A
escolha da senadora Kamala Harris como vice de Joe Biden, o anúncio
pelo Rússia da primeira vacina contra Covid-19, a exclusão da Venezuela
da Cúpula pela Amazônia e as manifestações no Líbano e na Bolívia estão
entre os assuntos analisador por Ana Prestes.
Foto: Reprodução A senadora pela Califórnia, Kamala Harris, foi a escolhida
para compor chapa com Joe Biden pelos democratas na corrida presidencial dos
EUA. Ela é a primeira mulher negra a compor uma chapa presidencial do partido
democrata, os republicanos também nunca tiveram uma mulher negra candidata.
Harris já foi procuradora-geral da Califórnia e no Senado está em duas
comissões importantes, Justiça e Inteligência. A senadora é criticada pela
esquerda e movimento civis e sociais da Califórnia por defender projetos que
resultam no encarceramento em massa da população pobre e negra jovem como
medida de combate ao crime. Por outro lado, ela está próxima de setores mais à
esquerda dos democratas, como Sanders e Ocasio-Cortez, ao defender o Green New
Deal como uma solução para transformar a matriz energética dos EUA e zerar as
emissões de carbono até 2030. A chapa ainda precisa ser referendada pelos
democratas em Convenção Nacional. Caso a chapa vença as eleições, muitos já
falam que Harris seria a candidata natural dos democratas em 2024.
O dia de ontem (12) foi de muitos comentários sobre o
anúncio do governo russo de que teria finalmente chegado a uma vacina contra o
novo coronavírus, a Sputnik V. O nome faz referência ao Sputnik, primeiro
satélite artificial a orbitar a Terra lançado em 1957 pela então União
Soviética. As avaliações mais críticas ao anúncio dizem que seria muito difícil
provar a eficácia de uma vacina com apenas dois meses de testes. Outros dizem
que não há suficiente debate internacional sobre os resultados atingidos nos
testes, com publicação de artigos e promoção de intercâmbio científico.
Entidades russas de professores, que devem estar no primeiro bloco de
imunizados, após os médicos e profissionais da saúde, e a AOKI – Associação de
Organizações de Pesquisa Clínica também pediram ao governo russo para evoluir
mais nos testes antes de iniciar a aplicação, pois a população poderia ser
exposta a uma vacina ainda não suficientemente testada. Por outro lado, muitos
questionam se Putin e seu governo arriscariam tanto com a divulgação de uma
vacina sem segurança sobre o produto. As autoridades russas hoje (12) reagiram
ao criticismo internacional reafirmando seus procedimentos na validação da
vacina. Fica a impressão de que a Rússia fez o registro, o anúncio, e vai
“trocar os pneus com o carro andando”, ou seja, enquanto produz a vacina em
escala, vai realizar a terceira fase de testes e fazer as publicações
científicas correspondentes. A ver. A vacina não aparece na lista da OMS que
relaciona os projetos que já chegaram à fase 3 de testes e a organização se
pronunciou ontem dizendo que aguarda contato com autoridades russas para
conhecer detalhes do imunizante. No Brasil, o governo do Paraná anunciou que
deve assinar hoje (12) um acordo com a Rússia para a produção e distribuição da
vacina, ficando a condução a cargo do Tecpar – Instituto de Tecnologia do
Paraná.
Novamente com a Venezuela excluída os presidentes dos países
amazônicos se reuniram na Segunda Cúpula Presidencial pela Amazônia. Desta vez o
encontro foi por videoconferência. O primeiro encontro foi presencial, em
setembro do ano passado, na cidade colombiana de Letícia. De onde saiu o Pacto
de Letícia. Além do presidente Duque da Colômbia, participaram Bolsonaro pelo
Brasil, Lenin Moreno pelo Equador, a de fato Añez pela Bolívia, Vizcarra pelo
Peru e autoridades do Suriname e Guiana. A reunião teve como objetivo reafirmar
os 52 pontos da Declaração de Letícia e a discussão sobre o financiamento dos
projetos previstos nesses pontos. Participaram do encontro o presidente do BID,
Luis Alberto Moreno e uma representante da OTCA – Organização do Tratado de
Cooperação Amazônica, com sede no Brasil, Maria Alexandra Moreira. Alvo de
críticas internacionais por sua política ambiental e em especial com relação às
queimadas na região amazônica, o Brasil não participou do primeiro encontro de
Letícia. Nesse segundo encontro, o mundo inteiro noticiou a fala do presidente
Bolsonaro, especialmente quando ele disse ser “mentira” que os incêndios estão
devastando parte significativa da Amazônia brasileira. Ele contradisse dados de
seu próprio governo que através do INPE deixam claro que em 12 meses aumentou
em 33% a devastação da floresta. Ele ainda desafiou os líderes dos outros
países a sobrevoarem a floresta e apontarem algum foco de incêndio ou hectare
desmatado.
A Nova Zelândia tem eleições marcadas para setembro, mas a
primeira ministra Jacinda Ardern anunciou que há hipótese de adiamento diante
do ressurgimento de casos de coronavírus no país após mais de 100 dias sem
infecções. Os casos surgiram em Auckland, maior cidade do país, e que agora
está em confinamento. O partido de oposição, Partido Nacional, também pede
adiamento das eleições para o fim do ano ou princípio de 2021. Com uma
população de 5 milhões de habitantes, a NZ registrou 22 mortos por Covid-19 até
agora, além de ter ficado 102 dias sem contágio registrado.
Na Europa, o coronavírus preocupa na Espanha. Na última
semana, uma média de 4900 casos diários foram registrados. Superior aos números
da França, Reino Unido, Alemanha e Itália juntos. Críticos ao governo dizem que
houve “muita pressa” no desconfinamento, visto que a explosão de casos veio
justamente duas semanas após a abertura.
No Líbano, seguem as manifestações populares contra o
governo, mesmo com a renúncia do premiê e todo seu gabinete. Ontem (12)
milhares de pessoas marcharam perto do porto destruído e fizeram um minuto de
silêncio no minuto exato em que há uma semana ocorreu a explosão. Cristãos e
muçulmanos foram convocados por suas igrejas para fazerem um dia de orações. O
número oficial de vítimas passou para 171, mas há estimativas de que são mais
de 200. Deixo aqui o link da história de três bombeiros ainda desaparecidos que
morreram ao tentarem apagar um incêndio no porto, sem saberem quem o galpão
incendiado possuía nitrato de amônio:
Após Alemanha e França suspenderem acordos de extradição com
Hong Kong. O executivo da ilha fez o mesmo por reciprocidade. Canadá, Reino
Unido, Austrália e Nova Zelândia também anunciaram as mesmas medidas.
Em Belarus, ou Bielorrússia, também seguem os protestos.
Ontem foi a terceira noite de manifestações após as eleições de domingo (9).
Muitas ruas na região da capital Minsk estão bloqueadas e cenas de prisões
arbitrárias e violência policial pipocam nas redes. Milhares de pessoas foram
detidas. Jornalistas também têm denunciado que suas câmeras estão sendo tomada
ou tendo chips arrancados. A candidata de oposição a Lukashenko, que governa o
país desde 1994, deixou o país e se refugiou na Lituânia.
Na Bolívia também seguem os protestos e os bloqueios de
vias. Ontem o ministro de governo, Arturo Murillo, reagiu dizendo à CNN que
estão “tratando de evitar uma guerra civil no país, que tem horas contadas para
começar”. Defendeu ainda que “meter bala” nos bloqueios seria “politicamente
correto”. Os protestos são organizados pela COB (central de trabalhadores) e o
Pacto de Unidad contra o adiamento das eleições para 18 de outubro. Embora o
governo de fato ainda não tenha entrado mais fortemente com o exército e
polícia contra as manifestações, grupos paramilitares estão sendo usados para
atacar os manifestantes. O chefe das forças armadas, Sérgio Orellana, envolvido
no golpe contra Evo, tem colocado uma série de condicionantes ao governo Añez
para ir fazer os “desbloqueios” das vias ocupadas pela população. Uma delas é a
imunidade quanto ao uso da força e armamentos e outra é quanto ao rebaixamento
do papel das forças policiais.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, pediu ontem
(11) o adiamento das eleições legislativas da Venezuela marcadas para 6 de
dezembro, diante da negativa de alguns partidos da oposição de participarem do
pleito. A declaração foi feita após o chanceler Arreaza enviar convite à União
Europeia para o envio de observadores internacionais durante o processo
eleitoral.