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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Perdemos o querido Zezinho, militante exemplar do PCdoB-PE



Não são fáceis os dias que estamos vivendo. Hoje tem sido um tanto mais difícil. Nos despedimos de Zezinho. Um baque no...

Publicado por Luciana Santos em Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

COMANDANTE ZEZINHO, PRESENTE! 

Luciano Siqueira 

Outro dia foi Moacir, torneiro mecânico, líder metalúrgico, dirigente do PCdoB em Pernambuco. Lúcido e decidido combatente por décadas.

Hoje, José Inácio Barbosa, de origem camponesa, sindicalista no início dos anos 60, também dirigente estadual do PCdoB. 

Zezinho, como todos o chamamos (Manezinho para os baianos, onde militou na clandestinidade no duro tempo da ditadura militar), aos 85 anos resistiu até o último instante. A Covid-19, conjugada a enfermidades crônicas, finalmente o subjugou.

Zezinho e Moacir, guerreiros sempre. Daqueles cuja presença em nossas fileiras inspira um permanente chamamento à luta. 

Pois o PCdoB é assim: feito da teoria científica marxista, descortino programático, sagacidade tática, compromisso com a classe e o povo e múltiplas vivências pelos tortuosos caminhos da História. 

E por gente como Moacir e Zezinho.

Procuro em meus arquivos uma foto de Zezinho e em todas as que encontro vejo estampada no seu rosto a alegria de viver e de lutar. Opto por uma em que estamos juntos ele, Luci e eu numa das últimas manifestações de rua no Recife, pré-pandemia. Ele sorridente, braço erguido e punho cerrado. 

Em nossas reuniões, invariavelmente era aplaudido e saudado com o grito de guerra “Zezinho, guerreiro/do povo brasileiro!”

Pronunciava-se manuseando anotações feitas em letra oscilante, à semelhança de um traçado de eletrocardiograma. Ideias centradas, ditas em tom entusiasmado.

Num dos Congressos do PCdoB, creio que o 8º, um dos nossos quadros dirigentes nacionais da época expôs na tribuna ideias discrepantes da linha geral do Partido. No plenário divisei a figura de Zezinho a sair do seu lugar, percorrer todo o ambiente até me encontrar numa das últimas filas:

 “- Por que isso, camarada?”, me arguiu, preocupado com a unidade partidária.

De certa feita, na sede do Partido no Recife, o camarada Renato Rabelo me pedira notícias dele: 

– Bem, como sempre; mas nos últimos dias anda enfraquecido por uma gripe muito forte, respondi.

Mal terminara de falar, entrou na sala o “comandante” Zezinho, bandeira do PCdoB à mão. Perguntamos pela sua saúde:

- Camaradas, fui ali numa passeata nos Coelhos, fiz uma agitação, já estou melhor!...

Tal como Moacir, que padecia de doença respiratória crônica, Zezinho jamais se deixou abater pelas dificuldades. 

Para ambos valia o dizer de Diógenes Arruda: “a revolução será uma festa de pão e rosas”. 


 

Tristíssimo com a morte do querido camarada Zezinho do Pernambuco... Temos que transformar essa tristeza toda em um...

Publicado por Paulo Vinícius em Quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A militância nossa de cada época - Luciano Siqueira* - Portal Vermelho

Vermelho
“Certa vez, como ocorre com certa frequência, um grupo de estudantes me entrevistou demoradamente (no meu gabinete de vice-prefeito do Recife) acerca do período do regime militar”.

por Luciano Siqueira


Perguntas várias, curiosidade comovente, misto de surpresa diante da descoberta de fatos dramáticos da vida brasileira (dos quais sequer suspeitavam — haviam lido alguma coisa, adiantam, mas não tinham ainda conversado com ninguém que os tivesse vivido diretamente); e de alumbramento, por chegarem “tão perto” (no dizer de um deles), através do nosso relato, de coisas “quentes” de nossa História recente.

(O bom dessas entrevistas com jovens estudantes é isso: o despertar para o conhecimento da História real e a descoberta do povo como protagonista).

Mas eis que, ao término da conversa, uma jovem do rosto sardento e jeito tímido, óculos de aros escuros, que nos chamara a atenção pelo quase mutismo e pelo olhar grave, pergunta:

– É muito mais fácil ser militante hoje do que naquele tempo, não é mesmo?

– Não. Hoje, sob certos aspectos, é até mais difícil.

Diante do ar surpreendido dela e dos seus colegas, esclareci:

É certo, sim, que a militância partidária, especialmente no Partido Comunista, naquela época, era muito difícil. Atuávamos clandestinamente, sujeitos a privações e a riscos, com a cabeça colocada a prêmio. A qualquer momento podíamos ser presos e torturados, como de fato fomos; ou a ter a vida sacrificada, como muitos companheiros tiveram, assassinados sob tortura ou em embate aberto com as forças da repressão policial.

Porém, como a militância é uma opção consciente, uma atitude subjetiva — era relativamente simples justificá-la: o regime de exceção, o povo sufocado, vilipendiado e submetido a um modelo de desenvolvimento excludente. Lutar era, assim, um imperativo de consciência.

Hoje já não temos nossas cabeças colocadas a prêmio. Não corremos o risco de agravos à integridade física.

Mas, do ponto de vista subjetivo, a militância implica encontrar respostas para uma gama enorme de problemas teóricos e políticos — da perspectiva socialista aos intricados assuntos relacionados com a situação política atual, a ruptura institucional no processo de impeachment da presidenta Dilma ao arrepio da Constituição, o retrocesso às políticas neoliberais encetado pelo interino governo Temer e agora a regressão civilizatória intentada por Bolsonaro, e mesmo o desgaste da esfera política aos olhos da maioria da população.

Antes sofríamos a pressão dos tanques e das baionetas, hoje, o torpedeamento da mídia, a complexidade do debate de ideias.

Nesse sentido, a militância comunista será sempre um desafio instigante. E também uma fonte de felicidade pessoal, quaisquer que sejam as circunstâncias — em qualquer época.

*Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

sábado, 26 de março de 2016

PCdoB, 94 anos - Um partido sempre pronto para a luta - Luciano Siqueira

 PCdoB, 94 anos - Um partido sempre pronto para a luta - Luciano Siqueira - portal Vermelho








Não terá sido fácil a trajetória do PCdoB, que completa, neste dia 25, noventa e quatro anos de existência ininterrupta.
No Brasil, a tradição é de partidos efêmeros, conjunturais. Uns surgem e desaparecem ao cabo de alguns anos. Outros reaparecem adiante com a mesma legenda, mas sem uma linha de continuidade com o passado.
O PCdoB tem sido capaz de sobreviver – embora cerca de dois terços de sua existência tenha se dado sob o constrangimento da proibição legal, da perseguição e do preconceito -, buscando permanentemente a compreensão da realidade brasileira e mundial à luz da teoria científica – o marxismo-leninismo -; determinado a lutar sob quaisquer circunstâncias, ligando-se aos trabalhadores e ao povo. Nacionalmente uno.
Amadureceu. Hoje – pode-se dizer -, segue sua trilha revolucionária teórica, política e culturalmente emancipado, vez que desenvolve pensamento próprio na abordagem da luta pelo socialismo nas condições reais do mundo e do Brasil.
Seu Programa Socialista, bússola teórica e política que ilumina as opções táticas conjunturais e a peleja cotidiana, guarda traços essenciais de originalidade e consonância com as peculiaridades da sociedade brasileira.
Assim, um Programa cientificamente lastreado e politicamente factível.
Aponta como rumo reformas estruturais de largo alcance que, uma vez alcançadas, mediante embates de grande de envergadura, resultarão em expressiva elevação das condições de vida material e espiritual do povo; que, vitorioso, adquirirá autoconfiança e descortino para vislumbrar o salto civilizatório de conteúdo socialista.
Neste instante de crise, conflito e instabilidade, o PCdoB não titubeia. Apresenta-se aguerrido, coerente e firme na defesa da democracia, contra o golpe, pela retomada do desenvolvimento.
A um só tempo, afirma posições avançadas e, com flexibilidade e amplitude, despido de preconceitos e sectarismos, estabelece alianças com variados segmentos sociais e partidários em função da luta comum.
O Partido Comunista do Brasil faz-se assim – como dizia João Amazonas – depositário da honra e da consciência da nação.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

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