista-leninista em seu seio. A constituição dessa corrente tem antecedentes na Conferência da Mantiqueira (1943), mas se firmou e consolidou na luta contra o revisionismo contemporâneo e contra o retrocesso do PCB, que degenerou no final da década de 50, segundo o PCdoB.
O IX Congresso fez uma firme denúncia da ofensiva do neoliberalismo. Para o Partido, ela constituía séria ameaça à própria existência da nação brasileira. Afetava gravemente os direitos dos trabalhadores, golpeava as conquistas democráticas. Voltava-se particularmente contra a esquerda, em especial contra o PCdoB. Era preciso um Partido forte e coeso, capaz de formar a ampla união das correntes de esquerda e democráticas e de reforçar a unidade dos trabalhadores da cidade e do campo — um partido de princípios, marxista-leninista, de feição moderna.
X Congresso: presidência do Partido
O PCdoB chegou ao seu X Congresso, realizado em 2001, com esse propósito bem delineado. O quadro sucessório presidencial foi amplamente debatido. A batalha eleitoral de 2002, segundo o Partido, seria fundamental — a derrota da política neoliberal no Brasil teria grande repercussão em toda a América Latina.
Um fato marcante do X Congresso foi a transição da presidência do Partido. João Amazonas, sabiamente e de forma experimentada, vinha pavimentando a mudança — assumiu a presidência do Partido Renato Rabelo. Não foi uma transição abrupta, ou uma ruptura, mas um processo de desenvolvimento que envolveu o coletivo dirigente. João Amazonas continuou presente na transição e na nova direção, que levou em conta o trabalho coletivo e colegiado. Por isso, o X Congresso aumentou o número de vices-presidente e indicou João Amazonas para presidente de honra do Partido.
“Tenho sido, desde 1962, o principal dirigente do Partido Comunista do Brasil. Era um partido pequeno e perseguido, cuja direção coletiva era formada por homens como Maurício Grabois, Pedro Pomar, Luís Guilhardini, Carlos Danielli, Lincoln Oest e tantos outros que pagaram com a vida a ousadia de contrapor-se à ditadura militar. É com saudade, respeito e emoção que me recordo desses camaradas. Com seus desaparecimentos, couberam-me maiores responsabilidades de direção”, lembrou João Amazonas. Em abril de 2002, ele completaria 67 anos de militância ininterrupta no Partido e, no dia 1º de janeiro, 90 anos de idade.
A intervenção de João Amazonas foi interrompida por aplausos dos congressistas quando apresentou o nome de Renato Rabelo, então vice-presidente, para substituí-lo na presidência. “Um bom camarada, que vem se destacando, seguindo as tradições de luta do nosso Partido. Quero destacar que esta substituição se faz normalmente, como é devido. Quero também agradecer o grande apoio que sempre tive nas fileiras do nosso glorioso e heróico Partido Comunista do Brasil”, disse João Amazonas.
Uma de suas principais preocupações era a tática para as eleições presidenciais de 2002. João Amazonas tinha um ponto de vista que expunha desde a primeira campanha, em 1989. Era o de que, nas condições brasileiras, inseridas nas condições da América Latina e do mundo, seria muito difícil a esquerda sozinha, ou uma frente de esquerda, ganhar uma eleição presidencial. Daí a insistência para que se procurasse ampliar a frente, com pessoas honestas, brasileiros de nascimento e de espírito.
Ele ficou contente quando soube que Lula, na articulação de sua quarta campanha, procurava ampliar a frente. Disse-lhe pessoalmente, na sede do PCdoB, em São Paulo, no que provavelmente foi a última vez que avistou Lula, que a escolha de José Alencar para seu vice, era uma boa escolha. João Amazonas não chegou a ver a vitória de Lula nas eleições de 2002 — faleceu, cinco meses antes.
Para o PCdoB, a vitória de Lula abriu um novo ciclo histórico e político no Brasil. Essa vitória faz parte do vasto movimento mudancista que se instalou sobretudo na América do Sul, em resposta às crises agravadas pela vigência das políticas neoliberais, expressando as particularidades do Brasil.
A existência do governo Lula resultou do esforço conjugado das mais avançadas forças políticas, sociais e ideológicas — conformado nessas últimas décadas de redemocratização do país e das alianças alcançadas, Chegaram ao governo da República correntes políticas democráticas, patrióticas, revolucionárias e representantes de organizações sociais populares que nunca tinham alcançado tal intento.
XI Congresso: defesa do governo Lula
O XI Congresso ocorreu em outubro de 2005. O Congresso alertou que a oposição procurava tecer um quadro permanente de crise política, de provocações, a fim de forçar uma sinalização de instabilidade crescente do governo.
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domingo, 25 de outubro de 2009
Con normalidad uruguayos iniciaron histórica jornada electoral
www.telesurtv.net
Con total normalidad comenzó este domingo la jornada comicial en Uruguay al reportarse la apertura de los colegios electorales a las 08H00, hora local (10H00 GMT), donde acudirán cerca de dos millones y medio de personas para cumplir con su deber constitucional y elegir al Presidente que regirá los destinos del país suramericano entre 2010 y 2015, así como al futuro Parlamento.Leer en: http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/60316-NN/con-normalidad-uruguayos-iniciaron-historica-jornada-electoral/
sábado, 24 de outubro de 2009
Os cinco patriotas cubanos: uma audiência memorável
América Latina
24 de Outubro de 2009 - 9h19
Andrés Gómez, líder da comunidade progressista cubana que reside em Miami e diretor de Areítodigital, apresenta suas observações abaixo, sobre a audiência de re-sentença de Antonio Guerrero. Começando esta semana, Gómez viajará pela Europa, incluindo Bélgica, Holanda, França e Dinamarca, para falar sobre o caso e sobre a luta pela libertação dos Cinco.
Por Andrés Gómez
A recente audiência celebrada em Miami de redução da pena de Antonio Guerrero foi a primeira das audiências no processo judicial imposto aos Cinco a que tive oportunidade de assistir estano um deles presente. O motivo principal que me levou a aí estar é que queria conhecer pessoalmente a Antonio.
Lá na frente e de costas para nós, o tivemos pelo espaço de quase quatro horas. Entrou por uma porta lateral situada à frente da sala e todos nós que nos encontrávamos ao fundo, acompanhando sua mãe e sua irmã estávamos presentes para apoiá-lo, nos olhos com satisfação e aprumou-se, enquanto caminhava com seus tornozelos acorrentados até seu lugar diante de uma mesa ao lado de seu eminente advogado Leonard Weinglass.
Em nenhum momento foi permitido ao preso estabelecer contacto algum com outras pessoas na sala, sequer visual, com exceção de seu advogado. Terrível castigo este mais parece tortura. Mais pressão e frustração por essa razão tinha que ter sentido Antonio durante a audiência.
Antonio aparenta sua idade. Cumpre hoje precisamente 51 anos de vida. E como recordou à juiza, durante a audiência, o dr. Weinglass, esteve preso e separado de seus entes queridos durante onze anos, os últimos sete numa prisão de máxima segurança, desde seus 39 anos, "o coração de sua vida", como eloquentemente qualificava o dr.Weinglass a esses longos anos da vida de Antonio sofrida em prisão.
Está pálido devido à falta de sol, parte do cruel regime diário nesse tipo de cárcere. Permanece magro e um tanto fisicamente frágil, embora os que o conhecem intimamente que é normal nele. Durante o transcurso da audiência se manteve firme e tranquilo. Irradia a serenidade daquele que está consciente de sua responsabilidade com seu povo e diante da história. A mesma postura ven galhardamente demonstrando seus outros quatro irmãos.
Há outras duas questões que merecem ser abordadas com relação a esta audiência. A primeira é o motivo do acordo entre a defesa e a procuradoria, que recomendava ao Tribunal que a nova pena fosse de 20 anos de prisão. Deve ficar claro que este acordo nada tem a ver com a acusação falsamente imputada pelo governo dos Estados Unidos a Antonio Guerrero por 'conspiração para cometer espionagem'.
Este acordo somente diz respeito com a condenação a prisão perpétua que arbitrariamente lhe foi imposto tendo por base esta acusação. Acordo que obrigou a terrível juíza Joan Lenard –quem presidiu o julgamento em 2001 e lhes impôs aos Cinco essas bárbaras condenações - a impor essa tarde a Antonio 21 anos e 10 meses de prisão, o limite mínimo recomendado pelas normas federais de condenações. A todos os presentes na sala ficou patente que a juíza Lenard se retorcia de raiva porque, obrigada pelas circunstancias, não pôdo impôr a Antonio uma pena mais cruel ainda.
Mente a direita, enfurecida ao saber que no pior dos casos Antonio agora sairia da prisão em aproximadante sete anos -- em vez de poder mantê-lo encarcerado pelo restante de sua vida como era o propósito de sua condenação anterior- ao afirmar desavergonhadamente que Antonio reconheceu sua culpabilidade ao aceitar esse acordo. O acordo só teve de ver com a condenação. Nada mais.
A segunda questão a tratar é realmente assombrosa. É a explicação da Procuradoria do governo dos Estados Unidos, descrita pela procuradora, Caroline Heck Miller, a mesma procuradora que representou o governo no processo levado a efeito contra os Cinco, das razões pelas quais a procuradoria chegou ao acordo com o advogadode Antonio sobre a pena de 20 anos recomendada por ambas as partes ao Tribunal.
As razões são de caráter político e não de caráter jurídico nem humanitário. É o reconhecimento por parte do governo dos Estados Unidos que a opinião pública neste pais e no mundo, lhes é adversa e condenatória como resultado da natureza falaz e arbitrária do processo judicial contra os Cinco e de suas resultantes condenações. Estado de opinião que é de tal magnitude que prejudica os interesses dos Estados Unidos. Em nada exagero seu extraordinário pronunciamento.
Assim é que a juíza Lenard, irritada com a procuradora, a increpou dizendo-lhe que “como era possível que ela mantivesse agora esta opinião quando por seis meses, durante o transcurso do juízo em 2001, qualificou Antonio como “perigoso inimigo cujas ações havia posto em perigo a segurança nacional e que foi a base de considerá-lo culpado da acusação de conspirar para Cometer Espionagem e por isso condenado pela própria juíza Lenard à prisão perpétua.
Foi assim que neste momento da audiência se tornaram evidentes todas as mentiras assacadas contra os Cinco. O governo pôs a descoberto que este foi sempre um processo político que nunca teve a ver com a verdade.
A afirmação da procuradora Heck Miller constitui-se num evidente reconhecimento do êxito dos resultados obtidos pelo movimento político em todo o mundo que por todos esses anos vem denunciando o caráter arbitrário e mendaz deste processo seguido por parte do governo dos Estados Unidos contra os Cinco e inalteravelmente exigindo sua imediata liberdade. Agora mais que nunca este movimento tem de redobrar seus esforços até que possamos vê-los livres.
Fonte: http://www.freethefive.org
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domingo, 11 de outubro de 2009
sábado, 10 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Bergson Gurjão: de fera do basquete a herói do Araguaia - depoimentos de familiares, amigos e admiradores
8 de Outubro de 2009 - 0h00 - Vermelho.org.br
Veja o vídeo
O documentário Bergson Gurjão, homenagem ao herói da Guerrilha do Araguaia, foi feito pelo Coletivo de Cultura do PCdoB, Acartes e Clan do Cinema. Com depoimentos dos familiares e amigos, o curta-metragem conta a história do jovem e brilhante atleta de basquete, estudante de Química na Universidade Federal do Ceará (UFC), que se tornou exemplar guerrilheiro contra a ditadura no anos 70.
Bergson foi eleito vice-presidente do DCE da UFC em 1968 e preso, no Congresso da UNE em Ibiúna, no mesmo ano. Ainda em 68, o jovem militante comunista foi excluído da universidade com base no Decreto-lei 477, sendo também gravemente ferido na cabeça quando participava de manifestação estudantil na Praça José de Alencar. Em 1969, foi residir na região de Caianos, onde continuou suas atividades políticas. Em oito de maio de 1972, foi ferido e morto em combate nas selvas do Araguaia. A ossada de Bergson foi localizada em 1996, numa escavação feita na região do Araguaia, mas apenas 13 longos anos depois foi confirmada sua identificação. O anúncio oficial sobre a confirmação dos restos mortais foi feito em sete de julho deste ano pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Leia também: - 37 anos depois, Bergson Gurjão é sepultado com honras de Estado
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Gracias, Mercedes, que nos ha dado tanto.
Duas das figuras que mais contribuíram para que eu me tornasse um internacionalista e pudesse me encontrar com a América Latina foram Mercedes Sosa e Pablo Neruda. Este pela prosa poética vertida em Confesso que Vivi, e aquela, “la negra”, por tudo de arrebatador e pungente que há em seu repertório irretocável.
Como se hoje fora, recordo da saudade que senti de Neruda – estranha nostalgia de quem não se conheceu, lastreada em poesia. Tal sentimento se intensificou ao ouvir na voz de Mercedes Sosa os zambas, chacareras, os versos de justiça e amor, voando pelo espaço aninhados naquela voz vibrante, forte, inconfundível.
Foi assim, exposto a esta dupla influência que me vi repentinamente órfão da América Latina, lastimando-me por não a ter conhecido antes, inconformado e intrigado ante o paradoxo em que a proximidade geográfica não se faz amizade, conhecimento mútuo, identidade. E desde então isso mudou a maneira como me situava no mundo. Descobrira-me, malgrado tanto lixo que se nos empurra, enfim, latino-americano.
E o que Mercedes Sosa cantou me ensinou tanto! Meu portunhol bem ajambrado foi aprendido com ela, cantando e entendendo a rebeldia e o amor, a ânsia por justiça e a grandiosidade com que aquela tucumana afirmava nossa origem comum, nossa irmandade de história, povo e sonhos.
Ela dizia a simplesmente e dura realidade, que “a esta hora exatamente há uma criança na rua”. Reinventou a geografia ao afirmar que “um verde Brasil beija meu Chile de cobre e mineral”. Lembrou-nos em meio a tantas vicissitudes que “tudo muda e mudarmos não é estranho” ainda que “não mude meu amor por mais distante que eu esteja, nem a lembrança nem a dor do meu povo, da minha gente”. Ademais, com os versos de Atahualpa Yupanqui, definiu para mim a amizade, ao mostrar-nos que temos “tantos irmãos que nem os podemos contar/, no bairro, na montanha/, no pampa e no mar/ cada qual com seu trabalho, com seus sonhos cada qual/ com a esperança adiante e as recordações lá de trás”, “tenho tantos irmãos que nem os posso contar e uma irmã muito linda que se chama liberdade”.
Versos assim se cravam no peito se se os canta como ela cantava, ao clamar às massas empobrecidas, “irmão, dá-me a mão, venha comigo buscar esta coisa pequenina que se chama liberdade. Esta é a hora primeira e este é o justo lugar, em que com tua mão e a minha, irmão, havemos de começar. Olha adiante irmão, tua terra que te espera, sem distâncias nem fronteiras que a afastem de tua mão, sem distâncias nem fronteiras, nesta hora primeira em que o punho americano marque o rosto dos tiranos e a dor enfim vá embora”.
Por tudo isto, quando ela veio a Brasília em 2008, senti que enfim chegava a oportunidade - que até desacreditava - de ouvi-la ao vivo, oportunidade que provavelmente fosse a última. E foi como um reencontro, essa sintonia tão estranha de fã, quando a ouvi erguer-se por cima da evidente fragilidade física pelas palavras de carinho e a voz inacreditável que venceu o tempo. E do meu lugar no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, depois de ir ao Chile, Cuba, Paraguai, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, depois de ver os ventos de mudanças tão ansiados em seus versos se fazerem realidade, pude ouvi-la frente a frente, a dizer tão bem do Brasil, de nosso povo, cantando nossa música, aquela irmã argentina a declarar um amor tão sincero ao nosso país. Não foi em vão.
E agora que ela partiu, em paz consigo e com seus sonhos de uma intimorata e bela América Latina, não posso pranteá-la, apenas. Tenho na verdade é de lhes sugerir o único tributo verdadeiro para uma pessoa que dizia que “se se cala o cantor, cala-se a vida, porque a vida, a vida mesma é toda um canto”. Não podemos é permitir-nos não ouvi-la, pois assim permanece viva, tão necessária que é a iluminar os caminhos singulares em que a arte nos faz entender com uma profundidade total esta irmandade latino-americana, este amor aos oprimidos e o ódio às injustiças.
Conheçam Mercedes Sosa e partilhem do legado caudaloso de sua obra, das lições e do prazer de ouvi-la cantar, da poesia tão bem escolhida por uma intérprete que sabia o que dizer à mente e ao coração, uma irmã tucumana, argentina, latino-americana que, como a vida, pôde nos dar tanto.
Canções citadas (pra você curtir):
1- Gracias a la Vida – Violeta Parra - http://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0
2- Hay un Nino en la Calle - Armando Tejada Gómez - Ángel Ritro - http://www.youtube.com/watch?v=apzGIJNipdY
3- Canción con todos - A. Tejada Gomez e Cesar Isella - http://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0
4- Todo Cambia - Julio Numhauser - http://www.youtube.com/watch?v=In5TjoaYMRs
5- Los Hermanos – Atahualpa Yupanqui - http://www.mercedessosa.com.ar/cancionero/letras/loshermanos.htm
6- Hermano Dame tu Mano - Jorge Sosa, J. Sánchez - http://www.youtube.com/watch?v=F9-pdpfHxrs
7- Si se calla el cantor - Horacio Guarany - http://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0
domingo, 4 de outubro de 2009
Oliver Oliveira – 0635 Candidato ao Conselho Tutelar de Planaltina
Moçada, hoje, domingo, é a eleição do conselho tutelar e peço-lhes o voto para o meu cndidato, o Oliver Oliveira, um ex-diretor da Executiva da UBES, ue foi Presidente da UJS no DF e é flho de Planaltina. Oliver é um pessoa fundamental para ocupar uma vaga no conselho tutelar, comprometio com a infância e a adolescência e é uma liderança juvenil de futuro.
Paulo Vinícius
O Conselho Tutelar é o órgão mobilizador, fiscalizador e promotor dos direitos da Criança e do Adolescente. É o elo entre a comunidade e as autoridades. Para organizar e mobilizar a povo por mais melhorias para as nossa cidade e nossas crianças.
É muito simples, fácil e rápido votar!
Você vota na cidade (RA) onde está localizada o seu titulo. A sua seção está vinculada a umas das escolas onde você ira votar. Veja em anexo a relação das seções divididas por cidades e escolas.
Passo a passo pra votar:
· Na cabine de votação a tela do computador ira mostrar todas as cidades (RA) do DF;
· Você ira escolher a cidade a qual ira votar (Planaltina, por ex.);
· Vão aparecer todos os candidatos de Planaltina e você então ira votar em 0635 - Oliver Oliveira;
· Depois é só confirmar.
Obs. Ao escolher a cidade você só poderá votar nos candidatos daquela cidade.
Documentos para votar: Titulo de Eleitor e Identidade
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Boletins do Encontro Sindical Nossa América
Página do II Encontro Sindical Nossa América
II Encontro Nossa América aprova calendário de ações unitárias e elege coordenação
Números do 2º Encontro Nossa América
Coordenadoria das Centrais Sindicais do Cone Sul visita a CTB
Coletivizando no Youtube
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