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quarta-feira, 13 de abril de 2022

50 anos da guerrilha do Araguaia: Osvaldo Bertolino, Romualdo Pessoa e participação especial Luciana Santos - Portal Vermelho e TV Grabois

 Veja na TV Grabois

12 de abril de 1972, há 50 anos se iniciava a Guerrilha do Araguaia

Assista nesta terça (12), as 19h, a live comemorativa desta luta contra a ditadura militar

 

Militantes, dirigentes e a população camponesa que vivia na região do baixo Araguaia protagonizaram uma história de resistência e luta pela liberdade e pela democracia. A Guerrilha tem sido alvo de estudos acadêmicos, reportagens, filmes que buscam trazer à tona os acontecimentos políticos e a história daqueles personagens que foram brutalmente cassados, torturados e mortos pelas forças da ditadura militar.

Nesta terça-feira (12), às 19h, a TV Grabois e o PCdoB transmitem a live “50 Anos da Guerrilha do Araguaia”, para relembrar a luta dos comunistas que resistiram à ditadura na maior ação revolucionária contra os militares.

 

Dentre os historiadores que pesquisaram sobre a guerrilha, destacamos Romualdo Pessoa Campos Filhos, autor do livro Guerrilha do Araguaia, a esquerda em armas. Em artigo, publicado no ano de 2017, Romualdo destaca a importância de se ter rompido o silêncio em torno da Guerrilha.

Dentre os dirigentes do PCdoB destacados para comandar a Guerrilha estava Maurício Grabois, morto em dezembro de 1973.

Em 2015, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação penal na Justiça contra dois militares da reserva do Exército por crimes ocorridos durante a Guerrilha. Lício Augusto Ribeiro Maciel – conhecido na época da ditadura como major Asdrúbal – foi acusado pelos homicídios dos militantes André Grabois, João Gualberto Calatrone e Antônio Alfredo de Lima e pela ocultação dos cadáveres das vítimas. Sebastião Curió Rodrigues de Moura – conhecido na época como doutor Luchini – foi denunciado pela ocultação dos cadáveres.

Para o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, “A resistência armada do Araguaia conduzida pelo PCdoB foi realizada num período dos mais duros da ditadura, sem nenhuma liberdade política para o povo e constante repressão sanguinária”.

Na passagem dos 50 anos da Guerrilha, assista o vídeo que conta um pouco dessa história.

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Luciana Santos e Carlos Lopes na despedida de Sérgio Rubens,emocionante - Hora do Povo no Youtube

 HORA DO POVO

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Na tarde desta segunda-feira (6), muitos companheiros, amigos e familiares do dirigente revolucionário Sérgio Rubens de Araújo Torres, vice-presidente do PCdoB, fizeram uma ato em sua despedida no cemitério da Vila Alpina, em São Paulo. Ele que nos deixou na noite de domingo, vitima de um aneurisma.
Sérgio Rubens discursa no Congresso do PCdoB e PPL (Foto: PCdoB) 

Carlos Lopes, diretor de redação da Hora do Povo, iniciou a despedida, apontando as caraterísticas que fizeram de Sérgio Rubens “um grande homem”. “Durante 20 ou 30 anos, eu discuti diariamente com ele. Sérgio era, e até agora foi, a alma do Hora do Povo”. “Ele era um homem extremamente inteligente, extremamente comprometido e rigoroso”, disse Carlos.

Assista aos dois pronunciamentos 

CARLOS: “SÉRGIO NÃO TEVE UM INIMIGO PESSOAL DURANTE TODA A SUA VIDA” 

“Eu sabia perfeitamente que quando as coisas publicadas no jornal não estavam rigorosamente exatas, eu ia receber um telefonema que não ia ser agradável, E, no entanto, meus amigos, era o que ele devia fazer mesmo e isso foi extremamente bom para todos nós”, prosseguiu o chefe de redação do HP.

Carlos Lopes

“Que qualidades o Sérgio tinha que tornavam ele tão especial, além da inteligência, e de outras qualidades que ele tinha? É fundamentalmente a identificação dele com tudo que é humano”, destacou Carlos Lopes, citando um verso latino que Marx reproduziu, “nada do que é humano me é estranho”. “É exatamente o que o Sérgio achava”, acrescentou.

“Vocês podem dizer, mas ele achava que tudo que os seres humanos fazem é bom? Não, ele não achava isso. Mas o que os seres humanos fazem de errado e ruim é exatamente aquilo que não é humano. Exatamente aquilo que os desumanizam e que desumanizam os outros. E era isso que ele não suportava”, apontou o jornalista.

“Desde cedo, desde secundarista, na ligação dele com a cultura, na ligação com a luta do povo brasileiro, ele foi um homem de partido. Brecht, poeta que ele gostava muito, escreveu uma coisa muito importante: ‘um homem sem partido é um homem medíocre’. E isso, Sérgio compreendia muito bem. Ele sempre foi um homem de partido”, destacou o dirigente do PCdoB.

“E isso não tem nenhuma contradição com o amor que ele dedicava à sua família, o amor que ele dedicava aos seus filhos”, prosseguiu. “Eu como amigo pessoal dele, várias vezes conversamos sobre os netos. E em tudo era aquele sentimento de humanidade e de humor. Era um homem severo, mas ao mesmo tempo um homem de uma compreensão imensa”, assinalou.

“Eu o conheci pessoalmente em 1978, durante as conferências regionais para o II Congresso do MR8. Na conferência, realizada na cidade baiana de Lagoinhas, eu estava bastante mal e disse algumas besteiras. No intervalo ele me chamou e começou a fazer perguntas. A capacidade do Sérgio de fazer perguntas que ninguém tinha pensado ainda para descobrir a verdade, para fazer com que a gente estudasse era impressionante”, contou. 

“Porque era isso que estava na cabeça dele. Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para ele”, completou.

“Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para Sérgio” 

Carlos Lopes enfatizou que “nós perdemos um grande homem”. “Engels, no enterro de Marx, disse que uma das qualidades impressionantes de Marx é que ele nunca teve um inimigo pessoal. E a mesma coisa nós podemos dizer do Sérgio. Era preciso ser um canalha para ser inimigo pessoal do Sérgio. Ele não teve um inimigo pessoal durante a sua vida”, concluiu o jornalista.

LUCIANA : SÉRGIO ERA UM IDEÓLOGO, UM FORMADOR DE GERAÇÕES 

Luciana Santos

“Falar de Sérgio Rubens, um homem como este, não é simples. De um brasileiro, um revolucionário que eu tive a honra de conhecer há três anos atrás, lá no escritório da Hora do Povo. Sabe aquela primeira impressão? A primeira impressão que eu tive foi de apaixonamento”, revelou Luciana. 

“Um homem tranquilo, sereno, com ideias consistentes, denso. Nós nos encontramos num momento muito adverso. Nada mais nada menos do que a vitória de Jair Bolsonaro em que as nossas duas legendas, PPL e PCdoB, não tinham alcançado a cláusula de barreira”, lembrou.

“E ali”, prosseguiu Luciana, “nós estávamos exercitando o que é que nos unia”, observou a vice-governadora de Pernambuco. 

“Ele, um homem de ideias, que conhecia bem a trajetória do PCdoB, e a gente também conhecia o MR8, depois o PPL. Ali a gente fez esse exercício de unidade. E ele dizia assim. Nós, num momento como este, temos que buscar muito as nossas convergências e nós temos muitas coisas em comum. Nós desejamos o mesmo para o Brasil, para os brasileiros e brasileiras. Nós queremos nada mais do que construir o socialismo no Brasil. E nós temos formulações, os caminhos para chegar nisso. Nós somos marxistas, defendemos o socialismo científico. E as nossas diferenças táticas, elas são secundárias neste momento”.

“E assim ele agiu, praticou”.

“E ao longo do tempo eu tive a honra de conviver com ele e admirá-lo cada vez mais. Pela sua consistência, pela sua capacidade de elaboração e, antes de tudo, pelo espírito partidário, o espírito de unidade. Ele, em qualquer que seja a circunstância do momento, ele é honesto intelectualmente. Ele nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”.

“Sérgio nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar” 

“Sei depois o quanto cada um e cada uma de vocês, que conviveram com ele desde esse tempo, têm memória da afetividade, da generosidade dele. Isso parece óbvio, mas, o verdadeiro comunista é aquele que, ao entender que esse mundo tem jeito, ele procura cuidar, formar, dar consistência ideológica, persistir. Ele era um formador de gerações, um educador de gerações”.

APAIXONADO POR CINEMA

“Eu sei o quanto ele primava por isso. Apaixonado pelo cinema. Não tinha uma semana que Sérgio Rubens não me mandasse um filme para eu poder assistir. E agora mais recentemente, cuidadoso que ele é, estava cuidando de criar, ele estava montando com a CTB, um cineclube para passar os filmes que refletissem o debate sobre a luta dos trabalhadores”.

“Então, camaradas, Sérgio Rubens era um homem de perspectivas, e as suas ideias, elas estão entre nós. Elas permanecerão como uma necessidade de um futuro que ele sempre lutou para que nós percorrêssemos e alcançássemos. Então, nessas horas é fato que a gente se sente órfão. A gente se sente órfão porque essas são pessoas que são insubstituíveis”.

Amigos, familiares e companheiros se despediram de Sérgio Rubens nesta segunda-feira 

“Mas que essa convicção que sempre moveu ele, desse mundo que a gente tanto persegue, então, numa hora como essa, ele recai sobre nós com mais responsabilidade ainda. Quando a gente perde um guerreiro, a gente não enterra ele, a gente planta ele. A gente planta para que floresçam mais e mais guerreiros dessa luta, que é a luta por justiça, a luta pela humanidade”.

“Ainda mais ele que era um desses quadros políticos. Porque muitos de nós temos qualidades, defeitos, mas é impressionante como Sérgio era um quadro acima da média. Ele conseguia reunir muitas qualidades, qualidades difíceis de serem desenvolvidas por uma pessoa só. Além de grande capacidade de elaboração teórica, ele tinha opinião própria, ele era ideólogo e de uma densa cultura. Por isso, falava com fundamento, com consistência. Não tinha nada que ele falasse que não fosse fruto de alguma reflexão daquela circunstância, daquele determinado momento”.

Muita emoção na despedida

“Então, eu sei o quanto ele é amado e vocês podem ter certeza que eu passei a admirá-lo e amá-lo com tudo isso que a gente tem construído juntos”.

“Porque ele fez um gesto de grandeza num momento que não é fácil encontrar. Porque, afinal, ele foi sucessor de Cláudio Campos, ele é sucessor de um grande legado, de uma grande história. Não é uma história recente do povo brasileiro, é de feitos extraordinários, de grande momentos de virada da conjuntura brasileira. Ele podia simplesmente não engrossar essa fileira e ele fez um gesto político de grandeza, do tamanho das ideias dele, do tamanho da estatura que ele é”.

“E vocês podem ter certeza, camaradas, esse legado que Sérgio deixou para a gente, nós vamos fazer jus a ele. Vamos cada vez mais jogar luz, dar o peso e o tamanho que ele tem. E servir de referência pra gente, pra nossa perspectiva. Sérgio Rubens, camarada, presente!”


terça-feira, 22 de junho de 2021

RENATO RABELO: O PCdoB vive décadas transpondo travessias, mas seguro de seu rumo!


Não se pode entender a história do Partido Comunista do Brasil sem entender a história política do Brasil, mas também não se pode entender a história brasileira sem se ter em conta a ação dos comunistas. Salientamos esta realidade histórica desde a comemoração dos 90 anos do PCdoB.

Ao longo da sua trajetória, o PCdoB enfrentou diversas situações. Extensos períodos de governos autoritários, de ditaduras que levaram à perseguição, cassação de mandatos, prisões, repressões e mortes de heróis e mártires, levando à resistência prolongada dos comunistas; e períodos de abertura, de ascenso democrático; fases de luta ideológica complexa, com as apostasias nas fileiras comunistas à época da crise do socialismo na União Soviética e do ápice da ofensiva neoliberal na década de 1990; até as experiências recentes de participação no governo nacional no período progressista.

O Partido passou por implacáveis riscos de delicadas travessias tendo que exercer sua reestruturação em consequência da forte ação repressora, na Conferência da Mantiqueira, em 1943; no final da ditadura militar na década de 1980; e até na sua reorganização em função da tentativa em seu próprio seio de renunciar à sua identidade política e ideológica, em 1962.

A luta constante pela renovação

Mas o Partido também buscou sempre sua renovação e contemporaneidade, como no 8º Congresso Nacional, realizado em 1992, diante da constatação de novo tempo e da nova luta pelo socialismo no final do século passado. A 8ª Conferência, realizada em 1995, que aprovou o Programa Socialista, representou um novo patamar teórico. Ela proporcionou respostas justas aos dilemas da realidade surgida com a crise do socialismo, sendo um acerto de contas com o dogmatismo reducionista um salto avançado do pensamento estratégico do PCdoB.


E seguindo essa linha adotada, levando em conta as grandes mudanças no início do século atual e as novas experiências de construção do socialismo, sobretudo a demonstração do socialismo como forma histórica na China – emergência de uma nova, complexa e inovadora experiência econômico-social e a ascensão da China. Assim, o debate na Fundação Maurício Grabois e no Partido desembocou no 12º Congresso, que aprovou por unanimidade o novo Programa de 2009, cuja essência é: O Rumo socialista e o caminho cuja aplicação é um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Na atualidade, pelo ritmo das mudanças na luta de classes no mundo e no Brasil, já estamos diante da tarefa de reatualizar e redimensionar o Programa vigente desde 2009. Assim é o PCdoB, caminhando para seu centenário e sempre se renovando.

Foco no curso da situação mundial e nacional

Hoje, o PCdoB tem procurado sempre vivenciar outra linha de sua atuação: a análise concreta da situação do mundo e do Brasil.

Onde chegamos? A característica principal mundial atual é o declínio relativo dos Estados Unidos e a ascensão da China; tal quadro conforma a principal tendência da geopolítica contemporânea. Diante disto, os EUA têm como objetivo estratégico central conter a todo custo a ascensão da China e relançar sua hegemonia no sistema mundial. E para alcançar esses objetivos torna-se mais agressivo e intervencionista unilateralmente, provocando profundas implicações para a paz e a estabilidade internacional.

Desse quadro, ressalta uma conclusão importante: o socialismo nas condições históricas da China, que impressiona amplamente, junto aos esforços de outros países socialistas, demonstra que há esperança para os povos e nações, sendo uma alternativa que enseja um ciclo de Nova Luta pelo Socialismo – sendo seu tempo presente e futuro.

Em contraste a desesperança da dura realidade do capitalismo contemporâneo, propiciou em escala global uma onda política conservadora, de direita de cunho fascista. A derrota do ex-presidente Donald Trump nos EUA, sob o impacto da pandemia, permitiu de certo modo uma desarticulação dessas forças no mundo.

Em nosso país onde chegamos? O presidente Bolsonaro se mantém como um dos maiores bastiões dessas forças de ultradireita globais. O caráter autoritário do seu projeto de poder insiste em conduzir as instituições ao impasse, busca depreciar o ambiente democrático, emitindo sinais de uma preparação de tipo golpista, a fim de se manter no poder por todos os meios. Seu governo impeliu o Brasil para uma crise de múltiplas faces.

É grave a regressão a que submeteu o Brasil enquanto país soberano e democrático. O Estado nacional está ao sabor do capital especulativo e do rentismo. A pandemia em nosso país adquiriu a envergadura de uma tragédia humana. A política ultraliberal de Bolsonaro-Guedes, apressa a desnacionalização da economia e a desindustrialização; agrava sobremodo a exclusão e as desigualdades sociais.

PCdoB na linha de frente para derrotar Bolsonaro



O PCdoB se encontra na primeira fileira da luta decisiva de isolar e derrotar Bolsonaro. Esta é a questão mais premente para salvar o Brasil. Mais uma vez o PCdoB com base na sua vasta experiência lançou a tática de frente ampla que vai ganhando grande influência entre as oposições. É preciso levar em conta que essa é a forma de acumular forças do lado democrático e progressista na rota da transição para suplantar a fase da defensiva tática, fortalecendo a esquerda.

Junta-se a isso o crescimento da mobilização do povo e das classes trabalhadoras, superando o refluxo por conta do isolamento social na pandemia. Contudo, agora, voltando a ocupar as ruas, com cuidados sanitários, como nas duas últimas mobilizações massivas que se irrompeu por todo país, além das capitais dos Estados. Como tem assinalado nosso Partido a tática de frente ampla respaldada pela mobilização política do povo, levantando suas bandeiras mais candentes e urgentes, torna-se a orientação e o modo político necessários para enfrentar e derrotar Bolsonaro, contendo-o na sua manobra golpista, visando pôr fim ao regime democrático.

Em um governo cujo centro de gravidade do poder político nacional se encontra uma força de extrema direita, obscurantista e visceralmente antidemocrática e anticomunista, como em outros períodos semelhantes, o PCdoB se encontra numa situação de muita desvantagem estratégica e tática. Impõe-se uma situação, ainda de defensiva tática, mas de resistência e de luta a fim de acumular condições que possam assegurar a sua sobrevivência institucional.

Por essa situação de grave retrocesso, o PCdoB avalia ser preciso construir a unidade das forças progressistas e democráticas, superando a crise e abrindo o caminho para a Reconstrução Nacional, sustentado por forças amplas, com o resgate do Estado Nacional democrático e o encontro com a estabilidade democrática. Esta é a primeira grande jornada para o deslanche e crescimento das forças progressistas e, em especial, do nosso Partido.

E soma-se a isto, contra o PCdoB, o dilema das restrições à democracia para o papel institucional do Partido. É a Constituição de 1988 que consagrou o pluralismo partidário no Brasil. No entanto, jamais cessaram as pressões dos setores conservadores para restringir e elitizar o sistema eleitoral partidário, com cláusulas de barreira e eliminação abusiva das alianças nas eleições proporcionais parlamentares. Esta legislação eleitoral restritiva e casuística atinge forças políticas estruturadas com base em programa e ideário bem definidos, cuja presença eleva o patamar do sistema político-partidário em nosso país.

A atuação em frentes, tanto políticas e eleitorais, quanto no embate social, são parte formadora da identidade da luta dos comunistas. Como também as amplas frentes unitárias estão na formação histórica da Nação brasileira, no rumo do avanço civilizacional.

A bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Renildo Calheiros, em intenso diálogo com praticamente todas as legendas do Congresso Nacional, procura formar uma maioria que aprove as Federações partidárias. Todo o Partido está empenhado para suplantar as atuais restrições à democracia e garantir sua representação institucional, baseado no pressuposto da sua continuidade histórica, identidade e autonomia.

Em suma, o Partido Comunista do Brasil em seu longo percurso na sequência da história da nossa Nação, passou por escarpados entroncamentos, por períodos extensos de regimes de chumbo, de escassa liberdade política, por situações díspares, por períodos de fim de linha e de recomeços, sempre manteve sua continuidade e sua permanência, e pelo tempo percorrido, uma trajetória partidária única no Brasil. Por tudo isso, o PCdoB tem demonstrado ser indispensável à democracia, à luta dos trabalhadores e à defesa do Brasil.

Estamos seguros do rumo e do caminho da nossa luta

Os dirigentes e militantes do Partido e das suas fileiras estamos seguros do rumo e do caminho que nossa luta deva seguir, agora e no futuro. Milhares de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, intelectuais, artistas, lideranças públicas, fizeram a história de quase 100 anos do Partido Comunista do Brasil. Alguns atuaram nessas fileiras por algum tempo, mas a força do Partido está centrada na militância e nas lideranças reconhecidas que, a ele dedica toda sua vida de lutas, muitos oferecendo a própria vida.

O Partido formou e promoveu lideranças renomadas, cujo currículo de maior representação pública foi construída no Partido, contribuindo para engrandecê-lo. Alguns destes tendo permanência episódica. Outros por sua dimensão, provocaram abalos com sua saída, mas não atingiram as raízes profundas do PCdoB. Nestes casos, o corpo partidário se levanta em contundente defesa do Partido.



Assim também uma grande liderança do Partido, como Manuela D’Ávila, afirma salientando um princípio básico da organização partidária, consagrado na história da corrente universal dos comunistas: “Não acredito em saída individual para problemas coletivos”. E que, “O Partido encontrará soluções para seus desafios”. Ou diante da avalanche de comentários nas redes sociais neste momento, Luciana Santos, presidente da nossa legenda afirma, o que realmente se passa: “O PCdoB, prestes a completar seu centenário, seguirá sua jornada alicerçado em seu valioso coletivo de militantes e no seu elenco de respeitadas lideranças”.

Assim prosseguiremos, unindo-nos aos aliados possíveis e necessários para defrontar os desafios iminentes de conformar uma Plataforma Programática de Governo, com três movimentos integrados e coetâneos: medidas emergenciais em defesa da vida, deflagração do processo de reconstrução nacional e as primeira medidas para retomada do desenvolvimento de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Para implementar esta Plataforma, defender a vida e reconstruir a economia nacional, é necessário e urgente consolidar esforços para a construção de uma ampla frente democrática com os mais amplos setores da sociedade a fim de isolar e derrotar o desgoverno genocida de Jair Bolsonaro (Proposta encaminhada ao Comitê Central do PCdoB a ser apresentada ao 15º Congresso do Partido, neste ano).

A construção de saídas vincará a dinâmica do processo congressual do 15º Congresso, com uma linha de soluções coletivas, coesão e tempo hábil para aprovação da alternativa.

Enquanto existir capitalismo, o PCdoB é objetiva e subjetivamente uma exigência da história. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

segunda-feira, 20 de julho de 2020

'Não há nenhum debate sobre fusão do PCdoB com PSB' - Luciana Santos - Presidenta do PCdoB - JC On line

'Não há nenhum debate sobre fusão do PCdoB com PSB', afirma Luciana Santos com relação ao 'possível' fim do PCdoB

A vice-governadora de Pernambuco foi procurada pelo JC para falar sobre uma entrevista que governador do Maranhão Flávio Dino concedeu falou sobre a possível fusão ou incorporação do PCdoB com o PSB

Alice Albuquerque
Publicado em 17/07/2020 às 16:55

Foto: Felipe Ribeiro / JC Imagem
"Não existe possibilidade de ter o fim do PCdoB", afirmou a presidente nacional do partido e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos - FOTO: Foto: Felipe Ribeiro / JC Imagem




Em entrevista à CNN na segunda-feira (13), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), falou sobre uma possível fusão ou incorporação do PCdoB ao PSB, "não é que o PCdoB deixará de existir", afirmou. No entanto, ao JC, a presidente nacional do partido, a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, contrariou o governador e afirmou não haver "nenhum debate em curso sobre fusão do PCdoB com o PSB ou com qualquer outro partido".

O PCdoB ficou enfraquecido nas eleições presidenciais de 2018 por conta da cláusula de barreira, que restringe o funcionamento do partido que não alcançar ao menos 1,5% dos votos. Para garantir acesso às eleições, ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV, o partido se incorporou ao Partido Pátria Livre (PPL) sic*.

Quando perguntado sobre o convite recebido pelo PSB para fazer parte da legenda e concorrer às eleições presidenciais em 2022, o governador Flávio Dino (PCdoB) disse esperar até o próximo ano para fazer a redefinição partidária, tendo em vista as novas regras de cláusula de barreira, fim das coligações proporcionais, e ressaltou a relação de proximidade do PCdoB com o PSB.

"O PCdoB tem uma relação muito próxima com o PSB, vejamos que a nossa presidente nacional é vice-governadora de Pernambuco, com o PSB. Temos essa aliança no Recife e em outras cidades de Pernambuco, ou seja, desde o berço, temos essa aliança, uma proximidade. Um diálogo com o PSB é muito bem-vindo, muito positivo para o País. É um caminho, sim, uma aproximação maior do PCdoB com o PSB, mas nunca uma coisa unilateral minha, de que eu vou sair do PCdoB para ser candidato pelo PSB, isso, não, jamais" defendeu.

Indagado sobre a possível fusão das siglas, Flávio Dino comentou que a prática é uma "tendência do sistema partidário" para a diminuição do número de partidos e ressaltou que não é o fim do PCdoB. "Vão haver muitas fusões e incorporações não só no campo da esquerda, e isso atende a um dos objetivos dessa reforma, que é exatamente diminuir o número de partidos. Não que o PCdoB deixará de existir, vai ser extinto, não é isso, mas como legenda eleitoral, você pode ter as chamadas federações partidárias, como fizemos na prática, uma federação do PCdoB com o Pátria Livre, que está em vigor neste momento e a tendência é que outras aconteçam, não só no nosso caso, mas também em outros segmentos na direita brasileira, que muitos partidos pequenos e médios deixarão de existir em 2021", pontuou.

>> Pré-candidato do PCdoB em Jaboatão defende retomada de empregos em diálogo do setor público com economia

Procurada pela reportagem do JC, através de nota, a presidente nacional do partido e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, ressaltou que "não há nenhum debate em curso sobre a fusão do PCdoB com o PSB ou qualquer outro partido".

"O partido hoje trabalha para ter um bom desempenho nas eleições deste ano e chegar a 2022 ainda mais fortalecido. Não existe possibilidade de ter o fim do PCdoB. O PCdoB é uma instituição que carrega e defende um sonho, uma perspectiva, que é a construção do socialismo no Brasil. Enquanto houver injustiça social, essa perspectiva não morrerá, estará sempre na ordem do dia e presente. Também não há nenhum debate em curso sobre fusão do PCdoB com PSB ou com qualquer outro partido".

A vice-governadora também falou sobre a cláusula de barreira, motivo que levou a quase-extinção do partido em 2018. "O que temos, é uma legislação autoritária no País, que institui a famosa cláusula de barreira para que uma legenda possa existir institucionalmente. É uma determinação autoritária porque tem como único objetivo reduzir a quantidade de legendas. Mas estamos nos preparando para enfrentar a cláusula de barreira. Por isso, temos projetos arrojados no Brasil todo em 2020".

Ela destacou algumas pré-candidaturas que lidera pesquisas em alguns municípios, como Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Olinda, com o atual deputado estadual e ex-prefeito do Recife pelo PT, João Paulo (PCdoB), que está com a pré-candidatura confirmada. "Estamos ajustando nossa tática para nos adequarmos às novas exigências da lei eleitoral e nos reposicionarmos na cena".

>> PT decide apoiar pré-candidatura de João Paulo a prefeito de Olinda

Luciana destacou, ainda, a atuação do governador do Maranhão Flávio Dino, que "aparece na cena nacional como um possível pré-candidato à presidência da República dois anos antes das eleições". "Somos hoje um partido que tem uma figura como Flávio Dino. Ele foi deputado federal duas vezes e é um governador reeleito, tudo isso dentro da legenda do PCdB. Ser odo PCdoB nunca foi empecilho para ele virar o que virou, não o impossibilitou de liderar uma frente ampla e conquistar uma vitória política contundente, de repercussão nacional", pontuou. Também procurado pela reportagem do JC, o presidente do PCdoB em Olinda, Luciano Moraes, destacou que o partido é o que tem maior tempo de existência no Brasil e não vai acabar. "O PCdoB só acabará quando não houver mais a necessidade da existência de um partido comunista. Ele está mais vivo do que nunca. A relação com o PSB é estratégica por ser um aliado nosso, sobretudo em Pernambuco, como aliado histórico. Consideramos legítimo a postulação de qualquer partido em disputar a Prefeitura, o que nos une é o objetivo de garantir a democracia e fazer com que Olinda retome o processo de desenvolvimento e inclusão social. Vamos aguardar com muita serenidade a posição que o PSB tomar, e se não for possível estarmos juntos no primeiro turno, estaremos no segundo".

* Mostra da insuficiência da autora, na verdade o Partido incorporou o PPL,  e estamos muito bem, são meus camaradas.  E não é federação coisíssima nenhuma, é um só Partido. Outra bobagem é que 2018 quase nos levou à extinção. Nem as Ditaduras nos levaram à extinção, nem a queda do Leste. Quem pensa assim tem seus limites muito claros, são forças da Ordem. Nós, nunca! Nota do Coletivizando. 

quarta-feira, 11 de março de 2020

PCdoB homenageia o camarada Augusto Buonicore - Luto

O PCdoB ressalta “a monumental contribuição para o resgate e o registro da história do PCdoB, do marxismo e do pensamento progressista em geral”.

por Vermelho
Publicado 11/03/2020 20:21 | Editado 11/03/2020 20:50

Augusto Buonicore é homenageado pelo PCdoB
A presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos e o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo, divulgaram nota de pesar pelo falecimento dos historiador Augusto Buonicore, ocorrido nesta quarta-feira (11) em que destacam sua trajetória e contribuição militante, em especial no debate de ideias.



Os dirigentes comunistas citam as obras e atuação do historiador e cientista político no Centro de Documentação e Memória da Função Maurício Grabois e no Comitê Central do PCdoB. “Com suas posições claras e bem definidas, conquistou respeito e simpatia em amplos setores da intelectualidade”, afirmam.

Leia também: Coluna de Augusto Buonicore no Portal Vermelho



A nota afirma também que Augusto “foi um incansável batalhador pelo desenvolvimento da nova luta pelo socialismo. Seu legado certamente muito contribuirá para o desdobramento desse processo”. Ao final, presta condolências à família e reverenciam a luta e o legado de Augusto


Augusto, à esquerda, em debate com João Amazonas (de pé)


Confira a íntegra a seguir:

Nota de pesar pelo falecimento do camarada Augusto Cesar Buonicore

O falecimento do camarada Augusto Cesar Buonicore deixa a militância e os amigos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) profundamente entristecidos. Ele falece aos 59 anos de idade, em pleno auge da sua produção teórica, depois de uma profícua atuação como intelectual, escritor, militante estudantil e sindical.

Historiador e cientista político, foi membro do Comitê Central do PCdoB e dirigente da Fundação Maurício Grabois. Foi também um dos coordenadores da Escola Nacional João Amazonas.

Suas obras “Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros”; “Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas”; e “Linhas Vermelhas: marxismo e os dilemas da revolução” – além de artigos, palestras e entrevistas – enriqueceram o pensamento marxista brasileiro e ajudaram significativamente na compreensão do Brasil e dos seus dilemas.

À frente do Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois, Augusto Buonicore deu uma monumental contribuição para o resgate e o registro da história do PCdoB, do marxismo e do pensamento progressista em geral. Com suas posições claras e bem definidas, conquistou respeito e simpatia em amplos setores da intelectualidade.

Augusto Buonicore era reverenciado pelo rigor com que tratava suas pesquisas e, também, por ter sido um camarada de dedicação a toda prova às causas do povo, sempre modesto e fraterno. Criador e difusor de ideias avançadas, foi um incansável batalhador pelo desenvolvimento da nova luta pelo socialismo. Seu legado certamente muito contribuirá para o desdobramento desse processo.

Nossas fraternas e sentidas condolências à esposa, Sônia Regina de Oliveira; à filha, Clara Oliveira Buonicore; e à mãe, Dolores Buonicore!

Inclinamos nossas bandeiras revolucionárias do PCdoB, de fraternidade e justiça social, à memória de Augusto Buonicore!

Reverenciamos sua luta e seu legado!

São Paulo, 11 de março de 2020

sexta-feira, 25 de março de 2016

PCdoB, 94 anos: Ontem, hoje, na luta pela democracia, contra o golpe! - Luciana Santos - Presidenta do PCdoB - Portal Vermelho


PCdoB, 94 anos: Ontem, hoje, na luta pela democracia, contra o golpe
Neste 25 de março de 2016, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) comemora 94 anos de sua fundação conclamando todas as correntes democráticas e progressistas a combaterem o golpe em curso no Brasil. Em um ambiente político adverso, a legenda comunista reafirma a defesa das causas democráticas, patrióticas e populares. Assim afirma a presidenta nacional do Partido, deputada Luciana Santos, em mensagem aos comunistas.

Foto: Dip A deputada federal (PCdoB-PE), Luciana Santos foi eleita presidenta do PCdoB em maio de 2015. Ao lado do ex-presidente nacional do Partido Renato Rabelo e do secretário nacional de Organização, Ricardo Alemão Abreu Leia a íntegra da mensagem abaixo:

PCdoB, 94 anos: Ontem, hoje, na luta pela democracia, contra o golpe!

A defesa das liberdades democráticas e dos direitos do povo é uma das principais marcas do Partido Comunista do Brasil. Ao completar 94 anos de existência, neste dia 25 de março de 2016, o PCdoB encontra-se, mais uma vez, na linha de frente da resistência e do combate a um golpe que ameaça alvejar a democracia brasileira.

O Brasil vive hoje dias que valem por anos, décadas. O país se encontra polarizado, crivado por uma acirrada luta política. As forças reacionárias da sociedade e do Estado e a grande mídia tentam aprovar na Câmara dos Deputados um impeachment fraudulento, sem nenhum fundamento jurídico, contra a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita.

Um golpe contra o povo e a democracia está em marcha. É preciso enfrentá-lo, e de batalha em batalha derrotá-lo. Apesar da adversidade, o PCdoB tem a convicção de que a união e a luta de amplos setores democráticos, a mobilização do povo, que crescem e se elevam, poderão sim vencer o golpismo e preservar a democracia conquistada à custa de muitas lutas e vidas.

A história de nossa República é toda ela marcada por esse confronto que hoje se trava no país: Democracia versus ditadura, Estado Democrático de Direito versus Estado de Exceção, respeito à soberania do povo versus imposição da vontade e dos interesses das elites.

O PCdoB, ontem e hoje, sempre esteve até as últimas consequências comprometido com a democracia, base para a soberania nacional e para a garantia dos direitos do povo e dos trabalhadores.

PCdoB sempre do lado da democracia

Nos primeiros anos de existência do Partido, durante a República Oligárquica, os comunistas advogaram a anistia e o voto secreto, extensivo às mulheres e aos analfabetos. Lembramos que naquele momento a grande maioria do nosso povo estava excluída do direito democrático de eleger os seus governantes.

Nos anos 1930 foram pioneiros em alertar a nação sobre os perigos representados pelo crescimento do fascismo. Por isso, participaram com destaque da constituição da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente antifascista que foi perseguida e banida pelo governo do presidente Getúlio Vargas.

Em novembro de 1937, um golpe de Estado instaurou a ditadura do Estado Novo. Os partidos políticos foram proibidos, o parlamento fechado e a imprensa censurada. Mesmo na clandestinidade, os comunistas continuaram lutando contra a fascistização do país. Foram força destacada no processo de mobilização popular que levou o Brasil a romper relações diplomáticas e declarar guerra às potências do Eixo nazi-fascista em 1942. Centenas de jovens comunistas se alistaram na Força Expedicionária (FEB) para combater nos campos da Itália.

A derrota da Alemanha hitlerista e de seus aliados – para a qual o Brasil deu sua contribuição – ajudou a acelerar o fim do Estado Novo. Os comunistas, as forças democráticas e patrióticas conquistaram a anistia e a convocação da Assembleia Constituinte que, acreditavam, conduziria o país no caminho da democracia.

O papel positivo desempenhado pelos comunistas nos sombrios anos do Estado Novo foi reconhecido por amplas parcelas do povo, especialmente os trabalhadores. O PC do Brasil obteve 10% dos votos para presidente da República na eleição de 1945, elegendo um senador e 14 deputados federais. Essa façanha foi obtida com apenas poucos dias de campanha.

Na Constituinte, foi a bancada que mais se empenhou em ampliar a democracia e defendeu com vigor a liberdade sindical e de greve. Novamente defendeu o voto dos analfabetos, que representava a maioria da população. Apresentou a emenda que garantia a liberdade religiosa, que beneficiou especialmente os cultos afro-brasileiros.

O início da Guerra Fria desencadeada pelo imperialismo acarretou mudanças na situação política. Aumentou a ofensiva conservadora contra o movimento democrático e popular. Começaram as provocações das forças reacionárias para isolar e golpear os comunistas. As manifestações públicas e greves eram reprimidas com violência insana. Sedes do partido eram invadidas e militantes presos.

Neste clima de caça às bruxas, em maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral, por 3 votos contra 2, decidiu pela cassação do registro do PCB. Imediatamente suas sedes foram fechadas pela polícia. Alguns meses depois, em janeiro de 1948, o projeto de cassação dos mandatos foi aprovado na Câmara dos Deputados. A jovem democracia brasileira recebia os seus primeiros golpes.

Novamente na clandestinidade – tendo seus principais dirigentes ameaçados por mandados de prisão –, os comunistas mantiveram alto as bandeiras da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo, ameaçadas pelo governo autoritário e entreguista do general Dutra.

As correntes direitistas continuaram atuantes, constituindo-se um dos principais fatores de instabilidade política no Brasil. Inúmeras vezes, através de golpes de mão, elas buscaram interromper o processo democrático. Lembremos apenas da sórdida campanha que levou ao suicídio o presidente Getúlio Vargas (1954); as tentativas de impedir a posse e de derrubar o presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1957); ou de impedir a posse de João Goulart e a imposição do parlamentarismo (1961). Por fim, o golpe militar de 31 de março de 1964 que implantou uma nefasta ditadura de 21 anos.


O regime militar perseguiu, exilou, prendeu, torturou e assassinou seus opositores. O arbítrio enfrentou obstinada resistência na qual o PC do Brasil jogou importante papel.

O Partido participou de todas as frentes de luta contra a ditadura militar: do parlamento, da mobilização do povo à luta armada na região do Araguaia. Esteve presente ao lado dos estudantes, dos operários e da intelectualidade progressista nas grandes campanhas pela liberdade. Levantou bem alto as bandeiras da anistia, da Constituinte e pelo fim das leis de exceção. Foi um ativo participante da Campanha pelas Diretas Já!, e contribuiu com todas as suas forças para a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, o que permitiu colocar um fim à ditadura e reconquistar a democracia que temos. Processo, em grande parte, concluído com a promulgação da Constituição cidadã de 1988.

Nos anos de obscurantismo ditatorial o PCdoB foi a organização política que mais heróis e mártires deu à causa da liberdade. Ainda hoje os corpos de mais de 60 militantes assassinados continuam desaparecidos.

Derrotar o golpe, preservar a democracia


Contudo, desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em outubro de 2014, o país vive grave crise política que agora chega ao seu estado crítico. A direita neoliberal não aceitou o resultado das urnas e desencadeou uma escalada reacionária e golpista para derrubar um governo legitimamente eleito.

O movimento golpista age em conluio com a grande mídia e setores do aparato jurídico-policial – a serviço da oposição conservadora e de interesses do imperialismo. Não se intimidam em colocar o país diante do perigo de grave conturbação social. Disseminam o ódio, a intolerância entre o povo e incentivam a violência sectária contra a esquerda. Sedes do PT e do PCdoB são alvos de atos criminosos de vandalismo. Movimentos sociais e entidades históricas como a União Nacional dos Estudantes (UNE), também, são agredidos.

A força motriz do atual golpismo é a “Operação Lava Jato”, comandada pelo juiz Sérgio Moro. São processos típicos de Estado de exceção, como os vazamentos seletivos de informações, desvirtuamento dos procedimentos da prisão provisória e da delação premiada. Chegou-se ao absurdo da ilegal condução coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento e das escutas ilegais evolvendo a atual presidenta Dilma e seu antecessor, tudo encoberto pelo falso manto do combate à corrupção.

Ainda que seja plenamente favorável a todas as iniciativas de combate aos desvios de dinheiro público, os comunistas do Brasil reafirmam que não se faz justiça afrontando o Estado Democrático de Direito, conquistado a duras penas pelo povo brasileiro. Tampouco solapando a soberania nacional e destruindo empresas essenciais ao projeto de desenvolvimento.

Que não haja dúvidas: além de mutilar a democracia, o golpe tem por objetivo acabar com as conquistas que o povo e a Nação obtiveram nos últimos 13 anos. A agenda política e econômica dos golpistas é um neoliberalismo selvagem de agressão aos direitos dos trabalhadores e à soberania do país.

Por isso, o PCdoB comemora mais um aniversário conclamando sua militância e todas as correntes democráticas e progressistas, mesmo aquelas que têm divergência com o governo, a combaterem decididamente o golpe em curso e a defenderem a democracia ameaçada.

Não vai ter golpe! Viva a democracia.

Recife, 24 de março de 2016
Deputada Federal Luciana Santos
Presidenta do Partido Comunista do Brasil – PCdoB

quinta-feira, 9 de abril de 2015

PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacional - PCdoB. O Partido do socialismo.



PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacional - PCdoB. O Partido do socialismo.


PCdoB divulga projeto de resolução da conferência nacionalO Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) reunido no último fim de semana (27 a 29), aprovou a resolução que convoca a 10º Conferência Nacional do partido que se realizará entre os dias 29 a 31 de maio deste ano em São Paulo.







A resolução a ser discutida no processo de conferência foi divida em quatro partes. A primeira debate a conjuntura política internacional e nacional e propõe a constituição de uma “frente ampla em defesa do Brasil, do desenvolvimento e da democracia”. A segunda parte trata da organização: “Atualizar e efetivar as linhas de construção partidária”. O terceiro item da resolução aborda a sucessão da presidência nacional do partido. Já o último trecho apresenta os aspectos da regulamentação do processo da 10ª Conferência.

No que tange à situação política nacional, o documento destaca que a “presente escalada da direita se desencadeou na própria sucessão presidencial de 2014, que se intensificou com a recusa do consórcio oposicionista em aceitar a quarta derrota consecutiva nas urnas e projeta-se para um tempo e desfecho indefinidos. Com essa investida, a direita neoliberal objetiva ceifar os ciclos democrático e progressista, reconquistando o governo ou em 2018 ou antes pela via do golpismo”.

Segundo o projeto de resolução, as denúncias de desvios de recursos da Petrobras na chamada Operação Lava Jato serviu para agravar a crise política e dar vazão à investida “manipulada e seletiva” de setores da direita para atingir a base do governo, especialmente a presidenta Dilma e o PT, mas “a crise estende-se também ao Poder Legislativo”, uma vez que há indícios de envolvimento dos presidentes das duas Casas do Congresso. Ainda segundo o documento, “o baixo crescimento econômico” do pais é outro fator estrutural da crise que, instrumentalizada, agrava a instabilidade”.

Neste sentido, o documento preparatório da 10ª Conferência nacional do PCdoB propõe “defender a democracia e o legítimo mandato constitucional da presidenta Dilma” e ainda “rechaçar e vencer o golpismo da direita seja repelindo e desmascarando a pregação de um impeachment fajuto, posto que sem base jurídica, seja derrotando outra vertente desse golpismo, que é a de tentar paralisar o governo, desestabilizá-lo – vertente essa que também se expressa pela conduta truculenta, autodeclarada do PSDB, de ‘sangrar’ a presidenta, de enfraquecê-la continuadamente”.

Para impulsionar a contraofensiva, o projeto de resolução apresenta ainda “a retomada da iniciativa política a ser empreendida pelas forças democráticas e progressistas em torno de bandeiras unificadoras que se relacionam com a tarefa central de rechaçar com firmeza o golpismo, de defender o mandato da presidenta e de conquistar a estabilidade do governo”. Essas bandeiras são a defesa da Petrobras, da engenharia, da economia nacional; o combate à corrupção com o fim do financiamento empresarial das campanhas; a retomada do crescimento econômico e a garantia dos direitos trabalhistas e sociais.

Segue a íntegra do documento (anexo).
Do Portal Vermelho

PROJETO DE RESOLUÇÃO DA 10ª CONFERÊNCIA NACIONAL DO PCDOB


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