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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nota oficial da UNE sobre matéria no caderno Folhateen




Em relação à matéria publicada no caderno Folhateen (16 de maio de 2011), a União Nacional dos Estudantes esclarece que:


1. Não causa espanto à UNE o fato de, mais uma vez, um veículo da chamada grande imprensa tratar de forma estigmatizada e leviana os movimentos sociais, tentando transmitir aos seus leitores um estereótipo falso que não condiz com o bom jornalismo. É lamentável que, em um veículo tão lido como a Folha, o texto do repórter Diogo Bercito não seja sério. Ao que parece, trata-se de mais uma das “pegadinhas da Folha”, utilizando frases de efeito aqui e um título maldoso acolá para produzir o engano dos leitores. A Folha faz inveja a Sérgio Malandro.


2. Se o caderno para o qual o repórter trabalha se importasse e tivesse realmente interesse em fazer uma cobertura jornalisticamente aceitável sobre os rumos do movimento estudantil brasileiro, estaria acompanhando pelo menos um dos diversos encontros das entidades citadas. A Folha foi convidada e não cobriu, por exemplo, a 7a Bienal da UNE, no último mês de janeiro, o maior festival estudantil do país e da América Latina, que reuniu mais de 10 mil estudantes de todos os estados do Brasil e também do exterior no Rio de Janeiro. A Folha foi convidada e não cobriu o 13o Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE, também no mês de janeiro e na capital fluminense, que reuniu mais de 4 mil estudantes de Diretórios Acadêmicos de todo país para debater os rumos do movimento estudantil. Para se ter uma idéia do tamanho do interesse do veículo com os estudantes, a Folha foi convidada e não cobriu sequer o 59º Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE, que ocorreu em abril na mesma cidade do Folhateen, São Paulo, quando mais de 600 lideranças do movimento estudantil nacional estiveram reunidas. A Folha não está cobrindo o processo eleitoral do Congresso da UNE, que atualmente tem a participação de cerca de 90% das instituições de ensino superior do país. A Folha não está em posição confortável para lançar interpretações jornalisticamente seguras sobre o movimento estudantil brasileiro. Ao invés da falta de participação dos estudantes, como sugere a matéria, notamos na verdade o descaso – para não dizer boicote – da chamada grande imprensa com as pautas positivas do movimento social brasileiro.


3. Sobre a insinuação da reportagem de que os partidos políticos interferem, de forma negativa, na autonomia da UNE, basta relembrar que, há poucas décadas, o movimento estudantil foi talvez a principal resistência ao regime ditatorial que cassou, torturou e assassinou aqueles que ousaram fazer valer a sua opinião e não puderam se organizar politicamente A UNE lutou contra o sistema que impediu os partidos políticos de existir. Portanto, a UNE recebe sim, com muito orgulho, jovens filiados a qualquer partido do Brasil ou que sustentem qualquer ideologia. Essa é e sempre foi uma característica do movimento estudantil: conviver de forma saudável com a diversidade, dialogar para construir proposta que sejam plurais e atendam aos interesses da juventude e do país. Para se ter uma idéia, participam da UNE atualmente jovens filiados ao PT e ao PSDB, jovens filiados ao PC do B e ao DEM, jovens filiados ao PMDB e ao PPS. Todos são muito bem vindos e gozam exatamente dos mesmos direitos na entidade, assim como os milhares que participam da UNE e não são filiados a nenhuma agremiação. Durante a entrevista com o presidente da UNE, foi também ressaltada ao repórter, mais de uma vez, a formação pluripartidária da diretoria da entidade, congregando todas as forças políticas, sejam de esquerda, direita ou centro. A reportagem da Folha não julgou ser essa uma informação importante para ser repassada a seus leitores.


4. O que mais impressiona em todo o texto, no entanto, é a afirmação do repórter Diogo Bercito de que a UNE recebe, anualmente, dinheiro do governo federal. O dado é incorreto. A afirmação é leviana. Vale explicar corretamente, uma vez que a reportagem não o fez. A UNE realiza convênios com órgãos públicos e empresas privadas, não somente ligados ao governo federal. Isso possibilita à entidade patrocínios para produzir atividades como congressos, bienais de cultura, seminários e fóruns diversificados como encontro de mulheres; de prounistas; de negros, negras e cotistas entre diversas outras ações para  ampliar o debate sobre temas dentro do movimento estudantil. São encontros voltados para todo e qualquer estudante, militante da UNE ou não. Na entrevista com o presidente da UNE essa explicação, inclusive, foi dada mais de uma vez para deixar bem claro que não existe recebimento de verba do governo federal.


5. Por fim, causou estranhamento ler duas páginas do jornal trazendo um artigo de opinião sobre a UNE assinado por Ricardo Melo, que se intitula militante do DCE da USP e da UEE-SP nas décadas de 70 e 80. O seu texto erra no tom ao não conseguir ter visão realmente analítica de épocas distintas. Algumas dúvidas ficam: Quem é Ricardo Melo? Por que ele teve tanto destaque? Por que não convidaram alguma liderança atual para escrever um artigo de contraponto, já que Ricardo Melo faz um comparativo de épocas? Fica um desafio saudável ao jornal Folha de S. Paulo, em nome do bom jornalismo e de interpretações adequadas da realidade para os cidadãos: Como fazemos todos os anos, estamos convidando mais uma vez a reportagem da Folhateen para cobrir o Congresso da UNE, de 13 a 17 de julho, em Goiânia. Quaisquer críticas desse veículo são muito bem vindas ao movimento estudantil, desde que tenham credibilidade para tal.

Assessoria de imprensa da UNE


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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Para o PCdoB, só com grande mobilização Arruda será afastado do poder



Os comunistas do Distrito Federal vão intensificar sua participação no movimento Fora, Arruda! A decisão foi tomada pelo Comitê Regional do PCdoB-DF, na noite de 14 de dezembro. Durante a reunião, que também apreciou a proposta de plano de ação de várias secretarias para 2010, o presidente do Partido, Augusto Madeira, fez uma análise dos últimos acontecimentos envolvendo as denúncias de corrupção na administração de José Roberto Arruda (ex-DEM), apuradas pela Polícia Federal na Operação Caixa de Pandora.

– São graves as acusações contra o governador, que está sujeito a consequências muito sérias, como suspensão dos direitos políticos por até 10 anos, ressarcimento do dano, sequestro de bens, multa, prisão etc. – afirmou o dirigente comunista.

Leia a íntegra da intervenção de Augusto Madeira:

Até novembro passado, José Roberto Arruda, do DEM, considerava como certa sua reeleição. O governador contabilizava o apoio de mais de dez partidos, muitas obras em andamento e bom relacionamento com o governo federal, presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Mas no dia 27 de novembro a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O inquérito apontou Arruda como o comandante de um esquema de distribuição de propina a deputados distritais e aliados.

O escândalo criou um novo quadro em Brasília e no Brasil. As denúncias de Durval Barbosa, membro do governo e operador do esquema financeiro, que passou a fazer delação premiada, e, principalmente, as imagens gravadas mostrando o governador recebendo dinheiro e seus aliados e apoiadores escondendo notas sob as roupas e em sacolas, eram estarrecedoras. O movimento social foi às ruas pela derrubada do governador. Várias entidades e partidos políticos, inclusive o PCdoB, ingressaram com pedido de impeachment na Câmara Legislativa. Seis partidos se desligaram do governo: PSDB, PMDB, PPS, PSB, PDT e PV.

O DEM, seriamente atingido com a repercussão negativa do episódio, convocou reunião para decidir sobre a expulsão do seu único governador eleito no último pleito. Seria a condenação de Arruda pelo seu próprio partido. Este tentou medida judicial para suspender a reunião, mas o Superior Tribunal Federal indeferiu o seu pedido. Diante do desastre iminente, ele convocou os meios de comunicação e anunciou sua desfiliação.

Com isso, aconteceu a primeira grande definição para a disputa eleitoral de 2010 na Capital Federal: sem partido, Arruda não pode mais ser candidato a nada. Ficam descartadas alternativas como um acordo para concorrer a deputado federal.

São graves as acusações contra o governador, que está sujeito a consequências muito sérias, como suspensão dos direitos políticos por até 10 anos, ressarcimento do dano, sequestro de bens, multa, prisão etc. Ele fica no cargo para se defender. Terá ainda que continuar enfrentando grande mobilização popular, principalmente de estudantes, os vários pedidos de impeachment e ações na Justiça.

Por outro lado, a Câmara Legislativa tem correlação de forças favorável ao chefe do Executivo. São vários deputados diretamente envolvidos, sendo já citados Leonardo Prudente (DEM); Bruneli (PSC); Eurides Brito, Benício Tavares e Roney Nemer (PMDB); Rogério Ulisses (PSB); Benedito Domingos e Berinaldo Pontes (PP); Aylton Gomes (PMN); e Pedro do Ovo (PRP). O governador ainda conta com a lentidão da Justiça e o apoio da mídia local, principalmente dos jornais impressos.

Ao mesmo tempo, nota-se uma articulação para tirar Arruda do centro do noticiário, colocando em seu lugar Leonardo Prudente, que se licenciou da presidência da Câmara Legislativa e virou a peça que pode ser sacrificada no tabuleiro político. O DEM deu início a um processo que pode resultar na sua expulsão. Há também movimentação para que ele saia definitivamente da Presidência da Câmara, o que levaria ao afastamento do presidente em exercício, Cabo Patrício (PT), e à eleição de alguém vinculado à base aliada do Executivo para dirigir a Casa. Como dez, dos 24 deputados distritais, estão envolvidos nas denúncias, é incerto o desfecho da batalha pelo impeachment.

Neste momento da crise, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), adversário de Arruda, recolheu-se. Ele pode recompor-se com partidos da base da candidatura Serra/Aécio para a Presidência da República, que estão abandonando o seu antigo aliado demo. No PT, o deputado federal Geraldo Magela volta a falar na sua própria candidatura ao Governo do Distrito Federal, disputando a legenda com Agnelo Queiroz. PDT, PSB, PMDB, PSDB e outros partidos buscam reposicionar-se no novo quadro, que não está definido.

O sucesso do movimento Fora, Arruda! depende, portanto, de uma série de encaminhamentos políticos envolvendo os partidos e o movimento social. Uma coisa, porém, é certa: a continuidade das manifestações populares de protesto, que vêm ocorrendo diariamente, é fundamental para o seu êxito.

Desde que a Operação Caixa de Pandora foi divulgada, o PCdoB tomou várias iniciativas para inserir-se no novo curso político que se apresentava. Foi realizada reunião extraordinária do Comitê Regional; foram distribuídos 10 mil exemplares da nota “Fora Arruda! Brasília merece respeito”, assinada pelo Partido e que apontava: “O episódio demonstra, mais uma vez, a necessidade de uma profunda reforma política no país, inclusive determinando o financiamento público das campanhas partidárias, para coibir que o poder do dinheiro acabe se sobrepondo nos resultados eleitorais”.

Quando ingressamos com o pedido de impeachment na Câmara Legislativa, o presidente do PCdoB concedeu ao DF-TV, da Globo. As fotos dos protestos que ilustraram as matérias da imprensa registraram as bandeiras do PCdoB e da UJS empunhadas pelos manifestantes. A imprensa partidária deu cobertura destacada aos acontecimentos e participamos, desde o primeiro momento, de todo o movimento denominado “contra a corrupção no DF” e de todas as atividade e mobilizações.

É preciso dizer que a CUT e o PT, ao tempo em que buscam hegemonizar o movimento, participando massivamente dos protestos, imprimem-lhe condução exclusivista, que pode afastar alguns setores e partidos políticos. Inclusive por isso, devemos aumentar a participação do PCdoB e das entidades em que atuamos. Ampliar mais, sem exclusivismos, a luta pelo Fora, Arruda! terá consequências positivas na verdadeira guerra eleitoral que acontecerá em 2010.

Portanto, devemos manter e ampliar as mobilizações; dar curso aos pedidos de impeachment de Arruda e seu vice, Paulo Otávio (DEM); acompanhar as investigações e exigir a punição exemplar de todos os envolvidos; manter contatos com as demais forças políticas do campo da base do governo Lula objetivando a vitória dos setores populares e progressistas neste embate.

domingo, 15 de novembro de 2009

Reflexões sobre a 6ª. Marcha Nacional da Classe Trabalhadora*

A CTB deu um show na 6ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. Somando-se às centrais que se irmanaram pela aprovação das 40 Horas Semanais, as milhares de pessoas convocadas pela CTB chamaram a atenção, e não apenas porque o visual estivesse bonito – e estava; ou porque era uma ala organizada e unitária do princípio ao fim – e era; mas porque a CTB expressou com gente na rua seu bonito caminhar durante ano de 2009.

Foi como se todos os passos dados na consolidação da central se consubstanciassem naquele ato político transcendente. Em parte porque a Marcha expressou a consigna central do congresso da central classista: Unir os trabalhadores para enfrentar a crise. A justeza dessa posição, abraçada com o mesmo espírito unitário pelas outras centrais, mostrou seu potencial na cena política brasileira e internacional, apesar do boicote da grande imprensa, ou do despreparo, como no caso da TV Câmara, que noticiou a marcha como organizada por apenas uma central.

Os trabalhadores pautaram a sua agenda política às vésperas de um ano decisivo para o Brasil, pelas 40 horas, em defesa do Pré-sal para o Brasil – com o apoio inestimável da UNE e da UBES que levaram 1500 estudantes para a marcha – e pela aprovação das convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho. Não é pouca coisa.

Como empoderar o povo para impulsionar as mudanças?

Afinal, um dos dilemas do processo brasileiro de mudança que o diferencia em profundidade e rapidez do que se conquista na Bolívia, Venezuela e Equador, é exatamente a questão do empoderamento popular como parte da mudança. A América Latina causa espécie ao inovar na política, pela unificação de distintas formas de luta que fazem toda a diferença na busca de caminhos para a superação do neoliberalismo. A onda progressista que ganhou corpo a partir da eleição de Hugo Chávez à presidência da Venezuela, em 1998, tem como característica que a diferencia reunir a luta político-eleitoral a partir de frentes amplas, a luta de idéias contra o neoliberalismo e o lastro dos movimentos sociais mobilizados como elementos indispensáveis para a chegada ao poder político nacional.

É pacífico tal caminho? Sim, mas não desarmado. É por dentro da institucionalidade vigente, burguesa? Sim, mas não a ela subordinado. No mínimo, tais processos neutralizaram as tradicionais forças repressivas e alteraram a institucionalidade para amparar as mudanças no povo, pois seriam impossíveis apenas com a anuência dos oligarcas de sempre, com ilusões do apoio da banca, da mídia e de Washington. Aonde isso não se deu, como em Honduras, vejam-se as dificuldades.

A novidade é essa combinação de formas de luta e a decisão de promover mudanças de fundo, alterando a constituição, disputando a agenda política para reformas decisivas, na defesa dos governos democraticamente eleitos – como na resistência ao golpe na Venezuela e na defesa do governo Lula em 2005 no Brasil.

As maiorias, tantas vezes caladas à custa de repressão brutal ou intervenção estrangeira, impõem-se crescentemente como atoras centrais da luta política pela superação do neoliberalismo, contribuindo com grande qualidade para assegurar a mudança. Quando o povo entra na cena política, entra para decidir e faz a direita tremer. Daí seu ódio inclemente à Venezuela e a Chávez, à Bolívia e a Evo, chamados tantas vezes de populistas por simplesmente, como fez Lula em 2005, não assumirem o protocolo mais caro do que seria um presidente, aquele que não quereria o povo na política. Mas, na medida em que os presidentes progressistas expressam realmente o sentimento popular e chamam o povo a assumir seu papel na cena política, ameaçando os seculares e recentes monopólios das oligarquias latino-americanas, que esperar, senão o ódio de classe mais empedernido e desesperado?!

A unidade das centrais: um grande achado.

E por isso é fundamental apreender o sentido, a força, as lições contidas nos recentes acontecimentos que permitiram unificar os trabalhadores através das centrais sindicais, porque pode ser esse um elemento importantíssimo na solução desse enigma da esfinge no processo brasileiro, que é o de conferir ao povo maior protagonismo na defesa e no aprofundamento das mudanças. O fórum das centrais cumpre hoje um papel decisivo. A marcha mostrou o peso que tem na cena política a movimentação decidida desses batalhões da luta de classes. E é lastreado na correção desses exemplos práticos que o povo aprende na luta e que ganha corpo a proposta da CTB pela convocação de uma nova Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras que possa assegurar a unidade na defesa do aprofundamento das mudanças no Brasil e na consolidação de inúmeras conquistas alcançadas no governo Lula.

Não é gratuita a ação de inconstitucionalidade movida pelo DEMO contra o reconhecimento das centrais sindicais, a CPI do MST, os ataques à UNE. A direita se move decidida para criminalizar, neutralizar, desmoralizar, anular o peso dos movimentos sociais como atores destacados do processo político brasileiro.

Ciência sumamente complexa é a de escutar o povo para entender o que o pode unir como força motriz do avanço social, força política de combate que empurra a política para a esquerda. É a difícil busca do ascenso de massas. O Brasil é imenso, poderosas forças conservadoras atuam dia e noite para impedir os avanços do povo, forças que têm 500 anos na direção do país, cujas origens remontam ainda aos grandes latifundiários de sempre e mesmo os traficantes de escravos que se reciclaram geração após geração, aliando-se à potência de turno para manter nosso país de joelhos. Em comum com seus antepassados, a cínica defesa da cobrança do mesmo quinto que levou Tiradentes ao patíbulo, o mesmo desprezo pela nação e a mesma sanha que não hesitou em cortar aquele mártir em postas, demolir-lhe a casa e salgar seu chão para que nada mais nascesse no futuro. Em vão. O Brasil é muito mais que essa elite pusilânime.

Assim, quando o povo constrói instrumentos poderosos como a unidade das centrais, que pode ser a chave para uma unidade ainda mais ampla de todo o movimento social, há que dar a tais fatos recentes a devida atenção para que se expresse aí a arte na política: alterar a correlação de forças para o aprofundamento das mudanças.

A CTB na marcha: massiva, alegre, brasileira e jovial

E talvez por isso essa impressão de uma alegria militante tão clara nas filas da CTB durante a marcha. Presentes estavam pessoas de todo o país, muitos dos delegados do Congresso recentemente ocorrido no último setembro, todos os sotaques, trabalhadores do campo e da cidade, muitas mulheres, e todas as idades, por uma pujante presença de jovens trabalhadores e estudantes.

Com sua característica irreverência, a juventude correu e fez coreografias, gritou divertidas palavras de ordem, expressou sua perene confiança no Brasil pela centralidade que conferiu à questão do Pré-Sal. A UNE e a UBES mobilizaram nos Estados e mantiveram uma equipe por meses em Brasília para assegurar esse brilho que conferiu à Marcha. E há que mencionar a alegria com que as bandeiras da CTB, da UNE e da UBES tremularam lado a lado, esse reconhecimento da juventude pela novidade que a central classista representa e a resposta da CTB em valorizar os(as) jovens como atores políticos de primeira linha na luta pela mudança do Brasil. É fundamental investir nisso: encher as fileiras de nossos sindicatos de jovens e estreitar as relações da CTB com os movimentos sociais, a juventude, o movimento de mulheres e o movimento negro. E uma palavra de ordem se fez gesto na 6ª. Marcha: a unidade entre trabalhadores e estudantes.

Unidade, unidade, e mais unidade

É preciso ter generosidade para assumir um papel de destaque na histórica luta do povo brasileiro, para sair do contingente e do espontâneo, para disputar os rumos do país. E é essa grandeza que deve buscar o sindicalismo classista, ao assegurar a unidade da classe e incorporar de coração aberto tantos lutadores e lutadoras, estudantes e jovens. Como diz a canção, “vamos precisar de todo mudo pra banir do mundo a opressão”, e o jogo, não nos iludamos, é bruto.

Foi essa síntese que permitiu à CTB evoluir incontestavelmente em sua contribuição à 6ª. Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, o que por sua vez reafirmou a viabilidade e a urgência de posicionar os trabalhadores em torno da continuidade e do aprofundamento da mudança no Brasil. Ganha legitimidade a luta por realizar uma nova CONCLAT que signifique a voz dos trabalhadores em uníssono com o povo para exorcizar qualquer possibilidade de retorno das elites neoliberais ao centro do poder. E, assim, abrir caminhos para uma democracia mais ampla, onde o povo possa agir e ser ouvido, acelerando o ritmo e dando uma contribuição que só pode ser nossa, brasileira, à nova luta pelo socialismo.

*Paulo Vinícius Santos da Silva – Cientista Social e Bancário é Secretário Nacional de Juventude Trabalhadora da CTB.

domingo, 16 de agosto de 2009

Unidade marca Jornada dos Movimentos Sociais

Movimentos

14 de Agosto de 2009 - 17h44


Militantes dos movimentos sociais de todo o Brasil foram às ruas nesta sexta-feira (14) para defender a redução da jornada de trabalho, mais empregos e direitos, reforma agrária e urbana, ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT, fim do superávit primário e mais investimentos em saúde, educação e moradia. A Jornada Nacional Unificada de Lutas 2009 foi marcada por muita unidade e mobilização em pelo menos 12 capitais.

Presença de diversos movimentos marcou ato político que encerrou passeata no MASP

Em São Paulo, a organização do ato anunciou a presença de 25 mil manifestantes na Avenida Paulista. A concentração do ato em São Paulo foi na Praça Oswaldo Cruz. Muitas bandeiras, faixas e militantes dos mais diversos movimentos: sindical, estudantil, do campo e da cidade, mulheres, movimento negro, por moradia, pela democratização da comunicação, partidos de esquerda, coletivos jovens e militantes sociais das mais diversas naturezas se unificaram em torno de reivindicações e de uma plataforma comum para o desenvolvimento do país. A passeata foi até o vão livre do MASP onde ocorreu o ato político final com falações das lideranças sindicais e do movimento social e teve duas paradas estratégicas: em frente à Petrobrás e em frente à FIESP.

Marcha do MST engrossa passeata

A barreira da polícia só não era maior que a belíssima marcha do MST, que se somou ao ato ainda na concentração, após mais de uma semana de marcha no estado de São Paulo. Mas não houve confronto e o trânsito não foi completamente parado, os manifestantes deixaram uma faixa da avenida paulista livre para o tráfego.

Para Wagner Gomes, presidente da CTB, o movimento já obteve uma vitória, visto que o Projeto de Lei que prevê a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h sem redução de salários foi aprovado por unanimidade na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Entretanto, o sindicalista alerta que a aprovação em plenário será um grande desafio, e a forma de enfrentá-lo será uma grande campanha pública das centrais em unidade pela redução da jornada. O presidente da Força Sindical, Paulinho, disse que a idéia é colocar telões em praças públicas pelo país e mobilizar 100 mil trabalhadores no dia da votação em plenário.

Para Arthur Henrique, presidente nacional da CUT, é tempo de fazer uma campanha de convencimento dos parlamentares em defesa do PL da redução da Jornada de Trabalho. Para seguir com as manifestações, a bandeira estará presente como pauta importante em cada campanha salarial deste semestre.

Unidade marca atos pelo Brasil

Para além da pauta da redução da jornada de trabalho, a maioria das lideranças considera que a unidade construída na organização do ato já foi uma vitória importante, que abre caminho para outras manifestações desta proporção. “Mais uma vez todo o movimento social se unifica em torno de bandeiras comuns. Esta é a tradição da sociedade organizada no Brasil e é assim que conquistamos as transformações e mudanças até hoje”, comemora o presidente recém empossado da UNE Augusto Chagas. A fala do líder do MST, João Paulo Cunha, foi na mesma linha: “o MST reafirma seu compromisso de lutar pela Reforma Agrária, mas sobretudo pelos direitos dos trabalhadores, do campo e da cidade”. João Paulo fez cobranças ao governo Lula sobre verbas para garantir os assentamentos e convocou o conjunto dos movimentos sociais a realizar uma jornada permanente para debater e lutar por “um projeto popular para o Brasil”.

Em Brasília, todas as pautas

No DF, além das pautas presentes do documento de convocação da jornada, militantes de sindicatos e movimentos sociais exigiram a realização da 1º Conferência Nacional de Comunicação de forma democrática, ampla e popular. Durante a caminhada, os manifestantes realizaram atos em frente aos ministérios do Planejamento, da Agricultura, do Emprego, da Comunicação e da Fazendo, onde fizeram falações específicas sobre a pauta de reivindicação do movimento. Em frente ao Congresso Nacional, os trabalhadores aproveitaram para pedir ao governo brasileiro que se pronuncie oficialmente pelo retorno da democracia em Honduras através da volta de Manuel Zelaya, deposto da presidência do país em 28 de junho deste ano.

Os trabalhadores dos Correios também aproveitaram a marcha da Jornada Unificada de Lutas para anunciar que entrarão em campanha salarial e que exigem a melhora das condições de trabalho, além do atendimento à pauta da categoria. "Negocie (governo) com os trabalhadores porque senão em setembro nós entraremos em greve de novo", ameaçou um representante dos trabalhadores dos Correios.

No RS, Fora Yeda!

Em Porto Alegre as atividades começaram às 7h30 na frente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul – FIERGS. A situação política atual de governo instalada no Rio Grande do Sul foi destaque nas manifestações ocorridas na capital gaúcha. Já no início da manhã professores realizaram um ato no Palácio da Polícia quando entregaram à Brigada Militar nove bonecos algemados, confeccionados em tamanho natural, representando os nomes citados na ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal contra representantes do governo gaúcho, entre eles a Governadora Yeda Crusius. Às 11 horas, na Praça da Matriz, outro ato teve como evidência a questão estadual. Cerca de 5 mil manifestantes se reuniram em uníssono para clamar pelo "Fora Yeda já".

Jornada do RJ terminou em frente à Petrobrás

Partindo do ponto tradicional de mobilizações, a Candelária, a jornada carioca contou com cerca de 2 mil manifestantes, segundo os organizadores. Além da pauta de defesa dos direitos dos trabalhadores perante a crise do capitalismo e da pauta de redução da jornada de trabalho, a passeata no Rio de Janeiro foi marcada também pela defesa da queda dos juros e do superávit primário e pela democratização dos meios de comunicação. Os estudantes também mandaram o seu recado, manifestando-se contra a possibilidade de transferência de verbas públicas para salvar universidades privadas via BNDES, como informa o diretor da UEE-RJ Theo Rodrigues. O final do ato foi em frente à Petrobrás, onde foi realizado ato político em defesa da utilização das verbas do pré-sal para Saúde, Educação e Seguridade Social.

Em Pernambuco, ocupações de terra

Em Pernambuco, as principais mobilizações foram do MST, que ocupou três áreas na madrugada de sexta-feira (14), dentro da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que integra a jornada unificada dos movimentos sociais. De acordo com o movimento, 960 pessoas foram mobilizadas nas ações - 800 ocuparam a Fazenda Baixa Grande, no município sertanejo de São José do Belmonte; 100 participaram da ocupação da Fazenda Ipanema, em Pesqueira, no agreste, e outras 60 reocuparam, pela terceira vez, o Engenho Xixaim, no município metropolitano de Moreno.

Trabalhadores dos Correios se destacam em ato no PR

Mais de dois mil manifestantes pararam ruas do centro de Curitiba. O protesto começou às 08h00, com concentração na Praça Santos Andrade, aonde ocorreram discursos e apresentações culturais. Uma hora mais tarde, os manifestantes saíram em caminhada até a sede estadual da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e se solidarizaram com os carteiros que iniciaram hoje a campanha salarial. Lá, também se posicionaram contra as tentativas de privatização dos serviços postais. O último protesto aconteceu por volta do meio dia, com realização de um grande ato político-cultural onde lideranças das centrais sindicais e dos movimentos sociais fizeram discursos inflamados contra a crise e suas consequências.

Houve atos ainda na Bahia, no Ceará, no Espírito Santo, no Maranhão, em Minas Gerais e no Piauí.

Por Luana Bonone, de São Paulo

terça-feira, 14 de julho de 2009

Programação do 51º Congresso da UNE

www.une.org.br

Confira a programação do 51º CONUNE

Serão 25 mesas debatendo temas de interesse nacional, atos políticos, passeatas, plenárias e atividades culturais acontecendo simultaneamente em diversos lugares da Capital Federal

Veja a Programação na íntegra

Entre os dias 15 de julho e 19 de julho, a cidade de Brasília sediará 51º Congresso da UNE (CONUNE). Durante os quatro dias, a entidade espera reunir cerca de 15 mil estudantes, entre delegados (eleitos nas universidades), observadores credenciados, personalidades políticas e convidados, reunidos em torno de uma ampla programação de debates, painéis, plenárias, passeatas, além de diversas atividades culturais.

O congresso começará às 10h da quarta-feira (15) com a sessão solene em homenagem aos 30 anos de Reconstrução da UNE. A sessão acontece na Câmara dos Deputados, no auditório Ulysses Guimarães.

Na quinta-feira (17), às 10h, acontece no Centro de Convenções de Brasília – Auditório Ruth Cardoso, um ato político no 1º Encontro Nacional dos Estudantes do PROUNI com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Às 14h uma passeata "Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás" segue da Catedral de Brasília e o show de abertura com Leci Brandão e Móveis Coloniais de Acaju será no Teatro de Arena UnB às 21h.

Diversas mesas debaterão assuntos relevantes para o desenvolvimento do país, inclusive para o movimento estudantil. A mesa de abertura discutirá o projeto nacional de desenvolvimento e a crise mundial, estarão presentes a vereadora de Maceió e presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, o deputado federal do PSB, Ciro Gomes, o deputado federal do PCdoB, Aldo Rebelo, o deputado federal e secretário geral do PT, José Eduardo Cardozo e Dilma Roussef, Ministra da Casa Civil.

Serão mais de 25 mesas debatendo diversos temas de interesse dos brasileiros, entre eles: O protagonismo da Juventude Brasileira, 30 anos de anistia no Brasil; Meio ambiente e desenvolvimento sustentável; democratização dos meios de comunicação; a reforma universitária da UNE; políticas publicas de cultura e Lei Rouanet; cultura digital, direito da mulher, entre outros.

Diversas figuras públicas estarão presentes no 51º Congresso da UNE. Já estão confirmados os nomes de Beto Cury, Secretário Nacional da Juventude; Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente; Celso Amorin, Ministro das Relações Exteriores; Paulo Betti e Juca Ferreira; o Ministro da Saúde, Temporão; Tarso Genro, Ministro de Justiça; o músico Marcelo Yuca; Orlando Silva, Ministro dos Esportes; entre outros não menos importantes.

O Congresso termina no domingo (19) com a Plenária Final e eleição da nova diretoria da UNE e com o ato político "50 anos da Revolução Cubana e de defesa e solidariedade aos 5 patriotas".


Da Redação do Estudantenet


15 a 19 de julho – Brasília/DF


15/07 (quarta-feira)
10 h – Sessão Solene em Homenagem aos 30 anos de Reconstrução da União
Nacional dos Estudantes – UNE
Local: Plenário Ulisses Guimarães – Câmara dos Deputados


16/07 (quinta-feira)
10 h – Encontro Nacional dos Estudantes do PROUNI/Ato com o Presidente Luis
Inácio Lula da Silva
Local: Centro de Convenções de Brasília – Auditório Ruth Cardoso
14 h – Passeata “Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás”
Local da Concentração: Catedral de Brasília
21 h – Show: Leci Brandão/Banda Móveis Coloniais de Acaju
Local: Teatro de Arena UnB

17/07 (sexta-feira)
09 às 11 h – Debates Simultâneos
Local: Universidade de Brasília (UnB) – Minhocão

1) 30 Anos da Anistia no Brasil
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 07
- Paulo Vannuchi – Ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos
- Pedro Wilson – Deputado Federal PT-GO/Membro da Comissão dos Direitos
Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
- Paulo Abraão – Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
- Laís Wendel Abramo – Diretora da OIT
- Diva Santana – Presidente do Movimento Tortura Nunca Mais
- Iulo Oiticica – Deputado Estadual PT/BA
- Amparo Araújo - Secretária de Direitos Humanos do Recife.

2) América Latina e Integração Sul-Sul
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 06
- Socorro Gomes – Presidente do CEBRAPAZ
- Renan Thiago – OCLAE
- Helgio Trindade – Reitor da Universidade da América Latina (UNILA)
- Rodrigo Cesar – Juventudes do Fórum de São Paulo/Juventude do PT

3) Democratização dos Meios de Comunicação
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 05
- Carolina Ribeiro – Coletivo Intervozes
- Renato Rovai – Editor da Revista Fórum
- Altamiro Borges – Portal Vermelho
- Aloizio Lopes – FENAJ
- Rodrigo Viana – Blog “O Escrivinhador”
- Carlos Lopes – A hora do Povo
- Milton Temer: Fundação Lauro Campos

4) AI5 Digital
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 13
- Dr. Túlio Vianna – Presidente do Instituto Brasileiro de Direito
Eletrônico/Professor da PUC-MG
- Sérgio Amadeu – Professor da Faculdade Cásper Líbero
- Gésio Passos – Coletivo Intervozes
- Ministério da Cultura

5) Juventude, Saúde e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 11
- Helena Petta – Ministério da Saúde
- Ibiratan Pereira (Vereador do PSB/João Pessoa)
- Ermival Dalat – Diretor da UNE/Coordenador da Caravana de Saúde da UNE
- Teresa De Lamare – Conselho Nacional de Juventude/Ministério da Saúde
- Ubiratan Cassano – Secretário Geral da UNE

6) Os Desafios da Construção do Sistema Nacional de Educação
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 08
- Profº Arlindo Queiroz – Coordenador da Comissão Nacional da CONAE/MEC
- Gustavo Balduíno: Secretário Executivo da ANDIFES
- CONTEE
- Roberto Franklin Leão – Presidente da CNTE
- UNE
- Thiara Milhomen – Diretora da UBES
- Maria Auxiliadora Rezende Seabra - Secretária Estadual de Educação de Tocantins

7) Meia-Entrada: Uma Luta Histórica
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 03
- Chico Lopes – Deputado Federal PCdoB – CE/ Relator do PL da Meia-Entrada
- Ismael Cardoso – Presidente da UBES
- UNE
- Hugo Valadares – Presidente da ANPG
- Dra. Lia Carneiro – Ouvidoria da UNE
- Gabriel Alves: CPC/UMES-SP

8) Políticas Públicas de Esporte e Juventude
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 10
- Júlio Filgueira: Secretário Nacional de Esporte Educacional/Ministério do Esporte
- Gustavo Petta – Ex-presidente da UNE/Secretário Municipal de Esportes de
Campinas (SP)
- Luciano Cabral – Presidente da Confederação Brasileira de Desporto Universitário
(CBDU)
- Brenda Espíndola – Diretora de Estudos e Pesquisa do CEMJ

9) O Papel da Educação à Distância na Expansão do Ensino Superior
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 18
- Marcos Formiga – Vice-presidente da ABED
- João Vianey – Diretor do Campus Unisulvirtual
- Carlos Eduardo Bielschowsky – Secretário de Ensino à Distância do MEC
- Júlia Rizzo - EADCON

10) Assistência Estudantil: PROUNI e FIES
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 04
- Fabiana Costa – Presidente do CEMJ/Doutoranda em Educação PUC-SP
- Luiz Araújo – Coordenador do Departamento Estudantil da UNIFACS
- MEC – Paula Mello
- Adriana Ferreira - Associação Nacional dos Universitários do PROUNI (GUNA)

11) Reforma Política
Local: ICC – UnB – Anfieatro 14
- Brizola Neto – Deputado Federal PDT/RJ
- Eduardo Campos – Governador de Pernambuco*
- Ricardo Berzoini – Presidente Nacional do PT/Deputado Federal PT/SP
- Ivan Valente – Deputado Federal PSOL/SP
- Danilo Moreira – Secretário-Adjunto da Secretaria Nacional de Juventude

12) Juventude, Segurança e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 17
- Protógenes Queiroz – Delegado da Polícia Federal
- Rapper GOG
- Marcelo Britto – Conselho Nacional de Juventude/Presidente Nacional da UJS
- Vinícius Wu – Ministério da Justiça
- Fernanda Melchionna – Vereadora Porto Alegre/P-SOL

13) A Ciência e Tecnologia e o Desenvolvimento Nacional
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 06
- Hugo Valadares – Presidente da ANPG
- Sérgio Rezende – Ministro da Ciência e Tecnologia
12 h - Almoço
13 h – Ato de Inauguração da Escultura em Homenagem à Honestino Guimarães
Local: Minhocão da UnB
14 h – Debates Simultâneos
Local: Universidade de Brasília (UnB) – Minhocão

14) Projeto Nacional de Desenvolvimento e a Crise Mundial
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 04
- Ciro Gomes – Deputado Federal PSB/CE
- José Eduardo Cardozo – Deputado Federal PT/SP
- Edmilson Valentim – Deputado Federal PCdoB/RJ
- Heloisa Helena – Vereadora de Belém/Presidente Nacional do P-SOL
- Jorge Venâncio – Vice-Presidente do Partido Pátria Livre (PPL)

15) O Protagonismo da Juventude Brasileira
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 03
- José Sanfelice – Professor da Unicamp e Autor do Livro “Movimento estudantil –
A Une na resistência ao golpe de 64”
- Mayra Avellar Neves – Prêmio Infantil da PAZ 2008
- Davi Barros – Presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE)
- Danilo Otto (Vereador PSB/São Vicente/SP)

16) Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 07
- Eron Bezerra – Deputado Estadual PCdoB-AM/Secretário de Agricultura do
Governo do Estado do AM
- Ministério do Meio Ambiente
- Gabriela Barbosa Batista - Rede de Juventude e Meio Ambiente (REJUMA)
- José Néri – Senador P-SOL/PA
- Marina Silva – Senadora PT/AC

17) A Reforma Universitária da UNE
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 08
- Universidade Federal da Bahia
- Alan Barbiero – Presidente da Andifes/Reitor da Universidade Federal de
Tocantins
- Márcia Perales – Reitora da Universidade Federal do Amazonas
- José Weber Freire Macedo – Reitor da Universidade do Vale do São Francisco
- Rafael Chagas – Diretor da UNE

18) Juventude, Trabalho e Políticas Públicas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 14
- Márcio Pochmann – Presidente do IPEA
- CTB
- Anderson Campos – Central Única dos Trabalhadores (CUT)
- Carlos Odas – Reunião Especializada da Juventude do MERCOSUL/Secretaria
Nacional de Juventude
- OIT
- Thiago Ferrari – Vereador PMDB/Campinas

19) Políticas Públicas de Cultura e a Lei Rouanet
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 05
- Ministério da Cultura
- Ângelo Vanhoni – Deputado Federal PT/PR
- Alexandre Santini – Coordenador Nacional do Circuito Universitário de Cultura e
Arte (CUCA)
- Casa da Gávea

20) Direitos das Mulheres
Local: ICC – UnB – Sala BT-260 – Bloco B
- Kátia Souto – Diretora da UBM
- Marcha Mundial de Mulheres
- Glaucia Morelli – CMB
- Louise Caroline – Secretária de Mulheres de Caruaru
- Dra. Leila Adesse – Presidente do IPAS
- Marília Arraes – Vereador PSB/Recife

21) Regulamentação do Ensino Privado
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 10
- Dra. Lia Carneiro – Ouvidoria da UNE
- Dr. Peterson Pereira – Procurador da República
- MEC
- Mário Pederneiras – Conselho Nacional de Educação
- UNE
- CONTEE
- Antonio Ananias - CONAP

22) Reforma Agrária no Brasil
Local: Local: ICC – UnB – Sala BT – 260 – Bloco B
- MST
- Francisco Canindé de França – Secretário de Estado de Assuntos Fundiários e de
Apoio à Reforma Agrária
- MDA
- CONTAG
- Plínio de Arruda Sampaio
- Severine Macedo – FETRAF

23) Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 13
- João Paulo – MST
- Central dos Trabalhadores (as) do Brasil
- Carlos Spis – Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS)
- Ubiraci Dantas – Vice-presidente da CGTB
- UNE
- UBES
- Arthur Henrique – Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
- Edson França – UNEGRO

24) Em Defesa do Petróleo e da Petrobrás
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 18
- Moraes – Presidente da FUP
- Fernando Siqueira – Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)
- CMS
- Agência Nacional do Petróleo
- Campanha “O Petróleo tem que ser nosso”

25) Descriminalização da Drogas
Local: ICC – UnB – Anfiteatro 11
- Bruno Vanhoni – Ex-diretor da UNE
- Paulo Teixeira – Deputado Federal PT/
- Sérgio Vidal – Conselho Nacional Anti-Drogas
- Renato Cinco

19 h – Grupos de Discussão – GD´s
Local: Salas de Aula – ICC – UnB
Temas:
1) Conjuntura
2) Reforma do Ensino Superior
3) Políticas de Afirmativas
4) Assistência Estudantil
5) Extensão Universitária
6) Passe-Livre
7) Meia-Entrada
8) Meio-Ambiente
9) Cultura
10) Inclusão Digital/Software Livre
11) Movimento Estudantil
12) Gênero/LGBT
13) Esportes
20 h – Shows: Banda Fora de Si/ Rapper Gog/Edson Gomes
Local: Mercado Alternativo – Camping Show (Albergue da Juventude)


18/07 (sábado)
09 h às 18 – Plenária Final
10 h – Ato Político “50 anos da Revolução Cubana e de Defesa e Solidariedade aos
05 Patriotas”
- Vanessa Grazziotin – Deputada Federal PCdoB-AM/Presidente da Comissão de
Solidariedade Brasil-Cuba
- Renan Thiago – OCLAE
- Pedro Nuñez Mosquera - Embaixador de Cuba no Brasil
13 h – Passeata em Defesa da Mídia Livre
Local: Ginásio Nilson Nelson
20 h – Show: Banda CHIMAROOTS/Banda Pé de Cerrado
Local: Prainha da ASBAC


19/07 (domingo)
09 às 18 – Plenária Final e Eleição da Nova Diretoria da UNE
Ato Político “50 anos da Revolução Cubana e de defesa e solidariedade aos 5
patriotas”

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Rumo ao Encontro de Jovens Trabalhadores da CTB

Paulo Vinícius



Nos dias 23 e 24 de maio a CTB (Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil) realizará o seu I Encontro de Jovens Trabalhadores em Atibaia, São Paulo. Sua realização pode lançar luzes sobre um desafio dos mais relevantes: renovar as formas e atrair para o movimento sindical a juventude brasileira.

Tal empreitada não é simples. Ressentimo-nos todavia das consequências de quase 20 anos de hegemonia das ideias individualistas, cujo corolário é a negação das respostas coletivas e a consequente esterilização do que é mais característico da condição juvenil: seu papel transformador. E para além da pressão das forças de direita, agregue-se a condição minoritária do sindicalismo classista. Assim, a disposição às respostas parciais, o pragmatismo, a falta de estímulo ao empoderamento dos trabalhadores ante sua própria representação e o esposar de idéias do inimigo de classe (como negar a ação política, as ilusões corporativistas e o carreirismo) foram ossificando o movimento sindical, desmoralizando-o como efetivo instrumento de luta para milhões de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho, mas que ocupam um lugar periférico nas direções sindicais.

Por outro lado, na juventude, em especial entre os estudantes, a onda conservadora não encontrou cúmplices à altura durante os anos 90. A UNE e a UBES, sob a direção da UJS e das forças de esquerda mantiveram em dificílimas condições a unidade do movimento e avançaram em conquistas. E os sindicalistas classistas, resistindo bravamente, não apenas defenderam suas posições, mas avançaram ao ponto de criar a CTB, mudando o roteiro de um filme que parecia ter final manjado. E esta ousadia tem mostrado seu valor, um verdadeiro terremoto no movimento, haja vista o crescimento admirável da CTB e a liberdade com que categorias-chave se reposicionam no cenário sindical brasileiro. E o auspicioso, a exemplo do movimento bancário, é que as categorias estão repletas de jovens. Esse encontro da juventude e dos dirigentes sindicais é a pedra de toque que pode fazer da CTB a central mais juvenil do Brasil.

Atrair essa juventude para a luta dos trabalhadores é fundamental para as batalhas do socialismo no século XXI, impossível sem o protagonismo destes profissionais de perfil novo, educados sob a égide da terceira revolução tecno-científica, usuários e produtores da internet e de uma gama de avanços teconlógicos, que seguem estudando, que estão nas periferias e no campo e também na vanguarda da produção de conhecimentos.

Não são apenas especificidades, mas uma tendência inescapável. Ao desenvolvimento exponencial das forças produtivas e às mudanças no perfil da classe deve corresponder a incorporação da nova geração de trabalhadores no seu movimento não apenas para a sua continuidade, mas para darmos conta do desafio civilizacional posto à humanidade, retomar a perspectiva socialista. E a urgência desta tarefa, dramatizada pelo avanço dos sinais de barbárie, é reanimada pela crise do capitalismo, pelo retumbante fracasso de seu pútrido credo, pela sua incapacidade de dar respostas aos desejos de felicidade e bem estar da juventude, porque o capitalismo não apenas penaliza em especial os jovens, mas nega-lhes o futuro.

Deste modo, aos jovens superexplorados do presente, ante seus justificados medos acerca do futuro, o sindicalismo classista pode desfraldar a alternativa socialista, recebendo, atraindo e educando a nova geração de lutadores e lutadoras, lançando hoje as sementes da hegemonia de um futuro não tão distante – há pressa, há condições e há que ter audácia.

Temos muitas possibilidades, mas a maior de todas está na passagem para o movimento sindical da geração que fez o movimento estudantil e juvenil nos anos 90 e nesta primeira década do século XXI. Eles e elas estão por aí, nas fábricas e nos campos, no ABC e no serviço público, no telemarketing e nos bancos públicos e privados. Pintaram a cara, elegeram Lula, conheceram a UNE, a UBES e a UJS. Resta saber se fomos capazes de indicar-lhes decididamente que a luta não acabou com a chegada à vida adulta, e que o movimento sindical não precisa ser chato nem pelego. E mais: que agora, trabalhando, podemos fazer muito mais barulho! Podemos inclusive parar o funcionamento de engrenagens centrais, fazendo calar fundo nas consciência destes trabalhadores a surpresa de outro trabalhador, tão bem descrita por Vinícius:

“Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.”

É hora de reencontrar os amigos. Tendo assumido nosso lugar na construção da vida, na dura labuta cotidiana, confrontados com novas responsabilidades, não desaprendemos as lições mais doces tidas nas salas de aula e nas ruas. Que a indignação e a solidariedade são faces da única forma de ser verdadeiramente humano e de semear o futuro. A tarefa não está terminada, e quem melhor que os jovens trabalhadores para ensinar esta inédita lição? Procuremos os sindicatos, preparemos outra vez as mochilas, atendamos ao chamado da CTB!

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