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quarta-feira, 12 de março de 2025

Giro Sindical debate os JUROS ALTOS - Paulo Vinícius da Silva é o entrevistado, 6a feira, 11h no Youtube




Nesta sexta-feira, a partir das 11 horas: https://www.youtube.com/watch?v=aFerdIDS2xs


CTB Bancários: A luta contra os juros é a luta pelo desenvolvimento do Brasil


No episódio desta sexta-feira (14) do Giro Sindical, produzido pela Agência Metamorfose Comunicação, recebemos Paulo Vinicius, Diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília e da CTB Bancários, para discutir a luta da categoria contra os juros abusivos e como essa batalha está diretamente ligada ao desenvolvimento do Brasil.


Nesta sexta-feira, 14 de março, das 11h às 11h30, Paulo Vinicius da Silva explica como os altos juros impactam não apenas os trabalhadores, mas toda a economia do país, dificultando o acesso ao crédito, o crescimento das empresas e a geração de empregos. 

Ele também aborda as ações do sindicato e da CTB Bancários para pressionar por políticas que garantam juros mais justos e um sistema financeiro mais equilibrado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A eleição de 2014, a economia e as ameaças neoliberais aos bancos públicos - Paulo Vinícius Silva

Criança, vi a inflação mensal de até 89% ao mês. Com uma verdadeira guerra econômica e midiática em curso, vê-se uma pressão monstruosa para impor um ajuste neoliberal ao país, independentemente de quem ganhe, vemos o terrorismo midiático em economia, chantageando o país e o governo, querendo um nome dos bancos estrangeiros para comandar a Fazenda, sob a "gravíssima" situação de uma inflação está em 0,25% ao mês!

E no programa de governo da candidata Marina está claro o seu rumo. Com uma mão, dá a "independência" ao Banco Central, um eufemismo para dizer que a imprensa golpista e o "mercado" - que ganham com os juros SELIC altos - terão o Banco Central dependente deles para ampliar o patamar dos juros que afetam o cartão de crédito, as prestações da casa, as prestações do carro, os juros dos financiamentos e do capital de giro das empresas e microempresas.

Depois de uma série de generalidades, inclusive dizendo que o spread é alto, que a SELIC é alta, olhe, colega bancário(a), correntista, microempresário(a), como o que diz Marina Silva nada tem com a constatação, porque propõe mais veneno, e não a cura da doença. Em seu Programa, exatamente na página 60, ela diz:
"devemos caminhar gradualmente para um sistema no qual o crédito público para empresas seja complementar, e não inibidor do sistema de crédito privado, focando em negócios com as seguintes características:
1) empresas pequenas e nascentes;
2) projetos inovadores ou com alto impacto social;
3) projetos de maturação muito longa que exijam alto volume de recursos,
como obras de infraestrutura.
Os subsídios ao crédito agropecuário e aos programas de habitação popular deverão continuar, mas com maior participação dos bancos privados, evitando subsídios não computados e ineficiências na alocação".

Traduzindo:
a) Marina propõe o que Dilma já fez, pois nunca os bancos receberam tanto povo e emprestaram tanto e a juros tão baixos às microempresas, aos microempreendedores que antes eram informais. Marina pretende retirar da Caixa e do Banco do Brasil as possibilidades mais atrativas de negócios, restringindo como jamais a possibilidade de ação dos bancos públicos para emprestar. Isso é a resposta do sistema financeiro privado à ação empreendida por Lula e Dilma através do Banco do Brasil, da Caixa e do BNDES, BASA e BNB para DIMINUIR OS JUROS que até então se cobravam. É ter diminuído o patamar dos juros que ela chama de fator "inibidor" aos bancos privados.

b) Se ela, por um lado, permite ao BC aumentar a SELIC à vontade - com "independência" do Bano Central e sua gestão exclusiva por critérios  supostamente "técnicos" e com a ajuda da imprensa golpista, a consequência será necessariamente um aumento, e não redução da taxa SELIC, e um aumento do patamar dos juros e do spread bancário. Afinal, propõe diminuir o papel dos bancos públicos em emprestar para as empresas, para o agronegócio, para a agricultura familiar. Mas é um grande negócio para os bancos privados;

c) Com a perda da lucratividade nos bancos públicos, ver-se-á outra vez a campanha pela sua privatização. Já no programa de governo, a candidata neoliberal alfineta os bancos públicos: "ineficiências na alocação", "subsídios não computados" são acusações que negam o papel importantíssimo dos Bancos Públicos em impedir a crise de se apossar do Brasil. Marina nega a eficiência e o talento dos bancários dos bancos públicos, criadores de uma tecnologia competitiva em todo o mundo, sucessivamente vitoriosos(as) em seguidos resultados positivos, impulsionando o Microcrédito, o Cartão BNDES, os empréstimos dos Fundos Constitucionais. Tão eficientes e competitivos são os Bancos Públicos, que a candidata apoiada pela herdeira do Itaú, que coordena o seu Programa de Governo, propõe uma intervenção na política de crédito para prejudicá-los e "dar uma forcinha" para a banca privada.

Não há máscara, não há pudor. A candidata neoliberal Marina Silva investe contra os bancos públicos e propõe uma agenda que, na verdade, levará à redução do crédito, à ampliação dos juros e aos ataques a uma das principais bases da soberania brasileira, o sistema financeiro com o protagonismo público. Marina promete a volta de páginas da nossa história recente vividas pelos(as) funcionários(as) do BB, da CEF, BNB, BASA e dos bancos estaduais. Histórias tristes, de perseguições, suicídios, de profunda insatisfação com o trabalho, porque os bancários e bancárias sofrem duplamente nesse tipo de situação. Sofrem por serem levados ao desespero no trabalho, perseguindo metas inalcançáveis, enfrentando o enxugamento do quadro e a liquidação das instituições, porque é isso que se prepara com as medidas acima elencadas. E sofre porque com   juros altos é o bancário que cobra, é ele que vê a falência e o empobrecimento dos clientes. Com Lula e com Dilma ajudamos a realizar sonhos, de viver na casa própria, de estudar, de acesso ao conforto, ao lazer, à informação. É muito diferente de ser bancário para ver no olhar dos clientes o medo, o desemprego, a perda do que eles conquistaram com tanto sacrifício.

Não haja dúvidas para bancários e bancárias, nem para clientes: a agenda de Marina é contra os bancos públicos, é a favor dos bancos privados, levará aos juros mais altos, comprometerá o desenvolvimento do país, levará as famílias a uma situação de maior endividamento e as microempresas à insolvência.

Dilma é a única candidata que defende os interesses do Brasil, que são inseparáveis de sólidos e poderosos Bancos Públicos. Mas Dilma tem de mostrá-lo claramente aos bancários e bancárias que, às vésperas da sua campanha salarial nacional, extenuados pela imensa responsabilidades que sobre si recaíram, necessitam de maior valorização, de reconhecimento.

Apesar de os anos de Dilma e Lula terem recuperado os salários dos bancários dos bancos públicos, com aumentos superiores à inflação, a herança maldita de oito anos sem aumento salarial nos anos de FHC ainda levam a uma remuneração básica baixíssima para o papel da categoria bancária na sociedade. No entanto, essa constatação não pode nos levar a uma postura irresponsável que leve à própria liquidação desse patrimônio que são os bancos públicos, as grandes molas impulsionadoras do desenvolvimento. Na eleição, Marina assume claramente o lado dos especuladores e maiores inimigos dos bancos públicos. Por isso a campanha salarial de 2014, em plena eleição, terá uma especial complexidade política: é preciso defender a categoria e ao mesmo tempo defender o Brasil e os Bancos Públicos. E isso só será possível com Dilma.

domingo, 12 de abril de 2009

ECONOMIA - Em vez de crédito, títulos públicos

www.correioweb.com.br


Bancos aplicam os R$ 100 bilhões liberados pelo BC dos depósitos compulsórios em papéis do governo, quando deveriam destinar o dinheiro para financiamentos a empresas e consumidores

Vicente Nunes
Da equipe do Correio

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem alardeado que o crédito no Brasil já está voltando à normalidade, depois da forte retração provocada pela crise econômica mundial. Mas o que se pode depreender dos números divulgados pelo próprio BC é que, mesmo com todos os estímulos dados pelo governo, em vez de emprestar a empresas e consumidores, os bancos estão preferindo o conforto dos títulos públicos. Praticamente, todos os R$ 100 bilhões liberados dos depósitos compulsórios que as instituições mantêm nos cofres do BC com o intuito de destravar o crédito foram destinados à compra de papéis do governo por meio das chamadas operações de mercado aberto, com vencimento médio de três meses.
Entre setembro e novembro do ano passado, o período mais crítico de falta de liquidez no mercado, os compulsórios caíram de R$ 272,1 bilhões para R$ 187,4 bilhões. Curiosamente, a partir daí, o volume de operações de curtíssimo prazo com títulos públicos deu um salto de R$ 269,6 bilhões, em novembro, para R$ 381,3 bilhões em janeiro. "Não há dúvidas de que os bancos preferiram não correr riscos. Com o mercado nervoso e o medo da inadimplência, quase todo o dinheiro dos compulsórios foi para o overnight (operações de um dia). E isso aconteceu sem que o BC emitisse qualquer sinal no sentido de aplicar algum tipo de punição às instituições financeiras, o que considero uma falha", diz o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor da Dívida Pública do BC.

Algo de errado
Pelos cálculos do Banco Central, de novembro de 2008 para fevereiro de 2009, as aplicações de um dia com títulos públicos (go around) cresceram de R$ 86,6 bilhões para R$ 101,8 bilhões. Já as transações com vencimento entre duas semanas e três meses pularam de R$ 150,7 bilhões para R$ 240,7 bilhões. "Está uma festa. Os grandes bancos, incluindo os públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), que ficaram com o grosso dos compulsórios, não querem saber de emprestar para o setor produtivo nem para os consumidores. Mas esse dinheiro que está no overnight é vital para a retomada do crescimento do país. Sem crédito, a economia não anda", afirma José Luiz Rodrigues, sócio da Consultoria JL Rodrigues.
Para mostrar o quanto está fácil a vida dos bancos, Rodrigues recorreu a informações do BC para comprovar como o crédito está escasso, mesmo com a injeção de R$ 100 bilhões promovida pelo governo com a liberação dos compulsórios. Em setembro, quando explodiu a crise, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, as concessões acumuladas de empréstimos e financiamentos com recursos livres (sem obrigatoriedade de direcionamento para algum segmento) totalizaram R$ 162,2 bilhões. Em janeiro desde ano, as concessões haviam encolhido para R$ 123,4 bilhões e caíram ainda mais em fevereiro, para R$ 123,4 bilhões.
"Ou seja, na mesma proporção em que os compulsórios foram sendo liberados, as operações de curtíssimo prazo dispararam e as concessões de crédito caíram. Algo está errado", assinala Freitas Gomes. Ele reconhece, porém, que, em fevereiro, já sob o reflexo do corte de um ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), de 13,75% para 12,75% ao ano, que remunera os títulos negociados no overnight, houve redução nas aplicações do mercado aberto - de R$ 381,3 bilhões para R$ 366,3 bilhões. Os mais espertos migraram para papéis com taxas pré-fixadas, que garantem juros mais altos por um prazo mais longo.

Sentados na grana
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, reconhece a forte migração dos compulsórios liberados pela instituição para o overnight. "Mas nem todo o crescimento dessas operações foi dinheiro dos compulsórios. Nesse período, o Tesouro resgatou parcela importante da dívida pública. E o dinheiro que ficou sobrando na economia foi retirado pelo BC", argumenta. Tal justificativa, porém, não convence José Luiz Rodrigues. "É verdade que a liberação dos compulsórios foi importantíssima para que o sistema financeiro se mantivesse de pé. Mas o certo seria que o dinheiro pegasse os grandes bancos com apetite para emprestar. O que não foi o caso. No máximo, essas instituições se dispuseram a comprar algumas carteiras de crédito dos bancos médios e pequenos, o que só contribuiu para aumentar a concentração do mercado", destaca.
Mesmo os bancos de menor porte que receberam compulsórios não liberaram recursos para crédito. Preferiram ficar sentados em cima do dinheiro, aplicados em títulos públicos. Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, acredita que esses bancos devem voltar a emprestar diante da decisão do governo de criar um seguro especial para depositantes no valor de até R$ 20 bilhões. Com esse seguro, os fundos de pensão, que sacaram todo o dinheiro que tinham nessas instituições, voltarão a operar com elas, pois sabem que, em caso de quebra, receberão os respectivos valores do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Investimentos menores reduzem demanda
Apesar da farra dos bancos com os recursos liberados dos depósitos compulsórios, o BC já não vê mais problema na oferta de crédito. Agora, o que se observa é a redução na demanda, sobretudo por parte das empresas. Como muitas companhias suspenderam investimentos, já não estão precisando tanto de financiamentos. "A demanda por crédito leva em conta a confiança dos empresários, que foi afetada pela crise", diz o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita. "Além de a demanda interna ter diminuído, os preços internacionais também caíram (devido à recessão internacional)", acrescenta.
Para José Luiz Rodrigues, sócio da Consultoria JLRodrigues, não foi somente a perspectiva de vender menos que travou os investimentos e a demanda por crédito pelas empresas. "O problema é que os juros estão altos demais. Não há como uma companhia arcar com taxas de 30,8% ao ano, ainda mais em períodos de forte contração", frisa. A seu ver, é possível que, com a volta dos pequenos e médios bancos ao mercado, ampliando a concorrência, os juros caiam mais depressa. Ele acrescenta ainda que não se pode esquecer que a taxa básica de juros (Selic) continuará em baixa, podendo ficar entre 8% e 9% ao ano, um estímulo para que o custo final do crédito fique mais acessível.
Mais pessimista, o economista-chefe da Gap Asset Management, Alexandre Mais, é taxativo: "Só veremos os investimentos produtivos de volta quando as empresas retomarem a confiança e estiverem certas de que vão poder produzir, pois haverá compradores para suas mercadorias". (VN)

Fonte: Correio Braziliense
http://www.anabb.org.br/mostraPaginaClippingTodos.asp?dataClipping=4/6/2009&codServico=33

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